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Uma simulação do espalhamento do Zika vírus na Flórida

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Academic year: 2021

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(1)

Funda¸

ao Getulio Vargas

Escola de Matem´

atica Aplicada

Bruno Lucian Gon¸

calves da Costa

Uma simula¸

ao do espalhamento do Zika

v´ırus na Fl´

orida

Rio de Janeiro 2017

(2)

Bruno Lucian Gon¸

calves da Costa

Uma simula¸

ao do espalhamento do Zika

v´ırus na Fl´

orida

Disserta¸c˜ao submetida `a Escola de Ma-tem´atica Aplicada como requisito parcial para a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Mo-delagem Matem´atica da Informa¸c˜ao.

Orientador: Dr. Flavio Coelho Code¸co

Rio de Janeiro 2017

(3)

Ficha catalogr´afica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV

Costa, Bruno Lucian Gon¸calves da

Uma simula¸c~ao do espalhamento do zika v´ırus na Fl´orida. / Bruno Lucian Gon¸calves da Costa. - 2017.

65f.

Disserta¸c~ao (Mestrado) - Funda¸c~ao Getulio Vargas, Escola de Matem´atica Aplicada.

Orientador: Flavio Coelho Code¸co.

1.Modelagem de informa¸c~oes. 2. Sa´ude - Banco de dados. 3. Sistema de controle biol´ogico. 4. Zika v´ırus.

I.Coelho, Flavio Code¸co, 1969-. II. Funda¸c~ao Getulio Vargas. Escola de Matem´atica Aplicada. III. T´ıtulo.

(4)
(5)

“Vocˆe come¸ca como um impostor e torna-se real”

(6)

Agradecimentos

Inicialmente, agrade¸co `a Deus por sempre iluminar meu caminho, me dando for¸ca e coragem para enfrentar cada obst´aculo.

Agrade¸co aos meus pais por confiarem em minha capacidade, pelo exemplo que sempre me deram de honestidade, dignidade, su-pera¸c˜ao, for¸ca e amor. Obrigado por serem minha base e meu ref´ugio nos momentos dif´ıceis. Vocˆes s˜ao o motivo pelo qual nunca desisti.

A minha av´o, meus tios e primos pela preocupa¸c˜ao e torcida ao longo destes mais de dois anos.

Aos melhores amigos que algu´em pode querer na vida: Caro-lina, Clarissa, Claudia, Danielle, Evandro, Guilherme, Juliana, Keilane, Larissa, Nadine, Natan. Obrigado por serem meus con-fidentes e conselheiros. Vocˆes s˜ao insubstitu´ıveis!

Aos amigos do Mestrado: Otto e Mateus, obrigado por toda a jornada;

Ao meu orientador, professor Dr. Flavio Code¸co, pela paciˆencia durante o desenvolvimento desse de trabalho.

Agrade¸co tamb´em `a CAPES pelo apoio financeiro, indispens´avel para a realiza¸c˜ao deste trabalho.

(7)

Resumo

Casos de Zika ocorreram nos estados do sul dos EUA que fazem fronteira com o Golfo do M´exico (Fl´orida, Louisiana e Texas), devido ao clima quente e ´

umido, e a existˆencia do vetor Aedes Aegyptus. Este projeto usa dois modelos matem´aticos padr˜ao para epidemias (SIR: suscet´ıveis, infectados, recupera-dos e SEIR: suscet´ıveis, expostos, infectarecupera-dos, recuperarecupera-dos) desenvolvirecupera-dos por McKendrick e Kermach [22] para simular a propaga¸c˜ao no estado da Fl´orida. Para fazer isso, n´os coletamos:

• Dados demogr´aficos do censo dos EUA em 67 cidades da Fl´orida • Dados sobre migra¸c˜oes de uma cidade para outra (tamb´em do Censo

dos EUA)

• Relat´orios semanais sobre o n´umero de casos de Zika obtidos por webs-crapping Fl´orida Health Servi¸co.

O programa Epigrass desenvolvido pela Fiocruz foi usado para simular a evolu¸c˜ao da epidemia de Zika semana a semana de fevereiro at´e o final de julho de 2016, tanto para os modelos SIR como para os modelos SEIR. A partir disso n´os constru´ımos os dendrogramas de propaga¸c˜ao assumindo que a propaga¸c˜ao come¸cou simultaneamente em trˆes cidades: Miami-Dade, Hillsborough e Lee.

(8)

Abstract

Some cases of Zika occurred in the southern states of the USA bordering on the Gulf of Mexico (Florida, Louisiana & Texas) because these states have a suitable hot & wet climate and the vector, Aedes Aegyptus mos-quitos. This project uses two standard mathematical models for epidemics (SIR: susceptible, Infected, recovered and SEIR: susceptible, exposed, infec-ted, recovered) developed by McKendrick & Kermach [22] to simulate the propagation within the state of Florida. To do this, we collected

• Demographic data from the US census on 67 towns in Florida

• Data on migrations from one town to another (also from the US Census) • Weekly reports on the number of cases of Zika obtained by

webscrap-ping the Florida Health Service.

The Epigrass program developed by Fiocruz was used to simulate the evolution of the Zika epidemic week by week from February to the end of July 2016, for both the SIR and the SEIR models. From this we constructed the propagation dendrograms assuming that propagation started simultaneously in three cities: Miami-Dade, Hillsborough and Lee.

(9)

Sum´

ario

Resumo i

Abstract ii

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 A Zika . . . 2

1.2 Conceitos b´asicos de Epidemiologia . . . 2

1.3 A hist´oria das epidemias . . . 4

1.4 Origem da Epidemiologia Matem´atica . . . 5

2 Objetivos 7 3 M´etodos 8 3.1 Redes ou Grafos . . . 8

3.1.1 Como classificar redes? . . . 8

3.2 M´etodos de Monte Carlo . . . 10

3.2.1 Monte Carlo simples . . . 10

3.2.2 Erro de Monte Carlo . . . 11

4 Dados 13 5 Descri¸c˜ao de Modelos Compartimentais 15 5.1 Modelos cont´ınuos . . . 15

5.1.1 Modelo SIR . . . 16

5.1.2 SIR sem demografia . . . 18

5.1.3 Modelo SEIR . . . 19

5.2 Modelos Discretos . . . 21

5.2.1 Introdu¸c˜ao `as Equa¸c˜oes de Diferen¸cas . . . 21

5.2.2 Modelo discreto SIR . . . 24

5.2.3 Modelo discreto SEIR . . . 25

6 Epigrass 27 6.1 Modelo no espa¸co e tempo . . . 28

7 Resultados 29 7.1 An´alise dos dados . . . 29

(10)

7.3 Modelo SEIR . . . 42

8 Conclus˜ao 49

Referˆencias 51

9 Apˆendices 55

(11)

1

Introdu¸

ao

Modelos matem´aticos est˜ao sendo bastante aplicados na ´area de epidemiolo-gia e tem se tornado uma ferramenta importante na an´alise da propaga¸c˜ao e controle de doen¸cas infecciosas. Um tipo de modelo muito utilizado para es-tudar a dinˆamica de epidemias ´e o modelo compartimental, onde a popula¸c˜ao ´

e dividida em compartimentos. Um indiv´ıduo pertence a um ou outro com-partimento dependendo do seu estado com rela¸c˜ao `a doen¸ca. Neste trabalho, os indiv´ıduos podem ser classificados da seguinte forma:

a) Suscet´ıveis: os indiv´ıduos nesta classe podem adquirir a doen¸ca se estiverem expostos a ela. O n´umero de indiv´ıduos suscet´ıveis ´e repre-sentado por S.

b) Expostos ou Infectados: s˜ao os indiv´ıduos que adquirem a doen¸ca por´em ainda n˜ao a passam para outro indiv´ıduo, ou seja, est˜ao incu-bando a doen¸ca. Se a doen¸ca n˜ao tiver este per´ıodo de incuba¸c˜ao, este compartimento n˜ao ser´a inclu´ıdo no modelo. O n´umero de indiv´ıduos expostos ´e representado por E.

c) Infecciosos, infectivos ou Infectantes: s˜ao os indiv´ıduos que podem transmitir a doen¸ca para algum suscet´ıvel que entre em contato com ele. O n´umero de indiv´ıduos desta classe ´e representado por I.

d) Removidos: depois de infectados, os indiv´ıduos ou se recuperam e adquirem imunidade para a doen¸ca ou ent˜ao morrem. Dependendo da doen¸ca esse per´ıodo de imunidade pode durar a vida toda (imunidade vital´ıcia) ou ent˜ao durar apenas um per´ıodo de tempo. Neste caso, os indiv´ıduos voltam a ser suscet´ıveis, podendo contrair a doen¸ca nova-mente. O n´umero de indiv´ıduos desta classe ´e representado por R.

Quanto aos tempos caracter´ısticos de uma doen¸ca, podemos ter:

a) Per´ıodo Latente: ´e o per´ıodo em que o indiv´ıduo est´a infectado mas n˜ao transmite a doen¸ca. Este ´e o intervalo de tempo durante o qual o indiv´ıduo permanece no compartimento dos expostos.

b) Per´ıodo Infeccioso: ´e o per´ıodo durante o qual um indiv´ıduo infec-cioso pode passar a doen¸ca para um indiv´ıduo suscet´ıvel. Este ´e o intervalo de tempo durante o qual o indiv´ıduo permanece no compar-timento dos infecciosos.

(12)

c) Per´ıodo de Recupera¸c˜ao: ´e o per´ıodo em que o indiv´ıduo n˜ao ´e mais infeccioso e nem suscet´ıvel. Se o indiv´ıduo se torna imune `a doen¸ca, esse per´ıodo equivale a todo o resto de sua vida.

1.1

A Zika

O v´ırus Zika ´e um flaviv´ırus que, ap´os a infec¸c˜ao em humanos, causa uma doen¸ca, conhecida como febre de Zika, identificada comumente com erup¸c˜oes cutˆaneas maculares ou papulares, febre leve e artrite [5]. ´E principalmente uma doen¸ca transmitida por vetores, realizada pelo gˆenero Aedes dos mosqui-tos [13], embora a transmiss˜ao sexual tenha foi relatado [9] e a contamina¸c˜ao por transfus˜ao de sangue est´a sob investiga¸c˜ao [2].

O zika virus (ZIKV) ´e um virus transportado por mosquitos do tipo Aedes e foi descoberto em Uganda em 1947 [10], por´em at´e 2007 era reportado apenas casos espor´adicos na ´Asia e ´Africa [23]. Em 2007 foi reportado um grande surto em Yap Island na Micron´esia, em seguida entre 2013 e 2014 outro surto na polin´esia francesa espalhando-se depois para Oceania [25]. No Brasil, o primeiro caso de Zika foi reportado em 2015 e se espalhou rapidamente por toda America Latina. As principais ´areas de prolifera¸c˜ao para o zika virus s˜ao os tr´opicos e subtr´opicos. Nos Estados Unidos as regi˜oes do Texas at´e a Fl´orida, devido ao seu clima, s˜ao favor´aveis para a prolifera¸c˜ao da doen¸ca.

Neste cen´ario epidˆemico, o desenvolvimento do controle e preven¸c˜ao As estrat´egias para a doen¸ca s˜ao um problema cr´ıtico. Um modelo matem´atico capaz de prever o n´umero de pessoas infectadas durante o surto de v´ırus ´e ´

util ferramenta, que pode ser empregada para identificar aspectos efetivos e vulner´aveis em programas de controle de doen¸cas [7,19,24].

1.2

Conceitos b´

asicos de Epidemiologia

A Epidemiologia ´e a ciˆencia voltada para o estudo da frequˆencia e o padr˜ao dos eventos relacionados com o processo sa´ude-doen¸ca em determinada po-pula¸c˜ao. Ela busca a causa e os fatores que influenciam a ocorrˆencia destes processos, al´em das taxas ou riscos de doen¸ca nessa popula¸c˜ao. Fundamenta-se no m´etodo cient´ıfico e oferece subs´ıdios para a¸c˜oes voltadas `a preven¸c˜ao e ao controle de doen¸cas. Assim, seu desenvolvimento como ciˆencia objetiva a melhoria das condi¸c˜oes de sa´ude da popula¸c˜ao humana [31].

(13)

Devido a relevˆancia deste assunto, v´arios pesquisadores vˆem desenvol-vendo modelos matem´aticos que possam contribuir para a compreens˜ao e controle de doen¸cas infecciosas. Esta ´area, denominada Epidemiologia Ma-tem´atica, vem se fortalecendo nos ´ultimos tempos e o interesse em modelar doen¸cas infecciosas tem sido objeto de estudos de in´umeros trabalhos em todo o mundo [17].

Os principais termos epidemiol´ogicos utilizados s˜ao:

• epidemia: Doen¸ca infecciosa que surge rapidamente em determinada lo-calidade ou em grandes regi˜oes e se espalha fazendo um elevado n´umero de v´ıtimas.;

• incidˆencia: N´umero, ou propor¸c˜ao, de novos casos de determinada doen¸ca que surgem em uma popula¸c˜ao em um determinado intervalo de tempo;

• infec¸c˜ao: Refere-se `a invas˜ao, desenvolvimento e multiplica¸c˜ao de um microorganismo no organismo humano.

• per´ıodo de incuba¸c˜ao: Intervalo de tempo entre o momento de infec¸c˜ao e o aparecimento dos primeiros sintomas da doen¸ca no hospedeiro;

• per´ıodo de infec¸c˜ao: Per´ıodo no qual o indiv´ıduo infectado ´e capaz de transmitir a doen¸ca a outro hospedeiro suscet´ıvel;

• per´ıodo latente: Per´ıodo de evolu¸c˜ao cl´ınica de determinada doen¸ca, no qual o v´ırus replica-se no interior das c´elulas parasitadas do indiv´ıduo. Est´a compreendido entre o momento de infec¸c˜ao e a existˆencia mate-rial da infec¸c˜ao no organismo, nele o indiv´ıduo ainda n˜ao apresenta sintomas da doen¸ca;

• suscet´ıvel : Hospedeiro que n˜ao possui resistˆencia contra um determi-nado agente patogˆenico, podendo tornar-se infectado caso entre em contato com tal agente;

• removido: Indiv´ıduo retirado da intera¸c˜ao suscet´ıvel-infeccioso por meio da recupera¸c˜ao, com imunidade tempor´aria ou permanente, por isola-mento, at´e obter a cura e a imunidade, ou por morte;

• taxa de contato: Medida de frequˆencia de encontro entre indiv´ıduos suscet´ıveis e infectados;

(14)

• transmiss˜ao: Processo pelo qual um v´ırus passa de uma fonte de in-fec¸c˜ao para um novo hospedeiro;

1.3

A hist´

oria das epidemias

As primeiras epidemias que se tem not´ıcia na maioria das vezes n˜ao pos-suiam descri¸c˜oes detalhadas, muito menos informa¸c˜oes que possam indicar com exatid˜ao qual a doen¸ca em quest˜ao. Por isso era comum que nomes de imperadores fossem dados `as epidemias. Apesar de existirem rotas comerci-ais atrav´es dos continentes entre os anos 500 a.C. e 500 d.C., a movimenta¸c˜ao de indiv´ıduos, naquela ´epoca, era baixa, o que explica a ocorrˆencia local de surtos epidˆemicos sem grande influˆencia sobre outras regi˜oes. Em Roma, por exemplo, ocorreram diversas epidemias. Em 451 a.C., uma epidemia miste-riosa matou todos os escravos romanos e membros do Senado. O que a torna misteriosa ´e o fato de ela ter afetado tamb´em vacas e carneiros [30]. Essa epidemia provavelmente ocorreu gra¸cas a um aumento do deslocamento dos indiv´ıduos e, consequentemente, maior quantidade de contatos com outros povos. Essas tamb´em foram as prov´aveis causas da pandemia, em 79 d.C., causada por mal´aria ou antrax, que varreu o Egito, estendeu-se pela Meso-potˆamia, pela Gr´ecia e chegou `a It´alia. Em 125 d.C., uma nova epidemia vinda da ´Africa atingiu Roma. Conhecida como “peste de Os´orio“, talvez tenha sido causada pelo v´ırus do sarampo. Em 166 d.C., aconteceu a “peste dos Antˆonios“, nome da fam´ılia do imperador que ent˜ao governava Roma, matando entre um quarto e um ter¸co da popula¸c˜ao romana. Em 250 d.C., a “peste de Cipriano“ atingiu Roma depois de passar pelo Egito e Cartago, causando devasta¸c˜ao na cidade de Alexandria [30]. E em 542 d.C. ocorreu a “peste de Justiniano“ [28].

A gripe espanhola foi a epidemia que matou mais pessoas ao redor do mundo, estimou-se de 50 a 100 milh˜oes de v´ıtimas, ocorreu entre os anos de 1918 e 1919. Os primeiros casos ocorreram nos Estados Unidos, passando por alguns pa´ıses da Europa, antes da Espanha, a pandemia levou o nome de gripe espanhola, pois, `a ´epoca, pareceu ser o pa´ıs mais afetado, j´a que at´e o ent˜ao Rei Alfonso XIII contraiu a doen¸ca [4].

A peste negra, ou peste bubˆonica, dizimou de 30% a 60% da popula¸c˜ao eu-ropeia em meados de 1400 (aproximadamente 25 milh˜oes de pessoas). Houve diversas epidemias espalhadas pela Europa, em trˆes grandes frentes, sendo duas delas durante a Idade M´edia e uma (que se espalhou pelo mundo) no s´eculo XIX [16]. Na primeira epidemia, entre 1347 e 1351, estima-se que

(15)

cerca de 1000 vilarejos ingleses foram dizimados [34].

Quando o v´ırus da var´ıola chegou `a Am´erica, em 1520, trazido por euro-peus contaminados, grande parte dos Incas e Astecas da Am´erica Central e da Am´erica do Sul foram infectados. Com a “ajuda” da epidemia, Hern´an Cort´es derrotou um ex´ercito de milh˜oes com apenas 500 homens. H´a evidˆencias que alguns povoados americanos tenham sido reduzidos de 80% a 90%. Estima-se que 4 milh˜oes de nativos morreram. A doen¸ca s´o foi erradicada em 1979 [16].

Outra epidemia famosa relaciona-se `a chamada doen¸ca do suor, que se espalhou pela Inglaterra entre 1485 e 1551 e matou cerca de 3 milh˜oes. Marti-nho Lutero, que contraiu a doen¸ca, mas sobreviveu, escreveu: “ningu´em pen-sava em seus afazeres di´arios, as mulheres enchiam as ruas de lamenta¸c˜oes e preces e os sinos dobravam por finados, dias e noites”. Alguns estudos sugerem que tal doen¸ca seria, na verdade, tifo [34].

A peste de Justiniano foi uma pandemia que atingiu o Imp´erio Bizantino e, principalmente, sua capital Constantinopla, em 542 d.C., onde morreram 60% dos 500 mil habitantes. Chegou pelo rio Nilo, trazida pelos ratos das embarca¸c˜oes. O caos gerado ´e compar´avel ao encontrado na Europa da Idade M´edia que sofreu com a peste negra, que, ali´as, suspeita-se ser a mesma doen¸ca que levou o nome do imperador Justiniano, que a contraiu, mas sobreviveu [28].

1.4

Origem da Epidemiologia Matem´

atica

Registros de epidemias e especula¸c˜oes sobre poss´ıveis causas datam aproxi-madamente `a ´epoca dos gregos antigos, com seu in´ıcio registrado na obra Epidemia de Hip´ocrates (459-377 a.C.). Po´rem progresso em epidemiologia foi muito lento nesta ´epoca e continuou assim at´e s´eculo XIX [1].

Em 1546, Fracastorius postulou um princ´ıpio de cont´agio vivo, que pode se espalhar de pessoa para pessoa. E em 1760 Daniel Bernoulli aplicou um m´etodo matem´atico para calcular a efetividade dessa t´ecnica em var´ıola com intuito de influenciar a pol´ıtica de sa´ude p´ublica [1]

John Snow mostrou em 1855, estudando o padr˜ao da c´olera no espa¸co e no tempo que a doen¸ca foi espalhada por contamina¸c˜ao da ´agua. Mais tarde, em 1873, William Budd definiu de forma similar o espalhamento da febre tif´oide. Paralelamente, William Farr, aplicou estudos estat´ısticos que esperavam desvendar leis emp´ıricas subjacentes ao encerramento e decl´ınio de surtos epidˆemicos. [1]

(16)

Em 1906, Hamer considerou que uma epidemia deve depender do n´umero de suscet´ıveis e a taxa de contato entre suscet´ıveis e indiv´ıduos infecciosos. Essas suposi¸c˜oes matem´aticas simples usadas por Hamer s˜ao base para to-das as teorias determin´ısticas subsequentes e tamb´em aparece nas vers˜oes probabil´ısticas de forma modificadas.

Os modelos de W. H. Hamer, em 1906, e do m´edico britˆanico Sir Ronald Ross (1857-1932), em 1908, apresentavam teorias espec´ıficas sobre a trans-miss˜ao de doen¸cas infecciosas em uma express˜ao matem´atica simples e ainda investigaram as propriedades decorrentes destes modelos. Hamer postulou que o desenvolvimento de uma epidemia depende de fatores como o n´umero de suscet´ıveis, o n´umero de infectados e a taxa de contato entre suscet´ıveis e in-fectados, resultando em um dos conceitos mais importantes na epidemiologia matem´atica, o princ´ıpio da a¸c˜ao das massas. Este princ´ıpio foi originalmente formulado em um modelo que se considerava tempo discretizado, mas Sir Ro-nald Ross transladou-o para o modelo de mal´aria com tempo cont´ınuo. Ao estudar a dinˆamica de transmiss˜ao da mal´aria, Ronald Ross sugeriu que devia existir um valor limiar de densidade de mosquitos abaixo do qual ocorreria a extin¸c˜ao da mal´aria. Este pode ter sido o pren´uncio do Teorema do Limiar, proposto por Kermack (1898-1970) e McKendrick (1876-1943) em 1927, se-gundo o qual h´a uma densidade cr´ıtica de indiv´ıduos suscet´ıveis abaixo da qual a introdu¸c˜ao de indiv´ıduos infectados provoca uma epidemia. A densi-dade limiar depende de fatores como infectividensi-dade, recupera¸c˜ao da doen¸ca e taxa de mortalidade relativa `a epidemia. Posteriormente, as ideias de Hamer e Ross foram desenvolvidas em detalhes por Soper (1893-1977), em 1929, que estudou os mecanismos respons´aveis pela periodicidade das epidemias [1].

(17)

2

Objetivos

• Simular o espalhamento da zika no estado da Fl´orida.

(18)

3

etodos

3.1

Redes ou Grafos

Para resolver problemas complexos, a simplifica¸c˜ao ´e um mecanismo bem sucedido. Simplificando o problema tanto quanto poss´ıvel sem perder suas caracter´ısticas essenciais, torna-se melhor compreens´ıvel. A linguagem da ciˆencia da rede faz exatamente isso para sistemas complexos. isto descreve o sistema como um conjunto de unidades que interagem uas com as ou-tras. Somente as conex˜oes entre as unidades muitas vezes sem caracter´ısticas s˜ao importantes, todas as outras propriedades do sistema podem ser negli-genciadas. Os sistemas simplificados desta forma ainda podem levar a um comportamento complexo. A teoria da rede tornou-se uma estrutura para estudar sistemas complexos, fornecendo uma linguagem comum ao estudo de t´opicos t˜ao diverso quanto propaga¸c˜ao da doen¸ca, caminhos metab´olicos ou ecossistemas. Os padr˜oes de intera¸c˜ao humana agora podem ser quanti-ficados atrav´es de redes dinˆamicas de alta resolu¸c˜ao. Isso facilita o estudo das vias de transmiss˜ao e propaga¸c˜ao de doen¸cas, not´ıcias ou rumores entre indiv´ıduos. Embora em muitos estudos anteriores de dissemina¸c˜ao de epi-demia o problema tenha sido simplificado at´e o ponto em que os padr˜oes de intera¸c˜ao foram substitu´ıdos por mistura homogˆenea, descrevendo o pro-blema nas redes dinˆamicas permite uma melhor compreens˜ao das vias de transmiss˜ao exatas e do papel dos indiv´ıduos para a dissemina¸c˜ao da epide-mia .

Uma rede pode ser descrita como um gr´afico G(N, E), consistindo de um conjunto de v´ertices ou n´os, N e um conjunto de bordas ou links, E.

Os n´os na rede podem ser f´ısicos ou conceituais. Al´em da topologia do gr´afico, podemos armazenar informa¸c˜oes adicionais sobre a rede, dando aos n´os e bordas propriedades adicionais. As bordas podem ter pesos, descre-vendo, por exemplo, a dura¸c˜ao do contato entre indiv´ıduos, o n´umero de eventos de contato, a semelhan¸ca estrutural entre n´os, a correla¸c˜ao de even-tos acontecendo nos n´os, o volume comercial entre os pa´ıses, ou o fluxo de eletricidade, a ´agua ou tr´afego.

3.1.1 Como classificar redes? `

A medida que as redes aumentam, o olho como uma ferramenta para en-tender a estrutura da rede j´a n˜ao ´e suficiente. A estrutura pode tornar-se

(19)

t˜ao complexa que olhar para ela n˜ao revelar´a facilmente as propriedades im-portantes da rede. Marcadores ou proxies que classificar˜ao as propriedades da rede devem ser consideradas. Alguns desses classificadores, que foram comprovadamente essenciais em contextos diferentes, s˜ao descritos a seguir.

• Grau

O grau k de um n´o indica o n´umero de vizinhos que est˜ao diretamente conectados a este n´o. Ele corresponde `a soma da linha da matriz de adjacˆencia. O grau m´edio de uma rede pode ser facilmente calculado como < k >= 2E

N . A distribui¸c˜ao de grau, que compreende informa¸c˜oes

sobre o grau de todos os n´os do gr´afico, ´e uma propriedade definidora do rede. As redes com uma distribui¸c˜ao de grau livre de escala s˜ao chamadas de redes sem escala para distingui-los, por exemplo, de re-des aleat´orias (redes nas quais os links s˜ao colocados entre n´os com alguma probabilidade constante p), que tem um grau distribuido de uma Poisson.

• For¸ca

Se a rede for ponderada, em vez do grau, tamb´em podemos definir a for¸ca de um n´o, que ´e a soma dos pesos de todos os links a partir deste n´o [3]

si =

X

i

wij

Se os pesos forem colocados aleatoriamente em todos os links, o grau de um n´o ´e proporcional a sua for¸ca s ∼ k < w > [3].

• Coeficiente de agrupamento

O coeficiente de agrupamento de um n´o n [33] ´e definido como o n´umero de triˆangulos T (n) entre este n´o e seus vizinhos, dividido pelo poss´ıvel n´umero de triˆangulos d(n) · (d(n) − 1)/2, onde d(n) ´e o grau do n´o.

cn =

2T (n) d(n)(d(n) − 1)

Se o coeficiente de agrupamento for alto, muitos dos vizinhos de um n´o est˜ao conectados entre eles tamb´em.

(20)

• Tamanho de ramos

Um caminho entre dois n´os n1e nk´e uma seq¨uˆencia de n´os P (n1, n2, . . . , nk)

em que os n´os subseq¨uentes s˜ao adjacentes um ao outro. O caminho mais curto em uma rede entre n1 e nk´e o caminho com o menor n´umero

de n´os adjacentes, sobre o qual as informa¸c˜oes do n´o n1precisam passar

para alcan¸car o n´o nk. O diˆametro de uma rede ´e a maior distˆancia

en-tre dois n´os no gr´afico. Gr´aficos com um pequeno diˆametro D ∼ log N [33]. Isso foi considerado o caso para muitas redes sociais [29,32].

• Centralidade de intera¸c˜ao

A centralidade de intera¸c˜ao de um n´o n est´a relacionada ao n´umero de caminhos mais curtos dij entre quaisquer dois n´os i e j, que passam

pelo n´o n. Na verdade, ´e a soma de todos n´os i, j da porcentagem de caminhos mais curtos dij(n)

di,j passando por n entre dois n´os da rede

[14,26]. bn= X ij dij(n) dij ´

E um aproxima¸c˜ao para a influˆencia que um n´o n pode ter na rede entre os dois n´os.

3.2

etodos de Monte Carlo

Os m´etodos de Monte Carlo tˆem sido utilizados h´a bastante tempo como forma de obter aproxima¸c˜oes num´ericas de fun¸c˜oes complexas, de acordo com Ehlers [27]. Estes m´etodos tipicamente envolvem a gera¸c˜ao de observa¸c˜oes de alguma distribui¸c˜ao de probabilidades e o uso da amostra obtida para aproximar a fun¸c˜ao de interesse.

3.2.1 Monte Carlo simples

As aplica¸c˜oes mais comuns dos m´etodos de Monte Carlo em computa¸c˜ao num´erica s˜ao para avaliar integrais. A id´eia reside no fato de escrever a integral que se deseja calcular como um valor esperado. Para introduzir o m´etodo considere o problema de calcular a integral de uma fun¸c˜ao g(x) no intervalo (a, b), isto ´e,

(21)

I = Z b

a

g(x)dx (3.1)

Esta integral pode ser reescrita como

I = Z b

a

(b − a)g(x) 1

b − adx = (b − a)E[g(x)] (3.2)

identificando X como uma vari´avel aleat´oria com distribui¸c˜ao U (a, b). Assim, transforma- se o problema de avaliar a integral no problema estat´ıstico de estimar uma m´edia, E[g(X)]. Tendo a disposi¸c˜ao uma amostra aleat´oria de tamanho n, x1, x2, x3, . . . , xn da distribui¸c˜ao uniforme no intervalo (a, b)

ser´a poss´ıvel conseguir tamb´em uma amostra de valores g(x1), . . . , g(xn) da

fun¸c˜ao g(x) e a integral acima pode ser estimada pela m´edia amostral, isto ´e

ˆ I = (b − a)1 n X i g(xi). (3.3)

N˜ao ´e dificil verificar que esta estimativa ´e n˜ao viesada j´a que E[g(xi)] =

E[g(x)] para todo i e portanto

E( ˆI) = (b − a) n n X i=1 E[g(xi)] = (b − a)E[g(x)] = Z b a g(x)dx. (3.4)

Pode-se ent˜ao usar um algoritmo com os seguintes passos.

1. Gerar x1, x2, . . . , xn da distribui¸c˜ao U (a, b);

2. Calcular g(x1), g(x2), . . . , g(xn);

3. Calcular a m´edia amostral ¯g =

Pn i=1g(xi)

n ;

4. Calcular ¯I = (b − a)¯g.

3.2.2 Erro de Monte Carlo

Naturalmente que ˆI ´e somente uma aproxima¸c˜ao para a quantidade que se deseja calcular, portanto precisa-se estudar o erro ˆI − I. Uma vez que as gera¸c˜oes s˜ao in- dependentes, ent˜ao, pela Lei Forte dos Grandes N´umeros segue que ˆI converge quase certamente para I.

(22)

lim n→∞ 1 n n X i=1 → E[g(x)],

Al´em disso, definindo σ2 = V ar[g(x)] e assumindo que esta variˆancia

existe o Erro Padr˜ao de Monte Carlo ´e uma estimativa consistente de σ dada por σ = v u u t 1 n2 n X i=1 (g(xi) − ˆg)2

a aproxima¸c˜ao pode ser t˜ao acurada quanto se deseje bastando aumen-tar o valor de n [11]. ´E importante notar que n est´a sob controle aqui, e n˜ao se trata do tamanho da amostra de dados. O teorema central do limite tamb´em se aplica aqui de modo que para n grande segue que g−E[g(x)]¯ σˆ tem distribui¸c˜ao aproximadamente N (0, 1). Pode-se usar este resultado para tes-tar convergˆencia e construir intervalos de confian¸ca do tipo ¯g ± zα/2σ. Noˆ

caso multivariado a extens˜ao tamb´em ´e direta. Seja x = (x1, . . . , xn) um

vetor aleat´orio de dimens˜ao k com fun¸c˜ao de densidade p(x). Neste caso, os valores gerados ser˜ao tamb´em vetores x1, . . . , xn e o estimador de Monte

Carlo fica ˆI =Pn

(23)

4

Dados

Os dados utilizados dos casos de zika no estado da Fl´orida, foram obti-dos por meio de webscrapping do site http://www.floridahealth.gov/ s˜ao reports peri´odicos entre os dias 05/02/2016 `a 28/07/2016. Os dados de movi-menta¸c˜ao pendular entre as cidades n˜ao foram encontrados disponiveis, ent˜ao utilizamos uma aproxima¸c˜ao que foi os dados de migra¸c˜ao, esses dados foram obtidos no http://www.census.gov.

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(24)

Na figura 4.1 temos a representa¸c˜ao da aproxima¸c˜ao das migra¸c˜oes dia-rias que vamos utilizar para a modelagem dos dados. Quanto mais escuro e preenchido est´a a c´elula da matriz maior o fluxo migrat´orio entre esses condados.

Todos os dados e c´odigos utilizados nessa disserta¸c˜ao est˜ao dispon´ıveis no reposit´orio do githubhttps://github.com/brunolucian/DissertacaoEmap.

(25)

5

Descri¸

ao de Modelos Compartimentais

5.1

Modelos cont´ınuos

Um dos modelos de maior relevˆancia e que mais influenciaram no desenvol-vimento de modelos matem´aticos foi o modelo SIR (Suscet´ıvel Infectado -Recuperado), estudado por Kermack e McKendrick, em 1927, os quais con-clu´ıram que um pequeno n´umero de indiv´ıduos infectados, mesmo em contato com indiv´ıduos suscet´ıveis, n˜ao geram uma epidemia.

A partir da´ı, diversos outros modelos matem´aticos em Epidemiologia pas-saram a ser estudados, os chamados modelos compartimentais. Recebem esse nome devido ao fato da popula¸c˜ao ser dividida em compartimentos, que in-dicam em qual estado se encontra o indiv´ıduo. Como exemplo, podem ser citadas as classes:

• Suscet´ıveis (S): indiv´ıduos sadios que est˜ao suscet´ıveis a contrair a doen¸ca;

• Infectados (I): indiv´ıduos que contra´ıram a doen¸ca e podem disseminar aos indiv´ıduos suscet´ıveis por transmiss˜ao direta;

• Expostos (E): indiv´ıduos portadores da doen¸ca que est˜ao em per´ıodo latente, isto ´e, foram infectados, mas ainda n˜ao transmitem a doen¸ca;

• Removidos (R): indiv´ıduos que foram infectados, mas n˜ao s˜ao mais portadores da doen¸ca, por motivo de isolamento, cura (adquirindo ou n˜ao imunidade) ou morte.

Assim, pode-se escrever a popula¸c˜ao total N como a soma dos indiv´ıduos das classes acima citadas, ou seja, N = S + E + I + R.

O estudo de modelos matem´aticos tem como objetivo principal analisar a taxa da for¸ca de infec¸c˜ao e a taxa de reprodutibilidade basal. A for¸ca de infec¸c˜ao ´e a taxa de propaga¸c˜ao da doen¸ca, e determina a dimens˜ao da transmiss˜ao. Esta depende apenas do n´umero de indiv´ıduos infectados.

Enquanto que a taxa de reprodutibilidade basal ´e o n´umero de infec¸c˜oes causadas em indiv´ıduos suscet´ıveis a partir de uma primeira infec¸c˜ao, e est´a relacionado ao crescimento ou decrescimento da epidemia.

As doen¸cas infecciosas podem ocorrer por transmiss˜ao indireta ou trans-miss˜ao direta. Transmiss˜ao indireta ´e aquela que depende de um vetor trans-missor infectado, como por exemplo, um mosquito. J´a a transmiss˜ao direta

(26)

se d´a por meio do contato f´ısico ou proximidade entre indiv´ıduos sadios e indiv´ıduos infectados. Essa rela¸c˜ao ´e baseada na Lei da A¸c˜ao das Massas, princ´ıpio estudado em cin´etica qu´ımica que afirma que a velocidade de uma rea¸c˜ao ´e diretamente proporcional `as concentra¸c˜oes dos reagentes, ou seja, desde que uma part´ıcula se movimente, ela tem a mesma chance de encontrar com as demais. A aplica¸c˜ao dessa Lei `a modelagem matem´atica ´e que, como a transmiss˜ao ocorre com o encontro entre indiv´ıduos suscet´ıveis e infectados, a varia¸c˜ao de indiv´ıduos suscet´ıveis ´e proporcional ao n´umero de indiv´ıduos infectados.

5.1.1 Modelo SIR

O modelo epidemiol´ogico SIR (suscet´ıvel-infectado-recuperado) que foi estu-dado a fundo por Kermack e Mckendrik [22], que calcula o n´umero te´orico de pessoas infectadas com uma doen¸ca em uma popula¸c˜ao. A suposi¸c˜ao b´asica deste tipo de modelo ´e que um indiv´ıduo pode passar sucessivamente por est´agios de suscetibilidade, infe¸c˜ao e recupera¸c˜ao e a imunidade ´e perma-nente, isto ´e, dura toda a vida [6]. O nome desta classe de modelos deriva do fato de que envolvem equa¸c˜oes que relacionam o n´umero de pessoas Sus-cet´ıveis (se antes n˜ao estava exposto ao pat´ogeno) S(τ ), o n´umero de pessoas infectadas (dominado pelo pat´ogeno) I(τ ), e Recuperado (se ele est´a livre da infec¸c˜ao) R(τ ).

No caso mais simples, tem-se somente as transi¸c˜oes S → I e I → R. Vamos falar primeiro da transi¸c˜ao I → R. Estes infectados podem se mover para a classe de recuperados s´o depois de terem combatido a infec¸c˜ao. Para infec¸c˜oes agudas, ´e geralmente observado que a quantidade de tempo gasto na classe infecciosa ´e distribu´ıdo em torno de alguns valores m´edios, que podem ser estimados a partir de dados cl´ınicos. No que diz respeito a modelagem, isto significa que quanto mais tempo o indiv´ıduo permanecer na classe I maior ser´a a probabilidade dele passar para a classe R. Entretanto, frequentemente ´

e feita a simplifica¸c˜ao pressupondo que a taxa de recupera¸c˜ao γ ´e constante; isto leva a equa¸c˜oes muito mais simples e exponencialmente distribu´ıdas no per´ıodo infeccioso.

A progress˜ao de S para I claramente envolve a transmiss˜ao da doen¸ca, que ´e determinada por trˆes fatores distintos: o predom´ınio dos infectados, estrutura de contato da popula¸c˜ao e a probabilidade de transmiss˜ao por con-tato. Para um pat´ogeno transmitido diretamente, tem que haver contato entre indiv´ıduos suscet´ıveis e infectados e a probabilidade deste fato ´e

(27)

deter-minada pelos n´ıveis respectivos de S e I, bem como a estrutura de contato inerente ´a popula¸c˜ao de hospedeiro. Finalmente, precisamos levar em consi-dera¸c˜ao a probabilidade de que um contato entre um suscet´ıvel e uma pessoa infectada resulta em transmiss˜ao.

´

E importante ressaltar os dois tipos de formula¸c˜oes que ser˜ao referidas como, dependente da frequˆencia (ou a¸c˜ao das massas) e transmiss˜ao depen-dente da densidade (ou pseudo a¸c˜ao das massas), pois elas diferem entre estas duas suposi¸c˜oes b´asicas em termos de estrutura b´asica de contato na popula¸c˜ao. A transmiss˜ao dependente da frequˆencia reflete a situa¸c˜ao onde o n´umero de contatos ´e independente do tamanho da popula¸c˜ao.

Pelo menos tanto quanto as doen¸cas diretamente transmitidas, isto est´a de acordo com a intui¸c˜ao sobre popula¸c˜oes humanas. N˜ao ´e de se esperar que algu´em que vive, por exemplo, em Miami (popula¸c˜ao de 2,5 milh˜oes), ou em Nova Iorque (popula¸c˜ao de 8 milh˜oes), transmita uma doen¸ca infecciosa 50 vezes mais que algu´em que vive em Cambridge, Reino Unido (popula¸c˜ao de 130.000) ou em Cambridge, Massachusetts (popula¸c˜ao de 100.000). O n´umero de contatos que podem resultar em transmiss˜ao ser´a determinado pelos v´ınculos sociais, resultanto em padr˜oes semelhantes de transmiss˜ao em qualquer cidade grande ou pequena.

J´a a transmiss˜ao dependente da densidade, ao contr´ario, assume que como o tamanho da popula¸c˜ao (ou mais precisamente a densidade de indiv´ıduos) aumenta, o mesmo acontece com a taxa de contato. A l´ogica ´e que se mais indiv´ıduos est˜ao aglomerados em uma ´area (e os indiv´ıduos se movem ao acaso), ent˜ao a taxa de contato ser´a muito maior.

A distin¸c˜ao entre estes dois mecanismos de transmiss˜ao torna-se n´ıtida quando o tamanho da popula¸c˜ao varia, caso contr´ario o termo 1/N pode ser absorvido na parametriza¸c˜ao de β no termo a¸c˜ao das massas. Como uma simplifica¸c˜ao para a nota¸c˜ao, ´e conveniente deixar S e I ser a propor¸c˜ao da popula¸c˜ao que s˜ao suscet´ıveis e infectados, respectivamente. Nesta nova nota¸c˜ao, a a¸c˜ao das massas (dependente da frequˆencia) torna-se βSI, que informa a taxa na qual novos indiv´ıduos s˜ao infectados. O termo de trans-miss˜ao ´e geralmente descrito pela dependˆencia de frequˆencia βSI ou pela dependˆencia da densidade βN SI. A diferen¸ca entre a a¸c˜ao das massas e a pseudo a¸c˜ao das massas torna-se importante se o tamanho da popula¸c˜ao muda ou se est´a tentando parametrizar o modelo da doen¸ca atrav´es de uma escala de tamanhos da popula¸c˜ao.

(28)

5.1.2 SIR sem demografia

Para introduzir as equa¸c˜oes do modelo, ´e mais f´acil considerar uma “po-pula¸c˜ao fechada” sem demografia (sem nascimentos, mortes ou migra¸c˜ao). O cen´ario que se tem em mente ´e uma grande popula¸c˜ao na qual um baixo n´ıvel de agente infeccioso ´e introduzido e onde a epidemia resultante ocorre de forma suficientemente r´apida que n˜ao influencie nos processos demogr´aficos. Tamb´em se assume mistura homogˆenea sendo que as complexidades que afe-tam o padr˜ao de contatos s˜ao descartadas, produzindo o termo βSI como termo de transmiss˜ao. Dada a premissa que as probabilidades epidemiol´ogicas b´asicas s˜ao constantes, obtemos as seguintes equa¸c˜oes SIR:

dS dt = −βSI dI dt = βSI − γI (5.1) dR dt = γI

Onde β ´e o coeficiente de transmiss˜ao que determina a taxa a que no-vas infec¸c˜oes surjam, como consequˆencia do contato entre suscet´ıveis e in-fectados, o parˆametro γ ´e dito remo¸c˜ao ou taxa de recupera¸c˜ao, embora frequentemente se est´a mais interessado no seu inverso (1/γ), que determina o per´ıodo infeccioso m´edio. Para a maioria das doen¸cas, o per´ıodo infecci-oso pode ser estimado de maneira precisa a partir de dados epidemiol´ogicos. Estas equa¸c˜oes tˆem suas condi¸c˜oes iniciais S(0) > 0, I(0) > 0 e R(0) > 0 e N = S(t) + I(t) + R(t) ´e o n´umero total de indiv´ıduos da popula¸c˜ao.

S I R

Figura 5.1: Modelo SIR

Como visto em [6] definem-se as vari´aveis n˜ao dimensionais em:

u = S N, v = I N, w = R N, t = γτ (5.2)

(29)

Reescrevendo a equa¸c˜ao 5.1 usando as mudan¸cas de vari´aveis da equa¸c˜ao 5.2 obt´em-se: du dt = −R0uv (5.3) dv dt = (R0u − 1)v dw dt = v onde: R0 = βN γ (5.4)

´e o n´umero de reprodu¸c˜ao b´asico. βN ´e a taxa de propaga¸c˜ao da doen¸ca numa popula¸c˜ao de suscet´ıveis de tamanho N . 1

γ ´e o intervalo de tempo que

um infectado permanece infectado. R0´e o n´umero m´edio de novos infectados

resultantes da inser¸c˜ao de um indiv´ıduo doente sobre uma popula¸c˜ao sem imunidade `a doen¸ca e na ausˆencia de qualquer controle. As solu¸c˜oes devem ser consideradas na regi˜ao S2 = {(u, v, w)|0 ≤ u ≤ 1, 0 ≤ v ≤ 1, 0 ≤ w ≤

1, u + v + w = 1.

Teorema 5.1 O ponto de equil´ıbrio correspondente ao estado livre de doen¸ca ´

e est´avel (mas n˜ao assintoticamente est´avel) se R0 ≤ 1, de modo que a doen¸ca

desaparece, inst´avel se R0 > 1, de modo que uma epidemia pode ocorrer.

5.1.3 Modelo SEIR

O modelo SEIR, que foi introduzido por Kermack e McKendrik, em 1927 [17], ´e um modelo que divide a popula¸c˜ao em 4 classes de indiv´ıduos, os suscet´ıveis, S, s˜ao os que podem contrair a doen¸ca, os expostos, E, que s˜ao os que est˜ao em contacto com os infectados, os infectados, I, que s˜ao os que est˜ao doentes e podem propagar a doen¸ca, e os recuperados, R, que s˜ao os que j´a contra´ıram a doen¸ca e adquiriram imunidade.

Para que a transmiss˜ao da doen¸ca se dˆe, tem que haver um contato entre um suscet´ıvel com um infectado. O suscet´ıvel entra, assim, na classe dos ex-postos, E, que est˜ao no per´ıodo de latˆencia, mas n˜ao est˜ao ainda infectados.

(30)

O per´ıodo de incuba¸c˜ao ´e definido como o per´ıodo de exposi¸c˜ao inicial para o aparecimento de sintomas. Uma vez que uma pessoa pode se tornar infectada antes ou depois do aparecimento dos sintomas, o per´ıodo de incuba¸c˜ao ´e, ge-ralmente, diferente do per´ıodo latente, que ´e o per´ıodo de tempo que decorre at´e uma pessoa se tornar contagiante. Na modelagem de doen¸cas infeciosas, estamos interessados no per´ıodo de latˆencia. Ap´os terminar o per´ıodo de latˆencia o indiv´ıduo entra na classe dos infectados, I. [17]

Uma vez que uma epidemia ocorre num curto per´ıodo de tempo, ignora-mos a perda de imunidade tempor´aria e os processos de nascimento e morte. Portanto n˜ao temos o fluxo da classe dos recuperados (R), para a classe sus-cet´ıvel (S). Ent˜ao, consideramos o modelo de epidemia SEIR, que tem um comportamento an´alogo ao do modelo epidemiol´ogico b´asico SIR [17].

O fluxo do modelo SEIR pode ser visualizado na Figura 5.1.3, e este inicia-se na clasinicia-se S em dire¸c˜ao a classe E, passando pela classe I e concluindo na classe R.

S E I R

Exposto Infectado Recuperado

Figura 5.2: Modelo SEIR

O modelo SEIR ´e dado pelo sistema equa¸c˜oes 5.5 diferenciais ordin´arias.

dS/dt = βI + S,

dE/dt = βSI − εE, (5.5)

dI/dt = εE − γI, dR/dt = γI,

onde N = S(t) + E(t) + I(t) + R(t) ´e o n´umero total de indiv´ıduos na popula¸c˜ao, β ´e taxa de passagem da classe de suscet´ıveis para a classe de exposto, ε o coeficiente de transmiss˜ao que determina a taxa a que novas infe¸c˜oes surjam, como consequˆencia do contato entre expostos e infectados, e γ ´e a taxa de recupera¸c˜ao, εE corresponde a um tempo exponencial de espera e−εt, e γI corresponde a um tempo exponencial de espera eγt. Considera-se

que a m´edia do per´ıodo latente ´e 1ε e o per´ıodo m´edio de infe¸c˜ao ´e 1γ.

Dividindo o sistema 5.5 pelo n´umero constante de indiv´ıduos da po-pula¸c˜ao obt´em-se

(31)

ds/dt = βi + s,

de/dt = βsi − εe, (5.6)

di/dt = εe − γi,

com r(t) = 1 − s(t) − e(t) − i(t), onde s(t), e(t), i(t), e s˜ao as fra¸c˜oes das classes. O tetraedro T no espa¸co de fase (s, e, i) ´e dado por T = {(s, e, i)|s ≥ 0, e ≥ 0, i ≥, s + e + i ≤ 1} ´e positivo e invariante e as ´unicas solu¸c˜oes existentes em T , para um tempo positivo. Assim, o problema ´e bem representado tanto matematicamente como epidemiologicamente.

Como no modelo SIR R0 = βγ onde β ´e a taxa de contato por unidade de

tempo e γ ´e o per´ıodo m´edio de infecciosos. Al´em disso, r0s0 ´e o produto do

n´umero de contato R0 com a fra¸c˜ao inicial de suscet´ıveis s0.

5.2

Modelos Discretos

Modelos epidemiol´ogicos descritos por equa¸c˜oes diferenciais s˜ao maioria entre os encontrados na literatura. O pressuposto inerente foi de que os proces-sos de transmiss˜ao da doen¸ca ocorre em tempo real e que a variabilidade de fatores, tais como o per´ıodo infeccioso, pode ser dinamicamente importante. Alguns tˆem argumentado que, se os per´ıodos de latˆencia e infeccioso s˜ao re-lativamente constantes, ´e razo´avel a constru¸c˜ao de modelos formuladas em tempo discreto [21]. As popula¸c˜oes presentes em cada compartimento, S, I ou R, modifica-se continuamente no tempo, instante a instante. Na pr´atica, no entanto, ´e muito dif´ıcil acompanhar este crescimento ou decrescimento a todo momento. Ao se estudar o crescimento das popula¸c˜oes em cada compar-timento, geralmente s˜ao realizadas medi¸c˜oes a intervalos de tempo regulares, neste caso dizemos que o tempo ´e discreto uma vez que o tamanho de cada popula¸c˜ao ´e conhecido apenas em alguns instantes. Desta forma, a utiliza¸c˜ao de modelos discretos torna-se de grande utilidade.

Os modelos em tempo discreto s˜ao menos est´aveis do que seus hom´ologos em tempo cont´ınuos. Os equil´ıbrios endˆemicos s˜ao fracamente est´aveis, com perturba¸c˜oes em decomposi¸c˜ao durante longos per´ıodos [21].

5.2.1 Introdu¸c˜ao `as Equa¸c˜oes de Diferen¸cas

A partir da observa¸c˜ao casual, percebemos que o problema em estudo varia em espa¸co e tempo. Por exemplo, o n´umero de indiv´ıduos infectados muda

(32)

continuamente em dado local, de acordo com a taxa de infec¸c˜ao da doen¸caa, e pode variar significantemente de ponto a ponto sobre o espa¸co de tempo con-siderado. Uma consequˆencia disso ´e que os modelos matem´aticos do mundo real, quase inevitavelmente, envolvem derivadas do tempo e espa¸co [18].

Para discretizar um problema cont´ınuo devemos adotar algum m´etodo de diferencia¸c˜ao num´erica. Uma forma geral para o tipo de problema que iremos considerar ´e dada por

x = f (t, x), t > 0 onde,

x(0) = a

´e a condi¸c˜ao inicial. A equa¸c˜ao diferencial juntamente com a condi¸c˜ao inicial dada, forma o que chamamos de Problema de Valor Inicial (PVI). Vamos considerar que x(t) e suas v´arias derivadas existem, s˜ao cont´ınuas e definidas no intervalo utilizado.

Para discretizar o sistema, vamos substituir as vari´aveis cont´ınuas, t e x, por vari´aveis discretas, desta forma, poderemos resolver o problema re-sultante usando m´etodos num´ericos convencionais. Ao realizar esta discre-tiza¸c˜ao devemos tomar cuidado para que a nova solu¸c˜ao se aproxime da solu¸c˜ao do PVI original.

Realizaremos a discretiza¸c˜ao em cinco etapas, que ser˜ao descritos a seguir. Inicialmente devemos especificar qu˜ao grande ser´a o intervalo de itera¸c˜oes, uma vez que, ao resolver os problemas discretos computacionalmente, o com-putador n˜ao pode funcionar para sempre. Ent˜ao o intervalo de tempo que ser´a utilizado para o c´alculo da solu¸c˜ao ser´a de 0 ≤ t ≤ L

A primeira etapa deste processo consiste em introduzir os pontos de tempo que iremos usar na solu¸c˜ao. Estes pontos s˜ao dados sequencialmente por t0, t1, . . . , tM, um esquema da posi¸c˜ao destes pontos ao longo do eixo ´e

mos-trado na Figura.

Seja k os espa¸cos entre cada ponto da sequˆencia, como estes pontos s˜ao igualmente espa¸cados, obtemos

tj = jk, j = 0, 1, . . . , M.

Lembrando que o intervalo de tempo utilizado para a discretiza¸c˜ao ´e 0 ≤ t ≤ L devemos garantir que tM = L. Desta forma, obtemos a seguinte

(33)

Diferen¸cas Finitas F´ormulas de diferen¸cas Termo de truncamento Para frente f0(xi) = f (xi+1)−f (xi) h + τi τi = − h 2f 00 i) Para tr´as f0(xi) = f (xi)−f (xh i−1) + τi τi = h2f00(ηi)

Central f0(xi) = f (xi+1)−f (x2h i−1) + τi τi = −h

2

6 f 000

i)

Tabela 5.2.1: F´ormulas de diferencia¸c˜ao num´ericas. Os pontos x1, x2, . . . , xn

s˜ao igualmente espa¸cados com passo de tamanho h = xi+1− xi. O ponto ηi ´e

localizado entre o esquerdo e o ponto mais `a direita utilizados nas f´ormulas [18]

k = L M

Em seguida, devemos analisar a equa¸c˜ao diferencial no tempo tj , obtendo

x0(tj) = f (tj, x(tj))

Na terceira etapa deste proceso, substituimos a derivada x0 por uma apro-xima¸c˜ao com uma f´ormula de diferen¸cas finitas usando os valores de y de um ou mais pontos da sequˆencia adotada em uma vizinhan¸ca de tj. Neste

mo-mento, devemos fazer a escolha para a f´ormula de aproxima¸c˜ao [18].

Neste trabalho vamos utilizar a aproxima¸c˜ao de diferen¸cas finitas para frente, dada na primeira entrada da Tabela 5.2.1. A express˜ao para a primeira derivada ´e dada por

x0(tj) = x(tj+1) − x(tj) k + τj onde, τj = − k 2x 00 (ηj)

e ηj ´e um ponto entre tj e tj+1. Substituindo a nova express˜ao para x0

obtemos

x(tj+1) − x(tj)

(34)

ou, de forma equivalente,

x(tj+1) − x(tj) + kτj = kf (tj, x(tj))

O termo τj, indica o qu˜ao boa a aproxima¸c˜ao est´a do problema inicial.

Por isso ´e chamado erro de truncamento do m´etodo, verificamos que este erro ´

e uma fun¸c˜ao de k, que vamos denotar por O(k). Como O(k) = kτj, ent˜ao

O(k) se aproxima de zero `a medida em que k vai para zero. Isto significa que, pelo menos em teoria, podemos nos aproximar do problema original o quanto quisermos, para isto, basta fazer o passo de tempo k suficientemente pequeno. Dizemos que a aproxima¸c˜ao ´e consistente [18].

A pr´oxima etapa do m´etodo consiste em ignorar o erro de truncamento. Assim, trocamos um problema exato por outro, que ´e uma aproxima¸c˜ao do PVI original (3.1). Ent˜ao, de (3.9), obtemos

xj+1− xj = kf (tj, xj),

equivalentemente,

xj+1 = xj + kf (tj, xj), j = 0, 1, . . . , M − 1.

cuja nota¸c˜ao xj representa x(tj)

A equa¸c˜ao de diferen¸cas finitas ´e conhecida como o M´etodo de Euler.

5.2.2 Modelo discreto SIR

Consideremos o modelo cont´ınuo visto em 5.1,

     dS dt = −βSI dI dt = βSI − γI dS dt = γI

onde S(t), I(t) e R(t) representam as propor¸c˜oes de indiv´ıduos suscet´ıveis, infectados e recuperados, no instante t, e os parˆametros β e γ infec¸c˜ao e recupera¸c˜ao, respectivamente. O tamanho total da popula¸c˜ao, N (t) = S(t)+ I(t) + R(t) e a taxa de reprodutibilidade ´e a mesma definida anteriormente R0 = βγ.

Para discretizar vamos utilizar o m´etodo passo a frente, cuja a f´ormula ´e apresentada na Tabela 5.2.1, dada por f0(xi) =

f (xi+1)−f (xi)

(35)

Para a primeira equa¸c˜ao do sistema, fa¸camos

dS dt(tj) =

S(tj+1) − S(tj)

k + τj, (5.7)

onde 0 ≤ t ≤ L, tj = jk, sendo k o espa¸co entre os pontos que vamos

considerar, com j = 0, 1, . . . , M . Para facilitar os c´aculos, vamos considerar L = M , ou seja, k = 1. Ent˜ao, ignorando o erro de truncamento, τj, obtemos

a aproxima¸c˜ao

dS

dt(tj) ≈ S(tj+1) − S(tj) = Sj+1− Sj. (5.8) Assim, temos a discretiza¸c˜ao da equa¸c˜ao dSdt como:

Sj+1− Sj = −βSjIj (5.9)

Realizando o mesmo procedimento para as outras duas equa¸c˜oes, chega-mos ao novo sistema

     Sj+1− Sj = −βSjIj Ij+1− Ij = βSjIj− γIj Rj+1− Rj = γIj, (5.10)

que podemos reescrever da seguinte forma:

     Sj+1 = Sj − βSjIj Ij+1 = Ij + βSjIj − γIj Rj+1 = Rj+ γIj, (5.11)

5.2.3 Modelo discreto SEIR

(36)

         dS dt = −βSI dE dt = βSI − εE dI dt = εE − γI dS dt = γI

onde S(t), E(t), I(t) e R(t) representam as propor¸c˜oes de indiv´ıduos suscet´ıveis, expostos, infectados e recuperados, no instante t, e os parˆametros β, ε e γ infec¸c˜ao, encuba¸c˜ao e recupera¸c˜ao, respectivamente. O tamanho total da popula¸c˜ao, N (t) = S(t) + E(t) + I(t) + R(t) e a taxa de reprodutibilidade ´

e a mesma definida anteriormente R0 = βγ.

Para discretizar vamos utilizar o m´etodo passo a frente, cuja f´ormula ´e apresentada na Tabela 5.2.1, dada por f0(xi) = f (xi+1h)−f (xi) + τi.

Para a primeira equa¸c˜ao do sistema, fa¸camos

dS dt(tj) =

S(tj+1) − S(tj)

k + τj, (5.12)

onde 0 ≤ t ≤ L, tj = jk, sendo k o espa¸co entre os pontos que vamos

considerar, com j = 0, 1, . . . , M . Para facilitar os c´aculos, vamos considerar L = M , ou seja, k = 1. Ent˜ao, ignorando o erro de truncamento, τj, obtemos

a aproxima¸c˜ao

dS

dt(tj) ≈ S(tj+1) − S(tj) = Sj+1− Sj. (5.13) Assim, temos a discretiza¸c˜ao da equa¸c˜ao dSdt como:

Sj+1− Sj = −βSjIj (5.14)

Realizando o mesmo procedimento para as outras duas equa¸c˜oes, chega-mos ao novo sistema

         Sj+1− Sj = −βSjIj Ej+1− Ej = βSjIj− εEj Ij+1− Ij = εEj− γIj Rj+1− Rj = γIj, (5.15)

(37)

reescrevendo os termos j + 1 em fun¸c˜ao dos termos j, temos:          Sj+1 = Sj − βSjIj Ej+1 = Ej + βSjIj − εEj Ij+1 = Ij+ εEj − γIj Rj+1 = Rj+ γIj, (5.16)

6

Epigrass

Epigrass ´e uma plataforma para simula¸c˜ao e an´alise epidemiol´ogica de rede. Permite aos pesquisadores realizar simula¸c˜oes espa¸co-temporais abrangentes que incorporem dados epidemiol´ogicos e modelos de transmiss˜ao e controle de doen¸cas para criar an´alises de cen´arios.

Cada componente da popula¸c˜ao desse modelo metapopulacional ´e assu-mido como sendo conectado atrav´es de uma rede de contatos que determina os fluxos de migra¸c˜ao entre as popula¸c˜oes.

O termo metapopula¸c˜ao apareceu pela primeira vez na literatura em 1969, e foi dado por Richard Levins. Define-se metapopula¸c˜ao como um conjunto de popula¸c˜oes discretas contendo uma dinˆamica local, e ligadas atrav´es da migra¸c˜ao [15].

Atrav´es de modelos de metapopula¸c˜ao, pode-se estudar a permanˆencia de uma popula¸c˜ao em um h´abitat, medir probabilidades de extin¸c˜ao local e global de uma popula¸c˜ao, fenˆomenos de dispers˜ao, competi¸c˜ao, etc. ´E uma das maneiras mais simples de se construir modelos espaciais.

O sistema Epigrass foi desenvolvido pelo Programa de Computa¸c˜ao Ci-ent´ıfica (PROCC) da Fiocruz, fornece estruturas de dados e algoritmos que permite uma eficiente modelagem e simula¸c˜ao de redes de contato entre os indiv´ıduos de uma popula¸c˜ao. Este fato facilita sobremaneira o estudo de diferentes formas de transmiss˜ao da doen¸ca, onde diferentes padr˜oes de mo-bilidade dos indiv´ıduos podem ser considerados.

A Funda¸c˜ao Oswaldo Cruz tem feito um esfor¸co no sentido de modelar a distribui¸c˜ao de doen¸cas atrav´es de redes complexas. Desenvolveu um software livre chamado Epigrass que foi utilizado para construir, simular e analisar essas redes de contatos entre indiv´ıduos de uma popula¸c˜ao [8].

(38)

6.1

Modelo no espa¸

co e tempo

Nesse trabalho, ´e analisada a propaga¸c˜ao da uma epidemia de Zika atrav´es de uma rede de condados da Fl´orida.

Neste problema, uma rede pode ser definida como um conjunto de n´os e links onde os n´os representam condados e links representa rotas migrat´orias entre esses condados.

A rede foi constru´ıda a partir de 67 condados da Fl´orida, para as conex˜oes entre os condados foi utilizado uma matriz de migra¸c˜ao entre os mesmos.

Iremos basear nossa apresenta¸c˜ao no modelo epidemiol´ogico de um sis-tema de metapopula¸c˜ao representado por um SEIR de tempo discreto. Para cada condado, St ´e o n´umero de suscet´ıveis naquele condado no tempo t, Et

´

e o n´umero de expostos ao v´ırus no tempo t, It ´e o n´umero de infecciosos

residentes na localidade no tempo t, N ´e a popula¸c˜ao residente do condado (que vamos assumir como constante), nt ´e o n´umero de indiv´ıduos visitanto

o condado, Θt´e o n´umero de visitantes infecciosos.

St+1= St− βSt (It+ Θ)α Nt+ nt Et+1= (1 − ε)Et− βSt (It+ Θ)α Nt+ nt It+1= εEt− (1 − γ)It (6.1) Rt+1= Nt− (St+1+ Et+1+ It+1)

Para simular a propaga¸c˜ao da infec¸c˜ao entre os condados, ´e utilizado o conceito de modelo de ”incˆendio florestal”. Um indiv´ıduo infectado, via-jando para outra cidade, atua como uma fa´ısca que pode desencadear uma epidemia na nova localidade. Esta abordagem baseia-se no pressuposto de que os indiv´ıduos se deslocam entre as localidades e contribuem temporaria-mente para o n´umero de infectados na nova localidade, mas n˜ao para a sua demografia [8].

O n´umero de indiv´ıduos que chegam a uma cidade (nt) ´e baseado no

n´umero total anual do fluxo migrat´orio entre os condados fornecido pela

census. O n´umero anual ´e utilizado para obter um n´umero di´ario m´edio simplesmente dividindo-o por 365.

Estocasticidade ´e introduzido no modelo em dois pontos: o n´umero de novos casos ´e gerado a partir de uma distribui¸c˜ao de Poisson com

(39)

intensi-dade (It−Θt)α

Nt−nt e o n´umero de indiv´ıduos infectados que visitam o condado ´e

modelado como processo binomial:

Θt=

X

k

θk,t para todos k vizinhos

θk,t ∼ Binomial n, Ik,t Nk  (6.2)

7

Resultados

7.1

An´

alise dos dados

Os dados utilizados, foram retirados por meio de webscrapping do site Flo-rida Health do governo da Fl´orida pelo algoritmo 9.1, esses dados nos servem como um primeiro passo na forma¸c˜ao e constru¸c˜ao do nosso modelo de si-mula¸c˜ao. Os dados est˜ao organizados por reports semanais, entre as datas de 05/02/2016 at´e 28/07/2016, esses reports incluem casos de moradores da regi˜ao e visitantes que foram diagnosticados na regi˜ao.

(40)

0 100 200 300 2016−02−01 2016−02−08 2016−02−15 2016−02−22 2016−02−29 2016−03−07 2016−03−14 2016−03−21 2016−03−28 2016−04−04 2016−04−11 2016−04−18 2016−04−25 2016−05−02 2016−05−09 2016−05−16 2016−05−23 2016−05−30 2016−06−06 2016−06−13 2016−06−20 2016−06−27 2016−07−04 2016−07−11 2016−07−18 2016−07−25 2016−08−01 Casos

Figura 7.1: Casos semanais de Zika acumulados em 2016

Na Figura 7.1 temos o comportamento do crescimento de casos dentro da Fl´orida. Podemos ver claramente pela Figura 7.1 que existe um crescimento alto do n´umero de casos de zika no Estado da Fl´orida. Com um aumento de inclina¸c˜ao a partir do mˆes de Junho.

(41)

0 5 10 15 2016−02−01 2016−02−08 2016−02−15 2016−02−22 2016−02−29 2016−03−07 2016−03−14 2016−03−21 2016−03−28 2016−04−04 2016−04−11 2016−04−18 2016−04−25 2016−05−02 2016−05−09 2016−05−16 2016−05−23 2016−05−30 2016−06−06 2016−06−13 2016−06−20 2016−06−27 2016−07−04 2016−07−11 2016−07−18 2016−07−25 2016−08−01 Casos

Figura 7.2: Casos semanais de Zika em 2016

Na Figura 7.2 podemos ver o n´umero de casos registrados por semana na Fl´orida, ´e poss´ıvel observar o aumento no n´umero de casos semanais registrado a partir de junho ´e muito superior ao restante da s´erie.

(42)

0 1 2 3 4 5

Figura 7.3: Mapa da primeira semana de report Data de 05-02-2016

Na figura 7.3 podemos ver como o principal condado afetado ´e o de Miami-Dade.

A Figura 7.4 apresenta os registros da primeira semana. a partir dela ob-servamos que apenas 7 condados apresentaram casos registrados e o condado de Miami-Dade e o que apresenta maior numero de casos, com 5 registros.

(43)

Broward Osceola Santa Rosa St. Johns Lee Hillsborough Miami−Dade 1 2 3 4 5 Casos de Zika Counties

Figura 7.4: Primeira semana de report Data de 05-02-2016

Nosso experimento vai simular a dinˆamica do espalhamento da zika ba-seado nos 3 condados com maiores incidˆencia, ou seja: Miami-Dade, Hills-borough e Lee. A partir dessas simula¸c˜oes poderemos ver como a doen¸ca se espalharia come¸cando desses condados espec´ıficos.

(44)

CHARLOTTEHIGHLANDS LAKE MANATEEMARTIN OKEECHOBEE SANTA ROSAST. LUCIE CITRUS ESCAMBIA OKALOOSACLAY ST. JOHNSCOLLIER ALACHUAVOLUSIA DUVALLEE PASCO PINELLAS BREVARD HILLSBOROUGHPOLK SEMINOLEOSCEOLA PALM BEACHORANGE BROWARD MIAMI−DADE

0 25 50 75 100

Casos de Zika

Counties

Figura 7.5: Ultima semana de report Data de 28-07-2016

J´a na Figura 7.5 est´a representado o n´umero de casos na ´ultima semana de report dos dados dispon´ıvel. Podemos observar que a doen¸ca conseguiu se espalhar para 29 condados, onde o condado de Miami-Dade chegou a 96 casos registrados.

(45)

0 20 40 60 80

Figura 7.6: Mapa da ultima semana de report Data de 2016-07-28

Na figura 7.6 podemos ver como o sul da Florida foi mais afetado pelo numeros de casos de zika.

7.2

Modelo SIR

Para as simula¸c˜oes para o modelo SIR foi utilizado os parˆametros nominais apresentados na Tabela 7.2 foram retirados das referˆencias [12,20].

A simula¸c˜ao do modelo SIR foi gerada com base nos parˆametros citados na Tabela 7.2 e foi ajustado e calculado por M´etodo de Monte Carlo e estima¸c˜ao

Tabela 7.2.1: Tabela de parˆametros nominais iniciais para simula¸c˜ao Parˆametro valor unidade

β 11.31 dias−1

γ 17.41 dias−1

(46)

de erros por M´ınimos Quadrados Ordin´arios um valor ´otimo para o n´umero de reprodu¸c˜ao R0, como podemos ver na Figura 7.7, o valor de R0 = 1.391

para o modelo SIR.

Figura 7.7: Casos de Zika na Fl´orida 2016-02-05 at´e 2016-07-28 e estimativa pelo modelo SIR - Resultado de 10000 estima¸c˜oes de Monte Carlo

Na Figura 7.8 podemos ver os dados estimados pelo modelo SIR em ver-melho, os dados reais dos casos de zika na Fl´orida s˜ao os pontos em preto e nas setas em azul temos os erros das estima¸c˜oes do modelo.

(47)

0 20 40 60 80 100 120 0 5 10 15 20 Tempo Incidência Dados Modelo SIR

Distância da estimativa ao dado real Condições Iniciais: População = 20610000 I0 = 1 e o restante é suscetíveis 1/gamma = 17.4 dias t0 = semana 0 R0 = 1.391 least−squares statistic é = 1089.4

Figura 7.8: Casos de Zika na Florida 2016-02-05 at´e 2016-07-28 e estimativa pelo modelo SIR.

Na Figura 7.9 temos a ´arvore do espalhamento da zika saindo de Miami-Dade.

(48)

Miami−Dade Duval Alachua Leon Broward Hernando Polk Bay Hillsborough Orange Palm Beach St. Lucie Santa Rosa Okaloosa St. Johns Escambia Pasco Columbia Baker Wakulla Brevard Charlotte Citrus Clay Collier Washington Flagler

Gadsden Indian River

Lake Lee Levy Manatee Marion Martin Monroe Nassau Osceola Walton Pinellas Putnam Sarasota Seminole Sumter Suwannee Volusia

Figura 7.9: ´Arvore de espalhamento da zika baseado no modelo SIR com ´ınicio no condado de Miami-Dade.

Como podemos observar na Figura 7.9 temos um total de 18 condados infectados diretamente por Miami-Dade.

Na Figura 7.10 temos a ´arvore do espalhamento da zika saindo de Hills-borough.

(49)

Hillsborough Duval Alachua St. Lucie Lee Hernando Broward Miami−Dade Bay Leon Santa Rosa Okaloosa St. Johns Escambia Pasco Columbia Seminole Baker Wakulla Brevard Charlotte Citrus Clay Collier Washington Flagler Gadsden Indian River Lake Levy Manatee Marion Martin Monroe Nassau Orange Osceola Palm Beach Walton Pinellas Polk Putnam Sarasota Sumter Suwannee Volusia

Figura 7.10: ´Arvore de espalhamento da zika baseado no modelo SIR com ´ınicio no condado de Hillsborough.

Como podemos observar na Figura 7.10 temos um total de 22 condados infectados diretamente por Hillsborough.

Se comparamos a ´arvore com ´ınicio em Miami-Dade e Hillsborough, pode-mos ver que tepode-mos um total de 20 rapode-mos das ´arvores em comum. Ter ramos em comum para as ´arvores de espalhamento, significa que mesmo com ponto de partidas diferentes para a epidemia temos uma certa forma de constˆancia no caminho evolutivo da doen¸ca.

Os ramos em comum entre Miami-Dade e Hillsborough s˜ao:

## + 20/20 edges from 7f6f814 (vertex names):

## [1] Columbia ->Suwannee Pasco ->Sumter ## [3] Escambia ->Santa Rosa St. Johns ->Putnam ## [5] Okaloosa ->Walton Santa Rosa ->Okaloosa ## [7] St. Lucie ->Martin Hillsborough->Pasco ## [9] Hillsborough->Hernando Bay ->Washington

(50)

## [11] Hernando ->Citrus Broward ->Flagler ## [13] Leon ->Gadsden Alachua ->Levy ## [15] Alachua ->Columbia Alachua ->Bay ## [17] Duval ->Nassau Duval ->Baker ## [19] Miami-Dade ->Monroe Miami-Dade ->Collier

Na Figura 7.11 temos a ´arvore do espalhamento da zika saindo de Lee.

Lee

Duval

Alachua Leon Orange

Hernando Broward Bay Pinellas Hillsborough Miami−Dade Santa Rosa Okaloosa St. Johns Charlotte Escambia Pasco Columbia Baker Wakulla Brevard Citrus Clay Collier Washington Flagler Gadsden Indian River Lake Levy Manatee Marion Martin Monroe Nassau Osceola Palm Beach Walton Polk Putnam St. Lucie Sarasota Seminole Sumter Suwannee Volusia

Figura 7.11: ´Arvore de espalhamento da zika baseado no modelo SIR com ´ınicio no condado de Lee.

Como podemos observar na Figura 7.11 temos um total de 12 condados infectados diretamente por Lee.

Se comparamos a ´arvore com ´ınicio em Miami-Dade e Lee, podemos ver que temos um total de 21 ramos das ´arvores em comum. Ter ramos em comum para as ´arvores de espalhamento, significa que mesmo com ponto de partidas diferentes para a epidemia temos uma certa forma de constˆancia no caminho evolutivo da doen¸ca.

(51)

## + 21/21 edges from b60186d (vertex names):

## [1] Columbia ->Suwannee Pasco ->Sumter ## [3] Escambia ->Santa Rosa St. Johns ->Putnam ## [5] Okaloosa ->Walton Santa Rosa ->Okaloosa ## [7] Orange ->Seminole Orange ->Lake

## [9] Hillsborough->Pasco Bay ->Washington ## [11] Hernando ->Citrus Broward ->Martin ## [13] Broward ->Flagler Leon ->Gadsden ## [15] Leon ->Wakulla Alachua ->Levy ## [17] Alachua ->Columbia Alachua ->Bay ## [19] Duval ->Nassau Duval ->Baker ## [21] Miami-Dade ->Monroe

Se comparamos a ´arvore com ´ınicio em Hillsborough e Lee, podemos ver que temos um total de 21 ramos das ´arvores em comum. Ter ramos em comum para as ´arvores de espalhamento, significa que mesmo com ponto de partidas diferentes para a epidemia temos uma certa forma de constˆancia no caminho evolutivo da doen¸ca.

Os ramos em comum entre Hillsborough e Lee s˜ao:

## + 21/21 edges from 3a0db45 (vertex names):

## [1] Columbia ->Suwannee Pasco ->Sumter ## [3] Escambia ->Santa Rosa St. Johns ->Putnam ## [5] Okaloosa ->Walton Santa Rosa ->Okaloosa ## [7] Leon ->Gadsden Leon ->Escambia ## [9] Bay ->Washington Miami-Dade ->Monroe ## [11] Broward ->Flagler Broward ->Clay ## [13] Hernando ->Citrus Lee ->Charlotte ## [15] Alachua ->Levy Alachua ->Columbia ## [17] Alachua ->Bay Duval ->Nassau

## [19] Duval ->Baker Hillsborough->Indian River ## [21] Hillsborough->Pasco

Na Figura 7.12 temos a ´arvore do espalhamento da zika saindo dos 3 condados com maiores incidˆencias.

(52)

Lee Duval Alachua Leon Hillsborough Miami−Dade Hernando Bay Broward St. Lucie Santa Rosa Okaloosa St. Johns Escambia Pasco Columbia Baker Wakulla Brevard Charlotte Citrus Clay Collier Washington Flagler Gadsden Indian River Lake Levy Manatee Marion Martin Monroe Nassau Orange Osceola Palm Beach Walton Pinellas Polk Putnam Sarasota Seminole Sumter Suwannee Volusia

Figura 7.12: ´Arvore de espalhamento da zika baseado no modelo SIR com ´ınicio nos condados Miami-Dade, Hillsborough e Lee.

Como podemos observar na Figura 7.12 temos um total de 12 condados infectados diretamente por Miami, 14 condados infectados diretamente por Hillsborough e 5 condados infectados diretamente por Lee.

7.3

Modelo SEIR

Para as simula¸c˜oes para o modelo SEIR foi utilizado os parˆametros nominais apresentados na Tabela 7.3 foram retirados das referˆencias [12,20].

A simula¸c˜ao do modelo SEIR foi gerada com base nos parˆametros cita-dos na Tabela 7.3 e foi ajustado e calculado por m´etodo de monte carlo e estima¸c˜ao de erros por m´ınimos quadrados ordin´arios um valor ´otimo para o n´umero de reprodu¸c˜ao R0, como podemos ver na Figura 7.13, o valor de

(53)

Tabela 7.3.1: Tabela de parˆametros nominais iniciais para simula¸c˜ao Parˆametro valor unidade

β 11.31 dias−1

ε 11.21 dias−1

γ 17.41 dias−1

t 365 dias

Figura 7.13: Casos de Zika na Fl´orida 2016-02-05 at´e 2016-07-28 e estimativa pelo modelo SEIR - Resultado de 10000 estima¸c˜oes de Monte Carlo

Na Figura 7.14 podemos ver os dados estimados pelo modelo SEIR em vermelho, os dados reais dos casos de zika na Fl´orida s˜ao os pontos em preto e nas setas em azul temos os erros das estima¸c˜oes do modelo.

(54)

0 20 40 60 80 100 120 0 5 10 15 20 Tempo Incidência Dados Modelo SEIR

Distância da estimativa ao dado real

Condições Iniciais: População = 20610000 I0 = 1 e o restante é suscetíveis 1/gamma = 17.4 dias 1/alpha = 11.2 dias t0 = semana 0 R0 = 1.735 least−squares statistic é = 1079.9

Figura 7.14: Casos de Zika na Florida 2016-02-05 at´e 2016-07-28 e estimativa pelo modelo SEIR.

(55)

Miami−Dade Duval Alachua St. Lucie Broward Hernando Bay Leon Hillsborough Orange Marion Santa Rosa St. Johns Escambia Pasco Columbia Baker Wakulla Brevard Charlotte Citrus Clay Collier Washington Flagler Gadsden Indian River Lake Lee Levy Manatee Martin Monroe Nassau Okaloosa Osceola Palm Beach Pinellas Polk Putnam Sarasota Seminole Sumter Suwannee Volusia

Figura 7.15: ´Arvore de espalhamento da zika baseado no modelo SEIR com ´ınicio no condado de Miami-Dade.

Como podemos observar na Figura 7.15 temos um total de 19 condados infectados diretamente por Miami-Dade.

Na Figura 7.16 temos a ´arvore do espalhamento da zika saindo de Hills-borough.

(56)

Hillsborough Duval Alachua Leon Lee Hernando Miami−Dade Bay Broward St. Lucie St. Johns Escambia Pasco Columbia Baker Wakulla Brevard Charlotte Citrus Clay Collier Washington Flagler Gadsden Indian River Lake Levy Manatee Marion Martin Monroe Nassau Orange Osceola Palm Beach Pinellas Polk Putnam Santa Rosa Sarasota Seminole Sumter Suwannee Volusia

Figura 7.16: ´Arvore de espalhamento da zika baseado no modelo SEIR com ´ınicio no condado de Hillsborough.

Como podemos observar na Figura 7.16 temos um total de 22 condados infectados diretamente por Hillsborough.

Se comparamos a ´arvore com ´ınicio em Miami-Dade e Hillsborough, po-demos ver que temos um total de 17 ramos das ´arvores em comum.

Os ramos em comum entre Miami-Dade e Hillsborough s˜ao:

## + 17/17 edges from 9f7b2e6 (vertex names):

## [1] Columbia ->Suwannee Pasco ->Sumter ## [3] Escambia ->Santa Rosa St. Johns ->Putnam ## [5] Hillsborough->Pinellas Hillsborough->Pasco ## [7] Hillsborough->Hernando Leon ->Gadsden ## [9] Bay ->Washington Hernando ->Citrus ## [11] Broward ->Flagler Alachua ->Columbia ## [13] Alachua ->Bay Duval ->Nassau ## [15] Duval ->Baker Miami-Dade ->Monroe

Imagem

Figura 4.1: Panorama das migra¸c˜ oes entre os condados da Fl´ orida.
Tabela 5.2.1: F´ ormulas de diferencia¸c˜ ao num´ ericas. Os pontos x 1 , x 2 , . . . , x n s˜ ao igualmente espa¸cados com passo de tamanho h = x i+1 − x i
Figura 7.1: Casos semanais de Zika acumulados em 2016
Figura 7.2: Casos semanais de Zika em 2016
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Referências

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