• Nenhum resultado encontrado

Um passeio pela complexidade

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Um passeio pela complexidade"

Copied!
53
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIˆENCIAS EXATAS E DA TERRA

DEPARTAMENTO DE F´ISICA BACHARELADO EM F´ISICA

Um Passeio pela Complexidade

Diego Gouveia dos Santos

Natal, RN, Brasil

2019

(2)

Diego Gouveia dos Santos

Um Passeio pela Complexidade

Monografia de Gradua¸c˜ao apresentada ao Departamento de F´ısica do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como re-quisito parcial para a obten¸c˜ao do grau de bacharel em F´ısica.

Orientador: Prof. Dr. Madras Viswanathan

Gandhi Mohan

Natal, RN, Brasil

2019

(3)
(4)

Monografia de Gradua¸c˜ao sob o t´ıtulo Um Passeio pela Complexidade apresentada por Diego Gouveia dos Santos e aceita pelo Departamento de F´ısica do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sendo aprovada por todos os membros da banca examinadora abaixo especificada:

Prof. Dr. Madras Viswanathan Gandhi Mohan Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento de F´ısica

Prof. Dr. Dory H´elio Aires de Lima Anselmo Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento de F´ısica

Prof. Dr. Jo˜ao Medeiros de Ara´ujo Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento de F´ısica

(5)

Agradecimentos

Laroyˆe!

Agrade¸co a Exu. Que abre meus caminhos e traz sabedoria nas encruzilhadas da vida. Que caminha sempre ao meu lado. Que guia meus passos e aconselha minhas decis˜oes. Que d´a e cobra os frutos de meus trabalhos. Sejam bˆonus, sejam ˆonus. Agrade¸co `a minha m˜ae Yemanj´a, Rainha do mar e m˜ae de todas as or´ıs. Que ´e ´aguas calmas quando preciso de colo e carinho. Que ´e mar tempestuoso quando preciso lutar o mundo. Que acalma meu cora¸c˜ao, e ´e morada de minh’alma. Que lava minhas preocupa¸c˜oes, medos, ang´ustias, pensamentos e sentimentos, e me permite renascer a cada dia. Gra¸cas a qual eu ainda possuo minha sanidade. Odoy´a, mam˜ae!

Agrade¸co aos meus amigos e colegas de curso. Tanto os que trilharam comigo l´eguas sem fim quanto os que encontrei apenas de passagem. Sem d´uvida as pessoas mais impor-tantes em minha jornada acadˆemica. Que dividiram comigo as dores e amores do curso. Com quem aprendi aprendendo e aprendi ensinando. Com os quais pude discutir f´ısica em mesa de bar e futebol no departamento de f´ısica. Que reascenderam minha paix˜ao pela f´ısica quando a rotina massante da universidade por vezes teimou em querer apag´ a-la. Que me mostraram as flores do caminho quando s´o encontrei espinhos. Sem os quais dificilmente chegaria aqui, e jamais teria a compreens˜ao de mundo; de vida; de f´ısica; que tenho hoje. Que tornaram mais leve o meu caminhar.

“ Companheiros me ajudem Que eu n˜ao posso andar s´o Eu sozinho ando bem

Mas com vocˆes ando melhor.”

Agrade¸co aos meus professores, que foram essenciais em minha forma¸c˜ao. Que me mostra-ram caminhos, abrimostra-ram novas possibilidades e id´eias. Que me ensinaram a ver e descrever o mundo sob uma nova ´otica. Agrade¸co aos que me encantaram em suas aulas pela clareza e did´atica na exposi¸c˜ao desses conhecimentos. Pela profundidade das reflex˜oes trazidas e das interpreta¸c˜oes colocadas. Agrade¸co tamb´em aos que me fizeram aprender a aprender sozinho. A buscar autonomia e entender que a responsabilidade com meu aprendizado ´e unicamente minha. Agrade¸co aos t´ecnicos, terceirizados e bolsistas que trabalham no

(6)

DFTE. Sem os quais nada funcionaria.

Agrade¸co `a minha m˜ae, ao meu pai e `a minha irm˜a. Que sempre se fizeram presentes, apesar da distˆancia. Que me deram todo amor, carinho e suporte que eu precisei. Que me ensinaram a viver e ser independente. Que me apoiaram e incentivaram na maioria de minhas escolhas. Que expressaram suas cr´ıticas e preocupa¸c˜oes nas que n˜ao concor-davam. Mas que sempre respeitaram minhas decis˜oes, mesmo com minha cabe¸ca dura quase sempre fazendo as coisas do meu jeito. Agrade¸co aos meus familiares e amigos, por todo apoio, companheirismo e compreens˜ao que me deram nos ´ultimos anos (ou por toda a vida).

Agrade¸co `a minha malta, os capoeiras Nagˆoas, e ao mestre Delicado. Agrade¸co `a minha na¸c˜ao, na¸c˜ao Zamberacatu. Agrade¸co ao cursinho popular Emancipa e ao grupo percussivo Pau e Lata. Cada um foi important´ıssimo em algum momento de minha forma¸c˜ao e continuam sendo at´e hoje.

(7)

“E com o bucho mais cheio Comecei a pensar Que eu me organizando posso desorganizar Que eu desorganizando posso me organizar Que eu me organizando posso desorganizar Da lama ao caos Do caos `a lama O homem roubado nunca se engana.” - Chico Science e Na¸c˜ao Zumbi

(8)

Resumo

Neste trabalho buscamos estudar a complexidade a partir de algumas de suas ca-racter´ısticas. Ela se manifesta nos mais diversos tipos de sistema e apresenta uma rica vastid˜ao de comportamentos. Analizamos aqui trˆes t´opicos: sistemas ca´oticos, fractais e autˆomatos celulares. Todos eles exibem complexidade, e como veremos possuem propri-edades em comum tais como: organiza¸c˜ao espontˆanea, autossimilaridade, aleatoriedade determin´ıstica, emergˆencia, n˜ao-linearidade.

Palavras-chave: complexidade, caos, fractais, autˆomatos celulares, organiza¸c˜ao espontˆanea, autossimilaridade, aleatoriedade determin´ıstica, emergˆencia, n˜ao-linearidade.

(9)

Abstract

In this monograph we aim to study complexity based on its features. Complexity manifest itself in a wide range of completely different systems, and exhibit rich and inte-resting behavior. Here we analyze three subjects: chaotic systems, fractals and cellular automata. All of them exhibit complexity, and as we shall see they have some common properties such as: self-organization, self-similarity, deterministic randomness, emergence, nonlinearity.

Keywords: complexity, chaos, fractals, cellular automata, self-organization, self-similarity, deterministic randomness, emergence, nonlinearity.

(10)

Lista de Figuras

2.1 Orbita do ponto x´ 0 = 0.6 com λ = 0.7 . . . 4

2.2 Orbita do ponto x´ 0 = 0.8 com λ = 1.5 . . . 5

2.3 Orbita do ponto x´ 0 = 0.15 com λ = 2.5 . . . 5

2.4 Orbita do ponto x´ 0 = 0.18 com λ = 3.2 . . . 6

2.5 Orbita do ponto x´ 0 = 0.9 com λ = 3.33 . . . 6

2.6 Diagrama de bifurca¸c˜ao do mapa log´ıstico. . . 7

2.7 Janelas peri´odicas na regi˜ao ca´otica do mapa log´ıstico. . . 8

3.1 Curva de Peano com dimens˜ao fractal 2 (imagem tirada da internet). . . . 14

3.2 Constru¸c˜ao do fractal de Cantor (imagem tirada da internet). . . 15

3.3 Constru¸c˜ao da curva de Koch (imagem tirada da internet). . . 16

3.4 Estrela de Koch (imagem tirada da internet). . . 17

3.5 Curva de Koch aleatorizada. . . 18

3.6 3 partidas do jogo do caos com pontos iniciais diferentes. . . 19

3.7 Agregados com 3 mil part´ıculas. . . 21

3.8 Agregados com 3 mil (esquerda) e 6,75 mil (direita) part´ıculas. . . 21

3.9 Agregados com 6,75 mil part´ıculas. . . 22

3.10 Agregado com 12 mil part´ıculas. . . 22

3.11 Gr´aficos dilog do n´umero de caixas N (ε) pelo inverso do comprimento ε, para os agregados de 12 mil part´ıculas. . . 23

3.12 Atrator de H´enon. Este fractal ´e formado por v´arias camadas que nunca se sobrep˜oem. . . 24

3.13 Conjuntos de Julia com C = −0.5 + 0.5i (esquerda) e C = −0.5 + 0.52i (direita) . . . 26

3.14 Conjuntos de Julia com C = −0.5 + 0.53i (esquerda) e C = −0.5 + 0.6i (direita) . . . 26

3.15 Conjuntos de Julia com C = 0.63i (esquerda) e C = 0.64i (direita) . . . 27

3.16 Conjuntos de Mandelbrot com z0 = 0 (esquerda) e z0 = 0.5i (direita) . . . 27

(11)

4.1 Autˆomatos celulares do tipo I. Regra 96 (esquerda) e regra 168 (direita). . 31 4.2 Autˆomatos celulares do tipo II. Regra 2 (esquerda) e regra 4 (direita). . . . 32 4.3 Autˆomatos celulares do tipo III. Regra 30 (esquerda) e regra 45 (direita). . 32 4.4 Autˆomatos celulares do tipo IV. Regra 110 (esquerda) e regra 147 (direita). 33 4.5 Regra 30 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas

uma c´elula (direita). . . 34 4.6 Regra 22 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas

uma c´elula (direita). . . 34 4.7 Regra 150 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas

uma c´elula (direita). . . 35 4.8 Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 224 (esquerda, tipo I) e regra

109 (direita, tipo II). . . 35 4.9 Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 22 (esquerda) e regra 60

(di-reita), ambas tipo III. Na regra 60 o erro se propaga de modo fractal e independe das condi¸c˜oes iniciais . . . 36 4.10 Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 110 (esquerda) e regra 147

(di-reita), ambas tipo IV. . . 36 4.11 Espa¸co de fase de um autˆomato com 10 c´elulas. Regra 22 `a esquerda e

regra 60 `a direita. A regra 60 (00111100) ´e sim´etrica. . . 37 4.12 Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda)

e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 22 com 10 c´elulas. . . 38 4.13 Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda)

e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 30 com 10 c´elulas. . . 38 4.14 Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda)

(12)

Sum´

ario

Agradecimentos i Resumo iv Abstract v Lista de Figuras vi 1 Introdu¸c˜ao 1 2 Caos 2 2.1 Mapas Unidimensionais . . . 2 2.2 O Mapa Log´ıstico . . . 4 2.3 Diagrama de Bifurca¸c˜ao . . . 6 2.4 A delta de Feigenbaum . . . 8 2.5 Caos e ru´ıdo . . . 10 3 Fractais 12 3.1 Autossimilaridade, Escala e Dimens˜ao . . . 12

3.2 Fractais Cl´assicos . . . 14

3.2.1 Conjunto de Cantor . . . 14

3.2.2 Curva de Koch . . . 16

3.3 Fractais Aleat´orios . . . 17

3.3.1 O Jogo do Caos . . . 18

3.3.2 DLA Cluster . . . 20

3.4 Fractais no Plano Cartesiano . . . 23

3.4.1 Atrator de H´enon . . . 23

3.4.2 Conjuntos de Mandelbrot e Julia . . . 25

4 Autˆomatos Celulares 28 4.1 Autˆomatos Elementares . . . 29

(13)

4.2 tipos de automatos . . . 30 4.3 Aleatoriedade e Propaga¸c˜ao de Erro . . . 32 4.4 Irreversibilidade e Entropia . . . 36

5 Considera¸c˜oes Finais 39

(14)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

Complexidade ´e um termo dif´ıcil de se definir, que pode possuir v´arios significados e ser aplicado nas mais diversas ´areas. ´E um fenˆomeno extremamente interdisciplinar, que tange a f´ısica, matem´atica, biologia, meteorologia, estat´ıstica, sociologia, filosofia, economia, lingu´ıstica, ciˆencias da computa¸c˜ao, entre outros.

Ela se manifesta em sistemas cujos componentes interagem entre si de diversas formas e obedecem regras locais, isto ´e, que n˜ao dependem de todo o sistema, apenas de sua vizinhan¸ca. Do estudo de popula¸c˜oes ao mercado financeiro. Da mobilidade urbana `a previs˜ao do tempo.

Em geral, sistemas ditos complexos apresentam caracter´ısticas como: n˜ao linearidade, organiza¸c˜ao espontˆanea, emergˆencia, imprevisibilidade, criticalidade, autossimilaridade, adapta¸c˜ao.

Neste trabalho estudaremos a complexidade a partir de trˆes t´opicos: caos, fractais e autˆomatos celulares. Buscando sempre perceber as rela¸c˜oes existentes entre eles.

(15)

Cap´ıtulo 2

Caos

2.1

Mapas Unidimensionais

Modelar e descrever a evolu¸c˜ao de sistemas dinˆamicos s˜ao objetivos centrais de grande parte das investiga¸c˜oes cient´ıficas. Sistemas dinˆamicos consistem em um conjunto de es-tados poss´ıveis, juntamente com uma regra que determina o estado atual em fun¸c˜ao dos estados anteriores. Por “estado”entendemos o conjunto de informa¸c˜oes necess´ario para aplica¸c˜ao da regra. Se esta regra for probabil´ıstica teremos um sistema estoc´astico. Caso contr´ario, o sistema ser´a determin´ıstico.

Na mecˆanica cl´assica, por exemplo, o estado de uma part´ıcula ´e unicamente determi-nado por sua posi¸c˜ao e momento (x, p). E as regras que atuam sobre ele s˜ao as leis de Newton; determin´ıstica. J´a na mecˆanica quˆantica o estado de um sistema ´e caracterizado por sua fun¸c˜ao de onda |ψi. Enquanto o sistema estiver isolado ele evolui segundo a equa¸c˜ao de Sch¨odinger, tamb´em determin´ıstica. Contudo, caso ele interaja com outro sistema sob a forma de uma “medi¸c˜ao”, seu estado passa a ser determinado pela lei de Born, que ´e probabil´ıstica.

Neste trabalho estudaremos apenas regras determin´ısticas. Nos exemplos citados os estados est˜ao definidos para valores cont´ınuos do tempo. Portanto as regras que os regem s˜ao expressas como equa¸c˜oes diferenciais. De fato, a maior parte dos sistemas de interesse f´ısico s˜ao modelados assim. Entretanto em alguns casos estamos interessados apenas em unidades discretas de tempo, e as regras assumem ent˜ao a forma de mapas.

Mapas s˜ao fun¸c˜oes cujo dom´ınio e contra-dom´ınio s˜ao o mesmo conjunto. O estado do sistema para qualquer tempo n ∈ N ´e determinado pelo estado imediatamente anterior, atrav´es do mapa:

(16)

Denotaremos k aplica¸c˜oes sucessivas de um mapa f por fk. Assim, partindo de um

ponto inicial x0 podemos reescrever (2.1) como

xn = fn(x0). (2.2)

A sequˆencia de estados {x0, x1, x2, ..., xn, ...} ´e chamada ´orbita ou trajet´oria de x0

sob f . Caso exista um ponto p tal que f (p) = p, ele ser´a chamado ponto fixo. Um ponto fixo de fkser´a chamado ponto de per´ıodo-k para o menor valor de k em que isto ocorra. ´Orbitas que eventualmente alcancem um desses pontos ser˜ao estacion´arias (cons-tante ou peri´odicas). Chamaremos de ´orbita de per´ıodo-k os k primeiros elementos de uma ´obita cujo ponto inicial seja um ponto de per´ıodo k, {pk

0, pk1, ..., pkk−1}.

´

Orbitas estacion´arias representam algum tipo de equil´ıbrio, e podem ser est´aveis ou inst´aveis. No primeiro caso, ´orbitas que passem suficientemente pr´oximas ser˜ao atrai-das e ir˜ao convergir para ela. No segundo, qualquer desvio da ´orbita estacion´aria ser´a amplificado e se distanciar´a do equilibrio. Chamaremo-as de atratores ou repulsores, respectivamente. O conjunto de todos os pontos iniciais que eventualmente s˜ao captura-dos pelo atrator ´e chamado base de atra¸c˜ao.

A estabilidade dessas ´orbitas pode ser determinada de maneira simples. Seja f uma fun¸c˜ao suave (onde derivadas de todas as ordens existem e s˜ao cont´ınuas) e p um ponto fixo de f , a derivada de f no ponto p ´e:

f0(p) = lim

x→p

f (p) − f (x) p − x

Como f (p) = p vemos que o m´odulo da derivada ´e a raz˜ao entre as distˆancias de f (x) e de x at´e p. Portanto se |f0(p)| < 1, f (x) se aproxima de p e temos um atrator. Se |f0(p)| > 1, f (x) se afasta de p e temos um repulsor.

Consideremos agora o ponto pk

0, que ´e ponto fixo de fk. Aplicando a regra da cadeia

(f (g(x))0 = f0(g(x))g0(x)) para derivar fk temos:

(fk)0(pk0) = (f (fk−1))0(pk0) = f0(fk−1(pk0))(fk−1)0(pk0) Sendo que para qualquer ponto de periodo k ´e f´acil ver que

fj(pki) = pk(i+j)mod k

onde a mod b representa o resto da divis˜ao inteira de a/b. Portanto (fk)0(pk0) = f0(pkk−1)(fk−1)0(pk0) (fk)0(pk0) = k Y i=1 f0(pkk−i). (2.3)

(17)

Assim, para avaliar a estabilidade de ´orbitas peri´odicas basta multiplicar a derivada de cada ponto da ´orbita. Se o valor absoluto de (2.3) for menor que 1, teremos um atrator. Se for maior, um repulsor.

Uma maneira simples de visualizar as ´orbitas de um mapa f ´e construindo o gr´afico seguinte:

1. Tra¸camos, no mesmo gr´afico, a curva f e a identidade y = x. Escolhemos um ponto inicial (x0, 0);

2. Tra¸camos uma reta vertical deste ponto at´e f , no ponto (xi, f (xi));

3. Tra¸camos agora uma reta horizontal at´e a identidade em (f (xi), f (xi));

4. Repetimos do passo 2 em diante.

2.2

O Mapa Log´ıstico

Seja f o mapa log´ıstico

f (xn) = xn+1 = λxn(1 − xn) (2.4)

onde x ∈ [0 : 1] e λ ∈ (0 : 4]. Queremos investigar o comportamento a longo prazo deste mapa dado o valor de λ. Vejamos algumas ´orbitas t´ıpicas, usando s´eries temporais e o modelo gr´afico descrito na se¸c˜ao anterior.

Figura 2.1: ´Orbita do ponto x0= 0.6 com λ = 0.7

A princ´ıpio o comportamento do mapa ´e bastante simples. Ap´os poucas intera¸c˜oes as ´orbitas convergem para pontos fixos. Quais s˜ao esses pontos? Resolvendo a equa¸c˜ao x = f (x) encontramos dois pontos fixos: p0 = 0 e p1 = 1 − 1λ. Entretanto p1 s´o pertence

(18)

Figura 2.2: ´Orbita do ponto x0= 0.8 com λ = 1.5

Figura 2.3: ´Orbita do ponto x0= 0.15 com λ = 2.5

ao dom´ınio [0:1] quando λ ≥ 1. E quanto a estabilidade desses pontos? Derivando f temos:

f0(x) = λ(1 − 2x) (2.5)

f0(p0) = λ

f0(p1) = 2 − λ

Portanto para 0 < λ ≤ 1 p0 ´e o ´unico ponto fixo e ´e est´avel. Em λ = 1, p0 perde sua

estabilidade mas p1 entra no dom´ınio de f e ´e estavel entre 1 ≤ λ ≤ 3. Isso explica as

´

orbitas vistas at´e agora, e de fato todas as ´orbitas para λ ≤ 3 convergem para p0 ou p1.

Mas o que acontece para λ > 3? Vejamos mais algumas ´orbitas. ´

Orbitas peri´odicas surgem! Ao passo que os pontos fixos de f perdem sua estabi-lidade, pontos fixos de f2 se tornam est´aveis, dando origem `a ´orbitas de periodo-2. Na figura 2.5 vemos a ´obita se aproximar do ponto p1 e ser repelida por ele at´e alcan¸car a

(19)

Figura 2.4: ´Orbita do ponto x0= 0.18 com λ = 3.2

Figura 2.5: ´Orbita do ponto x0= 0.9 com λ = 3.33

´

orbita peri´odica est´avel. Chamamos esta transi¸c˜ao de dobra de per´ıodo, ou simples-mente bifurca¸c˜ao. Conforme λ aumenta, essas ´orbitas tamb´em se tornam inst´aveis e ocorrem sucessivas bifurca¸c˜oes originando ´orbitas de per´ıodo-4,8...

Se pudermos caracterizar essas bifurca¸c˜oes ate λ = 4 teremos a descri¸c˜ao completa do mapa log´ıstico. Para isso construiremos um diagrama de bifurca¸c˜ao.

2.3

Diagrama de Bifurca¸

ao

Um diagrama de bifurca¸c˜ao nos mostra o comportamento a longo prazo das ´orbitas conforme variamos o parˆametro λ. Assim temos uma vis˜ao geral do comportamento do mapa. Ele ´e construido da seguinte maneira:

(20)

Figura 2.6: Diagrama de bifurca¸c˜ao do mapa log´ıstico.

2. Calcula-se a ´orbita de x0.

3. Descartamos os primeiros (digamos, 50) pontos da ´orbita para que o transiente inicial devido ao ponto x0 escolhido tenha sumido.

4. Em seguida marcamos os proximos (digamos, 100) pontos de ´orbita em fun¸c˜ao do valor de λ.

5. Repetimos o processo para v´arios valores de λ.

Na figura 2.6 vemos os atratores de ponto fixo at´e λ ≤ 3 e algumas dobras de per´ıodo em seguida. Mas pr´oximo a λ = 3.5, num ponto que chamaremos de a∞, algo inesperado

ocorre. As ´orbitas nunca se estabilizam em alguns valores. Mas se espalham por toda uma regi˜ao e a preenchem de maneira cont´ınua. S˜ao ´orbitas aperi´odicas.

Esta ´e a regi˜ao em que o caos se manifesta. De imediato ´e vis´ıvel a diferen¸ca na com-plexidade do comportamento peri´odico para o ca´otico. Este ´ultimo ´e imprevis´ıvel sem ser aleat´orio e nem se espalha uniformemente em [0:1]. H´a regi˜oes “proibidas”onde (ap´os um transiente) ´orbitas ca´oticas nunca alcan¸cam. E mesmo na regi˜ao permitida a distribui¸c˜ao dos pontos n˜ao ´e uniforme. Parece haver uma certa ordem mascarada pelo caos.

Surpreendentemente vemos que existem estreitas “janelas de ordem”com ´orbitas peri´odicas imersas na regi˜ao ca´otica. Essas ´orbitas rapidamente se bifurcam e d˜ao lugar novamente ao caos. A passagem de ordem para o caos dessas janelas em muito se assemelha com a passagem em a∞. Em outras palavras, o comportamento local dessas janelas

(21)

de bifurca¸c˜ao do mapa log´ıstico apresenta uma certa autossimilaridade, como pode ser observado na figura 2.7.

Figura 2.7: Janelas peri´odicas na regi˜ao ca´otica do mapa log´ıstico.

2.4

A delta de Feigenbaum

Examinemos mais de perto a transi¸c˜ao do regime peri´odico para o ca´otico. `A medida que λ aumenta, as bifurca¸c˜oes ocorrem cada vez mais pr´oximas uma das outras, at´e se acumularem em a∞. ´E natural questionar se as distˆancias entre as bifurca¸c˜oes obedecem

alguma regra matem´atica.

O f´ısico americano M. Feigenbaum foi o primeiro a fazer esse tipo de an´alise e percebeu que conforme o n´umero de bifurca¸c˜oes aumenta, a distˆancia entre bifurca¸c˜oes consecutivas tende a uma propor¸c˜ao geom´etrica. Ou seja, a raz˜ao entre duas distˆancias consecutivas tende a uma constante.

δ = lim

n→∞

an−1− an−2

an− an−1

(22)

Experimento: N´umero de bifurca¸c˜oes δ Hidrodinˆamica: ´ Agua 4 4, 3 ± 0, 8 H´elio 4 3, 5 ± 0, 15 Merc´urio 4 4, 4 ± 0, 1 Eletrˆonica: Diodo 5 4, 3 ± 0, 1 Transistor 4 4, 7 ± 0, 3 Josephson 4 4, 4 ± 0, 3 Laser: Laser feedback 3 4, 3 ± 0, 3 Ac´ustica: H´elio 3 4, 8 ± 0, 6

Tabela 2.1: Resultados de experimentos onde ocorrem dobras de per´ıodo [1]

Esta constante ficou conhecida como delta de Feigenbaum e historicamente foi muito importante no estudo do caos pois foi a primeira caracter´ıstica de universalidade encon-trada. Sistemas ca´oticos completamente diferentes, incluindo sistemas f´ısicos que nada tem a ver com o mapa log´ıstico, exibem o mesmo valor para essa constante, vide tabela 2.1.

Encontrando os dois primeiros pontos de bifurca¸c˜ao podemos usar a delta de Feigen-baum para fazer previs˜oes sobre onde encontrar os pr´oximos. Invertendo a equa¸c˜ao (2.6) temos:

an+1 =

an− an−1

δ + an (2.7)

´

E importante lembrar que o ponto obtido a partir da equa¸c˜ao (2.7) n˜ao ´e exatamente o ponto de bifurca¸c˜ao, ´e apenas uma estimativa de onde encontra-lo. Pois o valor de δ s´o ´e bem definido quando n → ∞. Aplicando (2.7) recursivamente nos dois primeiros pontos encontramos: an+2= a1+ n X i=0 a2− a1 δi (2.8) fazendo n → ∞ a∞ = a1+ ∞ X i=0 a2− a1 δi a∞= a1+ (a2− a1) ∞ X i=0  1 δ i

Reconhecemos aqui uma s´erie geom´etrica cujo resultado ´eP∞

i=0r i = 1

1−r, para |r| < 1.

(23)

a∞ = a1+ (a2− a1)

δ

δ − 1 (2.9)

2.5

Caos e ru´ıdo

Vimos que uma das caracter´ısticas do caos ´e sua imprevisibilidade. Mas qualquer experimento f´ısico est´a sujeito `a perturba¸c˜oes externas (ru´ıdo), e nesse sentido ´e impos-sivel prever o resultado de um experimento com uma determinada precis˜ao. Como ent˜ao podemos diferenciar caos de ru´ıdo?

Outra caracter´ıstica de fenˆomenos ca´oticos ´e a divergˆencia de trajet´orias pr´oximas, ou alta sensibilidade `as condi¸c˜oes iniciais. Isto significa que, em um fenˆomeno ca´otico, duas condi¸c˜oes iniciais muito semelhantes dar˜ao origem a comportamentos com-pletamente diferentes. Tambem ´e conhecido como efeito borboleta e pode ser sintetizado na c´elebre frase: “O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um furac˜ao no Texas”.

A divergˆencia de trajet´orias pr´oximas nos permite diferenciar comportamentos re-almente ca´oticos de ru´ıdo. Em um fenˆomeno n˜ao ca´otico dois estados iniciais muito semelhantes ser˜ao afetados pelo ru´ıdo de maneira similar e ir˜ao evoluir para dois estados finais tambem semelhantes.

Entretanto se o fenˆomeno for ca´otico n˜ao s´o os estados finais ser˜ao completamente diferentes entre si, como a presen¸ca de ru´ıdo tornar´a imposs´ıvel prevˆe-los ainda que se conhe¸ca com exatid˜ao os estados iniciais.

´

E importante notar que simula¸c˜oes computacionais n˜ao est˜ao livres de ru´ıdo. Dado que a m´emoria do computador ´e finita, n´umeros com muitas casas decimais s˜ao arre-dondados, o que geralmente n˜ao traz consequˆencia alguma, mas pode fazer diferen¸ca se estivermos tratando de sistemas ca´oticos.

Essa constata¸c˜ao nos d´a um aparente paradoxo. O estudo aprofundado do caos s´o foi possivel a partir da constru¸c˜ao dos primeiros computadores. Seria completamente invi´avel construir um diagrama de bifurca¸c˜ao, por exemplo, apenas com uma calculadora. Mas acaba de ser apontado que erros inerentes `a maquina possuem papel decisivo no c´alculo de uma ´orbita.

Como podemos ent˜ao confiar nos resultados obtidos a partir de simula¸c˜oes computacio-nais, incluindo os apresentados neste trabalho? E se n˜ao pudermos confiar nas simula¸c˜oes, como poderemos estudar os fenˆomenos ca´oticos?

O fato de que diversas m´aquinas com diferentes especifica¸c˜oes computacionais (mem´oria, processador, etc), ultilizando diferentes linguagens de programa¸c˜ao e diferentes algorit-mos para a simula¸c˜ao produziram os mesmo resultados nos deixa confidentes na validade

(24)

deste m´etodo. Pode-se entender que apesar de cada ´orbita ser diferente, se ela for ’longa o suficiente’ passar´a arbitrariamente pr´oxima de todos os pontos poss´ıveis. Entretanto, at´e onde vai o presente conhecimento do autor, n˜ao h´a uma prova formal garantindo a validade deste m´etodo, apenas fortes ind´ıcios.

Por isso devemos sempre lembrar que as simula¸c˜oes s˜ao importantes e muito ´uteis no estudo te´orico para compreendermos os fenˆomenos e elaborar nossas hip´oteses e conjec-turas. Mas a verifica¸c˜ao experimental ´e indispens´avel.

(25)

Cap´ıtulo 3

Fractais

“Clouds are not spheres, mountains are not cones, coastlines are not circles, and bark is not smooth, nor does lightning travel in a straight line.”

-Benoit Mandelbrot

Fractais s˜ao figuras matem´aticas irregulares, rugosas, com caracter´ısticas bem pecu-liares, contra-intuitivas, que desafiam no¸c˜oes b´asicas da geometria tradicional bem como a criatividade dos matem´aticos. O termo “fractal”foi inventado por Mandelbrot [2] ap´os um estudo sistem´atico dessas figuras.

3.1

Autossimilaridade, Escala e Dimens˜

ao

Assim como no caso do caos, ´e dificil definir precisamente o que sejam fractais. Mas ´e f´acil apontar suas principais caracter´ısticas. Tais como a autossimilaridade, invariˆancia de escala e dimens˜ao n˜ao inteira. Portanto come¸caremos nosso estudo com uma breve discuss˜ao acerca desses conceitos.

Autossimilar, como o nome sugere, indica algo que ´e similar a si mesmo. Claro que qualquer objeto ´e idˆentico a si mesmo, n˜ao ´e a isso que estamos nos referindo. Autossi-milaridade significa que uma parte do objeto ´e similar (ou idˆentica) ao objeto como um todo, em escala reduzida. Que ao magnificar uma parte da figura recuperamos a figura como um todo. Ou ainda que uma figura ´e constituida por vers˜oes menores dela mesma. Imagine, por exemplo, a capa de um livro em que aparece a imagem da capa do pr´oprio livro. Teremos um livro, dentro de um livro, dentro de um livro, dentro de um livro... Se aumentarmos a imagem de modo que a capa do primeiro livro desenhado fique do tamanho da capa original teremos exatamente a mesma figura. Ou seja, uma parte da figura ´e idˆentica, em escala menor, `a figura como um todo. Eis ai a autossimilaridade.

(26)

Como consequˆencia direta da autossimilaridade temos a invariˆancia de escala. Isto ´e, o sistema possui o mesmo comportamento visto em escalas diferentes. Ele n˜ao possui uma ordem de grandeza preferencial para ocorrer. Ocorre em todos os n´ıveis. A lei de Gutenberg-Richter [3] por exemplo, que descreve a frequˆencia dos terremotos pela sua magnitude, ´e conhecida por ser invariante de escala. Isto significa que terremotos de to-das as magnitudes ocorrem, desde que se espere uma escala de tempo compat´ıvel.

No caso dos fractais essa invariˆancia de escala significa que o fractal permanece idˆentico independente da escala em que ´e observado. Por exemplo, uma espiral. Se aproximar ou se afastar dela n˜ao altera em nada sua imagem. Apenas olhando n˜ao temos como saber em que escala estamos.

Para tratar dos fractais precisaremos ainda expandir nosso conceito de dimens˜ao. Tra-dicionalmente entendemos que pontos tˆem dimens˜ao zero, curvas dimens˜ao um, planos dimens˜ao dois e etc. Esta ´e a chamada dimens˜ao topol´ogica. Fractais s˜ao objetos que n˜ao se encaixam em nenhum desses casos, mas est˜ao em algum est´agio intermedi´ario de-les. Queremos definir uma dimens˜ao capaz de abrangi-los, isto ´e, que admita valores n˜ao inteiros. E que seja consistente com a dimens˜ao topol´ogica.

H´a v´arias maneiras de se definir uma dimens˜ao fractal, sendo a maior parte delas equivalentes. Trabalharemos com a dimens˜ao box counting (contagem de caixas) por ser a mais ultilizada e de f´acil aplica¸c˜ao, tanto te´orica quanto num´erica.

A id´eia ´e dividir o espa¸co em caixas de lado arbitr´ario ε e contar o n´umero de cai-xas N (ε) ocupadas pelo fractal. Para ε pequeno o n´umero de caixas N (ε) deve variar polinomialmente com (1/ε) onde o expoente ´e a dimens˜ao do objeto.

N (ε) ∝ 1 ε

D

(3.1) Assim, a dimens˜ao (box counting) pode ser calculada como:

DBC = lim ε→0

log N (ε)

log(1/ε) (3.2)

Por exemplo, para cobrir uma reta de comprimento l, precisaremos de N (ε) = l/ε caixas de lado ε. Assim sua dimens˜ao ser´a

DBC = lim ε→0 log(l/ε) log(1/ε) = limε→0 log(ε) − log(l) log(ε) = 1 como esperado. ´

E f´acil ver que esta defini¸c˜ao recupera os resultados que conhecemos para os objetos euclidianos. Dessa forma conseguimos n˜ao s´o atribuir um valor para a dimens˜ao dos fractais como tamb´em ter alguma intui¸c˜ao, ainda que rudimentar, do que esses valores significam. Em geral os fractais possuem dimens˜ao n˜ao inteira, mas n˜ao obrigatoriamente.

(27)

As curvas de Peano [4], por exemplo, possuem dimens˜ao 2 (s˜ao capazes de preencher ´

areas).

Figura 3.1: Curva de Peano com dimens˜ao fractal 2 (imagem tirada da internet).

3.2

Fractais Cl´

assicos

Antes de Mandelbrot alguns fractais j´a eram conhecidos, mas eram tidos como “mons-tros matem´aticos”. Figuras estranhas que surgiam como contra-exemplo de alguma teoria ou que tornavam explicitas aparentes contradi¸c˜oes.

Um conjunto que ´e denso em lugar nenhum e denso nele mesmo, uma curva que ´e cont´ınua mas n˜ao ´e diferenci´avel em nenhum ponto, uma figura com per´ımetro infinito e ´

area finita s˜ao alguns exemplos das “aberra¸c˜oes”matem´aticas que veremos.

3.2.1

Conjunto de Cantor

O conjunto de Cantor foi introduzido pelo matem´atico alem˜ao Georg Cantor em 1883. ´

E talvez o fractal mais conhecido, e apesar de aparentemente simples possui uma infinidade de propriedades matem´aticas. Cantor o definiu de maneira geral e abstrata, sendo poss´ıvel constru´ı-lo de diversas formas. Veremos aqui sua constru¸c˜ao mais conhecida, o conjunto tern´ario de Cantor.

A constru¸c˜ao do fractal se d´a de maneira recursiva: 1. Comecemos com um segmento de reta unit´ario [0:1].

2. Divide(m)-se o(s) segmento(s) em trˆes partes iguais.

(28)

4. Repete-se, ad infinitum, a partir do passo 2 para os segmentos restantes.

Figura 3.2: Constru¸c˜ao do fractal de Cantor (imagem tirada da internet).

O fractal ser´a a figura resultante ap´os aplicar o procedimento descrito infinitas vezes. O conjunto (tern´ario) de Cantor s˜ao os pontos que nunca s˜ao eliminados da reta por esse procedimento.

Vemos que na k-´esima fase da constru¸c˜ao temos 2k segmentos de reta, cada um com 1

3

k

de comprimento. Portanto um comprimento total de 23k. Com k → ∞ temos o “comprimento”(medida de lebesgue [5]) indo a zero. O fractal de Cantor ´e uma nuvem, ou poeira de pontos, sem comprimento.

Apesar do comprimento nulo, a cardinalidade do conjunto ´e a mesma da reta [0:1]. H´a uma fun¸c˜ao surjetiva que mapeia cada ponto do conjunto num ponto da reta. Eis uma das primeiras peculiaridades deste fractal: possui comprimento nulo e infinitos n˜ao enumer´aveis elementos; tantos quanto uma reta de comprimento qualquer.

Calculando sua dimens˜ao fractal temos que usando caixas de lado ε = 13k

teremos N (ε) = 2k caixas preenchidas. Portanto pela equa¸c˜ao (3.2) sua dimens˜ao ´e:

DBC = lim k→∞ log 2k log(3k) = log(2) log(3) ≈ 0, 63

De fato o conjunto de Cantor ´e algo que se situa entre uma cole¸c˜ao de pontos (di-mens˜ao 0) e uma reta (dimens˜ao 1).

Este conjunto ´e dito denso em lugar nenhum, pois n˜ao possui pontos interiores. Isto ´e, arbitrariamente pr´oximo de qualquer ponto do conjunto h´a algum ponto (na verdade infinitos) que n˜ao pertence ao conjunto.

Ele tambem ´e dito denso nele mesmo, pois n˜ao possui pontos isolados. Isto ´e, arbitra-riamente pr´oximo de qualquer ponto do conjunto h´a algum ponto (na verdade infinitos) que pertence ao conjunto.

(29)

3.2.2

Curva de Koch

A Curva de Koch foi proposta pelo matem´atico sueco Helge von Koch em 1906. Sua constru¸c˜ao se d´a do seguinte modo:

1. Come¸camos com um segmento de reta; 2. Divide-se o segmento em trˆes partes iguais;

3. Desenha-se um triˆangulo equil´atero usando o segmento do meio como base; 4. Apaga-se o segmento que serviu de base para o triˆangulo;

5. Repete-se, ad infinitum, a partir do passo 2 para todos os segmentos de reta.

Figura 3.3: Constru¸c˜ao da curva de Koch (imagem tirada da internet).

Entre as propriedades interessantes deste fractal vemos que:

• A curva tem comprimento infinito, entretanto delimita uma ´area finita; • A distˆancia entre quaisquer dois pontos da curva ´e infinita;

• A curva ´e cont´ınua por´em n˜ao diferenci´avel (todos os pontos s˜ao “bicos”); • ´E autossimilar.

Na k-´esima etapa da constru¸c˜ao temos N (ε) = 4k segmentos de reta com ε = (1/3)k do

comprimento inicial. Portanto sua dimens˜ao fractal ´e: DBC = lim k→∞ log 4k log(3k) = log(4) log(3) ≈ 1, 26

(30)

Magnificando em 3k vezes determinada regi˜ao do fractal (que corresponda a um

seg-mento de reta do est´agio k da constru¸c˜ao) recuperamos o fractal completo. Ou seja, ele ´e autossimilar.

A estrela (ou floco de neve) de Koch ´e construida do mesmo modo que a curva, porem come¸cando com um triˆangulo equil´atero (no passo 1).

Figura 3.4: Estrela de Koch (imagem tirada da internet).

3.3

Fractais Aleat´

orios

Vimos at´e agora fractais determin´ısticos, constru´ıdos seguindo um algoritmo infinita-mente recursivo. Estes fractais s˜ao perfeitamente autossimilares, isto ´e, s˜ao invariantes sob magnifica¸c˜ao. Em qualquer escala o fractal ´e formado por c´opias dele em escalas menores. Possuem uma complexidade muito grande, quanto mais nos aproximamos deles mais detalhes aparecem. Nunca conseguimos reduzi-los a objetos mais simples, como os da geometria euclidiana por exemplo. Como se tivessem uma resolu¸c˜ao infinita, nunca enxergamos os pixels.

Tais objetos, entretanto, s´o podem existir no mundo matem´atico. No mundo f´ısico temos duas grandes limita¸c˜oes. A primeira ´e que essa “resolu¸c˜ao infinita”n˜ao pode existir. Em algum momento chegaremos na escala atomica e o fractal n˜ao poder´a se repetir em escalas menores. Os fractais que existem na natureza n˜ao ser˜ao autossimilares em todas as escalas, mas apenas num certo intervalo.

A segunda diferen¸ca que temos ´e a seguinte: n˜ao existe igualdade no mundo f´ısico, apenas semelhan¸ca. N˜ao h´a duas coisas que sejam idˆenticas uma `a outra, s˜ao no m´aximo parecidas. Igualdade ´e uma abstra¸c˜ao. Precisaremos ajustar nosso conceito de autossimi-laridade nesse respeito.

Diremos que uma figura ´e autossimilar se n˜ao for poss´ıvel distinguir uma escala de outra. Isto ´e, se uma regi˜ao da figura se parece (´e indistinguivel) com outra de escala

(31)

diferente. E estar´a sempre impl´ıcito que essa autossimilaridade n˜ao ´e v´alida em qualquer escala, mas num intervalo de interesse.

Com nosso conceito de autossimilaridade atualizado podemos investigar casos mais pr´oximos da f´ısica e da natureza, para alem das idealiza¸c˜oes matem´aticas. Iniciaremos esta empreitada introduzindo um novo ingrediente: a aleatoriedade. A aleatoriedade ´e muito importante para modelar e simular sistemas f´ısicos, pois ela engloba os efeitos de tudo que n˜ao entra explicitamente em nosso modelo. Sejam as vari´aveis que n˜ao incluimos por julgarmos irrelevantes, os erros e imprecis˜oes nas medidas, o ru´ıdo e etc.

O caso mais simples parece ser aleatorizar fractais determin´ısticos, como os que j´a vimos. Em seguida construiremos fractais inerentemente aleat´orios. Vejamos uma vers˜ao da estrela de Koch. Em cada etapa da sua constru¸c˜ao desenharemos o triˆangulo equil´atero (do passo 3) apontando “para fora”50% das vezes, e “para dentro”nos outros 50%.

Vemos que o fractal se parece com uma ilha. Sua borda parece a linha costeira ou a fronteira de algum pais. De fato a forma irregular da costa/fronteira dos pa´ıses foi o tema do primeiro artigo onde Mandelbrot introduz a geometria fractal.

´

E f´acil verificar que ela ´e autossimilar, no sentido mais abrangente (f´ısico) do termo. Seria imposs´ıvel um processo aleat´orio gerar uma figura autossimilar no mesmo sentido dos fractais cl´assicos (matem´aticos). Sua dimens˜ao fractal pode ser calculada numericamente sem grandes dificuldades, com um gr´afico di-log.

Figura 3.5: Curva de Koch aleatorizada.

3.3.1

O Jogo do Caos

Um procedimento aleat´orio pode gerar um resultado determin´ıstico? Aleatoriedade necessariamente implica em desordem e imprevisibilidade? Come¸caremos a discuss˜ao com um jogo simp´les, chamado “jogo do caos”.

(32)

2. Marque, em qualquer lugar do papel, um ponto. Este ponto ser´a chamado de “ponto do jogo”;

3. Sorteie um dos trˆes v´ertices;

4. Marque o ponto na metade do caminho entre o ponto do jogo e o v´ertice sorteado. Este ponto ser´a o novo ponto do jogo;

5. Repita in´umeras vezes o procedimento a partir do passo 3.

Figura 3.6: 3 partidas do jogo do caos com pontos iniciais diferentes.

Mostramos 3 partidas do jogo, com pontos iniciais diferentes. `A primeira vista o resul-tado pode parecer impressionante. Os pontos sorteados em cada figura s˜ao completamente diferentes. Mas vemos o mesmo padr˜ao emergir em cada uma delas, de modo que pratica-mente n˜ao conseguimos distingui-las. Este padr˜ao ´e um fractal conhecido como triˆangulo de Sierpinski, constru´ıdo de modo semelhante aos fractais de Cantor e de Koch. Analize-mos como isto ocorre.

(33)

do jogo como uma unidade discreta de tempo. Assim a figura resultante ´e a trajet´oria da particula no espa¸co de configura¸c˜ao (x,y).

Primeiro vemos que a partir de qualquer ponto fora do triˆangulo a part´ıcula se move em dire¸c˜ao a ele, at´e alcan¸car sua borda ou interior. Alcan¸cando a borda a part´ıcula continuar´a na borda ou adentrar´a o triˆangulo. E uma vez no interior do triˆangulo todos os pontos seguintes permanecer˜ao dentro do triˆangulo. O triˆangulo age como um atrator confinante.

Como a trajet´oria da part´ıcula evolui no interior do triˆangulo? At´e ent˜ao sabemos que ela est´a confinada, mas como o padr˜ao visto emerge? H´a regi˜oes “proibidas”no interior? Por que ela n˜ao se espalha uniformemente? Come¸cando em um v´ertice todos os mo-vimentos poss´ıveis da part´ıcula fazem parte do triˆangulo de Sierpinski. Na verdade uma vez que ela alcance qualquer ponto do fractal sua trajet´oria estar´a confinada no pr´oprio fractal. As regras do jogo funcionam como um mapa sob o qual o conjunto de pontos que pertencem ao fractal ´e invariante. Isto ´e, um ponto do conjunto sempre ´e mapeado noutro.

E qualquer ponto que n˜ao perten¸ca ao conjunto ´e mapeado noutro que tamb´em n˜ao pertence, mas que est´a mais pr´oximo de um ponto do fractal que o anterior. Portanto, ap´os sucessivas rodadas pode-se aproximar a trajet´oria da part´ıcula tanto quanto se queira do fractal. O triˆangulo de Sierpinski ´e o atrator de todas as trajet´orias sob o mapa defi-nido pelas regras.

Atratores com formatos fractais s˜ao comuns (e umas das principais caracter´ısticas) em sistemas ca´oticos. Tais atratores s˜ao chamados atratores estranhos. A complexidade da evolu¸c˜ao dinˆamica do sistema ca´otico est´a intimamente ligada `a complexidade da topolo-gia de seu atrator estranho.

3.3.2

DLA Cluster

Partimos agora para um caso onde a aleatoriedade aparece n˜ao como um ingrediente extra, mas como parte fundamental do processo. Queremos simular part´ıculas realizando movimento browniano que “grudam”uma na outra quando se encontram e assim v˜ao for-mando agregados (em inglˆes, cluster ) cada vez maiores.

Esta ´e a chamada agrega¸c˜ao por difus˜ao limitada (do inglˆes, Diffusion-limited aggre-gation, DLA). Este modelo, proposto em 1981 por Witten Jr. e Sander, ´e aplic´avel em qualquer sistema onde a difus˜ao seja o principal meio de transporte. ´E observado em siste-mas como a eletrodeposi¸c˜ao, fluxo de Hele-Shaw [6], dep´ositos minerais, ruptura diel´etrica entre outros.

Realizamos as simula¸c˜oes numa rede bidimensional, com uma part´ıcula fixa no centro e outra solta na borda sob movimento browniano, isto ´e, a cada unidade de tempo

(34)

dis-creto possui 25% de chance de se mover em cada dire¸c˜ao. Quando esta part´ıcula se une ao agregado do centro, outra ´e liberada numa regi˜ao diferente da borda.

Figura 3.7: Agregados com 3 mil part´ıculas.

Figura 3.8: Agregados com 3 mil (esquerda) e 6,75 mil (direita) part´ıculas.

As simula¸c˜oes possuem 3, 6.75 e 12 mil part´ıculas. A autossimilaridade ´e evidente uma vez que n˜ao conseguimos distinguir cada um desses regimes. O c´alculo de sua dimens˜ao fractal ´e direto: basta construir um gr´afico dilog do n´umero de caixas N (ε) pelo inverso de seu comprimento ε. Se a equa¸c˜ao 3.2 for v´alida o gr´afico ser´a uma reta e a dimens˜ao ser´a seu coeficiente angular.

Calculamos a dimens˜ao para as simula¸c˜oes com 12 mil part´ıculas e obtivemos como resultado D ≈ 1, 58.

(35)

Figura 3.9: Agregados com 6,75 mil part´ıculas.

(36)

Figura 3.11: Gr´aficos dilog do n´umero de caixas N (ε) pelo inverso do comprimento ε, para os agregados de 12 mil part´ıculas.

3.4

Fractais no Plano Cartesiano

3.4.1

Atrator de H´

enon

O atrator de H´enon [7] ´e gerado pela transforma¸c˜ao:

H(x, y) = (y + 1 − ax2, bx) (3.3)

sendo a = 1,4 e b = 0,3 a sua forma convencional.

Esta transformada pode ser entendida como 3 deforma¸c˜oes sucessivas do plano carte-siano. Primeiro em forma de par´abola no eixo y:

H1(x, y) = (x, y + 1 − ax2)

Depois uma contra¸c˜ao em x

(37)

Figura 3.12: Atrator de H´enon. Este fractal ´e formado por v´arias camadas que nunca se sobrep˜oem.

E por fim uma reflex˜ao em x=y

H3(x, y) = (y, x)

De modo que

H(x, y) = H3(H2(H1(x, y)))

A maioria dos pontos d˜ao origem `a ´orbitas que escapam pro infinito. O atrator de H´enon ´e o estado final das ´orbitas que n˜ao divergem. H´a uma zona de captura R, ao redor do atrator, onde as ´orbitas ficam confinadas (H(R) ⊂ R) e eventualmente conver-gem para ele. Sua base de atra¸c˜ao ´e formada por todos os pontos cuja ´orbita, em algum momento, entra na zona de captura. O atrator ´e invariante sob H, i.e. um ponto do atrator ´e mapeado noutro.

H ´e sens´ıvel `as condi¸c˜oes iniciais. Duas ´orbitas inicialmente pr´oximas v˜ao divergir rapidamente. E elas preenchem densamente o atrator. Cada ´orbita (que n˜ao diverge) se aproxima tanto quanto se queira de todos os pontos do atrator. Assim uma ´unica ´orbita ´e suficiente para ger´a-lo.

(38)

O atrator parece ser formado por segmentos de par´abolas. Ao magnificarmos a ima-gem percebemos que cada vez mais desses segmentos aparecem. Se come¸camos com um segmento e aplicamos a transformada H, teremos dois segmentos. Ao aplic´a-la novamente teremos quatro, ent˜ao oito, dezesseis e assim sucessivamente. De modo que o atrator ´e formado por infinitos desses segmentos. Se n˜ao fosse assim ele n˜ao seria invariante, pois ao aplicar H apareceriam novos (o dobro) segmentos. Desse modo pontos teriam sido mapeados para fora do atrator que, neste caso, n˜ao seria mais um atrator.

O atrator tem ´area zero. Ao aplicar H a uma regi˜ao sua ´area dimimui pelo fator b. Ao aplic´a-la infinitas vezes teremos o atrator com ´area nula. A interse¸c˜ao dos segmentos de par´abola do atrator com uma reta gera um conjunto de Cantor (n˜ao o tern´ario). O que mostra sua autossimilaridade (ao menos em rela¸c˜ao `a disposi¸c˜ao das par´abolas).

Este atrator tamb´em tem grande rela¸c˜ao com o mapa log´ıstico, sendo at´e conside-rado sua vers˜ao bidimensional. Vemos que para b = 0, H se torna um mapa quadr´atico unidimensional

xn+1 = 1 − ax2n

assim como o mapa log´ıstico

xn+1 = axn(1 − xn).

Isto significa que todo o estudo feito no cap´ıtulo 2 sobre o mapa log´ıstico pode ser feito tamb´em para o mapa de H´enon, agora em duas dimens˜oes. Encontrar seus regimes estacion´ario, peri´odico e ca´otico, os expoentes de Lyapunov, construir o diagrama de bi-furca¸c˜ao, calcular a delta de Feigenbaum e etc.

O atrator de H´enon ´e um atrator estranho. Ele representa a dinˆamica de um sistema ca´otico e possui a topologia de um fractal.

3.4.2

Conjuntos de Mandelbrot e Julia

Os conjuntos de Julia e de Mandelbrot s˜ao gerados pela mesma fun¸c˜ao iterativa com-plexa

zn+1= zn2 + c (3.4)

com z, c ∈ C.

Como no mapa de H´enon, v´arias trajet´orias escapar˜ao pro infinito dependendo dos valores de z0 e c. Os fractais de Julia e Mandelbrot nascem da identifica¸c˜ao dessas

tra-jet´orias. No caso de Julia fixamos o valor de c e no de Mandelbrot fixamos z0 e calculamos

a divergˆencia ou n˜ao das trajet´orias conforme variamos o outro parˆametro. O fractal ´e a fronteira entre as duas regi˜oes (das trajet´orias que divergem e as que n˜ao).

(39)

Os conjuntos de Julia e Mandelbrot delimitam regi˜oes com base no estado final das trajet´orias que ali come¸cam. Ou seja, delimitam uma base de atra¸c˜ao. Em alguns ca-sos essa fronteira, que a princ´ıpio deveria ser uma curva unidimensional, ´e na verdade bidimensional. Nessa regi˜ao as ´orbitas que convergem e as que divergem se misturam de tal forma que n˜ao ´e poss´ıvel separa-las por uma linha. Todos os pontos s˜ao pontos de fronteira. O espa¸co ´e preenchido densamente pelos dois tipos de ´orbita, sendo imposs´ıvel decidir -a priori- se uma ´orbita diverge ou n˜ao.

Figura 3.13: Conjuntos de Julia com C = −0.5 + 0.5i (esquerda) e C = −0.5 + 0.52i (direita)

(40)

Figura 3.15: Conjuntos de Julia com C = 0.63i (esquerda) e C = 0.64i (direita)

Figura 3.16: Conjuntos de Mandelbrot com z0= 0 (esquerda) e z0= 0.5i (direita)

(41)

Cap´ıtulo 4

Autˆ

omatos Celulares

Os autˆomatos celulares come¸caram a ser estudados na d´ecada de 1940 por S. Ulam e J. von Neumann. Von Neumann estudava sistemas auto-replicantes, e tentava construir um modelo te´orico com esta propriedade. Ulam sugeriu-lhe usar o maquin´ario dos autˆomatos celulares para este fim. Von Neumann obteve sucesso ultilizando uma rede bidimensional onde cada c´elula possui 29 estados.

Nos anos 1970 os autˆomatos ganharam bastante popularidade com o chamado “jogo da vida”de J. Conway, um autˆomato que simula a evolu¸c˜ao temporal de uma popula¸c˜ao (n´umero de indiv´ıduos) de determinada esp´ecie interagindo com o meio ambiente. O jogo de Conway atraiu muito interesse por ser capaz de gerar padr˜oes complexos e variados, dependendo apenas das condi¸c˜oes iniciais. ´E curioso notar que o mesmo problema - a evolu¸c˜ao temporal de uma popula¸c˜ao - foi respons´avel pelos prim´ordios do estudo de sis-temas ca´oticos, com o mapa log´ıstico, e de autˆomatos celulares, com o jogo da vida.

Na d´ecada de 1980 Wolfram publicou um extenso e sistem´atico estudo sobre os autˆomatos unidimensionais chamados autˆomatos elementares. Incluindo uma classifica¸c˜ao em quatro tipos de autˆomatos, de acordo com seu estado final.

Desde ent˜ao os autˆomatos celulares tˆem sido aplicados nas mais diversas ´areas. fisica, quimica, ecologia, planejamento urbano, economia, etc...

Um autˆomato celular ´e uma rede de c´elulas, cada uma ocupando 1 de p ≥ 2 estados poss´ıveis, evoluindo em unidades de tempo discretas e sob leis locais. Em cada unidade de tempo t o novo estado de uma c´elula ´e determinado pelo estado de seus (digamos, k) vizinhos no tempo imediatamente anterior t − 1, segundo as regras de evolu¸c˜ao do autˆomato.

H´a varias maneiras de se construir um autˆomato celular. Para isto precisamos definir a dimens˜ao e geometria da rede, o n´umero de estados poss´ıveis de cada c´elula, o n´umero e geometria dos vizinhos, e por fim as regras de atualiza¸c˜ao dos estados. Essas carac-ter´ısticas ser˜ao, na grande maioria dos casos (incluindo todos os aqui estudados), globais

(42)

(independentes da posi¸c˜ao), fixas (independentes do tempo) e determin´ısticas.

Tamb´em podemos construir modelos mais elaborados, por exemplo permitindo regras probabil´ısticas (como no modelo de Ising), regras ou vizinhan¸ca que variam de uma c´elula ou regi˜ao para outra, que variam no tempo, regras com “memoria”(que dependem dos estados em t-2, t-3...) ou onde o novo estado de uma c´elula depende do novo estado de algum(s) de seus vizinhos etc. Temos ainda generaliza¸c˜oes para valores cont´ınuos do n´umero de estados, posi¸c˜ao e tempo.

Um dos casos mais simples s˜ao os autˆomatos elementares: uma cadeia unidimensional de c´elulas bin´arias (p = 2) com intera¸c˜ao de primeiros vizinhos (k = 3, o vizinho de cada lado e a pr´opria c´elula).

Autˆomatos celulares n˜ao s˜ao exatamente uma inven¸c˜ao recente da humanidade. O autˆomato mais antigo que temos not´ıcia, o triˆangulo de Pascal, ´e conhecido desde a anti-guidade. O mais estudado na f´ısica, o modelo de Ising, tamb´em ´e anterior aos trabalhos de Ulam. O que ´e recente ´e um estudo sistem´atico desses sistemas.

4.1

Autˆ

omatos Elementares

Os autˆomatos elementares desempenham um papel an´alogo ao dos mapas unidimen-sionais no estudo de sistemas ca´oticos. S˜ao sistemas simples, capazes de manifestar um comportamento complexo e exibir grande parte das propriedades vistas em sistemas mais gerais.

Um autˆomato elementar ´e uma cadeia unidimensional de c´elulas com p = 2 poss´ıveis estados e k = 3 vizinhos. Assim temos 23 = 8 poss´ıveis configura¸c˜oes de vizinhos. Uma

regra consiste em definir o estado final da c´elula central para cada uma das poss´ıveis con-figura¸c˜oes de vizinhos. Como para cada configura¸c˜ao temos 2 estados poss´ıveis, existem 28 = 256 regras.

De modo geral teremos ppk regras, uma quantidade que cresce extremamente r´apido. Aumentando em 1 o n´umero de vizinhos (k = 4) j´a temos 104 regras. Se ao inv´es disso au-mentarmos o n´umero de estados (p = k = 3) teremos ent˜ao 1012 regras! Uma quantidade

claramente imposs´ıvel de ser estudada exaustivamente. Por isso tamanha a impotˆancia dos autˆomatos elementares. Conseguimos trabalhar com todos eles e visualizar a maioria, sen˜ao todas, caracter´ısticas de autˆomatos mais gerais.

Um modo conveniente de expressar essas regras ´e a partir da decomposi¸c˜ao bin´aria dos n´umeros. Considere por exemplo a seguinte regra:

000 → 0 001 → 1

(43)

010 → 1 011 → 1 100 → 1 101 → 0 110 → 0 111 → 0

que pode ser abreviada como ’00011110’. Quando lida em bin´ario representa o n´umero 30. Portanto ela ´e conhecida como “Regra 30”. Similarmente para todas as outras regras.

4.2

tipos de automatos

Wolfram classificou os autˆomatos em quatro classes, de acordo com o seu comporta-mento a longo prazo. Apesar desta classifica¸c˜ao n˜ao ser muito precisa, caracter´ıstica de ciˆencias em desenvolvimento, costuma ser f´acil aplic´a-la de maneira inamb´ıgua. Mas h´a casos de fronteira que se encaixam em duas ou mais classes. E outros em que condi¸c˜oes iniciais espec´ıficas causam um autˆomato a apresentar comportamento diferente do espe-rado pela sua classe. Alguns autˆomatos s˜ao capazes at´e de simular (reproduzir) outros, com um ajuste preciso das condi¸c˜oes iniciais. De sorte que essas condi¸c˜oes iniciais s˜ao um tanto raras, fazˆe-las aleat´orias costuma ser suficiente para revelar o comportamento “natural”do autˆomato.

• Classe I: A maioria dos estados iniciais evoluem rapidamente para um estado final est´avel e homogˆeneo. Com todas as c´elulas no mesmo estado. Toda desordem do estado inicial desaparece. Em uma analogia com sistemas dinˆamicos o estado final seria um atrator de ponto fixo.

• Classe II: A maioria dos estados iniciais evoluem rapidamente para um estado fi-nal com estruturas simples, que n˜ao mudam ou s˜ao peri´odicas. Alguma desordem devido ao estado inicial pode sobreviver. Eles funcionam como “filtros”permitindo que apenas alguns padr˜oes iniciais permane¸cam enquanto os outros s˜ao destru´ıdos. Mudan¸cas no estado inicial tendem a permanecer locais ou sumir completamente no estado final. Na analogia, aqui temos v´arios atratores fixos ou peri´odicos.

• Classe III: A maioria dos estados iniciais evoluem de modo pseudoaleat´orio ou ca´otico. Estruturas est´aveis que possam surgir s˜ao logo destruidas pela desordem

(44)

do ambiente. Mudan¸cas no estado inicial tendem a se propagar indefinidamente. Na analogia, o sistema possui um atrator estranho (fractal).

• Classe IV: A maioria dos estados iniciais evoluem para a forma¸c˜ao de estrutu-ras locais, que por si s´o s˜ao simples, mas que interagem de maneira complexa com outras estruturas e com o ambiente, e podem sobreviver por longos per´ıodos de tempo. Estas estruturas podem decair em estruturas est´aveis ou peri´odicas do tipo II, mas o n´umero de passos necess´arios pode ser extremamente grande. Mudan¸cas no estado inicial podem se propagar indefinidamente, permanecer locais ou sumir completamente. Na analogia esta classe n˜ao possui um correspondente direto, mas lembra de certa forma um sistema ca´otico em crise. Um longo transiente ca´otico com um estado final previs´ıvel.

Figura 4.1: Autˆomatos celulares do tipo I. Regra 96 (esquerda) e regra 168 (direita).

A classifica¸c˜ao ´e feita em ordem crescente de complexidade, de modo que os tipos III e IV apresentam os comportamentos mais ricos. Podemos entendˆe-la tamb´em em fun¸c˜ao do n´umero e do tempo que as c´elulas permanecem ativas. Nos tipos I e II as c´elulas ficam ativas por pouco tempo. Logo alcan¸cam uma configura¸c˜ao est´avel. No tipo III o n´umero de celulas ativas sempre aumenta (at´e alcan¸car a totalidade) e elas permanecem ativas indefinidamente, nunca alcan¸cando a estabilidade.

No tipo IV a quantidade de c´elulas ativas ora aumenta ora diminui, estruturas de c´elulas se formam e permanecem ativas por longos per´ıodos de tempo, interagem com outras estruturas e com o ambiente, permanecem localizadas numa regi˜ao ou se movem pelo autˆomato. Oscilam entre a aleatoriedade e crescimento ilimitado do tipo III com a periodicidade, forma¸c˜ao de estruturas locais e diminui¸c˜ao de c´elulas ativas do tipo II.

(45)

Figura 4.2: Autˆomatos celulares do tipo II. Regra 2 (esquerda) e regra 4 (direita).

Figura 4.3: Autˆomatos celulares do tipo III. Regra 30 (esquerda) e regra 45 (direita).

Esta media¸c˜ao entre ordem e caos parece ser a principal respons´avel pela manifesta¸c˜ao da complexidade.

Devido toda essa riqueza de comportamento, Wolfram conjecturou que a maioria dos autˆomatos do tipo IV, sen˜ao todos, s˜ao capazes de computa¸c˜ao universal. E foi provado que este ´e o caso da regra 110 e do jogo da vida de Conway.

4.3

Aleatoriedade e Propaga¸

ao de Erro

´

E necess´ario falarmos sobre esta pseudoaleatoriedade presente nos tipos III e IV. ´E claro que um procedimento completamente determin´ıstico n˜ao pode gerar um resultado verdadeiramente aleat´orio. Duas execu¸c˜oes do mesmo autˆomato com as mesmas condi¸c˜oes iniciais ir˜ao gerar sempre o mesmo resultado. Mas este resultado ´e uma sequˆencia de 0’s

(46)

Figura 4.4: Autˆomatos celulares do tipo IV. Regra 110 (esquerda) e regra 147 (direita).

e 1’s que parece aleat´oria. Conhecendo os n primeiros digitos da sequˆencia n˜ao temos como saber qual ser´a o (n + 1)-´esimo digito sem aplicar as regras do autˆomato.

V´arios testes estat´ısticos foram feitos e mostraram que sequˆencias geradas pela regra 30, por exemplo, s˜ao t˜ao aleat´orias quanto outras sequˆencias cuja aleatoriedade ´e reco-nhecida, como a distribui¸c˜ao dos algarismos na expans˜ao decimal de π. Por exemplo, espera-se de uma distribui¸c˜ao aleat´oria que a quantidade de 0’s e 1’s seja aproximada-mente a mesma, 1/2 do total. Tamb´em que as sequˆencias 00’s, 01’s, 10’s, e 11’s apare¸cam com a mesma frequˆencia de 1/4. Que os 000’s, 001’s, ..., 111’s apare¸cam cada um com freqˆencia de 1/8 e etc.

E de onde vem esta aleatoriedade? ´E natural imaginarmos que ela seja apenas um eco da aleatoriedade introduzida nas condi¸c˜oes iniciais. Embora este seja realmente o caso para alguns autˆomatos, n˜ao o ´e para todos. Comparemos a evolu¸c˜ao da regra 30 em dois casos: iniciando com apenas uma c´elula ativa e iniciando com condi¸c˜oes aleat´orias.

Vemos que t˜ao logo a influˆencia da ´unica c´elula ativa alcance as bordas do primeiro caso, ele se torna indistinguivel do segundo. Portanto esta aleatoriedade n˜ao adv´em das condi¸c˜oes iniciais. ´E caracter´ıstica intr´ınseca da regra 30. Percebemos tamb´em que esta influˆencia se propaga na velocidade de uma c´elula por passo. Esta ´e a velocidade m´axima que o autˆomato ´e capaz de transmitir informa¸c˜ao. E por vezes ´e chamada de velocidade da luz (c) do autˆomato.

Fazendo a mesma compara¸c˜ao com outros autˆomatos da classe III, como as regras 22 e 150, vemos que eles n˜ao exibem a mesma aleatoriedade da regra 30. Mas que a influˆencia da c´elula ativa se propaga de forma fractal e tamb´em na velocidade da luz.

Assim a aleatoriedade vista aqui ´e do mesmo tipo da vista nos mapas unidimensio-nais. Uma ´orbita no mapa log´ıstico por exemplo, dado o valor do parˆametro λ e o ponto inicial, ´e completamente determin´ıstica. Ser´a sempre a mesma. Mas no regime ca´otico

(47)

Figura 4.5: Regra 30 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas uma c´elula (direita).

Figura 4.6: Regra 22 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas uma c´elula (direita).

´e imposs´ıvel prevˆe-la sem antes realizar os c´alculos. E para λ = 4 ela se distribui quase uniformemente no intervalo [0:1].

Tal semelhan¸ca com os mapas unidimensionais nos faz questionar se eles comparti-lham outras caracter´ısticas em comum. Em especial, se a sensibilidade `as condi¸c˜oes ini-ciais tamb´em ´e presente aqui. Esta pergunta est´a parcialmente respondida na descri¸c˜ao dos tipos de autˆomato: no tipo III “mudan¸cas no estado inicial tendem a se propagar in-definidamente”. Investigaremos esta quest˜ao a partir de simula¸c˜oes da propaga¸c˜ao de erro. Para isso iniciamos duas c´opias do autˆomato com as mesmas condi¸c˜oes iniciais aleat´orias, diferindo apenas por uma c´elula. Ent˜ao deixamos os dois evoluirem e os comparamos. A propaga¸c˜ao de erro para autˆomatos das quatro classes pode ser vista nas figuras 4.8 -4.10.

Na classe I a informa¸c˜ao (erro) logo ´e destruida e o sistema alcan¸ca o mesmo estado homogˆeneo. Na classe II a informa¸c˜ao, se n˜ao for destruida, permanece confinada

(48)

local-Figura 4.7: Regra 150 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas uma c´elula (direita).

Figura 4.8: Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 224 (esquerda, tipo I) e regra 109 (direita, tipo II).

mente. Na classe III a informa¸c˜ao rapidamente se espalha por todo o autˆomato. Na classe IV todos os comportamentos acima descritos podem ocorrer. Consequˆencia (e prova) da alta complexidade desta classe e sua posi¸c˜ao de fronteira entre ordem e caos.

Muito do comportamento do autˆomato pode ser entendido em fun¸c˜ao de como ele lida com a informa¸c˜ao. Num autˆomato onde toda informa¸c˜ao ´e destruida, estados iniciais diferentes s˜ao irrelevantes e o estado final ´e sempre o mesmo. Quando a informa¸c˜ao per-manece confinada localmente temos v´arios blocos de c´elulas que n˜ao se comunicam. Cada bloco funciona como um autˆomato finito e independente dos demais. Assim cada bloco tem um n´umero finito e pequeno de configura¸c˜oes poss´ıveis (exponencialmente menor que o autˆomato como um todo), atingindo rapidamente a periodicidade.

Quando a informa¸c˜ao se propaga por todo o autˆomato temos uma sensibilidade `as condi¸c˜oes iniciais. Efeitos locais se propagam globalmente. Um grande n´umero de

(49)

confi-Figura 4.9: Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 22 (esquerda) e regra 60 (direita), ambas tipo III. Na regra 60 o erro se propaga de modo fractal e independe das condi¸c˜oes iniciais

Figura 4.10: Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 110 (esquerda) e regra 147 (direita), ambas tipo IV.

gura¸c˜oes finais s˜ao poss´ıveis e efeitos emergentes podem aparecer.

4.4

Irreversibilidade e Entropia

Outra maneira de se estudar a evolu¸c˜ao de um autˆomato ´e analisando sua trajet´oria no “espa¸co de fase”. Para isto consideramos cada configura¸c˜ao poss´ıvel de n c´elulas como um estado inicial do sistema e verificamos qual seu sucessor imediato, ou seja, em qual estado (de n c´elulas) ele ´e mapeado pelo autˆomato ap´os uma unidade de tempo.

Como as leis do autˆomato s˜ao determin´ısticas cada estado s´o possui um sucessor ime-diato. Mas pode acontecer (e quase sempre ocorre) de um estado ter v´arios antecessores imediatos. Neste caso o autˆomato ´e dito irrevers´ıvel. Sabendo quem ´e o estado final

(50)

Figura 4.11: Espa¸co de fase de um autˆomato com 10 c´elulas. Regra 22 `a esquerda e regra 60 `a direita. A regra 60 (00111100) ´e sim´etrica.

n˜ao temos como calcular os estados anteriores. Parte da informa¸c˜ao ´e destru´ıda. Como consequˆencia teremos tamb´em estados sem nenhum antecessor. Estes s˜ao chamados jar-dins do ´Eden pois podem aparecer apenas como condi¸c˜ao inicial.

Deste modo autˆomatos irrevers´ıveis apresentam uma preferˆencia por certos estados. Se o iniciamos com condi¸c˜oes totalmente aleat´orias em t = 0, todos os estados s˜ao equi-prov´aveis. Entretanto para t > 0 nenhum estado jardim do ´Eden pode ocorrer, sua proba-bilidade se torna nula. Conforme o tempo passa os estados com mais antecessores tendem a se tornar os mais prov´aveis. Assim o autˆomato exibe um n´ıvel de auto-organiza¸c˜ao e consequente diminui¸c˜ao de entropia, caracter´ısticas muito comuns em seres biol´ogicos.

Importante notar que esta auto-organiza¸c˜ao se d´a mesmo em autˆomatos da classe III, incluindo a regra 30, desde que sejam irrevers´ıveis. Mas o n´umero de estados inativos aqui ´e muito pequeno se comparado ao das outras classes. A quantidade de configura¸c˜oes ativas (com probabilidade maior que 0 no tempo t) costuma ser pr´oxima das 2n confi-gura¸c˜oes poss´ıveis.

Nas figuras (4.12 - 4.14) mostramos como se d´a a evolu¸c˜ao temporal das probabili-dades de cada estado. A cor indica o n´umero de estados iniciais que, no tempo t, s˜ao mapeados nele. E a partir dessas probabilidades computamos a entropia de Gibbs para o autˆomato.

S = −X

i

(51)

Figura 4.12: Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda) e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 22 com 10 c´elulas.

Figura 4.13: Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda) e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 30 com 10 c´elulas.

Figura 4.14: Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda) e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 45 com 10 c´elulas.

(52)

Cap´ıtulo 5

Considera¸

oes Finais

Neste trabalho estudamos trˆes t´opicos diferentes, cada um atingindo a complexidade `

a sua maneira. Pudemos ent˜ao investigar suas propriedades e perceber comportamentos semelhantes entre eles. Adquirindo assim uma no¸c˜ao de quais caracter´ısticas s˜ao particu-lares do sistema e quais s˜ao fruto de sua natureza complexa.

(53)

Referˆ

encias Bibliogr´

aficas

[1] H.O. Peitgen, H. J¨urgens, D. Saupe, Chaos and Fractals: New Frontiers of Science, (Springer-Verlag, New York, 2004), 2nd ed.

[2] B. Mandelbrot, The Fractal Geometry of Nature (W. H. Freeman and Co., New Yorke, 1982), 1st ed.

[3] B. Gutenberg, C.F. Richter. Magnitude and Energy of Earthquakes. Annals of Ge-ophysics, v. 9, n. 1, p. 1-15, 1956.

[4] G. Peano. Sur une courbe, qui remplit toute une aire plane. Mathematische Annalen, v. 36, n. 1, p. 157–160, 1890.

[5] H.L. Lebesgue. Int´egrale, Longueur, Aire. Tese (Doutorado) – Sciences Math´ematiques, Facult´e des Sciences de Paris, Paris, 134 f, 1902.

[6] H.S. Hele-Shaw. The flow of water. Nature (London), v. 58, p. 34-36, 1898.

[7] M. H´enon. A two-dimensional mapping with a strange attractor. Communications in Mathematical Physics, v. 50, n. 1, p. 69–77, 1976.

[8] K.T. Alligood, T.D. Sauer, J.A. Yorke, Chaos: An Introduction to Dynamical Sys-tems, (Springer-Verlag, New York, 1996), 2nd ed.

[9] S. Wolfram, A New Kind of Science (Wolfram Media, Champaign, 2002), 1st ed. [10] G.L. Baker, J.P. Gollub, Chaotic Dynamics: An Introduction (Cambridge University

Press, Cambridge, 1996), 2nd ed.

[11] E. Ott, Chaos in dynamical systems (Cambridge University Press, Cambridge, 2002), 2nd ed.

Referências

Documentos relacionados

O estudo foi feito com ratos da linhagem Wistar e dividido em dois momentos; desnutrição 45 dias, alimentados com dieta 6% de proteína e recuperação nutricional 45

Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo avaliar dentre cinco estádios de maturação do fruto do mamoeiro qual proporciona sementes com melhor qualidade

As empresas descontarão dos seus empregados sindicalizados, a partir de 1º de fevereiro de 2016 a 31 de janeiro de 2017, em folha de pagamento, as mensalidades devidas ao

Por traduzir inequívoca redução de custos, além de meio mais econômico, célere e eficaz para as contratações, exsurge que o pregão eletrônico constitui modalidade de

Em decorrência dos referidos acordos de colaboração, foram tomados 19(dezenove) termos de colaboração de MÔNICA MOURA, 10(dez) de JOÃO SANTANA e 04(quatro) termos

A análise e avaliação dos projetos de investimento, em termos económicos e globais, a seleção das fontes de financiamento, o processo de planeamento financeiro de longo e de

I Premiado por contribui¸c˜ oes em Teoria da Computa¸ c˜ ao, incluindo estudos em Teoria da Complexidade, gera¸ c˜ ao de n´ umeros pseudo-aleat´ orios, criptografia e complexidade

Este trabalho possui como temática a utilização de aço protendido na fabricação de postes para iluminação pública duplo “T” com altura de 10,5 metros de