de Ortopedia do curso de Fisioterapia e Pesquisador do Núcleo de Ciências do Movimento da UNISUL, campus Tubarão.

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Texto

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Mobilização Passiva Contínua: Uma Revisão de Literatura. Continuous Passive Motion: A Revision Literature.

Fabrício de Souza1, Aderbal Silva Aguiar Jr2.

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Graduando em Fisioterapia da UNISUL, campus Tubarão, Aluno do curso de especialização em Acupuntura do CIEPH.

2

Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica da ACE, Professor de Ortopedia do curso de Fisioterapia e Pesquisador do Núcleo de Ciências do Movimento da UNISUL, campus Tubarão.

Endereço para correspondência: Fabrício de Souza. Rua Vigário José Poggel 67, CEP 88704-240, Tubarão SC, Tel: (48) 9956 7475, E-mail: faitofisio@hotmail.com

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Resumo

A “mobilização passiva contínua” (MPC), dispositivo criado e utilizado pioneiramente por Robert Bruce Salter, apresenta resultados satisfatórios de acordo com a literatura estrangeira, em relação à diminuição do edema, a diminuição da efusão, minimização da dor, ganho da amplitude de movimento, e até regeneração da cartilagem articular hialina. No Brasil, esta técnica é pouco difundida e utilizada. Este trabalho, apresenta a MPC e segmentos abrangentes sobre o assunto como, o desenvolvimento da técnica, indicações, resultados das aplicações clínicas, comprovações, e estudos clínicos de vários autores.

Palavras-chave:

Mobilização Passiva Contínua, Cartilagem.

Abstract

The "Continuous Passive Motion" (CPM), used device bred and pioneering for Robert Bruce Salter, present in accordance with resulted satisfactory foreign literature, in relation to the reduction of swelling, the reduction of the effusion, minimize pain, profit of the Range Of Motion (ROM), and until regeneration of the cartilage . In Brazil, this technique is few spread out and used. This work presents the including CPM and segments on the subject as, the development of the technique, indications, resulted of the clinical applications, evidences, and clinical studies of some authors.

Key-words:

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INTRODUÇÃO

Com a conscientização dos benefícios da atividade física, é visível, a incessante busca de uma vida mais saudável. Deste modo a procura pelos mais variados esportes está em constante crescimento no Brasil e no mundo. Contudo, a prática inadequada e/ou seus excessos, a ineficiência das condições físicas, sejam elas, aplicadas a qualquer modalidade, podem causar lesões ao organismo, podendo acometer vários segmentos corporais, e articulações, como o joelho.

Numa entorse de joelho, o praticante deixará de exercer o esporte, como também, realizará a deambulação de forma inadequada durante algum tempo. Lesões internas destas articulações, como meniscos e ligamentos cruzados, degeneração da cartilagem articular, passam desapercebido durante algum tempo, até a sua próxima sintomatologia. E por fim, a médio e longo prazo, estas lesões acarretarão em uma maior probabilidade de causar outros problemas, como até osteoartrose, além da suscetibilidade de outras entorses pela instabilidade progressiva.

Se diagnosticado algum tipo de lesão, a conduta médica é de importância quanto a cirurgia eletiva, e atualmente a intervenção fisioterapêutica é indispensável. Principalmente com as atualizações de técnicas terapêuticas, onde experimentos comprovam a eficácia de vários fatores, que de uma forma global, beneficiam o estado clínico e funcional do paciente.

Deste modo, o atendimento mais eficaz ao paciente, é aquele que lança mão de todos os recursos necessários a uma reabilitação funcional direcionada a um tratamento específico, se realizados dentro de critérios cientificamente comprovados e validados.

A utilização de aparelhos terapêuticos recentes no Brasil, como o de “mobilização passiva contínua” (MPC), é um método pouco estudado nacionalmente, mas de respaldo internacional em detrimento do repouso.

Com base no empirismo clínico, utilizado nos últimos 25 séculos pelo menos, até as últimas três décadas, a vasta maioria dos médicos e cirurgiões de todo o mundo, adotava o repouso em vez do movimento [15].

Em contra partida, os efeitos deletérios da imobilização (estagnação circulatória, úlceras de decúbito, hipotrofia muscular, artrofibrose, déficit na espessura da cartilagem articular e outros), não eram quantificados e muito menos qualificados, impedindo a reabilitação funcional precoce e estável.

Em muitos países onde a pesquisa científica experimental é incentivada, a tecnologia lança oportunidades variadas para a ortopedia, onde o objetivo de estudo presente, é a reabilitação funcional.

A comunidade científica internacional comprova a ação terapêutica do uso de MPC, com base na recuperação da cartilagem articular, diminuição do derrame, aumento da “amplitude de movimento” (ADM), apesar destes estudos no Brasil não serem quantificados e muito menos qualificados.

Deste modo, este trabalho tem como objetivo, descrever alguns segmentos abrangentes da mobilização passiva contínua.

Na sua seqüência, as ações específicas serão expressas pela conceituação da técnica, biografia do pesquisador responsável, sua indicação, comprovações, a atuação fisiológica no corpo humano, e comparações com outras formas de tratamento através de estudos clínicos.

MPC e sua abrangência O pesquisador responsável

Segundo Roland [14], em conseqüência de suas contribuições científicas principais ao campo da cirurgia ortopédica, o Dr. Robert B. Salter foi muito honrado. Algumas de suas

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concessões incluem o direito de ser companheiro da sociedade real do Canadá, e de um companheiro de ordem do Canadá. O Dr, Salter, que dissertou dentro de 140 universidades em todo o mundo, foi homenageado com vários honorários na sociedade científica. Era um dos sete doutores introduzidos inicialmente no Salão Médico Canadense da Fama.

Atualmente, desempenha várias atividades: 1. Professor da universidade de Toronto.

2. Professor de cirurgia ortopédica da universidade de Toronto.

3. Professor no instituto de ciência médica e escola de estudos graduados. 4. Cirurgião ortopédico sênior, no hospital para crianças doentes.

5. Diretor do projeto de pesquisa, instituto de pesquisa, no hospital para crianças doentes. 6. Cirurgião ortopédico e ortopedista no Hospital de Toronto [3].

O raciocínio que conduziu ao conceito biológico da MPC

Durante séculos, o “sonho impossível", tanto de clínicos quanto de cientistas, foi o de desenvolver um método de estimular a cura e a regeneração da cartilagem articular.

Em 1971, em um editorial sobre reconstituição das cartilagens, Cruess (apud SALTER, 2001) [15], exprimiu esta filosofia: “Parece necessário assegurar melhores condições para a reconstituição da cartilagem, na esperança de que se possam intensificar os processos naturais, e os procedimentos assim chamados reconstrutivos possam ser evitados”. Por “procedimentos reconstrutivos”, ele se referia à substituição articular protética.

Salter [15], compartilha desta filosofia e, durante os últimos 28 anos, tentou estimular os poderes de recuperação naturais ao corpo, e assegurar as melhores condições para o reparo da cartilagem, através do uso da MPC das articulações sinoviais para a cura e regeneração da cartilagem articular, ligamentos e tendões.

O raciocínio que conduziu ao conceito biológico da MPC das articulações sinoviais, tem como base numerosas observações e deduções do autor canadense Robert Bruce Salter, incluindo as seguintes:

1. As observações clínicas revelaram os seguintes efeitos deletérios da “imobilização prolongada” (IP) das articulações sinoviais em pacientes: dor e rigidez persistente, atrofia muscular, osteoporose por desuso e artrite degenerativa tardia com o uso subseqüente das articulações envolvidas.

2. Observações clínicas mostraram efeitos locais benéficos da movimentação ativa precoce, ao contrário do que ocorre na IP das articulações doentes ou traumatizadas.

3. A pesquisa básica original demonstrou, em coelhos, os efeitos deletérios da IP da articulação do joelho por compressão, seja a produzida por um grampo compressivo, seja a obtida por IP das articulações numa posição forçada. O autor demonstrou, na área comprimida da cartilagem articular, a aparição, em 6 dias, de uma lesão por "necrose de compressão". O uso posterior da articulação com esta lesão levou à artrite degenerativa.

4. A pesquisa básica original mostrou, em coelhos, os efeitos deletérios da IP prolongada (6 a 12 semanas) da articulação do joelho, fletida sem compressão. O autor demonstrou, nas cartilagens articulares, uma lesão de "degeneração obliterante" nas áreas em que as cartilagens não mantinham contato entre si, resultante da aderência da membrana sinovial à superfície articular. Uso posterior da articulação imobilizada deste modo também levou à artrite degenerativa [15].

Finalmente, os ensinamentos da cirurgia cardíaca (especialmente operações em coração aberto), da cirurgia vascular periférica, e da cirurgia torácica, mostraram que os tecidos lesados não necessitam ser postos em repouso para curar-se. Tendo notado tanto clínica quanto experimentalmente que o movimento intermitente da articulação sinovial era melhor

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para a cartilagem e para os outros tecidos articulares que a IP, Salter [15] formulou a pergunta fundamental: "Se a movimentação intermitente é boa para a cartilagem articular, a movimentação contínua é melhor?" Por causa da fadiga do músculo esquelético, o movimento contínuo teria que ser passivo em vez de ativo. Assim, em 1970 o autor originou o conceito biológico de MPC das articulações sinoviais, como um meio possível de estimular a cura e a regeneração da cartilagem articular, bem como de outros tecidos articulares, e de prevenir ou superar a rigidez articular.

Premissas básicas e hipóteses do MPC

O conceito biológico da MPC das articulações sinoviais segundo Salter [15], tem como base as seguintes premissas básicas:

a) Articulações sinoviais são concebidas para mover-se e são fadadas a fazê-lo; de fato, as 24 articulações costovertebrais se movem continuamente em cada ciclo inspiratório e expiratório durante nossa vida inteira.

b) A nutrição da cartilagem articular pelo líquido sinovial se intensifica pelo movimento articular.

c) A IP da articulação sinovial e a limitação persistente da movimentação articular são deletérias para a cartilagem articular e para os tecidos relacionados, incluindo membrana sinovial, ligamentos, tendões e músculos.

Para Salter [15], as três hipóteses da MPC das articulações sinoviais são as que devem ter os seguintes efeitos benéficos:

1. Intensificar a nutrição e a atividade metabólica da cartilagem articular.

2. Estimular as células mesenquimais pluripotentes a diferenciar-se em cartilagem articular e não em tecido fibroso ou ósseo, levando desse modo à regeneração da cartilagem (e conseguindo o "sonho impossível").

3. Acelerar a cura, tanto da cartilagem articular quanto dos tecidos periarticulares, tais como tendões e ligamentos.

Indicações para a utilização de MPC em pacientes

De acordo com Salter [15], Stroud [16], Arnold e Shelbourne [1], O’Driscoll e Giori [13], as indicações clínicas para o uso da MPC em pacientes foram:

a) redução aberta e fixação rígida interna de fraturas intra-articulares com deslocamento. b) redução aberta e fixação rígida interna de fraturas diafisárias e metafisárias com deslocamento, artrotomia, capsulotomia, artrólise e desbridamento das artrites pós-traumáticas.

c) limitação persistente do movimento articular.

d) liberação cirúrgica das contraturas extra-articulares das articulações (por exemplo na quadricepsplastia).

e) artrotomia e drenagem (associada a antibioticoterapia adequada) para artrite séptica aguda.

f) incisão e drenagem (combinada com antibióticos apropriados) para tenossinovite aguda. g) sinovectomia para artrite reumatóide e artropatia hemofílica.

h) revestimento biológico (com um enxerto periósteo) para um defeito extenso de uma superfície articular.

i) reparo cirúrgico em uma laceração aguda de um ligamento.

j) reconstrução de uma laceração crônica de ligamento usando um enxerto de tendão. l) reparo cirúrgico de uma laceração tendinosa completa (especialmente na mão).

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m) fixação rígida interna de uma osteotomia metafisária (por exemplo, para artrite do joelho).

n) substituição articular prostética total. Resultados das aplicações clínicas na MPC

Os principais resultados encontrados nas aplicações clínicas de Salter [15], foram: a) liberdade relativa da dor;

b) manutenção de maiores amplitudes do movimento articular;

c) cicatrização normal da ferida, ausência de complicações, curto período de hospitalização, curto período de reabilitação;

d) resultados melhores do que os obtidos com controles históricos. A Técnica da MPC

Segundo Hammesfahr e Serafino [6], um dispositivo de MPC, usado tipicamente no pós-operatório, move uma articulação passivamente por uma amplitude movimento específica, durante um período pré-determinado de tempo, dependendo da condição para a qual foi prescrito.

Conforme Marquis [12], a MPC, é um método de tratamento que foi projetado para auxiliar na recuperação, após um trauma cirúrgico. Utilizando meios, onde a articulação é movimentada sem a ação voluntária dos músculos do paciente.

“A MPC em contraste com a mobilização passiva intermitente, é um movimento ininterrupto por período extensos de tempo. É geralmente aplicada por um dispositivo mecânico que move a articulação desejada continuamente através de uma amplitude de movimento controlada sem esforço do paciente por até 24 horas por dia, por 7 ou mais dias consecutivos. A movimentação é passiva, de modo que a fadiga muscular não interfere com o movimento. Usa-se um aparelho, pois uma pessoa não poderia aplicar o movimento controlado continuamente por período extensos de tempo”(KISNER e COLBY, 1998, p. 51) [11].

A fisiologia da MPC

De acordo com O’Driscoll e Giori [13], nos primeiros dias após a cirurgia, a MPC possui um papel extremamente útil, para minimizar os processos de hemartrose, e edema periarticular. A MPC foi desenvolvido experimentalmente para aumentar a reabsorção da hemartrose do joelho, de um coelho. Na presença de uma efusão , o movimento do joelho, o volume e a complacência máxima, causa um aumento da pressão intra-articular. A maior efusão e a maior pressão, geram um certo grau de flexão. Então a MPC causa uma oscilação sinusoidal da pressão intra-articular, como mostrado na Figura 1. E este processo, acelera a liberação da hemartrose (Figura 2). Ocorre então, a liberação de sangue de dentro da articulação (Figura 3), como também a liberação de sangue dos tecidos periarticulares (Figura 4) com a utilização da MPC, onde foi documentada e quantificada, através da localização dos eritrócitos radiologicamente classificados.

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Figura 1. Pressão intrarticular com o uso do MPC. Fonte: O’Driscoll e Giori , 2000, p. 4. Figura 1. Um traçado atual da pressão intra-articular em um joelho durante a MPC revela que, com 2 ml de fluido na articulação, a pressão oscila em uma forma regularmente sinusoidal. Isto resulta em um “efeito de bombeamento” que é responsável pela saída de sangue, fluido e edema da articulação e tecidos periarticulares [13].

Figura 2. “efeito de bombeamento”. Fonte: O’Driscoll e Giori , 2000, p. 4.

Alternando a flexão e a extensão na articulação com MPC, eleva-se e abaixa-se a pressão hidrostática na articulação, e nos tecidos periarticulares, resultando no “efeito de

bombeamento” que expulsa o fluido para fora da articulação e dos tecidos periarticulares [13].

Figura 3. Efeito do MPC na minimização da hemartrose. Fonte: O’Driscoll e Giori , 2000, p. 4.

Figura 3. A MPC acelera rapidamente a liberação de sangue da articulação, e dos tecidos moles periarticulares, como visto nestas fotografias de comparação em 48 horas, e 7 dias, após injeção de 2 cc de sangue em ambos os joelhos de uma série de coelhos. Os coelhos foram tratados com imobilização em um joelho, e movendo o outro joelho imediatamente em uma máquina de MPC após o procedimento, e então tratados continuamente durante 7 dias. Após 48 horas, o joelho que tinha sido imobilizado (a esquerda) ainda era grotescamente

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sangrento, considerando que o joelho oposto (direito) tratado por MPC, quase estava livre de sangue. Após 7 dias, o joelho imobilizado conteve sangue livre na articulação, enquanto o joelho tratado por MPC do mesmo coelho, estava sem presença de sangue. Em contraste com os joelhos imobilizados, a maioria apresentavam pequenas quantias de sangue na sinóvia após 48 horas, e a 7 dias, todos os joelhos tratados com MPC, estavam aparentemente normal [13].

Figure 4. Liberação da hemartrose. Fonte: O’Driscoll e Giori , 2000, p. 4.

Figura 4. O tratamento com MPC aumentou a taxa de liberação de hemartrose por mais de 100 por cento [13].

Comprovação

Salter (apud YIP) [17], e Gray [5], relatam que um exame feito pela indústria em 1998, apontou que mais de 5 milhões de pessoas já foram tratadas com o movimento passivo contínuo em 17 mil hospitais em 57 países.

De acordo com Edmond [4], “os estudos feitos em aparelhos de mobilização passiva contínua têm mostrado que o movimento diminui a formação de adesões capsulares...Assim, este quadro resulta no aumento da quantidade de movimento artrocinético em uma articulação.”

Estudos clínicos da MPC

Em um experimento, Papa (apud O’Driscoll e Giori) [13], dividiu 53 pacientes em 3 grupos. O primeiro teve um “curso tradicional” de MPC com a amplitude de movimento inicial fixada de 0° a 40°, aumentados depois para, 0 a 60° em 24 horas, e então seu término foi após 48 horas. O segundo grupo, teve uma amplitude mais agressiva de MPC com alcance iniciado no quarto de recuperação, de 0° a 70° e progredindo depois para 0° a 90° em 24 horas. Este grupo também teve a MPC removida depois de 48 horas. Em ambos os grupos com MPC, a fisioterapia tradicional que incluiu flexão ativa de joelho, e a extensão máxima alcançada, foi iniciada após o término da utilização da MPC. O grupo de controle recebeu fisioterapia tradicional iniciada no primeiro dia pós-operatório. Neste estudo, o autor concluiu que não havia nenhuma diferença entre os três grupos, a respeito da amplitude de movimento, após 1 ano.

Em estudos comparativos usando a MPC em pacientes após a cirurgia de prótese total de joelho, Coutts (apud O’Driscoll e Giori) [13], comparou joelhos tratados com MPC (iniciado no quarto de recuperação, com 0° a 40° de amplitude e aumentando 10° por dia) com joelhos imobilizados em um período de 3 dias de pós-operatório. O resultado, dos joelhos tratados com MPC, foi a melhora da amplitude de movimento após um ano de pós-operatório.

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Stroud [16], relata um exemplo de um paciente que sofre uma reconstrução do ligamento cruzado anterior, e utiliza o dispositivo de MPC. O retorno do movimento normal é mais ou menos de 10 a 14 dias após a cirurgia, porque não só é difícil recuperar a posição inicial, mas também porque o paciente adquire uma posição de debilidade, comparado ao paciente que utiliza a fisioterapia tradicional, e não utiliza o dispositivo de MPC. “Em um outro caso, o paciente pode exigir 6 semanas de fisioterapia, mas no primeiro caso o paciente tem maior força no movimento e maior mobilidade no ambulatório do que no segundo caso,” Hammesfahr afirma que: ”Sem movimento, você não pode conseguir o retorno da força. O tempo de recuperação se torna muito mais longo”.

Kim, Kerr, Cruz e Salter [9], realizaram um estudo para determinar os efeitos da MPC, e da imobilização em joelhos de ratos, com artrite inflamatória, induzida por um antígeno. Após a indução do antígeno de artrite, bilateralmente nas articulações do joelho em 22 coelhos, um joelho foi imobilizado com um tala de flexão, enquanto o joelho oposto recebeu MPC. Cinco de doze joelhos imobilizados tiveram erosão da articulação, o que não se constatou no tratamento com MPC. A perda de células, também era significativamente maior nos joelhos imobilizados. Embora, a MPC produziu maior sinovite em duas semanas, a cartilagem articular foi mais preservada nos joelhos tratados com a MPC do que os imobilizados à seis semanas.

Connor, Berk e Hotz [2], realizaram um estudo para analisar os efeitos da MPC após a técnica de “bunionectomia de Austin” (retirada de joanete). Foram analisados 39 pacientes que se submeteram a correção cirúrgica do hálux valgo, sendo que um grupo (n=18), recebeu apenas fisioterapia, e o outro grupo (n=21), além de fisioterapia, também foi tratado com MPC. O grupo que utilizou o movimento passivo contínuo, teve maior amplitude de movimento a cada visita do pós-operatório, comparada com o grupo que só usou fisioterapia (P <0.05). O grupo que só fez uso de fisioterapia, retornou ao uso de sapatos convencionais e cessou o medicamento oral, muito mais tempo depois, que o grupo que utilizou também a MPC (P <0.01). A utilização de MPC como um suplemento para a fisioterapia, após o procedimento de Austin, diminui o tempo de reabilitação, e aumenta a taxa de retorno do movimento funcional.

Jordan, Siegel e Olivo [8], realizaram um experimento com cem joelhos que foram submetidos a artroplastia total de joelho, onde foram divididos em 2 grupos: os primeiros 50 joelhos sucessivos a cirurgia, foram nomeados o grupo I (controle grupo), e os 50 seguintes ao grupo II (grupo experimental). O grupo I, foi tratado com compressão e imobilização durante o primeiro dia pós-operatório. No segundo dia a MPC foi iniciado com uma amplitude de movimento der 0º a 40º de flexão progredindo conforme a tolerância, de 10 em 10 graus. No grupo II, foi utilizado compressão e MPC no pós-operatório imediato em uma amplitude fixada em 70º a 100º de flexão. O grupo experimental teve uma permanência hospitalar significativamente menor que o grupo de controle. A permanência de hospital no grupo 2 foi de 7.6 dias, e no grupo de controle foi de 9.72 dias, tendo uma diferença de 2.12 dias (t = 3.99. df = 98, p <0.0005). O grupo II, também teve custos mais baixos (alimentação, fisioterapia, medicamentos, e laboratório) que o grupo de controle. Tendo assim, um custo total para o grupo II de $2877.36, e para grupo I $3647.77, resultando em uma diferença de $770.41 (t = 4.06. df = 98, p <0.0005). Um ano depois da cirurgia, a amplitude de movimento para o grupo II era 120º, e para grupo I era de 111º, equivalendo uma diferença de 9º (t = 3.16, df = 98. p <0.0050).

Kim, Moran, e Salter [10], realizaram um experimento onde alguns animais foram submetidos a técnica de raspagem condral e abrasão subcondral para solucionar a controvérsia sobre a natureza da reparação do tecido após a técnica cirúrgica, determinando também o efeito da MPC na reparação do tecido. A raspagem condral, foi executada na patela de quarenta coelhos adolescentes, e a abrasão subcondral foi realizada na patela de outros

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quarenta coelhos. Após a operação, vinte animais de cada grupo foram submetidos ao movimento ativo intermitente e o remanescente foi tratado por MPC durante duas semanas, seguindo de movimento ativo intermitente. Após a técnica de abrasão subcondral, os animais que foram tratados somente com movimento ativo intermitente, tiveram cura na faixa de doze semanas, apesar qualidade insatisfatória da regeneração. Todos os dez animais que foram tratados com MPC, tiveram pleno desenvolvimento da cartilagem hialina, entretanto, houve predominância na regeneração do tecido após doze semanas, comparado com seis dos dez animais que foram tratados com movimento ativo intermitente (p< 0,05). Os autores concluíram que, neste modelo, defeitos em espessuras parciais derivam predominantemente da atuação da raspagem, do mesmo modo que a degeneração de cartilagens subjacentes. Defeitos na espessura total, criados por abrasão subcondral podem regenerar a cartilagem hialina. A cura é aumentada por tratamento de MPC por duas semanas.

Hart Bennett, Brearley e Bailey [7], realizaram um estudo com pacientes que se submeteram a artroplastia total de joelho, analisando a amplitude de movimento em pacientes que utilizavam a MPC durante a permanência no hospital. Foram analisados 147 pacientes divididos em três grupos de tratamento: MPC de 0-40° sendo aumentado 10° por dia (Grupo A), MPC de 90 a 50° e gradualmente progredindo para extensão completa após um período de 3 dias (Grupo B) e o último sem a utilização de MPC (Grupo C). Os pacientes foram reavaliados após 5 dias , 3 meses, e um ano, de pós-operatório. Obteve-se como resultado maior flexão de joelho no grupo B após 5 dias de pós-operatório (B = 79°, A = 69°, C=65° p = .008 e P <.0001 respectivamente). Sendo que não havia nenhuma diferença significante entre os grupos após 3 meses, e um ano de pós-operatório, quando analisada a amplitude movimento na função do joelho. Não havia nenhuma diferença significante entre os grupos em relação a cicatrização do ferimento e permanência no hospital. Segundo os autores a MPC é utilizada como um dispositivo para aumentar a amplitude de movimento precocemente, não sendo notável diferença após 3 meses e um ano nos três grupos.

Considerações finais

A técnica apresentada seja ela na reabilitação de uma prótese total de joelho, de uma ligamentoplastia, ou até mesmo na recuperação da cartilagem articular hialina, está muito bem documentada, tanto nas hipóteses básicas do autor pioneiro, quanto nos estudos clínicos científicos de vários autores.

Sua indicação abrange muitas possibilidades relatadas neste trabalho, sendo que a aplicabilidade da técnica em outros segmentos, e/ou após outros procedimentos cirúrgicos não mencionados, podem trazer benefícios visando à reabilitação funcional precoce do paciente como um todo.

A maioria dos autores aprova através de seus estudos, a utilização de MPC, nos mais variados setores, destacando-se o hospitalar e o ambulatorial, sendo que alguns profissionais também o prescrevem para o ambiente residencial.

Estes estudos clínicos e experimentais analisados chegam a resultados semelhantes, em diferentes modelos animais e em seres humanos. Sendo que têm como efeito principal, a diminuição da morbidade pós-cirúrgica, seguida por melhora do metabolismo dos tecidos moles, e prevenção da rigidez articular, gerando em alguns modelos, a regeneração condral hialina em detrimento da cicatrização fibrocartilaginosa, representando uma reviravolta no pensamento tradicional.

Aliás, este procedimento que emprega o repouso, não somente é tradicional, mas também antifisiológico, sabido que a manutenção de um segmento articular depende de seu movimento e carga repetitiva, onde concluímos que o repouso é antagonista da reparação dos tecidos moles, e principalmente da cartilagem articular. A apresentação dos estudos destes

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autores, com investigações controladas e confiáveis nos permitem ir além, considerando o repouso um ato iatrogênico, nas condições deste trabalho.

É importante ressaltar que a MPC deve ser acompanhada pelo fisioterapeuta, pois na fase fibroblástica, outros recursos terapêuticos devem ser acrescentados, com o objetivo de ganhos clínicos e funcionais precoces. Deste modo, podemos considerar a técnica de MPC, como mais uma opção, dentro de uma série de recursos, disponível aos profissionais da nossa área.

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