UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIˆENCIAS EXATAS E DA TERRA
DEPARTAMENTO DE F´ISICA BACHARELADO EM F´ISICA
Um Passeio pela Complexidade
Diego Gouveia dos Santos
Natal, RN, Brasil
2019
Diego Gouveia dos Santos
Um Passeio pela Complexidade
Monografia de Gradua¸c˜ao apresentada ao Departamento de F´ısica do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como re-quisito parcial para a obten¸c˜ao do grau de bacharel em F´ısica.
Orientador: Prof. Dr. Madras Viswanathan
Gandhi Mohan
Natal, RN, Brasil
2019
Monografia de Gradua¸c˜ao sob o t´ıtulo Um Passeio pela Complexidade apresentada por Diego Gouveia dos Santos e aceita pelo Departamento de F´ısica do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sendo aprovada por todos os membros da banca examinadora abaixo especificada:
Prof. Dr. Madras Viswanathan Gandhi Mohan Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Departamento de F´ısica
Prof. Dr. Dory H´elio Aires de Lima Anselmo Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Departamento de F´ısica
Prof. Dr. Jo˜ao Medeiros de Ara´ujo Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Departamento de F´ısica
Agradecimentos
Laroyˆe!
Agrade¸co a Exu. Que abre meus caminhos e traz sabedoria nas encruzilhadas da vida. Que caminha sempre ao meu lado. Que guia meus passos e aconselha minhas decis˜oes. Que d´a e cobra os frutos de meus trabalhos. Sejam bˆonus, sejam ˆonus. Agrade¸co `a minha m˜ae Yemanj´a, Rainha do mar e m˜ae de todas as or´ıs. Que ´e ´aguas calmas quando preciso de colo e carinho. Que ´e mar tempestuoso quando preciso lutar o mundo. Que acalma meu cora¸c˜ao, e ´e morada de minh’alma. Que lava minhas preocupa¸c˜oes, medos, ang´ustias, pensamentos e sentimentos, e me permite renascer a cada dia. Gra¸cas a qual eu ainda possuo minha sanidade. Odoy´a, mam˜ae!
Agrade¸co aos meus amigos e colegas de curso. Tanto os que trilharam comigo l´eguas sem fim quanto os que encontrei apenas de passagem. Sem d´uvida as pessoas mais impor-tantes em minha jornada acadˆemica. Que dividiram comigo as dores e amores do curso. Com quem aprendi aprendendo e aprendi ensinando. Com os quais pude discutir f´ısica em mesa de bar e futebol no departamento de f´ısica. Que reascenderam minha paix˜ao pela f´ısica quando a rotina massante da universidade por vezes teimou em querer apag´ a-la. Que me mostraram as flores do caminho quando s´o encontrei espinhos. Sem os quais dificilmente chegaria aqui, e jamais teria a compreens˜ao de mundo; de vida; de f´ısica; que tenho hoje. Que tornaram mais leve o meu caminhar.
“ Companheiros me ajudem Que eu n˜ao posso andar s´o Eu sozinho ando bem
Mas com vocˆes ando melhor.”
Agrade¸co aos meus professores, que foram essenciais em minha forma¸c˜ao. Que me mostra-ram caminhos, abrimostra-ram novas possibilidades e id´eias. Que me ensinaram a ver e descrever o mundo sob uma nova ´otica. Agrade¸co aos que me encantaram em suas aulas pela clareza e did´atica na exposi¸c˜ao desses conhecimentos. Pela profundidade das reflex˜oes trazidas e das interpreta¸c˜oes colocadas. Agrade¸co tamb´em aos que me fizeram aprender a aprender sozinho. A buscar autonomia e entender que a responsabilidade com meu aprendizado ´e unicamente minha. Agrade¸co aos t´ecnicos, terceirizados e bolsistas que trabalham no
DFTE. Sem os quais nada funcionaria.
Agrade¸co `a minha m˜ae, ao meu pai e `a minha irm˜a. Que sempre se fizeram presentes, apesar da distˆancia. Que me deram todo amor, carinho e suporte que eu precisei. Que me ensinaram a viver e ser independente. Que me apoiaram e incentivaram na maioria de minhas escolhas. Que expressaram suas cr´ıticas e preocupa¸c˜oes nas que n˜ao concor-davam. Mas que sempre respeitaram minhas decis˜oes, mesmo com minha cabe¸ca dura quase sempre fazendo as coisas do meu jeito. Agrade¸co aos meus familiares e amigos, por todo apoio, companheirismo e compreens˜ao que me deram nos ´ultimos anos (ou por toda a vida).
Agrade¸co `a minha malta, os capoeiras Nagˆoas, e ao mestre Delicado. Agrade¸co `a minha na¸c˜ao, na¸c˜ao Zamberacatu. Agrade¸co ao cursinho popular Emancipa e ao grupo percussivo Pau e Lata. Cada um foi important´ıssimo em algum momento de minha forma¸c˜ao e continuam sendo at´e hoje.
“E com o bucho mais cheio Comecei a pensar Que eu me organizando posso desorganizar Que eu desorganizando posso me organizar Que eu me organizando posso desorganizar Da lama ao caos Do caos `a lama O homem roubado nunca se engana.” - Chico Science e Na¸c˜ao Zumbi
Resumo
Neste trabalho buscamos estudar a complexidade a partir de algumas de suas ca-racter´ısticas. Ela se manifesta nos mais diversos tipos de sistema e apresenta uma rica vastid˜ao de comportamentos. Analizamos aqui trˆes t´opicos: sistemas ca´oticos, fractais e autˆomatos celulares. Todos eles exibem complexidade, e como veremos possuem propri-edades em comum tais como: organiza¸c˜ao espontˆanea, autossimilaridade, aleatoriedade determin´ıstica, emergˆencia, n˜ao-linearidade.
Palavras-chave: complexidade, caos, fractais, autˆomatos celulares, organiza¸c˜ao espontˆanea, autossimilaridade, aleatoriedade determin´ıstica, emergˆencia, n˜ao-linearidade.
Abstract
In this monograph we aim to study complexity based on its features. Complexity manifest itself in a wide range of completely different systems, and exhibit rich and inte-resting behavior. Here we analyze three subjects: chaotic systems, fractals and cellular automata. All of them exhibit complexity, and as we shall see they have some common properties such as: self-organization, self-similarity, deterministic randomness, emergence, nonlinearity.
Keywords: complexity, chaos, fractals, cellular automata, self-organization, self-similarity, deterministic randomness, emergence, nonlinearity.
Lista de Figuras
2.1 Orbita do ponto x´ 0 = 0.6 com λ = 0.7 . . . 4
2.2 Orbita do ponto x´ 0 = 0.8 com λ = 1.5 . . . 5
2.3 Orbita do ponto x´ 0 = 0.15 com λ = 2.5 . . . 5
2.4 Orbita do ponto x´ 0 = 0.18 com λ = 3.2 . . . 6
2.5 Orbita do ponto x´ 0 = 0.9 com λ = 3.33 . . . 6
2.6 Diagrama de bifurca¸c˜ao do mapa log´ıstico. . . 7
2.7 Janelas peri´odicas na regi˜ao ca´otica do mapa log´ıstico. . . 8
3.1 Curva de Peano com dimens˜ao fractal 2 (imagem tirada da internet). . . . 14
3.2 Constru¸c˜ao do fractal de Cantor (imagem tirada da internet). . . 15
3.3 Constru¸c˜ao da curva de Koch (imagem tirada da internet). . . 16
3.4 Estrela de Koch (imagem tirada da internet). . . 17
3.5 Curva de Koch aleatorizada. . . 18
3.6 3 partidas do jogo do caos com pontos iniciais diferentes. . . 19
3.7 Agregados com 3 mil part´ıculas. . . 21
3.8 Agregados com 3 mil (esquerda) e 6,75 mil (direita) part´ıculas. . . 21
3.9 Agregados com 6,75 mil part´ıculas. . . 22
3.10 Agregado com 12 mil part´ıculas. . . 22
3.11 Gr´aficos dilog do n´umero de caixas N (ε) pelo inverso do comprimento ε, para os agregados de 12 mil part´ıculas. . . 23
3.12 Atrator de H´enon. Este fractal ´e formado por v´arias camadas que nunca se sobrep˜oem. . . 24
3.13 Conjuntos de Julia com C = −0.5 + 0.5i (esquerda) e C = −0.5 + 0.52i (direita) . . . 26
3.14 Conjuntos de Julia com C = −0.5 + 0.53i (esquerda) e C = −0.5 + 0.6i (direita) . . . 26
3.15 Conjuntos de Julia com C = 0.63i (esquerda) e C = 0.64i (direita) . . . 27
3.16 Conjuntos de Mandelbrot com z0 = 0 (esquerda) e z0 = 0.5i (direita) . . . 27
4.1 Autˆomatos celulares do tipo I. Regra 96 (esquerda) e regra 168 (direita). . 31 4.2 Autˆomatos celulares do tipo II. Regra 2 (esquerda) e regra 4 (direita). . . . 32 4.3 Autˆomatos celulares do tipo III. Regra 30 (esquerda) e regra 45 (direita). . 32 4.4 Autˆomatos celulares do tipo IV. Regra 110 (esquerda) e regra 147 (direita). 33 4.5 Regra 30 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas
uma c´elula (direita). . . 34 4.6 Regra 22 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas
uma c´elula (direita). . . 34 4.7 Regra 150 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas
uma c´elula (direita). . . 35 4.8 Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 224 (esquerda, tipo I) e regra
109 (direita, tipo II). . . 35 4.9 Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 22 (esquerda) e regra 60
(di-reita), ambas tipo III. Na regra 60 o erro se propaga de modo fractal e independe das condi¸c˜oes iniciais . . . 36 4.10 Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 110 (esquerda) e regra 147
(di-reita), ambas tipo IV. . . 36 4.11 Espa¸co de fase de um autˆomato com 10 c´elulas. Regra 22 `a esquerda e
regra 60 `a direita. A regra 60 (00111100) ´e sim´etrica. . . 37 4.12 Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda)
e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 22 com 10 c´elulas. . . 38 4.13 Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda)
e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 30 com 10 c´elulas. . . 38 4.14 Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda)
Sum´
ario
Agradecimentos i Resumo iv Abstract v Lista de Figuras vi 1 Introdu¸c˜ao 1 2 Caos 2 2.1 Mapas Unidimensionais . . . 2 2.2 O Mapa Log´ıstico . . . 4 2.3 Diagrama de Bifurca¸c˜ao . . . 6 2.4 A delta de Feigenbaum . . . 8 2.5 Caos e ru´ıdo . . . 10 3 Fractais 12 3.1 Autossimilaridade, Escala e Dimens˜ao . . . 123.2 Fractais Cl´assicos . . . 14
3.2.1 Conjunto de Cantor . . . 14
3.2.2 Curva de Koch . . . 16
3.3 Fractais Aleat´orios . . . 17
3.3.1 O Jogo do Caos . . . 18
3.3.2 DLA Cluster . . . 20
3.4 Fractais no Plano Cartesiano . . . 23
3.4.1 Atrator de H´enon . . . 23
3.4.2 Conjuntos de Mandelbrot e Julia . . . 25
4 Autˆomatos Celulares 28 4.1 Autˆomatos Elementares . . . 29
4.2 tipos de automatos . . . 30 4.3 Aleatoriedade e Propaga¸c˜ao de Erro . . . 32 4.4 Irreversibilidade e Entropia . . . 36
5 Considera¸c˜oes Finais 39
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
Complexidade ´e um termo dif´ıcil de se definir, que pode possuir v´arios significados e ser aplicado nas mais diversas ´areas. ´E um fenˆomeno extremamente interdisciplinar, que tange a f´ısica, matem´atica, biologia, meteorologia, estat´ıstica, sociologia, filosofia, economia, lingu´ıstica, ciˆencias da computa¸c˜ao, entre outros.
Ela se manifesta em sistemas cujos componentes interagem entre si de diversas formas e obedecem regras locais, isto ´e, que n˜ao dependem de todo o sistema, apenas de sua vizinhan¸ca. Do estudo de popula¸c˜oes ao mercado financeiro. Da mobilidade urbana `a previs˜ao do tempo.
Em geral, sistemas ditos complexos apresentam caracter´ısticas como: n˜ao linearidade, organiza¸c˜ao espontˆanea, emergˆencia, imprevisibilidade, criticalidade, autossimilaridade, adapta¸c˜ao.
Neste trabalho estudaremos a complexidade a partir de trˆes t´opicos: caos, fractais e autˆomatos celulares. Buscando sempre perceber as rela¸c˜oes existentes entre eles.
Cap´ıtulo 2
Caos
2.1
Mapas Unidimensionais
Modelar e descrever a evolu¸c˜ao de sistemas dinˆamicos s˜ao objetivos centrais de grande parte das investiga¸c˜oes cient´ıficas. Sistemas dinˆamicos consistem em um conjunto de es-tados poss´ıveis, juntamente com uma regra que determina o estado atual em fun¸c˜ao dos estados anteriores. Por “estado”entendemos o conjunto de informa¸c˜oes necess´ario para aplica¸c˜ao da regra. Se esta regra for probabil´ıstica teremos um sistema estoc´astico. Caso contr´ario, o sistema ser´a determin´ıstico.
Na mecˆanica cl´assica, por exemplo, o estado de uma part´ıcula ´e unicamente determi-nado por sua posi¸c˜ao e momento (x, p). E as regras que atuam sobre ele s˜ao as leis de Newton; determin´ıstica. J´a na mecˆanica quˆantica o estado de um sistema ´e caracterizado por sua fun¸c˜ao de onda |ψi. Enquanto o sistema estiver isolado ele evolui segundo a equa¸c˜ao de Sch¨odinger, tamb´em determin´ıstica. Contudo, caso ele interaja com outro sistema sob a forma de uma “medi¸c˜ao”, seu estado passa a ser determinado pela lei de Born, que ´e probabil´ıstica.
Neste trabalho estudaremos apenas regras determin´ısticas. Nos exemplos citados os estados est˜ao definidos para valores cont´ınuos do tempo. Portanto as regras que os regem s˜ao expressas como equa¸c˜oes diferenciais. De fato, a maior parte dos sistemas de interesse f´ısico s˜ao modelados assim. Entretanto em alguns casos estamos interessados apenas em unidades discretas de tempo, e as regras assumem ent˜ao a forma de mapas.
Mapas s˜ao fun¸c˜oes cujo dom´ınio e contra-dom´ınio s˜ao o mesmo conjunto. O estado do sistema para qualquer tempo n ∈ N ´e determinado pelo estado imediatamente anterior, atrav´es do mapa:
Denotaremos k aplica¸c˜oes sucessivas de um mapa f por fk. Assim, partindo de um
ponto inicial x0 podemos reescrever (2.1) como
xn = fn(x0). (2.2)
A sequˆencia de estados {x0, x1, x2, ..., xn, ...} ´e chamada ´orbita ou trajet´oria de x0
sob f . Caso exista um ponto p tal que f (p) = p, ele ser´a chamado ponto fixo. Um ponto fixo de fkser´a chamado ponto de per´ıodo-k para o menor valor de k em que isto ocorra. ´Orbitas que eventualmente alcancem um desses pontos ser˜ao estacion´arias (cons-tante ou peri´odicas). Chamaremos de ´orbita de per´ıodo-k os k primeiros elementos de uma ´obita cujo ponto inicial seja um ponto de per´ıodo k, {pk
0, pk1, ..., pkk−1}.
´
Orbitas estacion´arias representam algum tipo de equil´ıbrio, e podem ser est´aveis ou inst´aveis. No primeiro caso, ´orbitas que passem suficientemente pr´oximas ser˜ao atrai-das e ir˜ao convergir para ela. No segundo, qualquer desvio da ´orbita estacion´aria ser´a amplificado e se distanciar´a do equilibrio. Chamaremo-as de atratores ou repulsores, respectivamente. O conjunto de todos os pontos iniciais que eventualmente s˜ao captura-dos pelo atrator ´e chamado base de atra¸c˜ao.
A estabilidade dessas ´orbitas pode ser determinada de maneira simples. Seja f uma fun¸c˜ao suave (onde derivadas de todas as ordens existem e s˜ao cont´ınuas) e p um ponto fixo de f , a derivada de f no ponto p ´e:
f0(p) = lim
x→p
f (p) − f (x) p − x
Como f (p) = p vemos que o m´odulo da derivada ´e a raz˜ao entre as distˆancias de f (x) e de x at´e p. Portanto se |f0(p)| < 1, f (x) se aproxima de p e temos um atrator. Se |f0(p)| > 1, f (x) se afasta de p e temos um repulsor.
Consideremos agora o ponto pk
0, que ´e ponto fixo de fk. Aplicando a regra da cadeia
(f (g(x))0 = f0(g(x))g0(x)) para derivar fk temos:
(fk)0(pk0) = (f (fk−1))0(pk0) = f0(fk−1(pk0))(fk−1)0(pk0) Sendo que para qualquer ponto de periodo k ´e f´acil ver que
fj(pki) = pk(i+j)mod k
onde a mod b representa o resto da divis˜ao inteira de a/b. Portanto (fk)0(pk0) = f0(pkk−1)(fk−1)0(pk0) (fk)0(pk0) = k Y i=1 f0(pkk−i). (2.3)
Assim, para avaliar a estabilidade de ´orbitas peri´odicas basta multiplicar a derivada de cada ponto da ´orbita. Se o valor absoluto de (2.3) for menor que 1, teremos um atrator. Se for maior, um repulsor.
Uma maneira simples de visualizar as ´orbitas de um mapa f ´e construindo o gr´afico seguinte:
1. Tra¸camos, no mesmo gr´afico, a curva f e a identidade y = x. Escolhemos um ponto inicial (x0, 0);
2. Tra¸camos uma reta vertical deste ponto at´e f , no ponto (xi, f (xi));
3. Tra¸camos agora uma reta horizontal at´e a identidade em (f (xi), f (xi));
4. Repetimos do passo 2 em diante.
2.2
O Mapa Log´ıstico
Seja f o mapa log´ıstico
f (xn) = xn+1 = λxn(1 − xn) (2.4)
onde x ∈ [0 : 1] e λ ∈ (0 : 4]. Queremos investigar o comportamento a longo prazo deste mapa dado o valor de λ. Vejamos algumas ´orbitas t´ıpicas, usando s´eries temporais e o modelo gr´afico descrito na se¸c˜ao anterior.
Figura 2.1: ´Orbita do ponto x0= 0.6 com λ = 0.7
A princ´ıpio o comportamento do mapa ´e bastante simples. Ap´os poucas intera¸c˜oes as ´orbitas convergem para pontos fixos. Quais s˜ao esses pontos? Resolvendo a equa¸c˜ao x = f (x) encontramos dois pontos fixos: p0 = 0 e p1 = 1 − 1λ. Entretanto p1 s´o pertence
Figura 2.2: ´Orbita do ponto x0= 0.8 com λ = 1.5
Figura 2.3: ´Orbita do ponto x0= 0.15 com λ = 2.5
ao dom´ınio [0:1] quando λ ≥ 1. E quanto a estabilidade desses pontos? Derivando f temos:
f0(x) = λ(1 − 2x) (2.5)
f0(p0) = λ
f0(p1) = 2 − λ
Portanto para 0 < λ ≤ 1 p0 ´e o ´unico ponto fixo e ´e est´avel. Em λ = 1, p0 perde sua
estabilidade mas p1 entra no dom´ınio de f e ´e estavel entre 1 ≤ λ ≤ 3. Isso explica as
´
orbitas vistas at´e agora, e de fato todas as ´orbitas para λ ≤ 3 convergem para p0 ou p1.
Mas o que acontece para λ > 3? Vejamos mais algumas ´orbitas. ´
Orbitas peri´odicas surgem! Ao passo que os pontos fixos de f perdem sua estabi-lidade, pontos fixos de f2 se tornam est´aveis, dando origem `a ´orbitas de periodo-2. Na figura 2.5 vemos a ´obita se aproximar do ponto p1 e ser repelida por ele at´e alcan¸car a
Figura 2.4: ´Orbita do ponto x0= 0.18 com λ = 3.2
Figura 2.5: ´Orbita do ponto x0= 0.9 com λ = 3.33
´
orbita peri´odica est´avel. Chamamos esta transi¸c˜ao de dobra de per´ıodo, ou simples-mente bifurca¸c˜ao. Conforme λ aumenta, essas ´orbitas tamb´em se tornam inst´aveis e ocorrem sucessivas bifurca¸c˜oes originando ´orbitas de per´ıodo-4,8...
Se pudermos caracterizar essas bifurca¸c˜oes ate λ = 4 teremos a descri¸c˜ao completa do mapa log´ıstico. Para isso construiremos um diagrama de bifurca¸c˜ao.
2.3
Diagrama de Bifurca¸
c˜
ao
Um diagrama de bifurca¸c˜ao nos mostra o comportamento a longo prazo das ´orbitas conforme variamos o parˆametro λ. Assim temos uma vis˜ao geral do comportamento do mapa. Ele ´e construido da seguinte maneira:
Figura 2.6: Diagrama de bifurca¸c˜ao do mapa log´ıstico.
2. Calcula-se a ´orbita de x0.
3. Descartamos os primeiros (digamos, 50) pontos da ´orbita para que o transiente inicial devido ao ponto x0 escolhido tenha sumido.
4. Em seguida marcamos os proximos (digamos, 100) pontos de ´orbita em fun¸c˜ao do valor de λ.
5. Repetimos o processo para v´arios valores de λ.
Na figura 2.6 vemos os atratores de ponto fixo at´e λ ≤ 3 e algumas dobras de per´ıodo em seguida. Mas pr´oximo a λ = 3.5, num ponto que chamaremos de a∞, algo inesperado
ocorre. As ´orbitas nunca se estabilizam em alguns valores. Mas se espalham por toda uma regi˜ao e a preenchem de maneira cont´ınua. S˜ao ´orbitas aperi´odicas.
Esta ´e a regi˜ao em que o caos se manifesta. De imediato ´e vis´ıvel a diferen¸ca na com-plexidade do comportamento peri´odico para o ca´otico. Este ´ultimo ´e imprevis´ıvel sem ser aleat´orio e nem se espalha uniformemente em [0:1]. H´a regi˜oes “proibidas”onde (ap´os um transiente) ´orbitas ca´oticas nunca alcan¸cam. E mesmo na regi˜ao permitida a distribui¸c˜ao dos pontos n˜ao ´e uniforme. Parece haver uma certa ordem mascarada pelo caos.
Surpreendentemente vemos que existem estreitas “janelas de ordem”com ´orbitas peri´odicas imersas na regi˜ao ca´otica. Essas ´orbitas rapidamente se bifurcam e d˜ao lugar novamente ao caos. A passagem de ordem para o caos dessas janelas em muito se assemelha com a passagem em a∞. Em outras palavras, o comportamento local dessas janelas
de bifurca¸c˜ao do mapa log´ıstico apresenta uma certa autossimilaridade, como pode ser observado na figura 2.7.
Figura 2.7: Janelas peri´odicas na regi˜ao ca´otica do mapa log´ıstico.
2.4
A delta de Feigenbaum
Examinemos mais de perto a transi¸c˜ao do regime peri´odico para o ca´otico. `A medida que λ aumenta, as bifurca¸c˜oes ocorrem cada vez mais pr´oximas uma das outras, at´e se acumularem em a∞. ´E natural questionar se as distˆancias entre as bifurca¸c˜oes obedecem
alguma regra matem´atica.
O f´ısico americano M. Feigenbaum foi o primeiro a fazer esse tipo de an´alise e percebeu que conforme o n´umero de bifurca¸c˜oes aumenta, a distˆancia entre bifurca¸c˜oes consecutivas tende a uma propor¸c˜ao geom´etrica. Ou seja, a raz˜ao entre duas distˆancias consecutivas tende a uma constante.
δ = lim
n→∞
an−1− an−2
an− an−1
Experimento: N´umero de bifurca¸c˜oes δ Hidrodinˆamica: ´ Agua 4 4, 3 ± 0, 8 H´elio 4 3, 5 ± 0, 15 Merc´urio 4 4, 4 ± 0, 1 Eletrˆonica: Diodo 5 4, 3 ± 0, 1 Transistor 4 4, 7 ± 0, 3 Josephson 4 4, 4 ± 0, 3 Laser: Laser feedback 3 4, 3 ± 0, 3 Ac´ustica: H´elio 3 4, 8 ± 0, 6
Tabela 2.1: Resultados de experimentos onde ocorrem dobras de per´ıodo [1]
Esta constante ficou conhecida como delta de Feigenbaum e historicamente foi muito importante no estudo do caos pois foi a primeira caracter´ıstica de universalidade encon-trada. Sistemas ca´oticos completamente diferentes, incluindo sistemas f´ısicos que nada tem a ver com o mapa log´ıstico, exibem o mesmo valor para essa constante, vide tabela 2.1.
Encontrando os dois primeiros pontos de bifurca¸c˜ao podemos usar a delta de Feigen-baum para fazer previs˜oes sobre onde encontrar os pr´oximos. Invertendo a equa¸c˜ao (2.6) temos:
an+1 =
an− an−1
δ + an (2.7)
´
E importante lembrar que o ponto obtido a partir da equa¸c˜ao (2.7) n˜ao ´e exatamente o ponto de bifurca¸c˜ao, ´e apenas uma estimativa de onde encontra-lo. Pois o valor de δ s´o ´e bem definido quando n → ∞. Aplicando (2.7) recursivamente nos dois primeiros pontos encontramos: an+2= a1+ n X i=0 a2− a1 δi (2.8) fazendo n → ∞ a∞ = a1+ ∞ X i=0 a2− a1 δi a∞= a1+ (a2− a1) ∞ X i=0 1 δ i
Reconhecemos aqui uma s´erie geom´etrica cujo resultado ´eP∞
i=0r i = 1
1−r, para |r| < 1.
a∞ = a1+ (a2− a1)
δ
δ − 1 (2.9)
2.5
Caos e ru´ıdo
Vimos que uma das caracter´ısticas do caos ´e sua imprevisibilidade. Mas qualquer experimento f´ısico est´a sujeito `a perturba¸c˜oes externas (ru´ıdo), e nesse sentido ´e impos-sivel prever o resultado de um experimento com uma determinada precis˜ao. Como ent˜ao podemos diferenciar caos de ru´ıdo?
Outra caracter´ıstica de fenˆomenos ca´oticos ´e a divergˆencia de trajet´orias pr´oximas, ou alta sensibilidade `as condi¸c˜oes iniciais. Isto significa que, em um fenˆomeno ca´otico, duas condi¸c˜oes iniciais muito semelhantes dar˜ao origem a comportamentos com-pletamente diferentes. Tambem ´e conhecido como efeito borboleta e pode ser sintetizado na c´elebre frase: “O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um furac˜ao no Texas”.
A divergˆencia de trajet´orias pr´oximas nos permite diferenciar comportamentos re-almente ca´oticos de ru´ıdo. Em um fenˆomeno n˜ao ca´otico dois estados iniciais muito semelhantes ser˜ao afetados pelo ru´ıdo de maneira similar e ir˜ao evoluir para dois estados finais tambem semelhantes.
Entretanto se o fenˆomeno for ca´otico n˜ao s´o os estados finais ser˜ao completamente diferentes entre si, como a presen¸ca de ru´ıdo tornar´a imposs´ıvel prevˆe-los ainda que se conhe¸ca com exatid˜ao os estados iniciais.
´
E importante notar que simula¸c˜oes computacionais n˜ao est˜ao livres de ru´ıdo. Dado que a m´emoria do computador ´e finita, n´umeros com muitas casas decimais s˜ao arre-dondados, o que geralmente n˜ao traz consequˆencia alguma, mas pode fazer diferen¸ca se estivermos tratando de sistemas ca´oticos.
Essa constata¸c˜ao nos d´a um aparente paradoxo. O estudo aprofundado do caos s´o foi possivel a partir da constru¸c˜ao dos primeiros computadores. Seria completamente invi´avel construir um diagrama de bifurca¸c˜ao, por exemplo, apenas com uma calculadora. Mas acaba de ser apontado que erros inerentes `a maquina possuem papel decisivo no c´alculo de uma ´orbita.
Como podemos ent˜ao confiar nos resultados obtidos a partir de simula¸c˜oes computacio-nais, incluindo os apresentados neste trabalho? E se n˜ao pudermos confiar nas simula¸c˜oes, como poderemos estudar os fenˆomenos ca´oticos?
O fato de que diversas m´aquinas com diferentes especifica¸c˜oes computacionais (mem´oria, processador, etc), ultilizando diferentes linguagens de programa¸c˜ao e diferentes algorit-mos para a simula¸c˜ao produziram os mesmo resultados nos deixa confidentes na validade
deste m´etodo. Pode-se entender que apesar de cada ´orbita ser diferente, se ela for ’longa o suficiente’ passar´a arbitrariamente pr´oxima de todos os pontos poss´ıveis. Entretanto, at´e onde vai o presente conhecimento do autor, n˜ao h´a uma prova formal garantindo a validade deste m´etodo, apenas fortes ind´ıcios.
Por isso devemos sempre lembrar que as simula¸c˜oes s˜ao importantes e muito ´uteis no estudo te´orico para compreendermos os fenˆomenos e elaborar nossas hip´oteses e conjec-turas. Mas a verifica¸c˜ao experimental ´e indispens´avel.
Cap´ıtulo 3
Fractais
“Clouds are not spheres, mountains are not cones, coastlines are not circles, and bark is not smooth, nor does lightning travel in a straight line.”
-Benoit Mandelbrot
Fractais s˜ao figuras matem´aticas irregulares, rugosas, com caracter´ısticas bem pecu-liares, contra-intuitivas, que desafiam no¸c˜oes b´asicas da geometria tradicional bem como a criatividade dos matem´aticos. O termo “fractal”foi inventado por Mandelbrot [2] ap´os um estudo sistem´atico dessas figuras.
3.1
Autossimilaridade, Escala e Dimens˜
ao
Assim como no caso do caos, ´e dificil definir precisamente o que sejam fractais. Mas ´e f´acil apontar suas principais caracter´ısticas. Tais como a autossimilaridade, invariˆancia de escala e dimens˜ao n˜ao inteira. Portanto come¸caremos nosso estudo com uma breve discuss˜ao acerca desses conceitos.
Autossimilar, como o nome sugere, indica algo que ´e similar a si mesmo. Claro que qualquer objeto ´e idˆentico a si mesmo, n˜ao ´e a isso que estamos nos referindo. Autossi-milaridade significa que uma parte do objeto ´e similar (ou idˆentica) ao objeto como um todo, em escala reduzida. Que ao magnificar uma parte da figura recuperamos a figura como um todo. Ou ainda que uma figura ´e constituida por vers˜oes menores dela mesma. Imagine, por exemplo, a capa de um livro em que aparece a imagem da capa do pr´oprio livro. Teremos um livro, dentro de um livro, dentro de um livro, dentro de um livro... Se aumentarmos a imagem de modo que a capa do primeiro livro desenhado fique do tamanho da capa original teremos exatamente a mesma figura. Ou seja, uma parte da figura ´e idˆentica, em escala menor, `a figura como um todo. Eis ai a autossimilaridade.
Como consequˆencia direta da autossimilaridade temos a invariˆancia de escala. Isto ´e, o sistema possui o mesmo comportamento visto em escalas diferentes. Ele n˜ao possui uma ordem de grandeza preferencial para ocorrer. Ocorre em todos os n´ıveis. A lei de Gutenberg-Richter [3] por exemplo, que descreve a frequˆencia dos terremotos pela sua magnitude, ´e conhecida por ser invariante de escala. Isto significa que terremotos de to-das as magnitudes ocorrem, desde que se espere uma escala de tempo compat´ıvel.
No caso dos fractais essa invariˆancia de escala significa que o fractal permanece idˆentico independente da escala em que ´e observado. Por exemplo, uma espiral. Se aproximar ou se afastar dela n˜ao altera em nada sua imagem. Apenas olhando n˜ao temos como saber em que escala estamos.
Para tratar dos fractais precisaremos ainda expandir nosso conceito de dimens˜ao. Tra-dicionalmente entendemos que pontos tˆem dimens˜ao zero, curvas dimens˜ao um, planos dimens˜ao dois e etc. Esta ´e a chamada dimens˜ao topol´ogica. Fractais s˜ao objetos que n˜ao se encaixam em nenhum desses casos, mas est˜ao em algum est´agio intermedi´ario de-les. Queremos definir uma dimens˜ao capaz de abrangi-los, isto ´e, que admita valores n˜ao inteiros. E que seja consistente com a dimens˜ao topol´ogica.
H´a v´arias maneiras de se definir uma dimens˜ao fractal, sendo a maior parte delas equivalentes. Trabalharemos com a dimens˜ao box counting (contagem de caixas) por ser a mais ultilizada e de f´acil aplica¸c˜ao, tanto te´orica quanto num´erica.
A id´eia ´e dividir o espa¸co em caixas de lado arbitr´ario ε e contar o n´umero de cai-xas N (ε) ocupadas pelo fractal. Para ε pequeno o n´umero de caixas N (ε) deve variar polinomialmente com (1/ε) onde o expoente ´e a dimens˜ao do objeto.
N (ε) ∝ 1 ε
D
(3.1) Assim, a dimens˜ao (box counting) pode ser calculada como:
DBC = lim ε→0
log N (ε)
log(1/ε) (3.2)
Por exemplo, para cobrir uma reta de comprimento l, precisaremos de N (ε) = l/ε caixas de lado ε. Assim sua dimens˜ao ser´a
DBC = lim ε→0 log(l/ε) log(1/ε) = limε→0 log(ε) − log(l) log(ε) = 1 como esperado. ´
E f´acil ver que esta defini¸c˜ao recupera os resultados que conhecemos para os objetos euclidianos. Dessa forma conseguimos n˜ao s´o atribuir um valor para a dimens˜ao dos fractais como tamb´em ter alguma intui¸c˜ao, ainda que rudimentar, do que esses valores significam. Em geral os fractais possuem dimens˜ao n˜ao inteira, mas n˜ao obrigatoriamente.
As curvas de Peano [4], por exemplo, possuem dimens˜ao 2 (s˜ao capazes de preencher ´
areas).
Figura 3.1: Curva de Peano com dimens˜ao fractal 2 (imagem tirada da internet).
3.2
Fractais Cl´
assicos
Antes de Mandelbrot alguns fractais j´a eram conhecidos, mas eram tidos como “mons-tros matem´aticos”. Figuras estranhas que surgiam como contra-exemplo de alguma teoria ou que tornavam explicitas aparentes contradi¸c˜oes.
Um conjunto que ´e denso em lugar nenhum e denso nele mesmo, uma curva que ´e cont´ınua mas n˜ao ´e diferenci´avel em nenhum ponto, uma figura com per´ımetro infinito e ´
area finita s˜ao alguns exemplos das “aberra¸c˜oes”matem´aticas que veremos.
3.2.1
Conjunto de Cantor
O conjunto de Cantor foi introduzido pelo matem´atico alem˜ao Georg Cantor em 1883. ´
E talvez o fractal mais conhecido, e apesar de aparentemente simples possui uma infinidade de propriedades matem´aticas. Cantor o definiu de maneira geral e abstrata, sendo poss´ıvel constru´ı-lo de diversas formas. Veremos aqui sua constru¸c˜ao mais conhecida, o conjunto tern´ario de Cantor.
A constru¸c˜ao do fractal se d´a de maneira recursiva: 1. Comecemos com um segmento de reta unit´ario [0:1].
2. Divide(m)-se o(s) segmento(s) em trˆes partes iguais.
4. Repete-se, ad infinitum, a partir do passo 2 para os segmentos restantes.
Figura 3.2: Constru¸c˜ao do fractal de Cantor (imagem tirada da internet).
O fractal ser´a a figura resultante ap´os aplicar o procedimento descrito infinitas vezes. O conjunto (tern´ario) de Cantor s˜ao os pontos que nunca s˜ao eliminados da reta por esse procedimento.
Vemos que na k-´esima fase da constru¸c˜ao temos 2k segmentos de reta, cada um com 1
3
k
de comprimento. Portanto um comprimento total de 23k. Com k → ∞ temos o “comprimento”(medida de lebesgue [5]) indo a zero. O fractal de Cantor ´e uma nuvem, ou poeira de pontos, sem comprimento.
Apesar do comprimento nulo, a cardinalidade do conjunto ´e a mesma da reta [0:1]. H´a uma fun¸c˜ao surjetiva que mapeia cada ponto do conjunto num ponto da reta. Eis uma das primeiras peculiaridades deste fractal: possui comprimento nulo e infinitos n˜ao enumer´aveis elementos; tantos quanto uma reta de comprimento qualquer.
Calculando sua dimens˜ao fractal temos que usando caixas de lado ε = 13k
teremos N (ε) = 2k caixas preenchidas. Portanto pela equa¸c˜ao (3.2) sua dimens˜ao ´e:
DBC = lim k→∞ log 2k log(3k) = log(2) log(3) ≈ 0, 63
De fato o conjunto de Cantor ´e algo que se situa entre uma cole¸c˜ao de pontos (di-mens˜ao 0) e uma reta (dimens˜ao 1).
Este conjunto ´e dito denso em lugar nenhum, pois n˜ao possui pontos interiores. Isto ´e, arbitrariamente pr´oximo de qualquer ponto do conjunto h´a algum ponto (na verdade infinitos) que n˜ao pertence ao conjunto.
Ele tambem ´e dito denso nele mesmo, pois n˜ao possui pontos isolados. Isto ´e, arbitra-riamente pr´oximo de qualquer ponto do conjunto h´a algum ponto (na verdade infinitos) que pertence ao conjunto.
3.2.2
Curva de Koch
A Curva de Koch foi proposta pelo matem´atico sueco Helge von Koch em 1906. Sua constru¸c˜ao se d´a do seguinte modo:
1. Come¸camos com um segmento de reta; 2. Divide-se o segmento em trˆes partes iguais;
3. Desenha-se um triˆangulo equil´atero usando o segmento do meio como base; 4. Apaga-se o segmento que serviu de base para o triˆangulo;
5. Repete-se, ad infinitum, a partir do passo 2 para todos os segmentos de reta.
Figura 3.3: Constru¸c˜ao da curva de Koch (imagem tirada da internet).
Entre as propriedades interessantes deste fractal vemos que:
• A curva tem comprimento infinito, entretanto delimita uma ´area finita; • A distˆancia entre quaisquer dois pontos da curva ´e infinita;
• A curva ´e cont´ınua por´em n˜ao diferenci´avel (todos os pontos s˜ao “bicos”); • ´E autossimilar.
Na k-´esima etapa da constru¸c˜ao temos N (ε) = 4k segmentos de reta com ε = (1/3)k do
comprimento inicial. Portanto sua dimens˜ao fractal ´e: DBC = lim k→∞ log 4k log(3k) = log(4) log(3) ≈ 1, 26
Magnificando em 3k vezes determinada regi˜ao do fractal (que corresponda a um
seg-mento de reta do est´agio k da constru¸c˜ao) recuperamos o fractal completo. Ou seja, ele ´e autossimilar.
A estrela (ou floco de neve) de Koch ´e construida do mesmo modo que a curva, porem come¸cando com um triˆangulo equil´atero (no passo 1).
Figura 3.4: Estrela de Koch (imagem tirada da internet).
3.3
Fractais Aleat´
orios
Vimos at´e agora fractais determin´ısticos, constru´ıdos seguindo um algoritmo infinita-mente recursivo. Estes fractais s˜ao perfeitamente autossimilares, isto ´e, s˜ao invariantes sob magnifica¸c˜ao. Em qualquer escala o fractal ´e formado por c´opias dele em escalas menores. Possuem uma complexidade muito grande, quanto mais nos aproximamos deles mais detalhes aparecem. Nunca conseguimos reduzi-los a objetos mais simples, como os da geometria euclidiana por exemplo. Como se tivessem uma resolu¸c˜ao infinita, nunca enxergamos os pixels.
Tais objetos, entretanto, s´o podem existir no mundo matem´atico. No mundo f´ısico temos duas grandes limita¸c˜oes. A primeira ´e que essa “resolu¸c˜ao infinita”n˜ao pode existir. Em algum momento chegaremos na escala atomica e o fractal n˜ao poder´a se repetir em escalas menores. Os fractais que existem na natureza n˜ao ser˜ao autossimilares em todas as escalas, mas apenas num certo intervalo.
A segunda diferen¸ca que temos ´e a seguinte: n˜ao existe igualdade no mundo f´ısico, apenas semelhan¸ca. N˜ao h´a duas coisas que sejam idˆenticas uma `a outra, s˜ao no m´aximo parecidas. Igualdade ´e uma abstra¸c˜ao. Precisaremos ajustar nosso conceito de autossimi-laridade nesse respeito.
Diremos que uma figura ´e autossimilar se n˜ao for poss´ıvel distinguir uma escala de outra. Isto ´e, se uma regi˜ao da figura se parece (´e indistinguivel) com outra de escala
diferente. E estar´a sempre impl´ıcito que essa autossimilaridade n˜ao ´e v´alida em qualquer escala, mas num intervalo de interesse.
Com nosso conceito de autossimilaridade atualizado podemos investigar casos mais pr´oximos da f´ısica e da natureza, para alem das idealiza¸c˜oes matem´aticas. Iniciaremos esta empreitada introduzindo um novo ingrediente: a aleatoriedade. A aleatoriedade ´e muito importante para modelar e simular sistemas f´ısicos, pois ela engloba os efeitos de tudo que n˜ao entra explicitamente em nosso modelo. Sejam as vari´aveis que n˜ao incluimos por julgarmos irrelevantes, os erros e imprecis˜oes nas medidas, o ru´ıdo e etc.
O caso mais simples parece ser aleatorizar fractais determin´ısticos, como os que j´a vimos. Em seguida construiremos fractais inerentemente aleat´orios. Vejamos uma vers˜ao da estrela de Koch. Em cada etapa da sua constru¸c˜ao desenharemos o triˆangulo equil´atero (do passo 3) apontando “para fora”50% das vezes, e “para dentro”nos outros 50%.
Vemos que o fractal se parece com uma ilha. Sua borda parece a linha costeira ou a fronteira de algum pais. De fato a forma irregular da costa/fronteira dos pa´ıses foi o tema do primeiro artigo onde Mandelbrot introduz a geometria fractal.
´
E f´acil verificar que ela ´e autossimilar, no sentido mais abrangente (f´ısico) do termo. Seria imposs´ıvel um processo aleat´orio gerar uma figura autossimilar no mesmo sentido dos fractais cl´assicos (matem´aticos). Sua dimens˜ao fractal pode ser calculada numericamente sem grandes dificuldades, com um gr´afico di-log.
Figura 3.5: Curva de Koch aleatorizada.
3.3.1
O Jogo do Caos
Um procedimento aleat´orio pode gerar um resultado determin´ıstico? Aleatoriedade necessariamente implica em desordem e imprevisibilidade? Come¸caremos a discuss˜ao com um jogo simp´les, chamado “jogo do caos”.
2. Marque, em qualquer lugar do papel, um ponto. Este ponto ser´a chamado de “ponto do jogo”;
3. Sorteie um dos trˆes v´ertices;
4. Marque o ponto na metade do caminho entre o ponto do jogo e o v´ertice sorteado. Este ponto ser´a o novo ponto do jogo;
5. Repita in´umeras vezes o procedimento a partir do passo 3.
Figura 3.6: 3 partidas do jogo do caos com pontos iniciais diferentes.
Mostramos 3 partidas do jogo, com pontos iniciais diferentes. `A primeira vista o resul-tado pode parecer impressionante. Os pontos sorteados em cada figura s˜ao completamente diferentes. Mas vemos o mesmo padr˜ao emergir em cada uma delas, de modo que pratica-mente n˜ao conseguimos distingui-las. Este padr˜ao ´e um fractal conhecido como triˆangulo de Sierpinski, constru´ıdo de modo semelhante aos fractais de Cantor e de Koch. Analize-mos como isto ocorre.
do jogo como uma unidade discreta de tempo. Assim a figura resultante ´e a trajet´oria da particula no espa¸co de configura¸c˜ao (x,y).
Primeiro vemos que a partir de qualquer ponto fora do triˆangulo a part´ıcula se move em dire¸c˜ao a ele, at´e alcan¸car sua borda ou interior. Alcan¸cando a borda a part´ıcula continuar´a na borda ou adentrar´a o triˆangulo. E uma vez no interior do triˆangulo todos os pontos seguintes permanecer˜ao dentro do triˆangulo. O triˆangulo age como um atrator confinante.
Como a trajet´oria da part´ıcula evolui no interior do triˆangulo? At´e ent˜ao sabemos que ela est´a confinada, mas como o padr˜ao visto emerge? H´a regi˜oes “proibidas”no interior? Por que ela n˜ao se espalha uniformemente? Come¸cando em um v´ertice todos os mo-vimentos poss´ıveis da part´ıcula fazem parte do triˆangulo de Sierpinski. Na verdade uma vez que ela alcance qualquer ponto do fractal sua trajet´oria estar´a confinada no pr´oprio fractal. As regras do jogo funcionam como um mapa sob o qual o conjunto de pontos que pertencem ao fractal ´e invariante. Isto ´e, um ponto do conjunto sempre ´e mapeado noutro.
E qualquer ponto que n˜ao perten¸ca ao conjunto ´e mapeado noutro que tamb´em n˜ao pertence, mas que est´a mais pr´oximo de um ponto do fractal que o anterior. Portanto, ap´os sucessivas rodadas pode-se aproximar a trajet´oria da part´ıcula tanto quanto se queira do fractal. O triˆangulo de Sierpinski ´e o atrator de todas as trajet´orias sob o mapa defi-nido pelas regras.
Atratores com formatos fractais s˜ao comuns (e umas das principais caracter´ısticas) em sistemas ca´oticos. Tais atratores s˜ao chamados atratores estranhos. A complexidade da evolu¸c˜ao dinˆamica do sistema ca´otico est´a intimamente ligada `a complexidade da topolo-gia de seu atrator estranho.
3.3.2
DLA Cluster
Partimos agora para um caso onde a aleatoriedade aparece n˜ao como um ingrediente extra, mas como parte fundamental do processo. Queremos simular part´ıculas realizando movimento browniano que “grudam”uma na outra quando se encontram e assim v˜ao for-mando agregados (em inglˆes, cluster ) cada vez maiores.
Esta ´e a chamada agrega¸c˜ao por difus˜ao limitada (do inglˆes, Diffusion-limited aggre-gation, DLA). Este modelo, proposto em 1981 por Witten Jr. e Sander, ´e aplic´avel em qualquer sistema onde a difus˜ao seja o principal meio de transporte. ´E observado em siste-mas como a eletrodeposi¸c˜ao, fluxo de Hele-Shaw [6], dep´ositos minerais, ruptura diel´etrica entre outros.
Realizamos as simula¸c˜oes numa rede bidimensional, com uma part´ıcula fixa no centro e outra solta na borda sob movimento browniano, isto ´e, a cada unidade de tempo
dis-creto possui 25% de chance de se mover em cada dire¸c˜ao. Quando esta part´ıcula se une ao agregado do centro, outra ´e liberada numa regi˜ao diferente da borda.
Figura 3.7: Agregados com 3 mil part´ıculas.
Figura 3.8: Agregados com 3 mil (esquerda) e 6,75 mil (direita) part´ıculas.
As simula¸c˜oes possuem 3, 6.75 e 12 mil part´ıculas. A autossimilaridade ´e evidente uma vez que n˜ao conseguimos distinguir cada um desses regimes. O c´alculo de sua dimens˜ao fractal ´e direto: basta construir um gr´afico dilog do n´umero de caixas N (ε) pelo inverso de seu comprimento ε. Se a equa¸c˜ao 3.2 for v´alida o gr´afico ser´a uma reta e a dimens˜ao ser´a seu coeficiente angular.
Calculamos a dimens˜ao para as simula¸c˜oes com 12 mil part´ıculas e obtivemos como resultado D ≈ 1, 58.
Figura 3.9: Agregados com 6,75 mil part´ıculas.
Figura 3.11: Gr´aficos dilog do n´umero de caixas N (ε) pelo inverso do comprimento ε, para os agregados de 12 mil part´ıculas.
3.4
Fractais no Plano Cartesiano
3.4.1
Atrator de H´
enon
O atrator de H´enon [7] ´e gerado pela transforma¸c˜ao:
H(x, y) = (y + 1 − ax2, bx) (3.3)
sendo a = 1,4 e b = 0,3 a sua forma convencional.
Esta transformada pode ser entendida como 3 deforma¸c˜oes sucessivas do plano carte-siano. Primeiro em forma de par´abola no eixo y:
H1(x, y) = (x, y + 1 − ax2)
Depois uma contra¸c˜ao em x
Figura 3.12: Atrator de H´enon. Este fractal ´e formado por v´arias camadas que nunca se sobrep˜oem.
E por fim uma reflex˜ao em x=y
H3(x, y) = (y, x)
De modo que
H(x, y) = H3(H2(H1(x, y)))
A maioria dos pontos d˜ao origem `a ´orbitas que escapam pro infinito. O atrator de H´enon ´e o estado final das ´orbitas que n˜ao divergem. H´a uma zona de captura R, ao redor do atrator, onde as ´orbitas ficam confinadas (H(R) ⊂ R) e eventualmente conver-gem para ele. Sua base de atra¸c˜ao ´e formada por todos os pontos cuja ´orbita, em algum momento, entra na zona de captura. O atrator ´e invariante sob H, i.e. um ponto do atrator ´e mapeado noutro.
H ´e sens´ıvel `as condi¸c˜oes iniciais. Duas ´orbitas inicialmente pr´oximas v˜ao divergir rapidamente. E elas preenchem densamente o atrator. Cada ´orbita (que n˜ao diverge) se aproxima tanto quanto se queira de todos os pontos do atrator. Assim uma ´unica ´orbita ´e suficiente para ger´a-lo.
O atrator parece ser formado por segmentos de par´abolas. Ao magnificarmos a ima-gem percebemos que cada vez mais desses segmentos aparecem. Se come¸camos com um segmento e aplicamos a transformada H, teremos dois segmentos. Ao aplic´a-la novamente teremos quatro, ent˜ao oito, dezesseis e assim sucessivamente. De modo que o atrator ´e formado por infinitos desses segmentos. Se n˜ao fosse assim ele n˜ao seria invariante, pois ao aplicar H apareceriam novos (o dobro) segmentos. Desse modo pontos teriam sido mapeados para fora do atrator que, neste caso, n˜ao seria mais um atrator.
O atrator tem ´area zero. Ao aplicar H a uma regi˜ao sua ´area dimimui pelo fator b. Ao aplic´a-la infinitas vezes teremos o atrator com ´area nula. A interse¸c˜ao dos segmentos de par´abola do atrator com uma reta gera um conjunto de Cantor (n˜ao o tern´ario). O que mostra sua autossimilaridade (ao menos em rela¸c˜ao `a disposi¸c˜ao das par´abolas).
Este atrator tamb´em tem grande rela¸c˜ao com o mapa log´ıstico, sendo at´e conside-rado sua vers˜ao bidimensional. Vemos que para b = 0, H se torna um mapa quadr´atico unidimensional
xn+1 = 1 − ax2n
assim como o mapa log´ıstico
xn+1 = axn(1 − xn).
Isto significa que todo o estudo feito no cap´ıtulo 2 sobre o mapa log´ıstico pode ser feito tamb´em para o mapa de H´enon, agora em duas dimens˜oes. Encontrar seus regimes estacion´ario, peri´odico e ca´otico, os expoentes de Lyapunov, construir o diagrama de bi-furca¸c˜ao, calcular a delta de Feigenbaum e etc.
O atrator de H´enon ´e um atrator estranho. Ele representa a dinˆamica de um sistema ca´otico e possui a topologia de um fractal.
3.4.2
Conjuntos de Mandelbrot e Julia
Os conjuntos de Julia e de Mandelbrot s˜ao gerados pela mesma fun¸c˜ao iterativa com-plexa
zn+1= zn2 + c (3.4)
com z, c ∈ C.
Como no mapa de H´enon, v´arias trajet´orias escapar˜ao pro infinito dependendo dos valores de z0 e c. Os fractais de Julia e Mandelbrot nascem da identifica¸c˜ao dessas
tra-jet´orias. No caso de Julia fixamos o valor de c e no de Mandelbrot fixamos z0 e calculamos
a divergˆencia ou n˜ao das trajet´orias conforme variamos o outro parˆametro. O fractal ´e a fronteira entre as duas regi˜oes (das trajet´orias que divergem e as que n˜ao).
Os conjuntos de Julia e Mandelbrot delimitam regi˜oes com base no estado final das trajet´orias que ali come¸cam. Ou seja, delimitam uma base de atra¸c˜ao. Em alguns ca-sos essa fronteira, que a princ´ıpio deveria ser uma curva unidimensional, ´e na verdade bidimensional. Nessa regi˜ao as ´orbitas que convergem e as que divergem se misturam de tal forma que n˜ao ´e poss´ıvel separa-las por uma linha. Todos os pontos s˜ao pontos de fronteira. O espa¸co ´e preenchido densamente pelos dois tipos de ´orbita, sendo imposs´ıvel decidir -a priori- se uma ´orbita diverge ou n˜ao.
Figura 3.13: Conjuntos de Julia com C = −0.5 + 0.5i (esquerda) e C = −0.5 + 0.52i (direita)
Figura 3.15: Conjuntos de Julia com C = 0.63i (esquerda) e C = 0.64i (direita)
Figura 3.16: Conjuntos de Mandelbrot com z0= 0 (esquerda) e z0= 0.5i (direita)
Cap´ıtulo 4
Autˆ
omatos Celulares
Os autˆomatos celulares come¸caram a ser estudados na d´ecada de 1940 por S. Ulam e J. von Neumann. Von Neumann estudava sistemas auto-replicantes, e tentava construir um modelo te´orico com esta propriedade. Ulam sugeriu-lhe usar o maquin´ario dos autˆomatos celulares para este fim. Von Neumann obteve sucesso ultilizando uma rede bidimensional onde cada c´elula possui 29 estados.
Nos anos 1970 os autˆomatos ganharam bastante popularidade com o chamado “jogo da vida”de J. Conway, um autˆomato que simula a evolu¸c˜ao temporal de uma popula¸c˜ao (n´umero de indiv´ıduos) de determinada esp´ecie interagindo com o meio ambiente. O jogo de Conway atraiu muito interesse por ser capaz de gerar padr˜oes complexos e variados, dependendo apenas das condi¸c˜oes iniciais. ´E curioso notar que o mesmo problema - a evolu¸c˜ao temporal de uma popula¸c˜ao - foi respons´avel pelos prim´ordios do estudo de sis-temas ca´oticos, com o mapa log´ıstico, e de autˆomatos celulares, com o jogo da vida.
Na d´ecada de 1980 Wolfram publicou um extenso e sistem´atico estudo sobre os autˆomatos unidimensionais chamados autˆomatos elementares. Incluindo uma classifica¸c˜ao em quatro tipos de autˆomatos, de acordo com seu estado final.
Desde ent˜ao os autˆomatos celulares tˆem sido aplicados nas mais diversas ´areas. fisica, quimica, ecologia, planejamento urbano, economia, etc...
Um autˆomato celular ´e uma rede de c´elulas, cada uma ocupando 1 de p ≥ 2 estados poss´ıveis, evoluindo em unidades de tempo discretas e sob leis locais. Em cada unidade de tempo t o novo estado de uma c´elula ´e determinado pelo estado de seus (digamos, k) vizinhos no tempo imediatamente anterior t − 1, segundo as regras de evolu¸c˜ao do autˆomato.
H´a varias maneiras de se construir um autˆomato celular. Para isto precisamos definir a dimens˜ao e geometria da rede, o n´umero de estados poss´ıveis de cada c´elula, o n´umero e geometria dos vizinhos, e por fim as regras de atualiza¸c˜ao dos estados. Essas carac-ter´ısticas ser˜ao, na grande maioria dos casos (incluindo todos os aqui estudados), globais
(independentes da posi¸c˜ao), fixas (independentes do tempo) e determin´ısticas.
Tamb´em podemos construir modelos mais elaborados, por exemplo permitindo regras probabil´ısticas (como no modelo de Ising), regras ou vizinhan¸ca que variam de uma c´elula ou regi˜ao para outra, que variam no tempo, regras com “memoria”(que dependem dos estados em t-2, t-3...) ou onde o novo estado de uma c´elula depende do novo estado de algum(s) de seus vizinhos etc. Temos ainda generaliza¸c˜oes para valores cont´ınuos do n´umero de estados, posi¸c˜ao e tempo.
Um dos casos mais simples s˜ao os autˆomatos elementares: uma cadeia unidimensional de c´elulas bin´arias (p = 2) com intera¸c˜ao de primeiros vizinhos (k = 3, o vizinho de cada lado e a pr´opria c´elula).
Autˆomatos celulares n˜ao s˜ao exatamente uma inven¸c˜ao recente da humanidade. O autˆomato mais antigo que temos not´ıcia, o triˆangulo de Pascal, ´e conhecido desde a anti-guidade. O mais estudado na f´ısica, o modelo de Ising, tamb´em ´e anterior aos trabalhos de Ulam. O que ´e recente ´e um estudo sistem´atico desses sistemas.
4.1
Autˆ
omatos Elementares
Os autˆomatos elementares desempenham um papel an´alogo ao dos mapas unidimen-sionais no estudo de sistemas ca´oticos. S˜ao sistemas simples, capazes de manifestar um comportamento complexo e exibir grande parte das propriedades vistas em sistemas mais gerais.
Um autˆomato elementar ´e uma cadeia unidimensional de c´elulas com p = 2 poss´ıveis estados e k = 3 vizinhos. Assim temos 23 = 8 poss´ıveis configura¸c˜oes de vizinhos. Uma
regra consiste em definir o estado final da c´elula central para cada uma das poss´ıveis con-figura¸c˜oes de vizinhos. Como para cada configura¸c˜ao temos 2 estados poss´ıveis, existem 28 = 256 regras.
De modo geral teremos ppk regras, uma quantidade que cresce extremamente r´apido. Aumentando em 1 o n´umero de vizinhos (k = 4) j´a temos 104 regras. Se ao inv´es disso au-mentarmos o n´umero de estados (p = k = 3) teremos ent˜ao 1012 regras! Uma quantidade
claramente imposs´ıvel de ser estudada exaustivamente. Por isso tamanha a impotˆancia dos autˆomatos elementares. Conseguimos trabalhar com todos eles e visualizar a maioria, sen˜ao todas, caracter´ısticas de autˆomatos mais gerais.
Um modo conveniente de expressar essas regras ´e a partir da decomposi¸c˜ao bin´aria dos n´umeros. Considere por exemplo a seguinte regra:
000 → 0 001 → 1
010 → 1 011 → 1 100 → 1 101 → 0 110 → 0 111 → 0
que pode ser abreviada como ’00011110’. Quando lida em bin´ario representa o n´umero 30. Portanto ela ´e conhecida como “Regra 30”. Similarmente para todas as outras regras.
4.2
tipos de automatos
Wolfram classificou os autˆomatos em quatro classes, de acordo com o seu comporta-mento a longo prazo. Apesar desta classifica¸c˜ao n˜ao ser muito precisa, caracter´ıstica de ciˆencias em desenvolvimento, costuma ser f´acil aplic´a-la de maneira inamb´ıgua. Mas h´a casos de fronteira que se encaixam em duas ou mais classes. E outros em que condi¸c˜oes iniciais espec´ıficas causam um autˆomato a apresentar comportamento diferente do espe-rado pela sua classe. Alguns autˆomatos s˜ao capazes at´e de simular (reproduzir) outros, com um ajuste preciso das condi¸c˜oes iniciais. De sorte que essas condi¸c˜oes iniciais s˜ao um tanto raras, fazˆe-las aleat´orias costuma ser suficiente para revelar o comportamento “natural”do autˆomato.
• Classe I: A maioria dos estados iniciais evoluem rapidamente para um estado final est´avel e homogˆeneo. Com todas as c´elulas no mesmo estado. Toda desordem do estado inicial desaparece. Em uma analogia com sistemas dinˆamicos o estado final seria um atrator de ponto fixo.
• Classe II: A maioria dos estados iniciais evoluem rapidamente para um estado fi-nal com estruturas simples, que n˜ao mudam ou s˜ao peri´odicas. Alguma desordem devido ao estado inicial pode sobreviver. Eles funcionam como “filtros”permitindo que apenas alguns padr˜oes iniciais permane¸cam enquanto os outros s˜ao destru´ıdos. Mudan¸cas no estado inicial tendem a permanecer locais ou sumir completamente no estado final. Na analogia, aqui temos v´arios atratores fixos ou peri´odicos.
• Classe III: A maioria dos estados iniciais evoluem de modo pseudoaleat´orio ou ca´otico. Estruturas est´aveis que possam surgir s˜ao logo destruidas pela desordem
do ambiente. Mudan¸cas no estado inicial tendem a se propagar indefinidamente. Na analogia, o sistema possui um atrator estranho (fractal).
• Classe IV: A maioria dos estados iniciais evoluem para a forma¸c˜ao de estrutu-ras locais, que por si s´o s˜ao simples, mas que interagem de maneira complexa com outras estruturas e com o ambiente, e podem sobreviver por longos per´ıodos de tempo. Estas estruturas podem decair em estruturas est´aveis ou peri´odicas do tipo II, mas o n´umero de passos necess´arios pode ser extremamente grande. Mudan¸cas no estado inicial podem se propagar indefinidamente, permanecer locais ou sumir completamente. Na analogia esta classe n˜ao possui um correspondente direto, mas lembra de certa forma um sistema ca´otico em crise. Um longo transiente ca´otico com um estado final previs´ıvel.
Figura 4.1: Autˆomatos celulares do tipo I. Regra 96 (esquerda) e regra 168 (direita).
A classifica¸c˜ao ´e feita em ordem crescente de complexidade, de modo que os tipos III e IV apresentam os comportamentos mais ricos. Podemos entendˆe-la tamb´em em fun¸c˜ao do n´umero e do tempo que as c´elulas permanecem ativas. Nos tipos I e II as c´elulas ficam ativas por pouco tempo. Logo alcan¸cam uma configura¸c˜ao est´avel. No tipo III o n´umero de celulas ativas sempre aumenta (at´e alcan¸car a totalidade) e elas permanecem ativas indefinidamente, nunca alcan¸cando a estabilidade.
No tipo IV a quantidade de c´elulas ativas ora aumenta ora diminui, estruturas de c´elulas se formam e permanecem ativas por longos per´ıodos de tempo, interagem com outras estruturas e com o ambiente, permanecem localizadas numa regi˜ao ou se movem pelo autˆomato. Oscilam entre a aleatoriedade e crescimento ilimitado do tipo III com a periodicidade, forma¸c˜ao de estruturas locais e diminui¸c˜ao de c´elulas ativas do tipo II.
Figura 4.2: Autˆomatos celulares do tipo II. Regra 2 (esquerda) e regra 4 (direita).
Figura 4.3: Autˆomatos celulares do tipo III. Regra 30 (esquerda) e regra 45 (direita).
Esta media¸c˜ao entre ordem e caos parece ser a principal respons´avel pela manifesta¸c˜ao da complexidade.
Devido toda essa riqueza de comportamento, Wolfram conjecturou que a maioria dos autˆomatos do tipo IV, sen˜ao todos, s˜ao capazes de computa¸c˜ao universal. E foi provado que este ´e o caso da regra 110 e do jogo da vida de Conway.
4.3
Aleatoriedade e Propaga¸
c˜
ao de Erro
´
E necess´ario falarmos sobre esta pseudoaleatoriedade presente nos tipos III e IV. ´E claro que um procedimento completamente determin´ıstico n˜ao pode gerar um resultado verdadeiramente aleat´orio. Duas execu¸c˜oes do mesmo autˆomato com as mesmas condi¸c˜oes iniciais ir˜ao gerar sempre o mesmo resultado. Mas este resultado ´e uma sequˆencia de 0’s
Figura 4.4: Autˆomatos celulares do tipo IV. Regra 110 (esquerda) e regra 147 (direita).
e 1’s que parece aleat´oria. Conhecendo os n primeiros digitos da sequˆencia n˜ao temos como saber qual ser´a o (n + 1)-´esimo digito sem aplicar as regras do autˆomato.
V´arios testes estat´ısticos foram feitos e mostraram que sequˆencias geradas pela regra 30, por exemplo, s˜ao t˜ao aleat´orias quanto outras sequˆencias cuja aleatoriedade ´e reco-nhecida, como a distribui¸c˜ao dos algarismos na expans˜ao decimal de π. Por exemplo, espera-se de uma distribui¸c˜ao aleat´oria que a quantidade de 0’s e 1’s seja aproximada-mente a mesma, 1/2 do total. Tamb´em que as sequˆencias 00’s, 01’s, 10’s, e 11’s apare¸cam com a mesma frequˆencia de 1/4. Que os 000’s, 001’s, ..., 111’s apare¸cam cada um com freqˆencia de 1/8 e etc.
E de onde vem esta aleatoriedade? ´E natural imaginarmos que ela seja apenas um eco da aleatoriedade introduzida nas condi¸c˜oes iniciais. Embora este seja realmente o caso para alguns autˆomatos, n˜ao o ´e para todos. Comparemos a evolu¸c˜ao da regra 30 em dois casos: iniciando com apenas uma c´elula ativa e iniciando com condi¸c˜oes aleat´orias.
Vemos que t˜ao logo a influˆencia da ´unica c´elula ativa alcance as bordas do primeiro caso, ele se torna indistinguivel do segundo. Portanto esta aleatoriedade n˜ao adv´em das condi¸c˜oes iniciais. ´E caracter´ıstica intr´ınseca da regra 30. Percebemos tamb´em que esta influˆencia se propaga na velocidade de uma c´elula por passo. Esta ´e a velocidade m´axima que o autˆomato ´e capaz de transmitir informa¸c˜ao. E por vezes ´e chamada de velocidade da luz (c) do autˆomato.
Fazendo a mesma compara¸c˜ao com outros autˆomatos da classe III, como as regras 22 e 150, vemos que eles n˜ao exibem a mesma aleatoriedade da regra 30. Mas que a influˆencia da c´elula ativa se propaga de forma fractal e tamb´em na velocidade da luz.
Assim a aleatoriedade vista aqui ´e do mesmo tipo da vista nos mapas unidimensio-nais. Uma ´orbita no mapa log´ıstico por exemplo, dado o valor do parˆametro λ e o ponto inicial, ´e completamente determin´ıstica. Ser´a sempre a mesma. Mas no regime ca´otico
Figura 4.5: Regra 30 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas uma c´elula (direita).
Figura 4.6: Regra 22 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas uma c´elula (direita).
´e imposs´ıvel prevˆe-la sem antes realizar os c´alculos. E para λ = 4 ela se distribui quase uniformemente no intervalo [0:1].
Tal semelhan¸ca com os mapas unidimensionais nos faz questionar se eles comparti-lham outras caracter´ısticas em comum. Em especial, se a sensibilidade `as condi¸c˜oes ini-ciais tamb´em ´e presente aqui. Esta pergunta est´a parcialmente respondida na descri¸c˜ao dos tipos de autˆomato: no tipo III “mudan¸cas no estado inicial tendem a se propagar in-definidamente”. Investigaremos esta quest˜ao a partir de simula¸c˜oes da propaga¸c˜ao de erro. Para isso iniciamos duas c´opias do autˆomato com as mesmas condi¸c˜oes iniciais aleat´orias, diferindo apenas por uma c´elula. Ent˜ao deixamos os dois evoluirem e os comparamos. A propaga¸c˜ao de erro para autˆomatos das quatro classes pode ser vista nas figuras 4.8 -4.10.
Na classe I a informa¸c˜ao (erro) logo ´e destruida e o sistema alcan¸ca o mesmo estado homogˆeneo. Na classe II a informa¸c˜ao, se n˜ao for destruida, permanece confinada
local-Figura 4.7: Regra 150 evoluindo de condi¸c˜oes iniciais aleat´orias (esquerda) e de apenas uma c´elula (direita).
Figura 4.8: Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 224 (esquerda, tipo I) e regra 109 (direita, tipo II).
mente. Na classe III a informa¸c˜ao rapidamente se espalha por todo o autˆomato. Na classe IV todos os comportamentos acima descritos podem ocorrer. Consequˆencia (e prova) da alta complexidade desta classe e sua posi¸c˜ao de fronteira entre ordem e caos.
Muito do comportamento do autˆomato pode ser entendido em fun¸c˜ao de como ele lida com a informa¸c˜ao. Num autˆomato onde toda informa¸c˜ao ´e destruida, estados iniciais diferentes s˜ao irrelevantes e o estado final ´e sempre o mesmo. Quando a informa¸c˜ao per-manece confinada localmente temos v´arios blocos de c´elulas que n˜ao se comunicam. Cada bloco funciona como um autˆomato finito e independente dos demais. Assim cada bloco tem um n´umero finito e pequeno de configura¸c˜oes poss´ıveis (exponencialmente menor que o autˆomato como um todo), atingindo rapidamente a periodicidade.
Quando a informa¸c˜ao se propaga por todo o autˆomato temos uma sensibilidade `as condi¸c˜oes iniciais. Efeitos locais se propagam globalmente. Um grande n´umero de
confi-Figura 4.9: Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 22 (esquerda) e regra 60 (direita), ambas tipo III. Na regra 60 o erro se propaga de modo fractal e independe das condi¸c˜oes iniciais
Figura 4.10: Propaga¸c˜ao de erro (em vermelho). Regra 110 (esquerda) e regra 147 (direita), ambas tipo IV.
gura¸c˜oes finais s˜ao poss´ıveis e efeitos emergentes podem aparecer.
4.4
Irreversibilidade e Entropia
Outra maneira de se estudar a evolu¸c˜ao de um autˆomato ´e analisando sua trajet´oria no “espa¸co de fase”. Para isto consideramos cada configura¸c˜ao poss´ıvel de n c´elulas como um estado inicial do sistema e verificamos qual seu sucessor imediato, ou seja, em qual estado (de n c´elulas) ele ´e mapeado pelo autˆomato ap´os uma unidade de tempo.
Como as leis do autˆomato s˜ao determin´ısticas cada estado s´o possui um sucessor ime-diato. Mas pode acontecer (e quase sempre ocorre) de um estado ter v´arios antecessores imediatos. Neste caso o autˆomato ´e dito irrevers´ıvel. Sabendo quem ´e o estado final
Figura 4.11: Espa¸co de fase de um autˆomato com 10 c´elulas. Regra 22 `a esquerda e regra 60 `a direita. A regra 60 (00111100) ´e sim´etrica.
n˜ao temos como calcular os estados anteriores. Parte da informa¸c˜ao ´e destru´ıda. Como consequˆencia teremos tamb´em estados sem nenhum antecessor. Estes s˜ao chamados jar-dins do ´Eden pois podem aparecer apenas como condi¸c˜ao inicial.
Deste modo autˆomatos irrevers´ıveis apresentam uma preferˆencia por certos estados. Se o iniciamos com condi¸c˜oes totalmente aleat´orias em t = 0, todos os estados s˜ao equi-prov´aveis. Entretanto para t > 0 nenhum estado jardim do ´Eden pode ocorrer, sua proba-bilidade se torna nula. Conforme o tempo passa os estados com mais antecessores tendem a se tornar os mais prov´aveis. Assim o autˆomato exibe um n´ıvel de auto-organiza¸c˜ao e consequente diminui¸c˜ao de entropia, caracter´ısticas muito comuns em seres biol´ogicos.
Importante notar que esta auto-organiza¸c˜ao se d´a mesmo em autˆomatos da classe III, incluindo a regra 30, desde que sejam irrevers´ıveis. Mas o n´umero de estados inativos aqui ´e muito pequeno se comparado ao das outras classes. A quantidade de configura¸c˜oes ativas (com probabilidade maior que 0 no tempo t) costuma ser pr´oxima das 2n confi-gura¸c˜oes poss´ıveis.
Nas figuras (4.12 - 4.14) mostramos como se d´a a evolu¸c˜ao temporal das probabili-dades de cada estado. A cor indica o n´umero de estados iniciais que, no tempo t, s˜ao mapeados nele. E a partir dessas probabilidades computamos a entropia de Gibbs para o autˆomato.
S = −X
i
Figura 4.12: Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda) e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 22 com 10 c´elulas.
Figura 4.13: Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda) e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 30 com 10 c´elulas.
Figura 4.14: Probabilidade n˜ao normalizada dos estados em fun¸c˜ao do tempo (esquerda) e entropia em fun¸c˜ao do tempo (direita) para a regra 45 com 10 c´elulas.
Cap´ıtulo 5
Considera¸
c˜
oes Finais
Neste trabalho estudamos trˆes t´opicos diferentes, cada um atingindo a complexidade `
a sua maneira. Pudemos ent˜ao investigar suas propriedades e perceber comportamentos semelhantes entre eles. Adquirindo assim uma no¸c˜ao de quais caracter´ısticas s˜ao particu-lares do sistema e quais s˜ao fruto de sua natureza complexa.
Referˆ
encias Bibliogr´
aficas
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