José Augusto Gomes Azevêdo
Definição dos Carboidratos
• são polihidroxialdeídos ou cetonas ou substâncias que produzem um destes compostos após hidrólise (Teles, 1981),
Estrutura, classificação e ligação química
Nome correto GLICÍDIO (fórmula química do tipo C (H O)
Importância, funções nutricionais e composição nos animais e vegetais:
• os carboidratos são as biomoléculas mais abundantes na natureza;
• representam a principal fonte de energia para a maioria dos animais,
• no corpo animal: < 1% do peso do organismo
> conc. Leite;
• responsáveis por funções vitais no organismo
• nos vegetais: representam cerca de 75% da MS
das forragens
AMIDO
CELULOSE
AMIDO SACAROSE
CELULOSE
PECTINA
CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS
MONOSSACARÍDEOS OLIGOSSACARÍDEOS POLISSACARÍDEOS Não podem ser
hidrolisados a moléculas menores
Após hidrólise, geram de 2 a 10 moléculas de
monossacarídeos
Após hidrólise, geram mais de 10 moléculas de
monossacarídeos
Glicose Maltose: Gli α (1,4)-Gli Sacarose: Gli α (1,2)-β-Fru
Lactose: Gal β (1,4)-Gli Celobiose: Gli β (1,4)-Gli
Amido: Gliα (1,4)- Gli Amilopectina e Glicogênio: Gliα (1,4) e
α (1,6)- Gli Celulose: Gliβ (1,4)- Gli Hemicelulose: Gliβ (1,4)
e xilose α (1,6)
As
As figurasfiguras mostrammostram asas ligaçõesligações glicosídicas
glicosídicas ee suasua relaçãorelação comcom aa formação
formação dede estruturasestruturas ramificadas
ramificadas..
CARBOIDRATOS DIETETICOS
CARBOIDRATOS NO CONTEÚDO CELULAR
CARBOIDRATOS NA PAREDE CELULAR
CHO
PROTEÍNACHO solúveis
PROTEÍNA VERDADEIR
A
Hemicelulose
AMIDO Pectina
Celulose LigninaNão é carboidrato
LIGNINA
A lignina ou lenhina é uma macromolécula tridimensional amorfa encontrada
Planta NOVA (TENRA) Planta VELHA (MACEGA)
Parede Celular:
Lignina, Celulose, Hemicelulose e
Pectina
Conteúdo Celular:
Proteínas, Lipídeos, Carboidratos solúveis
e Vitaminas
82 84 86 88 90
10 12 14 16
S))
PB FDN
CAPIM COLONIÃO CAPIM COLONIÃO
70 72 74 76 78 80
0 2 4 6 8
30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 330 360
FDN (% M
PB (% MS)
Dias após plantio
Parede celular Celulose - Hemicelulose
Conteúdo celular Açucares, Amido, Pectina
Ligação β 1,4 Ligação α 1,4 Celulose Amido
Digestão e Absorção
Não-ruminantes Ruminantes CHO no alimento
Enzimas digestivas
Fermentação microbiana
Glicose no intestino delgado
Absorção para circulação sanguínea
Ácidos graxos
voláteis no rúmen
Processos digestivos
• Local de digestão
• Ação enzimática
• Produção de hormônios
• Condição ambiental (pH, co‐fatores, etc)
Digestão na Boca
Importância da ação mecânica (dentes) Importância da SALIVA:
contém a enzima α ‐ AMILASE SALIVAR (ptialina)
‐ ausente no ruminante, cavalo, cão, gato e “aves”
secretada por três pares de glândulas: parótida
‐ secretada por três pares de glândulas: parótida, submandibular e sublingual
‐ contém mucina – lubrificante da cavidade bucal ‐ deglutição
‐ pH da saliva varia de 6,5 a 7,3 (Andriguetto et al,, 1981),
‐ Ruminantes – subst, tamponantes, NNP, P e Na
α – AMILASE SALIVAR
‐ Dependente de : pH ótimo 6,9
íon cloro (co‐fator da reação hidrolítica)
tempo de permanência na boca – curto
Parede celular
Tri e dissac, Maltose e Maltotriose
Oligossacarídeos ramificados com ligação α 1,4 e α
1,6
Pequenos polímeros de
glicose (9 a 10 GLI)
Hidrolisa apenas as ligações α 1,4 3 a 5% dos amidos
são hidrolisados
MALTOTRIOSE
ISOMALTOSE
No esôfago
Ação da α‐AMILASE SALIVAR Aves – INGLÚVIO (PAPO) Funções:
Serve de compartimento de armazenagem e umedecimento
d li ( i l i ã )
dos alimentos (particularmente importante para os grãos) Permite ação prolongada da “α‐AMILASE SALIVAR “ Câmara de fermentação p/ os microrganismos (Lactobacilos)
‐ produção de ác. lático e acético ( contribui com 3% das
exigências energéticas de mantença – ave caipira)
No estômago (não ruminantes)
Ação da AMILASE continua no interior do bolo alimentar
‐ transforma de 30 a 40% o amido em maltose e isomaltose
‐ pH < 4 0 (HCl) – bloqueia a atividade enzimática
‐ pH < 4,0 (HCl) – bloqueia a atividade enzimática
O ácido suprime a
produção de gastrina Área de produção de ácido pH ≈ 2
Presença de peptídeos e AA + pH
A gastrina estimula a produção de ácido
Área de produção da
gastrina
Estímulos psíquicos
Hidrogênios iônicos (HCl)
‐ hidrolisa lig. entre as unidades de sacarídeos
‐ agem em posições ao acaso dentro da molécula de amido
d i d di i
‐ produz uma mistura de mono, di, tri e polissacarídeos
Aves – PROVENTRÍCULO ou estômago glandular e VENTRÍCULO, MOELA ou estômago muscular
No estômago (ruminantes)
Composto por 4 compartimentos:
‐ rúmen, retículo, omaso e abomaso (estômago verdadeiro ou glandular)
‐ Rúmen é um órgão extremamente grande e ocupa g g p quase todo lado esquerdo da cavidade abdominal
‐ Desenvolvimento da capacidade do estômago
* O estômago de bovinos é aparente aos 28 dias de
desenvolvimento embrionário e aos 56 dias os
compartimentos estão diferenciados.
Variação na capacidade do estômago de bovinos
Idade Ru‐ret(%) oma‐abom(%)
‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐
Nascimento 30 70
1 ê 34 66
1 mês 34 66 2 meses 50 50 4 meses 84 16 Adulto 81 / 5 6‐7 / 7‐8
‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐
Características do rúmen como câmara de fermentação
a) Temperatura entre 38‐42
oC (média de 39
oC) b) Anaerobiose
c) pH entre 5,5 ‐ 7,0
d) Presença de bactérias, protozoários (utilizam pouco
b d lú lf d í l
carboidratos solúveis; engolfam amido e partículas alimentares; utilizam celulose, engolfam bactérias e possuem enzimas proteolíticas) e fungos (colonizam a fração celulose‐lignina inicialmente, facilitando o acesso das bactérias e esta fração)
e) Suprimento de nutrientes e remoção dos produtos de fermentação
Fermentação microbiana no
rúmen
Celulose hemicelulose pectina amido sacarose
Hidrólise (digestão)
glicose
fermentação
piruvato Diminui o pH lactato
glicólise
acetato propionato
butirato piruvato
CO2
metano
AGV – maior fonte de energia dos ruminantes
Celulose
Celobiose
Amido
Maltose
GLICOSE
Glicose 1‐P
Glicose 6‐P
PIRUVATO
Hemicelulose
Xilobiose
Xilose e outras pentoses
Xilulose
Xilulose 6‐P
Frutose 6‐P Triose‐P
Gliceraldeído 3‐P
Pectina
Ácido galacturônico
PIRUVATO
Formato
H2+ CO2
Metilcobalamina
METANO – CH4 Cobalamina
ETANOL Acetil‐P
ACETATO
H2+ CO2 Acetil CoA
LACTATO
Butiril CoA
BUTIRATO
Propionil CoA
PROPIONATO ACETATO
Acetoaldeído
Acetil CoA
ACETATO Acetil CoA
Mitocondria Citoplasma
Celulose
Celobiose
Amido
Maltose
GLICOSE
Glicose 1‐P
Glicose 6‐P
PIRUVATO
Hemicelulose
Xilobiose
Xilose e outras pentoses
Xilulose
Xilulose 6‐P
Frutose 6‐P Triose‐P
Gliceraldeído 3‐P
Pectina
Ácido galacturônico
PIRUVATO
Formato
H2+ CO2
Metilcobalamina
METANO – CH4 Cobalamina
Acetil‐P
ACETATO
H2+ CO2 Acetil CoA
LACTATO
Butiril CoA
Propionil CoA
ACETATO
Acetoaldeído ACETATO
Acetil CoA
Biochemical Rxns in the Rxns in the
Rumen
Ácidos graxos voláteis
Carboidratos
Fermentação microbianaAGV’s Glicose
Ácidos graxos de cadeia curta produzidos pelos microrganismos
3 tipos principais:
Ácido acético (2c)
CH3 C O O–
CH2 C O O–
CH3 CH2 C
O O– CH2 CH3
Ácido propionico (3c) Ácido butílico (4c)
Microbiologia do rúmen
• Aproximadamente 70‐85% da matéria seca digestível da ração é fermentada no rúmen, com produção de AGV, CO
2, CH
4, NH
3e células microbianas
microbianas
Bactérias:
A classificação é feita parcialmente em função dos substratos que as bactérias utilizam e parcialmente considerando o que elas produzem,
a) Digestoras de celulose ou celulolíticas: Bacterioides succinogenes b) Digestoras de amido ou amilolíticas
c) Digestoras de hemicelulose
d) bactérias fermentadoras de açúcares (glicolíticas) e) Bactérias que utilizam ácidos
f) Bactérias metanogênicas
g) Bactérias digestoras de proteína ou proteolíticas h) Bactérias digestoras de gordura ou lipolíticas i) Bactérias que hidrolisam a uréia
O Rúmen é uma estrutura anatômica que abriga uma grande e variada comunidade de bactérias, archaea, fungos e protozoários
O Rúmen é um ecossistema?
Ecossistema (grego oykos, casa + σύστημα) designa o conjunto formado por todos os fatores bióticoseabióticosque atuam simultaneamente sobre determinada região.
Bactérias celulolíticas
• Produz celulases e hidrolisa ligações β 1,4 Gli
• Prefere pH 6‐7
• Utiliza N na forma de NH
3R S í t d AA lf d ( i ti
• Requer S para síntese de AA sulfurados (cistina e metionina)
• Produz acetato, propionato, pouco butirato, CO
2• Predominante em animas recebendo dietas com forragens
Bactérias amilolíticas
• Produz amilases e digere amido
• Prefere pH 5‐6
• Usa N na forma de NH
3ou peptídeos
• Produz propionato, butirato e algumas vezes Produz propionato, butirato e algumas vezes lactato
• Predomina em animais recebendo dietas com grãos
• Mudança rápida da dieta para grãos pode causar acidose lática (pH decresce rapidamente)
ADP ATP Carboidratos
Cata
NADP+ NADPH
abolismo
Crescimento Mantença Replicação AGV
CO2 CH4 Calor No rumen:
Protozoários
• Papel fundamental no engolfamento de partículas de amido e fermentando à AGV de forma mais lenta do que as bactérias, evitando a acidose lática
evitando a acidose lática
Produção de ácidos graxos voláteis (AGV) depende:
Da dieta: Proteína ‐‐‐> butírico e acético Amido ‐‐‐‐‐‐> propiônico e acético Celulose ‐‐‐> acético
Do consumo: Baixo consumo causa baixa taxa de passagem, favorecendo produção de ácido acético,
‐Proporção média de AGV:
Dieta volumosa Dieta concentrada Ácido acético 54‐74% 70 50 Ácido propiônico 16‐27% 20 40 Ácido butírico 6‐15% 10 10
Outros (valérico, capróico, isobutírico, isovalérico, 2‐metil butírico, fórmico): < de 4%
Produção de AGV – Relação molar
Foragem :Concent. Acetato Propionato Butirato
100:0 71,4 16,0 7,9
75:25 68,2 18,1 8,0
50:50 65,3 18,4 10,4
40:60 59,8 25,9 10,2
20:80 53,6 30,6 10,7
Velocidade de fermentação:
, Mono e dissacarídeos: fermentação rápida , Amido: fermentação média (depende da , Amido: fermentação média (depende da
origem, processamento, etc),
, Celulose e Hemicelulose: fermentação lenta
Perfil dos AGV no rúmen
Ácido acético
Atividade da flora atividade da flora
0 Moles
Atividade da flora atividade da flora
celulolítica amilolítica
Ácido propiônico
Ácido lático
Mol / 10 0
a
Fatores que afetam a fermentação ruminal
‐Nitrogênio: Mínimo de 0,8 a 1,0% na mat. seca p/ boa fermentação Ou 3‐6 mmoles de NH3/litro de líquido ruminal ou 5‐15 mg/Dl
‐Energia: CHO de fácil digestão até um certo limite estimula a fermentação (ex.: 1‐3% de sacarose)
‐Enxofre: Síntese de aas sulfurosos (met, cie, cis)
Proporção N:S de 10‐15:1 é bom quando utiliza uréia
‐Fósforo: Síntese de ácido nucleico microbiano
Proporção de N:P de 5‐6:1 é bom quando usa uréia
‐Aminoácidos de cadeia ramificada:
Utilizados por microorganismos que fermentam celulose.
Valina ‐‐‐‐‐‐‐‐> isobutírico Leucina ‐‐‐‐‐‐‐> isovalérico Isoleucina‐‐‐‐> 2‐metil‐butírico
No intestino delgado
Porção mais longa do tubo digestivo
‐ ação mais demorada das enzimas digestivas
‐ ocorrem os processos “finais” da digestão e
b ã
absorção
Entrada do alimento (quimo) no duodeno
‐ mudanças no pH, produção de hormônios, subst. alcalinizantes e enzimas
pâncreas estômago
•base (bicarbonato)
•pH neutro
•ácido (HCl)
Intestino delgado
Principais Enzimas
• α‐amilase pancreática
• Maltase
• Isomaltase
α-1,4
α-1,4
maltose isomaltose oligossacarídeos
= Glicose amido
MALTASE
ISOMALTASE α- AMILASE
• Lactase
• Sacarase
•Trealase
= Frutose
sacarose SACARASE
= galactose
lactose LACTASE
trealose TREALASE
Limitado
Digestão dos CHO’s pela amilase pancreática – FASE DE LÚMEN
Enzima α‐AMILASE PANCREÁTICA
‐
ação semelhante à α‐amilase salivar
‐
hidrolisa as lig. α‐1,4 glicosídicas
‐
incapaz de hidrolisar lig. ß1,4
‐
pH de atuação de 4,5 até 11 (pH ótimo 6,9)
resistente á ação proteolítica das enzimas pancreáticas
‐
resistente á ação proteolítica das enzimas pancreáticas
‐
produtos finais (não podem ser absorvidos pela mucosa):
a) oligossacarídeos de cadeia ramificada (dextrinas limite lig. α‐1,4 e 1,6)
b) di e trissacarídeos com lig. α‐1,6 (maltose, maltotriose e isomaltose)
OBS – NENHUMA GLI LIVRE É FORMADA PELA HIDRÓLISE DA α‐AMILASE PANDREÁTICA
Digestão dos di, tri, e oligossacarídeos na borda‐em‐
escova da mucosa duodena – FASE DE MUCOSA
Principal diferença entre a fase luminal
‐ as enzimas estão quimicamente ligadas à membrana superficial (substrato deve entrar em contato com o epitélio)
‐ 4 ENZIMAS dissacaridases e 1 ENZIMA oligossacaridase
DISSACARIDASES
DISSACARIDASES a) LACTASE
‐ hidrolisa a ligação GAL ß1,4‐GLI da lactose (em lactantes)
‐ LACTOSE → GALACTOSE + GLICOSE
‐ em leitão – adequação de dietas pós desmame (28 dias)
‐ escolher ingredientes que sejam compatíveis com
o padrão de secreção enzimático
Efeito da idade ao desmame na atividade enzimática
Idade (dias) Tripsina Quimiotripsina Amilase
3 14.6 0.94 2.076
7 22.0 3.52 14.666
14 33.8 4.91 21.916
21 32.1 6.99 26.165
28 55.6 9.49 65.051
35 42.1 3.90 24.730
56 515.0 14.30 182.106
60 80 100 120 140 160
e da lactase em suínos s/min/g de proteína
Duodeno Jejuno Íleo
0 20 40
1 2 3 4 5 6
Semana após o nascimento Atividade umoles
Dissacaridase e Oligossacaridase
b) SACARASE
‐
hidrolisa a lig. GLI α1,2‐ß‐FRU
‐
SACAROSE → GLICOSE + FRUTOSE
c) MALTASE E ISOMALTASE c) MALTASE E ISOMALTASE‐
hidrolisa a lig
α1,4‐
MALTOSE E ISOMALTOSE → GLICOSE + GLICOSE
OLIGOSSACARIDASE
‐ α‐DEXTRINASE