Cadernos de Formação Popular 1: Explorados e Exploradores - Marta Harnecker

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Texto

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Marta Harnecker

Gabriela Uribe

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EXPLORADOS E

EXPLORADORES

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EXPLORADOS E

EXPLORADORES

MARTA HARNECKER

GABRIELA URIBE

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global editora

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C O P Y R I G H T © 1979 G L O B A L E D I T O R A E D I S T R I B U I D O R A L T D A . T R A D U Ç Ã O E A D A P T A Ç Ã O : G r u p o A u r o r a R E V I S Ã O : A r m a n d i n h a V e n â n c i o C A P A : Carlos Clémen D IA G R A M A Ç Ã O , C O M P O S I Ç Ã O : Marcos D u a r t e F O T O L I T O : Paulo B o c a t t o e Carlos N i c o l a u

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PROLOGO A EDIÇÃO CHILENA

Ãs revoluções sociais nâo são feitas pelos indivíduos, pelos "grondoo per sonagens", por mais brilhantes ou heróicos que sejam As revoluções sociais são feitas pelas massas populares. Sem a participação das grandes massas não há revolução, é por isso que uma das tarefas mais urgentes neste momento é que os trabalhadores se eduquem, elevem o seu ní vel de consciência, se capa-citem para responder às novas responsabilidades que surgem dentro do pro-cesso revolucionário que o nosso pai's vive.

Se queremos transformar a nossa sociedade numa nova sociedade temos de ser capazes, por um lado, de compreender quais são as suas características principais na atualidade, como é que se explica o seu caráter "capitalista de-pendente", que papel desempenhou o imperialismo na nossa situação atual de subdesenvolvimento e, por outro lado, saber com que forças sociais conta a classe operária para lutar contra esta situação.

Além disso devemos saber através de que processo histórico foi possfvel chegar a este triunfo das forças populares, dado que ele representa apenas o resultado final de um longo período de luta de classes durante o qual a nossa terra foi banhada pelo sangue de operários, camponeses e estudantes.

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Mas para podermos responder a todas estas perguntas suscitadas pela nossa realidade e para estarmos aptos a resolver outras que surgirão à medida que este processo se desenvolve, necessitamos de um conhecimento prévio, um conhecimento que nos sirva de instrumento para analisar a realidade e para guiar a nossa ação. Este conhecimento é o Materialismo Histórico que podemos definir como o conjunto dos conhecimentos científicos acerca da sociedade. Por intermédio do Materialismo Histórico sabemos o que é que determina a organização e funcionamento da sociedade e porque é que se produz a mudança de um tipo de sociedade para outro; isto é, conhe-cemos as leis fundamentais da sociedade.

É o conhecimento científico de qualquer realidade que permite atuar sobre ela e transformá-la. Assim, por exemplo, o médico para poder curar os seus doentes necessita de ter um conhecimento prévio acerca das doenças, como nascem, como se manifestam e como se tratam, isto é, necessita de conhecer as leis gerais da medicina. Este conhecimento é o instrumento teó-rico que ele usa para observar um doente em particular, chegar a um diagnós-tico e fazer um tratamento que transforme esse doente num homem são. O mesmo acontece com a realidade social: para podermos transformar uma de-terminada sociedade temos de fazer uma análise dessa realidade que nos per-mita atuar sobre ela. O instrumento teórico que usamos neste caso é o co-nhecimento científico da Sociedade, ou Materialismo Histórico.

Esta série de Cadernos de Educação Popular (CEP) propõe-se precisamen-te fornecer, sob uma forma acessível e ao mesmo precisamen-tempo rigorosa, os instru-mentos teóricos mais importantes para compreendermos o processo de modificação social e podermos delinear quais devem ser as características da nova sociedade quç queremos construir.

Os sete primeiros títulos desta série são os seguintes: 1 — Explorados e Exploradores 2 — Exploração Capitalista 3 — Monopólios e Miséria 4 — Luta de Classes 5 — Imperialismo e Dependência 6 — Capitalismo e Socialismo 7 — Socialismo e Comunismo 8

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Se bem que cada um destes textos contenha um tema que pode ser com-preendido sem ser necessária a leitura dos outros, a melhor maneira de estu-dá-los é seguindo a ordem da série, visto que os primeiros temas vão ajudan-do a compreender os seguintes. O tema deste primeiro caderno, por exem-plo, é o estudo dos diferentes aspectos da sociedade, e do modo como eles se relacionam e estSo organizados. Aqui apenas se diz que esta organiza-ção se modifica de uma sociedade para outra, sem se entrar no estudo da maneira como se produz esta transformação. £ mais na frente, no caderno n. 6 — Capitalismo e Socialismo — que se dará amplo desenvolvimento a este tema, já que para o compreendermos, são necessários outros elementos que estudaremos nos Cadernos que o antecedem. Em todo o caso, sempre que num caderno um assunto é apenas mencionado, indicar-se-á, por meio de notas, em que número da série se pode estudá-lo mais a fundo.

Cada caderno contém, para além do desenvolvimento do tema, um pe-queno resumo, um questionário para que o leitor possa controlar a sua pró-pria leitura, e uma bibliografia para aqueles que queiram estudar mais a fun-do cada um fun-dos temas. Isto permite o estufun-do e leitura coletiva fun-dos CEP, que recomendamos como a melhor forma de aproveitar esta publicação, já que asfim os trabalhadores poderáb ajudar-se mutuamente a compreender o tex-to, poderão trocar experiências, enriquecer o tema com exemplos tirados da sua própria realidade e discutir em conjunto como aplicar estes conheci-mentos â luta diária.

Pedimos aos nossos leitores, e especialmente aos trabalhadores, que nos façam chegar as suas opiniões, as suas críticas, as suas perguntas, para irmos melhorando cada vez mais esta série, de modo que ela cumpra de maneira cada vez mais efetiva os objetivos que se propôs. Para isso devem dirigir-se a

M. H. G. U. NOTA DOS ADAPTADORES

Nos últimos meses ampliou-se, de maneira significativa, a luta dos traba-lhadores brasileiros. Diversas categorias têm desencadeado greves, manifes-tações de rua e assembléias com participação de milhares de trabalhadores.

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Sempre foi necessário, e agora mais do que nunca, a divulgação de manei-ra acessível do conjunto dos instrumentos científicos que permitam aos tmanei-ra- tra-balhadores realizar a análise e a transformação revolucionária da realidade. O estudo e o debate do materialismo histórica torna-se cada vez mais uma ta-refa urgente.

é com este objetivo que iniciamos a publicação dos Cadernos de Educa-ção Popular. Esta adaptaEduca-ção feita sobre a traduEduca-ção da publicaEduca-ção chilena procurou integrar o texto â realidade brasileira, respeitando o pensamento político dos autores.

OUTUBRO 1979

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SUMÁRIO Conteúdo do Caderno

1. O T R A B A L H O 0 0 HOMEM E AS RIQUEZAS NATURAIS.

Sem o trabalho do homem as riquezas naturais não servem para nada. Então porque é que são os trabalhadores que estão em piores condições dentro da sociedade?

2. O PROCESSO DE PRODUÇÃO: FORÇA DE T R A B A L H O E MEIOS

DE PRODUÇÃO.

Alguns elementos teóricos para poder responder: definição de maté-ria-prima, instrumentos de produção, meios de produção, bens de consu-mo, força de trabalho. O trabalho de coordenação e controle na grando indústria moderna.

3. A PROPRIEDADE PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO, ORIGEM DE TODA A EXPLORAÇÃO.

Exemplos de como a propriedade privada dos meios de produção permite a exploração no capitalismo, no escravismo, no feudalismo.

A exploração não existiu sempre, tem uma origem histórica, poderá desaparecer.

4. AS RELAÇÕES SOCIAIS DE f»RODUÇAO.

Todo o processo de produção é um processo histórico que ocorre sob determinadas relações sociais de produção. As relações de explorador-ex-plorado. As relações de cooperação recíproca. As relações sociais de produção: não são relações humanas e não dependem da vontade dos homens.

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5. A REPRODUÇÃO DAS RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO; O PAPEL DO ESTADO E DA IDEOLOGIA.

As relações sociais de produção tendem a reproduzir-se. Os proprie-tários dos meios de produção controlam o Estado e as leis. Controlam também os meios de comunicação de massa e o conteúdo dos programas de ensino. O poder político e ideológico serve-lhes para reproduzir as re-lações de produção.

6. MODO DE PRODUÇÃO. INFRA-ESTRUTURA E SUPERESTRUTURA . A sociedade como modo de produção. As relações sociais como ele-mento fundamental na organização da sociedade. Os conceitos de infra e superestrutura. O papel determinante da estrutura econômica ou in-fra-estrutura.

7. MODO DE PRODUÇÃO E FORMAÇÃO SOCIAL.

A diferença entre a necessidade de compreender a sociedade através de um só tipo de relação de produção, e o estudo de uma sociedade his-toricamente determinada, em que existem diferentes tipos de relações de produção. O conceito de formação social. O papel da infra e da su-perestrutura na formação social. Conclusão acerca da luta dos trabalha-dores pela supressão da exploração.

RESUMO QUESTIONÁRIO BIBLIOGRAFIA

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1. O TRABALHO DO HOMEM E AS RIQUEZAS NA-TURAIS.

Ao contrário do que sempre nos disseram, para ten-tar justificar a miséria em que vive o povo Brasileiro, o Brasil não é um país pobre.

Os nossos rios representam uma grande fonte de . energia elétrica. No nosso subsolo existem grandes quan-tidades de vários minérios. A nossa extensa costa possui uma grande riqueza em peixe.

Mas estas riquezas naturais de nada servem sem o trabalho do homem.

Sem o trabalho dos mineiros as pirites, o urânio e outras riquezas minerais ficariam para sempre enterra-das. Sem o trabalho de muitos homens as águas dos nos-sos rios perder-se-iam no mar sem serem aproveitadas pa-ra iluminar as cidades e movimentar as fábricas. Sem o trabalho dos pescadores o' mar não entregaria os seus pei-xes. Sem o trabalho dos camponeses, a terra não daria os seus frutos.

E portanto o trabalho do homem que permite arran-car à natureza as suas riquezas. Mas em que mãos é que vão parar as riquezas? Vão parar nas mãos dos trabalhadores? Não. Todos sabemos que a esmagadora maioria da

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queza criada pelos trabalhadores vai parar nas mãos dos capitalistas. Uma pequena minoria da população recebe a esmagadora maioria do rendimento criado pelos lhadores, que ficam com as migalhas. Enquanto os traba-lhadores têm que viajar pendurados nos ônibus, os seus patrões têm dois ou três carros. Enquanto muitos traba-lhadores não têm um lugar onde viver dignamente, os seus patrões têm duas ou três casas em diferentes lugares do país. Enquanto uma grande parte dos trabalhadores só têm uma roupa decente, quando a têm, os seus patrões têm os guarda-roupas cheios de ternos. Enquanto os fi-lhos dos trabalhadores se alimentam mal e muitas vezes prejudicam a sua saúde e a sua inteligência com isso, os filhos dos patrões deixam pratos cheios de comida que vai para o lixo, porque já estão fartos de comer.

Porque é que um punhado de capitalistas acumula tanta riqueza, enquanto a maioria do povo tem apenas o indispensável para sobreviver?

Porque razão foram eles e não os trabalhadores que acumularam riqueza, quando foram estes últimos que ex-traíram as riquezas da natureza e, com o seu trabalho,

produziram novas riquezas?

Para podermos responder a estas perguntas devemos deter-nos por momentos na análise do processo de pro-dução, isto é, devemos analisar quais são os elementos que tornam possível a transformação da natureza em pro-dutos úteis aos homens.

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2. O PROCESSO DE PRODUÇÃO: FORÇA DE TRA-BALHO E MEIOS DE PRODUÇÃO.

Para estudarmos todos os elementos que entram no processo de produção, usaremos o exemplo de uma cos-tureira ou de um sapateiro.

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Quando a costureira trabalha, o que faz? A Costurei-ra tCosturei-rabalha um determinado corte de pano paCosturei-ra tCosturei-ransfor- transfor-má-lo num vestido e para isso utiliza, por um lado, linha, botões, fecho éclair, etc., e, por outro lado, tesouras, agu-lha, máquina de costura. Além disso tem necessidade de alugar uma casa para se instalar, e tem de iluminá-la para poder trabalhar.

Definiremos cada um destes elementos do processo de produção da seguinte maneira:

Chamaremos MATÉRIAS-PRIMAS aos obje-tos que são transformados no processo de produ-ção, para constituírem o produto final.

No nosso exemplo as matérias-primas são: o pano, a linha, os botões, o fecho éclair, etc. Todos estes elemen-tos passam a constituir o vestido, de uma maneira ou de outra são parte dele. Se faltar uma destas matérias-pri-mas, a costureira não poderá produzir o vestido <1).

Chamaremos INSTRUMENTOS DE PRO-DUÇÃO a todas as coisas que direta ou indireta-mente nos permitem transformar a matéria-pri-ma em produto final.

Os instrumentos de produção que nos permitem

(1) De um ponto de vista mais rigoroso, seria necessário distinguir entre matéria-prima e matéria bruta. Esta última é a que se encontra na na-tureza, sem ter sido submetida a nenhum trabalho humano. Exemplo: o carvão nõ fundo das minas; os bosques que servirão para extrair madeira, etc. Matéria-prima é aquilo que já sofreu um trabalho anterior: o carvão já extraído da mina; a madeira já cortada, etc.

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transformar diretamente a matéria-prima são as ferramen-tas de trabalho e as máquinas. No nosso exemplo: as tesouras, a agulha, a máquina de costurar:

Os instrumentos de produção que atuam de forma in-direta, mas não menos necessária, são: os locais de tra-balho, os meios de iluminação etc.

Sem matéria-prima e sem instrumentos de produção, não se pode produzir nada. Eles são os meios materiais para realizar qualquer tipo de trabalho. Por isso, chamá--los-emos meios de produção.

Chamaremos MEIOS DE PRODUÇÃO a to-dos os objetos materiais que intervêm no processo de trabalho.

Estes meios não devem ser confundidos com os bens de consumo, que são todós aqueles bens que se conso-mem de forma individual, por exemplo: alimentos, ves-tuário, habitação, artigos para o lar, artigos escolares, etc. Detenhamo-nos agora a analisar o último elemento que intervem no processo de trabalho: a atividade huma-na realizada pelo trabalhador que utilizando os instru-mentos cie produção transforma a matéria-prima (o pano, no nosso exemplo) num produto final (o vestido, no nos-so exemplo).

A nossa costureira, ao trabalhar, gasta energia física e mental.

A esta energia gasta durante o processo de trabalho chamaremos F O R Ç A D E TRABALHO. A fadiga depois de um dia de trabalho não é senão a maneira como se manifesta fisicamente este gasto de

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energia 'que ocorre durante o processo de produção. A boa alimentação e o descanso permitem recuperá-la.

A análise de todos estes conceitos permite-nos chegar à conclusão de que os elementos fundamentais de todo o processo de produção são a força de trabalho do homem e os meios de produção.

Estes elementos encontram-se presentes tanto no tra-balho realizado pela nossa costureira, como no tratra-balho realizado na grande indústria moderna.

Mas existe uma diferença entre o trabalho isolado da costureira e o trabalho coletivo que realizam numerosos trabalhadores numa indústria moderna.

Qual é essa diferença?

0 trabalhador isolado realiza ele mesmo todo o traba-lho e tem um total domínio ou controle sobre este. A costureira faz todo o vestido sozinha e decide ela mesmo quando, onde e como trabalhar. Isto não acontece assim na grande indústria moderna, em que existe uma grande especialização do trabalho, em que os operários se divi-dem em grupos que realizam diferentes trabalhos parcela-res, que, ao somar-se uns aos outros, dão o produto final. Assim, o automóvel, por exemplo, é fruto do trabalho combinado de muitos trabalhadores.

Ora bem, esta especialização do trabalho torna neces-sária a presença de um grupo de trabalhadores que tem por função ou tarefa principal coordenar os diferentes trabalhos especializados, do mesmo modo que o maestro coordena a ação dos diferentes músicos. Este trabalho de coordenação e controle vai desde as seções da fábrica até aos mais altos níveis. 0 nível mais alto é ocupado pelo administrador ou gerente da empresa; os outros níveis

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E L E M E N T O S D O P R O C E S S O D E P R O D U Ç Ã O / / FORÇA DE TRABALHO (ENERGIA GASTA)

IRUME NTOS DE PRODUÇÃO FÍ-HIA PRIMA

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tão ocupados por uma série de chefes, capatazes, supervi-sores, etc.

"Do mesmo modo que os exércitos militares, o exér-cito operário, comandado pelo capital, exige toda uma sé-rie de chefes (diretores, capatazes, contramestres) que du-rante o processo de produção dão as ordens em nome do capital" (1).

Usaremos o termo trabalhadores indiretos para nos re-ferirmos a estes trabalhadores que estão colocados na fá-brica entre os operários e o patrão.

(1) " O C A P I T A L " , Livro I.

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C A P I T A L I S T A

T R A B A L H A D O R D I R E T O

Em todos os processos de produção onde existe especialização devemos distinguir, por con-seguinte, dois tipos de trabalhadores: por um la-do os que trabalham desempenhanla-do tarefas

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ciais na transformação direta de matéria-prima, a que chamaremos TRABALHADORES DIRETOS; por outro lado, os que desempenham funções de coordenação, vigilância e controle, a que chamare-mos TRABALHADORES INDIRETOS (1). Levando em consideração o que vimos até aqui pode-mos concluir o seguinte:

Sem trabalho humano nada se produz. Porém, sem meios de produção o homem não pode trabalhar.

Depois de termos definido todos estes conceitos po-demos voltará nossa pergunta inicial:

Se são os trabalhadores que. extraem as riquezas da natureza, se são eles que produzem novas riquezas, por-que é por-que a maior parte destas ripor-quezas vai parar em ou-tras mãos, nas mãos de um grupo minoritário da popula-ção?

(1) Entre estes tipos de trabalhadores criam-se determinadas relações, a que chamaremos RELAÇÕES TÉCNICAS DE PRODUÇÃO, que depen-dem do controle que os indivíduos tenham dos instrumentos de produção e do processo de produção no seu conjunto. No sistema capitalista desenvol-vido, os trabalhadores diretos não controlam as máquinas porque sáb elas que impõem aos operários o seu próprio ritmo, a sua própria eficiência téc-nica. Os trabalhadores diretos também nâb controlam nem o andamento nem a finalidade do processo de produção: é o capitalista, por intermédio dos trabalhadores indiretos, que decide quando, como e quanto se deve pro-duzir tendo em consideração exclusivamente os seus interesses capitalistas

(desenvolveremos este tema mais amplamente no Caderno n. 4, "Luta de Classes" e no Caderno n. 6, "Capitalismo e Socialismo").

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3. A PROPRIEDADE PRIVADA DOS MEIOS DE PRO-DUÇÃO, ORIGEM DE TODA A EXPLORAÇÃO. A esta pergunta só podemos responder se nos pergun-tarmos:

— Nas mãos de quem é que estão os meios de produ-ção?

— Nas mãos de quem é que estão as fábricas?

O que podemos responder de imediato é que não es-tão nas mãos dos trabalhadores mas sim nas mãos do capi-tal estrangeiro e do capicapi-tal nacional.

E porque é que é importante fazermo-nos esta per-gunta?

• Porque os meios de produção, como observamos no ponto anterior, são as condições materiais de toda a pro-dução. Sem estes meios não se pode produzir. E por isso os que conseguiram apropriar-se destes meios e conservá--los em suas mãos podem obrigar os que não os possuem a submeter-se às condições de trabalho que eles fixem.

Para tornar isto mais claro vejamos um exemplo: o camponês que é dono de um pedaço de terra suficiente-mente grande para lhe permitir viver juntasuficiente-mente com a sua família e que é dono de instrumentos de produção, pode dedicar-se a trabalhar para si mesmo, não precisando ir oferecer a sua força de trabalho.

Numa situação muito diferente esta' o camponês sem terra, o filho de uma família de pequenos agricultores, a quem o pedaço de terra da família não é suficiente para lhe-dar sustento. Vê-se obrigado a ir em busca de traba-lho nos arredores e vai oferecer a sua força de trabatraba-lho ao

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latifundiário, dono de uma grande propriedade agrícola, que para poder cultivar necessita de contratar mão-de--obra assalariada. 0 camponês sem terra, para não mor-rer de fome, tem de aceitar as condições de trabalho que o patrão lhe oferece. Tem de aceitar trabalhar a troco de um salário muito baixo, tem de aceitar que o patrão fique com uma parte importante dos frutos do seu trabalho (1).

O mesmo acontece com os operários que trabalham na indústria. Para poderem viver têm de oferecer a sua força de trabalho aos capitalistas: estes pagam-lhes um de-terminado salário e obtêm, graças ao seu trabalho, gran-des lucros que não vão parar nas mãos dos trabalhadores

(1) No caderno n. 2, " A Exploração Capitalista", desenvolver-se-ão as causas desta situação.

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mas sim nas mãos dos industriais. Se os operários recla-mam o patrão diz-lhes: "De que é que se queixam? Gontratei-os para trabalharem oito horas por dia a Cr$

12,00 por hora; não é o que estou pagando? Eu sou o dono desta fábrica! Se não gostam das condições de tra-balho aqui vão procurar tratra-balho noutro lugar. Mas como os operários sabem que acontecerá o mesmo em qualquer lugar, terminam se sujeitando a trabalhar e enriquecer o dono dos meios de produção, porque têm consciência da baixa oferta de emprego, do baixo salário, das filas de espera nas portas das fábricas.

Partindo dos exemplos vistos podemos dizer que no processo de produção se estabelecem determinadas rela-ções entre os proprietários dos meios de produção e os produtores diretos ou trabalhadores. Os donos dos meios de produção exploram os que não possuem estes meios.

Ora bem, isto não acontece apenas no sistema capita-lista-mas também nos sistemas de produção que lhes são anteriores. No sistema escravista, por exemplo, o amo era

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dono não só da terra e dos outros meios de produção mas também dos homens que trabalhavam na sua terra, que remavam nps seus barcos, que serviam nas suas casas. Estes homens eram considerados pelo amo como mais um "instrumento de produção" e por isso obrigava-os a trabalhar até ao limite das suas forças, dando-lhes de comer e permitindo-lhes descansar somente para recupe-rar a energia despendida durante o trabalho de modo a estarem prontos para trabalhar no dia seguinte.

No sistema feudal, o senhor, dono do meio de produ-ção mais importante, a terra, entregava pequena parcela de terreno aos camponeses. Estes, em troca da terra rece-cS» bida, eram obrigados a trabalhar nos terrenos do senhor um grande número de dias do ano sem receber nada como pagamento desse trabalho e deviam sobreviver com o que produzissem no seu pequeno terreno.

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Em resumo, em todos os sistemas de produção que analisamos, em que os meios de produção estão nas mãos de um pequeno número de pessoas, os donos destes meios apropriam-se do trabalho alheio, exploram os trabalhado-res, isto é, estabelecerrí-se relações de exploração entre es-tes grupos.

No entanto a exploração não existiu sempre. Nos po-vos primitipo-vos, onde se produz apenas para sobreviver, não existe propriedade privada dos meios de produção; estes pertencem a toda a comunidade e os produtos obti-dos através do trabalho obti-dos seus membros são repartiobti-dos entre todos de forma igualitária.

Nestes povos não existem relações de exploração mas sim relações de colaboração recíproca entre todos os membros da sociedade.

A exploração não é, portanto, algo eterno, tem uma or.igem histórica bem determinada. Ela aparece quando, numa sociedade, um grupo de indivíduos consegue con-centrar nas suas mãos os meios de produção fundamentais d ) , despojando destes meios a maior parte da população. * Ela desaparecerá quando desaparecer a propriedade

pri-vada dos meios de produção e estes passarem a ser pro-priedade coletiva de todo o povo (2).

4. AS RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO

Vimos até aqui como em todos os processos de

pro-(1) Para que isto aconteça é necessário que essa sociedade tenha alcan-çado um grau de desenvolvimento econômico que permita pelo menos, obtçr um excedente, ou seja, que permita obter mais produtos do que os necessá-rios para o consumo imediato; este excedente é apropriado por esse grupo.

(2) As condições materiais desta passagem serão analisadas no Caderno n. 6, "Capitalismo é Socialismo".

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dução se estabelecem determinadas relações entre os pro-prietários dos meios de produção e os trabalhadores ou produtores diretos.

A estas relações que se estabelecem entre os homens, determinadas pelas relação de proprieda-de que estes têm com os meios proprieda-de produção, cha-maremos RELAÇÕESSOCIAISDE PRODUÇÃO.

Podemos distinguir dois tipos fundamentais de rela-ções sociais de produção; a relação explorador/explorado e as relações de colaboração recíproca.

a) A relação explorador/explorado.

A relação explorador/explorado existe quando os proprietários dos meios de produção vivem do trabalho dos produtores diretos. As principais relações de explora-ção são: as relações escravistas, nas quais o amo é não só proprietário dos meios de produção como também da

pró-pria pessoa do escravo e, portanto, da sua força do traba-lho; as relações servis, (feudais) nas quais o senhor é o proprietário da terra e o servo depende dele e deve traba-lhar gratuitamente para ele durante um certo número de dias por ano; e por último, as relações capitalistas, em que o capitalista é o proprietário dos meios de produção e o operário deve vender a sua força de trabalho para po-der viver.

b) Relações de colaboração recíproca.

As relações de colaboração recíproca estabelecem-se quando existe propriedade social dos meios de produção

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e quando nenhum setor da sociedade explora outro. Por exemplo, as relações de colaboração recíproca que exis-tem entre os membros das comunidades primitivas ou as

relações de colaboração que caracterizam a sociedade co-munista.

É importante esclarecer que as relações que se estabe-lecem entre os homens no processo de produção não são apenas relações sociais, relações humanas. São relações entre agentes da produção, isto é, entre homens que reali-zam tarefas bem determinadas na produção de bens mate-riais. Já vimos de que modo estas relações dependem da forma como estes agentes estão relacionados com meios de produção: proprietários/não proprietários.

A relação que se estabelece entre os homens resulta da sua relação de propriedade com determinadas coisas: os meios de produção.

Enquanto os meios de produção forem possuídos por um pequeno número de pessoas as relações entre os ho-mens que os possuem e os que não possuem não poderão deixar de ser relações de exploração, de opressão, isto é, relações antagônicas, relações em que os interesses de um grupo se opõem totalmente aos interesses do outro grupo. Os interesses dos exploradores consistem em prosse-guir a exploração dos trabalhadores para poderem conti-nuar a gozar da sua situação de privilegiados. Os interes-ses dos trabalhadores dirigem-se no sentido da destruição dessa situação de exploração.

Este é um ponto muito importante pois deita por ter-ra todas as ilusões suscitadas por alguns acerca da "cola-boração entre os operários e patrões". As relações entre operários e patrões não poderão ser fraternais, amistosas, enquanto as relações destes com os meios de produção não se modificarem, isto é, enquanto não se termine com

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a propriedade privada capitalista dos meios de produção; porém nessa altura o patrão como tal também desaparece-rá.

As relações sociais çle produção são, portanto, rela-ções que se estabelecem independentemente da vontade ou do desejo dos homens. O capitalista explora e explorará o operário mesmo que não o queira fazer, mesmo que pessoalmente lute contra essa exploração, pois as leis do sistema capitalista são inflexíveis. Se o capitalista paga salários muito elevados e, apesar disso, mantém os mes-mos preços para vender, estará diminuindo os seus lucros. Porém, uma parte dos lucros deve ser reinvestida na em-presa para poder aperfeiçoar a sua tecnologia e desse mo-do poder competir com os seus concorrentes no mercamo-do. O que acontece então é que este capitalista vai ficando para trás até que chega o momento em que já não pode competir com os preços mais baixos dos outros capitalis-tas que melhoraram as suas indústrias e, portanto, vai à falência.

Portanto no sistema capitalista apenas se apresenta uma alternativa aos trabalhadores: "ou a sua exploração ou a superação dos empresários".

Ora bem, quando o marxismo afirma que é necessá-rio destruir as relações capitalistas de produção, que é necessário que "o empresário morra" não está afirmando que os capitalistas devem ser destruídos fisicamente. A afirmação corresponde a algo muito diferente; o que de-ve desaparecer não é a pessoa do capitalista mas sim a exploração, isto é, o papel de explorador que este desem-penha. Se o capitalista aceita ser expropriado e oferece os seus serviços ao novo sistema econômico que se preten-de implantar, preten-desaparecerá como capitalista, como explo-rador, mas não desaparecerá como homem pelo contrário,

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pode agora cumprir uma função de verdadeiro serviço à sociedade.

5. A REPRODUÇÃO DAS RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO: PAPEL DO ESTADO E DA IDEOLO-GIA.

As relações que se estabelecem entre os homens no processo de produção vão se repetindo sem interrupção porque criam as condições necessárias à sua continuação: amos e escravos, senhores e servos, capitalistas e operários. Isto é o que se chama reprodução das relações de

explora-ção. ^ Mas ao mesmo tempo que as relações de produção se

repetem ou reproduzem vão-se desenvolvendo as contra-dições internas destes sistemas. Por exemplo, no sistema capitalista geram-se contradições entre a riqueza e a misé-ria, entre as imensas possibilidades da produção e as limi-tações do consumo, entre os operários e os capitalistas, etc. E o desenvolvimento destas contradições que permi-te a destruição, no final de um processo, do sispermi-tema o ).

De que maneira conseguem os exploradores manter a exploração do povo?

Como é que os exploradores fazem para que estas re-lações de exploração se repitam continuamente?

Isto é feito exclusivamente por intermédio da proprie-dade privada dos meios de produção?

Até este momento vimos que o fato dos meios de produção estarem nas mãos de uma minoria, os capitalis-tas) explica a situação cte exploração em que vive a maio-ria: os trabalhadores, o povo.

(1) Este assunto será desenvolvido no Caderno n. 6: "Capitalismo e Socialismo".

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Pelo fato de serem os donos dos meios de produção, os capitalistas têm na sua mão o poder econômico e, co-mo são senhores deste poder, controlam também outros aspectos da sociedade.

O Estado, por exemplo, não é um aparelho neutro, ao serviço de toda a sociedade, como os capitalistas nos pre-tendem fazer crer. O Estado, no fundamental, sempre tem servido os interesses daqueles que detêm o poder eco-nômico. No nosso país os governos capitalistas usam com frequência o exército, a polícia militar, a polícia civil, pa-ra reprimir os tpa-rabalhadores quand^ia&s suas lutas põem < em perigooseu sistema de domínio: são testemunhas

mu-das destes fatos os inúmeros massacres em que a classe operária derramou o seu sangue. Por outro lado, todos os trabalhadores sabem que nunca existiu uma justiça igual para todos os brasileiros, que existe a lei do pobre e a lei do rico. Se um grande latifundiário proprietário rouba a terra a um pequeno camponês passam-se anos sem que a justiça se mexa para a devolver. Se os camponeses recupe-ram a terra que lhes havia sido roubada a polícia intervém para reporá ordem, isto é, para repor uma situação em que

os interesses dos grandes proprietários da terra não fiquem prejudicados, quando menos, indenizam regiamente o latifundiá rio.

Os donos dos meios de produção, tendo nas suas mãos o poder econômico, têm nas suas mãos o Estado com todo o seu aparelho: exército, polícia, tribunais, funcionários públicos, etc. Tem nas suas mãos portanto não só o poder econômico como também o poder polí-tico.

Além de controlarem o Estado e as leis, os donos dos meios de produção mais importantes controlam também as emissoras de rádio, os jornais, a televisão, as editoras de

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*

livros, etc., isto â, os mpios cif comunicarão cio nmssu. E também controlam o conteúdo uuí proijrnmas de eri sino em todos os níveis.

Através deste comiole dos meios de ensino e de difu são de idéias, enganam o povo convencendo o de que o sistema de exploiaçao em que vivem é bom, e que se eles vivem em más condições tal lato nâo se deve ao sistema mas sim a defeitos individuais: picjuiça, embi iayuês, fai ta de capacidade intelectual, etc. A este controle dos meios de difusão de idéias e de educação chamamos

poder ideológico.

Ora os capitalistas põem tanto o seu poder político como o seu poder ideológico ao serviço dos secai interes ses econômicos. Como os capitalistas obtêm os seus lu eros â custa do trabalho dos operários, usam o seu poder político e ideológico para que esta situação se mantenha, isto é, para facilitar a reprodução destas relações de pro dução. Desse modo, todas as estruturas da sociedade têm como funçã^ fundamental reproduzir as telações de ex ploração, isto é, estão ao serviço do grupo explorador contra os explorados.

- É por isso que o marxismo afirma que não existe di fusão de idéias de tipo neutro, que não existe um Estado ao serviço de -todo o povo, que tanto o Estado como a ideologia estão ao serviço dos interesses econômicos das classes exploradoras. Por conseguinte, não se pode eli minar a propriedade privada dos meios de produção se não se destruir o poder político e ideológico que a de fende.

6. MODO DE PRODUÇÃO. INFRA-ESTRUTURA E SUPERESTRUTURA.

Até aqui vimos que para explicar a origem da desi

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gualdade na repartição das riquezas num determinado país tivemos que analisar o modo como nesse país se pro-duziam os bens materiais. Em todas as socied.ides a pio-dução dos bens materiais efetua se debaixo de determina das relações de produção: escravistas, feudais, capitalis-tas, etc.

Além disso vimos que'estas relações não mudam to-dos os dias, antes pelo contrário, tendem a maniei s,j e ;;

reproduzir se. Nesta reprodução que se dá ao nível da economia, intervêm outros elementos sociais, os leis, a justiça, as idéias, etc., que pertencem a um nível diferente da sociedade.

O conjunto destes elementos econômicos, jurídicos, políticos e ideológicos constitui a sociedade. Todas as sociedades são, portanto, organizações complexas em que existem dois níveis: um nível.econômico e um nível

jurí-dico-, político-ideológico. Ambos se conjugam para man

ter o funcionamento da sociedade no seu conjunto. l\lo entanto estes níveis não têm a mesma importância para o funcionamento da sociedade. Vimos que o nível

econô-mico — a forma como os homens produzem os bens mate

riais e as relações que se estabelecem entre eles no proces-so de produção — é o nível fundamental, aquele que de-termina todo o funcionamento da sociedade; são as rela-ções que se estabelecem entre os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores que nos revelam o segredo mais escondido, a base mais oculta de toda a sociedade e são elas que nos explicam porque é que surgem deter-minadas formas de Estado e determinados tipos de idéias nessa sociedade.

Uma das grandes contribuições de Marx e de Engels foi precisamente o de terem descoberto que a sociedade se organiza de acordo com a forma como os homens

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/

duzem os bens materiais, ou mais precisamente, segundo as relações de produção que se estabelecem no processo de produção e que são estas relações que mudam de .um tipo de sociedade para outra.

Para exprimir de forma científica estas' descobertas, Marx, no seu estudo da sociedade capitalista, falava da sociedade como um "modo de produção". Deste modo, consoante as relações de produção de acordo com as quais as sociedades se organizam, assim falamos de modo de produção escravista, feudal, capitalista, socialista, etc.

Em resumo:

Em toda a sociedade entendida como "mo^> de

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dução", distinguimos dois níveis fundamentais: o nível econômico,e o nível jurídico-político-ideológico.

Entre estes dois níveis, é o nível econômico que de-sempenha o papel fundamental dentro da sociedade, é o nível econômico a base sobre a qual se levanta todo o edi-fício social. '

Por isso chamaremos "infra-estrutura" o nível econô-mico. O outro nível, formado por elementos jurídico-po-líticos (Estado, direito, etc.) e ideológicos (idéias e costu-mes sociais), chamaremos "superestrutura".

Por outro lado, como vimos, a infra-estrutura deter-mina a superestrutura. Isto significa que o Estado, as leis, as idéias que se difundem numa sociedade não são ele-mentos neutros, ao serviço de todos, mas sim eleele-mentos que estão ao serviço da infra-estrutura econômica, permi-tindo a esta a sua reprodução contínua.

7. MODO DE PRODUÇÃO E FORMAÇÃO SOCIAL. Até aqui quando usamos a palavra sociedade referi-mo-nos sempre a uma sociedade em que havia um único tipo de relações de produção: escravistas, feudais ou ca-pitalistas.

Mas existem ou existiram na realidade socie-dades tão puras? Existem sociesocie-dades em que rei-ne um único tipo de relações de produção?

Se, por exemplo, pensarmos sobre o Nordeste do Brasil há uns anos atrás, constatamos que juntamente com. as relações de produção capitalistas, que se encon-travam principalmente nos centros urbanos, as relações de

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produção que existiam no campo entre latifundiários e camponeses estavam muito mais próximas do feudalismo que do capitalismo, eram relações semi-feudais; o campo-nês não era livre, não vendia a sua força de trabalho por um salário, mas devia sim trabalhar a terra do patrão com as suas próprias ferramentas, para receber em troca um pedaço de terra onde viver e do qual pudesse alimentar sua família.

Por outro lado, além dos capitalistas e dos operários, dos latifundiários e dos camponeses, existiam inúmeras pessoas que se dedicavam a fazer objetos em suas próprias casas ou a cultivar a sua própria terra, levando seguida-mente os seus produtos ao mercado; estes artesãos e pe-quenos agricultores trabalhavam como pepe-quenos proluto-res independentes ligados ao mercado.

Constatamos assim que nessa época podíamos afirmar que no Brasil existiam vários tipos diferentes de relações de produção: capitalistas, semi-feudais, pequena produ-ção independente, etc. »

O que acontecia no Brasil há anos atrás ocorre ainda hoje se bem que com algumas diferenças pois a maior par-te das relações semi-feudais vão desaparecendo

gradual-mente para se transformarem em relações capitalistas. Os camponeses trabalham hoje como os operários in-dustriais, com ferramentas pertencentes ao patrão e rece-bendo a maior parte do pagamento do seu trabalho sob a forma de salário, se bem que ainda se conservem muitas influências de caráter político ideológico das relações de produção anteriores.

Noutros países existem relações semi-servis no campo e em alguns existem mesmo grupos que vivem em comu-nidades onde as relações de colaboração recíproca são as mais importantes.

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Então porque é que ao falarmos de sociedade nos referimos sempre a sociedades em que existe um único tipo de relações de produção?

Porque para compreender o queé a sociedade e distin-guir um tipo de sociedade de outro usamos o método cien-tífico de explicar as coisas por meio de conceitos, isto é, investigamos qual é o elemento fundamental que deter-mina a organização e o funcionamento da sociedade e qual é o elemento fundamental que caracteriza cada um dos diferentes tipos de sociedade. Concluímos que este ele-mento fundamental são as relações de produção e que ca-da socieca-dade se distingue ca-da outra por ter deterrsnnado ti-po de relações de produção de maneira predominante. •

é para poder estabelecer esta distinção entre os

dife-rentes tipos de sociedade que nos referimos a um único tipo de relações de produção em cada caso.

Isto leva a considerar a sociedadfe como "modo de produção".

Chamaremos MODO DE PRODUÇÃO ao con-ceito científico de sociedade que nos indica como ela se organiza com base nas relações de produ-ção.

Com esta idéia clara que temos da sociedade, isto é, com os conceitos científicos que alcançamos, podemos estudar as sociedades concretas, por exemplo, Brasil. Nes-te caso, já não se trata de compreender o que é uma socie-dade ou de saber que existem diferentes tipos de socieda-des mas sim de estudar uma sociedade que existe e que te-mos de conhecer para poder transformar.

é para fazer isto, para conhecer uma sociedade real,

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que necessitamos dos conceitos científicos de sociedade; eles são os instrumentos que usamos para conhecer e transformara realidade social.

Em todas as sociedades reais encontramos simultanea-» mente diferentes relações de produção, dominando uma delas as restantes.

Por isso o mais importante é assinalar por meio do es-tudo dessa sociedade em particular, qual é a relação de produção dominante e de que maneira domina as restan-tes.

São estas relações dominantes que permitem caracte-rizar uma sociedade determinada.

Por exemplo, quando falamos do Brasil dizemos que é um país capitalista. Fazemos igual afirmação relativa-mente a todos os países da Europa. Isto não significa que nestes países apenas existam relações de produção capita-listas.' Também existem, como vimos, outras relações de produção que desempenham um papel secundário e que se vão desagregando à medida que se desenvolvem as rela-ções de produção capitalistas.

Estas relações de produção diferentes dão origem a grupos sociais diferentes. Estes grupos sociais que se dife-renciam entre si pelo lugar que ocupam na produção dos bens materiais, chamamos de classes sociais (1).

Portanto, nesta sociedade concreta, a infra-estrutura ou nível econômico não é uma infra-estrutura simples, formada por um só tipo de relações de produção, mas uma infra-estrutura complexa em que há diferentes rela-ções de produção. Isto implica que a superestrutura ou nível jurídico-político e ideológico, seja também

comple-(1) O caderno de Educação Popular n. 4: "Luta de Classes", aprofun-da este tema.

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xa. Nela, juntamente com elementos dominantes que es-tão determinados pelas relações de produção dominan-tes, existem elementos secundários, determinados pelas outras relações de produção. O poder político, por exem-plo, não resulta sempre do domínio puro de uma única classe mas pode resultar do domínio conjunto de duas ou mais classes contra os setores explorados.

Quando estudamos ou falamos de uma sociedade real, de um determinado país, num momento determinado da sua história e em que existem diferentes relações de pro-dução, utilizamos o termo "formação social".

Chamaremos FORMAÇÃO SOCIAL a toda a sociedade historicamente determinada.

§

Resumindo, analisamos qual a diferença entre o con-ceito de sociedade ou modo de produção e uma sociedade historicamente determinada ou formação sociá?.

Estes conceitos permitem-nos compreender que para estudar uma formação social devemos dirigir a nossa aten-ção em primeiro lugar para o estudo do modo como se produzem nessa sociedade os bens materiais, quais são as relações de produção que ocorrem, qual destas relações é a dominante, que efeitos produzem estas relações nos ní-veis político, ideológico, etc.

Para realizar este estudo devemos observar a realidade concreta, procurar dados concretos, estatísticos ou de ou-tro tipo, e estudá-los usando os conceitos que vimos. Não devemos nunca confundir estes conceitos com a realidade que estamos estudando, isto é, não devemos nunca aplicar de forma cega e mecânica esquemas puros.

Não devemos, por exemplo, confundir a sociedade brasileira com c conceito puro de modo de produção

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pitalistn, já vimos que no Brasil existem outras relações

do produção além das relações de produção capitalistas.

Além disso, se estudarmos estas relações de produção

observando de forma concreta a nossa realidade, descobri-remos que elas estão deformadas e submetidas às relações capitalistas dos países mais avançados d ).

Para concluir devemos afirmar que o conceito de mo-do de produção nos indica que em todas as formações so-ciais os elementos da superestrutura ajudam a manter e a reproduzir as relações de produção, mas em cada caso es-te fato es-tem caraces-terísticas particulares.

Por isso, a luta dos trabalhadores contra a exploração econômica exercida pelas classes dominantes requer, para ter êxito, que se conduza ao mesmo tempó uma luta para destruir também os aparelhos por meio dos quais se exer-ce o poder político e ideológico das classes exploradoras. Exije, além disso, um conhecimento profundo da maneira como se exerce este domínio nesse país.

Esta luta dos trabalhadores contra a exploração vai sendo facilitada pois simultaneamente com a tendência para a reprodução das relações de produção surgem, no seio da própria sociedade capitalista, as condições que conduzefn à sua destruição; tornam-se mais agudas as suas contradições internas e crescem e fortalecem-se as classes sociais que farão desaparecer este sistema de ex-ploração.

Os trabalhadores devem ter bem claro que nesta luta os exploradores nunca renunciarão voluntariamente aos seus privilégios. Antes pelo contrário, tratarão de conser-vá-los por todos os meios mesmo recorrendo às piores

ar-d i .No Caar-derno n. 5 ar-desenvolveremos este ponto.

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jornal da

pEPUBUQ^

TODOS PARADOS

Um único camlnhêo entrou na Refinaria de Paullnla. O» outros Acaram parados

... i

POLICIAMENTO INÚTIL A PM foi com a tropa de choque, mas oáo teve trabalho

Sai aumento;

greve

termina

Antes, porém, todos os terminais pararam e ipo>' - enchiam os ynques, prevendo o pjor nico incidente na Baixada »conte tanninai da Ilha do Barnabé,

-i sem violência.

" \ m m . ^ - Sreve

Tudo por uni

- —vc«üvef

REPÜÍ

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aos bancários wenam mais neg* «»Patroes,

M o**'" Políc^ i l e í '

rio >

V' .o ' V y .ri»*' Af'" , „ . ' '' 1>" SÍ" « I * o ta ' " ' " r i m • • „

(US taveias c aos conjun , o p e r á r i o * c o m e ç a r a m / (*rn a depredar tudo o que lembrasse o poder publico — principalmente vrlcukK e placas de rua — e / ___ •i saquear os supermercados / '.,rf ™ ™ ^/ram prat/camente sem / ™ s e r e m m o l e t t a d o s p e l a / a d i r a m a p o l . policia, toda ela concentrada — "w» 9"«' «nas ruas dura,»- / sTrem I Agiram praticamente sem i

m o l e s t a d o s p e l a / f-™1 3 P0" ™ * f m distúrbios náo poupar, / policia, toda ela concentrada / • " * mulheres e crumças 0» / torro ramerr«./ e preoru I " ^^ can.1.1 ,o1 "grafos foram caçados j /lada em guarnecer o Palácio /

—. «uvKi» ' ^f<xteime"'<- Petos solda / do» /«»rs / Km 5'

conhecirin* ' / '' ,ríls loram espan• / f* dirtürhws prosseguiram '

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mas: o assassinato político, a guerra civil, a invasão impe-rialista, se forem capazes de o fazer.

Por isso os trabalhadores devem preparar-se para uma longa batalha e para utilizar todas as formas de luta que sejam necessárias para destruir definitivamente toda a ex-ploração.

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RESUMO

Neste texto procuramos explicar porque é que sendo os trabalhadores que extraem as riquezas à natureza e produzem novas riquezas, são os que estão em piores con-* dições na sociedade. Para responder a esta pergunta tive-mos primeiro que estudar os diversos elementos do pro-cesso dè p r o d u ç ã o : matéria-prima, instrumentos de

pro-dução, meios de propro-dução, força de trabalho. Estudados

estes elementos, assinalamos que, sendo os instrumen-tos de produção as condições materiais indispensáveis pa-ra todo o processo de produção, os seus detentores, po-dem impor aos trabalhadores, que não os possuem, con-dições de trabalho que lhes permitem apropriar-se duma parte do trabalho alheio: é assim que nascem as relações de exploração. O processo de trabalho é portanto um processo histórico que se desenrola sob determinadas relações sociais de produção. Estas tendem a

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-se e na sua reprodução intervêm os elementos jurídi-co-político e ideológicos que são controlados por quem detem o poder econômico.

Esta análise levou-nos a definir sociedade duma forma científica mediante o conceito do modo de

pro-dução. Este conceito resume duma forma clara o fato

das relações de produção serem o centro organizador de todos os aspectos da sociedade. O modo de produ-ção é composto por uma infra e por uma superestrutura,

sendo a infra-estrutura que determina em última ins-tância a superestrutura. Finalmente distinguimos o con-ceito de modo de produção do conceito de formação social, que se refere a uma sociedade historicamente

determinada. Acabamos insistindo em qin? a luta contra a exploração econômica, para ser bem sucedida, deve destruir os aparelhos através dos quais se exerce o poder político e ideológico das classes exploradoras. Con-cluímos que nesta luta as classes dominantes nunca re-nunciarão de forma voluntária aos seus privilégios e por isso os trabalhadores devem preparar-se para uma longa batalha utilizando todas as formas de luta que sejam necessárias para destruir definitivamente a exploração.

Do que dissemos anteriormente vemos que este caderno se limita a fornecer os conceitos mais impor-tantes para o estudo da sociedade, sem entrar no entan-to no estudo das contradições que explicam a razão da mudança da sociedade de um tipo para outro. Este tema será desenvolvido no caderno n. 6 "Capitalismo e Socialismo".

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QUESTIONÁRIO

t. A que se chama matéria-prima?

2. O que são os instrumentos de produção? 3. O que são os meios de produção? 4. O que são bens de consumo?

5. Um vestido é um meio de produção?

6. . Numa determinada indústria a que elemento do processo de produção correspondem os lugares onde estão instaladas as máquinas?

7. Qual é a principal diferença entre o capitalismo e o escravismo?

8. Qual a principal diferença entre o feudalismo e o capitalismo?

9. Que se entende por relações de produção?

10. Porque é que se diz que todo o processo de pro-dução é um processo histórico?

11. Que são relações de exploração?

12. Que são relações de colaboração recíproca?

i 55

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13. As relações sociais de produção sãò relações hu-manas que dependem da vontade dos homens? 14. Quais os outros elementos sociais que atuam na

reprodução das relações de produção? 15. 0 que é o modo de produção?

16. O que se entende por infra-estrutura? 17. E por superestrutura?

18. Qual delas desempenha um papel determinante? 19. O que é uma formação social?

20. O que é que os trabalhadores têm que fazer para acabar com a exploração?

*

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BIBLIOGRAFIA

I. T E X T O S PEDAGÓGICOS

1. Harnecker, Marta: Os conceitos elementares do Materialismo Histórico (Edição brasileira).

2. Politzer, George: Princípios Fundamentais de Filosofia. Hermus — Livraria Editora, Lda. Quarta parte, da pág. 213 a 317.

3. Huberman y May: Princípios elementares dei Socialismo. Prensa L. S. Santiago, 1964.

4. Konstantinov: El materialismo histórico. Editorial Grijalbo,

México, 1960.

II. T E X T O S CLÁSSICOS

1. Marx - Engels: A Ideologia Alemã, primeira parte — "Feuerbach" Editorial Presença; Livraria Martins Fontes.

2. Marx: Carta a Annenkov, 28 de Dezembro de 1846, em Marx • Engels, "Obras Escogidas", Vol. 2, pp. 44-456.

3. M a r x - E n g e l s : O manifesto do Partido Comunista.

4. Marx: Prefácio è Critica de Economia Politica (1859). Ver textos escolhidos, pág. 271, no livro de M. Harnecker — "Conceitos ele-mentares do materialismo histórico" (Edição brasileira).

(55)

"5. Engels: Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico; Cole-ção Bases n. 13 Global Editora.

6. Stalin: Materialismo dialético e Materialismo histórico; Coleção Bases n. 10 Global Editora.

7. Lenin: Quiénes son los amigos dei pueblo? — primeira parte (1894). Edições em Línguas Estrangeiras, Moscou, 1946.

8. Lenin: " F . Engels" (1895), em As Três Fontes e as Três Partes constitutivas do Marxismo — Coleção Bases n. 9 Global Editora. 9. Lenin: " K a r l M a x " (1914), em obra citada, no item anterior.

(56)

COLEÇÃO BASES

John Reed

DEZ DIAS QUE ABALARAM O MUNDO, (4» edição) Maiakovsky

POÉTICA - COMO FAZER VERSOS, (2» edição) Karl Marx

A ORIGEM DO CAPITAL: A ACUMULAÇÃO PRIMITIVA (4.a edição)

Marta Harnecker

O CAPITAL: CONCEITOS FUNDAMENTAIS Marx/Turgot

TEORIAS DAS MAIS-VALIA: OS FISIOCRATAS Alexandra Kollontai

A NOVA MULHER E A MORAL SEXUAL Leon Trotsky

COMO FIZEMOS A REVOLUÇÃO, (2? edição) Wilhelm Reich

PSICOPATOLOGIA E SOCIOLOGIA DA VIDA SEXUAL Lenin

AS TRÊS FONTES E AS TRÊS PARTES CONSTITUTIVAS DO MARXISMO

Stalin

MATERIALISMO DIALÉTICO E MATERIALISMO HISTÓRICO Lenin

COMO ILUDIR O POVO

Marx

DIFERENÇA ENTRE AS FILOSOFIAS DA NATUREZA EM DEMÓCRITO E EPICURO

Engels •

DO SOCIALISMO UTÓPICO AO SOCIALISMO CIENTIFICO Trotsky

AS LIÇÕES DE OUTUBRO

Kropotkin/ Bakunin/Malatesta/Engels

O ANARQUISMO E A DEMOCRACIA BURGUESA Marx/Engels

SOBRE LITERATURA E ARTE Althusser/Badiou

MATERIALISMO HISTÓRICO E MATERIALISMO DIALÉTICO Amin/Bettelheim/Emmanuel/Palloix

IMPERIALISMO E COMÉRCIO INTERNACIONAL Eric Hobsbawm

AS ORIGENS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Marx/Engels/Lenin

SOBRE A MULHER

Samora Machel/A.Kollontai/Vito Kapo e outros A LIBERTAÇÃO DA MULHER

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A * revoluções t o cia is n í o são feita* pelos indivíduos, pato* "granda» .personagens", por mal* brilhante* ou heróico* qua *e}am. A»

revohl-ç£et iociai* tão feita* pela* massas populares. Sem a participeçfo das grande* massa* n f o h4 revolução. £ por i**o que uma da* tarefa* mais urgentes ne*te momento é que os trabalhadora* *e eduquem, elevem o seu nível da consciência, te capacitem para retponder è* suai reiponsabilidadet.

Esta série de Caderno* de Educação Popular (CEP) prop6e-«e exa-tamente fornecer, sob uma forma acessível e ao mesmo t a m p o rigo-rosa, o* instrumento* teórico* mai* importante* para compreandermo* o processo de modificação social a podermos delinear a* caracterí*-ticas de uma nove sociedade. '

O* sete primeiro* título* desta série tio os seguintes: 1 — Explorado* e Exploradora* 2 —Exploração Capitalista 3 — Monopólios e Miséria 4 — Luta de Classes 5 — Imperialismo e Dependência 6 — Capitalismo a Socialismo 7 —Socialismo e Comunismo

Deste* cedemos venderam-se centenas de milhares senio mai* da meio m i l h l o na América Latina.

Talvez se t r a t a d a melhor obra existente de educaçfo po-lítica popular.

tlóbal

GB

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As revoluções sociais não são feitas pelos i n d i v í d u o s , pelos "grandes .personagens", por mais brilhantes ou heróicos que sejam. A s

revolu-ções sociais são feitas pelas massas populares. Sem a participação das grandes massas não há revolução. E por isso que uma das tarefas mais urgentes neste m o m e n t o é que os trabalhadores se e d u q u e m , elevem o seu nível de consciência, se capacitem para responder às suas responsabilidades.

Esta série de Cadernos de Educação Popular (CEP) propõe-se exa-t a m e n exa-t e fornecer, sob uma f o r m a acessível e ao mesmo exa-t e m p o rigo-rosa, os i n s t r u m e n t o s teóricos mais i m p o r t a n t e s para c o m p r e e n d e r m o s o processo de m o d i f i c a ç ã o social e p o d e r m o s delinear as caracterís-ticas de uma nova sociedade.

Os sete p r i m e i r o s t í t u l o s desta série são os seguintes: 1 — E x p l o r a d o s e Exploradores 2 — E x p l o r a ç ã o Capitalista 3 — M o n o p ó l i o s e Miséria 4 — L u t a de Classes 5 — I m p e r i a l i s m o e Dependência 6 — Capitalismo e Socialismo 7 — Socialismo e C o m u n i s m o

Destes cadernos venderam-se centenas de milhares senão méis de meio m i l h ã o na A m é r i c a L a t i n a .

Talvez se trate da m e l h o r obra existente de educação po-lítica p o p u l a r .

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Referências

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