CATÓLICA DE
BRASÍLIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO
SENSU EM EDUCAÇÃO FÍSICA
Mestrado
EFEITO DE SESSÕES DE TREINAMENTO RESISTIDO SOBRE A CONCENTRAÇÃO HORMONAL DE TESTOSTERONA, CORTISOL E GH EM IDOSAS FISICAMENTE ATIVAS
Autor: Rogério Wagner da Silva
Orientador: Prof. Dr. Francisco Martins da Silva
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ROGÉRIO WAGNER DA SILVA
EFEITO DE SESSÕES DE TREINAMENTO RESISTIDO SOBRE A CONCENTRAÇÃO HORMONAL DE TESTOSTERONA, CORTISOL E GH EM IDOSAS FISICAMENTE ATIVAS
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação “Stricto Sensu” em Educação Física da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção do título de Mestre em Educação Física.
Orientador: Prof. Dr. Francisco Martins da Silva
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TERMO DE APROVAÇÃO
Dissertação defendida e aprovada como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Educação Física, defendida e aprovada, em ___ de dezembro de 2006, pela banca examinadora constituída por:
Prof. Dr. Francisco Martins da Silva Orientador
Prof. Dr. Ricardo Jacó de Oliveira Examinador
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DEDICATÓRIA
Aos meus pais, Eustáquio Wagner da Silva e Rogéria Paula da Silva por todos os ensinamentos que sempre me oportunizaram sem nunca pouparem esforços.
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AGRADECIMENTOS
Ao Professor Dr. Francisco Martins da Silva, por ter confiado à mim sua orientação, acreditando que os ensinamentos transmitidos formariam um futuro mestre. Obrigado pela paciência, pelas cobranças, pela compreensão e principalmente pela oportunidade ter sido um de seus aprendizes.
Ao Prof. Dr. Ricardo Jacó de Oliveira, pelo permanente auxilio e atenção durante um dos momentos mais complicados deste estudo, proporcionando sua continuidade, além de incentivar sempre a busca por conhecimento de qualidade em seus alunos.
A todos os colegas de Mestrado, os quais estavam sempre presentes auxiliando no amadurecimento profissional e pessoal. Agradeço especialmente pelo companheirismo demonstrado em todos os momentos.
A todos os professores e funcionários que tive a chance de conhecer e de conviver, pelos conhecimentos e pela ajuda nesta minha caminhada.
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EPÍGRAFE
“O gênio é composto por 2% de talento e de 98% de perseverante aplicação.”
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RESUMO
Introdução: Os efeitos do treinamento resistido sobre síntese / liberação de hormônios demonstraram que os exercícios resistidos podem alterar as concentrações circulantes de hormônios como os níveis de testosterona, cortisol e hormônio do crescimento alterando as concentrações plasmáticas destes hormônios. Objetivo: O propósito deste estudo foi verificar a influência dos exercícios resistidos realizados em diferentes intensidades sobre as concentrações de testosterona, cortisol e hormônio do crescimento em idosas fisicamente ativas. Materiais e Métodos: A amostra foi composta por 15 idosas com idade média de 67,53±3,92 anos, sendo randomizadas em dois períodos de tratamento, sendo que o G1 foi nomeado como o período que realizaria o treino com 50% 1-RM, G2 o período que realizaria o treino com 80% de 1-RM; quando o treino tinha intensidade 50% foram executadas 13 repetições; no treino com a intensidade de 80% executaram-se 08 repetições, sendo realizado em ambos, 02 sets para cada exercício. As coletas de sangue para análise das variáveis intencionadas foram realizadas imediatamente antes do início do treinamento (T1), imediatamente após o exercício (T2), 3 horas após o treinamento (T3) e 48 horas pós-exercício (T4). Para análise dos dados foi utilizada análise de variância (Two way Anova) para medidas repetidas. Em todas as análises foi adotado o nível de significância p 0,05.
Resultados: Entre os hormônios analisados neste trabalho o cortisol foi o único que apresentou variação significante (p 0,002), tendo declinado de forma significativa, no momento T3 de ambas as intensidades. Ao relacionarmos as médias da intensidade de 50% de 1RM com todos os tempos (T1, T2, T3) com relação a T1, observou-se que os níveis de cortisol permaneceram reduzidos durante todos os momentos posteriores. Os demais resultados encontrados neste estudo indicam que não houve diferenças significativas entre as intensidades desenvolvidas (50% e 80% de 1-RM) nas variáveis: testosterona, GH e na razão T/C, também não foram significativas as alterações detectadas intra-grupos nas medidas de tempo em nenhum dos quatro níveis distintos (T1, T2, T3 e T4) para estas variáveis.
Conclusão: De acordo com os resultados deste estudo, podemos afirmar que o treinamento resistido apresenta a capacidade de promover variação significante na concentração de cortisol independentemente da intensidade utilizada. Porém não ocorreram alterações significantes nas concentrações de nenhum dos demais hormônios pesquisados. Tais evidências, podem em parte ser entendidas, devido a minimizada ação hormonal em virtude das características das participantes do estudo que se encontravam na pós-menopausa e devido a esta condição as respostas agudas das concentrações hormonais, obtidas através de sessões de treinamento resistido, se tornam menores.
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ABSTRACT
Introduction: The effects of resistance training on the hormones synthesis / liberation demonstrated that the resistance exercises could change the circulating concentrations of hormones as testosterone, cortisol and growth hormone changing the plasmatic concentrations of these hormones. Goal: The purpose of this study was to verify the influence of the resisted exercises done in different intensities on the testosterone, cortisol and growth hormone concentrations, in elderly women physically active. Methods: The sample was composed by 15 women with average age of 67,53±3,92 years, being randomized in two treatment periods, G1 was nominated as the period that would perform the training with 50% 1-RM, G2 the period that would perform the training with 80% of 1-RM, when the training had intensity 50% were executed 13 repetitions; and when the training had intensity of 80% they executed 08 repetitions, being performed in both, 02 sets for each exercise. The blood collections for analysis of the deliberate variables were immediately accomplished before the beginning of the training (T1), immediately after the exercise (T2), 3 hours after the training (T3) and 48 hours post-exercise (T4). For data analysis was used variance analysis (Two Way Anova) for repeated measures. In all analyses was adopted significance level p 0,05. Results: Between analyzed hormones in this work the cortisol was the unique that presented significant variation (p 0,002), having declined of significant form, at the moment T3 of both the intensities. To the relate the intensity averages of 50% of 1RM with every moments (T1, T2, T3) with regard to T1, was observed that the cortisol levels remained reduced during all the posterior moments. The rest found results in this study indicate that there were not significant differences between developed intensities (50% and 80% of 1-RM) in the variables: Testosterone, GH and in the reason T/C, also were not significant alterations detected intra-groups in the time's measures in none of the four distinct moments (T1, T2, T3 and T4) for these variables. Conclusion: According to the results of this study, we can affirm that the resisted training presents the capacity of promoting significant variation in the concentration of the cortisol independently of intensity used. However did not occur significant alterations in the concentrations of none of the others searched hormones. These evidences, they can be in part understood, due to minimized hormonal action in view of the characteristics of participants in this study that were in the post-menopause and due to this condition the acute answers of the hormonal concentrations, obtained through sessions of resisted training, become smaller.
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SUMÁRIO
RESUMO vi
ABSTRACT vii
INTRODUÇÃO 01
REVISÃO DE LITERATURA 06
1. BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO RESISTIDO EM IDOSOS 06
1.1 Alterações Fisiológicas 06
1.2 Força Muscular 10
2. TREINAMENTO RESISTIDO e Respostas Hormonais: testosterona,
cortisol e hormônio do crescimento 15
2.1 Ritmos Circadianos e concentrações hormonais 21
MATERIAIS E MÉTODOS 23
Amostra 23
Procedimentos experimentais 23
Avaliação da força máxima (RM) 23
Avaliação da massa e estatura corporal 24
Avaliação da testosterona, do cortisol e do GH 24
Programa de treinamento resistido 25
Análise Estatística 26
Cuidados Éticos 26
RESULTADOS 27
DISCUSSÃO 31
CONCLUSÃO 35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 36
ANEXOS 45
ANEXO 01 - Termo de Informação 45
ANEXO 02 - Termo de Consentimento Livre Esclarecido 46
ANEXO 03 – Histórico de Saúde / Anamnese 48
INTRODUÇÃO
A prática de atividade física sistematizada sempre esteve relacionada com a imagem de pessoas saudáveis mesmo assim, o sedentarismo hoje se constitui como um comportamento praticamente endêmico, de maneira geral todos, em qualquer idade são estimulados cada vez menos ao movimento. Dessa forma, a inatividade física se responsabiliza por uma miríade de disfunções associadas freqüentemente ao processo de envelhecimento. Considerando que muitos idosos são sedentários há muitos anos, a perda de aptidão física costuma impossibilitar muitas atividades que poderiam ser prazerosas. Segundo Santarem (1999), o sedentarismo prolongado que ocorre em muitos idosos leva a uma redução gradativa da aptidão física, comprometendo a qualidade de vida dessa população.
Associada à longevidade a perda de tecido muscular denominada sarcopenia está diretamente relacionada com a redução de força comprometendo a autonomia do idoso. O treinamento resistido é reconhecido como um instrumento adequado para limitar a sarcopenia, em função de seus efeitos adaptativos. Além dos efeitos benéficos sobre o tecido muscular, também estão relacionadas melhorias sobre o tecido ósseo, o sistema hormonal e no equilíbrio nutricional (BUCCI et al. 2005; YARASHESKI 2003).
Lima, Oliveira e Silva (2005) listam entre os benefícios promovidos pelo treinamento resistido melhoras na tolerância ao esforço e maior atividade enzimática, repercutindo positivamente na maior autonomia da população idosa.
Devido aos efeitos do treinamento resistido sobre o tecido muscular e o incremento da força, esta modalidade chamou a atenção de pesquisadores para a possibilidade de sua utilização na promoção da saúde e bem estar dos idosos minimizando os efeitos provocados pela sarcopenia.
cinco áreas de grande importância, dentre as atividades que podem proporcionar benefícios ao processo de envelhecimento.
Corroborando deste pensamento a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte – SBME – conjuntamente com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG – publicaram um posicionamento oficial sobre atividade física e saúde no idoso, afirmando que a manutenção de um estilo de vida saudável pode retardar as alterações morfofuncionais que ocorrem com a idade. Recomendando a prática de exercícios resistidos dentre outras atividades físicas (NOBREGA et al. 1999).
O envelhecimento está associado ao declínio das funções hormonais em ambos os sexos, com efeitos deletérios sobre o tecido muscular e ósseo, contudo nas mulheres parecem ser mais acentuados talvez devido a uma relação hormonal desfavorável para manutenção destes tecidos. Atentos a este processo de redução significativa dos hormônios pesquisadores investigam a utilização do exercício físico resistido como um possível recurso para elevar naturalmente os hormônios anabólicos (CONSITT 2002; ACSM 1998).
FLECK, DZIADOS et al. 1993; KRAEMER, GORDON et al. 1991; KRAEMER,
MARCHITELLI et al. 1990).
Staron e colaboradores (1994) encontraram que as concentrações de testosterona podem se apresentar alteradas nas primeiras semanas de treinamento, fase em que ocorrem mudanças significativas na qualidade da proteína muscular, mas que após seis semanas retomam os valores de pré-treinamento. Desse modo, os hormônios constituem parte do processo que regulam a síntese protéica em determinadas fases do treinamento e então retomam seus valores iniciais após promoverem as adaptações musculares necessárias e somente sendo alterado novamente quando nova resposta adaptativa for exigida.
Consitt e colaboradores (2002) em um estudo de revisão com mulheres notou que os níveis circulantes de testosterona, dihidroepiandrosterona, sulfato de dihidroepiandrosterona, estradiol, hormônio do crescimento e cortisol têm demonstrado aumentos como respostas agudas ao treinamento de endurance. Entretanto, somente os níveis de hormônio do crescimento, estradiol e cortisol apresentaram alterações em suas concentrações agudas sob efeito do treinamento resistido.
Ostatníková (2003) também em um estudo de revisão, reforça que o equilíbrio das funções hormonais por meio do exercício resistido pode ser empregado como um eficiente meio para melhoria da fertilidade, redução do risco de doenças cardiovasculares, redução da necessidade de reposição hormonal, prevenção de doenças como arteroesclerose, osteoporose e Alzheimer, tanto em homens quanto em mulheres.
Diversos estudos têm empregado a razão entre a concentração de testosterona e cortisol (T/C) freqüentemente utilizada para um melhor controle das cargas de treinamento, para estabelecer o nível de estresse imposto pelo exercício ou para indicar relação hormonal favorável ao anabolismo protéico. (BUCCI et al. 2005; UCHIDA et al. 2004; SIMÕES et al.
1988). Alterações na concentração destes hormônios são responsáveis por modular diversas respostas induzidas pelo treinamento, como hipertrofia e ganhos de força.
Diferenças significantes de valores absolutos nas concentrações de hormônios não são raras quando comparamos estes valores entre os sexos. Os homens em repouso têm normalmente as concentrações de testosterona dez vezes maiores que as das mulheres (WRINGHT 1980). Isto pode explicar os maiores ganhos de força muscular nos homens em relação às mulheres. Todavia, hormônios como o hormônio do crescimento e o cortisol, também podem ter efeito sobre a hipertrofia muscular. Além disso, baixas concentrações de um hormônio não significam necessariamente que ele não tenha uma função ativa. (FLECK e KRAEMER 1999).
Aumentos significantes nas concentrações de cortisol e hormônio do crescimento além de ganho de força foram percebidos em um estudo com mulheres idosas, sem apresentar significância na concentração de testosterona (HÄKKINEN et al. 2001).
O treinamento resistido provoca estímulo na síntese de testosterona, cortisol e hormônio do crescimento alterando as concentrações plasmáticas destes hormônios. A testosterona é considerada o principal hormônio anabólico nos homens, no entanto, nas mulheres mesmo baixas concentrações podem afetar a capacidade de força. Por outro lado os valores de hormônio de crescimento encontrados nas mulheres são maiores que nos homens, sugerindo que este é o principal responsável e o mais potente hormônio anabólico nas mulheres. Já a síntese elevada do cortisol está relacionada com a redução gradativa dos níveis de testosterona, com aumento da atrofia muscular, redução da capacidade de produzir força prejudicando o rendimento do treinamento em ambos os sexos (BUCCI et al. 2005;
HAKKINEN et al. 2000; FLECK e KRAEMER 1999).
do metabolismo endócrino principalmente em mulheres, onde a escassez de estudos é ainda maior.
Em razão das contradições entre resultados e dos poucos estudos envolvendo mulheres idosas, nosso intuito foi elucidar algumas questões sobre o treinamento resistido relacionando ao comportamento do sistema endócrino dessa população, já que a imensa quantidade de publicações nesta área está relacionada com homens, jovens e atletas. Neste sentido o propósito deste estudo foi verificar a influência dos exercícios resistidos realizados em diferentes intensidades sobre as concentrações de testosterona, cortisol e hormônio do crescimento em idosas fisicamente ativas.
REVISÃO DE LITERATURA
1. BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO RESISTIDO EM IDOSOS
1.1 Alterações Fisiológicas
Segundo Carvalho e Andrade (2000) envelhecer significa aumentar o número de anos vividos. Paralelamente à evolução cronológica, coexistem fenômenos de natureza biopsíquica e social, importantes para a percepção da idade e do envelhecimento. Para Papaléo Netto (2002) e Robergs e Roberts (2002) o envelhecimento deve ser entendido como um processo biológico contínuo que se inicia na concepção e termina com a morte. McArdle e colaboradores (2001) ressaltam que os processos de envelhecimento iniciam-se por volta dos trinta anos de idade, portanto sendo vivido durante a maior parte do ciclo vital.
Assim sendo o envelhecimento ocorre gradualmente e inevitavelmente com o avançar da idade, limitando a realização de atividades e comprometendo o bem estar de indivíduos mais idosos, entretanto esse processo pode ser comprovadamente minimizado quando são oferecidos estímulos apropriados.
Bruce e colaboradores (2005) em um estudo longitudinal de quatorze anos verificaram o efeito positivo do exercício físico regular na redução da morbidade em idosos ativos e sedentários, verificou-se também notável aumento na força, além de melhorias funcionais e emocionais.
Takarada e Ishii (2002) em um estudo com mulheres (±45anos) notaram expressivo aumento na força e no volume muscular, sob treinamento resistido utilizando 03 séries e cargas de 50% de 1RM.
biológicas. Robergs e Roberts (2002) afirmam que uma pessoa com 65 anos de idade pode apresentar idade biológica de 45 anos baseando-se em seu estado de saúde e em sua aptidão física, enfatizando a importância do exercício físico regular nesta relação. Fiatarone e colaboradores (1990) demonstraram que até mesmo indivíduos com idade acima de noventa anos podem conseguir ganhos de força durante um período de treinamento de apenas 08 semanas. Diante disso, classificar o idoso requer muito mais que um marco cronológico (AZEVEDO, ALONSO e OKUMA 2006).
Spirduso (1995) sugeriu uma classificação relacionando o idoso com o nível de atividades de vida diária que conseguissem executar. Esta classificação possui níveis variáveis de 0 (zero) a 5 (cinco), os quais possibilitam identificar desde o idoso “fisicamente incapaz” até o “atleta”, podendo ser utilizada com segurança para estimar cargas e como parâmetro para prescrição de atividades físicas regulares.
Uma das alterações mais facilmente observadas e talvez a mais drástica provocada devido ao processo de envelhecimento é a diminuição da capacidade de realizar trabalhos físicos. Aos 80 anos de idade independentemente do sexo o idoso pode apresentar uma perda de tecido muscular entre 40 e 50% comparativamente a estrutura quando jovens, mesmo quando ativos e saudáveis (McARDLE 2001). Esta perda de tecido muscular parece estar associada à redução de atividade do sistema endócrino (BROST e LOWENTHAL 1997).
É importante ressaltar que as células envelhecem com velocidades diferentes de acordo com o órgão a que pertencem implicando na perda ou redução de função nos sistemas fisiológicos durante o envelhecimento.
sistema respiratório sofre alterações que reduzem sua eficiência e acarretam maior exigência muscular durante o processo de inspiração e expiração comprometendo o transporte de O2 e limitando conseqüentemente a capacidade física dos idosos durante o exercício (AZEVEDO, ALONSO e OKUMA 2006; ROBERGS e ROBERTS 2002; McARDLE et al. 2001).
No sistema nervoso existe comprovada perda de neurônios acompanhada da redução na síntese de neurotransmissores, desmielinização do axônio e redução das conexões nervosas são alterações que modificam de maneira significativa a vida do idoso, implicando em dificuldade no controle do sistema motor, resultando em efeitos negativos sobre a velocidade, postura, equilíbrio e controle dos movimentos (AZEVEDO, ALONSO e OKUMA 2006; ROBERGS e ROBERTS 2002).
Tais alterações repercutem consideravelmente sobre o sistema músculo-esquelético ocasionando movimentos mais lentos, menos precisos e reduzindo o tempo de reação a estímulos. A redução do volume muscular ocorre de forma lenta e progressiva sendo que o declínio mais acentuado ocorre sobre as fibras do tipo II (contração rápida ou anaeróbias), denotando relação direta com a redução da força muscular (FLECK e KRAMER 2006; AZEVEDO, ALONSO e OKUMA 2006; ROBERGS e ROBERTS 2002; ACSM 2002).
O sistema endócrino, como todos os demais, também apresenta alterações associadas ao processo de envelhecimento. A entrada no climatério ou na andropausa, bem como a redução do metabolismo está relacionada com a minimizada atividade hormonal ocasionando mudanças muito significativas dos níveis hormonais (VIEIRA 2002). Contudo as quantidades de hormônios necessárias para controlar a maioria das funções metabólicas e endócrinas são incrivelmente pequenas.
natureza química, uma vez secretados atuam como sinalizadores nos tecidos-alvos, próximos ou à distância, desencadeando uma resposta biológica apropriada (GUYTON 2006; BIANCO e RABELO 1999).
A ação do sistema hormonal está intimamente relacionada ao exercício, preparando constantemente o organismo para execução de atividades físicas e contribuindo para manutenção da disponibilidade de substratos energéticos, portanto, o sistema endócrino auxilia o organismo a se adaptar às exigências requeridas pelo meio ambiente e considerando o treinamento resistido um fator de estresse, este sistema estará invariavelmente preparando o organismo para suportar as exigências do treinamento realizando ajustes necessários no controle da termodinâmica do corpo, promovendo aumento ou redução na síntese protéica, direcionando a via energética necessária durante a atividade física, recuperando tecidos por lesões de treinamento dentre outras importantes funções (FLECK e KRAMER 2006; ROBERGS e ROBERTS 2002; McArdle et al. 2001; MALCIC 1999).
As alterações fisiológicas exigidas pelo organismo necessitam de um hábil controle para que ocorram de maneira integrada atribuindo eficiência ao treinamento. Essa integração ocorre por ação do sistema endócrino que utiliza mecanismos que podem ser inclusive antecipatórios ao exercício, o fato de concentrar-se na atividade física antes de sua execução já promove uma seqüência de adaptações previamente necessárias, tais como: incrementos na ventilação, na freqüência cardíaca, na liberação de líquido sinovial, dentre outras que preparam o organismo para o exercício. Estas alterações são provocadas devido à redução das atividades parasimpáticas e aumento das atividades simpáticas (RONDON et al. 2006). As
Segundo Timo-Iaria (1999) as alterações promovidas sobre o tecido muscular por ajustes endócrinos são mais lentos, porém mais duradouros. Robergs e Roberts (2002) afirmam que apesar algumas alterações fisiológicas serem irreversíveis é comprovadamente possível reduzir a velocidade de declínio promovido pelos efeitos do envelhecimento.
O mundo da atividade física oferece um amplo espectro de possibilidades de intervenção e o treinamento resistido ocupa uma posição de destaque para prevenção, tratamento e reabilitação de determinados processos relacionados ao envelhecimento, contribuindo significativamente na promoção de saúde (MELÉNDEZ 2000).
1.2Força Muscular
A força é um fator condicionante para a execução de ações motoras podendo ser entendida como a capacidade do músculo em gerar tensão de forma ativa. Força muscular é produzida pela tensão dos músculos, que através dos ligamentos e tendões são transmitidos aos ossos e permitem a oposição ou superação das resistências que agem externamente ao corpo humano. Podendo ser dividida em Força Máxima, Força Rápida e Força de Resistência (CARVALHO 1998).
McArdle et al. (2001), Hall (2000) e Zakharov (1992) são unânimes em afirmar que
força muscular é a habilidade que um músculo ou grupo muscular possui de exercer tensão através de um esforço voluntário e que esta tensão é constante ao longo do comprimento do músculo e nos sítios de inserção musculotendinosos no osso.
O treinamento de força também reconhecido como treinamento com pesos ou treinamento resistido, tornou-se uma das formas mais conhecidas de exercício, tanto para aprimorar o condicionamento físico de atletas, como para melhorar as aptidões físicas de adultos, não-atletas, idosos e crianças independentemente do sexo (FLECK e KRAEMER 2006).
Segundo a literatura o aumento do tecido muscular pode ocorrer devido a dois diferentes processos, o mais aceito é denominado hipertrofia que seria o aumento do tamanho individual na área transversal da fibra muscular (MELONI 2005; KRAEMER, FLECK e EVANS 1996; MacDOUGALL 1992; TESCH et al. 1982). Sendo comprovadamente um
fenômeno adaptativo comumente observado sob a influência de um programa de exercícios resistidos e diretamente relacionado ao volume e a intensidade dos exercícios. Todavia, ainda se discute a existência de outro mecanismo de crescimento muscular conhecido como hiperplasia que preconiza o aumento do número de células ou de fibras musculares em relação à quantidade original. Entretanto, ainda são limitadas as informações que possam suportar a hiperplasia em humanos, contudo existem indicações que ela possa ocorrer como resultado do treinamento resistido severo (MELONI 2005; KADI et al. 1999; McCALL et al. 1996).
Em 1990, o Americam College of Sports Medicine reconheceu pela primeira vez o treinamento resistido como um importante componente em programas de exercícios físicos para adultos de todas as idades. Outras organizações internacionais na área de saúde como Americam Hospital Association (1995) e a Americam Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitaion (1999), reforçaram esse reconhecimento.
Descobertas que chamaram bastante atenção estão relacionadas em estudos mais clássicos sobre treinamento de força com idosos, que utilizaram durante 12 semanas um programa de treinamento resistido em homens entre 60-72 anos de idade (FRONTERA et al.
idade (FIATARONE et al. 1990). Ambos os estudos observaram resultados semelhantes: os
pesquisadores notaram um aumento de força média de 174% e aumento médio da área transversa do músculo em torno de 10% atribuídos ao treinamento; também relacionaram progressos na velocidade de realizar movimento com melhorias de quase 50% utilizadas como um indicador de equilíbrio.
Fiatarone e colaboradores (1994) em um trabalho subseqüente utilizando uma amostra maior (37 homens e 63 mulheres, ±87 anos de idade média) demonstraram 113% de aumento em força muscular e quase 12% de aumento na velocidade de caminhada, durante um programa de treinamento de dez semanas.
As alterações durante o envelhecimento do tecido músculo-esquelético estão relacionadas com a redução funcional, devido a um metabolismo basal mais lento e alterações do sistema nervoso influenciando nas funções motoras, renais, cardíacas, respiratórias e hormonais, sendo importante ressaltar que estas alterações são mais evidentes nas mulheres (EVANS 1997). Se, por um lado o avançar da idade favorece a sarcopenia e a redução da força, por outro, verifica-se que a atividade física pode contribuir diretamente para a manutenção e melhoria das funções do aparelho locomotor, amenizando os efeitos do sedentarismo, do desuso, da imobilidade e de doenças crônicas (FLECK e KRAEMER 2006; SINGH 2002).
Existem cada vez mais evidências científicas apontando o efeito benéfico de um estilo de vida ativo na manutenção da capacidade funcional e da autonomia física durante o processo de envelhecimento. Estudos com idosos têm demonstrado eficiência em retardar disfunções ocasionadas pelo envelhecimento (CARVALHO et al. 2004; POLLOCK et al,
2000; FIATARONE et al. 1990; FRONTERA et al. 1988). Importantes benefícios são
diminuição da depressão e coadjuvante no controle de diabetes, artrite, doença cardíaca (SAFONS et al. 2006; BUCCI et al. 2005; LIMA et al. 2005; MATSUDO 1999;
ROSENBERG 1997; DUTTA 1997).
As adaptações proporcionadas pelo treinamento resistido permitem um maior desenvolvimento de força por aumento das funções neurais ocasionando um recrutamento motor otimizado do tecido muscular promovendo maiores níveis de hipertrofia e alterando a arquitetura muscular (DURAND et al. 2003; DESCHENES et al. 1988).
A manutenção do volume muscular, além da força, aumenta quantidade de tecido com sensibilidade à insulina minimizando o surgimento de diabetes, aumenta a proteção de articulações anatomicamente instáveis, reduzindo processos degenerativos ou inflamatórios; proporciona reabilitação postural atenuando a possibilidade de quedas nas situações de desequilíbrios do corpo; possibilita melhor desempenho nas tarefas diárias que exigem força muscular; acarreta aumento da taxa metabólica basal facilitando a redução do tecido adiposo e ao mesmo tempo mantém a freqüência cardíaca e a pressão arterial sem grandes alterações durante os esforços da vida diária (FLECK e KRAEMER 2006; FLECK e FIGUEIRA JUNIOR 2003; NOBREGA et al. 1999; DUTTA 1997).
SOARES 2004; ROBERGS e ROBERTS 2002; SHEPHARD 1998; HARRIES e BASSEY 1990; MURRAY et al. 1985 e LARSSON 1978).
Os princípios fundamentais do treinamento de força são os mesmos, não importando qual a idade dos participantes, no entanto, estudiosos orientam que um período de treinamento inicial maior pode ser necessário para que indivíduos mais idosos entrem em forma antes que possam realizar treinos em nível capaz de promover adaptações musculares; ressaltando que em alguns idosos mais frágeis o nível de treinamento físico e força inicial podem ser próximos de zero. Exigindo que as intensidades devam ser cuidadosamente controladas. Anteriormente à escolha das atividades deve-se recomendar a consulta médica e levar em consideração os resultados da avaliação pré-participação e as co-morbidades presentes (FLECK e KRAEMER 2006; NOBREGA et al. 1999; ACSM 1998).
Em adultos idosos a recomendação para estimular a força muscular e hipertrofia é a utilização de exercícios multiarticulares e uniarticulares; inicialmente em aparelhos e evoluindo gradualmente para os pesos livres, utilizando velocidade baixa à moderada, com 01 a 03 séries por exercício e intensidades variando de 60% a 80% de 1RM para 08 a 12 repetições e utilizando intervalos de descanso de 01 a 03 minutos entre as séries (ACSM 1998).
Embora nas mulheres a capacidade de adaptação ao treino seja semelhante aos homens características próprias como diferenças no perfil hormonal feminino e masculino ocasionam respostas e adaptações específicas diferenciadas aos estímulos recebidos. Estes fatores em conjunto fazem com que o desempenho desportivo seja de 6 a 15% menor nas mulheres em comparação com os homens. (CARVALHO et al. 2004; LEITÃO et al. 2000).
Um programa ideal de treinamento para mulheres, deve conter exercícios de força e endurance, ser realizado na maior parte dos dias da semana, ter duração variando entre 30 e 90 minutos, contemplando com ênfase os grandes grupos musculares e utilizando séries de 08 a 10 repetições com intensidade de carga de aproximadamente 60% de uma 1RM (LEITÃO et al. 2000).
2 Treinamento Resistido e respostas hormonais: testosterona, cortisol e hormônio do
crescimento
É reconhecida a influência do treinamento resistido sobre hormônios como a testosterona, cortisol e hormônio do crescimento (PULLINEN et al. 2002). As concentrações
plasmáticas destes hormônios podem ser utilizadas como marcadores funcionais para promover ajustes específicos durante o treinamento visando alcançar os objetivos propostos da maneira mais eficiente.
A testosterona é um hormônio esteróide e como tal apresenta um núcleo molecular básico derivado das moléculas de colesterol produzida nos homens pelos testículos e nas mulheres pelo córtex adrenal, com sua síntese controlada pela hipófise através da glândula pituitária anterior (OSTATNÍKOVÁ 2003; HIIPAKKA e LIAO 1998; VANKRIEKEN 1997; KRAEMER 1988).
O mecanismo de ação da testosterona acontece de maneira facilitada, por ser um hormônio lipossolúvel e não precisar de receptor para entrar na célula, atravessando facilmente a membrana plasmática de suas células-alvo e interagindo com seus receptores nucleares específicos, modificando diretamente a expressão dos genes-alvo. Os estoques celulares dos hormônios esteróides são pequenos e o armazenamento celular é difícil devido à alta solubilidade, conseqüentemente, a secreção da testosterona é sempre o resultado imediato de uma ativação de sua biossíntese (BIANCO e RABELO 1999).
Na circulação 90-98% da testosterona encontra-se associada à proteínas plasmáticas, sendo 60% ligadas a beta-globulina (hormônios sexuais) e 35-38% ligadas à albumina, a menor proporção é a que se encontra na forma livre 2-5%, constituindo esta menor parte na forma ativa que atua sobre as células-alvo. É esta forma livre da testosterona que pode ser transformada em compostos estrogênios (ex. estradiol e a diidrotestosterona) que potencializam a ação dos compostos androgênios como no caso a fração livre de testosterona sendo responsável pelas alterações ocasionadas pelo treinamento, porém este mecanismo ainda não está bem esclarecido. (GUYTON 2006; RODRIGUES e FAVARETTO 1999; LOEBEL e KRAEMER 1998). A principal função anabólica da testosterona é aumentar a síntese protéica agindo principalmente sobre a musculatura esquelética aumentando o depósito de proteínas contráteis.
comparados às concentrações de um adulto jovem (GUYTON 2001; LOEBEL e KRAEMER 1998).
O cortisol é um hormônio catabólico produzido no córtex adrenal apresenta efeito sobre o metabolismo da glicose, fazendo com que as células hepáticas convertam proteína e glicerol em glicose, processo denominado gliconeogênese; também apresenta função antiinflamatória quando as células são lesadas o cortisol exerce ação sobre a estabilização dos lisossomos; exerce importante implicação sobre o metabolismo das proteínas reduzindo a quantidade de proteína na maioria dos tecidos do corpo, com exceção do fígado, e as degradando em aminoácidos, aumentando em valores significativos as concentrações de aminoácidos plasmáticos; por fim, o cortisol apresenta efeito sobre o metabolismo de gorduras tendo como resultado efetivo a redução de gordura nos depósitos e um aumento na utilização de gordura para produção de energia e outros fins, mas, caso não utilizada de forma imediata, sua concentração no líquido extracelular pode provocar acidose, efeito indesejável. (GUYTON 2006; LIMA, OLIVEIRA e SILVA 2005; McARDLE et al. 2001; KRAEMER 1988).
Aproximadamente 75% do cortisol do plasma encontram-se ligados a uma proteína específica conhecida como transcortina, outros 15% do cortisol plasmático estão ligados à albumina, de modo que apenas 10% encontram-se livres na circulação e apenas esta parte livre é biologicamente ativa. É mínima a quantidade de cortisol armazenada nas células responsáveis pela sua síntese, de modo que o hormônio é continuamente sintetizado e a velocidade da síntese adapta-se rapidamente às necessidades do organismo e vida média desse hormônio por aproximadamente 70 minutos (MIGLIORINI e KETTELHUT 1999). As maiores concentrações de cortisol circulante tem sido relatados no período da manhã (REILLY, ATKINSON e WATERHOUSE 2000; VAN CAUTER e TUREK 1995).
aminoácidos e duas pontes dissulfeto. Exerce função sobre o crescimento de todos os tecidos e células, sua principal ação anabólica é estimular a síntese protéica através da mobilização dos transportadores de aminoácidos promovendo aumento do tecido muscular e simultaneamente aumentando a disponibilidade de ácidos graxos livres para utilização como fonte de energia. Influenciando na redução do percentual de gordura por ação lipolítica direta, conseqüentemente, alterando o metabolismo dos carboidratos e reduzindo a utilização de glicose.
O hormônio do crescimento, depois de secretado no plasma, tem vida útil entre 15 e 20 minutos. Suas concentrações plasmáticas em adultos estão entre 1.6 e 3.0 ng/ml, mas sob estimulação de exercícios físicos, suas concentrações podem variar consideravelmente atingindo picos de 30 ng/ml (GUYTON 2006; NUNES 1999; KRAEMER 1988). Os melhores estímulos para síntese e secreção em humanos são obtidos através do exercício físico, também ocorre liberação em situações de estresse e durante o sono. Todos os tecidos sensíveis ao hormônio do crescimento possuem receptores nas membranas plasmáticas de suas células (INSUA e FUK 2003; NUNES 1999).
No entanto para produzir seus efeitos anabólicos o hormônio do crescimento requer uma série de fatores incluindo exigências nutricionais, principalmente de proteínas, além de complexos ajustes endógenos nos níveis de hormônios tireoideanos, insulina, cortico-esteróides, gonadotróficos, adrenérgicos e do estrogêneo o que demanda uma delicadíssima regulação hormonal para garantir sua eficácia (GUYTON 2006; FLECK e KRAEMER 2006; INSUA e FUK 2003; NUNES 1999).
força muscular e a perda de massa óssea em mulheres com idade avançada sem apresentar efeitos colaterais.
Estudos recentes relacionam cinco diferentes e importantes variáveis que devem ser consideradas quando se pretende avaliar as respostas hormonais dos exercícios resistidos, seriam estas: a escolha dos exercícios, a ordem dos exercícios, o número de séries, os tempos de intervalo e a sobrecarga utilizada. Alterações em uma ou mais destas variáveis podem provocar significantes mudanças nas respostas induzidas pelo exercício (ACSM 2002; HÄKKINEN et al. 2001; FLECK e KRAEMER 1999).
É importante ressaltar que quanto mais treinado for o indivíduo, maior será sua tendência a atingir patamares de estabilização, impedindo que haja desenvolvimento ad infitum de determinadas variáveis (FETT e FETT 2003; ACSM 2002; MATVÉIEV 1986).
Diversos trabalhos têm comprovado que a interação entre volume e intensidade do treinamento resistido afeta a resposta aguda de testosterona (RAASTAD et al. 2000; BOSCO et al. 2000; LEE et al. 1999; SCHWAB et al. 1993; KRAEMER et al. 1990), entretanto,
outros estudos foram incapazes de demonstrar mudanças na concentração da testosterona em repouso com o treinamento (HÄKKINEN e PAKARINEN 1993, 1995).
Consitt e colaboradores (2002) relacionando estudos sobre respostas hormonais em exercícios de endurance e resistidos com mulheres observaram elevação do GH e de todos os hormônios anabólicos analisados em decorrência do efeito agudo do treinamento de endurance, enquanto no exercício resistido demonstraram menor variação somente o GH, cortisol e estradiol seguiram essa tendência de elevação sob estímulo do treinamento de resistência.
estavam alterados imediatamente após o treino e se encontravam 21% reduzidos 2h exercício, diferentemente da testosterona livre que se encontrava 20% aumentada pós-exercício e retomando os valores normais após 02 horas. Notavelmente se depararam com os níveis de cortisol reduzidos em 36% imediatamente após o treino e ainda reduzidos 14% 2h pós-exercício. As concentrações de hormônio do crescimento estavam aumentadas em 80% imediatamente após a sessão de exercícios e 2h pós-exercício se apresentava 30% abaixo dos níveis normais de repouso. Segundo os pesquisadores, os resultados comprovam que sessões de exercícios podem ser utilizadas em programas de prevenção à osteoporose devido sua influência sobre o sistema hormonal alterando o metabolismo do tecido ósseo e muscular.
Alguns estudos associam níveis basais de testosterona e de força, demonstrando que o treino por si pode aumentar a liberação de testosterona. Contudo, o aumento da força e da liberação hormonal pode acontecer sem alteração hormonal induzida diretamente pelo treinamento (HÄKKINEN et al. 2001; HIGBIE et al. 1996), sugerindo que fatores alheios ao
treino contribuam para estas adaptações independentes das alterações hormonais (FETT e FETT 2003).
Diferentes trabalhos relacionaram aumentos nas concentrações plasmáticas de cortisol sob estímulo de atividades físicas em situações de estresse como treinamento intenso e/ou de longa duração, estando relacionado com o catabolismo do tecido muscular esquelético e adiposo (HOFFMAN et al. 1997; CUMMINIG et al. 1989; HEDGE et al. 1987), entretanto
outros estudos não conseguiram determinar variações significantes nas concentrações de cortisol (HÄKKINEN e PAKARINEN 1995; SIDNEY et al. 1977) ou mesmo encontrando
redução em suas concentrações (KEMMLER et al. 2003).
em outros dois trabalhos Häkkinen e colaboradores (2000 e 2001) avaliaram idosas durante o treinamento resistido contínuo pelo período de 21 e 30 semanas respectivamente, encontrando variações significantes em ambos os trabalhos, na concentração de testosterona livre enquanto a testosterona total permanecia inalterada; já as variações do cortisol e do hormônio do crescimento demonstraram variações significantes somente na reavaliação do estudo que utilizou 21 semanas, quando comparados os níveis pré e pós.
2.1Ritmos Circadianos e concentrações hormonais
Cada um dos hormônios circulantes apresenta seu pico de produção máxima em diferentes momentos do dia. Assim para a espécie humana, tipicamente de atividade diurna, grande parte dos hormônios tem seu pico máximo de produção e secreção no fim da noite de sono, precedendo o despertar e preparando o organismo para interação ativa com o meio ambiente. Estas variações pulsáteis são conhecidas como ritmos circadianos.
Os ritmos circadianos são expressos por oscilações nos sistemas fisiológicos e por respostas internas do sistema orgânico-metabólico, podendo ser diretamente influenciados por estímulos externos como: fatores ambientais, drogas, alimentação ou estresse. Normalmente sincronizados por alterações de periodicidade ambientais, destacando para os humanos, a influência das interações sociais e principalmente o ciclo claro/escuro (MELLO, SANTOS e TUFIK 2004; VIEIRA 2002, REILLY, ATKINSON, WATERHOUSE 2000; WINGET, DEROSHIA e HOLLEY 1985).
quase imperceptível. Mesmo quando fatores, como sexo, idade, composição corporal, nível de treinamento e estado nutricional são controlados (FLECK e KRAEMER 2006; CONSITT et al. 2002; GUYTON 2001; AFECHE e CIPOLLA-NETO 1999).
MATERIAIS E MÉTODOS
Amostra
A amostra foi composta por 15 idosas com idade média de 67,53±3,92 anos, fisicamente independentes de acordo com a classificação de SPIRDUSO (1995) e praticantes de exercícios físicos há no mínimo 06 meses.
Os critérios de exclusão foram relacionados às condições que pudessem sugerir limitações à prática de programas de treinamento resistido e proporcionar alterações na análise sangüínea, tais como: alcoolismo, fumo, obesidade mórbida, fraturas recentes, osteoartrite, processos inflamatórios crônicos, osteoporose intensa, grave insuficiência cardíaca, respiratória, renal e hepática, problemas neurológicos graves, hipertensão arterial não controlada, estados infecciosos, assim como o uso de remédios depressivos, antiinflamatórios e outros que contenham cortisona. As voluntárias foram instruídas a não realizarem, neste período, outros programas de exercícios físicos e não alterarem seus hábitos do dia-a-dia durante a realização do estudo.
Procedimentos experimentais
Avaliação da força máxima (RM)
adaptações inter e intramusculares, favorecer a execução dos movimentos e sugerir menores riscos de lesão, além de aclimatar a voluntária ao ambiente.
Durante o período de adaptação neuromuscular, cada exercício do programa foi composto por 02 sets de 13 repetições consecutivas, com uma carga confortável, de fácil execução e periodicamente ajustada de acordo com a percepção subjetiva da voluntária para permitir a realização de 08 repetições submáximas.
Avaliação da massa e estatura corporal
A massa corporal foi registrada em quilogramas, sendo identificada por meio de uma balança FILIZOLA digital, com capacidade para 150 Kg e resolução de 0,1 grama. A avaliada posicionou-se no centro da plataforma da balança em frente ao monitor, mantendo-se estática até o registro da massa corporal.
A estatura corporal foi identificada por meio do estadiômetro da balança FILIZOLA com resolução de 0,1 cm. A voluntária com a cabeça orientada no plano de Frankfurt formando um ângulo reto com o estadiômetro, o corpo em posição ereta e os calcanhares unidos, a avaliada realizou uma inspiração máxima, ficando em apnéia por aproximadamente 3 segundos, momento em que foi registrada a estatura corporal.
Avaliação da testosterona, do cortisol e do GH.
As coletas de sangue para análise das variáveis intencionadas (testosterona, cortisol e GH) foram realizadas imediatamente antes do início do treinamento (T1), imediatamente após o exercício (T2), 3 horas após o treinamento (T3) e 48 horas pós-exercício (T4).
centrifugadas durante 5 minutos a 3.000 r.p.m. As concentrações hormonais de testosterona, cortisol e hormônio do crescimento foram determinadas através do método Enzima-Imunoensaio Quimiluminescente e o analisador utilizado foi o Immulite 2000. As análises foram realizadas no prazo máximo de 24 horas após a coleta, que tende a minimizar os coeficientes de variação nas contagens dos índices hematimétricos que podem acontecer devido ao ritmo circadiano.
Foram passadas às voluntárias, orientações acerca da necessidade de reportar a utilização de medicamentos durante esse período. Foi ainda solicitado às voluntárias que não participassem de esforços de intensidade moderada ou alta no mesmo período.
Programa de treinamento resistido.
As idosas foram alocadas em dois períodos de tratamento, sendo que o G1 foi nomeado como o período que realizaria o treino com 50% 1-RM, G2 o período que realizaria o treino com 80% de 1-RM. Com um intervalo de uma semana entre as sessões, foi promovida a inversão das cargas de treino, ou seja, aqueles que treinaram na 1ª sessão com 50% de 1-RM treinariam na 3ª semana com 80% de 1-RM e vice-versa.
A distribuição seqüencial dos exercícios foi baseada na estratégia alternada por grupamentos musculares sendo composta pelos seguintes exercícios: puxada fechada, supino reto sentado, remada fechada, cadeira flexora, cadeira extensora e panturrilha sentada.
Análise estatística
Com a finalidade de testar a normalidade na distribuição dos dados foi aplicado o teste de Kolmogorov Smirnov e Skewness. Para análise dos dados foi utilizada análise de variância (Two way Anova) para medidas repetidas, sendo os momentos de coleta definidos em 04 tempos (T1 - pré-exercício, T2 - pós-exercício, T3 -03 horas e T4 - 48 horas após o fim da sessão de treino respectivamente). Para verificar alterações dentro de cada intensidade foi utilizada a análise de variância (One way Anova) para medidas repetidas. O índice de variância – covariância dos grupos avaliados foi feito através do teste Wilk’s Lambda. Para avaliar os efeitos intra-sujeitos nas variáveis dependentes anteriormente descritas considerando a análise isolada com relação ao tempo, intensidade, e combinada tempo/intensidade foi usado o teste de esfericidade Greenhouse-Geisser. Para o ajustamento das múltiplas comparações foi usado o teste de Bonferroni. Em todas as análises foi adotado o nível de significância p 0,05.
Cuidados éticos
RESULTADOS
Uma análise exploratória foi realizada sobre os dados obtidos na pesquisa. Não foram encontrados casos faltosos na amostra estudada. As variáveis relativas às medidas e cálculos antropométricos (massa corporal, altura e IMC) foram utilizadas para caracterização da amostra, sendo observados na Tabela 1.
Tabelas 1 - Médias e desvios padrão das características da amostra
MÉDIA SD
IDADE (anos) 67,53 ± 3,92
ESTATURA (cm) 154,27 ± 5,59
MASSA CORPORAL (Kg) 67,76 ± 14,30
IMC 21,95 ± 4,2
Tabela 2 – Médias, desvios-padrão e delta percentual dos níveis de Testosterona.
Testosterona (ng/dL)
Pré (T1) Pós (T2) 3 horas (T3) 48 h (T4)
50% 1RM 30,72 ± 13,11 29,25 ± 10,34 p 1,000 27,10 ± 9,27 p 0,493 27,10 ± 10,60 p 1,000
∆ % - - 4,78 - 11,78 - 11,78
80% 1RM 25,18 ± 6,74 28,31 ± 9,90 p 0,165 27,06 ± 9,10 p 1,000 26,13 ± 6,46 p 1,000
∆ % - 12,43 7,46 3,77
T1 pré – Coleta imediata pré-exercício, T2 pós – Coleta imediata após exercício, T3 pós 3h – Coleta 3 horas após exercício e T4 pós 48h – Coleta 48 horas após o exercício.
∆ % - Para o cálculo foram considerados os dados de T2, T3 e T4 em relação a T1.
Na tabela 3 verifica-se o impacto propiciado através das sessões de exercício resistido sobre os níveis de cortisol onde se observa uma diminuição significativa nos níveis de cortisol (T3) p 0,002 entre T1 e T3. As diferenças significantes ocorreram somente intra-grupo nas intensidades de 50% e 80%, sendo analisadas as alterações de (T2, T3 e T4) com relação ao (T1), coleta pré-exercício.
Tabela 3 – Médias, desvios-padrão e delta percentual dos níveis de Cortisol.
Cortisol (mcg/dL)
Pré (T1) Pós (T2) 3 horas (T3) 48 h (T4)
50% 1RM 9,17 ± 1,76 8,36 ± 3,91 p 1,000
6,50 ± 2,83 p 0,002*
8,72 ± 3,05 p 1,000
∆ % - - 8,83 - 29,11 - 4,90
80% 1RM 6,74 ± 1,67 8,46 ± 4,56 p 0,720
5,10 ± 1,09 p 0,002*
6,89 ± 3,10 p 1,000
∆ % - 25,51 - 24,37 2,22
Onde: * efeito significante (p 0,002) entre T1 e T3 nas intensidades de 50% e 80% somente intra-grupo.
T1 pré – Coleta imediata pré-exercício, T2 pós – Coleta imediata após exercício, T3 pós 3h – Coleta 3 horas após exercício e T4 pós 48h – Coleta 48 horas após o exercício.
A figura 01 ilustra a variação nas concentrações plasmáticas de cortisol nas intensidades de 50% e 80% de 1RM.
PLOT_CORTISOL 4 5 6 7 8 9 10
T1 T2 TEMPO T3 T4
C O N C E N T R Ç Ã O P LA S M Á T IC A ( m cg /d l) 50% 80%
Onde: efeito significante (p 0,002) entre T1 e T3 nas intensidades de 50% e 80% somente intra-grupo.
T1 pré – Coleta imediata pré-exercício, T2 pós – Coleta imediata após exercício, T3 pós 3h – Coleta 3 horas após exercício e T4 pós 48h – Coleta 48 horas após o exercício.
Na tabela 4 verifica-se os dados obtidos através da razão testosterona / cortisol (T/C) que não apresentou diferenças significativas (p 0,05) entre as médias nos diferentes tempos (T1, T2, T3 e T4) ou entre as intensidades adotadas (50% de 1-RM e 80% de 1-RM). Observa-se na intensidade de 80% que a variação delta permanece positiva em todos os tempos.
Tabela 4 – Médias, desvios-padrão e delta percentual da razão testosterona / cortisol.
Testosterona / Cortisol
Pré (T1) Pós (T2) 3 horas (T3) 48 h (T4)
50% 1RM 3,73 ± 1,77 3,53 ± 1,73 p 1,000 4,46 ± 1,89 p 1,000 3,34 ± 1,60 p 1,000
∆ % - - 5,36 19,57 - 10,45
80% 1RM 3,56 ± 1,10 3,86 ± 1,75 p 1,000 4,78 ± 1,43 p 0,007 4,27 ± 1,77 p 0,171
∆ % - 8,42 34,27 19,94
T1 pré – Coleta imediata pré-exercício, T2 pós – Coleta imediata após exercício, T3 pós 3h – Coleta 3 horas após exercício e T4 pós 48h – Coleta 48 horas após o exercício.
A tabela 5 apresenta a variação nas concentrações de GH sob efeito das sessões de exercício resistido, que também não apresentaram diferenças significativas (p 0,05) entre as médias nos diferentes tempos (T1, T2, T3 e T4) ou entre as distintas intensidades adotadas (50% de 1-RM e 80% de 1-RM).
Tabela 5 – Médias, desvios-padrão e delta percentual dos níveis de GH.
GH (ng/dL)
Pré (T1) Pós (T2) 3 horas (T3) 48 h (T4)
50% 1RM 0,828 ± 0,48 -
1,09 ± 1,02 p 1,000
0,462 ± 0,35 p 0,375
0,671 ± 0,66 p 1,000
∆ % - 31,64 - 44,20 - 18,96
80% 1RM 0,778 ± 0,75 - 1,03 ± 0,82 p 1,000 0,742 ± 1,00 p 1,000 0,748 ± 0,66 p 1,000
∆ % - 32,39 - 4,63 - 3,85
T1 pré – Coleta imediata pré-exercício, T2 pós – Coleta imediata após exercício, T3 pós 3h – Coleta 3 horas após exercício e T4 pós 48h – Coleta 48 horas após o exercício.
DISCUSSÃO
A literatura cataloga amplamente os efeitos do treinamento resistido sobre as concentrações plasmáticas de diversos hormônios, sugerindo que tais alterações possam promover adaptações fisiológicas ao treinamento que sejam responsáveis por propiciar benefícios como, aumento do tecido muscular e da força, promovendo melhor desempenho nas atividades da vida diária, sendo freqüentemente associado aos praticantes desta modalidade de atividade física, entretanto sutis variações no programa de treinamento, tais como: volume de treinamento, intervalos de recuperação entre séries e treinos, treinabilidade, fatores nutricionais dentre outros, podem intervir nos resultados das sessões de treino.
Os procedimentos adotados durante este estudo mantiveram proximidade com estudos recentes, quando indicam que o treinamento resistido com sobrecargas elevadas pode ser utilizado com idosos que tolerem bem esta intensidade de treino, desenvolvendo importante função para o aumento e manutenção da massa muscular e da força, no entanto, quando este tipo de treino for contra-indicado, programas que utilizem sobrecargas moderadas podem promover tais benefícios, adicionando a este fato a menor possibilidade de ocorrência de lesões músculos esqueléticas e comprometimento cardiovasculares (RASO 2005, CARVALHO et al. 2004, DEBRA et al. 2000).
comprometendo partes funcionais importantes como o recrutamento motor e o sistema endócrino; focos centrais de atenção durante o desenvolvimento deste estudo.
Entre os hormônios analisados neste trabalho o cortisol foi o único que apresentou variação significante, tendo declinado de forma significativa, no momento T3 de ambas as intensidades, sugerindo que este momento possa ser identificado como um ponto de melhor recuperação pós-exercício, assim corroborando com as afirmações realizadas por UCHIDA e colaboradores (2004), quando associaram essa redução do cortisol à inibição do catabolismo protéico e favorecendo neste momento um aumento da agregação de proteínas contráteis.
A redução do cortisol circulante após o treinamento resistido, também tem sido reportado em outros estudos que relatam maiores aumentos nas concentrações de cortisol imediatamente após exercícios de alta intensidade e conseguinte redução nas medidas pós-exercício entre 2h e 4h (KEMMLER et al., 2003; MARX et al., 2001; HÄKKINEN et al.,
2001; KRAEMER, et al. 1998; NIEMAN et al. 1998).
maiores sobrecargas podem ser utilizadas por idosos durante o treinamento resistido (CARVALHO et al. 2004; DEBRA et al. 2000).
Os demais resultados encontrados neste estudo indicam que não houve diferenças significativas entre as duas intensidades desenvolvidas (50% e 80% de 1-RM) nas variáveis: testosterona, GH e na razão T/C, também não foram significativas as alterações detectadas intra-grupos nas medidas de tempo em nenhum dos quatro níveis distintos (T1, T2, T3 e T4) para estas variáveis.
Esta ausência de variação significante da testosterona, ocorrida neste trabalho durante as sessões de treinamento resistido com idosas corroboram com os resultados documentados em outros estudos (HÄKKINEN et al. 1993, 1995, 2001), no entanto, também encontramos
trabalhos que conseguiram identificar alterações significantes relatando aumentos de até 20% na testosterona livre enquanto a testosterona total permanecia inalterada (KEMMLER et al.
2003; HÄKKINEN et al. 2001).
Mesmo não apresentando variações significativas podemos observar um comportamento semelhante ocorrido tanto na variável testosterona quanto na razão T/C que apresentaram variações positivas nas medidas T2, T3 e T4 em relação a T1 na intensidade de 80% de 1RM; enquanto na intensidade de 50% de 1RM a testosterona apresentou variação negativa em todos os tempos quando comparados a T1.
As variações do GH, também não apresentaram variação significante, entretanto, demonstraram comportamento similar nas duas intensidades 50% e 80% de 1-RM, que no momento T2 imediatamente após o treino apresentaram aumento médio de 31,64% e 32,39% respectivamente e após este momento decresceram tendo variação negativa nos momentos T3 e T4 em relação a T1.
climatério, o que por um lado pode parecer desfavorável para que resultados positivos sejam reconhecidos como normais, por outro lado, à própria condição da população, se aponta como um fator potencializador dos resultados obtidos, mesmo que estatisticamente possam parecer baixos.
Esta posição é reforçada pelo entendimento de FLECK e KRAEMER (1999), quando afirmam que baixas concentrações de um hormônio não significam necessariamente que ele não exerça uma função ativa; sendo que a maior parte dos hormônios presentes no sangue são encontrados em concentrações extremamente reduzidas menores que 01 picograma (1billhão de miligrama) por mililitro. Assim tais variações mesmo que mínimas ou não significantes talvez possam auxiliar durante o treinamento, apesar de não podermos afirmar isto com base nos dados encontrados neste estudo.
CONCLUSÃO
De acordo com os resultados deste estudo, podemos afirmar que o treinamento resistido apresenta a capacidade de promover variação significante na concentração de cortisol independentemente da intensidade utilizada. A analise dos dados intra-grupos revelou uma depressão significante (p 0,002), nas médias dos níveis plasmáticos do cortisol no momento T3 em ambas as intensidades desenvolvidas (50% e 80% de 1RM).
Apesar dos dados indicarem que a testosterona e a razão T/C variaram negativamente na intensidade de 50% e positivamente na intensidade de 80%, nenhuma diferença estatística foi encontrada em nenhum dos quatro níveis de tempo (T1, T2, T3 e T4) ou entre as intensidades desenvolvidas (50% e 80% de 1RM).
De igual modo, o GH não apresentou alterações significantes entre as médias das concentrações plasmáticas em nenhum dos quatro níveis de tempo (T1, T2, T3 e T4) ou entre as intensidades desenvolvidas (50% e 80% de 1RM).
Tais evidências, podem em parte ser entendidas, devido a minimizada ação hormonal em virtude das características das participantes do estudo que se encontravam na pós-menopausa e devido a esta condição as respostas agudas das concentrações hormonais, obtidas através de sessões de treinamento resistido, se tornam menores.
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