English. Português EXPOSIÇÃO EXHIBITION SILVESTRE PESTANA TECNOFORMA 26 MAI MAY 25 SET SEP

Texto

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Português English

26 MAI MAY — 25 SET SEP

EXPOSIÇÃO EXHIBITION

SILVESTRE PESTANA

TECNOFORMA

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Capa Cover: Silvestre Pestana, Biovirtual, 1984. Fotografia: cortesia do artista Photo: courtesy of the artist

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PERFORMANCE Zangões (2016) 04 JUN (Sáb Sat), 17h00 16 JUL (Sáb Sat), 18h30

Salas do Museu Museum Galleries

VISITAS ORIENTADAS GUIDED TOURS Por By Melissa Rodrigues

Serviço Educativo do Museu Museum Educator 12 JUN (Dom Sun), 12h00

Por By Rita Castro Neves

Artista e investigadora Artist and researcher 07 JUL (Qui Thu), 18h30

Por By Joana Mendonça

Serviço Educativo do Museu Museum Educator 10 JUL (Dom Sun), 12h00

Por By Maria Teresa Cruz Investigadora Researcher 16 JUL (Sáb Sat), 17h00 Por By Verónica Metello

Curadora e investigadora Curator and researcher 10 SET SEP (Sáb Sat), 17h00

ENCONTRO EXCLUSIVO PARA AMIGOS DE SERRALVES EXCLUSIVE TOUR FOR AMIGOS DE SERRALVES Por By Paula Fernandes

Curadora do Museu Serralves Museum curator 14 JUN (Ter Tue), 19h30

CONVERSA NA EXPOSIÇÃO CONVERSATION IN THE EXHIBITION Com Silvestre Pestana, artista e João Ribas, curador da exposição e Diretor-adjunto do Museu With Silvestre Pestana and João Ribas, Deputy Director and curator of the exhibition 11 JUN (Sáb Sat), 17h00

VISITA ORIENTADA EM LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA

GUIDED TOUR IN PORTUGUESE SIGN LANGUAGE

Por By Laredo, Associação Cultural 16 JUL (Sáb Sat), 15h30

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Livraria Bookshop

PÁTIO DA ADELINA Entrada da exposição Entrance to the exhibition

Entrada do Museu Entrance to the Museum Piso Floor 3

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Silvestre Pestana (1949, Funchal, Madeira) é um dos mais radicais artistas portugueses.

Poeta, artista plástico e performer, tem de- senvolvido, desde a década de 1960, uma obra singular e profundamente vanguardis- ta no contexto artístico nacional. Agitador poético-político, nunca desligou o seu trabalho da realidade social, política, am- biental e tecnológica que nos rodeia. Esta é a primeira grande exposição dedicada à sua obra, nunca antes reunida, com vídeo, fo- tografia, escultura, performance, desenho, instalação, poemas para computador, do- cumentação, incluindo ainda dois projetos especialmente concebidos para a mostra (Zangões e O trabalhador invisível).

“Silvestre Pestana: Tecnoforma” resulta de dois anos de investigação e inventariação do espólio do artista, que tem sido, desde o final dos anos 1970, um agente fundamental do circuito artístico independente do Porto.

Realizou-se um grande trabalho de restauro, conservação e documentação de obras qua- se perdidas. Uma operação de resgate que permite oferecer um entendimento completo e detalhado do seu trabalho e do seu posicio- namento enquanto artista e sujeito político.

“Os artistas são capazes de criar situações significativas de ação, de imaginário e de intervenção social.”

Silvestre Pestana nunca se deixou limitar na sua produção artística, afastada dos modelos capitalistas da arte contemporânea e com uma capacidade imaginativa que contraria todas as lógicas de pensamento formata- do. Para não combater na Guerra Colonial Portuguesa, exilou-se em Estocolmo, na Suécia, onde viveu entre 1969 e 1974.

Nesse período esteve em contacto com movimentos ecológicos, a Land Art e o expe- rimentalismo sonoro, visual e performativo, que se tornaram eixos basilares do seu tra- balho. Na década de 1970 foi squatter em Londres, integrando a comunidade artística de Camden. Em 1974, após a queda do Estado Novo, regressou a Portugal, reforçando o seu papel pioneiro a nível nacional nas áreas da

performance e do vídeo. Na Cooperativa Árvore, no Porto, e na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) apresentou trabalhos que tinham tanto de polémico como de pertinente e visionário: entre eles alguns dos vídeo-poemas e performances da série “Mater Pater” (1976—77), onde su- gere que a mãe do povo português não era Fátima, mas a Mulher.

Recorrendo a várias ferramentas artísticas e valorizando a ação direta, construindo os seus trabalhos com o seu próprio corpo, Silvestre Pestana gerou, em muitas das suas obras, uma crítica à sociedade industrial e de consumo, à guerra e às suas consequên- cias (sobretudo a Guerra do Vietname e a Guerra Colonial Portuguesa, evocada, por exemplo, na performance Necro Ecro Pietà, de 1979 (onde recorda os mortos em com- bate), às novas tecnologias e aos meios virtuais, simultaneamente brinquedos (com potencial artístico) e armas (também instru- mentos de controlo social).

PO.EX e o uso da linguagem

Um dos protagonistas da segunda geração de poetas experimentais portugueses nos anos 1960, Silvestre Pestana esteve associado ao coletivo da Poesia Experimental Portuguesa (PO.EX) que abordava a poesia como discurso visual e que constituiu para alguns um meio de resistência antifascista. Foi através de uma das figuras tutelares deste grupo, António Aragão, que Pestana se aproximou da problemática da linguagem e começou a explorar a relação entre signos linguísticos e não-linguísticos, que viria a tornar-se num elemento essencial e transversal do seu trabalho. Conferindo-lhe movimento e ação, desprendendo-a do su- porte livro (ver Esculturas-poemas, de 1969), Pestana usou a poesia para confrontar as ideo- logias e os códigos linguísticos do Estado Novo e para desafiar o público a novas formas de leitura. Assim surge Atómico acto — Construir o poema, destruir o objecto (1969), o primeiro poema-objeto de Pestana, influenciado pela poesia-processo do concretismo brasileiro.

Esta obra consiste num balão de borracha,

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símbolo da bomba atómica — uma referência à guerra e à ecologia, temáticas que se tornarão omnipresentes na obra do artista. Do período da PO.EX destaca-se também o poema 4 ver- dades essenciais (1972), integrado na seminal Antologia da Poesia Concreta em Portugal (Lisboa: Assírio & Alvim, abril de 1973).

Ativação da linguagem com o corpo / per- formance e introdução da fotografia A partir da década de 1970, Silvestre Pestana dá corpo ao poema-ação nas suas performan- ces, participando fisicamente na construção e na animação do poema. Determinantes para este processo foram os contactos com elementos do coletivo The Living Theatre (ativistas da contracultura nova-iorquina dos anos 1960 e 1970 que geraram uma sé- rie de ruturas com os cânones do teatro e da performance) e a fase em que fez parte da comunidade de squatters de Londres, uma comunidade com uma atividade cultural par- ticularmente intensa. Pela mesma altura, introduz a fotografia, utilizada como uma pla- taforma de corporalidade e de interação com objetos (Maçã Terra, 1974). “O poeta passava a ser ator. E se o poeta passava a ser ator, ele era ator do seu próprio texto. (…) Então, eu tinha de dar a cara. Chego à fotografia por- que tinha de dar a cara”, afirma. Esta ideia de exterioridade e de construção de significados em comunidade, posta em prática através da performance e da fotografia, encontra, na sé- rie Povo Novo, título colhido nas pichagens da rua, uma clara ligação com o Portugal do pós- 25 de Abril: um país asfixiado num pequeno ovo que finalmente rebenta e se liberta numa revolução (“Povo Novo é a noção de não estar mais isolado e de fazer parte de um coletivo que está em mudança”).

Pautas

Os desenhos da série “Pautas” (1975), inte- grada na Coleção de Serralves, funcionam como uma síntese do plano de ação e da pesquisa artística de Pestana. O artista es- tabelece graficamente relações entre signos

distintos e uma lógica de leitura e programa- ção visual. Nota-se uma aproximação inicial à tecnologia — a ideia de um circuito eletrónico do qual o corpo também faz parte — e ensaios sobre inquietações políticas (“As ‘Pautas’ são os múltiplos caminhos que são dados como modelos, ou arquétipos, de pensamento, de postura social”). A vibração e a alegria cromáticas apontam para outro elemento es- sencial da obra de Pestana, a cor (“No meu trabalho é muito importante o cromatismo.

Não sou um poeta triste.”).

Vídeo

A abordagem de Pestana ao vídeo foi profun- damente vanguardista no Portugal dos anos 1970 e 80, com uma produção desenvolvida sobretudo no contexto da ESBAP. Utilizou- o como um veículo em direto da prática poética e da ação performativa, como tes- temunham os vídeos-poemas-performances Homeostasias (1978—80), onde o artista faz também uma primeira aproximação à questão da biometria (sistema de medição do corpo e de variáveis simultaneamente físicas e comportamentais), e UNI VER SÓ (1985), onde podemos ver a montagem da própria peça. São vídeos crus, não editados, que simultaneamente dessacralizam o pro- cesso artístico e refutam as convenções da videoarte e da imagem cinematográfica.

Biovirtual / Biometria — Utilização de néons, luzes e fotografia

O interesse de Silvestre Pestana pelo desenvol- vimento tecnológico reflete-se na utilização de néons e luzes fluorescentes, que vieram refor- çar a relação entre a performance, os poemas gráficos e a escultura. O artista apropria-se de produtos industriais para questionar inquie- tações políticas e os dilemas da identidade nacional (como na instalação-escultura Luso Padrão para Marte, 1992/2016, apresentada numa edição da Festa do Avante e refeita para esta exposição). Em Tecnolabirinto (1972), Pestana reflete sobre os sistemas normativos e de controlo nas sociedades contemporânea.

As dinâmicas de condicionamento/permissão

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são comunicadas através da sinalética dos semáforos e dos códigos das bandeiras náu- ticas. O artista recupera aqui o jogo entre os signos ‘ovo’, ‘povo’ e ‘novo’, atualizando a ideia de “Povo Novo”, agora a uma escala global e globalizada. Na série “Biovirtual” (1981—87), desenvolvida em grande parte na Cooperativa Árvore, Pestana questiona o facto de o servi- ço militar em Portugal ainda ser obrigatório em 1984 (a pouco tempo da entrada na CEE), jogando com o posicionamento militar do corpo, com a sua medição, volumetria e si- metria, e com o confronto entre liberdade e austeridade. Neste período, Pestana usa a fo- tografia das performances como um recurso para construir dimensões tridimensionais e escultóricas: o corpo que se inscreve no su- porte e sai fora do desenho em Egónometros:

The Loss of a Child, de 1985, ou Nuclear, de 1982, um jogo linguístico/manifesto político com as palavras ‘nuclear’ e ‘unclear’, outra referência à perversidade da guerra e à falta de transparência das intervenções militares levadas a cabo por potências ocidentais.

Novas tecnologias

Nos anos 2000, Silvestre Pestana integra no seu trabalho as novas tecnologias, com as quais mantém uma relação bipolar de fascí- nio/horror, e explora a ambivalência entre as suas potencialidades lúdicas e artísticas e os seus efeitos negativos, incluindo na mono- torização das sociedades. Na performance Drones, apresentada em 2012 no espaço Uma Certa Falta de Coerência, no Porto, o artista recorre a aviões de plástico telecomandados para recriar um cenário de guerra, evocando a política de bombardeamentos aéreos dos EUA desde a Guerra do Vietname, bem como a crescente higienização da guerra, comanda- da à distância como se de um jogo se tratasse.

Sufoco II (2014), instalação-performance reali- zada no âmbito do quadragésimo aniversário do 25 de Abril, desenvolve-se entre o espaço real da galeria e o espaço virtual da platafor- ma Second Life, entre o artista e o seu avatar.

Sobressai aqui uma reflexão sobre a hibridez homem/máquina, e o equilíbrio frágil entre o

homem e a natureza — questões que voltam a estar presentes em Zangões (2016), uma per- formance com drones (que aparecem como insetos) apresentada em estreia absoluta nes- ta exposição, nos dias 4 de junho e 16 de julho.

A outra obra concebida especialmente para a mostra é O trabalhador invisível (2016), na qual vários robôs de limpeza doméstica são acio- nados em dias específicos numa referência à natureza precária do trabalho temporário.

Texto: Mariana Duarte

“Silvestre Pestana: Tecnoforma” é comissariada por João Ribas, Diretor-adjunto e curador sénior do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, assistido pela curadora Paula Fernandes.

Registrar: Inês Venade

Consultoria para o desenho da exposição: Filipa Alfaro Equipa de montagem: João Brites, Hugo Castro, Ricardo Dias, Luís Magalhães, Adelino Pontes, Artur Ruivo, Lázaro Silva

Vídeo: Ana Amorim, Carla Pinto Som: Nuno Aragão, Filipe Fernandes Consultadoria informática: João Carvalho

Serviço Educativo: Denise Pollini (Coordenadora), Diana Cruz, Cristina Lapa

Serviço de Artes Performativas: Cristina Grande (Coordenadora), Pedro Rocha, Ana Conde

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Silvestre Pestana (1949, Funchal, Madeira) is one of the most radical and least known figures in Portuguese contemporary art.

A poet, artist, and performer, Pestana has created a singular body of work in a variety of media since the late 1960s. The first major presentation of his work, this exhibition brings together time, video, photography, sculpture, performance, drawing, installation, and documentation, with two new performances especially conceived for the exhibition Zangões [Drone Bees] and O trabalhador invisível [The Invisible Worker].

‘Silvestre Pestana: Techno-form’ is the result of extensive research and cataloguing of the body of work of an artist who has been a leading figure in the Porto independent artistic circuit. Important restoration, conservation, and documentation work has allowed for a detailed understanding of Pestana’s work and his position as a politically engaged and pioneering artist.

‘Artists are capable of creating important moments of action, imagination and social intervention.’

Distanced from the conventional models of contemporary art, Pestana’s work has remained radically open and experimental.

To avoid fighting in the Portuguese Colonial War, the artist exiled himself in Sweden, living in Stockholm from 1969 to 1974. It was at this time that he came into contact with ecological movements and various tendencies of experimentation with sound, vision and performance art. In the 1970s, he lived as a squatter in London, joining the Camden artistic community. Returning to Portugal after the 1974 Revolution, Pestana developed a unique visual grammar using light, language, and visual forms that conceived of the human body as a social, ideological, and technological circuit. At Cooperativa Árvore, in Porto, and at the Porto School of Fine Arts (Escola Superior de Belas-Artes — ESBAP), he presented works that were as controversial as they were relevant and visionary, among them

the video-poems and performances in the

‘Mater Pater’ series (1976—77), where he suggested that the mother of the Portuguese people was not our Lady of Fátima, but the politically marginalized woman.

Using a variety of artistic tools and valuing direct action, Pestana often constructed his works using his own body as a criticism of industrial society and consumerism, war and its consequences (especially Vietnam and the Portuguese Colonial War, evoked, for example, in the 1979 performance, Necro Ecro Pietà, in memory of those who have died in combat), and of new technology in the virtual media, simultaneously toying (with artistic potential) and weapons (also tools of social control).

PO.EX and the use of language

One of the leading figures of the second generation of Portuguese experimental poets in the 1960s, Pestana was associated with the Portuguese Experimental Poetry (PO.EX) collective, which approached poetry as a visual language of antifascist resistance. It was through António Aragão, one of the main figures in this group, that Pestana began to explore the problematic of language as well as the relationship between linguistic and non-linguistic signs, which would become an essential element of his work. Giving it movement and action, detaching itself from the page (see Esculturas-poemas [Poem-Sculptures], 1969), Pestana used poetry to confront the Estado Novo’s ideologies and linguistic codes and to challenge the public with new forms of reading. Out of this sprang Atómico acto — Construir o poema, destruir o objecto [Atomic Act — Construct the Poem, Destroy the Object] (1969), Pestana’s first object-poem. The piece consists of a rubber balloon, a symbol of the atom bomb

— a reference to war and ecology, themes that would become omnipresent in the artist’s work. One of the highlights of the PO.EX period was the poem, 4 verdades essenciais [4 Essential Truths] (1972),

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included in the seminal Antologia da Poesia Concreta em Portugal (Lisbon: Assírio &

Alvim, April 1973).

Activation of language with the body/

performance and the introduction of photography

From the 1970s onwards, Pestana embodied the action-poem in his performances, physically participating in the construction and animation of the poem. Determinant in this process were his contacts with members of The Living Theatre collective (New York counterculture activists in the 1960s and 70s, who broke a series of theatre and performance canons); as was the period he spent in the community of squatters in London, a community whose cultural activity was particularly intense. At around the same time, Pestana introduced photography as a platform for corporality and interaction with objects (Maçã Terra [Apple Earth], 1974). As he writes, ‘The poet became actor of his own text. (…) He had to be present. I came to photography because I had to be present.’ This approach finds a clear connection to post 25April Portugal in the series 'Povo Novo' [New People] (a title picked up from communist graffiti on the walls): a country asphyxiated in a small egg that finally bursts out and frees itself through a revolution. ‘Povo Novo is the notion of no longer being isolated and being part of a collective that is changing’, Pestana explains.

Pautas

The drawings in the series ‘Pautas’ [Scores]

(1975), part of the Serralves Collection, serve as a synthesis of Pestana’s artistic research. The artist graphically establishes relationships between language, visual signs, and the logic of programming. There is an initial approach to technology — the idea of an electronic circuit that the body is also part of — and essays on political concerns.

‘The “Pautas” are multiple paths given as

models or archetypes, of thought, of social position’, the artist explains. The chromatic vibrancy point to another key element in Pestana’s art: colour. ‘Chromatism is very important in my work’, he explains, ‘I am not a sad poet.’

Video

Pestana’s work in the 1970s and 80s, largely produced in the context of ESBAP, was deeply avant-garde in the Portugal of the time. Pestana used the medium of video as a vehicle for direct poetic practice and performative action, as shown by the video-poem-performances Homeostasias (1978—80), where he also first approached the issue of biometrics (a system to measure the body and physical and behavioural variables), and UNI VER SÓ (1985) [which breaks up the Portuguese word for ‘Universe’ to produce (literally) UNI SEE ONLY], where we can see the work itself being assembled. Like most of his video work, these are raw and unedited, simultaneously demystifying the artistic process and refuting the conventions of video art and the moving image.

Biovirtual / Biometry — The use of neon, lights and photography

Pestana’s interest in technological development is reflected in his use of neon and fluorescent lights, which have gradually reinforced the links between his performance, graphic poems, and sculpture. The artist appropriates industrial materials to question consumerist culture, political concerns and dilemmas of national identity (as in the sculpture-installation Luso Padrão para Marte [Luso Pattern for Mars] (1992/2016), presented at an edition of the Festa do Avante and redone for this exhibition). In Tecnolabirinto [Technolabyrinth] (1972), Pestana reflects on normative systems and forms of technological control, such as the conditioning/permission dynamics communicated through traffic lights. Here,

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he has resumed the game between the signs ovo [egg], povo [people] and novo [new], updating the idea here of Povo Novo on a global and globalized scale. In the ‘Biovirtual’ series (1981—87), largely produced at Cooperativa Árvore, Pestana questioned the fact that national service in Portugal was still compulsory in 1984 (shortly before the country joined the then EEC), playing with the military positioning of the body, with its measuring, volumetric and symmetry, and the confrontation between liberty and austerity. In this period, Pestana used photographs of performances as a resource to construct three-dimensional and sculptural forms: a body that is part of the support and comes out of the drawing in Egómetro: The Loss of a Child (1985) or Nuclear (1982), a linguistic game/political manifesto based on ‘nuclear’ and ‘unclear’, another reference to the perversity of war and the lack of transparency in the military operations carried out by Western powers.

New technology

In the 2000s, Pestana brought new technology into his work, and with it a relationship of both fascination and horror to the third industrial revolution of information. The artist explores the ambivalence between the ludic and artistic potential of this technology and its negative effects, including the increased monitoring of societies. In the performance, Drones, presented in 2012 at Uma Certa Falta de Coerência, in Porto, the artist used plastic, remote-controlled planes to recreate a war setting, evoking the USA’s policy of aerial bombing since the Vietnam War, as well as the growing sanitation of war as conducted at a distance like a videogame. Sufoco II [Suffocation II]

(2014), a performance-installation done as part of the 40th anniversary of the 25 April Revolution, was created between the real space of the gallery and the virtual space of the Second Life platform, between the artist and his avatar. There is an important reflection here on man/machine hybridity,

and the delicate balance between man, nature, and technology that returns to Pestana’s earlier work. These questions return in Zangões [Drone Bees] (2016), a performance with drones premiered as part of the exhibition and O trabalhador invisível [The Invisible Worker] (2016), in which various domestic cleaning robots are activated on specific days, a reference to the precarious nature of contemporary work.

Text: Mariana Duarte

‘Silvestre Pestana: Techno-form’ is curated by João Ribas, Deputy Director and Senior Curator of the Serralves Museum of Contemporary Art, Porto, assisted by Museum curator Paula Fernandes.

Registrar: Inês Venade

Exhibition design consultant: Filipa Alfaro

Installation team: João Brites, Hugo Castro, Ricardo Dias, Luís Magalhães, Adelino Pontes, Artur Ruivo, Lázaro Silva

Video: Ana Amorim, Carla Pinto Sound: Nuno Aragão, Filipe Fernandes IT Consultant: João Carvalho

Education Department: Denise Pollini (Head of Department), Diana Cruz, Cristina Lapa

Performing Arts Department: Cristina Grande (Head of Department), Pedro Rocha, Ana Conde

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Fundação de Serralves Rua D. João de Castro, 210, 4150–417 Porto — Portugal serralves@serralves.pt Geral General line:

(+ 351) 808 200 543 (+ 351) 226 156 500

VISITAS ORIENTADAS ÀS EXPOSIÇÕES GUIDED TOURS TO THE EXHIBITION

Realizar uma visita orientada permite aprofundar o conhecimento e a vivência das exposições a partir de percursos desenvolvidos pelos educadores do Serviço Educativo.

Acesso: mediante aquisição de bilhete de ingresso Museu+Parque.

The guided tour provides a unique framework and context, allowing visitors to become more familiar with contemporary artistic production.

Access: by purchasing admission ticket to the Museum+Park.

www.serralves.pt /fundacaoserralves /serralves_twit /fundacao_serralves /serralves

PTSáb Sat: 17h00–18h00 Dom Sun: 12h00–13h00

ENGSáb Sat: 16h00–17h00

VISITAS PARA ESCOLAS TOURS FOR SCHOOLS (COM MARCAÇÃO WITH BOOKING)

As atividades estão sujeitas a marcação prévia junto do Serviço Educativo, das 10h-13h/14h30-17h (exceto fim de semana).

A marcação deve ser efetuada com pelo menos 15 dias de antecedência.

Marcações online em www.serralves.pt The activities are subject to prior booking with the Educational Service, from 10:00- 13:00/14:30-17:00 (except at the weekend).

Bookings should be made with at least 15 days prior notice.

Prior booking sheets are available online at www.serralves.pt

Cristina Lapa: ser.educativo@serralves.pt Tel. (general): 22 615 65 00

Tel: 22 615 65 46 Fax: 22 615 65 33

LOJA SHOP

Uma referência nas áreas do design, onde pode adquirir também uma recordação da sua visita.

A leading retail outlet for the areas of design, where you can purchase a souvenir to remind you of your visit.

Todos os dias Everyday: 10h00-19h00 loja.online@serralves.pt

www.loja.serralves.pt

LIVRARIA BOOKSHOP

Um espaço por excelência para todos os amantes da leitura.

The perfect place for all book lovers.

Ter Tue-Dom Sun-Fer Holidays: 10h00-19h00 Seg Mon - Encerrado Close

CASA DE CHÁ TEAHOUSE

O local ideal para a sua pausa do ritmo citadino ou para o descanso de uma visita pelo Parque.

The ideal place to take a break from the bustling city or rest during a visit to the Park.

Ter Tue - Sex Fri: 12h00-18h00

Sáb Sat-Dom Sun-Fer Holiday: 10h00-18h30 Seg Mon: Encerrado Closed

RESTAURANTE RESTAURANT

Desfrute de um vasto número de iguarias e deixe-se contagiar pelo ambiente que se faz viver com uma das mais belas vistas para o Parque.

Enjoy a wide range of delicacies and allow yourself to be captivated by the environment associated to one of the most beautiful views over the Park.

Seg Mon- Sex Fri: 12h00-19h00

Sáb Sat-Dom Sun-Fer Holidays: 10h00-19h00 restaurante.serralves@ibersol.pt

BAR

Onde pode fazer uma pausa acompanhada de um almoço rápido ou um lanche, logo após à visita às exposições.

In the Bar of Serralves Auditorium you can take a break, with a quick lunch or snack, after visiting the exhibitions.

Todos os dias Everyday: 10h00-19h00

Apoio institucional Institucional support

Mecenas Exclusivo do Museu Exclusive Sponsor of the Museum

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Referências

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