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A Profecia de Isaías - A. R. Crabtree - VOLUME II

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A

PROFECIA

DE

ISAÍAS

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\

%

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PROFECIA DE ISAIAS

C A P Í T U L O S 40-66

TEXTO, EXEGESE E EXPOSIÇÃO

VO LUM E n

A . R. C R A B T R E E ,

A . B., D . B-,

Th. D. 1.* E D IÇ Ã O

1967

CASA PU B LIC A D O R A B A T IS T A Caixa Postal 320 - ZC - OO Rio de Janeiro — Gb.

(6)

Capa de: P A U L O DAMÁZIO

Tiragem

Composto e Impresso nas Oficinas da CASA P U B LIC A D O R A B A T IS T A Rua Silva V al«i 781 — Tomás Coelho — GB

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O U TR A S OBRAS DO A U T O R

M Esperança Messiânica

História dos Batistas no Brasil, I Parte Introdução ao Nôvo Testamento

Sintaxe do Hebraico do Velho Testamento Arqueologia Biblica

A Doutrina Biblica do Ministério Teologia do Velho Testamento O Livro de Amós

O Livro de Oséias

Dicionário Hebraico-Português (inédito ) A Profecia de Isaías, Capítulos 1-39 (V ol.

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Prefácio

Êste Comentário sôbre a segunda parte do Livro de Isaías representa o' mais profundo estudo bíblico do au­ tor nos seus longos anos de trabalho como pastor, pro­ fessor e esci’itor. Completando hoje 75 anos de idade, aumentou-se a sua profunda gratidão pelas ricas bên­ çãos recebidas no serviço do Senhor. Ficou ainda mais intensa a sua gratidão ào receber do Rio de Janeiro as generosas cartas de lembrança da Casa Publicadora, do Seminário Teológico, da Igreja da Tijuca, e a mensagem telegráfica do Pastor Osvaldo Ronis.

Qualquer estudante cuidadoso desta profecia ficará convencido de que esta é a obra suprema do Velho Tes­ tamento. É monumento literário igual ou superior ao L ivro de Jó. E na exposição das verdades eternas da revelação divina, êste grande mensageiro do Senhor vai além de todos os profetas e escritores do Velho Testa­ mento. A sua exposição compreensiva da doutrina de Deus como o Criador do universo, e o Condutor da his­ tória humana, corresponde neste sentido aos ensinos do Apóstolo Paulo. O seu ensino sôbre a Pessoa e a obra do Servo Sofredor do Senhor fo i cumprido perfeitamen­ te na Pessoa e no sacrifício vicário de Jesus Cristo na cruz do' Calvário.

Há numerosos manuscritos do Grego do Nôvo Tes­ tamento, e uma variedade de outros documentos que ajudam na verificação do melhor texto da língua origi­

nal, mas existem apenas três manuscritos antigos do Ve­ lho' Testamento, e o mais antigo dêstes é datado do ano

(10)

8 A . R . C R A B T R E E

895. Mas entre os numerosos fragmentos de manuscri­ tos hebraicos descobertos nas cavernas nos outeiros do lado ocidental do Mar Morto desde 1947, todos os livros do Velho Testamento, com a exceção de Ester, são repre­ sentados. Èstes são datados do primeiro século cristão’,

ou do último século antes de Cristo. O mais importante de todos êstes manuscritos é a cópia quase completa do L ivro de Isaías, suplemento de valor ao Texto Massoré- tico desta profecia.

0 texto hebraico do Velho Testamento, editado por Rudolf Kittel, com notas críticas, é reconhecido como o melhor. Apresentamos a nossa tradução dêsse texto, com poucas modificações, segundo a Septuaginta Grega. Em mais de uma dúzia de casos preferimos o texto do Rôlo do Mar morto, nas suas poucas variações do Texto Massorético.

Procuramos preservar em nossa tradução, tanto quanto possível, a form a poética do hebraico, e dar sen* tido mais exato do pensamento do profeta do que se en­ contra nas versões mais literárias da Bíblia em portu­ guês ou inglês. Êste profeta é gênio literário no uso da linguagem figurativa e poética de ritmo, aliteração, pa­ ralelismo, onomatopéia, paronomásia, e de várias outras 4formas da «poesia hebraica. É um tanto difícil, ou até timpossível, preservar a fôrça e a beleza da sua lingua- •e m musical na tradução das línguas ocidentais. É no­

tável o seu modo de repetir ou combinar belas palavras. Combina freqüentemente os pronomes eu e tu para ex­ pressar o profundo significado da relação entre o Senhor e o seu povo de Israel. Êste mensageiro do Senhor en­ tendeu e explicou mais claramente do que qualquer ou­ tro^ profeta o eterno propósito de Deus na eleição de Is­ rael. Assim, a teologia dêste profundo pensador, inspi­ rado pòr Dtíus, é mais importante do que a beleza da sua linguagem.

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A P R O F E C IA DE IS AÍAS 9 Aceitamos os capítulos 40-66 como a obra um só autor, não obstante a diferença no estilo literário de al­ gumas partes dos capítulos 56-66, devida à mudança das circunstâncias históricas do povo de Israel quando esta última parte da profecia fo i escrita.

Estudante por muitos anos da profecia do Velho Testamentcf, o autor dedicou um ano intéfto de trabalho ao preparo desta obra. Aproveitou o estudo dos melho­ res comentários sôbre esta profecia, mas a tradução e a exegese do texto representam a sua própria interpreta­ ção que segue o princípio de permitir ao profeta expres­ sar os seus próprios pensamentos, e não os de alguns co­ mentaristas. Variam consideravelmente as interpretações

de muitas passagens desta profecia. O autor não dá mui­ to espaço na citação destas várias interpretações, algu­ mas das quais agora são abandonadas. Tem havido gran­ de progresso nos últimos 40 anos no estudo das línguas semiticas, o que ajuda na explicação de algumas passa­ gens difíceis do' Velho Testamento, como o autor mos­ trou no seu livro Arqueologia Bíblica.

O escritor dêste Comentário especializou-se no estu­ do do hebraico dos livros de Jó e Isaías no seu curso de Doutor em Teologia, e por muitos anos ensinou com prazer esta língua de Sião aos seus estudiosos alunos do Seminário Teológico Batista do Rio de Janeiro. Deseja que esta obra, preparada no serviço de amor, seja um auxilio agradável para Os pastores e outros estudantes da Bíblia hebraica no Brasil e em Portugal. Esta é uma profecia evangélica, a obra suprema do Velho Testamen­ to, que dá ênfase especial ao propósito de Deus na cria­ ção do universo, e na direção da história humana.

A . R . Crabtree

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í

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ÍNDICE

Página

P r e fá c io ...7

In tro d u ç ã o ... 15

-O Livro de Isaías (Capítulo 40 — 66): I . A Libertação Divina do Povo do S e n h o r ... - 43

A. Prólogo, o Pregador e a Sua M e n s a g e m ... 43

1. O Confôrto do Amor de D e u s ... 44

2. A Promessa de Deus Permanece Imutável para S e m p r e ... 50

3. O Poder e o Cuidado do Bom P a s t o r ... 52

B. Javé, o Deus In co m p ará vel... 54

1. A Infinidade do Criador do U n iverso... 54

2. O Deus In co m p a rá ve l... 56

3. Javé, o Deus S em p itern o... 61

C. O Deus da História das N a ç õ e s ... 64

1. A Soberania do S e n h o r ... 65

2. Israel É o Servo Escolhido do S e n h o r ... 69

3. O Senhor É o Redentor de I s r a e l... 73

4. O Deserto Se Tornará em Lucar F é r t i l ... 74

5. Comparação entre os Deuses da Babilônia e o Senhor J a v é ... 76

D . O Servo Escolhido do Senhor e a Sua Missão . . . . 80

1. O Caráter e a Missão do S e r v o ... 81

2. A Nova Idade no Propósito do S e n h o r ... 84

3. O Nôvo Cântico de R e d e n ç ã o ... 89

4. O Senhor Contra os Seus In im ig o s ... 91

5. Israel, o Servo do Senhor, É Cego e Surdo . . . . 93

E. Javé, o Criador de Israel, É Também o Seu R e­ dentor ... 97

1. O Senhor Ajudará os Seus Filhos desde as Es-tremidades da T e r r a ... 98

2. Javé Ê o único Deus, e Fora dÊle Não Há Sal­ vador ... 101

3. A Queda da Babilônia e a Restauração de Is­ rael ... 104

4. A Cegueira de Israel e a Graça Salvadora de J a v é ... 107

5. Pelo Derramamento do Seu Espírito, o Senhor Abençoará o Seu P o v o ... 111

6. Além de Javé Não Há Deus, e Israel É a Teste­ munha d Ê le ... 113

7. A Estultícia da Id o la t r ia ... 115

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F. Javé £ o Poderoso Criador, Ciro £ o Seu Instru­

mento ...

120

1. A Comissão de C ir o ... ... 124

2. Ai dAquele Que Contende com o Seu Criador . . 128

3. O Fracasso das Religiões P a g ã s ... .. 130

4. O Mundo Inteiro Reconhecerá o Deus de Israel o S a lvad o r... 132

G . O Deus Que Carrega os Deuses Que T ê m de Ser Carregados... .. 137

1. O Contraste entre os Deuses da Babilônia e o Deus de I s r a e l... ... 138

2. O Testemunho da História e da Profecia .. 142

H. O Orgulho e a Humilhação da Babilônia... 145

1. A Desgraça da Virgem, B abilôn ia... 146

2. A Senhora dos Reinos Perde o Seu P o der... 149

3. A Destruição Iminente dos Caldèus Cruéis . . . . 151

4. A Confiança no Poder Salvador dos Astrólogos 153 I . O Propósito do Senhor ha História e na Profecia .. 156

1. O Profeta Defende o Modo e o Propósito da Re­ velação do Senhor .. .. ’.. ... 158

2. Nos Versículos 12-16, o Profeta Explica as Cousas Novas do Versículo 6 .. .. ... 164

3. Os Versículos 17-19 Falam da Maravilhosa Com- ' paixão do Senhor para com I s r a e l... 167

4. O Cântico de Vitória dêste P r o fe t a ... 168

. A Redenção de Is r a e l... 169

A. O Livramento e a Consolação de I s r a e l... 170

1. O Servo do Senhor Remirá e Trará os Preserva­ dos de Jacó ao Seu D e u s ... 171

2. O Futuro Mais Brilhante para Israel .. .. .. 176

3. Sião Será Povoada de Nôvo e os Seus Lugares .Desolados Serão Restabelecidos... 180

4. As nações Trarão os Filhos de Sião para a Sua T e r r a ... ... 183

5. O Salvador, Redentor e Poderoso de Jacó .. ... 185

6. A Relação do Senhor com o Seu Povo, Segundo Concêrto... 187

B. “O Getsêmane do Servo” ... 190

C . Os Israelitas Fiéis Recebem a Promessa de Salvação 196 1. Não Temais, Está Chegando o Dia da Salvação 198 2. Um Apêlo ao Senhor, Criador e Redentor .. .. 204

x 3. Não Temais, Eu Sou o Vosso Consolador... 206

D. O Reino do Senhor em a Nova Época de Jerusalém 209 1, Sião Já Bebeu Bastante do Cálice de Atordoa­ mento ... ... 210

(15)

2 . Adoma-te dos Teus Vestidos Formosos, ó Jeru­

salém .. ... ... ... 213

3. O Retômo do Senhor a S i ã o ... 217

E. O Sacrifício e a Glória do Servo do Senhor... 221 .

1. A Obra e a Exaltação do S e rv o ... 222

2. Homem de D o re s ... 224

3. O Sofrimento Expiatório do S e rv o ... * 227

4. O Servo Inocente Submete-se Voluntariamente à Morte Ignominiosa... 232

5. A Realização do Propósito do SenhQ£„no Sacri­ fício do S e rv o ... 235

F. A Felicidade de Sião Reunida com o Senhor por um Concêrto E te rn o ... 239

1. O Aumento dos Filhos de S iã o ... 241

2. A Nova Jerusalém ... 247

C . A Salvação pela Graça de Deus .. .. .. 251

1. O Povo Convidado a Receber as Bênçãos da Gra­ ça de D e u s ... 251

2. Arrependei-vos, Porque Está Próximo o Reino de D e u s ... 256

III. Admoestações, Esperanças e Promessas... 261

A. Oráculo sôbre a Obediência da L e i ... 263

B. Denúncia de Governadores Cegos e do Culto Cor­ rompido ... 268

1. As Bêstas São Convidadas a Devorar o Rebanho Desprotegido... ... 269

2. Os Cães G uloso s... : ... 271

3. Os Justos Perecem, e os Apóstatas Não Têm En­ tendimento ... ... 273

4. Repreensão dos Apóstatas... 274

5. A Imoralidade e a Corrução dos Israelitas .. 276

6. A Devoção dos Israelitas aos Deuses da Ferti­ lidade ... 277

7. Os Ritos Corrutos no Culto dos Cananeus .. .. 278

8. A Futilidade de Abandonar o Senhor e Confiar em Íd o lo s ... 280

C. A Graça do Senhor na Redenção do Seu Povo .. 281

D. A Prática da Jejum e a Observação do Sábadol .. 286

E. A Intervenção do Senhor na Vida de Israel .. .. "297 1. A Separação entre Deus e a Comunidade de Is r a e l... - ... 299

2. A Comunidade Deseja Ficar Livre e Confessa o Seu P e ca d o ... 303

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F. A Glória, a Grandeza e a Felicidade de Sião .. 1. A Glória da Nova Jerusalém... 2. A Proclamação de Boas-novas a S i ã o ... 3. O Povo Messiânico... ... G . O Dia de Vingança e o Ano da Redenção... 1. O Conquistador dos Inimigos de I s r a e l ... 2. O Dia da Vingança do Senhor ... H. A Oração do Profeta em Favor do Seu Povo

De-sam inado... 1. Recordação das Bênçãos do Senhor sôbre o Povo

^ Isrsid ♦ ... . ,« ,, ,,

2. No Período de Angústia o Povo Se Lembra dos Dias Antigos .. .. . . . . ... 3. O Apêlo Dirigido ao Pai e Rendentor de Israel 4. O Profeta Pede uma Teofania Universal... 5. O Deus Que Trabalha pára Aquêles Que nÉle Es­

peram ... ... 6. Os Efeitos do Pecado na Vida de I s r a e l... [ . O Nôvo Céu e a Novai Terra . ... 1. O Contraste entre os Servos do Senhor e os Após­ tatas ... 2. O Profeta Apresenta um Contraste entre os Servos

do Senhor e os Apóstatas... 3. Deus Está Criando Novos Céus e uma Nova Terra 4. As Bênçãos da Vida do Povo na Comunidade Mes­ siânica ... 5. A Idade de Paz, até no Mundo A n im a l... J. A Felicidade Eterna do Verdadeiro Israel e o Des­

tino dos Apóstatas... 1. A Humildade e a Sensibilidade do Espirito no

Culto ... 2. A Corrução do Culto no Sistema de Sacrifícios .. i 3. SalvagMb para os fiéis, Julgamento para os Após- V tatas ... ...

I 4. O Povoamento Repentino da Nova Jerusalém .. 1 5 . 0 Regozijo com as Bênç&os da Nova Jerusalém ..

6. A Promessa de Prosperidade a Jerusalém e aos Seus Habitantes... 7. O Senhor Julgará o M u n d o ... 8. Cerimônias de Purificação dos Povos Vizinhos de

Israel ... ... 9. Anúncio do Conhecimento e da Glória do Senhor

' ‘ entre as N ações... ... 10. A Permanência da Nova Comunidade Que o Se-

' nhor Há de Criar ... 310 312 323 332 343 344 346 348 349 352 354 358 359 360 364 365 373 374 376 378 379 381 383 384 386 387 388 390 391 392 395

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I N T R O D U Ç Ã O , C A P Í T U L O S 40-66

O L ivro de Isaías é comptísto de 66 capítulos. É o livro inteiro a obra de um só autor, Isaías de Jerusa­ lém? Antes do estudo moderno dos autores e do fun­ do histórico das obras do Velho Testamento, os 66 ca­ pítulos foram aceitos normalmente como a obra de Isaías de Jerusalém. N o décimo segundo século Ibn Ezra levantou dúvidas de que os capítulos 40-66 fôssem escritos por Isaías, o autor dos capítulos 1-30. Em 1775 Johan Christoph formulou e defendeu a hipótese de que os capítulos 40-66 foram escritos anos depois da pro­ dução da primeira parte do livro por um grande poeta, que apresenta, na sua própria obra, as circunstâncias históricas da sua época.

Baseando-se no fato evidente de que os profetas di­ rigiram as suas mensagens aos seus .contemporâneos, os estudantes eruditos dos tempos modernos aceitam, sem mais argumentação, a evidência de que o autor dos ca­ pítulos 40-66 viveu e escreveu no período histórico de 598-540 a. C. Isaías de Jerusalém teve a sua visão do Senhor no ano da morte do rei Uzias em 742 a . C ., um século e meio antes do período histórico' apresentado nos capítulos 40-66. Os profetas dirigiram as suas mensa­ gens aos seus contemporâneos, apresentando-lhes verda­ des eternas da revelação divina que receberam do Se­ nhor para o seu próprio p ovo. Por exemplei, não se le­ vantam dúvidas sôbre o período histórico do profètà

(18)

16 A R. CRAB TR E E

Amós, que apresentou ao povo de Israel a verdade eter­ na da justiça divina, justamente como Oséias apresentou aos seus cdntemporâneos a verdade eterna do amor imu­ tável, do Senhor..

Há três argumentos, geralmente reconhecidos agora como irrefutáveis, de que o profeta Isaias de Jerusalém não escreveu os capítulos 40-66 do livro intitulado Isaías no texto Hebraico e nas versões modernas.

A . As circunstâncias históricas apresentadas nos ca­ pítulos 40-66 são claramente diferentes do período his­ tórico de Isaías de Jerusalém. Começando as suas ativi­ dades proféticas no ano da morte do rei Uzias em 742 a. C., Isaías exerceu o seu ministério durante os reina­ dos de Jotão, Acaz e Ezequias de Judá, e possivelmente por alguns anos no reinado de Manassés. Êle fala de Peca, rei de Israel, e de Rezim, rei da Síria, e também de Sargão e Sénaqueribe, reis da Assiria. O profeta fala da politicagem e da infidelidade religiosa do rei Acaz, e descreve também as suas experiências e a influência do seu apêlo dirigido ao rei Ezequias no tempo do sítio de Jerusalém por Senaqueribe. Fala das campanhas m ili­ tares da Assíria e da sua prática de genocídio, a extermi- nação de grupos nacionais que conquistou. Isaias é ge­ ralmente reconhecido como estadista que entendeu me­ lhor do qi|e os reis de Judá e Israel os problemas políti- tcos e os nfbvimentos históricos do seu tempo. Exerceu |b seu ministério nò período do declínio nacional de Judá. |Has êste grande homem de Deus transmitiu a sua firm e esperança no poder e no triunfo final do reino do Se­ nhor sôbre as nações e povos do mundof.

O autor dos capítulos 40-66 exerceu o seu ministério na última parte do período dò exilio dos judeus na Ba- bilQniç. Não sé fala mais, nestes capítulos, sôbre a As­ siria, o poder dominante do Oriente Próxim o no período de Isaías de Jerusalém. O reino de Israel não existe mais.

(19)

A PROFECIA DE ISAIAS

17

Jüdá e Jerusalém haviam caido no poder do ex^gcito de Nábuccdonosor, e a melhor pai te de seus habitantes se achava na Babilônia. Jerusalém e a Palestina jaziam em ruinas (44;26, 28).

Logo no princípio do capítulo 40 o profeta começa a sua mensagem com palavras de consolação e de en­ corajamento do seu povo, e continua coin"â descrição da nova manifestação da glória do Senhor. O pensamento e as atividades dêste profeta relacionam-se normalmente com as circunstâncias históricas do seu povo que se acha­ va no cativeirtí, e à luz do nôvo movimento da história. Os impérios semíticos estavam chegando ao fim do seu domínio com a decadência e a conquista iminente de Ba­ bilônia por Ciro, o grande estadista que já estava intro­ duzindo os grandes ideais da nova civilização. O profe­ ta se mostra bem informado sôbre as campanhas mili­ tares de Ciro e do seu govêrno benéfico dos povos que estava libertando da tirania dos seus dominadores. O profeta reconheceu Ciro como o homem destinado, na providência divina, para libertar os israelitas do cativei­ ro, e restaurá-los para a sua própria terra. Êle mencio­ na o nome de Ciro duas vêzes (44:28; 45:1), e fala dêle como o ungido do Senhor.

“ Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita,

para abater nações ante a sua face; e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dêle as portas,

para que entradas não sejam fechadas.” Assim o profeta tem certeza de que Ciro dará liber­ dade aos israelitas cativos, e que êstes cumprirão a sua missão sacerdotal de acôrdo com o eterno propósito do Senhdr. Esta descrição tão clara! dás circunstâncias his­ tóricas dêste mensageiro do Senhor, entre 598 e 540

(20)

18 A. R. C R A B T R E E

a. C ., não pode ser aplicada ao período histórico de Isaías de Jerusalém.

B . Outro argumento de que Isaias de Jerusalém não escreveu os capítulos 40-66 do L iv ro de Isaías baseia-se no estilo literário da segunda parte que é claramente di­ ferente dos característicos literários da primeira parte. Enquanto êste argumento não tem a fôrça dos fatos his­ tóricos já apresentados, é bastante importante para o estudante cuidadoso dos característicos literários que são muito diferentes nas duas partes do livro.

Isaías de Jerusalém era um grande estadista, um gênio intelectual que d Senhor levantou para guiar e orientar o seu povo através do período crítico da sua história. Êle tinha que enfrentar os maiores problemas políticos e religiosos da história do seu povo. O seu esti­ lo literário' é característico do seu gênio, e adapta-se às circunstâncias daqueles que precisavam receber as suas mensagens sôbre a infidelidade política e religiosa dos dirigentes do povo.

O seu estilo é geralmente conciso, sólido e freqüen­ temente austero, com o movimento maj estático e im ­ ponente dos seus períodds retóricos. Sabia caracterizar com poucas palavras os homens e os reis fracos e ar­ rogantes. Peca, o rei de Israel, e Rezim, rei da Síria,

são dois pçdaços de tições fum egantes. A parábola da "tinha do Sehhlor é uma obra-prima desta qualidade de literatura.

* O autor dos capítulos 40-55 era poeta lírico. A sua linguagem é mais fluente, mais apaixonada, xjiais emocio­ nal, mais alegre e mais exuberante do que a linguagem forte de Isaías, que se sentiu impelido a criticar, admoes­

tar e até ameaçar o seu povo freqüentemente com o cas­ tigo Mlivino. No tempo do cativeiro, o povo de Israel tinha sofrido o castigo dos seus pecados, e na sua humi­

(21)

A PR O FE C IA DE IS A fA S 1» lhação e desânimo, precisava ouvir a mensagem, dp con­ solação e de encorajamento. Assim, o profeta desperta e inspira os exilados com a certeza do seu livramento, e a promessa divina de que êles ainda vão cumprir a sua nobre missão entre as nações do mundo. Não há muita diferença no vocabulário das duas partes do livro', mas há uma grande diferença no uso das palaxyas. O autor dos capítulos 40-56, como jà notamos, é poeta lirico, e mostra interêsse e destreza em repetir e combinar pa­ lavras para produzir sons poéticós e musicais. Entre todos os escritores do Velho Testamento, êle é o mestre supremo no uso da língua hebraica.

C. Há também uma diferença considerável entre

os pensamentos e os ensinos teológicos dos capítulos 1-39 e 40-56. Como se notam afinidades de linguagem, há também semelhanças na teologia, mas as diferenças são mais notáveis do que as similaridades. O autor dos capítulos 40-56 apresenta um retrato do Senhor como o Criador, o Redentor e o Condutor da história. Assim êle não só aperfeiçoa a mais profunda filosofia da his­ tória, como apresenta também o mais perfeito entendi­ mento de Deus como Criador e Redentor. (Êle tem tam­ bém o mais claro entendimento do eterno propósito do Se­ nhor. O seu retrato' de Deus como Criador e Redentor não tem paralelo na profecia de Isaías. Êste mensageiro da Senhor era mestre da teologia, bem como da língua he­ braica ,

Há uma diferença interessante entre o Messias de Isaias, 9:1-6 e 11:1-9, e o retrato do Servo Sofredor do Senhor nas quatro passagens nds capítulos 40-55. E ’ inuito difícil acreditar que o mesmo escritor apresentas­ se estas duas figuras maravilhosas que não se identifi­ cam em qualquer parte do Velho Testamento, mas se combinam perfeitamente na Pessoa e no ministério de Jesus de Nazaré.

(22)

20

A . R. C R A B T R E E

São mui poucos agora os estudantes do Livro de Isaías que tentam provar que os capítulos 40-56 repre­ sentam a projeção da vista profética de Isaías no futuro para entender e interpretar eventos históricos que acon­ teceram 150 anos depois da sua morte. Como se pode ex­ plicar que Isaías conheceu o nome de Ciro, o agente un­ gido do Senhor, que nasceu mais de cem anos depois da morte do profeta? Ninguém pode negar que os profetas de Deus podiam fazer predições sôbre a operação das verdades eternas da justiça e do amor do Senhor na his­ tória humana. Isto, porém, não significa que o profeta sabia predizer os pormenores da história de homens e nações do futuro. O mensageiro do Senhor divigiu os seus ensinos diretamente ads seus contemporâneos. En­ contram-se nos capítulos 40-56 vários ensinos que Isaías e outros profetas já tinham apresentado. As afinidades e relações entre os capítulos 1-39 e 40-66 talvez indiquem a razão por que as duas profecias foram publicadas no mesmo rôlo ou livro.

I- A Integridade dos Capítulos 40-66

Bernard Duhm apresentou dois argumentos para provar que os capítulos 56-66 não foram escritos pelo autor dos capítulos 40-55. Êle argumentou que os últi­ mos capítulos foram escritos em Jerusalém alguns anos depois da volta do cativeiro. Diz êle que as formas de .culto, e especialmente a ênfase na observação do sábado je no costume de jejuar, representam uma religião de çerimonialismo diferente da religião espiritual apresen­ tada nos capítulos 40-55. Um grupo de críticos concor­ da com êle, e diz que as práticas e os costumes religiosos do povo apresentados nesta seção indicam um período mais além. Declara também que a cegueira dos diri­ gentes da vida religiosa nos capítulos 56:9-57:13 indica o período do desenvolvimento do cerimonialismo reli­ gioso depois da reconstrução do Templo.

(23)

A P RO FEC IA DE ISATAS

21

Mas quando consideramos o idealismo religioso apre­ sentado tão brilhantemente pelo profeta nos seui? apelos aos cativos em contraste com as dúvidas dèstes, pode­ mos entender que as lutas entre as facções e as práticas religiosas que existiam no tempo de Esdras e Neemias começaram ou existiram entre um grupo de israelitas desde a volta do cativeiro'.

Quando voltaram do cativeiro encontraram condir ções econômicas e políticas mais difíceis do que espera­ vam. 0 mensageiro dos capítulos 40-55, contemplando o significado da restauração para o futuro' do povo de Deus, apresentou na linguagem poética, e nas imagens li­

terárias, a grandeza e a glória do evento. Èste mensa­ geiro do Senhor, no seu profundo entendimento do eter­ no propósito do Senhor na escolha de Israel, estava pen­ sando evidentemente no grande significado dêste even­ to, não somente para o pequeno grupo que ia voltar à sua própria terra, maravilhosa que fôsse aquela expe­ riência. Com os seus predecessores, mas com entendi­ mento mais profundo', êste mensageiro do Senhor enten­ deu os problemas que êstes homens tinham que enfrentar no cumprimento da sua missão como o povo' escolhido do Senhor. No cativeiro com êles, oi profeta lhes inter­ pretou a eterna importância da sua restauração. Depois da volta para a sua terra, o mensageiro do Senhor pre­ cisava encorajar e orientar êstes israelitas no restabele­ cimento difícil na terra que jazia em ruínas. Tinha que repreender em linguagem forte as suas falhas e os seus pecados (56:9-57:13). Ao mesmo tempo êle sabia enco­ rajá-los de nôvo com a linguagem poética e brilhante que tinha usado no princípio para despertá-los do seu desânimo e letargia (Cp. 57:14-21 e caps. 60-62).

Na linguagem e no estilo literário, êstes capítulos 56-66 são muito mais semelhantes à seção 40-55 do que alguns críticos querem reconhecer. Os primeiros oito

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22 A R. C R A B T R E E

versiculos do capitulo 56 ligam-se diretamente com a se­ ção anterior.

N o estudo cuidadoso dos capítulos 56-66, entende-se cada vez mais claramente a relação da vitória dos res­ taurados sôbre os problemas difíceis que venceram com a glcíriosa visão profética que se apresenta nos capítulos 40-55. N ão há nada no estilo literário, nem nas circuns­ tâncias históricas dos capítulos 56-66, que prove positi­ vamente que êstes capítulos não podiam ser escritos pelo autor dos capítulos 40-55.

Considerando o gênio dêste homem de Deus, o seu conhecimento do povo de Israel e a sua rica experiência espiritual com o Senhor, torna-se evidente que êle sabia orientar e dirigir os israelitas restaurados, com todos os problemas e lutas, no seu restabelecimento na Palestina, e na nova fundação da obra do Senhor no Monte Sião.

Não obstante o fato de que alguns críticos concor­ dam com os argumentos de Duhm, há uma tendência entre os críticos modernos de reconhecer que os capítu­ los 40-66 podem ser o produto de um só escritor.

Dizem alguns que as condições refletidas nestes capí­ tulos pertencem ao período de Esdras e Neemias, e que o autor está condenando os pecados e a idolatria dos cis- máticos samaritanos, mas não há qualquer prova desta interpretação. Felizmente, a diferença entre os pontos de vista sQbre esta questão não tem muita importância ha interprerlição dêstes capitulos.

f I I . Alguns Característicos Gerais dos Capítulos 40-56

Alguns estudantes dos capitulos 40-66 observam três divisões desta parte do livro, com nove capítulos em cada divisão. Citam também certos preceitos litúrgicos que caracterizam cada uma destas divisões.

v T i K . Cheyne e outros afirmam dogmaticamente que os capitulos 49-55 não foram escritos pelo,autor dos

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A. P R O F E C IA DE IS A tA S 23 caps. 40-48. Basearam os seus argumentos no fato de qué novas teses são desenvolvidas na segunda Iffvisão, <e que o nome de Ciro não é mencionado nestes capítu­ los. Estas diferenças se explicam facilmente pelas cir­ cunstâncias diferentes dei escritor. As semelhanças nq «estilo literário e nas teses das duas partes, bem como o desenvolvimento das poesias e do pensamento do autor, são mais notáveis e mais importantes do qife as diferen­ ças apropriadas.

A . A Unidade dos Capítulos 40-55

Há um grupo de escritores, críticos da form a lite­ rária, que dá muita ênfase ao tipo e ao estilo literário des­ ta profecia, como Hugo Gressman, Lu dvig Kõhler e

Mowinckel. (Êles argumentam que os capítulos 40-55

são compostos de um grande número de pequenas poe­ sias que não se relacionam logicamente umas com as ou­ tras. Não concordam quanto ao número de tais poesias, mas dizem que cada uma delas existe independente de tôdas as outras. Mas esta análise mecânica da obra não concorda com os fatos evidentes para o leitor cuidadoso da obra, pois, não obstante a variedade de tipos, formas e imagens literárias apresentadas na obra, é perfeitamen­ te claro para o leitor estudioso que há uma continuidade lógica no pensamento do profeta, e uma relação clara entre as imagens literárias, bem como o desenvolvimen­ to da mensagem profética de acôrdo com as necessidades religiosas do seu povo. O profeta não escreveu simples­ mente para demonstrar o seu poder poético.

Considerando as teses predominantes dêstes capítu­ los, podemos reconhecer a lógica e o propósito dêste grande mensageiro do Senhor. Na mudança das circuns­ tâncias históricas do seu povo, o' profeta persiste no desenvolvimento das verdades eternas da reve­ lação divina. É teólogo profundo no reconhecimen­ to do Senhor Javé como o Criador de tôdas as

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A . R. C R A B T R E E

cousas e o Condutor supremo da história humana. Portanto, os seus propósitos e cis seus planos são infalí­ veis. No Concêrto do Senhor com Abraão, e no Concêr­ to ulterior com Israel, o Senhor revelou o séu eterno pro­ pósito na vida e na missão do povo da sua escolha. O profeta dá muita ênfase à glorificação do Senhor no li­ vramento de Israel do cativeiro' para cumprir a sua mis­ são sacerdotal, um evento histórico de profunda signifi­ cação para a humanidade inteira.

O profeta reconhece que êste pequeno grupo de is­ raelitas desanimados e desesperados não tinha o poder de libertar-se a si mesmo, mas será libertado pelo' braço forte do Senhor, e será divinamente guiado na volta para a sua terra, e no seu restabelecimento no Monte Sião. Não obstante a variação nas circunstâncias do profeta, e a mudança nos seus sentimentos poéticos, êle persiste nos seus ensinos principais. 0 seu ensino sôbre Deus como o Criador e o Condutor da história humana é funda­ mental em todos os seus ensinos. O Senhor Javé será glorificado entre as nações dô mundo pela redenção de Israel. O eterno propósito do Senhor se estende a tôdas as nações do mundo e será finalmente realizado por in­ termédio do seu Servo Sofredor. O profeta reconhece que o caminho do' Senhor é freqüentemente misterioso, mas é sempre o caminho de triunfo e vitória.

, Êste ntftpsageiro do Senhor é o mais profundo teólo- fcò do Velho Testamento. É de profunda significação a iontinuidade do séu pensamento' sôbre o propósito e as atividades do Senhor. A glória do Senhor se revelará a todos os povos. O Senhor virá como o Conquistador dos inimigos do seu polvo. Virá como o Rei Supremo e esta­ belecerá o sèu reino de justiça. Estabelecerá a sua obra criadora no mundo. Israel é o seu servo, o povo da sua escolha^ o povo do seu Concêrto, o portador das boas novas do Senhor para todos os povos.

(27)

A ' P R O F E C IA DE ISAtAS 25 Mas Israel tinha fracassado no cumprimento- 4a sua missão, tornandò-se cego e mudo. As calamidades his­ tóricas que haviam caido sôbre Israel, com o seu sofri­ mento no cativeiro eram conseqüências da sua cegueira e.da sua infidelidade. Mas o Senhor não abandonará o seu propósito na eleição de Israel. N o seu amor imutá­ vel e na sua graça redentdra, o Senhor já havia cumpri­ do o primeiro grande passo na redenção de Israel. Na sua grande e misteriosa providência, o Senhor tinha le­ vantado Ciro como o agente para libertar Israel do cati­ veiro (Cap. 44:24-45:13). Mas o Senhor conseguirá a salvação espiritual de Israel por intermédio do seu Ser­ vo Sofredor (Caps. 42:1-4; 49:1-6; 50:4-10; 52:13-53:12) .

B. O Estilo Literário do Profeta

Muitos estudantes da poesia dêste profeta ficam en­ cantados com a beleza da sua linguagem. É verdadeira­ mente uma obra-prima da literatura semitica. A relação de sons com o sentido das palavras é característica da poesia hebraica, e êste profeta demonstra o seu gênio como mestre da poesia no uso da linguagem figurativa, desenhos técnicos, imagens literárias e cânticos líricos. N o sentido preeminente êle é poeta bem como profeta. Como os demais profetas, era proclamador fiel da men­ sagem do Senhor, mas apresentou a mensagem do Se­ nhor nas mais lindas formas da poesia.

N o entendimento do espirito desanimado de Israel, êste profeta, em plena comunhão com ó Senhor, sabia usar os seus dons poéticos na transmissão da mensagem do amor de Deus ao seu povo. Na expressão da intensi­ dade do seu pensamento, e dos sentimentos do seu co­ ração, êle demonstra os ricos recursos dos seus dons; li­ terários. Contemplando a glória do Senhor como o Ctínquistador das fôrças do mal, na realização dos seus eternos propósitos, o profeta levanta a sua voz em cân­

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26

A. R. C R A B T R E E

ticos exuberantes de louvor e gratidão (42:10-13; 44:23; 45:8; 49:13). Louva ao Senhor em cânticos de alegria pela redenção de Israel.

Rompei em júbilo, exultai juntamente, vós lugares desertos de Jerusalém; porque o Senhcir confortou o seu povo,

remiu a Jerusalém (52:9) •

Êle se regozija nas maravilhas da criação; louva e glorifica ao Senhor pela graça poderosa na redenção ide Israel. Participando na compaixão do Senhor, êle pro­ duz algumas das mais lindas poesias de tôdas as Escri­ turas Sagradas (43:1-4; 44:21-22; 48:18-19; 49:14-16; 54:6-8). No exercício dos seus dons literários, o profe­ ta revela o seu profundo entendimento das atividades do Senhor na história de Israel, bem como o eterno propó­ sito divino na direção da história humana. Na lingua­ gem dramática, êle dâ ênfase aos temas principais da sua mensagem, a criação, a história e a redenção. O Senhor Javé, na sua própria Pessoa, na sua autoridade suprema, e na sua sabedoria e poder, determinará o destino de Is­ rael no cumprimento do propósito da sua escolha como o portador da revelação divina a todos os povos do mun­ do. Na transformação dos seus pensamentos teológicos em imagens visíveis, o profeta se apresenta como o mais profundo tê&logo do Velho Testamento.

1 Lendo esta profecia em voz alta, fica-se cada vez nfais enlevado com a técnica e a beleza da poesia do au­ tor. É mestre no uso de paralelismos, na arte de metri- ficação e na combinação de palavras e sons para produ­ zir a poesia musical. Estudantes da profecia mencio­ nam os numero'sos característicos poéticos da linguagem: Onomatopéia, 40:1a; 42:14; 47:2a; 53:4-6; Paronomá* sia, 40:11; 41:5a; 53rl0b; Aliteração, 40:6; 47:1; Ritmo, é característico da obra inteira, mas veja 40:6-8; Com­

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A P R O F E C IA DE ISATAS 27 binação de palavras com o mesmo som, 40:12ab; .|l :lab; 54:1.

É também notável o estilo dramático do profeta. Mais do que qualquer outro escritor bíblico, êste mensa­ geiro do Senhor acentua as formas dramáticas da ati­ vidade de Deus na história. Dá ênfase também ao pro­ pósito e à vontade do Senhor em relação' com o espírito revoltoso de Israel, e as fôrças de iniqüidade que operam contra os planos e os propósitos divinos nos vários pe­ ríodos da história. Há várias cenas dramáticas na pro­ fecia, como o' conselho no céu (40:1-11); o julgamento das nações (41:1-42:4); o êxodo dos deuses da Babilô­ nia (46:1-13); a queda da Babilônia (47:1-15); a vinda do Senhor Javé como Rei (52:7-10).

Deus é a personagem central em tôda parte da pro­ fecia. É o Criador, o Condutor da história e o Redentor. Tôdas as nações ficam subordinadas à sua autoridade suprema. A vida e o destino' de Israel envolvem-se nas atividades providenciais do Senhor no controle da his­ tória humana.

Nas suas arrojadas figuras poéticas, o profeta apre­ senta o Senhor nas suas atividades como homem de guerra, um grande Conquistador preparado para entrar na batalha (42:13); como mulher de partd, dando gri­ tos de dor (42:14); como destruidor de montes e outei­ ros (42:15) ; como guia dos cegos no caminho que êles não conhecem (42:16); Como Rei do Seu povo (43:15); como Juiz de povos e nações (41:1-42:4; 43:8-13; 48:14- 16); como Marido do seu povo (54:5); como Pai de Is­ rael (50:1); o Criador e Formador do universo e de Is­ rael (40:22-28; 43:1).

Deve-se estudar esta profecia à luz da história de Israel como o povo escolhido do Senhor, e a história do Oriente Próxim o. O profeta trata da história do MQ

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A R. C R A B T R E E

povo à luz da chamada divina de Abraão, e do Coticêrto do Senhor com Israel.

C . A Situação Histórica do P ovo de Israel Êste profeta relaciona a sua mensagem à história de Israel desde a chamada de Abraão. Êle formulou mais claramente do que qualquer outro profeta uma f i­ losofia da história. Assim, interpreta as atividades do Senhor, não sòmente na história dfe Israel, mas também na história das nações do mundo'. A sua interpretação da história de Israel e das nações é especialmente inte­ ressante à luz das circunstâncias tristes da sua própria nação.

Depois da morte do rei Josias em 608 a. C., a pe­ quena nação de Judá ia se enfraquecendo e caindo como nação, sob o govêrno de reis fracos e irresponsáveis. Em 597 a.C . Nabucodonozor deportôu um grupo de judeus, e deixou Zedequias como o governador da pequena co­ lônia i Mas, por causa das intrigas políticas de Zedequias, o poderoso rei da Babilônia voltou, sitiou a cidade de Jerusalém em 587 a .C ., e no ano seguinte capturou e destruiu a cidade e o Tem plo. Êste terrível desastre eclipsou por algum tempo a história do povo de Israel, bem conlo as suas práticas tradicionais da religião.

O exército da Babilônia levou no exílio os mais im­ portantes hqhitantes de Jerusalém, bem como os homens tfe maior influência social de Judá, mas permitiu ao plofeta Jeremias o privilégio de ficar à vontade nas ruí- nfs da sua terra. Mais tarde, êle profetizou a restaura­ ção dos exilados (Jer. 29:10), e a conquista da Babi­ lônia pelos medos (51:11).

Por uns 40 anos depois da queda de Jerusalém ha­ via poucas indicações da restauraçãd dos exilados. O número, dos judeus levados no exílio nas três deporta­ ções, segundo as referências de Jeremias, era de 4.600. Êles fririram alguma liberdade na Babilônia, e alguns

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A ' PROFECIA DE ISAfA S

prosperaram e edificaram as suas próprias casas^Jer. 29:5), e tinham permissão de se reunirem na vida social

(E z. 8:1; 14:1; 20:1). N o correr dos anos, a nova gera­ ção ia se adaptando às condições no estrangeiro, e perdeu o interesse e a esperança de voltar para a sua terra. Mas havia um grupo que mantinha o ardente desejo de realizar o sonho de restabelecer-se em Jerusalém, a cida­ de do Senhor. Entre êste grupo o Senhor levantou o seu grande mensageiro para despertar e encorajar o povo no preparo para a sua restauração, de acôrdo com o pro­ pósito eterno na direção da história de Israel e das nações do mundo (40:55).

Em 550 a . C . começou a carreira do grande estadista Ciro, que tomou ràpidamente o controle dos reinos dos medos e persas. Para o profeta, êste nôvo movimento histórico, com a queda dos impérios semíticos e o estabe­ lecimento de governos liberais, significava a operação do Senhor Javé na história, que havia de resultar no liber­ tamente de Israel do cativeiro para cumprir a sua missão sacerdotal, de acôrdo com o eterno propósito de Deus.

D. A Teologia de Segundo Isaías

Êste profeta é o mais profundo teólogo do Velho Tes­ tamento. Èle não apresenta um sistema teológico, mas o' seu ensino sôbre a Pessoa e as atividades do Senhor na história de Israel e das nações do mundo é o elemento fundamental da sua mensagem. Como Isaías de Jerusalém, era homem da sua época histórica, e interpretou as ati­ vidades de Deus na grande crise da história do povo de Israel. Os profetas anteriores eram monoteístas, mas êste autor entendeu e interpretou mais claramente do que êles a glória de Deus na Criação e no controle dos eventos da história. A mensagem do profeta relaciona-se com a nova época da história. Israel está ainda no cativeiro, mas em o nôvo movimento da história, será libertado para

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cum-30 A . R. C R A B T R E E

prir a sua missão determinada pelo Condutor dos even­ tos da história.

Êste profeta declara logo no princípio da sua mensa­ gem o que Deus é na sua Pessoa (40:12-2&). Acentua re­ petidamente a incomparabilidade de Deus. A quem, pois,

fareis semelhante a Deus? Êle dá ênfase às obras da cria­ ção. Quem é Aquêle que mediu as águas na concavidade- da mão, e marcou os limites dos céus com « palma? Quem recolheu numa medida o pó da terra, e pesou os montes com um pêso? Levantai ao alto os vossos olhos, e vêde: quem criou êstes? Aquêle que faz sair por número o seu exército, chamando todos êles por nome; pela grandeza

das suas fôrças, e pela fortaleza do seu poder, nem um só

vem a faltar. Em comparação com o poder do Criador

da terra e dos céus, e o Condutor do movimento de tôdas as estréias, quão insignificantes são todos os sêres fini­ tos ! As nações são como uma gôta dum balde, e nenhuma combinação dos podêres políticos do mundo pode impedir a realização dos propósitos eternos de Deus.

Se qualquer combinação dos homens é impotente pe­ rante o Senhor, que se pode dizer sôbre o poder dos deu­

ses feitos pelas mãos dos homens? No's versos 18-20 des­

creve-se o processo de fabricar ídolos que não têm vida e não podem fazer cousa alguma.

Tôdas as atividades do Senhor relacionam-se ao fato , de que !Êle*£ o Criador. O Criador entra na história para tefetuar a redenção. Para êste teólogo, as atividades divi- Inas na direção dos eventos da história são' inseparáveis 'da obra da criação. O Redentor de Israel e dos povos do mundo é o Criador. Para descrever as atividades do Se­ nhor na direção da história de Israel e dos povos do mun­ do', o profeta visa as palavras form ar e criar. Êle usa a

palavra muitas vêzes para descrever as atividades

\ » T T

criadoras de Deus, « a realização do seu propósito nos mo­ vimentos da história das nações (40:26, .28; 41:20; 42:5;

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A ' p r o f e c i a d e i s a í a s 31 43:1, 7, 15; 45:7, 8, 12, 18; 48:7; 54:16). Deus se.#evela a si mesmo na obra da criação. No seu poder cósmico, Êle triunfa sôbre os deuses pagãos, e os podêres políticos de homens e «ações que querem usurpar o seu poder . .

A propósito do Senhor na salvação de Israel e do

mundo inteiro relaciona-se à obra da criação. Javé fêz o mundo para ser habitado (45:12, 1 8 ). 0"'Senhor não

ebándonOu e nunca abandonará o mundo que criou. Não

fiz o inundo para ser um caos (45:18). Êle se apresenta em tôdas as épocas da história, e vai chatmando as gera­ ções desde o princípio (41:4 ). A criação é o ato inicial

ãd Senhor, a obra final é a salvação. Juntamente com esta atividade constante de Javé na vida dos homens, Êle tem conhecimento do futuro, e visa ao triunfo'final do seu eterno propósito como Criador, Redentor e Condutor

da história humana. Nenhum outro escritor do Velho Tes­

tamento dá tanta ênfase ao propósito de Deus em tôdas

as suas atividades como êste mensageiro divino. O eterno

propósito divino relaciona-se diretamente com a santida­ de, a justiça e o amor imutável do Criador.

Êste profeta relaciona a sua mensagem com o Deus

Eterno, . O Senhor é o Deus sempiterno, o

t **

Criador dos fins da terra. Êle não desfalece, nem se cansa, o seu entendimento é inescrutável (40:28). Javé era co­ nhecido como o Deus eterno, mas êste é o primeiro men­ sageiro do Senhor que relaciona a criação com a eterni­ dade . Deus é o Senhor do tempo, bem como das obras da criação. Êle é o primeiro e o último (44:6). O Senhor

VSÍ cumprindo o seu eterno propósito nos períodos su-

, cessivos de tempo (42:21; 44:28; 46:10; 53:10; 55:10-11).

O Senhor Javé sempre se apresenta nesta profecia COlno o único e o verdadeiro Deus.'Eu sou o Senhor, e

nfio há outro; além de mim não há Deus (45:5, 6, 21;

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32 A . R. C R A B T R E E

4; 13:15; 46:4; 48:12), O propósito de Deus se manifesta em todos os movimentos da história, desde o princípio até ao fim , Êle não sòmente entende e explica a história, mas também vai criando eventois no correr da história, de acordo com o seu eterno propósito.

Outras nações fabricam os seus deuses que não po­ dem fazer cousa alguma. Mas o Senhor, o Criador do universo, no seü poder supremo, sustenta e conserva as obras da criação. Na sua sabedoria inescrutável, e no seu conhecimento inesgotável, o Criador controla e diri­ ge o trânsito das obras do seu universo, incluindo' até o movimento das estrelas. Outras religiões têm os seus mistérios, os seus tabus, mas a santidade é a verdadeira natureza do Senhor.

O leitor cuidadoso desta profecia fica impressionado com os títulos do Senhor que indicam o seu caráter, o seu poder e as suas numerosas atividades. Todos êstes têrmos, Juiz, Rei, Salvador, Consolador e Mestre, aplicam- se ao Criador, e indicam a sua onipotência.

O Senhor Javé é o Juiz supremo em todo o domínio da história de Jerusalém e Israel, e das nações, Assíria, Babilônia, Egito, Etiópia, Seba, e até os confins da terra (43: 3 ). Israel é designado como instrumento de julga­ mento, mas também será julgado juntamente com as ou­ tras nações do mundo. O julgamento é a função do Rei. A nova i^pde será inaugurada pela declaração do govêr- no universal de Deus (40:10; 52:7) . Todos os povos verão a vinda do Senhor em tôda a sua glória (52:7-10). O Se­ nhor é Rei de Israel num sentido especial. É também o Santo, oi Redentor, o Poderoso, o Criador de Israel (44:6).

Javé c o único Salvador, o único que tem o poder de salvar. Fora de mim não há Salvador (43:11; 45:21; 46; 2, 4, 13; 47:13, 15). A salvação do Senhor é eterna (45: 17*; 51:6, 8), e se manifesta não sòmente no livramento do poder político, tãcf significativo para a pequena nação de

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A PR O F E C IA DE ISAfA S 33 Israel. É também a salvação espiritual que pode-sçp con­ seguida sòmente pelo poder, pela justiça, pela santidade e peia graça de Javé, o verdadeiro Salvador. Êste grande mensageiro do Senhor visa também à salvação das na­ ções no reconhecimento de Javé como o verdadeiro’ Deus de todos os povos do mundo (51:4-6; 52:10).

Êste profeta dá muita ênfase à compaixão do Senhor nu sua relação com tí povo de Israel. Javé é o grande Con­ solador de Israel na sua aflição e sofrimento, ó tu, aflito, tempestuosamente arrojado, e não consolado, eis que eu porei as tuas pedras com antimônio, e lançarei os teus alicerces com safiras. Logo no princípio desta profecia, Deus promete consolar o seu povo, e êste tema recebe ên­ fase em tôda parte da profecia (Cp. 40:1; 49:13; 51:3, 12, 19; 54:11; 57:18; 61:2; 66:13).

O Senhor se apresenta também como o Instrutor do «eu p ovo. Deus instruirá todos os seus filheis no caminho da justiça. Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o

que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar (48:17). Javé deu a Israel a Lei, m i n , a Revelação

T

Divina, com a incumbência de transmiti-la às nações do mundo.

Deus se revela na sua Palavra e no cumprimento das •uas promessas. Em tôda parte da sua mensagem o pro­

feta declara a sua fé inabalável na revelação de Deus, • na certeza de que o Senhor dos Exércitos cumprirá o

MU eterno propósito na redenção de Israel, e na salvação ê u nações do mundo. A Palavra do nosso Deus (40:5)

p w manece eternamente (40:8) . (Êle concorda ctím os ou­

tros profetas na certeza de que o Senhor cumprirá os MUft eternos propósitos, mas tem uma compreensão mais

Olara

dos eternos propósitos de Deus concernente à mis-

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A . R. C R A B T R E E

do mundo (40:5,8; 55: 10-11). A Palavra de Javé, ntTP-rD 5^ freqüentemente significa a Revelação do S

«-• l

nhor que abrange o eterno propósito de Deus na criação na história, em tôdas as complexidades de povos e nações no tempo e no espaço (45:18, 19).

Mais claramente do que qualquer outro profeta, êste mensageiro do Senhor entendeu e interpretou a missão de Israel, como o povo escolhido de Deus. Em palavras solenes, Deus revela o' seu eterno propósito na direção da história de Israel, o pdvo da sua escolha. Agora, pois,

ouve, ó Jacó, servo meu, e tu ó Israel, a quem escolhi. No

uso freqüente dos pronomes Eu e tu revela-se o significa­ do da relação tão importante entre o Senhor e o seu povo. Deus fala freqüentemente na primeira pessoa EU na men­ sagem íntima que dirige a tu, Israel. Eu sou o teu Santo;

Eu sou q teu Redentor; Eu te criei; Eu te ajudoj; Eu te sustento; E u sou o teu Rei; Eu sou o teu Salvador; Eu te consolarei

Êste profeta apresenta a mais profunda interpreta­ ção do Concêrto do Senhor cdm o povo de Israel. Como o Senhor guiou o povo de Israel até Sinai, o monte do concêrto, e depois na longa e difícil viagem até à terra da Promessa, assim, na nova idade, Êle libertará o seu povo do exílio, e guiá-lo-á até ao Monte Sião. Israel reconhe­ cerá fim im ente o propósito de Deus na sua eleição, que fo i escolhido, não por causa de qualquer mérito da sua parte, mas ünicamente por causa do’ amor do Senhor (Deut. 7:7-8), e para servir na realização do eterno pro­ pósito de Deus (Deut. 9:4-6). A eleição significava para Israel, não sòmente um glorioso privilégio, mas também ilmai nobre responsabilidade. Êste grande mensageiro do Senhor explica que a eleição de Israel se relaciona dire­ tamente com o' eterno propósito de Deus de oferecer a graça da salvação divina a todos os povos do mundo. Êle

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A PR O F E C IA DE ISATAS 35 apela diretamente ao Concêrto do Senhor com -Qavi (II Sam. 7:3-17), mas êste se relaciona com os concertos divinos com Noé, Abraão e Moisés (Gên, 9:8-17; 12:3; Êx. 19:6). Finalmente, Israel será a nação sacerdotal (55:1,3-5). E m 43:8-13, o Senhor declara a Israel: Vós sois as minhas testemunhas, e o meu servo, a quem es­ colhi .

Israel tem também o privilégio e a incumbência de louvar e glorificar a Deus, cantando-lhe hinos de alegria e de regozijo. Cantai de alegria, ó céus, e exultai, ó terra; e vós, ó montes, rompei em cânticos; pois o Senhor con­ solou o seu povo, e se compadecerá dos seus aflitos (49:13; Cp. 44:23; 51:3; 52:9; 55:12).

E. O Servo Sofredor do Senhor, 42:1-4; 49:1-6; 50:4-9; 52:13-53:12

Aparentemente, nenhum outro assunto é mais discuti­ do! pelos comentaristas do Velho Testamento do que o Servo do Senhor que se apresenta nestas passagens. Sem entrarmos na discussão das muitas interpretações dos co­ mentaristas, incluindo as suas opiniões a respeito do esco­ po e da integridade das passagens, que tratam do Servo do Senhor, limitamos a nossa explicação às poesias que falam diretamente da figura e da missão' do Servo. Não bbstante a similaridade de algumas declarações sôbre Is­ rael como o servo do Senhor e a missão do Servo Sofre­ dor, segundo estas passagens, há certamente uma distin­ ção clara entre Israel como nação e a Pessoa do Servo do Senhor. Os característicos pessoais do Servo do Senhor apresentam um contraste enfático com a comunidade de Israel.

Israel, como o' Servo do Senhor, é fraco, vacilante, freqüentemente infiel, e tem que ser admoestado e enco­

rajado para abandonar as suas dúvidas e a sua infidelida­ de, e confiar no socorro do Senhor (40:27; 41:8-14.; 44:

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36 A R. C R A B T R E E

l-»2, 21), ao passo que o Servo do Senhor triunfa logo sôbre qualquer desânimo momentâneo, com a fé inaba­ lável no Senhor (49:4; 50:7-9). Êle é perfeitamente livre, de culpa e do pecado (50:5; 53:4-6, 12). O servo Israel é pecador desde o nascimento, ou desde a sua origem como povo (48:4-5; Cp. 43:27). Israel tinha que sofrer no exilio por causa dos seus pecados (42:18-25; 43:22-28; 47:6; 50:1; 54:7). O Servo do Senhor sofre voluntaria­ mente, tomando sôbre si os pecadds de Israel (52:13- 53:12).

Notemos ós característicos principais do caráter e da missão do Servo do Senhor, especialmente na sua relação com o povo de Israel.

1. Êle fo i escolhido e chamado por Deus para cum­ prir a sua gloriosa missão pessdal. Foi dotado com o po­ der do Espírito do Senhor para desempenhar-se da sua incumbência divina (42:1-4; 49:1-5; 53:4-10).

2. A missão do Servo é dupla. Acha-se encarregado de trazer Israel, o povo escolhido, mais perto do Senhor, no reconhecimento da sua missão (49:5; 53:1-6). Tam ­ bém o Servo transmitirá a verdadeira religião aos povos do mundo (42:1, 4; 49:6; 52:15; 53:12).

3. O Servo é o mensageiro ideal do Senhor. Escondi­ do na nt$o de Deus, tem a bôca de uma espada aguda, e o ouvido para Ouvir como erudito. Assim, é divinamente preparado para ouvir, entender e transmitir a Palavra do Senhor (49:2; 50:4). Apresenta a mensagem divina no espírito de gentileza, ternura e compaixão.

4. P or algum tempo o Servo era uma figura obscura, homem de dores e conhecedor de tristezas e aflições (49: 4: 50:6; 53:3-7). Mas co'm a certeza da sua grande voca­ ção, e do seu destino como o Servo do Senhor (49:5, 6), êle resolve enfrentar inimizade, perseguição e qualquer

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A PR O F E C IA DE ISAÍAS 37 outro sofrimento no cumprimento da sua majestosa mis­ são. Mal entendido e desprezado’, o Servo sabia que o so­ frimento vicário é o caminho da glória (50:6-10; 53: 7-12).

5. Os contemporâneos que tinham desprezado o Ser­ vo nas suas atividades como o mensageiro do Senhor até à morte, finalmente ficaram profundamente impressio­ nados com a nobreza da sua fidelidade, nas circunstâncias da injustiça que ó matou. (Êles reconheceram a inocência do Servo, e chegaram a entender que os seus sofrimentos não merecidos eram verdadeiramente a expiação vicária

dos próprios pecados dêles. Verdadeiramente êle tomou sôbre si as nossas enfermidades, e carregou as nossas do­ res; mas nós o reputamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido (53:1-6).

6. Assim, a carreira do Servo foi ricamente abençoa­

da nos maravilhosos resultados dos seus sofrimentos vi-

cários. Foi coroado de glória e honra perante os reis

e os povos do mundo (52:13-15).

Surge uma questão interessante sôbre a identificação

do Servo Sofredor e o Messias Davídico. Alguns intér­ pretes procuram mostrar que o Servo do Senhor se iden­ tifica com o Messias em alguns dos Salmos e outras escri­ turas do Velho Testamento. Mas os intérpretes mais cri­ teriosos declaram que não se encontra qualquer evidência lias Escrituras do Velho Testamento para justificar esta conclusão. Alguns descobrem característicos do Servo nan referências ao Messias em passagem como Lam . 4: 20; Salmos 8; 18; 89; 118:5-7, mas isto não significa que O Messias se identifica com o Servo de Isaías 53. De fato,

üfttí há qualquer evidência de que as duas personagens se

Identificaram antes da Era Cristã.

Os escritores do Nôvo Testamento, à luz da morte e dtt ressurreição de Jesus, reconheceram na sua pessoa e

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A . R. C R A B T R E E

no seu ministério, a identificação do Messias Davídico com o Servo Sofredor, Mas os próprios discípulos de Je­ sus rejeitaram os seus ensinos sôbre a necessidade da sua morte até depois da ressurreição. W . W heeler Ro- binson faz a seguinte observação sôbre a identificação d o ' Messias com o Servo' do Senhor por Jesus: “ Não é exa- gêro dizer que esta é a mais original e a mâis ousada de tôdas as feições características dos ensinos de Jesus, e que resultou no elemento mais importante da sua obra. Não tem havido nenhum êxito, em todos os esforços de achar identificação' prévia ou contemporânea do Messias com o Servo Sofredor de Javé.” 1

Os escritores do N ôvo Testamento reconhecem Jesus como o Messias da profecia, mas descrevem a sua Pes­ soa e o seu ministério em harmonia especial com as pro­ fecias sôbre o Servo' do Senhor no L ivro de Isaías. O tema do Evangelho de Marcos, por exemplo, baseia-se nas pro­ fecias sôbre o Servo. Pois o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (10:45). É claro que o' Evangelho de Marcos identifica o Filho do Homem como o Servo Sofredor de Isaías 53. A declaração de Mat. 17:5 e Mar. 9:7; Luc. 9:35, a voz da nuvem na Transfiguração, Êste é meu Filho amado, ouvi-o, refere-se claramente à Pessoa do Servo em Isaías 42:1. É clara e significativa a decla­ ração Jesus em Lucas 22:37: Pois vos digo que impor­ ta que se cumpra em mim o que está escrito: Êle fo i con­ tado com os malfeitores (Is. 53:12). O Apóstolo Paulo não faz referência ao Servo do Senhor, mas declara: Cris­ to morreu por nossos pecados segundo as Escrituras (I

Cor. 15:3). Quando Filipe pregou o Evangelho ao eunu- co, êle começou com a explicação de Isaías 53:7-8, e as­ sim lhe anunciou Jesus (Atos 8:26-39) . A verdade é que ^ *

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A P R O F E C IA DE ISAÍAS 30 ■a pregação do Evangelho em tôda parte do Nôv%Testa- jnçnto, Jesus Cristo se apresenta como o Servo Sofredor que. consegue a salvação de pecadores pela sua morte vi- cária na cruz do Calvário.

íF. O Autor de Isaías 40-66

(Consideramos todos êstes capítulos como a obra de um só autor. O nome dêste maior profeta do Velho Tes­ tamento é desconhecido. Êle é geralmente conhecido como Segundo Isaías, porque a sua profecia faz parte do Livro de Isaías, e a sua mensagem se relaciona freqüen­ temente com os ensinos de Isaías de Jerusalém. Não sa­ bemos nada da fam ília dêle, nem onde êle nasceu. É pro­ vável que estivesse no cativeiro com o seu povo, voltando com êle na restauração. Êle revela muito conhecimento du história do seu povo, e mais do que qualquer outro mensageiro do Senhor, êle entendeu e interpretou a im­ portância da escolha de Israel para sua missão especial entre os povos do mundo.

É provável, como' alguns pensam, que êle era o con­ selheiro espiritual dos judeus no cativeiro, e que talvez fôsse o fundador da sinagoga. É certo que pregou pode­ rosamente aos exilados a mensagem de consolação, enco­ rajamento e esperança. Como' já observamos, êle era um profundo teólogo, e interpretou a história do seu povo, e a história das nações do mundo, à luz do eterno propósito do Senhor na criação do universd, e nas atividades divi­ nas nos eventos históricos de todos os povos da terra.

As Divisões Principais dos Capítulos 40:66 : I; A Libertação Divina do Povo do Senhor, 40:l-48i22

A . Prólogo, o Pregador e sua Mensagem, 40:1-11 B. Javé, o Deus Incomparável, 40:12-31

C. O Deus da História das Nações, 41:1-29

D. O Servo Escolhido do Senhor e a Sua Missão, 42: 1-25

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40 A . R. C R A B T R E E

E . Javé, o Criador e Redentor de Israel, 43:1-44:23 F . Javé É o Poderoso Criador, Ciro É o Seu Instru­

mento, 44:24-45:25

G. O Deus Que Carrega o Seu Povo, os Deuses Que> São Carregados pelo Povo, 46:1-13

H . O Orgulho e a Humilhação da Babilônia, 47:1-15 I. O Propósito do Senhor na História e na Profecia,

48:1-22

II. A Redenção de Israel, 49:1-55:13

A . A Libertação e a Consolação de Israel, 49:1-50:3 B. O Getsêmane do Servo do Senhor, 50:4-11 C. Os Israelitas Fiéis Recebem a Promessa de Sal­

vação, 51:1-16

D . O Reino do' Senhor na Nova Época de Jerusalém, 51:17-52:12

E. O Sacrifício e a Glória do' Servo do Senhor, 52: 13-53:12

F . A Felicidade de Sião Reunida com o Senhor por um Concêrto Eterno, 54:1-17

G. A Salvação pela Graça de Deus, 55:1-13

III. Admoestações, Esperanças e Promessas, 56:1-66:24 A . Oráculo sôbre a Obediência da Lei, 56:1-8

B..Denúncia de Governadores Cegos e do Culto Cor­ rompido, 56:9-57:13

C . A Graça do Senhor na Redenção do Seu Povo, 57:

14-21

D. A Prática do Jejum e a Observação do Sábado, 58:1-14

E. A Intervenção do Senhor na Vida de Israel, 59:

1-21

> ' F . A Glória, a Grandeza e a Felicidade de Sião, 60: 1-62:12

Referências

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