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Planejamento tributário empresarial

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Academic year: 2022

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Introdução

O Estado para suprir as necessidades e para arcar com o pagamento das despesas necessita de arrecadação de impostos. A Constituição Federal autoriza que o Estado obrigue o contribuinte a entregar parcela de seu patrimônio para gerar as receitas necessárias.

Entretanto, o exercício de tal poder é relativo, na medida em que deverá haver respeito a determinados limites constitucionais. A Constituição Federal impede que se institua impostos sobre templos, partidos políticos, sindicatos, instituições de educação, etc. É o que denominamos imunidade tributária.

Planejamento tributário empresarial

Planejamento Tributário Empresarial é o conjunto de procedimentos adotados pelo contribuinte visando reduzir, eliminar ou diferir para o momento mais oportuno a incidência tributária através da elisão fiscal desde que antes da ocorrência do fato gerador.

Planejar é escolher, entre duas ou mais opções legais, aquela que possa dar melhores resultados para a empresa, enquanto sonegar é utilizar-se de meios ilegais para deixar de recolher um tributo devido, assim como a fraude, a simulação ou a dissimulação.

O planejamento tributário empresarial é o conjunto de procedimentos adotados pelo contribuinte visando eliminar, reduzir ou diferir para o momento oportuno a incidência tributária, por outro lado, os entes federativos deixam de arrecadar mais receita quando evitam qualquer forma de guerra fiscal, favorecendo a economia do seu território.

Sistema Tributário Nacional

O Sistema Tributário Nacional é formado pelas regras jurídicas que disciplinam o exercício do poder imposto pelos diversos órgãos públicos. O Sistema Tributário Nacional foi criado buscando harmonizar as relações da sociedade de forma a se atender aos seus princípios fundamentais, como também de forma a se respeitar o pacto federativo sob o qual vivemos.

Tributo

Tributo é a atribuição imposta aos indivíduos e pessoas jurídicas com o proposito em reunir valores ao Estado, ou entidades equivalentes. ''Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujos dados nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Princípios Constitucionais do Sistema Tributário Nacional

Princípios são os fundamentos às grandes diretrizes lógicas, políticas sociais e econômicas do sistema, que prevalecem sobre todas as normas. Sendo assim o Sistema Constitucional Tributário está sujeito a uma série de Princípios constitucionais:

Principio da Legalidade: Esse principio por si só já menciona que é prestação “instituída em lei”. Em suma, a criação do tributo só acontecerá se houver previsão legal, caso contrário será considerado indevido.

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Principio da Igualdade: Visando a garantia do individuo, para que sejam evitados perseguição e favoritismo. "Nem pode o aplicador, diante da lei, discriminar, nem se autoriza o legislador, ao ditar a lei a fazer discriminações".

Principio da Irretroatividade: proibido a retroativade da lei: ou seja, não podem ser exigidos tributos sobre fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que instituiu ou aumentou algum tributo.

Principio da Anterioridade: proíbe a exigência de tributo ou seu aumento no mesmo exercício em que for publicada nova lei, para que o contribuinte não seja surpreendido com a tributação de última hora.

Principio do Não Confisco: visa estabelecer uma limitação a atividade tributária do Estado, buscando proteger o contribuinte para que o valor do tributo não tenha alíquota tão elevada a ponto de representar a perda total do bem ou mercadoria sobre o qual esteja incidindo. A cobrança não poderá significar a perda do bem, pois se assim fosse, estaríamos contrariando a vigência do principio da garantia da propriedade privada

Espécies de Tributos

Imposto: é o tributo em que a obrigação tem por fato gerador uma situação

independente de qualquer atividade estatal distinta, referente ao contribuinte. Os impostos classificam-se em: Imposto direto, imposto indireto, imposto pessoal, imposto real, imposto federal, imposto estadual e distrital.

Taxas: é um tributo que o fato gerador decorre da prestação de serviços públicos,

prestados ao contribuinte ou postos ao seu dispor e do exercício regular do poder de policia.

Contribuição de melhoria: tem como base de cálculo a valorização, diferença positiva de valor de um imóvel antes e depois da obra, quando decorrente de obra pública e é debitável ao contribuinte. O aspecto material é composto de realização de obra pública acrescida da valorização para os imóveis situados na área de influencia da obra. O sujeito passivo é o próprio proprietário do imóvel.

Contribuições sociais: a constituição atribui à união competência para criar contribuições especiais, visando: Criação por lei complementar e principio da irretroatividade e principio da anterioridade especial. A união esta autorizada a instituir tais contribuições, desde que não invada a competência dos demais entes federativos.

Empréstimo compulsório: é uma prestação em dinheiro que exigida por lei complementar, onde a união cobra das pessoas que praticam certos fatos ilícitos descritos na própria lei.

Trata-se de um tributo com cláusula de restituição.

Fiscalidade, Extrafiscalidade e Parafiscalidade.

Fiscalidade: existe é uma predominância de determinada finalidade, possuindo o tributo tranquilamente mais de uma função.

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Extraficalidade: quando seu objetivo principal é a interferência no domínio econômico, para buscar um efeito diverso da simples arrecadação de recursos financeiros.

Parafiscalidade: se designam a manter atividades que não seriam do Estado, mas que o mesmo desenvolve por meio de entidades específicas. Por exemplo o valor recolhido que vai para entidades outras que não o Estado, como o CREA, OAB, entre outros.

Esses recolhimentos de classe tem natureza jurídica de tributo e portanto deve ser definida por lei específica e são de competência exclusiva da União. Em outras palavras, os órgãos de classe não podem corrigir suas anuidades por meio de ato administrativo porque fere o principio da legalidade.

A anuidade de conselho profissional tem caráter de tributos e se trata de contribuição social profissional também chamada de parafiscal de competência exclusiva da União.

IMPOSTOS FEDERAIS (Impostos recolhidos pela União)

Imposto de Importação (II) – Imposto sobre a importação de produtos estrangeiros e sobre a bagagem de viajante que vier do exterior. O fato gerador deste tributo é a entrada destes produtos e bagagens no território nacional. O contribuinte do imposto é o viajante ou o importador.

Imposto de Exportação (IE) – Imposto sobre a exportação, para o estrangeiro, de produtos nacionais ou nacionalizados, cujo fato gerador é a saída desses do território nacional. O contribuinte do imposto é o exportador.

Imposto de Renda (IR) – Imposto sobre o acúmulo de renda. Seu contribuinte é qualquer pessoa física ou jurídica que acumule renda que supere o valor acima descrito. Atualmente o governo brasileiro enfrenta o desafio de tratar sobre as criptomoedas. A Secretaria da Receita Federal determinou que o contribuinte declarasse por ocasião do ajuste anual do Imposto de Renda, a aquisição e o preço nominal das Bitcoins para verificar o ganho de capital e o aumento do patrimônio do contribuinte para evitar a sonegação tributária.

Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – Imposto que recai sobre o produto importado quando do seu desembaraço aduaneiro, assim como na saída (do estabelecimento) de produto nacional industrializado (o IPI afeta o valor de tudo o que adquirimos enquanto produto). Atualmente a legislação brasileira discute a questão da redução da alíquota do IPI para os automóveis híbridos (elétricos) que tem relação direta com a sustentabilidade e o caráter da extrafiscalidade deste imposto (IPI). A redução do IPI neste caso tem relação direta com o estímulo a produção de carros chamados “verdes” que se utilizam de energia limpa.

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – Imposto que recai sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários. Seus contribuintes são as partes envolvidas em cada uma das operações descritas.

Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR) – Imposto cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município.

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IMPOSTOS ESTADUAIS (Impostos recolhidos pelos Estados)

Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS): incide sobre operações relativas à circulação de mercadorias. O contribuinte desse imposto pode ser qualquer pessoa, física ou jurídica.

Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA): incide sobre a propriedade de veículos automotores terrestres somente. O contribuinte do imposto é o proprietário do veículo em questão.

Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD): recai sobre a transmissão de qualquer bem ou direito havido por sucessão legítima ou sucessão testamentária, inclusive a sucessão provisória.

IMPOSTOS MUNICIPAIS (Impostos recolhidos pelos Municípios)

Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN): tem como fato gerador a prestação de serviço. Os contribuintes do imposto são as empresas ou profissionais autônomos que prestam o serviço tributável. Porém, em alguns casos, os municípios podem atribuir às empresas ou aos indivíduos que tomam os serviços a responsabilidade pelo recolhimento do imposto. Dentre os tributos estudados temos o ISS que é de competência dos municípios. A competência para instituir, executar, aplicar e cobrar tal tributo é do município e do Distrito Federal. A cobrança do ISS ou ISSQN só pode ser cobrada a partir do ano seguinte a edição da lei em razão do princípio da anterioridade.

Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU): incidência tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de propriedade imóvel localizada em zona urbana ou extensão urbana.

Imposto sobre Transmissão de Bens e Imóveis Inter vivos (ITBI): O fato gerador: é a transmissão entre pessoas vivas a qualquer título, por ato oneroso de propriedade ou domínio útil de bens imóveis; a transmissão a qualquer título de direitos reais sobre imóveis.

Imunidade tributária e isenção tributária

Imunidade tributária é uma proteção que a Constituição Federal confere aos contribuintes. É uma hipótese de não incidência tributária constitucionalmente qualificada. A imunidade tributária ocorre quando a Constituição impede a incidência de tributação, exigindo que o Estado se abstenha de cobrar tributos (não sofrer a tributação). Ou seja, as entidades ou pessoas contempladas com a imunidade têm o direito de realizarem determinada ação que normalmente configuraria fato gerador de um tributo, mas sem sofrerem a respectiva tributação.

Por exemplo, as igrejas tem imunidade tributária determinada pela Constituição Federal, mas podem sofrer alterações para que paguem tributos ao invés de ostentarem riquezas.

Isenção tributária: A isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. Por exemplo, temos as isenções do Imposto de Renda que isenta os rendimentos auferidos em contas de depósitos de poupança;

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Interessante observar que quando tratamos dos tributos direcionados à saúde quem financia o SUS são os recolhimentos dos tributos federais, estaduais e municipais. Essas fontes de recursos exigem formas sistemáticas de repasse, contabilidade e controle de cada um dos entes federativos (União, Estados e Municípios) pois cada um desses entes tem que prestar contas.

Evasão fiscal x Elisão fiscal

A evasão fiscal provém de artifícios dolosos nos quais o contribuinte, em afronta à legislação, reduz sua carga tributária, o que pode ser entendido como sonegação. A elisão fiscal é uma forma lícita de o contribuinte conseguir reduzir a carga tributária, aproveitando- se de lacunas ou imperfeições da lei tributária, já que o legislador não pode ser

“oniprevidente” deixando, em conseqüência, malhas e fissuras no sistema tributário

Podemos afirmar que o contribuinte pode pagar menos impostos através da elisão fiscal o que significa uma economia tributária, que é intencional, mas não ilegal. A elisão é uma gestão tributária inteligente, uma técnica para pagar menos impostos. A diferença entre evasão e elisão fiscal está no momento da ação. Enquanto as práticas de elisão são adotadas antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a evasão se dá após a ocorrência do fato gerador.

Conclusão

A concentração de renda e riqueza entre os mais ricos deixou de ser substancial. A desigualdade na distribuição de renda tende a deixar ilimitada a igualdade de oportunidades na sociedade e pode ser um inibidor do crescimento econômico. Neste sentido, o sistema tributário brasileiro assume a função de disciplinar como se dará a arrecadação, ainda que deixe de obedecer os princípios do Estado de Direito e é necessário rigor na apuração da evasão fiscal e dos crimes tributários.

Referências

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