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Optimização em redes com parâmetros aleatórios

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Academic year: 2021

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(1)

Deolinda M. L. Dias Rasteiro

Universidade de AveiroDepartamento de Matem´atica 2005

Optimizac˜

ao em Redes com Parˆ

ametros

Aleat´

orios

(2)

Deolinda M. L. Dias Rasteiro

Optimizac˜

ao em Redes com Parˆ

ametros

Aleat´

orios

Disserta¸c˜ao apresentada `a Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necess´arios `a obten¸c˜ao do grau de Doutor em Matem´atica. Tra-balho realizado sob a orienta¸c˜ao cient´ıfica do Pro-fessor Ant´onio Jos´e Batel Anjo, ProPro-fessor Auxiliar do Departamento de Matem´atica da Universidade de Aveiro.

(3)

o j´

uri

presidente

vogais

Reitora da Universidade de Aveiro

Prof. Doutor Joaquim Jo˜ao de Alarc˜ao J´

udice

professor catedr´atico da Faculdade de Ciˆencias e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Prof. Doutor Pedro Nuno Ferreira Pinto de Oliveira

professor associado com agrega¸c˜ao da Escola de Engenharia da Universidade do Minho

Prof. Doutora Maria Ros´alia Dinis Rodrigues

professora associada da Universidade de Aveiro

Prof. Doutora Helena Ramalhinho Dias Louren¸co

professora associada da Universitat Pompeu Fabra - Barcelona Espanha (Co-Orientadora)

Prof. Doutor Ant´onio Jos´e Batel Anjo

(4)

As palavras obrigado e agrade¸co n˜ao s˜ao suficientes para dirigir ao conjunto de pessoas que me apoiaram durante a elabora¸c˜ao deste trabalho! Foram tantas aquelas que, mesmo sem darem conta me ajudaram que, quase certamente me esquecerei de algu´em. Consciente disso, come¸co por agradecer ao meu orientador Professor Doutor Batel pelo apoio e boa disposi¸c˜ao com que sempre me recebeu, mesmo quando as minhas incertezas eram similares aos parˆametros aleat´orios das redes deste trabalho.

A todos os meus colegas do Departamento de F´ısica e Matem´atica do ISEC, agrade¸co o conv´ıvio e ambiente amigo que s´o este departamento (desculpem-me os outros mas este ´e especial) sabe proporcionar. Pipoca, Pulguita, X´eu(s), Lu´ıs, . . . , Todos “bigada”!

Um obrigado aos meus alunos que, ao longo destes anos, partilharam comigo as salas de aula valorizando a continua¸c˜ao da investiga¸c˜ao.

`

A Cristina Rosa um obrigado do tamanho do mundo!!

Fundamentais e essenciais para mim foram os mimos e as ajudas dos meus pais, irm˜a, Pedro, Jo˜ao Pedro, Maria e restante fam´ılia. Sem vocˆes nada faria sentido! Obrigado Pedro, Jo˜ao e Maria por encherem a minha vida de sorrisos e travessuras.

Finalmente um agradecimento p´ostumo ao Homem sem o qual este trabalho n˜ao teria sequer come¸cado, Professor Doutor Ernesto Queir´os Vieira Martins.

(5)

resumo

Esta disserta¸c˜ao tem por base os estudos efectua-dos sobre Optimiza¸c˜ao Combinat´oria, em particu-lar Optimiza¸c˜ao em Redes. Estudou-se o problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo com parˆametros aleat´orios cont´ınuos e discretos.

S˜ao propostos diversos algoritmos para a resolu¸c˜ao deste problema que se baseiam nos algoritmos de rotula¸c˜ao, conhecidos para o caso da determina¸c˜ao do Trajecto ´Optimo em IR e em IRk, e na

genera-liza¸c˜ao das equa¸c˜oes de Bellman.

Estes algoritmos foram aplicados a redes de grandes dimens˜oes, geradas aleatoriamente, tendo-se adaptado uma estrutura de dados ao problema.

(6)

Optimization. The problem of the Stochastic Op-timal Loopless Path with continuous and discrete random parameters was studied.

Diverse algorithms for the resolution of this prob-lem are considered. Those algorithms are based on the labelling algorithms, known for the case of the determination of the Optimal Path in IR and IRk,

and in the generalization of Bellman equations. These algorithms had been applied to networks with high dimensions, randomly generated, hav-ing itself adapted a data structure to the problem.

(7)

Aos meus pais

(8)

Introdu¸c˜ao 1

1 Algumas Considera¸c˜oes Sobre Redes 7

1.1 Nota¸c˜ao e Defini¸c˜oes . . . 7

1.2 Trajecto ´Optimo Cl´assico . . . 9

1.3 Trajecto ´Optimo em IRk . . . 16

2 Trajecto ´Optimo Com Parˆametros Aleat´orios Cont´ınuos 29 2.1 Defini¸c˜ao do Problema . . . 30

2.2 Fun¸c˜ao Utilidade Linear . . . 32

2.3 Fun¸c˜ao Utilidade Quadr´atica . . . 41

2.4 Fun¸c˜ao Utilidade Exponencial . . . 44

2.5 Resultados Computacionais . . . 46

2.5.1 Estrutura de Dados . . . 47

2.6 Conclus˜oes . . . 57

3 Trajecto ´Optimo Com Parˆametros Aleat´orios Discretos 59 3.1 Defini¸c˜ao do Problema . . . 59

(9)

3.2 Como Obter a Solu¸c˜ao . . . 64

3.3 Resultados Computacionais . . . 70

3.4 Conclus˜oes . . . 73

(10)

Em todos os problemas de optimiza¸c˜ao o que se pretende ´e encontrar, de forma eficiente, a “melhor”solu¸c˜ao de entre um conjunto de solu¸c˜oes poss´ıveis. Os problemas de optimiza¸c˜ao s˜ao objecto de classifica¸c˜ao se-gundo v´arios crit´erios que v˜ao desde a natureza das vari´aveis envolvidas at´e `a dificuldade da sua resolu¸c˜ao.

Relativamente ao tipo de vari´aveis que s˜ao usadas na modela¸c˜ao do problema resulta de imediato a sua inclus˜ao no grupo de problemas cont´ınuos ou combinat´orios (discretos). Nos problemas combinat´orios procura-se identificar um objecto de entre um conjunto finito ou infinito numer´avel. A ´area da Matem´atica onde se inserem este tipo de proble-mas ´e a Optimiza¸c˜ao Combinat´oria ou Discreta e, a forma de os resolver consiste em desenvolver uma estrat´egia que permita, se poss´ıvel de uma forma r´apida e eficiente, encontrar uma solu¸c˜ao.

Os problemas que pertencem `a ´area de Optimiza¸c˜ao Combinat´oria tˆem a sua origem em v´arios campos da ciˆencia, desde problemas de Matem´atica a problemas de Engenharia.

Uma sub-classe da Optimiza¸c˜ao Combinat´oria ´e a Optimiza¸c˜ao em Redes onde podemos inserir todos os problemas que podem ser modelados tendo por base uma estrutura de rede.

(11)

Tal como a Optimiza¸c˜ao Combinat´oria, a Optimiza¸c˜ao em Redes tem vastas aplica¸c˜oes em diversos campos, uma vez que permite descrever, de uma forma organizada, muitos problemas nas ´areas de planeamento e gest˜ao de tarefas, distribui¸c˜ao e dimensionamento de redes de energia e transmiss˜ao de dados entre outras. Uma rede pode ser interpretada como sendo um conjunto de tarefas, equipamentos, postos de transmiss˜ao entre os(as) quais existem liga¸c˜oes estabelecidas `a priori (redes est´aticas) ou a estabelecer (redes dinˆamicas).

Percorrer uma rede, desde um estado inicial at´e um estado termi-nal, pode ser interpretado como uma sequˆencia de decis˜oes associada `

a qual est´a um valor real, obviamente fun¸c˜ao das escolhas interm´edias efectuadas. Esse valor real ´e definido pelo agente de decis˜ao de acordo com o crit´erio que fundamentar´a todas escolhas efectuadas as longo do percurso. A fun¸c˜ao que atribuir´a um valor real a cada escolha ser´a des-ignada por fun¸c˜ao utilidade e consistir´a no que vulgarmente se designa por fun¸c˜ao objectivo de cada problema em causa. Em alguns, sen˜ao em todos, os problemas da vida real, o valor do parˆametro associado a cada arco n˜ao ´e sempre o mesmo, isto ´e, dependendo de v´arias circunstˆancias como por exemplo, per´ıodo do dia, estado da liga¸c˜ao, etc, os valores do parˆametro s˜ao distintos sendo que determinados valores ocorrem com mais frequˆencia (relativa) que outros. Assim, faz sentido que em Opti-miza¸c˜ao em Redes se introduza a aleatoriedade dos parˆametros, isto ´e, se introduza a incerteza (as probabilidades) quando s˜ao desejadas decis˜oes que de alguma forma envolvam todos os cen´arios poss´ıveis.

Neste trabalho pretende-se determinar o Trajecto Estoc´astico ´Optimo, segundo um determinado crit´erio, o qual tenha em considera¸c˜ao o facto de os parˆametros associados a uma determinada decis˜ao poderem n˜ao ser

(12)

siderando diferentes fun¸c˜oes utilidade, determina-se o trajecto ´optimo, ou seja, o conjunto de decis˜oes ou transi¸c˜oes ´optimas desde um estado inicial at´e um estado terminal.

Cada tarefa, equipamento, posto de transmiss˜ao ser´a representado como um n´o (v´ertice) da rede e corresponder´a a um estado ou objec-tivo a atingir no problema formulado; As liga¸c˜oes entre os estados, ou objectivos, ser˜ao designadas por arcos os quais indicar˜ao o sentido em que as poss´ıveis transi¸c˜oes entre estados s˜ao pass´ıveis de serem efectuadas, representando assim as escolhas ou decis˜oes poss´ıveis em cada n´o.

A cada arco ´e associado um parˆametro que, em problemas concretos, pode ser interpretado como distˆancia, tempo, custo, etc, associado `a de-cis˜ao de o escolher para evoluir na transi¸c˜ao para o estado (n´o) seguinte na rede.

Um grafo aleat´orio, [4], ´e um conjunto de v´ertices e arcos. Tendo como base os trabalhos de Paul Erd˝os e Albert R´enyi, [5, 6, 7], a Teoria dos Grafos aleat´orios desenvolveu-se de tal forma que ´e hoje um dos principais campos da Matem´atica Discreta. Assume-se que a presen¸ca, ou ausˆencia, de um arco a ligar dois n´os ´e independente da presen¸ca, ou ausˆencia, de qualquer outro arco, logo qualquer arco faz parte da rede com probabilidade p. Se a rede tiver n v´ertices e cada um deles estiver ligado, em m´edia, a k outros, ent˜ao p = k

n− 1. O n´umero de arcos ligado a um v´ertice designa-se por grau do v´ertice e representa-se por d. A distribui¸c˜ao associada ao grau de determinado v´ertice, pd ´e dada por

pd =µ n d ¶ pd (1 − p)n−d kde−k k! .

(13)

A distribui¸c˜ao de pd ´e, no limite, a distribui¸c˜ao de Poisson. Foi

provado, [2, 3], que a distribui¸c˜ao dos graus dos v´ertices na generali-dade das redes reais ´e uma distribui¸c˜ao de Poisson o que sugere que se a aproximarmos a uma distribui¸c˜ao normal algumas caracter´ısticas da rede ser˜ao perdidas. Newman et al, [23], desenvolveu a Teoria dos Grafos aleat´orios com uma distribui¸c˜ao arbitr´aria para os graus dos v´ertices no caso dos grafos n˜ao orientados e deduziu algumas propriedades dos grafos orientados e bipartidos.

Na literatura s˜ao considerados v´arios tipos de problemas de trajecto e/ou1 caminho ´optimo. Entre as publica¸c˜oes mais recentes destacam-se

os trabalhos de Ernesto Martins, [16, 14, 17, 15], para a determina¸c˜ao do Trajecto ´Optimo em IR e IRk e na enumera¸c˜ao dos k-Trajectos ´Optimos.

A primeira publica¸c˜ao sobre estes problemas em redes probabil´ısticas ´

e de Frank, [9], que determinou o caminho mais curto num grafo aleat´orio bem como a distribui¸c˜ao de probabilidade associada a esse caminho.

Um dos crit´erios mais utilizados para determinar o trajecto e/ou cam-inho ´optimo ´e o de maximizar a utilidade do valor esperado de uma fun¸c˜ao utilidade. Este crit´erio baseia-se na formula¸c˜ao de Von-Newman-Morgenstern, [12], que sugere a forma como devem ser avaliadas as de-cis˜oes que envolvam incerteza.

Mirchandani, Murthy, Sarkar e Soroush, [19, 20, 21, 22], apresentaram, na d´ecada de 90, alguns algoritmos para a resolu¸c˜ao do problema do Caminho Mais Curto Estoc´astico considerando fun¸c˜oes utilidade lineares, quadr´aticas e cˆoncavas quasi-lineares.

No cap´ıtulo 1 deste trabalho, s˜ao enunciados e provados alguns

resul-1

Al´em das restri¸c˜oes que existem no problema do Trajecto ´Optimo neste problema ainda existe a restri¸c˜ao de n˜ao existirem n´os repetidos.

(14)

Nos cap´ıtulos 2 e 3, apresentamos os resultados te´oricos e computa-cionais que obtivemos para redes com parˆametros aleat´orios, associados aos arcos, discretos e cont´ınuos, por esta ordem. Note-se que o caso cont´ınuo n˜ao satisfaz nenhum dos Princ´ıpios de Optimalidade logo os al-goritmos de rotula¸c˜ao existentes n˜ao podem ser aplicados. No caso dos parˆametros serem discretos o problema satisfaz um Princ´ıpio de Opti-malidade mas ´e necess´aria uma generaliza¸c˜ao das equa¸c˜oes de Bellman. Os resultados computacionais por n´os obtidos para o problema do Tra-jecto Mais Curto Estoc´astico com parˆametros cont´ınuos e fun¸c˜ao utili-dade linear foram comparados com algoritmos propostos por Murthy e Sarkar em [21]. As redes testadas nesse artigo s˜ao de dimens˜oes muito inferiores `as consideradas nos nossos testes e os tempos computacionais consideravelmente superiores. Relativamente aos outros algoritmos que apresentamos n˜ao foram efectuadas compara¸c˜oes uma vez que n˜ao co-nhecemos, na literatura existente, algoritmos que resolvam este tipo de problemas.

No cap´ıtulo 4, s˜ao apresentadas as conclus˜oes e o trabalho que pre-tendemos realizar no futuro.

(15)
(16)

Algumas Considera¸c˜

oes Sobre

Redes

Em seguida ´e apresentado um conjunto de defini¸c˜oes e resultados, que fazem parte da Teoria de Optimiza¸c˜ao em Redes, no caso em que os pa-rˆametros associados aos arcos s˜ao deterministas, e que s˜ao fundamentais para o desenvolvimento e exposi¸c˜ao dos cap´ıtulos seguintes.

1.1

Nota¸c˜

ao e Defini¸c˜

oes

Defini¸c˜ao 1.1.1

Designa-se por rede e representa-se por G = (N , A) um grafo onde N = {v1, . . . , vn} ´e o conjunto dos n´os e A = {a1, . . . , am} ⊆ N × N ´e o

conjunto dos arcos. Associado a cada arco de A est´a um parˆametro que representaremos por Xij, i, j ∈ N .

Ao longo deste trabalho assumir-se-´a que os conjuntos N e A s˜ao finitos.

O n´o vi ser´a representado apenas pelo seu ´ındice i. Cada arco ak ∈ A

(17)

1.1. NOTAC¸ ˜AO E DEFINIC¸ ˜OES

Se a rede considerada for orientada ent˜ao o arco (i, j) diz-se que tem origem em i e destino em j, ou de outra forma j ´e sucessor de i (e por consequˆencia i ´e antecessor de j).

Uma rede diz-se orientada, se todos os seus arcos forem orientados, n˜ao orientada, se todos os seus arcos forem n˜ao orientados e mista se coexistirem os dois tipos de arcos.

No que se segue, caso nada seja dito em contr´ario e sem perda de ge-neralidade, considera-se que a rede ´e orientada e que n˜ao existem lacetes, isto ´e, arcos da forma (i, i), i∈ N .

Defini¸c˜ao 1.1.2

Sejam s e t dois n´os de N tais que s 6= t. Denota-se por s o n´o inicial e por t o n´o terminal.

Um trajecto1 p de s para t em (N , A) ´e uma sequˆencia, constitu´ıda

alternadamente, por n´os e arcos, da forma

p =hs = v1′, a′1, v2′, . . . , a′l−1, vl′ = ti, onde l ≥ 2 que verifica simultaneamente

• v′k∈ N , ∀k ∈ 1, . . . , l: • a′

k = (vk′, vk+1′ )∈ A, ∀ k ∈ 1, . . . , l − 1.

Dados dois n´os i, j ∈ N , denota-se por Tij o conjunto dos trajectos do

n´o i para o n´o j em (N , A). T ´e o conjunto dos trajectos de s para t (Tst).

No que se segue assume-se que os conjuntos Tsi e Tit s˜ao n˜ao vazios para

cada i ∈ N .

1

(18)

Um caminho de s para t ´e um trajecto de s para t em que todos os n´os, que o constituem, s˜ao distintos, isto ´e, um caminho n˜ao ´e mais do que um trajecto sem ciclos. Um ciclo ´e um caminho que se inicia e termina no mesmo n´o.

O s´ımbolo “⋄” denotar´a a opera¸c˜ao concatena¸c˜ao de trajectos onde o n´o terminal do primeiro trajecto coincide com o n´o inicial do segundo trajecto, isto ´e, pij ⋄ pjk = pik.

1.2

Trajecto ´

Optimo Cl´

assico

No problema do Trajecto ´Optimo Cl´assico, ou seja o problema do Tra-jecto ´Optimo em IR, a cada arco (i, j) de uma rede G orientada est´a as-sociado um parˆametro real, usualmente denotado por cij. Pretende-se

optimizar uma fun¸c˜ao utilidade na qual a utilidade do arco estar pre-sente na solu¸c˜ao ´e o valor do parˆametro que lhe est´a associado. Assim, a fun¸c˜ao utilidade ´e definida por

C :T −→ IR

p 7→ C(p) = P

(i,j)∈pcij

e o problema do Trajecto ´Optimo Cl´assico define-se como

optp∈T C(p) = opt X (i,j)∈A cij Yij s.a X (i,j)∈A Yij − Yji =    1 , i = s 0 , i /∈ {s, t} −1 , i = t Yij ∈ {0, 1}

(19)

1.2. TRAJECTO ´OPTIMO CL ´ASSICO

Se o parˆametro associado ao arco indicar uma distˆancia ou um valor de tempo ´e usual pretender-se minimizar o valor da fun¸c˜ao utilidade definida anteriormente, isto ´e, min

p∈T C(p), ou seja, determinar o trajecto p

∈ T tal

que C(p⋆) ≤ C(p), ∀ p ∈ T . O trajecto pdiz-se uma solu¸c˜ao ´optima do

problema. Note-se que, se o trajecto p for constitu´ıdo apenas por um n´o ent˜ao convenciona-se que C(p) = 0.

Uma forma de obter a solu¸c˜ao ´optima deste problema, embora seja claramente ineficiente, ser´a enumerar todos os trajectos de s para t e, posteriormente, escolher aquele que minimiza o valor da fun¸c˜ao utilidade C. Este processo ´e usualmente designado por algoritmo de pesquisa exaustiva.

As defini¸c˜oes que se seguem constituem uma base de trabalho para desenvolver algoritmos eficientes de optimiza¸c˜ao em redes. Esses algo-ritmos baseiam-se na no¸c˜ao intuitiva de que uma solu¸c˜ao ´optima deve, quando poss´ıvel, ser constitu´ıda por sub-solu¸c˜oes ´optimas.

Defini¸c˜ao 1.2.1 [Princ´ıpio de Optimalidade Forte]

Sejam i e j dois quaisquer n´os em N . Dizemos que um problema de Optimiza¸c˜ao em Redes satisfaz o Princ´ıpio de Optimalidade Forte se qualquer trajecto ´optimo de i para j, em (N , A), for constitu´ıdo por subtrajectos ´optimos.

Defini¸c˜ao 1.2.2 [Princ´ıpio de Optimalidade Fraca]

Sejam i e j dois quaisquer n´os em N . Dizemos que um problema de Optimiza¸c˜ao em Redes satisfaz o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca se existir pelo menos um trajecto ´optimo de i para j, em (N , A), constitu´ıdo por subtrajectos ´optimos.

(20)

Se um problema de Optimiza¸c˜ao em Redes satisfaz pelo menos um dos Princ´ıpios de Optimalidade anteriormente definidos, ent˜ao na deter-mina¸c˜ao da sua solu¸c˜ao ´optima podem usar-se algoritmos de rotula¸c˜ao. Estes algoritmos s˜ao melhoramentos do algoritmo de pesquisa exaustiva uma vez que para obter a solu¸c˜ao ´optima n˜ao s˜ao desenvolvidos os ramos em que o valor da fun¸c˜ao utilidade associada a esses trajectos ´e pior.

Os algoritmos de rotula¸c˜ao consistem em associar a cada n´o i∈ N , um valor, que se designa por r´otulo de i, πi, e que representa o melhor valor

da fun¸c˜ao utilidade dos trajectos j´a determinados de s para i; O trajecto de s para i, que foi determinado, denotar-se-´a por p⋆

si. Utiliza-se, ainda,

uma lista, L, de n´os com r´otulos provis´orios, isto ´e, que eventualmente podem vir a ser melhorados. O algoritmo termina quando a lista L estiver vazia o que significa que n˜ao existe nenhum n´o cujo r´otulo possa vir a ser melhorado.

Esquematicamente o algoritmo de rotula¸c˜ao cl´assico, para problemas de minimiza¸c˜ao, descreve-se da seguinte forma

(21)

1.2. TRAJECTO ´OPTIMO CL ´ASSICO

Algoritmo de Rotula¸c˜ao Cl´assico

para todo o n´o i∈ N \ {s} faz πi = +∞

πs = 0 L← {s} p⋆ ss ← hsi enquanto L6= ∅ faz escolhe i∈ L L← L \ {i}

para todo o arco (i, j)∈ A faz se C(p⋆

si⋄ hi, (i, j), ji) < C(p⋆sj)

ent˜ao

πj ← C(p⋆si⋄ hi, (i, j), ji)

p⋆

sj ← p⋆si⋄ hi, (i, j), ji

se j /∈ L ent˜ao L ← L ∪ {j}

O problema do Trajecto ´Optimo Cl´assico diz-se finito se tem solu¸c˜ao ´

optima finita, isto ´e, se existe um trajecto constitu´ıdo por uma sequˆencia finita de n´os e de arcos. Se tal trajecto existir e o valor da fun¸c˜ao utilidade for finito o problema diz-se limitado, caso contr´ario diz-se ilimitado.

O teorema seguinte estabelece as condi¸c˜oes necess´arias e suficientes para que o problema do Trajecto ´Optimo Cl´assico seja finito.

Teorema 1.2.1

O problema do Trajecto ´Optimo (mais curto) Cl´assico ´e finito se e s´o se n˜ao existem ciclos negativos na rede2. Se o problema do

tra-jecto ´optimo (mais curto) ´e finito ent˜ao existe um trajecto ´optimo que ´

e caminho.

2

Seja φ um ciclo em (N , A), φ diz-se um ciclo negativo para o problema do Trajecto ´Optimo se C(φ) = C(P

(22)

Demonstra¸c˜ao:

Seja φ um ciclo negativo emG, isto ´e, um ciclo tal que C(φ) < 0 e i um qualquer n´o desse ciclo.

Uma vez que T , conjunto dos trajectos de s para t, ´e n˜ao vazio ent˜ao existe um trajecto qsi de s para i; Analogamente, existir´a um trajecto qit de i para t.

Assim, o trajecto qk = qsi ⋄ φk⋄ qit, k ∈ IN0, ´e um trajecto de s para t em que o

valor da fun¸c˜ao utilidade ´e C(qk) = C(qsi) + kC(φ) + C(qit). Como k ∈ IN0 ent˜ao

lim

k→+∞C(φ k

) =−∞, logo a sucess˜ao {C(qk)}k∈IN0 tende para −∞ pelo que q∞ ´e um

trajecto ´optimo e, como os parˆametros associados aos arcos s˜ao finitos n˜ao existe um trajecto constitu´ıdo por uma sequˆencia finita de n´os e arcos que seja trajecto ´optimo, logo o problema n˜ao ´e finito.

Admita-se agora que n˜ao existem ciclos negativos na rede e seja p um trajecto ´optimo. Se p n˜ao tem ciclos, ent˜ao o trajecto n˜ao tem n´os repetidos e portanto ´e um caminho; Logo, p ´e uma sequˆencia finita de n´os e de arcos, ou seja, ´e uma solu¸c˜ao finita, pelo que o problema ´e finito. Se p cont´em ciclos ent˜ao, atendendo `a hip´otese, o valor da fun¸c˜ao utilidade num qualquer dos ciclos ´e n˜ao negativo. Seja φ um qualquer ciclo de p. O valor da fun¸c˜ao utilidade em φ n˜ao pode ser positivo, pois se tal fosse poss´ıvel, decompondo p na forma p = q1⋄ φ ⋄ q2 ter-se-´ıa

C(p) = C(q1⋄ q2) + C(φ) > C(q1⋄ q2),

e o trajecto n˜ao seria ´optimo. Assim, se o trajecto ´optimo p contiver um ciclo φ ent˜ao C(φ) = 0, e o ciclo pode ser removido de p obtendo-se o trajecto q1⋄q2 que ´e um novo

trajecto ´optimo. Analogamente podem ser retirados todos os ciclos obtendo-se uma solu¸c˜ao ´optima sem ciclos, ou seja um caminho que ´e solu¸c˜ao ´optima. Atendendo a que o caminho ´e uma sequˆencia finita de n´os e arcos, ent˜ao ´e poss´ıvel obter uma solu¸c˜ao ´optima finita, pelo que o problema ´e finito.

(23)

1.2. TRAJECTO ´OPTIMO CL ´ASSICO

Problema do Caminho ´Optimo3. Note-se que o dom´ınio do segundo

pro-blema ´e sempre finito o que pode n˜ao acontecer no caso do primeiro problema, logo pode-se concluir que o o Problema do Caminho Mais Curto ´e sempre finito.

Sob algumas condi¸c˜oes os dois problemas s˜ao equivalentes, isto ´e, tˆem o mesmo conjunto de solu¸c˜oes ´optimas. Se n˜ao existir nenhum ciclo na rede cujo valor da fun¸c˜ao utilidade seja negativo, ou nulo, ent˜ao o conjunto das solu¸c˜oes ´optimas do Problema do Trajecto ´Optimo ´e igual ao conjunto das solu¸c˜oes ´optimas do Problema do Caminho Mais Curto.

Teorema 1.2.2

Seja φ um qualquer ciclo de G tal que C(φ) > 0. Ent˜ao o Problema do Trajecto ´Optimo (mais curto) e o Problema do Caminho ´Optimo (mais curto) s˜ao equivalentes.

Demonstra¸c˜ao:

Seja p um trajecto ´optimo, isto ´e, C(p) ≤ C(q) para todo o q pertencente ao conjunto dos trajectos de s para t. Como n˜ao existem ciclos negativos, da demons-tra¸c˜ao do teorema anterior, podemos concluir que o trajecto p s´o pode conter ciclos nulos. Mas, por hip´otese, n˜ao existem ciclos nulos em G e, portanto o trajecto p n˜ao pode conter ciclos, ou seja, ´e um caminho e al´em disso ´optimo.

Suponhamos agora que p ´e um caminho ´optimo. Uma vez que todo o caminho ´e trajecto, ent˜ao p ´e um trajecto. Admita-se que p n˜ao ´e um trajecto ´optimo em G. Ent˜ao o valor da fun¸c˜ao utilidade em p ´e superior ao valor da fun¸c˜ao utilidade em q, isto ´e, C(p) > C(q). Da primeira parte da demonstra¸c˜ao deste teorema, q ´e um caminho logo p n˜ao seria caminho ´optimo em contradi¸c˜ao com o que foi suposto. Logo, p ´e um trajecto ´optimo.

3

Al´em das restri¸c˜oes que existem no problema do trajecto ´optimo neste problema ainda existe a restri¸c˜ao de n˜ao existirem n´os repetidos.

(24)

No teorema seguinte prova-se que o problema do Trajecto ´Optimo verifica o Princ´ıpio de Optimalidade Forte se e s´o se n˜ao existem ciclos negativos na rede, isto ´e, se e s´o se o problema ´e finito.

Teorema 1.2.3

O problema do Trajecto ´Optimo verifica o Princ´ıpio de Optimalidade Forte se e s´o se n˜ao existem ciclos negativos na rede.

Demonstra¸c˜ao:

Suponha-se que φ ´e um ciclo negativo em G. Pelo teorema 1.2.1 ´e poss´ıvel in-ferir que o Problema do Trajecto ´Optimo ´e ilimitado e que ´e poss´ıvel construir uma sucess˜ao de trajectos de termo geral pk = q1⋄ φk⋄ q2, k ∈ IN0, cujo limite quando k

tende para infinito ´e um trajecto ´optimo, p, do Problema do Trajecto Mais Curto. Assim, q1⋄ φk, k ∈ IN0, s˜ao subtrajectos de p∞ e n˜ao s˜ao subtrajectos ´optimos pois

q1⋄φk+1 tem valor da fun¸c˜ao utilidade inferior ao valor da fun¸c˜ao utilidade de q1⋄φk,

qualquer que seja k∈ IN0.

Suponha-se agora que n˜ao existem ciclos negativos e seja p⋆ um trajecto ´optimo

de i para j, com i e j dois quaisquer n´os em N . Admita-se, por absurdo, que p⋆

n˜ao ´e constitu´ıdo por subtrajectos ´optimos, isto ´e, existe um n´o l ∈ ptal que o

subtrajecto p⋆ il de p

n˜ao ´e um trajecto ´optimo de i para l. Ent˜ao, existe um trajecto

q1, de i para l, tal que C(q1) < C(p⋆il). Seja q2 o subtrajecto de p⋆ de l para j. Ent˜ao,

q1⋄ q2 ´e um trajecto de i para j e

C(q1⋄ q2) = C(q1) + C(q2) < C(p⋆il) + C(q2) = C(p ⋆

il⋄ q2) = C(p ⋆).

logo, o trajecto p⋆ n˜ao ´e ´optimo uma vez que existe um trajecto com menor valor da

fun¸c˜ao utilidade, o que contraria a hip´otese. Saliente-se a necessidade da hip´otese de n˜ao existirem ciclos negativos, pois caso contr´ario o problema ´e ilimitado e portanto C(p⋆) tende para −∞, n˜ao sendo poss´ıvel afirmar que C(q

(25)

1.3. TRAJECTO ´OPTIMO EM IRK forma, conclui-se que o subtrajecto p⋆

il ´e um subtrajecto ´optimo e, como o n´o l

´e arbitr´ario em p⋆ podemos afirmar que todo o subtrajecto ´optimo ´e tamb´em um

trajecto ´optimo.

1.3

Trajecto ´

Optimo em IR

k

No problema do Trajecto ´Optimo em IR pretende-se optimizar uma fun¸c˜ao utilidade com valores em IR, definida sobre o conjunto dos trajec-tos de s para t, em que s e t s˜ao dois quaisquer n´os de N . Neste contexto, optimizar uma determinada fun¸c˜ao utilidade consiste em determinar um trajecto p, entre todos os trajectos poss´ıveis, tal que o valor da fun¸c˜ao utilidade considerada seja “o melhor”poss´ıvel. Ao afirmar que um tra-jecto “´e melhor”que outro induz-se uma rela¸c˜ao entre os trajectos que ´e obtida `a custa de uma rela¸c˜ao de ordem definida relativamente aos va-lores da fun¸c˜ao utilidade dos trajectos a qual, no caso do problema do Trajecto ´Optimo em IR, ´e a rela¸c˜ao usual de “≤”ou “≥”, dependendo de se pretender minimizar ou maximizar a fun¸c˜ao utilidade. ´E poss´ıvel ge-neralizar estes conceitos para o problema do trajecto ´optimo em IRk com k ∈ IN e k ≥ 2.

Seja Tij a ´arvore dos trajectos de um n´o inicial i para um n´o terminal

j numa dada rede G. No que se segue representaremos apenas por T a ´

arvore dos trajectos quando i = s e j = t. Associada a uma dada rede G, define-se uma fun¸c˜ao utilidade no conjunto dos trajectos TG =∪i,j∈NTij

em IRk, ou seja,

f : TG → IRk

p 7→ f(p) = (f1(p), . . . , fk(p)).

Pretende-se optimizar f|T, isto ´e, a restri¸c˜ao de f ao conjunto T = Tst.

(26)

Optimizar f em IRk pode significar minimizar algumas componentes e

maximizar outras. Ser˜ao apenas apresentados os conceitos para o proble-ma em que o objectivo ´e minimizar todas as componentes uma vez que, tanto para o caso de maximizar como para o caso em que se minimizam umas componentes e se maximizam outras os conceitos apresentados s˜ao facilmente adapt´aveis.

´

E necess´ario definir uma rela¸c˜ao entre os trajectos de Tij, isto ´e, uma

rela¸c˜ao entre os elementos de um subconjunto de IRk que permita indicar quando ´e que um trajecto p ´e “melhor”do que um outro trajecto q.

Defini¸c˜ao 1.3.1

Seja G uma rede e p e q dois quaisquer trajectos de Tij, com i e j

n´os de N . Observe-se que p e q s˜ao trajectos com o mesmo n´o inicial e o mesmo n´o terminal. Define-se a rela¸c˜ao “¹” em TG =∪i,j∈NTij da

seguinte forma

p“¹ ” q se e s´o se f (p)“¹ ” f(q).

Observe-se que a rela¸c˜ao “¹” n˜ao depende dos n´os i e j; ´E uma rela¸c˜ao parcial e n˜ao est´a definida quando os trajectos em avalia¸c˜ao n˜ao tˆem o mesmo n´o inicial e o mesmo n´o terminal. Al´em disso, fixando dois v´ertices i e j em N , a restri¸c˜ao da rela¸c˜ao “¹” a Tij, isto ´e “¹|Tij”, tamb´em ´e, no

caso geral, uma rela¸c˜ao parcial. Esta rela¸c˜ao n˜ao ´e de ordem uma vez que podem existir v´arios trajectos com o mesmo valor da fun¸c˜ao utilidade e portanto n˜ao se verifica a propriedade anti-sim´etrica. Contudo, prova-se que “¹” definida em T ´e uma rela¸c˜ao de pr´e-ordem parcial.

A rela¸c˜ao que se apresenta de seguida ser´a designada por rela¸c˜ao de dominˆancia e permite ter um crit´erio para afirmar em que condi¸c˜oes um trajecto ´e “melhor”que outro.

(27)

1.3. TRAJECTO ´OPTIMO EM IRK Defini¸c˜ao 1.3.2

Seja G uma rede e p e q dois quaisquer trajectos de Tij, com i e j n´os

de G. Define-se a rela¸c˜ao de dominˆancia em TG =i,j∈NTij e denota-se

por “≺”, da seguinte forma

p≺ q ⇔ f(p) ¹ f(q); ou seja,

p≺ q ⇔ fl(p) ≤ fl(q), ∀l = 1, . . . , k e ∃h ∈ {1, . . . , k} : fh(p) < fh(q).

Neste caso diz-se que p domina q ou que q ´e dominado por p. Observe-se, mais uma vez, que s´o ´e poss´ıvel relacionar trajectos que tenham o mesmo n´o inicial e o mesmo n´o terminal.

Seja p∈ Tij e denote-se por Dp o subconjunto de Tij definido por

Dp ={q ∈ Tij : p≺ q},

isto ´e, Dp ´e o conjunto dos trajectos que s˜ao dominados pelo trajecto

p. Defina-se Dij o conjunto dos trajectos dominados em Tij da seguinte

forma

Dij =∪p∈TijDp .

O conjunto complementar de Dij, Dij = Tij − Dij, ser´a o conjunto dos

trajectos n˜ao dominados em Tij. Para facilitar a nota¸c˜ao,

representar-se-´a por D e D, respectivamente, o conjunto dos trajectos de s para t dominados e n˜ao dominados.

O problema do Trajecto ´Optimo em IRk consiste em optimizar uma

fun¸c˜ao utilidade com valores em IRk definida `a custa de parˆametros

as-sociados a cada arco. Assim, pretende-se determinar um trajecto p⋆ ∈ T

(28)

as v´arias componentes de f , pelo que a no¸c˜ao de trajecto ´optimo tem que ser adaptada.

No problema do Trajecto ´Optimo em IR, a existˆencia de um trajecto ´

optimo p⋆ ∈ T pode ser caracterizada pela n˜ao existˆencia de um trajecto

q∈ T , tal que f(q) < f(p).

Em IRk, a rela¸c˜ao f (q) < f (p) ser´a interpretada como f (q) ≺ f(p).

Sendo assim, para o problema do Trajecto ´Optimo em IRk, uma solu¸c˜ao

´

optima ´e um trajecto p⋆ ∈ T caracterizada pela n˜ao existˆencia de um

trajecto q∈ T , tal que f(q) ≺ f(p⋆); Ou seja, tal que f (p) seja m´ınimo do

conjunto f (T ) relativamente `a rela¸c˜ao “¹”, o que n˜ao difere da no¸c˜ao de trajecto n˜ao dominado, como se mostra no teorema seguinte.

Teorema 1.3.1

Seja T o conjunto dos trajectos definidos em G de s para t e seja p⋆ ∈ T . O m´ınimo de f(T ) relativamente `a rela¸ao “¹”´e f(p) se e s´o

se p⋆ ∈ D, isto ´e, p´e um trajecto de s para t n˜ao dominado.

Demonstra¸c˜ao:

Por defini¸c˜ao, f (p⋆) ´e m´ınimo do conjunto f (T ) relativamente `a rela¸c˜ao “¹”se

e s´o se n˜ao existe um elemento x ∈ f(T ) tal que x 6= f(p) e x ¹ f(p), isto ´e,

x ≺ f(p⋆); Ou seja, se e s´o se n˜ao existe um trajecto q ∈ T , com f(q) = x, tal

que f (q)≺ f(p). Esta condi¸c˜ao ´e equivalente a afirmar que n˜ao existe um trajecto

q∈ T tal que q ≺ p⋆, ou ainda que n˜ao existe um trajecto q ∈ T que domine p, ou

seja, que p⋆ ´e n˜ao dominado, isto ´e, p∈ D.

O objectivo do problema do Trajecto ´Optimo em IRk ´e, pelo teorema

anterior, determinar o conjunto dos trajectos n˜ao dominados D, uma vez que estes ser˜ao os trajectos ´optimos.

(29)

1.3. TRAJECTO ´OPTIMO EM IRK

Seja f (D) o conjunto definido por f (D) = {f(p) : p ∈ D}, ou seja o conjunto dos valores da fun¸c˜ao utilidade nos trajectos n˜ao dominados. O problema do Trajecto ´Optimo em IRk diz-se finito se, para qualquer

ele-mento x∈ f(D), existe um trajecto finito n˜ao dominado p tal que f(p) = x. O problema diz-se n˜ao finito se existe um elemento x∈ f(D), tal que qual-quer trajecto n˜ao dominado p que verifica f (p) = x n˜ao ´e finito. Se todas as componentes do valor da fun¸c˜ao utilidade em qualquer trajecto de D, tendem para valores finitos, o problema diz-se limitado; caso contr´ario, o problema diz-se ilimitado. Note-se que, admitindo parˆametros finitos em todos os arcos da rede, todo o problema finito ´e limitado.

Analogamente ao que foi referido na sec¸c˜ao anterior para o problema do Trajecto ´Optimo em IR, a forma mais simples de resolver o problema do Trajecto ´Optimo em IRk consiste em usar o algoritmo de pesquisa

e-xaustiva. Neste algoritmo ´e determinada a ´arvore dos trajectos ´optimos de s para t, ou seja T , e ´e averiguado qual dos trajectos determina-dos optimiza a fun¸c˜ao utilidade. Para tal, este algoritmo constr´oi uma “´arvore”, designada normalmente por ´arvore de pesquisa que, tal como no problema em IR, n˜ao ´e uma ´arvore segundo a defini¸c˜ao usual pois, geralmente existe mais do que um trajecto de s para i com i∈ N . Deste modo distinguir-se-˜ao os seus n´os, denotando-se por il a l-´esima vez que

o n´o i ´e inclu´ıdo na ´arvore. A ´arvore de pesquisa permite resolver um problema mais geral que consiste em determinar trajectos ´optimos (n˜ao dominados) de s para todos os outros n´os rede, contudo, ao contr´ario do que acontece em IR, a ´arvore dos trajectos ´optimos raramente ´e uma ´

arvore de cobertura de G, uma vez que, existindo conflito entre as v´arias fun¸c˜oes utilidade, nesta ´arvore h´a mais do que um trajecto ´optimo de s para um n´o i. Quando se pretende resolver um problema multi-objectivo,

(30)

determina-se uma sub´arvore da ´arvore de pesquisa exaustiva, sendo muito importante que o algoritmo a usar evite o desenvolvimento da parte da ´

arvore de pesquisa que corresponde a trajectos dominados.

Uma vez que, tal como no problema do Trajecto ´Optimo em IR, se as solu¸c˜oes ´optimas dum determinado Problema do Trajecto ´Optimo poderem ser obtidas `a custa de sub-solu¸c˜oes ´optimas, ´e poss´ıvel melho-rar em muito a eficiˆencia do algoritmo de pesquisa exaustiva tamb´em ´e pertinente a existˆencia dos Princ´ıpios de Optimalidade em IRk.

Defini¸c˜ao 1.3.3 [Princ´ıpio de Optimalidade Forte em IRk]

Todo o trajecto n˜ao dominado de i para j em G, quaisquer que sejam i e j∈ N , ´e constitu´ıdo por subtrajectos n˜ao dominados.

Defini¸c˜ao 1.3.4 [Princ´ıpio de Optimalidade Fraca em IRk]

Quaisquer que sejam i e j em N para cada x ∈ Dij existe pelo menos

um trajecto n˜ao dominado, de i para j em G, (isto ´e um trajecto ´optimo) cujo valor da fun¸c˜ao utilidade ´e x que ´e constitu´ıdo por subtrajectos ´

optimos.

Analogamente ao que acontece no problema do Trajecto ´Optimo em IR, se o problema do Trajecto ´Optimo em IRk verifica o Princ´ıpio de

Optimalidade Fraca ent˜ao ´e poss´ıvel determinar uma sua solu¸c˜ao usando algoritmos de rotula¸c˜ao. No entanto, estes algoritmos j´a n˜ao se podem descrever de forma t˜ao simples como no caso do problema do Trajecto

´

Optimo em IR, uma vez que ainda que existam v´arios trajectos ´optimos, em todos eles se obt´em o mesmo valor da fun¸c˜ao utilidade.

No problema do Trajecto ´Optimo em IR associa-se a cada n´o i um r´otulo πi, o qual cont´em a informa¸c˜ao do valor do melhor trajecto de s

(31)

1.3. TRAJECTO ´OPTIMO EM IRK

para i (independentemente do trajecto ´optimo considerado). No proble-ma do Trajecto ´Optimo em IRk, um trajecto ´optimo ´e um trajecto n˜ao

dominado e, podendo estes ter diferentes valores na fun¸c˜ao utilidade, n˜ao faz sentido ter um s´o valor πi associado a i j´a que ´e necess´ario determinar

todas as solu¸c˜oes do problema, isto ´e, todos os trajectos n˜ao dominados. Em muitos casos ´e suficiente determinar f (D), bastando para validar o algoritmo, que o problema verifique o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca. Assim, a cada n´o i associa-se um conjunto de r´otulos Q

i, com os valores

dos trajectos n˜ao dominados de s para i.

Os algoritmos de rotula¸c˜ao tˆem como objectivo determinar o conjunto dos trajectos n˜ao dominados de s para i, i∈ N , `a medida que desenvolvem a “´arvore”de pesquisa, obtendo-se no final uma ´arvore de trajectos n˜ao dominados de s para os restantes n´os. Note-se que a ´arvore dos trajectos n˜ao dominados ´e uma sub´arvore da ´arvore de pesquisa mas n˜ao ´e, geral-mente, uma ´arvore de cobertura de G; De facto, em geral existem v´arios trajectos n˜ao dominados de s para um dado n´o i e os trajectos podem ter n´os repetidos. Assim, a l-´esima vez que o n´o i aparecer na ´arvore de pesquisa ser´a visto como o n´o il.

Admitindo que se pretende resolver um problema de optimiza¸c˜ao em IRk que verifica o Princ´ıpio de Optimalidade, n˜ao h´a vantagem em

desen-volver os ramos da ´arvore de pesquisa que correspondam a trajectos dom-inados, pois qualquer trajecto resultante do prolongamento desse ramo seria dominado.

Representar-se por Xj o conjunto de r´otulos ainda n˜ao testados

as-sociados ao n´o j e por X o conjunto de r´otulos ainda n˜ao testados, isto ´

e, X = j∈NXj. Utilizar-se, ainda, um subconjunto de Xi o qual ser´a

(32)

O conjunto dos n´os n˜ao dominados associados ao n´o j ser´a armazenado emQ

j e p xi

si representar´a o trajecto do n´o s para o n´o i com r´otulo xi ∈

Q

i.

O algoritmo geral de rotula¸c˜ao em IRk ´e ent˜ao

Algoritmo de Rotula¸c˜ao em IRk

Xs={f(hsi)}

X ← ∪l∈NXl

enquanto X 6= ∅ faz

escolhe Yi ⊂ Xi

para todo o arco (i, j)∈ A faz Z ← {f(pyi

si ⋄ hi, (i, j), ji) : yi ∈ Yi}

Q

j ← r´otulos n˜ao dominados de

Q j∪ Z Xj ← Q j∩(Xj ∪ Z) X ← ∪l∈NXl

No problema do Trajecto Mais Curto em IRk, a cada arco est˜ao asso-ciados k parˆametros reais e cada fun¸c˜ao utilidade (ou cada componente da fun¸c˜ao utilidade) ´e denotada por fh(p) e definida por

fh :G → IR p 7→ fh(p) = P pc h ij, h = 1, . . . , k.

Neste problema pretende-se determinar um trajecto que minimize to-das as componentes de f . A determina¸c˜ao do trajecto ´optimo para este problema inclui a determina¸c˜ao do conjunto dos trajectos n˜ao dominados.

Os resultados que nos permitem afirmar em que condi¸c˜oes o problema ´e finito e limitado s˜ao enunciados no teorema seguinte.

Teorema 1.3.2

(33)

1.3. TRAJECTO ´OPTIMO EM IRK

existem ciclos negativos, isto ´e, f1(φ)≥ 0, . . . , fk(φ)≥ 0, qualquer que seja

o ciclo φ∈ TG.

Demonstra¸c˜ao:

Suponhamos que existe um ciclo φ negativo e seja h uma componente da fun¸c˜ao utilidade tal que fh(φ) < 0. Seja i uma qualquer n´o de φ, q1 um trajecto de s para i e

q2 um trajecto de i para t (note que Tsi 6= ∅ e Tit 6= ∅). Assim, podemos definir uma

sucess˜ao de trajectos em T cujo termo geral ´e pl = q1⋄ φl⋄ q2, sendo {fh(pl)}l∈IN0

uma sucess˜ao decrescente cujo limite ´e −∞. Denote-se por p∞ o limite da referida

sucess˜ao de trajectos. Se p ´e dominado (isto ´e, p n˜ao ´e ´optimo) ent˜ao existe um trajecto n˜ao dominado z tal que f (z) ≺ f(p∞), logo fh(z) = −∞ e, portanto, n˜ao

existem trajectos n˜ao dominados finitos com custo igual a f (z), pelo que o problema ´e n˜ao finito (e ilimitado).

Admita-se agora que n˜ao existem ciclos negativos na rede e seja p um trajecto n˜ao dominado. Se p n˜ao cont´em ciclos, ent˜ao p ´e um caminho e atendendo a que os parˆametros associados aos arcos s˜ao valores finitos, ent˜ao o valor da fun¸c˜ao utilidade em p ´e finito. Se p cont´em algum ciclo φ, ent˜ao p pode ser decomposto na forma p = q1⋄φ⋄q2. Atendendo `a hip´otese, o valor da fun¸c˜ao utilidade no ciclo ´e f (φ) = 0

ou f (φ) ≻ 0. Ora, f(φ) ⊁ 0, caso contr´ario f(q1 ⋄ q2) ≺ f(p) e p seria dominado.

Sendo assim, se p contiver ciclos, os valores da fun¸c˜ao utilidade destes ciclos s´o podem ser nulos pelo que podem ser retirados de p sem alterar o valor da fun¸c˜ao utilidade de p; Obt´em-se assim um caminho com o mesmo valor do que p. Como os valores dos parˆametros associados aos arcos de um caminho s˜ao finitos, ent˜ao o valor da fun¸c˜ao utilidade em p tamb´em ´e finito. Desta forma provou-se que o valor da fun¸c˜ao utilidade de qualquer trajecto n˜ao dominado ´e finito, pelo que o problema ´e finito (e portanto limitado).

(34)

pode definir o problema do Caminho Mais Curto em IRk. As diferen¸cas

existentes para os dois problemas em IR podem ser generalizadas para IRk.

O Problema do Caminho Mais Curto em IRk descreve-se de forma an´aloga ao Problema do Trajecto Mais Curto em IRk, restringindo o

con-junto dos trajectos ao concon-junto dos caminhos. Assim, no Problema do Caminho Mais Curto em IRk, um caminho p

∈ Tij diz-se n˜ao dominado se

n˜ao existe um caminho q ∈ Tij tal que f (q)≺ f(p). Pretende-se determinar

o conjunto dos caminhos n˜ao dominados de s para t.

A diferen¸ca substancial entre os dois problemas reside no dom´ınio de cada um deles j´a que, enquanto o conjunto dos caminhos ´e finito, o conjunto dos trajectos pode n˜ao o ser. Uma conclus˜ao que se pode de imediato tirar ´e que o problema do Caminho Mais Curto em IRk ´e

sem-pre finito, enquanto que o problema do Trajecto Mais Curto em IRk ´e

finito se e s´o se n˜ao existem ciclos negativos. Podemos tamb´em inferir que o problema do Caminho Mais Curto em IRk tem um n´umero finito

de solu¸c˜oes (isto ´e, existe um n´umero finito de caminhos n˜ao dominados) enquanto o respectivo problema dos trajectos pode ter um n´umero in-finito de solu¸c˜oes (isto ´e, o n´umero de trajectos n˜ao dominados pode n˜ao ser finito). Sob certas condi¸c˜oes os dois problemas s˜ao equivalentes como se demonstra no teorema seguinte.

Teorema 1.3.3

Suponha-se que qualquer que seja o ciclo φ em G o valor da fun¸c˜ao utilidade f em φ ´e estritamente positivo, isto ´e, f (φ) > 0. Ent˜ao o Problema do Trajecto Mais Curto em IRk ´e equivalente ao Problema do

(35)

1.3. TRAJECTO ´OPTIMO EM IRK Demonstra¸c˜ao:

Seja p∈ T um trajecto n˜ao dominado. Ent˜ao n˜ao existem trajectos q ∈ T tal que f (q) ≺ f(p) e portanto tamb´em n˜ao existem caminhos q ∈ T tal que f(q) ≺ f(p). Atendendo `a hip´otese n˜ao existem ciclos negativos pelo que podemos concluir com ajuda da demonstra¸c˜ao do teorema 1.3.2 que o trajecto p n˜ao pode conter ciclos positivos. Atendendo de novo `a hip´otese, f (φ) > 0, qualquer que seja o ciclo φ da rede, pelo que o trajecto p n˜ao pode conter nenhum ciclo; isto ´e, p ´e um caminho e portanto um caminho n˜ao dominado.

Suponha-se agora que p ´e um caminho n˜ao dominado. Uma vez que todo o cam-inho ´e um trajecto, ent˜ao p ´e um trajecto. Verifique-se ent˜ao se p ´e um trajecto n˜ao dominado. De facto, se tal acontecesse, existiria um trajecto q ∈ T , n˜ao dominado tal que f (q) ≺ f(p). Pela primeira parte desta demonstra¸c˜ao, se q ´e um trajecto n˜ao dominado, ent˜ao q ´e um caminho e como f (q) ≺ f(p), ent˜ao p n˜ao ´e um cam-inho n˜ao dominado, contrariando a hip´otese. Logo p tem de ser um trajecto n˜ao dominado.

Note-se que a condi¸c˜ao do teorema anterior n˜ao ´e necess´aria, uma vez que podem existir ciclos de valor nulo que n˜ao estejam associados a tra-jectos n˜ao dominados, continuando os dois problemas a ser equivalentes.

O pr´oximo teorema garante que, se n˜ao existirem ciclos negativos na rede o Problema do Trajecto Mais Curto em IRk verifica o Princ´ıpio de

Optimalidade Forte.

Teorema 1.3.4

Suponha-se que n˜ao existem ciclos negativos numa rede. Ent˜ao o Problema do Trajecto Mais Curto em IRk verifica o Princ´ıpio de Opti-malidade.

(36)

Admita-se que n˜ao existem ciclos negativos na rede e seja p⋆ um trajecto n˜ao

dom-inado de i para j, com i, j ∈ N . Suponha-se, por absurdo, que pn˜ao ´e constitu´ıdo

por subtrajectos n˜ao dominados, isto ´e, existe um n´o k ∈ ptal que o subtrajecto

p⋆

ik de p⋆ ´e um trajecto dominado de i para k. Ent˜ao, existe um trajecto q1 ∈ Tik tal

que q1 ≺ p⋆ik, isto ´e, f (q1) ≺ f(p⋆ik). Seja q2 o restante subtrajecto de p⋆, ou seja,

p⋆ = p

ik⋄ q2. Ent˜ao, q1⋄ q2 ´e um trajecto de i para j e atendendo a que

f (q1)− f(p⋆ik) =¡f(q1) + f (q2)¢ − ¡f(p⋆ik) + f (q2)¢ ≺ 0

podemos concluir que

f (q1⋄ q2) = f (q1) + f (q2)≺ f(p⋆ik) + f (q2) = f (p ⋆

ik⋄ q2) = f (p ⋆).

Logo, o trajecto p⋆ ´e dominado o que contraria a hip´otese. Assim, o subtrajecto p⋆ ik

´e n˜ao dominado e, como o n´o k de p⋆ foi considerado qualquer conclui-se que todo

(37)
(38)

Trajecto ´

Optimo Com Parˆ

ametros

Aleat´

orios Cont´ınuos

Tendo por base uma observa¸c˜ao rigorosa, por exemplo, do ´ındice de criminalidade em determinadas zonas de uma cidade podemos inferir qual ou quais s˜ao as distribui¸c˜oes estat´ısticas que melhor se ajustam ao referido ´ındice em cada zona. Se cada rua dessa cidade for considerada um arco, cada cruzamento um nodo de forma que, esse conjunto de ruas e cruzamentos, possua uma estrutura de, um problema que surge ´e, por exemplo, determinar qual o trajecto que deve ser efectuado por determi-nada for¸ca de seguran¸ca por forma a maximizar o ´ındice de criminalidade total coberto.

No problema que estudaremos em seguida sup˜oe-se que os parˆ ame-tros (vari´aveis) aleat´orios que s˜ao associadas a cada arco da rede tˆem distribui¸c˜oes cont´ınuas.

(39)

2.1. DEFINIC¸ ˜AO DO PROBLEMA

2.1

Defini¸c˜

ao do Problema

Considere-se uma rede dinˆamica orientada (N , A) onde a cada arco (i, j) ∈ A est´a associada uma vari´avel aleat´oria Xij cujo valor m´edio

e variˆancia s˜ao conhecidos. No problema do trajecto ´optimo deter-minista normalmente designa-se o(s) parˆametro(s) associado(s) ao arco por custo(s), distˆancia(s), tempo(s) do arco (i, j) ∈ A. Este parˆametro (vari´avel aleat´oria real) ser´a, no que se segue por n´os designado parˆametro aleat´orio cont´ınuo do arco (i, j) ∈ A.

Seja Ω um espa¸co finito ou infinito numer´avel e (Ω,P(Ω))1 o espa¸co

pro-babiliz´avel de base associado `a experiˆencia que consiste em quantificar a utilidade da presen¸ca do arco (i, j) na rede G = ¡N , A¢. A defini¸c˜ao seguinte, [10], pretende recordar o conceito de vari´avel aleat´oria real.

Defini¸c˜ao 2.1.1

Dada uma aplica¸c˜ao Xij : Ω → IR diz-se que Xij ´e uma vari´avel

aleat´oria real (v.a.r.) se

Xij−1(B)∈ P(Ω), ∀B ∈ B,

onde B ´e a σ-´algebra de Borel que se sup˜oe definida em IR.

No problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Alea-t´orios Cont´ınuos considera-se que os parˆametros associados aos arcos de G s˜ao vari´aveis aleat´orias reais cont´ınuas, isto ´e vari´avel aleat´oria real cuja lei de probabilidade admite uma fun¸c˜ao densidade, g(x), ou seja, g(x) ´e uma fun¸c˜ao real de vari´avel real n˜ao negativa, integr´avel e tal que Z

IR

g(x) dx = 1.

1

(40)

Assume-se que as vari´aveis aleat´orias reais Xij s˜ao independentes,

isto ´e, dados dois arcos (i, j), (k, l)∈ A a probabilidade do acontecimento ((Xij ∈ a) ∩ (Xkl∈ b)) ´e igual ao produto das probabilidades dos

aconteci-mentos Xij ∈ a e Xkl ∈ b.

As vari´aveis aleat´orias reais Xij consideradas admitem distribui¸c˜oes

normais de m´edia µij e variˆancia σij2, isto ´e, a fun¸c˜ao densidade associada

a Xij tem como express˜ao anal´ıtica

g(x) = √1 2πσ e −1 2 µ x−µij σij ¶2 .

Associado a cada trajecto p ∈ T , define-se a vari´avel aleat´oria real Xp =

X

(i,j)∈p

Xij a qual representa o parˆametro aleat´orio cont´ınuo do trajecto

p∈ T .

As distribui¸c˜oes normais que est˜ao associadas aos arcos de cada tra-jecto s˜ao independentes. Assim, sendo a distribui¸c˜ao normal est´avel re-lativamente `a opera¸c˜ao adi¸c˜ao podemos afirmar que

Xp ∼ N   X (i,j)∈p µij, X (i,j)∈p σ2 ij  

ou seja a vari´avel aleat´oria Xp tem distribui¸c˜ao normal de m´edia

X (i,j)∈p µij e variˆancia X (i,j)∈p σ2

ij. Denotaremos por µp e σ2p o valor m´edio e a variˆancia

de Xp, respectivamente.

O valor esperado ou valor m´edio associado a um trajecto p ∈ T ´e, no caso dos parˆametros associados aos arcos serem vari´aveis aleat´orias

(41)

2.2. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE LINEAR

cont´ınuas, dado por

E¡Xp¢ = Z IR x √ 1 2πσp e− 1 2 ³ x−µp σp ´2 dx

Associando uma fun¸c˜ao utilidade a cada trajecto de p ∈ T poss´ıvel, e calculando o seu valor esperado ent˜ao a “melhor” alternativa, isto ´e, o trajecto que se considera “melhor”´e o que tem maior valor esperado da fun¸c˜ao utilidade.

Diferentes axiomas que permitem garantir a existˆencia de fun¸c˜oes utili-dade contendo proprieutili-dades apropriadas para guiar, de forma consistente, o agente de decis˜ao s˜ao apresentadas em [8, 13, 24, 27, 28].

A escolha da fun¸c˜ao utilidade adequada para um problema espec´ıfico pode ser baseada em m´etodos directos apresentados no livro de Keeney e Raiffa[11].

O nosso objectivo ´e determinar o trajecto estoc´astico ´optimo de um n´o inicial para um n´o terminal. Sendo assim, considera-se a fun¸c˜ao real de vari´avel real U : T −→ IR, designada por fun¸c˜ao utilidade. Para cada trajecto p, U(p) depende dos parˆametros aleat´orios associados aos arcos pertencentes a p.

No Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Aleat´ o-rios Cont´ınuos, pretende-se determinar o trajecto p⋆ ∈ T que maximiza o

valor esperado da fun¸c˜ao utilidade. O trajecto p⋆ ´e designado por solu¸ao

´

optima do referido problema.

2.2

Fun¸c˜

ao Utilidade Linear

Considere-se que a utilidade do trajecto p ´e uma fun¸c˜ao n˜ao crescente. O valor d representar´a, por exemplo, a quantidade de recurso dispon´ıvel

(42)

para a realiza¸c˜ao do projecto.

A utilidade de cada trajecto p ∈ T ´e definida por U (Xp) = ½ a − bXp

, Xp ≤ d

0 , Xp > d

onde a, b, d∈ IR+ ao tais que a− bd ≥ 0 (ent˜ao U (X

p) ´e n˜ao negativa).

A fun¸c˜ao densidade de probabilidade associada a cada trajecto p ∈ T ´e gp(x) = 1 √ 2πσp e à −12µ x − µσ p p ¶2!

, para cada x∈ IR. (2.1)

O valor esperado da fun¸c˜ao utilidade em p∈ T , E (U(Xp)) ser´a ent˜ao

E (U(Xp)) = Z IR U(x)gp(x) dx = d Z −∞ (a− bx)√ 1 2πσp e à −1 2 µ x − µp σp ¶2! dx = d−µp σp Z −∞ (a− bσpy− bµp) 1 √ 2π e   y2 2   dy = (a− bµp)P µ Z d− µp σp ¶ + bσp√1 e à −12µ d − µσ p p ¶2! = (a− bµp)Gµ d − µ p σp ¶ + bσpgµ d − µ p σp ¶

onde g(·) e G(·) s˜ao as fun¸c˜oes densidade e distribui¸c˜ao, respectivamente, da vari´avel aleat´oria real Z ∼ N(0, 1).

Assim, no caso da fun¸c˜ao utilidade ser uma fun¸c˜ao linear, o Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Aleat´orios Cont´ınuos

(43)

2.2. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE LINEAR

pode ser definido por

max p∈T · (a− bµp)Gµ d − µ p σp ¶ + bσpgµ d − µ p σp ¶¸ . (2.2)

Como j´a foi referido no cap´ıtulo anterior os problemas de Optimiza¸c˜ao em Redes podem, em geral, ser resolvidos utilizando algoritmos de ro-tula¸c˜ao (definitiva ou n˜ao) [15]. Estes algoritmos s˜ao melhoramentos do algoritmo de pesquisa exaustiva baseados no Princ´ıpio de Optimalidade (forte ou fraca).

No caso do Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Aleat´orios Cont´ınuos ´e poss´ıvel verificar, pelo exemplo seguinte (Figura 1), que ele n˜ao satisfaz nenhum dos Princ´ıpios de Optimalidade.

l 1 l 2 l 3 l 4 ¡¡ ¡¡ ¡¡µ ? @ @ @ @ @@R @ @ @ @ @@R ¡¡ ¡¡ ¡¡µ [0, 0.5] [1, 150] [−1, 1000] [0, 100] [1, 0.5] l i - jl a = 100 b = 2 d = 10 [µij, σij2]

(44)

µ´ ¶³ 1 @[0, 0] @ @ @ @ @ @ @ R µ´ ¶³ 2 [0, 0.5] ¡ ¡ ¡ ¡ ¡ ¡ ª µ´ ¶³ 3 [−1, 1000] f.u. = 88.62413 ¡ ¡ ¡ ¡ ¡ ¡ ¡ ¡ ª @ @ @ @ @ R µ´ ¶³ 4 [1, 150.5] f.u. = 82.6731 µ´ ¶³ 4 µ´ ¶³ 3 [1, 1] f.u. = 98 [−1, 1100] f.u. = 89.2995 @ @ @ @ @@R ? µ´ ¶³ 4 [1, 101] 6 valor ´optimo f.u. = 85.2152 Todos os trajectos do n´o 1 para o n´o 4

Figura 1 - Princ´ıpio de Optimalidade n˜ao se verifica

Neste exemplo, observa-se que o trajecto do n´o 1 para o n´o 4 que ma-ximiza o valor esperado da fun¸c˜ao utilidade ´e o trajectoh1, (1, 3), 3, (3, 4), 4i cujo valor ´optimo ´e 89.249. No entanto, este trajecto n˜ao ´e constitu´ıdo por subtrajectos ´optimos, uma vez que o trajecto h1, (1, 3), 3i tem valor esperado 88.686 mas existe um outro trajectoh1, (1, 2), 2, (2, 3), 3i cujo valor esperado ´e 98.

Assim para resolver o problema (2.2) n˜ao ´e poss´ıvel usar, de uma forma imediata algoritmos de rotula¸c˜ao sendo, portanto, imperativa uma abordagem diferente.

Calculando as derivadas parciais da fun¸c˜ao objectivo do problema ( 2.2) em ordem `a m´edia e `a variˆancia obt´em-se

∂E (U(Xp)) ∂µp =−bGµ d − µp σp ¶ − a− bd σp gµ d − µp σp ¶

(45)

2.2. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE LINEAR ∂E (U(Xp)) ∂σ2 p = gµ d − µp σp ¶ 2¡σ2 p ¢32 £(a − bd)µ p + bσ2p− d(a − bd)¤ .

Como foi assumido que a−bd ≥ 0 e b > 0 e, por defini¸c˜ao, as fun¸c˜oes den-sidade e distribui¸c˜ao de uma vari´avel aleat´oria s˜ao n˜ao negativas, pode-se afirmar que

∂E (U(Xp))

∂µp ≤ 0.

Assim, para o mesmo valor da variˆancia, ´e prefer´ıvel um trajecto com um menor valor m´edio.

O sinal de ∂E (U(Xp)) ∂σ2

p

depende do sinal da fun¸c˜ao

D¡µp, σ2p¢ = (a − bd)µp+ bσp2− d(a − bd).

Se o parˆametro aleat´orio cont´ınuo (custo ou distˆancia aleat´oria) associado ao trajecto p ∈ T ´e tal que a fun¸c˜ao D¡µp, σp2¢ assume um valor negativo,

ent˜ao o valor esperado de U(Xp) ´e uma fun¸c˜ao n˜ao crescente de µp e σ2p.

O trajecto ´optimo, p⋆ ∈ T , para o problema (2.2) ser´a tal que

Xp⋆ ∼ N  min X (i,j)∈p µij, min X (i,j)∈p σ2ij  . (2.3)

Se D¡µp, σp2¢ assume um valor positivo, ent˜ao o valor esperado de U(Xp)

´

e uma fun¸c˜ao n˜ao crescente de µp e uma fun¸c˜ao n˜ao decrescente de σ2p.

Consequentemente, neste caso, deve procurar-se o trajecto p⋆ tal que

Xp⋆ ∼ N  min X (i,j)∈p µij, max X (i,j)∈p σij2  . (2.4)

(46)

Representando num referencial µpOσp2 os pares ¡µp, σp2¢ associados aos

trajectos existentes na rede, do n´o inicial para o n´o terminal, podemos afirmar que D¡µp, σ2p

¢

= 0 separa o espa¸co inicial em duas regi˜oes de pesquisa de p⋆ ∈ T . -6 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @@ a a a a a a a a a a a a σ2 p µp (a−bd)d b d Regi˜ao II Regi˜ao I µ σ2 p = d(a−bd)−(a−bd)µp b 0 ¡µp, σ2p ¢ a

Figura 2 - Regi˜oes de pesquisa da solu¸c˜ao.

Como foi referido no cap´ıtulo anterior ´e poss´ıvel definir, para o Tra-jecto ´Optimo em IRk, uma rela¸c˜ao de pr´e-ordem parcial que induz uma

rela¸c˜ao de dominˆancia no conjunto dos trajectos de s para t.

Considerando o problema do trajecto estoc´astico ´optimo, perante a an´alise efectuada, a sua solu¸c˜ao ser´a uma solu¸c˜ao n˜ao dominada de um dos dois problemas bi-objectivo obtidos. Para dois objectivos e para o problema em causa a rela¸c˜ao de dominˆancia ´e definida da seguinte forma

Defini¸c˜ao 2.2.1

Seja (N , A) uma rede e i, j ∈ N dois n´os quaisquer. Considere-se p e q dois trajectos em Tij (´arvore dos trajectos que se iniciam no n´o i

e terminam no n´o j em (N , A)). A rela¸c˜ao de dominˆancia em S

(47)

2.2. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE LINEAR

denotada por “¹”, define-se por

p¹ q ⇔¡µp, σp2¢ ¹ ¡µq, σq2¢ ,

isto ´e,

p¹ q ⇔ µp ≤ µq ∧ σp2 ≤ σ 2 q

com pelo menos uma desigualdade estrita. Neste caso dizemos que p domina q ou, de outra forma, q ´e dominado por p. Note-se, mais uma vez que s´o ´e poss´ıvel relacionar trajectos que tenham o mesmo n´o inicial e o mesmo n´o terminal.

A rela¸c˜ao “¹”definida em S

i,j∈N Tij ´e reflexiva e transitiva, isto ´e, ´e

uma rela¸c˜ao de pr´e-ordem parcial [26].

Usando a rela¸c˜ao de dominˆancia entre trajectos definida conclui-se que: Se todas as extens˜oes dos trajectos psi e qsi do n´o i ∈ N em T

pertencem `a regi˜ao I ent˜ao o trajecto psi domina o trajecto qsi se e s´o se

µpsi ≤ µqsi ∧ σ

2 psi ≥ σ

2 qsi

com pelo menos uma desigualdade estrita. Analogamente, se todas as extens˜oes dos trajectos psi e qsi pertencem `a regi˜ao II ent˜ao o trajecto psi

domina o trajecto qsi se e s´o se µpsi ≤ µqsi ∧ σ 2 psi ≤ σ 2 qsi

com pelo menos uma destas desigualdades estrita.

Observe-se que no primeiro caso temos um problema bi-objectivo onde

se minimizam ambas as componentes de uma fun¸c˜ao f (p) =   X (i,j)∈p µij, X (i,j)∈p σij2  

(48)

enquanto no segundo caso o problema bi-objectivo consiste em minimizar a primeira componente e maximizar a segunda componente dessa fun¸c˜ao f (p).

Teorema 2.2.1

Designe-se por (P ) o problema que consiste em determinar o Tra-jecto Estoc´astico ´Optimo p⋆ ∈ T , isto ´e, determinar as solu¸c˜oes n˜ao

dominadas de (f1(p), f2(p)), onde fi(p), i = 1, 2, ´e o m´aximo ou m´ınimo

de X (i,j)∈p µij ou X (i,j)∈p σij2.

O problema (P ) satisfaz o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca se a rede (N , A) n˜ao possuir ciclos positivos nem negativos.

Demonstra¸c˜ao:

Sem perda de generalidade, considere-se

f (p) = (f1(p), f2(p)) =   X (i,j)∈p µij, X (i,j)∈p σ2ij  .

e suponha-se que pretendemos minimizar a primeira componente de f (p) e maxi-mizar a segunda. Prove-se que (P ) verifica o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca.

Seja p⋆ um trajecto n˜ao dominado de i para j ∈ N . Admita-se que existe um

n´o k ∈ p⋆ tal que o subtrajecto de i para k, p⋆ ik ⊂ p

, ´e dominado. Ent˜ao existir´a,

tamb´em, um trajecto q ∈ Tik tal que

µq ≤ µp⋆ ik ∧ σ 2 q ≥ σ 2 p⋆ik

com pelo menos uma das desigualdades estrita. Logo,

f1(q)≤ f1(p⋆ik)∧ f2(q)≥ f2(p ⋆ ik)

(49)

2.2. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE LINEAR

tamb´em com pelo menos uma das desigualdades estrita. Como p⋆ = p

si⋄ p⋆ik⋄ p⋆kt, conclui-se que µp⋆ = µp⋆ si+ µp ⋆ ik+ µp ⋆ kt ≥ µp ⋆ si+ µq+ µp ⋆ kt e σ 2 p⋆ = σp2⋆ si+ σ 2 p⋆ ik + σ 2 p⋆ kt ≤ σ2 p⋆ si+ σ 2 q + σ2p⋆

kt, com pelo menos uma das desigualdades estrita, sendo, portanto p

dominado, o que ´e absurdo. Uma vez que k foi escolhido de forma arbitr´aria no con-junto dos n´os de p⋆, garante-se que todos os subtrajectos de ps˜ao n˜ao dominados.

De forma an´aloga provam-se os restantes casos para (f1(p), f2(p)). Note-se que

a rede (N , A) n˜ao pode conter ciclos negativos (positivos) para que o problema de minimiza¸c˜ao (maximiza¸c˜ao) seja finito (isto ´e exista solu¸c˜ao).

O teorema 2.2.1 garante, sob certas condi¸c˜oes, que o problema do tra-jecto ´optimo bi-objectivo definido anteriormente satisfaz o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca em cada uma das regi˜oes I ou II. Assim, a solu¸c˜ao ´

optima do Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo pode ser facilmente obtida ap´os a determina¸c˜ao das solu¸c˜oes n˜ao dominadas dos problemas bi-objectivo as quais existem e s˜ao finitas como nos garante a teoria multi-objectivo apresentada no cap´ıtulo anterior, os quais j´a podem ser resolvi-dos utilizando algoritmos de rotula¸c˜ao.

Para obter a solu¸c˜ao do Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo com fun¸c˜ao utilidade linear desenvolveu-se o seguinte algoritmo.

(50)

Algoritmo I- Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Aleat´orios Cont´ınuos

• Determinar todas as soluc¸˜oes n˜ao dominadas do problema  min p∈T X (i,j)∈p µij, max p∈T X (i,j)∈p σ2ij   na Regi˜ao I;

• Determinar todas as soluc¸˜oes n˜ao dominadas do problema  min p∈T X (i,j)∈p µij, min p∈T X (i,j)∈p σij2   na Regi˜ao II;

• Entre as soluc¸˜oes obtidas nos passos anteriores, determinar aquela que corresponde ao trajecto p⋆ ∈ T que maximiza

½ (a− bµp)Gµ d − µ p σp ¶ + bσpgµ d − µ p σp ¶¾ .

2.3

Fun¸c˜

ao Utilidade Quadr´

atica

Nesta sec¸c˜ao, assumir-se-´a que a fun¸c˜ao utilidade do trajecto p ´e quadr´atica n˜ao crescente. Assim U(Xp) ´e definida da seguinte forma

U (Xp) =−aXp2− bXp+ c.

(51)

2.3. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE QUADR ´ATICA -6 −b 2a c U(Xp) Xp 0

Figura 3 - Fun¸c˜ao Utilidade Quadr´atica

Neste caso, o valor esperado da fun¸c˜ao utilidade do trajecto p ∈ T , E (U(Xp)), ´e E (U(Xp)) = Z IR U(x)gp(x) dx = +∞ Z −∞ (−ax2 − bx + c) 1 2πσp e à −1 2 µ x − µp σp ¶2! dx = c− bµp − aµ2p− aσ2p

Assim, o Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo ´e definido da seguinte forma

max

p∈T £c − bµp− aµ 2

p− aσp2¤ . (2.5)

Determinando as derivadas parciais da fun¸c˜ao objectivo do problema (2.5), obt´em-se ∂E (U(Xp)) ∂µp =−b − 2aµp, ∂E (U(Xp)) ∂σ2 p =−a.

(52)

Como se assumiu que a∈ IR+ tem-se ∂E (U(Xp))

∂σ2 p

< 0, ∀p ∈ T .

Al´em disso, para um qualquer trajecto p verifica-se que µp >−

b

2a, logo

∂E (U(Xp))

∂µp

< 0.

Consequentemente, o trajecto ´optimo p⋆ ∈ T para o problema (2.5) ´e tal

que Xp⋆ ∼ N  min X (i,j)∈p µij, min X (i,j)∈p σij2  . (2.6)

Para um n´o arbitr´ario i∈ N e dois trajectos psi e qsi em T , diz-se que

psi domina qsi se e s´o se µpsi ≤ µqsi ∧ σ 2 psi ≤ σ 2 qsi

com pelo menos uma destas desigualdades estrita.

Logo, a solu¸c˜ao ´optima do Problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo quando a fun¸c˜ao utilidade ´e quadr´atica ´e uma das solu¸c˜oes n˜ao dominadas do problema bi-objectivo seguinte

 min p∈T X (i,j)∈T µij, min p∈T X (i,j)∈T σij2  . (2.7)

que satisfaz o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca e ´e finito se n˜ao existirem ciclos negativos na rede.

(53)

2.4. FUNC¸ ˜AO UTILIDADE EXPONENCIAL

Algoritmo II - Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Aleat´orios Cont´ınuos

• Determinar todas as soluc¸˜oes n˜ao dominadas do problema ( 2.7),  min p∈T X (i,j)∈p µij, min p∈T X (i,j)∈p σij2  ;

• Entre as soluc¸˜oes obtidas no passo anterior, determinar aquela que corresponde ao trajecto p⋆ ∈ T tal que pmaximiza

©c − bµp − aµ2p− aσ 2 pª.

2.4

Fun¸c˜

ao Utilidade Exponencial

Nesta sec¸c˜ao assume-se que a fun¸c˜ao utilidade associada ao trajecto p ´e exponencial n˜ao crescente. Assim U(Xp) ´e definida da seguinte forma

U (Xp) = a e−bXp

onde a∈ IR+ e b∈ IR+ 0.

Neste caso, o valor esperado da fun¸c˜ao utilidade do trajecto p ∈ T , E (U(Xp)), ´e E (U(Xp)) = Z IR U(x)gp(x) dx = +∞ Z −∞ (a e−bx)√ 1 2πσp e à −12µ x − µσ p p ¶2! dx = a e −µ2 p+ (µp− σ2pb)2 2σ2 p +∞ Z −∞ 1 √ 2πσp e à −12 µx − (µp− σp2b) σp ¶2! dx = a e µ −µpb + σ2 pb2 2 ¶ ,

(54)

e o problema do Trajecto Estoc´astico ´Optimo consiste em max p∈T     a e µ −µpb + σ2 pb2 2 ¶    . (2.8)

Determinando as derivadas parciais da fun¸c˜ao objectivo do problema (2.8) em ordem a µp e σp2 obt´em-se

∂E (U(Xp)) ∂µp =−ab e µ −µpb + σ2 pb2 2 ¶ ∂E (U(Xp)) ∂σ2 p = a b 2 2 e µ −µpb + σ2 pb2 2 ¶ .

Como se assumiu que a∈ IR+ e b ∈ IR+

0 tem-se ∂E (U(Xp)) ∂µp < 0, ∂E (U(Xp)) ∂σ2 p > 0, ∀p ∈ P,

ou seja, o trajecto ´optimo p⋆ ∈ T para o problema (2.8) ´e tal que

Xp⋆ ∼ N  min X (i,j)∈p µij, max X (i,j)∈p σ2ij  . (2.9)

Para um n´o arbitr´ario i ∈ N e dois quaisquer trajectos psi e qsi em T ,

diz-se que psi domina qsi se e s´o se

µpsi ≤ µqsi ∧ σ

2 psi ≥ σ

2 qsi

(55)

2.5. RESULTADOS COMPUTACIONAIS

com pelo menos uma destas desigualdades estrita.

Assim, a solu¸c˜ao ´optima para o Problema do Trajecto Estoc´astico ´

Optimo, no caso da fun¸c˜ao utilidade ser exponencial ser´a uma das solu¸c˜oes n˜ao dominadas do problema bi-objectivo seguinte

 min p∈T X (i,j)∈T µij, max p∈T X (i,j)∈T σij2  . (2.10)

que satisfaz o Princ´ıpio de Optimalidade Fraca e ´e finito caso n˜ao existam ciclos negativos nem positivos na rede. O algoritmo que se prop˜oe ´e ent˜ao

Algoritmo III - Trajecto Estoc´astico ´Optimo com Parˆametros Aleat´orios Cont´ınuos

• Determinar todas as soluc¸˜oes n˜ao dominadas do problema ( 2.10),  min p∈T X (i,j)∈p µij, max p∈T X (i,j)∈p σij2  ;

• Entre as soluc¸˜oes obtidas no passo anterior, determinar aquela que corresponde ao trajecto p⋆ ∈ T tal pmaximiza

       a e µ −µpb + σ2 pb2 2 ¶       .

2.5

Resultados Computacionais

Os resultados computacionais que se obtˆem com a aplica¸c˜ao de um qual-quer algoritmo est˜ao sempre directamente relacionados com a estrutura

Referências

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