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Ci. Inf. vol.35 número1

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Academic year: 2018

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RECENSÃO

Murilo Bastos da Cunha

Universidade de Brasília. Departamento de Ciência da Informação e Documentação.

Resenha:

Online Computer Library Center. Perceptions of libraries and information resource. Dublin, Ohio: OCLC, 2005.

290 p. ISBN: ISBN: 1-55653-364-0

O Online Computer Library Center (OCLC) divulgou, no final de novembro de 2005, uma excelente pesquisa intitulada Perceptions of libraries and information resources,

na qual são analisados os hábitos e preferências na busca de informação. Essa divulgação pública deu continuidade à ação, iniciada em 2003, com a publicação do OCLC Environmental Scan: Pattern Recognition (URL: http://

www.oclc.org/membership/escan/), no qual são identificados os problemas e tendências que estavam causando e/ou iriam causar impactos nas bibliotecas – um verdadeiro guia para os gestores de bibliotecas, preocupados com a elaboração do planejamento estratégico para as suas instituições e comunidades, em uma época de tantas mudanças.

O estudo recente, que contou com a participação de centenas de bibliotecários especialistas em marketing e

de outros tipos de profissionais, coletou, em junho de 2005, dados de cerca de 3.300 respondentes da Austrália, Canadá, Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos. Tal estudo

procurou levantar um amplo conjunto de consumidores de informação. O objetivo era coletar dados de grupos de diversas faixas etárias e regiões geográficas. Também procurou-se entender melhor sobre os estudantes universitários como consumi-dores de informação, dentro e fora dos Estados Unidos. Devido às limitações orçamentárias e geográficas, o levantamento foi administrado eletronicamente e em inglês. Todos os respondentes, portanto, utilizam a Internet e tinham, de alguma forma, familiaridade com a utilização de recursos da Web (p. viii).

A pesquisa de 2003 resultou na identificação e análise das grandes tendências da área de informação como um todo. Entretanto,

não existiam estudos empíricos recentes que mostrassem, de forma abrangente, os papéis desempenhados pelas bibliotecas e pelos bibliotecários na infoesfera, do ponto de vista dos consumidores de informação. Como as bibliotecas são percebidas hoje pelos consumidores de informação? As bibliotecas ainda são importantes? Em que nível? O uso das bibliotecas irá crescer ou decrescer no futuro? (p. vii).

O levantamento objetivou conhecer o uso da biblioteca; o conhecimento e uso dos recursos eletrônicos da biblioteca; os mecanismos de busca da Internet, a biblioteca e o bibliotecário; a informação gratuita versus

informação paga; a marca “biblioteca”.

O documento é dividido em cinco partes. Na primeira parte (Bibliotecas e fontes de informação), são abordados o

uso da biblioteca, a familiaridade e a utilização das múltiplas fontes de informação, como os respondentes ficam cientes sobre as novas fontes de informação e suas impressões sobre as fontes de informação. Na segunda parte (Usando a biblioteca: pessoalmente e em linha), são

analisadas as atividades na biblioteca, o conhecimento e a utilização dos recursos eletrônicos da biblioteca, o pedido de auxílio para usar os recursos informacionais, a familiaridade com o sítio web da biblioteca, os mecanismos de busca e como se manter atualizado com os recursos da biblioteca. A terceira parte (A marca biblioteca) aborda o valor dos recursos de informação

eletrônica, o julgamento da confiabilidade da informação, a confiança nos recursos bibliotecários e nos mecanismos de busca, a informação livre versus informação paga, a

validação da informação, os aspectos positivos e negativos associados à biblioteca, os livros: a marca biblioteca; a marca potencial: bibliotecas; os livros e informação. A penúltima parte (Recomendações dos respondentes para as bibliotecas) trata do papel da biblioteca

na comunidade, a cotação dos serviços bibliotecários e as sugestões para as bibliotecas. A obra termina com a quinta parte (Bibliotecas: uma marca universal?), na qual

se indaga, de forma provocativa, se o conceito biblioteca pode ser considerado como algo inerente a todos os países.

Mesmo considerando que os dados foram coletados junto a pessoas que possuíam acesso à Internet e residiam em países de língua inglesa, muitas de suas conclusões poderão ser aplicadas a outros contextos sociais, culturais e lingüísticos. Os resultados indicam que os usuários basicamente vêem as bibliotecas como lugares para pedir livros por empréstimo. Além disso, eles não estão a par do rico conteúdo eletrônico a que podem ter acesso por

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meio das bibliotecas. Apesar de os consumidores de informação, de uma maneira geral, fazerem uso limitado desses recursos, eles continuam a acreditar nas bibliotecas como fontes confiáveis de informação. Pelos depoimentos de parcela dos usuários, parece que a “marca” biblioteca está datada. Um respondente de 33 anos de idade residente no Reino Unido afirmou: “Eu não a uso. Entretanto, é um bom lugar para a pesquisa, mas penso que a Internet é melhor para a informação rápida” (p. 11). Essa afirmativa pode ser chocante para alguns bibliotecários.

Ela mostra, porém, que a biblioteca atual precisa se adaptar aos novos tempos, avaliar os seus produtos e serviços, comunicar-se com mais intensidade, desenvol-ver um marketing mais agressivo e, principalmente,

conhecer as necessidades e demandas informacionais dos diversos segmentos de usuários. O documento do OCLC deve ser conhecido e analisado por bibliotecários, educadores e demais profissionais envolvidos na provisão de informação.

Ci. Inf., Brasília, v. 35, n. 1, p. 122-123, jan./abr. 2006

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