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O setor e seus números

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Academic year: 2021

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O setor e seus números

O Brasil tem a segunda maior população de cães, gatos e aves canoras e ornamentais em todo o mundo e é o quarto maior país em população total de animais de estimação. São 52,2 milhões de cães; 37,9 milhões de aves; 22,1 milhões de gatos; 18 milhões de peixes e mais 2,21 milhões de outros animais. O total é de 132,4 milhões de pets, o que demonstra a força potencial de nosso setor na economia brasileira.

É composto por indústrias e integrantes da cadeia de distribuição, dos segmentos de alimentos (Pet Food) serviços (Pet Serv), medicamentos veterinários (Pet Vet) e cuidados com saúde e higiene do pet (Pet Care).

Hoje, o mercado pet já representa 0,38% do PIB brasileiro. Em 2014, a indústria de produtos para animais de estimação faturou R$ 16,7 bilhões, cerca de 10% a mais do que em 2013, quando o valor foi de R$ 15,2 bilhões. Em 2006, esse número era de R$ 3,3 bi. A maior fatia ficou por conta de Pet Food, que representou 66,9% do faturamento, seguido por Pet Serv (serviços, 17,8%), Pet Care (8%) e Pet Vet (produtos veterinários, 7,3%).

A região Nordeste é a que tem o maior número de gatos, com mais de 7.380 milhões desses animais, seguida pelo Sudeste, com cerca de 7.200 milhões. Cada uma delas representa 33% da população de felinos, seguidas pelo Sul (19%), Norte (8%) e Centro-Oeste (7%). Os cães estão concentrados no Sudeste (40%) e São Paulo é o estado com o maior número, mais de 10.550 milhões. Depois vêm Minas Gerais, com quase 6 milhões e, em terceiro lugar, Rio Grande do Sul, com cerca de 5,2 milhões. A segunda maior região é o Sul, com 23%, seguida pelo Nordeste (20%), Centro-Oeste (9%) e Norte (8%).

O Sudeste lidera o ranking de aves, com 40% da população nacional. Depois estão Nordeste (26%), Sul (21%), Norte (9%) e Centro-Oeste (4%). O Sudeste ainda concentra mais da metade dos peixes ornamentais do Brasil (63%). Em seguida, estão Sul (20%), Nordeste (7%), Norte (6%) e Centro-Oeste (4%).

É importante ressaltar que, entre todos os domicílios brasileiros localizados na área rural, 65% têm pelo menos um cachorro, enquanto que a proporção de lares com ao menos um cão na zona urbana é de 41%. Em média, há 1,8 cão por domicílio. No Sul, 58,6% dos lares, ou seja, 28.9 milhões têm esse animal, enquanto no Nordeste são 36,4%. Em 2013, 44,3% das casas brasileiras tinham esse pet.

Previsões da Abinpet indicam que, em 2015, o setor atingirá R$ 17,9 bilhões em faturamento, um aumento de 7,4% sobre 2014. Mesmo com este contingente, em 2014 o País caiu uma posição no ranking mundial e está atrás dos Estados Unidos (41,8%) e do Reino Unido (6,5%), com 6,3% do mercado mundial, que movimentou US$ 100,4 bilhões, um crescimento de 4,1% sobre 2013. Em 2015, esta distribuição deve permanecer. A previsão é que os Estados Unidos tenham 41,7% do faturamento de US$ 104,4 bilhões, o Reino Unido 6,4% e o Brasil, 5,4%. A queda é devida à alta do Dólar sobre o Real.

Representatividade do mercado de luxo

Esta fatia existe no mercado pet, mas representa menos de 1% do faturamento do setor. O consumo do mercado pet está concentrado na classe média, que prioriza banho e tosa, alimentação e vacinação dos pets, não acessórios de luxo.

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Balança comercial

Em 2015, as exportações devem atingir quase US$ FOB 605 milhões, o que significa 21,6% sobre 2014, quando foram vendidos cerca de US$ FOB 497 milhões. Quanto às importações de pet food, em 2014 o Brasil fechou com US$ FOB 4,9 milhões.

Produção e venda de pet food

Como entidade representativa do setor de produtos e serviços para animais de estimação, a Abinpet discute e analisa constantemente diversas normas para assegurar a qualidade da produção e do manejo de alimentos para os pets. Por meio de apoio a grupos de pesquisa, tanto de universidades quanto os formados pela própria entidade (a exemplo do comitê técnico), sabe-se que o alimento industrializado, por atender às normas e regulamentações específicas de órgãos governamentais e agências regulatórias, é o único que seguramente tem a quantidade ideal de nutrientes diários para o pet.

A indústria brasileira de alimentos para pets está em constante atualização. Há oito anos, as principais empresas do segmento adotam o Manual Pet Food Brasil como guia de boas práticas. A publicação, elaborada por acadêmicos da área, é uma realização da entidade. O Manual contém informações sobre os padrões técnicos e de qualidade de matérias-primas, parâmetros nutricionais, metodologias analíticas aplicáveis e condições ideais de produção para garantir alimentos seguros aos mercados nacional e internacional.

Os canais de vendas mais representativos para o mercado brasileiro continuam sendo os pet shops, em primeiro lugar, com 50% do mercado e apenas 4% são de megalojas. Supermercados representam 29% das vendas e a internet 2,6%. Já nos Estados Unidos, os pet shops também lideram, mas com 36% do mercado.

Desse número, no entanto, as megalojas são 31,4% das vendas de varejo. A venda em supermercados representa 40% e vendas pela internet 1,3%.

Carga tributária

Mesmo com esses números, alguns segmentos da sociedade ainda têm menos acesso aos produtos e serviços para pets, especialmente a alimentos, devido aos impostos. As classes C, D e E são as que mais sofrem com a carga tributária. Muitas dessas pessoas acabam por alimentar o animal com sobras de mesa, o que prejudica o bem estar, desenvolvimento físico e saúde do pet, incluindo aspectos fisiológicos e longevidade.

A carga tributária do segmento de alimentos, que representa quase 67% do faturamento do setor, é de 49.99%

representados por tributos como IPI, ICMS-ST, Pis/Cofins.

Sabemos que aproximadamente 60% do faturamento do setor provem dessas classes, que são muito sensíveis à alta carga tributária. A cada R$ 1,00 gasto com alimento completo, R$ 0,50 é imposto. Se os impostos sobre o produto final diminuíssem, seria possível a estas classes ter um acesso adequado aos produtos e serviços para pets.

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Este é o principal gargalo, que inibe o desenvolvimento do setor pet de forma sustentável. O Brasil é o país com a maior carga tributária do mundo. Na Europa, a carga tributária do setor pet é de cerca de 18,50% e nos Estados Unidos não passa de 7%.

Diferenças entre tipos de alimento para pets

Alimento natural: derivado de ingredientes vegetais, animais ou minerais no seu estado natural, ou que tenha sido objeto de transformação física, tratamento térmico, processamento, purificação, extração, hidrólise, enzimólise, fermentação, mas não tem em sua composição elementos sintetizados quimicamente, exceto em quantidades inevitáveis pelas boas práticas de fabricação (definição AAFCO, 2014). Sobre a alimentação natural, a Abinpet reconhece que há benefícios. O principal deles é a alta biodisponibilidade, ou seja, uma maior quantidade de nutrientes pode ser absorvida e utilizada pelo organismo do animal. Por conta dessa maior absorção, o volume das fezes é reduzido. No entanto, há de se considerar o estilo de vida das pessoas.

Atualmente, a alimentação precisa ser prática, pois poucos donos realmente dispõem do tempo e da atenção que a dieta natural exige.

Para que a dieta natural funcione, o dono do animal precisa estudar muito e seguir à risca as instruções do médico veterinário, sem substituir ingredientes. Este, por sua vez, precisa ser um especialista no tema.

Alimento industrializado: é todo alimento que sofreu qualquer tipo de processamento em ambiente industrial e que atende a todas as regulamentações específicas do setor. No caso do segmento Pet Food, enquadram-se nas categorias alimentos completos, alimentos coadjuvantes ou alimentos específicos (Art 3º - IN nº 30/ 2009).

Alimento completo: produto composto por ingredientes ou matérias-primas e aditivos, destinado exclusivamente à alimentação de animais de companhia, capaz de atender integralmente suas exigências nutricionais, podendo possuir propriedades específicas ou funcionais.

Alimento coadjuvante: composto por ingredientes ou matérias-primas ou aditivos destinado exclusivamente à alimentação de animais de companhia com distúrbios fisiológicos ou metabólicos, capaz de atender integralmente suas exigências nutricionais específicas, cuja formulação é incondicionalmente privada de qualquer agente farmacológico ativo (IN39/2014).

Alimento específico: produto composto por ingredientes, matérias-primas ou aditivos, destinado exclusivamente à alimentação de animais de companhia com finalidade de agrado, prêmio ou recompensa, e que não se caracteriza como alimento completo, podendo possuir propriedades específicas.

Alimento caseiro: preparado fora de ambientes industriais. A Abinpet é contra a alimentação caseira porque, caso não seja corretamente manipulada e não contenha um balanço nutricional adequado, prejudica o desenvolvimento mental e físico dos pets e pode causar doenças diversas. A alimentação caseira pode não ser precisamente balanceada para conter os nutrientes essenciais nas quantidades mínimas recomendadas para os animais de estimação.

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Sobre alimentos para pets a granel

A comercialização a granel é permitida somente aos estabelecimentos devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), conforme regulamento aprovado pelo Decreto no 6296, de 11 de dezembro de 2007 (artigo 6), e pela a Instrução Normativa no 15, de 26 de maio de 2009, na atividade e categoria a que se propõe.

O estabelecimento que apenas comercialize, armazene ou distribua produtos destinados à alimentação animal fica isento de registro, devendo, obrigatoriamente, cumprir as normas de higiene e segurança do trabalho e atender aos requisitos do artigo 8º do Decreto no 6296, de 11 de dezembro de 2007. Este tipo de estabelecimento está autorizado a vender alimentos completos somente em suas embalagens originais e lacradas, da forma que recebeu do fabricante. No entanto, é comum também encontrar a comercialização de alimento completo a granel neste local, o que é proibido por lei.

A comercialização ilegal de alimento a granel pode trazer muitos riscos à saúde do animal de estimação. O alimento completo é fornecido diretamente aos animais sem a necessidade de preparo algum e, por isso, qualquer contaminação no produto que ocorra no ponto de venda a granel irá direto para o animal. Portanto, é imprescindível que os estabelecimentos cumpram a legislação brasileira para garantir que a segurança e qualidade do alimento completo produzido pelas empresas de pet food sejam sempre preservadas.

Posicionamento sobre transgênicos

A decisão de utilizar ingredientes transgênicos varia de acordo com o fabricante. Independentemente da decisão da empresa, a Abinpet acredita que o importante é cumprir as leis vigentes no Brasil.

O alimento transgênico é aquele obtido a partir de variedades geneticamente modificadas. Esses alimentos podem ser utilizados para consumo direto, como insumo ou ingrediente na cadeia de produção de outros alimentos.

No Brasil, o artigo 40 da Lei de Biossegurança (11.105/05) prevê a rotulagem dos transgênicos conforme o decreto nº 4.680/03. Esse decreto determina que todos os alimentos ou ingredientes alimentícios que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados (OGM) – acima de 1% da composição final do produto – sejam rotulados. Assim como ocorre com qualquer outro produto, a rotulagem garante ao consumidor o direito à informação e à escolha na hora da compra.

Diversas organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e inúmeros institutos independentes de pesquisa, concluíram que os organismos geneticamente modificados, assim como os ingredientes derivados destes produtos, são extensivamente submetidos a protocolos de avaliação de segurança. Desde que as regras sejam seguidas, não há problema no consumo.

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A importância dos animais de estimação na vida das pessoas

O desenvolvimento do mercado reflete o reconhecimento dos benefícios da interação entre humanos e animais para a saúde de ambos. Os animais de estimação, hoje, são parte da família. A longevidade e o estilo de vida solitário nas grandes cidades fazem dos pets importantes na vida das pessoas. Além disso, os animais de estimação são considerados fundamentais em tratamentos terapêuticos e em políticas de inclusão social.

As mudanças do perfil das famílias brasileiras têm grande impacto nesta relação entre humanos e pets. Houve um aumento de casais que optam por não ter filhos, ou somente um filho, e que buscam a companhia de um pet. Como membro da família, o animal de estimação vive cada vez mais dentro de casa, especialmente de apartamentos por conta da verticalização dos centros urbanos. Isso faz com que os donos aumentem os cuidados com a saúde do animal e invistam mais em alimentação, idas ao veterinário e em creches e profissionais do ramo, como dog walkers.

Com a Terapia Assistida por Animais (TAA), que pode ser aplicada em diferentes casos médicos, há grandes melhorias para o pacientes. Alguns casos mais conhecidos são os tratamentos de idosos e de crianças com paralisia cerebral, autismo ou hiperatividade. Estudos realizados mostraram que essa convivência é capaz de melhorar a autoestima, diminuir problemas cardiovasculares e o stress, aumentar a qualidade de vida de pessoas hipertensas e, principalmente, melhorar a interação social.

Os cães e gatos são responsáveis por melhoras sociais, emocionais, físicas e cognitivas de pacientes em tratamento nos hospitais. Acariciar um animal, por si só, já ajuda o paciente a relaxar. Cães e gatos também servem como companhia para idosos solitários, evitando casos de depressão.

Aves, répteis e pequenos animais também podem ser terapêuticos. Já existem tratamentos para crianças autistas ou com déficit de atenção utilizando esses bichinhos.

O que é posse responsável?

Antes de adquirir um animal de estimação, o possível dono precisa saber com quais gastos precisará arcar.

Pets exigem idas ao veterinário, vacinas, banho, tosa, alimentação adequada, além de carinho e atenção. Nos últimos anos, o mercado percebeu um aumento dos gastos com produtos Premium, devido ao maior número de opções disponíveis com mais valor agregado e diferenciação. A posse responsável faz com que os donos optem por produtos que proporcionem maior bem estar para seus pets. Os cuidados com os animais de estimação que vivem dentro de casa implicam muitas vezes em mais gastos, pois são necessários produtos que adaptem a vida do pet ao ambiente interno como, por exemplo, tapetes higiênicos.

A entidade britânica Farm Animal Welfare Comitee determinou, em 2003, as cinco liberdades do bem-estar animal, reconhecidas internacionalmente: liberdade de sentir fome e sede (liberdade nutricional), ao ter acesso livre à água fresca e limpa, bem como a uma dieta que mantenha sua plena saúde e vigor; liberdade de não passar por desconforto, pois deverá ter acesso a um ambiente adequado, com abrigo e área de repouso confortável; liberdade de não sentir dor, lesão e doença, por meio da prevenção ou do diagnóstico/tratamento imediatos; liberdade de expressar o comportamento normal, por meio de instalações adequadas e espaços suficientes, além da companhia de animais da mesma espécie; e liberdade de não ter medo e angústia, ao ter garantidos os tratamentos que evitem sofrimento mental.

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O que é essencial para quem pretende investir no setor pet?

O empreendedor precisa estar consciente de que o mercado requer serviços acessíveis, de qualidade, com alto padrão, e que atendam à legislação vigente. Além disso, é necessário lançar produtos para os novos nichos de mercado com a velocidade adequada.

Para auxiliar o empreendedor, a Abinpet tem parceria com Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (SEBRAE) e com outras instituições que podem dar informações àqueles que procuram abrir um negócio.

Referências

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