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A influência do índice de massa corpórea elevado no processo de indução do parto / The influence of high body mass index in the child induction process

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 8, p. 62180-62188 aug. 2020. ISSN 2525-8761

A influência do índice de massa corpórea elevado no processo de indução do

parto

The influence of high body mass index in the child induction process

DOI:10.34117/bjdv6n8-590

Recebimento dos originais:08/07/2020 Aceitação para publicação:26/08/2020

Milene de Oliveira Almeida

Fisioterapeuta pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil

E-mail: [email protected]

Maria José de Oliveira Martins

Formação acadêmica mais alta: Fisioterapeuta pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil

E-mail: [email protected]

Monique Maria Silva da Paz

Graduanda em fisioterapia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil

E-mail: [email protected]

Nadine Oliveira Cabral

Graduanda em fisioterapia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil.

E-mail: [email protected]

Viviann Alves de Pontes

Graduanda em fisioterapia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil.

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Poliana Kelma Berto da Silva Alves

Fisioterapeuta pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil.

E-mail: [email protected]

Thais Josy Castro Freire de Assis

Doutora em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Endereço: Jardim Cidade Universitária, S/N - Campus I. CEP: 58051-900. Castelo Branco, João Pessoa (PB), Brasil.

E-mail: [email protected]

Cristina Katya Torres Teixeira Mendes

Pós-Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Endereço: Cidade Universitária, Castelo Branco, S/N, João Pessoa –PB, Brasil. CEP: 58051-900 E-mail: [email protected]

RESUMO

Objetivo: Analisar a influência do IMC no processo de indução do trabalho de parto por misoprostol e os seus desfechos. Metodologia: Pesquisa de caráter descritivo documental, realizada através da avaliação de prontuários de 90 gestantes internadas no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e induzidas ao trabalho de parto com misoprostol com idade maior de 18 anos, os dados coletados foram posteriormente analisados no programa estatístico SPSS. As variáveis avaliadas foram: dados sóciodemográficos e clínicos materno e características e desfechos do processo de indução. Resultados: Das 90 mulheres analisadas, de acordo com o IMC, 54,5% estavam acima do peso, 12,2% baixo peso e 33,3% peso adequado, apresentando uma média de idade de 27,8 anos. Apresentaram IMC mais elevado mulheres na faixa etária de 33-45 anos e as multíparas. Quanto ao processo de indução, 46,7% das que tinham peso adequado tomaram apenas uma dose e as que estavam acima do peso tiveram maior tempo entre o início da indução até o parto. A maior parte das pacientes que evolui para parto normal apresentava baixo peso. Conclusão: O IMC influencia no processo de indução de trabalho de parto, interferindo no quantitativo de doses administradas, tempo total do início da indução ao parto, como também no tipo de parto realizado.

Palavra-chaves: Parto, Gestação, Indução do parto. ABSTRACT

Objective: To analyze the influence of BMI on the misoprostol induction process as well as its outcomes. Descriptive documentary research, conducted through the evaluation of medical records of 90 pregnant women admitted to the University Hospital Lauro Wanderley (HULW) and induced to labor with misoprostol aged over 18 years, the data collected were subsequently analyzed in the statistical program SPSS. The variables evaluated were: sociodemographic and clinical maternal data and characteristics and outcomes of the induction process. Results: Of the 90 women analyzed, according to the BMI, 54.5% were overweight, 12.2% underweight and 33.3% adequate weight, with an average age of 27.8 years. Higher BMI showed women aged 33-45 years and multiparous women. As for the induction process, 46.7% of those who had adequate weight took only one dose and those who were overweight had a longer time between the start of induction and delivery. Most

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of the patients who progress to normal delivery were underweight. Conclusion: BMI influences the labor induction process, interfering with the amount of doses administered, total time of induction of labor, as well as the type of delivery performed.

Keywords: Childbirth, Gestation, Labor induction.

1 INTRODUÇÃO

Durante o período gestacional ocorrem diversas alterações fisiológicas no organismo materno como o aumento do útero, das reservas de gordura, da quantidade de sangue, do tecido mamário, da água intra e extracelular, dentre outras, objetivando o crescimento, nutrição e desenvolvimento fetal. Além disso, há o peso fetal, da placenta, das membranas e do líquido amniótico¹, que promovem uma elevação normal no peso corporal.

A classificação do IMC e o uso da tabela de Atalah classificam o IMC em baixo peso, peso adequado, sobrepeso e obesidade com relação a semana gestacional. Tais medidas devem ser acompanhadas durante as consultas no pré-natal e quando observada a elevação do IMC deve ocorrer a investigação do surgimento de alguma alteração adversa.²

Quando o índice de massa corpórea (IMC) é elevado para a Idade Gestacional (IG), predispõe um aumento no risco de prováveis complicações maternas e perinatais, tornando-se assim uma gestação caracterizada de alto risco,³ aumentando a probabilidade de risco materno e fetal, como o surgimento de diabetes gestacional, síndromes hipertensivas da gravidez, trombofilia, infecções urinárias, macrossomia fetal, morte fetal, morte materna, parto prematuros, partos distócicos que aumentam a incidência de cesáreas, levando assim a maiores probabilidades de hemorragia pós-parto e infecção puerperal, dentre outros.4,5,6.

Uma alternativa para diminuir o índice de cesariana como também minimizar esses riscos maternos e fetais é o processo de indução do trabalho de parto com o fármaco misoprostol, que produz um estímulo do amadurecimento cervical e das contrações uterinas antes do seu início espontâneo favorecendo o percurso para o parto normal e espontâneo.7 Mulheres com o IMC mais

elevado no fim da gestação evoluem mais vezes para um parto cesariana em comparação aquelas com IMC adequado ou baixo peso8, e apresentam ainda maior probabilidade de passarem por indução do parto.9

Dessa forma, a perda do controle de ganho de peso ao longo do período gestacional implica no surgimento de diversas situações que comprometem o binômio mãe-feto, tal como justifica diversas condições de risco, que por sua vez aumentam a incidência de partos cirúrgicos, contribuindo para o Brasil ser um dos maiores países realizadores desse tipo de via de parto no mundo.

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Dessa forma, o objetivo do estudo foi analisar a influência do IMC no processo de indução do trabalho de parto por misoprostol e os seus desfechos.

2 MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa descritiva documental de caráter exploratório sob a perspectiva de uma abordagem quantitativa. Foi realizado por meio de avaliação dos prontuários das gestantes internadas no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) situada em João Pessoa – PB, hospital de referência em gravidez de risco. Tal pesquisa foi aprovada pelo Comitê de ética em Pesquisa do HULW com o número do CAAE: 41020815.0.0000.5188. Foram verificados 100 prontuários de gestantes internas no HULW no período de Setembro de 2018 a Março de 2019, dessas, foram incluídas 100 gestantes que tinham mais de 18 anos, passaram por indução do parto pelo fármaco Misoprostol e que concordaram em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), mas em 10 desses prontuários não havia o IMC das mesmas, sendo assim excluídas da pesquisa e finalizando com um total de 90 participantes. Os dados obtidos através dos prontuários permitiram a coleta das seguintes variáveis: dados sóciodemográficos e clínicos materno (idade materna, estado civil, escolaridade, paridade, e idade gestacional) e características e desfechos do processo de indução (número de doses administradas, tempo do início da indução ao parto, tipo de parto, intercorrências maternas e neonatais pós-parto). Com base nas informações obtidas por meio dos prontuários, foi realizada uma análise estatística descritiva quantitativa a partir do sistema computacional Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) para Windows 10 onde foi possível realizar tabelas de frequência para avaliar média e desvio padrão, tabelas de referência cruzada para comparação os dados, teste t de amostras independentes e teste de Odds Ratio para verificação de risco.

3 RESULTADOS

Ao analisar o IMC das 90 mulheres que realizaram a indução do trabalho de parto por misoprostol, a maior parte delas estava acima do peso (54,5%) ou com peso adequado (33,3%) e apenas 12,2% apresentavam baixo peso. Analisando apenas as mulheres estavam acima do peso ou apresentavam peso adequado, no total de 79, a média de idade do grupo considerado acima do peso foi de 29,14 ± 6,2 e com peso adequado foi de 27,01 ± 6,9 (t(77)=1,41;P> 0,05).

Quando realizada a relação entre a idade materna com o IMC foi observado que as mulheres consideradas com peso adequado eram mais jovens, sendo metade delas da faixa etária de 18-25 anos (Tabela 1). Com relação ao estado civil grande parte da amostra apresentou união estável e com relação ao nível de escolaridade, as mulheres do grupo acima do peso mostraram nível

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fundamental (36,7%) e médio (49%) como prevalentes, contudo as do grupo com peso adequado mostrou possuir nível mais elevado onde 46,7% tinham ensino médio e 20% superior completo (Tabela 1).

A relação da paridade com o IMC mostrou que as mulheres nulíparas estão em sua maioria classificadas com peso adequado, enquanto que as mulheres multíparas eram em quase toda a sua totalidade classificadas acima do peso (Tabela 1). A partir da análise de Odds Ratio as mulheres nulíparas têm uma chance maior de chegar ao final da gestação apresentando um peso adequado em comparação com as multíparas (OR: 3,42; IC95% 1,24 - 9,44). Todas as multíparas da pesquisa tiveram partos vaginais nas gestações anteriores.

Tabela 1 Características sócio demográficas e clínicas de acordo com IMC materno. João Pessoa, Paraíba, Brasil, 2019.

Variáveis Peso Adequado Acima do peso

% N % N Idade Materna 18-25 anos 50% 15 36,7% 18 26-32 anos 23,3% 7 26,5% 13 33-39 anos 23,3% 7 30,6% 15 40-45 anos 3,3% 1 6,1% 3 Estado civil Casada 33,3% 10 34,7% 17 Solteira 16,7% 5 10,2% 5 União estável 46,7% 14 55,1% 27 Ausente no prontuário 33,3% 1 0% 0 Escolaridade Sem escolaridade 3,3% 1 2% 1 Ensino Fundamental 16,7% 5 36,7% 18 Ensino Médio 46,7% 14 49,0% 24 Superior incompleto 3,3% 1 2% 1 Superior Completo 20% 6 8,2% 4 Ausente no Prontuário 10% 3 2% 1 Paridade Nulíparas 76,7% 23 49% 24 Multíparas 23,3% 7 51% 25 TOTAL 100% 30 100% 49

O processo de indução se deu com a administração de misoprostrol por via vaginal (25mcg) e tendo por principal justificativa para indução farmacológica a alteração na quantidade de líquido amniótico (23,3%), seguido de Diabetes Mellitus Gestacional (22,2%), e com menor incidência o pós-datismo (7,8%).

A tabela 2 apresenta as características do processo de indução e a relação com o IMC. A maior parte das gestantes com IMC adequado tomou apenas uma dose de misoprostol, já aquelas

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com peso elevado precisaram em sua maioria de 2-3 doses, além de um percentual considerável que precisou de 4-8 doses. Na relação do IMC materno com o tempo de indução, observou-se que as maiores médias de tempo entre o início da indução do trabalho de parto até o momento do parto foram nos grupos onde as gestantes estavam acima do peso. Entretanto, quando analisado o tempo entre a última dose e o parto foi possível ver que esse tempo foi mais elevado naquelas com IMC adequado (Tabela 2). Importante ressaltar que tanto nas mulheres com peso adequado, quanto nas acima do peso apesar do processo de indução, a quantidade de partos cirúrgicos foi equiparado ao quantitativo de partos vaginais.

Na amostra estudada, 11,4% das mulheres tiveram alguma intercorrência no pós parto, e essas intercorrências foram mais frequentes nas mulheres com peso adequado (13,3%). Já as intercorrências com os recém-nascidos foram mais expressivas (16,3%) em bebês de mães acima do peso. Quanto ao risco de intercorrências, partir da análise de Odds Ratio, bebês de mulheres com peso adequado têm uma chance menor de apresentar intercorrências quando comparado aos bebês de mulheres acima do peso (OR: 0,56; IC95% 0,13 - 2,33).

Tabela 2. Características e desfechos do processo de indução de acordo com o IMC materno. João Pessoa, Paraíba,

Brasil, 2019.

Variáveis Peso Adequado Acima do peso

Número de doses % N % N 1 dose administrada 46,7% 14 18,4% 9 2-3 doses administrada 33,3% 10 40,8% 20 4 doses administrada 0% 0 14,3% 7 5-7 doses administrada 16,7% 5 18,4% 9 8 doses administrada 3,3% 1 8,4% 4 Tempo de indução

Tempo de indução ao parto 28hrs 42min 32hrs 6min

Tempo última dose ao parto 14hrs 9min 12hrs 6min

Tipo de parto

Parto Normal 46,7% 14 51% 25

Parto Cesárea 53,3% 16 49% 24

Intercorrências

Pós-parto maternas 13,3% (sim) 10,2% (sim)

Pós-parto neonatais 10% (sim) 16,3% (sim)

4 DISCUSSÃO

As mulheres classificadas com peso excessivo têm uma maior taxa de indução do trabalho de parto e apresentam um maior índice de morbimortalidade no período pós-parto.10,11 O resultado encontrado no atual estudo demostra um elevado quantitativo de mulheres obesas, tal fato pode ser

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consequência do alto número de mulheres que já iniciam a gestação com peso elevado,12 pois cerca de 50% da população de mulheres em idade fértil no Brasil estão acima do peso.13

Outro fator que interferiu no ganho de peso dessas mulheres foi a idade materna e a paridade, pois o sobrepeso e a obesidade aumentam com relação à idade e o número de gestações anteriores14,15,16.A dificuldade de perder peso após uma gestação está diretamente associada à diminuição das horas de sono que afeta os comportamentos alimentares da mulher, como também o padrão de atividade física, gerando uma diminuição do gasto calórico e uma retenção de peso, tendo um efeito acumulativo nas próximas gestações.17

O IMC elevado durante a gestação está diretamente associado com o aumento da probabilidade de diabetes gestacional, síndromes hipertensivas, fetos macrossômicos, indicação de cesárea e como consequência um elevado risco de hemorragias pós-parto e de infecção da ferida operatório.13 Por apresentarem maiores riscos de complicações cirúrgicas a tentativa da realização de um parto normal é de grande valia para essas mulheres acima do peso, quando o início do trabalho de parto não ocorre de maneira natural e tal processo pode ser induzido farmacologicamente.

O uso do misoprostrol como fármaco indutor, protocolado pelo Ministério da Saúde, é feito com a mesma dosagem (25mcg) independente das características físicas da gestante, porém o efeito do fármaco administrado por via vaginal muda de acordo com o IMC, visto que o grau de obesidade influencia na biodisponibilidade do misoprostol e na sua disponibilidade tecidual.18,19 O que contribui na justificativa do fato de que nesse estudo as mulheres obesas fizeram uso de mais doses de misoprostrol e tiveram o tempo de indução maior comparado às mulheres com peso adequado. Inversamente, tiveram tempo expulsivo menor, já que a maioria era multípara, e sabe-se que essas mulheres no trabalho de parto tem período expulsivo menor.20

Quanto mais prolongado for o tempo de indução do trabalho de parto, maior o risco de ocorrerem falhas no processo de indução, sendo essa uma das principais justificativas para a realização de parto cirúrgico.21 Essa justificativa pode ser levada em consideração para explicar o

fato de que quase metade das mulheres com peso elevado apesar de terem sido induzidas não conseguiu evoluir para o parto vaginal, objetivo maior da indução por misoprostrol. Além disso, os índices de IMC elevado promovem um aumento na quantidade de tecidos moles depositado na pelve materna, o que eleva a probabilidade de desproporção cefalopélvica e distócia, contribuindo também para a realização da via de parto cirúrgica.8 Deve-se levar em consideração também que em

mulheres com IMC elevado há a diminuição da movimentação durante o trabalho de parto, em virtude da limitada movimentação ativa da parturiente durante o trabalho de parto, proporcionando uma contração uterina menos eficaz, diminuição do fluxo sanguíneo uteroplacentário, aumento da sensação dolorosa como também aumento do tempo de trabalho de parto.20

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A avaliação de mulheres acima do peso ou em estado de obesidade apresenta um aumento da morbidade neonatal e de complicações maternas,22 como também é um preditor de risco para a

evolução de desfechos desfavoráveis.23 Um maior tempo de indução de trabalho de parto, como ocorrido nas mulheres da pesquisa com peso elevado, contribuiu para intercorrências maternas e neonatais no pós parto, intercorrências essas que contribuem para baixos índices neonatais de APGAR e aumento nas admissões à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.19,24

5 CONCLUSÃO

O índice de massa corporal elevado exerce influência no processo de indução do trabalho de parto, promovendo um aumento no número de doses administradas, no tempo de indução até o momento do parto, contribuindo para que o processo de indução não seja tão eficiente quanto o desejado, já que o objetivo desse processo é aumentar o número de partos vaginais e por consequência diminuir os índices de parto cirúrgicos. Fato que não ocorreu já que quase metade da amostra induzida, com peso adequado e sobrepeso, evoluiu para o parto cirúrgico. Além disso, a presença de peso excessivo contribui para o surgimento de intercorrências maternas e neonatais.

Dessa forma, fica explicito a necessidade do controle do peso desde o período pre-gestacional e pre-gestacional, com o intuito de diminuir o surgimento de desfechos desfavoráveis, tal como fica o questionamento de uma mesma dose de um fármaco para todas as pacientes, sem levar em consideração as características individuais, como o IMC.

REFERÊNCIAS

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Imagem

Tabela 1 Características sócio demográficas e clínicas de acordo com IMC materno. João Pessoa, Paraíba, Brasil, 2019
Tabela 2. Características e desfechos do processo de indução de acordo com o IMC materno

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