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PRINCÍPIOS EM TÉCNICAS DE TAPING

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PRINCÍPIOS EM TÉCNICAS DE TAPING

INTRODUÇÃO

Antes de adentrar no tema específico a ser discorrido mais a fundo, vale à pena a discussão de alguns pontos pertinentes à pratica fisioterapêutica.

Segundo a legislação profissional, a fisioterapia busca alcançar, através de metodologias e técnicas próprias baseadas na utilização terapêutica dos movimentos e dos fenômenos físicos, uma melhor qualidade de vida para o cidadão frente às disfunções intercorrentes. Mas como se deu o desenvolvimento da prática fisioterapêutica até o que pode ser denominada fisioterapia contemporânea?

Ao longo do século XX, o desenvolvimento da fisioterapia pode ser dividido em três eras, cada uma delas enfocando o tratamento de um sistema anatômico predominante, geralmente originário da prevalência de uma incapacidade causada por um problema médico específico: (1) primeira era: foco na disfunção dos sistemas neuromuscular periférico e musculoesquelético;

(2) segunda era: foco na disfunção do sistema nervoso central; (3) terceira era: foco na disfunção articular; (4) era corrente: foco no sistema de movimento.

Dentro da era corrente, na qual há foco na abordagem do sistema de movimento, há três características principais da prática fisioterapêutica contemporânea que a diferenciam das outras três que a antecederam:

(1) o maior grupo de pacientes tratados apresenta dores musculoesqueléticas; (2) os tratamentos que abordam problemas musculares, neurológicos e esqueléticos isoladamente podem ser considerados incompletos e inadequados e; (3) diagnóstico médico não guia o tratamento.

Assim, pode-se perceber a importância do diagnóstico fisioterapêutico, essencial para o planejamento eficaz do tratamento. Este termo, apesar da polêmica que gera em torno da palavra diagnóstico especialmente em virtude do Projeto de Lei do Ato Médico, é a denominação dada a uma série de sinais e sintomas relevantes associados com uma disfunção física primária para a qual o fisioterapeuta direciona o tratamento. Além do mais, pode ser considerado uma espécie de rótulo cercando uma série de sinais e sintomas comumente associados com um distúrbio ou síndrome ou categoria de degeneração,

limitação funcional ou incapacidade. Estes conceitos apresentam grande possibilidade de diálogo com a Classificação Interrnacional de Funcionalidade (CIF), a qual se apresenta muito mais adequada à prática fisioterapêutica a despeito da Classificação Internacional de Doenças (CID).

No que diz respeito ao diagnóstico médico, o mesmo se refere a um processo patológico e a evidência patológica isolada é inadequada para nortear o fisioterapeuta. O fisioterapeuta não faz diagnóstico da doença no sentido de identificar uma condição patológica orgânica específica.

Entretanto, grupos bem identificados de sinais e sintomas e comportamentos relacionados a sintomas, bem como outros dados obtidos a partir da história do cliente e outros testes específicos podem ser utilizados para confirmar ou afastar a presença de um problema fisioterápico.

Nesse sentido, sabe-se que o diagnóstico médico não guia o tratamento, uma vez que uma mesma patologia diagnosticada em diferentes indivíduos não causará necessariamente as mesmas repercussões funcionais. Daí a necessidade de os profissionais envolvidos na reabilitação centrarem suas avaliações e intervenções no paciente, baseando-se no modelo da CIF como ferramenta para a descrição e a classificação de todo o processo saúde-doença.

Dessa forma, o diagnóstico fisioterapêutico é obtido através do exame especifico do sistema de movimento humano, sobre o qual o fisioterapeuta é o profissional de maior expertise em relação aos outros profissionais da saúde. O diferencial deste modelo de atuação se dá no sentido de que os fisioterapeutas atuam sobre a função/disfunção e os médicos atuam sobre a doença.

Diante disso, o foco do trabalho fisioterapêutico é sobre o sistema de movimento humano (SM). Este sistema, preconizado por Shirley Sahrmann considera o movimento como um sistema composto pelos subsistemas (1) de base, formado pelos sistemas orgânicos muscular e esquelético, (2) modulador, formado pelo sistema nervoso, (3) biomecânico, formado pelas interações entre as questões relativas à estática e à dinâmica e (4) sistemas de suporte, formado pelos sistemas cardiovascular, respiratório e metabólico/endócrino. Quando há uma boa interação entre estes subsistemas, ou seja, equilíbrio entre eles, há precisão na

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realização dos movimentos e, consequentemente, boa saúde do sistema musculoesquelético. Desse mesmo modo, o caminho inverso é verdadeiro.

Uma vez que a abordagem fisioterapêutica se dá sobre o sistema de movimento, deve-se ter bastante claro que a manifestação mais comum da alteração no SM é a dor. Tal queixa, mais freqüente na rotina clínica, é geralmente conseqüente a desequilíbrios no SM, podendo gerar problemas crônicos. Aliado a

isso, o tratamento de sintomas musculoesqueléticos é extremamente desafiador, uma vez que a redução dos sintomas muitas vezes não é suficiente para o sucesso do tratamento.

Nesse sentido, o objetivo central para todas as intervenções em ortopedia e esportes pode ser considerado como minimizar o agravo aos tecidos inflamados, seja através de medidas antiinflamatórias diretas (recursos terapêuticos) ou através do reequilíbrio do SM (cinesioterapia). No entanto, quando em cronicidade, a remissão dos sintomas dolorosos se torna mais difícil e, paradoxalmente, os mesmos parecem aumentar devido ao tratamento, em sua fase inicial. Desse modo muitos pacientes evitam a continuidade do tratamento e limitam suas atividades entrando no ciclo dor aumentada - decréscimo de atividade (DA-DA). Assim, a chave para o sucesso no tratamento é reduzir a sobrecarga sobre os tecidos moles inflamados de maneira eficaz, quebrando assim o ciclo DA-DA, sempre com foco sobre o sistema de movimento.

É exatamente neste sentido que as bandagens funcionais podem ter importante participação na conduta terapêutica, uma vez que são um bom recurso para controlar a dor e reduzir a inflamação.

BANDAGEM FUNCIONAL

Bandagem funcional, ou simplesmente taping é a denominação dada a um conjunto de técnicas que foram desenvolvidas na área esportiva com o intuito primário de imobilizar o atleta que sofrera lesão. Gradativamente, foram sendo adaptadas para tratamento de disfunções muscoloesqueléticas de origem não necessariamente relacionada à prática esportiva.

A despeito de seu emprego amplo em lesões esportivas e disfunções músculo- esqueléticas na América do Norte, Europa e Oceania, tais recursos ainda são escassamente difundidos em nosso meio.

Essencialmente, são técnicas com a função geral de promover o posicionamento funcional articular e tecidual ou de um segmento corporal

através do uso de fitas adesivas. Seu objetivo geral e primário é prover suporte e proteção adicionais, bem como compressão, às estruturas lesionadas e minimizar dor e edema na fase aguda. Como objetivos específicos, citam-se:

reforçar temporariamente segmentos ou articulações hipermóveis; comprimir lesões agudas, reduzindo o edema; limitar posturas e movimentos articulares indesejados e potencialmente agravantes; auxiliar e permitir o reparo tecidual adequado reduzindo o estresse sobre os tecidos moles; normalizar a atividade muscular; corrigir alterações biomecânicas relacionadas à dor; proteger e suportar a estrutura lesionada em uma posição funcional durante a execução da cinesioterapia; prevenir a recidiva de lesão ao retornar à atividade, restringindo movimentos articulares e musculares dentro de limites seguros; prevenção de lesões esportivas; entre outros.

Com relação às técnicas disponíveis, pode- se reuni-las em três grupos: (1) taping esportivo (athletic taping), indicado para lesões agudas e prevenção de lesões, mas não possui benefícios de reabilitação; (2) biomecânico (McConnell taping), aplicado utilizando-se a combinação de dois tapes (pré-tape e tape rígido), foi inicialmente projetado para alinhamento patelar e gradualmente sofreu modificações para promover alinhamento biomecânico de tecidos e articulações para reeducação neuromuscular; (3) neuromuscular (Kinesio Taping), técnica específica de aplicação sobre e nas adjacências dos músculos para prover suporte ou normalizar sua contração.

MATERIAIS

Basicamente, há dois tipos de materiais comumente utilizados para a aplicação das técnicas de taping:

1. RÍGIDOS: indicados para prevenção de lesões e para tratamento de lesões agudas. Provêem suporte articular ótimo e restringem movimentação articular anormal ou excessiva, devendo ser aplicados imediatamente antes da atividade e removidos imediatamente após. Isto se deve à possibilidade de provocar irritação cutânea, já que apresentam altos índices de látex em sua composição, o que amplia a sudorese e a compressão.

2. ELÁSTICOS: usados para prover suporte articular extra, facilitar ou inibir funções musculares e melhorar função do sistema linfático, sendo indicados para segmentos corporais

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que requeiram grande liberdade de movimentos e/ou expansão muscular.

Permitem ADM e biomecânica normais, além de não possuírem adesivo à base de látex (composição de algodão), o que permite certa “respiração” cutânea.

Algumas marcas disponíveis são à prova d’água.

A título de complementação, podem ser utilizados o spray adesivo para ampliar a aderência dos materiais à pele e uma fita protetora preparatória, comumente denominada salva-pele ou pré-tape. Tal material é aplicado diretamente sobre a pele previamente à aplicação das fitas que irão proporcionar o efeito terapêutico, de modo a evitar reações alérgicas cutâneas.

MECANISMO DE AÇÃO

Com relação ao mecanismo de ação dos taping, muitos são propostos:

alinhamento articular e muscular;

facilitação sensorial; feedback proprioceptivo; redução de sobrecarga sobre tecidos moles; placebo. Independente do mecanismo proposto, todos eles são pouco claros, muito debatidos e ainda desconhecidos.

PONTO CENTRAL

Um ponto fundamental a ser discutido com relação às técnicas de taping é que as mesmas não são substitutas do tratamento tradicional, mas são adjuntas ao programa completo de assistência à disfunção.

EVIDÊNCIAS

As evidências relacionadas às aplicações de taping se referem a: (1) imobilização e retorno precoce, uma vez que promove melhora da função em curto prazo e retorno mais rápido ao desempenho das AVDs e AVPs quando comparadas às técnicas tradicionais de imobilização; (2) redução da dor imediatamente após à sua aplicação; (3) prevenção de lesões, já que são capazes de prevenir e reduzir a incidência e a severidade de entorses agudas de tornozelos durante jogos de basquete e futebol masculino e feminino;

(4) alinhamento/reposicionamento:

posiciona a subtalar próximo do neutro e controla pronação excessiva, mas o tempo de manutenção do reposicionamento é dependente do tipo de atividade praticada, podendo variar de 15 a 60

minutos e a redução da efetividade da técnica varia entre 10 a 50%. Para alinhamento patelar, os estudos são inconclusivos.

CUIDADOS

Alguns cuidados devem ser tomados antes, durante e após a aplicação do taping.

A aplicação nunca deve causar dor. A todo momento, deve-se considerar a possibilidade de alergia à bandagem, observando-se a presença de óxido de zinco e látex na composição. É imprescindível a realização de preparo prévio da pele, limpando-a com água e sabão e álcool para remoção de sujeira e oleosidade. Em caso de pacientes com vasta quantidade de pêlos, caso seja feita esta opção, os mesmos devem ser raspados no dia anterior à aplicação para ampliar a aderência e evitar irritação adicional ao retirar o taping. Outro item bastante importante é momento de retirada da fita. Deve-se separar a pele da fita e não a fita da pele para evitar danos à pele e potencial irritação e/ou lesões na mesma.

APLICAÇÃO

Para aplicar, alguns passos devem ser seguidos. A primeira medida é certificar-se quanto à possibilidade do paciente ser alérgico à fita ou ao spray adesivo. Para facilitar a coleta dessa informação, pode-se questioná-lo se o mesmo apresenta irritação com a aplicação de band-aid.

Dando prosseguimento, faz-se o preparo prévio da pele (limpeza) e havendo necessidade de aderência adicional, aplica- se o adesivo em spray (a tintura de benjoim pode ser uma alternativa bastante eficaz de custo mais baixo). Quando necessário, aplica-se o salva-pele (fita hipoalérgica) com o segmento em posição de repouso.

Evolui-se para o posicionamento da articulação em posição funcional com stress mínimo sobre a estrutura lesionada e aplica-se o taping suave e firmemente, seguindo os contornos do segmento corporal. Para finalizar, verifica-se se o taping é funcional e confortável. Caso a dor seja um dos parâmetros para verificar a efetividade da técnica empregada, deve haver redução de ao menos 50% da dor (sinal do asterisco).

DICAS PRÁTICAS

A tração excessiva à pele, rugas, espaçamentos entre as fitas, bem como

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aplicação com tração sobre superfícies ósseas devem ser evitados, já que podem ocasionar bolhas ou queimaduras cutâneas.

A permanência da aplicação deve ser menor que 24 horas em caso de látex em sua composição ou até por 1 semana (média de 2-3 dias). Em caso de necessidade de aplicação diária, para reduzir a irritação cutânea, pode-se optar pelo uso de salva- pele, depilação e alternância do local exato de aplicação, posicionando a fita ora mais lateral ou proximal, ora mais medial ou distal em relação à aplicação anterior.

A largura correta da fita depende da área a ser coberta: quanto mais agudo o ângulo do segmento, mais estreita deve ser a fita, havendo preferência pelo uso de tiras longitudinais para melhor sobreposição ao segmento corporal.

Para rasgar adequadamente a fita, não se deve utilizar apenas os dedos, mas as mãos em movimentos rápidos em direções opostas.

Ao retirar a fita, separa-se a pele da fita e não a fita da pele: uma mão puxa a fita e a outra pressiona suavemente a pele afastando-a da fita.

Para análise da efetividade da técnica, estabelecem-se parâmetros de comparação, os quais podem ser movimento acessório articular, dor associada ao movimento ou a atividades funcionais específicas.

O taping nunca deve causar dor, deve melhorar função. Se após a aplicação a dor persista ou não haja melhora funcional, altera-se o ângulo das tiras ou intensidade do tracionamento aplicado. Caso a dor e a função alterada permaneçam mesmo após tais procedimentos, a técnica tem de ser suspensa.

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Referências

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