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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

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Registro: 2018.0000397696

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 1034515-79.2016.8.26.0100, da Comarca de São Paulo, em que é apelante/apelado FACEBOOK SERVIÇOS ONLINE DO BRASIL LTDA, é apelado/apelante FRIGORÍFICO MARBA LTDA.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 8ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: DERAM PROVIMENTO AO APELO DA RÉ E PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO DA AUTORA V.U., de conformidade com o voto do relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores SILVÉRIO DA SILVA (Presidente), THEODURETO CAMARGO E ALEXANDRE COELHO.

São Paulo, 28 de maio de 2018.

Silvério da Silva

Relator

Assinatura Eletrônica

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VOTO Nº: 15451

APELAÇÃO Nº: 1034515-79.2016.8.26.0100 COMARCA: SÃO PAULO - CENTRAL

APTE/APDO: Facebook Serviços Online do Brasil Ltda APDO/APTE: Frigorífico Marba Ltda

JUIZ (A) DE 1º GRAU: Eduardo Palma Pellegrinelli

pn

Apelação cível. Obrigação de fazer. Palavras ofensivas contra a autora partindo de diversos perfis na rede social "Facebook". Pedido de fornecimento dos registros de acessos dos usuários que proferiram as ofensas.

Sentença de procedência, com condenação da autora nos ônus da sucumbência.

Insurgência de ambas as partes. Inconformismo da ré acolhido. Dever do autor de indicar especificamente as URLs dos perfis utilizados para a prática do ato ilícito (art.

19, § 1º, do Marco Civil da Internet). URL inválida para o perfil "Jeferson Robison Odilon". Impossibilidade de obrigação da ré de fornecer “qualificação completa” do usuário do perfil, mas apenas aqueles exigidos para o acesso ao site. Indevida a condenação da autora na sucumbência, assim como da ré. Ainda que tenham havido divergências parciais quanto ao cumprimento da decisão, não se verificou resistência da ré, que demonstrou o cumprimento quanto ao que lhe competia. Exibição de informações que só poderiam ser fornecidas mediante requisição judicial. Ausente a condenação em sucumbência, custas arcadas pelas partes. Recurso da ré provido, e da autora provido em parte.

A sentença de páginas 251/256 julgou procedente a ação para:

a) determinar a extinção do processo nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil;

b) condenar o réu ao cumprimento de obrigação de fazer, consistente em manter a exclusão das postagens, compartilhamentos e curtidas indicadas na petição inicial;

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c) condenar o réu ao cumprimento de obrigação de fazer, consistente em informar, em 10 dias, o nome, a qualificação completa e todos os dados capazes de identificar os os responsáveis pela criação dos prefís denominados "Marba Paulicéia" e "Jeferson Robison Odilon".

Sucumbência pelo autor.

Apelou o réu Facebook páginas 279/303, aduzindo que deve ser reconhecido o cumprimento da sentença. Aduziu ainda sobre a impossibilidade de cumprimento da sentença quanto a URL https://www.facebook.com/jefersonrobinsonodilon, pois não é endereço válido, a teor do que dispõe o art. 19, §1º do Marco Civil da Internet, vez que por intermédio da URL é possível localizar e individualizar contas e conteúdos em meio a milhares de contas sustentadas na plataforma. Aduziu, outrossim,

no que se refere ao endereço

https://www.facebook.com/profile.phpid=1000111712992674&fref=ufi&rc=p não existe fundamento para obrigar o fornecimento de qualificação completa, pois o que foi fornecido pela ré são os dados disponíveis como no, endereço de e-mail e endereços de IP (registros de acesso). Pediu a reforma da sucumbência.

Apelou o autor páginas 307/313 para a reforma da sucumbência, pois a ré contestou os pedidos, pediu a extinção do processo e a improcedência da demanda. Aduziu que a ré deve ser condenada pela sucumbência em razão do risco da atividade que exerce. Aduziu a incidência do artigo 88 do CPC, pela similaridade com a jurisdição voluntária, já que a lei dispõe sobre a necessidade de intervenção do judiciário para a quebra de sigilo de dados, de modo que não há que se falar propriamente em sucumbência. Pediu que seja afastada a condenação em honorários e que as custas sejam rateadas.

Contrarrazões páginas 318/329 e 330/337.

Ausente oposição ao julgamento virtual.

É o relatório.

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Trata-se de ação de obrigação de fazer na qual a autora alega que usuários anônimos do Facebook, utilizam do nome da ora apelante e de seus sócios administradores com intuito de denegrir a imagem da empresa.

Informa que foi obtido o bloqueio temporário das postagens, todavia, necessária é necessário a identificação destes usuários para impedir eventual e futura repetição da conduta ilícita, além de viabilizar o pedido de ressarcimento do dano à imagem.

A sentença ora recorrida julgou procedente a ação, entretanto, ambas interpuseram recurso de apelação, pedindo parcial reforma da sentença.

A autora reconhece o parcial cumprimento da sentença pela ré ao fornecer os dados do usuário “Marba Pauliceia”, todavia, deixando de fornecer eventuais trocas de e-mails e mensagens instantâneas deste usuário com outros usuários da plataforma Facebook, ou, então, informar que não houve esta troca de mensagens.

Também há insurgência da ré porque a autora não forneceu a URL válida a respeito do perfil "Jeferson Robison Odilon".

Nos termos da legislação de regência (Marco Civil da Internet), a determinação genérica de remoção de perfis ou conteúdos relacionados, como eventuais trocas de e-mails do usuário deste perfil com outros usuários afronta o disposto no art. 19, § 1º, que estipula que a ordem judicial, sob pena de nulidade, deve conter identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a localização inequívoca do material.

Como já verificado no julgamento do agravo de instrumento n. 2098874-30.2016.8.26.0000, páginas 374/381, a indicação da

URL

https://www.facebook.com/jefersonrobinsonodilon inviabiliza a imposição de obrigação, pois é endereço indisponível.

A consulta realizada por este Relator ao perfil

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“Jeferson Robison Odilon” na página da ré, por meio de sua assessoria, demonstrou como resultado a indicação de “Não foi possível encontrar nenhum resultado para jeferson robison Odilon” (acesso em 16/04/2018, https://www.facebook.com/search/str/jeferson+robison+

odilon/keywords_users).

Ainda que a autora tenha juntado o print da tela, conforme páginas que instruíram o processo, o conteúdo não se encontra disponível, de modo que não é possível a identificação do usuário responsável.

Como já analisado por esta Câmara, no agravo n.

2038471-61.2017.8.26.0000, j. 7/6/2017:

“Com efeito, apenas a reprodução de print da tela de acesso ao aplicativo do Facebook, pelo celular, não é suficiente para a exata identificação dos perfis indicados, mormente diante da possibilidade de alteração das fotos e até mesmo do nome dos usuários.”

Da mesma forma, não existe fundamento legal para condenação da ré em fornecer a qualificação completa do usuário do perfil

“Marba Paulicéia”, mas apenas aqueles solicitados quando do acesso ao facebook, como foi pleiteado pela autora em sua petição inicial (“i. Dados dos usuários: nome, e-mail, data de nascimento e quaisquer outros dados pessoais registrados; ii. Telefone”).

Quanto à sucumbência, ambas as partes recorrem.

Da sentença constou a seguinte condenação:

“por aplicação do princípio da causalidade, com fundamento no art. 85, §§ 2º e 14, do CPC, condenar o autor ao pagamento das custas e das despesas processuais, bem como dos honorários advocatícios em favor do advogado contratado pelo réu, fixados em R$ 2.000,00.”

A questão já foi decidida por esta Câmara:

“De fato, a inviolabilidade do sigilo dos dados pessoais possui amparo constitucional (art. 5º, XII, da CF/88) e, por este motivo, a negativa no fornecimento espontâneo desses dados pelas rés é

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legítima, não incidindo ao caso o princípio da causalidade. O Marco Civil da Internet ("MCI", Lei nº 12.965/14), nos arts. 7º, I, VII1 , e 10, § 1º2 , inclusive, positivou a necessidade de vir a juízo para obter os dados, circunstância que reforça a situação assemelhar-se a um procedimento de jurisdição voluntária, incidindo, quanto aos honorários, o princípio do interesse.

Nesse contexto, para a análise da distribuição do ônus sucumbencial, é irrelevante se o pedido foi feito antes ou após à vigência do MCI, uma vez que a negativa para a divulgação espontânea dos dados é legítima (possui respaldo constitucional) e, tratando-se de procedimento análogo à jurisdição voluntária, incide ao caso o princípio do interesse.

Pelo exposto, não há condenação em honorários.”

(APELAÇÃO Nº: 1049440-51.2014.8.26.0100, Rel. Grava Brazil, j. 4/10/17)

Assim já decidi:

“De fato, pela petição de fls. 37/40, é possível constatar que, tão logo intimada, a ré cuidou de trazer aos autos as informações requisitas pelo juízo. E mesmo a contestação de fls. 76/89, trazida posteriormente, não dá a demonstrar resistência ao cumprimento da tutela concedida. Apenas alega sua ilegitimidade passiva, mas que por si só veio a buscar os dados junto a quem supostamente seria detentor dos dados de acesso (por pertencer ao mesmo grupo empresarial), e logo em seguida apenas argumenta que a sucumbência não poderia ser imputada à ré, justamente pela ausência de resistência e porque não poderiam ser fornecidos os dados por outra maneira que não a requisição judicial.” (Apelação n.

1018167-83.2016.8.26.0100, j. 22/3/2017).

Assim, autora e ré devem arcar com as custas e despesas processuais que desembolsaram, e com os honorários de seus respectivos advogados.

Assim, o recurso da ré deve ser provido, e da autora

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provido em parte, para modificar a sucumbência que fora fixada.

Dou provimento ao recurso da ré e parcial provimento ao recurso da autora.

SILVÉRIO DA SILVA Relator

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