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(1)
(2)

Drielson D. S. Gouvêa

Introdução à Álgebra Linear e Geometria

Analítica

(3)

Sumário

1 Matrizes e Determinantes 5

1.1 Introdução . . . 5

1.2 Matrizes . . . 6

1.3 Operações com Matrizes . . . 7

1.3.1 Adição . . . 7

1.3.2 Multiplicação por Escalar . . . 7

1.3.3 Multiplicação de Matrizes . . . 8

1.3.4 Traço de uma Matriz . . . 10

1.4 Tipos de Matrizes . . . 10

1.5 Polinômio Matricial . . . 11

1.6 Inversa . . . 12

1.7 Exercícios . . . 13

1.8 Determinantes . . . 17

1.8.1 Menor e Cofator . . . 18

1.8.2 Inversa . . . 19

1.9 Autovalores e Autovetores . . . 19

1.9.1 Determinantes e Autovalores . . . 21

1.10 Exercícios . . . 21

2 Sistemas Lineares 24 2.1 Introdução . . . 24

2.2 Primeiras denições. . . 24

2.3 Sistemas e Matrizes. . . 25

2.4 Classicando um Sistema Linear . . . 25

(4)

2.5.1 O Problema geral . . . 26

2.5.2 O Algoritmo . . . 27

2.6 Sistema Linear Homogêneo . . . 27

(5)

Capítulo 1

Matrizes e Determinantes

1.1 Introdução

(6)

1.2 Matrizes

Denição 1.1 (Matrizes em (R)). A representação Am×n é chamada de matriz A. É

uma tabela com m linhas e n colunas, escrita da seguinte maneira:

A= (aij)m×n=

      

a11 a12 ... a1n

a21 a22 ... a2n ... ... ...

am1 am2 ... amn

      

(1.1)

onde (ij)i−simo elemento de A é

(A)ij =aij. (1.2)

Observação 1.1. Um dos aspectos mais difíceis de ensino superior na álgebra é a notação. Como pode ser visto a partir da denição, existem duas formas equivalentes de representar uma matriz, com uma letra maiúsculaA e outra com a notação(aij)m×n.

Denição 1.2. Duas matrizes A e B são ditas iguais(A=B), se e somente se, tiverem

o mesmo número de linhas e colunas, além dos elementos correspondentes iguais.

aij =bij. (1.3)

para todoi= 1, ..., m e j = 1, ..., n.

Denição 1.3. Para uma matrizAm×n, se m=n, i.e. se o número de linhas for igual

ao de colunas, a matriz é dita matriz quadrada.

Exemplo 1.1. Construa a matriz A= (aij)3×3 tal que aij = 2i2+ 3j.

Exemplo 1.2. Seja A∈M3(R). Determine a matriz A, de maneira explícita, tal que:

(A)ij =

    

(−1)j+1

2i, se:i= 1,2,3, j = 1

i(−1)i+j

i+j−1, se:i= 1,2,3, j = 2,3

(7)

1.3 Operações com Matrizes

1.3.1 Adição

Denição 1.4. Se A= (aij)n×m e B = (bij)n×m, então:

(A+B)ij =aij +bij, (1.4)

ou       

a11 a12 ... a1n

a21 a22 ... a2n ... ... ...

am1 am2 ... amn

       +       

b11 b12 ... b1n

b21 b22 ... b2n ... ... ...

bm1 bm2 ... bmn

       =       

a11+b11 a12+b12 ... a1n+b1n

a21+b21 a22+b22 ... a2n+b2n

... ... ...

am1+bm1 am2+bm2 ... amn+bmn

      

Teorema 1.1. Se A, B, C são matrizes de ordem m×n, então A+B =B+A e (A+B) +C =A+ (B+C)

1.3.2 Multiplicação por Escalar

Denição 1.5. Se λ é um escalar e A= (aij) é uma matriz de ordem m×n, então

λA=λ(aij)m×n = (λaij)m×n =

      

λa11 λa12 ... λa1n

λa21 λa22 ... λa2n

... ... ...

λam1 λam2 ... λamn

       (1.5)

Teorema 1.2. Se α, β são escalares e A, B são matrizes de ordem m×n, então

α(A+B) =αA+αB

(8)

Exemplo 1.3. Sejam:

A=

 

2 1 0

1 2 1

 ;B =

 

0 −1 −2

6 2 4

 e C =

 

3 0 3

6 −3 −3

 

matrizes M3×3(R).Calcular:

• (A+B)−(B+C); • 3A−2B+C; • 3

(

A−1 2B

)

+ 1 3C.

1.3.3 Multiplicação de Matrizes

Denição 1.6. Sejam A= (aij)m×n e B = (bij)n×p duas matrizes, então o produto AB é uma matriz de ordem m×p, tal que

(AB)ij =ai1b1j+ai2b2j+a31b3j +...+ainbnj = n

k=1

aikbkj (1.6)

Observação 1.2. Em geral, AB ̸=BA.

Teorema 1.3. Para o produto de matrizes, valem as seguintes propriedades: 1. A(BC) = (AB)C;

2. A(B +C) = AB+AC e (B+C)A=BA+CA;

3. Se λ é um escalar e AB é denido, então λ(AB) = (λA)B =A(λB);

4. É possível para AB = 0 com A̸= 0 e B ̸= 0.

Observação 1.3. O produto matricial AB consiste de todas as combinações dos pro-dutos das linhas de A e as colunas de B. Em outras palavras, só podemos multiplicar duas matrizes, se o número de colunas da primeira for igual ao número de linhas da segunda.

(9)

Figura 1.1: Dispositivo prático para o produto de matrizes.

A gura abaixo mostra um dispositivo simples para ajudar no produto entre as matrizes A e B.

Denição 1.7. A matriz In∈Mn(R), dada por

In=

      

1 0 ... 0

0 1 ... 0

... ... ...

0 0 ... 1

      

(1.7)

ou abreviadamente (In)ij = δij, 1 ≤ i, j ≤ n, onde δij é o símbolo de Kronecker, se denomina matriz identidade de ordem n.

Observação 1.4. O símbolo delta de Kronecker vem a ser denido por

δij =

  

1, se:i=j

0, se:i̸=j (1.8)

(10)

1.3.4 Traço de uma Matriz

Denição 1.8. O traço de uma matriz quadrada A é a soma dos elementos da sua diagonal principal.

T r(A) =

n

k=1

akk =a11+a22+a33+...+ann. (1.9)

1.4 Tipos de Matrizes

Denição 1.9 (Transposta). Se A é uma matriz de ordem m×n, a transposta de A,

representada porAT ou A′ é a matriz

n×m tal que

(AT)

ji = (A)ij (1.10)

Observação 1.5. A matriz A é simétrica seA=AT, e anti-simétrica seA=−AT. Observação 1.6. Se A é uma matriz quadrada, então A+AT é simétrica, e AAT é anti-simétrica.

Exemplo 1.4. Seja

M =

 

4 −3

1 9

 

Calcule AT, A+AT e AAT.

Denição 1.10 (Potência em matrizes). Seja A uma matriz de ordem n. A matrizAk, com k ∈N, representa a k-ésima potência de A e se dene da seguinte maneira:

• A0

=In;

• Ak=A·A·A· · ·A, (k vezes A).

Denição 1.11 (Matriz periódica). Seja A uma matriz de ordem n. A matriz A é uma matriz periódica se, e somente se, ∃p∈Z+, tal que

Ap+1

=A.

Observação 1.7. Se A é uma matriz periódica, o menor inteiro positivopque satisfaça

a igualdad Ap+1

=A é chamado de período de A.

(11)

Denição 1.12 (Matriz idempotente). Seja A uma matriz de ordem n. A matriz A é uma matriz idempotente se, e somente se, A2

=A.

Denição 1.13 (Matriz nilpotente). Seja A uma matriz de ordem n. A matriz A é uma matriz nilpotente se, e somente se, ∃p∈Z+,

Ap = 0n.

Observação 1.8. Se A é nilpotente, o menor inteiro positivopque satisfaça a igualdade Ap =O

n se chama índice de nilpotencia.

Denição 1.14 (Matriz normal). Seja A uma matriz real de ordem n. Dizemos que A é uma matriz normal se ATA=AAT, isto é, as matrizes A e AT são comutativas. Exemplo 1.5. Verique se as matrizes reais são normais.

• A =

   

2 1 4

1 3 0

4 0 1

   

• B =

   

3 −1 5

1 3 2

−5 −2 1

   

1.5 Polinômio Matricial

Denição 1.15. Associa-se o polinômio

φ(x) =a0 +a1x+a2x 2

+...+anxn (1.11)

a uma matriz A de ordem n, substituindo a variável x pela matriz A dada, ou seja:

φ(A) =a0In+a1A+a2A 2

+...+anAn. (1.12)

onde a0, a1, ..., an são coecientes reais.

Exemplo 1.6. Dados, o polinômio φ(x) = 3−2x+x2 e a matriz A de ordem

2×2

dada por

A=

 

1 2

3 1

 

(12)

1.6 Inversa

Denição 1.16. A inversa de uma matriz quadrada A é uma matriz A−1 tal que

A·A−1

=A−1

·A=I (1.13)

Se A possuir uma inversa, então será chamada de inversivel ou não-singular.

Daremos agora um algoritmo, denominado Eliminação Gaussiana, para deter-minar a inversa de uma matrizA, caso A seja inversível.

Denição 1.17 (Operações elementares). Uma operação elementar sobre as linhas de uma matriz é uma das seguintes operações:

• Trocar a posição de duas linhas da matriz;

• Multiplicar uma linha da matriz por um escalar diferente de zero; • Somar a uma linha da matriz um multiplo escalar de outra linha.

Observação 1.9. Se uma matriz B puder ser obtida de A através de um número nito dessas operações, diz-se que B é equivalente a A e escreve-seB ≈A. Para esta relação

valem as propriedades reexiva, simétrica e transitiva.

Teorema 1.4. Uma matriz A é inversível se, e somente se, In ≈ A. Neste caso, a mesma sucessão de operações elementares que transformam A em In, transformam In em A−1.

(A|In)≈. . .≈(In|A) (1.14)

Exemplo 1.7. Determinar a matriz inversa, se existir, da matriz

M =

   

1 1 −2

0 2 0

1 1 2

   

(13)

Denição 1.18. A matriz quadrada A é chamada de ortogonal se A−1

=AT.

Exemplo 1.8. Verique se a matriz de rotação Rθ é ortogonal.

Rθ =

  cosθ senθ −senθ cosθ  .

1.7 Exercícios

Exercício 1.1. Considere as matrizes

A=

 

2 3 −1

−3 4 5

 ;B =

 

0 −2 1

−5 0 3

 e C =

  3 2 4 −1  .

Das operações abaixo, realize a única que é possivel efetuar e, além disso, justique porquê a outra não está denida.

• −2C+ATB

• BTA+ 3C

Exercício 1.2. Considere as seguintes matrizes:

A=

   

1 −1 0

3 2 1

−2 0 −1

   

;B =

   

17 11 24

−15 0 5

2 5 −9

   

e C =

   

5 −11 −2

5 4 −1

−3 −4 −4

   

.

• Calcule 2A−C

• Sabe-se que (2A−C)−1

=

   

12 10 −27

5 4 −11

−4 −3 9

  

, determine uma matriz

X ∈M(R)

(14)

Exercício 1.3. Seja A=

 

2 1

7 4

 .

• Mostre que I2−6A+A2 =O2

• Encontre a matriz X tal que AX =

 

1 1

−1 0

 .

Exercício 1.4 (U.F.Viçosa). Vários tipos de pesticidas são absorvidos de maneira dife-rente por plantas diversas. Uma matriz pode ser usada para apresentar os dados obtidos em observações sobre a quantidade de três pesticidas diferentes absorvidos por quatro plantas determinadas:

• Seja aij a quantidade do pesticida i absorvido pela planta j (em mg) em um mês chuvoso; então A= (aij)3×4 é a tabela

P lanta1 P lanta2 P lanta3 P lanta4

2 3 4 3 P esticida1

2 3 4 3 P esticida2

2 3 4 3 P esticida3

• Suponhamos que a matriz B = (bij)4×3, representada pela tabela abaixo, dá a

quantidade da planta i que o herbívoro j consome por mês:

Animal1 Animal2 Animal3

20 12 8 P lanta1

28 15 15 P lanta2

30 12 10 P lanta3

40 16 20 P lanta4

Então a matriz produto AB dá a quantidade de pesticida i que o herbívoro j absorveu

em um mês chuvoso devido ao seu consumo das plantas (assumindo que todo o pesticida contido nas plantas é absorvido pelo animal).Assim sendo:

• Calcule A·B

• Qual a quantidade de pesticida 2 que o herbívoro 3 absorveu em miligramas?

(15)

Exercício 1.5 (U.F.Viçosa). Um fabricante faz dois tipos de produtos, P e Q, em cada uma de suas fábricas, X e Y. Ao fazer esses produtos, são produzidos dióxido de enxofre, óxido nítrico e partículas de outros materiais poluentes. As quantidades de poluente são dadas (em quilos) pela tabela: Leis estaduais e federais exigem a remoção

Dióxido de enxofre Óxido nítrico Partículas

300 100 150 Produto P

200 250 400 Produto Q

desses poluentes. O custo diário para remover cada quilo de poluentes é dado (em dólares) pela tabela matricial:

Fábrica X Fábrica Y

8 12 Dióxido de enxofre

7 9 Óxido nítrico

15 10 Partículas

Qual é o signicado dos elementos do produto matricial AB? Exercício 1.6. Determine números reais x e y tais que:

 

x3 y2

y2 x2  +   −x 3y 4y 2x  =   0 4 5 −1  .

Exercício 1.7. Seja A=

   

1 2 3

2 −2 1

3 2 1

   

. Calcule A3 e mostre que A3

= 18A+ 28I3.

Exercício 1.8. Calcule, se existir, a inversa de cada matriz abaixo:

• A =

   

2 −2 1

1 1 −2

−1 0 1

   

. • B =

   

1 0 2

2 −1 3

4 1 8

   

(16)

Exercício 1.9 (U.F.Viçosa). A secretaria de meio ambiente de uma cidade constatou que as empresas que trabalham nos ramos de suinocultura, cunicultura e piscicultura são as grandes poluidoras de três regiões do município. Diariamente despejam dejetos destas culturas segundo a descrição da tabela abaixo:

Quantidade de Dejetos

por dia (em Kg) Região I Região II Região III

Cunicultura 80 90 70

Piscicultura 200 40 30

Suinocultura 150 120 100

A secretaria decidiu então aplicar multas diárias sobre estas empresas a m de angariar fundos para despoluir tais regiões, as multas foram estabelecidas de acordo com a tabela abaixo:

Multa cobrada (em reais) por Kg

de objetos depositados Região I Região II Região III

Cunicultura 400 200 300

Piscicultura 50 400 100

Suinocultura 600 300 500

Considerando A a matriz obtida através da tabela 1 e B a matriz obtida através da tabela 2, determine os elementos da matrizABT que fornece a arrecadação da secretaria nas regiões, por ramo de atividade, ao aplicar tais multas.

Exercício 1.10. Prove queA =

   

1 −3 −4

−1 3 4

1 −3 −4

  

é nilpotente e determine seu índice

de nilpotência.

Exercício 1.11. Verique se as matrizes M e N são idempotentes, com:

• M =

   

2 −2 −4

−1 3 4

1 −2 −3

   

. • N =

   

−1 3 5

1 −3 −5

−1 3 5

   

.

(17)

1.8 Determinantes

Denição 1.19. Seja A∈Mn(R). Chama-se determinante, ao número µ∈R associ-ado a matriz A. Notação: det(A) ou |A|.

det(A) =|A|=

a11 a12 ... a1n

a21 a22 ... a2n ... ... ...

an1 an2 ... ann

=µ. (1.15)

Denição 1.20. O determinante da matriz A= (aij)2×2 é dado por

|A|=

a11 a12

a21 a22

=a11·a22−a12·a21. (1.16)

Denição 1.21. O determinante da matriz A = (aij)3×3 pode ser calculado por um

dispositivo chamado Regra de Sarrus.

|A|=

a11 a12 a13

a21 a22 a23

a31 a32 a33

=

↘a11 ↘a12 ↘a13↙ a11↙ a12↙

a21 ↘a22↙ ↘a23↙ ↘a21 ↙ a22

a31 ↙ a32 ↙ ↘a33↙ ↘a31 ↘a32

(1.17)

= (a11a22a33+a12a23a31+a21a32a13)−(a13a22a31+a11a32a23+a12a21a33).

Observação 1.10. Uma matriz A com det(A) = 0 é dita singular e com det(A) ̸= 0

é não singular.

Exemplo 1.9. Encontre todos os valores de λ para os quais det(A) = 0.

• A =

 

λ−2 1

−5 λ+ 4

 

• A =

   

λ−4 0 0

0 λ 2

0 3 λ−1

(18)

1.8.1 Menor e Cofator

Denição 1.22 (Menor de um elemento). Se A ∈ Mn(R),dene-se o menor do ele-mento aij de A, denotado por MijA, como o determinante da matriz que se obtém a partir de A, quando se elimina sua i-ésima linha e sua j-ésima coluna.

Denição 1.23 (Cofator de um elemento). Se A ∈ Mn(R),dene-se o cofator do ele-mento aij de A, denotado por ∆ij, como o número dado por

∆ij = (−1)i+j·MijA (1.18)

Observação 1.11. Note-se que ∆ij =

  

MA

ij, se:i+j 7−→par

−MA

ij, se :i+j 7−→impar

Exemplo 1.10. Seja a matriz

A=

   

1 2 −1

3 4 0

0 1 −4

   

Encontre os menores MA

13, M

A

22 e M

A

32, assim como seus respectivos cofatores.

Teorema 1.5 (Teorema de Laplace). O determinante da matrizA = (aij)n×nde ordem

n≥2, pode ser obtido, pela soma dos produtos dos elementos de uma la qualquer (linha

ou coluna), da matriz A, pelos seus respectivos cofatores.

det(A) =ai1·∆i1+ai2·∆i2+...ain·∆in = n

k=1

aik·∆ik. (1.19) Exemplo 1.11. Calcular o determinante da matriz

A =

   

1 2 −1

3 4 0

0 0 −4

   

,

com o auxílio do teorema de Laplace.

(19)

Teorema 1.6 (Teorema de Binet). Sendo A = (aij)n×n e B = (bij)n×n duas matrizes de mesma ordem, então:

det(AB) = det(A)·det(B) (1.20)

Teorema 1.7 (Teorema de Jacobi). Se a uma la (linha ou coluna) de uma matriz quadradaA= (aij)n×n for adicionada uma múltipla de outra la paralela, obtemos uma matriz B = (bij)n×n tal que det(A) = det(B).

Teorema 1.8 (Teorema de Cauchy). Em toda matriz quadrada de ordemn ≥2, soma

dos produtos dos elementos de uma la (linha ou coluna) pelos cofatores dos correspon-dentes de uma la paralela é igual a zero.

1.8.2 Inversa

Teorema 1.9. Se A = (aij)n×n e det(A) ̸= 0, então a matriz inversa de A é obtida por:

(A−1

)ij =

1

det(A)(−1)

i+j

det(MjiA) (1.21)

Observação 1.12. A matrizA = (aij)n×nadmite inversa, se e somente se,det(A)̸= 0. Observação 1.13. O determinante da matriz inversa é igual ao inverso do determi-nante da matriz dada, ou seja:

det(A−1

) = 1

det(A) (1.22)

1.9 Autovalores e Autovetores

Denição 1.24 (Autovalor). Um autovalor de uma matriz A = (aij)n×n é um escalar

λ tal que

x:Ax=λx (1.23)

(20)

Alternadamente, um autovalor é um escalar λ , tal que a equação (A−λIn)x = 0 tem uma soluçãox ̸= 0. A m de que esta equação para tenha uma solução diferente

de zero, a matrizA−λIn , não deve ser invertida, assim det(A−λIn) = 0. Calculando este determinante, a matrizA−λIn produz um polinômio que em geral admite raízes complexas.

Denição 1.25 (Polinômio Característico). O polinômio característico de uma matriz

A= (aij)n×n é o polinômio em λ obtido através do cálculo do determinante

det(A−λIn) = 0 (1.24)

Denição 1.26 (Autovetor). Um autovetor x associado à um autovalor λ é uma

so-lução não nula da equação

(A−λIn)x= 0 (1.25)

Teorema 1.10 (Teorema de Cayley-Hamilton). Toda matriz A = (aij)n×n é raiz de seu polinômio caracterítico, ou seja,P(A) = On×n.

Exemplo 1.12. Dada uma matriz quadrada A de ordem n, uma matrizv ̸= 0de ordem n×1 é autovetor de A associado ao autovalor λ∈R se Av=λv. Seja a matriz

A=

 

2 1

0 2

 

Determine:

• O Polinômio característico P(λ). • Seus autovalores e autovetores.

• Mostre que para A, vale o teorema de Cayley-Hamilton.

(21)

1.9.1 Determinantes e Autovalores

Denição 1.27. Se A = (aij)n×n é uma matriz, e λ1, λ2, λ3, ..., λn são os autovalores de A, então

det(A) =λ1·λ2 ·λ3...λn. (1.26)

Exemplo 1.13. Dada a matriz

A=

   

1 2 3

3 −5 3

6 −6 4

   

Determine:

• O Polinômio característico P(λ). • Seus autovalores.

• Seu determinante.

1.10 Exercícios

Exercício 1.12. Resolva cada equação abaixo:

x+ 1 x x

x x+ 1 x

x x x+ 1

= 0 •

−x −1 2x

2x −x −1−x

−1 2x 0

= 0

Exercício 1.13. Calcular os valores deαtal que o determinante da matriz

   

1 1 α

1 α 1

α 1 1

   

(22)

Exercício 1.14. O volume de um tetraedro de vértices(x1, y1, z1); (x2, y2, z2); (x3, y3, z3)

e (x4, y4, z4) é dado por:

V olume=±1 6.det

      

x1 y1 z1 1

x2 y2 z2 1

x3 y3 z3 1

x4 y4 z4 1

      

O simbolo ± garante um volume positivo.

Com base na denição acima, utilize o teorema de Laplace e encontre o volume do tetraedro cujos vértices são (0,4,1), (4,0,0),(3,5,2) e (2,2,5) como mostra a gura:

Figura 1.2: Tetraedro.

Exercício 1.15.

Determine os autovalores, autovetores e aplique o teorema de Cayley-Hamilton em cada matriz:

• A =

 

2 1

0 2

 

• B =

 

−7 6

6 2

 

• C =

 

2 3

3 2

 

• D=

   

9 0 0

3 7 −1

3 −2 8

   .

(23)

Exercício 1.16. Considere a matriz, A=    

0 1 0

0 0 1

0 0 0

   

• Calcule A3

• Utilize álgebra matricial para calcular F(A), com F(X) = (1−X).(1 +X+X2

)

• Calcule |A|, |I−A| e |I+A+A2

|

Exercício 1.17. Utilize as regras de Jacobi e Cauchy em cada matriz abaixo:

• A =

   

1 5 1

3 0 2

−1 −1 6

   

• B =

   

4 0 1

1 3 2

−2 1 1

   

• C =

   

4 1 −1

0 1 2

−1 1 5

   

• D=

   

2 5 1

2 0 1

0 5 0

   

Exercício 1.18. Os cientistas Crow e Kimura estudaram um problema genético de cruzamento que leva à equação característica

−λ 1 0

0 1

2 −λ 1 2 1 4 1 2 −λ = 0

Mostre que a equação característica éλ3−1 2λ

2

−1 4λ−

1

8 = 0, e que um valor característico

(24)

Capítulo 2

Sistemas Lineares

2.1 Introdução

O estudo de Sistemas de Equações Lineares aparecem com grande frequência na resolução numérica de equações em derivadas parciais, e problemas provenientes da Física, Ecologia, etc. Neste capítulo abordaremos questões relacionadas com a resolução destes tipo de sistemas.

2.2 Primeiras denições.

Denição 2.1. Um sistema de equações lineares de m equações com n incógnitas é uma expressão do tipo:

            

a11x1+a12x2+...+a1nxn=b1

a21x1+a22x2+...+a2nxn=b2

+...+

am1x1+am2x2+...+amnxn=bm

(2.1)

onde os aij são denominados coecientes, xi são as incógnitas e bi os termos indepen-dentes.

(25)

Denição 2.2. A solução de um sistema linear é toda n-upla (x1, ..., xn)∈Rn que sa-tisfaz, simultaneamente, todas as equações do sistema, sendo n o número de incógnitas do sistema.

2.3 Sistemas e Matrizes.

As matrizes são muito adequadas para simplicar a escritura de um sistema linear. Assim, podemos escrever:

      

a11 a12 ... a1n

a21 a22 ... a2n ... ... ...

am1 am2 ... amn

       •        x1 x2 ... xn        =        b1 b2 ... bm        (2.2)

ou na forma simplicada

A·X =B (2.3)

2.4 Classicando um Sistema Linear

Os sistemas lineares podem ser classicados quanto a possibilidade de obtenção de soluções, dentro do conjunto numérico ao qual os sistemas devem ser resolvidos. Inicialmente, encontramos dois tipos de sistemas: Os Possíveis e os Impossíveis.

• Sistema Possível e Determinado (SPD): são sistemas que possuem apenas

uma solução.

• Sistema Possível e Indeterminado (SPI): são sistemas que permitem innitas

soluções.

(26)

Esquematicamente...

2.5 Método de Gauss

Denição 2.3 (Método de Gauss). É um algoritmo de resolução para Sistemas Linea-res. Este método consiste em aplicar sucessivas operações elementares em um sistema linear, am de transformá-lo num sistema de fácil resolução, tendo este as mesmas soluções que o original.

2.5.1 O Problema geral

Deseja-se, a partir da utilização de operações de linha, converter uma matriz a sua forma escalonada reduzida, e assim, resolver mais facilmente o sistema de equações associado àquela matriz. Para este m, utilizamos o Método de Gauss, sendo este composto por duas fases:

• Fase de eliminação: cujo objetivo é empregar operações elementares na matriz

aumentada, am de obter uma correspondente a um sistema triangular superior.

• Fase de substituição retrocedida: começa-se resolvendo a última equação,

cuja solução é substituída na penúltima, a qual resolve-se na penúltima variável, e assim consecutivamente, até obter-se a solução nal.

(27)

2.5.2 O Algoritmo

SejaAx=bum sistema linear. O Método de Gauss, para se encontrar a solução do

sistema, consiste nas seguintes etapas:

• Etapa 1: Obter a matriz aumentada na forma [A|b]que representa o sistema de

equações.

• Etapa 2: Transformar a matriz aumentada [A|b] em uma matriz aumentada na

forma [A|b] onde A é uma matriz triangular superior.

• Etapa 3: Resolver o sistema linear [A|b]da Etapa 2 por substituição regressiva.

Exemplo 2.1. Resolver mediante o Método de Gauss o seguinte sistema:

      

x+ 2y+ 3z = 7

x−3y+ 2z= 5

x+y+z = 3

2.6 Sistema Linear Homogêneo

Denição 2.4. Um sistema linear é dito homogêneo, se os termos independentes forem nulos, ou seja, bi = 0, para todo i= 1, ..., m.

            

a11x1+a12x2+...+a1nxn= 0

a21x1+a22x2+...+a2nxn= 0

+...+

am1x1+am2x2+...+amnxn= 0

(2.4)

Observação 2.1. O sistema homogêneo nunca é impossível, pois sempre admite a solução (0; 0;...; 0), chamada solução trivial ou solução imprópria ou, ainda, solução

nula.

(28)

Exemplo 2.2. Resolver mediante o Método de Gauss o seguinte sistema:       

2x−y+z = 0

x+ 3y+ 2z = 0

−3x+ 2y−3z = 0

2.7 Exercícios

Exercício 2.1. Resolva por eliminação de Gauss os seguintes sistemas de equações lineares: •       

x+ 2y+ 3z = 1

4x+ 7y+ 7z = 3

x+ 3y+z = 0

•       

x+ 2y+z = 0

4x+ 10y+ 10z = 0

x+ 3y+ 4z = 0

•       

2x+ 2y+ 3z= 1

x+ 2y+z = 0

x−y+z= 0

  

2x+ 3y+z = 0

x+y+z = 0

Exercício 2.2. Discuta, em função dos parâmetros α e β, os seguintes sistemas de

equações lineares: •       

x+ 4y+ 3z = 10

2x+ 7y−2z = 10

x+ 5y+αz =β

•       

2x+y+z=?6β

αx+ 3y+ 2z = 2β

2x+y+ (α+ 1)z = 4

Exercício 2.3. Para preparar uma ração se utilizam três cereais: A, B e C. A ração I tem 20 Kg de cereal A, 50 Kg de cereal B e 100 Kg de cereal C. A ração II tem 35 Kg de cereal A, 60 Kg de cereal B e 80 Kg de cereal C. A ração III tem 45 Kg de cereal A, 45 Kg de cereal B e 50 Kg de cereal C. Se tem 36000 Kg de cereal A, 40000 Kg de cereal B e 48000 Kg de cereal C. Quantas unidades de cada ração se podem preparar se for utilizado todo o cereal disponível?

(29)

Exercício 2.4. Uma indústria produz três produtos, X, Y e Z, utilizando dois tipos de insumo, A e B. Para a manufatura de cada kg de X são utilizados 1 grama do insumo A e 2 gramas do insumo B; para cada kg de Y, 1 grama de insumo A e 1 grama de insumo B e, para cada kg de Z, 1 grama de A e 4 gramas de B. Usando a multiplicação de matrizes determine quantos gramas dos insumos A e B são necessários na produção de x kg do produto X, y kg do produto Y e z kg do produto Z.

Exercício 2.5. Um produtor agropecuário plantou soja, milho e sorgo em seu campo de 1008 hectares. Ele semeou o dobro de hectares de soja que de milho, e a quantidade de hectares semeados com soja superam em 25% a dos semeadas com os outros dois

cultivos. Quantos hectares se semearam de cada cultivo?

Exercício 2.6. Três produtos químicos X; Y e Z, utilizados nos laboratórios da Uni-versidade Federal Rural da Amazônia, têm as seguintes porcentagens de Fe, Zn e Cu:

Fe Zn Cu X 50 30 20 Y 40 30 30

Z 30 70 0

Quanto de cada produto se deve combinar para obter um novo produto que contenha

44% de Fe, 38% de Zn e 18% de Cu?

Exercício 2.7. SejaSγ o sistema de equações lineares representado matricialmente por

   

1 0 1

0 3 γ

−1 0 −1

   

.X =

   

1

0

1

   

(30)

Exercício 2.8. Para fazer o balanceamento de uma equação química devemos aplicar a lei de Lavoisier (lei da conservação de massa), o número de átomos de um mesmo elemento deve ser igual nos dois membros da equação. Assim, faça o balanceamento das equações químicas abaixo:

• Al2(CO3)3 → Al2O3 + CO2

• CaO5 + P2O → Ca3(P O4)2

• Ca+ H3P O4 → Ca3P2O8+ H2

Exercício 2.9. Os coecientes estequiométricos são números encontrados no processo de balanceamento de equações químicas, que garantem a mesma quantidade de átomos de cada elemento químico em ambos os lados da equação. Esses coecientes devem ser sempre os menores números naturais possíveis e são colocados antes dos símbolos que descrevem cada uma das moléculas em cada um dos lados de uma reação química. Sejam x, y, z e w os coecientes estequiométricos necessários para o balanceamento da equação

C3H8+O2 →CO2+H2O

Explicite todos os seus cálculos, justicando seus argumentos, e determine:

• um sistema com três equações lineares que representa o balanceamento da equação

química dada;

• as soluções do sistema linear obtido no item anterior;

• os valores dos coecientes estequiométricos da reação química dada acima.

(31)

Imagem

Figura 1.1: Dispositivo prático para o produto de matrizes.
Figura 1.2: Tetraedro.

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