A origem do Spin Nuclear e a
A RMN
• O Spin é um momentum angular, propriedade fundamental de elétrons e
núcleos como massa, carga.
• No caso de partículas como elétrons, prótons e neutrons, denominamos spin uma propriedade intrínseca, vale ½ e não tem análogo clássico.
• O que chamamos de spin nuclear é uma propriedades que está associada à
combinação de todos os momentos angulares das partículas dentro do núcleo sejam eles de origem intrínseca ou orbital (movimento nuclear).
• O Spin está diretamente associado ao magnetismo da partícula através de uma
relação de com o momento magnético. No caso de núcleos no seu estado
fundamental, existe uma relação de proporcionalidade entre o spin nuclear e o momento magnético.
• O spin nuclear pode ser inteiro ou semi-inteiro e o seu valor depende se o
número de massa do núcleo é par ou ímpar.
• Núcleos que possuem I>1/2 possuem uma propriedade denominada momento de quadrupolo elétrico, que afeta de forma importante suas características para RMN.
Spin:
O modelo de camadas atômico
V(r)
Núcleo (carga +Ze) Elétrons (carga -Ze) 10-10 me-n
e-e
4+
do princípio
Forma fraca
de exclusão
de Pauli
=
Regras de Hund
Números mágicos atômicos 5Interação forte (força forte) e de curto alcance entre prótons e neutrons (nucleons)
Interação eletrostática entre prótons (muito mais fraca que a
interação forte a ponto de poder ser ignorada)
V(r)
O núcleo atômico
V(r)
ψ
=E
ψ
Energias permitidas para os nucleonsProblema:
a forma de V(r)
é desconhecida
M
Z
X
M = massa atômica Z = número atômico Núcleons: Z prótons N ( M-Z ) nêutrons 6Uma aproximação para o potencial de um nucleon (próton ou neutron) dentro do núcleo Raio do núcleo (1F = 10-15m) Energia de ligação dos nucleons Espessura da superfície nuclear Sem interação spin-órbita Com interação spin-órbita Números mágicos nucleares
O modelo de camadas nuclear
Número quântico associado ao módulo do Momentum angular total da camada 7
O modelo de camadas e o spin nuclear
Z prótons N nêutrons M Spin nuclear I Exemplos
Par Par Par Zero 12C
6 e 16O8
Par Ímpar Ímpar Semi-inteiro 13C
6 e 17O8
Ímpar Par Ímpar Semi-inteiro 19F
9 e 31P15
Ímpar Ímpar Par Inteiro 2H
A Tabela Periódica da RMN
Relação entre Momento Magnético e Momentum Angular
- e,m RV
r
10l
m
e r
r
2
=
µ
Classicamente:
Quanticamente:
Elétrons
Nucleons
l
Br
h
v
µ
µ
=
s
g
se Br
h
v
µ
µ
=
T
J
B9
,
2732
10
/
24 −×
=
µ
Momento magnético Momentum angular(Magnéton
de Bohr)
T
J
N5
,
0505
10
/
27 −×
=
µ
(Magnéton Nuclear)
l
Nr
h
v
µ
µ
=
s
g
sn Nr
h
v
µ
µ
=
s
g
sp Nr
h
v
µ
µ
=
(Orbital – elétron)(Spin intrínseco – elétron)
(Spin intrínseco – próton) (Spin intrínseco – neutron) (Orbital – núcleo)
Dedução:
z
r
I
π
2ˆ
µ
v
=
r
V
e
T
e
I
π
2
=
=
m
l
z
e
z
r
r
mr
l
e
ˆ
2
ˆ
2
2=
=
π
π
µ
v
mr
l
V
z
rmV
p
r
l
ˆ
=
r
×
r
=
ˆ
→
=
O Momento de Dipolo Magnético
Protons e neutrons tem fatore g diferentes
Se o núcleo está no seu estado
fundamental é Constante
(em RMN sempre será)
I
r
constante de movimento( )
N N effL
l
l
L
r
h
r
r
r
21
+
⋅
=
µ
µ
I
L
N effr
h
r
r
γ
γ
µ
=
=
Constante magnetogírica
(propriedade nuclear)
11Spin nuclear
Soma sobre Todos nucleons Contribuição orbital Contribuição De spin intrínseco(
)
∑
=+
=
=
A k k k NI
l
s
L
1r
r
r
h
r
Resumindo: O núcleo atômico e o spin nuclear
M
Z
X
M = massa atômica Z = número atômico Núcleons: Z prótons N ( M-Z ) nêutrons 27 13:
Exemplo
Al
14 nêutrons13 prótonsZ prótons N nêutrons M Spin nuclear I Exemplos
Par Par Par Zero 12C
6 e 16O8
Par Ímpar Ímpar Semi-inteiro 13C
6 e 17O8
Ímpar Par Ímpar Semi-inteiro 19F
9 e 31P15
Ímpar Ímpar Par Inteiro 2H
1 e 14N7
( )
I
I
I
I
z=
−
,
−
+
1
,...,
Momento angular total = soma das contribuições das partículas que o constituem
I
I
Para saber mais:
FREITAS, J. C. C. ; BONAGAMBA, Tito José .
Os núcleos atômicos e a RMN em Princípios e
Aplicações da RMN, Vol.1, Figueroa Villar, J.D.
Editor,Rio de Janeiro: Associação dos Usuários
de Ressonância Magnética Nuclear, 1999.
14
Descrição Clássica da RMN
15
O Que é?
A descrição clássica da Ressonância Magnética Nuclear é baseada
na descrição clássica dos movimentos dos momentos magnéticos
nucleares de modo a prover um modelo vetorial para a evolução da
magnetização nuclear sob a ação de campos magnéticos externos
Só é estritamente válida quando não houver acoplamento entre
os spins. Em alguns casos propriedades quânticas podem ser
inseridas nos modelos de modo a adaptá-lo a casos onde haja
acoplamento ou para inserir efeitos fenomenológicos, o que
resultas
nas
chamadas
descrições
semi-clássicas
ou
fenomenológicas, respectivamente.
Pode ser bastante útil para entender efeitos de pulsos de RF,
gradientes, relaxação,detecção de sinal ou mesmo experimentos
mais simples como ecos de spin ou CPMG.
Formalismos quânticos muito usados em RMN, por exemplo o
formalismo de operadores produto, são de certa forma inspirados
em modelos vetoriasi .
Quando Vale?
Movimento de um Momento Magnético em um
campo magnético
Campo magnético provoca um torque no imã, que produz uma variação
temporal em seu momento angular até que esse se alinhe com o campo.
L = 0 L ≠ 0 L = 0
dt
L
d
t
L
r
r
r
=
∆
∆
=
τ
B
r
r
r
×
=
µ
τ
µ
r
Torque também pode ser calculado em tempos do momento magnético do imã e do campo magnético.
=
B
dt
L
d
r
r
r
×
=
µ
Movimento de um Momento Magnético em um
campo magnético
Aplicando-se um campo magnético aparece o torque, mas como
ω
é fixo e I é um apropriedade mecânica do imã, o módulo de Lspin não tem variar e deste modo para
satisfazer a equação de movimento a direção do momentum angular varia. Ocorreentão o movimento de precessá em torno do campo magnético.
Se o imã girar em torno do próprio eixo com uma velocidade angular fixa
ω
, haverá um momentum angular de spin (como é de fato chamado em física clássica) cujo módulo será dado por Lspin = Iω
, onde I é o momento de inércia do Imã.Lspin
B
dt
L
d
r
r
r
×
Estendendo para o núcleo:
momento magnético:
µ
r
=
γ
h
I
r
Núcleo atômico:
momento angular (spin):
h
I
r
[
0]
0 0B
dt
d
B
dt
d
B
dt
L
d
r
r
r
r
r
r
r
r
r
γ
µ
µ
µ
γ
µ
µ
×
=
×
=
→
×
=
Equação de precessãoDedução do Movimento de Precessão:
z
y
x
y z xˆ
µ
ˆ
µ
ˆ
µ
µ
r
=
+
+
B
r
0=
B
0z
ˆ
µ
xµ
yµ
zDedução do Movimento de Precessão:
B0 Precessão: ω0 = γ B0Freqüência de Larmor
1H γ = 42,58 MHz/Tesla 13C γ = 10,71 MHz/TeslaMagnetização macroscópica
∑
=
i iM
r
µ
r
=
∑
i
i
dt
d
dt
M
d
µ
r
r
∑
×
=
i
i
B
dt
M
d
r
r
r
µ
γ
B
M
dt
M
d
r
r
r
×
=
γ
Magnetização total segue a mesma lei
de precessão que os momentos
magnéticos individuais
Estados de Spin (I=1/2)
Vamos ter que usar uma característica quântica do sistema.
α
Estados de Spin (I=1/2)
α
Estados de Spin (I=1/2)
α
Estados de Spin (I=1/2)
α
Equilíbrio Térmico (I=1/2)
− = = T k P T k P B B 0 2 1 0 2 1 exp ; expω
βω
α h h Distribuição de Boltzmann-Gibbsα
β
Equilíbrio Térmico (I=1/2)
−
=
−
=
T
k
T
k
B
P
P
B B 0 0exp
exp
γ
ω
α βh
h
Energia magnética Energia térmica Distribuição de Boltzmann-Gibbsα
β
Magnetização Macroscópica (I=1/2)
6 0~
10
−∆
⇒
<<
P
P
KT
B h
γ
28 T k P T k P KT B B B 0 0 0 1 ; 1
ω
ω
γ
h << ⇒ α ≈ + h β ≈ − hMagnetização Macroscópica (I=1/2)
(Lei de Curie)
+ − = ∆ = α β β α µ µ P P P P N P P N M z z Número de spin por unidade de volume Valor esperado deµ
z T k B N T k T k T k T k N M B B B B B 4 2 1 2 1 2 1 2 1 2 0 2 2 0 0 0 0γ
ω
ω
ω
ω
γ
h h h h h h = − + + + − + =Para o caso mais geral, incluindo I >1/2:
( )
0 0 0 2 23
1
B
B
T
k
I
I
N
M
Bχ
γ
+
=
=
h
Suceptibilidade magnética estática29 0 M 0 B
t
Instante em que o campo é ligado( )
0 2 2 03
1
B
T
k
I
I
N
M
B+
=
h
γ
Magnetização Macroscópica (I=1/2)
(Resumindo)
Relaxação T1 – Estabelecimento do equilíbrio térmico
30
Magnetização Macroscópica (I=1/2)
(Resumindo)
dt
d
V
bobina=
−
Φ
m(Lei de Faraday-Lenz)
Quando o campo magnético ao longo do eixo de uma bobina varia no tempo, aparece uma corrente induzida na bobina que tem sentido tal que crie um campo induzido que tende a se contrapor à variação de B. Porém, somente a variação ao longo do eixo induz corrente na bobina.
Uma parêntese – LEI DE INDUÇÃO DE FARADAY-LENZ
Necessário para
detecção de M0 (sinal de RMN)
32
Efeitos de Campos de Radiofrequência
nos momentos magnético nucleares
( )
[
B
z
B
t
]
M
B
M
dt
M
d
r
r
r
r
r
+
×
=
×
=
γ
γ
0ˆ
• Os dois campos atuam simultaneamente, fazendo com que seja difícil descrever a trajetória da magnetização.
• Como a precessão de Larmor é muito bem definida, podemos “simplificar” a
dependência com B0 olhando do ponto de vista de um sistema de referência que gira em torno de z com frequência próxima à frequência de Larmor.
Sistema de Coordenadas Girante
Dedução do Movimento de Precessão no sistema de coordenadas girante (SCG):
Sistema de Coordenadas Girante
0B
M
dt
M
d
r
r
r
×
=
γ
z
t
M
y
t
M
x
t
M
t
M
r
(
)
=
x(
)
ˆ
+
y(
)
ˆ
+
z(
)
ˆ
zˆ
Ω
=
Ω
r
B0Partindo de:
Chega-se a:
4
3
42
1
v
r
r
r
r eff BB
M
dt
M
d
Ω
+
×
=
γ
γ
´
0´
Campo efetivo experimentado pela magnetização no SCGCampo fictício devido a mudança de coordenadas
−
×
=
M
B
z
dt
M
d
ˆ
0γ
ω
γ
r
r
Com
Ω
r
=
−
ω
zˆ
:
Frequência de precessão efetiva
Com
B
0z
ˆ
:
γ
−
=
Ω
r
0
=
dt
M
d
r
Magnetização não varia no tempo
35
Movimento Circular e Oscilação
( )
t
x
( )
t
x
=
0cos
Ω
( )
t
y
( )
t
y
=
0sin
Ω
t
Ω
Oscilação em fase Oscilação em quadratura Movimento circular36
Campo de radiofrequência (RF)
(
)
(
)
(
t x t y)
B B1− = 1 cosω
RF ˆ+cosω
RF ˆCirculamente polarizado a esquerda
(
)
(
)
(
t
x
t
y
)
B
B
1+=
1cos
ω
RFˆ
−
cos
ω
RFˆ
Circulamente polarizado a esquerda
( )
t
B
(
t
)
x
B
r
1=
2
1cos
ω
RFˆ
37
Movimento Circular e Oscilação
+
Rotação anti-horária
Rotação horária
=
38
Campo de radiofrequência (RF)
Sistema de Laboratório RFω
=
Ω
Sistema Girante( )
1ˆ
´
1t
B
x
B
+=
( )
t
B
[
(
t
)
x
(
t
)
y
]
B
1+=
1cos
ω
RFˆ
−
cos
ω
RFˆ
( )
( )
[
t
x
t
y
]
x
ˆ
´
=
cos
Ω
ˆ
−
cos
Ω
ˆ
+
∆
×
=
r
1
42
43
r
r effx
z
M
dt
M
d
ωω
ω
γ
ˆ
´
1ˆ
´
Offset de ressonância1
4
4
4
2
4
4
4
3
r
r
r eff Bx
B
z
B
M
dt
M
d
+
Ω
−
×
=
0ˆ
´
1ˆ
´
γ
γ
(
)
[
1
4 2
4
4 3
4
]
r
r
r effx
z
M
dt
M
d
ωω
ω
γ
×
0−
Ω
ˆ
´
+
1ˆ
´
=
39
z
B
B
0
ˆ
Ω
−
=
∆
γ
r
Campo Efetivo
Em unidades de frequência:
∆ω
∆
ω
=
(
ω
0−
Ω
)
z
ˆ
´
r
2 2 0ω
ω
ω
eff=
+
∆
1tan
ω
ω
θ
=
∆
Amplitude do campo efetivo pode ser controlada pelo offset de ressonância Direção do campo efetivo pode ser controlada pelo offset de ressonância e pela amplitude de B1.
40
41
Pulsos de RF em ressonância
x
M
dt
M
d
ˆ
1ω
×
=
r
r
42
Pulsos de RF em ressonância
Referencial Girante
Referencial de laboratório
43
Pulsos
Radiofrequencia
Antes do pulso Depois do pulso
Pulsos de RF em ressonância
( )
t
B
(
t
)
x
B
(
t
)
y
B
v
1=
1cos
ω
RF+
φ
ˆ
−
1sin
ω
RF+
φ
ˆ
Fase do pulso de RF define a direção de B1 Ângulo de Flip (ou rotação)
p p
B
t
t
1 1γ
ω
β
=
=
44
45
Fases da RF: x, y, -x & -y
Coreografia de Spins com pulsos de RF:
46
Pulsos de RF em ressonância
Discussão: como garantir que um sinal com múltiplas linha o pulso possa ser considerado em ressonância com todas elas: conceito de pulso hard
47
Detecção do Sinal
ω0=γB0
S
(
t
)
=
S
0cos
[
(
ω
0−
ω
r)
t
]
=
S
0cos
( )
∆
ω
t
A frequência mostrada não é a
frequencia de precessão diretamente, mas a diferença entre a frequência de precessão e uma frequência de
referência denominada frequência do transmissor
48
49
(
)
[
t
]
S
( )
t
S
t
S
(
)
=
0cos
ω
0−
ω
r=
0cos
∆
ω
Como já discutido somente componente com um componente (cos) não é possível distinguir o sentido de rotação, ou seja, se a frequência é positiva ou negativa em relação a frequência
de referência.
Com a aquisição somente da componente cosseno, todas as linhas apareceriam duplicadas (espelhadas em relação a frequência do transmissor)
Exemplo de Duplicação das linhas com a aquisição de uma componente do sinal
Mas como vimos o sinal
adquirido é de fato:
Como resolver ???
ω
+
∆ω
-
∆ω
Quadratura:
( )
t
S
( )
t
S
x=
0cos
Ω
( )
( )
( )
( ) + ( ) =(
+Ω)
+(
−Ω)
= = + = Ω = =∫
∫
∫
∫
∫
∞ Ω − − ∞ Ω + − ∞ − Ω − Ω − ∞ − ∞ − ω δ ω δ ω ω ω ω ω ω 2 2 2 2 2 cos 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 S S dt e S dt e S dt e e e S dt e t S dt e t S S t i t i t i t i t i t i t i x xDedução: transformada de Fourier do cosseno
ω
+
Ω
-
Ω
51
Um parêntese: Representação Complexa
A relação entre o movimento circular e oscilações lineares é útil para entender
números complexos. Se considerarmos o eixo x é a parte real e eixo-y como o imaginário
Movimento no sentido anti-horário:
Movimento no sentido horário:
( )
( )
[
t
x
t
y
]
S
t
S
[
( )
t
i
( )
t
y
]
S
t
Spins nucleares não estão isolados
Interagem magnética e eletricamente com outros núcleos e o ambiente.
54
Se fora do equilíbrio a magnetização tende a retornar ao seu estado de equilíbrio
Tempos de relaxação dependem do ambiente magnético a que os spins nucleares estão submetidos. São particularmente sensíveis a flutuações dos campos magnéticos nos sítios núcleares.
55
Fenomenologia da Relaxação
56
Equações de Bloch
57
Exemplo simples do uso das equações de Bloch
o
x
90
Pulso:
58
Spin-Eco
60 Ver material Figueroa