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As transformações arquitetonicas e tecnico-construtivas do edificio publico de saude na cidade de São Paulo

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL

AS TRANSFORMAÇÕES ARQUITETÔNICAS E

TÉCNICO-CONSTRUTIVAS DO EDIFÍCIO PÚBLICO DE

SAÚDE NA CIDADE DE SÃO PAULO

Adhemar Dizioli Fernandes

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL

AS TRANSFORMAÇÕES ARQUITETÔNICAS E

TÉCNICO-CONSTRUTIVAS DO EDIFÍCIO PÚBLICO DE

SAÚDE NA CIDADE DE SÃO PAULO

Adhemar Dizioli Fernandes

Orientador: Prof. Dr. André Munhoz de Argollo Ferrão

Dissertação de Mestrado apresentada à Comissão de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil na área de Concentração de Edificações.

Campinas

2003

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FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DA ÁREA DE ENGENHARIA - BAE - UNICAMP

F391t

Fernandes, Adhemar Dizioli

As transformações arquitetônicas e

técnico-construtivas do edifício público de saúde na cidade de São Paulo / Adhemar Dizioli Fernandes. --Campinas, SP: [s.n.], 2003.

Orientador: André Munhoz de Argollo Ferrão. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Civil.

1. Hospitais - Edifício. 2. Edifícios públicos - Construção. 3. Hospitais – Projetos e construção. 4. Hospitais - Arquitetura. 5. Construção civil. 6. Saúde pública. I. Ferrão, André Munhoz de Argollo. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia Civil. III. Título.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL

AS TRANSFORMAÇÕES ARQUITETÔNICAS E

TÉCNICO-CONSTRUTIVAS DO EDIFÍCIO PÚBLICO DE

SAÚDE NA CIDADE DE SÃO PAULO

Adhemar Dizioli Fernandes

Dissertação de Mestrado aprovada pela Banca Examinadora,

Constituída por:

Prof. Dr. André Munhoz de Argollo Ferrão

Presidente e Orientador/ FEC UNICAMP

Prof. Dr. Luiz Jacintho da Silva

FCM UNICAMP

Profa. Dra. Marina Sangoi de Oliveira Ilha

FEC UNICAMP

Campinas

2003

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Dedicatória

Aos meus pais Adhemar e Wanda, À minha filha Paula À Ci, minha mulher e companheira,

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Agradecimentos

Ao Prof. Dr. André Munhoz de Argollo Ferrão, pelo apoio, incentivo e orientação desta dissertação.

Ao Mauro Victor, mestre e amigo, pela participação neste trabalho com suas críticas claras objetivas.

Ao Nelson Bedin, pelos ensinamentos de saúde pública e pela análise e revisão desta dissertação.

Ao arquiteto e amigo Antonio Carlos Kfouri, pelo incentivo e colaboração na fase inicial deste trabalho.

Aos amigos e professores da FEC-UNICAMP; e à atenção e colaboração dos funcionários da Biblioteca e do Centro de Documentação.

Aos colegas e amigos do Departamento Técnico de Edificações-DTE da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo pelo imprescindível apoio e estímulo

recebido. Especialmente ao Milton André, pela leitura atenta e correção deste trabalho; ao João Batista, e a Cecília Watanabe, pelo incentivo e colaboração; a Cristina Gomes, José Venturelli, Elaine e Anacleto pela atenção que dedicaram a

esta dissertação.

Aos arquitetos e amigos Julio, Ricardo, Camilo, Marina e Marcelo pela colaboração na elaboração da parte gráfica deste trabalho.

(7)

“...O hospital perfeito há vinte anos está, hoje, superado, o hospital hoje perfeito será obsoleto daqui a vinte anos...Em cada época o programa hospitalar reflete o estado da ciência médica” Julien Guadet,

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Sumário

Lista de Tabelas v Lista de Figuras vi Resumo xv 1 Introdução 1 2 Objetivos 5 3 Revisão Bibliográfica 7

3.1 A Origem do Edifício Hospitalar 7

3.1.1 O Hospital Pavilhonar 10

3.1.2 O Hospital Vertical Monobloco 12

3.2 Os Edifícios de Saúde na Cidade de São Paulo 15

3.2.1 A Saúde na São Paulo de Taipa 16

3.2.2 Os Primeiros Passos da Saúde Pública 18

3.2.3 Os Edifícios de Saúde no Início do Século XX em São Paulo 21 3.2.4 Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 32 3.2.5 Hospital da Clinicas da Faculdade de Medicina da USP 33 3.2.6 Os Edifícios de Saúde Pública a partir da Década de 1950 34 3.2.7 A Saúde e a Região Metropolitana da Grande São Paulo 44

4 O Programa Metropolitano de Saúde 47

4.1 A Saúde na Região Metropolitana na Época da Elaboração do Programa 48

4.4 O Modelo Assistencial Proposto 50

4.3 As Duas Fases do Programa Metropolitano de Saúde 51 5 Os Edifícios de Saúde do Programa Metropolitano de Saúde 53

5.1 Unidade Básica de Saúde (UBS) 53

(9)

5.2.1 O Programa Físico-Funcional dos Hospitais Gerais do PMS 57

5.2.2 As Unidades dos Hospitais Gerais 58

5.2.2.1 Unidade de Ambulatório 60

5.2.2.2 Unidade de Emergência 61

5.2.2.3 Unidade de Reabilitação Física 61

5.2.2.4 Unidade de Reabilitação Mental 62

5.2.2.5 Unidade de Informação 62

5.2.2.6 Unidade de Centro Cirúrgico e Obstétrico 62

5.2.2.7 Unidade de Laboratório Clínico 63

5.2.2.8 Unidade de Anatomia Patológica 64

5.2.2.9 Unidade de Diagnóstico 64

5.2.2.10 Unidade de Hemoterapia 65

5.2.2.11 Unidade de Internação 65

5.2.2.12 Central de Abastecimento de Materiais (CAM) 66

5.2.2.13 Unidade de Esterilização de Materiais 67

5.2.2.14 Unidade de Nutrição, Dietética e Lactário 67

5.2.2.15 Unidade de Lavanderia 67

5.2.3 Sistemas Estruturais dos Hospitais Gerais do PMS 68

5.2.4 Sistemas Prediais dos Hospitais Gerais do PMS 69

5.2.5 Material de Acabamento dos Hospitais Gerais 71

5.6 Os Hospitais Gerais Construídos na Primeira Fase do PMS 75

5.6.1 Hospital Geral de São Mateus 75

5.6.2 Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha 77

5.6.3 Hospital Geral de Vila Penteado 78

5.6.4 Hospital Geral de Guaianazes e de Parada de Taipas (HGU) 80

5.6.4.1 Partido Arquitetônico 80

5.6.4.2 Fluxos 82

5.6.4.3 Esquema Estrutural 83

(10)

6 O Conjunto dos Hospitais Padrão HGU 93 6.1 A Retomada das Obras e as Alterações nos Projetos do HGU 94 6.2 A Implantação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 96

6.3 Materiais de Acabamento e Instalações Prediais 97

6.4 Avaliação das Estruturas de Concreto 98

6.5 A Gestão dos Hospitais Gerais pelas Organizações Sociais de Saúde 100 7 As Transformações Físico-Funcionais e Técnico-Construtivas dos Oito

Hospitais Gerais Padrão HGU

101

7.1 Hospital Geral Itaim Paulista 102

7.2 Hospital Geral Pirajussara 106

7.3 Hospital Geral Grajaú 110

7.4 Hospital Geral Carapicuíba 114

7.5 Hospital Geral Itaquaquecetuba 116

7.6 Hospital Geral Itapevi 118

7.7 Hospital Geral Diadema 120

7.8 Hospital Geral Vila Alpina 123

7.9 Comentários Sobre as Transformações que Ocorreram nos Oito HGU 126

8 Conclusão 127

(11)

Lista de Figuras

página

1 Maquete e Planta de um Hospital Militar Romano de Vindonissa (hoje Windisch,

Suíça) 8

2 Evolução das Formas Hospitalares 13

3 Desinfectório Central no Bairro do Bom Retiro no Final do Século XIX 20 4 Entrada Principal do Hospital de Isolamento no Início do Século XX 21 5 Pátio Interno do Hospital da Força Pública no Bairro da Luz 23 6 Fachada Principal da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo 25 7 Corredores da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo em 1998 26

8 Internação Masculina do Hospital Samaritano em 1910 27

9 Fachada Principal do Hospital Santa Catarina na Avenida Paulista 28 10 Hospital Humberto Primo em 1911, nas Proximidades da Avenida Paulista 29 11 Construção do Prédio da Faculdade de Medicina em 1928 33

12 Instituto Central do Hospital das Clínicas 34

13 Hospital Infantil do Morumbi Atual Darcy Vargas na Década de 1950 38 14 Hospital Heliópolis Recém Inaugurado na Década de 1960 39 15 Vista Parcial do Hospital Santa Casa de Misericórdia na Década de 1970 40 16 Unidade Básica de Saúde da Primeira Fase do PMS em 1987 55 17 Unidade Básica de Saúde da Segunda Fase do PMS em 1990 56

18 Sala de Atendimento de Emergência 61

19 Sala Cirúrgica 63

20 Enfermaria para Quatro Leitos 66

(12)

23 Hospital Geral de Vila Penteado: Circulação Interna com Piso em Manta Vinílica e Bate-Macas em madeira. Foto à direita Bancada em Laminado Melamínico 73 24 Hospital Geral de Guaianazes: Piso Alta Resistência na Circulação Interna,

Forro em Gesso Bate-Macas em Madeira e Paredes Revestidas em Laminado Melamínico

74

25 Hospital Geral de São Mateus. Obra na fase final de execução 76

26 Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha em 1988 77

27 Hospital Geral de Vila Penteado em 1988 79

28 Foto da Maquete do Hospital Geral Padrão HGU 81

29 Implantação do Hospital Geral Padrão HGU 82

30 Estrutura do Hospital Geral de Guaianazes 84

31 Esquema estrutural do Hospital Padrão HGU 85

32 Primeiro Pavimento do Hospital Padrão HGU 87

33 Segundo Pavimento do Hospital Padrão HGU 88

34 Terceiro Pavimento Hospital Padrão HGU 89

35 Quarto e quinto Pavimentos do Hospital Padrão HGU 90

36 Sexto Pavimento do Hospital Padrão HGU 91

37 Localização dos Hospitais Padrão HGU na Grande São Paulo 93 38 Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Geral Padrão HGU 96 39 Implantação da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Geral Padrão HGU 97 40 Estrutura em Concreto do Hospital Geral Diadema em 1998 96

41 Hospital Geral Itaim Paulista 103

42 Unidade de Ambulatório 104

43 Unidade de Terapia Intensiva Neonatal 104

44 Hospital Geral Pirajussara 106

45 Sala de Espera da Unidade de Diagnóstico 108

46 Unidade de Internação de Neonatologia 109

47 Hospital Geral Grajaú 110

48 Unidade de Patologia 112

49 Lanchonete 112

50 Unidade de Ambulatório 113

(13)

52 Sala Abaixo do Acesso ao Ambulatório 115

53 Espera do Ambulatório de Emergência 115

54 Hospital Geral Itaquaquecetuba 116

55 Arquivo Médico e ao Fundo a Lixeira 117

56 Unidade de Lavanderia 117

57 Hospital Geral Itapevi 118

58 Unidade de Terapia Semi Intensiva 119

59 Cobertura em Policarbonato na Espera do Ambulatório 119

60 Hospital Geral Diadema 120

61 Área de Espera de Visitantes 121

62 Cobertura em Policarbonato na Espera do Ambulatório 121

63 Hospital Geral Vila Alpina 123

64 Implantação do Hospital Vila Alpina 124

65 Unidade Semi Intensiva 124

(14)

Lista de Tabelas

página

1 Zonas e Unidades dos Hospitais Gerais do PMS 60

2 Distribuição do Espaço Físico do Hospital Geral de São Mateus 76 3 Distribuição do Espaço Físico do Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha 78 4 Distribuição do Espaço Físico do Hospital Geral de Vila Penteado 79 5 Hospital Padrão HGU - Localização, Período de Obras 94

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Resumo

O hospital converteu-se em instituição social através dos séculos, transformou-se em um edifício complexo, abrigando especialidades e equipamentos médicos múltiplos que refletiram na sua concepção e projeto. Neste trabalho descrevem-se as transformações arquitetônicas e construtivas do edifício público de saúde na cidade de São Paulo, principalmente, a partir da segunda metade do século XIX, com o desenvolvimento da cultura cafeeira, o advento da República e a estruturação do Serviço de Saúde Pública. Especificamente, identificam-se as intervenções físico-funcionais e técnico-construtivas ocorridas no período de 1998 a 2002,em uma série de hospitais públicos, construídos a partir de uma mesma tipologia, na Região Metropolitana da Grande São Paulo.

Os resultados mostram que esses hospitais, concebidos em 1986, continuam atuais diante das alterações e reestruturações implementadas no seu espaço físico, visando abrigar novas unidades funcionais e equipamentos, possibilitando a execução de novos procedimentos médico-hospitalares.

Palavras Chaves: Hospitais-Edifício, Edifícios Públicos-Construção, Hospitais-Projetos e Construção, Hospitais-Arquitetura, Construção Civil, Saúde pública.

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Abstract

Throughout the centuries the hospital has turned into a social institution, becoming a complex building, sheltering specialties and multiple medical equipment that is reflected in its conception and design. In this paper the architectural and constructive transformations of the public health building are described in the city of São Paulo, mainly, from the second half of the XIX century, with the development of the coffee culture, the coming of the Republic and the structuring of the Public Health Service. Specifically identified are the physical-functional and technical-constructive interventions that happened from 1998 to 2002, in a series of public hospitals all built from the same typology in the Metropolitan Area of Great São Paulo.

The results show that those hospital buildings, conceived in 1986, continue to be updated due to the alterations and restructuring implemented in the hospitals, seeking to shelter new functional units and equipment, making possible the execution of new medical/hospital procedures.

Key words: Hospital–Building, Public Building-Construction, Hospital-Design and Construction, Hospital-Architecture, Building Site, Public Health.

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1 Introdução

Dos templos na antiguidade às edificações pavilhonares e monoblocos o edifício hospitalar se transformou ao longo do tempo. Converteu-se em instituição social, deixando de ser o lugar onde se confinavam os doentes preparando-os para a morte, chegando ao século XXI como um edifício complexo, integrado aos centros urbanos, com especialidades médicas múltiplas, tendo como objetivo central a recuperação da saúde do indivíduo, não mais ligado necessariamente à morte, mas sim à vida.

Essas transformações refletiram na concepção e no projeto do hospital contemporâneo que incorporou os avanços ocorridos na área médico-hospitalar. Algumas de suas unidades funcionais encontram similaridades em outros edifícios, porém, no seu conjunto abriga atividades próprias a essa tipologia que necessitam de instalações prediais bem como sistemas construtivos e materiais de acabamento específicos.

A história do edifício de saúde em São Paulo confunde-se com a da Cidade. Da primeira enfermaria, erguida em taipa pelos jesuítas no pátio do colégio, aos hospitais monoblocos contemporâneos, construídos no século XXI em concreto armado, essa tipologia, assim como São Paulo, passou por grandes transformações arquitetônicas e técnico-construtivas.

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Essas transformações têm origem no período colonial, quando a assistência médica à população era filantrópica, realizada por instituições beneficentes, ligadas à igreja católica, como as santas casas de misericórdia. A partir da segunda metade do século XIX, com o advento da República, o crescimento e modernização da Cidade, originada pelo desenvolvimento da cultura cafeeira, o poder público e a oligarquia local destinam vultosos recursos na organização da saúde pública, construção de edifícios de saúde visando à melhoria no atendimento da população. (SEGAWA,1988; BERTOLLI FILHO, 2002).

Até a metade do século XX, o sistema de saúde implantado na Cidade, respondia aos anseios dos novos paulistanos, muitos deles imigrantes de origem européia. Porém, a partir da década de 1950, dá-se início a um novo período de crescimento de São Paulo com a migração de pessoas em busca de trabalho. Essa população se fixa na periferia e nos municípios vizinhos da Capital, transformando-a em uma grande metrópole. Não existiam mais fronteiras entre as cidades e os problemas de saúde, habitação e saneamento passam a ser metropolitanos. O atendimento de saúde tornou-se precário e insuficiente e a população, através dos movimentos populares organizados, passou a reivindicar ao poder público a melhoria e expansão no atendimento.

Em 1979, com financiamento do Banco Mundial, o Governo do Estado de São Paulo implementou o Programa Metropolitano de Saúde (PMS), tendo como objetivo eliminar as deficiências no atendimento de saúde principalmente com a construção de unidades básicas de saúde (UBS) e hospitais gerais (HG), em áreas identificadas como prioritárias, seja pela carência ou pela inadequação dos equipamentos de saúde.

(19)

Na primeira fase desse Programa foram construídos cinco novos hospitais gerais com 220 leitos, em quatro tipologias distintas, oitenta e seis unidades básicas de saúde (UBS) e reformados três hospitais. Na segunda fase do PMS foram construídos outros treze hospitais e quarenta UBS.

Do conjunto dos hospitais gerais implantados nas duas fases do Programa destaca-se uma tipologia, o padrão HGU, que foi construída inicialmente na cidade de São Paulo, nos bairros de Guaianazes e Parada de Taipas. Posteriormente, a partir de 1996, foi reimplantada por mais oito regiões da Grande São Paulo, com seu projeto parcialmente reformulado para abrigar novas unidades e equipamentos, possibilitando assim, a execução de novos procedimentos médico-hospitalares.

No capítulo 7 desse trabalho, descrevem-se e identificam-se as transformações físico-funcionais e técnico-construtivas ocorridas quando da implementação de um novo modelo de gestão para oito hospitais padrão HGU, através das Organizações Sociais de Saúde (OSS). Para atender a esse novo modelo de gestão fez-se necessário efetuar-se alterações e adaptações no espaço físico e instalações prediais de algumas unidades e ambientes, principalmente para a instalação de novos equipamentos médico-hospitalares.

(20)

2 Objetivos

Neste trabalho objetiva-se detectar e descrever as transformações arquitetônicas e técnico-construtivas do edifício hospitalar e do sistema público de saúde na cidade de São Paulo.

Caracterizar o Programa Metropolitano de Saúde (PMS) e os edifícios de saúde construídos nesse Programa, especificamente o Hospital Padrão HGU, descrevendo-se as transformações que este Edifício sofreu no seu espaço físico em conseqüência da introdução de novos procedimentos e novas tecnologias médicas.

(21)

3 Revisão Bibliográfica

3.1 A Origem do Edifício Hospitalar

Etimologicamente, a palavra hospital provém do vocábulo latino hospitalis, que é derivado de hospes (hóspedes, hospitaleiro). O termo hospital tem o mesmo sentido de nosocomium, de origem grega, cujo significado é tratar os doentes, como

nosodochium que quer dizer receber os doentes.

A conceituação e o surgimento do edifício hospitalar ocorreu simultaneamente em várias civilizações antigas. Ele já existia na Grécia e em Roma, onde os templos serviam para abrigar os pobres, velhos e enfermos. Na China, Ceilão e no Egito, antes e depois da Era Cristã, encontram-se registros de hospedarias, hospitais e hospícios, locais onde pessoas caridosas cuidavam de peregrinos, crianças, velhos, vagabundos e doentes (RIBEIRO, 1993).

Na Grécia, no século X a.C, eram construídos templos aos deuses, sendo que um deles, denominado Asklepieia, foi dedicado a Esculápio deus da medicina sacerdotal. Esse edifício, usado como hospital, tinha os dormitórios voltados para um pátio interno, onde ficavam as salas de banho e o altar. Nele os enfermos eram tratados por sacerdotes onde a prática da medicina misturava-se ao misticismo e a superstição.

Na civilização romana, no século I d.C., surgiu o precursor do hospital ocidental, um edifício militar de campanha, denominado Valetudinariun (Figura 1). Construídos em madeira ou pedra, foram implantados ao longo das estradas e próximo às fronteiras do

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edifícios, com planta em formato quadrado, abrigavam enfermarias para três leitos que se comunicavam com um pátio central através de corredores (CAMPOS, 1944).

Figura 1. Maquete e Planta de um Hospital Militar Romano de Vindonissa (hoje Windisch, Suíça). Fonte: Medicina e Saúde, Editora Abril.

No século IV as Asklepieia foram substituídas pelos hospitais cristãos que passaram a desempenhar diversas funções: os brephotrophia que recebiam as crianças rejeitadas pelos pais, os orphanotrophia destinados aos órfãos, os gerontodochia abrigavam os idosos, os ptocotrophia para os pobres e desamparados, os xenodochia depois hospitium, serviam de refúgio e abrigo para forasteiros, os lobotrophia para inválidos e leprosos e os nosocomia que recebiam doentes em geral (SILVA, 1999).

Na Idade Média (446 d.C. a 1453 d.C.), marcada por guerras, epidemias e pelo surgimento das ordens religiosas, os hospitais se expandiram e adquiriram novas funções (neste período o termo hospital passou a ser utilizado em substituição a

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ao lado de suas abadias os hospitalis pauperum, com o propósito de acolher enfermos e viajantes em geral. Os mosteiros das ordens religiosas, principalmente a beneditina e a dos franciscanos, se espalharam por toda a Europa. Instalados nas principais rotas de comércio e peregrinação, tinham como regra, a preocupação com os doentes e contavam com acomodações para os enfermos.

MIQUELIN (1992) descreve a morfologia básica do hospital medieval cujo principal componente, a nave, refletia o avanço das tecnologias estruturais, as quais, por sua vez permitiam vãos maiores, melhorando muito as condições de iluminação e ventilação dos edifícios daquela época.

Na Renascença (1400 d.C. a 1600d.C.), período de crescimento da população e das atividades comerciais entre as cidades européias, ocorre uma mudança na gestão dos hospitais em conseqüência da diminuição da influência religiosa. Várias congregações fecharam ou transferiram seus estabelecimentos para a municipalidade ou para irmandades leigas, todavia, o caráter de assistência social dos hospitais permaneceu inalterado: albergue para pobres, mendigos e portadores de moléstias contagiosas.

De acordo com MONTEIRO (2001) “O marco dos hospitais da concepção renascentista foi o Ospedale Maggiore em Milão, composta por dois conjuntos de quatro enfermarias dispostas em cruz grega, separados por um pátio, em cujo centro encontra-se a igreja”. A partir deste projeto, a planta em cruz passou a ser reproduzida em vários países da Europa, influenciando assim, as construções hospitalares nos cinqüenta anos seguintes e a arquitetura hospitalar européia do século XVII.

Os elementos básicos desta tipologia hospitalar segundo MIQUELIN (1992) são os “pátios distribuidores, galerias e corredores, pórticos, alojamentos lineares organizados num plano cruciforme e simetria do conjunto com o eixo principal de entrada passando sobre a capela. A preocupação com aspectos de salubridade e

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equipamento elevatório de água. Há cabines sanitárias junto aos leitos e um sistema de esgotamento dos efluentes para as fossas. Há uma escada para cada dois leitos e para o acesso aos locais de banho no subsolo. O sistema de esgoto dispõe de um engenhoso dispositivo de auto limpeza que aproveita a pressão e volume das águas pluviais”.

Nos séculos XVI e XVII a assistência médica ainda se assemelhava àquela praticada na Idade Média. Com o intuito de abrigar grande quantidade de pacientes, vítimas das epidemias que assolaram este período, constroem-se grandes hospitais e asilos, com elevados índices de insalubridade e promiscuidade. Nestes edifícios, freqüentemente, um leito servia para vários doentes. (SILVA, 1999).

FOUCAULT (1979) afirma que “antes do século XVIII, o hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de separação e exclusão. O pobre como pobre tem necessidade de assistência e, como doente, portador de doença e de possível contágio, é perigoso. Por estas razões, o hospital deve estar presente tanto para recolhê-lo, quanto para proteger os outros do perigo que ele encarna. O personagem ideal do hospital, até o século XVIII, não é o doente que é preciso curar, mas o pobre que está morrendo. É alguém que deve ser assistido material e espiritualmente, alguém a quem se deve dar os últimos cuidados e o último sacramento. Esta é a função essencial do hospital”.

3.1.1 O Hospital Pavilhonar

No século XVIII iniciava-se a transformação do edifício hospitalar com a introdução de novos conceitos tais como: enfermarias com a configuração pavilhonar implantadas espaçadas, garantindo melhores condições de ventilação e iluminação naturais; redução do número de leitos e a separação dos pacientes em grupos de vinte pessoas por enfermaria.

(25)

Deste período destacam-se dois exemplos de edificações nas quais foram utilizados estes conceitos. A construção na Inglaterra, entre 1756 e 1764, do Royal Naval Hospital um edifício de configuração pavilhonar com capacidade para 1.200 leitos; e os estudos para reconstrução do Hôtel-Dieu, um hospital católico com 2.000 leitos implantado às margens do Rio Sena em Paris, que foi totalmente destruído por um incêndio no início do século XVIII.

Com o objetivo de formular o programa para a reconstrução do Hôtel-Dieu, uma comissão constituída por renomados cientistas como Pierre Simon Laplace, Antoine Laurent Lavoisier e Jacques Tenon, propuseram um novo modelo de hospital com configuração pavilhonar, inspirada no Royal Naval Hospital. Estas idéias embora não utilizadas na sua reconstrução, serviram de inspiração aos projetos hospitalares durante os séculos XVIII e XIX.

Importantes descobertas científicas a partir da segunda metade do século XIX, como a da origem microbiana das infecções, pelo químico francês Louis Pasteur em 1850 provocaram transformações na assistência médica com reflexos diretos na concepção do edifício hospitalar. A partir deste período intensifica-se a construção de hospitais na forma pavilhonar com a separação dos pacientes por categorias de moléstias em pavilhões isolados, visando resguarda-los dos riscos de infecção.

Neste período, a enfermeira inglesa Florence Nightingale, a partir de estudos realizados nos hospitais em que trabalhou, estabeleceu uma nova configuração para as enfermarias e introduziu o serviço de enfermagem nos hospitais. Este modelo consistia em um salão com forma retangular acentuada, com pé direito generoso, janelas altas entre os leitos, em ambos os lados, para garantir a ventilação cruzada e a iluminação natural. Para que se pudesse dar um atendimento humanizado aos pacientes, cada enfermaria dispunha de 32 leitos dispostos perpendicularmente em relação à parede, separados por enfermidade e sexo. As instalações sanitárias ocupavam uma das extremidades e o posto de enfermagem ficava localizado no centro da enfermaria

(26)

A separação entre pavilhões servia como barreira para evitar contágio de diferentes moléstias entre os blocos. Com esta nova configuração e com novas práticas médicas e de enfermagem o hospital chega ao século XX efetivamente como um lugar para a cura. Tal idéia perdurou em quase todos os países até o final da primeira Guerra quando foram substituídos por hospitais de vários andares.

3.1.2 O Hospital Vertical Monobloco

Nas primeiras décadas do século XX, iniciam-se debates sobre a eficiência dos hospitais distribuídos em pavilhões. Essa tipologia não reduzia a infecção hospitalar, a sua implantação necessitava de grandes áreas urbanas que começavam a ficar caras, além dos altos custos da construção e das instalações.

Nesta época, novas tecnologias da construção civil, tais como estrutura metálica, concreto armado e a introdução do transporte vertical mecanizado (elevador), possibilitaram a verticalização dos edifícios, dentre eles os hospitais.

Segundo CAMPOS (1944), “A construção do hospital monobloco, com muitos pavimentos, originou-se nos Estados Unidos. As razões que determinaram a adoção desta nova tipologia foram: a) economia na construção e manutenção; b) facilidade dos transportes e da movimentação do pessoal e do material no hospital; c) concentração das instalações hidráulicas, térmicas, de esgoto e eletricidade; d) proximidade dos serviços de fisioterapia, diagnóstico, laboratório dentre outros; e) facilidade de administração e de vigilância; d) melhores condições de isolamento por pavimento em relação aos pavilhões dispersos”.

O edifício hospitalar passou então a ser monobloco, com vários pavimentos, construído em concreto armado ou estrutura metálica e necessitando de áreas menores para sua implantação. O transporte vertical de carga e de pessoas se dá através de elevador e as instalações hidro-sanitárias e elétricas são concentradas e racionalizadas

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facilitando a manutenção e a ampliação, proporcionando ao hospital grande eficiência e economia de funcionamento.

Desta forma o hospital, que se transformou através dos séculos, deixando de ser o lugar onde se confinavam os doentes preparando-os para a morte, chegou ao século XXI como um edifício complexo abrigando especialidades médicas múltiplas e alta tecnologia, tendo como objetivo central à recuperação da saúde das pessoas.

Figura 2- Evolução das Formas Hospitalares. 1-Antiguidade, Pórticos e Templos; 2- Idade Média, Nave. 3-Renascença Cruz e Claustro; 4-Era Industrial, Pavilhão; 5- Pré Contemporâneo, blocos.

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3.2 Os Edifícios de Saúde na Cidade de São Paulo

Nos primeiros anos do século XVI eram escassos os profissionais de saúde na Colônia. O atendimento médico ficava a cargo dos práticos, indivíduos com algum conhecimento em medicina. Para combater doenças como a sífilis, o sarampo e a tuberculose, disseminadas pelos colonizadores e pelos escravos, eram utilizadas práticas e terapias aprendidas com os indígenas e posteriormente com os africanos, como o curandeirismo e a utilização de remédios obtidos através de plantas medicinais.

Com os colonizadores, vieram da Metrópole os religiosos e as instituições de assistência médica. Como nas demais colônias portuguesas na África e Ásia, instalaram-se no Brasil as Santas Casas de Misericórdia. No início do século XVII, várias capitanias possuíam essas instituições, que prestavam serviços médicos-assistenciais às populações, subsistindo através da caridade pública (OLIVEIRA 1986).

Conforme descreve SILVA (1999) “as santas casas, durante os primeiros séculos, funcionaram em edifícios de um ou dois pavimentos, em taipa, com enfermarias coletivas separadas por sexo, alguns quartos para dois leitos e compartimentos para a administração (recepção e direção) e serviços (dormitório dos empregados, cozinha e botica), uma capela ou igreja em anexo. Inexistiam salas de cirurgia e de curativos. Tanto a administração como os serviços internos, aos pacientes inclusive, eram exercidos por leigos sem qualquer formação específica: os serviços de enfermagem estavam em mãos de escravos. De um modo geral faltava tudo: medicamentos, instrumental, rouparia e alimentos. Higiene também”.

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3.2.1 A Saúde na São Paulo de Taipa

Na São Paulo de Piratininga, junto ao Pátio do Colégio, possivelmente em 1560, foi erguida a primeira enfermaria. Ali, índios e colonos, quando acometidos por algum tipo de moléstia, eram socorridos pelos jesuítas que também exerciam a função de médicos, enfermeiros e boticários. A principal prática utilizada por eles era a sangria, que ao longo do tempo foi se disseminando entre os curandeiros e leigos que a executavam em suas próprias casas (EMPLASA, 2001).

A Vila de São Paulo, isolada da Metrópole, apresentava precárias instalações de saúde e falta de higiene e saneamento. As epidemias de varíola, febre amarela e cólera eram constantes. As inundações nas várzeas do Rio Tamanduatei, a inexistência de redes de água e esgoto e a falta de planejamento urbano agravavam as condições de vida da população.

Muitas vezes foi necessário o fechamento dos acessos a outras vilas, para impedir a entrada de doenças. Os doentes eram levados para lugares afastados do centro, nos campos da Penha e do Pacaembu. Empiricamente, já se praticava o isolamento como meio de se evitar a propagação das doenças infecto-contagiosas.

Em meados do século XVIII começaram a ser construídos, nas sedes das capitanias os hospitais militares e nas principais vilas e povoados, os lazaretos e os hospitais de isolamento. Em 1765, uma enfermaria militar foi instalada no Palácio do Governo no antigo Colégio dos Jesuítas. Posteriormente, em 1792, durante o governo de Bernardo José Maria de Lorena, é construído o Hospital da Capitania de São Paulo.

No início do século XIX, apesar dos escassos recursos que a Província de São Paulo recebia do Governo Imperial para investimentos em saúde pública e higiene, alguns edifícios de saúde foram construídos, entre os quais: o Hospital Militar, em 1802

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bairro da Gloria; o Hospício da rua de São João que, em 1858, com o crescimento do número de doentes, foi transferido para uma chácara na ladeira da Tabatinguera.

Para construção desses edifícios, conforme descreve REIS FILHO (1995), “as técnicas construtivas eram geralmente primitivas. Nos casos mais simples as paredes eram de pau-a-pique, adobe ou taipa de pilão” e nas edificações mais importantes empregava-se pedra e barro. Era raro o uso do tijolo, pedra e cal na cidade de São Paulo durante os três primeiros quartéis do século XIX.

Nesse período, os materiais de construção disponíveis eram: madeira; areia, encontrada nos Rios Tietê e Tamanduatei; tijolo e telhas do tipo capa e canal, fabricadas em algumas olarias instaladas próximas à Vila; e a cal, que era trazida da cidade de Santos em lombo de burro e por escravos. A cal era utilizada nas alvenarias e na composição de tintas. Por ser um material caro e raro era destinada apenas para a pintura das igrejas, de algumas casas e utilizavada também como desinfetante na higienização dos ambientes. No Regulamento para os Hospitais Militares da Capitania de São Paulo de 1814, em um de seus artigos lê-se que: “Todas as Enfermarias, e

muito principalmente as de febres e as latrinas, serão caiadas huma vez cada seis mezes com huma mistura de cal viva e agoa em quanto dura a sua effervescencia, e por isso deve somente preparar-se aquella porção que se pode empregar em quanto está quente. Os pavimentos, depois de esfregados, deverão também lavar-se com agoa de cal” ( LEMOS, 1989).

A partir de 1850 a economia de São Paulo começa a se modificar. A Província se torna importante entreposto comercial, por onde circulavam tropeiros, viajantes e militares, tornando-se também, fonte de disseminação de doenças infecto-contagiosas para outras regiões do Brasil. Diante desse cenário o Governo se vê obrigado iniciar a organização do Serviço Sanitário Paulista, criando, em 1884, a Inspetoria de Higiene da Província de São Paulo, que tinha entre outras funções a supervisão sanitária em relação a essas doenças.

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3.2.2 Os Primeiros Passos da Saúde Pública

Na segunda metade do século XIX, o desenvolvimento da cultura cafeeira, a chegada dos imigrantes para substituir a mão de obra escrava, a construção das vias férreas e a criação das primeiras indústrias modificaram definitivamente o quadro econômico e social paulistano.

Os lucros auferidos pela cultura do café permitiam aos fazendeiros paulistas se fixar na cidade de São Paulo procurando as regiões mais altas e “nobres” como os bairros de Higienópolis e os dos Campos Elíseos para a construção de suas residências. De acordo com BRUAND (1997) “até por volta de 1880, a cidade tinha o aspecto de um burgo colonial e apenas algumas residências dos plantadores de café inspiravam-se nos modelos em voga na capital imperial”. Esse panorama começa a se modificar a partir do final do Século XIX.

REIS FILHO (1994) afirma que “entre 1890 e 1900, a cidade de São Paulo já apresentava a fisionomia de um centro industrial de tipo europeu, com os grandes pavilhões das fábricas e as vilas operárias. Os viajantes registravam, impressionados, esses traços. Mais de 50% da população era composta por estrangeiros. Em algumas fábricas, 90% dos operários eram europeus”.

A nova elite paulistana viajava ao exterior, tinha acesso à cultura, aos bens de consumo da “Metrópole”, vestia-se ao rigor da moda francesa, enfrentava ainda um grave problema: a falta de médicos e de uma infra-estrutura institucional especialmente dirigida para a saúde.

Com o advento da República foram destinadas grandes verbas para a área da Saúde Pública em São Paulo. O saneamento e higiene passaram a ser prioritários. Ações como a retificação dos Rios Tietê e Tamanduatei, a canalização do Rio

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dotar a Cidade de infra-estrutura e dar resposta aos anseios da população. Esses investimentos significaram as maiores quantias investidas até hoje em saúde, em relação ao total de recursos anuais aplicados por um estado brasileiro na área. (BERTOLLI FILHO, 2002; SEGAWA, 1999).

Em 1891, para atender a elevada demanda por serviços de saúde e saneamento, o governo paulista transformou a Inspetoria de Saúde em Serviço Sanitário do Estado passando a ter como finalidades básicas: o estudo das questões referentes à saúde pública no Estado; o saneamento das localidades e habitações; a adoção de meios para prevenir, combater ou atenuar as moléstias endêmicas, epidêmicas e transmissíveis aos homens e animais; o socorro de assistência pública aos necessitados; o serviço de vacinação; a inspeção sanitária das escolas, fábricas e oficinas, hospitais, hospícios, quartéis, prisões, estabelecimentos de caridade e asilos; a fiscalização da alimentação pública, do fabrico e do consumo de bebidas; a fiscalização do exercício da medicina e da farmácia e a polícia sanitária (MASCARENHAS, 1949).

Este período inicial da formação do Serviço Sanitário na cidade de São Paulo ficou marcado também pela construção de diversas unidades sanitárias tais como: o Instituto Bacteriológico, Laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas, Laboratório Químico e Farmacêutico, criado em 1891; o Instituto Vacinogênico, criado em 1891 para produção de vacinas e soros; o Desinfectório Central de São Paulo, criado em 1893 (Figura 3); o Instituto Serunterápico, criado em 1901 e instalado definitivamente na fazenda Butantã em 1914 e o Instituto Pasteur, criado em 1903. Estas instituições marcaram o início da construção de uma estrutura para o desenvolvimento de políticas públicas na área da Saúde.

Segundo CAMPOS (2002) “A criação destas instituições estava ligada também ao ideal republicano de construção da nação brasileira. Este projeto de criação dessas instituições, não apenas na área da saúde, tinham o propósito de fazer com que o país crescesse e progredisse, a que alcançasse o status de nação, afastando-se assim

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Figura 3. Desinfectório Central no Bairro do Bom Retiro no Final do Século XIX. Fonte: Acervo do Museu de Saúde Pública Emilio Ribas.

Preocupado com o avanço das epidemias, o Governo da Província de São Paulo constrói em 1893, distante do aglomerado urbano e do centro da cidade, o Hospital de Isolamento (Figura 4). Localizado na estrada do Araçá,adiante do cemitério da municipalidade, no alto da Consolação, o edifício era organizado em pavilhões para a internação dos pacientes separados por moléstias como: difteria, febre tifóide, febre amarela, escarlatina, varíola, pavilhões para administração e portaria, desinfectório, cozinha, lavanderia a vapor e crematórios (SEGAWA, 1988; VISCONTI, 2000).

Em 1894, foi criado o primeiro Código Sanitário do Estado de São Paulo, que regulamentava, entre outras coisas, a localização dos hospitais e maternidades em relação às cidades, vilas e povoados que deveria ser sempre afastada do centro. Os bons hospitais não deveriam ter mais de 250 leitos, sendo condenados os hospitais monumentos com mais de 500 leitos. A configuração preferencial para as maternidades era a de pavilhões isolados, em no maximo dois pavimentos, com apenas quatro quartos em cada pavimento.

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Figura 4. Entrada Principal do Hospital de Isolamento no Início do Século XX. Fonte: Acervo do Museu de Saúde Pública Emilio Ribas.

3.2.3 Os Edifícios de Saúde no Início do Século XX em São Paulo

Visando o atendimento do crescente número de pessoas que se fixavam em São Paulo, que de 65.000 habitantes em 1890 passou a 240.000 habitantes em 1900, fez-se necessário, dentre outros, a construção de moradias, escolas e edifícios de saúde. Dos imigrantes que se instalaram na Cidade muitos eram artesãos, pedreiros, mestres de obra engenheiros e arquitetos que introduziram aqui novas técnicas construtivas e estilos arquitetônicos.

Não só vieram ao Brasil arquitetos e engenheiros estrangeiros, como também retornavam ao País profissionais que foram estudar na Europa, dentre eles o arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que se instalou em São Paulo em 1886. Enérgico, dinâmico e gozando do apoio de pessoas influentes, logo se impôs e garantiu para si a maioria das encomendas para projetos de edifícios oficiais da época. Segundo BRUAND (1997), são características das suas obras, de estilo neoclássico, “os blocos

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cúbicos ou prismáticos com massas e volumes simples claramente definidos, fachadas planas sóbrias e bem proporcionadas, divisão tripartida perfeitamente simétrica, ordenada em função de corpos ligeiramente avançados constituídos por um pavimento térreo em arcadas, e um andar nobre com colunas e frontão”.

Sua formação européia e suas qualidades de empresário levaram-no a criar e dirigir um escritório de arquitetura, uma empresa de materiais de construção e mais tarde, em 1892, o Liceu de Artes e Ofícios, instituição essa que tornou possível a formação dos artesãos qualificados para trabalhar em diversos setores da construção civil. Dos inúmeros projetos residenciais, educacionais e institucionais que executou, destacam-se dois edifícios na área de Saúde: O Hospital da Força Pública, construído em 1893, e o Asilo do Juquery, em1895.

O Hospital Militar da Força Pública (Figura 5), construído em 1916, no bairro da Luz, era um edifício de configuração pavilhonar em número de oito, interligados por galerias. No centro, localizava-se o pátio e uma construção em dois pavimentos, onde estava instalada a hidroterapia. Os pavilhões destinados à internação tinham em seu pavimento superior a enfermaria geral, com capacidade para 20 leitos cada. Esse Hospital foi parcialmente demolido e o que restou abriga o Museu da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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Figura 5. Pátio Interno do Hospital da Força Pública no Bairro da Luz.

Fonte: CARVALHO, 2000.

O Asilo do Juquery foi construído em 1895, sob a supervisão do médico psiquiatra Francisco Franco da Rocha, em um terreno de 150 hectares, às margens da linha férrea, distante 30 km da capital. O Hospício, com construção de configuração pavilhonar, tinha capacidade para internar 800 pacientes. Além do hospital foram previstas residências aos internados e instalações para atividades agro-pecuárias (MONTEIRO, 2001).

No memorial descritivo dos edifícios que compõem o Asilo-colônia, Ramos de Azevedo relata o programa arquitetônico, o sistema construtivo e os materiais de acabamentos que foram empregados na época. Os prédios foram executados em alvenaria de tijolos sobre embasamento de pedra, sendo os pisos dos vestíbulos, banheiros e varandas em ladrilhos impermeáveis, assentados sobre abóbadas em alvenaria. Os forros em estuque de gesso francês e as paredes revestidas com argamassa de cal ou cimento e branqueadas a cal ou tinta a óleo. A cobertura em telhas francesas de encaixe sobre armadura de madeira com as calhas e condutores executados em folha de cobre. Os caixilhos, portas e esquadrias executados em pinho resinoso e revestidos a três camadas de tinta a óleo, sendo as janelas guarnecidas por grades.

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De acordo com CARVALHO (2000) “o Hospital Central do Juquery é característico de uma época em que a organização em pavilhões traduz, em arquitetura, as preocupações em racionalizar o atendimento aos pacientes. É característico também de um tempo que acredita no internamento, arregimentação e segregação como formas de terapia e cura do doente mental”.

Nesse período, um fato importante ocorre na indústria da construção civil do Brasil: o início da fabricação do cimento e de barras de aço, matéria prima para a execução de estruturas de concreto armado, possibilitando assim a verticalização dos edifícios. Em 1918, Samuel das Neves, juntamente com calculistas alemães, foi o pioneiro no cálculo de grandes estruturas de concreto armado; seu filho, Cristiano das Neves projetou o primeiro edifício na Rua Libero Badaró em São Paulo. De acordo com VARGAS (1992), “a grande aventura do concreto armado, na época, foi a construção entre 1925 e 1929, do Prédio Martinelli, em São Paulo. O projeto foi feito pelo engenheiro Fillinger, para apenas 14 andares, porém, a idéia de bater recordes de altura foi o móvel para ampliações sucessivas até 24 andares”.

Nesse período os imigrantes também dão início à construção de hospitais visando o atendimento às suas colônias. Da Itália destaca-se o arquiteto italiano Luigi Pucci, que em 1881, sagrou-se vencedor do concurso para elaboração do projeto do novo edifício da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (Figura 6). Posteriormente, em 1892, juntamente com outro arquiteto italiano, Giulio Micheli, projetou o hospital da

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Figura 6. Fachada Principal da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Fonte: Arquivo da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

O edifício da Santa Casa, construído no Arouche, em estilo neogótico (Figura 7), foi inaugurado 1884. Concebido com configuração pavilhonar em um único pavimento, exceto na fachada com dois, com galerias cobertas interligando os diferentes corpos, tinha como programa arquitetônico enfermarias que comportavam de 200 a 350 leitos; recepção de doentes; gabinete médico, sala de conferências médicas, sala de cirurgia e autópsia, dispensa e cozinha; capela, necrotério; salão para provedoria, arquivo; biblioteca; casa de banho e lavanderia (SILVA 1999; MONTEIRO 2001).

Segundo MIQUELIN (1992) “O processo não planejado de crescimento e reformas conduziu este Hospital-escola a um conjunto desorganizado de edifícios, interligados através de túneis e passagens subterrâneas com aproximadamente 1km de extensão. O papel de ensino da Santa Casa pode ter contribuído para a multiplicação de edifícios departamentais estanques, duplicando serviços, recursos humanos e materiais. O padrão de crescimento e transformações da Santa Casa é um exemplo interessante do que pode ocorrer num processo “natural” e, portanto, desordenado, de desenvolvimento da anatomia do edifício hospitalar”.

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Figura 7. Corredores da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo em 1998. Fonte: Arquivo da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Foto: Toshio Mochida, 1998.

Para proporcionar atendimento médico às comunidades de língua inglesa, engenheiros, administradores, médicos, professores, que vieram trabalhar nas empresas de transporte e de energia elétrica, em sua maioria ligados às igrejas evangélicas, é inaugurado em 1894, no bairro de Higienópolis, o hospital evangélico, com denominação oficial de Samaritano.

Tratava-se de um modesto edifício de dois pavimentos com sala da administração, uma enfermaria geral de 16 leitos para homens (Figura 8) e duas enfermarias pequenas, alguns quartos para pensionistas e dependências necessárias a seu funcionamento. Faltaram recursos para construir, nesta etapa inicial, outras áreas importantes, como uma enfermaria para mulheres e uma sala para cirurgias. A água, de poço, era obtida por meio de um moinho de vento, enquanto o gás para iluminação e para as caldeiras seria fornecido gratuitamente pela São Paulo Gás Company (SAMARITANO, 2001).

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Figura 8. Internação Masculina do Hospital Samaritano em 1910.

Fonte: SAMARITANO, 2001.

Próximo à avenida Paulista, alguns hospitais foram construídos. Em 1897 imigrantes austríacos, alemães e suíços, fundaram o Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Em 1906, começa a ser construído o Hospital Santa Catarina (Figura 9); administrado e mantido pelas irmãs da congregação religiosa Associação Congregação de Santa Catarina era destinado aos doentes pobres, moradores dos cortiços que sem água tratada ou rede de esgoto, adquiriam doenças contagiosas, como gripe espanhola, febre tifóide e tuberculose.

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Figura 9. Fachada Principal do Hospital Santa Catarina na Avenida Paulista. Fonte: Acervo do Museu de Saúde Pública Emilio Ribas.

Em 1885, na Rua da Glória surgiu o Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II, ligado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Segundo os registros da época, acolhia inválidos de qualquer idade, velhos, abandonados e doentes crônicos. Após 26 anos, mudou-se para uma chácara no bairro do Jaçanã. Esse Hospital, ao longo desses anos não sofreu grandes alterações em seu projeto original, sendo um dos únicos hospitais do tipo pavilhonar ainda em funcionamento na Cidade. No mesmo bairro, em 1904, foi inaugurado o Hospital São Luiz Gonzaga, para abrigar leprosos, tendo sido, posteriormente, destinado ao tratamento de um dos grandes estigmas da época, a tuberculose.

Em 1904, com recursos do governo italiano e dos imigrantes que começavam a prosperar, como é o caso de Francesco Matarazzo, a comunidade italiana constrói o Hospital Umberto Primo (Figura 10). O corpo médico desse Hospital era composto por renomados profissionais vindos da Itália, como por exemplo Alfonso Bovero.

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Figura 10. Hospital Humberto Primo em 1911, nas proximidades da avenida Paulista. Fonte: Acervo do Museu de Saúde Pública Emilio Ribas.

Durante as duas primeiras décadas do século XX, ainda predominavam as moléstias infecto-contagiosas como a febre amarela, malária e varíola, que continuavam a exigir uma ação pronta e incisiva por parte do poder público. O sanitarismo campanhista era o modelo de assistência à saúde pública adotado pelo Estado, que levava ao extremo a preocupação com os problemas coletivos, impondo serviços e ações sanitárias sobre o ambiente e aos indivíduos, independentemente da vontade das pessoas.

Para o tratamento da tuberculose, quando os pacientes necessitavam de isolamento, repouso, ar puro e superalimentação, foram construídos sanatórios em locais mais afastados da Capital e no interior do Estado como Campos do Jordão e São José dos Campos. Em 1938, um período de grande índice de mortalidade por tuberculose em São Paulo, foi criado o Sanatório do Mandaqui, localizado na zona norte da Cidade, próximo a Serra da Cantareira. Este Hospital iniciou suas atividades em uma casa adaptada na chácara onde funcionava o Sanatório do Médico Christoffel, onde posteriormente em 1939, foi edificado o Hospital Sanatório Leonor Mendes de

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atendimento às crianças tuberculosas e promover igualmente, investigações científicas sobre esta doença, em conjunto com o Instituto Clemente Ferreira (primeiro núcleo de combate à tuberculose em São Paulo, inaugurado em 1904) e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (SIEFER, 1994).

Algumas modificações foram efetuadas nas edificações para abrigar os tuberculosos. De acordo com BITTENCOURT (1998), “Alteraram-se os revestimentos; as arestas e os cantos vivos, formados pelo encontro de paredes, tetos e pisos, foram arredondados para evitar a retenção de resíduos. Eliminou-se, por isso, a ornamentação, e ampliaram-se as esquadrias, usando vidros lisos para insolação e aeração, tomados então como fatores de higienização dos ambientes. Grande foi a preocupação com serviços de apoio como a lavanderia, a preparação do alimento e demais atividades de manutenção do ambiente”.

A partir de 1925, com o término do período das grandes epidemias, a atuação sanitária campanhista sofreu sua primeira grande transformação. Surge uma nova concepção de saúde pública, nos moldes do modelo norte-americano, que enfatiza a ação preventiva de saúde e a formação da consciência sanitária da população (OLIVEIRA 1986).

O principal implementador desta nova fase na saúde pública paulistana foi o médico Geraldo Horácio de Paula Souza, que, com bolsa de estudos da Fundação Rockefeller, em 1918, freqüentou o curso de doutoramento em Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Ao retornar ao Brasil, em 1922, assume a direção do Serviço Sanitário do Instituto de Higiene de São Paulo, fruto dos entendimentos entre a Fundação Rockefeller e a Faculdade de Medicina de São Paulo, que previam a criação das disciplinas de higiene e anatomia patológica, promover o intercâmbio de professores norte-americanos e de médicos brasileiros e o compromisso do governo brasileiro de

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de Higiene tendo como missão à formação de médicos e o aperfeiçoamento dos funcionários do Serviço Sanitário, especialmente enfermeiras.

Em 1925, Paula Souza realizou uma grande reforma no Serviço Sanitário, tanto em termos administrativos como operacionais. Promoveu a criação de um novo código sanitário fundamentalmente pautado na educação sanitária da população, com destaque para a criação de dois órgãos que ofereciam um novo significado às práticas sanitárias de um modo geral: a Inspetoria de Educação Sanitária, que passa a funcionar nas dependências do Instituto de Higiene, e o Centro de Saúde.

De acordo com CAMPOS (2002) “este programa de educação sanitária, veiculado pelos centros de saúde e pelas educadoras sanitárias, levaria até a população em geral os preceitos básicos da higiene. A reforma realizada por Paula Souza, o modelo de educação sanitária e os centros de saúde tiveram pouco tempo de vida dentro do Serviço Sanitário de São Paulo. As educadoras sanitárias mantiveram-se até meados da década de 60. Quanto aos centros de saúde, dos cinco propostos inicialmente, apenas um foi implantado e mantido, em anexo ao Instituto de Higiene”.

Neste período o Instituto de Higiene desenvolveu uma série de cursos e inúmeras atividades, fazendo-se necessária à construção da sua nova sede. Em 1925, com recursos oriundos da Fundação Rockefeller e do Governo Estadual Paula Souza as obras foram iniciadas. O local escolhido foi um terreno localizado à rua Teodoro Sampaio, ao lado dos futuros prédios da Faculdade de Medicina.

O novo prédio, concebido a partir dos croquis elaborados pelo próprio Paula Souza, foi construído em estrutura metálica confeccionada nos Estados Unidos, em um só bloco, em forma de E, com uma área de 46.000 m² de três pavimentos mais o porão. No primeiro pavimento localizavam-se as áreas destinadas ao contato com o público, o Centro de Saúde e a Escola de Educadores; No segundo pavimento áreas destinadas à administração, ao ensino e aos laboratórios e no terceiro pavimento as salas destinadas à pesquisa (CAMPOS, 2002).

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3.2.4 Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Em 1891, com a criação de uma escola médica em São Paulo, concretizou-se um anseio da sociedade e dos médicos paulistanos como Cesário Motta Júnior e Arnaldo Vieira de Carvalho. No ano seguinte, a escola iniciou suas atividades provisoriamente em algumas salas da Escola Politécnica no bairro da Luz e na Escola de Comércio Álvares Penteado, no largo São Francisco. Em 1913 é fundada a Faculdade de Medicina de São Paulo que, posteriormente, em 1934, passa a integrar a Universidade de São Paulo.

No final da década de 1920, com financiamento da Fundação Rockefeller, inicia-se a construção da sede própria da Faculdade. Do projeto original, elaborado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, onde se previa a implantação de 5 blocos, o único prédio construído foi o de Medicina Legal, que mais tarde remodelado, passou a abrigar o Instituto Médico Legal. Localizado em frente ao cemitério do Araçá este edifício atualmente abriga o Instituto Oscar Freire (MAZZIERI, 2000).

Em 1925, com o propósito de obter elementos para tornar a Faculdade de Medicina uma instituição modelar na área da saúde, é nomeada uma comissão composta pelos professores Ernesto de Souza Campos, Luiz Manuel de Rezende Puech e Benedito de Freitas Montenegro, que visitou diversos centros clínicos e faculdades de países da Europa e Estados Unidos. Em 1928, reiniciam-se as obras do edifício que hoje abriga a Faculdade de Medicina (Figura 11). Edificado pela empresa de Ramos de Azevedo, o prédio foi inaugurado em 1931.

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Figura 11. Construção do Prédio da Faculdade de Medicina em 1928.

Fonte: MAZZIERI, 2000.

3.2.5 Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Após a inauguração do edifício da Faculdade de Medicina, as aulas práticas de clínica e cirurgia ainda continuavam a ser ministradas nas dependências da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, local este considerado inadequado pelos professores.

Em 1929, com o objetivo de substituir às instalações da Santa Casa, iniciam-se os primeiros estudos para a construção do Hospital das Clínicas. De acordo com VISCONTI (2000) “o projeto organizado pela Comissão Puech e Souza Campos previa um edifício com três alas interligadas por um corpo central, possuindo nas alas extremas uma espécie de prolongamento. Seria o primeiro edifício do futuro Centro Médico, atualmente todo construído”. O projeto interrompido por nove anos continuou sob a direção de Puech até o seu falecimento em 1939.

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Durante a primeira administração do Governador Adhemar de Barros (1938-1941), iniciou-se a construção do Hospital das Clínicas de São Paulo (Figura 12). A Comissão de Obras era composta pelos engenheiros Walfredo Cavalcanti, Guilherme Lira e o arquiteto João Serrato, que fez o detalhamento de projeto. Odair Pacheco Pedroso assessorou essa comissão de 1941 a 1943. A administração da obra ficou a cargo do engenheiro Abrahão de Oliveira Leite. O Hospital, com 1.047 leitos, foi inaugurado em 19 de abril de 1944.

Figura 12. Instituto Central do Hospital das Clinicas.

Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

3.2.6 A Saúde na Cidade de São Paulo a partir da Década de 1950

O setor de saúde pública, que vinha se estruturando desde o Estado Novo de Getulio Vargas (1937-1945), se organiza em 1953, com a criação do Ministério da Saúde. Durante o governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1961), inicia-se uma nova fase de desenvolvimento do Brasil e, como conseqüência, a modernização e

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De acordo com SEGAWA (1997) “a modernização do sistema de saúde brasileiro impulsionou a criação de novos hospitais públicos e privados em várias capitais e cidades de médio porte do país. O desenvolvimento do conhecimento científico apontava a necessidade de constituir centros de diagnóstico e tratamento especializados. Os avanços da tecnologia médica promoviam significativas alterações na organização espacial/funcional dos complexos hospitalares, com a assimilação de novos itens programáticos”.

Durante a década de 1950 a cidade de São Paulo começa a se urbanizar rapidamente, passando de 2.150.000 habitantes em 1950 para 3.710.000 habitantes em 1960. Para dar assistência e atendimento a essa nova classe trabalhadora urbana, fez-se necessária à construção de novos edifícios de saúde.

A prestação de assistência médico-hospitalar a classe trabalhadora era realizada pelos institutos previdenciários por categoria, e pela Previdência Social, exclusivamente aos seus assegurados. A população não coberta por esses sistemas procurava assistência nos hospitais públicos, filantrópicos e particulares. Os cuidados básicos e o controle e tratamento das epidemias e endemias continuavam sob responsabilidade do Ministério, secretarias estaduais e municipais de saúde.

Em centros urbanos menores, principalmente no interior dos estados, as santas casas cumpriam papel fundamental no atendimento hospitalar. Criadas com o estímulo da igreja, do médico local e com o financiamento de comerciantes, fazendeiros, industriais e pessoas piedosas, destinavam a maioria dos seus leitos aos pobres e indigentes. Algumas dessas santas casas, que também supriam as lacunas deixadas pelo estado, cresceram em número de leitos e complexidade tecnológica, constituindo-se em importantes centros médicos assistenciais e de formação, originando algumas escolas médicas conceituadas (RIBEIRO, 1993).

Na Cidade, começam a ser construídos grandes hospitais, na sua grande maioria, de tipologia do tipo monobloco, com seu espaço interno planejado e subdividido em unidades funcionais que se interligam por circulações e fluxos

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planejados e diferenciados. Tem como funções básicas alem do atendimento médico o ensino e o desenvolvimento da pesquisa.

Neste período desponta o arquiteto Rino Levi. Formado na Itália, projetou importantes edifícios hospitalares em São Paulo, tais como: a Maternidade da Universidade de São Paulo (1945); o Hospital Central do Câncer (1947); o Hospital Cruzada Pro-Infância (1948) atualmente denominado Hospital Perola Byington, integrado à rede estadual de saúde; e o Instituto de Gastroenteorologia (1959).

Rino Levi trabalhou em seus projetos com profissionais de outras áreas e defendia que a tipologia e a forma do edifício hospitalar não deveriam ser pré-definidas. No Primeiro Curso de Planejamento Hospitalar, promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em abril de 1953, em São Paulo, quando questionado sobre o projeto arquitetônico respondeu que: “não se admite mais a adoção de formas preestabelecidas, com plantas em X, em H ou em pente, como também discutir se o hospital deve ser horizontal ou vertical, em pavilhões ou em monobloco. Em geral, cada projeto de hospital tem suas próprias exigências e particularidades que podem influir decisivamente no seu planejamento. Para maior diversidade de soluções, entra em jogo também a topografia do terreno, a sua situação e orientação e as restrições estabelecidas nas posturas sanitárias e municipais, bem como outros fatores. A concepção do projeto deverá resultar unicamente do estudo funcional e técnico do problema, livre de quaisquer outras injunções” (IAB,1954).

Na área de projetos hospitalares públicos destacou-se o médico Odair Pacheco Pedroso, que, como consultor hospitalar, trabalhou direta ou indiretamente, nos estudos preliminares, instalação, organização ou direção do projeto de 215 hospitais, tais como a Santa Casa de Misericórdia de Santos, o Hospital Emilio Ribas e o Hospital do Servidor Público Estadual. Em 1951, participou da elaboração da Codificação das Normas Sanitárias para Obras e Serviços e da revisão do Código de Obras Arthur Saboya, do Município de São Paulo.

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Nos projetos que assessorou, para dimensionar os ambiente dos hospitais, adotava a modulação espacial de 1,20 m X 1,20 m, que tem origem nos elementos e unidades sugeridos pelas normas norte americanas, correspondente a 3’ e lO“ , que na conversão para o sistema métrico brasileiro resulta em 1,1684 m, por sua vez aproximado para 1,20 m. Esta modulação é utilizada, até hoje, na maioria projetos hospitalares públicos.

Nos inúmeros cursos e palestras que proferiu pelo Brasil, Odair Pacheco Pedroso defendia a flexibilidade do edifício hospitalar e a necessidade do seu planejamento para o futuro, com a possibilidade de ampliação, a fim de receber as modificações que a evolução da medicina impõe.

Em 1956, com financiamento do Engenheiro Oscar Americano e projeto do arquiteto Oswaldo Arthur Bratke foi construído em São Paulo o Hospital Infantil do Morumbi, atual Darcy Vargas (Figura 13). Neste projeto o edifício monobloco se integra ao jardim e a área de recreação como forma de auxilio ao restabelecimento das crianças internadas. O edifício veio se descaracterizando ao longo do tempo com a construção de anexos e “puxadinhos”. Atualmente, sob a administração da Secretaria Estadual de Saúde, passa por ampla reforma.

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Figura 13. Hospital Infantil do Morumbi Atual Darcy Vargas na Década de 1950 Fonte: Arquivo do Hospital Darcy Vargas

Juntamente com o Hospital Darcy Vargas outros dois importantes Hospitais foram construídos pelos institutos de pensões em São Paulo. O Hospital Ipiranga, localizado na zona sul da Cidade, com capacidade para 550 leitos, foi planejado e construído entre 1950 e 1955 pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Empregados de Transportes e Cargas (IAPETEC). Utilizado na década de 1970 como hospital de isolamento para doentes de Meningite, desempenhou importante papel no atendimento às emergências no município de São Paulo; e o Hospital Heliópolis (Figura 14), com 500 leitos, construído no bairro de Sacomã, na zona sul de São Paulo, pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos lndustriários (lAPl). Este Hospital está localizado próximo aos municípios de São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo região em que inúmeras indústrias, principalmente automobilísticas, se implantaram na década de 1960.

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Figura 14. Hospital Heliopolis Recém Inaugurado na Década de 1960. Fonte: Arquivo do Hospital Heliópolis.

Em meados da década de 1960 a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo contratou os arquitetos Fábio Penteado e Eduardo de Almeida para elaborarem o projeto do Hospital Escola Júlio de Mesquita Filho. Nesse projeto, denominado por seus autores de “Parque da Saúde”, o edifício com área de aproximadamente 100.000 m², implantado em um terreno de 67.000 m², no bairro da Barra Funda, se integrava com espaços públicos e com equipamentos de educação e lazer, visando minimizar o desconforto de um ambiente hospitalar.

Este Hospital, uma grande estrutura em concreto armado (Figura 15), projetado para abrigar 800 leitos e um fluxo diário de 15.000 pessoas entre pacientes, médicos, estudantes e visitantes, era composto por três pisos: embasamento, térreo e superior, interligados por um sistema de rampas e tendo como ponto aglutinador uma grande praça central. As instalações do conjunto foram alojadas em um piso técnico para facilitar a manutenção.

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Figura 15. Vista Parcial do Hospital da Santa Casa de Misericórdia, na Década de 1970. Fonte: PENTEADO,1998.

Um dos problemas apontados no projeto era a grande extensão dos corredores e rampas. De acordo com PENTEADO (1998) “aos que definiam a distribuição dos serviços pela circulação de 200 metros como uma maratona, os arquitetos apontavam os dados coletados num “hospital vertical”, da mesma capacidade, onde um carro de refeições poderia demorar até duas horas para chegar ao “último ponto”. Empurrando carrinhos, de cronômetro na mão, a equipe concluiu que, para a mesma função na Santa Casa, o último ponto seria atingido em até quatro minutos. Além disso, as circulações largas e movimentadas facilitariam o controle e a fiscalização dos serviços”.

Depois de comprovada a viabilidade desse “hospital horizontal”, no começo da década de 1970, a obra foi iniciada com financiamento do governo federal, suficiente apenas para a execução do conjunto estrutural e para a conclusão do pronto-socorro, tendo permanecido paralisada por vários anos. O edifício foi transferido para o Governo do Estado, e ali atualmente funciona o Fórum Criminal da cidade de São Paulo.

Referências

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