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Relatório Final de Estágio Profissional

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Academic year: 2021

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL

- Análise do tempo de aula e comportamento do professor numa

unidade didática de dança

-Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e do Decreto-lei nº43/2007 de 22 de Fevereiro.

Orientador: Mestre Maria Lurdes Tristão Ávila Carvalho

Ana Paula Oliveira Rodrigues Porto, setembro de 2012

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Ficha de Catalogação

Rodrigues, A. (2012). Relatório de Estágio Profissional. Análise do tempo de aula e comportamento do professor numa unidade didática de dança. Porto: A. Rodrigues. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, REFLEXÃO, DESENVOLVIMENTO

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“ O Valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisa inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”.

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A

GRADECIMENTOS

A minha orientadora, Professor Lurdes Ávila Carvalho, pelo apoio, disponibilidade e compreensão no desenrolar de todo este percurso.

Ao Professor Cooperante, António Portela, pelo acompanhamento, objetividade e sinceridade, bem como pela confiança e autonomia concedidas, e todo o conhecimento transmitido.

À Turma do 9ºA, por me ter feito sentir Professora de Educação Física, no verdadeiro sentido da palavra, vivenciando os sentimentos mais positivos que envolvem esta profissão.

Ao Grupo de Educação Física da escola, pelo acolhimento e disponibilidade demonstrada em todos os momentos.

As minhas queridas amigas e companheiras de curso Mourinha e Catarina, por toda a paciência, compreensão, apoio e amizade, com que me acompanharam ao longo deste 5 anos de formação, sem elas não teria sido a mesma coisa.

Ao meu grupo de dança “NextLevel”, pela compreensão em alguns momentos de menor disponibilidade.

Ao meu amigo de sempre, Paulo, pelos concelhos e experiência transmitidos, num dos maiores desafios da minha vida. E a todos os meus amigos, Piaira, Joana Prata, Teles, Matos, Eduarda, que apenas pela sua presença, me ajudaram a ultrapassar com sucesso todo este processo

Á minha Irmã Ana Sofia, por se mostrar sempre disponível para ouvir os meus desabafos depois de um dia na escola.

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As pessoas mais importantes da minha vida, pais e irmãs, aos quais devo tudo o que conquistei, pois apesar de todas as dificuldades sempre me apoiaram e permitiram que lutasse pelos meus objetivos.

E a todos que não referi, mas que fazem parte da minha vida e interferiram neste percurso.

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ÍNDICE GERAL Agradecimentos . . . . IV Índice . . . . VI Resumo . . . . XIII Abstract . . . XV Abreviaturas . . . XVII 1. Introdução. . . . . . . 3

1.1 - Caracterização Geral do Estágio e o(s) respetivo(s) objetivo(s). 5

1.2 – Finalidade e processo de realização do relatório. . . . .6

2. Enquadramento Biográfico. . . . . . 9

2.1 – Dados Pessoais. . . . . . . . 11

2.2 - Expectativas iniciais em relação ao estágio profissional. . 12

3. Enquadramento da Prática Profissional. . . . . . 15

3.1 – Referências ao Contexto legal, Institucional e Funcional. . 17

3.2 - Caracterização da Escola Secundária 2/3 de Águas Santas. 18

3.2.1 – Grupo de Educação Física. . . 19

3.2.2 – A minha Turma : 9ºA. . . . 20

3.3 – Ser Professor. . . 22

3.3.1 – Relação Professor/Aluno. . . . 23

4. Realização da Prática Profissional. . . . . . . 25

4.1 – Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem. 27 4.1.1 – Conceção. . . . . . 28

4.1.2 – Planeamento. . . . . . . . . 31

4.1.3 – Realização. . . . 36

4.1.3.1 – O 1º Confronto. . . 36

4.1.3.2 – As minhas Grandes Preocupações. . . . 37

4.1.3.3 – Gestão do Tempo de Aula. . . . . . 40

4.1.3.4 – Modelo de Educação Desportiva: Futebol. . . 41

4.1.3.5 – Unidade Didática de Dança. . . . 49

4.1.4 – Avaliação. . . 52

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4.2.1 – Atividades Realizadas pelo Grupo de Educação Física. 58

4.2.2 – Atividades Realizadas pelo Núcleo de Estágio. . . 61

4.2.3 – Desporto Escolar e Novas Oportunidades. . . . 69

4.3 – Área 4 – Desenvolvimento Profissional. . . 72

4.3.1 - Estudo: Análise do tempo de aula e comportamento do professor numa unidade didática de dança. . . . 73

4.3.1.1 – Resumo. . . . 73 4.3.1.2 – Introdução. . . . 74 4.3.1.3 – Métodos. . . . 78 4.3.1.3.1 – Amostra. . . . . . . . 78 4.3.1.3.2 – Metodologia. . . .79 4.3.1.3.3 – Análise Estatística. . . . 82

4.3.1.4 – Apresentação e Discussão de Resultados. . 82

4.3.1.5 – Conclusões. . . . . . . . . 91

4.3.1.6 – Bibliografia. . . .92

5 - Conclusões e Perspectivas para o Futuro. . . . . 97

Referências Bibliográficas. . . . . . . . 101

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – Turma 9ºA . . . . . 20

Figura 2 – “Os Caipirinhas”- MED. . . . . . 49

Figura 3 – Aspetos positivos da Ficha de Apreciação Final . 57

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ÍNDICE DE QUADROS

QUADRO 1 – Tabela de distribuição - minutos de observação do estudante estagiário com e sem experiência. . . . . . . . . 80

QUADRO 2 – Valores descritivos e inferenciais das categorias de análise da ficha de Análise do Tempo de Aula, nos três momentos de observação de acordo com os dois professores observados (com experiência e sem experiência na área da dança). . . . . . . . .83

QUADRO 3 – Valores descritivos e inferenciais das categorias de análise da do Sistema de Observação do Comportamento do Professor, nos três momentos de observação de acordo com os dois professores observados (com experiência e sem experiência na área da dança). . . . 88

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ÍNDICE DE ANEXOS

Anexo 1 – Manual TECA - MED . . . . ii

Anexo 2 – Ação de Formação: “ O ensino da dança na escola”. . . xxvi

Anexo 3 - Unidade Didática de Dança (Ávila-Carvalho & Lebre, 2011). xxvii

Anexo 4 – Panfleto informativo do II Sarau AESCAS . . . . . xxx

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RESUMO

O Relatório de Estágio apresenta-se como o espelho da minha prática profissional enquanto estudante estagiária na Escola Secundária 2/3 de Águas Santas. Este encontra-se inserido na disciplina Estágio Profissional do segundo ano do segundo Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em ensino de Educação Física da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

O estágio desenvolveu-se em três áreas de desempenho: I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; II. Participação na escola e Relação com a comunidade; e III. Desenvolvimento profissional. Foi com base numa reflexão sobre todo o trabalho realizado em cada uma destas áreas que realizei este relatório.

A divisão do Relatório de Estágio é feita em 5 capítulos: 1- Introdução, na qual é apresentada uma caracterização geral do Estágio Profissional, bem como a finalidade e estrutura do Relatório; 2- Enquadramento Biográfico, onde descrevo o meu percurso e as razões que me levaram a querer ser Professor a de Educação Física, e ainda as expectativas em relação a este ano de Estágio; 3- Enquadramento da Prática Profissional, onde são apresentados os contextos legais, institucionais e funcionais do Estágio Profissional; 4- Realização da Prática Profissional, que assenta nas 3 áreas de desempenho que orientam todo o processo de estágio, e na qual está presente também o projeto de estudo, onde concluímos que o tempo de “Prática” é superior no Estudante Estagiário (EE) sem experiência na dança, enquanto o EE com experiência nesta área apresenta um maior tempo de “Instrução” e “Organização da Classe”, relativamente ao comportamento dos professores, o mais registado foi o de “Observação”, principalmente nas aulas do EE sem experiência na dança, e a emissão de “Feedbacks”, foi mais elevada nas aulas do EE com experiência na modalidade; 5- Conclusão de todo o ano de estágio.

Ao longo destas páginas estão então descritos todos os momentos inesquecíveis que vivenciei, nesta minha primeira experiência enquanto professora de Educação Física

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P

ALAVRAS

-C

HAVE

:

ESTÁGIO

PROFISSIONAL, REFLEXÃO,

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ABSTRACT

The Praticum Report presents itself as the mirror of my professional practice as an intern student in the Secondary School 2/3 of Àguas Santas. This is inserted in the discipline Professional Internship of the second year of the second cycle of studies leading to Master’s degree in Teaching Physical Education, Faculty of Sport, University of Porto

The internship developed in three areas of performance: I. Organization and Management of Teaching and Learning; II. Participation in school and relationship with the community; III. Professional development. It was based on a reflection of all the work done in each of these areas that I conducted this report.

The division of Training Report is made in 5 chapters: 1 - Introduction, which presents a general characterization of Professional Practice, and the purpose and structure of the Report; 2 - Biographical Background, where I describe my journey and the reasons led me to want to be Professor of Physical Education, and yet the expectations for this year's; 3 - a Framework for Professional Practice, which presents the legal, institutional and functional contexts of a Professional Practice, 4 - Implementation of Professional Practice, which is based on three areas of performance that guide the entire proc ess stage, and including the present study, where we conclude that the time of "Practice" is superior in EE without experience in dance while the EE with experience in this area has longer "Instruction" and "Organization of Class", in relation to the behavior of teachers, as was recorded in the "Note", mainly in classes from EE no experience in dance, and issue of "feedbacks", was higher in classes with experience in EE mode; 5 - Conclusions and expectations of all year internship. Throughout these pages are then described all the unforgettable moments that I experienced, in my first experience as a Physical Education teacher.

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A

BREVIATURAS

ATA- Análise do Tempo de Aula

CNO – Centro de Novas Oportunidades

EEFEBS - Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário EE- Estudante Estagiário

EF - Educação Física EP - Estágio Profissional

ESAS – Escola Secundária de Águas Santas

FADEUP - Faculdade de Desporto da Universidade do Porto IMC – Índice de Massa Corporal

MEC – Modelo de Estrutura do Conhecimento MED - Modelo de Educação Desportiva

NE- Núcleo de Estágio LP - Língua Portuguesa

PFI - Projeto de Formação Individual RE - Relatório de Estágio

UD- Unidade Didática

UDD- Unidade Didática de Dança UT- Unidade Temática

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1-Introdução

O Relatório de Estágio (RE) consiste num documento fundamental para a conclusão da unidade curricular Estágio Profissional (EP) do Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), no ano letivo 2011/2012.

Este documento pretende ser uma imagem da minha atuação enquanto profissional de Educação Física (EF), na gestão de todo o processo de ensino-aprendizagem, bem como uma reflexão da relação professor – aluno que desenvolvi ao longo de todo este processo, e ainda do papel de educadora que exerci tentando transmitir aos alunos de forma consciente ou não, os valores, normas, e padrões de comportamento da vida em sociedade.

Tudo isto resultará de uma reflexão ativa, consequente da minha auto-observação e análise, acerca do trabalho realizado ao longo do ano letivo.

Todo este trabalho não consistiu apenas, na transmissão dos conteúdos referentes às diversas modalidades desportivas, nem de todo o conhecimento adquirido nos 4 anos de formação académica, mas sim numa vivência completa do que é Ser Professor.

SER PROFESSOR

Ser professor é ser artista, malabarista, pintor, escultor, doutor, musicólogo, psicólogo... É ser mãe, pai, irmã e avó, é ser palhaço, estilhaço, É ser ciência, paciência... É ser informação, é ser ação. É ser bússola, é ser farol. É ser luz, é ser sol. Incompreendido?... Muito.

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Defendido? Nunca. O seu filho passou?... Claro, é um génio. Não passou? O professor não ensinou. Ser professor... É um vício ou vocação? É outra coisa... É ter nas mãos o mundo de AMANHÃ AMANHÃ os alunos vão-se... e ele, o mestre, de mãos vazias fica com o coração partido. Recebe novas turmas novos olhinhos ávidos de cultura e ele, o professor vai despejando com toda a ternura, o saber, a Orientação nas cabecinhas novas que amanhã luzirão no firmamento da Pátria. Fica a saudade... a Amizade. O pagamento real? Só na eternidade (Autor desconhecido)

Durante este ano de estágio pude confirmar que ser professor é tudo isto, e cada vez mais tenho a certeza que esta é a profissão que quero abraçar, apesar de todos as dificuldades que terei de enfrentar.

O RE é um documento fundamental para a conclusão Unidade Curricular EP, e será realizado em função do Projeto de Formação Individual (PFI), tarefa

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completada no início do ano, onde constam todas as minhas expectativas, dificuldades e objetivos referentes ao estágio, tendo como intuito orientar a minha prática profissional. Depois de concluída essa prática, posso então analisar de que forma essas expectativas e objetivos iniciais foram ou não alcançados, e as razões pelas quais levaram a que pudesse interpretar como conseguido ou não o que estava inicialmente estabelecido.

1.1. A caracterização geral do estágio e o(s) respetivo(s) objetivo(s)

O EP tem lugar numa escola protocolada com a FADE-UP, assumindo ambas as partes responsabilidade pelo mesmo, comprometendo-se a cumprir o estabelecido. Realiza-se no terceiro e quarto semestre do 2º ciclo de estudos, ou seja, durante um ano letivo completo. Este é concluído com a entrega e apresentação do Relatório de Estágio, numa das três datas definidas no início do ano.

“O EP visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. Estas competências profissionais, associadas a um ensino da Educação Física e Desporto de qualidade, reportam-se ao Perfil Geral de Desempenho do Educador e do Professor (Decreto‐lei nº 240/2001 de 17 de Agosto) e organizam-se nas seguintes áreas de desempenho:

I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; II. Participação na Escola e Relações com a comunidade; III. Desenvolvimento Profissional” (Matos, 2011b, pp.2).

As atividades realizadas no âmbito do EP são orientadas e supervisionadas, por um Professor Cooperante e um Professor Orientador, e todas elas

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inseridas numa das 3 áreas de desempenho, acima referidas, englobando assim as seguintes tarefas:

 Elaborar e apresentar o PFI;

 Prestar o serviço docente nas turmas designadas, realizando as tarefas de planificação, realização e avaliação inerentes;

 Participar nas reuniões dos diferentes órgãos da Escola, destinadas à programação, realização e à avaliação das atividades educativas;

 Participar nas sessões de natureza científica cultural e pedagógica, realizadas na Escola e na Faculdade;

 Elaborar e manter atualizado o portefólio do EP;

 Observar aulas regidas pelo professor cooperante e pelos colegas estagiários;

 Assessorar os trabalhos de direção de turma, de coordenação de grupo, e de departamento de modo a percorrer os diferentes cargos e funções do professor de Educação Física;

 Elaborar e defender publicamente o RE. (Matos, 2012)

Por todas as suas componentes, o EP aparece-nos como uma etapa bastante complexa, da qual devemos retirar o máximo de saberes e experiências. Mas para isso, a reflexão na e sobre a ação deve estar sempre presente, contemplando duas dimensões essências: formativa e pragmática, ou seja, uma prática reflexiva possibilita descoberta dos nossos conhecimentos e capacidades, bem como apresenta a nossa forma de agir (Alarcão, 2005).

1.2. Finalidade e processo de realização do relatório

Este documeno tem como finalidade descrever toda a atividade desenvolvida durante o EP, através de um perspectiva de (re) construção dos

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conhecimentos, refletindo sobre tudo o que caracterizou esta experiência inesquecivel, aspetos positivos e negativos.

Torna-se assim importante realçar e justificar alguns aspetos e acontecimentos mais marcantes de todo o percurso, e que influenciaram a minha prática profissional, fazendo-me alterar formas e maneiras de pensar e agir, em busca de uma prática eficaz.

O relatório encontra-se assim dividido em 5 partes. A primeira refere-se à caracterização geral do estágio, salientando os seus principais objetivos, finalidades e a forma como ele se processa. A segunda parte diz respeito ao enquadramento biográfico, onde descrevo todo o meu percurso até ao momento e as razões que me fizeram optar por este caminho. Ainda nesta parte refiro as expectativas com que parti para a realização do EP. Na terceira parte, será realizado o enquadramento da prática profissional, constando inicialmente uma caracterização legal e institucional do estágio; de seguida, uma caracterização da escola e meio envolvente, bem como do grupo de professores de EF e da turma que lecionei. Ainda nesta parte, será realçado o conceito de Ser Professor e em que fundamentos devem assentar a relação deste com os seus alunos. A quarta parte refere-se à realização da prática profissional, encontrando-se dividida em três áreas de desempenho, o que faz com que nela seja descrito todo o trabalho desenvolvido em cada uma das respetivas áreas. Nesta parte estará também presente o meu projeto de estudo, que assenta na aplicação de uma UD de dança. Na quinta e última parte efetuo um balanço geral de todo o EP, e do meu percurso enquanto estudante estagiário, bem como uma perspetiva dos meus objetivos para o futuro.

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2- Enquadramento Biográfico

2.1- Dados Pessoais

Foi no dia 15 de Agosto de 1989 que nasci, não fui a única que nasci nesse dia nem nesse mesmo quarto, pois cinco minutos antes tinha nascido a minha irmã gémea, eu fui a segunda. Chamo-me Ana Paula Oliveira Rodrigues, sou natural de Guimarães, uma cidade que adoro e na qual cresci. Tenho 22 anos e a Licenciatura em Ciências de Desporto pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Atualmente vivo no Porto por motivos profissionais e também porque frequento o 2º Ano do 2º Ciclo de Ensino de Educação Física e Desporto nos Ensino Básico e Secundário na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Considero-me uma pessoa ambiciosa e com vontade de crescer; não pretendo ser apenas mais uma pessoa no meio de tantos milhões. Os objetivos que tenho para a minha vida fizeram-me desde cedo saber quem eu sou, e traçar um percurso que quero cumprir, sempre com o apoio da minha família e amigos.

Não vou dizer que desde de criança pensei em estar ligada ao desporto para sempre, pois não é verdade. Apesar de praticar desporto des de os 10 anos, momento que entrei para o desporto escolar de Futsal e Aeróbia, nunca me passou pela cabeça fazer do desporto a minha vida.

Tudo começou a fazer sentido, quando aos 13 anos começa a nascer em mim a paixão pela dança, pois foi nesse ano que entrei para o ginásio, pela mão da minha professora de desporto escolar, e comecei a fazer aulas de dança, tudo isto ainda em Guimarães.

Com o passar do tempo deixaram de ser apenas aulas de dança, e passaram a ser o melhor momento do meu dia, e por isso fiz com que esta rotina pudesse ser diária.

Aos 15 anos comecei então a ajudar a minha professora de desporto escolar na coordenação do grupo e construção coreográfica e com isso

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começou a nascer o gosto de passar o meu conhecimento aos outros, e ver as crianças crescer com a dança.

Para consolidar a minha formação na área da dança, comecei aos 16 anos a vir para o Porto, onde conheci a cidade e fiz amizades.

Durante algum tempo, ainda pensei em ingressar na faculdade de dança em Lisboa, mas devido ao fato de conhecer o mundo da dança e saber que muito dificilmente essa formação me ajudaria a arranjar emprego, quando chegou a altura de decidir não tive dúvidas em pôr em primeira opção a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, pois a juntar ao facto de já conhecer a cidade, percebi que só esse curso me ajudaria a aumentar os meus conhecimentos sobre “como ensinar”, não especificamente dança, mas desde a motricidade mais elementar até à mais complexa modalidade.

Com a entrada na faculdade, vi muitos colegas meus deixarem para trás as suas práticas desportivas, mas para mim tal ato seria impensável, pois a dança é elemento essencial para a minha vida, e para me sentir bem comigo mesma. No entanto, não foi nada fácil conciliar estas duas partes fundamentais da minha vida, principalmente no primeiro ano de faculdade, em que saía das aulas completamente esgotada física e psicologicamente! Era um ritmo novo ao qual não estava habituada. A transição para o 2º ano foi marcada pela implantação do Processo de Bolonha, alterando por completo todos os planos de estudos previstos para os anos seguintes. Perante isto o segundo e terceiro anos foram mais calmos, mas o ritmo voltou a acelerar no ano passado (4º ano), em que nos foram ensinadas todas as componentes didáticas das diferentes modalidades, e tivemos, pela primeira vez, a oportunidade de contactar com a realidade Escolar.

Não tenho dúvidas, que a faculdade e a dança, me fazem crescer cada dia, tanto como pessoa, como estudante e futura professora, e também como bailarina.

2.2 - Expectativas iniciais em relação ao estágio profissional

O ano de estágio foi sempre o que mais ansiei desde o início do curso, mas também aquele que mais me assustava.

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As Normas Orientadoras (2011/2012) definem-no como “(…) um projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar (…) tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes”.(Matos, 2012)

Para mim, o estágio era mais uma etapa da nossa formação, aquela onde pela primeira vez colocaríamos em prática todos os conhecimentos adquiridos ao longo de quatro anos de formação na faculdade, os primeiros de muitos, pois sei que estaremos sempre em formação e a busca pelo conhecimento deverá ser constante. No entanto o EP é o culminar desta formação inicial, e por isso deve ser encarado com extrema responsabilidade e profissionalismo.

Pela primeira vez estaríamos em contacto com a realidade de uma escola, não como alunos mas sim como professores e integrados no contexto profissional, pois o estágio realiza-se num contexto real, com alunos reais, problemas reais, de acordo com as normas gerais que orientam o sistema educativo e o dia-a-dia de uma escola. Durante este ano estaríamos responsáveis apenas por uma turma e sob a orientação de um professor cooperante e um professor orientador da faculdade. No entanto será todo este processo de formação que nos permitirá adquirir competências pedagógicas e didáticas para o desenvolvimento da nossa competência profissional.

Pretendia assim, preparar e lecionar as aulas da forma mais eficaz possível, realizar atividades na escola, como por exemplo, ações de formação, torneios, momentos de diversão e espetáculo, dos quais se pudessem extrair resultados positivos. Estabelecer relações com toda a comunidade escolar, bem como, partilhar e trocar ideias com o grupo de EF, cuja experiência e conhecimento da realidade em questão, me poderiam com certeza ajudar.

Tinha por isso como objetivo, recolher o máximo de experiencias positivas e enriquecedoras durante o ano de EP, mas também errar e aprender

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com os erros, para que com tudo isto possa ir construindo a minha identidade profissional, e aumentar a minha competência enquanto professora de Educação Física.

Esperava, para além de tudo, desenvolver uma relação de respeito, confiança e quem sabe de amizade com os meus alunos, pois considero que a aprendizagem deve ser desenvolvida num ambiente positivo e harmonioso, onde ambas as partes se sintam bem.

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Enquadramento da Prática Profissional

3.1. Referências ao Contexto Legal, Institucional e Funcional

A organização do EP, etapa crucial na nossa formação como professores, resulta da interação entre orientações legais, institucionais e funcionais.

O enquadramento legal deste modelo de Estágio Profissional foi posto em prática pela primeira vez no ano letivo de 2009/2010, fazendo cumprir o objetivo do processo Bolonha, que segundo a Direção Geral do Ensino Superior o Processo de Bolonha permite “ (…) um estudante de qualquer estabelecimento de ensino superior, iniciar a sua formação académica, continuar os seus estudos, concluir a sua formação superior e obter um diploma europeu reconhecido em qualquer universidade de qualquer Estado-membro. Tal pressupõe que as instituições de ensino superior passem a funcionar de modo integrado, num espaço aberto antecipadamente delineado, e regido por mecanismos de formação e reconhecimento de graus académicos homogeneizados à partida.” ou seja, este processo pressupõe uma harmonização generalizada das estruturas educativas de 45 países, caracterizadas pela existência de um sistema de graus académicos comparáveis e compatíveis, de dois ciclos de estudo de pré-doutoramento, por uma sistema de créditos e um suplemento ao diploma.

A regulamentação legal, estrutura e respetivo funcionamento do EP considera ainda as normas orientadoras presentes no Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro, além de ter em conta o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da UP, o Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física.

A nível institucional o EP é uma unidade curricular do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física da FADEUP e decorre no terceiro e quarto semestres do mesmo.

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No que diz respeito ao nível funcional o EP, pretende que o estagiário desempenhe as funções de um Professor de Educação Física, com todas as responsabilidades que essa atividade engloba, pois não consiste apenas em planear e lecionar as aulas, mas sim assumir-se como responsável por um conjunto de alunos e pela sua evolução.

Situando concretamente a minha prática pedagógica, importa referenciar que decorreu na Escola Secundária 2/3 de Águas Santas, escola sede do Agrupamento de Escola de Águas Santas. Fiquei responsável por uma turma do 9º ano de escolaridade, durante todo o ano letivo.

O Núcleo de Estágio (NE) era formado por mais três colegas, Ana Rita Almeida, Patrícia Pereira e Joaquim Ferraz, pelo professor cooperante António Portela, e ainda pela Professora Orientadora Lurdes Ávila da FADEUP. E foi sobe a orientação e supervisão deste dois professores que todo o EP se desenrolou.

3.2- Caracterização da Escola Secundária 2/3 de Águas Santas

O meu estágio profissional teve lugar na Escola Secundária 2/3 de Águas Santas, situada na periferia urbana do Porto, freguesia de Águas Santas. Representa a escola sede do Agrupamento de Escolas de Águas Santas (AEAS) constituído por: Jardim de Infância de Moutidos, Escola EB1 do Corim, Escola EB1 da Granja, Escola EB1 de Moutidos e Escola EB1 da Pícua.

Mais de metade dos alunos da Escola Secundária 2/3 de Águas Santas são oriundos da freguesia de Águas Santas, sendo que os restantes provêm das freguesias limítrofes como, Rio Tinto; Pedrouços; Ermesinde; Alfena e outras.

A escola ocupa as atuais instalações desde 1986; no entanto, estas sofreram obras de requalificação no ano transato, visto que com o passar do tempo já acusavam alguma degradação e alguma desatualização ao nível dos materiais utilizados e da estrutura espacial, como por exemplo a falta de espaços para reuniões, gabinetes de trabalho para docentes, salas para aulas de apoio e reforço.

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No entanto, no que diz respeito á disciplina de Educação Física as obras não foram tão benéficas como parecem, pois apesar de passar a existir dois ginásios interiores, para além do Pavilhão Gimnodesportivo e do espaço exterior, estas provocaram a eliminação das pistas de atletismo, bem como da caixa de areia para realização do salto em comprimento.

Perante estas instalações, e para que cada professor possa planear a aula de acordo com o espaço disponível para a mesma, existe um roulement, que organiza a utilização dos espaços pelos professores.

Todavia, e apesar de existirem mais espaços disponíveis, o número de turmas na escola também aumentou, fazendo com que estejam, na maior parte do tempo, 5 turmas com aulas em simultâneo, o que dificulta muito a gestão e organização da aula. No entanto, e apesar das condições não serem perfeitas, são bastante satisfatórias.

Uma das grandes lacunas da escola, na minha opinião, é não proporcionar aos alunos aulas de natação, no âmbito da disciplina de Educação Física. No entanto, sei também que não é uma lacuna apenas desta escola.

3.2.1- Grupo de Educação Física.

Para além do desenvolvimento de uma relação com os elementos que constituíram o meu Núcleo de Estágio (NE), desde o início, foi também importante para mim desenvolver uma relação e um clima de trabalho positivo com o grupo disciplinar de Educação Física, com os quais estaria em contato durante grande parte da minha prática profissional.

O grupo de professores da escola é constituído por 14 professores, 5 do sexo feminino e 9 do sexo masculino, mas para além desses e do nosso NE, integravam também o grupo, os elementos do NE do ISMAI.

Logo à partida verifiquei que a existência de um grupo com este elevado número de elementos, e tão heterogéneo entre si, traria para as reuniões diversas opiniões e formas de pensar, e que isso levaria a algumas discussões mais prolongadas. No entanto todas elas foram bastante positivas e

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enriquecedoras para mim, pois permitia-me formar juízos de valor sobre vários assuntos que afetam a vida profissional de um Professor. Apesar de não as expor publicamente, ouvindo as diversas opiniões, fui formando as minhas ideias, sobre temas que nunca tinha refletido.

Desde cedo, todos os professores do grupo de EF, se mostraram disponíveis para ajudar e estar presentes em todas as fases do meu percurso como estudante-estagiária, tratando-me sempre de forma muito profissional, como se de uma colega de trabalho se tratasse.

Para além de considerar a existência de profissionais competentes na sua prática diária, no seio do grupo, um dos aspetos mais positivos, que o caracteriza, é a grande dinamização desportiva, que tenta aplicar na escola, através da realização de torneios, corta-mato, mega-sprint, entre outros, mostrando assim uma preocupação pela vida desportiva dos seus alunos, e um elevado gosto pelo Desporto na sua forma mais competitiva.

A participação nessas diversas atividades, bem como as realizadas por nós, nas quais eles participaram, permitiram-me desenvolver a relação que pretendia, fazendo-me sentir parte daquele grupo de trabalho, e retirar várias aprendizagens do contacto com os mesmos.

3.2.2 – A minha Turma- 9ºA

Figura 1 – Turma 9ºA

A curiosidade em relação à turma que iria lecionar sempre foi grande; várias questões me passaram pela cabeça antes do primeiro confronto com os

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alunos, mas sobre isso irei refletir com mais pormenor o tópico 4 do meu relatório.

O Professor cooperante colocou-nos 4 turmas à disposição, para que as distribuíssemos por cada um de nós, de acordo com as preferências de horário, e no momento de escolha não houve qualquer problema.

A turma pela qual fiquei responsável de lecionar foi o 9ºA. A existência de três nonos, não permitiu grande escolha em relação ao ano de escolaridade. Desde logo tive informações relativas ao 9ºA, transmitidas pelo Professor Carlos Simão, antigo professor da turma. A grande maioria das informações foram positivas, salientando a existência de alunos empenhados e com grandes capacidades, focando apenas a existência de um aluno mais problemático, ao nível do comportamento. Situação que também foi referida na primeira reunião de Concelho de turma, pelos restantes professores da mesma. A turma é constituída por 27 alunos, 14 do sexo masculino e 13 do sexo feminino, dos quais 26 provêm da turma 8ºA da mesma escola, existindo apenas um aluno novo na turma tendo frequentado no ano letivo 2010/2011 a Escola E/B 2,3 de São Lourenço.

Em relação à idade média da turma, no início do ano, esta situava-se nos 13,14 anos, tendo a maior parte dos alunos 13 e 14 anos, existindo apenas uma aluna com 15 anos, Todos os alunos apresentaram uma idade característica do ano de escolaridade em que se encontram.

Uma das informações mais importantes e à qual devemos dar uma maior atenção, quando estamos responsáveis por uma turma, é a saúde de cada aluno, pois devemos prevenir possíveis problemas e estar preparados para intervir caso algo aconteça, para o que devemos estar devidamente informados. Posto isso, considerei importante incluir na ficha entregue aos alunos na primeira aula e que se encontra em anexo, questões sobre os aspetos de saúde.

Através desta, foi notório que a Bronquite Asmática é a doença que mais prevalece entre os alunos da turma, o que, no entanto, não limita a prática desportiva, que segundo Gualdi (cit. por Tenroller, 2004), é um fator positivo para os portadores da asma, permitindo suportar o agravamento das condições

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de saúde com mais serenidade, isto porque, o aumento da resistência física fornece ao organismo reservas para ultrapassar os momentos de crises obstrutivas.

Apesar disso, foi necessário estar atenta, para o caso de algo menos agradável acontecer, mas felizmente nada de grave aconteceu, apenas foi necessário acalmar uma aluna no momento de realização do teste da milha, fazendo com que esta normalizasse o ritmo respiratório.

No que diz respeito à disciplina de Educação Física todos os alunos mencionaram gostar da disciplina, considerando-a importante por variadíssimas razões, mas principalmente por uma questão de saúde e pela importância dada ao exercício físico. Esta apreciação é corroborada, pelo fato de 67% dos alunos praticarem exercício físico fora da escola, sendo por isso, uma turma desportivamente ativa, e com gosto pelo desporto.

No entanto, durante o ano pude comprovar que a maioria não representa todos os alunos, e que pode muitas vezes ser enganadora, pois 4 das alunas da turma não se enquadram neste perfil. Mas este será um assunto desenvolvido mais à frente.

3.3 – Ser Professor

Ser professor não se baseia apenas na transmissão dos conteúdos presentes no programa da disciplina a um grupo de alunos, ou no cumprimento de todos os processos burocráticos que envolvem o ato educativo; ser professor, é ser educador, formador. Segundo Formosinho (cit. por Cunha, 1998, p.72) ser professor atualmente é ser “(…) uma pessoa psicologicamente madura e pedagogicamente formada, capaz de ser o instrumento e o facilitador da aprendizagem, o expositor e o individualizador do ensino, o catalisador empático de relações humanas e o investigador, o que domina os conteúdos e o modo de os transmitir (…), um educador cívico, social, moral, um modelo (…)” .

Sabendo que o alcance da globalidade destas características é impossível no ano de estágio, visto que a condição de professor iniciante

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acarreta particularidades que necessitam de ser ultrapassadas, o meu objetivo durante toda a minha prática como estudante estagiária, foi aproximar -me o mais possível, do que é ser professor segundo a conceção de Formosinho.

Apesar de todas as capacidades de um bom professor acima indicadas, é necessário ter a consciência que, como refere Bento (1995), o professor não deve ser responsável pela educação global do aluno, mas sim responsável pela oferta de aprendizagens específicas, no domínio restrito que é a escola, contribuindo de alguma forma para a construção de determinados aspetos da personalidade.

No entanto, em vários momentos da minha intervenção na escola, senti que a dimensão “ser professor”, ultrapassava por vezes as responsabilidades referidas, talvez porque muitos professores orientam a sua ação pedagógica pela amizade, levando-os a um envolvimento mais profundo com os seus alunos.

3.3.1- Relação Professor/Aluno

A relação professor/aluno sempre foi uma das minhas grandes preocupações desde o primeiro momento, pois todas as minhas experiências como professora de dança em academias e ginásios, levaram-me a desenvolver uma relação de grande proximidade com os meus alunos, orientando a minha atividade por princípios como a confiança, a manutenção de um clima positivo e alegre na sala, levando-os a que gostassem de mim como pessoa, e não apenas que gostassem das minhas aulas. No contexto das academias e ginásios esta proximidade vai acontecendo de forma intencional, e repercute-se na fidelização da criança na empresa. Mas na escola tudo teria se ser diferente, pelo menos na fase inicial, em que devemos conquistar o respeito dos alunos pelas regras, pela hierarquia, etc., para que depois aos poucos possamos estabelecer uma relação mais próxima com os mesmos.

Numa revisão realizada por Cohen & Manion (cit. por Cunha, 2008), constataram a importância atribuída pelos alunos à relação professor /aluno,

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realçando aqueles que caracterizam a sua ação pela “(…) amizade, tolerância, comunicação em paralelo com a ordem, motivação, controlo de aula e disciplina (…)”, sendo simultaneamente justos e imparciais.

Foi no seguimento desta ideia que tentei conduzir a minha intervenção pedagógica, focando fundamentalmente a manutenção de um ambiente motivador e controlado, onde a aprendizagem assume o papel principal, cumprindo da melhor forma o papel de professor.

No entanto, sinto que falhei em algumas ocasiões, não só em relação a este ponto, mas a muitos outros que envolvem o dia a dia do professor, sendo para isso essencial a reflexão sobre a prática, em vários momentos da mesma, bem como as indicações do professor cooperante e professora orientadora, cumprindo assim as funções da supervisão pedagógica, que segundo Alarcão (1996), visa o desenvolvimento a vários níveis do professor estagiário, através da orientação, de um professor mais experiente e conhecedor, levando-o a tomar consciência das características da sua ação, e a sentir-se responsável pelas decisões tomadas.

Tudo isto só é possível através de um pensamento reflexivo, que ao longo do meu percurso fui desenvolvendo, e para Zeicher (cit. por Silva, 2009, pp. 32), a reflexão consiste em efetuar uma análise profunda e ativa, do que realizamos ou apenas acreditamos, de acordo com os fundamentos que estão na base da mesma, e das consequências que dela advêm. Segundo o autor, a reflexão não é algo que se possa ensinar ao professor, mas sim “(…) uma maneira de ser professor.” E segundo Bento (2003), os melhores resultados só irão surgir, se o professor se confrontar e questionar diariamente, com os problemas com que se depara.

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4- Realização da Prática Profissional

“ A formação inicial visa a preparação de professores que desejam e sejam capazes de refletir nas origens, propósitos e consequências das suas ações, assim como nos constrangimentos e encorajamentos existentes nos contextos de turmas, da escola e da sociedade em que trabalham.” Zeichner & Liston (cit. por Bento & Graça, 1999: p.76)

A realização do EP, é o culminar de toda a minha formação inicial. Revelou-se um grande desafio, e moldou a minha forma de ver a escola, os alunos, o trabalho de todos os profissionais da educação, tudo o que constitui o contexto educativo, delineando de forma mais clara o que quero ser, numa próxima experiência profissional.

A forma como ultrapassei todos os desafios colocados, os métodos e estratégias usadas, as atividades e objetivos alcançados, bem como a avaliação e controlo de todas elas, serão expostas em cada uma das áreas de desempenho – Organização e gestão do processo de ensino aprendizagem; Participação na escola e relação com a comunidade; Desenvolvimento Profissional - que orientam a realização do EP, para que este relatório se torne o espelho da minha prática, tendo sempre como referência a orientação e supervisão do Professor António Portela e da Professora Lurdes Ávila.

4.1. Área 1 – Organização e gestão do ensino e da aprendizagem

“ A racionalização do processo de ensino e aprendizagem em Educação Física é obra conjunta de todos nós, principalmente daqueles que fazem e querem contribuir para a Educação Física real nas escola e clubes do nosso país.” Bento (2003, p.9)

Esta área tem como objetivo “ construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de

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educação e formação do aluno na aula de EF” (Matos, 2012, p. 3) englobando para isso 4 etapas, a conceção, planeamento, realização e avaliação, que se interligam e refletem toda a nossa ação, na condução e orientação da aprendizagem dos alunos, através da aplicação de todos os saberes adquiridos no processo de formação inicial, e da adaptação dos mesmos ao contexto em questão, tendo a conta a escola, a turma, os alunos, os espaços e os materiais existentes.

4.1.1. Conceção

Antes de qualquer prática, na fase inicial do nosso processo como Estudante Estagiário (EE) existe a necessidade de ter em conta um conjunto de aspetos que servirão de base para conduzirmos de forma eficaz e o mais competente possível, a nossa ação como professores.

E na tentativa de diminuir ao máximo o “choque com a realidade”, que como refere Veenman (cit. por Braga, 2001), consiste no impacto sofrido enquanto professor iniciante, vendo todas as nossas ideias, conceções e crenças, serem diluídas face à verdadeira realidade, é fundamental uma análise cuidada de todos os aspetos que irão influenciar a nossa prática.

Por tudo isto, foi de extrema importância a primeira visita à escola sob a orientação do professor cooperante, dando-nos a conhecer todos os espaços disponíveis para a prática de EF, bem como as restantes instalações da escola. Apresentou-nos ainda a alguns elementos da comunidade escolar, favorecendo desde o início o estabelecimento de relações na escola. Para além de conhecer o interior de escola, foi também importante nesta fase recolher o máximo de informações sobre o contexto cultural e social onde a esta se encontra inserida. Para isso fizemos uma análise do Regulamento Interno da escola, bem como do Projeto Educativo da mesma, onde se especificavam os aspetos relativos ao referido contexto. Todas as restantes informações necessárias foram-nos transmitidas pelo professor cooperante, funcionários e órgãos da direção da escola, que se demonstraram sempre disposta a colaborar

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Esta caracterização foi inserida no PFI, uma das primeiras tarefas realizadas no âmbito do EP, um ponto de partida importante, onde refleti sobre o que seria para mim este ano de estágio, que conhecimentos e estratégias possuía para conseguir alcançar as metas propostas, ultrapassando todas as dificuldades encontradas.

Ainda com o objetivo de planear da forma mais eficaz e realista todo o processo de ensino/aprendizagem, foram analisados o Programa Nacional de Educação Física, o Plano Anual de Atividades e o Planeamento Anual de EF realizada pelo grupo de EF, onde estão presentes as modalidades que devem ser lecionadas durante o ano letivo em questão. Foi ainda necessário conhecer e compreender o regulamento do Grupo Educação Física e os Critérios de Avaliação da disciplina, para que fossem cumpridos desde o início do ano, tornando a avaliação um processo coerente e justo.

Depois de conhecida toda a escola, realizamos a distribuição das turmas pelos quatro estagiários. Como referi no enquadramento conceptual, essa distribuição foi feita de acordo com a preferência de horários, e como desde logo existiu consenso entre todos, não foi necessário realizar um sorteio.

Conhecida a turma que iria lecionar, comecei por perguntar ao professor Carlos Simão, professor responsável pela turma no ano transato, as principais características da mesma, recolhendo desde logo informações importantes, no diz respeito às suas capacidades motoras, e ao comportamento da turma nas aulas de EF. A informação inicial dada pelo professor Carlos Simão sobre os alunos da minha turma era de que existiam alunos com um elevado nível motor e um elevado gosto pela prática. Porém o professor também referiu que algumas das meninas se encontravam no extremo oposto.

Outro aspeto mencionado pelo professor foi a pressão exercida pelos Encarregados de Educação da turma, em relação às classificações dos alunos, e que no ano transato tinha tido alguns problemas com os mesmos.

Recolhi também informações importantes na primeira reunião com a Diretora de Turma e com os restantes professores, em relação ao nível cognitivo e socio-afetivo da turma. A tal respeito, todos referiram que existia um aluno mais problemático ao nível do comportamento, e que apesar de haver

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alunos com boas notas, muitos deles eram pouco estudiosos. Ao nível socio-afetivo um dos principais problemas apontado foi o fato de existir um grupo de alunas que se colocam à margem da turma, relacionando-se apenas entre si, e que em alguns momentos se sentem intimidadas pelos restantes elementos da turma. Todas estas ilações foram complementadas, com o preenchimento das fichas individuais no início do ano, através das quais realizei a caracterização da turma, referida resumidamente no ponto 3.2.3. A elaboração da ficha individual, partiu de uma alteração da ficha entregue pelo professor cooperante à sua turma, enquanto diretor de turma da mesma. Esta foi uma das primeiras tarefas que permitiu sustentar a minha atuação durante todo ano letivo.

De forma a abranger um leque mais alargado de informações, realizei ainda a Bateria de Teste Fitnessgram, que me permitiu concluir, que a maioria dos alunos se encontram na Zona Saudável de Aptidão Física, em quase todos os testes, com a exceção do “senta e alcança”, em que todos os alunos se encontram abaixo dos valores de referência.

Existem também alguns alunos com um Índice de Massa Corporal (IMC) elevado relativamente aos valores de referência, o que pressupõe uma maior preocupação com a alimentação, combinada com uma maior prática de exercício físico.

Outro dos testes em que se verificam alunos com valores superiores aos esperados, é no da milha. Uma das alunas não conseguiu completar o teste, também devido a problemas com a respiração, o que demonstra a falta de resistência que muitos alunos apresentam, e que são, principalmente, aqueles que não praticam atividade física fora da escola.

No entanto existem também alunos que se encontram numa ótima forma, apresentando valores superiores ao esperado em algum dos teste ou até em todos eles, como foi o caso da aluna Raquel Andorinha.

Todas estas informações recolhidas constituíram o início do meu trabalho como estagiária da Escola Secundária 2/3 de Águas Santas, e contribuíram para a eficácia da minha atuação.

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4.1.2. Planeamento

Nesta primeira etapa, foi-nos entregue um documento elaborado pelo sub-departamento de EF, onde constavam todas as modalidades a abordar para cada ano de ensino, ao longo dos 3 períodos, formando assim a

Planificação Anual de Educação Física. Numa análise mais geral, a

planificação para o 9º ano, ano pelo qual fiquei responsável, pareceu-me exequível mas pouco ambiciosa, pois é apenas proposta a abordagem de duas modalidades por período, já que, como penso, sendo o primeiro e o segundo período consideravelmente maiores que o terceiro, não seria demais a lecionação de três modalidades nos períodos em questão. E visto que na reunião de núcleo destinada a análise desta questão, o professor cooperante nos deu total permissão para adaptarmos a planificação da forma que considerasse-mos melhor, desde que se cumprisse o planeamento geral do departamento, decidi ser um pouco mais ambiciosa na realização do meu planeamento anual.

Para a realização do Planeamento anual, que consiste na estipulação de o número de aulas a dedicar a cada modalidade, e a ordem pela qual vão ser lecionadas, para além da escolha das modalidades, foi necessário uma análise cuidada do roulement, onde estava presente a rotação dos espaços disponíveis para a lecionação das aulas de educação física. E apesar de existirem 5 espaços disponíveis (três espaços no pavilhão, um no exterior e um no ginásio), na maior parte dos tempos letivos existem também 5 turmas a ter aula em simultâneo, o que implica uma distribuição cuidada das modalidades ao longo do ano, para que as características das mesmas, permitam a sua realização no espaço adequado.

Perante isto, para o primeiro período mantive as modalidades presentes na planificação anual, basquetebol e badminton, acrescentando a abordagem da dança, como modalidade alternativa. A lecionação da dança, sempre teve nos meus planos, pois é a modalidade que pratico há alguns anos, e na qual me sinto mais a vontade. Mas para além disto, foi proposto pela Professora orientadora Lurdes Ávila, a aplicação de uma Unidade Temática de Dança

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elaborada pela mesma, para que sobre ela realizássemos a componente investigação-ação do nosso relatório, e que será desenvolvido mais à frente.

A abordagem destas três modalidades, permitiu-me assim, rentabilizar todos os espaços disponíveis, utilizando o ginásio para a abordagem da dança, o pavilhão para o badminton, sendo a lecionação de basquetebol possível no exterior e também no pavilhão.

No segundo período para que esta rentabilização se mantivesse, optei pela abordagem da ginástica de solo e aparelhos, para além, do salto em altura e futebol, presentes na planificação anual, pois nenhuma das duas seria exequível no ginásio.

Apesar de estar previsto na planificação anual a abordagem do andebol e ginástica acrobática no 3º período, em concordância com o professor cooperante, decidimos substituir esta última pela abordagem do Judo, visto que era uma modalidade nova para os alunos.

Esta não foi uma decisão tomada no início do ano, mas sim uma das muitas alterações que o planeamento anual foi sofrendo com o passar do tempo, pois para além dos imprevistos que foram surgindo, como visitas de estudo, palestras e outras atividades que obrigavam os alunos a ausentar-se das aulas de EF, o roulement também foi sofrendo algumas alterações.

Apesar de tudo, não considero estas alterações aspetos negativos, muito pelo contrário, pois tudo isto permite desenvolver a nossa capacidade adaptativa, de forma a que os alunos não saiam prejudicados. Contudo nem sempre é fácil, pois devido a todos os imprevistos que foram surgindo, das 12 aulas de andebol previstas, apenas foram lecionadas cinco, e sobre isso não pude fazer nada.

Já contando com o facto do planeamento anual poder sofrer alterações, a elaboração do mesmo não deixa de ser uma importante tarefa de planeamento e posterior reflexão, e um apoio necessário para todo o ano letivo. Depois desta tarefa de planeamento mais geral, foi necessário o planeamento de cada modalidade em questão, através de uma caracterização da mesma, e de uma estruturação da matéria de ensino que engloba.

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Isto foi feito através da realização dos MECs (Modelo de Estrutura do Conhecimento), que funcionaram como autênticos guiões no desenvolvimento de determinada modalidade.

A sua elaboração apesar de demorada, foi positiva e vantajosa, permitindo um aprofundamento do meu conhecimento sobre cada modalidade. E se em relação às modalidades mais tradicionais, a busca de informação e sua organização se torna facilitada, nas modalidades alternativas como o judo e a dança essa tarefa é dificultada por a falta de um modelo que oriente a sua realização.

Outro nível de planeamento diz respeito á elaboração das Unidades

Temáticas (UT), que têm como ponto de partida o nível inicial dos alunos,

estabelecido através da avaliação diagnóstica.

A partir desse ponto são selecionados os conteúdos e estabelecidos os objetivos que se pretende que os alunos atinjam no final do número de aulas presente na Unidade Temática de determinada modalidade. Se por um lado pretendia que o planeamento colocasse os alunos em situações desafiantes, por outro tinha como objetivo que todos superassem esse desafio com sucesso, levando assim a aprendizagem.

O modelo seguido para a elaboração das Unidades Temáticas (UT) foi o de Vickers (1989) tendo por isso sempre presentes as quatro fases e funções didáticas do processo de ensino aprendizagem. Os conteúdos foram organizados preferencialmente da base para o topo, mas tendo sempre como referência a sua aplicação em contextos reais, visto que em todas as aulas da UT estavam presentes situações de competição, principalmente nas modalidades coletivas, por exemplo na UT de basquetebol em todas as aulas os alunos realizaram a situação de jogo reduzido 3x3.

A metodologia para a organização dos conteúdos apenas foi diferente na modalidade de Futebol, em que foi aplicado o “ Modelo de educação Desportiva”.

Também neste nível de planeamento as decisões não podem ser consideradas definitivas, estando constantemente sujeitas a alterações, isto porque muitas das vezes, através das avaliações formativas, detetamos que a

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evolução dos alunos não está a ser a esperada, e temos de refazer o planeamento. Exemplo disso foi a modalidade de judo em que tinha planeado a transmissão da projeção Koshi-guruma, e considerando a evolução dos alunos e o número de aulas disponíveis, considerei mais importante a consolidação das restantes técnicas.

Também no 3º período, devido ao elevado número de aulas substituídas por atividades de outras disciplinas, a UT de Andebol prevista com 12 aulas, foi constituída apenas por 5, não permitindo assim a transmissão de todos os conteúdos pretendidos, o que originou que, perante este reduzido número de aulas, a modalidade não fosse sujeita avaliação, servindo apenas para proporcionar aos alunos experiências mais abrangentes, e despertar o interesse pela modalidade, visto que muitos alunos referiram que nunca tinham aprendido a jogar andebol nas aulas de EF, o que demonstra uma falha no cumprimento da planificação anual por parte dos professores da escola, estando o andebol previsto para o 8º ano.

Por isso, realço a ideia referida por Bento (2003), da existência de várias facetas no ensino, para além daquelas presentes no planeamento, visto que no processo “real do ensino”, os imprevistos acontecem, sendo necessária uma rápida capacidade de adaptação à situação existente. Tal não significa, porém, que vários fatores devam ser previstos durante a fase de preparação e planeamento.

A escolha dos conteúdos e a respetiva distribuição das funções didáticas nem sempre foram fáceis, devido, quer à pouca ou por vezes nenhuma experiência na lecionação de determinadas modalidades, por um lado, quer ainda à inexperiência de adaptarmos o que a teoria nos diz e o que o contexto exige. Perante isto foram fundamentais as conversas com o professor cooperante, que com a sua experiência nos deu as melhores soluções. Recorri também aos documentos fornecidos e elaborados no ano transato, nas didáticas das diversas disciplinas, muitos deles aplicados na prática.

Por fim, o último nível de planeamento é referente aos planos de aulas. Estes constituem uma preocupação diária na vida de um professor, e muito mais na de um professor iniciante. Segundo Braga (2001) as diferenças entre o

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professor experiente e professor iniciante situam-se ao nível do conhecimento prático, que conforme Marcelo refere (cit. por Braga, 2001) surge através da experiência e pela comunicação com os outros professores experientes.

E para que um professor iniciante lecione uma boa aula, levando os alunos à aprendizagem, é necessário que a prepare cuidadosamente e de forma consciente. E esta preparação não consiste apenas em pensar na informação que vamos transmitir aos alunos, mas sim como o vamos fazer e durante quanto tempo.

E durante todo este ano, as dúvidas sobre a estrutura do plano de aula, a sua organização, e principalmente o seu conteúdo esteve sempre presente, e só através de uma reflexão constante sobre o que iria ou não resultar, consegui ponderar cada detalhe, e minimizar ao máximo as hipóteses de errar.

Uma das indecisões que surgiu antes até mesmo do ano letivo começar, foi qual seria a melhor forma de formatar o plano de aula, visto que em cada didática do ano anterior foi sugerido uma formatação diferente. Mas com a ajuda do professor cooperante, e tendo como base o modelo sugerido pela faculdade para o estágio profissional, conseguimos definir aquele que consideramos ser o plano de aula, que melhor fará cumprir os objetivos para cada aula.

No entanto, depois de definida a estrutura do plano, começaram a surgir as dúvidas sobre o que consiste cada uma das componentes do mesmo, visto que também em relação a isto não existiu um consenso nas várias didáticas.

Este problema prolongou-se por algumas aulas, e para sua resolução foram fundamentais as correções do professor cooperante, fazendo-nos compreender o que deve estar presente nas várias partes do plano de aula.

Todos estes níveis de planeamento desde o Planeamento Anual aos Planos de Aula, permitiram-me agir de forma consciente e ponderada, ultrapassando algumas das minhas dificuldades, no sentido de tornar a minha atuação o mais positiva, quanto possível.

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4.1.3. Realização

Depois de tudo pensado e planeado, chegou o momento da realização, onde tudo foi colocado em prática. Mas se na fase de planeamento os imprevistos ocorrem, é neste momento que eles devem ser ultrapassados. E a capacidade de ultrapassar essas adversidades, determina o sucesso do processo de ensino aprendizagem. E mais uma vez todo o processo de reflexão que acompanhou a minha prática foi crucial para que as dificuldades fossem detetadas e de seguida ultrapassadas da melhor forma possível.

4.1.3.1- “ O 1º confronto”

O primeiro confronto com a realidade ocorreu na primeira aula, e apesar de já vivenciar situações de liderança há alguns anos, através das aulas de dança que leciono nos ginásios, todos os momentos que antecederam esse primeiro encontro/confronto, foram de grande ansiedade e preocupação, pois o contexto é completamente diferente, e isso altera desde logo todo o processo, exigindo de mim, uma postura totalmente diferente.

Segundo Oliveira (2001), as primeiras aulas do ano são de importância fulcral, no que diz respeito à manutenção da ordem, quer na sala de aula ou num ginásio, pois é nesse momento que a mesma é definida, bem como os procedimentos que a sustentam.

A aula foi preparada ao pormenor, desde a informação a transmitir, aos documentos entregues aos alunos, no entanto, mesmo antes de entrar no pavilhão deparei-me com um imprevisto,

“ (…) visto que tinha planeado entregar um panfleto aos alunos com as regras e os critérios de avaliação da disciplina e lê-lo em conjunto com os mesmos, e tal não foi possível pois ocorreu um erro ao imprimi-los na reprografia. Para ultrapassar esse imprevisto, o professor António Portela forneceu-me um panfleto que tinha sido usado por um dos outros estagiários,

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para que me servisse dele como suporte para fazer passar a informação necessária á turma.” (Reflexão aula nº1, 19 de Setembro de 2011)

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Ultrapassado este primeiro contratempo, fiquei muito satisfeita com a minha prestação, pois não foi necessária uma atitude muito imponente, nem autoritária, visto que nesse momento a turma não me pareceu muito faladora, nem muito difícil de controlar. No entanto tinha a noção que numa aula prática o controlo da turma é bastante dificultado pela organização da mesma, mas para tentar facilitar esse controlo tentei desde logo incutir nos alunos alguns hábitos, e rotinas a manter em todas as aulas.

4.1.3.2- “ As Minhas Grandes Preocupações”

Doyle (cit. por Oliveira, 2001), refere que muito foram os autores que concluíram que a ordem e o controlo na sala de aula são preocupações dos professores, no momento de programação da sua atuação, principalmente em professores iniciantes.

Esta foi uma das minhas primeiras preocupações no início do EP, e na qual recaiu toda a atenção do professor cooperante e professora orientadora, nos primeiros momentos de observação. Analisando até que ponto conseguimos ou não gerir todos os comportamentos, reduzindo ao máximo os comportamentos disruptivos, fazendo cumprir as regras inicialmente estabelecidas, para que com isso consigamos aumentar o tempo de empenhamento motor, e melhor ainda, aumentar o tempo potencial de

aprendizagem, ou seja, o tempo que os alunos estão empenhados numa

determinada tarefa, com uma taxa de sucesso de 80% a 90%, tornando com isto a minha atuação, o mais eficaz possível. Segundo Abreu (2000), sem um bom controlo dos alunos e uma boa gestão do Tempo de Aula, dificilmente esse objetivo será alcançado. E segundo o autor para que a taxa de sucesso dos alunos seja elevada é ainda imprescindível que o professor consiga adequar as atividades de aprendizagem ao nível dos alunos.

Referências

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