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Definição de uma rede de parques geriátricos: Vila Real

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Academic year: 2021

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Definição de uma rede de Parques Geriátricos

- Vila Real

Dissertação de Mestrado em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas

Maximiana Teixeira Pinto

Orientador: Professor Doutor Ricardo Jorge e Silva Bento Coorientador: Professor Doutor Luís Manuel Ramos

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Definição de uma rede de Parques Geriátricos

- Vila Real

Dissertação de Mestrado em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas

Maximiana Teixeira Pinto

Orientador: Professor Doutor Ricardo Jorge e Silva Bento Coorientador: Professor Doutor Luís Manuel Ramos

Composição do Júri:

Doutor Francisco Alexandre Ferreira Biscaia Godinho Doutor José Diogo da Silva Mateus

Doutor Ricardo Jorge e Silva Bento

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O meu agradecimento vai para todas as pessoas que estiveram sempre dispostas a ajudar, pois sem elas a realização deste trabalho não seria possível.

Ao professor Doutor Ricardo Jorge e Silva Bento, orientador desta dissertação, agradeço pelo acompanhamento e disponibilidade permanente, pelas sugestões/comentários dados ao longo deste trabalho, pelo constante apoio e indispensável ajuda em ultrapassar as dificuldades encontradas na utilização do programa “ArcView”.

Ao professor Doutor Luís Manuel Morais Leite Ramos, coorientador desta dissertação, pelas sugestões preciosas para alcançar os objetivos e disponibilidade de acompanhamento para a realização deste trabalho, o meu muito obrigado.

Agradeço há minha família que me apoiou e deu força durante os momentos mais difíceis. Ao meu namorado pela paciência, motivação e incentivo que transmitiu durante a realização deste trabalho.

A todas as amigas e colegas que de várias formas me auxiliaram e incentivaram durante este ano.

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Resumo

I

Resumo

Com a realidade do envelhecimento populacional em todo o mundo, a promoção de um envelhecimento ativo é cada vez mais uma preocupação na sociedade.

A implementação de parques geriátricos públicos, desenhados a pensar nas pessoas mais velhas e concebidos para fomentar a prática de atividade física pela população idosa, promovem um envelhecimento com qualidade de vida, minimizando os problemas que advêm com o avanço da idade.

A instalação deste tipo de equipamentos desportivos tem vindo a aumentar em todo o mundo, inclusive no nosso país, contudo a oferta existente não cobre as necessidades de uma população envelhecida existente atualmente. Na cidade de Vila Real a oferta de parques geriátricos para os seus seniores é inexistente.

O principal objetivo desta dissertação é definir uma rede de parques geriátricos, na cidade de Vila Real, tendo em consideração os critérios de planeamento e programação de equipamentos desportivos desenvolvidos pela Direção Geral do Território (DGT).

Para alcançar este objetivo a utilização de ferramentas em ambiente SIG (Sistema de Informação Geográfica) são uma mais-valia, imprescindíveis para avaliar e aplicar os critérios de planeamento vigentes.

A localização de parques geriátricos deve ser feita em espaços verdes urbanos já vocacionados para usufruo público, considerando sempre baixas distâncias, entre os parques geriátricos e as residências dos idosos, para deslocações preferencialmente a pé.

Verificou-se que a área de influência mais adequada para instalação dos parques seria de 600m, após uma maximização da população em função da distância percorrida a pé. Posteriormente, feita uma otimização do número de parques necessários para cobrir o maior número de população idosa possível, chegou-se a um número mínimo de nove parques para instalação na cidade.

Os parques geriátricos corretamente planeados para além de promoverem a prática de atividade física nas gerações mais velhas são também espaços sociais de convívio, colaborando para construção de espaços urbanos mais justos e planeados para todos, ajustando a oferta à procura.

Palavras-chave: Parques geriátricos, envelhecimento ativo, critérios de planeamento, Sistema de Informação Geográfica (SIG)

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Abstract

II

Abstract

With the reality of population aging in the world, the promotion of active aging is an increasing concern in society.

The implementation of geriatric public parks, designed for older people and that encourage the practice of physical activity for the elderly population, promotes aging with quality of life, minimizing the problems arising with the advancement of age.

The installation of these types of sports equipments have been increasing around the world, including in our country. However, the existing provision does not cover the needs of the current ageing population. In the city of Vila Real, the offer of geriatric parks to their seniors is absent.

The main objective of this dissertation is to define a network of geriatric parks in the city of Vila Real, taking into consideration the criteria for planning and programming of sports equipment developed by General Direction of the Territory (DGT).

To accomplish this goal, the usage of tools in GIS (Geographic Information System) environment is an asset, essential to evaluate and apply the criteria planning in use.

The location of geriatric parks must be done in urban green spaces, taking advantage of public-oriented spaces already existing, always considering low distances between the geriatric parks and residences for the elderly, so that they can preferably travel by foot.

It was found that the most suitable area of influence for the installation of the parks would be 600 m, after a maximization of the population, depending on the distance travelled on foot. Subsequently, after being made an optimization of the required parks number to cover the largest number of elderly population possible, a minimum number of 9 parks was achieved. Geriatric parks properly planned for, in addition to promoting the practice of physical activity in older generations, are also social spaces, which collaborate to build urban spaces which are fairer for all, adjusting the supply to the demand.

Keywords: Geriatric parks, active aging, planning criteria, Geographic Information System (GIS)

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Índice

Resumo ... I Abstract ... II Capítulo 1 - Introdução ... 1 1.1. Enquadramento ... 1 1.2. Motivação ... 2 1.3. Metodologia... 3 1.4. Organização da dissertação ... 4

Capítulo 2 - Saúde e qualidade de vida na Terceira Idade ... 5

2.1. Envelhecimento em Portugal ... 5

2.2. O processo de Envelhecimento ... 8

2.3. Atividade física na Terceira Idade ... 10

2.3.1. Benefícios da atividade física ... 11

2.3.2. Atividade física orientada para seniores ... 12

2.3.3. Fatores que influenciam a prática de atividade física sénior ... 15

Capítulo 3 – Parques Geriátricos ... 19

3.1. Conceito de Parques Geriátricos ... 19

3.2. Características dos Parques Geriátricos ... 21

3.3. Necessidades em termos de espaço ... 23

Capítulo 4 – Planeamento de redes de equipamentos coletivos... 27

4.1. A importância dos equipamentos coletivos ... 27

4.2. Critérios de planeamento/programação de equipamentos desportivos ... 28

4.3. Sistemas de Informação Geográfica (SIG) ... 31

Capítulo 5 – Rede de parques de atividade física sénior – Vila Real ... 33

5.1. Área de estudo ... 33

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5.1.2. Atividade física sénior no município ... 37

5.2. Critérios para a localização dos parques geriátricos ... 39

5.3. Planeamento da localização dos parques ... 40

5.3.1. Caracterização da procura ... 40

5.3.2. Definição dos potenciais locais de oferta ... 42

5.4. Análise da rede de parques ... 43

5.4.1. População coberta pela rede ... 44

5.4.2. Otimização da rede de parques ... 48

5.4.3. Total da procura potencial coberta ... 51

Capítulo 6 – Viabilidade de instalação e esboço de implantação ... 53

6.1. Propostas da 1ª Fase de instalação... 53

6.2. Propostas da 2ª Fase de instalação... 56

6.3. Propostas da 3ª Fase de instalação... 60

Capítulo 7 – Conclusões / Recomendações ... 67

Referências Bibliográficas ... 71

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Índice de Figuras

Figura 1 – População residente/idosa em Portugal ... 5

Figura 2 – Estrutura etária da população por sexo (2001 e 2011) ... 6

Figura 3 – Parque Geriátrico Vila Praia de Âncora ... 20

Figura 4 – Concelho de Vila Real ... 33

Figura 5 – Limites geográficos da cidade de Vila Real ... 34

Figura 6 - Distribuição da população por subsecção ... 35

Figura 7 – População/idosos residentes nas freguesias pertencentes à área urbana (2001 e 2011) ... 36

Figura 8 - Ferramenta “Feature To Point” - ArcGis Help ... 40

Figura 9 – Caracterização da procura de parques geriátricos ... 41

Figura 10 – Potenciais pontos de localização dos parques geriátricos ... 43

Figura 11 – Maximização da população em função da distância ... 45

Figura 12 – Área de influência de 400m ... 46

Figura 13 - Área de influência de 600m ... 46

Figura 14 – Otimização do número de parques ... 48

Figura 15 - Vista aérea das possíveis localizações dos parques geriátricos ... 51

Figura 16 – Total da população idosa coberta ... 52

Figura 17 – Parque Corgo (zona 1) ... 54

Figura 18 - Modo de instalação dos equipamentos (zona 1) ... 54

Figura 19 – Parque Corgo (zona 2) ... 55

Figura 20 – Modo de instalação dos equipamentos (zona 2) ... 55

Figura 21 – Modo de instalação dos equipamentos (zona 3) ... 56

Figura 22 - Jardim N. Sª da Conceição... 57

Figura 23 - Modo de instalação dos equipamentos do Jardim N. Sª da Conceição ... 57

Figura 24 – Largo de Santa Iria ... 58

Figura 25 - Modo de instalação dos equipamentos do Largo Santa Iria ... 58

Figura 26 – Jardim da Carreira ... 59

Figura 27 – Acessos ao Jardim da Carreira ... 59

Figura 28 - Modo de instalação dos equipamentos do Jardim da Carreira ... 60

Figura 29 – Jardim da Estação ... 60

Figura 30 - Modo de instalação dos equipamentos do Jardim da Estação ... 61

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Figura 32 - Modo de instalação dos equipamentos da Praça Santo António ... 62 Figura 33 – Jardim da Praça Diogo Cão ... 62 Figura 34 - Modo de instalação dos equipamentos do Jardim da Praça Diogo Cão... 63

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Índice de Quadros

Quadro 1 - Descrição dos benefícios da atividade física por dimensão ... 11

Quadro 2 – Exercícios físicos adequados à terceira idade ... 13

Quadro 3 – Variáveis intrínsecas que influenciam o modo pedonal ... 15

Quadro 4 - Variáveis extrínsecas que influenciam o modo pedonal ... 16

Quadro 5 – Indicações terapêuticas dos equipamentos ... 21

Quadro 6 – Área de segurança dos equipamentos ... 23

Quadro 7 – Quantidade de equipamentos e forma de instalação ... 24

Quadro 8 - Definição dos critérios de planeamento e programação de equipamentos coletivos ... 29

Quadro 9 – Descrição dos projetos desportivos destinados a idosos ... 38

Quadro 10 – Critérios de localização dos parques geriátricos... 39

Quadro 11 – Lugares para localização dos parques ... 42

Quadro 12 – População idosa coberta nas áreas de influência ... 47

Quadro 13 – Fases de instalação dos parques geriátricos ... 49

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1

Capítulo 1 - Introdução

1.1. Enquadramento

A população mundial está cada vez mais envelhecida sendo um assunto problemático cada vez mais debatido na sociedade. O processo de envelhecimento diminui a capacidade funcional dos indivíduos e, com o aparecimento das doenças crónicas e degenerativas, predominam às incapacidades.

A atividade física é muito importante em todas as faixas etárias pois promove a qualidade de vida, sendo que nos idosos a importância é acrescida devido aos inúmeros problemas de saúde que podem desenvolver, consequentes do avanço da idade, podendo ser evitados e controlados com a prática de exercício físico.

Os parques para atividade física sénior/parques geriátricos são concebidos, como o próprio nome indica, para a população idosa dotados de equipamentos de modo a promover o exercício físico e, com isto, trazer muitos benefícios para a saúde promovendo um envelhecimento mais saudável.

A localização destes parques para que possam ser utilizados pelo maior número de pessoas da terceira idade é um fator muito importante, pois estes pretendem atender a pessoas de diferentes capacidades físicas e classes sociais.

O número de parques para a população idosa tem vindo a aumentar em todo o mundo, incluindo no nosso País que já conta com algumas instalações em várias cidades, contudo inda é um conceito pouco debatido e conhecido (Bettencourt, 2011).

Segundo orientações da União Europeia para a atividade física, todos os Países pertencentes à União Europeia devem investigar a relação entre as melhorias das condições de saúde dos idosos com a prática da atividade física, disponibilizando instalações acessíveis, diminuindo assim os custos com a saúde (Instituto do Desporto de Portugal, 2009).

Apesar de existirem vários municípios em Portugal a promoverem a implementação de parques geriátricos, ainda existem carências a nível de infraestruturas e equipamentos

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2 destinados a idosos. Na cidade de Vila Real é notória essa falta de parques com equipamentos destinados a seniores.

Dado a existência de parques geriátricos no nosso país o que falta para que estes parques sejam utilizados pela população sénior? Na maioria dos casos parece que a localização e os critérios de planeamento não correspondem a um exercício de planeamento criterioso e consistente. Em consequência a sua utilização nem sempre é a mais adequada, nem é garantido o princípio da igualdade de oportunidades no acesso.

Os parques geriátricos, corretamente planeados e implementados de forma acessível, propiciam a prática da atividade física prolongando a saúde, bem-estar e autonomia durante o processo de envelhecimento. Ao ser promovido um envelhecimento saudável, retardando ou minimizando as consequências naturais do seu processo, os idosos terão uma vida mais saudável e recorrerão cada vez menos, e mais tarde, a produtos de apoio para realização das atividades básicas diárias.

Com realização da presente dissertação pretende-se contribuir para o planeamento e programação de uma rede de parques geriátricos no município de Vila Real, tendo em consideração os fatores de adesão ou limitadores da prática de atividade física por idosos, bem como os critérios de planeamento de equipamentos coletivos, localizando parques com adequados critérios de dimensionamento e requisitos técnicos, sendo acessíveis ao maior número de população idosa.

O desenvolvimento desta metodologia de planeamento e programação de parques geriátricos poderá servir de apoio para a tomada de decisão do município de Vila Real na implementação destas infraestruturas.

1.2. Motivação

O tema da dissertação procura ir ao encontro de recursos que permitam a melhoria da qualidade de vida da população idosa, uma realidade importante devido ao atual aumento da esperança média de vida que se tem vindo a registar em Portugal, constituindo uma iniciação profissional há minha atividade como Engenheira de Reabilitação e Acessibilidade Humanas.

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3 A profissão de um Engenheiro de Reabilitação é “orientada para a aplicação da ciência e da tecnologia na melhoria da qualidade de vida das pessoas com necessidades especiais, nomeadamente pessoas com deficiência e idosos. Envolve a Funcionalidade Humana, a Acessibilidade e a aplicação de qualquer tipo de tecnologia em diversas atividades humanas e meios de participação social como o acesso a tecnologias e serviços, educação, emprego, saúde e reabilitação funcional, mobilidade e transportes, vida independente e recreação” (UTAD, 2013).

É necessário contribuir para a adoção e aplicação de critérios de planeamento e programação direcionados para pessoas com limitações físicas, consequentes do avanço da idade, colaborando para a construção de espaços urbanos mais justos e planeados para todos promovendo o envelhecimento ativo, sendo esse o intuito desta dissertação.

1.3. Metodologia

A primeira fase da elaboração desta dissertação passou pela pesquisa de informação e leitura sobre as várias temáticas relacionadas com os parques geriátricos, o processo de envelhecimento e os critérios de planeamento de equipamentos desportivos e coletivos.

Foram obtidos junto do Instituto Nacional de Estatística - INE, através dos Censos 2011, os dados alfanuméricos referentes à população residente do município de Vila Real, desagregados ao nível da subsecção estatística, com o objetivo de identificar os lugares onde existe o maior índice de população idosa.

Para analisar a situação existente os dados relativos ao envelhecimento foram tratados em ambiente SIG, na plataforma “ArcGis”, permitindo identificar as freguesias com maior número de idosos para a caracterização da procura.

Posteriormente, e depois de identificar o limiar máximo de distância a percorrer a pé, foram analisados os rácios recomendáveis para os parques e as áreas de influência (oferta-procura), planeando assim as localizações ótimas para os parques geriátricos através de “buffers” (polígonos com determinada distância em torno de um objeto), bem como a escolha do espaço mais adequado segundo alguns critérios definidos.

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4 Depois do planeamento da rede de parques geriátricos foi feita uma análise e discussão dos resultados obtidos para que estes sejam viáveis, bem como o possível trabalho futuro.

1.4. Organização da dissertação

Esta dissertação está organizada em sete capítulos.

O primeiro capítulo mostra uma introdução geral, onde se apresentam o enquadramento, a motivação para a escolha do tema, a metodologia de trabalho utilizada e o modo de organização da dissertação.

No segundo capítulo é feita uma revisão bibliográfica sobre o conceito de saúde e qualidade de vida na terceira idade. Este capítulo é dividido em três subcapítulos: o envelhecimento em Portugal, o processo de envelhecimento e atividade física na terceira idade. O capítulo três aborda o tema da dissertação, o conceito de parques geriátricos, a sua origem e as suas características.

O quarto capítulo apresenta a importância de implementação de equipamentos coletivos e os critérios de planeamento de equipamentos desportivos, que irão servir de base para a definição da rede de parques geriátricos.

O capítulo quatro refere-se ao estudo de caso, onde é feito uma breve apresentação dos sistemas de informação geográfica (SIG) e da área de estudo. São também apresentados os critérios utilizados para a localização dos parques geriátricos, fazendo-se posteriormente o planeamento da localização dos parques e a respetiva análise.

O sexto capítulo aborda a programação dos parques geriátricos, respetivas propostas de implementação, áreas necessárias e acessibilidade do espaço.

No sétimo capítulo são apresentadas as conclusões retiradas com a realização desta dissertação.

(21)

5

Capítulo 2 - Saúde e qualidade de vida na Terceira Idade

2.1. Envelhecimento em Portugal

O envelhecimento é um fenómeno com transformações biológicas, psicológicas e sociais inerentes à condição humana, que tem implicações na funcionalidade, autonomia e mobilidade das pessoas traduzindo-se num declínio fisiológico e das capacidades pessoais. O modo de envelhecimento varia individualmente, dependendo das variáveis fisiológicas, estilo de vida e a existência de doenças crónicas (Santos, 2008).

A existência de uma população envelhecida é uma realidade na sociedade atual. Ao longo dos anos a esperança média de vida em todo o mundo, especialmente dos países desenvolvidos, tem vindo a aumentar (Governo de Portugal, 2012).

De acordo com os censos realizados em 2011, Portugal possui um cenário de envelhecimento populacional muito acentuado sendo a população idosa, de 65 ou mais anos, cerca de 2,023 milhões de pessoas representando 19% do total da população.

O aumento da população idosa ocorre de forma generalizada por todo o país (figura 1), a região Centro é a mais envelhecida do país, mas é na região Norte onde existe um maior número de população a residir e consequentemente de idosos, cerca de 31% do total da população idosa existente a nível nacional.

Figura 1 – População residente/idosa em Portugal Fonte: (INE, 2012)

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6 Desde os censos de 2001 que a percentagem de jovens no nosso país recuou em contraste à dos idosos que teve um aumento significativo, tendo passado de 16% em 2001 para 19% em 2011.

Na última década o índice de envelhecimento da população agravou-se para 128, sendo 102 em 2001, o que significa que por cada 100 jovens há 128 idosos, com tendência a aumentar. Assim, a estrutura etária da população em 2011 ficou em desequilíbrio com o aumento da população idosa no topo da pirâmide, e a diminuição da população mais jovem na base da pirâmide.

Na figura 2 pode-se constatar que são as mulheres que têm uma maior esperança de vida, mas apesar de viverem mais são os homens que vivem a terceira idade de forma mais saudável, segundo alguns estudos (INE, 2012).

.

Figura 2 – Estrutura etária da população por sexo (2001 e 2011) Fonte: (INE, 2012)

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7 Numa sociedade cada vez mais consumista onde o principal objetivo é a rentabilização e a produção, os idosos sem autonomia que ajudaram na construção dos pilares desta sociedade, têm sido um pouco esquecidos por já não oferecerem produtividade vivendo de alguma forma isolados ou em situação de dependência.

Face a estas mudanças demográficas, consequentes de diversos fatores, como o aumento da esperança média de vida e a diminuição da natalidade e da mortalidade, tem existido uma preocupação social para que os idosos participem ativamente nas questões da sociedade com qualidade de vida.

O ano de 2012 foi o “Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações”, e Portugal comprometeu-se a desenvolver políticas para o reconhecimento da importância dos idosos na sociedade, promovendo a inclusão social, contribuindo assim para uma vivência ativa e melhoria da qualidade de vida dos seus idosos. Políticas dirigidas para a mobilização de respostas que satisfaçam as verdadeiras necessidades da população idosa, e familiares, favorecendo a sua autonomia e independência, envolvendo todos os sectores sociais e na área da saúde de modo a proporcionar um envelhecimento ativo (Governo de Portugal, 2012).

A época da reforma, sendo uma transição para a velhice, não pode ser pejorativa para a sociedade pois este processo permite o desenvolvimento de novas atividades, devido ao aumento do tempo livre e de novos conhecimentos, não excluindo o idoso de ser uma pessoa ativa na sociedade.

Assim sendo, podemos constatar que o objetivo do envelhecimento ativo, apesar das condições inerentes ao processo de envelhecimento, é a participação em atividades sociais adequadas à idade, inserindo-os na sociedade estabelecendo assim igualdade entre a população (Catanho, 2011).

O cenário de envelhecimento, bem como o seu processo e os problemas que acarretará para a sociedade futura, tem sido um fenómeno de preocupação por parte do governo e investigadores da área. Tornou-se um problema social que tem vindo a mobilizar cada vez mais meios, para um envelhecimento com saúde, autonomia e independência.

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8 Dada à situação da população envelhecida existente em Portugal é necessário continuar a promover um envelhecimento ativo aliado à saúde e à qualidade de vida, promovendo a interação social.

Apesar da existência de uma oferta de recursos diversificados, para que se possa reduzir precocemente as incapacidades desta geração, ainda são muito reduzidos face ao atual índice de envelhecimento. É uma responsabilidade da sociedade promover atividades que procurem ir de encontro às necessidades das pessoas idosas, reduzindo a falta de apoio e o risco de solidão, para que estas pessoas possam viver com dignidade durante todo o processo (Soeiro, 2010).

2.2. O processo de Envelhecimento

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera-se idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos. (Catanho, 2011).

O peso da população idosa tem vindo a aumentar nos últimos anos resultante da diminuição da taxa de natalidade e do progresso em várias áreas, nomeadamente na saúde e em termos nutricionais, que contribuem para a diminuição da taxa de mortalidade e consequentemente o aumento a esperança média de vida (Bettencourt, 2011).

Este processo faz parte do ciclo natural da vida e tem um grande impacto nos indivíduos pelo processo de declínio, progressivo e irreversível, a nível físico, psicológico e relacional próprio desta fase que pode perturbar o bem-estar e a qualidade de vida. Tem sido alvo de investigação resultando em diversas teorias biológicas e psicossociais explicativas da ocorrência de mudanças fisiológicas, funcionais e cognitivas que resultam numa maior sensibilidade às doenças inerentes a esta nova condição.

Esta fase final do ciclo de vida difere de pessoa para pessoa podendo existir maior vulnerabilidade a certas doenças do que a outras. Indivíduos com a mesma idade apresentam diferentes incapacidades funcionais e cognitivas.

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9 Contudo o aumento da idade conduz a uma maior dependência e gastos com a saúde. Estas mudanças são influenciadas pelo estilo de vida, condições socioeconómicas e doenças crônicas que possam surgir, não existindo homogeneidade na população idosa (Martins, 2007) (Catanho, 2011).

Existem mudanças principalmente físicas associadas ao avanço da idade e, para além deste processo normal de envelhecimento, podem existir doenças resultantes da predisposição genética e das interações do indivíduo com o meio, que aumentam a sua vulnerabilidade e aceleram os processos básicos do envelhecimento (Fechine & Trompieri, 2012).

Embora não seja um processo uniforme existem estudos realizados na população idosa que demonstram os principais declínios e mudanças associadas ao envelhecimento tais como: (Câmara Municipal de Évora, 2007) (Bettencourt, 2011)

 Diminuição da capacidade cardiovascular;

 Diminuição da capacidade respiratória;

 Diminuição da massa óssea;

 Diminuição da força, flexibilidade, equilíbrio, musculatura e habilidades motoras;

 Alterações sensoriais (visão e audição) e perceção;

 Alterações do sistema nervoso, processamento da informação e memória;

 Redução da capacidade de termo regulação.

Para além destas alterações a maioria das pessoas idosas desenvolve doenças crónicas incapacitantes e não transmissíveis, associadas ao processo de declínio fisiológico e morfológico. Existem doenças muito frequentes na terceira idade, denominadas doenças geriátricas, destacando-se:  Doença de alzheimer;  Doença de Parkinson;  Cataratas;  Diabetes;  Doenças reumáticas;  Osteoartrose/ Artrose;

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10

 Osteoporose.

Existem diversos fatores que podem influenciar o processo de envelhecimento. A maioria das mudanças que ocorre pode ser influenciada por género, exercício físico e estilo de vida. A existência de uma atividade física regular, alimentação saudável e equilibrada, e uma vida social ativa, sem excessos prejudiciais, pode desacelerar significativamente o processo de envelhecimento (Coelho & Burini, 2009).

A incapacidade funcional é mais suscetível nesta faixa etária dificultando, ou impossibilitando, o desempenho das atividades da vida diária, como tomar banho e vestir-se, que requerem habilidades como equilíbrio, força e flexibilidade, capacidades em decadência com o avanço da idade. Com isto, existe um aumento da necessidade de assistência do idoso a longo prazo por terceiros, ou a sua institucionalização em lares de idosos (Duca & Silva, 2011). O envelhecimento é um problema social devido à diminuição da qualidade de vida, resultante do declínio da saúde e do aparecimento de doenças crónicas incapacitantes, mas também por ser uma faixa social desfavorecida economicamente. A manutenção da capacidade funcional do idoso é uma mais-valia pois faculta a sua independência na realização das atividades quotidianas e consequentemente uma melhor qualidade de vida (Martins, 2007).

2.3. Atividade física na Terceira Idade

A atividade física pode ser definida como qualquer movimento corporal produzido pela contração muscular que resulte num aumento do gasto de energia, sendo o exercício físico uma subcategoria planeada e repetida da atividade física para o desenvolvimento da condição física. Existem diversos contextos de atividade física, as atividades ocupacionais, atividades da vida diária, deslocamento e as atividades de lazer (Benedetti, 2004).

Como o processo de envelhecimento não é uniforme, dependendo da condição genética e estilo de vida, pessoas com a mesma idade cronológica não têm a mesma condição física. Está provado que um estilo de vida sedentário traz problemas para a saúde, problemas que podem ser evitados ou atenuados com a prática regular de atividade física.

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11 Na terceira idade a atividade física, adequada a cada pessoa, é fundamental para a recuperação das funcionalidades físicas em degradação possibilitando a autonomia na vida diária. Para além disso existem melhorias nas relações sociais e na saúde psicológica do idoso, melhorando a qualidade de vida (Câmara Municipal de Lisboa, 2009).

A atividade física tem sido associada a melhorias na habilidade funcional e na saúde dos idosos levando os especialistas a indicarem a prática de exercícios físico, cerca de trinta minutos por dia, podendo ser complementado com a prática de exercício aeróbico para manutenção da força muscular necessária para a realização de atividades da vida diária (Pascoal & Santos, 2006).

2.3.1. Benefícios da atividade física

Os inúmeros benefícios da atividade física, como se pode observar no quadro 1, podem ser agrupados em diferentes dimensões: física, psicológica, social, económica e ambiental.

Quadro 1 - Descrição dos benefícios da atividade física por dimensão Fonte: Adaptado de (Ferreira, 2010)

Dimensão Benefícios

Física

 Redução do risco de doenças cardiovasculares;

 Prevenção/redução da hipertensão;

 Prevenção/redução da hipercolesterolemia;

 Controlo do excesso de peso e prevenção da obesidade;

 Prevenção da diabetes do tipo II;

 Prevenção de alguns tipos de cancro, (ex: cólon);

 Proteção da saúde muscular e esquelética

 Redução do risco de ocorrência de osteoporose. Psicológica

 Preservação e melhoria da função cognitiva;

 Pode aumentar a capacidade de raciocínio e de memorização;

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12 As principais vantagens obtidas pelos idosos, com a prática de atividade física regular, são as melhorias na força muscular, equilíbrio, flexibilidade e resistência que desempenham um papel positivo nas atividades da vida quotidiana, aliadas às melhorias na memória, raciocínio e atenção.

2.3.2. Atividade física orientada para seniores

Apesar dos inúmeros benefícios da atividade física para a terceira idade, esta deve ser realizada de forma segura e eficaz, evitando lesões, e criando um programa de treino adequado para os idosos. É necessário praticar atividades adequadas às fragilidades apresentadas pelo organismo de cada idoso (Pinto, 2009).

Os exercícios mais adequados e praticados pelos idosos, bem como os seus benefícios para a saúde, encontram-se no quadro 2.

 Redução do desenvolvimento de demência (ex: doença de Alzheimer)

 Tratamento da depressão e da ansiedade;

 Maior resistência ao stresse;

 Melhor qualidade do sono da pessoa idosa. Social

 Potencializa o contacto entre indivíduos;

 Estabelece relações de cooperação;

 Reduz comportamentos de isolamento. Económica  Redução de custos para o governo;

 Redução de custos para a população idosa. Ambiental  Maior utilização dos espaços verdes exteriores.

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Quadro 2 – Exercícios físicos adequados à terceira idade Fonte:adaptado (Ferreira, 2010)

Os idosos deslocam-se regularmente de forma pedonal, com algumas limitações, sendo um meio muito importante para a realização das atividades da vida diária e contribuição para uma vida mais saudável. Ao utilizarem o modo pedonal para satisfazerem as suas necessidades estão a praticar exercício físico.

Para além disso, as pessoas idosas já realizam caminhadas diárias em espaços verdes de uma forma programada, ou seja, caminham praticando exercício físico, não para a realização de alguma tarefa, mas para manutenção da sua saúde física e mental.

Sendo um modo de praticar exercício físico, andar a pé traz um conjunto de benefícios para a saúde mas também a nível ambiental, económico e social, sendo eles:

Exercícios Benefícios

Hidroginástica

- Melhora a frequência cardíaca e respiratória; - Aumento da resistência.

Natação

- Prevenção de doenças ósseas como a osteoporose e também nos problemas de articulações.

Caminhada

- Manutenção da massa óssea, e preserva a elasticidade das artérias.

Dança - Eleva a autoestima e exercita todo o corpo.

Pilates

- Aumenta a força e a resistência;

- Promove a interação do corpo e da mente;

- Trabalha a força muscular, a flexibilidade e a capacidade respiratória.

Musculação

- Melhoria na frequência cardíaca;

- Prevenção de doenças relacionadas com a circulação sanguínea;

- Prevenção de diabetes, obesidade e hipertensão. Ioga - Alívio das dores, e melhoria na flexibilidade

(30)

14

 Nível de vida mais saudável, reduzindo os custos com a saúde;

 Redução do tráfego automóvel, poluição ambiental e sonora;

 Menores custos pessoais associados aos transportes;

 Desenvolvimento de uma sociedade inclusiva, que promove o convívio e a coesão social.

Estes são benefícios individuais e sociais, pois para além de melhorarem a qualidade de vida das pessoas geram economia, sendo necessário melhorar o espaço utilizado pelos peões eliminando as barreiras existentes à acessibilidade do espaço público. Assim pode-se incentivar e melhorar a qualidade do modo pedonal dos idosos, um grupo da população que apresenta algumas limitações físicas consequentes do avanço da idade (IMTT, 2011) (Bastos, 2012).

Em Portugal as Câmaras Municipais estão cada vez mais envolvidas no envelhecimento ativo da sua população, oferecendo e fomentando a prática da atividade física por esta geração, através de programas de exercício físico muito variado a custos muito reduzidos (Ferreira, 2010).

A organização de programas de atividade física por parte destas entidades permite ultrapassar as possíveis limitações económicas que podem ser dissuasoras para os idosos participarem ativamente, e por outro lado, aumentar a consciencialização para a perceção dos benefícios da prática da atividade física nesta faixa etária.

A nível Europeu, a Rede Europeia de Ação sobre o Envelhecimento e a Atividade Física (EUNAAPA), recomenda algumas boas práticas para a promoção da atividade física entre os idosos, (Instituto do Desporto de Portugal, 2009) destacando-se:

 Os Estados membros da União Europeia devem disponibilizar recursos para investigar a ligação entre a atividade física e a saúde do idoso;

 Os idosos devem ser sensibilizados para a importância de um envelhecimento ativo;

 As entidades públicas devem disponibilizar instalações para a prática de atividade física por pessoas idosas;

 Garantir que o idoso, mesmo estando institucionalizado, tenha acesso à atividade física apropriada às suas condições de saúde.

(31)

15

2.3.3. Fatores que influenciam a prática de atividade física sénior

Segundo alguns estudos, os principais fatores dissuasores da prática de atividade física na terceira idade são: problemas de saúde, falta de tempo, falta de condições económicas, falta de companhia, falta de locais adequados e falta de conhecimento sobre o modo como se deve praticar exercício nesta faixa etária (Bettencourt, 2011).

A caminhada, uma atividade orientada e muito utilizada por idosos, sendo ela para a realização tarefas diárias ou para a prática de exercício físico, também é influenciada pelos mesmos fatores.

A qualidade do espaço urbano, para além de outras variáveis, é um elemento em consideração pelo peão que tem uma maior perceção do ambiente que o rodeia, sendo que um ambiente hostil não é favorável para o modo pedonal. A projeção do espaço público, para as interações sociais, deve responder às necessidades da diversidade da população, crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência proporcionando assim conforto na deslocação pedonal quotidiana a pessoas com diferenças nas suas aptidões (IMTT, 2011).

As variáveis inerentes à condição humana (quadro 3) contribuem para a escolha do modo pedonal afetando também a velocidade da caminhada.

Quadro 3 – Variáveis intrínsecas que influenciam o modo pedonal Fonte: Adaptado de (Bastos, 2012)

A idade tem um impacto significativo para a escolha do individuo se deslocar a pé e na velocidade da caminhada. Embora o modo pedonal seja a principal forma de deslocação desta geração, a predisposição diminui com o aumento da idade devido ao aparecimento de limitações associadas à idade.

Variáveis intrínsecas Fatores

Características individuais

- Idade; - Sexo;

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16 Com o avanço da idade, a velocidade da caminhada diminui significativamente em relação aos jovens, sendo que os homens têm propensão para andar mais rápido que as mulheres.

Existem diferenças na performance da mobilidade entre os peões sem limitações físicas e as crianças, idosos e pessoas com deficiência que não possuem todas as capacidades físicas (Jianhong & Xiaohong, 2012) (Jesus, 2011).

Para além das variáveis intrínsecas de cada indivíduo existem fatores externos como as características da viagem e da cidade, características socioeconómicas e atmosféricas que afetam a atividade pedonal (quadro 4).

Quadro 4 - Variáveis extrínsecas que influenciam o modo pedonal Fonte: Adaptado de (Bastos, 2012)

A extensão do percurso a percorrer na cidade, para satisfazer as necessidades, varia individualmente com a idade, o motivo da deslocação bem como o tempo a despender para realizar as atividades (IMTT, 2011).

As pessoas idosas, com dificuldade na mobilidade, tendem a percorrer distâncias mais longas a pé para serviços básicos e de necessidades quotidianas, como ir ao Centros de saúde, Correios, Farmácias, e não tanto para atividades de lazer (Ribeiro & Mendes, 2010).

Variáveis extrínsecas Fatores

Características da viagem - Distância da viagem; - Horário da viagem; - Motivo da viagem; - Duração da viagem. Características da cidade

- Localização e distribuição de usos; - Topografia do terreno;

- Qualidade e segurança do espaço público.

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17 O padrão mais comum para definir distâncias a pé para as várias situações da vida diária, não sendo uma distância fixa, é de 400 a 800m, mas como foi referido anteriormente existem serviços localizados nas cidades que determinam distâncias maiores a percorrer consoante as necessidades das pessoas (Lassarre & Bonnet, 2012).

As cidades devem conter áreas comerciais, institucionais, cívicas e de lazer, pois com a diversidade e densidade do uso do solo as viagens a pé tendem a aumentar, pois as atividades quotidianas devem ocorrer distâncias reduzidas (Amancio, 2005).

O desenho urbano também incentiva a prática de caminhada, se a qualidade do meio envolvente for atrativa, os materiais de construção propiciem segurança, e se a topografia do terreno não for acentuada para não dificultar a mobilidade das pessoas com limitações físicas (Larrãnaga, 2008)

As condições climatéricas adversas como a chuva tendem obviamente a dissuadir o modo de caminhar e a prática de exercício físico.

Para além destes fatores referidos anteriormente a acessibilidade do espaço pedonal é um fator complementar para incentivar as pessoas andarem a pé, principalmente as pessoas com mobilidade reduzida, onde se incluem os idosos. É necessário que o espaço urbano ofereça condições para uma mobilidade eficaz e em segurança para todas as pessoas.

A caminhada é uma forma de praticar exercício físico ao ar livre, não sendo necessário frequentar ginásios, muitas vezes dispendiosos, preços que a maioria dos idosos não consegue suportar. Os parques geriátricos integrados nas rotas onde as pessoas idosas praticam caminhadas é um ótimo complemento na atividade física, podendo trabalhar muito mais áreas do corpo aumentando assim os benefícios para a saúde.

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(35)

19

Capítulo 3 – Parques Geriátricos

A atividade física desempenha um papel importante na qualidade de vida da terceira idade. A prática de exercício físico diário, adaptado às características de cada indivíduo, com intensidade moderada, relaxante e realizado em grupo é uma mais-valia para prevenir os efeitos físicos e psicológicos do envelhecimento (Gomes, 2005).

Existem cada vez mais espaços verdes públicos nas nossas cidades onde os cidadãos podem realizar atividades de lazer, estando em contacto com a natureza e interagindo socialmente, mas também praticar exercício físico.

Estes parques públicos que fomentam a prática de atividade física regular devem ser planeados e oferecer condições de acessibilidade e segurança para que se possa incentivar a sua utilização por idosos. Em resposta a estas necessidades foram criados os parques de atividades físicas seniores denominados por parques geriátricos, ou circuitos bio saudáveis (Bettencourt, 2011).

3.1. Conceito de Parques Geriátricos

Os parques geriátricos são espaços compostos por vários equipamentos de ginásio destinados a exercitar as várias partes do corpo, para melhorar a força, equilíbrio e elasticidade, e que podem ser utilizados de forma pública por todos os idosos (figura 3).

Num estudo realizado em 1997 na China concluiu-se que existiam falta de espaços dedicados para a prática de atividade física por idosos. Estes parques tiveram então origem naquele país, e a nível Europeu começaram a aparecer em 2005, na cidade de Madrid e na Finlândia com um circuito de exercícios para todas as idades. Seguiu-se a implementação na Alemanha em 2007, a Grã-Bretanha no ano de 2008 e Londres em 2010 (Caicedo, 2010) (Aparicio H. , 2009).

O número de parques tem vindo a aumentar nos últimos anos, não só a nível internacional mas também a nível nacional, onde começaram a serem preparadas instalações

(36)

20 em 2005. Atualmente existem algumas empresas no nosso país que dispõem deste tipo de equipamentos para instalação, e muitos municípios de Norte a Sul procederam à sua implementação destacando-se Oeiras, Nazaré, Vila do Conde, Ponte de Lima, Barcelos, Santiago do Cacém, Monção, Estremoz, Famalicão, Batalha, Torres Vedras, Sines, Trofa (Bettencourt, 2011).

Estes parques promovem o bem-estar e a saúde na terceira idade, oferecendo locais de lazer e contribuindo assim para a salvaguarda dos espaços verdes municipais (Bettencourt, 2011).

A prática de atividade física pode ser influenciada por variáveis como a área geográfica, a estética, a acessibilidade e a segurança que o parque oferece (Ariane & Cohen, 2005). Para além destes fatores ambientais o risco de lesões também leva a um desencorajamento para a prática de exercício e muitos idosos referem que utilizariam este tipo de equipamentos num contexto de intergerações e com atividades em grupos (Mitchell & Elton, 2007).

Figura 3 – Parque Geriátrico Vila Praia de Âncora Fonte: (Olhar Viana do Castelo, 2013)

(37)

21

3.2. Características dos Parques Geriátricos

Os equipamentos instalados nestes parques possuem instruções simples para executar os exercícios e apresentam informações sobre os benefícios da sua realização e as áreas do trabalho corporal.

No quadro 5 encontram-se alguns dos equipamentos, da empresa portuguesa Soinca, que podem ser instalados nos parques geriátricos, bem como as indicações terapêuticas para melhorar algumas da debilitações associadas ao envelhecimento.

Quadro 5 – Indicações terapêuticas dos equipamentos Fonte: Elaboração própria baseado em (SOINCA, 2013)

Equipamentos Indicações terapêuticas

Esqui

- Desenvolver a força e a coordenação (braços, pernas e cintura).

- Fortalecer as funções cardíacas e pulmonares.

Vela

- Reforçar a função cardíaca e pulmonar, e a

coordenação geral do corpo, melhorando a circulação e o sistema digestivo.

- Exercitar a coluna vertebral e o quadril.

Elevador

- Fortalecer a parte superior do corpo. - Reabilitação de lesões.

(38)

22 Massagem de Costas

- Relaxamento muscular do quadril e costas, melhorando a fadiga corporal e o sistema nervoso.

Passo Doble

- Fortalecer a função cardíaca e pulmonar, desenvolver a flexibilidade e a coordenação dos membros

inferiores.

Barras Centralizadas

- Melhorar a força e flexibilidade dos membros superiores, ombros e peitorais.

Circulo

- Desenvolver a potência muscular dos ombros; - Melhorar a agilidade e flexibilidade das articulações dos ombros, cotovelos e punhos, fortalecendo as funções cardíacas e pulmonares.

Cavalo

- Fortalecer as funções cardíacas e pulmonares; - Desenvolver a musculatura de braços e pernas, cintura, abdómen e lombar. Melhora a coordenação entre todos.

Estes equipamentos foram desenhados a pensar nas pessoas mais velhas, construídos por materiais muito duráveis e que requerem pouca manutenção.

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23 Os modelos e dimensões dos equipamentos diferem consoante os vários fabricantes. Alguns deles oferecem a possibilidade de adquirir packs pré-estipulados de equipamentos geriátricos. Consoante o fornecedor os packs podem ser básicos com três equipamentos, podendo os modelos serem escolhidos, passando para packs mais completos com quatro, seis, ou mais equipamentos.

3.3. Necessidades em termos de espaço

Para incentivar os idosos à prática de atividade física em parques exteriores é necessário que o ambiente seja inclusivo e deste modo receber pessoas de diferentes capacidades, oferecendo bons acessos e um pavimento regular independentemente do tipo de material.

Os espaços para implementação deste tipo de parques devem possuir uma área adequada de modo a oferecer espaço de circulação e segurança entre os equipamentos, promovendo de igual modo a acessibilidade. A área de segurança, ou seja o espaço necessário para o bom funcionamento e utilização do equipamento, deve estar livre de obstáculos (Aparicio H. , 2009).

Cada equipamento possui uma área de segurança específica como se pode observar no quadro 6.

Quadro 6 – Área de segurança dos equipamentos

Fonte: Adaptado de (Aparicio H. , 2009) e (SOINCA, 2013)

Equipamento Dimensões do equipamento Medidas de segurança Área de segurança Esqui 1,172x0,572m 1,5x2,5m 3,75m2 Vela 1,143x0,893m 2x3m 6m2 Elevador 2,316x0,809m 3x1,8m 5,4m2 Massagem de Costas 1,184x0,788m 2,35x1,5m 3,535m2 Passo Doble 2,178x0,532m 3x1,8m 5,4m2 Barras centralizadas 1,948x0,548m 2,9x1,5m 4,35m2 Círculo 0,866x0,770m 2,7x1,5m 4,05m2 Cavalo 0,963x0,593m 3x1,8m 5,4m2

(40)

24 Os equipamentos podem ser implementados de diferentes formas, com uma largura mínima de 1,5 metros para circulação, adaptando-se às características do terreno. Podem ser confinados num só local ou orientados ao longo de um percurso, sendo que a área mínima, para instalação de equipamentos, varia consoante a tipologia a instalar.

Quadro 7 – Quantidade de equipamentos e forma de instalação Fonte: Elaboração própria baseado em (Aparicio H. , 2009)

Forma de implementação Tipo e número de equipamentos Área mínima instalação 1) Confinados num espaço

Pack de 3 equipamentos - Esqui - Elevador - Massagem de costas 24,095m2 Pack de 4 equipamentos - Esqui - Vela - Barras centralizadas - Cavalo 35,25m2 Pack de 6 equipamentos - Esqui - Cavalo - Circulo - Passo doble - Elevador - Massagem de costas 59,035m2

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25 2) Contíguos ao longo do percurso pedonal

Pack de 3 equipamentos - Esqui - Elevador - Massagem de costas 20,185m2 Pack de 4 equipamentos - Esqui - Vela - Barras centralizadas - Cavalo 33m2 Pack de 6 equipamentos - Esqui - Cavalo - Circulo - Passo doble - Elevador - Massagem de costas 46,285m2

As áreas necessárias para a instalação dos equipamentos foram calculadas para os diferentes packs de equipamentos. Foram considerados diferentes equipamentos nos packs, tentando contemplar todos os equipamentos existentes para instalação.

O espaço mínimo de circulação entre eles é de 1,5m e considerando a área de segurança de cada equipamento foram calculadas as áreas de referência necessárias para a instalação de cada pack de equipamentos. Esta área poderá aumentar se forem escolhidos outros equipamentos para fazer packs diferentes dos mencionados, bem como com o aumento do espaço mínimo de circulação.

As formas de implantação projetadas são as mais utilizadas na projeção de parques geriátricos, sendo meramente indicativas pois os elementos podem tomar diferentes posições no terreno.

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27

Capítulo 4 – Planeamento de redes de equipamentos coletivos

Ao planear, prevendo meios e formas para alcançar um fim, é possível atingir os objetivos inicialmente previstos, prevenindo e eliminando as ameaças para o seu sucesso (Peixoto, 2009).

A criação de metodologias de planeamento de equipamentos desportivos permite, para além de evitar problemas no funcionamento dos equipamentos, ajustar a procura à oferta garantindo o máximo de cobertura populacional possível, prestando um serviço de qualidade aos desportistas (Peixoto, 2009).

A DGT - Direção Geral do Território é o organismo público nacional responsável pela política de ordenamento do território e de urbanismo. Os objetivos do Ordenamento do Território passam pela distribuição e utilização equilibrada do território, adaptados às necessidades da população em relação à habitação, trabalho, cultura e lazer, melhorando a qualidade de vida das pessoas, e a gestão responsável dos recursos naturais conduzindo à proteção do ambiente (DGT, 2013).

4.1. A importância dos equipamentos coletivos

A localização dos equipamentos coletivos, estruturas essenciais à prestação de serviços à comunidade, está diretamente ligada ao ordenamento do território de modo a assegurar a atividade económica, o acesso à cultura, educação, formação, justiça, saúde, segurança social, desporto e lazer.

Os equipamentos coletivos são elementos que possuem um papel importante na diminuição da desigualdade social, e a sua projeção deve ser feita em função da população da área de estudo, por forma a aumentar a qualidade de vida das populações e evitar faltas ou excessos em alguns equipamentos. É necessário estudar a distribuição dos equipamentos (número, localização e atributos) para que estes sejam acessíveis em condições de distância, tempo e custo (Mateus & Serdoura, 2010).

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28 O seu planeamento assenta no recurso à avaliação de várias variáveis:

 População atual e futura;

 Estrutura etária da população;

 Distribuição da população;

 Padrões de consumo;

 Fatores motivacionais de utilização;

 Características geográficas do terreno.

As estratégias de localização estão relacionadas sobretudo com os potenciais beneficiários, assim como a proximidade para com outras atividades ou usos do solo paralelos procurando atenuar assimetrias existentes, tendo sempre em consideração os vários critérios de planeamento (Mateus & Serdoura, 2010).

4.2. Critérios de planeamento/programação de equipamentos desportivos

A Carta Internacional da Educação Física e do Desporto da UNESCO, adotada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas (1978) destaca a importância da educação física e do desporto no desenvolvimento das pessoas (Câmara Municipal de Lisboa, 2009).

Na Constituição da República Portuguesa a atividade física é um direito de todos os cidadãos. É da responsabilidade do estado e das autarquias locais promover a atividade física, criando espaços públicos para o efeito, com o objetivo de melhorar a condição e física e a qualidade de vida da população. (Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, 2007)

A DGT estabeleceu normas e critérios para o planeamento de equipamentos desportivos. Estes indicadores adotados, necessários à caraterização e implementação dos equipamentos em causa, são utilizados por todas as entidades relacionadas com o planeamento e ordenamento do território (DGOTDU, 2002).

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29 O quadro 8 resume todos os critérios necessários ao planeamento de equipamentos desportivos.

Quadro 8 - Definição dos critérios de planeamento e programação de equipamentos coletivos Fonte: Adaptado de (DGOTDU, 2002) e (Câmara Municipal de Cascais, 2009)

Conceito base Definição

Área de influência Área do território cuja distância ao equipamento corresponde à irradiação.

Irradiação Valor máximo de tempo ou distância percorrida desde o local de residência dos utilizadores e o equipamento. População-base Número de indivíduos a partir do qual se justifica a

criação de um determinado equipamento.

Critérios de programação

Permitem determinar as carências e estabelecem as condições necessárias e adequadas para o equipamento fornecer um serviço de qualidade.

Critérios de dimensionamento Permitem determinar as dimensões dos equipamentos (área de terreno e área de construção).

Critérios de localização

Definem as condições que se devem ter em consideração na escolha da localização dos equipamentos. Nomeadamente o estudo de incompatibilidades, e as características adequadas que os equipamentos devem obedecer.

Unidade funcional É a dimensão mínima exigida a um equipamento para que seja viável.

Estes conceitos e critérios devem ser utilizados no planeamento de qualquer tipo de equipamentos coletivos, ajudando as entidades centrais, regionais e locais responsáveis pelo assunto, evitando incompatibilidades com equipamentos já existentes, permitindo responder com qualidade às necessidades da população desportista.

As variáveis a considerar para área de influência, assim como para população base e os critérios de programação, dimensionamento e localização são diferentes para os vários tipos de

(46)

30 equipamentos desportivos existentes. Contudo nas normas portuguesas não existem referências para parques geriátricos

Na cidade de Leiria utilizam-se as seguintes variáveis para a programação de espaços exteriores de lazer para seniores, critérios coincidentes com o planeamento de parques infantis dos 0-5 anos de idade (Câmara Municipal de Leiria, 2009).

Espaços de Recreio Sénior (espaços destinados a satisfazer as necessidades das pessoas idosas).

Área de Influência: 100-400 m a pé;

População Base: Mínimo 2500 habitantes;

Unidade funcional: mais de 250 m2;

Dimensionamento: 5 m2/hab;

Localização: Próximo das habitações;

 Contiguo a espaços de recreio infantil (0-5 anos), promovendo um ambiente inter-relacional e de supervisão;

 Afastado de espaços de recreio infantil (6-9 anos) e recreio juvenil evitando algumas perturbações por parte destes utilizadores;

Como o objetivo da dissertação é definir uma rede de parques para atividades físicas seniores é importante ter em consideração distâncias curtas, entre as residências e os parques geriátricos, para deslocações preferencialmente a pé desta faixa etária, bem como a existência de parques verdes urbanos ou praças públicas na cidade pois já são espaços vocacionados para usufruo público.

Para o planeamento de redes de equipamentos é imprescindível a utilização de ferramentas que permitam quer avaliar quer aplicar os critérios de planeamento vigentes. Para tal, as ferramentas SIG apresentam-se uma importante mais-valia para este objetivo.

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4.3. Sistemas de Informação Geográfica (SIG)

Um Sistema de Informação Geográfica (SIG) é uma plataforma informática para armazenamento e manipulação de informação georreferenciada. A informação é organizada por camadas, ou “layers”, tendo cada uma um conjunto de objetos associados e os respetivos atributos (Cunha, 2009).

Atualmente os SIG estão a ser muito aplicados em várias áreas como:

 Gestão de Planos Municipais de ordenamento do território;

 Catalogação dos recursos naturais;

 Proteção civil;

 Gestão de infraestruturas;

 Otimização de localizações.

Esta ferramenta permite trabalhar, e armazenar uma grande quantidade de informação com facilidade, tendo uma resposta em tempo real no apoio à decisão e permitindo rápidas atualizações (Costa, 2009).

Estas vantagens são do interesse das autarquias para gerir dados e recursos da ação humana e do planeamento e ordenamento do território, permitindo um melhor conhecimento do território e uma modernização na sua administração. Podem-se gerar vários mapas nomeadamente mapas locais, quantitativos, de densidades e evolução temporal.

Para o processo de definição da rede de parques de atividade física sénior foi desenvolvido um modelo vetorial, na plataforma “ArcGis 10” da ESRI.

Para a criação dos SIG foi necessário obter a cartografia planimétrica do município de Vila Real, constituída pelo edificado e pelos limites das vias, bem como a cartografia com a representação das subsecções estatísticas junto do INE e respetiva informação alfanumérica (população residente e população com 65 ou mais anos).

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33

Capítulo 5 – Rede de parques de atividade física sénior – Vila Real

5.1. Área de estudo

A cidade de Vila Real, situada na região do Douro a Norte de Portugal, sobre a margem direita do rio Corgo, é sede de concelho e capital de distrito (figura 4).

Figura 4 – Concelho de Vila Real

O Concelho é constituído por 30 freguesias com cerca de 51.850 habitantes, segundo os censos 2011, numa área de cerca de 370 km2. Dessas freguesias três são consideradas urbanas (S. Dinis, S. Pedro e Nossa Senhora da Conceição) e sete são periurbanas (Lordelo, Mateus, Parada de Cunhos, Borbela, Arroios, Constantim e Folhadela). Os limites geográficos da cidade de Vila Real podem ser observados na figura 5, à esquerda encontra-se o enquadramento de vila real no distrito e à direita pode-se observar o limite da cidade dividido pelas subseções, com os principais lugares.

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34

5.1.1. Características demográficas

Segundo o INE, entre 2001 e 2011 verificou-se um ligeiro aumento da população residente do concelho de Vila Real, cerca de 1928 habitantes, o que corresponde a um aumento de 3,85% da população, ultrapassando assim os 50000 habitantes.

Na figura 6 pode-se observar a distribuição da população residente pelas subsecções das freguesias suburbanas e urbanas da cidade, destacando as freguesias de N. Sª da Conceição, S. Pedro e S. Dinis, que são as mais povoadas do concelho.

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35 Na figura 7 pode-se observar a evolução da população residente de Vila Real, ao longo de uma década, bem como da população idosa correspondente.

Todas as freguesias pertencentes à área urbana de Vila Real aumentaram ligeiramente a sua população de 2001 para 2011.As freguesias que se destacam com um maior aumento da população são quatro N. Sª. da Conceição, Mateus, S. Pedro e Folhadela.

O índice de envelhecimento do concelho de Vila Real subiu de 95 em 2001 para 121 em 2011 o que significa que por cada 100 jovens existem 121 idosos. Embora seja um índice inferior ao do envelhecimento do país que alcançou os 128 em 2011 (128 idosos por cada 100 jovens) é um índice relativamente alto e preocupante, podendo afirmar-se que Vila Real é um concelho envelhecido.

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36 Este índice pode ser calculado pela seguinte fórmula:

Í𝑛𝑑𝑖𝑐𝑒 𝑑𝑒 𝐸𝑛𝑣𝑒𝑙ℎ𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 =População 65 ou mais anos

População 0 − 14 anos × 100

As freguesias que se destacam com um índice de envelhecimento mais elevado são: Mateus com 155.61, S. Pedro com 142.6 e Folhadela com 133.85.

Como se pode observar no gráfico as freguesias urbanas que registaram o maior número de população idosa, em 2011, foram a freguesia da N. Sª da Conceição, seguindo-se S. Pedro e S. Dinis.

A massa de população residente nas freguesias urbanas tem vindo aumentar e, apesar de exitirem freguesias mais envelhecidas, é na cidade onde existe a maioria de população senior. Desse modo o planeamento e programação dos parques geriátricos devem ser focalizados para a cidade.

Figura 7 – População/idosos residentes nas freguesias pertencentes à área urbana (2001 e 2011)

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 P p op u lação id osa Pop u laç ão r e si d e n te

População/idosos residentes por freguesia

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37

5.1.2. Atividade física sénior no município

Na cidade de Vila Real ainda não existem parques de atividade física para seniores. O município conta com um programa denominado "Não Queremos Dar Anos de Vida mas Vida aos Anos" que proporciona gratuitamente um conjunto de atividades lúdico-desportivas a toda a população do concelho com idade superior a 55 anos.

O objetivo geral deste programa passa por criar oportunidades e levar os idosos do concelho a praticarem atividade física, mantendo-se ativos, melhorando a qualidade de vida e ocupando os tempos livres, sendo possível contrariar o declínio próprio do envelhecimento e atenuando-o dentro dos domínios físico, psicológico e social.

Existem quatro tipos de projetos que englobam atividades gímnicas e aquáticas (Câmara Municipal de Vila Real, 2013):

 Atividade física nas freguesias;

 Hidroginástica sénior;

 Sénior em movimento;

 Atividade física nos lares.

Todas estas atividades são proporcionadas pela Câmara Municipal de Vila Real gratuitamente, à exceção da hidroginástica sénior que tem um preço simbólico.

Contudo existem muitas freguesias que não aderem ao programa pois já têm associações que promovem a atividade física sénior, acontecendo o mesmo em muitos lares do município que possuem as próprias atividades deste género.

No quadro 9 pode-se observar mais detalhadamente cada programa desportivo dedicado aos idosos relativamente à sua duração, frequência semanal e número de utilizadores.

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Quadro 9 – Descrição dos projetos desportivos destinados a idosos

Fonte: Elaboração própria com base em (Câmara Municipal de Vila Real, 2013)

Projetos Horário Local Atividades Número de idosos

Atividade física nas freguesias Segunda a Sexta 2x por semana 1h dia (Freguesias aderentes) - Andrães; - Borbela; - Folhadela; - Guiães; - Mondrões; - Mouçós; - Vila Marim; - Quintã. Exercícios lúdico-desportivos 270 Hidroginástica sénior Sábado 9:00h-9:45h 10:00h-10:45h 15:00h-15:45h (Duração 45min)

Piscina Municipal Exercícios localizados dentro

de água 180

Atividade física nos lares

Segunda a Sexta

2x por semana em cada lar 1h dia

(Lares e Centros aderentes)

- Lar de Vila Nova;

- Centro Comunitário de S. Tomé do Castelo; - Centro Paroquial de Mateus.

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39

5.2. Critérios para a localização dos parques geriátricos

O espaço urbano é muito utilizado pelos idosos não só para acesso aos serviços públicos, mas também para contacto com a natureza e prática de atividade física.

Na maioria dos casos, o espaço público não é projetado a pensar nas reais necessidades dos idosos trazendo problemas como a falta de segurança e o conforto que levam muitas vezes os idosos a deixar de realizar atividades em ambientes externos (Reis, 2009).

Tendo em conta que a população no município de Vila Real segue a tendência de envelhecimento do país é necessário criar espaços para atividades físicas e de lazer direcionados à terceira idade, de acordo com as suas necessidades físicas e sociais. Por isso é importante perceber toda a dinâmica por de trás de um processo de localização de serviços para idosos.

Para o posicionamento dos parques geriátricos serão utilizados alguns critérios de localização, maximizando a oferta e acessibilidade destes espaços, como se pode observar no quadro 10.

Quadro 10 – Critérios de localização dos parques geriátricos

Fonte: Elaboração própria com base em (Câmara Municipal de Leiria, 2009)

Critérios de localização Objetivo

Distribuição da população idosa

- Análise da distribuição do número de idosos, desagregados ao nível de subsecção estatística, maximizando a procura.

Proximidade de equipamentos lúdicos e desportivos

- Privilegiar lugares de prática de atividade física e parques infantis, privilegiando a acessibilidade.

Proximidade de áreas verdes

- Implementação em parques florestais, jardins e praças públicas, procurados essencialmente para lazer.

Imagem

Figura 1 – População residente/idosa em Portugal   Fonte: (INE, 2012)
Figura 2 – Estrutura etária da população por sexo (2001 e 2011)  Fonte: (INE, 2012)
Figura 3 – Parque Geriátrico Vila Praia de Âncora  Fonte: (Olhar Viana do Castelo, 2013)
Figura 4 – Concelho de Vila Real
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Referências

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