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Manual do Curso de Evidência na Emergência

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Academic year: 2021

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Manual do

Curso de Evidência

na Emergência

2011

MCEE 2011

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(3)

Manual do

Curso de Evidência

na Emergência

edição de 2011

(MCEE 2011)

(4)

Manual do Curso de Evidência na Emergência

MCEE 2011 4ª Edição:

Revista e actualizada Porto, Outubro de 2011

Editado para a Reanimapor:

António H. Carneiro Elizabete Neutel

Design e Paginação:

Next Color - Soluções Digitais, lda.

Impressão:

LITOJESUS - Artes Gráficas, Lda.

Tiragem: 4000 exemplares Depósito Legal: 336469/11 ISBN: 978-989-96821-0-8

Edição patrocinada pela Pfizer

O conteúdo e as afirmações expressas pelos Autores são da sua inteira responsabilidade. A Pfizer apoia a publicação desta obra mas, não tem qualquer responsabilidade

(5)

Abílio Reis Alexandre Pereira Alfredo Martins Aníbal Albuquerque António Bastos António Canha António H. Carneiro Assunção Tuna Bruno Moreira Castro Poças Cristina Lopes Cristina Ramos Daniela Moreira Elisabete Neutel Ernestina Gomes Estela Ramos Graça Dores Hélder Pereira Irene Aragão Irene Marques Joana Damásio João Gonçalves Pereira João Pedro Pimentel Joaquim Pires Jorge Dores

José Barros

José Gonçalves Aguiar José Pedro Pereira Luís Monteiro Manuel Rodrigues Margarida Amil Marta Salgado Miguel Cortez Nuno Cortesão Paula Lago Paulo Paiva Pedro Leuschner Pedro Nunes Pedro Póvoa Piedade Amaro Rui Araújo Rui Barros Rui Carneiro Severo Torres Sílvia Leite Sofia Ferreira Teresa Cardoso Teresa Moreira Vasco Barreto Zélia Moreira Colaboração de

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Índice

 Introdução _António H. Carneiro e Elizabete Neutel . . . .9

 Via aérea _Zélia Moreira e José Aguiar . . . .11

 Alterações do Equilíbrio Ácido-Base _Paulo Paiva, JP Pimentel e António H. Carneiro . . . .20

 Cetoacidose diabética e Síndrome Hiperosmolar Hiperglicémico _Paulo Paiva e Jorge Dores . . . .27

 Hipoglicemia _Jorge Dores . . . .33

 O diabético no peri-operatório _Jorge Dores . . . .38

 Alterações do Sódio _Paulo Paiva, Irene Marques e JP Pimentel . . . .47

 Hipercalémia _Paulo Paiva e JP Pimentel . . . .54

 Hipocalémia _Paulo Paiva e JP Pimentel . . . .57

 Anemia aguda e componentes e derivados do sangue _Margarida Amil e Elizabete Neutel . . . .60

 Coagulopatia e componentes e derivados do sangue no doente em estado crítico _Elizabete Neutel e Margarida Amil . . . .68

 Abordagem da dor aguda em contexto de urgência / emergência _Elisabete Neutel e Graça Dores . . . .78

 Sedação do doente em estado crítico _Elisabete Neutel . . . .87

 Febre e marcadores inflamatórios no doente agudo _Pedro Póvoa e João Gonçalves Pereira . . . .93

 Febre no pós-operatório _Rui Barros e Alfredo Martins . . . .97

 Anafilaxia _Estela Ramos e Cristina Lopes . . . .102

 Insuficiência respiratória aguda _Alfredo Martins . . . .107

 Pneumonia adquirida na comunidade _Alfredo Martins e Vasco Barreto . . . .115

 Crise aguda de broncoconstrição e asma agudizada _Alfredo Martins . . . .122

 DPOC agudizada _Alfredo Martins e Rui Carneiro . . . .128

 Embolia pulmonar _Abílio Reis . . . .134

 Pneumonia nosocomial _Helena Estrada e Abílio Reis . . . .141

 ARDS _António H. Carneiro e Piedade Amaro . . . .145

 Hemoptises maciças _Pedro Leuschner e Alfredo Martins . . . .149

 Submersão / afogamento _Rui Carneiro e Alfredo Martins . . . .154

 Pneumotórax _Nuno Cortesão e Alfredo Martins . . . .160

 Atelectasias _Alfredo Martins e Rui Barros . . . .165

 A grávida com insuficiência respiratória aguda _Rui Barros e Vasco Barreto . . . .171

 Terapêutica com O2 e terapêutica inalatórias _Rui Carneiro e Alfredo Martins . . . .177

 Orientações genéricas para programar um ventilador _Piedade Amaro e António H. Carneiro . . . .184

 Orientações genéricas para programar e monitorizar a ventilação não invasiva _Alfredo Martins, Piedade Amaro e Irene Aragão . . . .190

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Cardio-circulatório

 Choque _António H. Carneiro e Pedro Póvoa . . . .197

 Fluidos, Aminas vasoactivas e monitorização hemodinâmica _António H. Carneiro e Elizabete Neutel . . . .204

 Sépsis grave _António H. Carneiro e Teresa Cardoso . . . .210

 Insuficiência cardíaca _Teresa Cardoso e Miguel Cortez . . . .214

 Síndromes coronárias agudas _Aníbal Albuquerque e Miguel Cortez . . . .219

 Crise hipertensiva _António Bastos e Manuel Rodrigues . . . .226

 Hipertensão na Gravidez – emergência hipertensiva _António Bastos e Manuel Rodrigues . . . .239

 Tamponamento cardíaco _Teresa Cardoso e Severo Torres . . . .246

 Endocardite _Teresa Cardoso e Severo Torres . . . .249

 Diagnóstico e prevenção do TEV _Abílio Reis . . . .254

 Algoritmo da PCR no adulto _António H. Carneiro e Rui Araújo, segundo as recomendações ERC . . . .260

 Algoritmo das bradicardias _António H. Carneiro e Rui Araújo, segundo as recomendações ERC . . . .264

 Algoritmo das taquidisritmias - António H. Carneiro e Rui Araújo, segundo as recomendações ERC . . . .267

Neurológica  Coma _Luís Monteiro e Assunção Tuna . . . .272

 Défices neurológicos focais _Assunção Tuna e Manuel Correia . . . .276

 Síndrome meníngeo _Joana Damásio e Luís Monteiro . . . .281

 Meningite e Abcesso cerebral _Luís Monteiro . . . .285

 Encefalite _Luís Monteiro . . . .290

 Estado de mal epiléptico (convulsivo) _Assunção Tuna e Luís Monteiro . . . .294

 Cefaleias _José Barros e Assunção Tuna . . . .298

 AVC agudo (isquémico / hemorrágico) _José Pedro Pereira e Assunção Tuna . . . .301

 Hemorragia subaracnoideia espontânea _Joana Damásio e Assunção Tuna . . . .309

 Trombose venosa central _Assunção Tuna e Bruno Moreira . . . .312

 Estado confusional agudo _Paulo Paiva . . . .315

Disfunção Digestiva  Hemorragia digestiva alta _Teresa Moreira, Paula Lago e Castro Poças . . . .324

 Hemorragia digestiva baixa _Sílvia Leite, Marta Salgado e Castro Poças . . . .332

 Insuficiência hepática aguda _Sofia Ferreira e António H. Carneiro . . . .337

 Peritonites _Isabel Novais e António H. Carneiro . . . .343

 Pancreatites _Gil Gonçalves . . . .351

 Nutrição parentérica _Lúcio Santos, Beatriz Costa, Sónia Cabral . . . .360

 APILC _António Canha e António H. Carneiro . . . .365

(9)

Trauma

 Abordagem inicial do doente com trauma grave _António H. Carneiro,

segundo as recomendações ETC . . . .382

 TCE grave _Elisabete Neutel e Ernestina Gomes . . . .390

 Traumatismo Vertebro-medulares _António H. Carneiro, segundo as recomendações ETC . . . .399

 Traumatismo torácico _António H. Carneiro, António Canha e Nuno Cortesão, segundo as recomendações ETC . . . .411

 Traumatismo abdominal _António H. Carneiro e António Canha, segundo as recomendações ETC . . . .419

 Traumatismo da bacia e região pélvica _Hélder Pereira e Alexandre Pereira . . . .428

 Traumatismo dos membros _Hélder Pereira e Joaquim Pires . . . .437

Auxiliares de memória  Perfusões _António H. Carneiro, Elisabete Neutel . . . .449

 Tabelas de Insulina _Jorge Dores . . . .459

 Determinantes do equilíbrio ácido-base _Paulo Paiva e João Pedro Pimentel . . . .464

 Peso teórico ideal / IMC . . . .468

Apêndices  Transporte do doente crítico _José Aguiar e Zélia Moreira . . . .469

 Avaliação pré-operatória _Elisabete Neutel e Daniela Moreira . . . .478

 Avaliação neurológica sumária _Assunção Tuna e António H. Carneiro . . . .489

 Neuroimagem cerebral _Pedro Nunnes e Cristina Ramos . . . .491

 Avaliação imagiológica da coluna cervical no traumatizado _Pedro Nunnes e Cristina Ramos . . . .502

(10)
(11)

Introdução

O Manual do Curso de Evidência na Emergência (MCEE), criado pela Reanima em 2005, já vai na sua quarta edição. A sua aceitação generalizada e em todo o País, sur-preendeu-nos e incentivou-nos a prosseguir o projeto. O incentivo de membros da Direção da Sociedade Portuguesa de Cirurgia fizeram-nos desenvolver uma versão dedicada ao Peri-Operatório, o que motivou o alargamento da presente edição. O MCEE foi elaborado para apoiar os candidatos ao CEE e CPeri-Op, na preparação pré-curso e na actividade prática pós-pré-curso.

Por razões metodológicas e pedagógicas a organização dos textos tem uma estrutu-ra comum, assente nos seguintes pontos:

 Termos e conceitos

 Motivos precipitantes / causas  Classificação / Estratificação  Tratamento imediato e ulterior  Avaliação da resposta ao tratamento

O CEE e uma das suas variantes o CPeriOp foram criados pela Reanima -www.reanima.pt e centram o programa nas patologias mais prevalentes no atendi-mento de urgência / emergência. Muitas destas patologias ocorrem em doentes em estado crítico ou em risco de deterioração das funções vitais.

Os textos vinculam os autores e traduzem a sua experiência clínica revista em fun-ção do estado da arte. A edifun-ção de 2011 é uma actualizafun-ção revista e aumentada da edição de 2010. A edição 2011 tem novos capítulos em resposta a solicitações dos utilizadores e para apoio ao CPeri-Op. O Manual é distribuído gratuitamente pelo patrocinador de todas as edições: a Pfizer e fornecido aos candidatos dos cursos Reanima que o solicitem.

Além do CEE, a Reanima disponibiliza formação específica e sectorial em reanima-ção do adulto, reanimareanima-ção pediátrica, trauma, sépsis e infecreanima-ção grave, ventilareanima-ção invasiva e não invasiva, equilíbrio ácido-base e hidro-electrolítico (www.reanima.pt). A evolução da Reanima, a evolução deste projeto e os percursos de vida e disponi-bilidade de colaboradores das primeiras edições do MCEE, fizeram com que as pró-ximas edições tenham uma percentagem significativa de novos autores e novos capítulos, num processo de renovação e evolução a traduzir a vitalidade do projeto

(12)

A apreciação crítica do MCEE que cada utilizador entenda fazer, pode contribuir para melhorar a próxima edição. Se quiser colaborar connosco assumiremos essa disponibilidade como um contributo que nos honra e que desde já agradecemos.

António H. Carneiro e Elizabete Neutel

(13)

Via aérea

1. Definição / Conceito

A incapacidade de manter a permeabilidade e protecção da via aérea e assegurar ventilação e oxigenaçãoadequadas é um problema comum a muitos doentes críti-cos. A decisão atempada e eficaz da abordagem da via aérea na emergência, pode definir a diferença entre a vida e a morte.

A abordagem da via aérea em emergência implica a elaboração de uma estratégia orientada para cada doente.

 são habitualmente considerados “estômago cheio”, isto é, têm maior risco de aspiração pulmonar, obrigando a uma abordagem diferente da via aérea.  Podem ter via aérea difícildefinida pela American Society of Anesthesiologists

como uma situação clínica em que um anestesista treinado experimenta dificul-dade na ventilação por máscara facial, dificuldificul-dade com a laringoscopia/entuba-ção traqueal ou ambas.

2. Motivo precipitante / Causa

A decisão de como abordar a via aérea deve ter em consideração o seguinte:  Há uma incapacidade de manter a permeabilidade ou proteger a via aérea?

A obstrução da via aérea pode ser supra ou subglótica.

A alteração da consciência pode incapacitar o doente para proteger a via aérea

(Glasgow Coma Scale =<8)

 Há insuficiência da ventilação ou oxigenação? Por insuficiência respiratória ou cardiocirculatória.  Qual é a evolução clínica esperada?

Quando se antecipa deformação progressiva da via aérea (trauma facial, queimaduras...), agravamento clínico do doente ou necessidade de transporte.

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3. Classificação / Terminologia

Scores de avaliação da via aérea

Na avaliação da via aérea foram desenvolvidos vários scores e mnemónicas para ajudar a estratificar a dificuldade de abordagem da via aérea. Os scores classificam a via aérea em crescendo de dificuldade.

A classificação de McCormack-Lehane, que avalia a laringoscopia, relaciona-se com o score de Mallampati que avalia a visualização das estruturas da orofaringe com máxima abertura da boca e protusão da língua.

Considerações anatómicas na abordagem da via aérea Nariz Contraindicada entubação nasal em contexto de TCE Cavidade

oral

Alterações da articulação temporomandibular limitam a abertura da boca e dificultam laringoscopia e colocação de dispositivo supraglótico

Laringe

A glote, delimitada pelas cordas vocais é a porção mais estreita da via aérea no adulto.

A membrana cricotiroideia, localizada entre as cartilagens cricóide e tiróide é relativamente livre de vasos na sua linha média, permitindo a abordagem emergente invasiva da via aérea

Traqueia Diâmetro de tubo traqueal de 7/7,5 na mulher e 8/8,5 no homem

Brônquios Brônquio esquerdo com ângulação e comprimento maior, > probabilidade de intubação selectiva acidental para a direita

Classificação de McCormackLehane

(Laringoscopia)

Classificação de Mallampati

I Visualização de toda a abertura glótica I Visualização dos pilares amigdalinos e

de toda a úvula

II Visualização de parte das cordas vocais

e aritnóides II Não se observam pilares amigdalinos

III Visualiza-se apenas epiglote III Apenas se observa base da úvula e

palato mole

IV Não se visualizam estruturas glóticas IV Apenas se vê palato duro

Método de LEMON (proposto para a avaliação da via aérea em Emergência) L Lookexternally

 Hábito corporal, Trauma facial, Deformidade...

E

Evaluate 3-3-2 rule

 3 dedos de distância interincisivos

 3 dedos de distancia entre o mento e a junção entre o queixo e pescoço  2 dedos de distancia entre o osso hióide e a cartilagem tiroideia

M Mallampati

O Obstrution/Obesity

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Look externally L

Evaluate 3-3-2 rule E

Mallampati scoreM

Obstrution / Obesity O

NeckmobilityN Mdifficult Mask seal

OObese or airway Obstrution

Aadvanced Age NNo teeth

SSnore or Stiff lungs

OObese

BBearded

EElderly

SSnorers

EEdentulous

Ventilação com máscara facial Laringoscopia e entubação

4 DIMENSÕES DE DIFICULDADE RRestricted mouth opening

Oairway Obstrution

DDisrupted or Distorted airway

SStiff luns or cervical Spine

Surgery or other airway disruptionS

Hematoma/infecção/abcessoH

Obesity O

Radiation distortion R

Tumor T

Ventilação com dispositivo supraglótico Cricotirotomia

4. Tratamento

A abordagem da via aérea requer a formulação de uma estratégia que depende da avaliação da situação clínica.

O aporte de oxigénio suplementar deve ser activamente implementado durante todos os procedimentos.

Abordagem da via aérea em emergência 1.Avaliar patênciae adequação da via aérea

a. Perguntar “Como se chama?”, “Sabe onde está?” (Avalia A e D)

b. Identificar sinais de obstrução da via aérea

2.Exame da via aérea utilizando método de LEMON 3.Verificar a adequação da ventilação e oxigenação 4.Pensar na evolução clínica previsível

Abordagem básica da via aérea

1.Administrar oxigénio com máscara de alta concentração 2.Permeabilizar a via aérea:

 Hiperextensão da cabeça  Elevação do queixo

 Subluxação da mandíbula (nos doentes com suspeita de traumatismo cervical)

3.Utilizar aspirador com cânula rígida para aspiração de material da cavidade oral

e pinça de Magill para retirar corpos estranhos.

4.Uso de dispositivos supraglóticos (ver quadro)

5.Ventilar com máscara facial e insuflador manual

a. Ventilação eficazdepende de uma via aérea permeável, boa selagem da másca-ra e insuflação adequada

(16)

Dispositivos supraglóticos

Indicações/Vantagens Técnica de colocação Contraindicações/ Desvantagens Máscara

facial

Sempre que necessário rea-lizar ventilação

Colocar a máscara na face, evitando lesar os olhos, sobre o queixo e nariz. Segurar com os dedos médio e indicador e apoiar os restantes na mandíbula

Evitar pressões de insuflação superiores a 20 cmH2O. Risco de insuflação gástrica. Não protege da aspi-ração

Tubo orofaríngeo

(Guedel)

Obstrução da via aérea cau-sada por perda da tonicida-de dos tecidos da faringe ou para facilitar a adaptação da máscara facial nos doentes sem dentes

Medir o seu tamanho veri-ficando a distância entre incisivos e ângulo da man-díbula

Colocar o dispositivo com a concavidade para cima e rodar a 180º quando emba-te no palato duro

Contra-indicado doentes acordados, por risco de laringos-pasmo,vómito. Não protege da aspiração.

Tubo naso-faríngeo

Igual ao anterior mas melhor tolerado

Calibres 6 e 7 mm para adultos

Lubrificar e progredir com movimentos de torção na narina

Contra-indicado na fractura base crânio Não protege da aspi-ração

Combitube Via aérea emergente com ventilação difícil Ventilação sucedida na grande maioria das coloca-ções, fácil colocação Protege mais da aspiração em relação à máscara facial

Apresenta 2 lúmens o que implica que se fará ventila-ção através do lúmen que insuflar os pulmões, a maioria das vezes o tra-queal. Tem 2 cuffs. Coloca-se até que as duas marcas negras proximais atinjam os dentes

Utilização única Exige boa abertura da boca

Casos de enfisema subcutâneo e ruptura do esófago Pode exigir extensão cervical

b. A técnica de ventilação usando duas mãos é mais eficaz, mas necessita da cola-boração de um assistente

c. A insuflação lenta, numa frequência de aproximadamente 10 ciclos por minuto, num volume mínimo eficaz, evita o aumento da resistência ao fluxo de gases e a insuflação gástrica. Diminuindo o risco de regurgitação de conteúdo gástrico e aspiração pulmonar.

d. A ventilação com máscara facial é um processo dinâmico, daí a necessidade de continuamente avaliar a sua eficácia e adoptar técnicas para melhor adequação

6.Depois de cada intervenção deve-se reavaliar a permeabilidade da via aérea Nos últimos anos, a introdução de novos dispositivos supraglóticosmodificou signi-ficativamente as estratégias clássicas de abordagem da via aérea. A máscara larín-gea clássica tornou-se o “gold standard” destes dispositivos. Apresenta uma alter-nativa à ventilação com máscara facial e à entubação traqueal nos doentes sem risco acrescido de aspiração. É mais simples de aprender a colocar do que o tubo traqueal. Foi introduzida como uma alternativa à abordagem da via aérea difícil.

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Tubo larín-geo

Alternativa ao Combitube Fácil colocação, menos traumatico

Disponível em tamanhos pediátricos

Introduzir na cavidade oral como uma via orofaríngea e insuflar cuff Não protege da aspiração Máscara laríngea clássica (LMA) Alternativa à ventilação com máscara facial Alternativa à entubação traqueal

Aplicável na via aérea difícil Ventilação hands-free Pode servir como canal de entubação

Colocação menos agressiva que entubação traqueal Em relação ao tubo traqueal protege menos da aspiração Apesar de concebida para manutenção de ventilação espontânea permite a insti-tuição de ventilação contro-lada, evitando pressões de insuflação acima de 20 cmH2O Escolher o tamanho adequado: O número 3 adequa-se a adultos pequenos, o 4 a adultos de peso normal e a 5 a adultos grandes Colocar com cuffdesinsu-flado e face posterior lubri-ficada, com a abertura em direcção caudal Colocar o doente na posi-ção de “sniffing” Segurar a máscara entre o polegar e o indicador e des-lizar ao longo do palato duro até que não avance mais Deve ser confirmada a sua eficácia com a presença de CO2exalado.

Contraindicado nos doentes com risco acrescido de aspira-ção, patologia gea, obstrução farín-gea, baixa compla-cência pulmonar exi-gindo pressões inspi-ratórias superiores a 30 cmH2O

Máscara laríngea “Proseal”

Alternativa à máscara larín-gea nos doentes com maior risco de aspiração Permite pressões de insu-flação até 30 cmH2O Tem um canal de aspiração

Coloca-se da mesma forma que a máscara larín-gea clássica, permitindo a colocação de uma sonda de aspiração gástrica Semelhantes às anteriores Máscara laríngea que permite entubação (iLMAFastrack)

Permite entubação através do canal da máscara larín-gea, apresenta um tubo tra-queal aramado

Permite colocação sem fazer extensão cervical Alternativa na via aérea difícil

Colocação complexa, com entubação às cegas atra-vés do canal da máscara laríngea

Semelhante às ante-riores

Abordagem avançada da via aérea

A entubação traqueal é o padrão de protecção e segurança da via aérea. A entuba-ção sequencial rápida é a forma de abordagem adequada a doentes com risco acrescido de aspiração pulmonar, mas não é isenta de riscos. Deve ser elaborado um plano de abordagem individual doente. Os fármacos utilizados implicam a pre-sença de profissional habituado e treinado no seu uso.

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Algoritmo de abordagem da via aérea em emergência

Inconsciente, não reativo, periparagem cardiorrespiratória?

Tem indicação para intubação?

Sim Intubação imediata

Não A via aérea é difícil?

Sim Algoritmo da via aérea difícil Não Intubação sequencial rápida Sucedida Abordagem pós-intubação Falhou Algoritmo da via aérea difícil

Entubação Sequencial Rápida

Indicações Doentes em risco de aspiração: ex, que comeram ou beberam, grávidas, oclusão intestinal, obesidade, refluxo sintomático, trauma

Preparação de Material

Aspirador com cânula rígida e pinça de Magill Várias lâminas de Laringoscópio (Mackintosh e Miller)

Tubo endotraquealmandrilado, com outros tubos de tamanho diferente Fármacos (sedação, analgesia, relaxamento)

Material para fixação do tubo (nastro)

Seringa para insuflar cuff

Assistente para aplicar pressão na cricóide

Técnica Pré-oxigenação com O2a 100% durante 3 a 5 minutos (em alternativa 4

inspira-ções de capacidade vital)

Posição de “sniffingthemorningair” ou subluxação mandibular

Administração iv de anestésico geral, seguido imediatamente de succinilcoli-na 1,5 mg/Kg ou rocurónio 0,9-1,2 mg/Kg

Aplicar pressão na cricóide (Manobra de Sellick)

Não ventilar enquanto aguarda condições para entubação (30 a 60 segundos)

Entubação traqueal, retirando mandril atempadamente

Manter compressão na cricóide até verificação da entubação com etCO2e auscultação pulmonar

Problemas Se a entubação não é bem sucedida deve manter-se compressão cricóide enquanto se mantém ventilação com máscara facial

Chamar ajuda

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Limitações no uso dos bloqueadores musculares despolarizantes (Succinilcolina)

Efeitos adversos Hipercaliémia ( ! insuficiência renal, queimaduras e lesões por esmagamento)

Aumento da pressão intragástrica Aumento da pressão intracraniana (! TCE)

Aumento da pressão intraocular (! Trauma ocular)

Bradicardia / Taquicardia e hipertensão Fasciculações e mialgias

Contra-indicações História familiar ou pessoal de hipertermia maligna Miopatias

A instrumentação da via aérea é uma manobra agressiva que despoleta uma acti-vação do sistema nervoso autónomo, que, no doente com baixa reserva fisiológica, pode ser deletéria.

Respostas fisiológicas à entubação Fármacos que podem ser utilizados como pré-tratamento

Laringospasmo e Broncospasmo Hipertensão, Taquicardia, Bradicardia Aumento da pressão intracraniana

Lidocaína (1,5 mg/kg ev)

Fentanil

(Ver capítulos Sedação e Analgesia doente crítico)

Algoritmo de abordagem da via aérea difícil

1.Avalie a probabilidade e o impacto clínico dos seguintes problemas: a. Intubação difícil

b. Ventilação difícil

c. Dificuldade com o consentimento e colaboração do doente d. Traqueostomia difícil

2.Implemente activamente o aporte de oxigénio suplementar durante a execução da estratégia de abordagem da via aérea

3.Considere estas diferentes opções

4.Desenvolva estratégias primárias e alternativas:

versus

A.Intubação acordado B. Técnica não invasiva para

abordagem inicial da via aérea C. Preservação da ventilação

espontânea

Tentativa de intubação após indução de anestesia geral

Técnica invasiva para abordagem ini-cial da via aérea

Ablação da ventilação espontânea

A. Intubação com o doente acordado

Via aérea abordada com intubação não

invasiva Abordagem invasiva da via aéreab* Sucesso* Falha Cancelar caso Considerar outras opçõesa Abordagem invasiva da via aéreab*

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B. Tentativas de intubação após indução de anestesia geral

Sucesso* Falha

Ventilação sob máscara facial adequada

A partir deste momento

CHAMAR AJUDA

Retomar ventilação espontânea Acordar o doente

Ventilação sob máscara facial não adequada

Via aérea não emergente Considere Máscara Laríngea Máscara Laríngea adequada* > VMF/LMA inadequadas Máscara Laríngea não adequada ou não possível

Sucesso* Falha após múltiplas tentativas Abordagem invasiva da via aéreab* Ventilação emergente não invasivae Abordagem invasiva emer-gente da via aéreab* Sucesso* Falha Considerar viabilida-de viabilida-de outras opçõesa Acordar o doented Abordagens alternativas à

intubaçãoc Via aérea emergente

Pedir ajuda

*Confirmar ventilação, entubação traqueal ou LMA avaliando o CO2exalado

aOutras opções incluem (mas não se limitam a) manter cirurgia com ventilação por máscara facial ou LMA; anestesia local ou regional. A escolha destas opções implica uma ventilação por máscara facial não proble-mática. Estas opções têm valor limitado se chegar a este passo através do caminho da via aérea emergente

bAbordagem invasiva da via aérea inclui traqueostomia percutânea e cirúrgica e cricotirotomia

cAbordagens alternativas não invasivas incluem (mas não se limitam a) uso de diferentes lâminas de laringoscó-pio, LMA como canal para a entubação (com ou sem fibroscopia), entubação com fibroscopia, estilete de entuba-ção (Bougie), Estilete troca tubos, “lightwand”, entubaentuba-ção retrógrada e entubaentuba-ção nasal e oral às cegas.

dConsidere a preparação do doente para entubação acordado ou cancele caso

eOpções para ventilação emergente não invasiva incluem (mas não se limitam a) broncoscopia rígida, Combitube, jetventilationtranstraqueal.

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Abreviaturas / glossário LMA = Máscara laríngea

TCE = Traumatismo crânio encefálico

VMF = Ventilação com máscara facial Abordagem emergente alternativa à entubação traqueal: Cricotirotomia por agulha / cirúrgica.

Procedimento precário e lifesaving, que permite se realizado em condições ideais manter oxigenação do doente por um período, de aproximadamente 45 minutos, durante o qual é obrigatório assegurar uma via aérea estável e definitiva com a rea-lização de uma cricotirotomia cirúrgica ou de uma traqueostomia.

Técnica cricotirotomia com agulha:

 Colocar o doente em decúbito dorsal com extensão cervical, se possível

 Identificar membrana cricóide e puncionar com agulha G14 acoplada a uma seringa até aspiração de ar.

 Dirigir a agulha caudalmente fazendo um ângulo de 45º com a pele do pescoço

 Avançar a canula e retirar agulha

 Liga-se a uma fonte de O2com alto débito com Y ou torneira, permitindo 1 segundo para a inspiração e 4 segundos para a expiração

 Risco de barotrauma, enfisema, hemorragia e perfuração esofágica.

5. Critérios de avaliação da resposta ao tratamento / monitorização

Verificação da adequação da ventilação com máscara facial / LMA Ouvir e sentir fugas através da máscara

facial ou LMA

Sentir resistência normal à insuflação Expansão torácica

Melhoria na saturação O2

Detecção de CO2exalado (Colorimetria ou

capnografia)

Confirmação da intubação traqueal Visualização directa da passagem do tubo na glote

Detecção de CO2exalado (Colorimetria ou capnografia) Auscultação do tórax e epigastro

Visualização dos anéis traqueais com fibroscopia

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Alterações do Equilíbrio Ácido-Base

O resultado final é Acidemiase o pH ≤ 7,35 ou Alcalemiase o pH ≥ 7,45. Gap Aniónicoé a diferença medida entre o catião Na+e os aniões Cl-+ HCO

3-e

cor-responde aos aniões não medidos (maioritariamente albumina). O valor normal de 8-12 mEq/L diminui 2,5 mEq/L por cada g que a albumina desça. Um aumento do Gap Aniónico > 5 mEq/L significa que há acidose metabólica, mesmo com pH nor-mal (os ácidos, ao libertarem o H+, resultam em aniões na circulação). Portanto, existe acidose metabólicaquando

䉴pH < 7.35 e HCO3-diminuído ou

䉴o Gap Aniónico aumentou mais de 5 mEq/L.

O Gap Aniónico da urina, é a diferença entre catiões (sódio + potássio)e aniões (cloro) da urina. Nas situações em que o rim aumenta a produção de NH4Cl o Cl-é > (Na++

K+) e o Gap Aniónico da urina tem valor negativo. Nestes casos, significa que

exis-te aumento da produção de NH4+com excreção associada a cloro, permitindo iden-Paulo Paiva, J. P. Pimentel e António H. Carneiro

1. Definições / Conceitos

Ácido é toda a substância capaz de fornecer hidrogeniões (H+), quando está em solu-ção. Base é toda a substância que aceita hidrogeniões quando está em solusolu-ção.

Tampõessão moléculas capazes de aceitar ou de ceder H+ (conforme as condições do

meio)para equilibrar o pH. A “acidez” de uma solução é uma propriedade que resul-ta do nº de hidrogeniões nela dissolvidos, represenresul-tada pelo pH.

Acidosee alcalosesão termos que definem processos fisiopatológicos, conforme

tendem ao aumento da [H+]ou à diminuição da [H+], respectivamente. Podem coe-xistir ao mesmo tempo e no mesmo indivíduo mais do que uma perturbação fisio-patológica (“oses” diferentes)a alterar o pH em sentidos opostos. O organismo tenta reverter estes mecanismo com uma Compensaçãoem sentido contrário (a que não se chama acidose ou alcalose porque é fisiológica). Os níveis de compensação esperados em face de um distúrbio primário estão determinados e podem ser avaliados:

Acidose respiratória aguda Por cada ↑ de 10 mmHg da PaCO2 deve haver um ↑ de 1 mEq/L de HCO3 -Acidose respiratória crónica Por cada ↑ de 10 mmHg da PaCO2

deve haver um ↑ de 3,5 mmol/L de HCO3 -Alcalose respiratória aguda Por cada ↓ de 10 mmHg da PaCO2

deve haver um ↓ de 2 mEq/L de HCO3 -Alcalose respiratória crónica Por cada ↓ de 10 mmHg da PaCO2

deve haver uma ↓ de 4 mEq/L de HCO3 -Acidose metabólica Por cada ↓ de 10 mEq/L do HCO3-

espera-se uma ↓ de 12 mmHg da PaCO2 Alcalose metabólica Por cada ↑ de 10 mEq/L do HCO3

- espera-se um ↑ de 7 mmHg da PaCO2

(23)

tificar acidoses metabólicas por perdas de HCO3- extra-renais com rim normofun-cionante. Se Cl-< (Na++ K+) o Gap Aniónico da urina terá valor positivo o que sig-nifica que há défice de produção NH4+ (como na acidose tubular renal)ou excreção de NH4+com outro anião (ex. cetoácidos). O Gap Aniónico da urina não é válido:

䉴na ausência de acidose, 䉴se o pH da urina é >6.5, 䉴na presença de bicarbonatúria, 䉴na cetoacidose,

䉴durante a administração de carbenecilina ou outros aniões, 䉴durante a administração de lítio e

䉴na hipercalcémia.

Gap osmótico na urinaé a diferença entre a osmolaridade medida e a osmolaridade

calculada da urina [2 (Na++ K+) + Ureia/6 + Glicose/18]. Numa acidose metabólica com Gap Aniónico normal, se o Gap osmótico da urina é < 200 significa que há défi-ce de produção de NH4+ (acidose tubular renal). Se o gap osmótico da urina for > 200

sig-nifica excressão aumentada de amónia associada a outro anião (por. ex. cetoácidos).

2. Motivo precipitante / Causa

Os dados clínicospermitem antecipar os desvios esperados. Exemplos a considerar:

Situação Alteração previsível

䉴Sépsis

Alcalose respiratória enquanto reagir à hipóxia com hiperventilação

Acidose metabólicase compromete a eficácia hemodinâmica

䉴Vómitos

Alcalose metabólica se predomina a eliminação de hidrogeniões do suco gástrico

Acidose metabólicase a perda é essencialmente de

bicarbonato intestinal (obstrução distal à 2ª porção do duodeno)

䉴Diuréticos Alcalose metabólica por perda renal de H+e K+ 䉴Taquipneia/ polipneia Alcalose respiratória

䉴Coma diabético Acidose metabólica

䉴Paragem cardio-respiratória Associação de Acidose respiratóriae Acidose metabólica

䉴Intoxicação medicamentosa

Depende do tóxico mas na maioria dos casos provoca

acidose metabólica

Acidose respiratória se o tóxico provocar depressão respiratória Alcalose respiratória por hiperventilação se a intoxicação por salicilatos

䉴Ingestão crónica de alcalinos Alcalose metabólica 䉴“Overdose” de opiáceos Acidose respiratória aguda

䉴Hemorragia grave Acidose metabólicase compromete a eficácia hemodinâmica Alcalose respiratória enquanto reagir à hipóxia com hiperventilação

(24)

As acidoses metabólicas com Gap Aniónico elevadocorrespondem às situações em que há aumento de uma substância ácida no sangue e há que formular as seguin-tes questões:

䉴Há hipóxia? Se a resposta for sim, o diagnóstico a considerar é a acidose láctica. 䉴Há corpos cetónicos aumentados? Se a resposta for sim, o diagnóstico é

cetoaci-dose.

䉴Há insuficiência renal? Neste caso há acumulação dos ácidos normais do metabo-lismo.

䉴Há aumento do Gap osmótico da urina? Se sim, suspeitar de outro ácido circulan-te (tóxico? Ácido D-láctico?)

As acidoses metabólicas com Gap Aniónico normalcorrespondem a situações em que há perda ou não produção de bicarbonato

Acidoses metabólicas com Gap Aniónico aumentado:

I - Adição de ácidos

䉴Endógenos: Acidose L- láctica; Cetoacidose (diabética, alcoólica); Insuficiência Renal (incapacidade de excretar); Acidose D-láctica 䉴Exógenos :Ingestão de tóxicos;

Metanol; Álcool; Etileno glicol

Acidoses metabólicas com Gap Aniónico normal:

II - Perdas de HCO3

-䉴Digestivas: diarreia; fístula intestinal 䉴Renais: acidose tubular renal, acetazolamida;

pós tratamento de cetoacidose 䉴Acidose dilucional: soro fisiológico

III - Incapacidade do rim para formar HCO3-de novo 䉴Insuficiência Renal

䉴Acidose tubular renal

Acidose tubular renal (ATR) distal surge quando há défice de produção de NH3ou defeito na secreção de H+pelas células intercalares.

Causas:

䉴doenças autoimunes

(Síndrome de Sjogren, lúpus, crioglobulinemia, tiroidite, hepatite crónica activa, cirrose biliar primária),

䉴hipercalciúria e nefrocal-cinose (tanto podem ser causa como consequência de acidose tubular renal distal), 䉴drogas ou toxinas, 䉴nefrite túbulo intersticial 䉴doenças genéticas. Clínica: 䉴Sintomas osteoarticula-res (artralgias) 䉴fraqueza muscular 䉴dor lombar Outros achados: 䉴Gap Aniónico normal, 䉴hiperexcreção de catiões, 䉴hipercalciúria, 䉴alterações do potássio (a hipocalcé-mia pode ser grave)e 䉴alterações do sódio. Consequências principais: 䉴nefrocalcinose (em 56 % dos doentes), 䉴litíase renal, 䉴insuficiência renal, 䉴pielonefrite, 䉴atraso cresci-mento e 䉴osteomalácia.

Sintomatologia osteoarticular, nefrocalcinose ou litíase renal são pistas para o diagnóstico em doente com acidose metabólica e Gap Aniónico normal

(25)

As alcaloses metabólicas podem ter um mecanismo de perpetuação, em que o rim perde capacidade de excretar bicarbonato:

䉴Contracção de volume 䉴Insuficiência renal 䉴Deplecção de Cl-ou K+ 䉴PaCO2elevada

䉴Hiperaldosteronismo

As causas de alcaloses e acidoses respiratóriassão discutidas em capítulos especí-ficos deste Manual.

3. Caracterização e classificação

Causas de alcalose metabólica: Perda de valências ácidas: Gastrointestinal

䉴Vómitos

䉴Drenagem gástrica

䉴Tratamento com antiácidos (Insuficiência renal)

䉴Adenoma viloso Renal

䉴Diuréticos da ansa e tiazidas 䉴Hipercalcemia

䉴Hipocalémia

䉴Síndromes de Bartter e de Gittelman 䉴Aniões não reabsorvidos (ex: carbenicilina)

䉴Défice de Magnésio Ganho de HCO3-: 䉴Administração de bicarbonato 䉴Síndrome Leite-alcalinos 䉴Pós-hipercápnia Excesso mineralocorticoides: 䉴Hiperaldosteronismo primário (adenoma, hiperplasia)

䉴Estenose artéria renal, tumor secretor renina

䉴Síndromes adrenogenitais, síndrome de Cushing

䉴Excesso aparente mineralocorticoide

(licorice, Síndrome de Liddle)

Sequência Universal de Avaliação

1. CO2 2. Gradiente A-a 3. Resposta ao ↑ da FIO2 1. Desvio primário 2. Compensações 3. Gap Aniónico 1. Sódio 2. Potássio 3. Cálcio ionizado I - Avaliação CLÍNICA

䉴Informação clínica relevante 䉴Avaliação da volémia e hidratação 䉴Antecipação dos desvios esperados

II – Identificação de situações de PERIGO IMINENTE

䉴Choque 䉴Potássio < 2,5 ou > 7 mmol/L 䉴PaO2< 50 mmHg 䉴Na+< 115 ou > 160 mmol/L, sintomático 䉴Acidemia grave (pH < 7,1) 䉴Ca++ionizado >1,5 mmol/L

III – Análise da GASOMETRIA arterial e do IONOGRAMA

(26)

I – Avaliação CLÍNICA

Manifestações clínicaspróprias dos distúrbios ácido-base:

Acidose Respiratória: A hipercapnia provoca vasodilatação generalizada com

aumen-to do débiaumen-to cardíaco e por isso o doente tem frequentemente: 䉴pele quente

䉴taquicardia

䉴disritmias de predomínio supraventricular 䉴pulso amplo

䉴sudação profusa

Nos casos mais graves pode mesmo ocorrer falência renal, cardíaca e hipotensão. Encefalopatia hipercápnica ocorre quando o organismo não tem tempo para com-pensar a retenção de CO2e caracteriza-se por:

䉴cefaleias

䉴irritabilidade, agressividade

䉴confusão, incoerência de pensamento 䉴delírio, alucinações e sintomas psicóticos

䉴raramente: papiledema, convulsões, mioclonias e trémulo / asterixis / flapping Acidose metabólica:Tem como consequência imediata a hiperventilação, a que se

asso-ciam um conjunto de manifestações de estado hiperadrenérgico, designadamente: 䉴pele fria e suada

䉴estase capilar por vasodilatação arterial associada a venoconstrição 䉴taquicardia e arritmias (especialmente se o pH for < 7.0)

䉴sobrecarga cardíaca direita, por vasoconstrição da circulação pulmonar e 䉴alterações do nível de consciência

Alcalose respiratória:Pode provocar um espectro largo de manifestações

neuroló-gicas (em geral de carácter excitatório)em que se incluem: 䉴parestesias

䉴confusão 䉴tonturas

䉴sensação de aperto torácico 䉴convulsões (raramente) 䉴tetania

Se o doente está acordado a alcalose respiratória raramente se complica com con-sequências cardio-circulatórias porque o doente reage e cessa a hiperventilação, contudo, quando é provocada pela hiperventilação mecânica num doente sedado ou com patologia neurológica, provoca com frequência disritmias, aumento das resis-tências vasculares com redução do débito cardíaco e hipoperfusão periférica.

Alcalose metabólica:Tem manifestações inespecíficas e múltiplas: 䉴hipovolémia

䉴hipoventilação

䉴redução da contractilidade muscular 䉴disritmias

(27)

Avaliação de estado da volémia

Finalmente, antecipar os desviosesperados. II - Identificação de situações de PERIGO IMINENTE

Nas situações identificadas há risco iminente para a vida, justificando o inicio ime-diato de correcções (ver “Auxiliares de memória: Determinantes do equilíbrio ácido-base” no final do Manual)mesmo antes de ter identificado a causa.

III - Análise da GASOMETRIA arterial e do IONOGRAMA:

Propomos a “Regra dos 3”, que inclui 3 avaliações: Oxigenação, Ácido-base e Iões Sinais de desidratação/hiperhidratação:

䉴Reflectem a hidratação do espaço intracelular

䉴Pesquisados pelas manifestações neuropsiquicas e cutâneo-mucosas

Sinais de hipovolémia/euvolémia/hipervolémia efectiva: 䉴Reflectem sobretudo o estado circulatório e a

perfusão de órgãos

䉴Pesquisados pelas manifestações hemodinâmi-cas, o estado de perfusão periférica e central

1.Como está a oxigenação?Inclui, por sua vez, 3 avaliações: 1.PaCO2:Identifica presença de hipoventilação

2.Gradiente álveolo-arterial (G(A-a)):Identifica alterações nas trocas (relação ventilação: perfusão ou alteração da barreira)

3.Resposta ao aumento da FIO2:Identifica presença de shunt 2.Como está o equilíbrio ácido-base?Inclui também 3 avaliações:

1.Qual é o desvio primário?

Para identificar a alteração primária do equilíbrio ácido-base analisam-se o HCO3-e a PaCO2. A alteração primária é aquela que tem o mesmo sentido que o desvio do pH. Se o pH não está normal, definir se está alcalémico ou acidémico e, de seguida, identificar a “ose” que “manda” neste pH:

HCO3-elevado ⇒ alcalose metabólica HCO3-baixo ⇒ acidose metabólica PaCO2elevada ⇒ acidose respiratória PaCO2baixa ⇒ alcalose respiratória

2.Como estão as compensações?

Calcular o nível de compensação esperado e compará-lo com o verificado. Quando os mecanismos de compensação são eficazes e há níveis de compensação esperados trata-se de um distúrbio simples. Se compensação não for a que trata-seria de esperar é porque há distúrbio misto.

3.Como está o Gap Aniónico ?

Se está aumentado identifica acidose metabólica. O aumento do Gap Aniónico deve ser acompanhado de uma descida equivalente do bicarbonato. Se o bicarbonato desceu menos do que o aumento do Gap, há distúrbio também alcalose metabólica. Se o bicar-bonato desceu mais do que o aumento do gap há também acidose metabólica com Gap Aniónico normal (tem dois tipos de acidose metabólica).

Nas situações em que o Gap Aniónico é normal deve ser prosseguida a investigação recorrendo a 3 perguntas:

䉴Qual é a “Urine net charge”: (Na++ K+) – Cl-? 䉴Qual é o Gap osmótico da urina ?

䉴Qual é o pH da urina ?

3.Como estão os Iões? Dirige-se aos 3 iões que podem por em risco a vida:

1.Sódio 2.Potássio 3.Cálcio (ionizado)

(28)

4. Tratamento

O tratamento dos distúrbio ácido-base inclui sempre: 䉴Tratamento imediato das situações de perigo iminente 䉴Reposição do estado de volémia

䉴Resolução sistemática dos desvios identificados, identificando e tratando todos os mecanismos em presença (“oses”).

No tratamento das acidoses metabólicas com gap aniónico elevado só deve ser dado bicarbonato em situações de acidemia extrema com “perigo iminente”. Já o tratamento das acidoses metabólicas com Gap Aniónico normal faz-se corrigindo o distúrbio primário e administrando bicarbonato. A administração de bicarbonato deve ser calculada pelo peso corporal, administrando doses de 1 mEq/Kg e reava-liando o pH após administração.

5. Critérios de avaliação da resposta ao tratamento / monitorização

A monitorização clínica e laboratorial é essencial e deve ser repetida com a fre-quência determinada pela situação clínica e pela gravidade (habitualmente são neces-sárias gasometrias arteriais seriadas nas primeiras horas dos distúrbios graves e avaliações labora-toriais com poucas horas de intervalo, nessa fase).

A dose a administrar depende do peso e características do doente

Tratamento da Acidose Tubular Renal: Riscos da administração de

HCO3

-Mais valias da admi-nistração de HCO3-: Objectivo: manter HCO3> 20 mEq/L O tratamento com NaCO3permite 䉴sobrecarga de volume, 䉴hipocalémia, 䉴hipocalcémia, 䉴produção excessiva de

CO2(atenção aos doentes

ventilados) 䉴possível hipoglicemia 䉴remoção de H+ das proteínas intracelulares e geração de mais ATP 䉴solução de Shohl (citrato de sódio), 䉴cápsulas de HCO3-ou citrato de K+ 䉴corrigir a hipocalémia, 䉴eliminar a litíase, 䉴re-expandir o volume 䉴corrigir a acidose.

Exames para a avaliação dos desequilíbrios ácido-base:

Sangue: 䉴Gases sangue 䉴Ionograma 䉴Albumina 䉴Glicose 䉴Ureia 䉴Creatinina 䉴Osmolaridade

Urina (amostra ocasional):

䉴Sedimento

䉴Ionograma (incluindo cloro) 䉴Osmolaridade

䉴Ureia 䉴Creatinina

Nos doentes graves monitorizar:

䉴Parâmetros vitais 䉴Ritmo cardíaco 䉴Oximetria

䉴Diurese e estado de consciência 䉴Volumes administrados 䉴Balanço hídrico

䉴Gasometria arterial com iões

Abreviaturas / glossário

(29)

Cetoacidose diabética

e Síndrome hiperosmolar hiperglicémico

Paulo Paiva e Jorge Dores

1. Definições / Conceitos

A cetoacidose diabética (CAD)e o síndrome hiperosmolar hiperglicémico (SHH) repre-sentam os extremos do espectro da hiperglicemia, distinguindo-se clinicamente pela presença de cetoacidose e pelo grau de hiperglicemia.

A CAD caracteriza-se pelo défice absoluto ou relativo de insulina, agravado pela instalação de hiperglicemia, desidratação e alterações do metabolismo interme-diário produtoras de acidose metabólica. A CAD ocorre primariamente em doentes com Diabetes Mellitus tipo 1 e é a forma de apresentação em cerca de 3% desses doentes. As consequências secundárias às alterações metabólicas incluem acido-se metabólica com gap aniónico aumentado, diureacido-se osmótica induzida pela hiper-glicemia originando depleção de sódio, potássio, fosfatos e água. Os doentes estão habitualmente profundamente desidratados e têm níveis significativos de depleção de potássio, embora com caliémias normais ou elevadas, pelo desvio extracelular observado na acidemia. A perda urinária de cetoácidos com função renal normal e diurese aumentada pode também originar um componente de acidose metabólica com gap aniónico normal. Em resumo, na CAD há:

Acidose metabólica com gap aniónico normal (enquanto a função renal está normal)

Acidose metabólica com gap aniónico aumentado (a partir do momento em que há acu-mulação de cetoácidos)

Hiperglicemia (500 a 800 mg/dl mas pode estar normal!)

Diurese osmótica Desidratação

Deplecção de sódio, potássio, fosfatos

No SHH há pouca ou nenhuma acumulação de cetoácidos, a glicemia excede fre-quentemente os 1000 mg/dl, a osmolaridade plasmática é muito elevada (pode che-gar a 380 mOsm/Kg)e são frequentes alterações neurológicas (coma em 25-50%).

Apresentação clínica (na CAD habitualmente em < 24h; no SHH pode evoluir durante vários dias): História:

Sintomas clássicos

de hiperglicemia: Outros sintomas:

Sintomas de infecção ou condições associadas:  Sede  Poliúria e polidipsia  Noctúria  Perda de peso  Fraqueza generalizada  Mal estar/letargia  Nauseas/vómitos  Sudação diminuida

 Anorexia ou aumento do apetite  Confusão  Anorexia  Febre  Disúria  Arrepios  Dor torácica  Dor abdominal (frequente na CAD)  Dispneia

(30)

2. Motivo precipitante / Causa

3. Classificação

A avaliação inicial do doente deve:

Avaliar e assegurar as funções vitais seguindo a sequência “ABCDE”

Identificar os problemas principais do doente, nomeadamente em relação ao cumprimento terapêutico recente

Antecipar as alterações metabólicas prováveis Avaliar o estado de hidratação e de volémia Rastrear os principais focos de infecção. Todos os doentes devem ter:

Assegurado acesso vascular Monitorizados os sinais vitais Monitorizada a diurese

Realizada gasometria do sangue arterial com iões

Efectuadas colheitas para hemo-leucograma, glicemia, função renal, ionograma, urina sumária e sedimento urinário.

Exame físico:

Sinais gerais: Sinais vitais: Sinais característicos:  Mau estado geral

 Pele e mucosas secas  Respiração profunda

e dificil

 Turgor cutâneo diminuido  Reflexos diminuidos

 Taquicardia  Hipotensão

 Polipneia (resp. de Kussmaul)

 Hipotermia  Febre, se infecção

 Hálito cetónico (frutado)

 Confusão

 Coma

 Dor/defesa abdominal

(pode simular abdómen agudo)

Causas frequentes: Outras causas (20% no total):

 Infecção (40%)– Infecção urinária é a mais frequente

 Interrupção de tratamento com insulina (25%)

 Diabetes inaugural (15%)

 Enfarte do miocárdio ou Acidente vascular cerebral  Gravidez complicada

 Trauma ou Stress  Consumo de cocaína  Cirurgias

 Consumo exagerado de bebidas com carbohidra-tos concentrados  Pé diabético infectado Diagnósticos diferenciais:  Cetoacidose alcoolica  Apendicite aguda  Acidose láctica  Acidose metabólica  Enfarte do miocárdio  Pancreatite aguda  Choque séptico  Pneumonia em imunodeprimido  Toxicidade por salicilatos  Infecção urinária  Hipocaliémia  Hiponatrémia

(31)

4. Tratamento

O tratamento da CAD e do SHH é semelhante. As prioridades absolutas no tratamen-to são (em simultâneo):

Repor o défice de volume; Corrigir o défice de insulina;

Corrigir os desequilíbrios electrolíticos;

Iniciar de imediato o tratamento da causa(nomeadamente com recurso à antibioterapia

se houver suspeita de infecção);

Estabelecer um plano de monitorização Volume

Primeiro administrar soro fisiológico: 1 a 3L na 1ª hora (num adulto com CAD o défice

de volume é em média de 3 a 6 litros e no SHH de 8 a 10 litros), até à estabilidade hemodinâ-mica, com ausência de sinais de má perfusão central e periférica. Posteriormente num débito ajustado à manutenção destes parâmetros (200-1000 mL/h).

Após a estabilização inicial, alterar para soro heminormal (soro mais equivalente às

perdas dependentes da diurese osmótica). Se o sódio plasmático corrigido para a glice-mia estiver baixo, manter soro fisiológico.

Insulina

Sempre que possível a insulina deve-se iniciar com a reposição de fluidos e iões em curso (com resultado do doseamento de potássio na gasometria)para evitar risco de compli-cações em doentes com caliémia < 3,3 mmol/L (a insulina reduz rapidamente a caliémia). A glicemia deve baixar à razão de 50-75 mg/dL por hora.

Bólus inicial de 0.1 U/Kg IV seguido de perfusão IV contínua de acordo com o qua-dro seguinte:

Realizado ECG e Rx pulmonar

Monitorizada a glicemia capilar horária.

Critérios diagnósticos e classificação da CAD e do SHH: CAD

SHH

Ligeira Moderada Grave

Glicemia (mg/dl) PH Bicarbonato (mEq/L) Cetonúria Cetonémia Osmolaridade sérica Gap aniónico Estado de consciência > 250 7,25 - 7,30 15 - 18 + + Variável > 10 Alerta > 250 7,00 - 7,24 10 a < 15 ++ ++ Variável > 12 Alerta/Confuso > 250 < 7,00 < 10 +++ +++ Variável > 12 Estupor/Coma > 600 > 7,30 > 15 Ligeira Ligeira > 320 < 12 Estupor/Coma

(32)

Manter perfusão até haver resolução da cetoacidemia na CAD identificada pela normalização do Gap aniónico ou da hiperosmolaridade no SHH para menos de 320 mOsm/Kg.

Iniciar a terapêutica insulínica por via SC apenas quando já não houver sinais clí-nicos de desidratação e fazer a 1ª dose s.c. 60 min antes de parar a perfusão. Potássio

A reposição de potássio deve acompanhar a fluidoterapia inicial sempre que os níveis de potássio (na gasometria)sejam inferiores a 5,5 mEq/L.

Iniciar correcção quando o doente começar a urinar e adicionar potássio em função do potássio sérico:

K+sérico (mEq/L) K+a administrar (mEq/L)

>6 0

5-6 10

4-5 20

3-4 40

Se o K+inicial for normal ou baixo, isso significa que o défice de K+é grave. Esquema de Insulina por via Intra-venosa

Procedimento

Administrar Insulina de acção rápida por via intra-venosa em seringa eléctri-ca a correr a uma velocidade de perfusão variável segundo o valor da

glice-mia capilar pesquisado de hora/hora

Preparação Diluição de 50 U de insulina de acção rápida em 50 cc de SF

A

L

E

R

T

A Se glicemia < 70, ver procedimento para HIPOGLICEMIAS Quando a glicemia for inferior a 250 mg%, substituir o soro em curso por soro

polielectrolítico com glicose a 5%, a correr a 120 ml/hora

R it m o d e p e r fu s ã o (m l/ h o r a ) Glicemia capilar (mg/dl) Peso(Kgs) < 80 81 a 120 121 a 150 151 a 200 201 a 250 251 a 300 301 a 350 351 a 400 401 a 450 451 a 500 > 500 30 0 0,2 0,3 0,4 0,5 1 1,5 2 2,4 2,8 3 40 0 0,3 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,4 3,8 4 50 0 0,5 1 2 3 3,5 4 4,5 4,8 4,9 5 60 0,5 1 1,5 3 4 4,5 5 5,5 6 6 6 70 1 1 2 3 4,5 5 6 6,5 7 7 7 80 1 1,5 3 4 5 6 7 7,5 8 8 8 90 1,5 2 3,5 4,5 5,5 7 8 8,5 9 9 9 ≥ 100 1,5 2,5 4 5 6 8 9 9,5 10 10 10 Personalizado Ajustes ao ritmo de perfusão

Alterar o ritmo de perfusão para o escalão de peso imediatamente superior ao que está em curso se a descida da glicemia for inferior a 50 mg%/hora

em três avaliações sucessivas

Alterar o ritmo de perfusão para o escalão de peso imediatamente inferior ao que está em curso se a descida da glicemia for superior a 100 mg%/h

(33)

Se há disrritmias e hipocaliémia, administrar sulfato de Mg (2g), como

especi-ficado abaixo. Bicarbonato

O tratamento com bicarbonato só é necessário nas situações muito graves: pH <7.0 em doentes jovens,

pH <7.15 nos idosos,

PaCO2muito baixa, com o doente a evidenciar cansaço ou esforço respiratório

excessivo

Se o doente mantiver hipercaliémia grave apesar do tratamento com insulina. Objectivo: atingir pH > 7.2 e HCO3-> 10 mEq/L.

Atenção: Não dar HCO3-sem primeiro corrigir o défice de potássio.

Fosfato e magnésio

A diurese osmótica origina perda renal de fosfato e de magnésio. Quando for pos-sível devem ser doseados:

Se fósforo < 4 mg/dL, administrar fosfato de potássio, 10 - 20 mEq/L no soro (pode ser dado 2/3 do potássio indicado para a reposição sob a forma de KCl e 1/3 sob a forma de KPO4). Se magnésio baixo, administrar 10 ml de sulfato de magnésio a 20% (2g), em 100

cc de SF durante 1h.

5. Critérios de avaliação da resposta ao tratamento / monitorização

Criar folhas de registotemporal (“flow-sheets”)que permitam identificar em colunas

horárias os dados essenciais do tratamento (fluidos, insulina, potássio), da moni-torização, da gasometria e dos restantes exames analíticos.

A gasometria com iõesé o exame mais importante para a estratificação do risco e

para a monitorização da evolução. A primeira gasometriadeve estar disponível antes

de iniciar o tratamento com insulina. Na análise da gasometria ter em atenção:

pH PaCO2 Relação PaO2/FIO2 Lactatos

Bicarbonato Gap aniónico Iões Devem ser monitorizados:

Parâmetros vitais Estado de consciência (escala AVDN)

Ritmo Preenchimento capilar

Oximetria de pulso Diurese e glicemia capilar horárias Devem ser realizados:

Gasometria arterial (com iões e lactato)cada 2-4h

Bioquímica do sangue com função renal, ionograma, glicemia, fósforo, cálcio, marcadores de necrose miocárdica, enzimas pancreáticas e PCR, cada 4-6h Pesquisa de corpos cetónicos na urina cada 4h. Pode haver aumento (ou

apareci-mento)paradoxal dos corpos cetónicos com a melhoria do doente, por excreção

passar a ser excretado mais acetoacetato (que é identificado pela fita teste)e menos

hidroxibutirato (que não é detectado pelas fitas teste). Por este motivo, o melhor

(34)

Hemograma, pelo menos uma vez.

ECG inicial e sempre que houver mudança do ritmo ou suspeita de manifestações relacionadas como isquemia ou distúrbios iónicos.

Rx pulmonar, hemoculturas, exame sumário e sedimento urinário, ecografia abdominal e reno-vesical – pelo menos no início, para rastrear os factores precipitantes.

Vigiar complicações:

Acidose láctica, por choque. Pode manter-se por tratamento insuficiente, infec-ção, isquemia ou doença hepática subjacentes;

Edema cerebral, por hiperhidratação excessiva ou descida demasiado rápida da glicemia. Manifesta-se por cefaleias, agravamento do estado de consciência e edema papilar.

Trombose arterial, por hiperviscosidade. Pode manifestar-se a nível coronário, cerebral, mesentérico ou dos membros.

ARDS, por redução da pressão osmótica. Manifesta-se por dispneia e insuficiên-cia respiratória progressiva assoinsuficiên-ciada a alterações características da radiografia pulmonar (ver Cap. ARDS).

A resolução da criseaguda de hiperglicemia (CAD ou SHH)acontece quando: A cetoacidose resolveu, demonstrada pela normalização do gap aniónico,

poden-do persistir cetonémia e/ou cetonúria até 36h;

Há recuperação do estado neurológico e osmolaridade plasmática <315 mOsm/Kg no SHH;

O doente está capaz de retomar alimentação oral.

Abreviaturas / glossário AVDN = Acordado, responde à Voz, responde

à Dor, Não responde CAD = Cetocidose diabética

ECG = Electrocardiograma PCR = Proteína C reactiva

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Hipoglicemia

1. Definição / Conceito

É uma síndrome clínica causada pela descida excessiva da glicemia. A hipoglicemia define-se por um conjunto de sintomas e sinais de natureza reactiva-vegetativa que surgem em consequência da carência de glicose na célula nervosa, e desaparecem com administração de glicose.

O limiar da glicemia responsável pelas manifestações clínicas varia de indivíduo para indivíduo e é influenciada pela magnitude e velocidade da descida da glicemia. Laboratorialmente define-se por glicemia inferior a 50 mg/dl (2.75 mmol/l). A hipogli-cemia não tratada pode conduzir a lesão neurológica irreversível e, raramente, à morte.

Para considerarmos que um indivíduo tem, ou teve uma hipoglicemia, deve-se veri-ficar a tríade de Whiplle:

 Presença de sinais e sintomas suspeitos de hipoglicemia  Confirmação laboratorial (glicemia capilar ou bioquímica)

 Desaparecimento das manifestações clínicas com a administração de glicose A presença desta tríade é fundamental para prosseguir no estudo etiológico de uma hipoglicemia. No entanto, sendo a hipoglicemia na grande maioria das situa-ções uma complicação resultante do tratamento da diabetes, a confirmação bioquí-mica no sangue venoso não é necessária na maior parte dos casos.

Não existem manifestações clínicas específicas da hipoglicemia. O seu conjunto pode ser agrupado em manifestações autonómicas e neuroglicopénicas.

Nos diabéticos, as manifestações autonómicas tendem a surgir primeiro, quando a glicemia desce a valores entre 60 a 65 mg/dl (3,3 – 3,6 mmol/l), constituindo os sinais de

alarme e as neuroglicopénicas quando a glicemia cai abaixo dos 45 mg/dl (< 2,6 mmol/l). As manifestações neurológicas são muito variadas e podem incluir sinais focais sugestivo de AVCs. Como tal, todos os doentes com alteração neurológica aguda devem fazer pesquisa de glicemia.

Jorge Dores

Manifestações clínicas da hipoglicemia

Autonómicas Neuroglicopénicas

Fraqueza Trémulo fino Cefaleias Confusão

Hipersudorese Ansiedade Hipotermia Amnésia

Taquicardia Irritabilidade Perturbações visuais Convulsões

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Por vezes, as manifestações autonómicas não estão presentes, sobretudo em doentes com diabetes tipo 1 com muitos anos de evolução, com controlo glicémico muito apertado, ou com neuropatia autonómica e em diabéticos tipo 2 idosos.

2. Motivo precipitante / Causa

Factores que precipitam ou predispõem para a hipoglicemia no doente diabético Níveis excessivos de insulina Aumento da sensibilidade à insulina Ingestão alimentar insuficiente Outros factores Dose excessiva Aumento da biodisponibilidade da insulina Perda de peso Aumento da actividade física Refeição omiti-da, atrasada ou insuficiente Álcool - Inibe a produção hepática de glicose Erro do doente ou da equipa que o trata Insuficiência renal (redução da clearan-ce da insulina) Variação com o ciclo menstrual "Dietas de emagrecimento" Fármacos  Aumentam a

acção das sulfoni-lureias (salicilatos, sulfonamidas)  Bloqueiam a contra-regulação (ß bloqueadores não selectivos) Má adequação da dose às necessidades ou estilo de vida Fase de "lua de mel" (recuperação parcial da função ß) Pós-parto Anorexia nervosa Hiperadminis -tração deliberada de insulina ou outro fármaco hipoglicemiante Absorção acelerada  Exercício  Massagem no local da injecção  Injecção no abdomen Défice de hormo-nas contra-regula-doras:  Doença de Addison  Hipopituitarismo  Hipotiroidismo Vómitos, incluindo a gastroparesia Amamentação Exercício: Hipoglicemia Precoce:  Absorção acelerada Hipoglicemia Tardia:  Reposição do gli-cogénio muscular Existem diversas causas para a hipoglicemia, embora a complicação do tratamento da diabetes domine o aparecimento desta síndrome. É mais frequente nos doentes com diabetes tipo 1, tratados intensivamente com insulina, ocorrendo também com frequência relevante em diabéticos tipo 2 sob sulfonilureias, sobretudo de acção longa (glibenclamida). Diabéticos tipo 2 medicados apenas com dieta e exercí-cio, metformina, acarbose, glitazonas ou inibidores da DPP-4, geralmente não têm hipoglicemias.

Em todos os diabéticos com hipoglicemia deve ser dada atenção particular a 3 cau-sas possíveis:

 Alteração na medicação

 Alteração na actividade física/alimentação

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3. Classificação

A hipoglicemia é classificada em ligeira, moderada ou grave, em função das mani-festações clínicas apresentadas e não pelo valor da glicemia capilar obtido no momento.

 Hipoglicemia ligeira - as manifestações mais frequentes são a fome, trémulo fino e hipersudorese.

 Hipoglicemia moderada - o doente tem mais manifestações clínicas associadas, mas ainda é capaz de tratar a sua hipoglicemia.

 Hipoglicemia grave - quando as manifestações neuroglicopénicas já não permitem ao doente o seu próprio tratamento, necessitando da ajuda de terceiros. Este está-dio inclui a expressões mais graves do quadro como as convulsões ou o coma. São critérios de internamento:

 Causa não identificada

 Agentes hipoglicemiantes orais de longa duração de acção  Insulinas de acção prolongada

 Défices neurológicos persistentes

4. Tratamento

A abordagem inicialdeve incluir:

 Assegurar o ABC da reanimação (via aérea permeável e segura; respiração eficaz;

circula-ção eficaz).

 Administração de oxigénio para obter sat. O2= 94-98%.

 Acesso venoso.

 Monitorização de sinais vitais e estado de consciência.

A hipoglicemia, no diabético, não é a única causa de coma, mas deve ser a primei-ra a ser excluída em qualquer doente com alteprimei-ração da consciência.

Para minimizar erros na leitura da glicemia capilar, a técnica de determinação deverá ser feita com a quantidade suficiente de sangue e tendo o cuidado de con-firmar previamente se o dedo não está com demasiada humidade (hipersudorese ou desinfecção prévia com álcool). Esta humidade vai diluir a microgota de sangue, dando por vezes valores falsamente baixos.

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Procedimento perante uma HIPOGLICEMIA SINTOMÁTICA (glicemia < 70mg/dL) CONDIÇÃO Ordem de actuação Doente consciente e assinto -mático

Fornecer uma refeição ligeira ou aumentar o ritmo de perfusão dos soros glicosados / alimentação parentérica

Repetir a glicemia de 30 em 30 minu-tos, ou antes, se se tiver verificado alte-ração da condição Se a gli-cemia persiste <70mg/dL, proceder como no passo 1 Identificar causa Reeducar Adoptar medidas para evi-tar novas hipoglice-mias Doente consciente e sintomá-tico Via oral disponível

Dar água com 2 paco-tes de açúcar, seguida de refeição ligeira Repetir a pesquisa de glicemia de 15 em 15 minutos Via oral não dispo-nível 1 ampola de SG hipertónico (30%)IV, seguida de perfusão de soro glicosado a 5% Doente com alteração da cons-ciência Administrar 2 ampolas de SG hipertónico (30%)IV, ou, se não for possível, administrar 1 ampola de glucagon (1 mg)por via IM, segui-dos de uma perfusão de soro gli-cosado a 5%

A terapêutica com glucagon pode perder o efeito se for usado repetidamente ou se a hipoglicemia for prolongada (por depleção das reservas de glicogénio hepático). A

utiliza-ção do glucagon está contra-indicada no tratamento das hipoglicemias induzidas por sulfonilureias porque aquele estimula a secreção de insulina.

5. Critérios de avaliação da resposta ao tratamento / monitorização

A resposta ao tratamento com a injecção intra-venosa de soro glicosado hipertóni-co é imediata. A resposta à injecção de Glucagon por via IM demora 10 a 20 minu-tos. Depois de recuperada a consciência, a glicemia capilar deve ser monitorizada 15 em 15 minutos na primeira hora para confirmar a tendência da subida da glice-mia. O doente deverá ingerir uma refeição ligeira contendo hidratos de carbono complexos, logo que o seu estado de consciência o permita e se estiver nauseado, deve manter uma perfusão de soro glicosado a 5%.

Quando o doente recupera de uma hipoglicemia grave pode ficar com limitação tran-sitória da capacidade de reconhecimento de nova hipoglicemia, pelo que é necessá-ria atenção redobrada na vigilância destes doentes nas primeiras 24 horas. As hipo-glicemias induzidas por sulfonilureias de longa duração são habitualmente mais pro-longadas, podendo-se justificar a vigilância do doente nas primeiras 48 horas.

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 A ausência de resposta de uma hipoglicemia grave ao tratamento pode ser devi-da a edema cerebral, complicação rara mas grave que agrava o prognóstico.  As convulsões que não respondem à glicose devem ser tratadas com

anti-con-vulsivantes.

 Nestas situações é essencial excluir outras causas da alteração de consciência

(hemorragia cerebral, hematoma subdural), com TAC ou RMN cerebral.

Abreviaturas / glossário AVCs = Acidentes vasculares cerebrais

RMN = Ressonância Magnética Nuclear

SG = soro glicosado

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O doente diabético no peri-operatório

1. Definição / Conceito

Diabetes Mellitus é uma perturbação crónica do metabolismo que se manifesta por hiperglicemia. O diagnóstico estabelece-se perante:

 Glicemia ocasional ≥ 200 mg/dl, com presença de sintomas (poliúria, polidipsia)

 Glicemia em jejum ≥ 126 mg/dl*

 Glicemia ≥ 200 mg/dl 2 horas após a ingestão de um soluto contendo 75 gr de gli-cose*. – Hemoglobina glicada (HbA1c)≥ 6,5% quando obtida em Laboratório com

método padronizado pela IFCC e DCCT*

 Níveis de glicemia entre 100 e 125 mg/dl em jejum ou entre 140 e 199 mg/dl após a prova de tolerância oral à glicose, apesar de não significarem diabetes melli-tus, traduzem um estado intermédio de redução da tolerância à glicose. Indivíduos com estes valores nas análises de rotina pré-operatória têm elevado risco de desenvolver hiperglicemia no peri-operatório.

* Na ausência de hiperglicemia inequívoca o resultado deve ser confirmado com a repetição do teste.

A hiperglicemia é um factor de risco independente para o aumento da morbilidade e mortalidade associada a qualquer cirurgia.

2. Motivo precipitante/Causa

A cirurgia per se desencadeia uma resposta de stress pró-hiperglicemiante tanto em diabéticos como em não diabéticos. As pessoas com diabetes ou com alguma ano-malia do metabolismo dos hidratos de carbono não têm capacidade de contrabalan-çar esse estado pró-hiperglicemiante com mais insulina, por baixa reserva secretó-ria das células β na diabetes tipo 2 ou por falência das células β na diabetes tipo 1. Assim, se as necessidades extra de insulina não forem devidamente compensadas com insulina exógena, a hiperglicemia será tanto mais marcada quanto mais agressiva e demorada for a cirurgia, se existir alguma infecção, dor ou terapêutica pró-hiperglicemiante (corticóides, aminas, soros glicosados, nutrição entérica ou parentérica).

As pessoas com diabetes apresentam-se frequentemente com complicações cró-nicas microvasculares e macrovasculares que aumentam a complexidade e riscos na sua abordagem peri-operatória.

3. Classificação / Terminologia

3.1 Antes da Intervenção

A avaliação pré-operatória no diabético, à semelhança do que se verifica na maior parte dos doentes, envolve a estratificação do risco cardio-pulmonar. No diabético o risco de doença cardíaca isquémica é duas a quatro vezes superior ao da

Referências

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