O Casamento
A Tragédia
Meu nome é Paloma e tenho um filho de sete anos que se chama Arthur. Estamos num salão de festa organizando o casamento do meu cunhado, que casaria amanhã. Agora a noite era pra ser o ensaio do casamento, mas um homem entrou atirando e matou três pessoas.
— Eu pensei que ele iria te matar.
— Lourdes minha vida hoje teve por um fio. Nunca pensei que ele chegasse tão longe, me olhou com tanto ódio, mas não teve coragem de atirar, então atirou na árvore.
— Você o conhece?
— Sim era meu marido e pai do Arthur — Você quer um pouco de água?
— Não
— Onde está Arthur ?
— Foi comprar guloseimas com Susy.
— Você me disse que Arthur não sabia quem era o pai.
— Não sabe e quero que continue assim.
— Um dia se você quiser me contar.
— Eu quero te contar agora, mas antes ligue pra Susy e peça pra levar Arthur pra casa dela, basta dizer que o ensaio foi cancelado.
Quando Lourdes saiu eu chorei como uma criança que perdeu os pais. Sozinha no jardim ainda sentada na mesa onde estava organizando as lembrancinhas e onde quase fui morta.
Como a vida pode mudar num piscar de olhos e sem avisar? Sei que toda tragédia é anunciada, mas eu não queria ver o quanto às coisas tinha fugido do controle.
— Água com açúcar. A noiva estar indo para o hospital ver a mãe.
— Eu pensei que ela iria ter um derrame.
— Ela já estar melhor, vai ficar bem. O noivo estar indo ver o pai que foi baleado e estar em estado crítico. Disse pra você esperar ele aqui e que eu fique com você.
— E os tios dele que foram baleados?
— Estão ainda na cirurgia.
— Foi todo mundo para o hospital por que você não foi.
— Papai disse pra eu ficar com você que ele cuidaria da mamãe. Minha irmã vai pra lá ficar com eles. Ficarei com você até meu futuro cunhado chegar.
— Ele veio matar ele.
— Não precisa falar
— Eu quero falar e acho que Renato deve contar a sua irmã tudo antes do casamento.
— Conte porque seu marido queria matar Renato e a família dele.
— Eles são irmãos, na verdade meio irmãos. O pai de Renato era casado com minha falecida sogra e dessa união nasceu meu marido, quando ele tinha a idade de Arthur meu sogro se apaixonou por outra mulher e abandonou a mulher e o filho, desprezando a ambos. Minha sogra muito orgulhosa não queria nada dele, dizia que não queria migalhas.
Ela instiga ódio no coração do filho, difama meu sogro, o pintando como um monstro que ele não era.
— Eu achei um homem muito gentil e correto.
— Ele é um bom homem. Se entregou à paixão, mas depois recobrou o bom senso e quis recuperar sua família, mas a esposa não podia perdoar seu mau passo. Quatro anos depois e cansado de implorar o perdão da esposa se divorciou e casou com a mãe do Renato. Quando me casei comecei a falar pro meu marido pra esquecer o passado e que Renato e a mãe não tinha culpa dos infortúnios dele, então ele se aproximou do irmão e chamou o irmão para trabalhar na firma dele, tudo ia bem até a firma começar a ter problemas, ele colocou na cabeça que o irmão estava agindo contra ele, que nada bom vinha do pai dele. Deveria ter visto o que tinha de errado, talvez aprimorar algo ou mais marketing. Mas jogou toda culpa no pai e no irmão, brigaram feio. Renato foi trabalhar com o seu pai e ele acabou falindo. Então se voltou contra mim pois dizia que eu defendia Renato demais e ficava sempre contra ele, saiu de casa por que não podia viver com uma traidora.
— Quando ele saiu de casa você estava grávida.
— Descobri uma semana depois e fui contar pra ele, mas ele mandou o segurança me jogar na rua. Desse dia em diante não nos falamos mais. Mandei as cartas do pai dele pra mãe dele pedindo perdão e as da mãe dele rejeitando o pai, mas ele disse que eram
inventadas, a mãe dele não mentia pra ele. Ainda procurei por ele em vários lugares que eu sabia que ele gostava de ir e fui humilhada. Uma vez ele disse que eu era amante de Renato e ainda bem que não tínhamos filhos pois ele não iria ter certeza que era dele.
Daquele dia em diante deixei de procurar por ele. Mas uma amiga em comum me dava notícias sem ele saber. Ele estava bem, a firma estava bem de novo fazendo grandes negócios, estava namorando com uma moça gentil, bonita e bem-sucedida. Aparentemente ele estava bem.
— O que será que fez ele surtar desse jeito.
— Eu não sei, ele atirou no pai e tios e teria matado o irmão, se aqui estivesse.
— Ele olhou pra você com ódio e apontou a arma pra você...
— Naquele momento pedi a Deus que cuidasse do meu filho.
— Mas ele não teve coragem e atirou na árvore e apontou a arma para própria cabeça.
— Ele teve raiva de me ver aqui, com os inimigos dele, mas algum sentimento o impediu de atirar.
— Amor, ele ama você, ele só não entende como você pode ficar do lado do homem que fez mal pra ele.
— Talvez, mas Renato e a mãe não tem culpa.
— Mas vive com o monstro do pai, mas são cúmplices do homem que ele odeia. Só o que eu não entendo é como a polícia chegou tão rápido.
— Eles já estavam a caminho, seu pai não quis dizer nada pra vocês não ficarem preocupadas. O Almeida ameaçou seu pai.
— O funcionário que ele despediu por estar roubando?
— Sim! Ele ligou essa tarde e disse que antes do amanhecer seu pai estaria cantando no inferno.
— Meu Deus!
— Seu pai tem policiais no hospital e tem dois lã fora.
— Você vai ajudar seu marido?
— Vou sim. Não posso abandonar ele. Não sei se pode entender.
— Eu não entenderia se você o deixasse à própria sorte. Eu preciso de um café — Eu também gostaria.
Segredo jogado ao vento
Lourdes trouxe o café e umas rosquinhas — Não sinto fome
— Imagino, mas falei com Renato e ele disse que os que estão no hospital vão se recuperar. E que mandou um advogado para cuidar do irmão.
— Ele não vai aceitar, vai mandar o homem embora.
— Ele é bem problemático.
—Na verdade, ele é bom, gentil, trabalhador, um bom marido e um amigo leal. Como um sentimento só pode matar todos os outros?
— O ódio cega as pessoas
— Parece que muda a personalidade também.
— Ele precisa de ajuda médica, a teoria da conspiração que ele criou faz com que ele se defenda, lutando contra inimigos imaginários, instinto de sobrevivência.
—Se a justiça obrigar ele vai receber ajuda, mas se for segundo a vontade dele, não vai procurar, nem aceitar.
—Renato chegou
Renato a mãe e a noiva chegaram. Depois dos cumprimentos e abraços, Renato falou:
— Ele não aceitou o advogado
— Ligue para Ricardo, é o único de quem ele vai aceitar ajuda. E ele não sabe que Ricardo é amigo em comum. Além disso ele é influente.
Renato sai pra fazer a ligação e Lourdes fala com a irmã — O que seu noivo fez para o irmão dele agir assim?
— Só mandou o convite do casamento. Agora a culpa é nossa do marido dessa... ser louco. A culpa é dela que ficou tentando aproximar Renato...
— Cale-se sua garota insensível e mimada, gritou Lourdes.
— Tudo bem, talvez ela tenha razão.
— Tudo bem nada. Vou fazer a pergunta de novo e se não responder vou chamar o papai pra uma reunião familiar.
—Mandamos o convite e o marido dela, ligou agradecendo e dizendo que não seria possível porque tinha um compromisso com a namorada.
— Ele foi gentil e educado, o que vocês fizeram.
— Nós não somos culpados da loucura...
Lourdes disco o número do pai e a irmã gritou:
— Renato não aceitou a recusa e deu um sermão no irmão sobre família; contou sobre Arthur e os dois brigaram feio. Renato disse que o pai o abandonou porque ele era mal, que agora ele também não buscaria ter amizade com ele, se era um inimigo que ele queria, um inimigo ele tinha. Não teria o apoio da família. Que Paloma era mais feliz sem ele, que cuidaria do filho dela. Eu fui embora, não sei o que falaram mais.
O pai de Lourdes liga de volta. Ela diz que queria saber da mãe e desliga.
A mãe do Renato, se mantém calada com cara de paisagem.
Lourdes fala novamente:
— O casamento vai ser adiado
— Você não pode fazer isso, gritou a irmã olhando para o noivo que chegava.
-Casamento cancelado e quero os dois longe desse homem que vocês arruinaram a vida.
-— Agora ficou louca também?
-— O homem estava no canto dele, tentando refazer a vida, e vocês além de ir tirar a paz dele ainda conta segredos que não pertencia a vocês e de maneira ameaçadora.
— Só era o que me faltava o bandido virar mocinho.
— Quem cria o monstro não é mais monstruoso? Ninguém é obrigado a aceitar convite de casamento. Vocês fiquem longe dele. Agora sumam daqui; eu vou esperar o papai.
— Você acha que manda...
— Fiquem! Papai deixou titia com mamãe e chega em dez minutos, não precisa fazer o que digo
Rapidamente as mulheres se encaminharam para a saída. Renato falou finalmente.
— Ricardo estar com ele e eu contei tudo o que aconteceu. Paloma não fiz por maldade.
-— Não tem problema
Renato vai embora apressado.
— A mulher do não tem problema. Tem problema sim e ele fez por maldade sim: vaidade, orgulho e egoísmo.
-— Porque tanto medo do seu pai? Ele parece ser tão calmo, gentil e bom.
— Ele é um homem incrível, mas não tolera esse tipo de coisa.
-— Como você sabia que Renato tinha feito besteira?
-— Nada é de graça no universo. Seu marido estava tentando uma vida nova, estava bem, então a lógica era que fantasmas do passado tinham ido lhe roubar a paz, seu sogro não podia ser, ele combina com você
-— Como assim?
— Você é sem problemas e ele é deixa pra lá. Papai chegou vou abrir a garagem pra ele trouxe mais presentes.
Novamente sozinha no jardim. Como tudo muda num piscar de olhos e o meu segredo jogado ao vento. Agora teria que conversar com Arthur
O ignoto
Lourdes e o pai se juntaram a mim no jardim. Quando ela fez um resumo dos acontecimentos ele deu um murro na mesa e disse:
— Casamento adiado enquanto essa confusão que eles causaram se resolve.
Depois suavizando a expressão pegou na minha mão continuou:
—Vai ficar tudo bem, eu prometo. Cuidaremos de você até tudo ser resolvido.
— Obrigada...
— Agora vamos pra casa, estou com fome.
— Você vai pra nossa casa com seu filho.
— Não precisa, estou bem.
— Qual a parte do vamos cuidar de você, que você não entendeu?
Olhei pra Lourdes buscado apoio, mas ela sorriu e disse:
— Vou levar essa comida e doces e salgados pra casa, o resto da madrugada vou comer e assistir um bom filme.
— Então se apresse eu tenho que dormir um pouco, amanhã tenho que lhe dá com os parentes e com os noivos; preciso estar calmo.
Chegando à casa, Lourdes mostrou o meu quarto e o de Arthur.
— Concorda com essa decisão do seu pai?
— E você vai pra onde? A essa hora os repórteres já acamparam na sua porta.
— Não havia pensado nisso.
— Arthur não deve ser exposto a curiosos e nem saber das verdades de qualquer maneira.
— Vá descansar, eu preciso dormir um pouco.
— E a comida e o filme?
— Era só pra chatear o papai, não viu como ele olhou pra mim? Bom descanso.
— Pra você também.
Sempre fui eu quem cuidou dos outros; dos meus irmãos quando meus pais morreram, da minha avó até a morte dela e de várias outras pessoas. Agora alguém cuida e se importa comigo, é uma sensação maravilhosa.
O quarto é muito bonito e confortável, mas não consigo dormir, logo vai amanhecer e o ignoto entrará pela porta. Meu barco saiu do rumo, será que poderei encontrar o caminho de volta?
A vida continua
No dia seguinte Lourdes me levou pra falar com uma psicóloga amiga dela; que segundo ela me ajudaria com o Arthur. Eu estava tão perdida que qualquer ajuda seria bem-vinda.
O pai de Lourdes cuidou pessoalmente do caso do meu marido e conseguiu agilizar as coisas. O resultado meu marido vai pagar pra sair da cadeia, uma soma muito alta. Vai ter que ser acompanhado por um psicólogo, fazer trabalho voluntário e ter uma conduta exemplar pra não ser preso de novo.
Ele aceitou conhecer o filho, mas a visita será supervisionada. Ele não criou caso com a decisão da justiça e nem com o fato de que eu vou estar presente.
Não foi fácil falar com Arthur, fez muitas perguntas que eu não estava preparada para responder tentei dar o meu melhor.
— Foi mais difícil pra você do que pra ele.
— Lourdes, obrigada pelo apoio, não teria conseguido sem você.
— Você é uma mulher forte e uma excelente mãe, só tem que deixar de se preocupar demais com o que outros vão pensar ou vão dizer.
— Você está falando das pessoas com quem eu convivo; meus amigos e parentes...
— Quantos te estenderam a mão, te apoiaram ou se preocuparam. Só ligou sua irmã histérica te dando ordens pra não deixar o pai conhecer o filho e sua tia preocupada com seu estado civil, ordenando que você se divorciou dele. Ninguém se preocupou com seus sentimentos.
— É complicado!
— Não há nada de complicado; você aceita migalhas por ter medo de não ser merecedora do inteiro e as pessoas se aproveitam da sua insegurança e fragilidade.
— Já pensou em ser psicóloga?
— Não tenho vocação.
— Discordo!
— Não tenho vocação para suportar as tolices alheias.
— Como assim?
— Se uma pessoa fútil como a minha irmã entrasse no meu consultório, eu diria umas verdades e expulsaria de lá rapidinho.
— Posso imaginar a cena. Não daria certo, sua má fama logo se espalharia.
Risos e gargalhadas.
— Vocês estão animadas demais, faz só dois dias da tragédia, não há lugar pra riso nessa casa, só luto e lamento.
— Viu o que eu disse. Como ter paciência?
— Eu que não tenho paciência com você minha irmã, por sua causa eu não estou na minha viagem de núpcias em êxtase...
— Desculpe interromper seu êxtase, mas temos que buscar Arthur na escola.
Lourdes me tirou da sala como se estivéssemos com pressa.
— Falta uma hora pra ele sair da escola.
— Melhor perambular uma hora do que ouvir o êxtase das núpcias e depois toda a choradeira do casamento adiado; como ela é infeliz, sem sorte, que foi amaldiçoada ao nascer etc., etc.
— Ela está sofrendo, porque não tenta ser mais compreensiva.
— Sofrendo?
— Sim! Era o casamento dela.
— Eu aguento uma coisa dessas? Presta atenção: o noivo era pra estar morto, mas está vivo porque ela se atrasou; papai adiou por uma semana, eu teria adiado por um mês. Além disso o casamento vai ser mais pomposo do que antes, até o vestido vai ser novo e mais caro do que o primeiro. Tenho tanta pena dela, como sofre essa garota!
— E o trauma?
— Eu te expulsaria do meu consultório também. Eu aguento isso?
Lourdes era diferente do que eu estava acostumada, direta, falava o que pensava, muito segura e dona de si. Eu estranhei confesso, mas ela esteve do meu lado como uma verdadeira irmã.
Seis meses depois
A minha vida está muito melhor do que imaginei que ficaria. Eu aprendi a dizer não, a ser mais forte a não deixar que outros se aproveitem de mim. Conversei francamente com minha irmã e com minha tia, a convivência estar bem melhor.
Deixei o trabalho chato e entediante por outro, onde me sinto valorizada e faço o que amo.
Me afastei de algumas pessoas que só ocupava espaço e não acrescentava nada.
Aprendi a diferenciar amigos de colega. Aprendi a não dar valor ao que não tem valor, apenas pra não me sentir sozinha. Aprendi que estar sozinha pode ser bom; tempo pra se cuidar e se amar.
Arthur se dá muito bem com o pai, as visitas não são mais supervisionadas; um tempo cada semana só pra eles. Eles estão felizes, o que me agrada muito. Ele tem orgulho do pai.
Meu marido ainda faz terapia, trabalhos voluntários, em todos os sentidos leva uma vida exemplar. Quanto a nós dois, parecemos dois estranhos que acabaram de se conhecer, porém o ódio do olhar foi substituído por uma doce ternura. As feridas precisam ser curadas e isso leva tempo.
Todos estão bem, cuidando das suas feridas. O pai de Lourdes se tornou amigo do meu marido, o pai que ele nunca teve, que lhe fazia falta. Meu sogro viajou com a esposa e quase não dá notícias, mas disse que vai voltar.
Quase esqueci, o casamento aconteceu uma semana depois da tragédia, foi o evento do ano, saiu em todos os jornais e em algumas revistas. O vestido da noiva foi algo que
chamou atenção. O comentário era que parecia uma princesa. A noiva ficou muito feliz com o casamento, com o êxtase da viagem de núpcias, que não parava de falar; já sei até de cor. Lourdes sem paciência com tantos êxtases e tantas lembranças do casamento, foi trabalhar em outro país, chega essa semana e volta trabalhar com o pai. Não contamos a
ela que o êxtase nupcial ainda é o assunto em todas as conversas e que as revistas e recorte de jornal estão por toda parte. Tivemos medo que ela não voltasse. A irmã dela veio pra provar a paciência de todos, mas é um doce de criatura quando não fala, assim diz a mãe dela quando estamos a sós.
Mesmo em momentos ruins acontece coisas boas, cabe a nós perceber. Poderia ter
rejeitado a ajuda por causa do jeito diferente de Lourdes, ter visto ela com maus olhos, mas percebi seu cuidado amoroso e sua disposição de ajudar uma estranha, como quem ajuda uma irmã. Aceitar essa ajuda me salvou. Hoje a vida não me leva como um barco à deriva, agora ajustar as velas e conduzo meu barco por águas tranquilas
Cada um foi tocado de uma forma diferente, cada um tem uma versão da história pra contar, mas todos tem um só motivo: o casamento!
Aprendi a ser Eu
Faz um ano da tragédia. Lourdes voltou apaixonada e faz planos para o casamento. Ainda trabalha com o pai e tem pouca paciência com os êxtases da irmã.
Renato está radiante com a gravidez da esposa, enquanto ela enlouquece a família toda com seu novo êxtase. Lourdes diz a ela que tem pena da criança, os pais ficam sem saber o que fazer com esses dois seres que são tão opostos.
Meu marido quer voltar pra casa, mas ainda não sei se desejo recomeçar esse
relacionamento tão desgastado; eu ainda o amo e não penso em viver com outro homem, porém acredito que nossa história já teve fim.
O pai de Lourdes tem sido uma boa influência para ele. Nosso filho está crescendo muito rápido, ficamos desejando congelar o tempo.
Meu sogro morreu, meu marido cuidou dele até o final e a família toda participou, unida e em paz. Renato e o irmão se entenderam e hoje são bons amigos.
Eu aprendi muito com tudo o que aconteceu, me tornei uma pessoa melhor. Antes eu não conseguia ser eu, queria ser o que outros desejavam que eu fosse; querendo agradar a todos, não agradava a ninguém. Hoje aprendi a ser eu, a gostar do que eu sou, não abrir mão da minha essência me ajudou a ter o respeito e a confiança dos outros. Lourdes diz que deixei de ser uma Maria vai com as outras. Todos mudaram por causa daquele ensaio de casamento, mas foi eu quem mais mudou, quem mais descobriu novos caminhos, e uma felicidade que não está condicionada a ninguém ou a alguma coisa. Amo quem eu sou e como vivo hoje. Medo, insegurança, dúvidas... Não assaltam mais a minha paz. Tudo que faço me dá prazer e alegrias, inclusive meu trabalho. Aprender a ser eu mesma foi difícil;
precisou da tragédia para me abrir meus olhos. Hoje sei lidar com conflitos e situações difíceis sem desespero, sem surtar ou perder a minha paz. A vida que eu vivia não era vida, hoje tenho consciência disso e consigo viver um dia de cada vez plenamente. Não vou envenenar minha alma com sentimentos tóxicos, nem envenenar minha alma com pessoas tóxicas. Aprendi que sou um ser único e valioso, que ser EU não é crime, posso ser
diferente dos outros sem culpa, posso ter opinião e gostos diferentes, sem ter que ficar me justificando, não preciso estar fingindo o que não sinto. Aprendi que respeitar a mim, é tão importante quanto respeitar outros.
Fim