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Desempenho de aves caipira de corte alimentadas com mandioca e palma. forrageira enriquecidas com levedura

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Desempenho de aves caipira de corte alimentadas com mandioca e palma forrageira enriquecidas com levedura

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2 2

João Felinto dos Santos e José Ivan Tavares Grangeiro

1Trabalho realizado com apoio financeiro do Banco do Nordeste

2 Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. joao_felinto_santos@hotmail_com

2 Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. ivangrangeiro@hotmail.com

Resumo - O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho de frangos e de galinhas caipira de corte submetidos a diferentes dietas com farelo de mandioca e palma forrageira enriquecidos com levedura. Um experimento com aves caipiras machos e outro com fêmeas da raça Misto Pesadão Label Rougel foram conduzidos na Estação Experimental de Lagoa Seca-PB, em 2011. Os tratamentos testados foram: T1 - Alimentação convencional (70% de milho + 30% de concentrado);

T2 - 50% de farelo de mandioca enriquecido com levedura a 2% + 20% de milho + 30% de concentrado; T3 - 50% de farelo de mandioca in natura + 20% de milho + 30% de concentrado; T4 - 40% de farelo de palma forrageira enriquecido com levedura a 2% + 30% de milho + 30% de concentrado. Avaliaram-se peso corporal, ganho de peso e conversão alimentar.

Não houve diferença significativa entre tratamentos sobre o desempenho das aves. O farelo da mandioca e o farelo de palma forrageira enriquecido com levedura a 2% adicionados de 1% de óleo de soja podem ser utilizados em dietas para aves caipiras em níveis de 71% e 57%, respectivamente, em substituição ao milho. As aves alimentadas com farelo de mandioca e com farelo de palma forrageira enriquecido com levedura proporcionaram maior taxa de retorno em relação às alimentadas de forma convencional.

Palavras-chave: frango, galinha caipira, farelo de mandioca, farelo de palma forrageira, alimentação

Performance of free range birds fed with cassava and cactus pear enriched with yeast

Abstract – The objective of the present study was to evaluate the performance of free range birds fed with diets of cassava bran and cactus pear enriched with yeast. An experiment with males, and another with females of the breed Misto Pesadão Label Rougel were performed at the Experimental Center of Lagoa Seca, Paraíba, Brazil, in 2011. The treatments supplied were: T1- Conventional feed (70% corn + 30% concentrate), T2 - 50% of cassava bran enriched with yeast at 2%+ 20% corn + 30% concentrate, T3 - 50% cassava bran without yeast, 20% corn + 30% concentrate and T4 - 40% of cactus pear bran enriched with yeast at 2% + 30% corn + 30% concentrate. Body weight, weight gain and feed conversion were evaluated.

There was no significant difference between treatments for the performance of the birds. The cassava bran and cactus pear bran enriched with 2% yeast plus 1% soybean oil can be used in diets for male and female free range birds to levels of up to 71% and 57% respectively, in place of corn. The birds fed with cassava bran and cactus pear bran enriched with yeast provided a higher return rate than birds fed with conventional feed.

Keywords: chickens, free range chickens, cassava bran, cactus pear bran, food

Introdução

A exploração de aves caipira de corte em sistema semi- intensivo se constitui uma alternativa muito importante para o pequeno agricultor, uma vez que ele pode utilizar grande parte da alimentação das aves com os produtos e resíduos produzidos no seu próprio imóvel rural, bem como a mão de obra familiar.

O frango tipo caipira permite algumas adaptações no sistema de criação, tendo em vista a grande rusticidade e resistência dessas aves em relação ao frango de escala industrial. O aspecto marcante associado a esse sistema é o fato das aves poderem se alimentar de outros produtos alternativos produzidos na própria propriedade assim como

Do ponto de vista econômico, a alimentação é um fator de grande importância, não somente porque dela depende um bom desempenho produtivo das aves, mas, sobretudo, porque representa a maior parte dos custos da atividade (65 a 75%).

Os principais materiais usados na formulação das rações são: o milho moído, o sorgo, o farelo de soja e o farelo de trigo. Vários produtos alternativos, no entanto, poderão substituir parcialmente os ingredientes tradicionais das rações balanceadas com vantagens econômicas. Destacam- se dentre esses o farelo de mandioca e o farelo de palma forrageira. O importante é que os níveis energéticos e proteicos dos alimentos alternativos estejam próximos dos recomendados para a criação de aves de forma que não haja

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dispensar a ração comercial, os piquetes e os complementos (verduras, frutas, legumes e capim picado) que têm um importante papel no desenvolvimento desta ave, fornecendo-lhe a fibra e xantofilas (corante natural) tão necessárias.

Alguns trabalhos foram desenvolvidos com a cultura de mandioca na alimentação de frangos e galinhas caipira.

Rostagno et al. (2005) sugerem utilizar entre 10 a 20% de raspa integral de mandioca nas rações de frangos de corte para a fase de crescimento e final sem afetar o desempenho das aves. Almeida (2005) e Cotta (2003) recomendam que rações de frango de corte não devem ter mais de 15% de raspa de mandioca. Nascimento et al. (2005) recomendaram o valor de 10,24% de inclusão da raspa nas dietas, para a fase de engorda. Para a fase final, não recomendaram a utilização desse produto. Arruda et al. (2008) também recomendaram mandioca integral em substituição ao milho na alimentação de aves caipira. Carrijo et al. (2010) recomendaram usar até 45% de farinha integral de mandioca na produção de galinhas caipira de corte. Souza et al. (2011) sugeriram formular rações com até 60% de farelo da raiz integral de mandioca na engorda de aves caipira de corte.

Os frequentes aumentos dos preços da suplementação proteica têm estimulado o interesse pelo aproveitamento de alimentos não convencionais na alimentação de aves caipira.

A avicultura objetiva equilibrar o desempenho no ganho de peso com a nutrição, e substituir os antibióticos, considerados promotores do crescimento, pelas leveduras com resultados positivos na melhoria do crescimento e conversão alimentar. Atualmente o uso de drogas passa por restrições, existindo uma grande expectativa de sua retirada total da formulação de rações e ao mesmo tempo em que se pesquisam alternativas (Butolo, 1991; Macari & Maiorka, 2000).

Dentre os produtos naturais que podem substituir os suplementos proteicos, destacam-se as leveduras, considerados fonte unicelular de elevado teor proteico, além de apresentarem rápido crescimento e possibilidade de cultivo em vários tipos de substratos (Araújo et al., 2009).

A utilização da levedura no enriquecimento proteico de alimentos alternativos na alimentação de aves é muito importante no aproveitamento de materiais pobres em proteínas na substituição parcial e total do milho. Além disso, o uso de levedura nas dietas dos animais resulta em interações benéficas entre a microflora, o intestino e o sistema imunológico, promovendo melhoria da digestão dos alimentos, aumento do crescimento e da resistência às doenças, redução da incidência de diarreias, diminuição da produção de gases e inibição de toxinas (Araújo et al., 2009).

Alguns autores desenvolveram pesquisas com levedura na alimentação de aves de corte. Latrille et al. (1976) não verificaram prejuízos no desempenho quando da substituição do farelo de soja em até 10% por levedura.

Subrata et al. (1997) pesquisaram os efeitos das leveduras e antibióticos (aureomicina, clortetraciclina) isolados ou em combinação na alimentação sobre o desempenho de frangos

de corte. Constataram que o ganho de peso, o consumo de ração, a conversão alimentar e os valores hemáticos não diferiram entre os tratamentos. Grigoletti et al. (2002) avaliaram o uso da levedura em substituição aos antibióticos na dieta de frangos de corte empregados como controladores da flora microbiana e como promotores de crescimento. Os resultados demonstraram que as leveduras podem substituir com eficiência os antibióticos na ração de frango de corte, em relação ao ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e índice de eficiência produtiva.

O presente trabalho objetivou avaliar o desempenho de frangos e de galinhas caipira de corte, submetidos a diferentes dietas com farelo de mandioca e de palma forrageira enriquecidos com levedura.

Material e Métodos

Foram desenvolvidos dois experimentos na Estação Experimental de Lagoa Seca, em 2011, sendo um com aves machos e outro com fêmeas.

O delineamento usado foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos e cinco repetições, totalizando 20 unidades experimentais, sendo 20 aves por unidade experimental, totalizando 400 aves para cada experimento.

Os tratamentos testados foram os seguintes:

T1 - Alimentação convencional (70% de milho moído + 30%

de concentrado);

T2 - 50% de farelo de mandioca (folhas, ramas e raízes) enriquecido com levedura a 2% + 20% de milho moído + 30% de concentrado;

T3 - 50% de farelo de mandioca (folhas, ramas e raízes) in natura + 20% de milho moído + 30% de concentrado;

T4 - 40% de farelo de palma forrageira enriquecido com levedura a 2% + 30% de milho moído + 30% de concentrado.

Em cada experimento foram utilizadas 400 aves machos e 400 fêmeas com um dia de idade, da linhagem Frango Caipira Pesadão Misto Label Rouge, vacinados contra Marek e Bouba Aviária. As aves foram alojadas em boxes com densidade de 10 aves/m , com lâmpadas de 150 w para 2

aquecimento, um bebedouro pendular e um comedouro tubular com capacidade para 25 kg. Foi utilizada cama de palha de arroz com 10 cm de espessura. O programa de luz utilizado foi o de 24 horas de iluminação nas primeiras duas semanas de idade e de luz natural até o final do período experimental.

A partir do 30º dia de idade, as aves tiveram livre acesso a piquete para pastejo e movimentação. Cada ave teve uma área aproximada de 3 m², de acordo com as normas para criação de frango caipira do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 1999).

O farelo de mandioca, utilizado no preparo das dietas experimentais, foi obtido a partir de plantas inteiras (folhas, ramas e raízes), as quais foram trituradas produzindo uma massa úmida que foi espalhada em uma lona, onde foi realizado o enriquecimento com levedura a 2%. O material foi deixado a sombra por 24 horas para que ocorresse a

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liberação do ácido cianogênico. Após esse período, colocou- se o material ao sol, para desidratação. Depois se triturou, outra vez, esse material em peneira de menor diâmetro para diminuir a granulometria, para formar o farelo e, posteriormente, durante a formulação das rações, misturou- se esse material com o concentrado e o milho. O mesmo procedimento foi feito para o farelo de palma forrageira.

As rações foram formuladas de acordo com os níveis recomendados para aves de reposição das Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos (Rostagno et al., 2005). As quantidades de rações fornecidas às aves foram restritivas, seguindo as recomendações preconizadas nessas Tabelas, colocando-se nos comedouros 60% pela manhã e 40% no final da tarde. Com efeito, o consumo foi o mesmo para todos os tratamentos. Na Tabela 1, encontram-se os resultados laboratoriais de proteína bruta, energia bruta e digestibilidade de amostras das rações, cujas análises foram realizadas no Laboratório do CCA/UFPB, Areia-PB, 2011.

Tabela 1. Resultados laboratoriais de proteína bruta (PB), energia bruta (EB) e digestibilidade (Digest.)

Mandioca in natura1

Mandioca 2

Palma in natura Palma forrageira2

Milho moído Amostras

2,15 3,67 3,22 3,97 6,68

4.186 4.267 3.652 3.647 4.503

83,86 64,54 54,06 51,49 68,31 PB

(%)

EB (Kcal/g)

Digest.

(%)

enriquecida com 2% de levedura

1 2

(folhas, ramas e raízes)

Não houve reposição adicional de aminoácidos, a não ser dos contidos na levedura. Foi adicionado 1% de óleo de soja na ração dos tratamentos com mandioca para reduzir o menor conteúdo proteico e lipídico desse material e melhorar a eficiência na digestão do amido contido nesse alimento, quando comparado ao do milho, conforme sugerido por Yutste et al. (2001). A ração com palma forrageira também recebeu 1% de óleo de soja.

Os valores zootécnicos de desempenho das aves foram medidos no início do experimento, aos 30 dias e ao final do período de criação, aos 80 dias. Os parâmetros avaliados foram: peso corporal, ganho de peso e conversão alimentar.

O desempenho do peso corporal foi avaliado a partir da média de peso das aves aos 80 dias de vida. O ganho de peso foi avaliado pela diferença de peso final (aos 80 dias de vida) menos o inicial. A conversão alimentar foi calculada a partir da relação do consumo de ração e do ganho de peso para cada tratamento, aos 80 dias de vida, em kg/kg.

Além disso, foi realizada a análise econômica (Receita bruta, custos e Taxa de retorno). A receita bruta foi calculada,

da ração pré-inicial, inicial que foram para todos os tratamentos e, a partir daí, do concentrado, milho, mandioca e palma forrageira, levedura, óleo e mão de obra para preparo das rações, de conformidade com os tratamentos preconizados. A taxa de retorno foi determinada pelo valor da receita bruta dividida pelos custos.

Os dados coletados foram submetidos à análise de variância e as médias de tratamentos foram comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. Utilizou-se, nas análises, o Software ASSIST 7,5 Beta versão 2010.

Resultados e Discussão

De acordo com os resultados obtidos, verifica-se que os parâmetros: peso corporal, ganho de peso e conversão alimentar para os machos e fêmeas aos 80 dias não houve diferença entre as rações (Tabela 2). O desempenho das aves machos e fêmeas tipo caipira alimentadas com ração contendo mandioca e palma forrageira foi similar ao da ração convencional (milho) devido, possivelmente, a semelhança da energia bruta e da disgetibilidade do farelo de mandioca e da palma com o do milho moído, assim como, o fornecimento de 1% de óleo de soja adicionado ao farelo de mandioca e de palma forrageira, uma vez que a baixa presença de fontes lipídicas nessas rações proporciona um menor incremento calórico (IC), o qual representa toda perda de energia durante os processos de digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes (Sakomura & Rostagno, 2007).

Consequentemente, por essa razão, aumentam-se os níveis de energia líquida (EL) metabolizados, uma vez que essa é resultado da energia metabolizável menos a energia perdida como IC, podendo promover melhores resultados de desempenho das aves, visto que influencia diretamente na energia retida como produção animal (Penz Júnior et al., 1999).

Os valores médios de peso corporal foram 2.654 g e 2.353 g e de ganho de peso 2.624 g e 2.323 g para as aves machos e fêmeas, respectivamente. Comparados aos deste trabalho (2.022 g a 2.050 g), Carrijo et al. (2010) obtiveram valores inferiores de peso corporal de galinhas aos 84 dias, ao usarem 0%, 15%, 30% e 45% do farelo da raiz integral de mandioca, não alcançando, também, diferenças estatísticas entre tratamentos. Souza et al. (2011) encontraram valores superiores do ganho de peso de frangos ao desta pesquisa (2.801 a 2.875 g) quando utilizaram de 0% a 60% do farelo da raiz integral de mandioca, em que os tratamentos tiveram comportamento similar. Por outro lado, Bezerra et al. (2007) relataram que a substituição do milho pela mandioca não afetou o Ganho de Peso até a idade de 60 dias, porém após esse período observaram uma redução linear nos valores para essa variável.

Embora não tenha havido diferenças estatísticas entre a ração de mandioca enriquecida com levedura para a não

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deve-se, provavelmente, ao aumento na proteína assim como, as interações benéficas entre a microflora, o intestino e o sistema imunológico, promovendo melhoria da digestão dos alimentos, aumento do crescimento e da resistência às doenças, redução da incidência de diarreias, diminuição da produção de gases e inibição de toxinas promovidas pela levedura (Araújo et al., 2009). Nesse contexto, Gadelha et al.

(2006) verificaram que a farinha integral de mandioca pode ser incluída nas dietas de frangos caipiras na fase de 35 a 84 dias em até 53% sem prejudicar o desempenho, desde que ocorra um equilíbrio do teor aminoácido da ração. Latrille et al. (1976) não verificaram prejuízos no desempenho de aves quando da substituição do farelo de soja em até 10% por levedura. Subrata et al. (1997) e Grigoletti et al. (2002) também não constataram diferenças no desempenho de frangos de corte, quando utilizaram levedura e antibióticos e somente levedura, respectivamente.

Não se verificou efeitos das rações formuladas com alimentos alternativos sobre conversão alimentar, cujos valores médios foram 2,28 e 2,51, respectivamente, para os machos e as fêmeas. Esses resultados corroboram com os obtidos por Bezerra et al. (2007), também, não encontraram diferenças significativas para a conversão alimentar quando utilizaram 0, 15, 30 e 45% de raspa de mandioca em substituição ao milho até os 90 dias, com valores médios piores aos deste trabalho (3,6 a 3,9), por Gadelha et al. (2006) que, também, não observaram efeito da inclusão de 0, 18, 36 e 53% de farinha integral de mandioca de 35 a 84 dias de idade sobre a conversão alimentar de frangos caipiras, por Carrijo et al. (2010) que não encontraram diferença entre a ração com milho e 0, 15, 30 e 45% de farinha de raízes de mandioca na conversão alimentar de galinha tipo caipira de

Tratamentos Peso (g)

T1 (convencional)

T2 (50% mandioca + levedura) T3 (50% mandioca in natura) T4 (40% palma + levedura)

T1 (convencional)

T2 (50% mandioca + levedura) T3 (50% mandioca in natura) T4 (40% palma + levedura) Média

DMS

QM (Tratamentos) CV(%)

Média DMS

QM (Tratamentos) CV(%)

Conversão alimentar Ganho de peso

(g) Machos caipira

Fêmeas caipira 2.728 a 2.684 a 2.573 a 2.632 a

2.414 a 2.408 a 2.269 a 2.323 a

2.698 a 2.654 a 2.543 a 2.602 a

2.384 a 2.384 a 2.378 a 2.240 a

2,23 a 2,27 a 2,36 a 2,32 a

2,46 a 2,45 a 2,61 a 2,55 a 2.654

190,68 67.045,80 ns

3,97

2.353 197,05 73.348,55 ns

4,62

2.624 189,57 67.035,82 ns

4,61

2.323 196,09 73.339,56 ns

4,68

2,28 0,18 0,028 ns 4,55

2,51 0,29 0,785 ns

4,59 Médias seguidas da mesma letra não, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo Teste Tukey a 5% de probabilidade.

Tabela 2. Médias de peso, ganho de peso e conversão alimentar de machos e fêmeas caipira aos 80 dias.

corte aos 84 dias de idade, com valores médios superiores ao desta pesquisa, assim como e por Souza et al. (2011) que constataram valores mais altos de conversão alimentar (3,46 a 3,12) no intervalo de 57 a 84 dias para frangos caipira de corte quando utilizaram 0% a 60% do farelo da raiz integral de mandioca na alimentação dessas aves.

De acordo com a análise econômica para aves machos (Tabela 3), verificou-se que a taxa de retorno foi de 1,78 para a ração convencional (Tratamento 1) sendo inferior aos tratamentos T2, T3 e T4 com valores, respectivamente de 2,08, 2,05 e 2,03. Os incrementos nas taxas de retorno para esses tratamentos em comparação ao convencional (concentrado + milho) foram: 14,23%, 13,17% e 12,31%, respectivamente.

Com relação à análise econômica para as fêmeas (Tabela 3), observa-se que a taxa de retorno foi de 1,56 para a ração convencional (Tratamento 1) que foi inferior aos tratamentos T2, T3 e T4 com valores, respectivamente de 1,84, 1,79 e 1,77, ou seja, o retorno para o capital investido foi de 84%, 79% e 77%, respectivamente. Esses valores são considerados altos, entretanto, deve-se enfatizar que essas taxas de retorno são referentes aos custos e receitas aos 80 dias de vida das aves e, que à medida que aumentam os dias, haverá, a partir daí, redução na taxa de retorno, visto que haverá maior consumo de ração e menor produção de carne, onerando os custos de produção e reduzindo a margem de lucro. Com efeito, a partir dos 80 dias, o produtor deverá procurar vender a sua produção visando maximizar seu retorno econômico.

Os incrementos nas taxas de retorno para esses tratamentos em comparação ao convencional (concentrado + milho) foram: 15,21%, 12,85% e 11,86%, respectivamente.

Esses resultados deveram-se, provavelmente, aos menores preços da mandioca e da palma forrageira em relação ao milho moído, que refletiram na diminuição dos custos de produção das aves, levando-se em conta que o preço médio de um kg de raiz de mandioca foi de R$ 0,20, sendo as folhas e as ramas cedidas pelo agricultor. O preço do kg da palma foi de R$ 0,30, enquanto o do milho foi de R$ 0,70.

Um fator que deve ser ponderado é que a mandioca e a palma forrageira são culturas tradicionalmente cultivadas pelo pequeno produtor rural, que poderá diminuir significativamente a dependência do produtor na aquisição do milho, reduzindo o capital investido no seu empreendimento. Este fato reflete a importância de estudos de alimentos não convencionais capazes de promover a redução de custos das rações sem perdas substanciais para o desempenho dos animais (Franzol et al., 1998; Cruz et al., 2006), principalmente, para o pequeno produtor rural.

Com efeito, o pequeno produtor que não disponibiliza de recursos financeiros para aquisição de milho e do concentrado, poderá utilizar 71% do farelo de mandioca ou 57% da palma forrageira produzidos na propriedade na alimentação das aves caipiras e complementar com o milho adquirido fora ou proveniente do seu imóvel rural, visando diminuir o capital a ser desembolsado e os custos de produção no seu empreendimento.

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Tabela 3. Médias de peso corporal de machos, custos de produção, receita bruta e taxa de retorno aos 80 dias por ave.

Tratamentos Peso

(g) T1 (convencional)

T2 (50% mandioca + levedura) T3 (50% mandioca in natura) T4 (40% palma + levedura) T1 (convencional)

T2 (50% mandioca + levedura) T3 (50% mandioca in natura) T4 (40% palma + levedura)

Machos

Fêmeas 2.758

2.714 2.603 2.662 2.414 2.408 2.269 2.323

7,76 6,53 6,34 6,56 7,76 6,53 6,34 6,56

13,79 13,57 13,01 13,31 12,07 12,04 11,34 11,61 Custo de produção

R$

Receita bruta (R$)

Taxa de retorno (R$)

% em relação à ração convencional 1,78

2,08 2,05 2,03 1,56 1,84 1,79 1,77

- 14,23 13,17 12,31

- 15,21 12,85 11,86 Conclusões

1 - O farelo da mandioca enriquecido com levedura a 2%

e com adição de 1% de óleo de soja pode ser utilizado em dietas para aves machos e fêmeas tipo caipira até o nível de 71% em substituição ao milho, sem prejuízo do desempenho das aves.

2 - O farelo de palma forrageira enriquecido com levedura a 2% e com adição de 1% de óleo de soja pode ser utilizado em dietas para aves machos e fêmeas tipo caipira com até 57% em substituição ao milho, sem prejuízo do desempenho das aves.

3 - As aves alimentadas com rações formuladas com alimentos alternativos propiciaram maior taxa de retorno até 80 dias em relação à ração convencional.

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Referências

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