TERMOS DE REFERÊNCIA
CONSULTORIA PARA AVALIAÇÃO FINAL
Projecto de Desenvolvimento Local e Fortalecimento Institucional dos
Municípios de Angola (nº ref. SE 1960/09)
1. INTRODUÇÃO
O Projecto Desenvolvimento Local e Fortalecimento Institucional dos Municípios de Angola – PRODEFIMA se enquadra na Resolução de Concessão de Subvenção de Cooperação Internacional da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) ao Instituto de Formação da Administração Local (IFAL) com Nº/Ref. Expediente nº1960/09 de 17 de Dezembro de 2009.
Segundo a normativa do financiador e conforme definido no Acordo de Gestão subscrito pelo Ministério da Administração do Território (MAT) e a AECID a 15 de Março de 2011, é requerida uma avaliação final externa do projecto, que é o propósito desta consultoria.
2. DESCRIÇÃO DO PROJECTO
2.1. Antecedentes
No momento da identificação, no ano 2009, Angola encontrava-se numa fase de reconstrução e de criação das bases para um desenvolvimento a longo prazo. O Governo de Angola tinha aprovado uma série de normas1 que promoviam a descentralização e fomentavam a inclusão e a participação social e política dos cidadãos.
A pesar da vontade política do Governo de Angola, existiam vários obstáculos para levar a cabo estes processos, tais como: as Administrações locais não possuíam as capacidades para assumir as novas tarefas e responsabilidades resultantes do processo de descentralização, como as de elaborar, implementar e avaliar os seus planos de desenvolvimento integrado, usando técnicas e metodologias participativas; as organizações da sociedade civil apresentavam uma débil capacidade e credibilidade para articular e representar os interesses de todos os sectores da população,
(Conselhos de Auscultação e Concertação Social e Fóruns Municipais), não existindo suficientes mecanismos de concertação na sociedade civil para o estabelecimento das prioridades para o desenvolvimento local.
É neste contexto que surge o projecto, para contribuir à promoção do processo democrático, do Estado de Direito e de um desempenho mais eficaz do Estado, em termos econômicos e sociais, bem como para a reforma do Governo orientada para a descentralização em Angola.
2.2. Objectivos e resultados:
Para fazer frente as problemáticas identificadas, o objectivo do projecto é melhorar o funcionamento descentralizado e a participação cidadã nos municípios de Angola, especificamente nos da Província do Bié, fortalecendo as capacidades de planificação, gestão e o pleno exercício das suas competências.
Esperava-se alcançar este objectivo com um duplo nível de intervenção, nacional e municipal (com os municípios da Província do Bié), e atingindo diferentes resultados:
Melhorar a estrutura de apoio à formação dirigida às administrações locais através do fortalecimento institucional do Instituto de Formação da Administração Local (IFAL), responsável pela implementação das políticas de formação do Ministério de Administração do Território (MAT) e com a missão de contribuir para o aperfeiçoamento e modernização dos processos da Administração Local, através da formação dos seus agentes, promovendo e implementando acções de formação, capacitação e assessoria técnica.
Aumentar a capacidade organizacional e metodológica das administrações municipais, para que adquiram capacidades sistémicas e estruturantes para desenhar, implementar y avaliar o impacto dos planos de desenvolvimento integrado municipais, usando técnicas e metodologias participativas.
Fomentar a participação das comunidades nos processos de tomada de decisões sobre prioridades locais e fortalecer a capacidade organizativa e de articulação das organizações da sociedade civil e das instituições do poder tradicional.
Incrementar e fortalecer o diálogo entre as administrações municipais e as organizações da sociedade civil e do poder tradicional e alcançar a participação representativa na definição das prioridades do desenvolvimento local.
Não obstante, em 2013, a redução da subvenção concedida pela AECID à metade e devido também a mudanças no contexto, o projecto foi reformulado2, redireccionando as acções do projecto para dois objetivos específicos e quatro resultados:
OE1. Fortalecer a capacidade institucional do Instituto de Formação da Administração Local (IFAL) para adequar e melhorar os serviços prestados à Administração Local, visando aperfeiçoar o funcionamento dos municípios de Angola Resultado 1.1. Assegurada a gestão correcta e integrada de todas as actividades do IFAL, através da operacionalização da nova estrutura orgânica, institucionalização de procedimentos internos e capacitação dos quadros
A1.1.1 Elaboração do Plano Estratégico do IFAL
A1.1.2. Elaboração do
Regulamento Interno do IFAL A1.1.3. Diagnóstico para a
definição e implementação de um sistema integrado de gestão A1.1.4. Organização de acções de capacitação institucional
Resultado 1.2. Melhorada a qualidade da formação ministrada pelo IFAL
A1.2.1. Produção de manuais e cartilhas didácticas
A1.2.2. Formação pedagógica de formadores
A1.2.3. Formação dos Técnicos do Departamento de Formação e Capacitação e dos Centros
Regionais do IFAL em matéria de Gestão da Formação
A1.2.4. Implementação de uma aplicação informática de gestão da formação
A1.2.5. Implementação do projecto IFAL on-line
A1.2.6. Organização das Jornadas Técnicas de Formação
A1.2.7. Intercâmbio de
experiências de formação ao nível internacional
Resultado 1.3.
Institucionalizado o processo de produção e divulgação de conhecimento e informação sobre a Administração Local e Autárquica
A1.3.1. Reestruturação e apetrechamento do CEDOC A1.3.2. Criação da biblioteca virtual do IFAL OE2. Influenciar a definição de modelos e políticas ligados à governação local e ao processo de descentralização em Angola. Resultado 2.2: Promovidas trocas de experiências e pesquisas sobre modelos e políticas públicas ligadas à Administração Local e Autárquica
A2.2.1. Organização e realização de Conferências e de visitas de estudo sobre experiências autárquicas
A2.2.2 Pesquisas para o desenho de políticas públicas
2.3. Período de execução:
O projecto iniciou a 15 de Dezembro de 2010 e finaliza a 31 de Dezembro de 2014, com uma duração de 4 anos.
Total: 3.072.000 €
Despesas correntes: 2.822.436,15 € Despesas de investimento: 249.563,85 €
3. OBJECTIVOS DA AVALIAÇÃO
Tratando-se de uma avaliação final, os objetivos da mesma são:
Verificar em que medida os objectivos geral e específicos foram atingidos e como os resultados contribuíram aos mesmos.
Determinar se os resultados esperados foram alcançados, através da análise da execução das actividades realizadas no âmbito do projecto.
4. METODOLOGIA
A metodologia a ser utilizada nesta avaliação, assim como as ferramentas utilizadas para a obtenção da informação, será desenhada pelo avaliador ou a equipa de avaliadores e validada pelo IFAL. Para definir esta metodologia o avaliador contará com o Manual de Avaliação de AECID.
De forma geral o esquema sugerido é:
4.1. Fase I: Fase de Gabinete e apresentação de um plano para o trabalho de campo.
a) Recopilação da documentação disponível: será responsabilidade da equipa técnica do projecto que deverá facilitar ao avaliador toda a documentação requerida para a realização desta avaliação.
b) Análise da documentação: revisão das fontes de informação existentes, tendo em conta o contexto social e económico onde se desenvolve a intervenção.
- Documento de formulação do projecto; - Resolução da concessão da subvenção; - Acordo de Gestão
- Relatórios ao doador;
- Relatórios dos Assistentes Técnicos; - Outras fontes de verificação.
c) Preparação e apresentação de um plano de trabalho com um cronograma, indicando: instrumentos e técnicas de recolha de dados e definição de actores chaves a ser entrevistados.
4.2. Fase II: Trabalho de Campo e apresentação de resultados.
a) Visitas de campo e entrevistas: visitas aos locais onde se desenvolve o projecto, entrevistas em profundidade a actores chaves, beneficiários/as, autoridades, que poderão ser individuais e/ou grupais.
b) Reuniões de devolução de resultados preliminares: o avaliador apresentará os resultados preliminares ao IFAL e à AECID/OTC de Angola e entregará um primeiro draft do relatório para análise.
4.3. Fase III: Redacção do Informe Final.
Após o IFAL e a AECID apresentem seus comentários, observações e sugestões de melhoria ao relatório preliminar, o avaliador deverá considerar as contribuições e redigir e entregar o Relatório Final da Avaliação.
5. CRITÉRIOS E PERGUNTAS DA AVALIAÇÃO
* Pertinência: A proposta de projecto é apropriada para responder às necessidades e dificuldades particulares do país e da entidade beneficiária? Os sócios estão bem definidos? A eleição dos beneficiários e sócios é oportuna desde o ponto de vista estratégico?
* Alinhamento: A proposta está alinhada às políticas e programas nacionais/locais sobre as áreas de influência? Aproveitam-se as possíveis sinergias que se possam estabelecer entre estes programas e a intervenção?
* Coerência: A lógica de intervenção está definida correctamente e é completa? O objectivo específico, os resultados e os indicadores estão desenhados de forma clara (precisos-verificáveis-realistas), de forma que possa-se determinar as metas atingidas? A proposta é coerente com a Estratégia País da Cooperação Espanhola e os Programas e Estratégias do Governo de Angola?
* Eficácia: As actividades realizadas no marco do projecto contribuem ao sucesso dos resultados esperados? Conseguiram-se os resultados esperados através das actividades implementadas em todos os âmbitos do projecto?
* Eficiência: Utilizaram-se correctamente os fundos disponíveis para atingir os resultados? Tiveram os recursos humanos, técnicos, e materiais necessários suficientes e adequados para conseguir os resultados? Poderiam ter-se atingido os resultados que foram conseguidos com menos recursos? Os recursos colocados à disposição da instituição beneficiária têm sido adequados a suas necessidades prioritárias?
* Participação: Qual tem sido o nível de envolvimento da instituição beneficiária e dos seus quadros? E a dos parceiros estratégicos?
vez terminada a intervenção do projecto.
6. PRODUTOS A ENTREGAR
6.1. Plano de Trabalho da fase de campo, com um cronograma detalhado. 6.2. Relatório Preliminar
6.3. Relatório Final
O relatório deverá apresentar e conter as seguintes informações: 0. Resumo Executivo
1. Introdução
i. Antecedentes e Objecto da avaliação ii. Metodologia
iii. Condicionantes e limites do trabalho realizado iv. Apresentação da equipa de trabalho
2. Descrição da intervenção avaliada, indicando os seus objectivos e sua estrutura lógica de planificação, antecedentes, níveis de organização e gestão, actores implicados e contexto económico, social, político e institucional no que se desenvolve a intervenção.
3. Análise da informação recolhida, dando resposta aos critérios e perguntas de avaliação estabelecidos na metodologia de trabalho.
4. Resultados da avaliação, apresentando as evidências encontradas com relação às perguntas de avaliação.
5. Conclusões em relação com os critérios de avaliação estabelecidos. 6. Recomendações derivadas da avaliação.
7. Anexos
i. Lista de pessoas entrevistadas
ii. Lista de documentos e fontes de verificação consultados
7. PRINCÍPIOS
* Anonimato e confidencialidade: a avaliação deve respeitar o direito das pessoas a proporcionar informação assegurando seu anonimato e confidencialidade.
* Independência: a equipa avaliadora deverá garantir sua independência da intervenção avaliada, não estando vinculado com sua gestão ou com qualquer elemento que a compõe.
* Sigilo: a equipa avaliadora deverá manter sigilo sobre a informação a que terá acesso durante a avaliação.
* Incidências: em caso de surgir problemas durante a realização do trabalho de campo ou em qualquer outra fase da avaliação, estes deverão ser comunicados imediatamente ao IFAL. Se os problemas não fossem comunicados, a existência de tais problemas em
nenhum caso poderá ser utilizada para justificar a não obtenção dos resultados estabelecidos no presente documento.
* Convalidação da informação: corresponde à equipa avaliadora garantir a veracidade da informação recopilada para a elaboração dos relatórios, e em última instância será a responsável pela informação apresentada no Relatório de avaliação.
8. PRAZOS
Para a execução dos trabalhos estima-se um período máximo de 2 semanas, sendo a data máxima para a finalização do relatório: 30 de Janeiro de 2014.