TEOREMA ( Propriedades das opera¸c˜oes matriciais)
Supomos as dimens˜oes das matrizes A, B, C tais que as opera¸c˜oes abaixo consideradas est˜ao bem definidas. Temos ent˜ao:
I. A+B=B+A (comutatividade da soma matricial)
II. A+(B+C)=(A+B)+C (associatividade da soma matricial) III. A(BC)=(AB)C (associatividade da multiplica¸c˜ao matricial)
IV. A(B+C)=AB+AC (distributividade `a esquerda relativamente `a soma matricial) V. (B+C)A=BA+CA (distributividade `a direita relativamente `a soma matricial) IV’. A(B-C)=AB-AC (distributividade `a esquerda relativamente `a diferen¸ca matricial)
V’. (B-C)A=BA-CA (distributividade `a direita relativamente `a diferen¸ca matricial) VI. a(B+C)=aB+aC (distributividade da multiplica¸c˜ao por um escalar relativamente `a
soma matricial)
VI’. a(B-C)=aB-aC (distributividade da multiplica¸c˜ao por um escalar relativamente `a difer-en¸ca matricial)
VII. (a+b)C=aC+bC (distributividade da multiplica¸c˜ao pela soma de escalares) VII’. (a-b)C=aC-bC (distributividade da multiplica¸c˜ao pela diferen¸ca de escalares) VIII. a(bC)=(ab)C (associatividade da multiplica¸c˜ao por um escalar)
IX. a(BC)=(aB)C=B(aC) (comutatividade da multiplica¸c˜ao por um escalar relativamente `a multiplica¸c˜ao matricial)
TEOREMA (Propriedades das matrizes invert´ıveis). Vers˜ao 1 Seja A uma matriz n× n, ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) A ´e invert´ıvel.
(ii) O SEL homog´eneo, Ax = 0, s´o admite a solu¸c˜ao trivial.
(iii) O resultado do M´etodo de Gauss-Jordan aplicado a A ´e a matriz identidade n× n. (iv) A admite uma factoriza¸c˜ao na forma de produto de matrizes elementares.
(v) O SEL Ax = b ´e poss´ıvel e determinado para cada vector independente b n× 1.
Observa¸c˜ao: Vamos ver este teorema ”crescer” ao longo da nossa cadeira de ´Algebra Linear.
Exemplo de aplica¸c˜ao do M´etodo de Gauss-Jordan ao c´alculo de A−1 Pretende-se calcular a matriz inversa de
A = 13 39 14 −2 −8 0
Resolu¸c˜ao: A ideia do M´etodo de Gauss-Jordan baseia-se na redu¸c˜ao da matriz original A, mediante opera¸c˜oes elementares com as suas linhas, ´a matriz identidade I3, neste caso. As
mesmas opera¸c˜oes elementares aplicadas ´a matriz identidade I3 produzem a matriz inversa
A−1, que nos ´e pedida.
Assim, vamos efectuar os seguintes c´alculos, partindo da matriz aumentada (A...I) (A...I) = 13 39 1 : 1 0 04 : 0 1 0 −2 −8 0 : 0 0 1
1o Passo: Somamos a segunda linha com −3 vezes a primeira linha. Obtemos
10 30 1 :1 : −3 1 01 0 0 −2 −8 0 : 0 0 1
2o Passo: Somamos a terceira linha com 2 vezes vezes a primeira linha. Obtemos
10 30 1 :1 : −3 1 01 0 0
0 −2 2 : 2 0 1
3o Passo: Trocamos a segunda linha com a terceira linha. Obtemos
10 −2 2 :3 1 : 12 0 00 1
0 0 1 : −3 1 0
4o Passo: Somamos a segunda linha com −2 vezes a terceira linha. Obtemos
10 −2 0 :3 1 : 18 −2 10 0
0 0 1 : −3 1 0
5o Passo: Somamos a primeira linha com−1 vez a terceira linha. Obtemos
10 −2 0 :3 0 : 48 −1 0−2 1
0 0 1 : −3 1 0
6o Passo: Somamos a primeira linha com 3
2 vezes a segunda linha. Obtemos
1 0 0 : 16 −4 3 2 0 −2 0 : 8 −2 1 0 0 1 : −3 1 0
6o Passo: Muliplicamos a segunda linha por −1 2 e obtemos finalmente 1 0 0 : 16 −4 3 2 0 1 0 : −4 1 −1 2 0 0 1 : −3 1 0 = (I...A−1)
Terminamos ent˜ao os c´alculos com a matriz aumentada (I...A−1), donde
A−1 = 16 −4 3 2 −4 1 −1 2 −3 1 0
Observa¸c˜ao: No final da aplica¸c˜ao deste m´etodo n˜ao se esque¸ca nunca de verificar que temos A−1A = I.
TEOREMA (Propriedades das matrizes invert´ıveis) Vers˜ao 2 Seja A uma matriz n× n, ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) A ´e invert´ıvel.
(ii) O SEL homog´eneo, Ax = 0, s´o admite a solu¸c˜ao trivial.
(iii) O resultado do M´etodo de Gauss-Jordan aplicado a A ´e a matriz identidade n× n. (iv) A admite uma factoriza¸c˜ao na forma de produto de matrizes elementares.
(v) O SEL Ax = b ´e poss´ıvel e determinado para cada vector independente b n× 1. (vi) detA6= 0.
TEOREMA ( Propriedades da Adi¸c˜ao e Multiplica¸c˜ao por um Escalar em n)
Sejam x, y, z vectores de n, e c, d∈ escalares. Temos ent˜ao as seguintes propriedades:
I. ∀x, y ∈ n: x + y = y + x (comutatividade da adi¸c˜ao).
II. ∀x, y, z ∈ n: (x + y) + z = x + (y + z) (associatividade da adi¸c˜ao)
III. ∃0 ∈ n,∀x ∈ n: 0 + x = x + 0 (existˆencia do elemento neutro da adi¸c˜ao).
IV. ∀x ∈ n,∃y ∈ n: x + y = 0, y diz-se sim´etrico de x (existˆencia de sim´etrico).
V. ∀c, d ∈ , ∀x ∈ n: c(dx) = (cd)x (associatividade da multiplica¸c˜ao por escalares).
VI. ∀c ∈ ,∀x, y ∈ n: c(x + y) = cx + cy (distributividade da multiplica¸c˜ao por um
escalar relativamente `a adi¸c˜ao).
VII. ∀c, d ∈ ,∀x ∈ n: (c + d)x = cx + dx (distributividade da multiplica¸c˜ao por uma
soma de escalares).
VIII. ∀x ∈ n: 1x = x (existˆencia de identidade).
TEOREMA ( da dimens˜ao, independˆencia linear, bases e geradores) Seja W um subespa¸co linear de n com dimens˜ao igual a m. Ent˜ao podemos concluir o
seguinte sobre um conjunto S ={v1, v2, . . . , vl} de l vectores de n.
I. Se S gera W , ent˜ao ou ´e base de W (caso l = m), ou pode tornar-se numa base de W , excluindo um ou mais vectores (caso l > m).
II. Se S gera W , ent˜ao S tem pelo menos m vectores. III. Se S gera W e tem m vectores, ent˜ao ´e base de W .
IV. Se S ´e L.I., ent˜ao S ou ´e base de W (caso l = m), ou pode tornar-se numa base de W , juntando um ou mais vectores (caso l < m).
V. Se S ´e L.I., ent˜ao S tem quanto muito m vectores. VI. Se S ´e L.I. e tem m vectores, ent˜ao ´e base de W .
TEOREMA (Propriedades das matrizes invert´ıveis) Vers˜ao 3 Seja A uma matriz n× n, ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) A ´e invert´ıvel.
(ii) O SEL homog´eneo, Ax = 0, s´o admite a solu¸c˜ao trivial.
(iii) O resultado do M´etodo de Gauss-Jordan aplicado a A ´e a matriz identidade n× n. (iv) A admite uma factoriza¸c˜ao na forma de produto de matrizes elementares.
(v) O SEL Ax = b ´e poss´ıvel e determinado para cada vector independente b n× 1. (vi) detA6= 0.
(vii) As colunas de A s˜ao L.I.. (viii) As linhas de A s˜ao L.I..
(ix) As colunas de A geram n.
(x) As linhas de A geram n.
(xi) As colunas de A s˜ao uma base de n.
(xii) As linhas de A s˜ao uma base de n.
(xiii) A tem caracter´ıstica igual a n. (xiv) O n´ucleo de A ´e igual a {0}.
(xv) A tem nulidade igual a 0.
Observa¸c˜ao: este teorema j´a ”cresceu” relativamente `a Vers˜ao 1 nas ´ultimas dez al´ıneas.
TEOREMA ( Propriedades das transforma¸c˜oes lineares)
Supomos as transforma¸c˜oes lineares P, R, T tais que as opera¸c˜oes abaixo consideradas est˜ao bem definidas. Temos ent˜ao:
I. T+R=R+T (comutatividade da soma)
II. T+(R+P)=(T+R)+P (associatividade da soma) III. T(RP)=(TR)P (associatividade da composi¸c˜ao)
IV. T(R+P)=TR+TP (distributividade `a esquerda relativamente `a soma) V. (T+R)P=TP+RP (distributividade `a direita relativamente `a soma) IV’. T(R-P)=TR-TP (distributividade `a esquerda relativamente `a diferen¸ca)
V’. (T-R)P=TP-RP (distributividade `a direita relativamente `a diferen¸ca)
VI. a(T+R)=aT+aR (distributividade da multiplica¸c˜ao por um escalar relativamente `a soma)
VI’. a(T-P)=aT-aP (distributividade da multiplica¸c˜ao por um escalar relativamente `a difer-en¸ca)
VII. (a+b)T=aT+bT (distributividade da multiplica¸c˜ao pela soma de escalares) VII’. (a-b)T=aT-bT (distributividade da multiplica¸c˜ao pela diferen¸ca de escalares) VIII. a(bT)=(ab)T (associatividade da multiplica¸c˜ao por um escalar)
IX. a(TP)=(aT)P=T(aP) (comutatividade da multiplica¸c˜ao por um escalar relativamente `a composi¸c˜ao)
TEOREMA (Propriedades das matrizes invert´ıveis que representam transforma¸c˜oes lineares em n) Vers˜ao 4/5
Seja A uma matriz n× n que representa a transforma¸c˜ao linear T : n→ n relativamente
a uma base de n, ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) A ´e invert´ıvel.
(ii) O SEL homog´eneo, Ax = 0, s´o admite a solu¸c˜ao trivial.
(iii) O resultado do M´etodo de Gauss-Jordan aplicado a A ´e a matriz identidade n× n. (iv) A admite uma factoriza¸c˜ao na forma de produto de matrizes elementares.
(v) O SEL Ax = b ´e poss´ıvel e determinado para cada vector independente b n× 1. (vi) detA6= 0.
(vii) As colunas de A s˜ao L.I.. (viii) As linhas de A s˜ao L.I..
(ix) As colunas de A geram n.
(x) As linhas de A geram n.
(xi) As colunas de A s˜ao uma base de n.
(xii) As linhas de A s˜ao uma base de n.
(xiii) A tem caracter´ıstica igual a n. (xiv) O n´ucleo de A ´e igual a {0}.
(xv) A tem nulidade igual a 0. (xvi) λ = 0 n˜ao ´e valor pr´oprio de A.
(xvii) A imagem da transforma¸c˜ao linear T ´e n.
(xviii) O n´ucleo da transforma¸c˜ao linear T ´e{0}. (xix) T tem caracter´ıstica igual a n.
(xx) T tem nulidade igual a 0.
(xxi) A transforma¸c˜ao linear T ´e invert´ıvel. (xxii) A transforma¸c˜ao linear T ´e um isomorfismo. (xxiii) λ = 0 n˜ao ´e valor pr´oprio de T .
Observa¸c˜ao: este teorema j´a ”cresceu” relativamente `a vers˜ao anterior nas ´ultimas oito al´ıneas sobre transforma¸c˜oes lineares em n.
TEOREMA (Propriedades das matrizes invert´ıveis que representam transforma¸c˜oes lineares em n) Vers˜ao 6
Seja A uma matriz n× n que representa a transforma¸c˜ao linear T : n→ n relativamente
a uma base de n, ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) A ´e invert´ıvel.
(ii) O SEL homog´eneo, Ax = 0, s´o admite a solu¸c˜ao trivial.
(iii) O resultado do M´etodo de Gauss-Jordan aplicado a A ´e a matriz identidade n× n. (iv) A admite uma factoriza¸c˜ao na forma de produto de matrizes elementares.
(v) O SEL Ax = b ´e poss´ıvel e determinado para cada vector independente b n× 1. (vi) detA6= 0.
(vii) As colunas de A s˜ao L.I.. (viii) As linhas de A s˜ao L.I..
(ix) As colunas de A geram n.
(x) As linhas de A geram n.
(xi) As colunas de A s˜ao uma base de n.
(xii) As linhas de A s˜ao uma base de n.
(xiii) A tem caracter´ıstica igual a n. (xiv) O n´ucleo de A ´e igual a {0}.
(xv) A tem nulidade igual a 0. (xvi) λ = 0 n˜ao ´e valor pr´oprio de A.
(xvii) A imagem da transforma¸c˜ao linear T ´e n.
(xviii) O n´ucleo da transforma¸c˜ao linear T ´e{0}. (xix) T tem caracter´ıstica igual a n.
(xx) T tem nulidade igual a 0.
(xxi) A transforma¸c˜ao linear T ´e invert´ıvel. (xxii) A transforma¸c˜ao linear T ´e um isomorfismo. (xxiii) λ = 0 n˜ao ´e valor pr´oprio de T .
(xxiv) O complemento ortogonal do n´ucleo de A ´e n.
(xxv) O complemento ortogonal das linhas de A ´e{0}.
Observa¸c˜ao: este teorema j´a ”cresceu” relativamente `a vers˜ao anterior nas duas ´ultimas al´ıneas sobre complementos ortogonais em n.
DEFINI ¸C ˜AO ( Espa¸co Linear)
Sejam V um conjunto n˜ao vazio e os elementos x, y, z de V , designados por vectores. Seja ainda o escalar c ∈ ( ou ). Definem-se a soma de dois vectores x + y e o produto
escalar cx. O conjunto V com as duas opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao por um escalar diz-se um espa¸co linear (real ou complexo) caso se verifiquem as seguintes propriedades (inspiradas do comportamento de n):
I. ∀x, y ∈ V : x + y ∈ V (fecho da adi¸c˜ao).
II. ∀x ∈ V, ∀c ∈ : cx ∈ V (fecho da multiplica¸c˜ao por um escalar). III. ∀x, y ∈ V : x + y = y + x (comutatividade da adi¸c˜ao).
IV. ∀x, y, z ∈ V : (x + y) + z = x + (y + z) (associatividade da adi¸c˜ao)
V. ∃0 ∈ V, ∀x ∈ V : 0 + x = x + 0 (existˆencia do elemento neutro da adi¸c˜ao). VI. ∀x ∈ V, ∃y ∈ V : x + y = 0, y diz-se sim´etrico de x (existˆencia de sim´etrico). VII. ∀c, d ∈ , ∀x ∈ V : c(dx) = (cd)x (associatividade da multiplica¸c˜ao por um escalar). VIII. ∀c ∈ ,∀x, y ∈ V : c(x + y) = cx + cy (distributividade da multiplica¸c˜ao por um
escalar).
VIII’. ∀c, d ∈ ,∀x ∈ V : (c + d)x = cx + dx (distributividade da multiplica¸c˜ao por um escalar).
IX. ∀x ∈ V : 1x = x (existˆencia de identidade).