UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
SANTA CATARINA
cURso DE Pós-GRADUAÇÃD
EM
LETRAS
-LINGÚÍSTICA
AsP1‹:cTos
Do
B1L1NGÚ1sMoz
ALEMÃO/PORTUGUÊS
EM
MARECHAL
CÂNDIDO
RONDON
-PARANÁ
-BRASIL
Dissertação apresentada ao
Curso de
Pós-Graduação
em
Letras-Lingüísticada
Universi-dade
Federal deSanta
Catarina,como
requisito parcial para. obtenção
do grau
deMestre
em
Letras-Lingüística.CLARIÚE
NADIR
VON
BÓRSTEL
\ Ç 4 .` K .-. 1 o . .¿ ' ' Q
FLÓRIANÓPOLIS
Fevereiro/1992
Esta
dissertação foi julgadaadequada para
a obtençãodo grau
de:MESTRE
EM
LETRAS'
na
Área
de
Lingüística Aplicada aoEnsino
dePortuguês
eaprovada
em
sua forma
final pelo
programa
de Pós-Graduação
em
Letras-Lingüística. A«
E
_
K/0/çalb.
gProf. Dr. Giles Lother Istre
Coordenador do Curso-d Pós-Graduação
em
Letras - Lingüísticaáíšzwmf
zz
Prof. Dr. Paulino
Vandresen
, Orientador
BANCA EXAMINADORA
fw.wW@a»@.¬m..,.awW
Prof!
Maria Marta
Furlanetto_ ' ›4. ' E' d .._ _ . . ° ' . ¬z~ ~¬ °
Prof. Ivo
Zimmermann
'Q _
I
à 1, a
Ao
meu
pai, inmemoriam
A
Liselotte,minha
mãe
_
Ao
meu
irmão Emílio
`Às minhas
z°z~mâs.- use, Mimzz' éAm'
Cristina '
-
DEDICO
Meus
Agradecimentos:
Ao
meu
orientador, Prof. Dr. PaulinoVandresen,
posto a esclarecer àsminhas
dúvidas
e constante orientação.À
Prof”. Drë.Branca
Telles Ribeiroque
me
indicou leiturasindispensáveis
durante
a
elaboraçãodo
projeto de pesquisada
presente dissertação.À
Prof”. Dri.Maria Marta
Furlanetto e ao Prof. Dr. Giles Lother«Istre,
coordenadores
do Curso
dePós-Graduação
em
Letras/Lingüística, pela atenção econstante orientação. '
V
'A todos os professores do
Curso
dePós-Graduação que
me
introduziram,
através de suas disciplinas,
nas mais
diversas áreasda
lingüística. 'À
secretária doCurso
dePós-Graduação
ElzaLemos,
pela constante orientação.Aos
meus
informantesque
me
deixaram
participarum
poucono
seu dia-a-dia
que
demonstraram
uma
grande
hospitalidade, permitindo a coleta de dados..
À'
Universidade Estadual do Oeste
do
Paraná
-em
especial àFaculdade de
Ciências
zHumanas
deMarechal Cândido Rondon,
àCoordenação de
Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior -CAPES
e à Secretaria deEstado
da Educação do
Paraná, porterem
possibilitadoa
realização deste.À
_`Prefeit`ur.a.Municipal deMarechal Cândido Rondon,
que pôsà
minha
disposição
documentos
e informações sobre a imigração dealemães
e descendentesvindos
para Marechal
.CândidoRondon.
a 'À
minha
amiga
Maria
BeatrizZanchet que
fez a revisãoda
presentedissertação, aos
meus
amigos: Ingrid Hedel, Laurita Kayser, Nilson Freitag e SueliHey
que
me
auxiliaram, e naturalmente a todos os outrosamigos que observaram
de perto, os altos e baixos
que
sederam
durante a
produção dessa dissertação.n
V
ú
\'
sUMÁR1o
ÍNDICE
DE
MAPAS, GRÁFICOS E
TABELAS
. . . . . . . .. . . vii
RESUMO
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . viiiABSTRACT
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ix 1.INTRODUÇÃO
.“ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 01 2.-REFERENCIAL
TEÓRICQ
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . oe ' 2.0. Observações preliminares . . . . . . . . . . . . . . . . 062.1.
Abordagem
teórica sobre o bilingüismo . . . . 072.2.
Manutenção
e perda deuma
língua . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 2.3. Análise das redes de comunicação:
um
modelo sincrônico ediacrônico para estudo da
mudança
linguística . ‹. . . 20 2.4. Situações de alternância de código . . . . _ 26
2.4.1. Alternância de código: abordagem dos fatores
estruturais lingüísticos . . . . . . . . .
_ . . . 29 u
2.4.2. Alternância de código conversacional . . . 33 2.4.3.
Abordagem
sócio-psicológica da alternância de código. . . 34
>
2.4.4. Alternância de código: enfoque estratégico-discursivo
. . . L 35
3.
METODOLOGIA DA
COLETA DE
DADOS
. . . . . . . . . . . . . _ . 40 3.0. Observações preliminares . . . . . . ._ . . . . . . . . . . . . . . . 40 3.1. Realização das entrevistas sociolingüísticas . . . . . .
. . . . . . . . 43 3.1.1. Primeira etapa de pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.1.2. Segunda etapa de pesquisa . . . . . . . . . 44 3.2. Realização da observação participante . . . . . .`
. . 47 3.2.1.
As
comunidades religiosas . . .. . . . . . . . . 49 3.2.2. -Escola Evangélica Martin Luther . . . 51 3.2.3. Lojas comerciais . . . . . . .
. . . . . . . . . 52 3.2.4. Emissoras de rádio . . . . . . . . . . . . . . 53 3.2.5.
A
observação participante no ambiente familiar. . . 54
4.
ASPECTOS
sóçlo-H1sTÓR1cos
Do
MUNIÇÍPIO
DE
MARECHAL
CANDIDO
RONDON
-PARANA
. . . . . . . . . . . . . 56 4.0. Observações preliminares . . . . . . . . . `.
. . . . . . . . . 56 4.1. Histórico da localidade . . . . . . . . . 57 4.2. Marechal Cândido Rondon hoje . . . .
. . . 60 4.3. Composição étnica da população . . . . .
.V . . . . . . . . . . . . . . . 63
5.
PRIMEIRA
ETAPA
DA
PEsQU1sAz
DESCRIÇÃO
Do
BILINGÚISMO
_ . . . . 12 5.0. Observações preliminares . . . . . . . . 72 5.1. Metodologia e instrumentos .' . . . . . . . . . . . 72 5.2. Procedimentos metodológicos . . . . . . . . . . . . 75 5.3.Amostra
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 iv5.4. Resultados dos dados obtidos . . . . . . . . . . . . . 76 5.4.1.
sem
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . '76 5.4.2. Confissão religiosa . . . . . . . . . . . 2. 76 5.4.3. Ascendência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 5.4.4. Bilingüismo dos pais . . . . . . . . . . . . . .. . 78
'
5.4.5.
Uso
do alemãoem
família . . . . . . 79 5.4.6.Uso
do alemão na comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . 80 5.4.7.Uso
do alemãoem
outras situações .. . . . . . . . . . . . . . 82 5.4.8. Atitudes gerais
com
relação às línguas . . . .. 83 5.4.9. Ascendência alemã e bilingüismo
. . . . . . . 84 5.5. Conclusão do capítulo . . . . . . . . . .
. . . 86
SEGUNDA
ETAPA
D__APESQUISA:
REDES
DE COMUNICAÇÃO
DOS
FALANTES
BILINGUES
DE
MARECHAL
CANDIDO
RONDON
. . . 87 6.0. Observações preliminares . . . . . . . . . 87 6.1. Metodologia e instrumentos . . . . . . . . 87 6.2. Procedimentos metodológicos . . . . . . . . 90 6.3.A
amostra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 6.3.1. Identificação dos informantes. . . 91 6.4. Características sociográficas da população da amostragem
. . . 95 6.4.1. Mobilidade espacial . . . . . . . . 95 6.4.2. Profissão . . . . . . . . . . . 95 6.4.3.
Grau
de escolaridade . . . . . . . . . . . '. _ 98 6.4.4. Exposição aos meios de comunicação demassa
. . . 100 6.5. Características das redes de comunicação . . . . . . . . .
. 102 6.5.1. Escolha da língua
em
situações diversas. . . . . . 102 6.5.2. Os padrões de escolha segundo o interlocutor
. . . . . 118 6.5.3. Os padrões de escolha da língua para o sexo
masculino e feminino . . . . . . . . . . . 114 6.5.3.1. . Os padrões de escolha da língua entre as _ mulheres católicas . . . . . . . . . '119
6.5.3.2. Os padrões de escolha da língua entre as mulheres
evangélicas . . . . . . . . . . . 120 6.5.3.3. Os padrões de escolha da língua entre os
homens
católicos . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . 123 6.5.3.4. Os padrões de escolha da língua entre os
homens
evangélicos . . . . . . . . . 124
6.6.
As
redes individuais de comunicação . . . . .. 127 6.6.1.
A
rede familiar . . . . . . . . . 128 6.6.2.A
rede de relações preferenciais . . . . 1366.7. Conclusão do capítulo . . . . .
. . . . . . . . . 141
TERCEIRA ETAPA
DA
PESQUISA:
SITUAÇÕES
DE
A
ALTERNANCIA DE
CODIGO
NO
ALEMAO/PORTUGUES
NA
COMUNIDADE
RONDONENSE
. . . . . . . . 143 7.0. Observações preliminares . . . . . . . . 143 7.1. Metodologias . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 7.2. Procedimentos metodológicos . . . . . . . . . . . . 146 7.3. Análise de dados . . . . . . . . . . 146 7.4. Conclusão do capítulo . . . . . . . . . . 165V
coNcLUsÁo~
. . . . . . . . .REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ANEXOS
. . . . . . . .' . . . . . . 10.1.ANEXQ
1 . . . . . . . . . . 10.2.ANEXO
2 . . . . . . . . 10.3.ANEXO
3 . . . . . . . I 1ÍNDICE
DE
MAPAS, GRÁFICOS E
TABELAS
MAPAS
Da
Alemanha
.._ . . . . . . . . . . . . . .
69
Do
Paraná
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .70
De
Marechal Cândido
Rondon
. . . . . . . 71GRÁFICOS
I 1.! 2. Etnia de descendentes europeus procedentesdo
RioGrande
do
Sul eSanta
Catarina . . . . . . . . . . . . . . . .65
Relação entre ascendência
alemã
e bilingüismo . . . . . . .85
TABELAS
5. 5.3 5.4.1 5.4.2 5.4.3.a 5.4.3.b 5.4.4 5.4.5 5.4.6 5.4.7 5.4.8 5.4.9 6. 6.3.1 6.4.1 6.4.2.a 6.4.2.b 6.4.3.a 6.4.3.b 6.4.4 6.5.1.a 6.5.1.b 6.5.2 6.5.3.a 6.5.3.b 6.5.3.1 6.5.3.2 6.5.3.3 6.5.3.4 6.6.1 6.6.2TABELAS
DA
PRIMEIRA
ETAPA
DA
PESQUISA
Número
de informantes por série . . . . . . . .Sexo
dos informantes . . . . . . . . . . . . . . . . Confissão religiosa dos informantes . . . . . . . .' . . . . . . .Ascendência
dos informantes . . . . .' . . . . . . . .Ascendência
alemã: alunos cujos paistêm
sobrenome alemão
.Desempenho
lingüístico dos pais dos alunosem
alemão
_ . . . .Uso
doalemão no meio
familiar . . . . . . . . . . . . . . . . . .Funções
sociais: uso doalemão
como
língua decomunicação
na
comunidade
. . . . .` . . . . . . . . . . . . . .Funções
individuais: uso doalemão
sem
interlocutor concreto eem
situações emocionais . . . . . . . . . . . Atitude do inf`ormantecom
relação à línguaalemã
. . . . . Relação entre ascendênciaalemã
e o bilingüismo . . . . .TABELAS
DA SEGUNDA
ETAPA
DA
PESQUISA
Amostra
de todos os informantes entrevistados . . . . . Mobilidade espacial . . . . . . . . . . . . Categoria profissional dos informantes maiores de 18 anos,segundo
sexo e geração . . . . . . . . . . . . .A
categoria profissional do pai de cada informante,em
cada geracão . . . . . . . . . . . . . . . .Grau
de escolaridade I . . . . . . . . .Grau
de escolaridade II . . . . . . . . . . Exposição aos meios decomunicação
demassa
. . . . . . _ _ Escolhada
língua - sexo masculino . . . . . Escolhada
língua - sexo feminino . . . . . . . . . . .Padrões
de escolhada
línguaem
Marechal Cândido
Rondon
. . . . 112Padrões
de escolhada
língua - sexo masculino . . . .L . . . 117Padrões
de escolhada
língua - sexo feminino . . . .118
Padrões
de escolhada
língua entre asmulheres
católicas . . . . 120Padrões
de escolhada
língua entremulheres
evangélicas . . . 122Padrões
de escolhada
língua entre oshomens
católicos . . .124
Padrões
de escolhada
língua entre oshomens
evangélicos . . .126
Rede
familiar . . . . _. . . . . . . 133Rede
de .relações preferenciais . . . . . . . . . 13775
76
76
77
78
78
79
80
82
83
84
9395
96 9798
98
...1OO
...106
...107
viiRESUMO
O
presente estudo focaliza o aspectodo
bilingüismo alemão/portuguêsna
comunidade urbana
deMarechal Cândido Rondon,
Paraná, Brasil. 'O
estudo é descritivo, sendo 0grupo
alvoda
pesquisa constituído porimigrantes
alemães
e seus descendentes, radicadosem
Marechal Cândido Rondon,
razão pela qual
foram
abordadosos
aspectos sócio-históricos domovimento
migratório e
da
colonização deste município paranaense.Através desta pesquisa sociolingüística desenvolvida
em
trêsetapas,
procurou-se caracterizar o
uso
dasduas
línguasna
sedeurbana
deMarechal
Cândido Rondon.
Na
primeira etapa, buscou-se, pormeio
dedados
estatísticosde
uma
amostra
constituída por alunos do 1° e 29 graus, obteruma
idéia geralda
situação
do
usodo alemão
e do portuguêsna
comunidade.Na
segunda
etapa,utilizou-se o
modelo
de análise das "redes de comunicação", a fim deavaliar os
padrões
que
determinam
as escolhas lingüísticas, das famílias descendentesde
alemães
em
três gerações, oque
possibilita observar oscomponentes
sincrônicos
e diacrônicos do processo de
mudança
lingüística.Na
terceira etapa, enfatizou-se a interação verbal enão
verbal do processo de desenvolvimento simultâneode duas
línguas: o caso das situações de "code-switching"
no
alemão/português,no
sentidode
mostrar
como
os participantesda
interação utilizam osconhecimentos
lingüísticos e sociais
para
decidir sobre o uso dos códigos._
O
estudo evidenciouum
uso poucosignificativo por parte
da
geraçãomais
jovem,em
relação ao domínioda
língua alemã, querem
situações familiaresou
sociais.Quanto
àpermanência
e usoda
línguaalemã, conclui-se
que a
açãoexercida pelas relações familiares é responsável pela transmissão e
manutenção da
língua minoritária.
Com
relação à alternância de código, observou-seque a
escolhada
língua depende, principalmente, das relações existentesentreos interlocutores
e dos conhecimentos
comuns
compartilhados por eles.3°;
/.
.
{
ABSTRACT
'›The
present study focuseson
the aspects of theGerman-Postuguese
bilinguism in the
urban
community
ofMarechal Cândido Rondon,
Paraná,Brazil.
The
study is descriptive, the reasearch targetgroup
beingconstituted
by
German
immgrants and
their descendents, living inMarechal Cândido Rondon,
which
iswhy
the socio-historical aspects ofmigratory
movement
and
thecolonization of that municipality
were
covered.Through
this sociolinguistic study, developed in threestages,
we
triedto characterize the use of the
two
languagesin the municipal seat of
Marechal
Cândido Rondon.
In the first stage,by
means
of statistical data ofa sample
constituted
by
schooll children,we
tried to get a general idea ofthe situation of the
use of
German
and
Portuguese in thecommunity.
Inthe second stage,
we
used a
"communication
network" analysismodel
for the purpose of evaluatingthe patterns
which determine
linguistic choices in third generationfamilies, descendents of
Germans.
The
model
permits us to observe thesynchronic
and
diachroniccomponents
present in the process of linguistic change. In thethird stage,
we
emphasized
the verbaland
non-verbal interaction in the process of thesimultaneous
development
of thetwo
languages: therole of code-switching
,situations in
German
and
Portuguese, to.show
how
the participants of the
interaction use linguistic
and
socialknowledge
to decide
on
the use of the codes._
The
studyshowed
little significant use
on
the part of theyounger
generation with respect to
German
fluency, both in familiarand
socialsituations.
As
to thepermanence
and
use ofGerman,
we
conclude thatuse in familial
relations is responsible for the transmission
and
maintenance
of the minoritylanguage.
With
respect to code alternance,we
observed that the choise oflanguage
depends mainly on
the relations existingamong
the speakersand on
common
knowledge
sharedby
them..
‹. f›¿_
¬
_ *L
CAPÍTULQ
11NTRoDUÇÃo
Uma
das característicasmarcantes da
sociedade brasileira éa
coexistência de diferentes culturas
ocupando
omesmo
espaço. Nestecontexto
cultural,
cada
etniatem
a sua tradição, o seu valor e a sua língua,que
sãotransmitidas de geração a geração, fazendo parte de
sua herança
familiar eda
socialização de seu grupo.
Com
relação aos teuto-brasileiros, oscostumes
e a línguapuderam
semanter
sem
problemas
ao longo de 167 anos de colonização, pela transmissãode
seus valores, de
sua
tradição e desua
língua..No
entanto,quando
duas línguasentram
em
contato socialmente,sofrem
uma
transformação (Trudgill, 1974apud
Steiner, 1988: 10), ocorrendomudanças
lingüísticas. Isso nos leva a inferir
que
a línguaalemã no
Brasil tevemodificações
diferentes daquelas ocorridas
na
Alemanha.
Segundo Heye
(1986: 218) formou-seo "Brasildeutsch"
uma
variedadeda
línguaalemã composta
por
termos do
português e
termos
do "plattdeutsch"1. Isso, através de interaçãosocialextensiva . \.
'
O
termo 'plattdeutsch' é usado para denominar os dialetos do baixo alemão (Lyons, 1987:2
entre os descendentes
de alemães
de diferentesgrupos
das diversas regiõesda
Alemanha.
`Marechal Cândido Rondon,
município doExtremo
Oestedo Paraná,
constitui o objeto de nosso estudo,
em
termos de
preocupaçãolingüística,
focalizando-se
as
relações ocorridasem
relação à língua portuguesae
à
línguaalemã.
Povoado
por descendentes de imigrantes,na
maioria alemães, oriundosdos
Estados do
RioGrande
do
Sul eSanta
Catarina, o municípiomantém,
ainda
hoje, hábitos e costumes típicos das regiões de origem.
Lingüisticamente, a situação do município é das
mais
variadas:há
falantes
monolíngües de
dialetos doalemão
e falantesque
aprenderam
oportuguês, 'a`
partir
da
escolarização,ou
numa
idademais
avançada,como segunda
língua. escolar, constatamos
uma
grande
interferênciados dialetos
alemães
no
português, tanto a nível de 19como
de 29 grau.Empiricamente,
constatamos ofenômeno
do "code-switching"2nas duas
línguas
em
foco,bem
como
pouco usoda
línguaalemã
pela geraçãomais jovem.
Considerando-se a vinculação
com
os descendentes germânicos, aliadoao fato
do
conhecimentoda
realidade, sentimos, de perto, a problemáticaque
envolve indivíduos bilíngües.
Nesse
sentido,procuramos
observar deforma
mais
sistemática as relações acarretadas pelo bilingüismo.
O
mundo
deexperiências
lingüísticas apresentou:-se, naturalmente,
como campo
propícioã pesquisa socio-
2
O
termo do,»ingIês 'code-switching' indica o uso alternado dedois códigos, por exemplo
alemão/português dentro de
um mesmo
ato de fala, conhecido naliteratura como
lingüística.
objetivos:
Especificamente,
baseamos
nosso estudonas
seguintes constatações:Urgência
em
estudar ocomportamento
verbal dos descendentesalemães
em
contatocom
acomunidade
local, vistoque
a históriada
imigração
alemã
atingeum
pontoem
que
se verifica a coexistência devárias gerações;
Urgência
em
verificar as condiçõesde
manutenção
epreservação do
alemão
na
áreaurbana
deMarechal Uândido Rondon;
Urgência
em
investigar a problemática sociolingüística do bilingüismodos teuto-brasileiros a fim de observar
com
maior
rigorcientífico, o
mecanismo
lingüísticoque
se processano
uso deduas
línguas tãodistintas, isto é, averiguar o
fenômeno do
"code-switching"com
ointuito de identificar através deste processo, as atitudes e estratégias
usadas
pelos falantes bilíngüesem
diversas situaçõesde
interação comunicativa.Tendo
em
vista a proposta acima,pretendemos
alcançar os seguintesDescrever a situaçao de bilingüismo alemão/português existente hoje
na
comunidade urbana
deMarechal Cândido Rondon;
Verificar as condições de preservação dos dialetos
do
alemão
na
comunidade, através de
amostragens
com
"redes de comunicação",em
relação aos fatores sociolingüísticos
que
podem
levar à
manutenção
do
alemão
dentroda
comunidade, e, conseqüentemente, à conservação.
_ 4
- Verificar as razões
aparentes
do
"code-switching", se os fatoresculturais beneficiam ou
nao
a competência comunicativa,e, estudar
os casos do "code-switching"
na
fala do falante rondonense.Para
tanto,organizamos
nosso trabalhoem
três partes: .A
primeira parte (capítulos 2, 3 e 4da
dissertação) apresenta,inicialmente, o referencial teórico
que
norteou o desenvolvimento de nossoestudo,
com
basena
metodologia de vários autores: Weinreich (1953),Fishman
(1966),Mackey
(1968),Labov
(1972),Blom
&
Gumperz
(1972),Gal
(1979),Gumperz
(1982), Bortoni-Ricardo (1985) e Steiner (1988) entre outros.
Em
segundo
lugar, o trabalhode
campo
realizadode junho
adezembro de 1990 na
áreaurbana
de
Marechal Cândido Rondon, onde descrevemos
os procedimentos metodológicosdas
três
etapasde
pesquisa.O
trabalho decampo
embasou-se, entre outros,
na
metodologia de
Hymes
(1962),Gumperz
(1982) eLabov
(1986).Em
terceiro lugar,abordamos
os aspectos sócio-históricosque
retratam omovimento
migratórioe
sociolingüístico
da
colonização deMarechal Cândido
Rondon
e
da
imigraçãode
pessoas vindas
da
Alemanha
que,com
seus descendentes, constituemo
grupo
alvodesta pesquisa.
Descrevemos
a situação de contatoque
sedeu
entre osmembros
dos
grupos
étnicosalemão
e brasileiro, apresentandouma
descrição sucinta dosaspectos geográficos, econômicos, educacionais e culturais
do
município.A
segunda
parte (capítulos 5, 6 e 7da
dissertação) se efetua atravésde
pesquisa desenvolvida
em
três etapas,onde procuramos
caracterizar o
uso das
duas
línguasna
áreaurbana
deMarechal Cândido Rondon.
Na
1° etapade
pesquisa, objetivando conseguir de
maneira mais
significativa,uma
amostra
da'população
da
áreaurbana
do município relacionada ao bilingüismo5
tuguês,
apoiamo-nos
na
literatura deMackey
(1968),que
ofereceum
modelo
passível
de
serusado
ao descrevermos a realidade lingüísticade Marechal
Cândido
Rondon. Nesta
etapa, servimo-nos, estatisticamente,de
uma
amostragem
de 396
informantes, constituída de alunos de`1° e 29 graus,
em
cinco escolasda
área
urbana.
Na
29 etapade
pesquisa, utilizamos omodelo de
análise das "redesde
comunicação", a
fim
de avaliar os padrõesque
determinam
as escolhaslingüísticas,fundamentandoànos
na
literatura deBlom
&
Gumperz
(1972),Labov
(1972),Gal
(1979),
Gumperz
(1982), Bortoni-Ricardo (1985) e Steiner(1988).
Através de
um
levantamento realizadonas
Igrejas,verificamos
o
percentual
de
famílias descendentes de alemães, sorteando, aleatoriamente,oito
famílias desta ascendência.
Dentre
estas,buscamos
dados
representadosem
três
gerações, o
que
permitiu a observação doscomponentes
sincrônicos e diacrônicosdentro
do
processode
mudança
lingüística.Na
3* etapade
pesquisa,pretendemos
analisar iuumponto especíñco do processo de desenvolvimento simultâneo
de duas
línguas: o caso das situações de "code-switching"
no alemão
e português,com.base
naliteratura de
Hymes
(1962),Gumperz
eHernandez
(1968),Blom
&
Gumperz
(1972),
Sankoff
e Poplack (1980) eNawa
(1988).A
partirda
coleta
de
dados,efetuada etnograñcamente, isto é, pela observação participante
no
convívio público
e privado
da comunidade
de falaurbana
deMarechal Cândido
Rondon,
analisamos
as seqüências autênticas de interação verbal e
não
verbalno
aspecto comunicativoda
alternância de códigonas
línguasalemã
e portuguesa. 2 '.
A
terceira parte (capítulo 8da
dissertação)contém a
conclusãoda
análiseCAPÍTULQ
11REFERENCIAL TEÓRICQ
2.0.
Observações
preliminares
Neste
capítulo, apresentaremos a contextualização teóricaque
norteouo objeto
de
nosso estudo, organizando-a atravésde
quatromomentos.
Inicialmente,
abordamos
as situações de bilingüismoou
multilingüismo,isto é, situações de contato entre línguas,
com
base nos estudosde Weinreich
(1953),
Haugen
(1956),Ferguson
(1972),Fishman
(1966),Mackey
(1968) e outros.Num
segundo momento,
objetivamos explicarcomo
ocorrea
manutenção
ou perda
deuma
língua,com
basenas
colocações teóricas enas
pesquisasrealizadas por
Willems
(1946),Schaden
(1954),Fishman
(1971),Gal
(1979),Vandresen
(1980),Gumperz
(1982), Bortoni-Ricardo (1985) e outros.Tendo
em
vista osmétodos de
análise das redes de comunicação,buscando
explicarcomo
ocorre amudança
do bilingúismo, servimo-nos,num
terceiro
momento,
dos' trabalhos realizados, entre outros, porBlom
&
Gumperz
(1972),
Labov
(1972), Gal (197 9),Gumperz
(1982), Bortoni-Ricardo (1985) e Steiner7
No
quartomomento
de nossa revisão literáriaabordamos
as situaçõesde "code-switching".
Para
tanto,tomamos
como
base de apoio os estudos
de
Gumperz
eHernandez
(1968),Blom
&
Gumperz
(1972),
Sankoff
ePoplack
(1980),Gumperz
(1982) eNawa
(1988)._ .
Embora
outraspesquisas
tenham
subsidiado este trabalho, nosso enfoquebaseou-se, especificamente, nos autores supracitados.
2.1.
Abordagem
teóricasobre o bilingüismo
O
termo
bilingüismo aparecena
literaturacom
várias acepções.
Segundo
Skutnabb-Kangas
(1983)há
tantas definiçõesde
bilingüismo
que
cada pesquisadorse sente
a vontade para
acomodá-las ao seucampo
de estudo e aos objetivos
de sua
pesquisa'
Na
áreada
Psicologia eda
Psicolingüística, o bilingüismo é enfocado
a
partir
do
critério de origem de aquisiçãoda
língua:consideram-se bilíngües as
crianças
que
adquirem
ambas
as línguassimultaneamente
na
infância;para
oslingüistas, importa a
forma
como
o falantedomina
asduas
línguas,ou
seja,«r
baseiam suas
definiçõesna
competêncialinguistica dos bilíngües,
no
campo
da
Sociologia e Sociolingüística, o bilingüismo é
abordado
em
termosde
atitude:a
conceituação recai sobre a função
que
alinguagem
desempenha
para
o bilíngüeou
para a
comunidade
bilíngüe.Nesse
sentido, o interesse vincula-se
à forma
com
a
qual os falantes e a
comunidade
reagem
àsduas
línguas. _
Assim
como
existem as diferenças por área depesquisa,
há
váriasdefinições sobre o
termo
bilingüismo,variando de
uma
exigênciamáxima
do
domínio
das
línguas, istoem
100%, até oextremo
oposto, o domíniode
um
pouco
mais
de0%
das
línguas.8
Em
relação ao domínio das línguas,a
definição clássicade
Bloomfield(1934: 56) é abrangente: "bilíngüe é o indivíduo
que tem
habilidadede
falante nativo
em
duas ou mais
lígua".Para
Braun
(1937,apud
Haugen,
1956: 115) "obilingüismo. implica
no
ativo e completodomínio
deduas ou mais
línguas".
A
definição
de
Oestreicher (1974,apud Skutnabb-Kangas,
1983:9) especifica
a
delimitação
do
bilingüismo: é o "domínio completo deduas
línguas diferentessem
interferência entre os dois sistemas lingüísticos".
Essas
definiçõesexigem
uma
completa habilidade funcional por partedo
bilíngüe, isto é,
um
uso não-diglóssico dasduas
línguascomo
se o indivíduo fossefalante nativo de
duas
línguas aomesmo
tempo. `Por
outro lado, existem definiçõesmenos
abrangentes. Isso a partirde
estudos
das
situações de contato entre línguas.O
precursor dessa correntede
pesquisa sociolingüística foi Weinreich (1953)
no
seu trabalho clássicoLanguages
in Contact.
Para
o autor, bilingüismo é "a prática deempregar duas
línguasalternadamente" (1953: 1). Weinreich
abordou
seus estudosmais
a níveldos
fenômenos
de interferência, aparecendona
fala dos bilíngüescomo
resultadode
contatos lingüísticos. ~
Para
Haugen
(1956: 10), ser bilíngüe significa ser capaz de "reproduzirenunciados completos e
com
sentidona
outra língua".Segundo
Malmberg
(1977,apud
Skutnabb-Kangas,
1983: 134-135)"bilíngüe é
um
indivíduo que,além
desua
línguamaterna
adquiriu. desde
a
infância,ou
desdemuito
cedo,
uma
segunda
línguapor
meios
circunstanciais (em princípio
não
através de instrução formal),de
comunidade
lingüística dentroda
esferado grupo
ocupacionalou
social ao qual ele naturalmente pertence".
Para
outros estudiosos do assunto, o bilingüismo inclui as etapas iniciaisnas
quais o falantecompreende
a outra língua,mas
falapouco
(Pohl,1965
apud
Skutnabb-Kangas,
1983: 137).As
definiçõesdadas
aotermo
bilingüismo nospermitem
concluirquanto
à
não
necessidade, por parte do falante, de possuiruma
proficiência simétricanas
quatro habilidades básicas: falar, entender, ler e escrever.
Com
base nessa
colocação, preferimos a definição
de
Mackey
(1968: 554),segundo a
qual obilingüismo "é
uma
característica individualque pode
ocorrer
em
graus
variáveis,desde
uma
competênciamínima
atéum
domínio
completo demais
deuma
língua".Nesse
sentido, o bilingüismonão
se articulacomo
um
fenômeno da
língua "langue",mas
sim do
discurso "parole". Portanto,para Mackey,
o conceito de bilingüismo érelativo e, por isso nos defrontamos
com
um
problema que
envolve questõesde
grau, função, alternância e interferência (1968: 555),
cabenddem
cada
caso verificar: (a)Até que
ponto o falante é bilíngüe e qual é seudomínio
sobrecada
uma
das línguas usadas?; (b)Em
que
situações os falantesusam
asduas
línguas,e,
em
que
situaçõesusam
uma
língua eem
que
situações aoutra?; (c)
Até que
ponto os falantes
trocam
asduas
línguas e sob quaiscondiçõespassam
de
uma
para
outra'?; (d)Até que
ponto o falanteempregaasiduas
línguasseparadamente?
`\
Qual
é omomento
que
faz a fusão, das línguasnum
único sistema?Quais
osfenômenos de
interferência manifestados pelo uso alternativo dasduas
línguas?'
10
Desde
os estudosde Weinreich
(1953)-estudiosostentaram
chegara
respostas satisfatórias
para
estas questões.Mas
ligados a estas,temos
osque
pesquisam
as circunstâncias sob as quais os falantes bilíngüesaprendem
as
duas
línguas, se eles são socializados
em
ambas
as línguas eaprendem
a usá-las ladoa lado
para
diversas funções,ou
se os falantesaprenderam
a 2*língua após a
primeira fase de socialização,
com
baseno
sistema desua
1° língua..
Por outro lado,
cumpre
analisarcomo
se desenvolveu a situação debilingüismo e quais os fatores sociais
que
o causaram. iA
complexidade de fatoresque envolvem
os estudos sobre o bilingüismoencontrou ressonância nos estudos
de Ferguson
(1972)›ena abordagem
sociolin-güística
de
Fishman
(1972),Gumperz
(1964) eHymes
(1964). Tais autorestêm
apontado que
os falantesde
uma
línguaencontram muitas
variedades dentro dorepertório, 'comunicativo de
uma
comunidade
etêm
que
fazeruma
escolhaadequando
to usoem
um
contexto específico.A
decisãoquanto
àsalternativas e regras
adequadas para
o usoda
língua faz parteda
competência comunicativa
do
falante.
Segundo
Ferguson
(1972) otermo
"diglossia" éempregado
para
caracterizar a situação
em
que
um
falante "utilizaduas ou
mais
variantesde
uma
mesma
línguaem
diferentes condições".Uma
comunidade
seencontra
em
situaçãodiglóssica,
quando
uma
variedade "alta" (do inglês high, siglaH)
em
casoextremo
de estandardização, superpõe-se
a
uma
ou 'mais variedades "baixas" (dotermo
low,sigla L),
com
domínio
de uso rigidamente determinadopara
uma
epara
outra.Segundo
o autor,cada
variedadetem
uma
função definida e seus limites são.Í
. 11igreja, discurso político, conferências, noticiário, editoriais
de
jornal), coloca-secomo
principal veículo literário, e, é adquirida
na
escola.A
varianteL
é utilizadana
comunidade
em
situaçõesde
conversação informal (conversaem
família ecom
amigos, sátiras, políticas, folclore).
A
variedadeH
gozade
prestígio social e avariedade L, nao.
Ferguson
(1972: 99-116) cita quatro principaiscomunidades
em
situaçãodiglóssica: Suíça, Haiti, Grécia e países árabes, todos eles caracterizando
a
coexistência de
uma
variedadeH
da
línguacom
uma
variedade L,havendo
uma
›.1relação estreita entre o uso linguistico e o contexto social, isto é, cada variedade
tem
uma
função definida dentrodo
repertório lingüísticode
uma
comunidade de
fala.
Numa
situação diglóssica,somente
um
código éempregado
em
cada
situação.
Outros autores, contudo,
deram
uma
nova dimensão
ao termo.Fishman
(1972)retoma
o conceitodado
porFerguson
eamplia a
noçãode diglossia
a
todos os casosde
uma
dualidade funcional estável, socialmentedeterminada
e existentenuma
comunidade
de fala. Estabeleceuma
delimitaçãoanalítica entre bilingüismo (perspectiva individual) e diglossia (perspectiva social),
isto é, o "bilingüismo é essencialmente
uma
caracterizaçãoda
versatilidade
lingüística individual,
enquanto
diglossia éuma
caracterização social de funçõesentre diferentes línguas e variantes" (197 2: 102).
Com
base nessa diferenciação,Fishman
(ibid.: 93) relacionou bilingüismoe diglossia, criando quatro situações possíveis: (a) diglossia e bilingüismo; (b)
bilingüismo
sem
diglossia; (c) diglossiasem
bilingüismo e (d)nem
bilingüismo,-
12 (a)
Diglossia e bilingüismo:
Na
relação de diglossiacom
bilingüismo,temos
acoexistência das
duas
formas, isto é, a distribuição estável de variedadeslingüísticas de acordo
com
funções sociais, sendoa
maneira
mais
flexívelde
coexistência
de duas
línguas. Esta situação, encontrada-em
comunidades onde
todos os falantes são bilíngües, exigindo distribuição funcional diglóssica,pode
serapresentada
tomando-se
como
exemplo
a Suíça (Hochdeutsch-Schwyzertüütsch) eo
Paraguai
(Espanhol-Guarani). s(b)
Bilingüismo
sem
diglossia:Não
havendo
uma
delimitação funcionalda
língua, a ausência de
uma
distribuição funcional diglóssica fazcom
que
a funçãolingüística
não
sejamantida
através das gerações.Segundo
Fishman, a
língua dosimigrantes tende
a
desaparecerquando
os falantes -adotarem a línguada
comunidade
hospedeira.Podemos
citarcomo
exemplo, entre outros, os trabalhado-res migrantes
no
mundo
ocidental, os mexicanos nosEUA
e imigrantesno
Brasil.(c)
Diglossia
sem
bilingüismo:
Ocorreem
arranjos políticos e sociaisquando, por
exemplo, os colonizadores
têm
acesso à-língua dominante, usando-a intencional-mente
em
contrastecom
a variante do povo. Tal situaçãopode
ser ilustradacom
a ocorrência do usodo
francês pela aristocracia russa, antesda
1*Guerra
Mundial.(d)
Nem
bilingüismo,
nem
diglossia:Fishman
não
citanenhum
caso específico, -4mas
esse tipopode
ser encontradoem
comunidades
lingulsticas isoladas,onde a
variação lingüística é pequena.
O
grande
mérito deFishman
foi oferecer, sobretudo,uma
saída práticae funcional
para
explicar as complicadas relações existentesem
sociedadesEmbora
em
muitas comunidades
bilíngües seja verificado o uso regularde
uma
variantepara
finalidadesmais
públicasou
formais e outra para situaçõesmais
informais, a diglossiapode
ounão
ocorrer tantoem
comunidades monolíngües
como
bilíngües. 'Gumperz
(1964: 137) ateve-se ao estudo do bilingüismo estávelem
sociedades diglóssicas (na Índia ena
Noruega),onde duas ou mais
variedades sealternam conforme a
situação sociolingüística (no larou
em
contextos oficiais).A
esta totalidade de
formas
lingüísticasempregadas regularmente
ao longode
uma
interação socialmente significativa ele
denominou
de repertório verbal.As
pesquisas deGumperz
eHymes
serãoretomadas no
parágrafo 2.4na
discussão
do
conceito de competência comunicativa emudança
de
código.2.2.
Manutenção
e
perda de
uma
língua
,
De
acordocom
Saville-Troike (1982) e Fasold (1984),apontam
que
asrepetidas escolhas
de
códigoadequadas
à situação socialacabam, a
longo prazo,tendo
como
conseqüênciapara
as múltiplas línguasou
variedades lingüísticasenvolvidas. `
Í '_
L 1
Segundo
Fasold (1984), entende-se pormanutenção
de código a situaçãoem
que
acomunidade
decidecontinuarusando
a línguaou
línguasque
tinhatradicionalmente usado.
Na
mudança
preferencial dos códigos,há
oabandono
Q/ U1
gradativo
de
uma
línguaem
favorda
outra.A
mudança
do
uso de código évezes,
chamada
demorte
da
língua porquea
língua anteriornão
estámais sendo
usada
e acomunidade
de falamuda
parauma
nova
língua.Õ
1
14
Ela
pode
ocorrer: (a) sehouver
uma
mudança
totalem uma
comunidade
específica,independentemente
dehaver
outra pessoano
mundo
que
ainda usea
língua; (b)quando
os últimos falantesda
língua são consideradoscomo
uma
comunidade de
fala
em
estado demudança
(Fasold, 1984: 180-242).Vários estudos
foram
realizadospara
identificar fatoresque
causam
a
manutenção
ou perda de
uma
língua. ,Fishman
(1971: 186-320) afirmaque
alocação dos códigos adomínios
distintos é essencialmente a
manutenção
compartimentalizada de cada variedade.Para
ilustrar a relação das variedades nos domínios, o autorsugereuma
escalacom
os passos sucessivosda
aculturação de imigrantes americanos, cujo processo«I
de
mudança
linguistica atravessa quatro estágios. g 'Steiner (1988: 57)
adaptou
a situação descrita porFishman
(1971) sobreos descendentes
de
imigrantes de alemaesem
Santa
Catarina:- Estágio 1:
O
imigrante aprendeo português através do contato
com
a
comunidade
luso-brasileira,mas
oalemão
é a língua dominante.O
português é
usado
em
poucos domínios (esfera do trabalho eda
administração), nos quais o
alemão não pode
ser usado.Há
interfe-rência
mínima. Poucos
imigrantesfalam pouco
o português.- Estágio 2:
Mais
imigrantes falammais
o português e,com
isso,podem
conversar entre si tanto
em
alemao
como
em
portuguêsem
váriosdomínios.
A
interferência éaumentada.
- Estágio 3:
As
línguasfuncionam independentemente
uma
da
outra.1