2021
MANUAL DE
DIREITO
PREVIDENCIÁRIO
5
a
edição
Revista, ampliada e atualizada3
PREVIDÊNCIA SOCIAL
3.1. REGIMES
A Previdência Social é subsistema de proteção social que integra a Seguridade Social. O sistema previdenciário brasileiro, por sua vez, é composto de diversos regimes previdenciários.
Desse modo, tem-se o Regime Geral de Previdência Social e os Regimes Próprios de Previdência Social, bem como o Regime Com-plementar de Previdência Social Pública e o Regime ComCom-plementar de Previdência Privada.
O Regime Geral de Previdência Social é administrado pelo Ministério da Previdência Social (atualmente pelo Ministério da Economia) e as suas prestações são concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
O Regime Geral de Previdência Social é previsto no art. 201 da Constituição da República.
A competência para legislar sobre o Regime Geral de Previdência Social, evidentemente, é privativa da União (art. 22, inciso XXIII, da Constituição Federal). Nesse sentido, destacam-se a Lei 8.212/1991,
sobre custeio, e a Lei 8.213/1991, sobre benefícios do Regime Geral da Previdência Social.
Os Regimes Próprios da Previdência Social abrangem os militares dos Estados e do Distrito Federal (art. 42, §§ 1º e 2º, da Constituição da República), os militares das Forças Armadas (art. 142, § 3º, inciso X, da Constituição Federal), bem como os servidores públicos estatu-tários (servidores titulares de cargos efetivos) cujos entes políticos os tenham instituído (art. 40 da Constituição Federal de 1988). Quanto aos militares, de forma mais precisa, faz-se referência a Sistemas de
Proteção Social. Cf. Capítulo 9.
Por isso, o art. 24, inciso XII, da Constituição da República pre-vê que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre previdência social. Compete aos Municípios, por sua vez, legislar sobre assuntos de interesse local, como é o caso de Regimes Próprios de Previdência Social de âmbito municipal, bem como suplementar a legislação federal e a estadual no que couber (art. 30, incisos I e II, da Constituição da República).
A Previdência Complementar pública (art. 40, §§ 14, 15 e 16, da Constituição da República) e a Previdência Complementar privada (art. 202 da Constituição Federal), por sua vez, são facultativas.
3.2. OBJETIVOS
A Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de contribuição, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam econo-micamente (art. 3º da Lei 8.212/1991 e art. 1º da Lei 8.213/1991).
O objetivo do sistema previdenciário, assim, é cobrir as contin-gências sociais indicadas, entendidas como eventos ou situações que deixam os beneficiários (ou seja, segurados ou dependentes) sem condições de prover a subsistência, por meio da concessão, mediante contribuição, dos benefícios de auxílio-doença, aposentadoria por inca-pacidade permanente, aposentadoria por idade, aposentadoria especial, salário-família, auxílio-reclusão, pensão por morte.
A aposentadoria por tempo de contribuição sem idade mínima, em regra, não é mais prevista com a Emenda Constitucional 103/2019, salvo nos casos de direito adquirido (art. 3º da Emenda Constitucional 103/2019), da regra de transição do art. 17 da Emenda Constitucional 103/2019 e de aposentadoria da pessoa com deficiência, concedida na forma da Lei Complementar 142/2013, conforme art. 22 da Emenda Constitucional 103/2019.
A maternidade também é objeto de cobertura previdenciária, por meio do salário-maternidade.
São previstos, ainda, o auxílio-acidente e os serviços (serviço social, habilitação e reabilitação profissional).
Cabe observar que o desemprego involuntário é coberto pelo segu-ro-desemprego, o qual, entretanto, não é prestado pelo Regime Geral de Previdência Social (INSS), mas fica a cargo do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Na Previdência Social são asseguradas prestações, mediante contri-buição, que visam a assegurar os meios indispensáveis de manutenção dos segurados e dependentes.
Os benefícios previdenciários normalmente são previstos em valores superiores aos benefícios assistenciais, os quais são voltados a atender apenas as necessidades básicas necessárias ao mínimo existencial.
Ainda assim, não é função do sistema previdenciário oferecer aos beneficiários elevados rendimentos, mas sim os meios indispensáveis à vida digna, por não se confundir com investimento financeiro.
O recebimento de valores superiores aos benefícios previdenciários, ademais, pode ser alcançado por meio da contratação voluntária de planos do Regime de Previdência Complementar.
3.3. ABRANGÊNCIA
A abrangência da cobertura da Previdência Social, organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social, de caráter contri-butivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem
o equilíbrio financeiro e atuarial, deve atender, na forma da lei, aos seguintes aspectos indicados no art. 201 da Constituição Federal de 1988: cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e idade avançada; proteção à maternidade, especial-mente à gestante; proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes.
É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios, ressalvada, nos termos de lei complementar, a possibilidade de previsão de idade e tempo de contribuição distintos da regra geral para concessão de aposentadoria exclusivamente em favor dos segurados: I – com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar; II – cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação (art. 201, § 1º, da Constituição da República).
Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o ren-dimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo (art. 201, § 2º, da Constituição Federal de 1988).
Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão devidamente atualizados, na forma da lei (art. 201, § 3º, da Constituição da República).
É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei (art. 201, § 4º, da Constituição Federal de 1988).
É vedada a filiação ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência (art. 201, § 5º, da Constituição da República).
A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas deve ter por base o valor dos proventos do mês de dezembro de cada ano (art. 201, § 6º, da Constituição Federal de 1988).
É assegurada aposentadoria no Regime Geral de Previdência Social, nos termos da lei, obedecidas as condições previstas no art. 201, §§ 7º e 8º, da Constituição da República.
Para fins de aposentadoria, será assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição entre o Regime Geral de Previdência Social e os regimes próprios de previdência social, e destes entre si, observada a compensação financeira, de acordo com os critérios estabelecidos em lei (art. 201, § 9º, da Constituição da República, com redação dada pela Emenda Constitucional 103/2019).
O tempo de serviço militar exercido nas atividades de que tratam os arts. 42, 142 e 143 da Constituição Federal de 1988 e o tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social ou a Regime Próprio de Previdência Social terão contagem recíproca para fins de inativação militar ou aposentadoria, e a compensação financeira será devida entre as receitas de contribuição referentes aos militares e as receitas de con-tribuição aos demais regimes (art. 201, § 9º-A, da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional 103/2019).
Lei complementar poderá disciplinar a cobertura de benefícios não programados, inclusive os decorrentes de acidente do trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo Regime Geral de Previdência Social e pelo setor privado (art. 201, § 10, da Constituição Federal de 1988, com redação dada pela Emenda Constitucional 103/2019).
A Constituição Federal de 1988, no art. 7º, inciso XXVIII, prevê o seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. A Lei 8.213/1991 dispõe sobre os benefícios e serviços da Previdência Social, inclusive os decorrentes de acidentes do trabalho. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, devem ser incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei (art. 201, § 11, da Constituição Federal de 1988).
A lei instituirá sistema especial de inclusão previdenciária, com alíquotas diferenciadas, para atender aos trabalhadores de baixa renda, inclusive os que se encontram em situação de informalidade, e àqueles sem renda própria que se dediquem exclusivamente ao trabalho
do-méstico no âmbito de sua residência, desde que pertencentes a famílias de baixa renda (art. 201, § 12, da Constituição Federal de 1988, com redação dada pela Emenda Constitucional 103/2019).
A aposentadoria concedida ao segurado de que trata o § 12 do art. 201 da Constituição da República terá valor de um salário mínimo (art. 201, § 13, da Constituição da República, com redação dada pela Emenda Constitucional 103/2019).
É vedada a contagem de tempo de contribuição fictício para efeito de concessão dos benefícios previdenciários e de contagem recíproca (art. 201, § 14, da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional 103/2019).
Lei complementar estabelecerá vedações, regras e condições para a acumulação de benefícios previdenciários (art. 201, § 15, da Cons-tituição da República, incluído pela Emenda Constitucional 103/2019). Os empregados dos consórcios públicos, das empresas públicas, das sociedades de economia mista e das suas subsidiárias serão aposenta-dos compulsoriamente, observado o cumprimento do tempo mínimo de contribuição, ao atingir a idade máxima de que trata o inciso II do § 1º do art. 40 da Constituição da República, na forma estabelecida em lei (art. 201, § 16, da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional 103/2019).
O Regime de Previdência Privada, de caráter complementar e orga-nizado de forma autônoma em relação ao Regime Geral de Previdência Social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar (art. 202 da Constituição da República).
3.4. PRINCÍPIOS
Aplicam-se à Previdência Social os princípios da Seguridade Social, uma vez que integra esse sistema de proteção mais amplo.
Apesar disso, também há princípios específicos da organização da Previdência Social, a seguir indicados:
a) universalidade de participação nos planos previdenciários, me-diante contribuição;
b) valor da renda mensal dos benefícios, substitutos do salário de contribuição ou do rendimento do trabalho do segurado, não inferior ao do salário mínimo;
c) cálculo dos benefícios considerando-se os salários de contri-buição, corrigidos monetariamente;
d) preservação do valor real dos benefícios;
e) previdência complementar facultativa, custeada por contribuição adicional (art. 3º, parágrafo único, da Lei 8.212/1991).
O art. 2º da Lei 8.213/1991, de forma mais detalhada, dispõe que a Previdência Social é regida pelos seguintes princípios e objetivos:
I – universalidade de participação nos planos previdenciários; O sistema previdenciário, diversamente das esferas da Saúde e da Assistência Social, caracteriza-se por ser contributivo.
Logo, na Previdência Social a universalidade não tem o alcance mais amplo da Seguridade Social (art. 194, parágrafo único, inciso I, da Constituição da República), em especial da Saúde, pois as pres-tações previdenciárias somente são devidas mediante a existência de contribuição pelo segurado.
Na verdade, a universalidade, especificamente quanto à Previdência Social, é voltada, em essência, ao acesso ao sistema.
Nesse enfoque, mesmo a pessoa não exercendo atividade remunera-da como seguraremunera-da obrigatória do Regime Geral de Previdência Social pode dele participar, filiando-se como segurada facultativa.
Entretanto, é proibida a filiação ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de Regime Próprio de Previdência (art. 201, § 5º, da Constituição da República).
Na verdade, só pode se filiar como segurado facultativo aquele que não exerça atividade que o enquadre como segurado obrigatório no Regime Geral de Previdência Social, nem seja segurado de Regime Próprio de Previdência Social.
II – uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às po-pulações urbanas e rurais;
Trata-se do mesmo princípio previsto no art. 194, parágrafo único, inciso II, da Constituição da República, voltado, no caso, às prestações previdenciárias, que abrangem as populações urbanas e rurais, a serem tratadas de forma isonômica, ou seja, de acordo com a igualdade substancial.
Na verdade, apesar de ser aplicável o princípio da igualdade no âmbito da Seguridade Social, inclusive no aspecto previdenciário, cabe registrar que a própria Constituição Federal de 1988 possui certas previsões diferenciadas, dispondo de forma mais favorável, por exemplo, à mulher, ao trabalhador rural e ao professor, bem como objetivando a inclusão previdenciária de pessoas em condições sociais e econômicas inferiores.
Quanto ao tema, de modo mais genérico, o art. 5º, caput, da Constituição da República prevê que todos são iguais perante a lei,
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
Os homens e as mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos da Constituição (art. 5º, inciso I).
Vejamos, entretanto, certos tratamentos diferenciados, com fun-damento em critérios lógicos, previstos pela própria Constituição, notadamente no âmbito previdenciário.
É assegurada aposentadoria no Regime Geral de Previdência Social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições:
I – 65 anos de idade, se homem, e 62 anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo de contribuição;
II – 60 anos de idade, se homem, e 55 anos de idade, se mulher, para os trabalhadores rurais e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal (art. 201, § 7º, da Constituição da República, com redação dada pela Emenda Constitucional 103/2019).
Portanto, os trabalhadores rurais e os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal possuem requisitos diferenciados
e mais benéficos quanto à aposentadoria por idade, certamente em respeito às condições mais difíceis em que normalmente exercem as suas atividades.
Além disso, o requisito de idade a que se refere o inciso I do § 7º do art. 201 da Constituição Federal de 1988 deve ser reduzido em cinco anos, para o professor que comprove tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei complementar (art. 201, § 8º, da Constituição da República, com redação dada pela Emenda Constitucional 103/2019).
É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios, ressalvada, nos termos de lei complementar, a possibilidade de previsão de idade e tempo de contribuição distintos da regra geral para concessão de aposentadoria exclusivamente em favor dos segurados: I – com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar; II – cujas atividades sejam exercidas com efetiva ex-posição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação (art. 201, § 1º, da Constituição da República).
Essas exceções se justificam em razão do exercício de atividades com exposição a agentes prejudiciais à saúde, bem como nos casos de segurados com deficiência, que estão em condições diferenciadas, merecendo tratamento jurídico adequado, coerente e materialmente isonômico em face das suas especificidades.
O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas ativi-dades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuem para a Seguridade Social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e fazem jus aos benefícios nos termos da lei (art. 195, § 8º, da Constituição Federal de 1988).
Trata-se de previsão que tem como objetivo, ao estabelecer trata-mento diferenciado e juridicamente mais benéfico ao segurado especial, permitir que ele efetivamente contribua e receba as prestações de Segu-ridade Social, principalmente os benefícios de natureza previdenciária.
III – seletividade e distributividade na prestação dos benefícios; Aplica-se o princípio da Seguridade Social previsto no art. 194, parágrafo único, inciso III, da Constituição da República, de forma específica, aos benefícios previdenciários, os quais devem ser prestados de forma seletiva, tendo em vista os limites orçamentários na esfera do custeio, concretizando-se, ainda, o objetivo de distribuição de renda.
IV – cálculo dos benefícios considerando-se os salários de contri-buição corrigidos monetariamente;
O salário de contribuição é utilizado para o cálculo do salário de benefício, o qual é a base para se chegar ao valor da renda mensal da maior parte dos benefícios previdenciários.
Sendo assim, os valores dos salários de contribuição, constantes do histórico contributivo do segurado, devem ser atualizados para o cálculo do salário de benefício, a fim de se manter os seus valores reais, mesmo depois do passar do tempo.
V – irredutibilidade do valor dos benefícios de forma a preservar--lhes o poder aquisitivo;
Mesmo com o início do recebimento do benefício previdenciário, o seu valor deve ser atualizado, para que o beneficiário tenha preser-vado o poder aquisitivo.
A renda mensal do benefício, assim, é conhecida como a renda mensal inicial, uma vez que os valores devem ser atualizados com o passar do tempo, segundo o índice previsto em lei.
Nesse sentido, além da irredutibilidade do valor dos benefícios (art. 194, parágrafo único, inciso IV, da Constituição da República), assegura-se o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei (art. 201, § 4º, da Constituição da República).
VI – valor da renda mensal dos benefícios substitutos do salário de contribuição ou do rendimento do trabalho do segurado não inferior ao do salário mínimo;
O valor do benefício previdenciário que substitua o salário de contribuição ou a renda do beneficiário não pode ser inferior ao salá-rio mínimo, conforme o art. 201, § 2º, da Constituição da República.
Entretanto, se o benefício previdenciário não tiver essa função de substituição, como ocorre com o auxílio-acidente e o salário-família, não incide a exigência em destaque.
VII – previdência complementar facultativa, custeada por contri-buição adicional;
O Regime de Previdência Complementar, assim, é facultativo, ou seja, voluntário, dependendo da adesão e do recolhimento de contri-buições adicionais.
Nesse sentido, o Regime de Previdência Privada, de caráter com-plementar e organizado de forma autônoma em relação ao Regime Geral de Previdência Social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar (art. 202 da Constituição da República).
VIII – caráter democrático e descentralizado da gestão administra-tiva, com a participação do governo e da comunidade, em especial de trabalhadores em atividade, empregadores e aposentados.
Essa participação deve ser efetivada em nível federal, estadual e municipal.
Esse princípio reflete o disposto no art. 194, parágrafo único, inciso VII, da Constituição da República, ao prever o caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão “quadripartite”, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.
Essa previsão tem nítida incidência no Conselho Nacional de Previdên-cia SoPrevidên-cial, fundamentando a sua composição, conforme a seguir estudado. Ainda quanto ao caráter descentralizado da gestão administrativa da Previdência Social, destaca-se a presença do Instituto Nacional do Seguro Social, como autarquia federal integrante da Administração Pública indireta.
3.5. CONSELHO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
O art. 3º da Lei 8.213/1991 instituiu o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), órgão superior de deliberação colegiada,
que tem como membros: seis representantes do Governo Federal; nove representantes da sociedade civil (sendo três representantes dos aposentados e pensionistas, três representantes dos trabalhadores em atividade e três representantes dos empregadores).
Os membros do Conselho Nacional de Previdência Social e seus respectivos suplentes são nomeados pelo Presidente da República, tendo os representantes titulares da sociedade civil mandato de dois anos, podendo ser reconduzidos, de imediato, uma única vez.
Os representantes dos trabalhadores em atividade, dos aposentados, dos empregadores e seus respectivos suplentes são indicados pelas centrais sindicais e confederações nacionais.
O Conselho Nacional de Previdência Social reúne-se ordinariamen-te, uma vez por mês, por convocação de seu Presidenordinariamen-te, não podendo ser adiada a reunião por mais de 15 dias se houver requerimento nesse sentido da maioria dos conselheiros.
Pode ser convocada reunião extraordinária por seu Presidente ou a requerimento de 1/3 de seus membros, conforme dispuser o regimento interno do Conselho Nacional de Previdência Social.
As ausências ao trabalho dos representantes dos trabalhadores em atividade, decorrentes das atividades do Conselho, devem ser abona-das, computando-se como jornada efetivamente trabalhada para todos os fins e efeitos legais.
Aos membros do Conselho Nacional de Previdência Social, enquan-to representantes dos trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, é assegurada a estabilidade no emprego, da nomeação até um ano após o término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos por motivo de falta grave, regularmente comprovada por meio de processo judicial.
Compete ao Ministério da Previdência Social (no presente ao Minis-tério da Economia) proporcionar ao Conselho Nacional de Previdência Social os meios necessários ao exercício de suas competências, para o que conta com uma Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Previdência Social.
Compete ao Conselho Nacional de Previdência Social: estabele-cer diretrizes gerais e apreciar as decisões de políticas aplicáveis à
Previdência Social; participar, acompanhar e avaliar sistematicamente a gestão previdenciária; apreciar e aprovar os planos e programas da Previdência Social; apreciar e aprovar as propostas orçamentárias da Previdência Social, antes de sua consolidação na proposta orçamentária da Seguridade Social; acompanhar e apreciar, por meio de relatórios gerenciais por ele definidos, a execução dos planos, programas e or-çamentos no âmbito da Previdência Social; acompanhar a aplicação da legislação pertinente à Previdência Social; apreciar a prestação de contas anual a ser remetida ao Tribunal de Contas da União, podendo, se for necessário, contratar auditoria externa; estabelecer os valores mínimos em litígio, acima dos quais será exigida a anuência prévia do Procurador-Geral ou do Presidente do INSS para a formalização de desistência ou de transigência judiciais, conforme o disposto no art. 132 da Lei 8.213/1991; elaborar e aprovar seu regimento interno.
As decisões proferidas pelo Conselho Nacional de Previdência Social devem ser publicadas no Diário Oficial da União (art. 4º da Lei 8.213/1991).
Ainda quanto ao tema, compete aos órgãos governamentais: prestar toda e qualquer informação necessária ao adequado cumprimento das competências do Conselho Nacional de Previdência Social, fornecen-do inclusive estufornecen-dos técnicos; encaminhar ao Conselho Nacional de Previdência Social, com antecedência mínima de dois meses do seu envio ao Congresso Nacional, a proposta orçamentária da Previdência Social, devidamente detalhada (art. 5º da Lei 8.213/1991).
Existe ainda, no âmbito da Previdência Social, uma Ouvidoria Geral, cujas atribuições são definidas em regulamento (art. 6º da Lei 8.213/1991).
3.6. PREVIDÊNCIA SOCIAL E ESTATUTO DO IDOSO
De acordo com o art. 29 da Lei 10.741/2003, que instituiu o Es-tatuto do Idoso, os benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral da Previdência Social devem observar, na sua concessão, crité-rios de cálculo que preservem o valor real dos salácrité-rios sobre os quais incidiram contribuição, nos termos da legislação vigente.
Os valores dos benefícios em manutenção devem ser reajustados na mesma data de reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do seu último reajustamento, com base em percentual definido em regulamento, devendo ser observados os critérios estabelecidos pela Lei 8.213/1991.
A perda da condição de segurado não deve ser considerada para a concessão da aposentadoria por idade, desde que a pessoa conte com, no mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao exigido para efeito de carência na data de requerimento do benefício (art. 30 da Lei 10.741/2003).
O cálculo do valor do benefício anteriormente previsto (ou seja, aposentadoria por idade) deve observar o disposto no art. 3º, caput e § 2º, da Lei 9.876/19991, ou, não havendo salários de contribuição
recolhidos a partir da competência de julho de 1994, o disposto no art. 35 da Lei 8.213/19912.
O pagamento de parcelas relativas a benefícios, efetuado com atraso por responsabilidade da Previdência Social, deve ser atualizado pelo mesmo índice utilizado para os reajustamentos dos benefícios do Re-gime Geral de Previdência Social, verificado no período compreendido entre o mês que deveria ter sido pago e o mês do efetivo pagamento (art. 31 da Lei 10.741/2003).
1 “Art. 3º Para o segurado filiado à Previdência Social até o dia anterior à data de
publicação desta Lei, que vier a cumprir as condições exigidas para a concessão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, no cálculo do salário de benefício será considerada a média aritmética simples dos maiores salários de contribuição, cor-respondentes a, no mínimo, oitenta por cento de todo o período contributivo decorrido desde a competência julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29 da Lei nº 8.213, de 1991, com a redação dada por esta Lei. [...] § 2º No caso das aposentadorias de que tratam as alíneas b, c e d do inciso I do art. 18, o divisor considerado no cálculo da média a que se refere o caput e o § 1º não poderá ser in-ferior a sessenta por cento do período decorrido da competência julho de 1994 até a data de início do benefício, limitado a cem por cento de todo o período contributivo”. Cf. art. 26 da Emenda Constitucional 103/2019 (Capítulo 5, item 5.2).
2 “Art. 35. Ao segurado empregado, inclusive o doméstico, e ao trabalhador avulso que
tenham cumprido todas as condições para a concessão do benefício pleiteado, mas não possam comprovar o valor de seus salários de contribuição no período básico de cálculo, será concedido o benefício de valor mínimo, devendo esta renda ser recalculada quando da apresentação de prova dos salários de contribuição”.
Desse modo, frise-se que, segundo o art. 41-A da Lei 8.213/1991, o valor dos benefícios em manutenção deve ser reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do último reajustamento, com
base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), apurado
pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Dia Mundial do Trabalho, 1º de Maio, é a data-base dos apo-sentados e pensionistas (art. 32 da Lei 10.741/2003).