Idosos e a terapia ocupacional preventiva: uma busca pelo envelhecimento saudável

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Texto

(1)

 

UNIVERSIDADE

 

CATÓLICA

 

DE

 

BRASÍLIA

  

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

STRICTO SENSU EM GERONTOLOGIA

Mestrado

IDOSOS E A TERAPIA OCUPACIONAL PREVENTIVA:

UMA BUSCA PELO ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Autora: Alessandra Souza de Macêdo

Orientadora: Profª. Drª.

Carmen Jansen de Cárdenas

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ALESSANDRA SOUZA DE MACÊDO

IDOSOS E A TERAPIA OCUPACIONAL PREVENTIVA:

UMA BUSCA PELO ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Dissertação apresentada à banca examinadora da Universidade Católica de Brasília - UCB como requisito para a obtenção do título de mestrado em Gerontologia.

Orientadora: Profª. Drª. Carmen Jansen de Cárdenas

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M141i Macêdo, Alessandra Souza de.

Idosos e a terapia ocupacional preventiva: uma busca pelo envelhecimento saudável / Alessandra Souza de Macêdo. – 2007.

91 f. : il. ; 30 cm.

Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2007. Orientação: Carmen Jansen de Cárdenas.

1. Idosos - Terapia ocupacional. 2. Envelhecimento – Qualidade de vida. 3. Velhice. I. Cárdenas, Carmen Jansen de, orient. II. Título.

CDU 613.98

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Dissertação defendida e aprovada como requisito para obtenção do Título de Mestre em Gerontologia, em 25 de julho de 2007, pela banca examinadora constituída por:

Prof ª. Drª. Carmen Jansen de Cárdenas Orientadorra

Prof. Dr. Vicente de Paula Faleiros Examinador

Pr ª. Drª. Ludmila Maria Moreira Lima Examinadora

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A Deus que me deu a vida e a oportunidade de através desta, ajudar a outras.

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A Deus por me conceder o dom da vida e por me amar.

Ao meu pai Lúcio Macêdo, meu principal incentivador, pelo investimento

creditado a mim, por sua amizade, apoio e orientação que foram decisivos e me deram a

confiança necessária para concluir este mestrado.

À minha mãe Adalgisa por sua sabedoria e ponderação, minha pilastra, meu

esteio, que mesmo a distância, me deu o sustentáculo nesta etapa da minha vida.

Ao meu irmão Luciano, que dedicou um tempo precioso no auxílio para

efetivação da análise estatística dos dados desta pesquisa. Meu presente de Deus que me

emprestou sua confiança nos momentos difíceis e multiplicou minha alegria nos

momentos de conquista.

Meus três mosqueteiros, minha família, vocês foram cada um a seu modo

meus anjos protetores, que me compreenderam e me reergueram, sempre e todas as

vezes que precisei, minhas luzes no fim do túnel, eu não seria o que sou sem vocês.

À minha orientadora Drª. Carmen Jansen de Cárdenas por ter me conduzido

nesta pesquisa.

Ao coordenador do Centro nº.6 de Taguatinga-DF, Dr. José Francisco de

Carvalho por permitir o desenvolvimento do programa de terapia ocupacional

preventiva neste Centro de Saúde.

À assistente social do Centro nº.6¨de Taguatinga-DF, Ângela Veloso

Martins, cujo apoio foi essencial para o desenvolvimento da pesquisa de campo.

Aos idosos do grupo do Centro nº.6¨de Taguatinga-DF, sem vocês este

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RESUMO

O envelhecimento tem sido descrito como um processo caracterizado por múltiplas alterações: físicas, cognitivas e psicossociais. A teoria biológica afirma uma condição de progressiva perda funcional. As teorias sociais ressaltam as diferenças individuais e a capacidade de adaptação como determinantes da forma como cada pessoa vivencia a velhice. Observou-se que o envelhecimento saudável passa a ser a resultante entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária e interação social, neste contexto a capacidade funcional surge como um novo paradigma de saúde. Objetivou-se investigar os efeitos do programa preventivo de terapia ocupacional do Centro de Saúde nº 6 de Taguatinga-DF, percebidos pelos idosos na sua capacidade funcional de desempenho das atividades cotidianas. A abordagem preventiva e a intervenção precoce são sempre preferíveis às intervenções curativas tardias, quando se objetiva uma velhice salutar. Estudos realizados no Reino Unido e na Califórnia demonstram eficácia funcional e econômica de grupos de terapia ocupacional preventiva em comparação com grupos de atividades sociais. Foi realizada uma pesquisa qualitativa de campo, a observação participante, a entrevista semi-estruturada e a Medida de Independência Funcional (MFI) foram os instrumentos utilizados na coleta de dados. Os participantes foram caracterizados sócio-demograficamente. Os dados obtidos nas entrevistas foram analisados por categorização do discurso e os resultados da MIF por meio estatístico através de gráficos. Foram identificados manutenção funcional e ganhos significativos de desempenho, numa média percentual de 27%, nas atividades de auto-cuidado, comunicação, interação social, resolução de problemas e memória. A terapia ocupacional preventiva, surge como ferramenta potencial e eficaz na promoção do envelhecimento saudável.

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ABSTRACT

The aging has been described as a process characterized for multiple physics, cognitive and psychosocial alterations. The biological theory affirms a condition of gradual functional loss. The social theories stand out the individual differences and the capacity of adaptation as determinative of the form as each person lives the oldness. It was observed that the healthful aging starts to be the resultant between physical health, mental health and independence in the daily life and social interaction, in this context the functional capacity appears as a new paradigm of health. Objectified to investigate the effect of the preventive program of occupational therapy of the Center of Health Nº 6 of Taguatinga - DF, perceived for the aged ones in its functional capacity of performance of the daily activities. The preventive boarding and the precocious intervention are always preferable to the delayed curatives interventions, when if objective an healthful oldness. Studies carried through in the United kingdom and California demonstrate functional and economic effectiveness of groups of preventive occupational therapy in comparison with groups of social activities. A qualitative research of field was developed, the participant comment was carried through, the half-structuralized interview and the Functional Independence Measure (FIM) had been the instruments used in the collection of data. The participants had been socio demographically characterized. The data gotten in the interviews had been analyzed by categorization of the speech and the results of the MIF through statistician graphs. To functional maintenance and significant profits of performance had been identified, in a percentile average of 27%, in activities of auto-care, communication, social interaction, resolution of problems and memory. The preventive occupational therapy, appears as potential and efficient tool in the promotion of the healthful aging.

Key-words: Occupational therapy, prevention, Functional Capacity and Healthful Aging.

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p.

Quadro 1. Áreas de desempenho ocupacional ---31

Quadro 2. Níveis Funcionais da MFI---41

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p.

Gráfico 1. Faixa etária---42

Gráfico 2. Sexo---43

Gráfico 3. Escolaridade---43

Gráfico 4. Estado civil---44

Gráfico 5. Status profissional---44

Gráfico 6. Renda própria---45

Gráfico 7. Auto-cuidados: admissão---47

Gráfico 8. Auto-cuidados: alta---48

Gráfico 9. Controle de esfíncters: admissão e alta---49

Gráfico 10. Mobilidade transferências: admissão---49

Gráfico 11. Mobilidade transferências: alta---50

Gráfico 12. Locomoção: admissão e alta---51

Gráfico 13. Comunicação: admissão e alta---52

Gráfico 14. Cognição social: admissão---53

Gráfico 15. Cognição social: alta---54

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p.

1 INTRODUÇÃO ---11

2 OBJETIVOS---14

2.1 Objetivo Geral---14

2.2 Objetivos Específicos---14

3 REVISÃO DA LITERATURA---15

3.1 O envelhecimento e suas implicações na capacidade funcional do idoso---15

3.2 O atendimento preventivo como prática de atenção à saúde do idoso---23

3.3 Terapia ocupacional e a atenção primária grupal com indivíduos idosos--29

4 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS --- 35

4.1 Universo da pesquisa---38

4.2 Coleta de dados---39

4.3 Análise dos dados --- 40

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO---42

5.1 Caracterização sócio-demográfica---42

5.2 Resultados e discussão da Medida de Independência Funcional (MFI)--- 46

5.3 Resultados e discussão das Entrevistas---54

5.4 Correlação dos resultados---65

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ---68

REFERÊNCIAS--- 71

APÊNDICE A: Ficha de identificação---77

APÊNDICE B: Fotos das Atividades terapêuticas ocupacionais---78

APÊNDICE C: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido---84

APÊNDICE D: Programa de Atividades da Terapia Ocupacional---86

ANEXO A: Medida de Independência Funcional - MFI---87

ANEXO B: Declaração de Aprovação da Pesquisa---88

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Projeções demográficas vêm demonstrando que o século XXI será caracterizado pelo aumento significativo de idosos no contexto populacional. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde - OMS para o ano de 2025 o Brasil registrará 32 milhões de idosos configurando-se como o 6o país do mundo em número de pessoas na terceira idade (CONTIJO, 2005).

O aumento do número de idosos implica a obrigatoriedade do aumento de serviços especializados no atendimento a esta população. É fundamental, portanto, que os atendimentos de saúde em qualquer esfera de atenção direcionem seus serviços de forma a contemplar as necessidades dos velhos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1947, redefiniu saúde como estado de completo bem estar físico, psíquico e social e não meramente ausência de doença ou enfermidade. Isto significa, conforme Paschoal (1996, p. 313): “que um indivíduo, mesmo portador de uma doença, poderá sentir-se saudável, desde que seja capaz de desempenhar funções, atividades; capaz de alcançar expectativas e desejos; capaz de manter-se ativo em seu meio social”.

Apesar do abrangente conceito da OMS, a população idosa só conseguiu ser efetivamente notada em todo seu complexo biopsicossocial, quando cresceu expressivamente em proporção dentro da população global. Os velhos sempre existiram, mas nunca se falou tanto neles como neste início de século.

Segundo Paschoal (1996, p.26) um maior contingente de idosos significa aumento nos custos e gastos médico-sociais, necessidade de maior suporte familiar e comunitário e de políticas públicas de assistência. “O desafio da Gerontologia é provar que esse futuro pode ser diferente”.

O processo de envelhecimento é muito mais do que o fim do ciclo de vida de um indivíduo. Não se pode comparar o ser humano que envelhece aos demais animais. O envelhecimento humano é determinado por uma intrincada cascata de acontecimentos que afeta as diferentes estruturas do corpo e da psique.

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Segundo Goldfarb (1998), o corpo e a consciência da temporalidade se entrecruzam no devir do envelhecimento e das formas desse entrecruzamento nascerão as múltiplas velhices.

Segundo Veras (2003) o desafio que se apresenta é a elaboração de cenários em que os avanços da ciência e da tecnologia permitirão ao ser humano alcançar esses limites de forma independente, não fragilizada, livre de diversas doenças e com uma expectativa de vida que se aproxime do limite biológico máximo.

A lei nº 3.822, de 08 de fevereiro de 2006 que dispõe da política distrital do idoso, referenda as disposições das ações governamentais na área da saúde e destaca: “desenvolver e apoiar programas de prevenção, educação e promoção da saúde do idoso, de forma a: priorizar a permanência do idoso junto à família, na comunidade e no desempenho de papel social ativo, com autonomia e independência” (DISTRITO FEDERAL, 2006).

Segundo Tamai (2003 p.10) o idoso tem necessidade de sentir-se útil, ser respeitado, satisfazer-se com o que faz, sendo o terapeuta ocupacional capaz de intervir no seu comportamento, contribuindo para sua capacidade funcional.

Kawasaki e Diogo (2005) definem capacidade funcional como o grau de preservação no indivíduo da capacidade para realizar atividades básicas como: alimentação e higiene; e instrumentais de vida diária: cuidados domésticos e financeiros. Afirmam, ainda, ser a capacidade funcional um novo paradigma de atenção à saúde da população idosa e uma importante ferramenta para o envelhecimento saudável.

O Comitê da Associação Americana de Terapia Ocupacional (AOTA), em 1986, define terapia ocupacional como a arte e a ciência que, por meio da aplicação de atividades cotidianas, incrementa a independência, possibilita o desenvolvimento e previne a doença, podendo utilizar adaptações, nas tarefas ou no meio ambiente, para alcançar o máximo de independência e melhorar qualidade de vida. (TEIXEIRA et. al. 2003 p. 2)

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O uso de atividades na terapia ocupacional constitui-se num procedimento seguro de atenção ao idoso e difere-se do desempenho ocupacional espontâneo e natural, por ser direcionada por um plano de tratamento com objetivos pré-determinados e específicos, que considera e avalia as condições de saúde dos indivíduos, seu potencial e suas limitações.

A investigação dos efeitos do programa de atendimento preventivo de terapia ocupacional tem importante contribuição para verificar seu potencial na maximização ou manutenção da saúde e da independência dos indivíduos idosos em suas atividades cotidianas.

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2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Investigar os efeitos do programa preventivo de terapia ocupacional do Centro de Saúde nº 6 de Taguatinga percebidos pelos idosos na sua capacidade funcional de desempenho das atividades cotidianas.

2.2 Objetivos específicos

a) Identificar junto aos idosos seus objetivos ao inscreverem-se no programa de terapia ocupacional preventiva.

b) Caracterizar a população que participa do grupo terapêutico ocupacional preventivo.

c) Avaliar a capacidade funcional físico-cognitiva-social dos idosos participantes anterior e posterior ao atendimento preventivo da terapia ocupacional.

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3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1 O envelhecimento e suas implicações na capacidade funcional do idoso

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Nunca antes na história da humanidade os países tinham registrado um contingente tão elevado de idosos em suas populações. No Brasil o aumento da população com mais de 60 anos passou de 4% em 1940 para 8,6% em 2002. A expectativa de vida dos brasileiros que no início do século XX era de 33 anos, atinge em 2003 a faixa etária de 68 anos, “estima-se, no entanto, que nas próximas décadas esse indicador se ampliará, alcançando 120-130 anos” (VERAS, 2003, p.2).

A projeção para 2020 é de aproximadamente 31 milhões de pessoas com mais de 60 anos, representando 14% de participação no total da população brasileira (CAMARANO; KANSO, 2004).

Segundo estimativa populacional do IBGE, no Distrito Federal a população residente total é de 2.383.784 habitantes, sendo que 127.418 são idosos, registrando em 2006, o coeficiente total aproximado de 5,345% da população geral, numa porcentagem de 4,964% homens e 5,695% mulheres (DISTRITO FEDERAL, 2006).

Esse crescimento constitui uma conquista, mas é também um desafio pois, apesar de ser um fenômeno comum a todos os animais, o processo de envelhecimento em seres humanos assume características e uma complexidade particular.

Segundo Veras (1996), nada flutua mais que os limites da velhice em termos de complexidade fisiológica, psicológica e social. A grande heterogeneidade existente decorre de fatores como a amplitude da faixa etária que começa aos 65 anos para nações desenvolvidas e 60 anos para os países em desenvolvimento podendo chegar até os 100 anos (PAPALÉO NETTO, 2002).

A dificuldade em definir velhice justifica-se pela inexistência de uma definição de envelhecimento que atenda aos múltiplos aspectos que o compõem.

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Uma abordagem sobre o processo de envelhecimento e suas implicações na capacidade funcional dos sujeitos na perspectiva da terapia ocupacional contempla a visão biológica e social da velhice como complementares nas formas como cada pessoa vai vivenciar esta fase da vida.

Na visão biológica, conforme Papaléo Netto (2002, p.10), o envelhecimento pode ser conceituado como um processo dinâmico e progressivo no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam a diminuição da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo à morte.

Na perspectiva antropológica, conforme Debert (2003, p. 51), a velhice não é uma categoria natural, faz-se necessário considerá-la sob uma ótica mais abrangente. Existe uma distinção entre o fato universal e natural - o ciclo biológico do ser humano e de boa parte das espécies naturais, que envolve o nascimento, o crescimento e a morte – e um fato social e histórico - a variabilidade das formas de conceber e viver o envelhecimento.

As influências do envelhecimento na capacidade de desempenho funcional de indivíduos considerados idosos pela classificação etária a partir de 60 anos no Brasil, precisam ser observadas em sua abrangência e complexidade.

Segundo Papaléo Netto e Ponte (1996) alterações estruturais e funcionais ocorrem com o avançar da idade e são encontradas em todos os idosos, mas variam expressivamente de um indivíduo a outro.

Dentre as condições físicas os indicadores da passagem de tempo são os mais visíveis: rugas, cabelos brancos, pós-menopausa, diminuição da potência e da atividade sexual, postura encurvada e reflexos mais lentos transformam a auto-imagem e podem gerar transtornos emocionais caso não haja adaptação(VISCARDE, 2004).

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Erbolato (2000), afirma que identidade é exatamente diferenciar-se dos outros, saber que uma pessoa tem um corpo que é só dela, valores, idéias, motivações e modos particulares de agir e reagir diante das situações.

A visão geral de como somos e de como achamos que os outros nos vêem, a percepção acerca de si próprio, a maneira de como uma pessoa pensa ser é o que se denomina de auto-conceito (ERBOLATO, 2000).

Na perspectiva de Burns (1986), o auto-conceito refere-se à imagem e a opinião que o indivíduo tem de si e engloba duas dimensões, uma descritiva a respeito de si próprio, a auto-imagem e uma avaliativa, a auto-estima.

Schilder (1981) conceitua a auto-imagem como a representação e a figuração mental do corpo, o modo pelo qual o corpo se apresenta para cada indivíduo, enquanto que a auto-estima decorre da avaliação e atitude positiva ou negativa que a pessoa tem de si mesma.

Segundo Albuquerque e Oliveira (2002) o papel do auto-conceito é significativo no comportamento dos indivíduos e influencia o estado de saúde das pessoas. Pode contribuir de forma salutar, ao ser concebido positivamente, ou prejudicial quando a percepção do indivíduo é negativa.

Numa análise específica a respeito das modificações na identidade e auto-conceito com o processo de envelhecimento e na velhice destacam-se os trabalhos de Erick Erikson e Susan Whitbourn.

Na teoria do self de Erick Erickson, considerou as modificações que ocorriam na identidade e autoconceito ao longo do ciclo de vida dos seres humanos. Classificou as pessoas em nove estágios do desenvolvimento psicossocial do bebê ao velho. A velhice corresponderia ao oitavo estágio, caracterizado pela antítese: integridade vs. desespero, desgosto(Berger, 2003).

A integridade, senso e coerência e inteireza enfrenta o desafio das perdas físicas, psíquicas e sociais.

Integridade é uma palavra maravilhosamente desafiadora. Ela não exige nenhuma diligente deliberação ou desempenho, apenas o manejo cotidiano de todas as atividades maiores e menores, com toda a vigorosa atenção aos detalhes necessária para um dia bem-vivido. È tudo tão simples, tão direto e tão difícil (ERIKSON, 1998 p. xi).

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também pela autonomia enfraquecida, iniciativa perdida, intimidade ausente, generatividade negligenciada e de uma identidade vivida extremamente limitante”.

O modelo de auto-conceito de Susan Whitbourn, a teoria da identidade, fundamentou-se na teoria do self de Erikson e preconiza que “as percepções de si mesmo ao longo dos anos são confirmadas ou revisadas por meio de dois processos: assimilação e acomodação de identidade” (PAPALIA; OTIS, 2000 p. 525).

Segundo Berger (2003, p. 437), “a idéia básica da teoria da identidade é que as pessoas de todas as idades têm o senso de quem são, mas a identidade pessoal á posta à prova pelas inevitáveis conseqüências do envelhecimento”.

A assimilação da identidade, conforme Papalia e Otis (2000 p.525) é uma tentativa de encaixar novas experiências em um auto-conceito já existente; a acomodação da identidade é o ajuste do auto-conceito para que se conforme as novas experiências. “O uso excessivo de acomodação ou assimilação é insalubre”.

De acordo com Berger (2003), um indivíduo idoso assimilador pode manter-se rígido em manter-seu auto-conceito prévio e recusar-manter-se a reconhecer suas fragilidades e a tomada de atitudes necessária para saná-las ou reduzir sua expressão, distorcendo a realidade e negando que qualquer coisa tenha mudado.

“As pessoas que se acomodam começam a por em dúvida seus valores, suas crenças e até mesmo elas próprias, e experimentam algo similar ao desespero descrito por Erikson diante das circunstâncias que se modificam” (BERGER, 2003 p. 437).

O equilíbrio dos estilos permite um ajuste mais realista e a tomada de atitudes para manter ou melhorar o que é passível de mudança e aceitar o que não é(PAPALIA; OTIS, 2000 p. 525).

Segundo Berger (2003, p. 437) “de modo ideal a pessoa mantém uma identidade firme, porém flexível, não tendendo em demasia em qualquer direção, apesar dos desafios do envelhecimento”.

O processo de adaptação e ajuste ao longo dos anos também é analisado por Minayo e Coimbra (2002, p.14) e conforme os autores contempla “as características particulares de enfrentamento, os aspectos estruturais como: classe, gênero e etnia e as condições de saúde, de educação, sócio-econômicas e culturais que integram a história de vida de cada pessoa”.

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social e aos desafios da vida. A capacidade humana de manter a vida, adotar e descartar papéis e ocupações, mudar relações e interesses enfrentando os desafios ao longo de todas as fases da vida depende fundamentalmente da capacidade de aprendizagem e adaptação intimamente relacionadas com as condições do contexto sócio-cultural onde cada indivíduo se insere.

Debert (2003) destaca que a primeira tentativa na pesquisa antropológica no sentido de identificar padrões universais de adaptação ao envelhecimento foi o trabalho de Leo Simons em 1945.

Simons analisou a situação dos velhos em 71 sociedades primitivas e concluiu que existem fatores constantes, relacionados a objetivos e a interesses centrais que caracterizam os indivíduos na última etapa da vida: viver o máximo possível, terminar a vida de forma digna e sem sofrimento, encontrar ajuda e proteção para a progressiva diminuição de capacidades, continuar participando ativamente dos assuntos e decisões que envolvem a comunidade, prolongar ao máximo conquistas e prerrogativas sociais como a propriedade, a autoridade e o respeito.

As observações de Simons são encontradas no contexto atual sob o termo envelhecimento bem-sucedido ou ideal. Aldwin e Gilmer (2004 p. 304) identificaram três componentes que determinam o envelhecimento bem- sucedido: “preservação da saúde, manutenção da função cognitiva e física e ativo engajamento na vida”.

Este modelo é hierárquico: evitar o surgimento de doenças, incluindo fatores de risco predisponentes, permitem boa condição de saúde e consequentemente a manutenção da ótima função cognitiva e social que por sua vez é necessária para engajamento ativo na vida.

Os conceitos de velhice bem-sucedida e envelhecimento funcional já haviam sido associados à saúde por Paschoal (1996, p.313):

Saúde, antes definida como ausência de doença, tem sido reconceituada para significar um estado positivo de bem-estar [...] Isto significa que um indivíduo mesmo portador de uma doença poderá sentir-se saudável desde que seja capaz de desempenhar funções, atividades, capaz de alcançar expectativas e desejos , capaz de manter-se ativo em manter-seu meio.

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A capacidade funcional é um fator presente em todas as definições de envelhecimento ideal ou bem-sucedido, como indicador de saúde e condição essencial para a manutenção da capacidade do indivíduo idoso para agir em seu meio.

Com o crescimento mundial da população idosa, constituindo aproximadamente 9% da população no Brasil (Veras, 2003), o diagnóstico baseado somente na avaliação clínica torna-se inadequado com a real situação da condição de saúde da população idosa, já que nesta faixa etária, os níveis de funcionalidade e independência tornam-se mais relevantes do que somente a presença de condições mórbidas.

As doenças que acometem o indivíduo idoso geralmente são crônicas e tendem a apresentar complicações e seqüelas que comprometem sua autonomia e independência (RAMOS, 2003).

Aldwin e Gilmer (2004 p.208) ratificam a afirmação de Ramos e destacam que praticamente todas as pessoas com mais de 65 anos vão apresentar alguma forma de doença crônica, fato que diz muito pouco a respeito de como esta pessoa vai desempenhar sua funções básicas diárias.

Segundo Guimarães et al (2004) evitar mortes tem sido mais fácil do que evitar o desenvolvimento de incapacidades associadas ao envelhecimento. A cada ano, cerca de 10% da população adulta, a partir dos 75 anos perde a independência em uma ou mais atividades básicas da vida diária, tais como: vestir-se, banhar-se, alimentar-se e higiene pessoal.

Conforme a Portaria nº 2528 que atualiza a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa:

Incapacidade funcional e limitações físicas, cognitivas e sensoriais não são conseqüências inevitáveis do envelhecimento. A prevalência da incapacidade aumenta com a idade, mas a idade sozinha não prediz incapacidade. Mulheres, minorias e pessoas de baixo poder socioeconômico são particularmente vulneráveis. Independentemente de sua etiologia, pessoas com incapacidade estão em maior risco para problemas de saúde e afins. A presença de incapacidade é ônus para o indivíduo, para a família, para o sistema de saúde e para a sociedade (BRASIL, 2006).

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população com mais de 80 anos, 30,1% dos homens e 36,1% das mulheres não são capazes de desempenhar sozinhos, as atividades básicas do cotidiano.

O bem-estar na velhice ou saúde num sentido mais amplo, seria o resultado do equilíbrio entre as várias dimensões da capacidade funcional do idoso, sem necessariamente significar ausência de problemas em todas as dimensões (RAMOS,2003).

A importância de se medir o estado de saúde em termos de função, o bem-estar funcional, começou a ser reconhecida há cerca de 100 anos. No final do século XIX e começo do século XX levantamentos de saúde na Europa e Estados Unidos permitiram a incorporação inicial dos conceitos de incapacidade e disfunção na medida do estado de saúde. No início da década de 50, com o aumento da população idosa e da incidência de doenças crônicas surgiu a necessidade de padronizar uma classificação para as atividades de vida diária (PASCHOAL, 1996 p.318).

Em 1963, um estudo coordenado por Sidney Katz nos Estados Unidos desenvolveu a primeira escala de medida das atividades de vida diária mensurando seis funções básicas: banho, vestuário, usar o banheiro, transferência da cama para a cadeira, continência e alimentação.

Os resultados permitiram a interpretação em 3 níveis: 1- habilidade para desempenhar a tarefa de forma independente (mesmo utilizando instrumentos de adaptação); 2- habilidade para desempenho da tarefa com alguma assistência( não corta carne mas alimenta-se sozinho); 3- inabilidade para desempenhar a tarefa mesmo com assistência (ALDWIN;GILMER 2004 p.210).

A partir da avaliação funcional determina-se a pirâmide de risco funcional que considera independente o idoso capaz de realizar sem dificuldades e sem ajuda todas as atividades de vida diária citadas acima. Esses idosos comporão a base da pirâmide.

Indivíduos idosos, mesmo sendo independentes, mas que apresentem alguma dificuldade nas atividades de vida diária, são considerados idosos com potencial para desenvolver fragilidade e devem ser acompanhados com maior freqüência pelos profissionais de saúde (ALDWIN; GILMER, 2004).

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doenças neurodegenerativas, etilismo, neoplasia terminal, amputações de membros –, encontra-se com pelo menos uma incapacidade funcional básica, ou viva situações de violência doméstica. O critério etário considera que também é frágil o idoso com 75 anos ou mais de idade (BRASIL, 2006).

Os meios de avaliação como a escala de Katz e a medida de independência funcional (MIF), aceitas como medida de avaliação funcional internacionalmente, são utilizadas como forma de planejamento terapêutico ou para avaliar aplicabilidade em protocolos de geriatria e gerontologia, por pontuar os potenciais e dificuldades encontrados dentro dos níveis funcionais de classificação (RICCI; KUBOTA; CORDEIRO, 2005).

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3.2 O atendimento preventivo como prática de atenção à saúde do idoso

O aumento populacional expressivo da população idosa e a heterogeneidade desse segmento que extrapola a da composição etária, dadas as diferentes histórias de vida experimentadas pelos idosos, determinam inserções e demandas distintas na vida dos indivíduos idosos (CAMARANO; KANSO; MELLO, 2004).

Segundo Veras (2003) um estudo do IBGE analisou os indicadores de saúde: morbidade referida, doenças crônicas, auto-avaliação do estado de saúde e restrição de atividades cotidianas habituais e demonstrou maior expressão de agravos no grupo etário acima dos 60 anos.

Este fato acarreta crescimento das despesas com tratamentos médicos e hospitalares, ao mesmo tempo que representa um desafio para as autoridades sanitárias, especialmente no que tange à implementação de novos modelos e metas de planejamento, gerência e prestação de cuidados (VERAS, 2003).

Brito e Ramos afirmam ser importante encontrar alternativas de serviços em instâncias intermediárias de saúde no Brasil para reduzir a demanda de atendimentos médicos e as internações hospitalares de longo prazo (BRITO; RAMOS, 1996).

Paschoal (1996) também faz referência à necessidade de desenvolverem-se modelos de atenção à saúde que fujam das práticas tradicionais, considerando-se o conceito de envelhecimento funcional. Saúde neste contexto funcional é a capacidade de um indivíduo ou de um grupo continuar exercendo funções em seu meio físico e social, contribuindo para a sociedade e interagindo com ela.

A área da saúde tem passado historicamente por sucessivos movimentos de recomposição das práticas sanitárias decorrentes das distintas articulações entre sociedade e Estado que definem, em cada conjuntura, as respostas sociais às necessidades e aos problemas de saúde vigentes e que, neste contexto, precisa adequar-se a nova realidade demográfica do envelhecimento populacional (PAIM; ALMEIDA FILHO, 1998).

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O envelhecimento populacional assume características próprias em países de terceiro mundo como o Brasil, onde a assistência à saúde desde a infância é deficitária e onde existe um número de jovens significativo que continua a demandar atenção de programas públicos e disputando a escassez destes. Importante acrescentar que muitos idosos brasileiros envelheceram e envelhecem apesar da falta de recursos e da falta de cuidados específicos de promoção e de prevenção em saúde (BRASIL, 2006).

Veras (1996 p.383) já afirmava “o envelhecimento populacional é uma aspiração de qualquer sociedade, mas não basta por si só. É importante almejar uma melhoria da qualidade de vida para aqueles que já envelheceram ou que estão neste processo. Manutenção de autonomia e independência é tarefa complexa que resulta dessa conquista social”

A capacidade funcional, especialmente em sua dimensão motora, é um dos importantes marcadores do envelhecimento bem sucedido e da qualidade de vida dos idosos. A perda dessa capacidade, está associada a predição de fragilidade, dependência, institucionalização, risco de aumento de queda, morte e problemas de morbidade, trazendo complicações ao longo do tempo e gerando cuidados de longa permanência (GUIMARÃES et al, 2004).

Segundo Ramos (2003), embora a grande maioria dos idosos seja portadora de, pelo menos, uma doença crônica, muitos levam uma vida perfeitamente normal, com suas enfermidades controladas e satisfação na vida, a capacidade funcional passa então a constituir-se como fator determinante do envelhecimento saudável.

Conforme a Portaria nº 2.528 de 14 de outubro de 2006 que atualiza a Política Nacional de Saúde do Idoso, a condição funcional da pessoa idosa determina que tipos de ações em saúde sejam estabelecidos: ações de atenção primária, de prevenção – primária, secundária e terciária –, de reabilitação, para a recuperação da máxima autonomia funcional, prevenção do declínio funcional, e recuperação da saúde. “É importante viver muito, mas é fundamental viver bem. Preservar a autonomia e a independência funcional das pessoas idosas deve ser a meta em todos os níveis de atenção” (BRASIL, 2006).

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Segundo Paim e Almeida Filho (1998), nos anos sessenta surge nos Estados Unidos o movimento da saúde comunitária, baseado na implantação de centros comunitários de saúde, administrados por organizações não lucrativas e subsidiados pelo governo federal, destinados a efetuar ações preventivas e prestar cuidados básicos de saúde à população residente em áreas geograficamente delimitadas. Esse movimento repercutiu na América Latina, programas de saúde comunitária são implantados principalmente no Brasil, na Colômbia, e no Chile.

Em 1967 foi promulgado, no Brasil, o Decreto Lei 200, estabelecendo como uma das competências do Ministério da Saúde: a responsabilidade pelas atividades médicas ambulatoriais e ações preventivas em geral. Em 1975 foi instituído no papel o Sistema Nacional de Saúde, que estabelecia de forma sistemática o campo de ação na área de saúde, dos setores públicos e privados, para o desenvolvimento das atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde (POLIGNANO, 2007).

A Assembléia Mundial da Saúde lança em 1977, a consigna Saúde para Todos no Ano 2000, assumindo uma proposta política de extensão da cobertura dos serviços básicos de saúde com base em sistemas simplificados de assistência à saúde (PAIM; ALMEIDA FILHO, 1998).

No ano seguinte (1978), em Alma Ata, a Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde, reafirma:

Uma das principais metas sociais dos governos, das organizações internacionais e de toda a comunidade mundial deve ser a de que todos os povos do mundo até o ano 2000, atinjam um nível de saúde que lhes permita levar uma vida social e economicamente produtiva. Os cuidados primários de saúde constituem a chave para que esta meta seja atingida (ALMA-ATA, 1978).

A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em novembro de 1986, fundamentou-se nos progressos alcançados com a Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em Saúde, e afirma que a promoção de saúde:

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que permitam a obtenção da saúde por todos os seus membros (OTTAWA, 1986).

As conferências de Alma-Ata e Otawa tiveram repercussão internacional no destaque da atenção primária em saúde. No Brasil foi realizada no mesmo ano da conferência de Ottawa, 1986, a 8ª. Conferência Nacional de Saúde, marco histórico no panorama da saúde nacional que lançou bases para a reforma sanitária e para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e fez importante ressalva ao atendimento primário em saúde (BRITO; RAMOS, 1996).

Outro destaque da década de 80 foi a promulgação em 1988, da Nova Constituição Brasileira que determina, em seu artigo 198 capítulo II, o direito ao atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais (POLIGNANO, 2007).

As ações de promoção e prevenção de saúde específicas à saúde do idoso, só ocorrem efetivamente após a promulgação em 1994, e regulamentação em 1996, da Política Nacional do Idoso, que assegura direitos sociais à pessoa idosa, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (BRASIL, 1994).

Seguindo um critério cronológico das mudanças históricas e legais no Brasil e especificamente no Distrito Federal que determinaram a implementação de ações de atenção primária destaca-se o Núcleo de Assistência Integrada à Saúde do Idoso (NAISI).

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal, em 1992, implanta o NAISI, dentro de uma perspectiva biopsicossocial, com ênfase na promoção de saúde, reabilitação, prevenção e tratamento de agravos à saúde (DISTRITO FEDERAL, 2006).

O núcleo desenvolve suas atividades de forma descentralizada na forma do Programa de Assistência Integrada à Saúde do Idoso (PAISI) presente nas 15 regionais de saúde, onde são desenvolvidas diversas atividades: programa de controle da diabete e da hipertensão arterial, automassagem, homeopatia e terapias corporais (DISTRITO FEDERAL, 2006).

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atendimento domiciliar, pois o idoso que não tiver condições de se locomover, será atendido em sua residência conforme sua necessidade (DISTRITO FEDERAL, 2006).

A valorização do status funcional e a importância da promoção e prevenção em saúde continuam a ser destacada nos anos subseqüentes. Em 1999, a Portaria Ministerial nº 1.395 aprova a Política Nacional de Saúde do Idoso e afirma: “A promoção do envelhecimento saudável e a manutenção da máxima capacidade funcional do indivíduo que envelhece, pelo maior tempo possível – foco central desta Política –, significa a valorização da autonomia ou autodeterminação e a preservação da independência física e mental do idoso”(BRASIL, 1999).

O Estatuto do Idoso aprovado em 2003, pelo Congresso Nacional assegura no capítulo IV, artigo 15º, atenção integral à saúde em todas as esferas de atenção, prevenção, proteção e recuperação incluindo atenção especial às doenças que afetam preferencialmente aos idosos. (BRASIL, 2003).

No Distrito Federal, o governo sanciona em 08 de Fevereiro de 2006, sanciona a Lei nº 3.822 que dispõe sobre a Política Distrital do Idoso destacando, no Cap.IV Art.7º sobre as ações governamentais na área da saúde, o desenvolvimento e apoio a programas de prevenção, educação e promoção da saúde do idoso, de forma a:

1) priorizar a permanência do idoso junto à família, na comunidade e no desempenho de papel social ativo,com autonomia e independência; 2) estimular o autocuidado; 3) envolver a população nas ações de promoção da saúde do idoso; 4) estimular a promoção de grupos de auto-ajuda e de convivência, em integração com instituições que atuem no campo social (DISTRITO FEDERAL, 2006).

A atualização da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, aprovada em 19 de outubro de 2006, observa a necessidade da prática interdisciplinar e da abordagem preventiva e funcional na atenção à saúde do idoso, com ênfase na utilização de protocolos de avaliação e triagem:

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As mudanças históricas e legais ocorridas nacionalmente contribuíram de forma prática no Distrito Federal, como mencionado anteriormente, para a implementação de um serviço especializado de atenção ao idoso o NAISI que inclui em seu escopo ações preventivas e de promoção de saúde desenvolvidas nos Centros de saúde das regionais do estado (DISTRITO FEDERAL, 2006).

Os programas preventivos do NAISI, por desenvolverem suas ações de forma descentralizada nas 15 regionais do Distrito Federal, não apresentam um padrão pré-determinado para as atividades classificadas como terapias corporais, onde se inclui a Terapia Ocupacional.

Os tipos de atividades, sua triagem, avaliação e programa de ações variam conforme o Centro de Saúde que as implementou e depende, grande parte, de profissionais e membros da comunidade voluntários para a efetivação dessas ações. Este fato dificulta a mensuração de sua eficácia e dos resultados obtidos, de forma que não se pode observar na Secretaria de Saúde do Distrito Federal uma verificação ou análise que mensure esses dados (DISTRITO FEDERAL, 2006).

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3.3 Terapia ocupacional e a atenção primária grupal com indivíduos idosos

A terapia ocupacional é definida conforme o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - COFFITO como uma área do conhecimento, voltada aos estudos, à prevenção e ao tratamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psicomotoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, através da sistematização e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos (COFFITO, 2007).

As bases da terapia ocupacional fundamentaram-se no uso da atividade humana com a finalidade de promoção de cuidado, alívio e bem-estar. O uso empírico da ocupação tem registros históricos desde as primitivas civilizações da antiguidade e segundo Benetton (1999 p.20) é justamente neste uso empírico, que se configuraram as bases constitutivas e validativas do uso da ocupação como meio terapêutico e posteriormente como prática clínica da terapia ocupacional:

Não foi o uso puro e simples da ocupação, do trabalho e das atividades que determinam a configuração do caráter da terapia ocupacional, mas sim, a aplicação deles em condições e situações determinadas [...] a terapia ocupacional, não é diretamente herdeira da condição humana de ser ativo, mas sim do fazer algo em função de aliviar algo.

De acordo com Neistadt e Crepeau (2002), na terminologia da terapia ocupacional o termo ocupação não se refere simplesmente a profissões ou a treinamentos profissionais, mas sim a todas as atividades que fazem parte do desempenho cotidiano dos indivíduos. Essas atividades são denominadas áreas de performance ocupacional e podem ser divididas em atividades da vida diária, atividades laborativas e produtivas e atividades de lazer e diversão (Quadro 1).

A terapia ocupacional utiliza as atividades humanas como instrumento, por considerá-las “elementos suficientemente bons em si para a prevenção, tratamento, cura e reabilitação” (JORGE, 1990 p.17).

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Atividades da Vida Diária (AVD)

Arrumar-se, higiene oral, banhar-se, higiene sanitária, cuidado próprio, vestir-se, dar de comer e alimentar-se, rotina médica, manutenção da saúde, socialização, comunicação funcional, mobilidade funcional, mobilidade comunitária, resposta a emergências e expressão sexual.

Atividades Profissionais e Produtivas

Administração da casa (cuidado com a roupa, limpeza, preparação da comida, fazer compras, administração do dinheiro, manutenção do domicílio, procedimentos de segurança), cuidar dos outros, atividades educativas e atividades vocacionais (exploração vocacional, aquisição de um trabalho, trabalho, execução do trabalho, planejamento da aposentadoria, participação voluntária).

Atividades de Diversão e Lazer

Exploração do lazer e diversão e execução de jogos, lazer e diversão.

Quadro 1 – Áreas de desempenho ocupacional Fonte: Neistadt; Crepeau, 2002, p.3

A avaliação da capacidade funcional de desempenho faz parte da essência da terapia ocupacional que tem por especificidade utilizar a atividade humana como instrumento terapêutico. “Os terapeutas ocupacionais avaliam e cuidam das pessoas usando atividades intencionais para prevenir e desenvolver funções independentes” (HAGEDORN, 1999 p.16).

A abordagem do terapeuta ocupacional junto ao paciente idoso tem por objetivo primordial:

[...] Investigar o que aconteceu ao longo do processo de envelhecimento para então desenvolver um plano de promoção de saúde e qualidade de vida [...]. Pensar em capacidade funcional nessa etapa da vida significa considerar uma multiplicidade de critérios e valores relativos aos aspectos físicos, sociais e psicológicos que se alteram no tempo e espaço (MOTTA; FERRARI, 2004 p.295).

Os idosos em conseqüência da aposentadoria e das modificações na dinâmica familiar, independência dos filhos e viuvez, podem desenvolver dificuldades de adaptação a essa nova fase da vida. Essas dificuldades de adaptação podem conduzir a um desengajamento social ou evoluir para processos depressivos (TAMAI, 2003).

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vida. “É preconceituosa a afirmação de que os idosos têm uma capacidade reduzida de aprendizado por causa de sua formação consolidada e que apresentam resistência a mudanças” (Tamai 2003 p. 110).

A terapia ocupacional gerontológica vai ao encontro dessa necessidade, pois objetiva manter, restaurar e melhorar a capacidade funcional mantendo o idoso ativo e independente o maior tempo possível, considerando elementos como saúde, segurança, interação social e autonomia (BARRETO; TIRADO, 2002 p.866).

Motta e Ferrari (2004) afirmam: o idoso que mantiver uma interação com o ambiente, procurando vencer as dificuldades e adaptar-se a elas chegará à velhice bem-sucedida.

As atividades na terapêutica ocupacional favorecem o processo de adaptação por possibilitarem aos idosos a expressão de quem são, de seus valores, suas demandas e expectativas, a oportunidade exercitar-se, desenvolver auto-estima positiva e de interagir socialmente (BARRETO; TIRADO, 2002).

A promoção do envelhecimento ativo e saudável é referendada como primeira diretriz da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa: “[...]envelhecer mantendo a capacidade funcional e a autonomia, é reconhecidamente a meta de toda ação de saúde” A promoção e participação dos idosos em grupos operativos e de convivência é destacada como uma das estratégias para efetivação desta diretriz (BRASIL, 2006).

Brito e Ramos (1996) também destacam a importância dos grupos de convivência de idosos afirmando que se constituem em alternativa de atenção primária à saúde, para a conquista de autonomia grupal e individual de seus integrantes, que tem por objetivo a participação espontânea e ativa nas atividades de promoção e prevenção da saúde física e mental, através da integração com diversas formas de atividades físicas, culturais e recreativas.

Schwartzberg (2002, p.108) descreve a especificidade da terapia ocupacional na atenção grupal:

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De acordo com Borsoi (1996 p. 351) o grupo de terapia ocupacional com idosos independentes possibilita uma oportunidade de socialização e aprendizado de novas habilidades, bem como orienta para a redefinição de papéis ocupacionais e padrões de atividades significativos e concernentes com o contexto individual de vida de cada participante.

Atividades físicas, de lazer e recreação, de socialização e culturais, atividades cognitivas e dinâmicas de grupo são os instrumentos de eleição que integram o programa de atenção primária da terapia ocupacional com pessoas idosas (Borsoi, op cit.).

Em terapia ocupacional as atividades físicas são desenvolvidas a partir da estruturação prévia e gradual de uma seqüência de movimentos que simulem ou estejam associados ao desempenho das atividades cotidianas.

Segundo Francisco (1988), a atividade como exercício é utilizada pela terapia ocupacional desde a década de 40 em decorrência das pressões do reducionismo científico que exigiam a sistematização da aplicação da atividade.

Conforme Braga (2007), o reducionismo científico é o nome dado a teorias que afirmam que objetos, fenômenos e significados complexos podem ser sempre reduzidos, a fim de explicá-los, a suas partes constituintes mais simples. “Desta forma diminuí - se a aparente complexidade dos fenômenos, revelando-se a ordem simples à qual estes obedecem”.

Na tentativa de transformar as atividades em instrumento de uma ciência exata, buscou-se mediante a análise de pormenores, pesquisar os componentes de cada ação, sua natureza e potencialidade de tratamento. “Os terapeutas ocupacionais tornaram-se especialistas em exercícios progressivos de resistência, em atividades de vida diária e em suportes funcionais”. (FRANCISCO, 1988 p.41)

O reducionismo teve sua importância na investigação científica moderna e para a Terapia Ocupacional por ter lançado as bases para a construção de protocolos de atendimento e avaliação e sistematização do prognóstico dos pacientes, mas tem sido criticado, nas últimas décadas, por suas evidentes limitações no estudo das ciências sociais.

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Consequentemente, assistiu-se a uma reação crescente contra a atomização científica, a favor de uma tentativa de regresso a uma visão mais global, sustentando a idéia de unificação. Isso indicou uma mudança geral de atitudes e de concepções científicas (BRAGA, 2007).

Conforme Castro, Lima e Brunello (2001, p.45), nesse campo de novas reflexões e experiências criaram-se novas formas de ver o corpo em movimento, em ação, em seus fazeres cotidianos. “Segundo essas idéias, toda intervenção da terapia ocupacional seria voltada para o indivíduo e seu grupo social, de forma que se pudessem criar condições de bem-estar e autonomia, viabilizando a construção social de espaços de vida e de expressão de diversidade”.

As atividades cognitivas através de jogos de memória, de associação de quantidades, cores e formas, de seqüência lógica de números ou etapas de execução de atividades de vida diária, seguem o princípio de bem-estar e autonomia.

Esse tipo de atividade possibilita a prática direta de habilidades cognitivo-perceptuais: atenção, memória, discriminação, categorização, seqüência lógica, formação de conceitos e solução de problemas, com o objetivo de promover sua recuperação ou reorganização nos casos de comprometimento funcional e estimulam sua ativação nos casos de manutenção destas habilidades (TOGLIA, 2002).

As atividades de socialização e culturais, bem como as dinâmicas de grupo, que integram o programa, têm por objetivo estimular a vivência um período de participação social. “Ao se relacionar o idoso tem a oportunidade de reconhecer seus limites e potenciais para novas alternativas de ação e para a significação de novos papéis ocupacionais” (TAMAI, 2003).

A participação social também pode ser estimulada por intermédio das atividades de lazer e recreação. Knox (2002 p.195), destaca que o desempenho deste tipo de atividade por indivíduos adultos e idosos, “possibilita um espaço para o desenvolvimento pessoal, para alegria, entretenimento, integração social, relaxamento, livre escolha, desafio e senso de competência e realização”.

Com o objetivo de avaliar o custo e efetividade da terapia ocupacional preventiva num programa de envelhecimento bem-sucedido, Hay et al. (2002) realizaram um estudo com 163 idosos independentes vivendo na comunidade, em Los Angeles, Califórnia.

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desenvolvida por nove (9) meses e os sujeitos foram avaliados antes da intervenção após os nove meses de tratamento e seis (6) meses após o termino do tratamento. O estudo fez uso de 5 tipos de instrumentos incluindo questionários de avaliação do status funcional e de auto percepção sobre a condição de saúde e qualidade de vida.

Durante este período os custos com consultas ambulatoriais, atendimentos domiciliares, hospitalares e internações foram avaliados. As estimativas de custo no grupo de terapia ocupacional após o período de 15 meses de estudo foi substancialmente menor do que a combinação dos outros dois grupos, $967 dólares versus $2.593 respectivamente. Esses custos foram avaliados com base na Terminologia de Procedimentos Médicos do ano de 1995 em vigor no estado da Califórnia.

Os ganhos funcionais observados no grupo de terapia ocupacional foram 4,5% mais significativos que os percebidos nos outros 2 grupos, além disso 90% dos ganhos observados após o tratamento de terapia ocupacional, se mantiveram após os seis meses de término do tratamento e foram incorporados à rotina cotidiana dos indivíduos.

Um estudo similar foi realizado por Flood et al. (2004) na Universidade de Oxford do Reino Unido, com a diferença de eleger como sujeitos, idosos frágeis vivendo em comunidade, os resultados demonstram efetividade da terapia ocupacional em termos de funcionalidade e qualidade de vida, mas os ganhos funcionais não demonstram significância estatística em relação aos outros dois grupos.

Os custos do grupo de terapia ocupacional em relação ao grupo de atividades sociais, referentes a oito (8) meses de intervenção, foram de 4.379 euros versus 3.837 euros respectivamente. Os custos dos serviços foram coletados dos registros clínicos das instituições que prestaram atendimento aos idosos participantes da pesquisa.

Conforme a Portaria nº 2528 que atualiza a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa:

Uma abordagem preventiva e uma intervenção precoce são sempre preferíveis às intervenções curativas tardias. Para tanto, é necessária a vigilância de todos os membros da equipe de saúde, a aplicação de instrumentos de avaliação e de testes de triagem, para detecção de distúrbios cognitivos, visuais, de mobilidade, de audição, de depressão e do comprometimento precoce da funcionalidade (BRASIL, 2006).

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4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Definiu-se como objeto de estudo da presente pesquisa: investigar os efeitos do programa de atenção preventiva de terapia ocupacional do Centro de Saúde nº. 6 de Taguatinga, percebidos pelos idosos na sua capacidade funcional de desempenho das atividades cotidianas.

Partindo da natureza do objeto, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa respeitando as diretrizes e normas que envolvem a pesquisa em seres humanos (resolução nº 196/1996), considerando aspectos como: consentimento livre e esclarecido dos participantes, destinação sócio-humanitária da pesquisa, confidencialidade, privacidade e proteção da imagem dos participantes.

De acordo com Minayo (1999, p.96):

Os dados qualitativos são importantes na construção do conhecimento e, também eles, podem permitir o início de uma teoria ou sua reformulação, refocalizar abordagens já consolidadas, sem que seja necessária a comprovação formal quantitativa. O princípio formal é que todos os dados devem ser articulados com a teoria.

A pesquisa de campo foi desenvolvida conforme os objetivos do estudo e para investigar o objeto de pesquisa delineado, pois, conforme Lakatos (2001, p.186) este tipo de pesquisa é utilizado quando se objetiva:

[...] conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese que se queira comprovar, ou ainda descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Consiste na observação de fatos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de variáveis que se presume relevantes para analisá-los.

Como estratégias de coleta de dados foram utilizados: observação sistemática participante, entrevista semi-estruturada e a Medida de Independência Funcional (MFI). A caracterização sócio-demografica dos participantes, foi efetivada a partir dos dados coletados na ficha de identificação preenchida pelos idosos no ato da inscrição (Apêndice A).

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objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. É o ponto de partida da investigação social”.

A observação participante abrange três tipos de observadores no campo de ação da pesquisa: observador-total; observador-comoparticipante e participante-como-observador (grifo nosso) Partindo-se desta caracterização inclui-se o atual trabalho no terceiro tipo citado, onde conforme Minayo (1999, p. l42)

A participação, no entanto tende a ser a mais profunda possível através da observação informal, da vivência junto de acontecimentos julgados importantes pelos entrevistados e no acompanhamento das rotinas cotidianas. A consciência do trabalho de campo[...] ajuda a minimizar os problemas de envolvimento que inevitavelmente acontecem, colocando sempre em questão a suposta ‘objetividade’ nas relações (grifo da autora)

A opção por entrevistas deveu-se a afirmação de Minayo (1999 p. 121) a respeito do uso de questionários na investigação de aspectos e relações sociais, neste caso determinantes diretos do objeto da pesquisa. “Quando se trata de apreender sistemas de valores, de normas, de representações de determinado grupo social, ou quando se trata de compreender relações, o questionário se revela insuficiente.

Optou-se pela entrevista semi-estruturada, pois, de acordo com Lakatos (2001) constitui-se em um roteiro de tópicos relativos ao problema que se vai estudar, mas o entrevistador tem liberdade de elaborar outras perguntas no processo de investigação, sondar motivos e razões, dar esclarecimentos não obedecendo, a rigor, a estrutura formal.

As vantagens de utilizar este instrumento consistem em enumerar de forma mais abrangente possível as questões que o pesquisador quer abordar no campo, a partir de suas hipóteses ou pressupostos, advindos, obviamente, da definição do objeto de investigação” (MINAYO 1999, p. 121).

Segundo Lakatos (2001), a entrevista pode apresentar algumas limitações em decorrência da dificuldade de expressão ou comunicação de ambas as partes, possibilidade do entrevistado ser influenciado pela presença do pesquisador, ou retenção de dados importantes por parte do entrevistado.

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A Medida de Independência Funcional (MFI), é uma escala que mensura a capacidade funcional dos indivíduos analisando 18 itens dentro de 6 domínios: auto-cuidado, controle de esfíncters, transferências, locomoção, comunicação e cognição social. Este instrumento foi aplicado antes da intervenção para identificar a capacidade funcional prévia dos indivíduos e após a intervenção para verificar ganhos funcionais (RICCI; KUBOTA; CORDEIRO, 2005).

Atualmente reconhecida pelo Uniforme Data System for Medical Reabilitation, a MFI é produto dos esforços em resolver o problema da falta de um instrumento padrão que possibilitasse a mensuração e coleta de dados a respeito capacidade funcional dos indivíduos (UNIFORM DATA SYSTEM FOR MEDICAL REABILITATION, 2007).

A versão brasileira da Medida de Independência Funcional (MIF) foi desenvolvida por meio de um processo de tradução para o português do Brasil por equipe médica bilíngüe familiarizada com o instrumento e tradutor profissional, seguido de tradução reversa para o inglês por tradutor independente.

Não foram identificados problemas de equivalência cultural quando a versão obtida foi apresentada a um conjunto de 25 profissionais de saúde treinados no seu uso. Oito centros de reabilitação participaram da captação de dados para a obtenção de medidas de reprodutibilidade.

(40)

4.1 Universo da pesquisa

O Centro de Saúde no 6 de Taguatinga, sito. QSC 01 área especial 01 Taguatinga Centro, foi inaugurado 1981, na gestão do secretário de saúde Jofran Frejat, governo de João Batptista Figueiredo. O centro participa do Núcleo de Assistência Integrada à Saúde do Idoso - NAISI e integra a regional de Taguatinga, que tem na Unidade Mista (policlínicas) de Taguatinga, o centro de atenção específico para atendimento ao idoso desta regional.

Cada regional desenvolve um Programa de Assistência Integral à Saúde do Idoso (PAISI) que oferece a população programas assistenciais de vacinação, de orientação educativa a respeito da hipertensão e diabetes e atividades diversas de atenção primária à saúde.

O Centro nº. 6, disponibiliza à comunidade local, as atividades: Automassagem, Dança de salão, Unibiótica, Yoga e Terapia Ocupacional. Esses trabalhos, desenvolvidos por profissionais ou pessoas da comunidade habilitados, são de caráter voluntário e abertos à comunidade.

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4.2 Coleta de dados

Os idosos que demonstraram intenção em participar do grupo de terapia ocupacional preventiva, foram convidados a participar de uma demonstração de 15 minutos a respeito do programa de trabalho a ser desenvolvido. Os interessados preencheram uma ficha de identificação (Apêndice B) para efeito de inscrição.

Essa ficha de identificação possibilitou a caracterização sócio-demográfica dos sujeitos participantes desta pesquisa, quanto à faixa etária, sexo, escolaridade, estado civil, status profissional e renda própria.

O grupo foi submetido à intervenção terapêutica ocupacional por um período de três meses. Antes de serem atendidos participaram de uma avaliação da capacidade funcional de desempenho nas atividades de vida diária, sobre a forma do protocolo Medida de Independência Funcional (MFI). No momento da alta do atendimento, foram reavaliados pelo mesmo instrumento com o objetivo de verificar sua capacidade funcional anterior e posterior à intervenção.

(42)

4. 3 Análise de Dados

Para a análise dos dados obtidos nas entrevistas e na observação participante, estabeleceu-se como instrumento a análise por categorização do discurso. As categorias segundo Minayo (1999, p. 97) são construídas no desenvolvimento do conhecimento e prática social e indicam os conceitos relevantes a determinada realidade “expressando os aspectos fundamentais dentro de sua abordagem, das relações dos homens entre si e com a natureza.

Bardin (1979 apud Minayo, 1999, p.93) utiliza as categorias como instrumentos dentro da técnica de análise de conteúdo. “As categorias são rubricas ou classes as quais reúnem um grupo de elementos sob um título genérico, agrupamento este efetivado em razão dos caracteres comuns desses elementos”.

A análise das questões da Medida de Independência Funcional (MFI) seguiu seus critérios estatísticos. As categorias e os dados obtidos na MFI foram correlacionados identificando-se as variáveis de maior expressão de acordo com os objetivos da pesquisa.

Cada um dos dezoito itens da MIF tem uma cotação máxima de 7 e mínima de 1 e cada cotação corresponde a um nível de função. A cotação máxima total é 126 e a mínima 18 (Quadro 2):

INDEPENDÊNCIA 7 INDEPENDÊNCIA

COMPLETA

As atividades são realizadas com segurança, sem modificações, sem ajuda técnica e em tempo razoável.

6 INDEPENDÊNCIA MODIFICADA

A atividade requer ajuda técnica, adaptação, prótese ou órtese. Um tempo maior ou não pode ser realizada com segurança suficiente.

DEPENDÊNCIA MODIFICADA 5 SUPERVISÃO OU

PREPARAÇÃO

O indivíduo necessita apenas de um controle, uma presença, ou uma sugestão sem contato físico. Ou ainda uma ajuda para preparar os objetos necessários para sua execução.

4 AJUDA COM CONTATO MÍNIMO

O contato é puramente tátil e o indivíduo realiza 75% ou mais do esforço

3 AJUDA MODERADA O indivíduo requer maior apoio ou realiza de 50 a 74% do esforço DEPENDÊNCIA COMPLETA

2 AJUDA MÁXIMA O indivíduo realiza pelo menos 25% do esforço 1 AJUDA TOTAL O indivíduo realiza menos de 25% do esforço

Quadro 2: Níveis Funcionais da MFI

(43)
(44)

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Caracterização sócio-demográfica

Este estudo analisou um grupo de 15 indivíduos, seguindo critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO, 2007), que determina como procedimento técnico, o número máximo de quinze (15) indivíduos em atendimentos grupais de terapia ocupacional.

Foram estabelecidos como critérios de inclusão na pesquisa: pessoas na faixa etária a partir de 60 anos, de ambos os sexos, independentes, que vivem na comunidade e que apresentam os sinais vitais: freqüência cardíaca (FC), freqüência respiratória (FR) e pressão sanguínea (PS) estáveis e dentro da média de normalidade e que aceitem participar da pesquisa mediante assinatura do documento de consentimento livre e esclarecido.

Como critérios de exclusão: pessoas que não se incluam na faixa etária pré-estabelecida, apresentando sinais vitais instáveis, ou que se recusarem a participar da pesquisa.

Ao analisar-se a faixa etária do grupo, 6 idosos tem entre 71 e 75 anos (40%), apenas 1 sujeito entre 60 e 64 anos (7%), cinco entre 65 e 70 anos(33%), dois (13%) entre 76 e 80 anos, e um (7%) entre 81- 85 anos. A maior parte dos idosos, somando-se os intervalos de faixa etária de maior expressão, tem entre 65 e 75 anos.

FAIXA ETÁRIA

40% 13%

33% 7%

7%

60-64 65-70 71-75 76-80 81-85

(45)

Quanto ao sexo dos participantes do grupo, 12 sujeitos (80%) pertencem ao sexo feminino, e 20%, três sujeitos, pertencem ao sexo masculino. Os dados corroboram com a afirmação de Camarano, Kanso e Mello (2004), a respeito do fenômeno de feminização da velhice, destacando que a predominância feminina entre idosos se dá mais nas áreas urbanas, nas rurais o predomínio é do sexo masculino.

SEXO

86% 14%

Feminino Masculino

Gráfico 2- SEXO Fonte: A Autora

(46)

ESCOLARIDADE

13%

27%

47%

13%

Alfabetizado

Ensino Fund Incompleto Ensino Fund Completo Ensino Médio Completo

Gráfico 3 - ESCOLARIDADE Fonte: A Autora

Em relação ao estado civil, observou-se apenas 1 idoso (7%) como solteiro, 4 idosos (27%) casados, três (20%) divorciados, e a maioria viúvos (46%) . “Isto se deve a dois fatores: a maior longevidade da mulher e o recasamento, mais freqüentemente observado nos homens”(CAMARANO; KANSO; MELLO, 2004p. 31).

ESTADO CIVIL

20%

46% 27%

7%

Solteiro Casado Divorciado Viuvo

Gráfico 4 - ESTADO CIVIL Fonte: A Autora

(47)

participante (7%) como dona de casa e um (7%), manteve o exercício profissional como corretor.

STATUS PROFISSIONAL

86%

7% 7% Aposentados/pensionistas

Corretor

Dona de casa

Gráfico 5 – STATUS PROFISSIONAL Fonte: A Autora

Quando se questionou a respeito da renda própria, um participante (7%) foi classificado como sem renda própria, seis idosos (40%) ganham 1 salário mínimo, cinco (33%) ganham de 2 a 3 salários e três (20%) ganham entre 4 e 5 salários. Somando-se os intervalos mais expressivos a maioria dos idosos recebe entre 1 a 3 salários mínimos.

RENDA PRÓPRIA

33% 20%

40% 7%

Sem Renda

01Salário Mínimo

02-03 Salários Mínimos 04-05 Salários Mínimos

(48)

A caracterização sócio-demográfica permite concluir que a maior parte dos idosos participantes do grupo de terapia ocupacional preventiva, tem faixa etária entre 71 e 75 anos, é do sexo feminino, cursou o ensino fundamental incompleto, são viúvos, aposentados e pensionistas e tem renda própria de 1 salário mínimo

5.2 Resultados e discussão da Medida de Independência Funcional (MFI)

A Medida de Independência Funcional (MFI), realizada no momento da admissão possibilitou a caracterização dos pacientes em três (3) níveis funcionais: independência completa, independência modificada e dependência modificada – supervisão. Após intervenção, observou-se modificações no percentual dos indivíduos classificados nos 3 níveis de função.

Os dados coletados indicam um aumento da independência funcional nos domínios auto-cuidados, locomoção, comunicação e cognição social. Em relação aos domínios controle de esfíncters e mobilidade/transferências os dados obtidos na admissão dos idosos mantiveram-se após intervenção.

Segundo Barreto e Tirado (2002), quando se considera o atendimento a pessoas idosas, os elementos: independência, saúde, segurança, e interação social, ocupam lugar de destaque, pois sofrem conseqüências diretas do processo de envelhecimento. “Assim a terapia ocupacional gerontológica visa manter, restaurar e melhorar a capacidade funcional, mantendo o idoso ativo e independente o maior tempo possível”.

Os resultados encontrados após avaliação da MIF demonstram que os objetivos da terapia ocupacional, citados por Barreto e Tirado (2002), foram alcançados. Destaca-se, que nos casos onde não ocorreu ganho expressivo, houve manutenção da capacidade funcional de desempenho nas atividades cotidianas.

A evolução dos idosos nos domínios: auto-cuidados, controle de esfíncters, locomoção, mobilidade/ transferências, comunicação e cognição social foi evidenciada estatisticamente, por meio de gráficos.

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