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AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 771

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Academic year: 2021

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COMARCA DE CAMPO MOURÃO

AGRAVANTE : GLOBAL SECURITIES TRADE FINANCE AGRAVADO : FERTIMOURÃO AGRÍCOLA LTDA E OUTRO INTERESSADO: JAIME NARCISO SALVADORI

RELATORA : DESª IVANISE MARIA TRATZ MARTINS

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALEGADA PERDA DO OBJETO. INOCORRÊNCIA. AGRAVANTE QUE EXERCEU SEU DIREITO A VOTO NA ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES EM RAZÃO DA INCERTEZA SE CONTINUARIA INCLUSA OU NÃO NO QUADRO GERAL DE CREDORES. INEXISTÊNCIA DE CONCORDÂNCIA COM A SUBMISSÃO DE SEU CRÉDITO À RECUPERAÇÃO JUDICIAL.

IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO. CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. AUSÊNCIA DE SUBMISSÃO À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 49, § 3º, DA LEI 11.101/2005. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO.

O artigo 49, § 3º, da Lei 11.101/2005, deve ser interpretado em consonância com o disposto no artigo 83, III, do Código Civil, que define os direitos creditórios como bens móveis por determinação legal. Logo a cessão fiduciária de direitos creditórios se amolda com perfeição à disposição do artigo 49, §3º, da Lei de Falências e Recuperação Judicial, já que se reputa como uma forma de propriedade fiduciária sobre bens móveis.

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VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento nº 771.158-0 em que é Agravante GLOBAL SECURITIES TRADE FINANCE e são Agravados FERTIMOURÃO AGRÍCOLA LTDA E OUTRO.

I – RELATÓRIO

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto por GLOBAL SECURITIES TRADE FINANCE, impugnando decisão de fls. 195- 199/TJ, nos autos de Recuperação Judicial, em que o juízo “a quo” determinou a manutenção do crédito do Agravante na Recuperação Judicial, reclassificando-o para a categoria dos créditos garantidos por garantia real, além de não apreciar se o valor do crédito estava correto, por entender que tal questão não havia sido objeto de apreciação pelo Administrador Judicial.

Inconformada, alega a Agravante que seu crédito tem origem em cédula de crédito bancário que foi emitida em favor do Banco Paulista, a qual foi endossada à Agravante. Ocorre, que a Agravada Fertimourão para garantir a referida cédula realizou cessão fiduciária de direitos creditórios decorrentes de Contrato de Compra e Venda de soja firmado com a empresa ADM do Brasil LTDA.

Argumenta, que nos termos da cláusula X da referida

Cédula de Crédito Bancário, houve a transferência do título por endosso à

Agravante, que, por sua vez, passou a ser a única detentora do título e, de

acordo com o primeiro termo de aditamento ao Instrumento Particular de

Cessão Fiduciária de Direitos Creditórios, passou a ser a única credora da

cessão fiduciária dos direitos creditórios decorrentes do contrato de Compra e

Venda firmado entre a Agravada e a ADM do Brasil LTDA.

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Assim, sustenta que em razão do seu crédito estar garantido por Cessão Fiduciária de Direitos Creditórios, que é considerado bem móvel, por se tratar de direito creditório, não se submete à Recuperação Judicial, nos termos do artigo 49 §3º, da Lei de Falências e Recuperação de Empresas, razão pela qual deve ser excluído do âmbito da Recuperação Judicial.

Na hipótese de o crédito não ser excluído da Recuperação Judicial, aduz o Agravante que não há preclusão quanto a discussão do valor do crédito diante da não submissão da questão ao Administrador Judicial, já que o Agravante, ao se dirigir ao Administrador Judicial, requereu a sua exclusão do quadro geral de credores, a fim de que seu crédito não se submetesse aos efeitos da Recuperação Judicial.

Assim, sustenta que em razão da manutenção de seu crédito na Recuperação Judicial, o artigo 8º da Lei 11.101/2005 lhe assegura o direito de impugnar o valor do crédito relacionado.

Por fim, afirma de que acordo com a forma de cálculo prevista na Cédula de Crédito Bancário e com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em razão do não pagamento do crédito garantido pela referida cédula, seu crédito atingiria o valor de R$ 13.748.450,59 (treze milhões, setecentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e cinquenta reais e cinquenta e nove centavos) e não a quantia de R$ 10.662.143,27 (dez milhões, seiscentos e sessenta e dois mil, cento e quarenta e três reais e vinte e sete centavos).

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Requereu a exclusão de seu crédito da Recuperação Judicial ou, caso não seja acolhido tal pleito, a sua retificação para o montante de R$ 13.748.450,59 (treze milhões, setecentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e cinquenta reais e cinquenta e nove centavos).

Devidamente intimadas, as Agravadas apresentaram contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do presente recurso ante a sua intempestividade, bem como pelo desprovimento do presente Agravo de Instrumento.

A douta Procuradoria Geral de Justiça, em parecer subscrito pelo ilustre Procurador Luiz Roberto de V. Pedroso, opinou pelo julgamento do recurso como prejudicado, em face da perda de seu objeto.

É o relatório.

II - VOTO E SUA FUNDAMENTAÇÃO

- Da perda do objeto e intempestividade do recurso

Com relação à intempestividade do presente recurso,

deixo de analisar tal pleito, em face de já ter sido apreciado quando da

interposição do Agravo Interno do Agravante, contra a decisão proferida por

esta Relatora que havia negado seguimento ao presente recurso, em razão

de, na ocasião ter entendido que havia sido interposto extemporaneamente,

tendo esta Relatora exercido juízo de retratação quando da interposição do

Agravo Interno (fls. 468-475/TJ).

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Por sua vez, no que tange à perda de objeto alegada pelas Agravadas, bem como constatada pela douta Procuradoria Geral de Justiça, entendo que não seja o caso de se declarar prejudicado o presente recurso.

Para sustentar a tese de que o recurso teria perdido o objeto as Agravadas e a douta Procuradoria Geral de Justiça, asseveram que o Agravante aprovou o plano de Recuperação Judicial na Assembleia Geral de Credores iniciada em 14 de abril de 2011 e encerrada em 03 de maio de 2011, tendo, inclusive, tal plano sido homologado pelo Juízo de 1º Grau, o que demonstraria que o Agravante já havia concordado com a submissão de seu crédito à Recuperação Judicial.

Tal alegação não se sustenta.

Conforme se verifica da decisão impugnada, conclui-se que o Agravante tentou retirar seu crédito da Recuperação Judicial não obtendo êxito, de modo que passou a integrar o quadro geral de credores e sujeito aos efeitos da novação do plano de recuperação judicial que foi aprovado na Assembleia Geral de Credores, que está sendo objeto de diversos recursos perante este Tribunal, que visam a anulá-la.

Desse modo, não parece razoável entender que o fato

da Agravante ter comparecido à Assembleia que iria decidir acerca do Plano e

votado se preste para conduzir à conclusão de que anuiu com a permanência

de seu crédito na Recuperação Judicial.

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Isso porque, tanto não anuiu que recorreu a este Tribunal, tendo exercido seu direito de voto, em razão da incerteza sobre o destino de seu crédito, de modo a votar para resguardar seus interesses caso este Tribunal entenda que o crédito da Agravante deve ser mantido na Recuperação Judicial.

Assim, rejeito a alegação de que o presente recurso encontra-se prejudicado.

- Da não submissão do crédito do Agravante à recuperação judicial

Insurge-se o Agravante contra a decisão proferida pela douta Juíza a quo que manteve seu crédito sujeito à Recuperação Judicial, por entender que há diferença entre a cessão fiduciária de bens móveis e de títulos de créditos.

Razão assiste ao Agravante.

Como se sabe, o artigo 66-B, § 3º da Lei 4.728/65 prevê a possibilidade de se realizar a cessão fiduciária de direitos creditórios.

Vejamos sua redação:

„Art. 66-B. O contrato de alienação fiduciária celebrado no âmbito do mercado financeiro e de capitais, bem como em garantia de créditos fiscais e previdenciários, deverá conter, além dos requisitos definidos na Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, a taxa de juros, a cláusula penal, o índice de atualização monetária, se houver, e as demais comissões e encargos.

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§ 3o É admitida a alienação fiduciária de coisa fungível e a cessão fiduciária de direitos sobre coisas móveis, bem como de títulos de crédito, hipóteses em que, salvo disposição em contrário, a posse direta e indireta do bem objeto da propriedade fiduciária ou do título representativo do direito ou do crédito é atribuída ao credor, que, em caso de inadimplemento ou mora da obrigação garantida, poderá vender a terceiros o bem objeto da propriedade fiduciária independente de leilão, hasta pública ou qualquer outra medida judicial ou extrajudicial, devendo aplicar o preço da venda no pagamento do seu crédito e das despesas decorrentes da realização da garantia, entregando ao devedor o saldo, se houver, acompanhado do demonstrativo da operação realizada”.

Na hipótese dos autos, verifico que o Agravante é detentor de Cédula de Crédito Bancária, garantida por cessão fiduciária de direitos creditórios referentes ao Contrato de Compra e Venda de Feijão e Soja nº 1203P80008S, firmado entre a Agravada e a Adm do Brasil LTDA (fls.

137-188/TJ).

Verifico ainda que a Cédula de Crédito Bancário, bem como o instrumento que realizou a cessão dos direitos creditórios sobre o Contrato de Compra e Venda de Soja e feijão, foram devidamente registrados no Registro de Títulos de Documentos, cumprindo, portanto com o requisito legal, a fim de que o contrato firmado fosse oponível a terceiros. Arnaldo Rizzardo, lecionando acerca da necessidade do registro nos negócios fiduciários, assevera:

“Obviamente, em todo contrato ou negócio fiduciário se requer prova escrita, materializada em instrumento público ou particular. Impõe-se o registro no Cartório de Títulos e Documentos. Eis a previsão do §1º do art. 1.361 do Código de 2002.

(...)

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Daí inferir-se, em qualquer negócio fiduciário, a constituição do contrato mediante instrumento escrito, público ou particular, seja qual for o valor, devendo conter em seu conteúdo, os elementos indicados nos citados preceitos.”1

Ademais, compulsando os autos, denota-se que o Agravante detém a Cédula de Crédito, em face de endosso realizado pelo antigo Credor Banco Paulista S/A em seu favor, razão pela qual se considera que o título foi transferido, inclusive, com suas garantidas, no caso em análise, com a cessão de direitos creditórios efetuadas. Acerca do assunto, merecem transcrição as palavras de Marlon Tomazette:

O endosso que sempre será do título inteiro, tem por efeito primordial a transferência de todos os direitos inerentes ao título, daí falar-se em endosso tranlastivo.

(...)

Essa transferência abrange ainda todas as garantias ao título, sejam elas pessoais (aval) ou reais (hipoteca, penhor...). Se o endosso transfere o direito de crédito, transfere as garantias que lhe são acessórias também. As garantias também são inerentes ao título e, por isso, também se transferem.”2

Portanto, pode-se concluir que a Agravante, de fato assumiu a posição de credora da Agravada, sendo que seu crédito está garantido por uma cessão fiduciária de direitos creditórios.

Assim, verifica-se que o crédito, pertencente à Agravante não se submete à Recuperação Judicial, tendo em vista que se enquadra no artigo 49, § 3º da Lei. 11.101/2005. Vejamos sua redação:

1 Direito das Coisas – 5ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense, 2011. p. 466-467.

2 Curso de Direito Empresarial – Títulos de Crédito, volume 2 – São Paulo: Atlas, 2011. p.

108.

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“Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos.

(...)

§ 3o Tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá aos efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais, observada a legislação respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a que se refere o § 4o do art. 6o desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial.”

Vale lembrar que, em que pese o §3º do referido artigo fazer referência à palavra “proprietário de bens móveis ou imóveis”, tal dispositivo deve ser interpretado em conjunto com as demais regras presentes no ordenamento jurídico.

Destarte, ao passarmos os olhos pelo Código Civil, veremos que seu artigo 83, em seus incisos I e II, considera que os direitos, sejam eles reais ou pessoais, serão considerados bens para efeitos legais:

“Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:

(...)

II – os direitos reais sobre objeto móveis e as ações correspondentes.

III – os direitos pessoais de caráter patrimonial e a respectivas ações.”

(10)

Conclui-se, portanto, que os direitos reais ou pessoais, são os bens móveis por determinação legal, conforme leciona Maria Helena Diniz

3

.

Desse modo, tendo em vista que a cessão fiduciária sobre direitos creditórios, também se encaixa como uma forma de propriedade fiduciária sobre bens móveis, o crédito da Agravante se enquadra na hipótese prevista no artigo 49, § 3º da Lei de Falências e Recuperação de empresas, devendo ser excluído do âmbito da Recuperação Judicial, com o que concordam Fabio Ulhoa Coelho e Gladston Mamede:

“Alguns advogados de sociedades empresárias recuperandas procuraram levantar a “trava bancária” do art. 49 § 3º, da LF, sob o argumento de que a cessão fiduciária de direitos creditórios não estaria abrangida pelo dispositivo porque este cuida da propriedade fiduciária de bens ou imóveis. Esse argumento procurava sustentar que na noção de bens somente poderiam ser enquadradas as coisas corpóreas.

Não vinga a tentativa. Os direitos são, por lei, considerados espécies de bens móveis. Confira-se a propósito o artigo 83, III, do CC. Nesse dispositivo, o legislador brasileiro consagrou uma categoria jurídica secular, a dos bens móveis para efeitos legais.

(...)

Concluindo, não há discrepância, na doutrina, sobre a extensão do conceito de “bens móveis”, no sentido de alcançar também os “direitos obrigacionais” (salvo apenas se referidos a bens imóveis). Por isso, o artigo 49 §3º, da Lei n.

11.101/2005 deve ser interpretado em consonância com o art. 83, III, do CC, para fins de assentar que a cessão fiduciária de direitos creditórios também está excluída dos efeitos da recuperação judicial do cedente.”4 (Fabio Ulhoa Coelho)

3 Curso de Direito Civil – Teoria Geral do Direito Civil – São Paulo: Saraiva, 2008. p. 335-336.

4 Comentários à Lei de Falências e de recuperação de empresas – São Paulo: Saraiva, 2011.

p. 194-196.

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“Note-se que o artigo 1.361 do Código Civil fala apenas em propriedade resolúvel de coisa móvel infungível, mas o artigo 49, §3º, da Lei 11.101/05 contempla igualmente a figura da propriedade fiduciária de coisa imóvel. Devem-se ainda incluir hipóteses ainda mais ousadas, como a cessão fiduciária de direitos sobre coisas móveis, bem como de títulos de crédito.”5 (Gladston Mamede)

No mesmo sentido, já decidiu este Tribunal que a cessão fiduciária de direitos creditórios não se submete à recuperação judicial:

RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO CIVIL. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PLEITO DE SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA GARANTIA FIDUCIÁRIA OUTORGADA EM FAVOR DA AGRAVADA. MATÉRIA QUE DEVE SER OBJETO DE CONHECIMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.

SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA SE CONHECIDO.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL. LEI Nº 11.101, DE 2005, CRÉDITOS SUJEITO À RECUPERAÇÃO JUCIAIL. CESSÃO FIDUCIÁRIA SOBRE DIREITOS CREDITÓRIOS.

INTELIGÊNCIA DO ART. 49, § 5º.

Na dicção do art. 49, § 5º da Lei nº 11.101, de 2005, os direitos creditórios garantidos pela cessão fiduciária não se submetem aos efeitos da recuperação judicial. Precedente no mesmo sentido: TJPR - 17ª CC - AI 471.823-6 - Rel. Des.

LAURI CAETANO DA SILVA - Julg. Em 27 de maio de 2009 RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO CIVIL CONHECIDO EM PARTE, NO MÉRITO, NÃO PROVIDO.

(TJPR - 18ª C.Cível - AI 798309-1 - Marechal Cândido Rondon - Rel.: José Sebastiao Fagundes Cunha - Unânime - J. 25.04.2012)

AGRAVO DE INSTRUMENTO - RECUPERAÇÃO JUDICIAL - CESSÃO FIDUCIÁRIA SOBRE DIREITOS CREDITÓRIOS - EXEGESE DO ART. 49, §5º DA LEI Nº. 11.101/2005 - SUBMISSÃO AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - INOCORRÊNCIA - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

Na dicção do art. 49, §5º da Lei nº. 11.101, de 2005, os direitos créditórios garantidos pela cessão fiduciária não se submetem aos efeitos da recuperação judicial.

5 – São Paulo: Atlas,

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(TJPR - 17ª C.Cível - AI 739522-0 - Rel.: Paulo Roberto Hapner - Unânime - J. 27.04.2011)

AGRAVO DE INSTRUMENTO - RECUPERAÇÃO JUDICIAL - CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CESSÃO FIDUCIÁRIA DE DIREITOS CREDITÓRIOS - RECEBÍVEIS DE CARTÃO DE CRÉDITO - PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO REPELIDA - CRÉDITO QUE NÃO SE SUBMETE AO PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - INTELIGÊNCIA DO ART.

49, § 3º DA LEI Nº 11.101/2005 - RETENÇÃO DOS VALORES PELO CESSIONÁRIO NO PERCENTUAL PACTUADO - POSSIBILIDADE - DECISÃO REFORMADA (...)

2. O crédito garantido por negócio fiduciário, especificamente, cessão fiduciária de direitos creditórios não se submete ao procedimento de recuperação judicial da empresa devedora, por expressa previsão legal (art. 49, § 3º da Lei nº 11.101/05).

3. Recurso conhecido e provido.

(TJPR - 18ª C.Cível - AI 472508-8 - Rel.: Ruy Muggiati - Unânime - J. 27.08.2008)

Assim, merece provimento o presente recurso, para o fim de se determinar a exclusão do crédito do Agravante da Recuperação Judicial.

III – DISPOSITIVO

ACORDAM, os integrantes da Décima Oitava Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento ao recurso, nos termos do voto e sua fundamentação.

O julgamento foi presidido pelo Excelentíssimo

Desembargador Marcelo Gobbo Dalla Dea, como voto, e dele participou o

Excelentíssimo Desembargador Carlos Mansur Arida.

(13)

Curitiba, 20 de junho de 2012.

DESª. IVANISE MARIA TRATZ MARTINS

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