IANANDA
BARBIERI
EIPIDERMODISPLASIA
VERRUCIFORNIE
(SINDROME
DE
LEWANDOWSKY
E
LUTZ)
Trabalho apresentado à Universidade Federal
De
Santa Catarina, para a conclusão do Curso de Graduaçãoem
Medicina.
FLORIANÓPOLIS
-
SANTA CATARINA
EPIDERMODISPLASIA
VERRUCIFORME
(SINDROME
DE
LEWANDOWSKY
E
LUTZ)
Coordenador do Curso: Edson José Cardoso
Orientador: Jorge José de Souza Filho
Trabalho apresentado à Universidade Federal
De
Santa Catarina, para a conclusão do Curso de Graduaçãoem
Medicina
Co-orientador: José Hermênio Cavalcante
Lima
FilhoFLQRIANÓPQLIS
_
SANTA
CATARINA
36p.
Trabalho apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina paraa
conclusão do Curso de Graduação em Medicina-UFSC.
LINTRODUÇÃO ... .. 2.REvIsÃo DE LITERATURA ... .. 2.1.H1sTÓRICo ... .. 2.2.EPIDEMIOLOGIA ... _. 2.3.ETIOPATOGENIA ... ._ 2.4.QUADRo CLÍNICO ... _. 2.5 .HISTOPATOLOGIA ... .. 2.ó.DIAGNÓsTIco DIFERENCIAL ... .. 2.7_DIAGNÓsTIco ... _. 2.8.TRATAMENTO ... .. 2.9.PRoGNÓsTICo ... .. 3 .OBJETIVOS ... ._
4.RELATo Dos CAsos ... .. 5.DIsCUssÃo ... .. ó.REFERÊNc1As BIBLIOGRÁFICAS ... ..
RESUMO ... ..
Ao
Dr. Jorge Joséde Souza
Filho e ao Dr. JoséHermênio
CavalcanteLima
Filho pela orientação e apoio, eao
Serviçode
Dermatologiado
Hospital Universitário, pelo auxíliona
realização deste trabalho.Aos
meus
pais VerônicaJochem
Barbieri eJoão
Barbieri por todoo
apoio e dedicação durante todos esses anos,que
mesmo
nas horasmais
dificeisnão
desistiram, e pelacompreensão
em
todos osmomentos
em
que
estive ausente.Ao
meu
noivo Ricardo Ortiz por toda a paciência, incentivo,amor
ecompanheirismo
durantea
realização deste trabalho.Aos meus
avós peloamor
incondicional e especialmenteà
minha
queridaOmi,
ElzaEyng
Jochem, que
mesmo
no
convíviocom
os anjos estevesempre
ameu
lado.À
minha amiga
ecompanheira
de intemato Daniela C.Kaesemodel
pelaamizade, companheirismo, apoio e lealdade.
À
Dra.Lee
I-Ching,do
serviço de Patologia, pelo auxílio e disponibilidadena
elaboração das fotos.Aos
pacientes,sem
os quais este trabalhonão
poderia ser realizado.Acima
de tudo agradeço àDeus
por estarsempre
iluminandomeu
Epidermodisplasia verruciforrne é
uma
doença
rarana
qualhá
uma
predisposição à infecção cutânea crônica por algtms tipos de papilomavirus humanosl. Foi descrita inicialmente por
Lewandowsky
e Lutzem
19222.É
mais
comumentemente
uma
doença
de caráter autossômico recessivo3,embora
também
tenha sido descrita herança recessiva ligada aoX4
e herançaautossômica dominantes.
No
Brasil, os primeiros casosforam
publicadospor
Costa
e Junqueira,em
19426.Os
indivíduos afetadosdesenvolvem
progressivamente lesões cutâneasde
variado aspecto clínico,
podendo
seruma
combinação
de lesões verrucosas, maculares, ptiríase-versicolor-símiles, lesões eritematosas psoriasiformesou
aindapodem
evoluir para ceratose actínicaou
até malignização, especialmeteem
áreas fotoexpostasl”7`l°.A
infecçãopode
ocorrercom
vários tipos deHPV
e os tipos 5 e 8 estão particularmente implicadosno
desenvolvimento de malignidade,embora
não
ocorra supressão generalizadalmg.
À
microscopiapodem
variar de vacuolização perinuclearde
queratinócitos à alargamento de células
com
citoplasma basofilico e atéatipia]”7°9.
O
início das manifestações clínicas émais
frequentena
infância,gerahnente entre 6 e 7 anos de idade”,
embora
possa aparecer até a terceiradécada”.
A
Epidermodisplasia verruciformenão tem
preferênciageográfica
ou
racial, entretanto ocorre mais frequentemente
em
regiõesonde
a taxade
conssanguinidade é alta7.2.1.
HISTÓRICO
A
epidermodisplasia verruciforme foi inicialmente descrita porF
.Lewandowsky
eW.Lutz
em
Berlim, 19222. Tais autoresobservaram
uma
paciente
de 30
anoscom
carcinoma de pelena
região frontalda
cabeça eque
havia tido várias lesões
vemicosas
desde a infância.Como
a
paciente era filha deuma
relação conssanguinea, os autores concluíram seruma
doença
familialque
deixariao
paciente susceptível aocarcinoma
de pele.No
Brasil, os primeiros casosforam
publicados porCosta
e Junqueiraem
19466.2.2.
EPIDEMIOLOGIA
A
incidênciada
EV
não
variaconforme
sexo, cor, raçaou
localizaçãogeográfica. Entretanto
pode
estaraumentada
em
locaisonde
a taxade
conssanguinidade é alta7.O
início das lesões sedá
geralmentena
infância,em
tomo
dos 6 anos de idade”,embora
possa ocorrerna
segundaou
terceiradécada
de vida”. Jáo
Carcinoma
de pelepode
ser inicialmente vistono
finalda
segunda
ou
inícioda
terceiradécada
de VidalLmg,
porém
há
relatosna
literatura variandode dez
à cinquenta anoszo.No
entanto existeuma
maior
incidência de infecção porHPV-EV
em
pacientes
imunocomprometidos,
principalmente vistos naquelescom
lesões cutâneas malignasn. Assim, são relatados casosem
que
HPVS
específicosda
Epidermodisplasia verruciforme, principalmenteHPV-5
eHPV-8,
foram
repetidamente encontradosem
pacientescom
enxerto renal, sendoque
tais pacientespossuíam
lesões clínicas semelhantes àsda
Epidermodisplasia- 22-27
verruciforme _
Há
ainda relatos de lesões semelhantes àEV
em
portadoresde
HIV2829,em
tumores malignos associados à imunodeficiência severa”, enum
pacientecom
carcinoma cutâneo após prolongado tratamentocom
psoraleno e radiaçãoUVA”.
2.3.
ETIOPATOGENIA
O
período relativamente longo entreo
início das lesões benignas eo
surgimentodo
câncer nos pacientescom
Epidermodisplasia verruciforme sugereum
processo multifatoiialno
qualpodem
influenciar certos agentes, taiscomo
os vírus, a herança genética, a imunidade e a exposição solarl°8'12°]5°2°.
VÍRUS
Várias publicações
têm
relacionado osHPV
em
geral e osda
EV
com
manifestações clí1iicas“'l3'15”l8 e pelomenos
15 tiposocorrem quase
que
exclusivamente nas lesões benignas de pacientes
com
EVI3”mó. Os
HPV
3 e 10 são encontradosem
verrugas planas disseminadas,sem
malignização e nasverrugas juvenis,
podendo
estar tantoem
pacientescom
ou
sem
EV13”l4”l6'l8.O
HPV
5 éo que tem
a expressãomais
polimorfa ecom
tendênciaà
malignizaçãoll°l3"'4°I6'l8.
Os
HPV
8,9
e 10 seriam superponíveis aoHPV
518.O
HPV-49,
encontradoem
pacientesimunocomprometidos,
também
provou
serespecífico para EV27.
Há
também
a possibilidade de maisde
um
HPV
serencontrado
no
mesmo
pacienteou
aténa
mesma
lesão'8°32”33.Entretanto, parece
que
amera
presença deHPVs
específicosda
EV
não
é suficiente parauma
completa expressãodo
fenótipoda
doença, jáque o
DNA
de
váriosHPVs-EV
foram
encontradosem
lesõesvermcosas
típicasda
população
em
geral34°35. Assim, é possívelque
taisHPVs
estejam presentesde
forma
latentena
maioriada
população eem
virtude deuma
imunosupressão
severa
possam
produzir as lesõesda
EV
e até malignizar,embora
o reservatóriodos vírus específicos
da
EV
sejammesmo
os pacientes irnunossuprimidos34'36.Recentemente
também
foi sugeridoque
pacientescom
psoríase seriamreservatórios
do
HPV-5.
Numa
pesquisa realizadacom
37
pacientes psoriásicos,foi encontrado
o
HPV
em
92%
desses pacientes”.Portanto,
com
o avanço da
tecnologia, possivelmentenovos
HPVS
poderão
surgir e ser relacionados àSíndrome
deLewandowsky-Lutz.
HERANÇA
GENÉTICA
Aproximadamente
10%
dos pacientescom
Epidermodisplasiaverruciforme são fi'utos de casamentos conssanguíneos (casos 3 e 4) e
mais de
10%
dos pacientestem algum
familiar acometido pelamesma
doença
(casos 1 e2),
o que
sugere a presença deum
gene
recessivo anonnal1`3 _A
forma mais
comumentemente
herdada é a autossômica recessiva3,embora
também
tenhaDesde
que
a herança ligada aoX
foi descrita, é possívelque a
susceptibilidade anormal aos l¬lPVs-EV
dependa
de defeitos existentesem
pelomenos
dois genes localizadosem
cromossomas
diferentes. Pesquisas recentesmostram
que
existem haplótipos específicos associados àEV
(DR-DQ)
ligadosao
MHC
classe 11,o que
pode
sugerir alelos susceptíveisou
um
marcador
com
um
gene predispondo à doença37'38.IMUNIDADE
Cerca
de90%
dos pacientescom
Epidermodisplasia verruciformetêm
baixa imunidade celular apesarda humoral
permanecer
i11tactal°°l6”39'4°. Esteachado
poderia ser secundário à infecção crônica e generalizada causada peloHPV
(quecompromete
o
sistema imune)como
o
defeitoimune
poderia ser primário.O
que
sugere este papeldo
sistema imimológico éo
fato deque
alguns pacientes transplantados renaistêm
uma
incidência altade
verrugas e câncerde
pele, sendo
que
pesquisasmostram que o
HPV
5, potencialmente oncogênico,está presente
em
certas lesões benignas de alguns desses pacientes22`26”4].EXPOSIÇÃO
SOLAR
Há
vários indíciosde
que
a exposição solar possa contribuir parao
desenvolvimento de câncer de peleem
pacientescom
EV41°42, taiscomo:
`
pacientes negros
com
EV
raramentedesenvolvem
câncer de pele;`
o
câncer de peleem
pacientescom
EV
é mais frequenteem
áreas fotoexpostas, principalmenteem
face;pacientes
com
transplante renalpossuem
urnafiequência
de câncerde
ovelhas
desenvolvem
câncerde
pele associado àHPV
em
locais desprotegidosde
pêlosou
pigmentos;Além
disso a exposição solar teriao
papelde
reforçar a imunodeficiênciana
EV
atravésda
radiação ultravioletaque
é capazde
causar supressãoda
úmmióade
celular".2.4.
QUADRO
CLÍNICO
A
Epidermodisplasia verrucifonnepode
apresentar expressões clínicas polimorfas. Dentre elaspodemos
encontrar lesõescom
aspectode
verrugasplanas3°9°“'l3°l6, pápulas
ou
máculas pitin'ase-versicolor-símilesl°'°°12'16, lesõeseritematosas psoriasiformes1”3°8, lesões lenticulares,
algumas
vezes atróficas(podendo
lembrar poroceratose actínica)8, pápulaslembrando
verrugasvu1gares3'9°“°l2”l5°l6
ou
sebon"éicas3'16.As
lesões isoladasmedem
cercade
lmm
à2cm,
podendo
dispor-se linearmentemó'ou
confluirem
placas”.Quanto
à corpodem
ser hiperou
hipocrômicas, desde a corda
pele atévermelho
ou
violáceo, passando pelo castanho, cinzaou
róseo,podendo
ser brilhantes, opacasou
até descamativasl'3”l2°13°l6”2°.As
fonnastambém
variam,podendo
ser arredondadasou
ovaisl'3°2°.As
áreas maiscomumentemente
acometidas são as áreasfotoexpostasn '15 2°
e a distribuição tende a ser disseminada e simétrica.
As
lesõesem
dorso dasmãos
tendem
a ser verrucosas enquantoque
em
cotovelos e joelhostendem
a ser psoriasiformeszo.Quanto
à sintomatologia a maioria refere lesões assintomáticas ou, ocasionahnente, leve prurido3°8.Quanto
à evoluçãoda doença
aEV
tem
sidode
caráter insidioso,evolução crônica
sem
remissões, vitalícia,podendo
ficar estacionáriaou
progredir.Existem
casosna
literaturaem
que houve
regressão espontânea edesaparecimento das lesões cujas manifestações clínicas
foram
verrugas planas e0
vírus encontrado foiHPV-3.
Estas situaçõesforam
descritas após biópsia”ou
gravidez44.A
Epiderrnodisplasia venuciforme,no
entanto,pode
malignizar.Na
literatura
têm
sido descritos índicesde
malignizaçãoque
variamde 22
a 48,5por cento“”l2”l9”43, sendo
que
os carcinomas mais encontradosforam
escamocelulares (caso 3) e
bowenóidesmo.
Estas lesõesocorrem
principalmenteem
locais fotoexpostos, especiahnente face, epodem
ulcerarou
virar crostas, sugerindo então a evolução maligna.Embora
sejam timrores anaplásicos, são depouca
agressividade e baixa metatizaçãol.Quando
isto ocorre, as metástases são preferenciahnente para lirrfonodos, entretanto isso parece existirmenos
frequentemente
em
turnoresnão
carcinomatosos.Pode
haver invasão local,inclusive
com
destruiçãode
estruturascomo
órbita, seios paranasaisou
cérebrous.O
HPV-5
eHPV-8
são considerados potencialrnente oncogênicosna
espécie hurnana. Já
o
HPV-3
é considerado potenciahnente benigno.O
mecanismo
pela quala oncogênese
ocorre aindanão
está totalmente elucidado,embora
imagina-seque
existaum
complexo
processode
muitas etapas.Algims
autores obeservaram atividade de transformação in vitro nos genes
E6
de
algrmsHPV
associados àEV
e outrosmostraram
evidênciasda
existênciade
formasalélicas múltiplas
do
gene E62°°37°38.Na
literaturahá
ainda outros genes descritoscomo
potencialmenteuma
proteína supressora tumoralque
pode mapear
0
sítio primário para aação
desses vírus oncogênicos46.
Normalmente
os pacientescom
Epidermodisplasia verruciformeposssuem
inteligência ecomportamentos
normais,embora
tenham
sido descritas diversas alterações taiscomo:
epilepsia, cretinismo, oligofrenia, ataxia e outros distúrbios neurológicos2°”47.Aproximadamente
10%
das criançascom
EV
tiveram algimi graude
retardo mentalao
nascimento entretantonão
é possível relacionar especificamentecom
aEV
devido ao fato deque não
éincomum
haver este tipo de alteraçãoem
filhos de pais consanguíneos.2.5.
HISTOPATOLOGIA
A
principal característica das lesões à microscopia éum
efeito citopático.Após
ter sido considerada igual àsvenugas
planas por muito tempo, hoje aEV
tem
suas características individualizadas,podendo
apresentar:camada
córneaem
“cesta”ou
laminar;acúmulos
de ceratohialina grandes e densosna
granulosa, acantosecom
alongamento e alargamento dos cones interpapilares;vacuolização nuclear
com
adensamento de
cromatina,marginando a
membrana
nuclear e
formando
vacúolos; inclusões eosinofilicas intranucleares; vacúolosintracitoplasmáticos; citoplasma
amplo
e acinzentado,podendo
lembrar célulasbowenóides ou de
Paget;formação
de “ninhos” desde acamada
suprabasal até agranulosa; e
na
derme pode
haver discreto infiltrado inflamatórionão
2.6.
u1AGNósT1co DIFERENCIAL
Na
Epidermodisplasia verruciforme as lesões são polimorfas epor
issopossuem
variado diferencial clínico e histopatológico.As
lesões macularespodem
ser confundidascom
pitiriase versicolor devido a sua distribuiçãoem
tronco e
membros
superiores etambém
pela coloração variada de suas lesões.No
entanto a persistência das lesões e resistência ao tratamento usual para aT
inea versicolordevem
alertar aomédico
parao
diagnósticode
EV,
o
qualdeve
ser
confirmado
por biópsiazo.Lesões
papulosasem
dorso dasmãos
podem
confimdir
com
verrugassimples,
porém
a biópsia e pesquisade
HPV
podem
ajudarno
esclarecimento.Lesões crostosas e confluentes
em
joelhos e cotovelospodem
lembrar psoríase.Pápulas isoladas nas extremidades
podem
ser confitndidascom
líquen plano.Muito
raramente asmáculas
da
EV,
quando exibem
atrofia,podem
serconfundidas
com
poroceratose7.O
paciente demaior
dificuldadeno
diagnóstico deferencial talvez seja aqueleem
que há
verrugas planas causadas peloHPV-3
e 10 eque
estejatambém
iinunossuprimido. Nestes pacientes é necessáriaconfinnação por
biópsia
ou
pesquisado
vírus.Além
disso é preciso estar atentoao
possíveldesenvolvimento
de
carcinomascomo
o
deBowen
eescamosouo.
Além
destas, outras doençasdevem
ser consideradasno
diagnósticodeferencial: parapsoríase
em
gotas, ceratose folicular,adenomas
de
Pringle,nevos
epidérmicos, ceratose seborréica, acroceratose deHopf
edoença de
2.7.
DIAGNÓSTICO
'O
diagnóstico é clínico, histopatológico e por pesquisade
vírus,principalmente através
do
PCRl°7”8'49.A
Epidennodisplasia verruciforme possui clinicamente expressão polimorfa,com
evolução crônica e progressiva,gerahnente assintomática e
com
distribuição disseminada e simétrica.2.8.
TRATAMENTÚ
Não
há
aindaum
tratamento específico para aSíndrome de
Lewandowsky-Lutz.
Como
medidas
gerais, os pacientesdevem
ser protegidosda
radiação ultravioleta desde tenra infância enão
devem
submeter-se atratamentos radioterápicos ao longo
da
vida.Vários tratamentos já
foram
propostos,mas
a
substânciacom
melhoresresultados foi o etretinato via oral,
em
média
lmg/kg/dia, por períodosvariados51`54.
Houve
casos de remissão parcial e até involução total”. Entretanto esses efeitosbenéficos
seriam reversíveis após a suspensãodo medicamento.
2.9.
PRoGNÓsT1co
Quando
o
diagnóstico é feito logo apóso
inicio das lesões,o
tratamentodo
câncer é muito mais efetivo devido à possibilidade deacompanhamento
do
paciente e cirurgia precoce.
Além
disso, quantomais
escura a pele,melhor o
prognóstico.No
entanto,o
desenvolvimentodo
câncerdepende
de cofatores,o
que
toma
sua incidência bastante variável.É
absolutamente necessárioque
sejam evitados a exposição aos raios solares, os tratamentos radioterápicos eo
uso
de drogas imunossupressoras.Embora
o
câncerdemore
a metastatizar, já1. Relatar quatro casos
de
Epidermodisplasia verruciforme diagnosticados etratados pelo Serviço de Dermatologia
do
Hospital Universitário-
UniversidadeFederal
de
Santa Catarina(HU-UFSC),
sendo que
este trabalho foiaprovado
pelaComissão
de Éticado
HU.
2. Realizar revisão
da
literatura à respeitodo
assunto, quantoao
histórico, epidemiologia, etiopatogenia, quadro clinico, diagnóstico e tratamento.Caso
1RCV,
34
anos, masculino, branco, casado, agricultor, naturalde
Içara eprocedente
de
Juaguaruna, procurouo
serviçode
Dermatologiado
HU-UFSC
em
outubro de1999
devido a lesões de pele desde os dois anos de idade. Refereque
as lesões apareceram apósuma
febre, iniciandocomo
vesículasem
mãos,
face e pés e
tomando-se
progressivamentemais
verrucosas, hiperceratóticas eaumentando
em
tamanho
e quantidade até atingir praticamente todoo
corpo.O
paciente relataque
as lesõeseram
assintomáticas, apenastomando-se
maiores e mais hiperceratóticasno
verão. Eventualmente havia necessidadede
excisão cirúrgica de algumas das lesões devido
ao
grandetamanho ou
àinfecção secundária.
Ao
exame
dermatológicoobsewavam-se
lesões vermcosas,hiperceratóticas,
de
cor rósea, arredondadas e difusamente distribuídas pelocorpo todo, principalmente
em
áreas fotoexpostas:mãos,
pés, face(asade
nariz e sulco naso-labial), orelhas,mucosa
oral e dorso superior (Fig. 1).Exames
laboratoriais e teste alérgico
foram
normais.Foi realizada biópsia cujo resultado foi compatível
com
verruga vulgar(Fig. 2). Iniciou-se então tratamento
com
etretinato via oral50mg/dia
em
15/12/99
com
boa melhora
das lesões. Atualmentemantém
amedicação
epermanece
em
acompanhamento
clinicocom
o
Serviçode
Dermatologiado
Caso
2RJV,l2
anos, masculino, branco, solteiro, estudante, natural e procedentede Juaguaruna-SC
foi trazido pelo pai (caso 1)ao
Serviçode
Dermatologiado
HU-UFSC
em
outubro/99 devido a lesões de pele semelhantes àsdo
pai. Refere ter iniciado aos dois anosde
idadecom
lesões papulares, hiperceratóticas,arredondadas e de cor rósea
em
couro cabeludoque
progrediram para outras áreas fotoexpostascomo
face, parte distal dosmembros,
tórax anterior(ceratose-pilar-símiles) e dorso superior,
onde
aindapermanecem.
As
lesõeseram
assintomáticas.
Os
exames
laboratoriaisforam
normais. Foi realizada biópsiaque
mostrou
vemiga
vulgar, semelhanteao
pai (caso 1).Não
foi iniciado tratamentoe atualmente
retoma
ao Serviço de Dermatologiado
HU-UFSC
paraacompanhamento
clinico das lesões.Caso
3MTM,
39
anos, feminina, branca, divorciada,do
lar, natural e procedentede São Miguel
d'Oeste-SC.Há
8 anos inicioucom
lesões cutâneas papulosas,não
pruriginosas, poligonais, de superficie descamativa, róseo-acastanhada,algumas confluindo
em
placas, semelhantes à verrugas planas eacometendo
difusamente toda a superficie cutânea,
embora
com
predomínio nasextremidades.
Na
históriamórbida
pregressahouve
excisão deCarcinoma
Espino-celular
em
facehá
3 anos enova
excisão por recidiva e invasãodo
globo ocularesquerdo
há
2 anos. Paciente referetambém
atopia, cicatrização lentade
feridasrepetição.
Quanto
à históriamórbida
familiar possuium
tio paternocom
psoríasehá
19 anos euma
innãcom
lesões semelhantes às dela.Além
disso,o
pai e amãe
são primosem
primeiro grau.Foi realizada biópsia
que
evidenciou hiperceratose padrão “cesta”, acantosemoderada sem
papilomatose, hipergranulosecom
célulasda
camada
granulosa exibindo espaços claros citoplasmáticosem
tomo
do
núcleo e células basais normais (Fig. ).Tentou-se criocirurgia e tratamento
com
etretinatosem
melhora
daslesões.
A
pacienteabandonou o
acompanhamento
no
Serviçode
Dermatolgiado
HU-UFSC.
Caso
4MM,
37
anos, feminina, branca, solteira,do
lar, natural e procedentede
São Miguel D°Oeste-SC.
Há
6 anos inicioucom
lesões cutâneas papulosas,semelhantes às
da
irmã (caso 3). Tais lesõestambém
eram
poligonais, róseo-acastanhadaas, descamativas,
não
pruriginosas, semelhantesà
verrugas planas eacometendo
principalmente extremidades (Fig. )Na
históriamórbida
familiar possui tio paternocom
psoríase e irmãmais
velha
com
lesões semelhantes às suas(Caso
3). Pai emãe
sãoprimos
em
primeiro grau.
Realizou biópsia
que demonstrou
lesões compatíveiscom
asda
irmã(Caso
3).Exames
laboratoriais normais.Não
iniciou tratamento por=..z_;;â;,: Ã z_ z š _ " _ :H ' 5 ~ Q “É ge §:;~z z¬..,;¬, * J ' f .L z 'âzz z , 1 vz f-Päâzâz - I aa; zz z' - 'rf 7 ~ , ~-ef › 2, - ' ¿ -“1 _ '_ Êšêf i 'fífiflãš ' if f' _ 'Iii â ,_
Fig.l ~ Pápulas verrucosas, hiperceratóticas, arredondadas, de coloração rósea, localizadas em dorso superior.
Fonte: Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário - UFSC.
Fig 2 - Vermga vulgaris: hiperceratose e papilomatose associados à confluência de processos epidérmicos na
base.
HE
40x.Fig 3 - Verruga vulgaris: presença de células grandes e vacuoladas contendo grânulos queratohialinos, além de
inclusões intranucleares. HE 400x.
Fonte: Serviço de Anatomia Patológica - SAP/HU.
Fig. 4 Lesoes papulares, verrucosas, de coloraçao rósea, localizadas em pé esquerdo.
Fig. 5 ~ Lesões cutâneas papulosasr poligonais_ róseo-acastanhadas. de superficie descamativa e algumas confluindo em placas no dorso das mãos.
Fonte: Serviço de Derrnatolgia do Hospital Uni\'ei'sitário ~ UFSC.
¡ ~-._s=== ¬ ~ -.I If rw
â
Â* j 1 .Q fz . _ ., ¬. _, `_ _ ai' ¬ ÕI' ' Êzf, z f . ,__Fig. 6 z Hiperceratose padrão "cesta". acantose moderada sem papilomatose. hipergranulose com células da
camada granulosa exibindo espaços claros citoplasmáticos em tomo do núcleo e células basais nonnais. Fonte:
Segundo
à literatura, a Epideimodisplasiavermciforme
éuma
doença
rarana
qualhá
uma
susceptibilidade anormal à infecção cutânea crônica por certos tipos de papilomavímsl, inclusiveHPV-5
eHPV-8
relacionadosao
desenvolvimentode
carcinoma de pele“`18.É
também
vistacomo
uma
doença
de caráter multifatorial envolvendo fatores genéticos, imunológicos, ambientais
e virais7`l2.
De
acordocom
a bibliografia,o
iníciomais
comum
das lesões sedá na
infância,
em
tomo
dos seis anosde
idade”.Nos
casos 1 e 2 as lesões iniciaramna
infância,porém
mais
precocemente, a partir dos dois anos de idade. Existem, porém, relatosde
início até a terceiradécada de
vida”,como
ocorreunos
casos3 e 4.
Além
disso,aproximadamente
10%
dos pacientescom
Epidermodisplasiavermciforme
são frutos de casamentos conssanguineosl,como
ocorreunos
casos 3 e4
e cujos pais são primosem
primeiro grau, emais de
10%
dos
pacientes
tem algum
familiaracometido”,
como
ocorreu nos casos 1 e 2, osquais são pai e filho, sugerindo a presença
de
um
gene
recessivo anonnal.Embora
a clínica seja bastante variável, as lesões estãode
acordocom
asdescritas
na
literatura. Assim, as lesões cutâneasnos
casos l e 2 são pápulasverrucosas, arredondadas, hiperceratóticas,
de
cor rósea,não
confluentes,não
pruriginosas e
não
descamativas (Fig. l e 4). Já as lesões nos casos 3 e4
sãotambém
papulosas,não
pruriginosas,porém
são poligonais, róseo-acastanhadas,de
superficie descamativa,algumas
confluindo
em
placas semelhantes àverrugas planas (Fig. 5 e 7).
Em
todos os casoshá
predominância de lesõesem
áreas fotoexpostas, especialmente
membros,
de acordocom
os aspectosA
histopatologiatambém
é bastante variável8°9°15°l8°20°&4 _Nos
casos 1 e 2o
resultado anátomo-patológico é compatível
com
vemiga
vulgar, apresentando hiperceratose e papilomatose e presença de células grandes, vacuoladas,contendo grânulos queratohialinos e inclusões intranucleares (Fig.
2
e 3).Já
nos
casos 3 e4 o
resultado é compativelcom
verruga plana edemonstrou
hiperceratose padrãoem
“cesta”, acantosemoderada
sem
papilomatose, hipergranulose
com
célulasda
camada
granulosa exibindo espaços claros citoplasmáticosem
tomo
do
núcleo e células basaisnormais
(Fig )-Quanto
aos aspectos imunológicos, é possívelque
no
caso 3 haja alteraçãoda
imunidade celular, vistoque a
paciente refere cicatrização lentade
feridasdesde
a infância,pneumonias de
repetição e psoríase a partirdos
nove
anos
de
idade. Entretantonão há
um
consensona
literatura se esteachado
poderia ser secimdário à infecção crônica e generalizada causada pelo
HPV
ou
então se
o
defeitoimune
poderia ser pri1náriow”l6”39°4°.Embora
não
se tenha feito pesquisade
HPV
nestes pacientes, é possívelsupor
que
os tiposde
HPV
presentesnos
casos l e 2 sejam benignos, devido àclínica
mais
branda3°1°, à histopatologia compatívelcom
verrugaviúgar3*9'“'12°l5”16, a
não
carcmogênese“`12'l9'43 e à regressão das lesões apóstratamento4l°42'43,
como
no
caso 1. Jáno
caso 3, por exemplo, é possível suporque o
provável agente etiológico sejaum
vírusmais
agressivo,como
o
HPV-5
ou
HPV-8,
que tendem
àmaior
malignização.Neste
caso a paciente teveum
tumor
espinocelularem
face excisado,o que
também
concordacom
a
literaturano que
diz respeito àmaior
frequênciade
malignizaçãoem
áreasfotoexpostas3”7°“”l8'.
Houve também
invasãodo
globo ocularà
esquerdamostrando
que
tais tumorespodem
invadir localmenteug.Ainda conforme
a literatura,não há
um
tratamento específico,porém
a
por períodos variados,
embora
é possívelque
o
efeitobenéfico
seja reversívelapós
o
tratamentos 154.Assim,
no
caso 1 está sendousado
etretinato via oral 50mg/diahá
doisanos
com
boa melhora
das lesões.No
caso 3também
foi tentado etretinatopor
quatro meses,porém
sem
melhora
alguma.A
Epidermodisplasiavermciforme
tem
sido diagnosticadacom
maior
frequência desde a sua descrição inicial e muito se
tem
pesquisado acerca dessaenfemiidade, principalmente devido ao incremento
de novas
tecnologias esobretudo
ao avanço do
conhecimentoem
genética. Entretanto aindahá muito o
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objetivos deste trabalhoforam
relatar quatro casosde
Epidennodisplasia verruciforme diagnosticados e tratados pelo Serviçode
Dermatologiado
Hospital Universitário~
Universidade Federalde
SantaCatarina,
bem
como
realizar revisãoda
literaturaà
respeitodo
assunto.Os
casos 1 e 2 são pai e filho e aos dois anos de idade iniciaramcom
lesões
de
pele papulosas, hiperceratóticas,de
coloração rósea e semelhantes àverrugas vulgares.
Os
casos 3 e4
são duas irmãs, filhas deum
casamento
conssanguíneo,
que na
terceiradécada de
vida iniciaramcom
lesõesde
pele papulosas, róseo-acastanhadas, descamativas e semelhantes à verrugas planas,sendo
que
a pacientedo
caso 3 desenvolveucarcinoma
espinocelularem
face.A
Epidennodisplasia éuma
doença
rarana
qualhá
uma
susceptibilidadeanormal à infecção por certos tipos de papillomavirus, inclusive
HPV-5
eHPV-
8, relacionados ao desenvolvimento de carcinomas de pele.
Geralmente
éconsiderada autossômica recessiva.
Aproximandamente
10%
das famíliastêm
mais de
um
membro
afetado eem
tomo
de
10%
dos pacientescom
EV
sãofrutos de relações conssanguíneas.
É
uma
doença
de caráter multifatorial envolvendo fatores genéticos, imunológicos, ambientais e virais. Possui expressão clinica polimorfa,com
evolução crônica e progressiva, geralmente assintomática,
com
distribuiçãodisseminada e simétrica e principalmente
em
áreas fotoexpostas.Sua
histopatologiatambém
é variável e osexames
laboratoriais são normais.A
doença
énormalmente
vitalícia,embora
tenham
sido descritos casosde
involução total.
Não
há
aindaum
tratamento específico,mas
a
substânciaque
The
objectivesof
thiswork
were
relate four casesof
Epidermodysplasiaverruciformis diagnosed
and
treatedby
Serviçode
Dermatologiado
HU
-
Universidade Federalde
Santa Catarina, as well as review literature about thissubject.
Cases
land
2 are fatherand
sonwho
began
sincetwo
years of age withpapulous skin lesions, rosed colored
and
resembling simple warts.Cases
3and 4
are sisters, daughters of a consanguineous marriage,
who
developed at the thirddecade skin lesions resembling plane warts.
EV
is a rare genomatosis inwhich
there is an abnonnal susceptibility to infection withsome
papillomaviruses, likeHPV-5
and
HPV-8,
related to skin carcinomas.Nonnally
it is an autossomic recessive desease. Aproximately10%
of the families
have
more
than onemember
afectedand
about10%
of
the patients withEV
arebom
of consanguineous relationships.EV
is a multifatorial desease involving genetics,immunology,
environment
and
virus. Clinic is polimorfic with chronicand
progressiveevolution, generally assintomatic, with simetric
and
disseminated distributionand
mostly insunexposed
areas. Histopathology is also variableand
laboratoryfindings are normal.
This desease is
normaly
lifelong, although there are casesof
totalinvolution. There is not an especific treatment yet, but the drug
which
has the0459
Ex.l
I
972810155 AC. 253608