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(2) Erica Hokama. ESTRUTURA E DINÂMICA DO FUNCIONAMENTO PSÍQUICO DE HOMENS ENVOLVIDOS EM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde, da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial a obtenção do título de Mestre em Psicologia da Saúde. Pesquisadora: Erica Hokama Orientadora: Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno. Área de Concentração: Psicologia da Saúde Linha de Pesquisa: Prevenção e Tratamento. São Bernardo do Campo 2015.
(3) FICHA CATALOGRÁFICA H689e. Hokama, Erica Estrutura e dinâmica do funcionamento psíquico de homens envolvidos em violência doméstica / Erica Hokama. 2015. 98 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) --Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2015. Orientação de: Maria Geralda Viana Heleno. 1. Violência doméstica 2. Homem 3. Relações objetais 4. Teste de relações objetais de Phillpson 5. Psicologia da saúde I. Título CDD 157.9.
(4) A. dissertação. de. FUNCIONAMENTO. mestrado PSÍQUICO. sob DE. o. título. ESTRUTURA. HOMENS. E. ENVOLVIDOS. DINÂMICA EM. DO. VIOLÊNCIA. DOMÉSTICA, elaborada por Erica Hokama foi apresentada e aprovada em 27 de março de 2015, perante banca examinadora composta por Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno (Presidente/UMESP), Profa. Dra. Eda Marconi Custódio (Titular/UMESP) e Profa. Dra. Maria Aparecida Mazzante Colacicco (Titular/USP).. __________________________________________ Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno Orientadora e Presidente da Banca Examinadora. __________________________________________ Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno Coordenador/a do Programa de Pós-Graduação. Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Saúde Área de Concentração: Psicologia da Saúde Linha de Pesquisa: Prevenção e Tratamento.
(5) Dedico este trabalho ao meu marido, Claudio Takashi. Nisiyama, com amor, admiração e. gratidão por sua compreensão, carinho e incansável apoio. Gostaria de dedicar, também, a todos os que participaram deste estudo de forma direta ou indireta..
(6) Agradecimentos Ao finalizar mais uma etapa importante de minha vida, penso que todas as conquistas nunca são frutos unicamente de nosso próprio esforço. Durante esta jornada muitas pessoas estiveram comigo, participando, direta ou indiretamente, apoiando, cuidando de mim, ou simplesmente estando ao meu lado. Portanto, escrever os agradecimentos ao final deste trabalho é de uma responsabilidade ímpar. Agradeço à Professora Dra. Maria Geralda Viana Heleno, minha orientadora, pelos ensinamentos, pelo exemplo de seriedade, profissionalismo e acolhimento, e que esteve sempre presente em todos os momentos, de dificuldades e felicidades, do projeto e da vida. Aos professores do programa de Pós-graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista, Marília Vizzotto Martins, Eda Marconi Custódio, Maria do Carmo Fernandes Martins, Manuel Morgado Resende, Antonio de Pádua Serafim, Miria Benincasa Gomes, e às professoras do curso de graduação Hilda Rosa Capelão Avoglia e Mariantonia Chippari, pela amizade e por compartilhar seus conhecimentos, contribuindo assim para o meu desenvolvimento profissional e pessoal. As Profas. Eda Marconi Custódio e Maria Aparecida Mazzante Colacicco, por suas leituras cuidadosas e preciosas contribuições nas discussões desta pesquisa na Banca de Qualificação. A Profa. Leila Tardivo que me acolheu e ajudou compartilhando seus conhecimentos e sabedoria. Aos funcionários da Universidade Metodista de São Paulo, em especial a Elisangela Aparecida de Castro Souza, por tornar nossa vida acadêmica e as burocracias mais coloridas com seu sorriso e dedicação, sem contar os seus cafés, feitos com tanto carinho. À Juíza Dra. Teresa Cristina Cabral Santana Rodrigues dos Santos e a Joyce Assmann Pereira, por apoiarem e acreditarem em nosso trabalho..
(7) Aos homens que se disponibilizaram a participar desta pesquisa, compartilhando suas vivências. A CAPES pela concessão de bolsa de estudo durante o período do mestrado. Aos meus grandes e verdadeiros amigos, em especial Danuta Medeiros (minha filha adotiva e amiga para todas as horas, companhia de congressos em cidades maravilhosas, sempre em prol da ciência), Gabriela Moreira (minha outra filha adotiva), Ricardo Rentes (amigo sempre disposto a me ouvir), Eneida de Almeida dos Reis (o id!), Lilian Suzuki, Laura Merli, Thiago Robles e Edimar Costa. Aos amigos do mestrado, em especial à Adriana das Chagas de Oliveira Pacheco, Victor Zaia, Nathália Brandolim e Camila Viana de Almeida, com os quais pude contar em momentos cruciais ao longo destes dois anos, rimos muito e vivemos bons momentos. Aos amigos e familiares de Mogi das Cruzes, Marisa, Shigueru, Akemi, Hatsue, Missao, Marcinha, Teruo, Takaitiro, Kazumi, Yoshiki e Kiyoko que me adotaram como integrante da família Nisiyama, um porto seguro. Um agradecimento especial para Estela Yukari Nisiyama, que com toda a sua vivacidade e juventude me lembra de não abandonar a criança que ainda vive dentro de mim. A minha mãe e meus irmãos Adriana e Ricardo, que em todos os momentos estiveram presentes, apoiando e vibrando comigo a cada etapa vencida, e dando força nos momentos de dificuldade. Ao Claudio que sempre acreditou em minha capacidade, até mesmo quando eu não acreditava, viveu esta etapa com tanta intensidade quanto eu, soube ouvir minhas angústias, acolher as minhas carências, me amar e estar ao meu lado, me apoiando sempre..
(8) RESUMO A violência, de qualquer tipo e natureza, é um fenômeno que acontece desde os primórdios. A Organização Mundial de Saúde define violência como o uso intencional da força física ou do poder, real ou por ameaça, contra a própria pessoa, contra outra pessoa, contra um grupo ou uma comunidade, que pode resultar em morte, lesão, dano psicológico, problemas de desenvolvimento ou privação. A violência doméstica é definida pela APA como qualquer ação que causa dano físico a um ou mais membros de sua unidade familiar e pode ocorrer a partir de um conflito de gerações e de gênero, configurando-se por agressão física, abuso sexual, abuso psicológico, negligência, dentro da família, perpetradas por um agressor em condições de superioridade (física, etária, social, psíquica e/ou hierárquica). Esta pesquisa tem como objetivo investigar a Estrutura e dinâmica do Funcionamento Psíquico de Homens Envolvidos em Violência Doméstica. Utilizou-se o método clínico-qualitativo, com quatro homens em situação de violência doméstica. Como forma de coleta de dados foi empregada uma entrevista e o Teste das Relações Objetais (TRO) de Phillipson. Ao analisar os resultados, pode-se observar que o ego fragilizado teme a solidão, as situações de perda, e os ataques destrutivos do id e o superego permissivo não os contêm, e para suportar os ataques persecutórios dos objetos, e em função da persecutoriedade e da culpa persecutória o ego recorre a identificação projetiva maciça e a idealização para proteger-se da destrutividade, permanecendo na posição esquizoparanóide. Conclui-se que a análise da estrutura e da dinâmica psíquica e o tratamento psicológico (individual ou em grupo) de homens envolvidos em violência doméstica, em conjunto com outras medidas judiciais e sociais são ações necessárias, pois, pode ser uma forma de ajudá-los a enfrentar suas limitações, lidar com suas angústias, entender e controlar os impulsos, rever e compreender suas crenças e trabalhar sua autoestima. Partindo-se do pressuposto que a violência doméstica ocorre na relação entre homem-mulher, o tratamento e o entendimento dos aspectos psicológicos de homens envolvidos em violência doméstica são de extrema importância para minimizar este fenômeno, e deve ser aliado às ações, já existentes dirigidas às mulheres. Palavras-chave: Violência doméstica, homem, relações objetais, teste das relações objetais..
(9) Abstract Violence of any kind and nature, is a phenomenon that happens since the beginning. The World Health Organization defines violence as the intentional use of physical force or power, real or threatened, against oneself, against another person, against a group or community, which can result in death, injury, psychological damage, problems of development or privation. Domestic violence is defined by the APA (2007) as any action that causes physical injury to one or more members of your family unit and can occur from a generation conflict (against children) and gender (violence against women) by setting up a physical assault, sexual abuse, psychological abuse, neglect within the family, perpetrated by an aggressor in superiority conditions (physical, age, social, psychological and / or hierarchical). This research aims to investigate the structure and dynamics of Psychic Functioning of Men Involved in Domestic Violence. We used the qualitative method, with four men in domestic violence situations. We used the qualitative method, with four men in domestic violence situations. As form of data collection was used an interview and Test of Object Relations (TRO) Phillipson. When analyzing the results, it can be observed that the fragile ego fears loneliness, the loss situations, and destructive attacks of the id and the permissive superego not contain them, and to support the persecutory attacks of objects, and depending on the paranoid and persecutory guilt the ego uses massive projective identification and idealization to hedge its destructiveness, staying in the paranoid-schizoid position. We conclude that the analysis of the structure and psychic dynamics and psychological treatment (individual or group) of men involved in domestic violence, together with other legal and social measures are necessary actions, therefore, can be a way of help- them cope with their limitations, deal with their anxieties, understand and control impulses, review and understand their beliefs and work your self-esteem. Starting from the assumption that domestic violence occurs in the relationship between men and women, treatment and understanding of the psychological aspects of men involved in domestic violence are extremely important to minimize this phenomenon, and should be combined with those already addressed to women. Key-word: Domestic violence, man, object relations, test object relations..
(10) Lista de Tabelas. Tabela 1. Distribuição das participantes por idade, estado civil, filhos e escolaridade.. 25.
(11) Lista de Quadros Quadro 1 – sistema Tensional Inconsciente................................................................................. Quadro 2 - Resultados TRO, Caso 1: Conteúdo Humano, conteúdo de realidade e contexto de realidade...................................................................................................................................... Quadro 3 – Resultado TRO, Caso 1: Sistema Tensional Inconsciente Dominante – STID.... Quadro 4 – Resultado TRO, Caso 1: Síntese e Posição............................................................ Quadro 5 – Resultado TRO, Caso 2: Conteúdo Humano, conteúdo de realidade e contexto de realidade..................................................................................................................................... Quadro 6 – Resultado TRO, Caso 2: Sistema Tensional Inconsciente Dominante – STID..... Quadro 7 – Resultado TRO, Caso 2: Síntese e Posição............................................................. Quadro 8 – Resultado TRO, Caso 3: Conteúdo Humano, conteúdo de realidade e contexto de realidade...................................................................................................................................... Quadro 9 – Resultado TRO, Caso 3: Sistema Tensional Inconsciente Dominante – STID.... Quadro 10 – Resultado TRO, Caso 3: Síntese e Posição.......................................................... Quadro 11 – Resultado TRO, Caso 4: Conteúdo Humano, conteúdo de realidade e contexto de realidade...................................................................................................................... Quadro 12 – Resultado TRO, Caso 4: Sistema Tensional Inconsciente Dominante – STID.. Quadro 13 – Resultado TRO, Caso 4: Síntese e Posição.......................................................... Quadro 14 - Resumo quatro casos: Posições............................................................................. Quadro 15 – Resumo quatro casos: Conteúdo Humano............................................................ Quadro 16 – Resumo quatro casos: Conteúdo de Realidade................................................... Quadro 17 – Resumo quatro casos: Contexto de Realidade.................................................... Quadro 18 – Resumo quatro casos: Medos (STDI).................................................................... Quadro 19 – Resumo quatro casos: Desejos (STDI)................................................................. Quadro 20 – Resumo quatro casos: Defesas (STDI)................................................................. 20. 31 32 33. 37 38 39. 44 45 46. 50 51 52 55 57 58 59 60 61 62.
(12) Sumário Resumo................................................................................................................ 6. Abstract ............................................................................................................... 7. Lista de Tabela.................................................................................................... 8. Lista de Quadro.................................................................................................. 9. 1. INTRODUÇÃO................................................................................................. 11. 2. HOMENS E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA .......................................................... 15. 3. TEORIA DAS RELAÇÕES OBJETAIS ........................................................... 18. 3.1 Mecanismos de Defesa................................................................................ 20. 4. MÉTODO.......................................................................................................... 24. 4.1 – Participantes.............................................................................................. 24. 4.2 – Local........................................................................................................... 25. 4.3 – Ambiente.................................................................................................... 25. 4.4 – Instrumentos.............................................................................................. 25. 4.4.1 – Teste das Relações Objetais................................................................. 25. 4.5 – Procedimentos........................................................................................... 27. 4.6 – Análise dos Dados .................................................................................... 28. 4.7 – Aspectos Éticos......................................................................................... 28. 5. RESULTADOS E ANÁLISES.......................................................................... 29. Caso 1............................................................................................................. 29. Caso 2............................................................................................................. 36. Caso 3............................................................................................................. 42. Caso 4............................................................................................................. 49. Análise Geral................................................................................................. 55. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 65. 7. REFERÊNCIAS................................................................................................ 67. ANEXOS............................................................................................................... 74. Anexo A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.............................. 76. Anexo B – Parecer Consubstanciado do CEP................................................. 79. Anexo C – Histórias do Teste das Relações Objetais..................................... 84.
(13) 12. 1. INTRODUÇÃO. Esta pesquisa teve como objetivo investigar a estrutura e dinâmica da personalidade de homens em situação de violência doméstica. Este foco no homem mostra-se bastante relevante tendo em vista que na revisão da literatura por meio do Banco de Dados Scielo e Portal Capes foram encontrados 6.444 títulos, no período de 2009 a 2014. Ao incluir o descritor homem os artigos apresentados foram reduzidos para dez. De acordo com a Secretaria de Políticas para a mulher, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, entre 1997 e 2007. Ou seja, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 mulheres assassinadas por 100 mil habitantes. O índice se mantém em patamares quase constantes nos últimos anos, apesar de registrar ligeira queda – era 4.022 em 2006 e baixou para 3.772 em 2007. O Mapa da Violência no Brasil de 2010, publicado pelo Instituto Zangari, baseado no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS), mostra que o Brasil ocupa o sétimo lugar com relação à assassinatos femininos no mundo, com uma taxa de 4,4 por 100 mil mulheres. Essas são mais altas do que as da maioria dos países europeus, cujos índices não ultrapassam 0,5 casos por 100 mil habitantes. O Brasil fica abaixo, apenas, de países como África do Sul (25 por 100 mil habitantes) e Colômbia (7,8 por 100 mil). A Organização Mundial de Saúde (2002) define violência como “o uso intencional da força física ou do poder, real ou por ameaça, contra a própria pessoa, contra outra pessoa, contra um grupo ou uma comunidade, que pode resultar em morte, lesão, dano psicológico, problemas de desenvolvimento ou privação” (p. 05). Em 2006, Grossi et al (2006), lança o livro “Gênero e violência: pesquisas acadêmicas brasileiras (1975-2005)”, revelando que, em 30 anos e dentre as 286 pesquisas expostas somente 7% eram sobre homens e/ou masculinidades. Ao analisar as referências bibliográficas que envolvem os homens em situação de violência doméstica encontramos os seguintes artigos, que passaremos a descrever. Rosa et al (2008) investigaram as causas da agressão conjugal contra a mulher, a partir da ótica do homem autor de violência, em “A violência conjugal contra a mulher a partir da ótica do homem autor da violência”. Neste estudo verificou-se que os homens reconhecem ações violentas, porém, não se veem como.
(14) 13. agressores, ou seja, não identificam que suas ações os colocam como autores de violência. Oliveira e Gomes (2009), em um estudo de revisão de 54 textos brasileiros, sobre violência conjugal, observaram que a maioria das pesquisas aborda o tema, “violência doméstica”, relacionado à questão de gênero. Eles concluíram que é necessário definir uma abordagem mais adequada para articular os polos (cultura, gênero, situações socioeconômicas, personalidade) deste tema polêmico,. a. necessidade de mais pesquisas qualitativas com sujeitos de diferentes camadas sociais, além de mais investimentos em programas alternativos de tratamento do homem, valorizando e levando-se em consideração a singularidade de cada caso. A pesquisa de Aguiar (2009), “Gênero e masculinidades follow-up de uma intervenção com homens autores de violência conjugal” teve como objetivo compreender a questão de gênero e masculinidades de homens envolvidos em violência doméstica. Os envolvidos na pesquisa perceberam o trabalho com o grupo de forma benéfica, relatando que foram ouvidos e puderam falar sobre o assunto, enfatizando que existe a necessidade de tratamento psicológico também para suas famílias. Deeke et al (2009) analisaram a dinâmica da violência doméstica a partir do discurso da mulher agredida e do parceiro autor da agressão, por meio de um estudo descritivo-exploratório qualitativo. Verificou-se que os homens negam a agressão e sua frequência com mais constância que as mulheres. As razões da violência foram o ciúme, o homem ser contrariado, álcool e a desconfiança de traição. Esta pesquisa demonstrou que as formas de perceber as agressões refletem na dinâmica da violência doméstica. Medrado (2009), em “Homens, violência de gênero e atenção integral em saúde”, estudou o posicionamento de profissionais que trabalham no atendimento de homens agressores no SUS, apresentando reflexões sobre as várias formas de atendimento, levando em consideração as condições e pensando as estratégias. Concluiu que os equipamentos de saúde não são a melhor porta de entrada para os casos de violência contra as mulheres, apenas para raros casos, vinculados a danos físicos. Lima e Büchele (2011) publicaram o artigo “Revisão crítica sobre o atendimento a homens autores de violência doméstica e familiar contra as mulheres”, um estudo qualitativo referente a um programa governamental de.
(15) 14. atendimento a homens autores de violência, para prevenção e atenção à violência doméstica e familiar no Sul do Brasil. Concluíram que programas de atendimento a homens autores de violência é um desafio na prevenção e enfrentamento à violência doméstica e na promoção da equidade de gênero. Referente aos rompimentos do grupo familiar e violência doméstica contra as trabalhadoras na pesquisa “Operárias no Cariri cearense: fábrica, família e violência doméstica”, Araújo, Lima e Borsoi (2011) estudaram sobre a entrada de mulheres no mercado de trabalho (fabril) e a redefinição dos papéis (homem e mulher). A mulher no mercado de trabalho levanta o questionamento do lugar do homem como provedor, pois a partir do de seu empoderamento financeiro, estas mulheres descobrem-se cidadãs e lutam por seus direitos, não ficando mais caladas em situações de violência doméstica. Uma resenha de Nascimento (2009) sobre a pesquisa de Barker (2008) “Homens na linha de fogo: juventude, masculinidade e exclusão social” apresenta um conjunto de pesquisas que envolvem situações de homens jovens, em diversos contextos. O autor fez uma reflexão e discussão sobre a existência de múltiplas masculinidades, sobre a tensão e conflito das relações entre homens e mulheres jovens no Rio de Janeiro. Os relatos dos jovens mostraram que eles não tinham exemplos positivos dessas relações em seus ambientes familiares, pois estavam inseridos em contextos de violência. Afirmou que existem jovens que questionam as desigualdades de gênero e que acham que os homens não devem ter mais poder do que as mulheres. Concluiu a importância de reconhecer que o processo de socialização dos homens e das mulheres tende a colocar armadilhas para a humanidade como um todo, e é necessário “se implicar e não aceitar o que pode parecer natural, é questionar e acreditar em outros processos de sociabilidade de ser e estar no mundo” (NASCIMENTO, 2009, p. 2). Fernandes (2013) em “Os direitos dos homens nas sociedades democráticas: A violência na família” fez uma análise sobre como a transgressão dos direitos do homem pode ocorrer na família, seja por maus-tratos (físicos, psicológicos ou morais) dos cônjuges entre si, destes em relação aos filhos e dos filhos em relação aos pais. Discutiu sobre a construção da configuração familiar no mundo contemporâneo e como a violência intrafamiliar é tratada nas classes sociais. Conforme o autor, a violação dos direitos dos homens na família tem pouca visibilidade nas camadas sociais mais elevadas (média e superior), enquanto nas.
(16) 15. classes populares existe uma maior visibilidade. Deixou claro que o âmbito familiar, nem sempre, garante o direito dos homens, tampouco é capaz de conter as formas extremas de violência. Em sua pesquisa “O que se sabe sobre o homem autor de violência contra a parceira íntima: uma revisão sistemática”, Silva; Coelho e Moretti-Pires (2014) tiveram como objetivo analisar o perfil de homens em situação de violência doméstica. Concluíram que existe mais risco de violência doméstica quando os homens estão desempregados, tem baixa escolaridade, são usuários de álcool e drogas e testemunharam algum tipo de violência na família. Apontaram para a necessidade de ampliação de programas de prevenção envolvendo os homens agressores. Silva, Coelho e Njaine (2014), investigaram as motivações da violência doméstica a partir de depoimentos de homens e mulheres em inquéritos policiais de uma delegacia de proteção à mulher em “Violência conjugal: as controvérsias no relato dos parceiros íntimos em inquéritos policiais”. A análise dos resultados aponta que as agressões ocorreram em decorrência do uso de drogas e ciúme. Concluiu-se que os agressores não reconhecem suas ações violentas e que a cultura, as condições socioeconômicas e a questão de gênero estão relacionadas a violência doméstica. As pesquisas indicam que existe uma maior incidência de violência doméstica quando os homens são usuários de álcool e drogas, e motivados por ciúmes, traições, problemas financeiros, empoderamento da mulher, aspectos culturais e sociais das pessoas envolvidas. A partir do levantamento bibliográfico pudemos verificar a necessidade de mais estudos sobre o tema da violência doméstica e homens, pois o número de trabalhos que focam o homem ainda é pequeno, sendo que, na maioria das vezes, os estudos estão direcionados às mulheres..
(17) 16. 2. HOMENS E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.. A agressividade é um instrumento que serve ao homem para administrar seus conflitos. De acordo com Klein e Rivière (1962), a agressividade é inerente à natureza humana, e pode agir para o bem ou para o mal, quando não utilizadas para o bem, “elas têm de escoar-se por canais de ódio e destrutividade” (p. 51). Para Costa (1986), a violência é decorrente da agressividade e da disposição instintiva do homem em causar sofrimentos a seus semelhantes, a satisfação dos impulsos destrutivos pode ser facilitada na combinação com outros agentes da subjetividade humana, de natureza idealista, podendo também aparecer como um conflito de interesses do sujeito. De acordo com Levisky (2010), a violência acompanha o homem desde tempos primórdios, manifestando-se de maneiras e em conjunturas diferentes, porém, conceituar violência é uma tarefa difícil, uma vez que os atos e sentimentos relativos à violência podem ter muitos significados, dependo da cultura, do tempo e contexto onde ocorrem. Dentre às várias formas de violências, temos a “violência contra a mulher”, conceito utilizado por alguns autores como sinônimo de violência doméstica e violência de gênero, entretanto existem diferenças entre estes conceitos como categorias analíticas. Saffioti e Almeida (1995) descrevem o conceito de “violência de gênero”, incluindo crianças e adolescentes, vítimas da violência masculina. Para Izumino (2003), gênero, ou as relações de gênero são definidos como relações socialmente estabelecidas entre homens e mulheres, estruturadas a partir do modelo patriarcal, fortemente hierarquizada, baseada na dominação masculina e na submissão feminina. Grossi (1998) relata que o conceito de violência contra a mulher surge no final da década de 70, difundindo-se rapidamente em decorrência das mobilizações feministas. No Brasil, devido ao assassinato de mulheres vítimas de homens, geralmente seus maridos, que saiam impunes, absolvidos em nome da “defesa da honra”, e no início da década de 80 em função de espancamentos e maus tratos, contra mulheres, ocorridos dentro do ambiente familiar o conceito supracitado virou sinônimo de violência doméstica..
(18) 17. De acordo com Louro (2004), os estudos de gênero favorecem os estudos sobre as mulheres. Mas, é importante ressaltar que cada vez mais se aceita a maneira social de constituição tanto do masculino quanto do feminino, evitando afirmações generalizadas sobre homens e mulheres, fazendo com que se leve em conta os momentos históricos e os contextos socioculturais de que estão tratando, uma vez que o conceito de gênero difere em cada cultura e época. A violência doméstica é definida pela American Psychology Association - APA (2007) como qualquer ação que causa dano físico a um ou mais membros de sua unidade familiar e pode ocorrer a partir de um conflito de gerações (contra crianças e adolescentes) e de gênero (violência contra mulher), configurando-se por agressão física, abuso sexual, abuso psicológico, negligência, dentro da família, perpetradas por um agressor em condições de superioridade (física, etária, social, psíquica e/ou hierárquica). De acordo com Machado (1998), os altos índices de violência doméstica no mundo, e mais especificamente no Brasil, demonstram a necessidade de um combate sistematizado, assim como a necessidade de mudanças de comportamento e atitudes de homens e mulheres que convivem juntos e são vítimas e autores de violência doméstica. O tratamento do homem (agressor) é de suma importância, e está previsto na Lei Maria da Penha que prevê o atendimento e acompanhamento de homens em situação de violência doméstica. No Art. 35, item V, da referida Lei, consta que a “União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios poderão criar e promover, nos limites de suas respectivas competências” – Centros de educação e reabilitação de agressores. O Art. 36 cita que “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão a adaptação de seus órgãos e de seus programas às diretrizes e aos princípios desta”. Schraiber et al (2005) mencionam três motivos para trazer a temática de homens e masculinidade para a pauta dos estudos de saúde e gênero. A primeira é por estimular cientistas e formuladores de políticas a enfrentar questões das interrelações entre os gêneros; em segundo lugar por trazer novas temáticas para os estudos e políticas em saúde da mulher, além de proporcionar novos olhares para antigos objetos da saúde das mulheres e dos homens. Muszkat (2011) alerta para a análise das questões de gênero uma vez que na violência doméstica a mulher é, via de regra, a vítima e o homem tratado como.
(19) 18. pessoa “do mal”. Portanto, o sistema que normatiza os valores morais deve ressaltar a importância de discriminar os programas adaptados à cultura e ao contexto local. De acordo com Arilha, Unbehaum e Medrado (1998), reconhecer a extensão relacionada ao conceito de gênero permite a desconstrução de temas sobre a culpa do homem que delimitam as falas do movimento feminista em produções acadêmicas contemporâneas. Ao invés de procurar culpados é necessário identificar como se dá a relação entre os sexos, gerando menos sofrimento individual e possibilitando efetivamente transformações no âmbito das relações sociais orientadas pelas desigualdades de gênero. Conforme Muszkat (2011), na violência doméstica não existe vencedor, o agressor (homem), também tem sua autoestima e amor destruídos, podendo sentirse desamparado. O homem é, na maioria das vezes, julgado como “do mal” e tem que lidar com a exclusão da sociedade e sem o apoio de sua família não existe possibilidade de reparação. Importante ressaltar que, os homens podem ser vistos como sujeitos da agressão, mas também, como vítimas da exclusão. Muszkat (2011) ressalta que frequentemente associa-se o homem violento a grupos ligados ao uso de álcool e drogas ou a algum defeito de personalidade, sendo que, no âmbito jurídico, este fato é utilizado para atenuar a culpa do sujeito. Importante ressaltar que a violência pode ser uma maneira (perversa) de comunicação, uma vez que na violência doméstica, homens e mulheres estabelecem uma parceria. Portanto, faz-se necessário estudar as relações, evitando-se assim a perpetuação de preconceitos e discriminações típicas da hegemonia masculina (TOROSSIAN; HELENO e VIZZOTTO, 2009). O tratamento psicológico de homens agressores envolvidos em violência doméstica, junto com outras medidas judiciais e sociais é uma ação necessária, pois, pode ser uma forma de ajudá-los a enfrentar suas limitações, lidar com suas angústias, entender e controlar os impulsos, rever e entender suas crenças e trabalhar sua autoestima (ECHEBURUA e SANTIAGO, 2010)..
(20) 19. 3. TEORIA DAS RELAÇÕES OBJETAIS. De acordo com Laplanche e Pontalis (2001), relação de objeto é uma expressão utilizada para indicar a forma de relação do indivíduo com seu mundo, e que é resultado complexo de uma organização da personalidade, “de uma apreensão mais ou menos fantasística dos objetos e de certos tipos privilegiados de defesa” (p. 443). Segundo Klein (1982), em sua obra “Algumas conclusões teóricas sobre a vida emocional do bebê”, a criança, em seus primeiros meses, entra em contato com ansiedades oriundas de fontes interna e externa, estabelecendo relações de objeto. Quando a fonte é interna, derivada da pulsão de morte, gera medo de aniquilamento e origina ansiedade persecutória, que é menor quanto menos intensa é a divisão do objeto. Desta forma o ego é capaz de integrar-se e sintetizar os sentimentos para com o objeto, e o amor em relação ao objeto bom predomina sobre os impulsos destrutivos. De forma gradual, o bebê entra em contato com as frustrações, que são de suma importância para o seu desenvolvimento, uma vez que precisa aprender a tolerá-las. Mas, se estas frustrações forem muito intensas e excessivas, podem gerar sentimentos de ódio, vivenciados como uma ameaça à sobrevivência, e para livrar-se destes sentimentos utiliza mecanismo defensivo, tal como a identificação projetiva, colocando para fora de si conteúdos agressivos, não os percebendo como seus. (KLEIN, 1982). Klein (1982) sugere que, já no nascimento, o ego desenvolve mecanismos de defesa para dar conta da ansiedade e iminente aniquilamento, tais como a introjeção e a projeção. Para conter tal angústia, ocorre uma cisão e o seio materno é dividido entre seio bom e seio mal, desta forma o ego tenta manter e preservar um objeto bom e de outra atenuar a persecutoriedade do objeto mau. Esses são correspondentes dos objetos de gratificação ou frustração. Assim, o bebê introjeta o seio bom (cindido), projetando os instintos de amor, atribuindo-os ao seio gratificador (bom) e também projeta os impulsos destrutivos para o exterior e os atribui ao seio mau. Através do contato físico com a mãe o seio bom e o seio mau gradualmente fundem-se, assim começa a construção gradual das relações objetais..
(21) 20. Klein (1982) considera que, se o bebê introjeta a mãe como objeto bom, existe uma maior possibilidade de identificação com outros objetos amistosos, predominando sentimentos bons em seu mundo interno ao longo da vida. Em contrapartida, quando o ego se identifica com o objeto mau, ou seja, a introjeção da mãe e feita como objeto mau, aumentam os sentimentos ruins na realidade psíquica do sujeito. Portanto, a qualidade das relações objetais e a construção da subjetividade dependem da forma de introjeção e projeção dos objetos bons e dos maus. A partir desta conceituação e em concordância com as características das relações de objetos Klein (1982) define o conceito de posição e em seguida define duas maneiras peculiares de relações objetais, que são: posição esquizoparanóide e posição depressiva. Posição é definida por Klein (1982, p. 255) como “agrupamento de ansiedades e defesas, embora surjam primeiro durante os estágios primitivos, não se restringem a eles, mas ocorrem e repetem-se durante os primeiros anos da infância e, em certas circunstâncias, na vida ulterior”. Ou seja, o conceito de posição é mais dinâmico, pois, a “constelação psíquica” indicada pelo termo posição pode acontecer e mudar a qualquer momento, chocando-se com o conceito de fase (estágio), que se refere a processos mais estáveis (SIMON, 1986). As configurações das relações de objeto são definidas como posição esquizoparanóide, ao nascer, e as principais particularidades desta posição são: divisão do objeto externo em bom e mau (=mãe), efetivação de ataques sádicos dirigidos à mãe e a agressividade. A posição esquizoparanóide, do ponto de vista pulsional, a libido e a agressividade estão desde o início presentes e fundidas. O ego tem capacidade limitada de suportar a angústia, utilizando como mecanismos de defesa a clivagem, idealização, negação e controle onipotente do objeto. (LAPLANCHE e PONTALIS, 2001). Em seguida à posição esquizoparanóide, de acordo com Klein (1982), surge a posição depressiva, caracteriza-se pelo impulso para reparar ou proteger o objeto bom. Fato que abre caminho para relações objetais e sublimações mais satisfatórias, que contribuem para a integração do ego e do objeto externo. As defesas estão a serviço de suportar uma possível perda do objeto devido aos ataques realizados na posição esquizoparanóide e um maior entendimento da realidade psíquica e externa. De acordo com Simon (1986), estas posições, embora.
(22) 21. mudem em função do contexto, existem pelo resto da vida. A posição depressiva é mais frequente no desenvolvimento saudável e o recuo à posição esquizoparanóide ocorre em virtude da impossibilidade do ego suportar a angústia depressiva e a culpa (HELENO, 2000). A posição depressiva é alcançada quando o indivíduo consegue reconhecer e discriminar um objeto total. O ego se reconhece separado do objeto e é capaz de separar a fantasia da realidade externa (Segal, 1975). Os indivíduos que permanecem na posição esquizoparanóide não conseguem essa integração, mantendo sua organização interna clivada, o amor e o ódio travam uma luta que persiste ao longo da vida, podendo desencadear problemas nas relações interpessoais posteriormente estabelecidas (Klein, 1996). De acordo com Costa e Katz (1992), os sujeitos que resolvem seus conflitos infantis de modo mais adequado, usam menos o mecanismo da identificação projetiva patológica, e constroem uma relação mais independente. Desta maneira, na resolução dos conflitos, as escolhas infantis do objeto podem ser trocadas por outras mais atuais e reais.. 3.1 Mecanismos de Defesa. Para compreender e discriminar a estrutura e a dinâmica da personalidade, no presente estudo, optou-se pelo uso do teste das relações objetais de Phillipson (2012). De acordo com o modelo de interpretação do sistema tensional inconsciente dominante proposto por Phillipson (2012) é estudado o triângulo formado por desejos, medos e defesas. Rosa e Silva (2005) propõem o quadro 1 para a análise do Sistema Tensional Inconsciente Dominante (p. 23).. Quadro 1: Sistema Tensional Inconsciente Dominante Desejos Medos, angústias e Posições inconscientes sentimentos Depressão, culpa, Posição Fazer reparação do luto pela destruição depressiva objeto estragado. do objeto (parcial (KLEIN, 1991). ou total).. Mecanismos de defesa Defesas de reparação maníaca; negação triunfo e controle onipotente..
(23) 22. Sensação de perseguição (interna ou Proteger o self bom externa), medo de do aniquilamento; Posição aniquilamento e de separar o bom objeto Esquizoparanóide catástrofe; do objeto mau, (KLEIN,1991) sentimentos de estragado e inveja do objeto estragante. bom; medo de progredir, crescer; autodesvalorização.. Posição Gliscrocárica (BLEGER, 1988) Posição Viscocárica (ROSA,1995). Ficar fundido com o objeto bom e protetor, paralisar o objeto ou o próprio self.. Identificação projetiva, divisão, excisão, idealização e demais defesas contra o sentimento de inveja. Identificação adesiva, clivagem, imobilização, fragmentação, Angústia confusão, defesas confusional, contra a aglutinação hipocondria, do self com o objeto perplexidade, bom (hostilidade ao embaraçamento, objeto) e perseguição dos desaparecimento do fragmentos do self. self (imponderabilidade, horizontalidade e verticalidade).. Fonte: Rosa e Silva (2005, p. 23). Os mecanismos primitivos de defesa agem contra a ansiedade derivada da atividade da pulsão de morte e abrangem a negação, cisão, as formas excessivas de projeção e introjeção, as identificações (projetivas, projetivas maciças, introjetivas e adesivas), reparação maníaca e a idealização. Estes mecanismos afetam a forma das relações objetais e definem as bases da identidade (HINSHELWOOD, 1992). A cisão é um mecanismo de defesa que ocorre devido a uma grande ansiedade, e às fantasias ativas no ego. Klein (1982) ressalta que “o ego é incapaz de cindir o objeto, interno e externo, sem que ocorra uma cisão correspondente dentro dele” (p. 222). Na cisão, o ego experimenta a sensação de desintegração, e os objetos são percebidos como cindidos, objetos parciais (bons ou maus). O ego efetua processos de cisão por falta de coesão do ego arcaico e também do aparecimento da pulsão de morte. A ansiedade persecutória intensa leva o ego ao processo de cisão dos objetos, permitindo que indivíduo acredite, para sua autopreservação, na existência.
(24) 23. do seio bom, apartado do seio mau (destruidor). É importante salientar que o processo de cisão modifica-se no decorrer do desenvolvimento, porém está sempre presente (KLEIN, 1982). A idealização é um mecanismo utilizado para proteção de uma perseguição excessiva, conservando, ao mesmo tempo a dissociação entre objetos idealizados e persecutórios. O seio mau é sentido como “um perseguidor terrível, e o seio bom tende a converter-se no seio “ideal” que satisfaria o desejo ávido de gratificação ilimitada, imediata e duradoura”. Ou seja, quando existe a necessidade de ser protegido dos perseguidores, necessitam do aumento das características boas e protetoras do objeto ou do acréscimo de qualidades não existentes no mesmo, com o intuito de minimizar a ansiedade e a angústia (KLEIN, 1982, p. 220). Outro mecanismo de defesa é o controle onipotente do objeto interno e externo. De acordo com Klein (1982) o ego toma posse do seio, e na alucinação, o seio mau mantém-se totalmente separado do seio ideal, e a experiência de ser frustrado da experiência de ser gratificado. Esta cisão está diretamente relacionada ao processo de negação, pois através do mesmo aniquila (alucinação negativa) qualquer objeto ou situação frustradora, buscando a gratificação e o alívio da ansiedade. Klein (1982) elaborou o termo identificação projetiva para explicar um modelo de relação de objeto hostil. Quando o bebê projeta partes boas do eu para dentro da mãe, ele desenvolve boas relações objetais. Porém quando as projeções são intensas ele pode sentir que foram perdidas partes boas do objeto, produzindo empobrecimento e enfraquecimento do ego. Simon (1986) descreve a identificação projetiva como a fantasia onipotente da divisão de partes do eu, projetando-as para dentro de objetos externos, controlando e alterando-os em objetos parcialmente idênticos ao sujeito. De acordo com Simon (1986), Klein estuda a influência mútua entre defesas, impulsos, angústias e fantasias, que acarretam em perturbação do funcionamento mental do psicótico. No caso da cisão fragmentada de objetos, origina objetos perseguidores, que podem ocasionar o esvaziamento da mente do sujeito e causar a despersonalização, nos casos onde a identificação projetiva for excessiva. Segundo Segal (1975), “na identificação projetiva, partes do eu (self) e objetos internos são expelidos (splitting off) e projetados no objeto externo, o qual então se torna possuído e controlado pelas partes projetadas, identificando-se com.
(25) 24. elas” (p. 39). O mecanismo de identificação projetiva está ligado à posição esquizoparanóide, e tende a aumentar “quando a mãe é percebida como um objeto total e todo o seu corpo é penetrado por identificação projetiva” (p. 39). Para Klein (1952), quando a identificação projetiva é relacionada aos mecanismos destrutivos, onde o objeto bom é destruído em fantasia e existe a persecutoriedade do objeto mau, estabelece-se a identificação projetiva maciça. Outro mecanismo de defesa descrito por Klein (1970) é escotomização, em seu artigo “Uma contribuição a psicogêneses dos estados maníaco-depressivos”, como um dos mecanismos de defesa mais primitivos contra o medo de perseguidores (internos ou externos), e ocorre quando existe a negação da realidade psíquica, restringindo os mecanismos de introjeção e projeção e na negação da realidade externa. Como vimos, para Klein (1962) a agressividade, como defesa é pulsional e que as pulsões são flexíveis, sendo assim, as manifestações da agressão evidenciam seu potencial em colaborar para o desenvolvimento da mente e também com seus distúrbios. Assim, quando as pulsões perdem a flexibilidade e predominam os impulsos destrutivos, estabelece-se a persecutoriedade do objeto e as manifestações da agressão transformam-se em violência e gera a paralisação da mente. A negação pode ser utilizada como solução adaptativa para proteger contra estímulos que ao serem incluídos desencadeiam graves perturbações, ou como mecanismo encobridor de uma distorção que só poderia ser explicitada no interrogatório (OCAMPO ET AL, 2009). Na racionalização o indivíduo passa por um processo onde tenta apresentar uma explicação “coerente do ponto de vista lógico, ou aceitável do ponto de vista moral”, seja para um comportamento ou uma ideia, não percebendo os verdadeiros motivos (LAPLANCHE e PONTALIS, 2001, p. 423). A reparação maníaca ocorre quando a angústia de querer reparar um objeto danificado é vivenciada como uma tarefa árdua, portanto o sujeito pode subestimar a situação, e a tarefa é transformada em fácil, como mágica. O desprezo e a depreciação, porém, são defesas maníacas contra a gravidade da angústia e auxiliam o indivíduo a sentir-se menos desamparado e dependente de seus importantes objetos bons, danificados, e fazem vir à tona uma responsabilidade tão.
(26) 25. pesada, resultando na danificação dos objetos e pode levar a um círculo vicioso (HINSHELWOOD, 1992). 4.. MÉTODO. Conforme Lakatos e Marconi (2001), método é um conjunto de atividades sistemáticas e racionais que favorecem a obtenção do objetivo da pesquisa, trilhando o caminho, a fim de detectar erros e ajudando o pesquisador em sua tomada de decisões. Nesta pesquisa utilizaremos a abordagem clínico-qualitativa. Minayo (1996) define método qualitativo como aquele capaz de coligar a demanda do sentido e da intencionalidade como intrínsecos aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas, ou seja, o método qualitativo se volta para os significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo ao universo mais intenso das relações, dos processos e dos fenômenos, não os reduzindo à operacionalização de variáveis. Turato (2000) define o método clínico-qualitativo como um estudo teórico, munido de um conjunto de técnicas e procedimentos apropriados para apresentar e interpretar os significados de fenômenos relacionados à vida do indivíduo. Quando o pesquisador utiliza este método, é instigado a acolher as angústias e ansiedades da pessoa em estudo, sendo útil nos eventos em que os fenômenos tenham estruturação complexa, de foro íntimo ou de verbalização emocionalmente difícil. 4.1 Participantes Participaram desta pesquisa quatro homens envolvidos em violência doméstica. Foram convidamos oito homens, sendo que, três recusaram o convite e um dos homens foi preso, portanto, não foi possível incluí-lo..
(27) 26. Tabela 1. Distribuição das participantes por idade, estado civil, filhos e escolaridade Caso Idade Estado Civil No. De filhos Escolaridade Caso 1 - Cleber 28 anos Casado 2 Médio Completo Caso 2 - Claudionor 45 anos Casado 1 Fundamental Incompleto Caso 3 - Dalton 32 anos Casado 2 Médio Incompleto Caso 4 - César 31 anos Casado 2 Médio Incompleto. 4.2 - Local A pesquisa foi realizada na Organização não governamental de uma cidade da grande São Paulo. 4.3 - Ambiente. Os encontros ocorreram em uma sala, bem iluminada, com mesa e cadeiras, ambiente neutro, protegendo o participante de ruídos externos, que ficou livre para que pudesse se expressar e se concentrar e realizar o teste proposto. 4.4 Instrumentos Para a coleta de dados foi utilizado o Teste das Relações Objetais que avalia a dinâmica e a estrutura do funcionamento psíquico.. 4.4.1 Testes das Relações Objetais. O TRO é um método projetivo, que tem como objetivo avaliar a dinâmica e a estrutura psíquica e consiste em apresentar ao sujeito 13 lâminas com figuras ambíguas e solicitar que ele conte histórias. Baseia-se na teoria de que o indivíduo, ao elaborar histórias sobre os estímulos apresentados, recorrerá a suas próprias experiências e fantasias, expressando impulsos conscientes e inconscientes, defesas e conflitos. Utiliza como pressuposto básico as relações interpessoais como o núcleo das relações objetais no presente, explorando o conteúdo de realidade e o clima emocional que evocam (GRASSANO, 2012; OCAMPO, 2011). De acordo com Grassano (2012), a produção projetiva de cada sujeito é uma elaboração pela qual se expressa um modo particular de estabelecer contato com a.
(28) 27. realidade interna e externa, a qual está relacionado em cada momento do processo. As lâminas atuam, na situação projetiva, “como objetos mediadores das relações vinculares pessoais, que mobilizam ou reeditam aspectos variados da vida emocional. Nesse sentido, toda produção projetiva é o produto de uma síntese pessoal” (GRASSANO, 2012, p. 26). O Teste das relações objetais de Phillipson é constituído por 13 lâminas, dividido em três séries A, B, C e uma em branco, com quatro lâminas cada série, com um, dois, três pessoas e uma de grupo. De acordo com Phillipson (1992), as lâminas da Série A se apresentam sombreadas (claro e escuro) e pouco estruturadas, o que faz emergir necessidades primitivas de relações objetais. Para Ocampo e Arzeno (2012), nesta série, quanto maior o aparecimento de ansiedades depressivas, maior o índice de adaptação, pois quando existem menos “mecanismos de controle obsessivo e reparação autêntica, realçando-se aspectos mais integrados do ego” (p. 128). As figuras da série B apresentam traços escuros e bem definidos (preto e branco), com pouca liberdade a outras interpretações, que não seja a realidade exibida, o que pode suscitar controles egóicos mais maduros e o aparecimento de defesas de neuróticas, possibilitando que o ego seja capaz de lidar com a realidade e atenuar as angústias (OCAMPO et al, 2012; ROSA, 2005). A série C exibe cenários menos estruturados que a série B e inclui cor, o que pode aumentar a tensão e os sentimentos agressivos. De acordo com Rosa (2005), “As respostas nesta série possibilitam a apreciação do tipo de vínculo que o paciente estabelece com seus objetos”... “O controle adaptativo é esperado em termos de diagnóstico e prognóstico, bem como o uso de defesas que empobrecem o ego, tais como a negação, o triunfo e o controle onipotente. São comuns fantasias de perda e elaboração do luto, sentimentos frente ao conflito. edipiano. que. favorecem. dissociações:. superego/ego/id,. mente/corpo, mundo interno/externo, fantasia/realidade.” (p. 15).. A prancha em branco serve para compreender os afetos mobilizados em situações de perda e as possibilidades de recuperação. As histórias elaboradas por homens em situação de violência doméstica, a partir das lâminas do TRO serão analisadas com base na teoria das.
(29) 28. relações objetais de Melanie Klein, com o objetivo de avaliar a dinâmica e a estrutura psíquica destes sujeitos. Klein (1982) em seu artigo “Notas sobre alguns mecanismos esquizoides”, de 1946, discorre sobre a estrutura do ego e como é afetado pelos processos de cisão, sendo esta estrutura um sistema de objetos internos elaborados através das relações objetais e da fantasia inconsciente. Na posição esquizoparanóide, o mundo interno está cindido e pode ocorrer a fragmentação do mesmo, existindo um esforço do ego para efetuar uma integração dos objetos parciais e de partes do self. Na posição depressiva a estrutura da personalidade torna-se mais integrada. De acordo com Ocampo e Arzeno (2012), o teste das relações objetais tem como hipótese que o mundo é percebido dinamicamente pelas pessoas, e suas percepções são coerentes com sua maneira de interagir com o meio, refletindo em processos dinâmicos através dos quais expressa e regula as forças conscientes e inconscientes que atuam em sua interação com a situação. 4.5 - Procedimento. A coleta de dados foi feita em uma organização não governamental que atende e orienta homens e mulheres envolvidos em violência doméstica em uma cidade da Grande São Paulo. Após a aprovação do Comitê de Ética da Universidade Metodista, convidamos os homens a participar da pesquisa. Com o objetivo de preservar a mulher de modo que ela não sofresse nenhum tipo de represaria, esses homens, que respondem aos processos por violência contra a mulher, comparecem à ONG em virtude do processo estar ainda em andamento e participam de um grupo de reflexão que objetiva a conscientização e responsabilização do homem nas situações de violência doméstica. Nesta ocasião, eles foram convidados a participar da pesquisa. É válido esclarecer que os participantes foram convidados e não coagidos a participarem do estudo. Àqueles que se mostraram interessados, foi agendado dia e hora a fim de apresentar os objetivos da pesquisa e explicar os aspectos éticos. Também foi lido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Anexo A), para que o participante voluntário possa ter conhecimento de como será o processo da pesquisa. Após consentimento dos participantes, foi realizada uma entrevista, aplicação do TRO e uma entrevista devolutiva:.
(30) 29. TRO – Teste das Relações Objetais, é um método projetivo que consiste em apresentar ao sujeito 13 lâminas com figuras ambíguas e solicitar que ele conte histórias e ao elaborar histórias sobre os estímulos apresentados, recorrerá a suas próprias. experiências. e. fantasias,. expressando. impulsos. conscientes. e. inconscientes, defesas e conflitos. Entrevista Devolutiva tem como principal objetivo comunicar o resultado das avaliações e auxiliar o indivíduo na compreensão dos mesmos, removendo distorções ou fantasias negativas. Os instrumentos relacionados acima foram aplicados em três encontros: 1º encontro – Entrevista Inicial 2º encontro – Aplicação do Teste das Relações Objetais. 3º encontro – Devolutiva. 4.6 Análises dos dados. O material foi avaliado de forma qualitativa seguindo critérios estabelecidos pelo autor do Teste das Relações Objetais, utilizado na pesquisa. 4.7 Aspectos Éticos. De acordo com a resolução 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia, toda pesquisa em Psicologia com seres humanos deverá estar instruída de um protocolo, a ser submetido à apreciação de Comitê de Ética em Pesquisa, reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde, conforme determinação da resolução MS 196/96 E 466/12 do CNS. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa, número 851.950, CAEE 30811114.8.0000.5508 (ANEXO B)..
(31) 30. 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO. A seguir apresentamos os resultados do TRO de cada um dos participantes, os nomes são fictícios, a fim de manter o sigilo e preservar a identidade desses homens. As histórias elaboradas por cada um dos participantes no Teste das Relações Objetais - TRO estão em anexo (Anexo C).. Caso 1 – CSL. Cleber tem 28 anos e uma irmã mais nova de 26 anos. Relata que já esteve preso por dois anos, porte de drogas e roubo no nordeste brasileiro e mais cinco meses por violência contra sua mulher. Tem duas filhas, uma de sete anos, que reside com a mãe em Minas Gerais e uma filha de um ano com a atual esposa. Expõe que quando usava drogas, sempre estava brigando com alguém, ou era sua esposa, sua irmã, seu cunhado ou sua mãe. Fazia mil peripécias para fugir da polícia, o que, segundo ele, causava vergonha para todos os seus parentes, mas sua esposa sempre esteve ao lado dele. Depois que saiu da prisão decidiu que precisava mudar de vida. Com a ajuda de uma igreja, não voltou a usar drogas e nem utilizar bebida alcoólica. Está empregado em uma empresa, com carteira assinada, e voltou a morar com a esposa e a filha de um ano desde fevereiro de 2013. Relata que, quando jovem, presenciava o pai bater na mãe e que ele também apanhou muito. E em sua casa não era diferente, sempre que bebia e usava drogas tinha muitas brigas, e admite que bateu na mulher e conta que ela revidava, “mas o homem sempre é mais forte” (sic). Frequenta uma igreja evangélica, e fala muito sobre como a palavra de Deus o ajudou a reconstruir sua vida, pois, segundo ele, “se continuasse bebendo, não estaríamos juntos, ou estaria no caixão ou preso” (sic). Conta que não tem muitos amigos, e que evita sair com os velhos amigos, para não ter recaída, porém algumas vezes alguns conhecidos o procuram e ele tenta levá-los para “o bom caminho”, sair das drogas..
(32) 31. Disse que tem planos para o futuro, tais como, conseguir morar em uma casa melhor, pois sua esposa merece, por ter passado necessidade e muito desgosto com ele, quer comprar um carro e tirar carta de motorista para que possa levar sua família para passear. Fala que sua esposa está mais nervosa ultimamente, porém, ele sabe que “deve ser cansaço por tudo o que ela passou quando bebia e usava drogas” (sic). No último encontro relatou ter se separado da mulher e foi morar com a mãe. Conta que continua conversando com a esposa e sempre pega sua filha de um ano para passar o dia com ele. Quando relatou a separação disse que está tudo muito diferente, pois quando eles se separavam, eles sempre discutiam, mas agora, estão conversando com calma e os dois estão melhores. Conta que, mesmo com as mudanças, a ex-esposa estava muito nervosa, e eles sentaram para conversar, e acharam melhor a separação. Combinaram que Cleber pegará sua filha todos os finais de semana, e continuará ajudando a exesposa financeiramente. Ressalta que vai à igreja com sua mãe e o relacionamento entre eles também melhorou. Reatou o contato com sua irmã e seu cunhado, que também são evangélicos e acredita que tudo ficará bem agora que, segundo ele, “estão em Deus” (sic). Atualmente, seu lazer é ir passear com sua filha, fazer churrasco na casa da irmã. De acordo com seus relatos, o apoio da sua família foi de extrema importância para que ele pudesse “mudar de vida” (sic), e hoje quer olhar para frente e construir uma vida digna. Seus planos para o futuro são: continuar trabalhando, tirar a carteira de motorista e comprar um carro usado, e levar sua filha para passear..
(33) 32. Quadro 2 – Conteúdo Humano, conteúdo de realidade e contexto de realidade Lâmina Conteúdo Humano A1(1). A2(2). Uma pessoa, um homem de braços cruzados. Um homem e uma mulher, como eu e minha esposa.. Conteúdo de Realidade. Contexto de Realidade. Inexistente.. Vitória. Inexistente.. Inexistente. C3(3). Pessoa, duas pessoas. Uma casa.. Inexistente. B3(4). Um rapaz e uma Cenário interno e externo criança, e outra pessoa doméstico. na porta.. Inexistente. AG(5). Um monte de gente, cinco pessoas.. Inexistente.. Inexistente. B1(6). Uma pessoa.. Cenário interno doméstico, detalhes, quarto, televisão e uma escada.. Inexistente. Inexistente.. Glorificação. Inexistente.. Inexistente. Cenário externo, árvore e prédio.. Inexistente. CG(7) A3(8). B2(9). Pessoas com as mãos levantadas. Três pessoas, duas conversando e uma parada. Um casal, duas pessoas, um homem e uma mulher.. BG(10). Seis pessoas.. Cenário interno, urbano, igreja, detalhes porta e janela.. Inexistente. C2(11). Uma pessoa, outra pessoa.. Cenário interno doméstico, uma cama, uma cômoda, uma janela.. Inexistente. Inexistente. Uma cadeira, uma jarra, cenário interno doméstico, cozinha (cadeira, jarrinha, copo, prato).. Inexistente. C1(12).
(34) 33. Quadro 3 – Sistema Tensional Inconsciente Dominante – STID Lâmina Medo. Desejo. Defesa. A1(1). Fracasso. Vencer. Identificação projetiva, cisão, tendência à idealização, controle onipotente.. A2(2). Do par unido. Conter o par. Identificação projetiva maciça e idealização, cisão.. C3(3). Exclusão. Evitar a exclusão. Identificação projetiva maciça, alucinação negativa, cisão e idealização.. B3(4). Exclusão. Evitar a exclusão. Identificação projetiva maciça, cisão, idealização.. AG(5). Perda (medo de não proteger o objeto bom). Evitar a perda. Identificação projetiva maciça, cisão, idealização e escotomização.. B1(6). De entrar em contato com objetos destrutivos do mundo interno. Manter o controle dos objetos destrutivos, por meio do controle onipotente (=obsessivo).. Identificação projetiva, cisão, tendência à idealização, controle onipotente.. CG(7). Dos ataques destrutivos do id. Impedir os ataques. Identificação projetiva maciça, idealização e negação maníaca.. A3(8). Da exclusão. Evitar a exclusão. Identificação projetiva maciça, idealização.. B2(9). Dos ataques ao par Manter o par unido. Identificação projetiva maciça, idealização.. BG(10) Da exclusão. Evitar a exclusão. Identificação projetiva maciça, idealização.. C2(11). Da perda. Evitar a perda. Identificação projetiva maciça e idealização.. C1(12). Da solidão. Evitar a solidão. Identificação projetiva maciça, alucinação negativa e idealização..
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