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DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

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Academic year: 2022

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UNIVERSIDADE POSITIVO

PROGRAMA DE MESTRADO E DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ORGANIZAÇÕES, GESTÃO E SOCIEDADE.

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A INFLUÊNCIA DA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA NA INADIMPLÊNCIA DAS EMPRESAS ATENDIDAS POR UM BANCO DE VAREJO UTILIZANDO A REGRESSÃO LOGÍSTICA GEOGRAFICAMENTE

PONDERADA.

EDEVAR ANDRÉ TOCHETTO

CURITIBA

2018

(2)

A INFLUÊNCIA DA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA NA INADIMPLÊNCIA DAS EMPRESAS ATENDIDAS POR UM BANCO DE VAREJO UTILIZANDO A REGRESSÃO LOGÍSTICA GEOGRAFICAMENTE

PONDERADA.

Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Administração, Programa de Mestrado e Doutorado em Administração, Universidade Positivo.

Orientador: Dr. Pedro José Steiner Neto

CURITIBA

2018

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca da Universidade Positivo - Curitiba – PR

Elaborado pelo Bibliotecário Douglas Lenon da Silva (CRB-9/1892)

T631 Tochetto, Edevar André

A Influência da localização geográfica na inadimplência das empresas atendidas por um banco de varejo utilizando a regressão logística geograficamente ponderada. / Edevar André Tochetto.

Curitiba: Universidade Positivo, 2018.

88 f.; il.

Mestrado (Dissertação) – Universidade Positivo, Programa de Pós-graduação em Administração, 2018.

Orientador: Prof. Dr. Pedro José Steiner Neto.

1. Administração. 2. Sistemas de avaliação de risco de crédito (Finanças). 3. Famílias exponenciais (Estatística). 4. Empréstimos bancários. I. Steiner Neto, Pedro José. II. Título.

CDU 330.131.7(043.3)

(4)

DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PLÁGIO

(Prática ilegal de apropriar-se da obra de terceiros sem autorização e sem a referência devida)

TÍTULO DE TRABALHO: “A influência da localização geográfica na inadimplência das empresas atendidas por um banco de varejo utilizando a regressão logística geograficamente ponderada ”

ALUNO: EDEVAR ANDRÉ TOCHETTO

Eu, Edevar André Tochetto, declaro que, com exceção das citações diretas e indiretas claramente indicadas e referenciadas, este trabalho foi escrito por mim e, portanto, não contém plágio. Eu estou consciente que a utilização de material de terceiros incluindo uso de paráfrase sem a devida indicação das fontes será considerado plágio, e estará sujeito a processo administrativo da Universidade Positivo e sanções legais.

Curitiba, 19 de outubro de 2018.

____________________________________________________

Assinatura

(5)

RESUMO

Esta dissertação de mestrado propôs a utilização da metodologia de Regressão Logística Geograficamente Ponderada (GWLR) para a construção de modelos de credit scoring. Esta técnica utiliza a localização geográfica dos tomadores de crédito a fim de ponderar as observações no desenvolvimento do modelo para cada região do estudo. Foram utilizados dados reais referentes a operações de Capital de giro concedidas por uma instituição financeira as Micro e Pequenas Empresas do Estado do Paraná. Os resultados encontrados demonstram que com a utilização do modelo GWR, as instituições financeiras conseguiram identificar em quais regiões há maior ou menor influência da variável inadimplência e com isso prover correções pontuais nos gestores regionais de crédito e/ou controlar a oferta de crédito em determinada região. Conclui-se que o uso desta técnica pelas instituições financeiras é viável e pode trazer contribuições significativas para a redução da inadimplência nas instituições financeiras e pode ser aplicado no desenvolvimento de modelos de credit scoring.

Palavras Chave: Administração, Sistemas de avaliação de risco de crédito (Finanças), Famílias exponenciais (Estatística), Empréstimos bancários

(6)

ABSTRACT

This dissertation proposed the use of the methodology of Geographically Weighted Logistic Regression (GWLR) for the construction of credit scoring models. This technique uses the geographical location of credit borrowers to consider observations in the development of the model for each region of the study. We used real data referring to working capital operations granted by a financial institution the Micro and Small Enterprises of the State of Paraná. The results show that with the use of the GWR model, financial institutions have been able to identify in which regions there is a greater or lesser influence of the variable default and with that provide punctual corrections in regional credit managers and / or control the credit supply in a given region . It is concluded that the use of this technique by financial institutions is feasible and can bring significant contributions to reduce delinquency in financial institutions and can be applied in the development of credit scoring models.

Keywords: Administration, Credit Risk Assessment Systems (Finance), Exponential Families (Statistics), Bank Loans

.

(7)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Intermediação Financeira ... 17

Figura 2 - Os C´s do Crédito ... 26

Figura 3 - Gráfico de Distribuição Normal ... 37

Figura 4 - Regiões Territoriais do Estado do Paraná ... 51

Figura 5 - Mapa do Estado do PR–Comportamento de Inadimplência no Paraná ... 65

Figura 6 Modelo de Regressão Geograficamente Ponderada ... 67

Figura 7 - Resultado GWLR – Risco Operação A ... 70

Figura 8 - Resultado GWLR – Risco Operação B ... 71

Figura 9 - Fluxo do processo de concessão de crédito ... 72

Figura 10 - Resultado GWLR – Risco Limite B ... 75

Figura 11 - Resultado GWLR – Risco Limite C ... 76

Figura 12 - Resultado GWLR – Risco Limite C ... 78

Figura 13 - Resultado global GWLR ... 81

(8)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Quantidade de Microrregiões e Municípios ... 57

Tabela 2 - Quantidade de Operações Adimplentes e Inadimplentes ... 58

Tabela 3 - Operações Utilizadas no Estudo ... 59

Tabela 4 - Percentual de Operações Adimplentes e Inadimplentes ... 59

Tabela 5 - Comportamento de Inadimplência Região Centro-Ocidental ... 60

Tabela 6 - Comportamento de Inadimplência Região Centro-Oriental ... 60

Tabela 7 - Comportamento de Inadimplência Região Centro Sul ... 61

Tabela 8 - Comportamento de Inadimplência Região Metropolitana ... 61

Tabela 9 - Comportamento de Inadimplência Região Noroeste ... 62

Tabela 10 - Comportamento de Inadimplência Região Norte Central ... 62

Tabela 11 - Comportamento de Inadimplência Região Norte Pioneiro ... 63

Tabela 12 - Comportamento de Inadimplência Região Oeste ... 63

Tabela 13 - Comportamento de Inadimplência Região Sudeste ... 64

Tabela 14 - Comportamento de Inadimplência Região Sudoeste ... 64

Tabela 15 - Quantidade de operações por Risco ... 69

Tabela 16 - Quantidade de Operações por Risco de Limite de Crédito ... 74

Tabela 17 - Quantidade de operações por faturamento ... 79

(9)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Provisão de Crédito de Liquidação Duvidosa em relação ao risco ... 43

Quadro 2 - Escala de Ratings Globais das Agências ... 44

Quadro 3 - Resumo do Comportamento de Inadimplência no Paraná ... 65

Quadro 4 - Segmentação das unidades da instituição analisada ... 73

(10)

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS PD Probabilidade de Inadimplência

MPE’s Micro e Pequenas Empresas

PIB Produto Interno Brasileiro

GWL Regressão Logística Geograficamente Ponderada (Geographically Weighted Logistic Regression)

ACC Adiantamento sobre contratos de câmbio

ACE Adiantamento sobre cambiais entregues

BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

SPC Serviço de Proteção ao Crédito

SERASA Centralização de Serviços dos Bancos S.A

CADIN Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal

CMN Conselho Monetário Nacional

VAR Valor em Risco

RAROC Retorno sobre o capital econômico ajustado ao risco

PCLD Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa

(11)

BACEN Banco Central do Brasil

EUA Estados Unidos da América

RGP Regressão Geograficamente Ponderada IGP – M Índice Geral de Preços Médios

(12)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 9

1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA ... 11

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA ... 12

1.3 JUSTIFICATIVA TEÓRICA E PRÁTICA ... 13

1.4 ESTRUTURA DO PROJETO DE DISSERTAÇÃO ... 14

2 QUADRO TEÓRICO - EMPIRICO DE REFERÊNCIA ... 16

2.1 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA ... 16

2.2 POLÍTICA DE CRÉDITO ... 19

2.3 CRÉDITO ... 21

2.3.01 Garantias ... 24

2.3.02 Os C`s do Crédito ... 25

2.3.03 Processo de análise de crédito para empresas ... 28

2.4 RISCO E INCERTEZA ... 32

2.4.01 Gerenciamento de Riscos ... 33

2.4.02 Riscos versus Retorno ... 36

2.4.03 Modelos de Avaliação Do Risco De Crédito ... 36

2.4.3.01 Valor em Risco (VAR) ... 37

2.4.3.02 Retorno sobre o capital econômico ajustado ao risco (RAROC) ... ... 39

2.5 RATING PARA A DECISÃO DE CRÉDITO ... 40

2.5.01 AGÊNCIAS INTERNACIONAIS DE RATING ... 43

2.6 CREDIT SCORING ... 44

2.6.01 Histórico do Credit Scoring ... 44

2.6.02 Modelos de Credit Scoring ... 45

3 METODOLOGIA ... 47

3.1 ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA ... 47

(13)

3.1.01 Perguntas ou Hipóteses de Pesquisa ... 47

3.1.02 Definição das Categorias Analíticas ou Variáveis ... 48

3.2 DELIMITAÇÃO E DESIGN DA PESQUISA... 49

3.2.01 População da Amostra ... 49

3.2.02 Delineamento e Etapas da Pesquisa ... 52

3.2.03 Procedimentos de Coleta a Análise de Dados. ... 53

3.3 ASPECTOS ÉTICOS ENVOLVIDOS NA CONDUÇÃO DA PESQUISA ... 56

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 57

4.1 COMPORTAMENTOS DE INADIMPLÊNCIA POR REGIÃO ... 60

4.1.01 Mesorregião Centro-Ocidental ... 60

4.1.02 Mesorregião Centro-Oriental ... 60

4.1.03 Mesorregião Centro Sul ... 61

4.1.04 Mesorregião Metropolitana de Curitiba ... 61

4.1.05 Mesorregião Noroeste Paranaense ... 62

4.1.06 Mesorregião Norte Central Paranaense ... 62

4.1.07 Mesorregião Norte Pioneiro Paranaense ... 63

4.1.08 Mesorregião Oeste Paranaense ... 63

4.1.09 Mesorregião Sudeste Paranaense ... 64

4.1.10 Mesorregião Sudeste Paranaense ... 64

4.2 MODELOS DE REGRESSÃO LOGÍSTICA GEOGRAFICAMENTE PONDERADA. ... 67

4.2.01 Risco da Operação ... 69

4.2.02 Risco Limite de Crédito ... 73

4.2.03 Faturamento Bruto Anual ... 77

4.3 SÍNTESES DA ANALISE DE DADOS ... 79

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 82

5.1 LIMITAÇÕES ... 83

(14)

5.2 RECOMENDAÇÕES ... 83 5.3 TRABALHOS FUTUROS ... 84 REFERÊNCIAS ... 85

(15)

1 INTRODUÇÃO

Os bancos comerciais têm como sua principal atividade a de intermediação financeira que consiste em captar recursos financeiros e emprestá-los a terceiros em condições preestabelecidas tais como prazo de pagamento, valor de prestação e taxa de juros (HAND; HENLEY,1997). Entretanto, por envolver expectativa de recebimento futura, a concessão do crédito gera um risco de inadimplência inerente ao negócio.

O risco de crédito pode ser definido como a possibilidade de ocorrências de perdas financeiras associadas ao não cumprimento pelo tomador ou contraparte de suas respectivas obrigações financeiras nos termos pactuados, à desvalorização de contrato de crédito decorrente da deterioração na classificação de risco do tomador, à redução de ganhos ou remunerações, às vantagens concedidas na renegociação e aos custos de recuperação (BACEN, 2009). O risco de crédito é a mais antiga forma de risco nos mercados financeiros e é um dos principais riscos ao qual uma instituição financeira está exposta. Nesse sentido, segundo Silva (2014) tem-se que “dentre todos os riscos existentes nas atividades bancárias, o mais relevante é o risco de crédito”.

A gestão de riscos passou a ocupar, nos últimos anos, posição de destaque na administração financeira, especialmente após a divulgação dos acordos de Basiléia, conjuntos de parâmetros que embasaram a regulação e fiscalização do setor (SILVA,2014). Dentre os parâmetros de risco sugeridos pelo acordo, a probabilidade de inadimplência ou Probabilidade de Default (PD) é comumente tida como a mais importante.

A PD presente no processo de concessão de crédito tem desafiado as instituições financeiras a renovarem constantemente seu método de gestão da carteira. Os empréstimos problemáticos podem afetar a liquidez dos bancos, quando ele passa a conviver com elevados índices de inadimplência, podendo reduzir a sua capacidade da atuação para atender a novos pleitos (REED GIL, 1994).

Segundo Santos (2009), o processo de análise e concessão de crédito recorre ao uso de duas técnicas: a técnica subjetiva e a técnica objetiva estatística. A primeira

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diz respeito ao julgamento humano e a segunda a processos estatísticos. A análise subjetiva é importante, porém não é uma ciência exata, podendo existir inúmeras soluções para cada situação de concessão de crédito. Por este motivo, ela deverá ser complementada por conceitos técnicos que irão melhor guiar na tomada de decisão.

Neste sentido, as instituições financeiras utilizam diversos modelos e metodologias estatísticas para gerar dados relevantes sobre os riscos aos quais elas estão sujeitas no momento da concessão do crédito. Deste modo, há uma busca para a minimização das perdas financeiras e reduzir o valor total provisionado da instituição junto ao Banco Central e consequentemente melhorar seu resultado financeiro. Se a operação de crédito for bem-sucedida o resultado do banco será o valor recebido acima do emprestado, reduzido dos custos operacionais e impostos. Porém se houver inadimplência parcial ou total, a perda do banco será o valor não recuperado, acrescido dos custos operacionais, custos financeiros e impostos.

Esses modelos comumente condicionam o risco de perdas financeiras a fatores externos, supondo que existe uma relação de causa-efeito entre eles. Os modelos utilizados para mensurar o risco no momento da concessão do crédito são chamados modelos de credit scoring. Por envolverem menor custo e dar maior agilidade, objetividade e poder preditivo na decisão da concessão de crédito, os modelos de credit scoring se popularizaram e são amplamente utilizados pelo setor financeiro (HAND; HENLEY, 1997).

No Brasil, as técnicas de credit scoring começaram a ser difundidas nas instituições financeiras, apenas após a estabilização da economia brasileira, em meados de 1994. Neste período, quando a inflação foi controlada pelo surgimento do Plano Real, as instituições financeiras deixaram de ganhar dinheiro nas operações de over night e foram obrigadas a gerar resultado através da concessão de empréstimos a Pessoas Físicas e Jurídicas.

Desde então, as metodologias quantitativas passaram a ser aplicadas pelas instituições financeiras com o objetivo de qualificar o risco de crédito através da previsão da probabilidade de perda financeira no momento da concessão do crédito.

Essa quantificação do risco é de suma importância para o resultado financeiro da

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empresa, pois reduzindo a quantidade de tomadores inadimplentes entrantes em sua carteira de crédito, a instituição diminuirá os gastos com recuperação de crédito inadimplente e provisionamento junto ao órgão regulador Banco Central.

Segundo Steiner et al. (1999, p.56), “a correta decisão de crédito é essencial para a sobrevivência das empresas bancárias”. Afirmam ainda que “qualquer erro na decisão de concessão pode significar que uma única operação haja a perda do ganho obtido em dezenas de outras bem-sucedidas”. O que é desejável e necessário, então, é “analisar uma proposta de negócio e comparar o custo de conceder com o custo de negar a operação” (STEINER.et al.,1999, p.56).

Os modelos de credit scoring podem ser utilizados tanto para concessão de crédito a pessoas físicas quando a jurídicas. Quando aplicados a pessoas físicas, eles utilizam informações cadastrais e comportamentais dos clientes. E quando aplicado a empresas, são utilizados índices financeiros como variáveis determinantes ou não da insolvência das mesmas. Neste sentido, segundo Saunders (2000), a ideia é essencialmente a mesma: a pré-identificação de certos fatores-chave que determinam a probabilidade de inadimplência e sua combinação ou ponderação para produzir uma pontuação quantitativa, chamada escore (do inglês score).

As instituições financeiras utilizam diversos modelos de credit scoring que são aplicadas na avaliação de diferentes operações de crédito a serem contratadas com pessoas físicas e/ou jurídicas e/ou para avaliação de novas concessões de crédito.

As variáveis explicativas que compõem o modelo podem ser diferentes, com o objetivo de melhorar a previsão de inadimplência. A localização geográfica do tomador de crédito pode vir a ser uma variável a compor modelos de credit scoring.

O presente estudo utilizou dados referentes à operação de capital de giro concedidos por um banco brasileiro de varejo referentes a Micro e Pequenas

Empresas (MPEs) com sede no Estado do Paraná (PR).

1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA

Sabe-se que as MPEs vêm adquirindo, ao longo dos últimos 30 anos, uma importância crescente e inquestionável no país, respondendo por mais de um quarto

(18)

do Produto Interno Brasileiro (SEBRAE, 2017). No entanto, as MPEs por estarem inseridas em um cenário altamente competitivo apresentam altas taxas de falência.

Identificar as causas de inadimplência nesta categoria não é uma tarefa simples.

Assim, nesta pesquisa procurou-se responder a seguinte pergunta: É a localização geográfica dos tomadores de crédito determinante para a insolvência bancária, das MPEs, atendidas pelo segmento de varejo de um banco brasileiro?

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA Objetivo Geral

O objetivo desta pesquisa foi “desenvolver um modelo de classificação de risco de crédito de MPEs atendidas por uma instituição financeira do segmento varejo, utilizando a técnica estatística de Regressão Logística Geograficamente Ponderada (GWLR ou Geographically Weighted Logistical Regression)”.

O escopo do modelo foi prever a ocorrência de eventos de default, possibilitando a previsão de um perfil insolvente ou não, considerando a localização geográfica de seus tomadores, visando demonstrar que com está técnica é possível melhorar os critérios de concessão de crédito.

Objetivos Específicos:

Para atingir o objetivo geral, foram propostos os seguintes objetivos específicos:

• Analisar se existe diferença de inadimplência entre as regiões analisadas no estudo;

• Identificar se os critérios de concessão de credito são os mesmos em todas as regiões do estado;

• Desenvolver um modelo de previsão de risco de crédito, também denominado credit scoring, mediante o uso da técnica de GWLR;

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1.3 JUSTIFICATIVA TEÓRICA E PRÁTICA

O acesso ao crédito é um dos temas mais relevantes para as MPEs, seja no momento da abertura, seja após a estabilização das atividades. Segundo o indicador

“Serasa Experian de Demandas por Crédito”, o ano de 2017 começou com mais empresas buscando crédito. A alta foi de 6,2% no primeiro mês de 2017, quando comparada com janeiro de 2016 e 12,6% frente a dezembro de 2016. Segundo os economistas da Serasa Experian, a alta procura por crédito em janeiro de 2017 foi exclusiva das MPEs.

Por outro lado, as MPEs passaram por grandes dificuldades no ano de 2016; a recessão econômica impactou diretamente a saúde financeira das empresas, batendo recordes de recuperações judiciais e falências. Para se ter uma ideia, no ano de 2016 foram requeridos 1.863 pedidos de recuperação judiciais, sendo sua maioria absoluta 1.134 pedidos de MPEs.

Em meio a este cenário, o lucro das maiores instituições financeiras do país recuou aproximadamente 20% no ano 2016, em comparação com o ano de 2015. O lucro líquido das quatro maiores instituições financeiras com ações listadas na Bovespa somou aproximadamente R$50,29 bilhões, o que corresponde a uma queda de 18,8%, ante o resultado de 2015 (R$61,95 Bilhões).

O aumento de custos com provisões para devedores duvidosos, inadimplência em alta e redução das carteiras de crédito foram os principais responsáveis pela queda no lucro dos bancos no ano de 2016.

Diante deste contexto, entender os fatores determinantes para a insolvência das MPEs do Estado do Paraná, para amortização de empréstimos, contraídos em uma instituição financeira, é o foco deste trabalho. A incapacidade de pagamento de uma empresa faz parte de inquietações tanto no nível das economias mais desenvolvidas, quanto nas pequenas economias de países em via de desenvolvimento, em evitar impactos de crises financeiras sejam elas do setor público e/ou privado (ALTMAN; NARAYMAN, 1996).

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Para isso, as empresas empregam as mais diversas técnicas de análise estatística para previsão de falências, dentre elas a Regressão Logística. Este modelo consiste no uso de dados históricos, formados por dois grupos de empresas, divididos em adimplentes e inadimplentes. Com os dados das empresas presentes na amostra, e o uso da GWLR, estima-se um modelo que representa a melhor combinação possível das variáveis utilizadas e que poderia evitar a inadimplência da empresa com antecedência, e com isso, contribuir para sobrevivência das instituições financeiras.

Apesar de hoje em dia encontrar-se à disposição um número muito maior de ferramentas para análise de crédito, ainda ocorrem crises oriundas da má gestão deste crédito. A mais recente e com maior repercussão financeira foi a crise do subprime nos Estados Unidos da América, a qual ocorreu por conta da concessão de créditos hipotecários de alto risco, prática que arrastou várias instituições financeiras para uma situação de insolvência. Caouette et al. (2009) citam que “Apesar das melhorias significativas feitas pelas instituições bancárias durante a última década, os eventos recentes demonstram que a capacidade de julgamento dos bancários está longe de ser infalível”.

Este é apenas um breve exemplo do por que o estudo a respeito do crédito vem despertando o interesse de muitos estudiosos, que vêm buscando pela influência de variáveis tanto micro como macroeconômicas, na análise e decisão da concessão do crédito.

Um estudo que seja aplicado à prevenção da inadimplência, com o aparato de informações disponíveis no momento da análise de crédito contribuirá para uma avaliação mais criteriosa e para que possa, consequentemente, melhorar o resultado das instituições financeiras que trabalham com a concessão de crédito, como as MPEs.

1.4 ESTRUTURA DO PROJETO DE DISSERTAÇÃO

Este primeiro capítulo, de caráter introdutório, descreve o problema de pesquisa, apresentando-se a formulação da situação do problema, os objetivos gerais e específicos, bem como a Justificativa Teórica e Prática.

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No segundo capítulo, procede-se à fundamentação teórica, que se refere à intermediação financeira, aos fatores relacionados ao crédito como o seu processo, as políticas, o mercado, as estratégias, principais operações, métodos de análise e avaliação e ao seu risco com metodologias de medição deste nas instituições financeiras.

No terceiro capítulo apresenta-se a metodologia da pesquisa, onde consta o delineamento, a descrição e o planejamento da pesquisa, os procedimentos que foram adotados, os instrumentos e como se deu a construção das categorias analisadas.

Os resultados da pesquisa são apresentados no quarto capitulo, juntamente com testes de robustez dos modelos estimados e as análises dos achados, além da discussão das hipóteses de pesquisa.

No quinto capítulo expõem-se as considerações finais, a partir de um apanhado de todo o processo de pesquisa, da discussão das hipóteses, da reposta do problema central da pesquisa, das limitações do estudo, e por fim, a sugestão para trabalhos futuros.

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2 QUADRO TEÓRICO - EMPÍRICO DE REFERÊNCIA

2.1 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA

Fazendo uma linha do tempo acerca da evolução creditícia até chegar às instituições de crédito atuais existentes, observa-se que a atividade em si, passou a existir com o surgimento dos bancos. Inicialmente os bancos não exerciam a atividade creditícia, mas sim, basicamente duas outras atividades monetárias. A primeira compreendida como a custódia da moeda, em virtude da segurança maior de guardar dinheiro nessas instituições ao invés de permanecer com elas sob sua tutela, onde o depositante pagava pequena comissão às instituições que trabalhavam com tal sistema (NAPOLEONI, 1979).

A segunda era a de efetuar pagamentos de mercadorias. Trabalhando-se com a ideia de evitar o transporte de grandes volumes monetários, como no exemplo do mercador que adquirisse produtos em lugar distante. Ele se utilizaria do banco para efetuar depósito, onde a responsabilidade do repasse do montante ao vendedor do mercador seria garantida pela própria instituição, que possuía unidade correspondente no local onde deveria realizar-se o pagamento (NAPOLEONI, 1979).

Com o passar dos anos, as instituições começaram a emitir uma espécie de certificados que comprovassem o depósito monetário realizado e a existência de moeda em seus estabelecimentos; tais papéis passaram a ser aceitos como moeda.

Aparece então nova etapa no desenvolvimento das instituições com a possibilidade do exercício de duas ações: o início da concessão de crédito foi após a percepção de que nem sempre as pessoas retiravam tudo o que haviam depositado, ou seja, sempre haveria dinheiro para circular, possibilitando a concessão de empréstimos mediante pagamento de juros, já que até então o único valor cobrado era o das comissões pela custódia da moeda.

Como os empréstimos eram concedidos não somente a particulares, mas também ao Estado, aos poucos os bancos que concediam empréstimos ao ente governante passavam a receber alguns privilégios, como, por exemplo, a autorização para a emissão de notas que possuíam valor legal. As notas poderiam ser revertidas

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em moeda metálica e não era exigida quantidade exata entre moedas e notas, apenas relação de controle entre as notas emitidas e concentração de moedas pelas instituições. Com isso, passa-se a encontrar nos bancos mais do que atividade monetária, mas também atividade creditícia.

Atualmente, a concessão de crédito é fornecida por instituições de crédito, cuja atividade consiste em receber do público depósitos ou outros fundos reembolsáveis, a fim de os aplicarem por conta própria mediante a concessão de crédito. Dentre as instituições de crédito, destacam-se os bancos comerciais (VENTURA, 2015).

Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que tem como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários, a curto e médio prazos, ao comércio, à indústria, às empresas prestadoras de serviços, às pessoas fiscais e terceiros em geral (BACEN, Resolução CMN 2.099, de 1994).

Portando os bancos atuam como um canalizador de recursos disponíveis no mercado para setores que deles necessitam, prestando o serviço de intermediação financeira entre as partes envolvidas (ANBIMA, 2015).

A intermediação financeira é a atividade desenvolvida por instituições financeiras que consiste em transferir recursos dos agentes econômicos superavitários para os agentes econômicos deficitários. Nesse sistema, no Brasil, a principal atividade é a de empréstimos de recursos. Conforme Silva (2014), essa função de intermediário financeiro coloca o crédito como fator de maior importância num Banco Comercial.

Figura 1 - Intermediação Financeira

Fonte: Assaf Neto (2008)

(24)

Segundo Silva (2014), entre os principais papéis da intermediação financeira para as instituições financeiras pode-se destacar:

• Volume de Recursos: capta em montantes diferentes, variando de unidades a milhões de reais, e os aplica em volumes compatíveis com as necessidades dos tomadores;

• Adequação de Prazos: capta em prazos variados e aplica em prazos adequados a realidade e necessidade dos tomadores;

• Diversificação do Risco: sendo o intermediário financeiro um especialista em avaliar o risco e ao mesmo tempo diversificando suas aplicações, haverá sensível redução dos riscos;

• Maior Liquidez: a facilidade com que os ativos dos ofertadores de fundos podem ser convertidos em dinheiro é reforçada pela intermediação financeira;

• Menor Custo: os intermediários financeiros são capazes de produzir ativos financeiros a um custo inferior ao que os indivíduos produziriam.

Segundo Schrickel (2000), as decisões de concessão de crédito não envolvem necessariamente sujeitos conhecidos. As relações são mantidas com terceiros, com os quais, talvez até, não se tenha muitas informações ou conhecimento. O risco, sempre presente em qualquer empréstimo, coloca-se de forma mais visível e é compensado por um retorno financeiro. O retorno do empréstimo é uma expectativa envolvida por uma série de cautelas e procedimentos devidamente documentados na forma apropriada, os quais permitem, em última análise, assegurar o retorno do crédito cedido, pela via coercitiva.

Schrickel (2000) ainda comenta que em qualquer situação de concessão de empréstimo há basicamente três etapas distintas a percorrer:

1 - Análise retrospectiva - avaliação do desempenho histórico do tomador potencial, analisando os riscos inerentes ao mesmo e como foram contornados. Este processo visa a identificar fatores na atual condição do tomador que possam dificultar o pagamento da divida;

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2 - Análise de tendências - projeção da condição futura do tomador do crédito, a fim de avaliar o nível de endividamento suportável e o quão oneroso será o crédito que se espera obter; e

3 - Capacidade Creditícia - a partir do grau de risco que o tomador apresenta e a projeção do seu nível de endividamento futuro, avaliar a capacidade creditícia do tomador, ou seja, qual a quantia de capital que ele poderá obter junto ao credor.

2.2 POLÍTICA DE CRÉDITO

Para assegurar o retorno dos empréstimos, as instituições financeiras desenvolvem suas Políticas de Crédito e procedimentos. Elas são estabelecidas com base em fatores internos e externos, relacionados ao ambiente econômico interno e externo e está amparado em procedimentos de análise desenvolvidos de acordo com sua experiência e tradição. Estão de acordo com a regulamentação vigente e podem ainda ser mais rigorosos se forem identificados indícios de deterioração da qualidade do crédito.

É a política de crédito que disciplina o conceito de crédito da organização;

normatiza os padrões a serem seguidos para a concessão, controle e acompanhamento do crédito; determina o público alvo; apresenta as modalidades de credito ofertados; bem como atribui a condições e critérios para a concessão e cobrança do crédito; bem como atribui a responsabilidade para cumprir as normas estabelecidas por esta política e as penalidades ao descumprimento delas (BLATT, 1999). Silva (2014) cita alguns fatores que os bancos devem considerar ao elaborar sua política de crédito:

a) As normas legais – devem atender as normas impostas pelas autoridades monetárias competentes;

b) A definição estratégica do banco – é na estratégia que está a base para a formulação das políticas de crédito do banco, fatores como o porte das empresas a serem atingidas, áreas de atuação geográfica, segmentação de mercado e produtos financeiros, serão decisivos na determinação dos padrões de crédito;

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c) Os objetivos a serem alcançados – as metas de lucratividade e os objetivos de negócios a serem alcançados serão componentes da política geral de um banco, que por sua vez, irão interferir na Política de Crédito;

d) A forma de decisão e de delegação de poder – uma das principais preocupações da Política de Crédito está relacionada aos poderes de decisão para a concessão de crédito a clientes. Criar uma estrutura capaz de responder com rapidez às solicitações de empréstimos e financiamentos dos clientes é uma condição fundamental para a competitividade. A alçada de decisão e uma forma de delegação de poder, sendo que elas podem ser individual (atribuída a um único individuo), conjunta (quando duas ou mais pessoas possam decidir) ou colegiada (comitês de crédito);

e) Os limites de crédito – devem buscar métodos para geração de limites de créditos a serem ofertados aos clientes com propensão de consumo, conforme segmentação. Para pequenos negócios, os sistemas de credit scoring e de rating podem ser utilizados como facilitadores da fixação de limites;

f) A análise de crédito – determinação de modelo para análise de crédito, observando os diferentes perfis dos clientes, tais como, atividade, porte, região onde atua e valores pretendidos de financiamento;

g) A composição e a formalização dos processos – documentação necessária para composição do processo de crédito observando os procedimentos que devem obedecer aos padrões legais;

h) A administração e o controle de crédito – selecionar recursos tecnológicos que possibilitem um acompanhamento do crédito.

Enfim, as políticas de crédito são as grandes linhas de orientações norteadoras do processo decisório de crédito em todos os níveis hierárquicos de uma instituição, formuladas com perspectiva de longo prazo, e que visam assegurar coerência de propósito nas decisões dessa mesma instituição. A definição e permanência das políticas de crédito têm como objetivo atingir padrões de desempenho compatíveis com a boa técnica bancária e as melhores práticas do mercado, visando atingir, dentre

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outros, os níveis adequados de risco nas operações de crédito e qualidade dos deferimentos das operações (BANCO DO BRASIL,1997).

2.3 CRÉDITO

Crédito, em finanças, é definido como a modalidade de financiamento destinada a possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes.

Segundo Beckman (1949) – um dos pioneiros a pesquisar a importância do crédito na atividade econômica – a oferta de crédito por parte de empresas e instituições financeiras deve ser vista como um importante recurso estratégico para alcançar a meta principal da administração financeira, ou seja, a de atender as necessidades de todos os supridores de capital e agregar valor ao patrimônio dos acionistas.

Segundo Schrickel (2000), o crédito “é todo ato de vontade ou disposição de alguém destacar ou ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro”.

O crédito inclui as noções fundamentais de confiança e tempo, este no que se refere ao período determinado entre aquisição e a liquidação da dívida, e aquela que expressa a promessa de pagamento.

Para Santos (2009), a finalidade do crédito deve estar relacionada com a necessidade do cliente, tais como: financiamento às empresas; compra de matéria- prima; compra máquinas e equipamentos; ampliação de fábrica; financiamento do comércio exterior; financiamento ao cliente. Desta forma, é necessário oferecer ao cliente uma linha de crédito compatível com suas necessidades de financiamento e capacidade de amortização.

As linhas de crédito podem atender a três necessidades básicas para as empresas:

• hot money - No Brasil, o termo hot money, amplamente empregado por bancos comerciais, por extensão de sentido aplica-se também a empréstimos de curtíssimo prazo (de 1 a 29 dias). Esses empréstimos

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têm a finalidade de financiar o capital de giro das empresas para cobrir necessidades imediatas de recursos (BACEN, 2017).

• Capital de giro – Recursos para financiar o ciclo operacional das empresas – período que vai desde a aquisição da matéria-prima até o recebimento da venda do produto acabado ou serviço prestado. Durante o ciclo operacional, empresas com “descasamentos” de caixa buscam financiamentos para amortizar dívidas com os fornecedores, funcionários e entidades governamentais;

• Investimentos - Recursos para financiar imobilização (instalações, máquinas, equipamentos e veículos), visando aumentar a capacidade produtiva das empresas.

Segundo Schrickel (2000), para financiamento das necessidades básicas, os clientes podem recorrer a duas modalidades de linhas de crédito:

• Linhas causais (pontuais): Destinam-se a amparar operações específicas por prazos, identicamente específicos. Este tipo de linha adequa-se a operações de crédito não repetitivas.

• Linhas rotativas: Destinam-se a amparar operações repetitivas, de uma mesma espécie ou modalidade, tendo um prazo de validade consoante definido pela instituição em sua política geral ou de crédito.

As instituições financeiras oferecem linhas de crédito, que podem atender a demanda por capital de giro e/ou investimentos. Segundo Santos (2009), as principais linhas disponibilizadas pelas instituições financeiras as empresas são:

• Contratos de Capital de Giro: compreendem as linhas de crédito direcionadas ao financiamento de necessidades operacionais de curto prazo, como as representadas pela aquisição de matéria prima, pagamento de mão de obra e pagamento de impostos;

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• Compror: É uma operação de financiamento das compras que permite ao comprador o pagamento a prazo e ao fornecedor o recebimento a vista;

• Vendor: É uma operação de financiamento que permite às empresas fazer suas vendas a prazo e receber a vista de um banco o valor a ser pago pelos seus clientes;

• Adiantamento sobre contratos de câmbio (ACC): O ACC é um dos mais conhecidos e utilizados mecanismos de financiamento à exportação.

Trata-se de financiamento na fase de produção ou pré-embarque. Para realizar um ACC, o exportador deve procurar um banco comercial autorizado a operar em câmbio;

• Adiantamento sobre cambiais entregues (ACE): É um mecanismo similar ao ACC, só que contratado na fase de comercialização ou pós- embarque. Após o embarque dos bens, o exportador entrega os documentos da exportação e as cambiais (saques) da operação ao banco e celebra um contrato de câmbio para liquidação futura. Então, o exportador pede ao banco o adiantamento do valor em reais correspondente ao contrato de câmbio;

• Financiamento à importação: Compreende a modalidade de financiamento na qual o banco avaliza um importador brasileiro perante um exportador (fornecedor no exterior), em transações representativas de importação de mercadorias;

• Resolução 63: Consiste em empréstimos de recursos captados no exterior por instituição financeira, por meio da emissão de títulos. O repasse do empréstimo somente é feito em moeda nacional, indexado à variação cambial, acrescido de juros pré ou pós-fixados e com datas fixas de pagamento;

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• Leasing: Trata-se de uma operação de arrendamento ou aluguel destinada ao financiamento de veículos, máquinas, equipamentos e imóveis;

• Repasses do BNDES: São recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizados às empresas para financiar projetos com imobilizações e expansão fabril.

2.3.1 Garantias

As instituições financeiras são conservadoras em relação ao risco, principalmente na concessão de crédito. Para realização de qualquer negócio sujeito ao risco de crédito, o Banco adota, como regra geral, a vinculação de garantias que proporcione cobertura total ou parcial do risco incorrido (SANTOS, 2009).

A finalidade da garantia vinculada as operações de crédito é a de evitar que os fatores imprevisíveis impossibilitem a liquidação do crédito. Esses fatores são de natureza sistemática ou externa à atividade da empresa, podendo ser resultante de medidas governamentais, concorrenciais, climáticas ou acidentais (SANTOS, 2009).

Segundo Santos (2009), as principais garantias utilizadas pelas instituições financeiras brasileiras são:

• Garantia Pessoal: é uma fiança dada por alguém, que se compromete pessoalmente a cumprir as obrigações contraídas num contrato. Essa modalidade de garantia não vincula nenhum bem especifico do cliente ou do garantidor, sendo constituída basicamente sobre aval e a fiança.

• Garantia Real: são garantias que se constituem sobre a vinculação de bens tangíveis do cliente, como, por exemplo, veículos, imóveis, máquinas, equipamentos, mercadorias e duplicatas. São constituídas basicamente sobre caução de duplicatas e/ou cheques, alienação fiduciária, penhor mercantil e hipoteca.

Segundo Schickel (2000), “um empréstimo baseado, inicial e principalmente, nas garantias, é um mau empréstimo de início”. Vale dizer, “o banco empresta ‘sob

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garantia’ e, contrariamente, ‘não compra’ a garantia, notadamente se forem ‘elefantes brancos’”. As instituições financeiras devem ter convicção de que o financiamento foi concedido baseado na capacidade de pagamento do cliente, partindo do princípio que não será necessário utilizar a garantia para liquidar o crédito.

Independentemente do tipo de garantia oferecida, as instituições financeiras irão conceder créditos quando acreditam que o propenso devedor tem vontade de liquidar seus compromissos. Caso contrário, todo o trabalho de análise técnica será pura perda de tempo, pois um renomado e tradicional mau pagador não precisa ter seus balanços e propostas de crédito analisados. Por melhores que sejam os índices econômicos e financeiros e as garantias oferecidas, neste caso o retorno dos capitais será uma grande incerteza.

2.3.2 Os C`s do Crédito

Gitman (1997) acredita que um dos insumos básicos à decisão final de crédito é o julgamento subjetivo que o analista financeiro faz para determinar se é válido ou não assumir riscos. Segundo o autor, a experiência adquirida do analista à disponibilidade de informações (internas e externas) sobre o caráter do cliente são requisitos fundamentais para análise subjetiva do risco de crédito.

As informações necessárias para análise subjetiva de capacidade financeira dos clientes são tradicionalmente conhecidas como “C’s” do Crédito: caráter, capacidade, capital, colateral e condições (SANTOS, 2009), conforme ilustrados na Figura 2 a seguir. Os C’s do crédito estão detalhados na sequência.

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Figura 2 - Os C´s do Crédito

Fonte: Santos (2009)

Caráter

Segundo Santos (2009), o caráter está associado à idoneidade do cliente no mercado de crédito. Para analisar este critério, é necessário dispor de informações históricas dos clientes (internas e externas), que demonstrem a pontualidade dos pagamentos. De forma objetiva e com base nessas informações as instituições podem verificar se o proponente correspondeu às expectativas previstas anteriormente, ou seja, “se”, “como” e “quando” efetuou o pagamento das obrigações pactuadas. Os credores também verificam os órgãos de restrição ao crédito (SPC, SERASA, CADIN).

Ressalte-se, que o Caráter não se restringe apenas ao tomador especifico e nominado de crédito. Ele, em realidade, é um conceito que transcende ao indivíduo, alcançado todo o estrato social e econômico do qual ele faz parte (grupos sociais, regiões e nações). Neste sentido, as decisões de crédito devem sempre levar em conta a integridade ética do conjunto de pessoas no qual o tomador potencial está inserido (SCHRICKEL, 2000).

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Capacidade

O caráter e a capacidade são dois atributos que se misturam ou se confundem a partir do momento em que se depara com uma situação do tipo “quero pagar, mas não posso”. O caráter diz respeito ao “querer pagar”; a capacidade diz respeito ao

“poder pagar”. Nestas circunstâncias, o “querer” e o “poder” pagar misturam-se, a ponto de dificultar sobremaneira ao emprestador o discernimento de cada um deles.

A capacidade consiste no ressarcimento do crédito pleiteado, tendo em vista o quanto a empresa suporta de endividamento. São analisadas as demonstrações financeiras, com particular ênfase na liquidez, nos fluxos e projeções de caixa.

Capital

Adentrando aos aspectos financeiros dos “C’s” do crédito, se faz necessário avaliar o Capital do tomador de crédito e a primeira pergunta decorrente desta análise é: será que o tomador potencial de crédito tem Capital suficiente para operar em níveis adequados de eficiência e retorno?

Segundo Silva (2009), o Capital é medido pela situação financeira do cliente, levando em consideração a composição (quantitativa e qualitativa) dos recursos, onde são aplicados. As fontes mais utilizadas para avaliação do capital das empresas e pessoas físicas são os Demonstrativos Contábeis e a Declaração do imposto de renda.

A ideia de capital não deve restringir - se à mera rubrica do patrimônio líquido do balanço, mas transcendê-la, alcançando toda a estrutura econômica financeira da empresa. Como se sabe, classicamente o Capital Social é o investimento feito pela empresa no sentido de gerar lucros. Contudo, na visão de Schrickel (2000),

Nas micro e, em boa parte, nas pequenas empresas, os relatórios contábeis fornecidos – base importante para a análise destes aspectos – não estão em completo acordo com a respectiva realidade. Geralmente, são elaborados por escritórios de contabilidade externos à empresa e cumprem finalidades basicamente fiscais. A avaliação de riscos relacionados ao “C” capital, nestes casos, é feita mais em função dos números inerentes aos proprietários – patrimônio, etc – do que a partir dos demonstrativos contábeis. SCHRICKEL (2000, pg.37).

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Colateral

Representado pelas garantias adicionais oferecidas pelo devedor para atendimento das demandas de bancos. Devem ser aplicados nos colaterais os mesmos procedimentos de avaliação de crédito utilizada no solicitante. Em geral, as garantias ultrapassam o próprio valor da dívida para proteger os credores contra problemas associados à liquidez dos ativos garantidores.

Segundo Schrickel (2000), em uma decisão de crédito, serve para contrabalançar e atenuar eventuais impactos negativos decorrentes do enfraquecimento de um dos três elementos: Capacidade, Capital e Condições. Este enfraquecimento implica maior risco, das incertezas futuras quanto ao repagamento do crédito.

Condições

Este C está relacionando à sensibilidade da capacidade de pagamento dos clientes à ocorrência de fatores externos adversos ou sistemáticos. Nas pessoas jurídicas esses fatores estão normalmente associados às políticas governamentais, conjunturas nacional e internacional, concorrências, etc.

Segundo Silva (2014), a atenção nestes fatores é de extrema importância para a determinação do risco total de crédito, uma vez que dependendo da importância do sistemático, o credor poderá enfrentar sérias dificuldades para receber o crédito.

2.3.3 Processo de análise de crédito para empresas

O risco em uma operação de crédito é um dos itens mais importantes a ser analisado. Para Schrickel (2000), não há empréstimo sem risco, porém este risco pode ser minimizado, para se tornar suportável e compatível com o empréstimo e receita gerado por ele. O maior risco na operação é não conhecer quem é o tomador ou qual o tipo de operação ele deseja fazer com os recursos auferidos.

“A matéria prima para a decisão de crédito é a informação. A obtenção de informações confiáveis e o componente de tratamento das mesmas constituem uma base sólida para uma decisão de crédito segura” (SILVA, 2014). Ainda, de acordo com

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Silva (2014), para a realização de uma investigação minuciosa de risco na concessão de crédito é preciso efetuar uma análise cadastral, de idoneidade, financeira, de relacionamento, patrimonial, de sensibilidade e do negócio na concessão de financiamento as empresas.

Análise cadastral

É a análise que se faz dos documentos apresentados pelo proponente tomador dos recursos da instiuição financeira. Blatt (1999) evidencia, o sucesso da concessão do crédito depende de informações confiáveis a respeito do cliente. Santos (2009) complementa, dizendo que “a análise das informações básicas de crédito são requisitos fundamentais para a determinação do valor do crédito,prazo para amortização,taxa de juros e, se necessário, reforço ou vinculação de novas garantias”.

Análise de Idoneidade

A pesquisa sobre a idoneidade do cliente é uma das principais informações colhidas e analisadas no processo de concessão de crédito. Inexistindo informações restritivas (derivadas de empréstimos não pagos ou em atraso), as outras informações colhidas sobre a idoneidade do cliente servirão para compor o risco total do cliente.

Existindo informações restritivas, o procedimento normal é a recusa em conceder qualquer tipo de crédito ao cliente (SANTOS, 2009).

Segundo Santos (2009), a idoneidade do cliente pode ser classificada nas seguintes categorias “Sem Restritivos”, ”Alertas”, ”Restritivos” ou “Impeditivos”. No Brasil, a Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos), SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), CADIN (Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal) entre outras, são empresas que fornecem sistemas automatizados de pesquisa de restritivos para apurção de qualquer problema que possa afetar a idoneidade dos proponentes ao crédito.

Análise Financeira

A análise financeira é um procedimento indispensável na avaliação de riscos em concessão de financiamento às empresas. Ela compreende no levantamento e na análise da situação financeira da empresa basendo-se em informações extraídas do

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Balanço Patrimonial, da Demonstração de Resultados e da Demonstração do Fluxo de Caixa do Exercício (SANTOS, 2009).

Segundo Santos (2009), é por meio desse mecanismo, que os investidores levantam informações históricas sobre a capacidade de pagamento, endividamento, lucratividade e rentabilidade. Paralelamente fazem projeções de fluxos de caixa com o objetivo de verificar se a empresa tem capacidade cobrir empréstimos para financiar gastos com capital de giro e imobilizações.

Análise de Relacionamento

A análise de relacionamento baseia-se principalmente na análise realizada sobre as informações extraídas do histórico do relacionamento do cliente com o credor e o mercado de crédito (SANTOS, 2009).

No caso do credor possuir histórico de relacionamento com a instituição, é possivel analisar as informações extraídas de seus relacionamentos, tais como:

frequência de utilização do crédito, taxa de juros, garantias vinculadas, etc. No que tange ao mercado de crédito, verifica-se uma maior dificuldade para obter as mesmas informações, devido à recusa das empresas que mantêm transações de crédito com o cliente (SANTOS, 2009).

Análise Patrimonial

A análise patrimonial é importante, pois com a obtenção do patrimônio do cliente, as instituições financeiras podem avaliar a necessidade de vincular as garantias em contrato, sempre que verificarem a possibilidade de aumento do risco do cliente (SANTOS, 2009).

Segundo Santos (2009), o aumento ou da deterioração da riqueza patrimonial de uma empresa fornece informações importantes que podem possibilitar uma melhor mensuração do risco de crédito.

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Análise de Sensibilidade

A análise de sensibilidade é uma fase extremamente importante no processo de análise da concessão de um crédito. Nesta fase, o agente de crédito ou analista financeiro irá monitorar a situação macroeconômica a fim de prever situações que poderão aumentar o nível de risco da operação (SANTOS, 2009).

Segundo Santos (2009), como forma de redução da inadimplência em suas carteiras, as instituições financeiras devem monitorar constantemente os fatores sistemáticos que apresentem maior sensibilidade com as fontes geradoras da renda de seus clientes.

Blatt (1999) explica que uma correta avaliação do mercado pode ajudar a definir quais taxas serão praticadas, quais prazos de pagamento são mais favoráveis e em quais situações o devedor poderá se tornar incumpridor.

Análise do Negócio

Ao conceder o crédito, a instituição financeira faz análise prévia sobre a quem pertence a empresa, qual é a capacidade administrativa e financeira de seus dirigentes, os seus concorrentes e o conhecimento do mercado onde atua (SANTOS, 2009).

A análise do risco do negócio verifica, primeiramente, se a empresa conseguirá gerar receitas suficientes para cobrir seus gastos operacionais e financeiros. Nela são considerados os Fatores Internos e Fatores Externos de risco que podem afetar a geração de caixa (SANTOS, 2009).

Os fatores internos de risco são aqueles originários de falta de experiência, incompetência, desonestidade dos gestores no gerenciamento da empresa, ou da pessoa física na condução de suas finanças pessoais (SANTOS, 2009).

Os fatores externos de risco são os eventos não controlados pela empresa e que afetam o sistema econômico onde ela está inserida. Exemplo: crises financeiras, ações tomadas pelo governo, alteração da taxa básica de juros, etc. (SANTOS, 2009).

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2.4 RISCO E INCERTEZA

O risco está presente na atividade humana. Tudo que realizamos em nosso dia a dia, tem possibilidade de gerar consequências diferentes daquela que se imagina.

Embora se lide com o risco todos os dias em suas formas mais variadas, sua conceituação é muito difícil. Além do problema da conceituação, existe uma grande dificuldade em estabelecer aversão ao risco (GITMAN, 2014).

As pessoas diferem em sua disposição de assumir riscos. Situações que podem parecer de alto risco para uma pessoa poderão ser consideradas de risco aceitável para outras. Pode-se afirmar que as pessoas são mais comumente avessas ao risco; esta afirmativa pode ser observada pelo grande número de riscos contra os quais os indivíduos adquirem seguro, como exemplo, seguro de automóvel, vida, residencial, empresarial, saúde, dentre tantos outros.

O risco existe quando o tomador da decisão pode basear-se em probabilidade para estimar diferentes resultados, de modo que sua expectativa se fundamente em dados históricos. Há risco quando a distribuição probabilística de retorno é conhecida.

Isto é, a decisão é tomada a partir de estimativas julgadas aceitáveis. Risco pode ser definido com uma probabilidade de perda financeira ou, mais formalmente, a variabilidade dos retornos, associados a um determinado ativo (GITMAN, 2014).

Segundo Securato (2012), na área financeira, o risco e a incerteza estão presentes em um grande número de decisões do executivo que, em seu conjunto, podem levá-lo ao fracasso ou ao sucesso e, com ele, a própria empresa.

A incerteza ocorre quando alguém não dispõe de dados históricos acerca de um acontecimento e não possui base de dados estatísticos para fazer cálculos probabilísticos, precisando fazer estimativas aceitáveis, exigindo que a decisão ocorra de forma subjetiva, isto é, apenas através da sensibilidade pessoal, acarretando maior grau de risco (SECURATO, 2012).

A definição de incerteza está relacionada à adoção de tempo histórico. Um mundo que não está sujeito ao tempo em sua dimensão histórica não está sujeito à incerteza. A incerteza não tem o mesmo impacto em todos os níveis da atividade

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econômica. As atividades que apresentam resultados em um espaço de tempo curto, onde é possível rever as expectativas, não estão sujeitas ao mesmo tipo de impacto que aquelas que geram resultados em e momentos distantes no tempo, ou seja, decisões sobre este tipo atividade são muito mais inconstantes.

Nas instituições financeiras, a incerteza é um elemento constitutivo fundamental nas tomadas de decisões. Seus resultados poderão ser observados em um futuro distante. Isso as forçam a desenvolver mecanismos capazes de permitir a redução dessa incerteza nas decisões de crédito.

2.4.1 Gerenciamento de Riscos

Gerenciamento de Riscos se dá através da adoção de melhores práticas de infraestrutura, políticas e metodologias, permitindo com isso uma melhor gestão dos limites de risco aceitáveis, do capital, da precificação e do gerenciamento da carteira.

(BANCO DO BRASIL, 2017).

A função do Gerenciamento de Riscos é a de reduzir perdas e minimizar os seus efeitos. O gerenciamento de riscos é um contínuo processo de busca de defeitos, ou de quase-defeitos, com vistas à sua prevenção. Esses defeitos são chamados riscos (BANCO DO BRASIL, 2017).

Risco significa incerteza sobre a ocorrência ou não de uma perda ou prejuízo, e a forma de se controlar os riscos é através de seu gerenciamento. Conseguir gerenciar o risco significa "tentar evitar perdas, tentar diminuir a frequência ou severidade de perdas ou pagar as perdas de todos os esforços em contrário", entendendo-se 'frequência de perdas' como a quantidade de vezes que a perda ocorre, enquanto a severidade seria o custo do prejuízo decorrente da perda (HOPE, 2002).

Ainda, segundo Hope (2002), a gestão de risco pode ser considerada como medidas para evitar, ou antecipar, os impactos ou efeitos dos possiveis riscos. Os riscos podem tem origem em diversas fontes. Podemos ter:

• Risco de Preço: grande variação inesperada do preço de um produto;

• Risco Natural: enchentes ou terremotos;

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• Risco de Taxa de Juros ou de Câmbio: elevação ou redução não prevista da taxa de juros ou de câmbio;

• Inadimplência: risco de não receber o pagamento por um produto ou um serviço;

• falhas humanas: risco de erro em um processo.

Esses são apenas alguns exemplos de risco que encontramos nas atividades.

A instiutição financeira objeto deste estudo, formalmente, classifica os riscos relacionados ao mercado, conhecidos como riscos financeiros, da seguinte forma:

• Risco de Crédito - possibilidade de ocorrência de perdas associadas ao não cumprimento pelo tomador ou contraparte de suas respectivas obrigações financeiras nos termos pactuados, à desvalorização de contrato de crédito decorrente de deteriorações na classificação de risco do tomador, à redução de ganhos ou remunerações, às vantagens concedidas na renegociação e aos custos de recuperação.

• Risco de Liquidez – é a ocorrência de desequilíbrios entre ativos negociáveis e passivos exigíveis - “descasamentos” entre pagamentos e recebimentos - que possam afetar a capacidade de pagamento da instituição, levando-se em consideração as diferentes moedas e prazos de liquidação de seus direitos e obrigações.

• Risco de Mercado - possibilidade de ocorrência de perdas financeiras ou econômicas resultantes da flutuação nos valores de mercado de posições detidas pela Instituição;

• Risco de Taxa de Juros do Banking Book - decorrente das exposições sujeitas à variação das taxas de juros das operações não classificadas na carteira de negociação;

• Risco de Crédito da Contraparte - possibilidade de não cumprimento, por determinada contraparte, de obrigações relativas à liquidação de operações que envolvam a negociação de ativos financeiros, incluindo aquelas relativas à liquidação de instrumentos financeiros derivativos;

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• Risco de Estratégia - possibilidade de perdas decorrentes de mudanças adversas no ambiente de negócios, ou de utilização de premissas inadequadas na tomada de decisão;

• Risco de Reputação - possibilidade de perdas decorrentes da percepção negativa sobre a instituição por parte de clientes, contrapartes, acionistas, investidores, órgãos governamentais, comunidade ou supervisores que pode afetar adversamente a sustentabilidade do negócio;

• Risco Socioambiental - possibilidade de perdas decorrentes da exposição a danos socioambientais gerados pelas atividades da Instituição;

• Risco de Participações - possibilidade de perdas decorrentes de exposições originadas nas participações societárias.

• Risco de Entidades Fechadas de Previdência Complementar e de Operadoras de Planos Privados de Saúde a Funcionários - possibilidade de impacto negativo decorrente do descasamento entre passivos atuariais e ativos das entidades fechadas de previdência complementar e de operadoras de planos privados de saúde a funcionários.

• Risco de Modelo - possibilidade de perdas decorrentes do desenvolvimento ou uso inadequado de modelos, em função da imprecisão ou insuficiência de dados ou à formulação incorreta na sua construção.

• Risco de Subscrição - possibilidade de ocorrência de perdas que contrariem as expectativas da sociedade supervisionada, associadas, diretamente ou indiretamente, às bases técnicas e atuariais utilizadas para cálculos de prêmios, contribuições e provisões técnicas, decorrentes das operações das sociedades supervisionadas.

A gestão de riscos constitue um instrumento fundamental para a sustentabilidade do sistema bancário. Os métodos de identificação, avaliação, controle, mitigação e monitoramento dos riscos salvaguardam as instituições

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financeiras em momentos adversos e proporcionam suporte para a geração de resultados positivos e recorrentes ao longo do tempo (JORION, 2004).

O gerenciamento de riscos é considerado fundamental para o processo de tomada de decisões, que contribui para a otimização da relação risco versus retorno em suas operações.

2.4.2 Riscos versus Retorno

Segundo Jordan (2002), risco é a parte não prevista no retorno, havendo o sistemático ou externo, que afeta um grande número de ativos (como o de mercado), e o não sistemático ou interno que afeta um único ativo ou um pequeno grupo deles.

Neste caso, a instituição financeira identifica a necessidade de diversificação de sua carteira de crédito para reduzir a possibilidade de grandes perdas com riscos que afete uma carteira que possua grupos semelhantes.

Mecanismos de mitigação de riscos são alternativas de que a instituição financeira dispõe para praticar o gerenciamento do risco de crédito. Permite a diversificação de riscos, a eliminação de concentrações indesejadas, o controle das exposições, a adequação do perfil do risco e retorno da carteira.

2.4.3 Modelos de Avaliação Do Risco De Crédito

As instituições financeiras, cada vez mais estão investindo na elaboração e implantação de modelos para avaliação e monitoramento de risco de crédito, como forma de reduzir as perdas financeiras decorrentes da inadimplência (BANCO DO BRASIL, 2017).

Segundo Santos (2009), dentre as principais técnicas utilizadas pelas instituições com essa finalidade destacam-se: o Valor em Risco (VAR), o

“CreditMetrics”, o Retorno sobre o Capital Econômico Ajustado ao Risco (Raroc), e o Modelo KMV para estimar a probabilidade de inadimplência.

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Valor em Risco (VAR)

Santos (2009) relata que a técnica VAR traduz as perdas máximas esperadas de uma carteira de crédito e investimento, de acordo com determinado prazo e intervalo de confiança, num horizonte de tempo definido.

O intervalo de confiança é um intervalo estimado, construído com base média da amostra, pelo qual pode ser especificada a probabilidade de o intervalo incluir o valor da média da população.

Este conceito, utilizado em diversos processos aleatórios, é complementado pela distribuição normal, que ressalta a probabilidade das variáveis aleatórias assumam o valor “1” em um intervalo de valores.

Ehrhardt e Brigham (2012) acrescentam que se uma variável tem distribuição normal cerca de 68,26% de seus valores cairão no intervalo de um desvio padrão a contar de cada lado da média; cerca de 95,46% no intervalo de dois desvios padrões a contar da média, e cerca de 99,74%, dentro de três desvios-padrões a contar da média, conforme figura 3, a seguir.

Figura 3 - Gráfico de Distribuição Normal

Fonte : Ehrhardt e Brigham (2012)

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Apesar de ser eficiente em proporcionar ao investidor uma estimativa da potencial perda de uma carteira em função do histórico de preços, muitas críticas são feitas à ferramenta de análise de risco.

Um dos principais críticos do VAR é o filósofo Nassim Taleb, autor do livro A Lógica do Cisne Negro, publicado em 2007, utilizado por muitos para entender melhor a crise financeira em 2008 por explorar o impacto de eventos com baixíssima probabilidade de acontecer.

Segundo Taleb (2015), o VaR é falho por pressupor que o mercado pode ser representado por uma curva normal, desconsiderando os eventos “fora da curva”, ou melhor a esquerda da curva, por serem estatisticamente raros e causarem um grande impacto.

O VaR foi uma ferramenta de manejo de risco ineficiente na última crise, uma vez que o mercado recuou forte em uma velocidade acima do normal, passando a negociar na cauda da curva (TABEB, 2015).

CreditMetrics

O creditMetrics é um técnica utilizada para modelar o processo de mudanças de valor nas variações da qualidade do crédito de cada cliente. O creditMetrics calcula as contribuições de riscos marginais de acordo com a quantidade de diversificação ou concentração que cada crédito traz à carteira (CAOUETTE, 1998).

O creditMetrics constroi o risco da carteria para cada exposição específica, dando informações de risco moldadas, ao nome, ramo e concentração da carteira.

Segundo Santos (2009), existem 5 benefícios que os gerentes de carteiras de crédito possuem com a implantação do creditMetrics:

Quantificação do Risco de Crédito agregado;

Identificação das fontes de risco;

Quantificação de contribuições individuais ao risco da carteira;

Qualificação dos limites de risco;

Quantiicação do capital econômico;

Referências

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