RELATÓRIO FINAL
ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
Rita Quaresma Ferreira | 2013364
6º ano | Mestrado Integrado de Medicina
Orientador: Drª Paula Kjollerstrom
“Diria que foi a experiência da doença que me tornou mais sensível. Como se tivesse esticado a
corda do violino e esta vibrasse ao menor toque, com maior intensidade e frequência. Por isso, mais
do que uma mudança sofri uma evolução, que introduziu outra doçura na relação com as pessoas.”
- João Lobo Antunes em entrevista para o Jornal Expresso - “O pessimismo é uma profecia que se cumpre”, 2015.
I. INTRODUÇÃO ... 4
II. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NOS ESTÁGIOS PARCELARES ... 5
a. Ginecologia e Obstetrícia ... 5
b. Saúde Mental ... 5
c. Medicina Geral e Familiar ... 6
d. Pediatria ... 7
e. Cirurgia Geral ... 7
f. Medicina Interna ... 8
III. OUTRAS ATIVIDADES VALORATIVAS... 9
IV. REFLEXÃO CRÍTICA ... 10
V. ANEXOS ... 12
ÍNDICE
O Estágio Profissionalizante do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas, realizado no 6º ano, apresenta-se como uma ponte entre a formação pré-graduada e o exercício da Medicina como médico, e tal como os objetivos determinados pelo texto “Licenciado Médico em Portugal”, visa a intensa consolidação de conhecimentos transversais às principais especialidades clínicas, adquiridos ao longo do curso, e a sua aplicação no exercício da prática clínica. Isto só é possível graças à orientação tutelada em diferentes estágios parcelares, apresentando assim um caráter profissionalizante, com objetivo último a aquisição de competências necessárias para a prática médica; é também esperado o desenvolvimento de sentido de responsabilidade e inteligência emocional.
Com o auxílio das fichas de Unidades Curriculares dos estágios parcelares e do texto “O Licenciado Médico em Portugal”, estabeleci alguns objetivos gerais para o Estágio Profissionalizante: a consolidação de conhecimento teórico adquirido previamente, complementado pelo preenchimento de lacunas teóricas, o desenvolvimento do raciocínio clínico e a capacidade de colocação de hipóteses diagnósticas, seguidas da respetiva marcha diagnóstica e de um plano terapêutico, sobretudo no que diz respeito às patologias mais comuns de cada área clínica, assim como o aperfeiçoamento da colheita da anamnese e realização de exame objetivo. Além disso visei também o treino de procedimentos clínicos básicos, como por exemplo o exame ginecológico e gasimetrias arteriais, os quais beneficiavam de mais prática da minha parte; o desenvolvimento de competências de comunicação, tanto para com outros profissionais de saúde, mas também para com os doentes e respetiva famílias foi algo que também estabeleci como objetivo primordial. Por fim, a manutenção de uma postura motivada e interessada, focada na procura de mais conhecimento e de oportunidades de aprendizagem.
Através deste relatório, referente ao período entre 10 de setembro de 2018 e 17 de maio de 2019, pretendo partilhar uma descrição sucinta das atividades desenvolvidas em cada um dos seis estágios parcelares obrigatórios realizados nos últimos nove meses, apresentados por ordem cronológica, assim como alguns objetivos específicos que considerei pertinente referir; menciono ainda algumas atividades de âmbito extracurricular que considero terem contribuído para a minha formação e construção como futura médica. Por fim termino com uma reflexão crítica ao definir quais os objetivos que foram cumpridos e lançando um olhar crítico sob o percurso formativo realizado por mim no 6º ano. Em anexo encontram-se os certificados das atividades mencionadas ao longo deste documento.
a. GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA – 10 de setembro a 4 de outubro de 2018
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia decorreu ao longo de quatro semanas e foi realizado no Hospital Beatriz Ângelo, sob tutela da Drª Sandra Barreto. Ao abrigo da ficha de Unidade Curricular (UC) e na sequência do estágio realizado no 4º ano desta mesma especialidade, tracei alguns objetivos específicos como o desenvolvimento do raciocínio clínico e sistematização da abordagem, diagnóstico e terapêutica das patologias mais comuns da área da Ginecologia e Obstetrícia. O ganho de experiência e autonomia na realização de procedimentos básicos da especialidade, como o exame ginecológico foi também algo que tentei alcançar. Fui inserida em múltiplas valências de uma forma organizada e rotatória, o que me permitiu adquirir uma visão abrangente e alargada da especialidade; acompanhei a minha tutora e diversos membros da sua equipa em consultas de Ginecologia, assim como de Obstetrícia, onde acompanhei o seguimento da grávida. Presenciei também consultas de foro específico, como a consulta de Obstetrícia de Alto Risco, o que me possibilitou seguir gravidezes gemelares e mesmo uma gravidez trigemelar; a consulta de Senologia foi também outra das valências abordadas, na qual pude presenciar algumas situações de transmissão de más notícias, o que foi extremamente pedagógico para a minha formação. Tive ainda a oportunidade de presenciar a realização de métodos de diagnóstico e rastreio, como ecografias, quer obstétricas quer ginecológicas, e ainda colposcopias, e estive semanalmente na enfermaria, onde treinei o exame objetivo na mulher grávida e na puérpera. Observei procedimentos ginecológicos e cesarianas no bloco operatório e realizei 12 horas semanais de urgência, onde observei 12 partos eutócicos e distócicos e pude ver um vasto leque de patologia ginecológica e obstétrica sob a sua forma aguda. Fui ainda inserida nas reuniões semanais do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, nas quais apresentei um trabalho sobre “Endometrioma-related reduction in ovarian reserve: a prospective longitudinal study”, em contexto de Journal club.
b. SAÚDE MENTAL – 8 de outubro a 30 de outubro de 2018
O estágio parcelar de Saúde Mental, decorrido ao longo de quatro semanas, foi realizado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, e tive a oportunidade de integrar a equipa médica da Clínica 5, sob a orientação da Drª Amélia Aleixo. Pelo facto de ter concretizado a unidade curricular de Psiquiatria do 5º ano no Programa ERASMUS (Polónia), na qual pouco contatei com a prática clínica e tive uma diminuta experiência de vivência hospitalar, um dos meus objetivos específicos para este estágio foi o de aumentar o contato com o doente psiquiátrico, sobretudo na valência do internamento. Outro dos objetivos específicos foi a aquisição e treino de técnicas de abordagem ao doente psiquiátrico, nomeadamente no processo de realização de entrevista clínica e exame do estado mental. Ao longo deste estágio acompanhei a equipa médica no internamento da Clínica 5, onde surgiram múltiplas oportunidades para observar e participar em
entrevistas clínicas, procurando conhecer e aprofundar a história individual dos doentes, os motivos que os levaram a recorrer ao serviço de urgência, e ainda a sua evolução ao longo do internamento. Neste último tive a oportunidade de acompanhar doentes com patologias psiquiátricos como esquizofrenia e doença bipolar. Estive ainda presente na consulta externa de Psiquiatria Geral, onde acompanhei uma grande variedade de patologias psiquiátricas como perturbação afetiva bipolar, quadros depressivos, perturbações de personalidade e quadros de oligofrenia, o que me possibilitou a aquisição de uma visão alargada da especialidade. Além disso pude presenciar as reuniões de serviço da Clínica 5, realizadas duas vezes por semana, a primeira mais incidente na apresentação e discussão dos doentes internados à data, e a segunda dedicada à discussão de temas logísticos relacionados com o serviço, como consultas e auditorias. Tive ainda oportunidade de passar pelo serviço de urgência do Hospital S. José, onde observei por múltiplas vezes a abordagem ao doente com patologia psiquiátrica descompensada assim como o processo do seu internamento, algo que não presenciava tão frequentemente nas restantes valências da especialidade. Por fim realizei a colheita de uma história clínica de um doente com esquizofrenia.
c. MEDICINA GERAL E FAMILIAR – 5 a 30 de novembro de 2018
O estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar teve a feliz particularidade de ser realizado num ambiente rural, implicando a minha deslocação e residência em Coruche. Fui inserida durante quatro semanas no serviço da Unidade de Saúde Familiar (USF) Vale Sorraia, sob tutela do Dr. Carlos Ceia, chefe do serviço da respetiva USF. Alguns dos objetivos específicos que estabeleci foram a adoção de uma abordagem centrada no doente e identificação e gestão dos problemas de saúde mais frequentes na população portuguesa. Além disso tentei familiarizar-me com o registo de problemas de acordo com o modelo SOAP, desenvolver alguma autonomia clínica e ainda perceber quais os problemas/desafios inerentes ao exercício da especialidade num ambiente rural como o de Coruche. Com este estágio tive a oportunidade de presenciar e participar nas várias vertentes da Medicina Geral e Familiar, nomeadamente na Saúde Infantil, Planeamento Familiar, Saúde Materna, Saúde do Adulto, Consulta de Doença Aguda, Apoio Domiciliar e ainda no Serviço de Atendimento Permanente da USF Vale Sorraia. Neste último pude praticar técnicas gerais, como sutura de pequenas feridas, realização de eletrocardiogramas, e foi potenciada a aquisição de competências e conhecimentos clínicos em contexto de doença aguda, algo que foi extremamente enriquecedor. Quando em consulta, numa fase inicial o meu papel era o de observar e auxiliar na realização do exame objetivo, tendo evoluído para a liberdade de realizar a consulta de uma forma autónoma, com supervisão e posteriormente sozinha. Esta evolução contribuiu para uma aprendizagem por resolução de problemas, visto que tentava colmatar lacunas de conhecimento que apareciam diariamente com estudo teórico e auxílio do meu tutor, o que considero ser uma boa forma de aprendizagem, juntamente com o “aprender fazendo”. Aprendi e executei técnicas com as quais ainda não estava familiarizada, como a otoscopia, exame físico do lactente e rastreio do pé
diabético. Além disso participei no programa “1 Minuto de Saúde” da Rádio Voz do Sorraia, onde abordei temas como acne e roncopatia ao longo de um minuto, tendo como alvo principal a população idosa.
d. PEDIATRIA – 2 de dezembro de 2018 a 11 de janeiro de 2019
O estágio parcelar de Pediatria, com duração de quatro semanas, foi realizado no Hospital D. Estefânia, mais especificamente no Serviço 1.1. de Pediatria Médica, sob a orientação do Dr. António Bessa de Almeida. Alguns dos objetivos específicos incluíram conhecer os princípios gerais da atuação nas doenças mais comuns da criança e adolescente, abrangendo urgências e emergências, assim como o treino da abordagem ao doente pediátrico, incluindo a colheita de história clínica e realização do exame objetivo. As valências maioritariamente vivenciadas foram o serviço de urgência e consulta externa. No que toca ao serviço de urgência, passei cerca de 42 horas no mesmo, tendo observado a abordagem primária ao doente pediátrico agudo e a referenciação ou não para ambulatório ou internamento; além disso pratiquei em múltiplas ocasiões o exame objetivo, a discussão de hipóteses de diagnóstico e marcha diagnóstica, e ainda do plano terapêutico. Observei sobretudo patologias infeciosas virais, predominantemente do trato respiratório superior. Estive presente na consulta externa de Pediatria Médica, onde foi possível observar patologias como osteogénese imperfeita e consolidar alguns conhecimentos teóricos; presenciei ainda a consulta de Imunoalergologia, o que me permitiu o contato com patologias como asma e rinoconjutivite alérgica, assim como com a realização de testes epicutâneos e testes de sensibilidade cutânea. Por fim, no que toca ao internamento, uma valência que não esteve tão presente neste estágio, pude acompanhar a visita aos doentes, com colheita de anamnese e realização de exame objetivo, e elaborei de forma autónoma uma história clínica de um lactente com bronquiolite. Tomei ainda parte de reuniões diárias, onde todos os serviços subordinados à Pediatria Médica estão presentes, e os novos doentes “entrados” são apresentados e discutidos; participei também em sessões clínicas, de caráter semanal. Foi-nos ainda lecionado um workshop de emergências pediátricas, e na última semana de estágio apresentei um trabalho de tema “Vegetarianismo na idade pediátrica”.
e. CIRURGIA GERAL – 21 de janeiro a 15 de março de 2019
O estágio parcelar de Cirurgia Geral foi realizado no Hospital da Luz sob a tutela do Dr. João Rebelo Andrade, e teve a duração de oito semanas. Destas, duas foram dedicadas a aulas teóricas e teórico-práticas, que incluíram ainda o curso Trauma Evaluation and Management (TEAM); outras duas semanas foram atribuídas a uma componente opcional, que no meu caso foi de Anestesiologia, e as restantes cinco semanas foram dedicadas exclusivamente à especialidade de Cirurgia Geral. No que toca a objetivos específicos, estes passaram pelo reforço de conhecimentos anatómicos e das principais patologias cirúrgicas, incluindo respetiva etiopatogenia, semiologia, formas de diagnóstico e tratamento, e ainda o saber identificar e distinguir as situações clínicas com indicação cirúrgica eletiva e urgente. Outros objetivos incluíram a prática
de técnicas de pequena cirurgia e de desinfeção. A componente preponderante deste estágio parcelar foi o bloco operatório, tendo observado a realização de 21 cirurgias e participado em outras 11, como 1ª e 2ª ajudante. Alguns dos procedimentos mais frequentemente executados foram colecistectomias por via laparoscópica, a reparação de hérnias da parede abdominal, a excisão de sinus pilonidalis e ainda hemorroidectomias. Outra das valências experienciadas foi a de consulta externa que incidiu sobretudo na avaliação da evolução clínica dos doentes no pós-operatório; assisti igualmente a primeiras consultas de doentes com patologia cirúrgica, como patologia herniária, biliar e hemorroidária. Com uma frequência semanal ocorriam reuniões multidisciplinares, com a presença de cirurgiões, oncologistas, anatomo-patologistas, imagiologistas e gastroenterologistas, onde eram apresentados e discutidos casos clínicos de modo a se chegar uma melhor decisão terapêutica. Por fim não posso deixar de mencionar as duas semanas em que acompanhei a Drª Cristina Pestana, anestesiologista, tendo tido a oportunidade de praticar múltiplas técnicas como a ventilação com máscara de ambu, entubação laríngea e orotraqueal, bem como realização de gasimetrias arterias.
f. MEDICINA INTERNA – 18 de março a 17 de maio de 2019
O estágio parcelar de Medicina Interna, constituído por oito semanas, foi realizado no Hospital S. Francisco Xavier, tendo como orientadora a Drª Alice Sousa. Alguns dos meus objetivos pessoais incluíram o ganho de autonomia no que diz respeito a procedimentos clínicos básicos da Medicina Interna, juntamente com a integração de conhecimentos das principais áreas médicas, adquiridos ao longo do curso, permitindo o diagnóstico e terapêutica de situações clínicas de maior importância em Portugal, assim como a hierarquização das situações de maior emergência para o doente. Ao integrar a equipa médica da Drª Alice foram-me dadas responsabilidades semelhantes a um jovem médico em fase de formação geral, sempre com um bom suporte por parte da restante equipa. Uma parte primordial das oito semanas foi dedicada à enfermaria do serviço de Medicina IV, onde contatei diariamente com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionistas e auxiliares, algo que não tinha sucedido de forma tão frequente em estágios prévios e que considerei fundamental para o desenvolvimento das minhas capacidades de trabalho de equipa. Foram-me atribuídos doentes, com uma média de dois doentes por dia, sendo da minha responsabilidade a visualização das suas vigilâncias, a sua observação, que incluía anamnese e exame objetivo, o registo da mesma sob a forma de diário clínico, a visualização de resultados/prescrição de métodos complementares de diagnóstico, e por fim a sugestão de um plano terapêutico. No fim de cada manhã a equipa médica procedia à discussão de cada doente e respetivos plano, momento que me permitiu exercitar as minhas capacidades de exposição e comunicação. Tive também a oportunidade de redigir notas de entrada e notas de alta, assim como de contatar com as famílias, sendo responsável pela sua atualização em diversas circunstâncias. Para além da valência do internamento, observei e participei nas consultas externas de Medicina Interna, Geriatria e Patologia Médica na Grávida; estive ainda presente em múltiplos
turnos noturnos do Serviço de Urgência, onde assisti à abordagem do doente agudo. Participei nas visitas médicas semanais do serviço, apresentando doentes, e por fim assisti a duas sessões clínicas semanalmente, onde eram apresentados casos clínicos ou artigos de revisão. Na última semana de estágio tive a oportunidade de participar em uma das sessões clínicas e apresentar a todo o serviço um trabalho sobre Enxaqueca, tema escolhido pelo diretor de serviço, o Professor Doutor Luís Campos.
Ao longo do meu percurso dos últimos 6 anos esforcei-me para não me cingir apenas à componente académica, restrita a aulas e estágios clínicos, tendo procurado sempre Fazer e Ser mais. Tentei Saber mais, ao aprofundar alguns temas médicos ao longo do 6º ano através de palestras e congressos, das quais realço as Jornadas de Formação da Unidade Coordenadora Funcional (UCF) - Vertente Saúde da Criança e do Adolescente “Desafios”, do Hospital D. Estefânia e palestras como “Ansiedade,: do sintoma ao síndrome”, “Cancro do Pulmão: rastreio e diagnóstico” e “Avaliação inicial da patologia da coluna vertebral e critérios de referenciação”, fornecidas pelo Hospital da Luz. Procurei Aprender mais ao participar em estágios extracurriculares nacionais e internacionais, nomeadamente no Curto Estágio Médico em Férias em Medicina Geral e Familiar, na USF Gama de Torres Vedras e num Intercâmbio Clínico da International Federation of Medical Students’ Association, em Neurocirurgia na Bulgária; destaco ainda a minha participação no Programa ERASMUS, na cidade de Bydgoszcz, Polónia. Todas estas atividades permitiram-me o contato com diferentes sistemas de saúde, diferentes métodos de trabalho e sem dúvida, diferentes culturas. Esforcei-me para Contribuir mais, sobretudo para a comunidade estudantil da NMS|FCM, pelo que aceitei o desafio de integrar a Associação de Estudantes por dois anos consecutivos, o primeiro como coordenadora do Departamento de Ação Social e o segundo como coordenadora do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva; tive o privilégio de criar e coordenar projetos de voluntariado, oferecer palestras com temáticas importantes de serem discutidas pelos estudantes, organizei workshops e representei a Faculdade de Ciências Médicas em diversos departamentos da Associação Nacional de Estudantes de Medicina. Tive ainda o enorme prazer de coordenar a primeira participação da NMS|FCM num projeto da Faculdade de Medicina de Lisboa, denominado de Natal Diferente, que tem lugar na véspera de Natal, onde são distribuídos presentes em diversos hospitais ao longo do país. Todas estas atividades permitiram o crescimento de caraterísticas como liderança, proatividade e capacidade de trabalho de equipa, assim como o desenvolvimento de competências como a gestão de tempo e resolução de problemas, para além de que me foi dado o privilégio de deixar um pouco da minha marca no percurso desta instituição. A participação como voluntária em diversos projetos também foi extremamente importante para mim ao longo da minha formação, nos quais procurei Dar mais, destacando ter feito parte do projeto Saúde Porta a Porta, entre outras atividades, essenciais para complementar a minha formação médica.
Findo o Estágio Profissionalizante de 6º ano, considero ter cumprido os objetivos globais traçados inicialmente; a minha passagem por cada um dos estágios parcelares, de uma forma empenhada e motivada, permitiu-me consolidar conhecimentos e competências que me possibilitarão o início de uma carreira médica com uma base sólida para continuar a aprender e ao mesmo tempo exercer com o mínimo de autonomia espectável e necessário. Impera a necessidade de analisar de uma forma crítica cada um dos seis Estágios Parcelares realizados ao longo do ano, pelo que passarei agora para a enumeração de alguns pontos positivos e negativos. O Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia foi frutífero: o rácio de aluno – tutor 1:1 foi um fator determinante para o treino de procedimentos clínicos básicos, como o exame ginecológico; a passagem por várias valências da especialidade, desde diversos subtipos de consulta externa à enfermaria, passando pela realização semanal de 12 horas de serviço de urgências, permitiu-me o confronto com vários tipos de patologias e doentes, fatores determinantes para o crescimento de algumas competências clínicas da minha parte. Relativamente ao Estágio Parcelar de Saúde Mental, tendo a noção de que existiu uma falha na existência de uma componente prática na UC de Psiquiatria de 5º ano, realizada na Polónia, acredito que este estágio serviu como ferramenta para a colmatar, muito graças à oportunidade de ter passado por diferentes contextos de prática clínica (internamento, consulta externa e serviço de urgência); todos eles tiveram impactos diferentes na minha aprendizagem e responderam a objetivos diversos, tendo sido, sem dúvida, complementares. Acrescento ainda o quão sensibilizada fui (mais uma vez) para a vertente humana da prestação de cuidados, pelo que foi contributo essencial para o meu crescimento pessoal. O Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar revelou-se como um estágio extremamente marcante, desafiante e prazeroso para mim, sobretudo pela forma como fui obrigada a desenvolver o meu raciocínio clínico e terapêutico através da condução autónoma de consultas de uma forma supervisionada; acrescento que visto que observar é diferente do fazer, o realizar o último consegui perceber qual o meu método de trabalho e identificar necessidades de aprendizagem, que tentei colmatar com as críticas construtivas do meu tutor. A oportunidade de ter vivido esta especialidade num ambiente rural permitiu-me ainda ganhar a perceção do quão limitados são os recursos, e de que muitas vezes a gestão do doente pode ser complexa. No que diz respeito ao Estágio Parcelar de Pediatria, o contato intensivo com o serviço de urgência pediátrico permitiu-me o treino do exapermitiu-me objetivo na criança e adolescente de uma forma regular; a presença na consulta externa de Pediatria Geral fez-me compreender (mais uma vez) a importância de um bom acompanhamento médico e sobretudo de um bom sistema de suporte familiar no domicílio. Lamento apenas a curta passagem pelo internamento, algo que se deveu à sobrecarga burocrática do meu tutor, advindo das suas funções de chefe de serviço. O Estágio Parcelar de Cirurgia Geral foi maioritariamente constituído pela valência do bloco operatório, onde tive a oportunidade de participar em diversas cirurgias e treinar algumas das componentes
técnicas das mesmas, algo que considero um ponto positivo. No entanto destaco como ponto negativo a ausência de valências como o serviço de urgência, onde gostaria de ter tido a oportunidade de treinar suturas cirúrgicas, algo que será essencial para a minha prática futura, especialmente num momento tão breve como o internato do ano comum; o mesmo se aplica ao internamento, cujo acesso por parte dos alunos de 6º foi nulo, o que nos impediu de acompanhar o doente no seu status pós-operatório imediato. Por fim, o Estágio Parcelar de Medicina Interna, à semelhança do de Medicina Geral e Familiar, revelou-se outro dos estágios mais desafiantes, gratificantes e enriquecedores deste ano: a oportunidade de ter sido integrada numa equipa médica, onde vivenciei o dia-a-dia de uma enfermaria com um papel a desempenhar, o qual era valorizado, e com responsabilidades próprias, deu-me um sentido de responsabilidade enorme. Ademais o confronto com questões humanas e éticas com as quais não tinha sido confrontada previamente, foi fulcral para o crescimento das minhas aptidões interpessoais e humanas. O meu raciocínio clínico foi ainda extremamente estimulado, e o objetivo de consolidar conhecimentos foi maioritariamente atingido. Destaco ainda a perceção que obtive das dificuldades sociais presentes nas enfermarias de Medicina Interna, e da sua complicada resolução. As atividades de associativismo e voluntariado permitiram-me o desenvolvimento de outras caraterísticas que considero essenciais e complementares para um bom perfil como profissional de saúde, como a capacidade de resolução de problemas e espírito de liderança.
Finalizo o 6º ano com a certeza de que cimentei as minhas bases teóricas, treinei competências práticas, o que contribuiu para a minha formação como futura profissional de saúde, independentemente da especialidade que venha a desempenhar. É com um enorme sentido de responsabilidade que veio a crescer nos último seis anos e com uma grande vontade de continuar a aprender e crescer, de fazer mais e melhor que finalizo a formação pré-graduada, com o último fim de contribuir para a prestação de cuidados de saúde com brio e profissionalismo. Não posso deixar de expressar a minha enorme gratidão a todas as pessoas que contribuíram para a minha (constante) aprendizagem e evolução como estudante de Medicina e pessoa: aos meus tutores e docentes, pela paciência e exemplo, aos amigos, que tornaram este caminho menos difícil, aos doentes que ao partilhar as suas histórias comigo me fizeram sentir pequena e humilde. Por fim, um profundo agradecimento aos meus pais, que perante uma filha portadora de surdez bilateral nunca deixaram de lutar por mim, sempre com uma enorme coragem; dotaram-me com uma perspetiva sempre positiva e inclusiva no que toca à minha condição, base fundamental para o crescimento das minhas capacidades de empatia, um fenómeno que o Professor Doutor João Lobo Antunes tão bem soube descrever, de uma forma tanto simples como certeira, e por isso o cito no início deste documento. Posso genuinamente afirmar que sem os meus pais não estaria a concluir esta etapa, e não poderia dizer que me formo como Mestre de Medicina pela NMS|FCM.
• ANEXO I: Cronograma dos estágios parcelares realizados no 6º ano (2018/19).
• ANEXO II: Trabalhos realizados ao longo do 6º ano no âmbito dos estágios parcelares.
ESTÁGIOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS:
• ANEXO III: Programa ERASMUS – Nicolaus Copernicus University | Collegium Medicum in Bydgoszcz (Polónia) [2018].
• ANEXO IV: Programa de Intercâmbio Clínico pela International Federation of Medical Students’ Association – Neurocirurgia, Sófia em Bulgária [2018].
FORMAÇÕES E CONFERÊNCIAS:
• ANEXO V: Trauma Evaluation and Management – Estágio Parcelar de Cirurgia Geral [2019].
• ANEXO VI: Cancro do Pulmão: Rastreio e Diagnóstico Precoce – Learning Health |Hospital da Luz [2019].
• ANEXO VII: Jornadas de Formação da Unidade Coordenadora Funcional (UCF) - Vertente Saúde da Criança e do Adolescente “Desafios” - Hospital D. Estefânia [2019]
• ANEXO VIII: Avaliação Inicial da patologia da coluna vertebral e critérios de referenciação – Learning Health |Hospital da Luz [2019].
• ANEXO IX: Ansiedade, do sintoma ao síndrome – Learning Health |Hospital da Luz [2019].
ATIVIDADE ASSOCIATIVA:
• ANEXO X: Coordenadora do Departamento de Ação Social da Associação de Estudantes da NMS|FCM e representante da NMS|FCM no departamento de Direitos Humanos e Paz da Associação Nacional de Estudantes de Medicina [2016].
• ANEXO XI: Membro da Comissão Organizadora do Natal Diferente, em colaboração com a Faculdade de Medicina de Lisboa [2016].
• ANEXO XII: Coordenadora do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva da Associação de Estudantes da NMS|FCM e representante da NMS|FCM no departamento de Saúde Reprodutiva e Sexual da Associação Nacional de Estudantes de Medicina [2017].
PROJETOS DE VOLUNTARIADO:
• ANEXO XIII: Participação no projeto Saúde Porta a Porta [2015/2016].
V. ANEXOS
ANEXO I: Cronograma dos estágios parcelares realizados no 6º ano (2018/19).
ESTÁGIO
PARCELAR REGENTE
PERÍODO DE
ESTÁGIO LOCAL TUTOR
Ginecologia e Obstetrícia Professora Doutora Teresinha Simões 10 Setembro – 4 Outubro 2018 Hospital Beatriz Ângelo Drª Sandra Barreto
Saúde Mental Professor Doutor Miguel Talina 8 – 30 Outubro 2018
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa Drª Amélia Aleixo Medicina Geral e Familiar Professora Doutora Isabel Santos 5 – 30 Novembro 2018
USF Vale Sorraia -
Coruche Dr. Carlos Ceia
Pediatria Professor Doutor Luís Varandas 2 Dezembro 2018 – 11 Janeiro 2019 Hospital D. Estefânia Dr. António Bessa de Almeida
Cirurgia Geral Professor Doutor Rui Maio 21 Janeiro – 15 Março 2019 Hospital da Luz Dr. João Rebelo de Andrade
Medicina Interna Fernando Nolasco Professor Doutor 18 Março – 17 Maio 2019 Francisco Xavier Hospital S. Drª Alice Sousa
ANEXO II: Trabalhos realizados ao longo do 6º ano no âmbito dos estágios parcelares.
ESTÁGIO
PARCELAR TEMA E AUTORES
Ginecologia e Obstetrícia
Journal Club: “Endometrioma - related reduction in ovarian reserve (ERROR): a
prospective longitudinal study”
- Ana Carolina Tim-Tim, Inês Miranda Paulo, Rita Ferreira
Saúde Mental História clínica de caso de esquizofrenia - Rita Ferreira
Medicina Geral e Familiar
Gravação de 5 temas (hemorroidas, rastreio colo-rectal, roncopatia, acne e stress) no programa “1 Minuto de Saúde” na Rádio Voz do Sorraia.
Pediatria
Apresentação de trabalho: Vegetarianismo em idade pediátrica. - Inês Caetano, José Fernandes, Joaquín Gorrisen, Rita Ferreira
História clínica de caso de bronquiolite aguda. - Rita Ferreira
Cirurgia Geral
Apresentação de caso clínico: “Fundoaplicatura de Nissen: de borboletas na barriga a um nó no estômago”
- Daniely Roberto, Luísa Alchaar, Maria Estevans, Rita Ferreira
ANEXO III: Programa ERASMUS – Nicolaus Copernicus University | Collegium Medicum in Bydgoszcz
ANEXO IV: Programa de Intercâmbio Clínico pela International Federation of Medical Students’
ANEXO V: Trauma Evaluation and Management – Estágio Parcelar de Cirurgia Geral [2019].
ANEXO VI: Cancro do Pulmão: Rastreio e Diagnóstico Precoce – Learning Health |Hospital da Luz
ANEXO VII: Jornadas de Formação da Unidade Coordenadora Funcional (UCF) - Vertente Saúde da
Criança e do Adolescente “Desafios” - Hospital D. Estefânia [2019]
ANEXO VIII: Avaliação Inicial da patologia da coluna vertebral e critérios de referenciação – Learning
ANEXO IX: Ansiedade, do sintoma ao síndrome – Learning Health |Hospital da Luz [2019].
ANEXO X: Coordenadora do Departamento de Ação Social da Associação de Estudantes da NMS|FCM
e representante da NMS|FCM no departamento de Direitos Humanos e Paz da Associação Nacional de Estudantes de Medicina [2016].
ANEXO XI: Membro da Comissão Organizadora do Natal Diferente, em colaboração com a Faculdade
de Medicina de Lisboa [2016].
ANEXO XII: Coordenadora do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva da Associação de
Estudantes da NMS|FCM e representante da NMS|FCM no departamento de Saúde Reprodutiva e Sexual da Associação Nacional de Estudantes de Medicina [2017].