ZERO· JUNHO
94
ZERO
JornalLaborat6rlodo Curso deJornalismoda UniversidadeFederalde Santa CatarinaArte:MichelsonBorges
Colaboração:
AlessandraPereira, Ivana
Back,JanaínaToscan,
JulianaPereira, Luciane
Lemos,
Suyanne Quevedo;
Sindicato dos Eletricitários de Rorianópolis (Laserwrite)
Copy-Writer:
Professor Carlos LocatelliDiagramação:
PabloClaudino,ViktorCarlson;
Edição:
AlessandrodaSilva, Clayton
Wossgrau,
GlancartoProença,Jaime
Luccas,MaurícioOliveira, PabloClaudino,Patrícia
Márcia,
Sérgio
Severino,ViktorCarlson;
Editoração
eletrônicanoúnico
computador
do LaboratóriodeInfografla:
GiancartoProença,JaimeLuccas,
Sérgio
Severino;.Fotografia:Alessandro daSilva,VanBoechat,
PatríciaMárcia,
Sérgio
Severino,SílvioPereira;Foto deCapa: Lauro Maeda Laboratório:Alessandro daSilva,Marcelo de
Oliveira,PabloClaudino,
Paulo de Tarso. Textos- dosnossos
cadavezmaisraros
repórteres:
AlessandraMathyas,
Alessandro daSilva,AlexandreWinck,
JaimeLuccas, Michelson
Borges,
PatríciaMárcia, SérgioSeverino,Sílvio Pereira. SecretariaGrãflca: Pablo claudinoCoordenação:
Jaime LuccasSupervisão:
Prof.Carlos Locatelli
Redação:
Curso de Jomalismo(UFSC
-CCE), Trindade,Rorian6polisjSC
- CEP8804Q.900Telefones:(0482)
34-9490e31-9215 TelexeFax:(0482)
34-4069 AcabamentoeImpressão:
Diãrio CatarinenseDlstribull}ão
GratuitaCirculação DlrIg1da
2No
levantamos mais
último número do ZERO
uma vezapolêmicasobreahistória
donome dacidadee
os"humilha
dos"
que queremamudança
do
nomeFlorianópolis.
Maisde
ummês
se passou e nessetempo
"Desterro"
foi
premiado
comomelhor filme
nofestival
decurtasdo Cine Clube
Bancodo
Brasil.
À
Eduardo Paredes
esuaequipe
as nossas
congratulações.
Neste
número
falamos
do problema
daslesões
poresforços
repetitivos
aquemilhões detra
balhadores brasileiros
estãosub
metidos diariamente.
Nessesca sostodos têm
suaparcelade
cul-Higiene
em
greve
Morte
lenta
pa.
As
empresas, quepara lu
crar
mais
nãorespeitam
alegis
lação, obrigando
osempregados
adesempenhar
a mesmafunção
por horas
afio,
durante
anos.A
previdência
que reluta
empagar
osbeneficios
ouaposentar
aqueles
que nãopodem
mais
desem
penhar
seutrabalho.
Eaté
mes mo ospróprios
trabalhadores
quepor
medo
nãodenunciam
asirre
gularidades.
E
falando
emirregularidades,
éumavergonhao
quevemacontecendo
nasempresasde
comunicação
de
Florianópolis.
Além
dos baixos
salários que pagam, agora contratamprofissionais
sem
carteira assinada
e semdi
reitos trabalhistas.
Umaprática
vergonhosa
paraempresas quese
dizem modernas
masqueemnome
do lucro passam por cima
das leis.
Na
Universidade
osproble
mas são outros: acaixa
d'água
central
queabastece
diariamente
quase 20mil
pessoasdacomuni
dade universitárianão é
limpahá
mais de umadécada.
Aprefeitu
ra
universitária
sóficou
sabendo
quea
responsabilidade
era suaquando
anossareportagem
apresentou o contrato
feito
com aCASAN,
em que aUFSC
seresponsabilizada pelalimpezado
I
.
�(
Liberdade de
expressão
No
país
do
Tio
Sam
Queria
informar-lhes queestourecebendooseu
jornal
ZEROdesde de zembro do anopassado.
Ojornal
é excelente. Todososartigos
são demuito interesseparamimemeusestudantes, e será de muito utilidadenas nossasaulas de
línguas.
Posto que a sua reportagemabrange
diversos campos deinvestigação,
podemos aprender
muito,
oquesimplesmente
seria quaseimpossível
de outrojeito.
Porfavor,
não deixem de mandar o
jornal.
O'espírito
abertoe oentusiasmo,alémda segurança doimportante papel
que cumpreos seusalunos,sãoelementos muitopositivos.
Kenneth A.. Stackhouse
Virginia
Commonwealth UniversitySangue
elágrimas
Por trabalharmosnoHemoscdesde J989, conhecermos suahistória, sua
equipe
técnica eprincipalmente
seuspropósitos,
enquantoúnicainstituição
pública
estadualagarantir
sangueemquantidade
equalidade
para todo oEstado deSanta
Catarina.é
quevimos demonstrar nosso pesarpela
infelizreportagemveiculadanoJornalZero de Novembrode1993,intitulada "He
mosc correatrásdenovosdosdores".
Acreditamos quenemocorpoedi
torial do referido
jornal
e.principal
menteaautorada
matéria,
sepreocuparamemfazerumtrabalho construti voeesclarecedor.
Umdetalhe muito
importante,
foiofato de citaremonomedeumatécnica desta
Instituição
comoautoradeváriasdeclarações,
equesãoinverdades dajornalista.
Gostariamos de deixar elaroqueoHemoscvisa conscientizar
à
população
sobre a necessidade dadoação
de sangue, desmistificando mitosepreconceitos.
Nosso trabalhonabusca de doado resérealizado tambématravésde cole tasexternas,com umaUnidade Móvel que éumadasmaisbem
equipadas
do País. MuitosHemocentrosdeoutrosestadosnãopossuem Unidade Móvel.
É
portantoumgrande
avançotécnicopodermos
contarcomtalequipamento.
Fazemos
aqui
nossoprotesto,e sugerimos
aocorpo editorial quereveja
maisemelhorsuasmatérias,evitando assimtranstornosà
instituições
epes soasquevisam acimade tudomelhorare
primar pelo
trabalhorealizado, embusca do bemcomum.
Marta RinaldiMüller Diretora doHemosc
Resposta
darepórter
"Pesar" senti eu, ao ler a sua
carta.Se há"inverdades'namatéria,
é
bom lembrarque,
comojomalista,
eunão inventocoisas,masescrevo oque osentrevistadosdizem.Seaspessoas
"se
arrependem"
ou"esquecem"
oque
falam
não possofazer
nada,anãoser me
defender.
Sinceramente, não entendo como umamatéria que procuraestimulara
doação
desanguepode
irritartantoosfuncionários
do Hemosc. Deveriamestar
agradecidos
porteremuma verdadeira
campanha
veiculadanumjornalcomo oZERO,
AnaPaula Pinho
Repórterdo ZERO
Dilema
profissional
Serounão ser,eisa
questão.
Numasurpreendente
confissão de incoerên ciaprofissional,
opresidente
doSindi catodos Jornalistas do estado de SantaDurante
agreve
dos servidores
públicos
federais
asituação
do
ba
nheiro feminino
do
Curso
de Jorna
lismo
chegou
às
raias da imundí
cie,
semque
ninguém
tivesse
adecência
- ou oasseio
-de dar
umageral
noambiente.
As mulheres
ficaram 50 dias utilizando
ossani
tários
sem amínima
limpeza.
Aos
homens,
coube
suportaro
mauchei
roque
emanavado
local.
Catarina saiu-secom umdilema shakes
peareanoementrevistaaojomalZERO,
dos estudantes de
comunicação
da UFSC.Falando sobreasatividades deassessoria de
imprensa
ejornalismo
empresarial,
quesegundo
elepróprio
empregam quase metadedos800
jor
nalistas sindicalizados de Santa Cata
'rina,
ocoleguinha Sérgio
Murilo deAndrade, largou
aseguinte
frase:"te nho dúvidasse oque estásefazendoé Jornalismo.Ojornalismo
nãoserealiza nesseespaçoem sua
plenitude".
Nalinha
seguinte,
areportageminformaolocalde trabalho do
Sérgio:
assessoria davice-prefeitura
deFlorianópolis.
"Tenhovontade de voltar àredação
dejornais,
mas odesgaste
fisicoeemoci onal émuitogrande".
Nãofossesuficienteacrisedeiden tidade
pela qual
ocompanheiro Sérgio
parece estar
passando,
ao ponto dequestionar
seaquilo
queelemesmofazpode
serconsideradojornalismo
existeo
despropósito
deumdirigente
sindical combativocomoele
agir
comtama nhamiopia
diantedaquele
queé,hoje,
umdos maissériosehonestossegmen
tosda
Comunicação
brasileira.Aocontráriodoquedizotextodo
ZERO,
aárea de
comunicação empresarial
encontra-sebem
longe
deumacerta"in dústria damaquiagem",
que estariaempenhada
emretocaraimagem
dospatrões,
transformando-os em bonssamaritanos,
e emaquietar
a massadetrabalhadores,
afastando o fantasma dasgreves.Quanto
àimportância
doramo empresarial
enquantoalternativa demercado,
restam poucasdúvidas. Osnúmerosnãomentem.Paracitar só dois
exemplos,
além do queSérgio
Murilorevelou,
sabe-se que existem mais de 300assessoriasatuandoemSãoPauloreservatório.
Esperamos
que
asautoridades
da Universidade
tomem
providências
imediatamen
te.
Aliás,
seria bom
queaUFSC
resolvesse
logo
oproblema
dos
poços artesianos.
Afalta de
água
em
alguns
centros,
como oCCE,
jánãoacontecesónoverão.
Também
agora,noinverno,
freqüen
tementeas
torneiras
estãosecas.Destacarnosnestenúmerotam
bém
ocadernoespecial
Bebê &Cia,
comquatro
páginas
sobre
recém-nascidos,
dedicadas
.especialmente às
nossasleitoras
elei
toresque
já
são mãesoupais.
A
Redação
equeareceitadas dez maiores
agênci
asde
comunicação
dopaís
ficou emtomo dos 8 milhões de dólares em
1993. O anão João Alves deve dar risada diante dessa
quantia,
mas sãoraros ossetoresde
prestação
deserviços que mexem comdinheiro
assim,
especialmente
nessestemposbicudos derecessão.(
...)
Recomendo aocompanheiro
Sérgio
Murilo,emquem diversos colegas que atuamcom
jornalismo
empresarial
votaram na última eleição
sindical, a leitura dealguns
dos veículosinternos quevêmsendoelaboradosemempresascatari
nenses. Tudo o que acontece no
pequenomundo desse
público
está ali:fala-seemvendas,faturamentodaempresa,sedánotíciasruins,
divu
lga-se
cursos, promoções,eventos,
informa-se,
comanda onível de
qualidade
decadaárea,eassimpordiante. Para
completar,
fala-se emcomunidade,
mais nocampo do
jornalismo
deserviços,
ajudando
otrabalhadora seguiar
poresse
país
cheio dedatasepra zos.Seissonão é
Jornalismo,
então temgentenaprofissão
errada. Imaginar
que "o Jornalismo não serealiza em sua
plenitude
nessesespaços",
comodisseSérgio
Murilo,
e que porextensão, sereali zaria em suaplenitude
apenas naimprensa diária,
deveserentendido,
nomínimo,comoingenuidade.
Ou como
maniqueísmo,
o que épecado
graveparaqualquer
sindi calista.Guilherme Diefenthaeler Jomalistaeeditorda Sine
Qua
NonServiçosde
Comunicaçãoj
JoinvilleDesta
água
não
beberás
Reservatório'
central
da UFSC
não
é
limpo
há
12
. ,anos
e
nmguem
se
responsabiliza
O
reservatório de
água
queatende
19mil
pessoasno
Campus
da
Universidade Federal de
SantaCatarina,
localizado
naSerrinha,
nãoé
limpo
há
pelo
menos12anos.A
prefeitura
universitáriaé
legalmenteresponsá
velpelalimpeza,
desde
querecebeuo
reservatório
R-VIdaCasan,
em1979.
Na
segunda
cláusula do
Termo
de
Transferência,
assinadopelo
entãoreitor
em exercícioRoldão Consoni
epelos
representantes
da
Casan,
Maury
Dal
Grando
eLuiz Alberto
Duarte,
fica
claro que
aCasan é
responsável
exclusivamente
pela
manutenção
hidráulica
epela
operação
do sistema.
De
acordo
comDouri
Peres,
chefe dasessão
hidráulica da
Prefeitura da
UFSC,
alimpeza
da
caixarequerum
trabalho
especi
alizado,
comsuporte
técnico
emão-de-obraespecíficos. Segun
do
ele,
acaixa é muito
grande,
tem
capacidade
de
aproximada
mente
dois milhões de litros
deáguae
aUFSC nãotem estruturapara
fazer
alimpeza.
"Ela é
comoum
prédio"
disse Alécio
Gouvêa,
diretor da divisão de
serviços
especializados.
Dizem
ainda
queé
impossível
o acessopara
automóveis
emuito dificil
paraos
pedestres
devido
ao matagal
da
região.
O
serviço
de
capina
também é de
alçada
da
prefeitura
O
prefeito
do
Campus,
JânioShefer,
disse
quealimpezanão
é
feitaporque"équaseimpossível
A UFSC paga,
atualmente,
umdólar pormetrocúbico deágua,
cerca de 42 mil dólares por mês. Pensando nessesgastos, a Reitoria
propôs
aconstrução
de poços artesianosno
Campus.
A
quantidade
deágua
cap tadapelos
poços quejá
existiam na Universidade é muito
pequena, de
aproximadamen
te3,5
mJ/hora. Foiconstruído,
então,no anopassado,
umpoço noCentro deDesportos
comacapacidade
de5m3/hora,
queainda não está em funciona
mento.
É preciso
antes fazerumtratamentopararemovera
grande
quantidade
de ferro queexistena
água.
Oconsumodeenergia
elétrica e deprodutos
químicos
aumentaria,
issosemcontaramão-de-obra.De
qual
querforma,
sairia mais emconta do queos
gastos
atuais.fazê-laemrnenosde
umasemana".
Segundo ele,
aUniversi
dade
nãopode
ficar
essetempo
semágua
porque
existemlabo
ratórios,
como osde
Engenha
ria
Mecânica, porexemplo,
que nãoparam
sequemoperíodo
de
férias
efuncionam à base de
água.
Na
Reitoria existe
umarcondicionado totalmente refri
gerado
à
água.
"E
ohospital
e oRestaurante,
comoficariam?"
perguntao
prefeito
Jânio.
Acontradição
é quetodos
os anos,durante
asférias,
aprefeitura
contrataumaempresa para
fa
zer alimpeza
dos reservatórios
de todos
oscentros,
masnuncaenfrentou
acaixa
principal.
De
acordo
com ochefe do
Departamento
de
Engenharia
Sanitária
Ambiental, professor
Maurício Luiz
Sens,
aUFSC
e aCasan
poderiam perfeitamen
te
fazer
alimpeza
do
reservatório
em umfinal de
semana."Bastaesvaziare
raspartodo
olodo"
,afirma
oprofessor.
Ele
diz
que paraumalimpeza
completa
seriam
gastos
cercade
qua tromilhões de litros de
água
O
engenheiro
RobertoBis,
responsável peladivisão
de
engenha
ria da Casan da
Regional
de Flo
rianópolis,
também
disse
que acaixa
pode
serlimpa
em umfinal
de
semana,masquenão
erapreci
sogastar
toda
eseaágua
"Esó
fecharaentradadoreservatórioe
deixar
toda
aágua
serconsumida",
informouo engenheiro Bis. Com
acaixa
quaseseca, apenas
quatro
oucinco
servidores
limpariam
combaldes
e escovas.Depois
ésóenchê-lo. O
trabalho é todo
manual,
nãopre
cisanenhum
equipamento
sofisti
cado. Bis disse
aindaque
aUFSC
nãoprocurou
aCasanpara fazer
alimpeza.
"Quando
aUniversi
dade
pedir,
a Casan nãovai
senegar
aajudar"
.Porcausadasujeiradotanque,
desde
o anopassado
começaram osentupimentos
naUniversidade.
Num
deles,
o RestauranteUni-O poço do CDS
junto
com oda
Eletrosul,
que porenquantoestá desativado e que
produz
38
mvhora,
supririam
anecessidade da UFSC em 70%. Os
projetos
de tratamento, execução
edistribuição
ainda estão sendofeitosepor issoa instalação
dos poços artesianossomente será
possível
no início doanoquevem.Mas até
199�
aUniversida deprecisa
controlaros gastos comágua.
Por issoosestudan tes deengenharia
sanitáriaAdriana
Ramos,
MárioPegoraro,
Nilceane Junkes eVitor
Warmling
elaboraramum
projeto
de controle de per dasedesperdícios.
Desde maio de 1993,
forameconomizados 100mildólaressomentecom ocontrole das
perdas
causadas porproblemas
que,namaioriadasvezes,não são
percebidos,
como
rachaduras,
vazamentosetc.
Quanto
aosdesperdícios
épreciso
umacampanha
deconscientização.
Porexemplo:
oHU gasta,
sozinho,
umterçoou um quarto de toda a
água
consumida no
Campus,
cercade 10 mil metroscúbicos por
mês. Os estudantes da enge nharia sanitária concluíram que os
gastos
nãopoderiam
passar dos cinco mil. O novoprédio
daQuímica
tambémmerece
prêmio
por seus gastos. Ele consome em média
1.500 mJ.
O coordenador do
projeto,
professor
MaurícioLuizSens,
disse que, se com o controle
das
perdas já
seeconomizou 10 mil dólares pormês,
com o controle dosdesperdícios
este número vai diminuir aindamais.
.,mice
versitário
nãopôde
abrir
porque
a
água
estavamuito
sujaefoi
preciso
fazer
umalimpeza
noreservatório do RU. "Era
umasexta-feira
e alimpeza
foi
feita
nofinal de
semana",
disse
Mau-,
rício
Alves,
diretor do RU.
Suja
há
12
anos acaixa
central
abastece
mais
de 19 mil
pessoas.
A
prefeitura alega
que
não
tem
condições
de
fazer
alimpeza.
O
prefeito
Shefer afirmou
queo
problema
doreservatório
R- VI "éumdesleixo não sóda
prefei
tura,
masdasadministrações
anteriores".
Eledisse
queaprefei
tura tem
muitos
problemas
pendentes
equenão
conseguetomar
contadetodosdevido, principal
mente, à
situação
econômica.
Quando
assumiuoposto,
há dois
anos,
nada
theteria sido
passado
a
respeito
doreservatório
queabastece
aUFSC.Ele
nãosabia
sequer que se tratavade
umadoação
equequalquer problema
bastava
pedir
à Casan que
osolucionasse.
"AUniversidade
nunca
assumiu
acaixa porque
estava
lá, abandonada",
falou
Jânio.
Depois
de receber
umacópia
do
termode Transferência
do Chefe de Gabinete do
Reitor,
o
prefeito
do
Campus
disse
quevai fazer
opedido
omais
rápido
possível
paraaCasan
limpar
oreservatório
.Quando
assumiu,
há dois
anos, oPrefeito
não foi
informado
que
oreservatório
pertencia
à UFSC
Textos:
Alessandra
Mathyas
Conta
de
água
chega
a
US$
42 mil por
mês
4 -r," III . .
Bóias-frias
da
comunicação
Empresas
burlam
a
lei contratando
jornalistas
sem
assinar
a
carteira
profissional
Para
gastar
menos commão-de-obra
o DiárioCatarinense,
do
grupoRBS,
vêmadotando
umapolítica
de
contratarjornalistas
sem
assinar
acarteira de
trabalho,
nãoreconhecendo
comissonenhum' direito trabalhista
a es sesfuncionários.
Estapráticanão
énova no
Brasil
e nemfoi
inaugurada
pelo
DC. Emvários
pontos
do
país
asempresasde
comunicação,
sempreávidas de maio
reslucros,
temusado
otrabalho
de
profissionais
comofree-lancer
emvezde contratá-los
com carteira
assinada,
numaclara
tentativa de fraudar
asleis trabalhis
tas.
Esses" autônomos" recebem
ossalários
como osoutrosfunci
onáriosdaredação,
massemgo zaremdos
mesmosdireitos dos
profissionais
contratados.
Segun
doSérgio Murilo, presidente
do
Sindicato dos Jornalistas de
Santa
Catarina,
oproblema
é
queo"free-lancer"
deveriaserusado
paraumserviço
eventual.
"Hoje
existe
umaprática
indiscriminada
desse
tipo
de
contratação".
Al gunscasossãoilustrativos
dessaprática
das modernas empresasdecomunicação.
O
fotógrafo
Sérgio
Moreira
o
fE
�
::. e-.� c:�
.s ::. � >".N � �JORNAL
O
ESTADO
PAGA
SALÁRIO
DE
FOME
trabalhoucomo "autônomo"
noDC
emdezembro de
1993eja
neiro de
1994.Ele
foi chamado
para cobrir
asférias
de outrosprofissionais
masdepois
a empresa
queria
mantê-lo
sem nenhum
contrato ouvínculo
empregatício.
"Dedici
sair para
nãoserexplorado"
,argumenta.
Sérgio,
agoratrabalhando
noRio
de Janeiro. Silvia
Pavesi,
agorano
jornal
OEstado,
trabalhoutrês
meses noDC
sem contratação.
"Ohorário
detrabalho
começavaàs
15,30heterminava
perto
das
24h,
semdireito à
horas extras". Além
disso quando tinha
algumamatéria
especial
parafazer durante
amanhãSil
via tinha
quecumprir
ohorário
de
trabalho normal durante
atarde. Ela
garante
quenuncaassi
nou
nenhum recibo de
pagamento.
"O
salário
erapagolá
mesmo,nem
depóstio
nacontaban
cáriahavia". Eles
disseramtambém
queosjornalistas
quetraba
lham
nessesistema
devemusar umcrachá diferente dos
outroscom as
inscrições
emserviço.
Se
ainstabilidade
e ainsegu
rança no
trabalho
já
égrande
para
osempregados
contratadosregularmente,
é muito maior
no casodos "autônomos".
Ajoma
lista Sandra
Verle,
por
exemplo,
estava
trabalhando
há
quatro
mesessem
contràlação.
"Um
dia
comecei
atrabalhar
às 8h da
manhã,
fizquatro reportagens
eàs
19horas fui
informadapelo
chefe queestavadispensada".
Omedo
acompanhaainsegurança
pelos
corredores
do
Diário
Catarinense.
Ninguémquerfalar
�8S
1
t�RtB'
D'
\
BAIIOS \e'
�i�ALÁIIOSJ
.,
•
Jornalista
ganha
mal,
vai acabar comendo
jornalR
é
oslogan
da
campanha
salarial
sobre
suasituação pessoal
oude
colegas
paranão perder
oempre
go
de
umdia
para outro."A
marcação
aqui
é cerrada"
,infor
ma
umafuncionária que
já
traba
lhou
alguns
meses semcontratação.
Segundo
ela
a empresa"
faz
umaexperiência
para
ver se oempregado
seenquadra
noperfil
deles.
Sódepois
écontratado". Outro funcionário
quetrabalhou mais de dois
anos comoautônomo
antesde
sercontratado
afirmaquedurante aqueletem
po
nuncarecebeuférias,
13°salário
ouqualquer
outrodireito
trabalhista"
.Para tentar
normalizar
essasituação
osindicato dos
jornalis
tas
já
entroucom umpedido
de
fiscalização naDelegacia
Regio
naldoTrabalho.
"Eumafraudedescarada da
lei",
segundo
aadvogada
do sindicato Susan
MaraVilli,
que terndefendido
causastrabalhistas
de
ex-funcio
nários do Diário Catarinense
quetrabalharam
ilegalmente. Segun
do
ela,
essaforma de
burlar
asleis
trabalhistas inicou
em1988/
89mas
quernmais
temprocura
do
osindicato
nosúltimos
anossão
pessoas que trabalharam
naadministração
onde
essaprática
eramais
comum.Deacordo
comSusan
osjornalistas
às
vezestrabalham só
alguns
meses nessasituação irregular. "Quando
trocam
de
emprego outêm
suascarteiras
assinadasacham
que nãovale
apenaentrarcomações
najustiça.
Mas osjuízes
têm dadoganhos
de
causaatodos
osqueentraramcom
ações
cobran
do
osdireitos
nãorecebidos".
O
chefe da
Divisão de Fiscali
zação
da
Delegacia Regional
do
Trabalho
(DRl),
Francisco Muri
lo
Vessling,
dissequeoproblernaé
queospróprios empregados
têm
medodedenunciarasempresasou
quem está
emsituação irregular.
,
'Essas
contratações
sãoilegais
eimorais". Paraeleotrabalhoautô
nomonão
existe
quando estáliga
do
àprópriaatividadedaempresa
"O
autônomoé
somentequando
faz
algum
trabalho eventual
enãoligado
aotrabalho normal da
empresa".
O fiscal da
DRTafirma
também
quealei
nãoprevê
casosde
contratode
experiência
semcarteiraassinada,
porquearelação
de trabalho
seconfigura
até
mes mo comumdia de
trabalho,
se ofuncionário
usar osbens
eequipa
mentos
da
empresaeexecutaroserviço
nassuasdependências.
O
presidente
do Sindicato dos
Jornalistas lamenta
queas empresas,e
principalmente
aRBS
usem
de artíficios
como essesapenas
paraencurtar
afolha de
pagamento.
"Eumaprática
nefasta
que sóservepara
piorar
aqualidade
doproduto
final". Se
gundo
Murilo
oDC
tinha
umaboaequipe deredação, comjor
nalistas bem
preparados,
mas"com
ossucessivos
cortesestá
diminuindo
sempremais
otamanho
daredação
evários dos bons
profissionais
tendem
adeixar
Santa Catarina".
Areportagem
do ZERO
pediu
à
direção
do
Diário Catarinense
uma
posição
diante dessas
denúncias.
Atéofechamento desta
edição aernpresaaindanão
tinha
se
manifestado
sobre
oassunto.Empresas
e
Sindicato
não
chegam
a
acordo
sobre
piso
salarial
Os
jornalistas
de Santa Catarina e os
empresários
de comunicação
aindanãochegaram
aum acordo sobre o novo
piso
salarial dacategoria.
Até agoraospatrões
ofe receram260 URVsmaso Sindicatoestátentanto
chegar
a320 URVs.As
negociações
começaram noprincípio
demaioquando
oSindi catopediu
umpiso
salarial de 520UR
Vs,
equivalente
a cerca de 8 saláriosmínimos,
quecorresponde
ao
piso
daFederação
nacional dosJornalistas,
FENAJ Através do Sindicato dasEmpresas
de Jornaise Revistas de Santa
Catarina,
asempresas ofereceram apenasacon
versão
pela
média de,;últimos quatromeses antesdo iníciodo
plano
real,
ouseja,
praticamente
um aumentode
0,8
URVs acima do quejá
estavampagando
aosprofissionais
da área. Para recuperar a'
inflação
acumulada o Sindicatoqueria
oINPC
pleno,
sem conversãopela
média,
e 20% deprodutividade.
Depois
deduasrodadas de negociação
o Sindicatobaixou suaproposta
para 320 URVs mas os empresários
ofereciam somente 260 URVs emmaioeoINPCde maio de1993 a abril 1994. Para
garantir
adata-base de aumento o sindicato
entrou com
pedido
de dissídio naDelegacia Regional
do TrabalhoOutro
problema
sãoasempresas derádiosetelevisões quenãoacei tamcumprir
osacordoserespeitar
a
legislação
dacategoria.
De acordocom as
empresas
emrádioeTV nãotrabalhamjornalistas,
só radi alistas. "Comoopiso
dosradialistas émenor, este argumento serve
paraas empresaspagarem salários
mais
baixos",
afirma Murilo, Para nãocumprir
oacordo as empresasde rádio e televisão entraram com uma liminarna
justiça.
"Isso temacontecido todosos anos.Massem
preo
juiz
temdadoganho
decausa ao sindicato".Porém as
determinações
dajus
tiça
nem sempre sãocumpridas.
Várias empresas da cidadetemcontratado
jornalistas
profissionais
ou estudantes dejornalismo
e assina do suas carteiras como radialistas ouprodutores-executivos,
mesmo se naprática
cotidianaessesprofis
sionaisdesempenham
afunção
dejornalista.
Na
pauta
dasnegociações
com as empresas o Sindicato também incluiualgumas reivindicações
sociais:
pelo
menosduasfolgas
domi nicaispor mêse umamelhorremuneração
dashoras-extras,
além daliberação
sindical para osdelega
dos da
categoria.
Textos:
Jaime Luccas
'I O
ffi
�
lO ii " " III c: -:. 2 � �Sorte
e
perigos
desafiam
caroneiros
Placa
com onomedacidade
nasmãos,
polegar acenando,
e aesperança de queo
próxi
mocarro
seja aquele
queolevará paracasa,para outro fun-de
semanacom afamília. Todasàssex
tas e sábados , dezenas de
jovens
estudantesdo
interior,
soldadosePMs formam filana BR 101,logo
nasaídade
Florianópolis,
paratentarumacarona, porque ônibus ultimamente é
artigo
de luxo. Osdestinos maisco munssãoImbituba,
Tubarão,Criciúma eAraranguá,
e oscaroneiros,
na suamaioria,
alunosdaEscolaTécnica FederaledaUFSC.
"Se você
chegar
cedinho émais fácilconseguir
carona.Depois
das1 O horas começa a ficarcomplicado,
enchedegente"
,explica
Marcelo Gomes,
lagunense
e ex-aluno da ETF,com
experiência
demaisde trêsanosdeestrada.
Dificil mesmo é
quando chove,
pois
oúnicoabrigo próximo
éoviadutoquecruzaaBR.Aí,
ojeito
édesistirou seapertarsoba
marquize
edispu
taro
espacinho
deacostamento seco, torcerparaservistoporummotorista generoso que searrisque
a pararnolocal. Se parar,
pelo
menosdezpessoas vão "chorar" um
lugarzinho
no carro.Os sofredores são os quemoram
emCriciúma e
Araranguá.
Não sópela
distância. "Opessoal
quemoramaispertoseescala
prá
cima dacarona da gente.
Às
vezes é tanto carapedindo
que o motorista acaba não levandoninguém".
reclama AdernarEstevam,
deAraranguá,
cidade distante250kmda
capital.
As táticas
empregadas pelos
caroneiros sãocuirosas. Amaiscomum éusar a
placa
oufaixacom onome da cidade para onde se vai.
Quando
nãosedispõe
destemeio,
usa ovelhoeeficientepolegar.
Estudantes sempredeixamapasta
próxima,
emlugar
bemvisível,
paragarantir
aosmotoristas quesetratadepessoa debem. O queseprocuraéconse
guir,
numafração
desegundo,
aatenção
eaempatia
dosmotoristas. Fa biano KüertenTirlone,
estudante daquartafase de economia daUFSC, pegavacaronas no ano
passado
usandoumacamiseta do time do
Criciúma,
quehavia vencidoocampeonatoes
tadual. Istofaziacomque
simpati
zantes do time parassem na hora. "Em
compensação,
ouvi muitos in sultos de torcedores de outros times",relata Tirlone.
Jeison
Wilberstaedt,
de 16 anos, alunodaEscolaAdventista de Florianópolis,
foicertavezparaIçara,
nosul do
estado, participar
deumacam pamentoestadual de Desbravadores(espécie
de clube de escoteiros daIgreja
Adventista do SétimoDia).
Conseguiu
caronafacilmente,graças ao uniforme de desbravador. "Me disseramquePMs,bombeirosesoldado conseguem carona
rapidinho.
Resolvi então tentarcom meuunifor
me.
Alguns
confundemcom ospoli
ciais e os que conhecem o clube paramcomcerteza", garanteJeison.
Mesmocomestestruques,pegar
carona
rapidamente
é um desafio."Algumas
vezesvocê consegueemcinco
minutosvnoutras,
ficaaté trêsouquatrohoras depé
nosol",afirma LauroCoelhoJr.,
estudante deenge nharia."Quando
canso, se estoucomgrana,desistoe voude
ônibus;
quando
tôpelado,
não tenho escolha", completa.
Mas nem sempre a vida de
caroneiroéruim. Pelomenospara um
amigo
damatogrossenseClariceGonçalves,
de 21 anos. Conta ela que, enquanto seuamigo
esperavacarona de
Florianópolis
para PortoAlegre,
umEscortcomduasgarotasparou. "Elenãoacreditoue
chegou
a sebeliscar paraver senão estavasonhando",
conta Clarice. Dificilmente uma mulher
pára
para darcarona,quantomais duas. Ofatoé que pouco
depois,
elejá
estavaàcaminho decasa. Auns50 km de PortoAlegre,
as garotas, estudantes de Direito e
Odontologia
naUFRJ,
perguntaramse o rapaz tinha pressa dechegar.
Ele disse que não e elas entraram emLageado
esóchegaram
emPortonodiaseguinte.
Quando
Clarice conversounovamente com ele é que soube da
história: asgarotasohaviam levadoa um motel,
depois
deuma noitadade festacomtudopago porelas. Nodiaseguinte, ninguém conseguiu
entendero
porquê daquele
sorriso bobona caradele.
Quando
oquadro
seinverte,
ousej
a,mulheres
pedindo
carona, ébem mais fácil. RobertaCarvalho,21anos eestudante dasétima fase docursode Jorna
lismo,
já
pegoualguams
caronasparaaOktoberfestepara
Garopaba. Segundo
ela, apesar de ser fácil, é desaconselhável uma mulher tentar
sozinha.
"Quando alguém pára,
euolho paraa caradele. Setivercarade sacana,eunão vou". Robertadáoutro
conselho para as caroneiras:
É
bom puxar bastanteassuntoparao caranão fazer nenhumapropostamaliciosa".O que levatantagentea usarcada
vezmaisessa
opção
sãoosaltospreços das passagensde ônibus. Umaviagem
paraAraranguá,
porexemplo,
custahoje
CR$19.420,00;
paraImbituba,
aapenas umahora de
Florianópolis,
opreço éCR$8.250,00. Por estevaloré quase
impossível
ire voltaraosfinsde-semana. "Mesmo com asdificul
dades,
vale mais apena ir decarona.Ainda temmuito motorista
legal
poraí", garanteDeoclávio Bobsin
Júnior,
dePortoAlegre.
Amaioria dos motoristasque
pára,
segundo
osestudantes,
éporquetam bém serviu-se dacarona ouquer ape nascompanhia
paraquebrar
amonoto nia daviagem.
Este último motivogeralmente
sãooscaminhoneirosqueapresentam,devidoasuas
longas
via-gens. Muitosnãodãocaronade
jeito
nenhumeadesculpa
éa mesma: "A empresanãopermite
caroneiros''. Ascruzes no acostamento lembram os
casos de morte em assaltos.
Valdomiro,
carioca de 28anos emoto rista hádez,
conhecemuitas histórias deemboscadas,
naslongas
subidas daRio-Bahia,
porexemplo.
Nas ladeiras maisíngremes,
osassaltantescorrem nafrente do caminhãoeabremocapô,
deixandoomotoristasemvisibilida de. O caminho
pára.
É
o fim da viagem,Háaindaosladrões decarga,que
se
aproveitam
da marcha lenta para subirnacarroceriaetiraroquepude
rem. Porissoécomum ver omotoris
tacom a
cabeça
do ladodefora,
quando
dirige
numasubida."Aqui
nosul isso quase nãoacontece, porissodá praarriscarlevarumcaroneirodevez emquando",
diz Valdomiro. JáMonteiro,
de Guarulhos(SP),
nãopára
paraninguém.
"Uma vez,quando
subiaaSerra doRio doRastro,rumo a
Lages,
um carasubiunacarroceriaecomeçoua
jogar
sacosdecaféparaumoutronochão. Não
pensei
duasvezes, atireino cara e só ouviogrito,
nada mais".O
perigo
constantenasestradas fazcomque todos os
motoristas,
mesmoosque costumam darcaronas,
sejam
cautelosos. "Primeiroeuolhoparaapessoa, se eu sentir
confiança,
páro.
Mais de dois fica dificil e, se formulher.nempensar"
,afirmaRonaldo
Santos,
de Curitiba(PR).
Certavez,aopararparaumagarota,Ronaldofoi
obrigado
alevar mais três rapazes queestavamescondidos atrás deuma
pla
ca.O
negociante
de carrosFernandoSilva,
de SãoLeopodo (RS),
sempredácaronas
quando
vem aFlorianópo
lis. "Eu
dependia
decaronas e sei quenãoéfácil. Já ouvifalardealguns
casosdeassalto. Por
isso,
doParanápracima,eunão
paro"
.Muita
paciência
é
orequisito
para
amaioria
dos estudantes
da
UFSC.
Michelson
Borges
l r, 5A
cidade
que
todos
esquecera."
Após
a
enchente
que
devastou
Alfredo
Wagner,
os recursos
,so
garoaram
anoitede
1�dejulho,
39famílias
em
Alfre
doWagnerdormiram
pela
última vez em suasca-.
sas. A chuva
começou forte
às 22he seprolongou
duran
te todo o dia
seguinte,
causando
amaiorenchente que
a
cidade
já
assistiu.
Em apenas catorze horas o volume
d'água equivalia
a um mêsde
chuva. O rioItajaí
doSul,
que cortaacidade,
subiu dez
metrosesaiu do
leito,
invan
dindo
ruas e casas. No Bar racão e noEstreito,
os bair rosmais
atingidos,
as casasconstruídas
nabeira do
rioforam
carregadas.
A enchente
chegou
a80%
dos domicílios
dacidade,
�
nem aprefeitura
escapou.
No
gabi
nete do
prefeito Sérgio
Sil
vestri,
aparede
aindamarcaonívelem
que
aágua
bateu:
60 centímetros.Algumas
casasainda
permanecem
àbeira do
rio,
ameaçando
descer
com apróxima
chuva. Naresidên
cia
docomerciante Lindolfo
Seemann,
de
56 anos,aágua
daquela
noite provocou
umaerosão que
"engoliu"
12metrosdeseuterreno.
Olrio le
voumetade do chãoem que
a casaestava
construída,
deixando
aparte
de trásda
residência suspensa apenas
pe los alicerces. Com aerosão,
aporta
dos
fundosagora
abrepara
onada.
Há cinco anos,Seemann construiu
ummuro
para
deteroavanço daágua.
Aproteção,
com 38metros de extensão e cinco
de altura
foipouco para
seguraro
rio,
que
arachou ao meio.O
Itaiaí
do Sulavan-çou
carregando
árvoreseummini-galpão.
Quando
perce
beu que seuquintal
estavacondenado,
Seemann fe
chou omercado
ao lado dacasa e assistiu a
tragédia
dooutro lado da rua, na casa
de um
vizinho.
Antes,
porém,
tomouocuidado
de sal var a antenaparabólica.
Perto da
vizinha
Rosi meriGuelich,
osdanos
docomerciante Seemann
forampequenos. Rosi
de 21 anos, e omarido
Osmair,
de 31trabalhavam
em umapeque
na
malharia
nofundo decasahá cincoanos. Na
noite
anterior,
ocasal ficara até asseis horas damanhã para
conseguir
entregar
umpedido
dentro doprazo.
Com aenchente,
a casapendeu
nobarranco. Rosiescutouo
ba
rulho do
quintal
sendo
carregado pela água,
e mal tevetempo
de sair da casa. Erapouco
mais quemeio-dia.
Aencomenda,
que
seriaentregue às
18h,
desapareceu.
Acasanã
chegou
acair. Omarido Osmair
salvou telhas etábuas,
além dealguns
apa
relhos
eletrodomésticos.
Quando
orio baixou ele ainda
conseguiu
recuperar
umamáquina
de costura recémcomprada,
emmeio
à lama doItajaí
do
Sul.Hoje,
elescontinuam trabalhando
nobairro
Estreito,
ondealuga
ram
parte
da
casadeumvizi-· nho.Osmair
calcula opre
juízo
com aenchente
emCR$
1 milhão(em
valores
da
época),
masreconhece
nãopossgir
anoção
exatadoque foi
perdido.
"Tem muita
coisaque
agente
nem sabeque
perdeu,
esó descobre
quando
procura parausar",
conta.
O
Itajaí
engoliu
do Sul tambéma casada faxineira Alma
Bruch,
que
sópôde
salvar
aroupa
do corpoe a
filha
Priscilla,
de 4 anos.Alma,
45 anos, morava aolado do
casalRosi
eOsmair.
As outras enchentes
já
ha viamlhe tirado
parte
doba
nheiro
que ficavanosfundos
do
terreno. Seumarido,
olavrador
ArnaldoBruch,
háalguns
mesesvinha pensan
doemtrazeracasamais para
perto
dacalçada,
commedodo
rio.Enquanto
a casa eraarrastada
pela
correnteza,
Alma
assistia
imóvelao naufrágio
daresidência,
apenas
ouvindo
a filhaPriscilla
gri
tar
para
quesalvassem
asbonecas.
Depois
dainundação,
Alma Bruch estámorando
numa casa
alugada.
Rece
beu,
daprefeitura,
cincocestas básicas com
alimentos
eprodutos
de
limpeza,
alémda promessa
de uma casanoloteamento para
osdesabri
gados.
Mas não estáconfian
do:
"vamos ver sevai
sair o que elesprometeram.
Achodifícil.
Eu nemposso
ir às
reuniões
doscandidatos
acasasporque
preciso
traba
lhar até nosdomingos".
Nas ruas do centro de
Alfredo
Wagner
o nível do rioItajaí
do Sulpassou
deum metro. A
comerciante
Marizaura
daSilva,
de
26anos, teve seu
estabeleci
mento
destruído
pela força
da enchente. Elatrabalhava
com a
família
em umaloja
fotográfica
e em umponto
de
apostas
de
jogo
dobicho.
Alémda
construção,
comduas salas
comerciais,
foram
perdidos
cincomáquinas
fotográficas,
trêsflashes,
refle
torese
todo
oarquivo
de
negativos.
Obalcão da
lotérica foi salvoporque
umhomem
conseguiu laçá-lo
da margem. "De
repente
ficamossem
nada.
Meupai
trabalha
valá há 25anos.Aprefeitura
prometeu
ajudar,
mas vai atenderprimeiro
osmoradores,
depois
ocomércio",
lamenta
Marizaura,
que alugou
uma sala na outra margem
do rio paracontinuar
trabalhando.
Daantiga loja,
sobrouapenas
afachada
pin
tada
comologotipo
do "Foto
Estrela"
e do "13 da Sor te" eduas
portas
intactas,
que
abremdiretamente para
o
rio. Marizaura brinca:
"pa
rececenário
de filme bangue-bangue".
Seu
drama,
porém,
é vida real.,�'"
.Muita
promessa, pouca
ajuda
Alfredo
município
Wagner
catarinensefoi o maiscastigado pelas
enchentes em 1993. A chuvaque caiunosdias I?e2de
julho
arrastou casas, derrubou pontes,
bloqueou
estradas,
deixou 3.100desabrigados
e um morto. O
prefeito Sérgio
Silvestri(PFL)
decretou estadodecala midadepública
por 180 diase chamou ogovernador
VilsonKleinübing
para testemunharatragédia.
Diante dapopulação
alfredense eaparentemente
comovidopela destruição
nacidade,
Kleinübing
prometeu:
-Prefeito,
gaste
o quefor
preciso
parareconstruirsua cidade e memanda aconta.A
prefeitura
de AlfredoWagner
elaborouumrelatório calculandoosprejuízos
provo cadospela
enchente e enviou ao governo do estado.·Segun
doo
documento,
acidade pre cisariadeCR$
15milhões paraser
reconstruída.
Comessedinheiro,
oprefeito
esperavare solveroproblema
das famíliasflageladas
eimpedir
arepeti
ção
do fenômeno.Apesar
dapromessa, o
governador
lhe mandou apenasCR$
6 milhões emduasparcelas
semcorreção
monetária. Aprimeira
chegou
a Alfredo
Wagner
dois mesesdepois
daenchente,
em 10 deagosto.
Aoutraparte,
somenteem 17 de setembro.
O dinheiro que Alfredo ,
Wagner
recebeu do governo IdoEstado
já
tinha destinocerto. Foi investidono
reassenta-mentadasfamílias e emobras iniciais de
contenção
do rio.Atéfevereiro de
1994,
Silvestri esperaentregar
50 lotes de.
350m2•
Para as famílias que tiveram as casasarrancadas
pela
.
força
do rio ou que permane cem vulneráveis a umapróxi
ma enchente. O terreno aindaestáemfase de
terraplenagem.
A
construção
das casas ficarápor conta dos
próprios
moradores,
trabalhando em muti rão.Segundo
oprefeito,
a solução
definitiva para as en chentes em AlfredoWagner
seriaa
construção
depequenas
barragens
aolongo
do leito doItajaí
do Sul. Mas arealização
daobra esbarranadificuldade financeira. "A
prefeitura
gas tou mais do quepodia.
A en chentevai atrasaracidade por, nomínimo,
doisanos",
recla maSilvestri.O
futuro,
ao contrário dogovernador
Kleinübing,
não faz promessas a Alfredo
Wagner.
Localizada
a 100kmde
Florianópolis
e com umapopulação
estimadaem 12milhabitantes,
acada diaque passa a cidade está menor. Nos
últimosanos,osalfredenseses
tãotrocandoocultivoda cebo
la,
aprincipal
atividade econômica,
pelo
sonho da cidadegrande.
Comaenchentedeju
lho,
a maior em 32 anos deemancipação
política,
surgemais um motivo para acelerar o êxodo rural.
O
prefeito Sérgio
Silvestri tambémremeteuumacópia
do relatório ao GovernoFederal,
masnãoacreditaemrespostas.
Apesar
dosilêncio,
emBrasíliajá
sesabe da enchente no Pla nalto Catarinense. Odeputado
Dejandir Dalpasqualli
(PMDB)
conseguiu
CR$
5m�
lhões para
Ituporanga,
mumcípio
vizinho a AlfredoWag
ner e que não
chegou
a serinundado.
Silvestri sabe quesua cidade não é Blumenau: "somos pequenos demais para
merecer a
atenção
do governadore, para nosso azar, não
estamosno