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Nota Técnica n o 053/2007-SRT/ANEEL. Em 19 de junho de 2007

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Em 19 de junho de 2007

Assunto: Acesso às redes de serviço público de transmissão e distribuição e tarifas de uso correspondentes.

Referência: Processos: 48500.003812/00-67; 48500.002023/01-62; 48500.001701/00-25; 48500.006570/2000-36.

I - DO OBJETIVO

Esta Nota Técnica tem por objetivo dispor sobre o tratamento transitório da forma de custeio das DIT - Demais Instalações de Transmissão, bem como apresentar solução para quitação do passivo de encargos de uso dessas instalações, acumulado pelo descumprimento, por parte dos geradores conectados às mesmas, das determinações dispostas no art. 5º da Resolução Normativa nº 067, de 8 de junho de 2004.

2. A Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão – SRT disporá a respeito do pagamento das tarifas de uso correspondentes, que deve ser realizado por meio da TUSDG, como preconizado na Resolução nº 067/2004, mas com valor igual ao da TUSTFR. Assim, o

nível econômico anterior ao da publicação da REN nº 067/2004 fica preservado, observada a reclassificação dos ativos da Rede Básica de fronteira, até que a ANEEL estabeleça metodologia locacional específica para estabelecimento de tarifas de geradores visando o custeio do uso das DIT e redes de distribuição.

3. A respeito da disposição formal deste assunto, observar-se-á que as condições do art. 5º da REN nº 067/2004 ficam preservadas, ensejando-se a inclusão de artigo específico na resolução anual de homologação das tarifas de uso do sistema de transmissão. Assim, ficará transitoriamente definido o custeio dos acessos de geradores as DIT, bem como estará caracterizada a diretriz para quitação de um passivo que já se acumula por três anos.

4. A disposição em alterar-se o nível tarifário já fora manifestada pela ANEEL, ao encaminhar para a Audiência Pública nº 010/2005 texto normativo que propunha alteração da forma vigente de cobrança de tal encargo (TUSDG calculada de acordo com a Resolução Normativa nº

166/2005). Assim, a presente nota técnica tem por base os assuntos tratados na AP nº 010/2005.

II - DOS FATOS

5. A Resolução nº 245, de 31 de julho de 1998, estabelecia que os acessantes que se ligassem a barramentos de qualquer nível de tensão localizados em subestações integrantes da Rede

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Básica estariam sujeitos ao pagamento da Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão - TUST, enquanto o art. 1º, §§ 5º e 6º da Resolução nº 286, de 1º de outubro de 1999 sujeitava os acessantes das Demais instalações de Transmissão - DIT - não integrantes da rede básica, ao pagamento da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição – TUSD – da concessionária ou permissionária de distribuição da localidade do acesso.

6. A Resolução nº 281, de 1º de outubro de 1999, estabelece que os geradores despachados centralmente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS, devem celebrar Contrato de Uso dos Sistemas de Transmissão – CUST, mesmo que se conectem às instalações de distribuição, estando sujeitos ao pagamento da TUST e da TUSD.

7. Até o final de 2002, os geradores com energia comercializada nos Contratos Iniciais não pagavam o uso dos sistemas de transmissão e/ou distribuição, sendo esta uma responsabilidade exclusiva das distribuidoras, conforme estabelecido na Resolução nº 247, de 13 de agosto de 1999. No entanto, os geradores que estavam conectados às DIT de propriedade da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista – CTEEP compartilhavam o uso destas instalações com as distribuidoras do Estado de São Paulo e, desde 1998, vinham pagando encargos de conexão àquela transmissora. A partir de 2003, com o início da redução dos Contratos Iniciais, os geradores de todo o Sistema Interligado Nacional – SIN, passaram a pagar encargos de uso dos sistemas de transmissão e/ou distribuição. Por já estarem pagando o uso das DIT compartilhadas, os geradores do Estado de São Paulo passaram a pagar apenas a TUST, mas não a TUSD.

8. A Resolução Normativa nº 067, de 8 de junho de 2004, alterou os critérios de classificação das instalações de transmissão, criou a Rede Básica de Fronteira e estabeleceu nova forma de remuneração para as DIT compartilhadas entre distribuidoras, atribuindo a todos os geradores ligados às DIT o pagamento da TUSDG. Concomitantemente, a Resolução Normativa nº 70,

de 30 de junho de 2004, que fixou as receitas de transmissão para o ciclo 2004/2005, excluiu os geradores do Estado de São Paulo do rateio do compartilhamento das DIT da CTEEP, o que fez os encargos de conexão pagos por esses agentes sofrerem uma grande redução. Atualmente os mesmos estão restritos ao pagamento de instalações de uso individual e conexões à rede. Tais encargos remuneram DIT que são equivalentes a redes de interesse exclusivo de geradores, mas que nesses casos pertencem às transmissoras.

9. No entanto, por não se dispor ainda de metodologia específica para o cálculo da TUSD aplicável aos geradores, os encargos de uso do sistema de distribuição que lhes foram atribuídos se tornaram substancialmente superiores aos encargos de conexão pagos anteriormente, o que os levou, na maioria dos casos, à desobediência do ato normativo, dada a não celebração dos Contratos de Uso do Sistema de Distribuição – CUSD correspondentes.

10. De forma semelhante, os geradores conectados aos barramentos reclassificados como DIT nas subestações da Rede Básica passaram a ter o ônus adicional de pagamento da TUSD. Esse fato levou a UTE Termorio a interpor recurso administrativo contra a ANEEL, visando à revogação da REN nº 067/2004.

11. A SRT, diante de uma nova análise no que diz respeito ao acesso de geradores às DIT, propôs a abertura da Audiência Pública nº 010/2005, realizada em 29 de setembro de 2005, com proposta de pagamento de TUST Fronteira - TUSTFR, pelos geradores que se ligam às DIT, além de

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outras modificações relativas à regulação do acesso, medição e à adequação de vários textos normativos à regulamentação e nomenclatura supervenientes.

12. A iminente regulamentação da metodologia locacional para cálculo da TUSD aplicável aos geradores – TUSDG, e uma melhor análise dos sinais econômicos dados a esses agentes, no que

diz respeito ao acesso e uso dos sistemas de transmissão e distribuição, levaram esta área técnica a reformar seu entendimento quanto ao proposto na Audiência Pública nº 010/2005 e a propor, na reunião pública da Diretoria do dia 27 de junho de 2006, que os geradores afetados pelo art. 5º passassem a pagar TUSDG = TUSTFR enquanto a metodologia locacional para cálculo da TUSDG, em

estudo na ANEEL, não fosse implementada.

13. Na citada reunião pública, alguns agentes e associações, como ABRAGET, APINE e ABRADEE, sustentaram oralmente pedidos de suspensão da aprovação da Resolução Normativa proposta, argumentando que a mesma permanecia com o vício de legalidade apontado na Nota Técnica nº 012/2005-SRT/ANEEL, de 26 de abril de 2005, integrante do processo que foi objeto da Audiência Pública nº 010/2005.

14. A Diretoria da ANEEL entendeu ser adequado retirar o assunto da pauta até que houvesse manifestação formal por parte da Procuradoria Federal junto a ANEEL sobre a questão de legalidade apontada.

15. De modo a subsidiar a elaboração de Parecer Jurídico pela Procuradoria Federal foi emitida a Nota técnica nº 88/2006-SRT/ANEEL, de 05 de julho de 2006, na qual a SRT apresentou seu entendimento sobre a forma de conciliar o livre acesso aos sistemas de transmissão e distribuição com o pagamento das tarifas de uso correspondentes.

16. A procuradoria da ANEEL, por meio do Parecer nº 251/2006-PF/ANEEL, de 07 de julho de 2006, pronunciou-se a respeito da suscitada questão e firmou entendimento de que não há ilegalidade no fato do pagamento das tarifas de uso ser destinado a outros agentes diferentemente daqueles proprietários da rede no ponto de conexão, desde que reste sempre demonstrada a prestação do serviço público de transporte de energia elétrica de suas redes.

17. Neste aspecto, a ANEEL tem estudado uma metodologia para tarifação das unidades geradoras conectadas nos sistemas de distribuição, com auxilio da Comissão de Serviços Públicos de Energia – CSPE, por meio de Convênio de Descentralização de Atividades.

18. O resultado destes estudos foi apresentado em reunião técnica para a Diretoria da ANEEL e se encontra na Nota Técnica nº 017/2007-SRD-SRT/ANEEL, de 18 de abril de 2007, onde está descrita uma metodologia de cálculo da tarifa de uso dos sistemas de distribuição - TUSDG para

unidades geradoras e sua regulamentação.

19. Após a apresentação da metodologia, ficou evidente a incompatibilidade de se propor a recuperação do passivo de encargos de uso das DIT e rede básica de fronteira por meio de uma tarifa locacional futura de uso das redes de distribuição. Tal incompatibilidade ocorre porque o resultado de uma metodologia nova em essência pode beneficiar ou agravar financeiramente agentes de geração. Neste caso, os efeitos retroativos com a TUSDG locacional apresentam-se equivalentes a

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um risco regulatório que afeta o passado, agravado pelo fato da ANEEL já ter sinalizado na AP nº. 010/2005 que o pagamento destes encargos dar-se-ia por meio da TUSTFR.

20. Assim, a SRT encaminha à Diretoria para reunião deliberativa, junto ao processo de homologação da TUST para o ciclo 2007-2008, os aspectos que foram, em princípio, aceitos.

III - DA ANÁLISE

21. Primeiramente, cabe ressaltar que a manifestação dos agentes de geração para celebrar os CUSD decorrentes da REN nº 067, de 8 de junho de 2004, decorreu principalmente em função do impacto econômico causado pela obrigação de pagamento da TUSD.

22. A reclassificação de uma instalação de transmissão de Rede Básica para DIT não altera o comportamento elétrico de um gerador nela conectado. Consequentemente, o custo do transporte1 a ser pago pelo gerador também não deve ser diferente. No entanto, a regulamentação

vigente estabelece que o gerador despachado centralizadamente pelo ONS deve celebrar CUSD e CUST quando se conectar às DIT, o que o leva compulsoriamente a pagar a TUST e também a TUSD.

23. O sinal econômico dado a esses agentes induz conexões diretamente à Rede Básica, pois nesta só existe a obrigação de pagamento da TUST. Tal indução pode levar a conexões não aderentes à melhor forma de expansão das redes, ou seja, àquelas que levam ao mínimo custo global. Isso pode acarretar uma majoração nos custos da expansão de redes, em especial por causa da necessidade da instalação de mais transformadores na fronteira entre a Rede Básica e as instalações de distribuição, causando ônus tanto para o gerador, uma vez que os investimentos são maiores, dado o maior nível de tensão, quanto aos consumidores, que terão de pagar pela expansão adicional da rede de fronteira. Essa distorção fere o disposto no art. 7º, incisos IV e V, do Decreto nº 2.655/19982, de 2 de julho de 1998.

1 Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, art. 15. § 6º É assegurado aos fornecedores e respectivos consumidores livre acesso

aos sistemas de distribuição e transmissão de concessionário e permissionário de serviço público, mediante ressarcimento do custo de transporte envolvido, calculado com base em critérios fixados pelo poder concedente.

2 Art. 7º A ANEEL estabelecerá as condições gerais do acesso aos sistemas de transmissão e de distribuição,

compreendendo o uso e a conexão, e regulará as tarifas correspondentes, com vistas a:

I - assegurar tratamento não discriminatório a todos os usuários dos sistemas de transmissão e de distribuição, ressalvado o disposto no § 1º do art. 26 da Lei nº 9.427, de 1996, com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 9.648, de 1998;

II - assegurar a cobertura de custos compatíveis com custos-padrão; III - estimular novos investimentos na expansão dos sistemas; IV - induzir a utilização racional dos sistemas;

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24. O art. 17 da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, estabeleceu três tipos de instalação de transmissão: as que se destinam à formação da rede básica dos sistemas interligados, as de âmbito próprio do concessionário de distribuição e as de interesse exclusivo das centrais de geração. Estas últimas, quando não integrantes das respectivas concessões, autorizações ou permissões, são disponibilizadas aos geradores pelas transmissoras ou distribuidoras mediante o pagamento de encargos de conexão, que é a forma adequada de remuneração de instalações de uso exclusivo. Restam, então, dois tipos de instalação de serviço público: as integrantes da Rede Básica de transmissão (com nível de tensão igual ou superior a 230 kV) e as de âmbito da distribuição (com nível de tensão inferior a 230 kV), estas últimas compreendendo as Demais Instalações de Transmissão – DIT e as instalações de propriedade das distribuidoras, ressaltando-se assim o fato de que as DIT são instalações que pertencem às transmissoras, mas não integram a Rede Básica.

25. Como não existe diferença de tratamento entre as DIT e as instalações de distribuição, o atendimento aos usuários do serviço de distribuição pode ser feito através das DIT ou das próprias instalações de distribuição. As tarifas cobradas pela prestação dos serviços de transporte nessas instalações devem ser as mesmas, ou então, haverá uma sinalização econômica que levará esses usuários a buscar uma forma de conexão que não é benéfica para o sistema elétrico.

26. Portanto, entende-se que devem existir dois ambientes para tarifação do uso da rede: o da transmissão e o da distribuição. Esses dois ambientes refletem os dois tipos de classificação das instalações de transmissão determinados pela Lei.

27. Resta, portanto, definir adequadamente a forma com que as tarifas de uso dos sistemas transmissão e distribuição devem ser estabelecidas, de modo que a existência desses dois ambientes tarifários propicie os sinais econômicos adequados para os usuários das redes, observando a convergência tarifária3. Para os geradores, o ponto de conexão é de extrema relevância

para que se promova o uso adequado da rede, o que motiva a implantação de um sinal econômico com componente locacional. Já para os consumidores, o importante é que haja coerência tarifária e que se preserve a obrigação da distribuidora para atendimento da carga, induzindo a utilização racional dos sistemas.

28. Nesse sentido, os geradores que se conectarem ao ambiente da transmissão (instalações de Rede Básica) ou ao ambiente de distribuição (DIT + instalações de distribuição) deverão ter suas tarifas de uso calculadas com base em metodologia que promova a sinalização locacional. Por outro lado, os consumidores que se conectarem às DIT, que são instalações de âmbito da distribuição, deverão pagar tarifas de uso iguais aos consumidores que se conectam às próprias instalações da distribuidora. Já os consumidores que se conectam à Rede Básica, por terem de arcar com 100% dos custos de sua própria conexão e receberem sua energia por uma rede que não é da distribuidora, terão suas tarifas calculadas com a metodologia locacional, conforme determina a Resolução Normativa nº 166, de 10 de outubro de 2005.

29. O Quadro a seguir ilustra as tarifas aplicáveis a cada usuário em função do tipo de ambiente tarifário no qual se insere.

3 Lima, Davi Antunes: “ Convergência Tarifária: Remédio Regulatório para o Livre Acesso” – Textos para Discussão no. 5

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Tarifa aplicável em função do ambiente tarifário Ambiente da Transmissão

(Rede Básica) Ambiente da Distribuição (DIT + instalações de distribuição) Tipo de usuário

Tipo de tarifa Metodologia Tipo de tarifa Metodologia Consumidor TUST Nodal (locacional) TUSD Selo por nível de tensão Gerador TUST (locacional) Nodal TUSDG (locacional) Nodal

30. Pelo quadro acima, verifica-se que o gerador que se conecta no ambiente de distribuição deveria pagar apenas a TUSDG, calculada com base em uma metodologia locacional. No

entanto, se o gerador for despachado centralizadamente pelo ONS, de acordo com o art. 3º da Resolução no. 281, de 1º de outubro de 1999,ele irá pagar também a TUST, mesmo que toda a energia gerada por ele seja totalmente absorvida pela carga situada na rede de distribuição. Essa é uma distorção que deve ser corrigida quando a ANEEL regulamentar a metodologia locacional para cálculo da TUSDG. De acordo com a proposta em discussão na ANEEL, dentre os custos a serem

arrecadados pela TUSDG, haverá uma parcela associada ao uso da rede básica, quando esse uso

existir.

31. Esse mesmo gerador, quando se conectar a um barramento com nível de tensão inferior a 230 kV localizado em uma subestação da Rede Básica (barramento em amarelo à direita do transformador da Figura 1) poderá não utilizar as instalações da Rede Básica à esquerda, mas certamente irá usar as DIT e as instalações de distribuição nelas conectadas, que é onde se situa a carga a ser atendida. Portanto, muito embora o gerador se conecte a uma DIT, que é uma instalação pertencente à transmissora, a tarifa de uso a será aplicável, nos termos da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, deverá conter o custo do serviço de distribuição.

Figura 1 - Classificação das instalações

32. A metodologia locacional para o cálculo da TUSDG deverá considerar o sentido dos

fluxos de potência nos transformadores de fronteira da rede básica, contemplando assim as situações de DIT importadoras ou exportadoras de potência. Dessa forma, um pequeno gerador cuja potência

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seja absorvida pela carga não utiliza a Rede Básica, enquanto um grande gerador, na situação de DIT exportadora, faz uso tanto da distribuição quanto da transmissão. As figuras 2 e 3 a seguir, juntamente com seus quadros resumos ilustram essas situações.

Figura 2 - DIT importadora de potência Quadro resumo - DIT importadora de potência Tarifas a

pagar Despacho Forma de G1 G2 G3 G4

Centralizado TUSTRB TUSTRB + TUSDG TUSTRB + TUSDG TUSTRB + TUSDG Vigente Não

centralizado - TUSDG TUSDG TUSDG

Centralizado TUSTRB TUSTRB + TUSDG, sendo TUSDG =TUSTFR TUSTRB + TUSDG, sendo TUSDG =TUSTFR TUSTRB + TUSDG vigente Situação transitória, conforme proposta da AP-10/2005 Não

centralizado - TUSDG vigente TUSDG vigente TUSDG vigente

Centralizado TUSTRB locacional TUSDG locacional TUSDG locacional TUSDG

metodologia locacional a

ser proposta Não

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Figura 3 - DIT exportadora de potência Quadro resumo - DIT exportadora de potência Tarifas a

pagar Despacho Forma de G1 G2 G3 G4

Centralizado TUSTRB TUSTRB + TUSDG TUSTRB + TUSDG TUSTRB + TUSDG Vigente Não

centralizado - TUSDG TUSDG TUSDG

Centralizado TUSTRB TUSTRB + TUSDG, sendo TUSDG =TUSTFR TUSTRB + TUSDG, sendo TUSDG =TUSTFR TUSTRB + TUSDG vigente Situação transitória, conforme proposta da

AP-10/2005 centralizado Não - TUSDG vigente TUSDG vigente TUSDG vigente

Centralizado TUSTRB TUSDG Locacional, com parcela que considera custos de RB TUSDG locacional, com parcela que considera custos de RB TUSDG locacional, com parcela que considera custos de RB metodologia locacional a ser proposta Não centralizado - TUSDG locacional, com parcela que considera custos de RB TUSDG locacional, com parcela que considera custos de RB TUSDG locacional, com parcela que considera custos de RB

33. Observa-se, assim, que não haverá diferenciação dada a forma de despacho pelo ONS, se centralizado ou não e que não há vício de legalidade quando a norma determina o pagamento de tarifas de uso a um agente que não seja o proprietário da rede no ponto de conexão do usuário. Isso acontece porque o fluxo da energia elétrica não se restringe as instalações de acesso. No entanto, as tarifas a serem pagas devem observar, sempre, o comando legal de refletirem o custo do serviço prestado, e não o agente arrecadador e também não devem refletir se o despacho é ou não

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centralizado, pois isso transfere indireta e indevidamente ao ONS a responsabilidade estabelecer desembolsos dos agentes de geração4.

34. Ainda sobre a questão do vício de legalidade, caso a conexão física fosse necessária, a forma de arrecadação das receitas das concessionárias de transmissão seria ilegal, uma vez que o usuário é faturado por todos agentes de transmissão detentores das instalações da Rede Básica, embora seu acesso se dê por meio da conexão às instalações de um único concessionário de transmissão.

35. Portanto, para cumprir a disposição legal de se cobrar dos usuários da rede o custo do serviço, mantendo-se aderência ao disposto no § 3º do art. 6º do Decreto nº 2655/1998 e prover a sinalização econômica adequada, entende-se ser necessário estabelecer o que segue:

• As DIT deverão ser disponibilizadas às distribuidoras e serão tratadas, para fins de acesso de geradores e consumidores, como instalações de transmissão de âmbito da distribuição;

• Os geradores que se conectarem às DIT ou às instalações de distribuição pagarão apenas a TUSDG, que será calculada com metodologia locacional, de forma a

prover o adequado sinal econômico, considerando, quando houver, impactos na rede básica, por dentro da mesma;

• Os consumidores que se conectarem às DIT pagarão a mesma TUSD que é cobrada dos consumidores que se conectam às instalações da própria distribuidora.

36. A Figura 4 resume a classificação das instalações de transmissão em função da propriedade.

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Como exemplo, observa-se o caso da UHE Espora em Goiás, cuja potência instalada é de 32 MW. A regulação vigente estabelece que se ela for despachada centralizadamente pelo ONS, ela deverá arcar com encargos da rede básica e com aqueles da rede de distribuição, uma vez que sua conexão a rede dá-se em 138 kV, na concessão da CELG. Caso o ONS entenda que a mesma não deve ser despachada de forma central, a mesma arcará só com os encargos de uso da distribuição. Consultado sobre o caso, o operador observou em seus estudos absolutamente técnicos que o despacho centralizado era necessário, apesar do empreendimento ter potência apenas 2 MW acima do limite mínimo para despacho centralizado. Assim, contrariamente àquilo que o agente de geração entende, custos de rede básica lhe foram atribuídos. Observa-se, portanto, que a questão do acesso e de seu nível tarifário não pode ser determinada pela forma de despacho, mas sim pelos investimentos na rede básica e de distribuição (impactos na rede), necessários ao despacho, centralizado ou não de determinado agente de geração.

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Figura 4 - Classificação das instalações de transmissão em função da propriedade

37. Entre as conclusões oriundas das contribuições da AP-010/2005, destaca-se a necessidade de aplicação futura de uma tarifa locacional aos geradores que se conectem às DIT. Dado que o ambiente de tal acesso é o da distribuição, a forma adequada de cobrança do uso das redes desse ambiente é a TUSDG. Entretanto, existe um passivo de custeio das DIT relativo aos

encargos que os geradores não estão pagando desde a publicação da REN 067/2004. Tal passivo aumenta a cada mês, sendo que atualmente, três anos de encargos são devidos aos consumidores das distribuidoras, que estão arcando com esse custo. De forma a quitar esse passivo e também se atentando ao fato de que a sinalização econômica vigente não é adequada, optou-se por manter a relação de acesso dos geradores com a distribuidora, mas com nível tarifário equivalente ao de conexão direta à DIT ou fronteira da rede básica, de forma que o passivo possa ser quitado sem alteração do nível tarifário pré-existente a publicação da REN 067/2004, observando a reclassificação dos ativos que compõem a rede básica de fronteira.

38. O tratamento desta situação transitória pode ser dado com publicação um conjunto de TUSDG= TUSTFR desde o ciclo 2004-2005 para os geradores diretamente conectados nas DIT e na

rede básica de fronteira. Assim, além da quitação do passivo, fica constituída a situação transitória de pagamento de encargos de uso das DIT e Rede Básica de Fronteira, até que a metodologia definitiva de cálculo da TUSDG seja publicada pela ANEEL.

39. Especificamente, em relação às DIT da CTEEP, os geradores de São Paulo conectados as mesmas compartilhavam o uso dessas instalações com as distribuidoras, por meio do pagamento de encargos de conexão. Com a edição da REN 067/2004, esses geradores deixaram de pagar pelo uso das DIT compartilhadas e passaram a pagar apenas a conexão simples. Mesmo que esses geradores aleguem que a TUSTFR venha majorar seus encargos em relação à situação anterior,

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pagos por todos, passaram a ser pagos pelos usuários da área da CTEEP, promovendo uma melhor alocação de seus custos e levando a uma redução da TUSTRB.

IV – DO FUNDAMENTO LEGAL

40. O art. 17 da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, dispõe que compete ao Poder Concedente a composição da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional.

41. Os arts. 6º, §§ 1º e 3º, e 7º, inciso II, do Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, asseguram que ANEEL estabelecerá as condições gerais do acesso aos sistemas de transmissão e de distribuição, compreendendo o uso e a conexão, e regulará as tarifas correspondentes.

42. Arts. 9º e 12 do Decreto nº 1.717, de 24 de novembro de 1995.

43. Arts. 3º, incisos II e III, 4º, incisos IV e VII, e 21, Anexo I, do Decreto nº 2.335, de 6 de outubro de 1997.

44. O art. 3º e inciso I, art. 14, da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, define o regime econômico financeiro da concessão de serviço publico de energia elétrica compreendendo a contraprestação pela execução do serviço, paga pelo consumidor final com tarifas baseadas no serviço pelo preço.

45. Decreto nº 4.932, de 23 de dezembro de 2003.

46. A Resolução nº 281, de 01 de outubro de 1999, estabeleceu as condições gerais de contratação do acesso, compreendendo o uso e a conexão, aos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica.

47. A Resolução nº 067, de 8 de junho de 2004. 48. Resolução ANEEL nº 166, de 31 de maio de 2000; 49. Resolução ANEEL nº 167, de 31 de maio de 2000. 50. Decreto nº 5.597, de 28 de novembro de 2005.

51. O Parecer Jurídico pela Procuradoria Federal nº 251/2006-PF/ANEEL, de 07 de julho de 2006.

52. A Nota Técnica nº 017/2007-SRD-SRT/ANEEL, de 18 de abril de 2007, onde está descrita uma metodologia de cálculo da tarifa de uso dos sistemas de distribuição - TUSD para unidades geradoras e sua regulamentação.

V - DA CONCLUSÃO

53. Conclui-se por esclarecer que existem, conforme preconizado em Lei, apenas dois ambientes tarifários para o uso das redes de serviço público: o da transmissão (Rede Básica) e o do distribuição (DIT + instalações de distribuição). As tarifas para remunerar os custos dos serviços de

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transmissão deverão ser pagas às transmissoras, enquanto as tarifas para remunerar os custos de distribuição serão pagas às distribuidoras, mesmo que os usuários estejam conectados às DIT, que são instalações de transmissão disponibilizadas às distribuidoras. Conclui-se, também que, de modo a dar a adequada sinalização econômica, a tarifa de uso deve refletir o real custo de transporte, nos termos da Lei.

54. Assim, transitoriamente, até que a metodologia de TUSDG locacional seja aprovada

pela ANEEL, propõe-se que os geradores conectados a rede básica de fronteira e DIT compartilhadas remunerem esses ativos por meio de uma tarifa de uso da distribuição que seja igual à tarifa de uso da rede básica de fronteira, calculadas de acordo com a REN 067/2004.

VI - DA RECOMENDAÇÃO

55. Com base no exposto, recomendamos que seja mantido o conceito de 2 ambientes tarifários, bem como seja mantida a obrigação de se firmar CUSD e pagar por meio da TUSDG, o uso

da rede de distribuição, mesmo que os geradores estejam conectados às DIT e Rede Básica de fronteira.

56. Para tratar a situação transitória e o passivo existente de encargos, recomenda-se, conjuntamente a resolução de homologação de TUST para o ciclo 2007-2008, que seja publicado um conjunto de TUSDG= TUSTFR desde o ciclo 2004-2005 para os geradores diretamente conectados nas

DIT e na rede básica de fronteira. Assim, além da quitação do passivo, fica constituída a situação transitória de pagamento de encargos de uso das DIT e Rede Básica de Fronteira, até que a metodologia definitiva de cálculo da TUSDG seja publicada pela ANEEL.

57. Como tal passivo acumulou-se durante 3 anos, recomendamos também que o mesmo seja quitado nos próximos 2 ciclos tarifários da transmissão, de forma a garantir minimamente o fluxo de caixa dos agentes afetados.

IVO SECHI NAZARENO Especialista em Regulação Matrícula 1500145 ANDRÉ MEISTER Especialista em Regulação Matrícula 1281183 De acordo: ROBERTO KNIJNIK

Referências

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