SUMÁRIO EXECUTIVO
Relatórios Anuais 2017
•
A Situação do País em matéria de Drogas e Toxicodependências
•
A Situação do País em matéria de Álcool
•
Descritivo de Respostas e Intervenções das
Ações do Plano de Ação para a Redução
dos Comportamentos Aditivos e
Esta informação está disponível no sítio web do Serviço de Intervenção nos Comportamentos e nas Dependências, http://www.sicad.pt
Ficha Técnica
Título: Sumário Executivo Relatórios Anuais 2017:
• A Situação do País em matéria de Drogas e Toxicodependências • A Situação do País em matéria de Álcool
• Descritivo de Respostas e Intervenções das Ações do Plano de Ação para a
Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências, Horizonte 2020
Autor: Serviço de Intervenção nos Comportamentos e nas Dependências Editor: Serviço de Intervenção nos Comportamentos e nas Dependências Morada: Parque da Saúde Pulido Valente, Edifício SICAD
Alameda das Linhas de Torres, N.º 117, 1750-147 Lisboa Edição: 2018
Sumário Executivo
Relatórios Anuais 2017
• A Situação do País em matéria de Drogas e Toxicodependências
• A Situação do País em matéria de Álcool
• Descritivo de Respostas e Intervenções das Ações do Plano de
Ação para a Redução dos Comportamentos Aditivos e
Dependências, Horizonte 2020
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Índice
Preâmbulo ... 3
A Situação do País em matéria de Drogas e Toxicodependências ... 7
Consumos e Problemas relacionados... 7
Oferta ... 13
Tendências por Drogas ... 15
A Situação do País em matéria de Álcool ... 22
Consumos e Problemas relacionados... 22
Mercados ... 27
Respostas e Intervenções das Ações do Plano de Ação para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências, Horizonte 2020 ... 29
Domínio da Procura ... 29
Domínio da Oferta ... 35
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Preâmbulo
Compete ao SICAD apoiar o Coordenador Nacional na elaboração do Relatório Anual
sobre a Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências a apresentar anualmente
à Assembleia da República e ao Governo Português. O Relatório Anual sobre a Situação do País
em Matéria de Álcool acompanha e completa a visão alargada sobre os comportamentos
aditivos e dependências em sintonia com as atuais competências do Coordenador Nacional. Tendo como referência o Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das
Dependências 2013-2020 e respetivos Planos de Ação, estes Relatórios acolhem e compilam a
informação de numerosos parceiros de diversas áreas ministeriais, nos domínios da oferta e da procura, assim como os resultados de vários estudos nacionais sobre esta temática. Permite-nos, não só conhecer a situação do país, mas também avaliar e monitorizar a evolução do cumprimento das metas definidas naquele Plano, numa lógica de promoção da saúde e bem-estar social.
O presente “Sumário Executivo” congrega os dados mais relevantes destes Relatórios, bem como os do descritivo das respetivas respostas e intervenções.
As prioridades do Estado Português em matéria de CAD para o atual ciclo de ação operacionalizaram-se por via do Plano de Ação – Horizonte 2020, concertado entre os diferentes ministérios com assento na estrutura de Coordenação Nacional para os Problemas da Droga, Toxicodependência e o Uso Nocivo do Álcool, mas também os membros do Fórum Nacional Álcool e Saúde e os parceiros do Jogo.
O Relatório Anual das Respostas e Intervenções que agora se apresenta espelha as atividades desenvolvida pelas entidades responsáveis pela execução do Plano de Ação, neste caso de 2017, no âmbito da redução da procura e da oferta, ao nível das drogas ilícitas, novas substâncias psicoativas e do álcool e também dos medicamentos, anabolizantes e do jogo.
Findo o primeiro ciclo de ação 2013-2016, foi possível identificar ganhos em saúde ao nível das metas definidas no PNRCAD 2013-2020, mas também alguns agravamentos.
Na área das drogas são de destacar a descida dos indicadores relacionados com as infeções por VIH e SIDA associadas à toxicodependência e com a mortalidade. De um modo geral, também foram atingidas as metas definidas para os indicadores relacionados com os consumos dos mais jovens, em particular no que respeita à cannabis (perceção dos riscos do consumo, o retardar a idade do início dos consumos e a prevalência do consumo recente). Os recentes resultados do IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na
População Geral, Portugal 2016/17 evidenciaram o não cumprimento das metas relacionadas
com os consumos na população geral de 15-74 anos, devido ao agravamento do consumo de
cannabis - ao nível das prevalências de consumo recente, das frequências mais intensivas e da
dependência -, sendo de notar, a particularidade dos agravamentos no grupo feminino e nos 25-34 anos e 35-44 anos.
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Na área do álcool foi igualmente possível perceber a evolução positiva de alguns indicadores no ciclo de ação 2013-2016, como a perceção de menor facilidade de acesso a bebidas alcoólicas em idades inferiores às mínimas legais e o retardar das idades de início dos consumos em populações jovens (o que não será alheio ao investimento na implementação da legislação produzida neste ciclo), a diminuição do consumo per capita, e importantes ganhos em saúde seja ao nível da morbilidade, em particular a diminuição dos internamentos hospitalares com diagnóstico principal hepatite ou cirrose alcoólicas, seja ao nível da mortalidade, nomeadamente as diminuições na mortalidade por doenças atribuíveis ao álcool e em acidentes de viação. Em contrapartida, alguns indicadores apontaram para um agravamento dos consumos de risco ou dependência na população geral de 15-74 anos, e outras evoluções negativas preocupantes em alguns subgrupos populacionais, como no feminino e nas faixas etárias mais velhas.
2017, o primeiro ano do ciclo de ação 2017-20, veio corroborar algumas tendências positivas evidenciadas durante o anterior ciclo de ação, embora tenha também confirmado algumas inflexões que surgiram no final do ciclo 2013-16.
Destacam-se com evoluções negativas em 2017, a mortalidade em acidentes de viação sob a influência do álcool e a mortalidade por doenças atribuíveis ao álcool, existindo outros indicadores cuja evolução nos dois últimos anos exige a nossa atenção, como o aumento das proporções de novas infeções por VHC entre os utentes que iniciaram tratamento no ano por problemas relacionados com o uso de álcool e o acréscimo de sinalizações comunicadas às CPCJ em que crianças/jovens assumem ou são expostos a comportamentos relacionados com o consumo de bebidas que afetam o seu bem-estar e desenvolvimento. Importa também continuar a priorizar as intervenções com impacto nos ganhos até aqui obtidos na área da droga, como a aposta no diagnóstico precoce da infeção por VIH - os casos diagnosticados recentemente na categoria de transmissão associada à toxicodependência continuam a apresentar proporções de diagnósticos tardios superiores às das outras categorias de transmissão – e na referenciação adequada dos casos reativos para o SNS, bem como em estratégias robustas de redução de riscos e minimização de danos com elevado impacto na mortalidade.
Colocam-se pois grandes desafios para o atual ciclo de ação, nomeadamente no âmbito da Rede de Referenciação/Articulação, uma das medidas estruturantes no domínio da redução da procura, e cuja implementação ficou aquém do desejável no decorrer do ciclo de ação 2013-2016.
Mantem-se a premência da aprovação da proposta de alargamento do atual modelo de coordenação nacional, a outros comportamentos aditivos e dependências sem substância, o que teria legitimado o reforço da mobilização de todos os parceiros das áreas dos CAD, em especial na área do jogo, tendo em consideração o agravamento do problema da dependência.
Igualmente, e à semelhança do ano anterior, reiteramos a necessidade de se priorizarem as ações preventivas, que têm vindo a registar perdas de continuidade e de reforço. Importa também equacionar a criação de novas respostas que atendam às necessidades dos utentes da área da Redução de Riscos e Minimização de Danos, bem como facilitar o encaminhamento destes utentes para as estruturas de tratamento.
Enquanto Coordenador Nacional para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool, quero deixar uma palavra de profundo reconhecimento e agradecimento a todos os Profissionais e Serviços com responsabilidades no planeamento e implementação das políticas e intervenções nestas áreas. Só o reforço da cooperação e o aperfeiçoamento dos dispositivos permitirá consolidar os progressos que vimos alcançando e enfrentar estes novos desafios, para os quais não posso deixar de a todos convocar.
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Uma palavra de apreço e reconhecimento a todos os profissionais que têm gerido com grande dignidade as alterações funcionais ocorridas, causadoras de entropias no sistema de governação e de ação, salvaguardando a prestação de serviços de qualidade, centrados nas necessidades dos cidadãos, procurando manter em funcionamento o modelo português de respostas integradas.
Lisboa, 10 de dezembro de 2018
O Coordenador Nacional para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool
______________________________________________________ João Castel-Branco Goulão
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A Situação do País em matéria de
Drogas e Toxicodependências
Consumos e Problemas relacionados
Desde 2013, o início do ciclo estratégico 2013-2020, foram realizados diversos estudos nacionais na área das drogas e toxicodependência, alguns deles inseridos em projetos iniciados há muitos anos e que têm permitido a análise de tendências e a comparabilidade da situação nacional no contexto europeu e internacional, e outros realizados pela primeira vez no atual ciclo estratégico.No INPG 2016/17 - IV Inquérito Nacional
ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2016/17
-realizado na população geral residente em Portugal (15-74 anos), as prevalências de consumo de qualquer droga foram de 10% ao longo da vida, 5% nos últimos 12 meses e de 4% nos últimos 30 dias, verificando-se aumentos em relação a 2012, em particular ao nível do consumo recente e atual. A cannabis, a cocaína e o ecstasy foram as substâncias ilícitas preferencialmente consumidas, embora as duas últimas com prevalências muito aquém das da cannabis. De um modo geral, a população de 15-34 anos apresentou consumos recentes mais elevados do que a de 15-74 anos. Em relação a consumos recentes mais intensivos de cannabis, a substância com maiores prevalências de consumo, cerca de 3% dos inquiridos (64% dos consumidores) consumiu 4 ou mais vezes por semana nos últimos 12 meses, sendo que 2% (55% dos consumidores) consumiu todos os dias. Quanto ao consumo atual, cerca de 3% dos inquiridos - 69% dos consumidores atuais de cannabis - declarou ter um consumo
diário/quase diário nos últimos 30 dias. Em relação a padrões de consumo abusivo e dependência de cannabis, em 2016/17 cerca de 0,7% da população de 15-74 anos residente em Portugal tinha um consumo considerado de risco elevado (0,4%) ou de risco moderado (0,3%), quase duplicando o valor correspondente (1,2%) na população de 15-34 anos (0,6% com consumo de risco elevado e 0,6% de risco moderado) (CAST). Estes valores e tendências enquadram-se nos resultados de outro teste (SDS), em que cerca de 0,8% da população de 15-74 anos apresentava sintomas de dependência do consumo de cannabis, sendo a proporção correspondente na população de 15-34 anos de 1,4% (19% dos consumidores recentes).
Entre 2012 e 2016/17 verificou-se um agravamento do consumo de cannabis, ao nível das prevalências de consumo recente e das frequências mais intensivas, com mais de três quintos dos consumidores recentes a ter consumos diários/quase diários nos últimos 12 meses. Embora mais ligeiro, há também um agravamento da dependência do consumo de cannabis na população, apesar de tal não se verificar nas proporções de dependência entre os consumidores recentes (cerca de um quinto com sintomas de dependência), reflexo do aumento dos consumidores que não apresentam estes sintomas. É de notar, a particularidade dos agravamentos no grupo feminino e nos 25-34 anos e 35-44 anos. Em relação à maioria das outras drogas, os consumos mantiveram-se estáveis, tendo mesmo diminuído em alguns casos.
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Portugal continua a surgir abaixo dos valores médios europeus relativos às prevalências de consumo recente de cannabis, de cocaína e de ecstasy (e ainda mais quando se trata da população de 15-34 anos), as três substâncias ilícitas com maiores prevalências de consumo recente em Portugal.
Para além deste panorama nacional, é de notar que persistem relevantes heterogeneidades regionais, que deverão ser consideradas com vista a uma maior adequação das intervenções loco-regionais. Os Açores e o Norte foram as regiões (NUTS II) que apresentaram as prevalências de consumo recente e atual de qualquer droga mais elevadas na população de 15-74 anos, sendo que na população de 15-34 anos foram também estas regiões, a par do Centro e de Lisboa. Em contrapartida, o Alentejo foi a região com as menores prevalências de consumo recente e atual de
qualquer droga em ambas as populações. O
padrão nacional de evolução das prevalências de consumo recente entre 2012 e 2016/17 – subida das prevalências de consumo de cannabis e estabilidade ou descida da maioria das outras substâncias -, manteve-se de um modo geral ao nível de quase todas as regiões. São de destacar entre as exceções, a descida da cannabis no Alentejo, os aumentos dos consumos de cocaína e de ecstasy nos Açores e Madeira, tendencialmente superiores nos 15-34 anos, e as subidas das prevalências de consumo recente de NSP em várias regiões, em particular nos Açores, mas também na Madeira, Norte, Centro e Algarve, sendo de um modo geral mais acentuadas na população de 15-34 anos.
Em 2017 foi realizada a 3.ª edição do inquérito anual Comportamentos Aditivos aos 18 anos: inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional.As prevalências de consumo de qualquer
droga - 34% ao longo da vida, 26% nos
últimos 12 meses e de 16% nos últimos 30 dias -enquadraram-se, de um modo geral, no padrão dos resultados do ano anterior e de outros estudos recentes em populações escolares da mesma idade, embora em relação a estes existam algumas diferenças
nos padrões de consumo, como a maior frequência do consumo de cannabis e também maiores prevalências de consumo de outras substâncias ilícitas que não cannabis. A cannabis surgiu com prevalências muito próximas às de qualquer
droga, e 9%, 7% e 3% dos inquiridos
declararam consumir outra substância ilícita que não cannabis ao longo da vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias. Entre estas destacaram-se, uma vez mais, as anfetaminas/metanfetaminas (ecstasy incluído) com prevalências de 6% ao longo da vida, 5% nos últimos 12 meses e 2% nos últimos 30 dias, seguindo-se-lhe a cocaína e os alucinogénios com prevalências de consumo próximas, as novas substâncias
psicoativas e os opiáceos. As prevalências
de consumo de qualquer droga, embora sem alterações significativas em relação a 2016, têm vindo tendencialmente a aumentar, resultado do acréscimo do consumo de cannabis, uma vez que o consumo de outras drogas se tem mantido estável e até a decrescer ligeiramente. É de notar quanto a consumos atuais mais intensivos que, 4% dos inquiridos (26% dos consumidores) tinha um consumo diário/quase diário de cannabis, proporções um pouco inferiores às verificadas em 2016. Os consumos continuam a ser mais expressivos nos rapazes, existindo significativas heterogeneidades regionais, como os consumos mais elevados de cannabis no Algarve e de outras substâncias ilícitas nos Açores, que importa continuar a monitorizar com vista a uma maior adequação das intervenções loco-regionais.
Um outro estudo periódico que permite a análise de tendências e a comparabilidade da situação nacional no contexto europeu é o das Estimativas do Consumo Problemático/de Alto Risco de Drogas. As estimativas de 2015 apontaram, a nível de Portugal Continental, para uma taxa por mil habitantes de 15-64 anos na ordem de 9,8 ‰ para os consumidores recentes de cocaína (17,7 nos homens e 2,1 nas mulheres), e de 5,2‰ para os consumidores recentes de opiáceos (9,0 nos homens e 0,4 nas mulheres). O cálculo destas estimativas foi diferente do utilizado em 2012, não sendo por isso possível a sua comparabilidade
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direta. Para os consumidores recentes de drogas por via endovenosa, a estimativa apontou para uma taxa por mil habitantes de 15-64 anos de 2,1 ‰, sendo de 4,0‰ nos homens e de 0,2‰ nas mulheres, valores tendencialmente inferiores aos de 2012. Quanto ao consumo de alto risco de cannabis e com base nos dados do IV INPG,
Portugal 2016/17, os resultados das 3
estimativas realizadas consoante se considere a frequência do consumo, o risco moderado e elevado (CAST), ou a dependência (SDS), apontaram para taxas por mil habitantes de 15-64 anos na ordem dos 32,2‰ (42,9 nos homens e 22,0 nas mulheres), 7,2‰ (11,0 nos homens e 3,7 nas mulheres) e 9,0‰ (12,9 nos homens e 5,2 nas mulheres), representando um aumento em relação a 2012 (7,0‰ para as 3 estimativas). A superioridade da estimativa baseada na frequência dos consumos pode ser reflexo de estes consumos mais frequentes não serem determinantes da perceção da existência de problemas a eles associados, sendo muito poucos os que declararam ter procurado ajuda especializada para estes consumos.
Relativamente às perceções do risco para a saúde associado ao consumo de drogas, segundo o Flash Eurobarometer – Young People and drugs realizado em 2014 entre os jovens europeus de 15-24 anos, a cannabis era a droga ilícita a que os portugueses atribuíam em menor proporção um risco elevado para a saúde (34% para o
consumo ocasional e 74% para o consumo regular). A evolução destas perceções entre
2011 e 2014 evidenciou, por parte dos portugueses, e contrariamente à tendência europeia, uma maior atribuição de risco
elevado para a saúde em relação às várias
substâncias e tipos de consumo, e em especial no caso da cannabis.
No contexto das populações escolares, os estudos nacionais evidenciaram que o consumo de drogas que vinha aumentando desde os anos 90 diminuiu pela primeira vez em 2006 e 2007. Em 2010 e 2011 houve um aumento a que se seguiu, em 2014 e 2015, novamente uma diminuição destes consumos. Nos estudos realizados em 2014 e 2015, a cannabis continuava a ser a droga
preferencialmente consumida. No ECATD-CAD 2015 - Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco e Droga e outros Comportamentos Aditivos e Dependências, 2015 -, as prevalências de consumo ao longo da vida de qualquer droga (entre 3% nos 13 anos e 35% nos 18 anos) foram muito idênticas às de cannabis (entre 2% nos 13 anos e 34% nos 18 anos). Seguiam-se-lhe com valores bastante inferiores (abaixo dos 4%), a cocaína nos mais novos e o ecstasy nos mais velhos. As prevalências de consumo recente de cannabis variaram entre 1% (13 anos) e 27% (18 anos) e as de consumo atual entre 0,7% (13 anos) e 14% (18 anos). Entre 2011 e 2015 registou-se uma descida das prevalências de consumo de qualquer
droga em quase todas as idades, exceto nos
mais velhos (estabilidade nos 17 anos e subida nos 18 anos). No ESPAD 2015 - European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs, 2015, Portugal registou, de um modo geral, prevalências de consumo de qualquer droga (16%), de cannabis (15%) e de outras substâncias ilícitas (4%) inferiores às médias europeias, com prevalências mais baixas no grupo masculino português e muito idênticas entre os grupos femininos. Entre 2011 e 2015 houve uma descida das prevalências de consumo da generalidade das drogas consideradas, sendo essa diminuição mais expressiva no grupo masculino. Cerca de 1% dos inquiridos declarou ter um consumo diário/quase diário de cannabis, valor igual ao de 2011. É de notar que as prevalências de consumo ao longo da vida de outras substâncias, nomeadamente NSP e medicamentos, foram iguais ou inferiores a 2% nos vários estudos realizados em 2014 e 2015, com exceção do consumo de tranquilizantes/sedativos, e em particular com receita médica, que registou prevalências superiores.
Segundo este estudo, a cannabis continuava a ser a droga ilícita a que os jovens portugueses atribuíam em menor proporção um risco elevado para a saúde, constatando-se uma diminuição do risco percebido associado ao consumo de drogas entre 2011 e 2015. No entanto, comparativamente às médias europeias, os alunos portugueses percecionavam como
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de maior risco o consumo de cannabis, de
ecstasy e de anfetaminas.
No INCAMP 2014 - Inquérito Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio
Prisional, 2014, a população reclusa
apresentou prevalências de consumo de
qualquer droga superiores às da população
geral: 69% dos reclusos já tinham consumido uma qualquer droga ao longo da vida e 30% na atual reclusão. Tal como nos estudos anteriores, a cannabis foi a substância ilícita com as maiores prevalências de consumo alguma vez na vida (56%), na atual reclusão (28%) e nos últimos 12 meses na atual reclusão (24%). As outras substâncias registaram menores prevalências, e sobretudo no contexto da atual reclusão, com prevalências de consumo inferiores a 10%, sendo as mais elevadas a de cocaína (8%), da heroína (8%) e a dos hipnóticos/sedativos sem receita médica (4%). As prevalências de consumo de NSP alguma vez na vida (4%) e na atual reclusão (2%) foram próximas às dos esteroides anabolizantes (5% e 2%). Entre 2007 e 2014 constatou-se uma estabilidade e diminuição das prevalências de consumo para as substâncias comparáveis entre os dois estudos, sendo de notar a descida das de consumo de heroína ao longo da vida e durante a atual reclusão. Cerca de 14% dos reclusos declararam já ter consumido droga injetada alguma vez ao longo da sua vida, 4% na atual reclusão e menos de 1% nos últimos 30 dias na atual reclusão. Entre as substâncias com mais consumo injetado na atual reclusão encontravam-se as cocaínas, a heroína e os esteroides anabolizantes. Entre 2007 e 2014 verificou-se uma redução desta prática, sobretudo ao nível das prevalências de consumo ao longo da vida, consolidando a acentuada quebra registada entre 2001 e 2007. Cerca de 7% dos reclusos (11% dos consumidores) disseram já ter tido alguma
overdose fora da prisão e 2% em contexto de
reclusão.
Em 2015 foi realizado pela primeira vez a nível nacional o Inquérito sobre comportamentos aditivos em jovens internados em Centros Educativos, 2015. Estes jovens apresentaram
prevalências de consumo de substâncias ilícitas, bem como padrões de consumo nocivo, superiores às de outras populações
juvenis. Cerca de 89% já tinham consumido substâncias ilícitas ao longo da vida e, 80% e 68% fizeram-no nos últimos 12 meses e últimos 30 dias antes do internamento. É de notar a importante redução dos consumos com o internamento (34% e 19% nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias), e ainda mais quando se restringe ao Centro Educativo. Também entre estes jovens a cannabis foi a substância com maiores prevalências de consumo, muito próximas à de qualquer
droga, seguindo-se-lhe com valores muito
inferiores, ao nível dos consumos nos últimos 12 meses e últimos 30 dias antes do internamento, as cocaínas (14% e 9%), o
ecstasy (14% e 7%) e as anfetaminas (11% e
6%), e nos consumos recentes e atuais após o internamento, o ecstasy (3% e 2%) e o LSD (2% e 2%). Em relação a padrões de consumo de risco acrescido, 52% dos inquiridos (59% dos consumidores) declararam que, habitualmente, consumiam numa mesma ocasião, uma substância ilícita com outra(s) substância lícita ou ilícita, e quase metade (46%) tinha, nos 30 dias antes do internamento, um consumo diário/quase diário de cannabis (passando para 5% após o internamento).
Em 2017 estiveram em tratamento 27 150 utentes com problemas relacionados com o uso de drogas no ambulatório da rede pública. Dos 3 307 que iniciaram tratamento no ano, 1 538 eram readmitidos e 1 769 novos utentes. Em 2017 houve um ligeiro decréscimo de utentes em tratamento no ambulatório, verificando-se no último quinquénio valores inferiores aos do período homólogo anterior. O número dos que iniciaram tratamento em 2017 foi próximo ao de 2016, verificando-se uma tendência de decréscimo nos últimos cinco anos. O número de novos utentes decresceu em relação a 2016, representando o valor mais baixo desde 2012, mas aumentou o de readmitidos, contrariando a tendência de descida manifestada nos quatro anos anteriores. Nas redes pública e licenciada registaram-se 719 internamentos por problemas relacionados com o uso de drogas em Unidades de Desabituação (631 nas públicas e 88 nas licenciadas) e 2 046 em Comunidades Terapêuticas (56 nas públicas e 1 990 nas licenciadas), correspondendo a
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57% e 60% do total de internamentos nestas estruturas. De um modo geral, os internamentos em UD e CT por problemas relacionados com o uso de drogas têm vindo tendencialmente a diminuir desde 2009, em ambas as redes.
A heroína continua a ser a droga principal mais referida pelos utentes com problemas relacionados com o uso de drogas na maioria das estruturas de tratamento, sendo de destacar entre as exceções, os novos utentes em ambulatório, em que uma vez mais foi a cannabis, o que poderá refletir a maior articulação dos serviços e adequação das respostas às necessidades específicas de acompanhamento desta população. No último quinquénio verificou-se um aumento nas proporções de utentes com a cannabis e a cocaína como drogas principais. Os indicadores sobre o consumo de droga injetada e partilha de material apontam para reduções destes comportamentos no último quinquénio face ao anterior. Em 2017, as prevalências dos consumos recentes de droga injetada variaram entre 3% e 19% nos utentes das diferentes estruturas, e as proporções de práticas recentes de partilha de seringas variaram entre 20% e 26% nos subgrupos de injetores.
Tendo em consideração a heterogeneidade dos perfis demográficos e de consumo dos utentes em tratamento, torna-se essencial continuar a diversificar as respostas e a apostar nas intervenções preventivas de comportamentos de consumo de risco.
No contexto do tratamento da toxicodependência no sistema prisional, a 31/12/2017 estavam integrados 78 reclusos nos programas orientados para a abstinência e 1 062 reclusos em programas farmacológicos (1 015 com agonistas opiáceos e 47 com antagonistas opiáceos). Desde o anterior ciclo estratégico que se verifica uma tendência de decréscimo no número de reclusos nos programas orientados para a abstinência, reflexo da diminuição da procura. Apesar de nos últimos três anos não existirem alterações relevantes no número de reclusos em programas farmacológicos, verifica-se no último quinquénio uma tendência de
descida face ao período homólogo anterior, o que poderá estar relacionado com a diminuição dos consumidores de opiáceos, evidenciada no estudo nacional realizado em 2014 na população reclusa.
Em relação às doenças infecciosas nas populações em tratamento da toxicodependência em meio livre, em 2017, as prevalências nos vários grupos de utentes enquadraram-se no padrão dos últimos anos - VIH+ (2% - 13%), VHC+ (18% - 59%) e AgHBs+ (1% - 4%) -, sendo superiores nos respetivos subgrupos de injetores - VIH+ (5% - 31%) e VHC+ (63% - 89%). Após a descida acentuada das proporções de novas infeções por VIH até 2011, constata-se uma estabilidade, sendo os valores dos últimos três anos no subgrupo de injetores (6%) os mais baixos da década. Em relação às hepatites B e C, as proporções de novas infeções não apresentaram variações relevantes nos últimos cinco anos, e apesar da tendência de ligeira descida das proporções de novas infeções por VHC nos últimos três anos entre os utentes em ambulatório, elas mantêm-se estáveis nos subgrupos de injetores. Nos reclusos em tratamento da toxicodependência em 2017, as prevalências de VIH+ (19%), VHC+ (56%) e AgHBs+ (5%) foram superiores às registadas no ano anterior, verificando-se no último quinquénio uma tendência de subida das prevalências de VIH+ e de AgHBs+. De um modo geral, estas prevalências foram superiores às registadas em 2017 nos diferentes grupos de utentes em tratamento em meio livre, sendo também superior a proporção de seropositivos com terapêutica antirretroviral em contexto de reclusão. Continua a existir, em ambos os contextos, uma elevada comorbilidade de VIH+ e VHC+ nestas populações.
Nas notificações da infeção por VIH e SIDA, em 2017, os casos associados à toxicodependência representavam 34% do total acumulado de notificações de infeção por VIH e 43% das de SIDA. Em 2017 tinham sido diagnosticados 1 068 casos de infeção por VIH e 234 casos de SIDA, 2% e 11% dos quais relacionados com a toxicodependência. Continua a registar-se um decréscimo de casos de infeção por VIH e de SIDA diagnosticados anualmente, tendência que
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se mantém a um ritmo mais acentuado nos associados à toxicodependência. Considerando o decréscimo de novos casos de infeção por VIH associados à toxicodependência, reflexo das políticas implementadas, designadamente na mudança de comportamentos de risco ao nível do consumo injetado de drogas, importa continuar a investir nas políticas promotoras do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento por parte destas populações, com vista a potenciar os ganhos em saúde entretanto obtidos.
No que respeita à mortalidade relacionada com o consumo de drogas, segundo o INE, I.P., em 2016 ocorreram 30 mortes segundo o critério do OEDT (-44% do que em 2015). Destes, 27 (90%) foram atribuídos a intoxicação (acidental ou intencional), valor coincidente com o número de overdoses reportado pelo INMLCF, I.P. em 2016.
Quanto aos registos específicos do INMLCF, I.P., em 2017, dos 259 óbitos com a presença de substâncias ilícitas ou seus metabolitos e com informação sobre a causa de morte, 38 (15%) foram considerados overdoses. Em 2017 aumentou o número de overdoses (+41% face a 2016), mantendo-se os valores dos últimos sete anos aquém dos registados entre 2008 e 2010. Nestas overdoses é de destacar a presença de opiáceos (42%), a de cocaína (42%) e a de metadona (42%). Uma vez mais, na maioria (87%) foram detetadas mais do que uma substância, sendo de destacar em associação com as drogas ilícitas, o álcool (37%) e as benzodiazepinas (32%). Em relação às outras causas das mortes com a presença de drogas (221), foram sobretudo atribuídas a morte natural (38%) e a acidentes (33%), seguindo-se-lhes o suicídio (23%) e o homicídio (3%).
No que se refere à mortalidade relacionada com o VIH, segundo o INSA, em 2017 foram notificados 90 óbitos ocorridos no
próprio ano em casos de infeção por VIH associados à toxicodependência. Verifica-se uma tendência decrescente no número de mortes ocorridas a partir de 2002, e a um ritmo mais acentuado nos casos associados à toxicodependência. É de notar que para os óbitos ocorridos em 2017, o tempo decorrido entre o diagnóstico inicial da infeção e o óbito é superior nos casos associados à toxicodependência por comparação aos restantes casos, o que evidencia o investimento no acompanhamento da população toxicodependente com VIH.
Ao nível das contraordenações por consumo de drogas foram instaurados 12 232 processos de ocorrências em 2017, representando um aumento (+14%) face a 2016 e o valor mais elevado desde 2001. À data da recolha de informação, 80% destes processos tinham decisão proferida (50% já arquivados), constatando-se no último quinquénio um aumento da capacidade decisória face ao anterior. Entre as decisões uma vez mais predominaram as suspensões provisórias dos processos de consumidores não toxicodependentes (71%). Seguiu-se-lhes as decisões punitivas (18%) e as suspensões provisórias dos processos de consumidores toxicodependentes que aceitaram submeter-se a tratamento (8%).
Tal como nos anos anteriores, a maioria dos processos estavam relacionados com a posse de cannabis (85% só cannabis e 2% cannabis com outras drogas), o que é consistente com os resultados dos estudos epidemiológicos sobre o consumo de drogas em Portugal. Os perfis de consumo e demográficos predominantes desta população e a sua evolução nos últimos anos – nomeadamente mais consumidores não toxicodependentes, mais jovens e mais estudantes -, são indiciadores das estratégias e abordagens específicas de sinalização e intervenção precoce, preconizadas no planeamento estratégico na área da dissuasão.
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Oferta
As tendências de evolução dos indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, apesar de influenciadas pelos níveis de atividade de aplicação da lei e a eficácia das medidas de combate ao tráfico, constituem uma componente fundamental na monitorização das tendências dos mercados de drogas.
A aplicação da legislação nacional em matéria de drogas ilícitas tem como finalidade reduzir a sua disponibilidade e acessibilidade nos mercados, sendo por isso também da maior importância no âmbito da monitorização das tendências dos mercados, os indicadores relativos à perceção das populações sobre a facilidade de acesso a drogas ilícitas.
Os estudos mais recentes evidenciaram
que a cannabis continuava a ser a droga ilícita percecionada como de maior acessibilidade, refletindo as prevalências de consumo na população portuguesa. Os resultados do Flash Eurobarometer realizado em 2014 entre os jovens europeus de 15-24 anos, mostraram que os jovens portugueses tinham uma perceção de menor facilidade de acesso à cannabis, mas de maior facilidade de acesso à heroína e às novas substâncias psicoativas, por comparação com as médias europeias. A evolução das perceções entre 2011 e 2014 evidencia que aumentou ligeiramente a facilidade percebida de acesso à heroína, à cocaína e ao ecstasy. Em contrapartida, os resultados do ESPAD realizado em 2015 entre os alunos de 16 anos, apontaram para uma diminuição entre 2011 e 2015 da facilidade percebida de acesso ao ecstasy e às anfetaminas e uma estabilidade no caso da cannabis.
Segundo os resultados do INPG 2016/17 na população geral de 15-74 anos, mais de metade dos consumidores da maioria das substâncias ilícitas, consideravam fácil ou
muito fácil aceder a elas, num período de 24
horas (se desejado), sendo estas proporções
tendencialmente superiores entre os jovens consumidores. Entre 2012 e 2016/17 constatou-se uma evolução positiva nestas perceções, no sentido da diminuição da facilidade percebida de acesso a estas substâncias.
Também segundo este estudo, a aquisição de drogas via internet ainda tem pouca expressão, e as únicas referências foram feitas pelos consumidores de NSP. A este propósito, é de notar que a referência à aquisição de NSP em lojas (após o seu encerramento) é muito residual, mas ainda assim existente.
Em Portugal, as tendências recentes expressas através de diversos indicadores no domínio da oferta de drogas ilícitas enquadram-se, de um modo geral, nas tendências europeias.
Uma vez mais foi consolidado o predomínio crescente da cannabis ao nível dos vários indicadores da oferta, refletindo a prevalência do seu consumo no país. A cocaína continua a ser a segunda droga com valores mais elevados ao nível destes indicadores, mantendo-se a tendência de diminuição da visibilidade da heroína. Em contrapartida, o ecstasy tem vindo a ganhar maior relevo no último quinquénio.
Importa mencionar que os dados sobre as apreensões policiais de 2017 não refletem a totalidade dos resultados nacionais, exigindo por isso cautelas na sua leitura evolutiva. Em 2017, uma vez mais o haxixe foi a substância com o maior número de apreensões (3 652). Reforçando a tendência iniciada em 2005, seguiu-se-lhe a cocaína (818) e, pelo quarto ano consecutivo o número de apreensões de cannabis herbácea (551) foi superior ao de heroína (492). Uma vez mais as apreensões de
ecstasy foram bastante inferiores (260).
Como habitualmente foram confiscadas várias outras substâncias, nomeadamente algumas catinonas sintéticas e fenetilaminas apreendidas pela primeira vez no país e que entraram via encomenda postal. A este
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propósito, é de assinalar nos últimos anos, a crescente utilização da internet para a comercialização de diversos tipos de substâncias psicoativas.
Quanto às quantidades apreendidas em 2017, e apesar dos dados estarem subavaliados, verificaram-se aumentos face a 2016 nas quantidades confiscadas de cannabis e de cocaína.
É de assinalar também as apreensões de plantas de cannabis, enquanto indicador da produção a nível interno, cujas quantidades confiscadas em 2017 foram muito superiores às dos anos anteriores, devido sobretudo a três apreensões de plantações de dimensão industrial.
Quanto às rotas das drogas apreendidas em Portugal, mantém-se a importância do território nacional no contexto do tráfico internacional de cocaína e de haxixe, em particular nos fluxos provenientes respetivamente da América do Sul e Marrocos, e com destino à Europa. Em 2017 destacaram-se como os principais países de proveniência, em termos de quantidades confiscadas, o Brasil, o Paraguai e o Chile no caso da cocaína e uma vez mais Marrocos no do haxixe. Apesar de o número de apreensões de heroína e de ecstasy com informação sobre as rotas ser muito reduzido, são de assinalar dois fluxos não habituais de entrada de heroína proveniente de Moçambique com destino a outros países europeus, e, no caso do ecstasy, um fluxo com origem em Portugal e destino ao Brasil.
No âmbito dos mercados de tráfico e de tráfico-consumo, os preços médios das drogas confiscadas em 2017 não apresentaram alterações relevantes face a 2016, com exceção da descida do preço da liamba que inverteu a subida contínua nos três anos anteriores. No último quinquénio os preços médios do haxixe, da cocaína e da heroína foram tendencialmente inferiores aos do período homólogo anterior. Quanto à
potência/pureza médias das drogas
apreendidas em 2017 é de destacar, face a 2016, o aumento do grau de pureza do ecstasy (que ocorre de forma contínua desde 2010) e da cocaína, cujos valores representaram os mais elevados do último
quinquénio, e em contrapartida, a diminuição da potência do haxixe e do grau de pureza das anfetaminas, cujos valores foram os mais baixos dos últimos cinco anos.
A aplicação da legislação nacional em matéria de drogas ilícitas pelas entidades com atribuições em matéria do controlo, fiscalização, prevenção e investigação criminal do tráfico ilícito de estupefacientes resultou, em 2017, na identificação de 5 258 presumíveis infratores - 27% como traficantes e 73% como traficantes-consumidores -, 4 396 (84%) dos quais foram detidos. De um modo geral, no último quinquénio constataram-se tendências similares entre estas infrações relacionadas com a oferta de drogas e as relacionadas com a posse para consumo (contraordenações), entre elas, o acréscimo da importância da cannabis e do ecstasy (neste último, apesar dos valores ainda residuais), assim como, a maior importância relativa da cocaína face à heroína.
Nas decisões judiciais ao abrigo da Lei
da Droga, em 2017 registaram-se 1 631 processos-crime findos envolvendo 2 136 indivíduos, na sua maioria (76%) acusados por tráfico. Cerca de 88% dos indivíduos envolvidos nestes processos foram condenados e 12% absolvidos. É de notar o aumento da proporção de indivíduos condenados por consumo sobretudo desde 2009, relacionado com a fixação de jurisprudência sobre as situações para consumo próprio em quantidade superior à necessária para o consumo médio individual durante 10 dias. Tal como ocorrido desde 2004 e contrariamente aos anos anteriores, uma vez mais predominou nestas condenações ao abrigo da Lei da Droga a aplicação da pena de prisão suspensa (44%) em vez de prisão efetiva (17%), seguindo-se-lhe a aplicação apenas da multa efetiva (34%), predominantemente aplicada a condenados por consumo. À semelhança dos anos anteriores, a maioria destas condenações estavam relacionadas só com uma droga, persistindo o predomínio da cannabis e a superioridade numérica das condenações pela posse de cocaína em relação às de heroína, consolidando assim as tendências dos últimos anos.
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A 31/12/2017 estavam em situação de
reclusão 1 950 indivíduos condenados ao
abrigo da Lei da Droga, representando o valor mais baixo dos últimos sete anos e um decréscimo de -12% face ao ano anterior. Estes reclusos representavam a 31/12/2017 cerca de 17% do universo da população reclusa condenada, proporção que se enquadra no padrão registado nos últimos anos. A grande maioria destes indivíduos (82%) estavam condenados por tráfico, 16% por tráfico de menor gravidade e cerca de 2% por outros crimes ao abrigo da Lei da Droga.
Para além da criminalidade diretamente relacionada com a Lei da Droga, há a considerar todo um leque de criminalidade indiretamente relacionada com o consumo de drogas, designadamente a praticada para obter dinheiro para a aquisição das drogas e a cometida sob o efeito destas. De acordo com os resultados do Inquérito
Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio Prisional, 2014, cerca de 22% dos
reclusos declararam como motivo do/s crime/s que levaram à atual reclusão, a
obtenção de dinheiro para o consumo de drogas (24% em 2007 e 23% em 2001), e 42% declararam estar sob o efeito de drogas quando cometeram o/os crime/s que motivaram a atual reclusão. Em relação aos crimes cometidos sob o efeito de drogas, destacaram-se o furto, o roubo, o tráfico e o tráfico para consumo, seguidos das ofensas à integridade física e dos crimes de condução sem habilitação legal. No âmbito do Inquérito sobre comportamentos aditivos
em jovens internados em Centros Educativos, 2015, um quarto destes jovens apontaram
como motivo dos crimes que levaram à medida de internamento atual, a obtenção de dinheiro para o consumo de drogas/álcool e 19% atribuíram a realização dos crimes ao facto de estarem sob o efeito destas substâncias. No seu conjunto, estas motivações foram mencionadas por 33% dos jovens. Por outro lado e numa perspetiva mais abrangente - prática de crimes que levaram alguma vez à presença em Centro Educativo -, 60% destes jovens disseram ter estado sob o efeito de drogas pelo menos nalgumas situações em que os cometeram.
Tendências por Drogas
Nos estudos epidemiológicos nacionais realizados ao longo dos anos, a cannabis tem surgido sempre como a droga com as prevalências de consumo mais elevadas nos diferentes contextos e nas diversas etapas do ciclo de vida. No estudo realizado na população geral em 2016/17 verificou-se um agravamento do consumo de cannabis em relação a 2012, nomeadamente das prevalências de consumo recente e das frequências mais intensivas, assim como, embora mais ligeiro, da dependência, quer na população total (15-74 anos), quer na de 15-34 anos. Em 2017, foi realizada a 3.ª edição do inquérito nacional aos jovens de 18 anos participantes no Dia da Defesa
Nacional, e a cannabis surgiu uma vez mais
como a substância com maiores prevalências de consumo, muito próximas às de qualquer droga. Embora sem alterações relevantes face aos anos anteriores, é de
notar um ligeiro aumento das prevalências de consumo de cannabis, a par de uma ligeira descida dos consumos mais intensivos, como o consumo diário. No segundo estudo realizado sobre Estimativa do Consumo de
Alto Risco de Cannabis, em 2016/17, os
resultados apontaram para um agravamento das taxas deste tipo de consumidores em relação a 2012. Nos estudos mais recentes em populações escolares, a cannabis continua a registar prevalências de consumo muito superiores às das restantes substâncias. Após a tendência de aumento destas prevalências em 2010 e 2011, em 2014 e 2015 verificaram-se descidas no consumo recente e atual de cannabis (exceto nos alunos de 18 anos). No estudo de 2014 no contexto da população reclusa, a cannabis foi a substância ilícita com as maiores prevalências de consumo, verificando-se em relação a 2007 uma
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estabilidade das prevalências de consumo ao longo da vida e na atual reclusão. Em 2015, no inquérito sobre comportamentos aditivos em jovens internados em Centros Educativos, estes apresentaram prevalências de consumo de cannabis e padrões de consumo nocivo superiores às de outras populações juvenis. A cannabis é a droga ilícita a que os jovens portugueses atribuem em menor proporção um risco elevado para a saúde, verificando-se nos estudos mais recentes, um aumento do risco percebido associado a esse consumo entre os jovens de 15-24 anos e uma ligeira diminuição entre os alunos de 16 anos. Em relação às médias europeias, os jovens portugueses atribuíam, tendencialmente, um maior risco ao consumo de cannabis.
No âmbito dos indicadores sobre os problemas relacionados com os consumos, quanto à procura de tratamento, a cannabis surgiu pelo sexto ano consecutivo como a droga principal mais referida pelos novos utentes do ambulatório, constatando-se nos últimos anos aumentos no número de utentes que recorreram a tratamento tendo a cannabis como droga principal, o que poderá refletir uma maior adequação de respostas às necessidades específicas de acompanhamento desta população. Mantém a sua visibilidade na mortalidade relacionada com o consumo de drogas, em associação com outras substâncias ilícitas e/ou lícitas. Nos processos de contraordenação por consumo, a cannabis mantém um papel predominante - refletindo as prevalências de consumo em Portugal -, assim como a tendência de acréscimo registada ao longo dos anos.
Nos resultados de vários estudos, em Portugal, tal como no resto da Europa, a cannabis é percecionada como a droga de maior acessibilidade. Segundo os resultados do Flash Eurobarometer (jovens de 15-24 anos) e os do ESPAD (alunos de 16 anos), entre 2011- 2014 e 2011- 2015, não houve alterações relevantes nas perceções sobre a acessibilidade à cannabis. Comparativamente às médias europeias, os jovens portugueses de 15-24 anos tinham uma perceção de menor facilidade de acesso à cannabis, sendo semelhante nos
alunos de 16 anos. Nos resultados do INPG,
2016/17, a cannabis foi uma das drogas
percecionadas como de maior acessibilidade pelos consumidores, constatando-se, entre 2012 e 2016/17, uma evolução positiva nestas perceções, no sentido da diminuição da facilidade percebida de acesso.
Ao nível de vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, em 2017 foi consolidado o predomínio da cannabis, refletindo a prevalência do seu consumo no país: uma vez mais foi a substância com o maior número de apreensões e que envolveu o maior número de presumíveis infratores e de condenados, persistindo a tendência de aumento da sua importância relativa face às outras drogas. É de notar que, apesar de os dados de 2017 não refletirem a totalidade dos resultados nacionais, as quantidades apreendidas de haxixe e de liamba aumentaram face a 2016, sendo de destacar os acréscimos contínuos das quantidades confiscadas de liamba ao longo do último quinquénio. A quantidade de plantas apreendidas em 2017 foi significativamente superior às dos anos anteriores, devido sobretudo a 3 apreensões de plantações de dimensão industrial. Portugal continua a ser um país de trânsito no contexto do tráfico internacional de haxixe, em particular dos fluxos provenientes de Marrocos e com destino à Europa.
Entre 2016 e 2017, o preço médio do haxixe confiscado manteve-se estável, verificando-se uma descida do preço da liamba que inverteu a subida contínua nos três anos anteriores. No último quinquénio os preços médios do haxixe foram tendencialmente inferiores aos do período homólogo anterior. Por outro lado, a potência média do haxixe apreendido em 2017 desceu, representando o valor mais baixo do último quinquénio, e a da liamba não sofreu alterações relevantes face aos três anos anteriores. Em ambos os casos, os valores da potência média registados nos últimos cinco anos foram superiores ao do anterior quinquénio.
Os estudos epidemiológicos nacionais mostram que o consumo de cocaína é dos
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mais relevantes por comparação às outras drogas que não cannabis, embora com prevalências de consumo muito aquém da cannabis e mais próximas às de outras como o ecstasy. No estudo realizado na população geral em 2016/17, a cocaína surgiu como a segunda droga preferencialmente consumida, tanto na população de 15-74 anos como na de 15-34 anos. Entre 2012 e 2016/17 verificou-se uma estabilidade das prevalências de consumo e até uma ligeira descida ao nível da população de 15-34 anos. No entanto, e apesar de apresentar uma grande diversidade de frequências de consumo, os consumos diários sofreram um agravamento face a 2012. Na 3ª edição do inquérito nacional aos jovens de 18 anos participantes no Dia da Defesa Nacional, em 2017 constatou-se uma ligeira diminuição das prevalências de consumo de cocaína em relação aos dois anos anteriores e uma descida significativa dos consumos mais intensivos, como é o caso do consumo diário. No estudo sobre Estimativas do Consumo
Problemático/de Alto Risco de Drogas, as
estimativas de 2015 apontaram, em Portugal Continental, para um número estimado de consumidores recentes de cocaína superior ao de opiáceos. Os últimos estudos em populações escolares (2014 e 2015) evidenciaram uma tendência de estabilidade e descida dos consumos de cocaína nos vários grupos etários, surgindo como a segunda droga com maiores prevalências de consumo ao longo da vida entre os alunos mais novos (13-15 anos), embora muito aquém das de cannabis e próxima das restantes drogas. No estudo realizado em 2014 no contexto da população reclusa, a cocaína foi a segunda substância ilícita com as maiores prevalências de consumo, verificando-se em relação a 2007 uma estabilidade e até ligeira diminuição dessas prevalências. Em 2015, os jovens internados em Centros Educativos apresentaram prevalências de consumo de cocaínas superiores às de outras populações juvenis. Segundo o Flash Eurobarometer, entre 2011 e 2014 aumentou ligeiramente o risco percebido para a saúde associado ao consumo de cocaína entre os jovens portugueses de 15-24 anos, sendo as
proporções de atribuição de risco elevado para a saúde associado ao consumo
ocasional e ao consumo regular de cocaína
ligeiramente superiores às médias europeias. Nos indicadores sobre os problemas relacionados com os consumos, continua a ter um papel relevante ao nível da procura de tratamento e mortes. De um modo geral, a cocaína surgiu em 2017 como a terceira droga principal mais referida entre os utentes em ambulatório (já a segunda entre os novos utentes, a par da heroína) e a segunda mais referida entre os utentes que estiveram em estruturas de internamento. Nos últimos sete anos e por comparação com os anos anteriores, verificaram-se proporções mais elevadas de utentes com a cocaína como droga principal em quase todas as estruturas de tratamento. Continua a ter um papel muito relevante na mortalidade relacionada com o consumo de drogas, quase sempre em associação com outras substâncias ilícitas e/ou lícitas, registando-se em 2017 um aumento do número de overdoses com a presença de cocaína. Nos processos de contraordenação por consumo, continua a surgir com uma importante inferioridade numérica face à cannabis, embora já com uma expressão superior à da heroína. No quinquénio 2013-2017, com a exceção da subida significativa em 2017, não se constataram alterações relevantes no número de processos relacionados com cocaína.
Segundo os resultados do Flash
Eurobarometer, entre 2011 e 2014 aumentou
a facilidade percebida de acesso à cocaína entre os jovens portugueses de 15-24 anos. Nos resultados do INPG, 2016/17, a cocaína foi uma das drogas percecionadas como de maior acessibilidade pelos consumidores, constatando-se, entre 2012 e 2016/17, uma evolução positiva nestas perceções, no sentido da diminuição da facilidade percebida de acesso.
No âmbito de vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, uma vez mais foi consolidada a tendência iniciada na segunda metade da década anterior, da cocaína ser a segunda droga com maior visibilidade, o que é coincidente com os resultados nacionais dos estudos sobre as
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prevalências de consumos na população geral: uma vez mais foi a segunda substância com o maior número de apreensões, de presumíveis infratores e de condenados. É de notar que, apesar de os dados de 2017 não refletirem a totalidade dos resultados nacionais, as quantidades apreendidas de cocaína aumentaram face a 2016. No entanto, é de referir que os números das apreensões dos cinco anos anteriores foram os mais baixos desde 2005, e que as quantidades apreendidas no último quinquénio foram tendencialmente inferiores às do anterior. Portugal continua a ser um país de trânsito no contexto do tráfico internacional de cocaína, em particular dos fluxos provenientes da América do Sul e com destino à Europa.
Em 2017 o preço médio da cocaína confiscada registou uma ligeira subida face a 2016, verificando-se no último quinquénio preços tendencialmente inferiores aos do período homólogo anterior. O grau de pureza médio da cocaína em pó e da cocaína base apreendidas aumentaram face a 2016, representando os valores mais elevados do último quinquénio.
Os vários estudos epidemiológicos nacionais evidenciam que o consumo de heroína tem vindo a perder relevância face a outras drogas. No estudo realizado na população geral em 2016/17, a heroína surgiu com prevalências de consumo residuais na população de 15-74 anos e ainda mais na de 15-34 anos, verificando-se, de um modo geral, uma estabilidade das prevalências de consumo face a 2012. Em 2017, na 3ª edição do inquérito nacional aos jovens de 18 anos participantes no Dia da
Defesa Nacional, os opiáceos surgiram com
as menores prevalências de consumo por comparação às outras drogas, embora ligeiramente superiores às registadas entre os alunos de 18 anos. No estudo sobre
Estimativas do Consumo Problemático/de Alto Risco de Drogas, as estimativas de 2015
apontaram, em Portugal Continental, para um número de consumidores recentes de opiáceos inferior ao de cocaína. Nos estudos em populações escolares (2014 e 2015) constatou-se um reforço das tendências de estabilidade e de diminuição das
prevalências de consumo de heroína, continuando estas a ser das mais baixas nos vários estudos. No estudo realizado em 2014 no contexto da população reclusa, verificou-se, em relação a 2007, uma diminuição das prevalências de consumo de heroína ao longo da vida e em contexto de reclusão. Também foi referido o consumo de outros opiáceos, em particular de metadona e de buprenorfina sem receita médica, embora com menores prevalências. Tal como em outras populações juvenis, também o consumo de opiáceos é dos menos prevalentes entre os jovens internados em Centros Educativos, apesar de superior ao registado em outras populações juvenis.
No âmbito dos indicadores sobre os problemas relacionados com os consumos, a heroína continua a ser a droga predominante na maioria dos grupos de utentes que recorreram em 2017 às diferentes estruturas de tratamento, com exceção dos novos utentes em ambulatório e dos utentes das Comunidades Terapêuticas licenciadas. De um modo geral, mantém-se a tendência para a diminuição do número de utentes que recorrem a tratamento com a heroína como droga principal e as referências a outros opiáceos enquanto droga principal continuam a ter uma importância relativa residual. Na mortalidade relacionada com o consumo de drogas, os opiáceos continuam a ter um papel predominante, sendo de assinalar em 2017 um aumento do número de overdoses com opiáceos e em particular o aumento das overdoses com a presença de metadona. Nos processos de contraordenação por consumo de drogas, a heroína continua a ter um peso bastante inferior ao da cannabis e também já menor ao da cocaína. No quinquénio 2013-2017 não se constataram alterações relevantes no número destes processos, contudo, os valores registados foram inferiores aos do período homólogo anterior.
De acordo com o Flash Eurobarometer, entre 2011 e 2014 aumentou a facilidade percebida de acesso à heroína entre os jovens portugueses de 15-24 anos, tendo estes uma perceção de maior facilidade de acesso à heroína em comparação com as
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médias europeias. Nos resultados do INPG,
2016/17, a heroína foi a droga percecionada
como de maior acessibilidade pelos consumidores, constatando-se, entre 2012 e 2016/17, uma evolução positiva nestas perceções, no sentido da diminuição da facilidade percebida de acesso.
Ao nível de vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas persiste a tendência de diminuição da importância relativa da heroína, constatada já há alguns anos. Os números das apreensões de heroína no último quinquénio foram os mais baixos desde 2002, sendo as quantidades apreendidas inferiores às do anterior quinquénio. Todavia, e uma vez que os dados de 2017 estão subavaliados, importa referir o ligeiro aumento de apreensões nos dois anos anteriores após a descida contínua entre 2011 e 2014. Quanto a outras substâncias opiáceas, uma vez mais se registaram em 2017 apreensões de metadona e de buprenorfina, assim como de ópio. Apesar do reduzido número de apreensões com informação sobre rotas, destacou-se uma vez mais a Holanda como o país de proveniência com a maior quantidade de heroína confiscada em Portugal em 2017, sendo de assinalar dois fluxos não habituais de entrada de heroína proveniente de Moçambique com destino a outros países europeus.
O preço médio da heroína apreendida em 2017 manteve-se próximo ao de 2016, constatando-se nos últimos cinco anos preços tendencialmente inferiores aos do quinquénio anterior. O grau de pureza médio da heroína confiscada foi semelhante ao registado em 2016, sendo os valores do último quinquénio inferiores aos do período homólogo anterior.
Os vários estudos epidemiológicos nacionais indiciam que o consumo de
ecstasy continua a ser dos mais relevantes por comparação às outras drogas que não cannabis, embora com prevalências de consumo muito aquém da cannabis e mais próximas às de outras como a cocaína. No estudo realizado na população geral em 2016/17, o consumo de ecstasy perdeu importância relativa face à cocaína, surgindo como a terceira droga
preferencialmente consumida, tanto na população de 15-74 anos, como na de 15-34 anos. Entre 2012 e 2016/17 verificou-se uma descida das prevalências de consumo. Os estudos em populações escolares (2014 e 2015) evidenciaram uma tendência de descida das prevalências do consumo de
ecstasy em quase todas as idades, com
exceção dos mais velhos. No estudo realizado em 2014 na população reclusa, tal como em 2007, as prevalências de consumo de ecstasy foram um pouco superiores às de anfetaminas. Em relação a 2007 verificou-se uma ligeira diminuição das prevalências de consumo durante a atual reclusão. Em 2015, os jovens internados em Centros Educativos apresentaram prevalências de consumo de
ecstasy superiores às de outras populações
juvenis, sendo a segunda substância com consumos recentes e atuais mais prevalentes após o início do internamento. Segundo o
Flash Eurobarometer, entre 2011 e 2014
aumentou ligeiramente o risco percebido para a saúde associado ao consumo de
ecstasy entre os portugueses de 15-24 anos,
sendo as proporções de atribuição de risco
elevado para a saúde associado ao consumo ocasional e ao consumo regular de ecstasy idênticas às médias europeias. Entre
os alunos de 16 anos constatou-se uma ligeira diminuição do risco percebido para a saúde associado ao consumo de ecstasy, embora, face às médias europeias, percecionassem este consumo como de maior risco.
Nos vários indicadores sobre problemas relacionados com os consumos, o ecstasy continua a ter um papel residual, embora com um pouco mais de visibilidade desde 2011. Na procura de tratamento, as referências ao ecstasy como droga principal continuam a ser muito residuais nos grupos de utentes que em 2017 estiveram em tratamento nas diferentes estruturas de tratamento (iguais ou inferiores a 2%). Quanto à mortalidade relacionada com o consumo de drogas, o ecstasy aumentou a sua visibilidade no último quinquénio face ao anterior, embora continue a ter uma importância relativa pouco significativa. Nos processos de contraordenação por consumo de drogas, o ecstasy continua a ter valores pouco expressivos, apesar da
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tendência de aumento verificada desde 2011. No quinquénio 2013-2017 houve um aumento contínuo do número de processos relacionados com ecstasy, com valores significativamente superiores aos do período homólogo anterior.
De acordo com o Flash Eurobarometer, entre 2011 e 2014 aumentou a facilidade percebida de acesso ao ecstasy entre os jovens portugueses de 15-24 anos. No entanto, nos alunos de 16 anos (ESPAD), entre 2011 e 2015 diminuiu a facilidade percebida de acesso ao ecstasy. Também nos resultados do INPG, 2016/17, e apesar de mais de metade dos consumidores considerarem fácil ou muito fácil obter esta substância, verificou-se, entre 2012 e 2016/17, uma evolução positiva nestas perceções, no sentido da diminuição da facilidade percebida de acesso.
No âmbito de vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, o
ecstasy tem vindo a ganhar mais visibilidade
nos últimos anos, embora continue a apresentar valores pouco expressivos por comparação a outras drogas. Apesar dos dados relativos às apreensões policiais em 2017 não refletirem o total das apreensões nacionais, o número de apreensões de ecstasy foi muito próximo ao registado em 2016, ano em que se verificou o número de apreensões mais elevado de sempre e as maiores quantidades confiscadas desde 2006. Com efeito, após os decréscimos verificados entre 2006 e 2009, constata-se desde então uma tendência para um aumento destas apreensões, sendo as quantidades apreendidas no último quinquénio superiores às do período homólogo anterior.
Em 2017, o preço médio do ecstasy apreendido não sofreu alterações relevantes face a 2016. O grau de pureza médio dos comprimidos confiscados subiu em relação a 2016, reforçando a tendência de aumento do grau de pureza do ecstasy ao longo deste quinquénio, o qual apresentou valores significativamente superiores ao anterior.
Relativamente a outras drogas, os estudos epidemiológicos nacionais realizados no último quinquénio apontam,
de um modo geral, para a estabilidade ou descida das prevalências de consumo da maioria das drogas que não cannabis, com estas a apresentarem prevalências de consumo muito próximas entre si. No estudo realizado na população geral em 2016/17 verificou-se, face a 2012, uma tendência de descida das prevalências de consumo de anfetaminas e de alucinogénios, e em particular dos consumos recentes, na população de 15-74 anos e na de 15-34 anos. Em relação às novas substâncias
psicoativas verificou-se uma ligeira descida
das prevalências de consumo ao longo da vida (mais acentuada na população de 15-34 anos) e, em contrapartida, um ligeiro aumento do consumo recente. Na 3.ª edição do inquérito nacional aos jovens de 18 anos participantes no Dia da Defesa
Nacional, em 2017, uma vez mais estes jovens
apresentaram prevalências de consumo de outras substâncias ilícitas que não a cannabis, cocaínas e opiáceos superiores às das populações escolares da mesma idade. A seguir à cannabis, embora com prevalências de consumo muito inferiores, surgiram as anfetaminas/metanfetaminas (ecstasy incluído) e os tranquilizantes/ sedativos não prescritos. Os alucinogénios apresentaram prevalências de consumo próximas às da cocaína, seguindo-se-lhes as NSP. Comparativamente aos dois anos anteriores constata-se uma tendência de ligeira descida das prevalências destes consumos, assim como uma descida dos consumos mais intensivos, como os consumos diários. Os estudos nas populações escolares (2014 e 2015) evidenciaram uma estabilidade e descida dos consumos de estimulantes e de anfetaminas, assim como de alucinogénios, ao nível dos vários grupos etários. Entre a população reclusa é de destacar, em 2014, o consumo de hipnóticos/sedativos sem receita médica nos últimos 12 meses na atual reclusão. Em 2015, os jovens internados em Centros Educativos apresentaram prevalências de consumo de anfetaminas e de alucinogénios superiores às de outras populações juvenis e mais elevadas que as prevalências de consumo de hipnóticos/sedativos não prescritos e de esteroides anabolizantes. Nos consumos
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recentes e atuais após o início do internamento, o LSD foi a substância com maiores prevalências de consumo a seguir à cannabis e ao ecstasy. Quanto aos resultados do ESPAD sobre o risco percebido associado ao consumo de anfetaminas, em 2015 constatou-se entre os alunos de 16 anos uma ligeira diminuição do risco percebido, embora, face às médias europeias, percecionassem este consumo como de maior risco.
Nos vários indicadores sobre problemas relacionados com os consumos, a referência isolada a anfetaminas, a alucinogénios e a NSP mantém-se residual, sendo já mais expressivas as referências a hipnóticos/sedativos e as situações de policonsumos, tanto ao nível da procura de tratamento como da mortalidade relacionada com o consumo de drogas. Nos processos de contraordenação por consumo, a posse isolada de outras substâncias que não a cannabis, heroína, cocaína e ecstasy, continua também a ser muito residual. As situações relacionadas com a posse simultânea de várias drogas continuam a ser mais expressivas, tendo aumentado em 2017.
Os resultados do Flash Eurobarometer realizado em 2014 entre os jovens europeus de 15-24 anos mostraram que os jovens portugueses tinham uma perceção de maior facilidade de acesso às NSP, por comparação com as médias europeias. Os resultados do ESPAD realizado em 2015 entre os alunos de 16 anos, apontaram para uma diminuição entre 2011 e 2015 da facilidade percebida de acesso às anfetaminas. No
INPG, 2016/17, a perceção dos consumidores
sobre a facilidade de acesso às anfetaminas foi mais ou menos semelhante às das outras drogas, já não sucedendo o mesmo com os alucinogénios, que foram as substâncias percecionadas como de mais difícil acesso. Entre 2012 e 2016/17 houve uma evolução positiva nestas perceções, no sentido da diminuição da facilidade percebida de acesso. Ainda neste estudo, constatou-se que a aquisição de drogas via internet ainda tem pouca expressão, e as únicas referências foram feitas pelos consumidores de NSP. A este propósito, é de notar que a referência à aquisição de NSP em lojas (após o seu encerramento) é muito residual, mas ainda assim existente.
Ao nível dos indicadores indiretos relativos ao domínio da oferta de drogas ilícitas, em 2017 e à semelhança dos anos anteriores, registaram-se apreensões de uma variedade de substâncias dos grupos das benzodiazepinas, anfetaminas/metanfetaminas e alucinogénios, para além de outras. São de destacar pela ausência ou raridade de registos de apreensões anteriores, algumas substâncias com efeitos estimulantes e/ou alucinogénios, como as catinonas sintéticas metilona e Nor-mefedrona, e as fenetilaminas DOC e 25I-NBOMe, entradas no país via encomenda postal e todas confiscadas numa única apreensão. A posse de várias drogas continua a assumir particular importância nos vários indicadores no domínio da oferta, representando em 2017 cerca de um quinto das infrações e das condenações relacionadas com a oferta de drogas.