EDITORES
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Sérgio Luiz do L
Sérgio Luiz do L
ogar Mattos
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Mauro Pere
Mauro Pere
ira de
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Azevedo
Azevedo
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso
Rogean Rodrigues Nunes
Rogean Rodrigues Nunes
SBA
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Sociedade Brasileira de Anestesiologia Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Rio de Janeiro Rio de Janeiro
2018 2018
Dor e Cuidados Paliativos Dor e Cuidados Paliativos Copyright© 2018, Sociedade Brasileira de
Copyright© 2018, Sociedade Brasileira de AnestesiologiaAnestesiologia
Proibida a reprodução total ou parcial desta
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer sistema, sem prévio consentimento da SBA.obra, por qualquer sistema, sem prévio consentimento da SBA.
O conteúdo desta obra é de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es). O conteúdo desta obra é de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es).
Produzido pela Sociedade Brasileira de Aneste
Produzido pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia.siologia. Material de distribuição exclusiva aos médicos anestesiologistas. Material de distribuição exclusiva aos médicos anestesiologistas.
Produzido em
Produzido em abril/20abril/201818
Sociedade
Sociedade Brasileira Brasileira de de AnestesiologiaAnestesiologia
Rua Professor Alfredo Gomes, 36 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ Rua Professor Alfredo Gomes, 36 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ
CEP 22251-080 - Tel.: (21) 3528-1050 - E-Mail: [email protected] - Portal: https://www.sbahq.org/ CEP 22251-080 - Tel.: (21) 3528-1050 - E-Mail: [email protected] - Portal: https://www.sbahq.org/
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Ficha catalográca Ficha catalográca
S678d
S678d Dor Dor e e Cuidados Cuidados Paliativos Paliativos / / Editores: Editores: Sérgio Sérgio Luiz Luiz do do Logar Logar Mattos, Mattos, Mauro Mauro Pereira Pereira de de Azevedo,Azevedo, Mirlane Guimarães de Melo Cardoso e Rogean Rod
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso e Rogean Rodrigues Nunes.rigues Nunes. Rio
Rio de de Janeiro: Janeiro: SociedSociedade ade BrasileiBrasileira ra de de AnesteAnestesiologia/SBA, siologia/SBA, 2018.2018. 240
240 p.; p.; 25cm.; 25cm.; ilust.ilust.
ISBN 978-85-98632-39-1 ISBN 978-85-98632-39-1 Vários colabor
Vários colabor adores.adores.
1. Anestesiologia – Estudo e
1. Anestesiologia – Estudo e ensino. I. Sociedade Brasileira de Anestesiologia. II. Mattos,ensino. I. Sociedade Brasileira de Anestesiologia. II. Mattos, Sérgio Luiz do Logar. III. Nunes, Rogean Rodrigues. IV. Azevedo, Mauro Pereira de. V. Sérgio Luiz do Logar. III. Nunes, Rogean Rodrigues. IV. Azevedo, Mauro Pereira de. V. Cardoso, Mirlane Guimarães
Cardoso, Mirlane Guimarães de Melo.de Melo.
CDD - 617-96 CDD - 617-96
Comissão de Treina
Comissão de Treinamento e Terapêutica damento e Terapêutica da Dor – CTTDor
Dor – CTTDor
Mauro Pereira de Azevedo -
Mauro Pereira de Azevedo - Presidente ePresidente e Coordenado
Coordenador do livr do liv roro
Breno José Santiago Bezerra de Lima - Secretár Breno José Santiago Bezerra de Lima - Secretár ioio Welma Rezende F
Welma Rezende Fuso de Auso de Assis - Membrossis - Membro Vinic
Vinicius Sepuius Sepulveda Llveda Lima - Membro eleito parima - Membro eleito para 2018a 2018 Comissão de Treinamento em Medicina Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa – CTMP
Paliativa – CTMP
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso -
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso - Presidente ePresidente e Coordenado
Coordenadora do livra do liv roro
Guilherme Antônio Moreira de Barros -
Guilherme Antônio Moreira de Barros - MembroMembro Inês Tavares Vale e Melo - Membro
Inês Tavares Vale e Melo - Membro
Capa e diagramação Capa e diagramação
Marcelo de Azevedo Marinho Marcelo de Azevedo Marinho Supervisão
Supervisão
Maria de Las Mercedes Gregoria Martin de Azevedo Maria de Las Mercedes Gregoria Martin de Azevedo
Revisão Bibliográfca Revisão Bibliográfca
T
Teresa Maria Maia eresa Maria Maia LibórioLibório Aux
Auxiliailiar Técnicor Técnico
Marcelo de Carvalho Sperle Marcelo de Carvalho Sperle Diretoria, gestão 2018 Diretoria, gestão 2018 Sérgio Luiz do Logar Mattos Sérgio Luiz do Logar Mattos Erick Freitas Curi
Erick Freitas Curi T
Tolomolomeu Arteu Artur Assunção Casalur Assunção Casal ii Augu
Augusto Key Ksto Key Karazarazawa Takaschawa Takaschimaima Ar
Armando Vieimando Vieira de Alra de Almeidameida Marcos Antonio Costa de
Marcos Antonio Costa de AlbuquerqueAlbuquerque Rogean Rodrigues Nunes
Rogean Rodrigues Nunes Diretoria, gestão Diretoria, gestão 20120177 Ricardo Almeida de Azevedo Ricardo Almeida de Azevedo Sérgio Luiz do Logar Mattos Sérgio Luiz do Logar Mattos T
Tolomolomeu Arteu Artur Assunção Casalur Assunção Casal ii Augu
Augusto Key Ksto Key Karazarazawa Takaschawa Takaschimaima Enis Donizetti Silva
Enis Donizetti Silva Erick Freitas Curi Erick Freitas Curi
Rogean Rodrigues Nunes Rogean Rodrigues Nunes
EDITORES
EDITORES
Sérgio Luiz do Logar Mattos Sérgio Luiz do Logar Mattos
•
• TSA – SBA, Presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, gestão 2018TSA – SBA, Presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, gestão 2018 •
• Instrutor Corresponsável pelo CET/SBA Hosp.Universitário Pedro Ernesto da UERJ.Instrutor Corresponsável pelo CET/SBA Hosp.Universitário Pedro Ernesto da UERJ.
Mauro Pereira de Azevedo Mauro Pereira de Azevedo
•
• TSA – SBA, Presidente da Comissão de Treinamento e Terapêutica da Dor – CTTDor, gestão 2017.TSA – SBA, Presidente da Comissão de Treinamento e Terapêutica da Dor – CTTDor, gestão 2017. •
• Diretor de EventDiretor de Eventos e Divuos e Divulgação da Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro - SAlgação da Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro - SA ERJ.ERJ. •
• Instrutor Corresponsável CET/SBA Hospital Naval Marcilio Dias.Instrutor Corresponsável CET/SBA Hospital Naval Marcilio Dias.
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso Mirlane Guimarães de Melo Cardoso
•
• Presidente da Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa da SBA - CTMP.Presidente da Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa da SBA - CTMP. •
• Médica anestesiologista com certicação na áMédica anestesiologista com certicação na á rea de atuação em dor e rea de atuação em dor e medicina paliativa.medicina paliativa. •
• Professora adjunProfessora adjunta da ta da disciplina de farmacologia da disciplina de farmacologia da UniversiUniversidade Federal do Amazonas.dade Federal do Amazonas. •
• Mestre e doutora em farmacologia pela Universidade Federal do Ceará.Mestre e doutora em farmacologia pela Universidade Federal do Ceará. •
• Responsável pelo Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da Fundação Centro de ControleResponsável pelo Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da Fundação Centro de Controle
de Oncologia do Amazonas – STDCP/FCECON. de Oncologia do Amazonas – STDCP/FCECON.
Rogean Rodrigues Nunes Rogean Rodrigues Nunes
•
• TSA – SBA, TSA – SBA, Diretor do Departamento CienDiretor do Departamento Cientíco da tíco da SBA.SBA. •
• Instrutor Corresponsável pelo CET Hospital Geral do Inamps de Fortaleza.Instrutor Corresponsável pelo CET Hospital Geral do Inamps de Fortaleza. •
• Mestre e doutor em anestesia; pós-graduado em cardiologia; pós-graduado em engenharia clínica.Mestre e doutor em anestesia; pós-graduado em cardiologia; pós-graduado em engenharia clínica. •
• Professor de medicina da UNICHRISTUS.Professor de medicina da UNICHRISTUS.
A
AUTORES/
UTORES/COA
COAUTORES
UTORES
Alexa
Alexandre Andre Annes Henriquennes Henriquess
•
• Médico psiquiatra, mestre em ciências médicas pela UMédico psiquiatra, mestre em ciências médicas pela U FRGS.FRGS. •
• Psiquiatra contratado exclusivo do Serviço de Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas dePsiquiatra contratado exclusivo do Serviço de Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas de
Porto A
Porto Alegre (HCPA)legre (HCPA)..
•
• Coordenador do Programa de Psiquiatria e Dor – Prodor/HCPA.Coordenador do Programa de Psiquiatria e Dor – Prodor/HCPA. •
• Preceptor das residências médicas de psiquiatria, dor e medicina paliativa do HCPA.Preceptor das residências médicas de psiquiatria, dor e medicina paliativa do HCPA. •
• Professor do Curso de Especialização em Tratamento da Dor e Medicina Paliativa da Faculdade deProfessor do Curso de Especialização em Tratamento da Dor e Medicina Paliativa da Faculdade de
Medicina da UFRGS. Medicina da UFRGS.
Ana Cl
Ana Cláudia Mesquitáudia Mesquitaa
•
• Enfermeira.Enfermeira. •
• Doutora em ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.Doutora em ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. •
• Pós-doutPós-doutoranda do Departaoranda do Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina mento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNde Botucatu (UNESP)ESP)..
Ana Paula dos
Ana Paula dos SantosSantos
•
• Médica Anestesiologista do SMA/ Hospital Sirio Libanês.Médica Anestesiologista do SMA/ Hospital Sirio Libanês. •
• Especialização em Dor pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.Especialização em Dor pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. •
• Especialização em CEspecialização em Cuidados Paliativouidados Paliativos pelo Pallium Latinoamérica - s pelo Pallium Latinoamérica - Buenos Aires/Buenos Aires/AR.AR. •
• Mestrado e Doutorado em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa CasaMestrado e Doutorado em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa
de Misericórdia de São Paulo (2009 e 2013). de Misericórdia de São Paulo (2009 e 2013).
André F
André Filipe Junqueira ilipe Junqueira dos Santosdos Santos
•
André Marques Mansano
• MD, PhD, FIPP, CIPS, TSA – SBA. • Área de atuação em Dor -AMB.
• Fellow of Interventional Pain Practice - World Institute of Pain. • Membro do Comitê de Educação do “World Institute of Pain”.
Anita Perpétua Carvalho Rocha de Castro
• Doutora em anestesiologia pela Universidade Estadual Paulista (Botucatu). • Anestesiologista com certicado de atuação na área de dor.
Breno José Santiago Bezerra de Lima
• MD, MSc, PhD, FIPP, TSA – SBA.
• Secretário da Comissão de Treinamento e Terapêutica da Dor-SBA. • Fellow of Interventional Pain Practice - World Institute of Pain . • Mestre e Doutor em Ciências Médicas - FMRP/USP.
• Área de atuação em Dor e Medicina Paliativa.
Cristina Clebis Martins
• TSA – SBA.
• Área de atuação em Dor – AMB.
• Especialização em anestesia regional guiada por ultrassom no Hospital Sírio-Libanês.
Danielle Soller Lopes
• Médica com formação em clínica médica e geriatria.
• Mestrado prossional em cuidados paliativos en el paciente oncologico – Universidad Autónoma
de Madrid , UAM, Espanha.
• Mestrado em master en bioética y derecho – Universitat Barcelona, UAE, Espanha.
Durval Campos Kraychete
• TSA – SBA.
• Professor associado do Departamento de Anestesiologia e Cirurg ia da Universidade Federal da Bahia.
Edison Iglesias de Oliveira Vidal
• Mestrado e doutorado em saúde coletiva pela Unicamp. • Livre-docência em geriatria pela FMB – Unesp.
• Docente da disciplina de geriatria da FMB – Unesp.
Elaine Gomes Martins
• Residência Médica em Anestesiologia pelo Hospital Sírio Libanês.
• Aperfeiçoamento em Anestesia Regional - IEP/Sírio-Libanês. Especialização Dor - IEP/Sírio-Libanês. • Certicado Atuação em Dor AMB/SBA.
• CIPS - Certied interventional Pain Sonologist - World Institute of Pain.
Érica Brandão de Moraes
• Enfermeira doutora pela Universidade de São Paulo. • Orientadora da Liga de Dor do Maranhão da UFM A.
Érica Carla Lage de Oliveira
• TEA – SBA.
• Anestesiologista com área de atuação em dor.
• Especialista em medicina da dor pelo Hospital das Clínicas da UFMG.
• Médica da Clínica de Dor do HC UFMG, da Rede Mater Dei de Saúde e da ClinD’Or.
Esther Alessandra Rocha
• TSA – SBA.
• Instrutora corresponsável do Centro de Ensino e Treinamento da Faculdade de Medicina do ABC. • Professora adjunta da disciplina de anestesiologia da Faculdade de Medicina do ABC.
Fernanda Bono Fukushima
• Doutorado em anestesiologia pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp.
• Especialista em anestesiologia, título de área de atuação em dor e cuidados paliativos pela AMB.
Docente da disciplina de terapia antálgica e cuidados paliativos da FMB – Unesp.
Guilherme Antônio Moreira de Barros
• Membro da Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa da SBA - CTMP.
• Médico anestesiologista com certicação na área de atuação em dor e medicina paliativa.
• Professor adjunto da disciplina de dor e cuidados paliativos da Faculdade de Medicina de Botucatu, Unesp. • Mestre e doutor em anestesiologia da Faculdade de Medicina de Botucatu, Unesp.
• Responsável pelo Serviço de Terapia Antálgica e Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Botucatu, Unesp.
Gustavo Rodrigues Costa Lages
• Anestesiologista TSA – SBA, CAAD, TEMI AMIB.
• Corresponsável pelo CET do Hospital das Clínicas da UFMG.
• Coordenador da Clínica de Dor do HC UFMG, da Rede Mater Dei de Saúde e da ClinD’Or.
Inês Tavares Vale e Melo
• Membro da Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa da SBA – CTMP.
• Médica anestesiologista com certicação na á rea de atuação em dor e medicina paliativa. • Coordenadora da especialização latu sensu de cuidados paliativos da Unimed/Unifor. • Coordenadora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Regional Unimed Fortaleza. • Membro da Câmara Técnica de Cuidados Paliativos do Conselho Federal de Medicina – CFM.
Irimar de Paula Posso
• TSA – SBA.
• Instrutor corresponsável do Centro de Ensino e Treinamento da Faculdade de Medicina do ABC. • Anestesiologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
• Presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.
Joana Angélica Vaz de Melo
• Anestesiologista, TEA – SBA.
• Especialista em clínica de dor pelo Hospital das Clínicas da U FMG.
João Batista Santos Garcia
• Prof.Dr., TSA – SBA.
• Professor doutor associado da disciplina de anestesiologia, dor e cuidados paliativos da
Universida-de FeUniversida-deral do Maranhão (UFMA).
• Responsável pelo Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Universitário da UFMA e do
Hospital do Câncer do Maranhão.
José Cristovão Ferreira
• TEA – SBA, Anestesiologista do Hospital Evangélico de Londrina.
• Membro da Comissão de Cuidados Paliativos - Hospital Evangélico de Londrina.
Karen Santos Braghiroli
• MD, FIPP, TEA – SBA.
• Fellow of Interventional Pain Practice - World Institute of Pain .
• Médica da equipe de Dor do Hospital Alemão Osvaldo Cruz e Professora Assistente na
pós-gradua-ção em Dor do Hospital Sírio-Libânes.
Lúcia Miranda Monteiro dos Santos
• Médica anestesiologista TSA/SBA com área de atuação em dor e cuidados paliativos. • Mestre em neurociência pela UFRGS.
• Ex-chefe do Serviço de Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA,
2008-16). Coordenadora do Programa de Cuidados Paliativos do HCPA.
Luís Fernando Rodrigues
• MD, MAHR Palliative Care.
• Médico da Unidade de Cuidados Paliativos – Physician at the Palliative Care Unit . • Hospital São Judas Tadeu, Fundação Pio XII – PIO XII Foundation.
• Hospital de Câncer de Barretos – Barretos, São Paulo.
Mauro Pereira de Azevedo
• TSA – SBA, Presidente da Comissão de Treinamento e Terapêutica da Dor da SBA - CTTDor. • Diretor de Eventos e Divulgação da SAERJ.
• Instrutor Corresponsável CET/SBA Hospital Naval Marcilio Dias.
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso
• Presidente da Comissão de Ensino e Treinamento em Medicina Paliativa da SBA - CTMP. • Médica anestesiologista com certicação na área de atuação em dor e medicina paliativa.
• Doutora em farmacologia e professora adjunta da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). • Responsável pelo Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da Fundação Centro de Controle
de Oncologia do Amazonas – STDCP/FCECON.
• Mestre e doutora em farmacologia pela Universidade Federal do Ceará.
Paulo Adilson Herrera
• TSA – SBA, CAAD, MSc, Membro da Comissão de Educação Continuada SBA - CEC. • Professor auxiliar da disciplina de anestesiologia da PUC/PR – Campus Londrina. • Corresponsável de CET de A nestesiologia - Hospital Evangélico de Londrina.
Paulo Renato Barreiros da Fonseca
• TEA – SBA.
• Médico anestesiologista com especialização na área de atuação em dor. • Diretor cientíco da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.
• Ex-professor de anestesiologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Pedro Paulo Kimachi
• TSA – SBA.
• Residência Médica em Anestesiologia pela Universidade de São Paulo. • Médico Anestesiologista do SMA - Serviços Médicos de Anestesia.
• Coordenador da Pós-Graduação - Aperfeiçoamento em Anestesia Regional, Hospital Sírio Libanês • Coordenador do curso de Ultrassonograa Point of Care, Hospital Sírio Libanês.
Roberto Henrique Benedetti
• TSA – SBA, Membro da Comissão de Ensino e Treinamento da SBA - CET. • Responsável pelo CET/SBA Sianest/Hospital Florianópolis – Cepon.
APRESENTAÇÃO
É com grande orgulho e satisfação que a SBA apresenta mais um trabalho de enor-me importância social, que contribui, de maneira incontestável, para a consolidação dessa associação como a principal incentivadora na promoção e qualicação técnica e cientíca do anestesiologista brasileiro.
Este livro representa não só o papel referencial de qualidade da SBA na especiali-dade, mas o empenho e o esforço de todos aqueles que se dedicaram e trabalharam para que esta obra se concretizasse de maneira tão qualicada.
A dor e, mais recentemente, os cuidados paliativos são áreas de atuação do mé-dico anestesiologista, e a SBA não poderia deixar de atender às novas demandas de uma sociedade cada vez mais exigente e dinâmica. Portanto, essas áreas precisam ser fortalecidas para que os espaços sejam ocupados de maneira efetiva e competente e, assim, no nal, os pacientes possam se beneciar de uma assistência especializada mais aprimorada.
Esta obra comprova a histórica tradição da SBA no cumprimento de sua missão de garantir a qualidade e a segurança da medicina perioperatória e, com isso, deixar seus sócios orgulhosos em fazerem parte de tão respeitável entidade.
Bons estudos!
Rogean Rodrigues Nunes Diretor do Departamento Cientíco da SBA
Sérgio Luiz do Logar Mattos Presidente da SBA, gestão 2018
SUMÁRIO
Prefácio - Partes I e II . . . 11
Parte I
Capítulo 01Epidemiologia, Fisiopatologia e Classifcação da Dor . . . .15
João Batista Santos Garcia, Érica Brandão de Moraes Capítulo 02
Estratégias para o Controle da Dor Pós-Operatória . . . 25
Paulo Adilson Herrera, José Cristovão Ferreira Capítulo 03
Uso de Ultrassonografa no Tratamento da Dor Pós-Operatória . . . 35
Pedro Paulo Kimachi, Elaine Gomes Martins Capítulo 04
Analgesia Pós-Operatória no Paciente com Dor Crônica em Tratamento . . . 47
Durval Campos Kraychete, Anita Perpétua Carvalho Rocha de Castro Capítulo 05
Dor Crônica Pós-Operatória . . . 57
Gustavo Rodrigues Costa Lages, Érica Carla Lage de Oliveira, Joana Angélica Vaz de Melo Capítulo 06
Dor Crônica Pós-Operatória e Inuência da Técnica Anestésica . . . 67
Mauro Pereira de Azevedo Capítulo 07
Tratamento Farmacológico da Dor Crônica . . . .81
Paulo Renato Barreiros da Fonseca, Irimar de Paula Posso, Esther Alessandra Rocha Capítulo 08
Tratamento Intervencionista da Dor Crônica . . . 93
André Marques Mansano, Breno José Santiago Bezerra de Lima, Karen Santos Braghiroli Capítulo 09
Dor Oncológica . . . 105
Breno José Santiago Bezerra de Lima, Roberto Henrique Benedetti, Paulo Adilson Herrera Capítulo 10
Síndromes Dolorosas Crônicas Não-Oncológicas . . . .115
Breno José Santiago Bezerra de Lima, Cristina Clebis Martins, Roberto Henrique Benedetti
Parte II
Capítulo 11
Cuidados Paliativos: Aspectos Conceituais e Princípios Essenciais . . . 129
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso, Inês Tavares Vale e Melo, Guilherme Antônio Moreira de Barros
Capítulo 12
Informação e Comunicação em Cuidados Paliativos . . . .141
Guilherme Antonio Moreira de Barros, Danielle Soller Lopes, Mirlane Guimarães de Melo Cardoso Capítulo 13
Cuidados Paliativos: Quando Indicar e Como Reconhecer Critérios de Terminalidade . . . .159
Capítulo 14
Organização e Modelos de Assistência em Cuidados Paliativos . . . .167
Ana Paula dos Santos Capítulo 15
Estratégias no Manejo da Dor Total . . . .173
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso Capítulo 16
Sintomas Respiratórios em Cuidados Paliativos . . . 183
Fernanda Bono Fukushima, Edison Iglesias de Oliveira Vidal Capítulo 17
Avaliação e Controle de Sintomas Neuropsiquiátricos . . . 191
Lúcia Miranda Monteiro dos Santos, Alexandre Annes Henriques Capítulo 18
Terapia de Sedação Paliativa . . . 199
Inês Tavares Vale e Melo, Luís Fernando Rodrigues Capítulo 19
Hipodermóclise: Via Alternativa em Cuidados Paliativos . . . 207
Ana Cláudia Mesquita, Guilherme Antônio Moreira de Barros Capítulo 20
Sintomas Gastrointestinais em Cuidados Paliativos. . . .219
Edison Iglesias de Oliveira Vidal, Fernanda Bono Fukushima Capítulo 21
Assistência ao Fim da Vida: Identifcação e Manejo . . . 229
PREFÁCIO
Parte I - Dor
A Sociedade Brasileira de Anestesiologia investe continuamente na atualização e no aperfeiçoamento de seus associados. Nesse contexto, a Comissão de Treina-mento e Terapêutica da Dor (CTTDor/SBA) participou da elaboração deste livro, cujo objetivo é lançar uma luz nos meandros da dor, voltada especialmente para o anestesiologista que não é clínico de dor.
Uma preocupação particular sempre foi incentivar o trabalho do anestesiologista clínico, aquele que atua diariamente no centro cirúrgico, na prevenção e no tratamen-to da dor, além de estimular aquilo que é feitratamen-to de modo corriqueiro. Pensar na dor como um momento inexorável no curso da cirurgia é esquecer a existência de efeitos a longo prazo, especialmente sua cronicação. Quanto mais se falar em siopatologia da dor pós-operatória, nos fatores envolvidos em sua cronicação e na importância de uma técnica anestésica adequada como principal fator de prevenção, mais estaremos ajudando na redução dessa importante patologia que pode acometer um número ex-pressivo de pacientes em determinadas cirurgias, com grande impacto físico, social, emocional e econômico para os pacientes e para o sistema de saúde.
Procuramos também atualizar o anestesiologista sobre novos aspectos da dor crô-nica e oncológica, temas fundamentais que com frequência se apresentam diante do clínico e para os quais devemos estar preparados para ao menos orientar o paciente.
Colegas importantes e com experiência foram convidados a participar desta em-preitada e prontamente aceitaram a tarefa. A esses colegas agradeço imensamente em nome da SBA e, especialmente, em nome da CTTDor/SBA.
A intenção é atualizar anualmente este livro, para que ele cresça e se aprimore sempre. Novidades aparecem todos os dias, e a SBA estará sempre empenhada em levar o melhor a seu associado.
Agradeço a conança na SBA e seu apoio, sem o qual este livro não existiria.
Comissão de Treinamento e Terapêutica da Dor – CTTDor Mauro Pereira de Azevedo - Presidente e Coordenador do livro
Breno José Santiago Bezerra de Lima - Secretário Welma Rezende Fuso de Assis - Membro
PREFÁCIO
Parte II - Medicina Paliativa
Com esta mensagem simples e clara, nós, da Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, criada em 2015, queremos iniciar um Plano de Informação, Comunicação e Sensibilização dos aneste-siologistas para a mais nova área de atuação de nossa especialidade, que é cuidados paliativos (CP), uma modalidade de assistência solidária que surgiu na década de 1960, em Londres, com uma losoa de cuidados integrais destinados a proporcionar bem-estar, conforto e apoio aos pacientes portadores de doenças ameaçadoras da vida
e suas famílias, incluindo o cuidado pós-morte.
A morte é um tema que, à primeira vista, é muito difícil de ser abordado no dia a dia das famílias. No ambiente hospitalar, paradoxalmente, acontece fenômeno si-milar. Os médicos, apesar de, muitas vezes, lidarem com pacientes em nal de vida, ignoram essa realidade. A arte de “fugir da morte” é exercida na presença daqueles que vão morrer, seja numa conspiração silenciosa entre a equipe de saúde e familia res que impedem a autonomia do paciente, seja pela incapacidade de se buscarem novas possibilidades de se lidar com o nal da vida. Mas enquanto houver vida deve haver a dignidade de poder vivê-la, com a dor e o sofrimento sendo cuidados de forma ade-quada. Um primeiro passo para isso é falar sobre a nitude e avaliar as possibilidades de se trabalhar com uma equipe multiprossional, considerando como foco da aten-ção o doente, e não a doença incurável, tendo os princípios bioéticos como base para a tomada de decisões.
Queremos, com esta obra, que conta com parceiros de destacada qualidade cientí-ca e humana, transmitir as muitas experiências de intensidade da vida que todos nós que trabalhamos no CP vivenciamos na primeira pessoa, todos os dias, acompanhan-do milhares de pacientes no nal de suas vidas e suas famílias.
Este livro é o primeiro movimento da comissão que vai ao encontro dos paliati- vistas da SBA e dos anestesiologistas interessados em participar desse projeto e tra- balhar conosco. Todas as mãos serão poucas para construir a SBA inuente em suas áreas de atuação que queremos. Seguiremos estimulando a elaboração de eventos de treinamento multidisciplinar em CP, com prioridade da qualidade cientíca, que ser- virão como pontos de encontro e participação dos anestesiogistas paliativistas nos
eventos ociais da SBA.
Desejamos transmitir nosso entusiasmo. Desejamos que você nos acompanhe. Desejamos boa leitura!
Comissão de Treinamento em Medicina Paliativa – CTMP Mirlane Guimarães de Melo Cardoso - Presidente e Coordenadora do livro
Guilherme Antônio Moreira de Barros - Membro Inês Tavares Vale e Melo - Membro
DOR
Epidemiologia, Fisiopatologia e
Classifcação da Dor
João Batista Santos Garcia Érica Brandão de Moraes
Incidência
A dor está associada a elevados custos para o sistema de saúde, além de comprome-ter também o humor e a qualidade de vida das pessoas. A dor crônica tem sido o foco dos estudos epidemiológicos pelo grande impacto na vida dos indivíduos, além de ser considerada hoje um problema de saúde pública mundial.
Estudo conduzido por meio de inquérito por telefone, com 17.543 pessoas em uma cidade da Austrália, observou que os pacientes com dor crônica apresentaram maior probabilidade de acesso dos serviços e estiveram mais propensos a serem usuários frequentes desses serviços. O estudo mostrou ainda que a dor crônica está associada ao aumento duas vezes maior de hospitalização e consultas médicas nos últimos 12 meses. As pessoas que tinham dor crônica procuraram cinco vezes mais os serviços de emergência comparado com as pessoas que não tinham dor crônica1.
O impacto da dor reete também na qualidade de vida das pessoas. Fatores como depressão, incapacidade física e funcional, dependência, afastamento social, mu-danças na sexualidade, alterações na dinâmica familiar, desequilíbrio econômico, desesperança, sentimento de morte e outros encontram-se associados a quadros de dor crônica2.
Estima-se que a prevalência de dor crônica possa variar de 12% a 80%3, e a dor
crônica com característica neuropática atinge em média 7% a 8% da população geral e cerca de um terço da população com dor crônica4,5.
O maior estudo epidemiológico foi realizado em 2006, na Europa, com a par-ticipação de 15 países. Um total de 46.394 pessoas respondeu ao questionário. A
Capítulo
prevalência média de DC para toda a Europa foi de 19%. Nesse estudo, as mulheres referiram mais dor do que os homens. A dor foi mais prevalente entre 41-60 anos. Somente 12% dos respondentes sofriam de dor crônica há menos de dois anos, quase 60% sentiam dor entre há 15 anos e muitos reportaram dor com duração maior do que 20 anos (21%). Uma em cada cinco pessoas tinha dor de cabeça e nos membros inferiores6. A dor foi intensa em 34% das pessoas, e 31% delas não toleravam mais
a dor. Um em cada quatro indivíduos armou que sua dor inuenciava na situação de trabalho em que se encontravam. A dor teve também grande impacto no estado emocional deles: 21% dos respondentes disseram que tiveram diagnóstico de de-pressão por causa da dor. Somente 25% foram a um especialista em dor. Em relação ao tipo de medicamento utilizado para o tratamento da dor, a maioria utilizava an-ti-inamatórios não esteroides, AINEs (55%), 43% usavam analgésicos, 13% eram opioides. Em relação à satisfação com o tratamento, 40% estavam insatisfeitos com o tratamento recebido6.
Alguns estudos mostram maior prevalência de dor entre pessoas do sexo femi-nino. Um estudo populacional realizado na Noruega comparou homens e mulheres. Em relação à intensidade dolorosa, as mulheres tiveram signicantemente maior in-tensidade dolorosa em relação à dor no momento da entrevista e também no pior momento. As mulheres também tiveram dor em mais locais do que os homens7. As
mulheres também tiveram maior porcentagem no consumo de medicamentos como analgésicos. A dor crônica também teve uma grande inuência na qualidade de vida das mulheres, que deixaram de fazer suas atividades diárias7.
Outro aspecto importante é o aumento da prevalência com o avançar da idade. Um estudo realizado com idosos em Londrina observou que 51,4% dos entrevistados apresentaram queixa de dor crônica. Os locais mais prevalentes foram região dorsal (21,7%) e membros inferiores (21,5%). A intensidade foi moderada em 38,4% dos casos e em 9,5% foi descrita como intensa. A maioria dos idosos apresentava frequência diária de dor e 18% referiram sentir dor contínua (31,3%)2.
No Brasil ainda existem poucos estudos epidemiológicos sobre dor crônica. O primeiro estudo populacional foi realizado em 2008, na cidade de Salvador, Bah-ia. Participaram desse estudo 2297 indivíduos. A prevalência de dor crônica foi de 41,4%, com predominância maior nas mulheres (48,4%). A região lombar foi a mais presente, representando 16,3%. No modelo final, idade, ser ex-fumante e obesidade central estiveram associadas à dor crônica em ambos os sexos. O con-sumo excessivo de álcool na mulher e o fumo para os homens também estiveram associados à dor crônica8.
Em 2012 foi realizada uma pesquisa populacional na cidade de São Luís (MA), com enfoque na dor crônica com e sem características neuropáticas. A amostra consistiu de 1.597 indivíduos. A prevalência de dor crônica (DC) em São Luís foi 42%, e 10% apresentaram dor com características neuropáticas, percentual maior que no Reino Unido (8%)5 e na França (6,9%)4. O aumento da idade foi um forte
fator associado, observando-se que a prevalência de DC aumentou nos indivíduos mais velhos. O tempo de duração da dor, nesse estudo, concentrou-se entre 6 meses e 4 anos, com frequência predominantemente diária, com a intensidade dolorosa
e o tempo de dor maior nas pessoas que tinham dor crônica com característica neuropática. Houve predominância da dor nos membros inferiores nessa popula-ção (51%). Grande parte da populapopula-ção ainda não sabia a causa da dor (50,89%). Os medicamentos mais utilizados para o tratamento da dor crônica nesse estudo foram analgésicos e AINEs9.
Quinto Sinal Vital
O reconhecimento da dor como o quinto sinal vital surgiu nos Estados Unidos, em 1996, por James Campbell, presidente da Sociedade Americana de Dor. A ideia dessa inclusão é que a dor seja avaliada periodicamente, da mesma forma que os demais sinais vitais, e que essa avaliação passe a ser uma rotina nas instituições.
A avaliação da dor e o registro sistemático e periódico de sua intensidade são fun-damentais para que se acompanhe a evolução dos pacientes e se realizem os ajustes necessários ao tratamento. As construções de rotinas de avaliação da dor e protocolos de conduta são de extrema importância para fomentar essa prática. Deve-se estabe-lecer um local de registro de avaliação da dor, de preferência junto com os demais registros dos sinais vitais.
Outro aspecto importante é o treinamento da equipe, sobretudo da equipe de enfermagem, que é quem terá maior contato com os pacientes. A implantação da avaliação da dor como o quinto sinal vital deve ser tido como uma meta institucio-nal, com monitoramento dos indicadores de adesão pela equipe. Considerar a dor como o quinto sinal vital é uma maneira de melhorar a qualidade do atendimento ao paciente10.
A Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)11 recomenda que os
compo-nentes iniciais dessa iniciativa devam ser:
• adotar uma rotina de avaliação de ocorrência e intensidade da dor para todos os pacientes, usando uma escala visual analógica (EVA);
• documentar a ocorrência de dor e de sua intensidade para todos os doentes; • documentar as intervenções planejadas para o tratamento e controle da dor,
bem como o período determinado para a reavaliação;
• realizar um planejamento para seu efetivo desenvolvimento, preferencialmente designando um membro da equipe que que responsável pela coordenação da implantação do quinto sinal vital;
• estabelecer um plano de ação com prazos e designação de responsáveis para sua implantação em todas as unidades da instituição;
• denir a folha de registro da avaliação, intervenção e reavaliação; • denir o instrumento de avaliação (EVA) que será utilizado;
• estabelecer normas e procedimentos para avaliação e reavaliação da dor para os pacientes em que a dor seja identicada;
• educar a equipe de saúde quanto à avaliação da dor (componentes de uma ava-liação, aplicação da EVA, registro adequado e reavaliação) e seu manejo (inter- venções farmacológicas e não farmacológicas);
• desenvolver um plano para educação do paciente e seus familiares quanto à avaliação e ao manejo da dor.
Avaliação da Dor
A dor é extremamente subjetiva, e os pacientes podem ter diculdade para ex-pressá-la, portanto, sua avaliação e mensuração são consideradas tarefas difíceis por agrupar aspectos individuais, valores e fatores próprios da doença.
Uma avaliação apropriada torna-se fundamental no tratamento do paciente, pois possibilita uma terapia analgésica adequada, que conduz a mudanças necessárias no manejo da dor, permitindo melhoria na qualidade do cuidado12.
Aspectos importantes na avaliação da dor:
1. Sempre avaliar a dor no momento da admissão e visita do prossional ao paciente. 2. Quando houver alguma alteração do estado clínico do paciente, a dor deve
ser reavaliada.
3. Antes, durante e após qualquer procedimento invasivo no paciente. 4. Usar instrumentos adequados para grupos especícos de pacientes:
• neonatos, lactentes e crianças;
• idosos com comprometimento cognitivo (demência avançada); • pacientes em estado grave ou inconscientes (entubados, sedados); • pacientes oncológicos.
5. Realizar uma avaliação abrangente da dor, investigando:
• a localização da dor - observar a região afetada e se há irradiação;
• a intensidade da dor - avaliar a dor atual e no contexto geral, em repouso e movimento;
• o tempo da dor - quando iniciou, a duração de cada episódio e se é inter-mitente ou contínuo;
• a qualidade da dor - avaliar os descritores utilizados pelos pacientes (for-migamento; pontada; queimação etc.);
• os fatores de piora e melhora - avaliar em que momento do dia piora e melhora;
• o tratamento atual e prévio - considerar os fatores farmacológicos e não farmacológicos; adesão ao tratamento; efeitos colaterais e reações adversas; • a interferência na vida diária - sono e repouso; trabalho; apetite; humor;
convívio social e espiritualidade, entre outros.
Os resultados da avaliação da dor devem ser sempre documentados para que todos os prossionais envolvidos no cuidado com o paciente possam realizar o manejo ideal da dor.
São inúmeros instrumentos disponíveis para serem aplicados durante o processo de avaliação da dor. Estes podem ser unidimensionais (avaliam apenas a intensidade da dor) e multidimensionais (avaliam diferentes dimensões da dor). Os instrumentos unidimen-sionais são escalas que quanticam apenas o nível de intensidade da dor; são ferramentas rápidas, fáceis de serem aplicadas, fornecem resposta sobre a ecácia das intervenções e têm sido amplamente utilizadas no meio hospitalar. As mais utilizadas são a Escala Des-critiva Verbal, a Escala Analógica Visual (EAV) e a Escala Numérica Verbal13.
Os instrumentos multidimensionais são escalas utilizadas para avaliar e mensurar as diferentes dimensões da dor. As principais dimensões avaliadas são a sensorial, afetiva e avaliativa. A mais utilizada é a Escala de Dor de McGill14.
Fisiopatologia da Dor e Mecanismos Periféricos e Centrais
A dor resulta da ativação de receptores periféricos por estímulos térmicos, químicos ou mecânicos potencialmente lesivos. Esses receptores ou terminações nervosas livres possuem alto limiar de excitabilidade e são chamados de nociceptores. A informação da lesão tecidual é transmitida ao sistema nervoso central através de bras nervosas do tipo Aδ e C, que se dirigem para a medula espinhal, por meio da raiz dorsal15.
Quando o estímulo é muito intenso e prolongado, no local da lesão tecidual há a liberação de substâncias responsáveis pela resposta inamatória, que pode durar ho-ras ou dias. A persistência das lesões periféricas pode causar modicações, direta ou indiretamente, no sistema nervoso, nas vias de processamento da dor16.
A dor que se segue à manipulação cirúrgica, por exemplo, normalmente provo-ca mudanças na sensibilidade das bras nervosas, que provo-caracteriza o fenômeno de sensibilização periférica. Este se manifesta pelo aumento na atividade espontânea neuronal, diminuição do limiar necessário para ativação dos nociceptores e aumento da resposta a estímulos supraliminares. A sensibilização dos nociceptores aferentes primários provoca hiperalgesia, que é denida como uma resposta exagerada aos es-tímulos dolorosos. Há a hiperalgesia primária, que ocorre dentro dos limites da área de lesão tecidual, e a hiperalgesia secundária, que se dá nas circunvizinhanças da lesão. Uma proporção de aferentes primários não mielinizados normalmente não são sensíveis a estímulos térmicos e mecânicos intensos, entretanto, na presença de sensi- bilização tornam-se responsivos. São os chamados nociceptores silentes, que passam
a responder de maneira intensa mesmo a estímulos não nociceptivos17.
A resposta inamatória que ocorre após a lesão do tecido, que leva à sensibilização periférica, é caracterizada pela liberação de substâncias tanto das células do tecido lesado como das células inamatórias, como mastócitos, macrófagos e linfócitos. Ocorrem mudanças na permeabilidade vascular e no uxo sanguíneo local, ativação e migração de células do sistema imunológico e mudanças na liberação de fatores trócos e de crescimento pelos tecidos próximos18.
Há liberação de cininas (principalmente a bradicinina) e de ácido araquidônico, que sob a ação da cicloxigenase e da lipoxigenase origina as prostaciclinas, as pros-taglandinas, o tromboxano e os leucotrienos. A liberação de prospros-taglandinas, prin-cipalmente PGE2, provoca diminuição do limiar de excitabilidade dos nociceptores, tornando-os sensíveis a estímulos menos intensos. Há ainda a liberação de media-dores como potássio, serotonina, óxido nítrico, substância P, histamina e citocinas (IL-1, IL-6, IL-8 e TNFα). Embora alguns mediadores possam agir diretamente nos canais iônicos das membranas, alterando a permeabilidade e a excitabilidade celular, a grande maioria age indiretamente pela ativação de receptores de membrana que estão usualmente, mas não exclusivamente, acoplados a segundos mensageiros, ati- vando cinases especícas com fosforilação de canais iônicos de membrana18.
Com a estimulação persistente dos nociceptores, observa-se redução do limiar de sensibilidade, fazendo com que estímulos normalmente não dolorosos resultem em dor (alodínia), além do aparecimento de dor espontânea, hiperalgesia primária e se-cundária, que podem persistir, mesmo após a resolução da lesão tecidual. Isso sugere
que a sensibilização periférica não é responsável por todas essas mudanças, devendo haver um envolvimento signicante do sistema nervoso central nesse processo, que caracteriza o fenômeno de sensibilização central19,20.
O sistema nervoso central apresenta mudanças estruturais e funcionais, denomi-nadas plasticidade, com adaptações positivas (apropriadas às mudanças do meio) ou negativas (anormalidade de função).
A sensibilização central é desencadeada por impulsos sensoriais transmitidos através de bras amielínicas C, que terminam nas camadas mais superciais do corno posterior da medula espinhal. Essa sensibilização se caracteriza por atividade espontânea aumentada, redução de limiar ou aumento na responsividade a impulsos aferentes, descargas prolongadas após estímulos repetidos e expansão dos campos receptivos periféricos de neurônios do corno dorsal. Além do componente medular, há evidências de que as lesões periféricas também possam induzir plasticidade em estruturas supraespinhais, afetando a resposta à dor19,20.
Para que ocorram alterações no corno dorsal da medula, é necessário que a ati- vação dos aferentes primários de pequeno diâmetro resultem na liberação de
neu-ropeptídeos (substância-P, neurocinina-A, somatostatina e peptídeo geneticamente relacionado com a calcitonina) e de aminoácidos excitatórios (glutamato e aspartato). Essas substâncias estão relacionadas com a geração de potenciais pós-sinápticos exci-tatórios, que podem ser lentos (produzidos pelas bras amielínicas C, podendo durar até 20 segundos) e rápidos (produzidos pelas bras A de baixo limiar de excitabilida-de, durando milissegundos)21.
Os potenciais pós-sinápticos excitatórios rápidos geram correntes iônicas de curta duração para dentro da célula e são mediados pela ação do glutamato via receptores AMPA (ácido alfa-amino-3-hidróxi-5-metil-4-isoxasolpropiônico), ligados a canal
iô-nico de sódio e receptores metabotrópicos, ligados a proteína-G e fosfolipase-C da membrana, que são conhecidos como receptores não-NMDA (N-metil-D-aspartato). Os potenciais pós-sinápticos excitatórios lentos podem também ocorrer por meio dos receptores AMPA, mas seu mecanismo de geração mais consistente é através da ação do glutamato e da glicina (coagonista obrigatório) sobre os receptores NMDA e da ação de taquicininas, como a substância-P e a neurocinina-A. Há três tipos de recep-tor para as taquicininas: neurocinina-1 (NK 1), neurocinina-2 (NK 2) e neurocinina-3 (NK 3), sendo todos pós-sinápticos, acoplados à proteína G e localizados nas lâminas I, II e X do corno dorsal medular. A substância-P age preferencialmente pelo NK 1e a neurocinina-A via NK 221.
A duração prolongada dos potenciais lentos permite que, durante os estímulos re-petitivos dos aferentes, esses potenciais possam ser somados temporariamente, pro-duzindo aumento cumulativo na despolarização pós-sináptica (poucos segundos de impulsos pelas bras C resultam em vários minutos de despolarização). Esse aumento progressivo na descarga do potencial de ação às estimulações repetidas é conhecido como o fenômeno de wind up19,21.
Para que esse fenômeno ocorra é necessário que haja a ativação dos recepto-res NMDA. Esses receptorecepto-res ionotrópicos são multímeros tetra ou pentaméricos que, além de altamente permeáveis ao cálcio, também são permeáveis ao sódio e
potássio. Identificam-se três famílias de receptor, formadas por subunidades de-nominadas NR1, NR2, NR3. O NR2 pode ainda ser subdividido em NR2 A, B, C e D e o NR3 em A e B. A subunidade NR1 é essencial na formação do receptor, sendo largamente distribuída no sistema nervoso central. A subunidade NR2 está impli-cada na patogênese de doenças como a esquizofrenia. A associação mai s funcional e importante desses receptores é a NR1-NR2B, que tem sido alvo de pesquisas dos antagonistas terapêuticos22.
As condições necessárias para a ativação desses receptores são complexas e en- volvem, além de sua ligação com o glutamato, a remoção do íon magnésio (que nor-malmente bloqueia o canal) e a ação moduladora de taquicininas. O deslocamento do magnésio acontece quando há despolarização prolongada e repetitiva da mem- brana (efeito voltagem-dependente), permitindo a passagem de cálcio para o interior
da célula. Se os estímulos através das bras C forem mantidos com a frequência e a intensidade adequadas, o receptor NMDA cará ativado e o resultado disso será a amplicação e o prolongamento das respostas implicadas na hiperalgesia22.
As taquicininas têm um papel proeminente na potencialização das respostas me-diadas pelos receptores NMDA. A substância P e a neurocinina-A ativam seus recep-tores NK 1 e NK 2, havendo como consequência um aumento de diacilglicerol (DAG) e formação de inositol 1,4,5-trifosfato (IP3). Na presença de fosfatidilserina e de cálcio (em concentrações intracelulares próximas às condições de repouso), o DAG causa ati- vação de proteína cinase C (PKC). Esta é translocada do citoplasma para a membrana, fosforilando proteínas, inclusive os receptores NMDA. A fosforilação dos receptores NMDA muda a cinética de ligação do íon magnésio, deslocando-o e facilitando, assim, a entrada de cálcio para dentro da célula. O aumento do cálcio intracelular tem um efeito adicional na ativação de PKC. A formação de IP3pode causar liberação de cálcio das vesículas intracelulares e induzir mais ativação de PKC, formando um ciclo de ativação do receptor NMDA (feedback positivo)22.
O aumento do cálcio também gera a ativação da enzima óxido nítrico-sintetase (NOS) e a estimulação da transcrição de protoncogenes (genes reguladores do proces-so transcricional de DNA). Os protoncogenes c-fos e c-jun, também chamados genes precoces, são originariamente descritos como uma classe de genes expressos nas cé-lulas do sistema nervoso central de forma rápida e transitória após várias formas de estimulação. O produto proteico da transcrição (Fos) é encontrado nos neurônios das lâminas I, II e V da medula espinhal (que são áreas sabidamente receptoras de bras nervosas que conduzem a dor) e tem ação sobre a expressão de outros genes23.
A ativação de Fos pode causar a transcrição de ARN mensageiros controladores da síntese de proteínas, fundamentais para o funcionamento do neurônio, como re-ceptores do glutamato (que aumenta sua densidade na membrana e torna o neurônio mais sensível ao glutamato), canais iônicos (aumenta sua excitabilidade) e enzimas como fosforilases e proteinocinases. Essas mudanças causam alteração da expressão fenotípica, são duradouras e eventualmente permanentes, tornando esses neurônios hipersensíveis por longos períodos23.
Importante ainda salientar a participação das células gliais do sistema nervoso central em todo esse processo – sabe-se hoje que elas participam de forma
dinâmi-ca, com destaque para a micróglia. Esta exibe uma série de respostas especialmente quando há lesão nervosa periférica. Há uma proliferação dessas células no terceiro dia após a lesão, com aumento da expressão de um número de marcadores proteicos, como os receptores toll-like 4(TLR4), CD14, CD4, proteína complexa de histocompati- bilidade classe II. Além desses, há uma regulação ascendente dos receptores
purinér-gicos P2X424.
Com os dados citados anteriormente, é coerente pensar que antagonistas dos re-ceptores NMDA, de neurocininas e da geração de Fos tenham um papel protetor, blo-queando o desenvolvimento e a manutenção da sensibilização central. A ativação dos receptores NMDA é, em última análise, o mecanismo principal da sensibilização do corno posterior da medula espinhal, caracterizada por atividade espontânea, redução do limiar ou aumento da resposta a impulsos aferentes, descargas prolongadas após estímulos repetidos e expansão dos campos receptivos dos neurônios do corno dorsal.
Antagonistas dos receptores NMDA, como ácido aminofosfonovalérico (AP5), dizo-cilpina (MK-801), cetamina, dextrometorfano e outros, têm sido testados em modelos animais e em humanos, mostrando uma ação redutora nos fenômenos de sensibiliza-ção central e de wind up. Os opioides e os anestésicos locais também teriam uma asensibiliza-ção semelhante, tendo sido, inclusive, demonstrada redução da geração de Fos com esses fármacos. Agonistas α-2, como a medetomidina, também têm efeito supressor de Fos na medula espinhal quando usada de forma preemptiva. Com esses resultados pro-missores, há um redimensionamento de estratégias para um melhor controle da dor25.
Efeitos da Dor nos Órgãos e Sistemas
A dor, especialmente a aguda, pode gerar reexos somáticos e autonômicos que podem inuenciar, de forma adversa, o funcionamento de vários órgãos e contribuir para o aumento da morbidade26 (Quadro 1).
Quadro 1 – Consequências siológicas da dor aguda
Cardiovascular ↑ FC, ↑ PA,↑ RVS,↑ trabalho cardíaco
Pulmonar Hipóxia, retenção de CO2, atelectasia, diculdade em tos-sir, ↓ VC,↓ CRF, alteração da ventilação/perfusão
Gastrointestinal Náusea, vômito, íleo paralítico
Renal Oligúria, retenção urinária
Sistema nervoso central Ansiedade, medo, fadiga, falta de sono
Imunológico Imunossupressão
Extremidades Dor muscular, estase venosa, tromboembolismo
FC - frequência cardíaca; PA - pressão arterial; RVS - resistência vascular sistêmica; VC - volume cor-rente; CRF - capacidade residual funcional.
No sistema cardiovascular, a dor aumenta o risco de isquemia miocárdica, infarto e insuciência cardíaca e o risco de tromboembolismo. No sistema respiratório, causa redução de volumes e capacidades pulmonares, espasmo reexo da musculatura
ab-dominal, resultando em diculdade para respirar profundamente e para tossir, acu-mulando secreções, causando atelectasias e maior risco de pneumonia26.
Outras consequências da dor aguda incluem retardo do funcionamento normal do intestino; retenção urinária; alterações do sistema imunológico e incapacidade física27.
A dor pós-operatória associada ao trauma cirúrgico desencadeia, além de uma resposta neural, caracterizada por elevados valores circulantes de catecolaminas, uma resposta endócrina manifestada pelo aumento dos níveis séricos de hormônios catabolizantes e pela diminuição dos hormônios anabolizantes, o que resulta em retenção de água e sódio, aumento de glicemia, radicais ácidos livres, corpos cetônicos e lactato. Evidências sugerem que essas mudanças autonômicas, endócrinas e metabólicas estão relaciona-das com o aparecimento de eventos adversos no período perioperatório27.
Há uma valorização crescente para os aspectos mentais da dor, sabendo-se que o paciente reage não só do ponto de vista anatômico e siológico. Observa-se, com frequência, o aparecimento de sintomas psicológicos negativos em pacientes com dor aguda, como sofrimento, tristeza, depressão, pânico, desespero, ansiedade, sentimen-to de desamparo e diminuição da motivação, além de alterações do sono27.
Em um estudo europeu com pacientes com dor crônica não oncológica, a quali-dade de vida e o humor foram signicativamente afetados em relação à população geral. Quase 60% dos pacientes apresentaram escores que indicavam depressão ou ansiedade. Ansiedade e transtorno depressivo têm se mostrado associados à presen-ça ou ao curso clínico de dor crônica. Pesquisas anteriores mostraram que indiví-duos com dor crônica na população geral são mais propensos a terem um transtorno psicológico ou psiquiátrico28,29.
Pacientes com dor crônica utilizam muito mais frequentemente o sistema de saúde, acarretando maiores custos com o tratamento, e também apresentam menor produti- vidade com maior número de horas de trabalho perdidas30.
Conclusões
A dor é um fenômeno complexo e individual, de prevalência importante, com im-pactos físico, psíquico, social e econômico negativos na vida dos indivíduos. Deve ser bem compreendida em seus mecanismos, avaliada corretamente e de forma
sistemá-tica, para que estratégias de tratamento sejam estabelecidas o mais cedo possível.
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Estratégias para o Controle da
Dor Pós-Operatória
Paulo Adilson Herrera José Cristovão Ferreira
Introdução
Mesmo com todo o avanço médico e novos tratamentos clínicos para várias doen-ças, o número de procedimentos cirúrgicos tem aumentado. Mais de 230 milhões de procedimentos cirúrgicos são realizados anualmente em todo o mundo. A dor pós-operatória é a principal preocupação dos pacientes antes da cirurgia e está rela-cionada com as complicações cirúrgicas e com o aumento da morbidade no período pós-operatório. Postula-se que a dor não tratada no período pós-operatório pode au-mentar a incidência de pneumonias, isquemia miocárdica, eventos tromboembólicos, íleo paralítico, náuseas e vômitos, tempo de internação.
Apesar de todo o conhecimento e os fármacos disponíveis, a dor pós-operatória continua subtratada. Mais da metade dos pacientes submetidos a cirurgias relatam dor moderada a severa no pós-operatório, 40% dos pacientes relatam dor intensa mes-mo após receberem seus analgésicos prescritos1,2.
A dor pós-operatória possui características únicas. Dor mista, em parte somática (inamatória e relacionada com o trauma tecidual), em parte neuropática (lesão axonal decorrente da cirurgia) só pode ser adequadamente tratada se ambos os componentes forem considerados após correta avaliação. Novos tratamentos têm emergidos fundamentados nos conhecimentos cientícos atuais. Terapêuticas mul-timodais e tratamentos ditos preemptivos e preventivos têm sido recomendados com base nos conhecimentos derivados dos conceitos de sensibilização neuronal central e periférica2.
Capítulo
Tratamento Clínico da Dor Pós-Operatória
O tratamento da dor pós-operatória envolve uma equipe de saúde que entende que seu tratamento não se limita simplesmente a prescrever analgésicos anti-inamatórios e opioides. A dor aguda pós-operatória deve ser vista como um fenômeno complexo de interações desencadeadas pela agressão tecidual cirúrgica, moduladas pelo sistema nervoso periférico e central em um paciente que possui um contexto histórico pessoal emocional com expectativas em relação ao procedimento. Seu tratamento inicia na avaliação e orientação da família e do paciente, passa por estratégias farmacológicas que endereçarão a sensibilização periférica (inamação) e central (neuropática) e se extende até a alta do paciente com orientações e cuidados que visam aumentar a satis-fação do paciente no período domiciliar e até identicar precocemente pacientes que vão apresentar a cronicação da dor pós-operatória.
Recomendações para o tratamento da dor pós-operatória foram desenvolvidas em 2014 por um painel de expertos da Sociedade Americana de Dor com o aval da So-ciedade Americana de Anestesiologistas3. As 32 recomendações apresentadas estão
resumidas na Tabela 1. Baseadas em evidências, reetem o princípio de que o trata-mento da dor inicia-se no período pré-operatório, deve ser individualizado e extende--se além da alta do paciente.
Tabela 1 - Recomendações no Tratamento da Dor Pós-Operatória (American Pain Society, 2016)
Recomendação Grau Recomendação/Evidência
Educação e Planejamento Perioperatório Informar paciente e família das opções para o
tratamento da dor PO e documentar o plano
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade Pais de crianças submetidas a cirurgias recebam
instruções para avaliar a dor
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade Avaliação pré-operatória sobre comorbidades,
doenças psiquiátricas, uso de analgésicos, história de dor crônica, experiências passadas
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade
Reajuste do plano de tratamento de acordo com a ecácia em aliviar da dor e efeitos adversos dos analgésicos
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade
Métodos de Avaliação
Utilizar métodos validados de avaliação da dor Recomendação forte/Evidência baixa qualidade Princípios Gerais de Tratamento Multimodal
Recomenda o tratamento multimodal com
diferentes analgésicos, técnicas de administração e tratamentos não farmacológicos
Recomendação forte/Evidência alta qualidade
Utilização de Modalidades Físicas
Considerar TENS ( estimulação transcutânea) Recomendação fraca/Evidência moderada qualidade
Nem encoraja, nem recomenda acupuntura,
massagem ou crioterapia Evidência Insuciente
Uso de Modalidades Cognitivas comportamentais Considerar a utilização de modalidades
cognitivo comportamentais em uma abordagem multimodal
Recomendação fraca/Evidência moderada qualidade
Recomendação Grau Recomendação/Evidência
Tratamento Farmacológico Sistêmico Recomenda tratamento oral nos pacientes que
podem utilizar esta via
Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Evitar a via intra-muscular Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Recomenda PCA ( analgesia controlada pelo paciente) quando existe necessidade de via parenteral
Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Considerem lidocaína IV em pacientes submetidos a procedimentos abdominais laparoscópicos se não há contraindicação
Recomendação fraca/Evidência moderada qualidade
Uso de Tratamentos Farmacológicos Locais/Tópicos Considerar Inltrações de anestésicos locais nas
cirurgias em que a evidência demonstra ecácia Recomendação fraca/Evidência moderadaqualidade Anestésicos tópicos junto com a inltração local
em circuncisões
Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Não recomenda analgesia interpleural após toracotomias
Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Anestesia Regional Periférica Anestesia Regional é recomendada em adultos e
crianças nos procedimentos em que há evidência de ecácia
Recomendação forte/Evidência alta qualidade
Anestesia regional continua se a necessidade de analgesia excede a duração de uma única injeção
Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Adição de clonidina como coadjuvante para prolongar a analgesia de um bloqueio regional periférico em uma única injeção
Recomendação fraca/Evidência moderada qualidade
Terapias Neuroaxiais Recomendam analgesia neuroaxial para
procedimentos torácicos e abdominais maiores, particularmente em pacientes de alto risco cardiovascular/pulmonar ou íleo prolongado
Recomendação forte/Evidência alta qualidade
Evitar a administração neuroaxial de magnésio, cetamina, midazolam, neostigmine, tramadol
Recomendação forte/Evidência moderada qualidade
Monitoramento pós-operatório apropriado para os pacientes que recebem analgesia neuroaxial
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade Estrutura Organizacional, Políticas e Procedimentos
Instalações que realizam cirurgia/analgesia renem seus processos e políticas para a oferta segura de analgesia PO
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade
Acesso a um especialista em dor para os casos de analgesia inadequada ou pacientes de alto risco para inadequação da analgesia ( dependentes químicos, uso crônico de opioides)
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade
Políticas de segurança e pessoal treinado para a realização de anestesias neuroaxiais e bloqueios periféricos
Recomendação forte/Evidência baixa qualidade
Transição para os Cuidados Ambulatoriais Prover educação para paciente e cuidadores do
plano de analgesia em casa e de como devem reduzir e retirar os analgésicos
Analgesia Preemptiva
A importância da modulação periférica e central na nocicepção apoiou o conceito da “analgesia preemptiva” em pacientes que serão submetidos a cirurgia. Este tipo de tratamento induz farmacologicamente um estado analgésico antes do trauma ci-rúrgico. Analgesia preemptiva é denida como um tratamento pré-operatório que é mais efetivo do que o tratamento idêntico administrado após a incisão. O objetivo é estender a duração dos analgésicos administrados para além da duração esperada. Estes tratamentos podem ser a inltração da ferida com anestésico local, bloqueio neuroaxiais ou periféricos ou ainda administração sistêmica de doses efetivas de opiáceos, anti-inamatórios, anestésicos locais ou bloqueadores NMDA (cetamina).
Evidências experimentais sugerem que a analgesia preemptiva pode atenuar efe-tivamente a sensibilização periférica e central para a dor. Apesar de alguns estudos terem falhado em demonstrar a analgesia preemptiva em humanos, outros estudos registram reduções signicativas nas necessidades analgésicas pós-operatórias em pacientes recebendo analgesia preemptiva.
Porém os objetivos principais, a prevenção da dor aguda intra e pós-operatória, prevenção da dor neuropática e prevenção da dor pós-operatória persistente e da dor crônica pós-cirúrgica, não são consistentemente alcançados com esta modali-dade analgésica.
É consensual que os mediadores inamatórios devem ser inibidos por mais tempo, abrangendo-se o período de lesão tecidual associado a inamação pós-operatória. A sensibilização central pode não ser prevenida se o tratamento terminar precocemente, deve haver um balanço entre lesão incisional e lesão inamatória, que depende da natureza do procedimento cirúrgico. Em algumas situações, a resposta inamatória é um fator dominante.
Temos evidências fundamentadas em estudos amplos e de boa qualidade de que algumas intervenções especícas, como a analgesia peridural, podem gerar efeito preemptivo clinicamente signicativo. Entretanto, essa armação não é valida para todas as técnicas analgésicas, e, algumas, como a utilização dos receptores de NMDA, permanecem controversas e merecem maior investigação4,5.
O alívio adequado da dor é importante para reduzir a incidência de dor crônica, devendo ser feito de forma preventiva e com duração suciente para ev itar sensibiliza-ção central pela dor prévia, pelo trauma cirúrgico e pela inamasensibiliza-ção pós-operatória4.
Analgesia Preventiva
A crença prévia de que a incisão cirúrgica desencadeia a sensibilização central tem sido expandida para incluir os efeitos dos estímulos pré-operatórios e de outros estí-mulos nocivos, intra e pós-operatórios, o que sugere que a denição prévia de analge-sia preemptiva é muito restritiva.
A analgesia preventiva difere da analgesia preemptiva por procurar estender a du-ração da analgesia pelo período pós-operatório, por todo o tempo em que os mecanis-mos de lesão tecidual e sensibilização persistem. Assim, o termo analgesia preventiva foi introduzido para enfatizar o fato de que a sensibilização central é induzida por