TRABALHO DE CAMPO INTEGRADO: NÚCLEO PICINGUABA, PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR, UBATUBA - SP

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Revista Discente Expressões Geográficas, nº 07, ano VII, p. 232 - 252. Florianópolis, junho de 2011.

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TRABALHO DE CAMPO INTEGRADO: NÚCLEO PICINGUABA, PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR, UBATUBA - SP

Amanda Rebello Anastácio1

Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas amandageo2007@hotmail.com

Márcio Tadeu da Silva2

Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas marciotadeudasilva@hotmail.com

Data da saída de campo: 15, 16 e 17 de outubro de 2010

INTRODUÇÃO

Este trabalho de campo integrado refere-se às disciplinas Geografia Agrária, Geoprocessamento A e Hidrografia e Oceanografia, do terceiro ano do curso de Geografia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)3. O trabalho ocorreu entre os dias 15 e 17 de outubro de 2010.

Sua importância residiu na realização de um trabalho interdisciplinar dentro da própria Geografia, que visou integrar disciplinas de conhecimentos distintos, que é uma característica desta ciência. Dessa maneira buscou-se integrar tais conhecimentos em um movimento que vai contra a dicotomia existente entre as chamadas Geografia Física e Geografia Humana.

Esta busca pela integração dos saberes é um desafio, mesmo na atualidade, tendo em vista que este é um embate histórico dentro da ciência geográfica, e a busca por esta Geografia múltipla e una é um dos maiores desafios a serem vencidos.

Este relatório foi dividido em três partes: primeiro dia, segundo dia e terceiro dia. O primeiro dia em campo percorreu a área dos mangues, o segundo caracterizou-se por visitar a comunidade quilombola do bairro de Camburi, e o terceiro dia tinha como

1 Graduanda em Geografia - PUC-Campinas

2 Graduando em Geografia - PUC-Campinas

3 O trabalho de campo teve o acompanhamento dos professores: Ms. Ednelson Mariano Dota (Geografia Agrária), Dr. Abimael Cereda Junior (Geoprocessamento A) e Ms. Francisco de Assis Gonçalves Junior (Hidrografia e Oceanografia).

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programa a visita à Ilha das Couves, mas devido aos fortes ventos – portanto, por motivo de segurança –, a embarcação se dirigiu para outro local: a Ilha do Prumirim.

Pretende-se discutir os conhecimentos das disciplinas citadas de maneira integrada, conforme o pressuposto. Porém, os diferentes focos dos dias em campo evidenciam mais os conhecimentos de uma disciplina específica, o que não significa necessariamente uma divisão estanque dos conhecimentos.

ÁREA DE ESTUDO

O Núcleo Picinguaba (Figura 1) do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) foi a área de estudo deste trabalho de campo. Picinguaba fica no litoral norte do estado de São Paulo, em Ubatuba, e possui uma área de 47.500 hectares.

Figura 1. Localização da área de estudo.

Fonte: Elaboração de Márcio Tadeu da Silva.

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O PESM, que foi criado em 19774, localiza-se em uma faixa contínua que segue do litoral sul ao litoral norte do estado de São Paulo. O limite do Núcleo Picinguaba a leste está imbricado com o do Parque Nacional da Serra da Bocaina, no estado do Rio de Janeiro.

O PESM encontra-se em uma área de domínio de Mata Atlântica, que é considerada uma das cinco áreas mais ameaçadas do mundo5. Esse ecossistema é responsável por abrigar uma grande quantidade de riquezas naturais e uma imensa diversidade em sua fauna e flora. Esta região do parque é a única onde também são protegidos ecossistemas costeiros, como praias, mangues, costões rochosos e mata de restinga6.

Picinguaba abriga comunidades tradicionais de caiçaras e quilombolas. Nesta região se teve a oportunidade de observar a vivência da população em uma relação integrada entre a mata e o mar, pois ambos estão incluídos na reserva.

Figura 2. Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, vista da Praia da Fazenda.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 15/10/2010.

4 O Parque Estadual da Serra do Mar foi criado através do Decreto N° 10.251 (30/08/1977) do Governo do estado de São Paulo. De acordo com o Decreto, “[...] o Parque Estadual da Serra do Mar foi criado com a finalidade de assegurar integral proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos e caracteriza-se por ser uma Unidade de Conservação de proteção integral”. (apud GOVERNO do estado de São Paulo, 2006, p. 15).

5 Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba. Disponível em:<http://www.ubatuba.com.br/pesm/>.

6 Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba. Disponível em:<http://www.ubatuba.com.br/pesm/>.

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METODOLOGIA

O trabalho de campo caracterizou-se pelo prévio estudo realizado nas disciplinas de Geografia Agrária, Geoprocessamento A e Hidrografia e Oceanografia. Os principais objetivos foram os de verificar empiricamente o funcionamento do manguezal, os rios existentes e as relações com o mar; associar a utilização de conceitos de Geoprocessamento e de análise espacial, relacionando-os à questão dos limites da técnica; e, a partir da visita à comunidade quilombola de Camburi, verificar a questão da delimitação do território como remanescente de quilombo, assim como investigar os problemas e as possíveis contradições existentes na comunidade na atualidade.

PRIMEIRO DIA

O estudo teve início no Centro de Visitantes do Núcleo Picinguaba, onde ocorreu uma palestra com monitores credenciados. Dentre as diversas informações obtidas sobre o PESM, é importante destacar que o parque é dividido em diversos núcleos, com sedes administrativas próprias. O PESM abrange 23 municípios, sendo que o Núcleo Picinguaba abrange 47.500 do total de 315 mil hectares do parque, e 80% do município de Ubatuba está delimitado pela reserva.

A Serra do Mar é caracterizada por possuir vegetação ombrófila densa, que é caracterizada por ambientes com chuvas intensas (ombrófilos), relacionados a fatores climáticos tropicais de elevadas temperaturas (médias anuais de 25ºC) e de alta precipitação bem distribuída no ano (de 0 a 60 dias secos), ou seja, praticamente sem período seco. Nesta região dominam os latossolos provenientes de granitos e gnaisses, assim como granitos de diversos períodos geológicos, caracterizados por baixa fertilidade natural (IBGE, 1992).

É importante citar que este ambiente de intensa chuva conta, em grande parte, com as chuvas orográficas, que são chuvas de longa duração e de pequena intensidade. Elas ocorrem quando uma massa de ar úmido desloca-se e encontra uma barreira topográfica – como a Serra do Mar –, tendo que se elevar, o que faz com que ocorra a queda de temperatura e a condensação do vapor d’água, formando nuvens, seguidas pela precipitação.

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A comunidade de Camburi possui atualmente 49 famílias, totalizando 308 pessoas.

Por viverem em uma Unidade de Conservação (UC)7, possuem diversos problemas para se manterem devido às restrições existentes quanto a uso do solo, conservação da vegetação, caça e pesca. Atualmente existe uma tentativa de desafetação de parte da área da UC, de reclassificação da área que é ocupada pela comunidade, para que se torne uma Unidade de Uso Sustentável, o que modificaria muito a vida dos habitantes, pois poderiam passar a utilizar os recursos da região de maneira adequada, o que não é possível no momento, tendo em vista a rigidez das regras estabelecidas para a UC. É importante lembrar que a comunidade que vive na região tem origem centenária, o que é uma contradição que se estabelece, tendo em vista o período de criação da UC (1979).

Após o encontro no Centro de Visitantes, o estudo dirigiu-se à região dos mangues, com o grupo dividido em dois barcos.

O manguezal é caracterizado pela transição entre os ambientes marinho e terrestre, típico de regiões tropicais e subtropicais (SCHAEFFER-NOVELLI, 1995, apud COPQUE et al., 2010). Os mangues são formados pelo encontro do estuário de rios com os mares;

portanto, quando o relevo é quase plano, como no caso de Picinguaba, se favorece a entrada das marés, justificando a característica salobra da água.

Nos mangues ocorre uma deposição de sedimentos de origem orgânica e mineral que forma sua lama característica, com baixo teor de oxigênio. Os sedimentos orgânicos são originários da decomposição de organismos desta região, e os sedimentos minerais são formados pela degradação das rochas pelo intemperismo e, posteriormente, pela sua erosão.

7 Com a ampliação do PESM em 1979, foi incorporada a “Fazenda Picinguaba”, incluindo as restingas, mangues e praias do município de Ubatuba (SP), na área de conservação integral. A Unidade de Conservação criada pelo Governo do estado de São Paulo proíbe o extrativismo e a pesca (GOVERNO do estado de São Paulo, 2006, p. 16-18).

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www.geograficas.cfh.ufsc.br Figura 3. Mangue Branco.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 15/10/2010.

A vegetação é adaptada a este ambiente caracterizado pela salinidade, porém não é muito variada, sendo verificada a ocorrência majoritária das espécies Rhizophora mangle (mangue vermelho), Laguncularia racemosa (mangue branco - Figura 3), e Avicennia sp (mangue preto) (COSTA et al., 2004). Estas árvores que se fixam no solo dos mangues possuem pneumatóforos, que são como raízes projetadas para fora da água, para poderem absorver o oxigênio (Figura 4).

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Figura 4. Pneumatóforos: “raízes aéreas”, característica da vegetação dos mangues.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 15/10/2010.

Os mangues são considerados um verdadeiro berçário para as espécies que conseguem se adaptar às suas condições, e possuem uma grande variedade de microorganismos, microalgas, moluscos e crustáceos. Por possuírem uma grande quantidade de matéria orgânica e abrigos (raízes e plantas), estas espécies encontram um ótimo local para a sua reprodução (RAMOS, 2002, apud COPQUE et al., 2010). Em uma parada no manguezal pôde-se verificar a diversidade deste ambiente em detalhes.

Contudo, quando se trata de uma representação computacional, deve-se saber da impossibilidade de se assimilar certos detalhes, devido aos limites da técnica. Em um mapeamento, por maior que seja a escala, buscando uma abrangência de detalhes, é praticamente impossível assimilar todos os componentes existentes em um ambiente, e ao se efetuar uma análise espacial apoiada em sistemas computacionais, deve-se ter em mente os limites da representação (CEREJA JUNIOR, 2010).

No caso dos mangues, na parada em questão, se pôde verificar uma grande quantidade de microespécies, como pequenos caranguejos (Figura 5). São espécies que formam enormes populações (caranguejos, ostras e outras) nos fundos lodosos do mangue, sob os troncos submersos, e sabe-se que neste ecossistema também existe uma grande quantidade de algas e microorganismos subtropicais (SCHAEFFER- NOVELLI, 1995, apud. COPQUE et al., 2010) que não podem ser apreendidos pela

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representação computacional. O trabalho de campo é insubstituível para uma melhor apreensão das complexas relações existentes nos ambientes. A análise espacial não prescinde do trabalho de campo, como pôde ser comprovado neste momento do estudo.

Figura 5. Pequeno caranguejo dos mangues de Picinguaba.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 15/10/2010.

Ao continuar o trajeto de barco pelo manguezal, certas características do rio foram verificadas. A morfometria do canal apresentou, em certos pontos, curvas sinuosas, razoavelmente semelhantes, que são características de rio meandrantes, além do fato de a região ser úmida e totalmente coberta por mata ciliar, ambiente propício para este tipo de rio (GONÇALVES JUNIOR, 2010).

O rio possui baixo gradiente hidráulico, sendo uma região praticamente plana, onde se pôde observar os fluxos contínuos com razoável quantidade de carga sedimentar em suspensão. Em certos pontos do rio foi possível verificar o que caracteriza ser a formação de um meandro, pois em sua margem externa os alunos puderam observar pontos de erosão (locais onde a água atinge maior velocidade), e logo em seguida, na margem interna, a deposição destes sedimentos (local onde a água flui em menor velocidade).

Isso acontece pelo fato de que o aspecto dinâmico dos rios meandrantes se relaciona à forma como o rio minimiza a resistência para fluir e, justamente por este motivo, com a evolução do meandro; a tendência é de que certos meandros percam a ligação com o rio

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principal, ficando abandonados (GONÇALVES JUNIOR, 2010). Não foi possível verificar a presença de meandros abandonados na região, mas provavelmente uma exploração no interior dos mangues poderia evidenciar essa característica desse tipo de rio.

SEGUNDO DIA

No segundo dia o grupo foi conhecer a Comunidade Quilombola de Camburi. Esta comunidade foi reconhecida como remanescente de quilombo a partir das implicações surgidas pela área ter sido inserida em uma Unidade de Conservação em 1979. Ela surgiu de reivindicações dos moradores pelo fato de a população se sentir expropriada materialmente e simbolicamente, pois com a implantação do parque eles não mais puderam realizar o extrativismo, a caça, a pesca e outras atividades que antes eram permitidas, sendo que esta mudança trouxe profundas transformações em seu modo de vida (REZENDE DA SILVA, 2005).

Diante destes fatores, algumas considerações podem ser tecidas. No início do trajeto constatou-se a presença de uma Organização Não Governamental (ONG) belga, conforme o relato do monitor da visita, com o discurso de que se pretende levar o

“progresso” e melhores condições para a população. Porém eles já estão se territorializando, inserindo espécies que não são da região para serem utilizadas como matéria prima na construção de uma casa de artesanato que deverá servir de trabalho para a população. É estranho o fato de uma ONG introduzir matérias primas que não são do mesmo ecossistema (bambu colombiano), o que pode gerar problemas ambientais e, principalmente, são escusos os reais motivos da instalação desta ONG estrangeira na região, que se diz preocupada com a questão social. Devem-se questionar as intenções desta, já que o parque possui muitas espécies e uma aparente boa preservação. Uma hipótese a ser considerada é a de que existam interesses nessas espécies e na explotação do local.

Apesar da grande politização que se teve a oportunidade de notar entre alguns dos moradores da comunidade, conforme observado em conversas com os monitores, a preocupação partiu da ideia de que, por estarem de certa maneira “abandonados” pelo poder público, os mesmos viram a possibilidade de melhorias com a instalação desta ONG, pois a mesma deverá trazer inovações tecnológicas que podem legitimar os direitos que tanto almejam, como melhorias em suas casas e a inserção de novas tecnologias, como a rede de computadores integrada à internet, o que pode fazer com que eles

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tenham mais contato com o mundo, desde que esta ferramenta seja utilizada de maneira adequada. Este fato demonstra o descaso do poder público para com as comunidades históricas, como a de Camburi, tendo em vista que parte da população não acredita em melhorias de suas condições por ações do governo, preferindo integrar-se a ONGs.

Outro conflito existente que se teve a possibilidade de verificar é referente às áreas que possuem placas dizendo ser propriedade particular da Agro Coml. Ypê (Figura 6).

Estas áreas se encontram dentro das terras delimitadas como área quilombola. Conforme relato do monitor, pôde-se concluir que estas terras foram adquiridas por grilagem, uma vez que o suposto proprietário, Francisco Munhoz Filho, diz ser dono de parte das áreas demarcadas como remanescente do quilombo. Quando relatou a história da comunidade, o representante que acompanhou o grupo afirmou que a população foi enganada, que os responsáveis pela Agro Coml. Ypê levaram “presentes” para eles, e que garantiram direitos para a população que ali vivia e, em troca, eles assinaram documentos, sem saber que estavam sendo persuadidos.

Figura 6. Placa da Agro Coml. Ypê dentro da área remanescente de quilombo de Camburi.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 16/10/2010.

No trajeto foi possível observar o conhecimento que os monitores possuem sobre o ambiente em que vivem. Diversas plantas e raízes são usadas por eles como forma de medicação, e até mesmo de alimentação. O conhecimento da mata nativa expressa o

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funcionamento deste ambiente e a utilização de seus recursos de maneira sustentável e, principalmente, a constatação de que estes povos conseguiram desenvolver práticas sociais e conhecimentos específicos em relação ao funcionamento do ecossistema. Pelo citado, entre outros motivos, os mesmos brigam pelo reconhecimento de seu simbolismo, sua identidade e sua territorialidade, para que sejam assegurados seus direitos constitucionalmente.

Teve-se a oportunidade de constatar que ninguém melhor para cultivar e proteger esta mata do que a população que reside ali há séculos. Com o tempo eles aprenderam a melhor maneira de utilizar e proteger seu ambiente, já que os mesmos possuem a mata e a enxergam como habitat, morada, mantendo um elo único com a floresta, o que aparenta ser uma relação sustentável entre o homem e a natureza.

A casa da farinha foi um momento importante da visita à comunidade quilombola.

Primeiramente o senhor responsável mostrou o processo de como é feita a farinha de mandioca artesanal. Algo importante é que com todas as inovações tecnológicas, ainda permanecem antigas técnicas que, de acordo com a apresentação, foram usadas por várias gerações (Figura 7).

Figura 7. Casa da farinha.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 16/10/2010.

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Verificou-se na fala do responsável que a visão da forma de se plantar na região mudou. Antes a agricultura era caracterizada por rodízio, ou seja, eles plantavam em uma determinada área mandioca, milho, feijão e outros produtos; no período da seca, queimavam a área, e plantavam em cima daquelas cinzas, dizendo que a plantação se realizaria por todo o ano. Hoje este modelo não é mais considerado sustentável, pois após algum tempo o solo perde sua “força”, algo que as últimas gerações da comunidade perceberam. O senhor responsável pela casa da farinha é, inclusive, o coordenador de agricultura orgânica da comunidade, trabalhando junto ao Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (IPEMA), onde faz palestras, obtém conhecimentos e divulga para a comunidade a importância de se mudar o modelo de agricultura, visando preservar e “fortalecer” a terra.

Foi importante verificar que a comunidade, ou ao menos parte dela, possui um papel político, adquirindo e transmitindo conhecimentos de técnicas de manejo e preservação para melhorias em prol da própria comunidade. E apesar de haver resistência entre muitos moradores, o que é normal, tendo em vista que o modelo de rodízio está estabelecido culturalmente há muito tempo, é visível a busca pela conscientização em parte da população local.

Grande parte dos problemas apareceu quando os moradores buscaram colocar em prática seus conhecimentos sobre a agricultura orgânica, a partir de mutirões e ensinamentos na comunidade, onde o poder público, que havia prometido maquinários de auxílio, como tratores, para ajudar no carregamento do calcário que foi enviado para a realização da agricultura orgânica, não cumpriu sua parte, conforme foi relatado. Foram enviados muitos sacos de calcário, porém a população teve que carregá-los sem nenhuma ajuda, em um longo trajeto, o que foi muito difícil tendo em vista as condições naturais da área em que moram.

Também foram relatados outros problemas, como o exemplo de animais que destruíram as plantações, como as capivaras, entre outros. Este assunto já foi levado para as autoridades da região, pois, conforme as palavras dos moradores, para eles que moram na roça e se alimentam dela, é essencial que alguma medida referente a este problema seja tomada, tendo em vista que a caça é proibida, pois caso contrário, não há sentido em morarem na roça e consumirem produtos da cidade.

Este problema – de não poderem fazer o uso da caça –, é uma contradição. Esta comunidade vive ali há muitos anos, e a região se tornou uma UC em 1979. Isto fez com que os moradores sofressem as consequências das proibições, sendo impedidos de

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continuar suas atividades tradicionais. Um fato a ser considerado é que se a área foi preservada até o momento, portanto pode-se afirmar que a população local soube preservá-la.

O fato de pessoas da comunidade estarem inseridas politicamente é de grande relevância. Mostra o interesse em serem ouvidas, de conhecerem novas formas de agricultura que não degradem o solo e, principalmente, de tentarem transmitir esses novos conhecimentos para outras comunidades quilombolas. Isto demonstrou uma organização de comunidade que, muitas vezes, não se vê no meio urbano.

No final da visita, o presidente da Associação do Quilombo de Camburi (Figura 8) forneceu informações sobre problemas que vêm ocorrendo no local. Primeiramente afirmou que a construção da rodovia trouxe tanto melhorias quanto problemas. Melhorias pelo fato de ter facilitado a integração da população com outras áreas, já que antes a comunidade estava isolada na mata. Os problemas decorreram do fato de ter se instalado a especulação imobiliária na área, de doenças que foram trazidas, e do impacto social e cultural que afetou a comunidade.

Figura 8. Presidente da Associação do Quilombo de Camburi.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 16/10/2010.

Quanto à questão da agricultura, a visão do presidente da associação difere da de agricultura orgânica, que já foi relatada na fala do responsável pela casa da farinha. Para

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o presidente da associação o rodízio ainda é a melhor maneira de agricultura, o que demonstra divergências dentro da comunidade, pois os dois são importantes representantes desta. Entretanto, sabe-se que este não é o maior dos problemas, já que toda comunidade apresentou divergências e opiniões contrárias em diversos assuntos, ainda que isto não os impeça de se unirem em prol de uma causa comum.

O mesmo relatou o motivo de algumas pessoas não aceitarem serem reconhecidas como uma comunidade quilombola. Como a maioria da população segue o protestantismo, a palavra quilombo, para eles, sugere uma cultura que cultiva e aprecia a bruxaria, a magia negra, algo que esta religião condena. Assim como o fato de a palavra quilombola trazer ideologias que marcaram a exclusão social dos negros, como já observado por Rezende da Silva (2005). Isto tem sido um dos maiores problemas, pois atrapalha que os mesmo possam se organizar politicamente em torno de uma causa comum, ainda que conforme dito, não os impeça totalmente de tal. O que pôde ser verificado é que a religião tem um grande impacto ideológico para grande parte dos moradores da comunidade, prejudicando sua organização.

Um aspecto relevante foi que, de acordo com o presidente, logo depois que o parque foi consolidado já ocorreram problemas. No momento em que a área passou por levantamentos aerofotogramétricos, e foram coletadas imagens de satélite, as casas da população não foram observadas. Como por ele citado, as árvores impediram a visualização das casas, o que demonstrou a limitação da técnica empregada, pois se considerassem apenas as imagens registradas, não saberiam da existência de uma comunidade que vive naquele ambiente há muito tempo. Este foi um grande problema, pois as autoridades afirmaram que as casas foram construídas depois de a área ter se tornado uma UC. Isto demonstra, como já foi dito, a limitação da técnica e de tecnologias que não podem ser consideradas como único parâmetro de análise. Nestes casos, o levantamento de campo torna-se insubstituível, pois conforme as imagens obtidas, uma comunidade centenária inteira foi ignorada, tendo em vista o determinismo tecnológico.

Outro ponto a ser destacado é referente ao poder público. Mesmo lutando, até o momento eles receberam poucas verbas públicas, que são garantidas por lei, pelo fato do território ser considerado remanescente de área de quilombo e, apesar de terem conseguido resultados em algumas reivindicações, como a chegada da energia elétrica, que possibilitou a criação de uma escola de computação para os jovens, eles ainda necessitam de auxilio governamental. Pôde-se notar que qualquer conquista obtida pela

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comunidade foi adquirida através de lutas, devido à reivindicação da população por seus direitos.

Um ponto positivo deve ser considerado: a solidariedade da população local.

Conforme os relatos, mesmo com as divergências religiosas, nas vezes em que a comunidade precisou lutar por algo, eles se uniram, independente das divergências existentes. Isto também se deve ao fato de que, após a área se tornar oficialmente reconhecida como remanescente de quilombo, começaram a chegar alguns poucos recursos do governo, o que atraiu parte da população que não aceitava ser reconhecida como comunidade quilombola.

A questão dos jovens, levantada pelo presidente da associação, é um ponto importante, que traz as perspectivas e limitações do futuro desta comunidade quilombola, pois com a possibilidade de os jovens terem maior mobilidade, eles já não querem continuar trabalhando e vivendo a vida tradicional da população local, como seus pais e antepassados. A difusão cultural pode trazer grandes transformações para estes jovens.

Como diz Andrade,

[...] os meios de comunicação levam ao camponês, ao homem do campo, os problemas urbanos, pondo em choque valores tradicionais que estavam cristalizados, há séculos, na mentalidade popular. Os programas televisivos, por exemplo, trazem maior liberação dos costumes, das relações familiares, uma revolução nas formas de vestir, de alimentar-se e acentuam os diversos tipos de violência; modificam também a maneira de falar, uniformizando o linguajar e fazendo desaparecer expressões do português arcaico [...]. (ANDRADE, 1995, p. 74)

E este é um problema que pôde ser verificado, já que o presidente da associação confirmou que os jovens, de acordo com suas palavras: “não querem saber de nada, a não ser curtir as baladas”. Este é um ponto negativo que expressou possíveis consequências da aproximação entre o rural e o urbano, considerando que estes jovens recebem cada vez mais influências que modificam seus próprios valores, entrando em choque com os valores da comunidade.

Com este quadro é possível levantar algumas perspectivas para a comunidade de Camburi. Futuramente esta pode se tornar uma área de ecoturismo, ao invés de uma área de vida tradicional, como a que ocorre há séculos. Considerando as perspectivas das novas gerações, seu contato cada vez maior com outras culturas e as limitações que a comunidade possui, não conseguir manter sua tradição é umas das hipóteses que pode ser levantada, frisando que não se pode realmente prever se isto irá se concretizar.

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TERCEIRO DIA

No último dia do estudo, o destino foi a Ilha das Couves, mas que devido ao forte vento, e por motivo de segurança, a embarcação teve que se dirigir para outro local, sendo escolhida a Ilha do Prumirim.

Em um primeiro momento pôde-se observar a biodiversidade costeira presente nesta ilha. Parte dela, que se pôde verificar no momento da chegada, é composta por um costão rochoso, que é caracterizado por ser um ambiente heterogêneo, próprio para o desenvolvimento de certos tipos de animais, além de ser base para o crescimento de certos tipos de plantas bastante resistentes às ondas e aos ventos. O costão rochoso é modelado por intemperismos de origem física, como a erosão pelos ventos e chuvas, batimento de ondas, e variação de temperatura que expande e contrai os minerais; de origem biológica, causada por organismos como moluscos, esponjas e ouriços; e de origem química, devido à reação química que ocorre com a água do mar (CARVALHAL;

BERCHEZ, 2009).

Também se pôde verificar a vegetação de restinga (Figura 9) por toda a ilha, que é caracterizada por comunidades vegetais adaptadas a condições salinas e arenosas. Esse tipo de ecossistema é composto por uma vegetação mista, e é encontrado ao longo de todo o litoral brasileiro, podendo chegar a constituir um ambiente florestal, denominado de mata de restinga (IBGE, 2004).

Figura 9. Vegetação de Restinga.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 17/10/2010.

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Nesta ilha se pôde observar, novamente, terras provavelmente originadas do processo de grilagem, tendo sido encontrada uma placa (Figura 10) afirmando que a ilha é propriedade particular de Francisco Munhoz Filho, da Agro Coml. Ypê. Pelos relatos verificados durantes os dias de estudo, e pela comprovação através das diversas placas encontradas nos trajetos percorridos, pode-se afirmar que diversas propriedades da região de Picinguaba são fruto de grilagem ou ocupação ilegal, o que parece ser um grande problema nesta região de ocupação tradicional.

Figura 10. Placa ref. a propriedade de Francisco Munhoz Filho, Agro Coml. Ypê na Ilha do Prumirim.

Fonte: Foto de Márcio Tadeu da Silva, 17/10/2010.

Uma das discussões ocorridas em campo foi referente às marés. A maré é um fenômeno resultante da atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, e também da atração gravitacional exercida pelo Sol, em menor escala.

A atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra relaciona-se à distância em que o satélite natural se encontra; portanto, quanto mais distante, menor é a atração.

Tendo como referência o centro da terra, um lado estará sendo “puxado” na direção da Lua, ocasionando a maré alta, e o lado oposto, também terá maré alta, mas não tão alta quanto ao lado que sofre atração da Lua. Esta maré do lado oposto não é causada pela

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rotação da terra, mas pelo fato de a água fluir facilmente, fazendo com que ela se

“empilhe” nos dois lados da terra, ficando com um bojo de água na direção da Lua e outro na direção contrária. No mesmo instante em que a maré alta estiver ocorrendo, em uma diferença de aproximadamente 6h, estará ocorrendo a maré baixa, seja a leste ou a oeste (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2008).

Existem também outros fatores que fazem com que varie a intensidade deste fenômeno. No período de Lua Cheia e Lua Nova ocorre a Maré de Sizígia, que é caracterizada por ser ainda mais alta, por sofrer também a influência gravitacional do Sol, pelo fato do astro estar alinhado com a Terra e a Lua. Já no período de Lua Quarto Crescente e de Lua Quarto Minguante, ocorre a Maré de Quadratura, caracterizada por não ser tão alta quanto a Maré de Sizígia, pois o Sol e a Lua ficam em uma posição de aproximadamente 90º em relação à Terra, o que faz com que não seja tão forte a atração gravitacional, ainda que a Lua seja a maior responsável pela força exercida nas marés (GONÇALVES JUNIOR, 2010).

Outros fatores também influenciam as marés de um local para o outro, como resultado da distribuição das massas continentais, mas o processo descrito anteriormente é considerado o principal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho de campo integrado mostrou-se ser de grande importância devido a diversos aspectos que devem ser considerados: desde a verificação empírica das situações, fatos e fenômenos previamente estudados em sala, como o avanço desses estudos, tendo em vista que estar em campo demonstrou ser a melhor maneira de se investigar em profundidade o que foi previamente estudado.

Conhecer o manguezal foi uma possibilidade de entender melhor o seu funcionamento, verificar uma visão de microescala desse ambiente, e poder comprovar os limites da representação computacional, o que faz com que seja considerado o trabalho de campo como fundamental para se apreender adequadamente as relações existentes em uma área de estudo.

A questão da comunidade quilombola de Camburi, inserida em uma UC, a agricultura orgânica realizada, assim como o papel político desempenhado por membros da comunidade, expuseram as contradições e divergências de opiniões existentes entre os moradores, as relações complexas com o governo, a questão religiosa e as

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perspectivas dos jovens da região, que puderam ser verificadas in loco, gerando novos questionamentos e hipóteses a serem investigadas.

A visita à Ilha do Prumirim pôde evidenciar a questão da grilagem na região, pois assim como na comunidade quilombola, possuía placa referente à posse da Agro Coml.

Ypê que, conforme os depoimentos obtidos, há tempos se apropriou indevidamente de terras em Picinguaba.

É importante também considerar que nem sempre os dados empíricos podem evidenciar uma situação. Uma investigação científica deve considerar a possibilidade de utilizar outros métodos quando se trata da apreensão de relações sociais, como no caso dos moradores da área remanescente de quilombo.

Teoricamente estes possuem uma razoável extensão territorial, com uma grande quantidade de recursos à disposição, mas, pelo fato de estarem inseridos em uma UC, não podem usufruir de maneira sustentável destes recursos. As autoridades públicas que ajudam a comunidade de Camburi, de fato, em certos aspectos acabam por atrapalhar a possibilidade de um desenvolvimento sustentável da população local.

Estes fatos suscitam novos questionamentos e evidenciam outras possibilidades, como a de questionar se realmente existe interesse por parte do governo em possibilitar o desenvolvimento destas populações tradicionais, assim como a possível relação do governo com os responsáveis pelas terras fruto de grilagem. Ao mesmo tempo em que existe uma luta dos moradores para se manterem na comunidade e preservarem seu modo de vida tradicional, os jovens da comunidade parecem não apresentar interesse neste modo de vida e nas lutas dos moradores.

A aproximação do real, proporcionada pelo trabalho de campo, não pode ser substituída pela teoria. A teoria deve preceder, mas não substitui a prática, pois nesta existe a possibilidade de se constatar no local a condição real das áreas estudadas, de verificar as relações existentes em uma microesfera, e de conhecer os atores sociais envolvidos na complexa relação homem-natureza, suas idéias, solidariedades e contradições.

REFERÊNCIAS

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