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Superior Tribunal de Justiça

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Academic year: 2021

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 158.092 - SÃO PAULO (97/0087970-4)

RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON

RECTE : FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A - FOSFERTIL

ADVOGADO : JOSE DE PAULA MONTEIRO NETO E OUTROS

RECDO : FAZENDA NACIONAL

PROC. : SERGIO AUGUSTO G. FEREIRA DE SOUZA E

OUTROS

EMENTA

TRIBUTÁRIO - ADICIONAL DE FRETE PARA A RENOVAÇÃO DA MARINHA MERCANTE.

1. A contribuição de que se cuida, para ser considerada isenta, como previsto no DL n. 2.414/1988 (art. 2º), deve ser interpretado em conjugação com o disposto no DL n. 97.945/1989.

2 . O art. 5o, V, "c" do DL n. 2.404/1987, com a redação dada peto DL n.

2.414/1988 só tem sentido e operosidade quando complementado pelo art. 5o do

DL n. 97.495/1989.

3 . Recurso improvido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial. Votaram com a Relatora os Ministros Paulo Gallotti, Franciulli Netto, Nancy Andrighi e Francisco Peçanha Martins.

Brasília-DF, 17 de agosto de 2000.

Ministro Francisco Peçanha Martins Presidente

Ministra Eliana Calmon Relatora

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL N° 158.092 - SAO PAULO (1997/0087970-4)

RELATOR : MIN. ELIANA CALMON

RECTE : FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A - FOSFERTIL

ADVOGADO : JOSE DE PAULA MONTEIRO NETO E OUTROS

RECDO : FAZENDA NACIONAL

PROC. : SERGIO AUGUSTO G PEREIRA DE SOUZA E

OUTROS

RELATÓRIO

A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON:

- Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão, proferido pelo TRF da 3a Região, que negou provimento ao apelo da empresa FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A - FOSFERTIL, consagrando o entendimento de que o GATT é

um tratado de natureza meramente normativa, não comportando por esse motivo isenção do AFRMM para mercadorias provenientes de países signatários desse tratado.

Inconformada, com arrimo nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, alega a empresa recorrente que houve violação ao art. 98 e 119 e 179 do CTN, além de dissídio jurisprudencial.

Sustenta, em síntese, que a mercadoria por ela importada encontra-se no rol da "Nova Lista III (Brasil) do GATT", cujo teor foi homologado pelo Decreto n. 75.772/75, assim, continua a recorrente, está isenta do AFRMM.

Defende que não é necessário o encaminhamento de pedido de isenção ao Ministério das Relações Exteriores, na forma do art. 5o do Decreto-lei n.

2.404/87, com nova redação dada pelo Decreto-lei n. 2.414/88, o qual considera inconstitucional em face do princípio da estrita legalidade tributária.

Aduz que a isenção é de caráter geral e independe de requerimento, por força do art. 179 do CTN.

Sem contra razões, opinou o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL pelo improvimento do recurso.

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL N° 158.092 - SAO PAULO (1997/0087970-4)

RELATOR : MIN. ELIANA CALMON

RECTE : FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A - FOSFERTIL

ADVOGADO : JOSE DE PAULA MONTEIRO NETO E OUTROS

RECDO : FAZENDA NACIONAL

PROC. : SERGIO AUGUSTO G PEREIRA DE SOUZA E

OUTROS

VOTO

A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON (RELATORA):

- Tenho como prequestionados implicitamente os artigos indicados como violados e demonstrada a divergência jurisprudencial, entretanto, há que se limitar a abrangência do recurso especial.

Quanto a inconstitucionalidade dos decretos mencionados, foge à competência do STJ a sua apreciação, reservada, na via extraordinária, ao STF.

A premissa de que não é requisito para a isenção o encaminhamento do pedido ao Ministério das Relações Exteriores é desinfluente ao deslinde da demanda, uma vez que o Tribunal de Apelação entendeu que a omissão de manifestação de vontade da Administração não poderia resultar em prejuízo ao direito da parte (fl. 112). Portanto, afasta-se a suposta violação aos arts. 119 e 179 do CTN.

Deve-se, portanto, restringir o recurso especial em relação ao fundamento do acórdão recorrido de que " o GATT é um tratado de natureza meramente normativa, não comportando por esse motivo a isenção do AFRMM para as mercadorias provenientes de países signatários desse tratado".

Discute-se nos autos sobre a isenção do AFRMM, adicional instituído pelo DL n. 2.404/1987, cujo fato gerador é a entrada no porto de descarga, na navegação de longo curso.

E no mesmo DL n. 2.404/1987, com a redação dada pelo DL n. 2.414/1988 ficou prevista isenção para mercadorias que:

Importadas em decorrência de atos internacionais firmados pelo Brasil, sendo nesse caso, o pedido de isenção encaminhado pelo Ministério das Relações Exteriores.

(art. 5o, V, "c")

Entretanto, foi no DL n. 97.945, de 11/07/1989 que se detalhou o favor legal. Primeiro, estabeleceu-se o objeto no artigo 2°:

Estão isentos do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante às cargas importadas em decorrência de atos internacionais firmados pela República.

(Decreto-lei n. 2.404, de 23 de dezembro de 1987, art. 5o, V, "c")

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Superior Tribunal de Justiça

Para a empresa, ora recorrente, a isenção foi concedida em caráter geral, enquanto o Fisco, diferentemente, com sucesso, disse que não há generalidade, haja vista o teor do art. 5o do mesmo DL n. 97.945/1989, do teor seguinte:

A disciplina do pagamento dos serviços industriais e comerciais prestados por órgão vinculado ao Ministério dos Transportes e a isenção do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante - AFRMM só poderão ser concedidas às mercadorias importadas ao abrigo de atos internacionais que contiverem cláusulas expressas prevendo a concessão desses benefícios.

Verifica-se, pelo texto transcrito, que não basta a existência de um tratado para, ipso facto, conceder-se a isenção às mercadorias importadas.

Portanto, a regra do art. 5°, V, "c" do DL n. 2.404, dito violado, só tem sentido quando interpretado em conjugação com o art. 5o do DL n. 97.945/1989,

porque, inclusive, dá ao texto, primeiro, operosidade, tirando-lhe a generalidade incompatível com a realidade econômico-fiscal.

Conseqüentemente, é de ser examinado caso a caso a questão da isenção da AFRMM, por exigir cláusula expressa. Dai o crivo do Ministério das Relações Exteriores.

Neste Tribunal não são poucos os precedentes sobre a contribuição de que se cuida, com diversas abordagens, desde a legitimidade para a sua concessão até questionamentos quanto à constitucionalidade da exação, aspecto este superado pelo pronunciamento em favor da legalidade pelo STF.

Contudo, da abordagem que se faz neste processo, só encontrei um precedente da Primeira Turma, relatado pelo Ministro Demócrito Reinaldo, assim resumido:

TRIBUTÁRIO - ISENÇÃO DO AFRMM EM RELAÇÃO A MERCADORIAS IMPORTADAS DOB A ÉGIDE DO GATT - IMPOSSIBILIDADE.

O mandamento contido no artigo 98 do CTN não atribui ascendência às normas de direito internacional em detrimento do direito positivo interno, mas, ao revés, posiciona-se em nível idêntico, conferindo-lhes efeitos semelhantes.

O artigo 98 do CTN, ao preceituar que tratado ou convenção não são revogados por lei tributária interna, refere-se aos acordos firmados peto Brasil a propósito de assuntos específicos e só é aplicável aos tratados de natureza contratual.

Se o ato internacional não estabelecer, de forma expressa, a desobrigação de contribuições para a intervenção no domínio econômico, inexiste isenção pertinente ao AFRMM.

Recurso provido. Decisão unânime.

(REspn. 196.560/RJ, DJ de 10/05/1999)

Ademais, a exegese aqui preconizada, em reforço ao acórdão impugnado, está em consonância com o disposto no art. 111, II do CTN, o qual determina que se faça literal interpretação à legislação que outorgue isenção.

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Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO

SEGUNDA TURMA

Nro. Registro: 1997/0087970-4 RESP 00158092/SP

PAUTA: 17/08/2000 JULGADO: 17/08/2000

Relator

Exmo. Sr. Min. ELIANA CALMON Presidente da Sessão

Exmo. Sr. Min. FRANCISCO PECANHA MARTINS Subprocurador-Geral da República

EXMO. SR. DR. MOACIR GUIMARAES MORAIS FILHO Secretário (a)

SRA. DRA. BARDIA TUPY VIEIRA FONSECA

AUTUAÇÃO

RECTE : FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A - FOSFERTIL ADVOGADO : JOSE DE PAULA MONTEIRO NETO E OUTROS RECDO : FAZENDA NACIONAL

PROC. : SERGIO AUGUSTO G PEREIRA DE SOUZA E OUTROS CERTIDÃO

Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA ao apreciar o processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra-Relatora. "

Participaram do julgamento os Srs. Ministros Paulo Gallotti, Franciulli Netto, Nancy Andrighi e Francisco Peçanha Martins.

O referido é verdade. Dou fé.

Brasília, 17 de agosto de 2000

BARDIA TUPY VIEIRA FONSECA Secretário(a)

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