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O que será tratado nesta aula

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Academic year: 2021

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O que será tratado

nesta aula

Esta aula vai discorrer a respeito do teatro, do simbolismo no teatro grego, da evolução do teatro grego para o moderno, bem como a influência que essa evolução provocou

no imaginário do público. Também serão abordadas as relações entre artes cênicas e psicologia, e de que modo o teatro pode elucidar questões fundamentais sobre nossa personalidade.

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Os símbolos do teatro

Trataremos, neste curso de Artes Cênicas, de teatro, história e gesto. “Teatro” vem da junção das palavras gregos “theo”, que significa “observar, contemplar”; com

“atrium”, que significa “espaço, edifício”. De fato, o teatro é um lugar onde se contempla.

E tanto é assim que, na Grécia, o teatro ficava no alto de uma colina – símbolo do próprio Universo. Não existia luz elétrica.

As peças eram, portanto, apresentadas ao longo do dia, iluminadas pela luz do Sol, símbolo da inteligência e do próprio Deus.

Como a platéia contempla a representação dos atores, Deus contempla nossas ações.

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Ir para o alto da colina assistir às

apresentações de teatro era, para o grego, sair de sua realidade cotidiana e contemplar as ações dos homens desde um ponto

intermediário entre o céu e a terra. Os

homens não eram, como são hoje, sedentos por realismo. O grego não exigia que o

ator fosse o personagem em vez de apenas representá-lo.

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A diferença

entre ser uma pessoa e agir

como ela

N o teatro de hoje, bem como no

público de hoje, existe uma confusão entre representar o personagem e ser

o personagem. Essa confusão aparece em nossa própria vida sempre quando imaginamos, por exemplo, poder

construir a nossa própria personalidade.

A personalidade não é uma coisa que se construa e, mesmo se fosse, sua

personalidade é a sua própria pessoa, e é impossível que você se construa a si mesmo.

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A mesma confusão aparece também

quando pensamos em “auto-imagem”. Uma coisa é o terapeuta olhando para o paciente, com determinado arcabouço teórico,

tentando desenhar uma imagem dele.

Outra, muito diferente, é a própria pessoa querer enxergar a si mesma. Como alguém poderia ser, ao mesmo tempo, sujeito e

objeto de sua própria consciência?

Essa confusão evidencia, também, a

conexão que existe entre as Artes Cênicas e a Psicologia. Não se trata de uma

coincidência, as duas ciências tiveram, no século XX, um avanço significativo.

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O ator moderno é resultado do pensamento de Stanislavski. Ele foi o primeiro a sistematizar o trabalho do ator e seu trabalho impregnou- se em nossa cultura. A conhecida expressão

“memória emotiva”

vem de sua obra.

Antes de Stanislavski, apresentações

teatrais feitas por

A evolução

do teatro com Stanislavski

Constantin Stanislavski

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amadores eram muito comuns. As pessoas encenavam sem se preocupar com a

técnica, mas apenas com narrar uma história.

A preocupação em narrar é, inclusive,

uma das marcas que diferenciam o gênero dramático do gênero épico. A narração,

própria do épico, pretende contar uma história e não fazer com que ela se

desenrole diante de seus olhos; sua matéria dirige-se aos ouvidos.

O teatro, que é gênero dramático, dirige- se aos olhos. Se você está assistindo a Hamlet, você não escuta a história, mas a vê representada. Stanislavski sofisticou a representação, dando mais ênfase ao

trabalho do ator. Isso afetou o imaginário do público.

Depois de Stanislavski, a maior parte das pessoas supõe que construir a personagem

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apenas, agir como alguém. Da mesma forma, quando tentamos, nós mesmos, mudar nossa maneira de ser, não vamos jamais conseguir ser menos orgulhosos ou ser mais humildes. A única coisa que conseguiremos é mudar nossas próprias ações.

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N ão há como representar qualidades.

É possível representar, com

tranquilidade, uma ação física. O tom de sua voz, por exemplo, é algo que você é

capaz de mudar. Com meu corpo, eu posso dar a impressão de estar mais ou menos presente, mais ou menos triste. Alguém

pode dar a entender que está triste, ausente, sem de fato estar triste ou ausente; o seu

corpo, porém, deu a impressão desses estados.

Temos responsabilidade sobre nossos

estados mentais, porque muitas vezes eles são influenciados pelo nosso corpo. É um vício querer relacionar-se com o ambiente apenas de modo mental. Se alguém tenta

Ações físicas e ações mentais

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mentalmente é presente e confiante, não vai convencer. Seu corpo vai apresentar ausência e insegurança.

É por isso que, embora seja importante desenvolver a “leitura corporal”, muito mais necessária é a “escrita corporal”.

Desenvolvê-la é essencial para o ofício do ator. O ofício do ator não consiste em, como muitos imaginam, sentir como uma personagem, mas em fazer suas ações.

Saber disso é útil para nossa própria vida.

Como poderíamos, de uma hora para outra, sentir menos orgulho? Podemos, entretanto, mudar a nossa postura, os nossos gestos, a nossa maneira de olhar para transmitir menos orgulho. Quem

sabe, depois de agir bastante como pessoas humildes, acabemos por ficar menos

orgulhosos.

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Referências

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