Gestão da Tecnologia em uma Rede de P&D - A Rede de Catálise do Norte/Nordeste.

Texto

(1)

Gestão da Tecnologia em uma Rede de P&D - A Rede de Catálise do Norte/Nordeste. Autoria: Ciomara Lobo Matos, Francisco Passos Uchôa, Armando Alberto da Costa Neto Resumo

A Petrobrás, em trabalho conjunto com universidades de regiões de interesse para a empresa, tem-se empenhado na formação de redes de P&D para inovar ou melhorar processos produtivos do setor de petróleo e gás, especialmente aqueles baseados em reações catalíticas. A Rede de Catálise do Norte e Nordeste (RECAT) é uma dessas redes, formada por universidades e instituições, atualmente com 23 projetos dedicados, em sua maioria, ao estudo da purificação de correntes de refino, melhoria ambiental, produção de hidrogênio e pilhas combustíveis. Evidências indicam que para a obtenção de resultados nesses projetos faz-se necessária a promoção de esforços de natureza organizacional, sem os quais, grande parte da energia despendida será desperdiçada por falta de sinergia entre os atores, resultando em disfunções que causariam atrasos em cronogramas, elevação de custos e, mais grave ainda, o não atingimento das metas e resultados de inovação pretendidos. Este trabalho apresenta o

Sistema de Gestão da Tecnologia (GETEC) que foi proposto à RECAT, cuja

implementação e aperfeiçoamento vêm ocorrendo em paralelo com os trabalhos de pesquisa realizados, na medida da alavancagem da curva de aprendizagem organizacional da rede; bem como define e analisa seus elementos e os resultados obtidos na evolução deste sistema.

1. Introdução

O Centro de Pesquisas da Petrobrás (CENPES) e demais órgãos da empresa vêm criando inúmeros programas tecnológicos desde 1993. Esses programas consistem numa série de projetos de P&D e de engenharia, alinhados sob a forma de redes que, através de pesquisas, buscam a identificação de problemas e necessidades, o acompanhamento e avaliação de inovações tecnológicas no país e no exterior, e a realização de estudos em laboratórios e plantas-piloto que reproduzem situações reais. Cada projeto é composto por uma ou mais universidades-âncora, que devem completar ou suprir as pesquisas necessárias, estabelecer cursos de pós-graduação e graduação e/ou sub-redes de pesquisa que ofereçam o devido suporte aos trabalhos da Petrobrás. Além das universidades, tais projetos contam com a participação de algumas empresas, que funcionam como “laboratórios”, para a definição de novos produtos, processos, equipamentos e softwares, bem como para o estudo das reações do mercado às inovações implementadas. Também o Governo Federal, em articulação com vários órgãos federais, estaduais e municipais, pode interagir com os referidos projetos, por meio do aporte de recursos e da viabilidade da ligação entre universidades e a empresa. Neste sentido, a aproximação da academia com a indústria do petróleo, reforçada a partir da presença de representantes das empresas nos mencionados estudos, permite a geração de mútua confiança e a identificação de projetos de pesquisa relevantes tanto para as empresas como para as universidades e, principalmente, para o mercado e para o meio ambiente.

O presente trabalho está composto desta introdução, seguida de mais sete seções que descrevem as atividades da Rede de Catálise do Norte/Nordeste (RECAT), com foco no projeto de Sistema de Gestão da Tecnologia (GETEC). A segunda seção descreve o conceito de redes e algumas vantagens do trabalho em redes, particularmente para atividades de P&D. A terceira seção faz uma descrição geral da RECAT e seus projetos. Na quarta, são descritos o projeto de Sistema de Gestão da Tecnologia integrante da RECAT, suas justificativas e os cinco elementos estruturais que o compõem. A seção seis traz a metodologia de trabalho

(2)

prevista para acionar o sistema de gestão; e, por fim, a sétima seção apresenta as contribuições pretendidas e os resultados já apurados com os esforços para implementação do sistema de gestão da tecnologia da RECAT.

2. O Trabalho em Redes

Segundo Olivieri (2003), as redes são “sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições, de forma democrática e participativa, em torno de causas afins. Sendo estruturas flexíveis e estabelecidas horizontalmente, as dinâmicas de trabalho das redes supõem atuações colaborativas e se sustentam pela vontade e afinidade de seus integrantes, caracterizando-se como um significativo recurso organizacional para a estruturação social". A palavra rede é bem antiga e vem do latim RETIS, significando o entrelaçamento de fios com aberturas regulares que formam uma espécie de tecido. A partir da noção de entrelaçamento, malha e estrutura reticulada, a palavra rede foi ganhando novos significados ao longo dos tempos, passando a ser empregada em diferentes situações. O conceito de rede, conforme Castells (2000) é definido como um “conjunto de nós interconectados”, partindo da idéia de que nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta.

As Redes estão em todo lugar. Falamos de redes celulares, de redes neurais artificiais, de redes sociais, de redes organizacionais, de sociedade-rede, de empresa-rede, de marketing-de-rede, de trabalho em marketing-de-rede, de rede de redes. As cadeias de lojas, bancos, lanchonetes e supermercados são considerados redes.

As facilidades urbanas e os serviços que suportam a sociedade contemporânea são todos apresentados como redes: as malhas ferroviária e rodoviária, o sistema de distribuição de energia elétrica, o sistema de fornecimento de água, os serviços de telecomunicações, o sistema de segurança pública, os serviços de saúde e os postos de atendimento das várias organizações governamentais. Isso sem falar das redes de computadores: pequenas redes de escritório, sistemas peer-to-peer, a World Wide Web e a Internet. A figura da rede é a imagem mais usada para designar ou qualificar sistemas, estruturas ou desenhos organizacionais caracterizados por uma grande quantidade de elementos (pessoas, pontos-de-venda, entidades, equipamentos etc.) dispersos espacialmente e que mantêm alguma ligação entre si.

Partindo das informações já expostas, percebe-se que o conceito de redes está sendo amplamente difundido e aplicado, constituindo uma base relevante para ações de fomento, para elaboração de programas tecnológicos e de políticas públicas.

Desde a década de 80, o processo de mudança tecnológica tem apresentado tendência ao aumento de cooperações entre diversas organizações e entre organizações e universidades. Segundo Arora e Gambardella (1990), dentre as razões identificadas para esta tendência, destacam-se a alta velocidade das descobertas, o curto ciclo de vida dos produtos, o aumento considerável nos custos de P&D, bem como os riscos envolvidos nas inovações implementadas. Além destes fatores, afirmam Pisano (1991) e Gibbons et al (1994), estas cooperações são atraentes por reduzirem custos, incertezas e riscos.

A organização de instituições diversas através de redes cooperativas não é um fenômeno novo, já que conforme Freeman (1991) estas interações sempre existiram. Na realidade, a novidade nestas cooperações reside na utilização destas redes como estruturas analíticas voltadas para o desenvolvimento e implementação de inovações tecnológicas.

(3)

As redes de cooperação envolvendo universidades e empresas apresentam importantes vantagens para ambos. Tradicionalmente, as universidades possuem três missões básicas: a perseguição da geração de conhecimento, a instrução e a extensão daquele bem. Além disto, a ligação com as indústrias pode representar fontes de renda significativas para as universidades. Para as empresas, as redes, a partir de sua estrutura descentralizada e flexível, parecem mais adequadas ao tratamento das características complexas que compõem as mudanças tecnológicas do que às tradicionais atividades verticalmente integradas da rotina. A inovação origina-se do contato e da troca de informações, e não apenas da P&D formal. A qualidade do contato, bem como a qualidade da comunicação, frequentemente baseadas na colaboração informal, definem o sucesso da interação e do trabalho entre os integrantes da rede. Embora as redes possam apresentar-se sob as mais variadas formas – de acordo com os recursos empregados, as características de seus participantes, seus objetivos e relacionamentos – estas articulações ocorrem em três dimensões básicas: a espacial; a organizacional e a de conhecimento.

As redes espaciais são definidas a partir do ambiente demográfico, que funciona como fator determinante de seus limites e de sua natureza. Os arranjos produtivos locais são exemplos de redes espaciais. As redes organizacionais são caracterizadas a partir da natureza jurídica dos agentes (atores) envolvidos na rede. São, normalmente, redes de empresas ou instituições com algum interesse comum que transcende a sua localização espacial. Os acordos, contratos e empreendimentos de risco entre empresas exemplificam as redes organizacionais.

Finalmente, as redes de conhecimento são definidas a partir da busca e geração coletivas de conhecimentos científicos e tecnológicos e, possivelmente, pela sua aplicação industrial. Ressalta-se, entretanto, que estas dimensões não impedem a identificação de redes que apresentem características combinadas destas três dimensões.

Segundo os critérios de classificação, definidos nos parágrafos anteriores, a rede RECAT apresenta-se como uma rede de conhecimentos, pois reúne o esforço combinado de várias universidades e empresas em torno de um tema e aplicação comuns: a catálise no setor de petróleo e gás natural, a partir de conhecimentos complementares.

3. A RECAT e seus projetos

A Rede de Catálise do Norte/Nordeste – RECAT – é um projeto de pesquisa cooperativo, voltado para a inovação e melhoria dos processos de produção do setor de petróleo e gás natural, a partir das reações catalíticas. A rede foi organizada para funcionar como um “conjunto de capacitações”, atuando na síntese, desenvolvimento, caracterização e avaliação de catalisadores e adsorventes, modelagem e simulação de reações e otimização de processos industriais catalíticos, estando apta inclusive para o desenvolvimento de trabalhos nas áreas de catalisadores mássicos, suportados e metálicos, peneiras moleculares, materiais nanoporosos, óxidos e sulfetos, argilas, polímeros, catálise homogênea, catálise ambiental, catálise computacional, engenharia das reações químicas, processos catalíticos ou de adsorção, foto e eletrocatálise.

A RECAT é fruto da articulação de diversos parceiros em torno do tema “catálise”, contando com a participação de praticamente todos os grupos de catálise das universidades do Norte e Nordeste, com a colaboração de empresas do setor do petróleo, de universidades de fora do

(4)

norte/nordeste, da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat), de organizações estaduais (FIEB e CADCT) e com a consultoria de profissionais da catálise no país (INT, USP, UFRJ/COPPE, UFSCar) e no exterior.

A relevância da formação desta rede cooperativa prende-se à característica multidisciplinar intrínseca à “Ciência da Catálise” e de sua importância para o avanço científico e tecnológico no setor de petróleo e gás natural. A rede possibilita a organização de competências existentes nas regiões norte e nordeste do país, envolvendo centros de pesquisa, universidades e empresas e permitindo a adesão de novas instituições, pesquisadores, colaboradores e consultores. O catalisador e sua ação na transformação das matérias-primas em produtos representa a principal diferenciação tecnológica dos processos químicos voltados para a indústria de petróleo e gás natural. O reator catalítico é o “coração” do processo, no qual se encontra o gargalo tecnológico e nossa maior dependência de tecnologias estrangeiras, verificando-se a necessidade do acompanhamento do estado da arte da tecnologia de seus processos produtivos como condição estratégica na decisão de novos investimentos, no aumento de produção e na competitividade. Diante disto, urge otimizar os processos produtivos catalíticos, agindo-se sobre os mesmos, de modo a articular a cadeia produtiva como um todo, repensando-se os próprios produtos.

Os parceiros que compõem a RECAT apresentam diferentes experiências, potenciais, históricos, políticas e estágios de desenvolvimento em relação à Ciência e Tecnologia, mas independentemente destas diferenças, todos buscam interagir fortemente visando o desenvolvimento tecnológico para a contínua melhoria dos processos de produção, qualidade, competitividade e preservação ambiental.

A Rede de Catálise do Norte/Nordeste reúne aproximadamente 16 universidades e 55 doutores formados em diversas partes do país e no exterior, sendo apoiada por diversas empresas e instituições da região (FIEB/IEL; CADCT; CEPED; CETIND; RELAM; FAFEN; COPENE; OXITENO; LUBNOR; PETROBRAS). Conta ainda com a colaboração de três universidades e um instituto do sudeste do país (UFSCar; USP; Coppe/UFRJ; INT). Todo este manancial de capacitações reunidas em uma de uma rede cooperativa apresenta as condições favoráveis a ações tecnológicas relevantes no setor de petróleo e gás natural. A Tabela 1 apresenta os projetos que compõem a Rede de Catálise do Norte Nordeste e as suas respectivas instituições, conforme o período de aprovação.

Tabela 1: Relação dos Projetos que integram a RECAT.

Aprovação Título do Projeto Cooperativo Instituição

Desenvolvimento de células combustíveis. UFBA

Novos catalisadores para processos de fcc. UFRN

Remoção de enxofre em combustíveis através de processos de

adsorção. UFPE

Dessulfurização oxidativa de frações do petróleo. UFBA Estudo sobre preparação de catalisadores de "low temperature shift"

para baixa produção de metanol. UNIT

Projetos 2001

(5)

visando a melhoria de qualidade da gasolina.

Hidrogenação de aromáticos em diesel, na presença de

contaminantes sulfurados e nitrogenados. UFBA

Desenvolvimento de catalisadores para redução da emissão de

poluentes gasosos de fontes estacionárias da indústria do petróleo. UFBA Desenvolvimento de modelo para otimização do processo reforma a

vapor a partir do gás natural. UNIFACS

Desenvolvimento de catalisadores para a geração e melhoria da

qualidade de combustíveis. UFBA

Remoção de Acidez Naftênica com Utilização de Novos Materiais UFPE Síntese e Caracterização de Catalisadores para Reações de Water

Shift em Altas Temperaturas UNIFACS

Modificações de zeólita Beta para composição de catalizadores para

FCC UNIFACS

Isomerização de N-parafinas presentes em correntes de refino UFRN Estudo Experimental da Separação de CO2 de Correntes Gasosas

Utilizando Adsorção por Variação de Pressão UNIFACS Oxidação seletiva do monoxido de carbono em hidrogênio UFBA Sintese e carcterizaçao de componentes eletro-químicos para celulas

a combustível. UFPE

Síntese e Seleção de Perovsquitas para Reforma a Vapor UFRN Caracterização de Catalisadores e Adsorventes por

XPS-Espectroscopia Fotolítica UFBA

Degradação fotocatalítica de derivados de petróleo em águas

superficiais UNIT

Gestão da Tecnologia em redes de catálise UNIFACS

Separacão de N-Parifinas (C10-C13) de Correntes Precursoras de Querosene Aviação Através da Adsorção sobre Peneiras Moleculares Microporosas

UNIFACS

Projetos 2004

Desenvolvimento de Catalisadores para a Geração de Hidrogênio

pela Reforma Autotérmica do Metano UFBA

A Metodologia utilizada pela RECAT para sua consolidação como rede contempla as seguintes atividades:

• Promoção periódica de encontros técnico-científicos envolvendo cientistas de outras regiões do país e do exterior;

• Criação de um portal para que sejam disponibilizados, com acesso livre, todos os artigos publicados e, com acesso restrito, a FINEP, o CNPq e empresas parceiras, bem como os relatórios parciais e finais de acompanhamento de trabalhos.

(6)

O sucesso de qualquer projeto ou iniciativa depende da gestão eficaz de seus recursos e de suas atividades básicas. Numa estrutura em rede verifica-se que seus integrantes se ligam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal ou representante dos demais. Pode-se dizer que no trabalho em rede não há um "chefe", o que há é uma equipe trabalhando com uma vontade coletiva de realizar determinado objetivo.

Segundo Castells (1999), participar de uma rede cooperativa envolve algo mais do que apenas trocar informações a respeito dos trabalhos que um grupo de instituições realiza isoladamente. Estar em rede significa realizar conjuntamente ações concretas que modificam as organizações para melhor e as ajudam a chegar mais rapidamente a seus objetivos. Para que uma rede cooperativa exerça todo o seu potencial, é preciso que existam equipes de trabalho, devidamente acompanhadas por um gestor, que atendam a alguns princípios:

• Propósito unificador - é o espírito de uma rede. Este propósito pode ser expresso como um alvo unificador e um conjunto de valores compartilhado pelos participantes, de forma esclarecedora, democrática e explícita;

• Participantes independentes - Fazer parte de uma rede não quer dizer deixar de lado sua independência, mas ao contrário, requer participantes independentes, motivados e não limitados por hierarquias. Cada participante possui talentos únicos, diferentes e valiosos, que devem ser compartilhados com o grupo, de forma que exerçam sua criatividade com independência. É o equilíbrio entre a independência de cada participante e a interdependência cooperativa do grupo que dá a força motriz a uma rede;

• Interligações voluntárias - os participantes da rede devem relacionar-se, realizando tarefas de forma voluntária e motivada, podendo escolher seus interlocutores e optar por trabalhar em projetos que os ajudem a cumprir seus objetivos pessoais e organizacionais;

• Multiplicidade de líderes - uma rede deve possuir menos chefes e mais líderes.

O Projeto de Gestão da Tecnologia em uma Rede de P&D (GETEC) é baseado em 5 (cinco) conjuntos de ações, a saber:

• Formulação das estratégias tecnológicas para a rede; • Obtenção de tecnologias de fontes externas à rede; • Geração de conhecimento próprio na rede;

• Gestão do processo de inovação;

• Acompanhamento de resultados por meio de indicadores.

O gestor de tecnologia e inovação deve atuar com uma visão crítica apurada a respeito do mundo e estar consciente e preparado para as possíveis dificuldades, definindo planos e tomando ações que efetivamente resultem em vantagens competitivas sustentáveis. Nas subseções seguintes, descrevem-se os elementos que integram cada um dos conjuntos componentes do Projeto GETEC.

4.1. Formulação de Estratégias Tecnológicas

A estratégia tecnológica, segundo Porter (1990), é o “método definido para o desenvolvimento e uso de tecnologia”. No âmago de uma estratégia tecnológica está o tipo de vantagem competitiva que se pretende alcançar. Assim, para a definição de estratégias tecnológicas da RECAT estão sendo abordadas as seguintes questões:

(7)

• Procedimentos para identificar oportunidades de negócio que possam ser aproveitadas com as tecnologias-chaves a serem desenvolvidas na rede;

• Métodos de previsão de tendências futuras de tecnologias de interesse;

• Critérios de procura de oportunidades para o lançamento de novos produtos e processos;

• Benchmarking com empresas internacionais do setor do petróleo, quanto a desempenho em P&D&E, patentes, qualidade de produtos, preços, sistemas de produção e distribuição;

• Identificação das principais competências tecnológicas existentes na rede;

• Formas de articulação das competências tecnológicas com as outras competências; • Integração das práticas de inovação tecnológica da rede com as estratégias globais

das empresas constituintes;

• Avaliação de gastos relativos à P&D&E;

• Práticas que caracterizam a estratégia de inovação que vem sendo seguida na rede; • Formas de comunicação da estratégia tecnológica ao pessoal da rede.

4.2. Obtenção de tecnologias de fontes externas à rede

As fontes de inovação e tecnologia são de extrema relevância para a performance inovadora das organizações. Daim et al (1998) verificaram que dentre os possíveis canais de aquisição da tecnologia, os mais importantes, depois do desenvolvimento interno, eram os fornecedores, o suporte à educação dos funcionários e os encontros tecnológicos. Estes autores concluíram que as fontes de aquisição tecnológica podem ser agrupadas em: a) pesquisa e educação (consórcios com universidades, P&D, etc); b) redes de trabalho (encontros tecnológicos, periódicos, feiras) e c) desenvolvimentos interno/fornecedores (interno, licença, fornecedores).

A obtenção de tecnologias de fontes externas à rede foi estabelecida pela RECAT, a partir das seguintes atividades e definições:

• Trabalhos conjuntos com clientes-chaves ou futuros usuários, em projetos de inovação tecnológica;

• Contratos e licenças para uso de tecnologias de terceiros (direitos, royalties, serviços, consultorias);

• Critérios de identificação/seleção de parceiros tecnológicos (alianças, joint ventures, etc.);

• Critérios de segmentação de fornecedores e formas de colaboração com os mesmos, em projetos de inovação;

• Outras redes externas (formais e informais) de obtenção de tecnologia; • Formação/treinamento de pessoal em instituições de ensino/pesquisa;

• Articulação com laboratórios, institutos, universidades e centros de pesquisa tecnológica;

• Relacionamentos com esferas de governo: informações sobre mecanismos de regulação; promoção e fomento de tecnologia;

• Fontes públicas de conhecimentos: jornais, livros, revistas, feiras, Internet.

4.3. Geração de Conhecimento Próprio na Rede

As atividades de P&D implementadas através da rede representam um dos principais meios de geração de conhecimento próprio e de soluções baseadas em inovação tecnológica, levando-se

(8)

em consideração que a identificação de avanços tecnológicos sempre deverá corresponder às necessidades da sociedade e do setor de petróleo e gás natural. A RECAT busca gerar conhecimento próprio por intermédio das seguintes ações típicas da rede:

• Desenvolvimento de ambientes propícios à socialização do conhecimento tácito: práticas de compartilhamento de habilidades/experiências entre membros do projeto de inovação;

• Práticas de compartilhamento de habilidades/experiências com outras empresas (clientes, fornecedores, empresas da cadeia, benchmarking);

• Procedimentos de codificação e combinação de conhecimentos em forma explícita: formas de explicitar e registrar conhecimentos tácitos, por meio de registros e elaboração de documentação;

• Práticas de elaboração de projetos conceituais e básicos;

• Práticas de geração de modelos, mockups, maquetes, softwares e documentos conceituais de projetos técnicos;

• Formas de combinação de conhecimentos explícitos: práticas de construção e teste de protótipos, práticas de montagem e teste de bancadas experimentais;

• Formas de interiorização de conhecimentos explícitos: práticas de produção de lotes iniciais; práticas de qualificação de novos processos produtivos; treinamentos em novos processos produtivos;

• Registro e manutenção do estoque de conhecimentos; • Preservação da propriedade intelectual e de patentes.

4.4. Gestão do Processo de Inovação

A participação em uma rede organizacional requer mais do que apenas trocar informações a respeito dos trabalhos que um grupo de organizações realiza isoladamente. Estar em rede significa realizar conjuntamente ações concretas que modificam as organizações para melhor e as ajudam a chegar mais rapidamente a seus objetivos. As organizações, no decorrer de sua existência, e os pesquisadores em sua vivência, têm começado a perceber que inovar é praticar a idéia, colocando-a como ação efetiva. O problema de transformar a idéia em ação e a criatividade em inovação tem levado as grandes organizações a desenvolverem programas exaustivos para modificar estas percepções, a partir da introdução de inovações tecnológicas que possam aumentar sua produtividade e eficiência.

As inovações tecnológicas envolvem atividades de pesquisa, desenvolvimento experimental, engenharia, produção inicial e produção comercial. Estas atividades, por sua vez, exigem pessoal capacitado, instalações adequadas, equipamentos, materiais de consumo e a manutenção de um fluxo contínuo de informações científicas e tecnologias. A gestão de uma inovação tecnológica pressupõe um direcionamento, um sistema de gerenciamento, alguns objetivos, indicadores de desempenho, planos e ações que são, na verdade, funções de um administrador. A partir de todas estas considerações, foram definidas as ações abaixo descritas:

• Critérios de seleção de inovações de produtos/processos, face às alternativas existentes;

• Formas de inserção de planos de inovações tecnológicas no planejamento estratégico da rede;

• Procedimentos de aprovação, pela Coordenação da rede, de projetos para inovações de produtos/processos;

(9)

• Procedimentos para o acompanhamento do progresso de projetos tecnológicos (metas, marcos, etapas, “passagem de bastão”, “gateways”, etc);

• Uso de métodos, ferramentas e técnicas gerenciais específicas nos projetos de inovação de produtos/processos (QFD; SI; M.A.S.P.; etc.);

• Utilização de diversas possibilidades de estruturas organizacionais para inovações: departamentos funcionais, matrizes, forças-tarefas, equipes “peso pesado”, grupos ad hoc, etc.;

• Formas de envolvimento comum antecipado entre as equipes funcionais nos projetos tecnológicos (engenharia simultânea);

• Formas de comunicação nos projetos tecnológicos (vertical, horizontal, transversal).

4.5. Acompanhamento de Resultados por meio de Indicadores

Consolidar a rede significa avançar em produção, disponibilização de informações e ampliação do espectro de atores e beneficiários reunidos através da iniciativa, para que os conhecimentos produzidos e apropriados possam ir além dos contornos institucionais já estabelecidos. A rede ganha expressão e legitimidade na medida em que suscita o interesse dos integrantes originais e de novos atores em participar e contribuir para o seu desenvolvimento. Porém, a questão que se coloca é a de como mensurar os resultados da rede. Para o monitoramento de redes é necessário definir um gestor ou um grupo que acompanhe a dinâmica da rede. Existem ferramentas apropriadas que mensuram de forma objetiva os movimentos dos participantes. Mesmo assim, é importante o diagnóstico humano sensível às subjetividades. É necessário notar que os participantes possuem valores e objetivos comuns, porém, dinâmicas diferenciadas de trabalho. O todo e os pontos da rede devem ser igualmente e paralelamente considerados. A complexidade organizacional de redes configura um aparente paradoxo: o todo é maior que as partes e as partes são maiores que o todo. Mas, esse paradoxo se desfaz na prática do trabalho em rede, residindo apenas no plano filosófico: as redes só existem quando suas células estão interagindo exponencialmente, em dinâmicas e lógicas não lineares. É o movimento entrecruzado e plural dos pontos que constitui e legitima a rede. Desse modo, existem indicadores para mensurar a rede em sua totalidade integradora e no âmbito de suas células. Uma avaliação adequada deve considerar a lógica orgânica das redes, ou seja, a um só tempo, o todo e as partes. Conclui-se, daí, que haveria muitas formas, nem todas simples, de se avaliar as redes. No entanto, existem alguns indicadores básicos para o monitoramento de resultados em gestão da tecnologia, que serão utilizados, num primeiro momento, pela RECAT:

• Indicadores de Esforços: Investimentos em ativos (físicos e intangíveis); • Despesas operacionais (aquisição de tecnologias, salários, serviços); • Número de profissionais e sua qualificação;

• Indicadores objetivos de resultados: percentuais de projetos de inovação concluídos; números de patentes obtidas; receitas de vendas de tecnologias para terceiros; percentuais do faturamento gerados por novos produtos; reduções de custos decorrentes de melhorias de processos;

• Outros indicadores com impactos nos resultados das empresas da rede.

5. Metodologia de trabalho do Sistema de Gestão da RECAT

5.1. As ações de gestão da tecnologia na RECAT ocorrerão mediante a seguinte metodologia:

(10)

de procedimentos de gestão da tecnologia na rede será do tipo ad hoc, utilizando grupos de trabalho formados circunstancialmente pelos próprios técnicos da rede, de acordo com as necessidades da ocasião. Por sua natureza, esses grupos têm um número restrito de integrantes, oscilando entre três e cinco pessoas, em média, exceção feita apenas para as reuniões plenárias de interesse geral.

• Os grupos de trabalho de gestão devem atuar ao longo da estrutura organizacional estabelecida para a RECAT (ver Figura 1), de maneira alinhada com o conceito de comunidades de prática, em que a aprendizagem organizacional faz-se na ação dos trabalhos de P&D, porém de forma consciente, explicitando-se o conteúdo do trabalho gerencial para os executantes, a fim de que os mesmos reconheçam a própria aprendizagem.

5.2. Para a estruturação do grupo de gestão da rede, foram seguidas as seguintes etapas:

5.2.1. Eleição de um coordenador para assuntos organizacionais, com responsabilidades

referendadas pelo Conselho Superior da Rede. As responsabilidades do coordenador compreendem cinco conjuntos:

• explicitação das diretrizes relativas às estratégias tecnológicas a serem seguidas; • identificação das principais fontes de tecnologias externas utilizáveis na rede;

• definição de práticas de trabalho que facilitem e impulsionem a geração de conhecimento próprio no interior da rede;

• definição de procedimentos adequados (best practices) para o acompanhamento e controle das atividades de inovação de produtos e processos produtivos na rede; e • definição do conjunto de indicadores de resultados que melhor se adeqüem ao

acompanhamento do progresso das atividades da rede.

5.2.2. Escolha, no âmbito do Comitê Executivo da Rede, das principais ações de gestão da

tecnologia a serem implementadas, por ordem de prioridade e conveniência. Para cada ação, devem ser previamente definidos:

• escopo das atividades, dentro da moldura dos cinco conjuntos de responsabilidades acima mencionados;

• formação do grupo ad hoc específico para a ação a ser conduzida; e

• estabelecimento da seqüência e dos marcos de verificação e acompanhamento da ação de gestão.

6. Contribuições ao atingimento dos resultados

Os trabalhos propostos pela RECAT estudam desde a síntese e a caracterização de novos catalisadores até a otimização da formulação de catalisadores já conhecidos. Como o sucesso de um processo industrial depende fortemente da atividade, seletividade e estabilidade do catalisador em questão; é muito importante o conhecimento da sua estrutura, formulação e propriedades físico-químicas. Portanto, dentre os resultados pretendidos, temos os estudos detalhados sobre a síntese (formulação e métodos de preparação) e caracterização (propriedades físicas e químicas) de diferentes tipos de catalisadores e de materiais adsorventes. Tais resultados são de grande importância para o desenvolvimento de novos e melhores processos químicos, principalmente na área de petróleo e gás, onde há um grande número de processos catalíticos. Um outro resultado esperado é a otimização da formulação de catalisadores já conhecidos, visando melhorias na sua atividade e seletividade com conseqüente aumento de produção.

(11)

Uma etapa importante na pesquisa e no desenvolvimento de processos químicos é a avaliação catalítica, seja dos diferentes catalisadores desenvolvidos e caracterizados pelos grupos participantes da rede ou dos catalisadores industriais. Nesta etapa, estão sendo desenvolvidos programas de avaliação e comparação dos catalisadores já utilizados pela indústria (disponíveis no mercado) em contraposição àqueles desenvolvidos pelos grupos de pesquisadores da rede.

A integração entre empresas–pesquisadores tem permitido um melhor desenvolvimento dos projetos em questão, diante da aplicabilidade direta dos ensaios de avaliação. Nesta etapa, outro importante resultado refere-se ao levantamento de dados cinéticos e a modelagem de reações ligadas a petróleo e gás natural. Tendo-se as informações das características físicas e químicas dos catalisadores, sua atividade e seletividade, bem como dos possíveis modelos cinéticos das reações, pretende-se aplicar todo esse conhecimento no estudo e na modelagem de reatores que permitam aprimorar os processos existentes. Portanto, espera-se, como resultado maior, a implementação de projetos de reatores catalíticos, em todas as diferentes etapas envolvidas em cada processo.

Convém lembrar que a interação com a indústria é de fundamental importância para a aplicação dos processos desenvolvidos na rede. As competências existentes na RECAT permitem prever a melhoria de processos catalíticos nas áreas de refino, reforma de nafta, hidrotratamentos, produção e melhoria da qualidade de combustíveis, transformações químicas do gás natural, despoluição ambiental e despoluição automotiva.

Outros resultados esperados dizem respeito ao atingimento dos seguintes objetivos:

• Desenvolvimento de novos materiais, aplicados aos processos de adsorção (purificação, separação e meio ambiente) ou eletrocatálise (geração de energia);

• Desenvolvimento de novos produtos (catalisadores), que podem levar à otimização do processo de geração de energia elétrica;

• Formação de mestres, doutores e alunos de graduação em química, física e engenharia, capacitados em aspectos acadêmicos e tecnológicos em um tema de interesse regional e nacional e, portanto, aptos a atuar no mercado de trabalho do setor petróleo;

• Melhoria da qualidade de produtos derivados do petróleo, como por exemplo, combustíveis líquidos e gás natural;

• Aumento do uso de gás natural como combustível mais econômico e mais limpo, impactando na diminuição da poluição urbana e melhoria da qualidade de vida da população;

• Diminuição do descarte indiscriminado de hidrocarbonetos pesados nos mananciais hídricos através de seu reaproveitamento energético ou transformação em outros produtos de consumo;

• Possibilidade de incubação de novas empresas, com geração de riquezas e novos empregos; e

• Diminuição do impacto ambiental através do desenvolvimento de tecnologias limpas. A transferência dos resultados mencionados entre as universidades e instituições de pesquisa dar-se-á através de intercâmbios e trabalhos conjuntos, tais como:

• Intercâmbio de professores de graduação e pós-graduação; • Intercâmbio de alunos de graduação e pós-graduação;

(12)

• Desenvolvimento conjunto de trabalhos de pesquisa, de forma a aproveitar melhor as capacitações específicas de cada parceiro;

• Geração de temas para projetos de pesquisa; e

• Compartilhamento de dados para construção de uma malha de informações na área de catálise.

A transferência de resultados para as empresas tem ocorrido por: • Relatórios técnicos periódicos;

• Acordos específicos no caso de patentes e uso dos conhecimentos feitos projeto a projeto;

• Absorção do conhecimento pelo técnico da empresa que interagir com os pesquisadores das universidades durante o projeto;

• Absorção, pelas empresas, de mão de obra capacitada pelas universidades; e

• Aplicação, diretamente nas plantas industriais, das melhorias tecnológicas produzidas pelos projetos.

7. Resultados do Levantamento de Necessidades dos Diversos Grupos de Trabalho.

Visando monitorar o atingimento dos objetivos propostos pela RECAT, foi desenvolvido pela equipe do projeto GETEC um questionário de pesquisa direcionado aos coordenadores de projetos de pesquisa da RECAT. Na construção do modelo de questionário foram definidas as seguintes diretrizes:

• Caracterização do Grupo: campos para registro de informações sobre o (s) projeto(s) sob responsabilidade do coordenador entrevistado, ou seja, descrição do nome do projeto, objetivos, perfil dos pesquisadores envolvidos (recursos humanos - lista e perfil – nível de graduação/ curso técnico/ experiência), das Instalações utilizadas (recursos materiais - laboratório próprio ou de terceiro e localização), registro do tempo relativo dedicado ao projeto, do estágio de andamento e dos últimos resultados apurados.

• Identificação das necessidades do grupo para geração de conhecimento interno: investigação sobre os principais conhecimentos e recursos necessários para maior produtividade do grupo e para que sejam atingidos seus objetivos, sobre o volume do conhecimento utilizado (simples/ complexo), sobre a necessidade de conhecimento complementar prévio para pleno entendimento, se a pesquisa é baseada no conhecimento gerado pelo próprio grupo (interno) ou se a mesma requer conhecimento externo também (conhecimentos independentes/ sistêmicos), sobre o detentor destes conhecimentos e, enfim, sobre como se daria a transferência de conhecimentos (tácitos/ explícitos).

• Relacionamento do grupo com a RECAT: verificação do nível de integração da equipe com outros grupos que compõem o Projeto RECAT, buscando identificar se os grupos conhecem os objetivos e os recursos uns dos outros, que formas de comunicação são utilizadas para troca de conhecimentos (mídia: reunião/ e-mail, MSN, quadros de aviso, memorandos), construir um “desenho” das relações diretas e indiretas existentes e verificar como o grupo se sente em relação aos outros grupos. Para a aplicação inicial do questionário de pesquisa e levantamento eficaz dos resultados, foi definido um plano de ação, no qual foram determinados os seguintes procedimentos:

(13)

• Os contatos com os coordenadores de projetos deveriam ser agendados previamente através de contatos telefônicos:

• Após o agendamento, seriam enviadas mensagens eletrônicas sobre o objetivo da entrevista contendo um modelo do questionário a ser utilizado.

• Manter a entrevista focada no Projeto RETEC, de modo que todas as informações levantadas pudessem ser úteis ao alcance dos objetivos do projeto.

• Inicialmente seriam contatados os gestores dos grupos de Pesquisa da Bahia.

A aplicação do questionário, iniciada em abril deste ano, foi feita conforme os procedimentos acima descritos, a partir de entrevistas pessoais com alguns dos coordenadores da RECAT. Todos os coordenadores entrevistados demonstraram interesse em colaborar com a pesquisa, expondo opiniões e sugestões de melhoria. A partir dos dados coletados e tabulados, numa amostra de 15% dos grupos envolvidos na RECAT, foram verificados os seguintes resultados, apresentados na tabela a seguir:

ITEM INVESTIGADO RESULTADOS APURADOS

1. INSTALAÇÕES (PRÓPRIAS/ TERCEIROS)

• 100% dos coordenadores informaram possuir e utilizar instalações próprias, bem próximas ao seu local de trabalho;

Deste total, 33% não utilizam outras instalações e 67% afirmaram utilizar também, eventualmente, as instalações de parceiros.

2. TEMPO RELATIVO DEDICADO AO PROJETO:

100 % dos entrevistados informaram que o tempo relativo dedicado ao projeto de pesquisa situa-se entre 20 a 40 horas mensais.

3. ESTÁGIO DE ANDAMENTO DO PROJETO

• 33% estão na fase final e 67% estão na fase exploratória.

4. POSSÍVEIS CONHECIMENTOS E RECURSOS - PRODUTIVIDADE ATINGIMENTO DE OBJETIVOS

Foram apontados recursos diversos e comuns aos grupos: cursos, seminários, equipamentos e outros parceiros.

5. TIPO DE CONHECIMENTO GERADO PELO PROJETO (SIMPLES/ COMPLEXO)

• 33% afirmaram que o conhecimento gerado é simples e 67% consideram que o conhecimento gerado é do tipo complexo.

6. TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO GERADO (SOZINHO/PACOTE)

• 33% afirmaram que a transferência do conhecimento gerado pode ser feita individualmente, enquanto 67% afirmaram que os conhecimentos gerados somente podem ser transferidos como parte de um pacote que agregue diferentes conhecimentos. 7. BASE DA PESQUISA – USO DE

CONHECIMENTO GERADO PELO PRÓPRIO GRUPO (INTERNO) OU DE FONTES EXTERNAS DE

CONHECIMENTO

• 100% afirmaram que a pesquisa não se baseia apenas no conhecimento gerado pelo próprio grupo, mas incorpora outros conhecimentos adquiridos externamente.

8. PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS TECNOLÓGICAS NECESSÁRIAS AO GRUPO PARA DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA?

• Foram citados pelos grupos diversas competências nas áreas de química, física, engenharia química, engenharia mecânica, materiais, programação, cinética, modelagem de reatores, teorias de otimização.

9. TRANSFERÊNCIA DOS

CONHECIMENTOS GERADOS - RELACIONAMENTO PESSOAL OU

• 67% afirmaram que a transferência do conhecimento gerado requer uma interação pessoal e 33% consideram que o conhecimento gerado pode ser

(14)

IMPESSOAL transferido apenas através do envio de documentos. 10. GRAU DE CONHECIMENTO E

INTERAÇÃO DA EQUIPE COM OUTROS GRUPOS DO PROJETO RECAT, E TIPO DE RELACIONAMENTO

ESTABELECIDO

• 67% informaram deficiências na interação entre os diversos grupos da RECAT e 33% informaram que a interação é completa.

11. GRAU DE CONHECIMENTO E

INTERAÇÃO DA EQUIPE COM OUTROS GRUPOS DE PESQUISA, TIPO DE RELACIONAMENTO É ESTABELECIDO E FORMAS DE COMUNICAÇÃO

• 100% dos grupos estabelecem algum tipo de relacionamento com outros grupos externos de pesquisa, embora em alguns casos, esta relação ainda se apresente tímida.

12. GRAU DE DIVULGAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA E SEUS RECURSOS E A FORMA DE COMUNICAÇÃO

UTILIZADA? (MÍDIA: REUNIÕES, E-MAILS, RELATÓRIOS, ETC.)

• 67% informaram deficiências na divulgação grupos da RECAT e 33% informaram que a interação é perfeita..

13. USO DE MÉTODO OU CRITÉRIO PARA IDENTIFICAÇÃO E SELEÇÃO DE PARCEIROS TECNOLÓGICOS E/OU FORNECEDORES PARA SEU PROJETO DE PESQUISA E POSSÍVEIS

RESTRIÇÕES

• Foram citados os seguintes critérios: localização, conhecimentos, relacionamento profissional, interesses comuns. Todos os grupos citaram como possíveis restrições para o compartilhamento de conhecimentos: os limites e normas definidos pela Petrobrás e a existência de conhecimentos ainda não patenteados. 14. ESTRUTURA DA REDE DE

RELACIONAMENTOS FORMADA PELA EQUIPE

• Em 100% dos grupos, a estrutura das redes pode ser definida, , existindo relacionamentos diretos e indiretos.

15. SENTIMENTO DA EQUIPE EM RELAÇÃO AOS OUTROS GRUPOS DA RECAT

• 67% informaram que o contato com os outros grupos da RECAT é bastante social, devendo ser estimulado um contato mais técnico.

• 16,5% informaram a existência de grande integração entre os diversos grupos

• 16,5% informaram não ter desenvolvido integração significativa (trabalho muito específico).

16. POTENCIAIS SETORES OU GRUPOS DO MERCADO INTERESSADOS NO

PROJETO E SEUS MOTIVOS

• Dentre os grupos citados, temos: setor de produção de energia, automotivo, de polímeros, eletrônico, grupos ambientalistas, petroquímicas, indústrias químicas e setores de produção em geral.

17. MODO E GRAU DE ATUALIZAÇÃO DA EQUIPE QUANTO ÀS TENDÊNCIAS FUTURAS DE TECNOLOGIAS DE INTERESSE DO MERCADO

• Foram citados os seguintes meios: revistas e artigos científicos, livros, outras redes e programas, presença em seminários e congressos, contatos profissionais e internet.

18. POTENCIAIS EMPRESAS

INTERNACIONAIS DO SETOR DE PETRÓLEO PARA APLICAÇÃO DAS TÉCNICAS DO BENCHMARKING

• Foram citadas empresas como: a Dupont, simens, honda, BMW. Na área de catálise, a Degussa, Haldor Topsoe, UOP, Oxiteno.

19. PROCEDIMENTOS GERENCIAIS PARA ACOMPANHAMENTO E REGISTRO DO ANDAMENTO DOS PROJETOS.

• 67% dos grupos afirmaram não possuir um procedimento de controle, tendo dificuldades para trabalhar com eficiência. O acompanhamento estruturado é apenas o contábil.

• 33% afirmam grupos afirmaram não possuir um procedimento de controle, embora estejam efetivando um controle eficaz.

A partir das informações coletadas, pode-se perceber que a implementação de algumas ações de gestão poderia alavancar uma maior interação entre os diversos grupos. Foram sugeridas pelos coordenadores, por exemplo, a realização de encontros periódicos entre os diversos grupos, que incluam cursos, seminários e palestras que abordem assuntos de interesse comum.

(15)

Também foi percebido que, de modo geral, a comunicação e a relação de confiança deveriam ser mais estimuladas, visto que a interação entre os diversos grupos deixa a desejar.

Estes pontos orientarão o GETEC na elaboração de rotinas de trabalho para a implementação de atividades voltadas para a intercomunicação entre os grupos, pois este aspecto foi visto, pelos coordenadores, como o de maior relevância para a geração de conhecimentos na rede. Por fim, os autores deste trabalho externam a convicção de que os resultados apurados para a RECAT terão maior êxito - no prazo e custo esperados - quanto mais eficaz for a atuação do Sistema de Gestão aqui apresentado.

8. Referências Bibliográficas

ARORA, A.; GAMBARDELLA, A. (1990). “Complementarity’s and external linkages: The strategies of the large firms in biotechnology”. The Journal of Industrial Economics,

Vol. XXXVIII, Nº4, June, 361-379.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede – a Era da Informação: economia, sociedade e cultura. Atualização 6ª. Edição Jussara Simões. São Paulo: Paz e terra, 1999.

DAIM, T. KOCAUGLU, D.F. Technology Acquisition in the us electronics manufacturing Industry, management of technology sustainable development and eco-efficiency, 1998.

FREEMAN, C. (1991a). “Networks of innovators: A synthesis of research issues”.

Research Policy, Vol.20, N°5, 499-514.

FREEMAN, C. (1995). “The ‘National System of Innovation’ in historical perspective”.

In: Cambridge Journal of Economics, 19, 5-24.

GIBBONS, M. et al. (1994). The new production of knowledge. Sage: London, UK.

KIPERSTOK, A. Implantação e desenvolvimento de uma rede de cooperação em tecnologias limpas com o apoio de cursos de especialização. Tecbahia Revista Baiana de

Tecnologia, Camaçari, v.14, n.1, Jan./abri.1999.

LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane Price. Sistemas de Informação. Tradução Dalton

Conde de Alencar. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

PISANO, G. (1991). “The governance of innovation: Vertical integration and collaborative arrangements in the biotechnology industry”. Research Policy, Vol.20, Nº3,

237-249.

PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva: Criando e sustentando um desempenho superior. Trad. Elizabeth Braga. Revisão técnica Jorge Gomes. Rio de Janeiro: Campus,

1990.

VICO MANÃS, Antônio. Gestão de Tecnologia e Inovação. Ed. Revisão e atualização. São

Paulo: Érica, 2001.

OLIVIERI, Laura. A importância histórico-social das Redes. Revista do Terceiro Setor,

Imagem

Referências