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IMUNIDADES. Da Imunidade Recíproca

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Academic year: 2021

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1 IMUNIDADES

Enquanto a regra de competência delimita a parcela do poder de tributar de cada pessoa política de direito interno de forma positiva – por exemplo, a parcela de poder do Município de instituir tributos sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU); por seu turno, as imunidades estabelecem constitucionalmente o campo em que é vedado ao legislador tributar de forma negativa.

A doutrina conceitua imunidades tributárias como hipóteses de não-incidência constitucionalmente qualificadas1 ou, ainda, como regras negativas de competência tributária2.

As imunidades estão dispostas na Constituição, portanto não podem ser criadas ou revogadas por lei complementar.

As imunidades podem ser subjetivas, quando voltadas ao sujeito: é o caso da imunidade dos partidos políticos, da imunidade das autarquias e fundações públicas; bem como podem ser objetivas, quando se referem à própria matéria tributável, como a imunidade dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado à impressão. É importante destacar que as imunidades desobrigam o cumprimento da obrigação principal, ou seja, o pagamento do tributo, mas não afastam o dever de cumprir as obrigações acessórias, tais como o dever de prestar informações às autoridades fiscais. As imunidades constantes no artigo 150 da CRFB/1988 referem-se tão somente à espécie tributária dos impostos.

Da Imunidade Recíproca

O artigo 150, VI, “a” da CRFB/1988 dispõe que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. É a chamada imunidade recíproca, ou seja, que se dá de forma recíproca entre as pessoas políticas de direito interno – União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Decorre, portanto, do princípio federativo e da isonomia das pessoas políticas. Desta feita, caso o Município aplique recursos no mercado financeiro, está imune do imposto sobre operações financeiras (IOF), que é cobrado pela União Federal dos contribuintes em geral. O Estado está imune do imposto sobre a renda (IR). A União está imune do imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA).

A imunidade recíproca é extensiva às autarquias e às fundações mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. Por outro lado, as sociedades de economia mista e as empresas públicas federais não são imunes.

1

“Pois bem. Quando a não-incidência decorre de expressa disposição constitucional, que vede ao legislador ordinário competente instituir determinado tributo, alcançando certa realidade ou pessoa, estamos diante da figura da imunidade. Neste caso, a vedação – por estar contida no próprio texto da Lei Maior – apresenta-se como ‘limitação constitucional ao poder de tributar’ de que são titulares União, Estados, Distrito Federal e Municípios.” (BOTTALLO, Eduardo Domingos. Fundamentos do IPI.. São Paulo, RT, 2006, p. 107-108)

2

CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 22ª ed. São Paulo, Malheiros, 2006, p. 682.

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2 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE IMUNIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IPVA. EPTC. Imunidade tributária. Reconhecimento, no caso concreto. Juros de mora. A contar do trânsito em julgado da sentença. Correção monetária. UPF. Honorários advocatícios. Minoração. Apelo parcialmente provido. (Apelação Cível Nº 70036781946, Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Pedro Luiz Rodrigues Bossle, Julgado em 07/07/2010)

V O T O S

DES. PEDRO LUIZ RODRIGUES BOSSLE (RELATOR)

A parte autora pretende ver reconhecida a sua imunidade tributária relativa ao IPVA em face de ser empresa pública prestadora de serviço público, bem como a repetição dos valores indevidamente pagos.

Consabido que a imunidade recíproca prevista art. 150, VI, “a” e §§ 2º e 3º da CF abrange os entes federados e, tão somente, as autarquias e fundações.

Por outro lado, no que tange à questão posta nos autos, já decidiu o STF:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE RECÍPROCA. AUTARQUIA. SERVIÇO PÚBLICO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO. ATIVIDADE REMUNERADA POR CONTRAPRESTAÇÃO. APLICABILIDADE. ART, 150, §3º DA CONSTITUIÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. 1. Definem o alcance da imunidade tributária recíproca sua vocação para servir como salvaguarda do pacto federativo, para evitar pressões políticas entre entes federados ou para desonerar atividades desprovidas de presunção de riqueza. 2. É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas que prestem inequívoco serviço público, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva) e não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência). 3. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto é imune à tributação por impostos (art. 150, VI, a e §§ 2º e 3º da Constituição). A cobrança de tarifas, isoladamente considerada, não altera a conclusão. Agravo regimental conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RE 399307 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 16/03/2010, DJe-076 DIVULG 29-04-2010 PUBLIC 30-04-2010 EMENT VOL-02399-07 PP-01492)

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO. PRESENÇA DOS PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES DA TUTELA. AÇÃO CAUTELAR SUBMETIDA A REFERENDO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE RECÍPROCA. ART. 150, VI, a, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. Plausibilidade jurídica do pedido (fumus boni juris) diante do entendimento firmado por este Tribunal quando do julgamento do RE 407.099/RS, rel. Min.

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3

Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ 06.8.2004, no sentido de que as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado são abrangidas pela imunidade tributária recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. 2. Exigibilidade imediata do tributo questionado no feito originário, a caracterizar o risco de dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora). 3. Decisão cautelar referendada. (AC 1851 QO, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 17/06/2008, DJe-142 DIVULG 31-07-2008 PUBLIC 01-08-2008 EMENT VOL-02326-01 PP-00196 RTFP v. 16, n. 82, 2008, p. 301-303)

Conforme se vê da Lei Municipal nº 8.133/98 (fls. 47/59) e da Assembléia Geral de Constituição (fls. 60/71), a EPTC é uma empresa pública que tem por acionistas exclusivamente o Município de Porto Alegre e o Departamento Municipal de Limpeza Urbana, que é uma autarquia municipal, tendo por objetivo a “operação, controle e fiscalização do Sistema de Transporte Público e de Circulação – STPC, em especial a fiscalização do trânsito e a gestão da Câmara de Compensação Tarifária – CCT do serviço de transporte coletivo”.

Exsurge dos documentos juntados às fls. 221/236 (da ação de repetição de indébito) que a União tem reconhecido a imunidade recíproca em relação à requerente, em face do desempenho de serviço público em situação de monopólio econômico.

Diante disso, considerando que o serviço prestado pela EPTC é eminentemente de interesse público, executando atividades puramente administrativas, possível a aplicação da imunidade tributária recíproca, o que implica a não incidência do IPVA sobre os veículos de propriedade da empresa pública.

(...)

DESA. SANDRA BRISOLARA MEDEIROS (REVISORA) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. ARNO WERLANG (PRESIDENTE) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. ARNO WERLANG - Presidente - Apelação Cível nº 70036781946, Comarca de Porto Alegre: "DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME."

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4 Da Imunidade dos Templos de Qualquer Culto

O artigo 150, VI, “b” da CRFB/1988 estabelece que é vedado à União, aos Estados, Distrito Federal e Municípios instituir impostos sobre templos de qualquer culto. A República Federativa do Brasil, como país laico, protege a ampla liberdade de crença. Gozarão de imunidade dos templos, portanto, as igrejas católica, luterana, pentecostal, as sinagogas, os terreiros, os lares espíritas, enfim, na dicção constitucional os “templos de qualquer culto”.

O parágrafo 4º do artigo 150 da CRFB/1988, que estende a imunidade ao patrimônio, rendas e serviços relacionados com as atividades essenciais da entidade. Cumpre destacar, no entanto, que a Súmula 724 do Supremo Tribunal Federal demonstrou o atual posicionamento acerca da matéria, ao estender a imunidade aos aluguéis cobrados, relativamente às pessoas qualificadas na alínea “c” deste mesmo inciso (partidos políticos e suas fundações, entidades sindicais dos empregados, entre outras), desde que os valores sejam aplicados à atividade essencial3.

Da Imunidade dos Partidos Políticos e de suas Fundações

O artigo 150, VI, “c” da CRFB/1988 dispõe que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive de suas fundações, atendidos os requisitos da lei. Os partidos políticos, para gozarem da imunidade, devem adquirir personalidade jurídica, na forma da lei civil, bem como registrarem seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral, nos termos do que preceitua o artigo 17, parágrafo 2º, da CRFB/19884. Devem os partidos políticos e suas fundações atenderem os requisitos da lei, que, nos termos do artigo 146, II, da CRFB/1988, é matéria própria de lei complementar, por tratar de “regular as limitações constitucionais ao poder de tributar”. Assim, nos termos do artigo 14 do CTN, que tem status de lei complementar, apresentam-se os seguintes requisitos às entidades: a) não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; b) aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; c) manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

Da Imunidade das Entidades Sindicais dos Trabalhadores

Nos termos do que preceitua o artigo 150, VI, “c” da CRFB/1988, o legislador constitucional, portanto, desonerou de impostos as organizações dos empregados, estimulando a defesa coletiva de seus interesses trabalhistas. Saliente-se que não gozam de imunidade as entidades sindicais patronais, dos empregadores.

Ao vedar a instituição de imposto (espécie do gênero tributo) sobre propriedade, sobre renda ou serviços, as entidades sindicais dos trabalhadores estão imunes, por exemplo, dos impostos sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana – IPTU e do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores – IPVA. A imunidade do artigo 150, VI, “c” da CRFB/1988 não veda a instituição e cobrança de taxas, contribuições de melhoria,

3

Súmula do STF: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”.

4

CRFB/1988, art. 17, § 2º: “Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral”.

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5 contribuições sociais e empréstimos compulsórios, somente dos impostos. Para gozar da imunidade deve o sindicato atender os requisitos de lei, nos termos artigo 14 do CTN5. Da Imunidade das Instituições de Educação sem Fins Lucrativos

O artigo 150, VI, “c” da CRFB/1988 contemplou as instituições de educação sem fins lucrativos com a imunidade de impostos sobre patrimônio, rendas ou serviços, desde que atendidos os requisitos de lei.

A imunidade estimula a educação no país, desonerando as instituições voltadas ao ensino que revertam os valores recebidos à manutenção de seu patrimônio, apliquem integralmente no país os seus recursos visando seus objetivos institucionais, mantendo de forma regular a sua escrita contábil, nos termos do artigo 14 do CTN.

Não significa que não poderá ‘cobrar’ pelo serviço. Poderá ter sobras financeiras. Não poderá ocorrer ‘distribuição de lucro aos sócios’.

Pergunta-se: Se as entidades estão imunes dos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, como ficam os impostos sobre produção e consumo (ICMS, ISS e IPI)? Deve-se analisar a situação sobre dois prismas:

a) Quando a Entidade Imune é Compradora

Quando a entidade que goza de imunidade adquire bem/mercadoria para o seu uso ou consumo, aplica-se a Súmula 591 do STF, que assim preceitua, a saber: “A imunidade ou

isenção do comprador não se estende ao produtor, contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados”. Nesta hipótese, a entidade imune suporta o imposto como contribuinte “de

fato”, que lhe foi repassado pelo contribuinte “de direito”.

b) Quando a Entidade Imune é Vendedora

Por outro lado, o STF decidiu que, no caso da entidade imune fabricar ou vender bens e mercadorias, esta goza de imunidade de ICMS, IPI (imposto sobre consumo e produção) e ISS6.

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS NO MERCADO EXTERNO PARA USO PRÓPRIO. NÃO-INCIDÊNCIA DO ICMS. Nas aquisições de mercadorias do exterior, o sujeito passivo da obrigação tributária é o importador. Nesse caso, quando a entidade beneficente for a própria importadora, restará afastada a incidência do ICMS, porquanto, ao ser tributado o

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CTN, art. 14: “O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”.

6

PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 7ª ed. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2005, p. 256-257.

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6 bem importado, na prática, se estará tributando o próprio patrimônio da entidade beneficente. Os critérios infraconstitucionais de classificação dos impostos não podem ser utilizados para o fim de determinar o alcance da imunidade constitucional prevista no art. 150, inciso VI, letra a, da Constituição Federal. No caso da importação por instituição de educação e de assistência social, incide a imunidade constitucional relativamente ao ICMS, inclusive, porque a entidade, Hospital da Cidade de Passo Fundo, atende aos requisitos estabelecidos no artigo 14 do CTN: a) não distribui lucros aos seus sócios ou fundadores; b) aplica integralmente no país, em suas finalidades institucionais, os seus recursos; e c) mantém contabilidade organizada. RECURSO DESPROVIDO. (Apelação e Reexame Necessário Nº 70042648220, Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Arno Werlang, Julgado em 08/06/2011)

Da Imunidade das Instituições de Assistência Social sem Fins Lucrativos

O artigo 150, VI, “c” da CRFB/1988, também concede imunidade de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços às instituições sociais sem fins lucrativos.

As instituições sociais são aquelas voltadas aos direitos sociais, nos termos do artigo 6º da CRFB/1988, quais sejam: direito à educação, à saúde, ao trabalho, à moradia, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à infância e à assistência aos desamparados. Para o gozo dessa imunidade, devem ser atendidos os requisitos da lei, nos termos do artigo 14 do CTN, salientando que não haverá ofensa a tal dispositivo caso as instituições assistenciais venham a cobrar por seus serviços, ou mesmo tenham sobras financeiras.

Da Imunidade dos Livros, Jornais, Periódicos e o Papel Destinado à sua Impressão

O artigo 150, VI, “d” da CRFB/1988, está consagrada a imunidade dos livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão. O escopo do legislador constitucional foi elevar a cultura, a liberdade de pensamento, a informação, a comunicação, a educação e o conhecimento como valores essenciais ao desenvolvimento nacional.

Das Imunidades Especiais

Da Imunidade do ICMS

- Sobre Exportações e Serviços no Exterior

O artigo 155, § 2º, X, “a” da CRFB/1988 define que o ICMS não incidirá sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores.

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7 Cessão de Créditos de ICMS - EXPORTAÇÃO

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. TRIBUTÁRIO. ICMS. AJUIZAMENTO DE AÇÃO PARA OBTER A DECLARAÇÃO DO DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL DO ICMS. LIMITAÇÃO EXPRESSA NO REGULAMENTO DO ICMS ESTADUAL. DESCABIMENTO. É indevida a limitação ao aproveitamento que está disciplinada no Decreto n. 37.699 e impede aos cessionários a utilização integral do crédito do imposto cedido decorrente de exportação, valendo o aproveitamento e a cessão dos créditos de forma integral para as futuras operações. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. POR MAIORIA. (Apelação Cível Nº 70040201139, Vigésima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Francisco José Moesch, Julgado em 06/04/2011)

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. REEXAME NECESSÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ICMS. TRANSFERÊNCIA DO SALDO CREDOR A TERCEIROS. POSSIBILIDADE. ART. 25, §1º DA LC 87/96. NORMA DE EFICÁCIA PLENA. DESNECESSIDADE DE LEI ESTADUAL REGULAMENTADORA. Trata-se de mandado de segurança no qual a impetrante visa o reconhecimento do seu direito líquido e certo de transferência da integralidade do saldo do ICMS em cada operação de exportação, sem as limitações criadas pelo art. 58 do Decreto nº 37.699/97. A Constituição Federal, em seu art. 155, §2º, inc. II, estabelece que o ICMS será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal. Nesta esteira, a Lei Complementar nº 87/96 foi criada como forma de estimular as exportações, tendo em vista que desonera tais operações da incidência de vários tributos, como ocorre, in casu, com o ICMS. Assim, o art. 25 da referida LC juntamente com o art. 22 da Lei Estadual nº 8.820/89 tornaram possível a transferência de ICMS acumulado em decorrência de operação de exportação. É o caso dos autos. Precedente do e. STJ e precedentes do TJ/RS. Outrossim, não pode a legislação estadual restringir o direito assegurado pela norma superior, referente ao aproveitamento de ICMS acumulado em decorrência de operação de exportação, pois de eficácia plena. Tal restrição poderá decorrer tão somente de lei formal, a fim de não ser atingido o principio da legalidade, ex vi art. 26 da LC 87/96. Manutenção da sentença que determinou ao impetrado que se abstenha de vedar ou criar limitações à transferência dos créditos relativos a operações de exportação. As pessoas jurídicas de direito público são isentas do pagamento de custas processuais nos termos da Lei 13.471, de 23.06.2010 que alterou o art. 11 do Regimento das Custas (Lei 8.121/85). Excluídas as despesas judiciais, salvo as despesas com condução, por força da ADI n.º 70038755864. Sentença reformada em parte em reexame necessário APELAÇÃO DESPROVIDA. SENTENÇA REFORMADA EM PARTE EM REEXAME NECESSÁRIO. (Apelação e Reexame Necessário Nº 70030564223, Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Niwton Carpes da Silva, Julgado em 15/12/2011)

PRECATÓRIO

Ementa: EMBARGOS INFRINGENTES. DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de precatório judicial com débito fiscal somente se mostra possível quando existente lei estadual autorizativa. Portanto, tendo o artigo 2° da Lei 11.472/00, o qual autorizava a compensação, sido revogado pela Lei 12.290/04, é inviável a utilização de precatórios de

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8 terceiros para fins de extinção de créditos inscritos em dívida ativa, pois ausente legislação estadual. No caso, ainda se trata de precatórios do IPERGS, pessoa distinta do Estado, o que também impede a compensação. Precedente do Colendo STJ. Embargos acolhidos. (Embargos Infringentes Nº 70046789426, Primeiro Grupo de Câmaras Cíveis, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Maraschin dos Santos, Julgado em 09/03/2012)

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ICMS. CRÉDITOS PRECATÓRIOS DECORRENTES DE PRECATÓRIOS CEDIDOS POR TERCEIROS. AUSÊNCIA DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. Trata-se de ação ordinária, objetivando a compensação de créditos tributários de valores provenientes de precatórios cedidos por terceiros, através de escritura pública, com débitos de ICMS, julgada procedente na origem. O art. 170 do CTN assegura a possibilidade de compensação de créditos tributários líquidos e certos, vencidos ou vincendos, desde que haja lei expressa regulamentando a referida compensação, o que inexiste no caso dos autos. Precedentes do e. STJ e do TJ/RS. Sentença reformada. APELAÇÃO PROVIDA E SENTENÇA REFORMADA EM REEXAME NECESSÁRIO. (Apelação e Reexame Necessário Nº 70029757002, Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Niwton Carpes da Silva, Julgado em 15/12/2011)

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. TRIBUTÁRIO. CAUTELAR. ART. 829, DO CPC. CAUÇÃO ANTECIPATÓRIA DA PENHORA. Tem direito à certidão de regularidade fiscal o sujeito passivo que oferece bens em garantia à Fazenda Pública, na forma do art. 829, do CPC, a fim de garantir a penhora na futura execução fiscal. Inteligência do art. 206, do CTN. Precedentes desta Corte e do STJ. Precatório expedido contra autarquia previdenciária estadual possui liquidez, e, portanto, se presta a garantir débito fiscal. Prova da cessão e do pedido de habilitação juntada aos autos. A Fazenda pode recusar a substituição da penhora sobre precatórios (S. 406, do STJ), desde que tal seja motivada. No caso, inexiste razão para que a Fazenda recuse precatório do próprio Estado e/ou de suas autarquias, até mesmo porque não é hipótese de substituição. APELO PROVIDO. VOTO VENCIDO. (Apelação Cível Nº 70046511077, Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Roberto Lofego Canibal, Julgado em 15/02/2012)

- Sobre Operações de Combustíveis e Energia Elétrica que se Destinem a Outros Estados

O ICMS não incidirá sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados e energia elétrica, conforme preceitua o artigo 155, § 2º, X, “b” da CRFB/1988.

- Na Comunicação e Radiodifusão Livre e Gratuita

Nos termos do artigo 155, § 2º, X, “d” da CRFB/1988, o ICMS não incidirá sobre as prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita.

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9

ISENÇÃO

A isenção, consoante previsão do art. 176 do CTN, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.

Muitos doutrinadores afirmam a contradição legal estabelecida pelo CTN ao prever a isenção como forma de extinção do crédito tributário, isto porque a exclusão evita a própria constituição do crédito, ou seja, a isenção atua, se analisado o plano cronológico, em momento anterior à própria constituição do crédito.

Em que pese as fundamentadas críticas, trata-se a isenção, por questão de fidelidade ao texto legal, como causa de exclusão do crédito tributário. Ressalte-se que submetida ao império da legalidade, a isenção não poderá ser concedida simplesmente por decreto do Chefe do Poder Executivo, carecendo de fundamento legal.

A lei isentiva pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares, nos termos do parágrafo único do art. 176 do CTN. Esta ressalva é verdadeira exceção ao princípio da uniformidade geográfica, é reflexo da exceção prevista no referido princípio pelo próprio ordenamento constitucional na parte final do art. 151, I7. Na prática, verificam-se diversas regiões do território brasileiro, em especial a região nordeste, obtendo cotidianamente uma série de incentivos e benefícios fiscais visando o incremento e desenvolvimento sócio-econômico.

Salvo disposição de lei em contrário, esta forma de exclusão do crédito tributário não é extensiva às taxas, contribuições de melhoria e aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão, a teor do art. 177 do CTN.

Forte no art. 178 do CTN, a isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo. Assim, busca o texto legal conferir segurança jurídica nas relações, devendo a administração respeitar o prazo determinado e previsto da norma de isenção, não comportando sua revogação.

Quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão, conforme art. 179 do CTN.

Ressalte-se que, mesmo estando prevista contratualmente, a isenção deverá ser veiculada por lei, em total respeito ao princípio da legalidade, porque o ente tributante pode realizar contratos administrativos prevendo a instituição de isenção, como ocorre quando se deseja atrair grandes investimentos. Tal benefício, entretanto, somente terá força no âmbito do direito tributário se veiculado por lei. O despacho que confere a isenção não gera direito adquirido, aplicando-se o disposto no art. 155 do CTN no que tange à revogação da moratória.

Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho que concede a isenção em caráter individual será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção.

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CRFB/1988, art. 151, I: “É vedado à União: I – instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”.

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10 ISENÇÃO HETERÔNOMA

Em tese, vedada pelo ordenamento.

A União Federal, não poderá dar isenção de tributos estaduais, municipais e distritais. CF/88 - Art. 151. É vedado à União:

III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.

"A questão tem que ver com as isenções denominadas heterônomas — CF, art. 151, III — isenções concedidas por lei de pessoa pública que não é titular da competência para instituir o tributo. A isenção heterônoma não é, de regra, admitida pela Constituição: art. 151, III. As custas e emolumentos constituem espécie tributária, são taxas, é da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Essas taxas são do Estado-Membro.

Proibida estaria a União, em conseqüência, de estabelecer isenções quanto a essas

taxas. Ter-se-ia, no caso, isenção heterônoma, vedada pela Constituição, art. 151, III." (ADC 5-MC, Rel. Min. Nelson Jobim, voto do Min. Carlos Velloso, julgamento em 17-11-99, DJ de 19-9-03)

Discussão acerca da possibilidade de isenção heterônoma quando o Presidente firma tratados internacionais.

E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – GASODUTO BRASIL- -BOLÍVIA – ISENÇÃO DE TRIBUTO MUNICIPAL (ISS) CONCEDIDA PELA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL MEDIANTE ACORDO BILATERAL CELEBRADO COM A REPÚBLICA DA BOLÍVIA – A QUESTÃO DA ISENÇÃO DE TRIBUTOS ESTADUAIS E/OU MUNICIPAIS OUTORGADA PELO ESTADO FEDERAL BRASILEIRO EM SEDE DE CONVENÇÃO OU TRATADO INTERNACIONAL - POSSIBILIDADE CONSTITUCIONAL – DISTINÇÃO NECESSÁRIA QUE SE IMPÕE, PARA ESSE EFEITO, ENTRE O ESTADO FEDERAL BRASILEIRO (EXPRESSÃO INSTITUCIONAL DA COMUNIDADE JURÍDICA TOTAL), QUE DETÉM “O MONOPÓLIO DA PERSONALIDADE INTERNACIONAL”, E A UNIÃO, PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO (QUE SE QUALIFICA, NESSA CONDIÇÃO, COMO SIMPLES COMUNIDADE PARCIAL DE CARÁTER CENTRAL) - NÃO INCIDÊNCIA, EM TAL HIPÓTESE, DA VEDAÇÃO ESTABELECIDA NO ART. 151, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CUJA APLICABILIDADE RESTRINGE-SE, TÃO SOMENTE, À UNIÃO, NA CONDIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. - A cláusula de vedação inscrita no art. 151, inciso III, da Constituição - que proíbe a concessão de isenções tributárias heterônomas - é inoponível ao Estado Federal brasileiro (vale dizer, à República Federativa do Brasil), incidindo, unicamente, no plano das relações institucionais domésticas que se estabelecem entre as pessoas políticas de direito público interno. Doutrina. Precedentes. - Nada impede, portanto, que o Estado Federal brasileiro celebre tratados internacionais que veiculem cláusulas de exoneração tributária em matéria de tributos locais (como o ISS, p. ex.), pois a República Federativa do Brasil, ao exercer o seu treaty-making power, estará praticando ato legítimo que se inclui na esfera de suas prerrogativas como pessoa jurídica de direito internacional público, que detém - em face das unidades meramente federadas - o monopólio da soberania e da personalidade internacional. - Considerações em torno da natureza político-jurídica do Estado Federal. Complexidade estrutural do modelo federativo. Coexistência, nele, de comunidades jurídicas parciais rigorosamente parificadas e coordenadas entre si, porém subordinadas, constitucionalmente, a uma ordem jurídica total. Doutrina.

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11 (RE 543943 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 30/11/2010, DJe-030 DIVULG 14-02-2011 PUBLIC 15-02-2011 EMENT VOL-02464-02 PP-00469)

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO ADMINISTRATIVO. EXTINÇÃO. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. MUNICÍPIO CREDOR. ARTS. 26 E 39 DA LEI Nº 6.830/80. CUSTAS DEVIDAS. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA. ESTADOS-MEMBROS. INSTITUIÇÃO DE TAXAS. NATUREZA DE TAXA DAS CUSTAS E EMOLUMENTOS. VEDAÇÃO DE ISENÇÃO HETERÔNOMA. Havendo extinção do feito executivo em razão do pagamento extrajudicial do débito ajuizado, antes mesmo da citação pessoa do executado, deve aquele que deu causa à demanda, no caso, o credor, arcar com os ônus sucumbenciais (art. 20 do CPC). A competência tributária é rígida e estanque, e é exercida por cada ente da Federação. No que respeita às taxas cada ente federado pode instituir e cobrar sobre seus serviços e sobre seu poder de polícia (CF, art. 145, II). As custas e emolumentos além da taxa judiciária são tributos da espécie taxa. Precedentes do STF. Além da discriminação e limitação positiva da competência tributária na Constituição, há também a delimitação negativa da competência da União em relação aos demais entes federados (CF, art. 151, III), sendo vedada a chamada exoneração heterônoma. De tudo decorre que a União não pode conceder isenção de tributos estaduais, tais como a taxa judiciária, as custas e os emolumentos. Somente o próprio ente tributante é que pode conceder exoneração tributária, pois quem é competente para tributar é competente para exonerar, princípio que decorre da discriminação constitucional de competências tributárias. Os arts. 26 e 29 da LEF não têm efeito em relação aos tributos (custas, emolumentos e taxa judiciária) estaduais, tendo eficácia apenas em relação aos tributos da União, relativamente à Justiça Federal e à Justiça Trabalhista. Assim, a Fazenda Municipal não está dispensada do pagamento de custas, emolumentos e taxa judiciária devidos ao Estado. Essa situação não se confunde com a assistência judiciária gratuita, e nem com a assistência judiciária integral e gratuita, que são serviços públicos que devem ser prestados gratuitamente pelo Poder Público, em relação aos quais a própria Constituição Federal, por disposição do poder constituinte originário, concedeu imunidade tributária. APELO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70022922173, Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Adão Sérgio do Nascimento Cassiano, Julgado em 04/06/2008)

Verdadeira imunidade e não isenção

CF/88 - Art. 195. § 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.

Aprofundamento – Jurisprudência – Questões Imunidade - Impostos

"A imunidade tributária recíproca — CF, art. 150, VI, a — somente é aplicável a impostos, não alcançando as taxas." (RE 364.202, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 3-10-04, DJ de 28-10-04)

Imunidade Recíproca

“A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária - INFRAERO está abrangida pela imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, VI, a, da CF (...), haja vista tratar-se de empresa pública federal que tem por atividade-fim prestar serviços de infra-estrutura aeroportuária, mediante outorga

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da União, a quem constitucionalmente deferido, em regime de monopólio, tal encargo (CF, art. 21, XII, c). Com base nesse entendimento, a Turma manteve decisão monocrática do Min. Celso de Mello que negara provimento a recurso extraordinário, do qual relator, em que o Município de Salvador pleiteava a incidência do ISS sobre a atividade desempenhada pela ora agravada. Precedentes citados: RE 265.749 (DJ de 2-2-2007); RE 357.291 (DJ de 2-6-2006); RE 407.099 (DJ de 6-8-2004).” (RE 363.412-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 7-8-07, Informativo 475 ). “IPTU. Imunidade tributária recíproca dos entes políticos. Extensão às Autarquias. (...) A imunidade tributária recíproca dos entes políticos, prevista na alínea a do inciso VI do art. 150 da Magna Carta, "é extensiva às autarquias, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes". Precedentes: AI 495.774-AgR, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, e os RE's 212.370- AgR, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence; e 220.201, Relator o Ministro Moreira Alves.” (AI 469.768-AgR, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 20-6-06, DJ de 29-9-06)

“Constitucional. Tributário. Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA). Imunidade recíproca. Empresa brasileira de correios e telégrafos (ECT). Exame da índole dos serviços prestados. diferenciação entre serviços públicos de prestação obrigatória e serviços de índole econômica. Art. 150, VI, a, e § 3º da Constituição. Em juízo cautelar, reputa-se plausível a alegada extensão da imunidade recíproca à propriedade de veículos automotores destinados à prestação de serviços postais.” (ACO 765-AgR, Rel. p/ o ac. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 5-10-06, DJ de 15-12-06). No mesmo sentido: RE 437.889, Rel. Min. Carlos Velloso,julgamento em 14-12-04, DJ de 18-2-05; RE 407.099, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 22-6-04, DJ de 6-8-04.”

“Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) goza de imunidade recíproca. STF, RE 407099/RS”

INFORMATIVO Nº 546 TÍTULO

ECT: IPVA e Imunidade Tributária

ARTIGO

Na linha da orientação firmada no julgamento da ACO 959/RN (DJE de 16.5.2008), no sentido de que a norma do art. 150, VI, a, da CF alcança as empresas públicas prestadoras de serviço público, o Tribunal, por maioria, julgou procedente pedido formulado em ação cível originária proposta pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT contra o Estado do Rio de Janeiro, para afastar a cobrança do IPVA, bem como as sanções decorrentes da inadimplência do tributo. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Ricardo Lewandowski, que julgavam o pleito improcedente, por reputarem inaplicável, à autora, a imunidade recíproca, haja vista ser ela empresa pública com natureza de direito privado que explora atividade econômica. Vencido, parcialmente, o Min. Joaquim Barbosa, que julgava o pedido procedente em parte. Em seguida, o Tribunal, também por votação majoritária, resolveu questão de ordem, suscitada pelo Min. Menezes Direito, para autorizar os Ministros a decidirem, monocrática e definitivamente, nos termos da decisão desta ação cível originária, recursos e outras causas que versem sobre o mesmo tema. Vencido, no ponto, o Min. Marco Aurélio. ACO 765/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Menezes Direito, 13.5.2009. (ACO-765)

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13 ADI 3089 / DF - DISTRITO FEDERAL

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. CARLOS BRITTO

Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA

Julgamento: 13/02/2008 Órgão Julgador: Tribunal Pleno

REQTE.(S): ASSOCIAÇÃO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DO BRASIL - ANOREG/BR

ADV.(A/S): FREDERICO HENRIQUE VIEGAS DE LIMA E OUTRO(A/S) REQDO.(A/S): PRESIDENTE DA REPÚBLICA

ADV.(A/S): ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO REQDO.(A/S): CONGRESSO NACIONAL

Ementa

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ITENS 21 E 21.1. DA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISSQN SOBRE SERVIÇOS DE REGISTROS PÚBLICOS, CARTORÁRIOS E NOTARIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada contra os itens 21 e 21.1 da Lista Anexa à Lei Complementar 116/2003, que permitem a tributação dos serviços de registros públicos, cartorários e notariais pelo Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN. Alegada violação dos arts. 145, II, 156, III, e 236, caput, da Constituição, porquanto a matriz constitucional do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza permitiria a incidência do tributo tão-somente sobre a prestação de serviços de índole privada. Ademais, a tributação da prestação dos serviços notariais também ofenderia o art. 150, VI, a e §§ 2º e 3º da Constituição, na medida em que tais serviços públicos são imunes à tributação recíproca pelos entes federados. As pessoas que exercem atividade notarial não são imunes à tributação, porquanto a circunstância de desenvolverem os respectivos serviços com intuito lucrativo invoca a exceção prevista no art. 150, § 3º da Constituição. O recebimento de remuneração pela prestação dos serviços confirma, ainda, capacidade contributiva. A imunidade recíproca é uma garantia ou prerrogativa imediata de entidades políticas federativas, e não de particulares que executem, com inequívoco intuito lucrativo, serviços públicos mediante concessão ou delegação, devidamente remunerados. Não há diferenciação que justifique a tributação dos serviços públicos concedidos e a não-tributação das atividades delegadas. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida, mas julgada improcedente.

Imunidade Templo de Qualquer Culto

RE 578562 / BA - BAHIA RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. EROS GRAU

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14

RECTE.(S): SOCIEDADE DA IGREJA DE SÃO JORGE E CEMITÉRIO BRITÂNICO ADV.(A/S): JOSÉ FERNANDO TOURINHO JÚNIOR E OUTRO(A/S)

RECDO.(A/S): MUNICÍPIO DE SALVADOR ADV.(A/S): PEDRO GORDILHO

Ementa

EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IPTU. ARTIGO 150, VI, "B", CB/88. CEMITÉRIO. EXTENSÃO DE ENTIDADE DE CUNHO RELIGIOSO. 1. Os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso estão abrangidos pela garantia contemplada no artigo 150 da Constituição do Brasil. Impossibilidade da incidência de IPTU em relação a eles. 2. A imunidade aos tributos de que gozam os templos de qualquer culto é projetada a partir da interpretação da totalidade que o texto da Constituição é, sobretudo do disposto nos artigos 5º, VI, 19, I e 150, VI, "b". 3. As áreas da incidência e da imunidade tributária são antípodas. Recurso extraordinário provido.

INFORMATIVO Nº 507 TÍTULO

Imunidade Tributária: Cemitérios e Extensões de Entidades de Cunho Religioso

ARTIGO

O Tribunal deu provimento a recurso extraordinário interposto pela Sociedade da Igreja de São Jorge e Cemitério Britânico contra acórdão da Câmara Cível Especializada do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia que entendera que a imunidade tributária prevista no art. 150, VI, b, da CF não se aplicaria aos cemitérios, porque estes não poderiam ser equiparados a templos de culto algum. Distinguindo a situação dos cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso da daqueles que são objeto de exploração comercial por empresas que alugam ou vendem jazigos, asseverou-se que apenas a primeira hipótese estaria abrangida pela aludida imunidade tributária. Considerou-se que o cemitério analisado seria uma extensão da capela destinada ao culto da religião anglicana, situada no mesmo imóvel, e que a recorrente seria uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, titular do domínio útil desse imóvel, dedicada à preservação da capela, do cemitério e dos jazigos, bem assim do culto da religião anglicana professada nas suas instalações. Reportou-se ao que decidido no RE 325822/SP (DJU de 14.5.2004), no sentido de que a imunidade do art. 150, VI, b, da CF contemplaria não apenas os prédios destinados ao culto, mas o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades mencionadas nesse preceito, e que a regra do seu § 4º serviria de vetor interpretativo dos textos das alíneas b e c do seu inciso VI. Assim, tendo em conta tratar-se, na espécie, de mesmo imóvel, parcela do patrimônio da recorrente, entendeu-se que o cemitério seria alcançado pela garantia contemplada no art. 150, a qual seria desdobrada do disposto nos artigos 5º, VI e 19, I, todos da CF. Aduziu-se, ao final, que a imunidade dos tributos, de que gozam os templos de qualquer culto, é projetada a partir da proteção aos locais de culto e a suas liturgias e da salvaguarda contra qualquer embaraço ao seu funcionamento. Daí, da interpretação da totalidade que o texto da Constituição é, sobretudo dos referidos artigos, concluiu-se que, no caso, o IPTU não incidiria. RE 578562/BA, rel. Min. Eros Grau, 21.5.2008. (RE-578562)

Imunidade Sindicatos

"Sindicato. Colônia de férias. Inexistência de imunidade tributária por não ser o patrimônio ligado às finalidades essenciais do sindicato. Recurso extraordinário: descabimento. É da jurisprudência do Supremo Tribunal que no recurso extraordinário devem ser considerados os fatos da causa ‘na versão do acórdão recorrido’. Afirmado pelo acórdão recorrido que a colônia de férias não é destinada às finalidades essenciais do sindicato, para se chegar a entendimento diverso seria

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necessário o reexame dos fatos e das provas, inadmissível no recurso extraordinário (Súmula 279)." (RE 245.093-AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14-11-06, DJ

de 7-12-06)

Imunidade Assistência Social

“A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários.” (SÚM. 730)

QUESTÕES

01. Assinalar a alternativa correta. (Marque V ou F)

( ) As sociedades de economia mista estão albergadas pela imunidade tributária recíproca das entidades públicas concernente a patrimônio, renda ou serviços uns dos outros.

02. (20° Concurso Procurador da República) A imunidade tributária do patrimônio e renda das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, C):

a) alcança a renda de qualquer natureza e em qualquer circunstância;

b) se aplica para afastar a incidência do IPTU sobre imóveis de propriedade dessas instituições, ainda quando alugados a terceiros;

c) na hipótese da alínea anterior (B) desde que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades;

d) na hipótese das alíneas anteriores (B e C), não incide a imunidade tributária porque a natureza do imposto é real.

Juiz de Direito PR

03. ( ) É objeto de súmula no Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a imunidade do contribuinte de fato não beneficia o contribuinte de direito.

04. ( ) Segundo jurisprudência sumulada do STF, os imóveis alugados das entidades de assistência social imunes continuam imunes ao IPTU, desde que o produto dos alugueres sejam integralmente aplicados na sua atividade essencial.

05. PGE-RS – Relativamente às imunidades e às isenções, é correto afirmar que:

a) As imunidades se caracterizam como limitações positivas ao poder de tributar e por isso admitem interpretação ampla, enquanto que as isenções se caracterizam como dispensa legal do tributo, e por isso são interpretadas restritivamente.

b) As imunidades se caracterizam como hipóteses de não incidência constitucionalmente qualificadas e por isso são interpretadas literalmente, enquanto que as isenções se caracterizam como dispensa legal do tributo e por isso são interpretadas restritivamente.

c) As imunidades se caracterizam como hipóteses de não incidência e por isso não admitem interpretação ampla, enquanto que as isenções se caracterizam como dispensa legal do tributo e por isso são interpretadas restritivamente.

d) As imunidades se caracterizam como hipóteses de não incidência constitucionalmente qualificadas e são interpretadas literalmente, enquanto que as isenções se caracterizam como hipóteses de não incidência qualificada e por isso não admitem interpretação restritiva.

e) As imunidades operam no plano da definição de competências e por isso são interpretadas segundo os valores constitucionalmente relevantes, enquanto que as isenções operam no plano do exercício da competência e por isso são interpretadas restritivamente.

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16

06. Na hipótese de uma entidade Imune adquirir determinados produtos:

a) O vendedor dos produtos será beneficiado indiretamente, pois a carga tributária será reduzida. b) Na operação não haverá a incidência do imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços. c) A imunidade ou isenção do vendedor não se estende ao comprador, contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados

d) A entidade imune suporta o imposto como contribuinte “de fato”, que lhe foi repassado pelo contribuinte “de direito”.

e) A entidade imune não suportará o imposto como contribuinte “de fato”, em virtude do benefício legal conferido ao contribuinte “de direito”.

07. PGE – PR

Dentre as alternativas abaixo, aponte aquela que estiver correta: a) somente os impostos são classificados como tributos vinculados;

b) as taxas são tributos que podem ser instituídos tanto em razão do exercício do poder de polícia quanto somente pela efetiva utilização de serviços públicos específicos e divisíveis;

c) as contribuições de melhoria são classificadas como tributos não vinculados porque não decorrem da utilização de serviços públicos, específicos e divisíveis, e sim de obras públicas; d) compete à União, Estados, Distrito Federal e Municípios, instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas;

e) n. d. a.

Juiz de Direito - RS

08. À luz das disposições em vigor da Constituição Federal com relação ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, é correto afirmar que

(A) sua isenção implica crédito para compensação com o montante devido nas operações seguintes,

salvo determinação em contrário da legislação.

(B) é vedada a adoção de alíquotas diferenciadas, em função da essencialidade dos produtos. (C) não incide sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento dos créditos relativos às operações e prestações anteriores. (D) não incide sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, dependendo a manutenção e o aproveitamento dos créditos relativos às operações e prestações anteriores de autorização para tanto na legislação estadual.

(E) não incide sobre operações que destinem produtos industrializados para o exterior, excluídos os semielaborados definidos em lei complementar.

Referências

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