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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

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Academic year: 2021

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Nº HC/DD/646/15

HABEAS CORPUS Nº 127.962/SP

IMPETRANTE: WESLEY RAINER CERQUEIRA

COATOR : RELATOR DO HC Nº 320.536 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

PACIENTE : DIEGO TELLES CERQUEIRA RELATOR : MINISTRO MARCO AURÉLIO

Ementa. Habeas corpus. Superveniência de julgamento do writ pelo TJSP. Novo título que deve ser impugnado especificamente. Ausência de apreciação da matéria pelo colegiado do STJ. Supressão de instância. Prisão preventiva. Ausência de fundamentação idônea. Parecer pelo não conhecimento do writ e pela concessão da ordem de ofício.

Trata-se de habeas corpus impetrado contra

decisão que indeferiu liminarmente o HC nº 320.536/SP, com trânsito

perante o Superior Tribunal de Justiça, nos seguintes termos:

“(...)

Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de DIEGO TELLES CERQUEIRA contra decisão de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que indeferiu pedido liminar no HC n. 2055573-67.2015.8.26.0000.

Consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante em 16.03.2015 pela suposta prática do delito tipificado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343⁄06. A custódia foi convertida em preventiva.

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Inconformada, a defesa impetrou a ordem originária perante o Tribunal a quo, cuja liminar foi indeferida pelo relator (fls. 16)

No presente writ o impetrante ressalta as condições pessoais favoráveis do paciente e alega que a prisão foi fundada apenas na gravidade em abstrato do delito, não tendo sido apresentado fato concreto que demonstre a presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva (art. 312 do CPP). Aduz, ainda, que essa ilegalidade justifica a superação do enunciado n. 691 da Súmula do STF.

Sustenta a suficiência da aplicação de medidas cautelares alternativas. Argumenta que, em caso de condenação, o regime inicial para o cumprimento da reprimenda será diverso do fechado. Desse modo, pondera que a manutenção da prisão cautelar seria desproporcionalmente severa.

Requer, em liminar e no mérito, a substituição do encarceramento por medidas cautelares diversas da prisão.

É o relatório. Decido.

Tendo-se por fundamento a aplicação analógica do enunciado n. 691 da Súmula do STF, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de não conhecer do habeas corpus impetrado contra decisão de relator que indefere pedido liminar em writ originário, salvo em hipóteses excepcionais, em que o impetrante demonstre a existência de flagrante ilegalidade ou abuso de poder nessa decisão.

(...)

No caso, nenhuma dessas hipóteses está presente. O relator, ao indeferir o pedido liminar, apresentou idônea fundamentação no sentido de que o constrangimento ilegal apontado pelo impetrante não estava manifesto e detectável de plano, uma vez que a revogação da prisão preventiva depende do exame minucioso dos seus requisitos, inviável em sede de cognição sumária.

Dessa forma, não vejo como afastar a aplicação do enunciado n. 691 da súmula do STF, devendo-se aguardar o julgamento do mérito da impetração na Corte de origem, sob pena de indevida supressão de instância.

Ante o exposto, nos termos do art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus.

(3)

(…).”

Agora, perante essa Corte Suprema, o

impetrante renova o pedido de substituição da prisão por medida

cautelar diversa, sob os mesmos argumentos já deduzidos nas

instâncias precedentes – ausência de fundamentação concreta que

demonstre a presença dos requisitos previstos no art. 312 do CPP.

No âmbito dessa Corte, a liminar foi deferida.

De início, registre-se a presença de dois

óbices ao conhecimento da impetração.

O primeiro consiste no fato de o TJSP ter

realizado julgamento definitivo do habeas corpus lá impetrado, tendo

surgido, portanto, novo título, que deve ser impugnado

especificamente. Nesse sentido:

“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. ROUBO MAJORADO. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE MINISTRO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INADEQUAÇÃO DA VIA. ALTERAÇÃO DO QUADRO PROCESSUAL. PREJUÍZO DA IMPETRAÇÃO. 1. A competência do Supremo Tribunal Federal “somente se inaugura com a prolação do ato colegiado, salvo as hipóteses de exceção à Súmula 691/STF” (HC 113.468, Rel. Min. Luiz Fux). 2. Hipótese em que não foi exaurida a instância, tendo em vista que não fora interposto agravo regimental contra a decisão monocrática do relator no Superior Tribunal de Justiça. 3. A superveniência do julgamento do mérito do habeas corpus impetrado no Tribunal de segundo grau prejudica a análise da impetração. Precedentes. 4. Paciente preso em flagrante delito e denunciado por roubo majorado pelo emprego de arma de fogo e concurso de pessoas. 5. Inocorrência de teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder na prisão preventiva para a

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garantia da ordem pública. 6. Agravo regimental desprovido”. (HC 115318 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 18/03/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-067 DIVULG 03-04-2014 PUBLIC 04-04-2014)

“EMENTA Agravo regimental em habeas corpus. Penal. Majoração de Pena acima do mínimo legal. Alegada falta de fundamentação. Impetração dirigida contra decisão do Superior Tribunal de Justiça, que indeferiu medida liminar requerida pelo agravante. Negativa de seguimento. Incidência da Súmula nº 691 desta Suprema Corte. Superveniência de julgamento definitivo pelo colegiado do Superior Tribunal de Justiça. Substituição de título. Precedentes. Regimental não provido. 1. Agravo regimental contra a decisão pela qual foi negado seguimento ao habeas corpus impetrado contra ato da Ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, que indeferiu a liminar no HC nº 250.914/ES impetrado àquela Corte de Justiça. 2. Supervenientemente, o writ impetrado ao Superior Tribunal de Justiça foi levado a julgamento, em sessão realizada pela Sexta Turma, que dele não conheceu. 3. O julgado proferido, em casos como esse, substitui a decisão liminar que o precedeu, a qual, por isso, não pode mais produzir efeitos jurídicos (HC nº 101.571/RJ, de minha relatoria, DJe de 9/8/10). 4. Agravo regimental a que se nega provimento”. (HC 116414 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 12/03/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-069 DIVULG 15-04-2013 PUBLIC 16-04-15-04-2013)

“EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. LIMINAR INDEFERIDA NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: INCIDÊNCIA DA SÚMULA 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JULGAMENTO DEFINITIVO DO HABEAS CORPUS IMPETRADO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: PREJUÍZO DO AGRAVO REGIMENTAL. OBSCURIDADE, OMISSÃO, AMBIGUIDADE OU CONTRADIÇÃO: AUSÊNCIA. REEXAME DA CAUSA: IMPOSSIBILIDADE. EMBARGOS REJEITADOS. 1. O Supremo Tribunal Federal não admite o conhecimento de habeas corpus quando não houve a apreciação definitiva dos fundamentos

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pelo órgão judiciário apontado como coator, mormente quando o objeto foi prejudicado pelo julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça. 2. Superveniência de decisão definitiva do habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça. 3. Ausência de obscuridade, omissão, ambigüidade ou contradição a ser sanada pelos embargos declaratórios. (…) 5. Embargos de Declaração recebidos como agravo regimental, ao qual se nega provimento”. (HC 96694 AgR-ED, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 28/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-174 DIVULG 04-09-2013 PUBLIC 05-09-2013)

Segundo, porque, como a questão de fundo

não foi examinada pelo colegiado do STJ, essa Corte tampouco pode

fazê-lo originariamente, sob pena, a um só tempo, de supressão

indevida de instância e de violação ao princípio do juiz natural. O

caso, portanto, é de não conhecimento do writ, tendo em vista que o

impetrante não se desincumbiu de interpor agravo regimental. A

jurisprudência do STF endossa tal entendimento:

“Ementa: HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE MINISTRO DO STJ. INVIABILIDADE. CABIMENTO DE AGRAVO INTERNO. INTERPOSIÇÃO INDISPENSÁVEL PARA ATENDER AO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL E PARA EXAURIR A INSTÂNCIA RECORRIDA,

PRESSUPOSTO PARA INAUGURAR A

COMPETÊNCIA DO STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O habeas corpus ataca diretamente decisão monocrática de Ministra do STJ. Essa decisão tem o respaldo formal do art. 38 da Lei 8.038/1990 e contra ela é cabível o agravo previsto no art. 39 da mesma Lei. Ambos os dispositivos estão reproduzidos, tanto no Regimento Interno do STF (arts. 192 e 317), quanto no Regimento do STJ (arts. 34, XVIII, e 258). Em casos tais, o exaurimento da jurisdição e o atendimento ao princípio da colegialidade, pelo tribunal prolator, se dá justamente mediante o recurso de agravo interno, previsto em lei, que não pode simplesmente ser substituído por uma ação de habeas corpus, de competência de outro tribunal. 2. A se admitir essa possibilidade

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estar-se-á atribuindo ao impetrante a faculdade de eleger, segundo conveniências próprias, qual tribunal irá exercer o juízo de revisão da decisão monocrática: se o STJ, juízo natural indicado pelo art. 39 da Lei 8.038/1990, ou o STF, por via de habeas corpus substitutivo. O recurso interno para o órgão colegiado é medida indispensável não só para dar adequada atenção ao princípio do juiz natural, como para exaurir a instância recorrida, pressuposto para inaugurar a competência do STF. 3. Não cabe ao Supremo Tribunal Federal, em sede de habeas corpus, rever o preenchimento ou não dos pressupostos de admissibilidade de recursos de competência exclusiva do Superior Tribunal de Justiça (CF, art. 105, III), salvo em hipótese de flagrante ilegalidade, o que não se verifica na espécie. 4. Agravo regimental a que se nega provimento”. (HC 120506 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 18/12/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-028 DIVULG 10-02-2014 PUBLIC 11-02-2014)

“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DA MATÉRIA PELO COLEGIADO DA CORTE SUPERIOR. NÃO CONHECIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I – A Primeira Turma desta Corte, durante o julgamento do HC 119115/MG, firmou orientação no sentido de que a não interposição de agravo regimental no STJ – e, portanto, a ausência da análise da decisão monocrática pelo colegiado – impede o conhecimento do habeas corpus por esta Corte. Precedentes. II - Ausência, no caso sob exame, de teratologia ou ilegalidade manifesta que autorizem a superação deste entendimento. III - Agravo regimental em habeas corpus não provido”. (HC 120259 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 18/12/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-029 DIVULG 11-02-2014 PUBLIC 12-02-2014)

“EMENTA: HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE ENTORPECENTES. PRISÃO PREVENTIVA. INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL. 1. O entendimento majoritário da

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Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que “o habeas corpus é incabível quando endereçado em face de decisão monocrática que nega seguimento ao writ, sem a interposição de agravo regimental” (HC 113.186, Rel. Min. Luiz Fux). 2. Inexistência de ilegalidade flagrante ou de abuso de poder na prisão preventiva. 3. Habeas Corpus extinto por inadequação da via processual, cassada a medida liminar deferida”. (HC 116551, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 10/12/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-022 DIVULG 31-01-2014 PUBLIC 03-02-2014)

Contudo, parece ser o caso de concessão da

ordem de ofício. Na atualidade, há farta jurisprudência no sentido de

que, em situações de flagrante ilegalidade, especialmente aquelas

que comprometam, direta e imediatamente, o direito de ir e vir, se

possa, num juízo de ponderação de interesses, fazer ceder o princípio

da sucessão regular de instâncias em prol da liberdade.

Pois bem, a decisão que converteu o flagrante

em prisão preventiva está vazada nos seguintes termos:

“(...)

DIEGO TELLES CERQUEIRA foi autuado por infração ao artigo 33 da Lei 11343/06, crime que possui pena máxima superior a quatro anos de reclusão.

A gravidade do crime, reveladora da periculosidade do agente, demonstra ser insuficiente outra medida cautelar que não a prisão preventiva, notadamente diante da natureza do crime de tráfico de drogas e do malefício social de tal delito.

Assim, não havendo alteração fática que justifique acolhida ao pedido de liberdade provisória c/c revogação da prisão preventiva, e ainda, destacando-se a quantidade e a natureza da droga apreendida, pronta ao consumo, fica INDEFERIDA a pretensão, pois a prisão permanece necessária para garantia da ordem pública e

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aplicação da lei penal, sendo que as demais cautelares trazidas pela Lei 12403/11 são insuficientes para o fim pretendido pela norma.

Registro ainda que eventuais condições subjetivas favoráveis, tais como, residência fixa e trabalho lícito, por si só, não obstam a segregação cautelar, se há nos autos elementos hábeis a recomendar sua manutenção, como se verifica no caso em tela.

Pelas circunstâncias em que o requerente foi preso, há indícios sérios de que estava de fato em poder de entorpecente visando ao comércio.

Portanto, converto a prisão em flagrante em prisão preventiva, expedindo-se o necessário.

(…).”.

Se não mais subsiste a prisão preventiva

obrigatória, não se pode cogitar de categorias de crimes que seriam

essencialmente mais graves que outros e, portanto, passíveis da

medida. O que a autoriza é a conduta concretamente realizada e as

circunstâncias que a envolvem. De outro giro, tampouco há que se

cogitar de um modelo abstrato de periculosidade ou de determinadas

categorias de pessoas predispostas ao crime, tal como pretendia

Lombroso. Também aqui a periculosidade há de ser vista a partir da

conduta do agente e de sua história de vida.

No caso, é possível, de imediato, afastar a

periculosidade do paciente resultante da quantidade de droga

apreendida, 32,3g de cocaína, visto que esta não pode ser

considerada exorbitante. Além disso, a natureza do entorpecente,

apesar de grave, não é capaz, por si só, de representar risco a ordem

pública. A prevalecer o entendimento consignado na decisão, o tráfico

de cocaína, mesmo que de escala muito reduzida, ensejaria, direta e

imediatamente, prisão preventiva, retornando ao sistema já superado

das prisões cautelares obrigatórias

1

.

1 “Ementa: (…) 3. A vedação legal à liberdade provisória ao preso em flagrante por tráfico de

entorpecentes, prevista no art. 44 da Lei 11.343/2006, foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (HC 104.339/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes), devendo, contudo, o magistrado apreciar a existência dos requisitos da prisão preventiva à luz do artigo 312 do Código de Processo Penal”. (HC

(9)

De resto, a decisão que decretou a prisão

cautelar não apontou, minimamente, conduta do paciente que

pudesse colocar em risco a ordem pública, a instrução processual ou

a aplicação da lei penal.

E a gravidade abstrata do delito não serve de

mote à preventiva, conforme pacífica jurisprudência. A propósito:

Ementa: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL E

PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO DE

ENTORPECENTES. LIBERDADE PROVISÓRIA. VEDAÇÃO DO ART. 44 DA LEI DE DROGA. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTE DO PLENÁRIO. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE ABSTRATA DO DELITO. FUNDAMENTO INSUFICIENTE. PRECEDENTES. NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA. FUNDAMENTO INIDÔNEO. INVIABILIDADE DE REFORÇO DA FUNDAMENTAÇÃO PELAS INSTÂNCIAS SUPERIORES. ORDEM CONCEDIDA. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no HC 104.339/SP (Min. GILMAR MENDES, DJe de 06.12.2012), em evolução jurisprudencial, declarou a inconstitucionalidade da vedação à liberdade provisória prevista no art. 44 da Lei 11.343/2006. Entendeu-se que (a) a mera inafiançabilidade do delito (CF, art. 5º, XLIII) não impede a concessão da liberdade provisória; (b) sua vedação apriorística é incompatível com os princípios constitucionais da presunção de inocência e do devido processo legal, bem assim com o mandamento constitucional que exige a fundamentação para todo e qualquer tipo de prisão. 2. A gravidade abstrata do delito de tráfico de entorpecentes não constitui fundamento idôneo para a decretação da custódia cautelar. Precedentes. 3. Não cabe às instâncias superiores, em sede de habeas corpus, adicionar novos fundamentos à decisão de primeiro grau, visando a suprir eventual vício de fundamentação. Precedentes. 4. Ordem concedida. (HC 113945, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda

121250, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 06/05/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-097 DIVULG 21-05-2014 PUBLIC 22-05-2014)

(10)

Turma, julgado em 29/10/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-223 DIVULG 11-11-2013 PUBLIC 12-11-2013)

Assim, o parecer é pelo não conhecimento do

writ, mas pela concessão da ordem de ofício.

Brasília, 9 de julho de 2015.

Deborah Macedo Duprat de Britto Pereira

Subprocuradora-Geral da República

Referências

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