Temas Destacados
• Abordados nas aulas anteriores de Constitucional e Humanos
• Constitucional: direito à saúde e reflexos da Covid-19
• Racismo estrutural (última aula) e Teoria Crítica da Raça
• Feminicídio – caso campo algodoneiro
• Direito à Saúde e medicamentos
• ADPF 442 - criminalização da interrupção voluntária da gravidez (arts. 124 e 126
do CP): sem julgamento definitivo.
• ADI 4275 – possibilidade de alteração de nome e gênero no assento de registro
civil mesmo sem a realização de procedimento cirúrgico de redesignação de
sexo.
Constitucional
STF determina que Ministério da Saúde faça a divulgação integral de dados sobre Covid-19
A redução da transparência dos dados referentes à pandemia de COVID-19 representa violação a preceitos fundamentais da Constituição Federal, nomeadamente o acesso à informação, os princípios da publicidade e transparência da Administração Pública e o direito à saúde. STF. Plenário. ADPF 690 MC-Ref/DF, ADPF 691 MC-Ref/DF e ADPF 692 MC-Ref/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2020 (Info 1000).
Regulamento Sanitário Internacional aprovado pela 58ª Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 23 de maio de 2005, promulgado no Brasil pelo Decreto Legislativo 395/2009.
Filtros:
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Teoria Crítica da Raça
Porque estudar a Teoria?
“Sendo a sociedade brasileira profundamente desigual e o sujeito moderno de direito determinado através da sua condição de homem, branco, proprietário, cristão, heterossexual e não portador de necessidades especiais, há que se reivindicar, para o tratamento propriamente crítico do direito, lentes de análise que privilegiem os diversos critérios de hierarquização presentes na formação social brasileira.
Tendo mais da metade de sua população composta por
pretos e pardos que, por sua vez, figuram na base de indicadores
sociais relacionados a renda, mercado de trabalho, saúde e
educação, a Teoria Crítica da Raça (Critical Race Theory) vem
representar, nesse contexto, a possibilidade de que o critério raça
seja utilizado como lente privilegiada de análise dessa realidade
.”Teoria Crítica da Raça
“Nesse sentido, o racismo é investigado a partir da sua conexão com outros sistemas discriminatórios (de base patriarcal, classista, étnica, relacionada a orientação sexual, religiosa, etc.) e a utilização isolada de qualquer desses critérios de opressão, gera um retrato reducionista sobre os sujeitos que estão submetidos a duplos/triplos/quádruplos sistemas de opressão pelas suas condições de mulheres negras pobres, homens negros gays, mulher negra lésbica não cristã, etc..”
Considera-se teoria crítica todas as posturas teóricas comprometidas com a análise do existente a partir da realização do novo e do ponto de vista das oportunidades de emancipação frente à dominação vigente, promovendo um “diagnóstico do tempo presente, baseado em tendências estruturais do modelo de organização social vigente, bem como em situações concretas, em que se mostram tanto as oportunidades e potencialidades para a emancipação quanto os obstáculos reais a ela”.
Teoria Crítica da Raça
Premissa:A principal premissa da Teoria Crítica da Raça é a ideia de que o racismo não é um comportamento considerado anormal, mas uma experiência diária na sociedade estadunidense. Algo que reflete igualmente a realidade brasileira. Trata-se de um comportamento tão culturalmente enraizado, que as práticas discriminatórias sutis do dia a dia não são percebidas. Dois conceitos fundamentais a esta teoria decorrem desta constatação: o conceito de color blindness e o de meritocracia.
Color blindness ou “cegueira da cor” representa a crença liberal em uma igualdade formal e na atuação neutra do Estado.
O conceito de meritocracia, no mesmo sentido, vai forjar a ideia de que, em âmbito institucional principalmente, o critério de definição dos papéis sociais seja o mérito. Defende-se portanto a possibilidade de aferição descontextualizada e objetiva de competências e aptidões.
Racismo estrutural (última aula) e Teoria Crítica da Raça
• Todo o racismo é estrutural porque o racismo não é um ato, o racismo é processoem que as condições de organização da sociedade reproduzem a subalternidade de determinados grupos que são identificados racialmente.
• Casa Grande e Senzala: reforça a falsa ideia de equidade entre as raças
• Racismo estrutural é um conjunto de práticas discriminatórias, institucionais, históricas, culturais dentro de uma sociedade que frequentemente privilegia algumas raças em detrimento de outras. O termo é usado para reforçar o fato de que há sociedades estruturadas com base no racismo, que favorecem pessoas brancas e desfavorecem negros e indígenas.
• Falar de racismo estrutural, é lembrar das questões centrais que mantém esse processo longo de desigualdade entre brancos e negros que se desdobram no genocídio de pessoas negras, no encarceramento em massa, na pobreza e na violência contra mulheres.
Caso Simone André Diniz
• Caso Simone André Diniz, reconhecido como a primeira oportunidade em que um país do continente foi responsabilizado pelo sistema interamericano de direitos humanos pelo crime de discriminação racial. Na ocasião, o anúncio de uma vaga para o cargo de funcionária doméstica, continha a exigência de pele branca ao postulante, de modo que a vítima, senhora Simone André Diniz, de cor negra, por este motivo, foi recusada para o cargo. Em que pese a existência de diversos elementos de prova acerca da existência do crime de discriminação racial, a investigação foi arquivada em decisão publicada no dia 7 de abril de 1997. Ao ser levado para análise da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o Estado Brasileiro foi condenado a reparar a vítima pelos prejuízos materiais e extrapatrimoniais que sofreu com a violação de seus direitos humanos relativos à condição de igualdade e identidade, foi reconhecida internacionalmente a responsabilidade das autoridades brasileiras sobre a omissão imputada e, dentre outras, determinada a adoção e instrumentalização de medidas de educação dos funcionários de justiça e da polícia a fim de evitar ações que impliquem discriminação nas investigações, no processo ou na condenação civil ou penal das denúncias de discriminação racial e racismo.
Caso Simone André Diniz
• Na decisão, ainda, realizou-se uma ampla análise acerca da situação racial do Brasil à época e concluiu pela existência de um “persistente contexto de profunda desigualdade estrutural que afeta os afro-brasileiros”. A decisão foi publicada em 2006 e o cenário descrito não sofreu qualquer alteração substancial, conforme já demonstrado pelos dados acerca da educação, incriminação e encarceramento da população negra. Desta forma, os dados expostos para evidenciar a existência dessa política de estigmatização da população negra no Brasil, em contrapartida a existência de mecanismos não aplicados ou ineficazes no ordenamento jurídico objetivo, não refletem novidades para as autoridades públicas, mas são de inequívoco conhecimento por parte delas e das autoridades internacionais.
Estatuto da Igualdade Racial
• Disposições Preliminares com definições e princípios• Direitos Fundamentais: saúde; educação, cultura, esporte, lazer, liberdade de crença e exercício de culto, acesso à terra e moradia adequada, trabalho, meios de comunicação.
• Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial: implementação do conjunto de políticas e serviços destinados a superar as desigualdades étnicas existentes no País, prestados pelo poder público federal:
Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão participar do Sinapir mediante adesão.
O poder público federal incentivará a sociedade e a iniciativa privada a participar do Sinapir.
Estatuto da Igualdade Racial
• Definições: (art. 1º, parágrafo único)
I - discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça,
cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada;
II - desigualdade racial: toda situação injustificada de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e
oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica;
III - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a distância social
entre mulheres negras e os demais segmentos sociais;
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou
raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga;
V - políticas públicas: as ações, iniciativas e programas adotados pelo Estado no cumprimento de suas
atribuições institucionais;
VI - ações afirmativas: os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a
Feminicídio – Caso do Campo de Algodão
• Violência contra a mulher• Diminuição da vítima e seus familiares, colocando-as como “culpadas” pelo crime • Investigação superficial
• Vulnerabilidade diante da situação econômica das vítimas • Local com alta criminalidade
• Posição de discriminação da mulher no mercado de trabalho • Crime sexual e homicídio
Feminicídio – Caso do Campo de Algodão
Resumo: “Caso Algodoneiro na cidade de Juárez no México”, que trata do desaparecimento de três jovens no final do ano de 2001. Do relato, depreende-se que os corpos foram encontrados dez anos depois em 2011 em uma plantação de algodão (por isso o nome como o caso ficou conhecido), com graves marcas de estupro e violência física cometidas com extremo grau de crueldade. Objetivo: analisar o que a Corte Interamericana de Direitos Humanos decidiu sobre o caso do Campo Algodoeiro, caso este que atraiu grandemente a atenção da comunidade internacional em razão dos reiterados casos de violência cometidos contra as mulheres contados a partir dos anos 90, e a ineficiência do Estado em resposta a estes tipos de crime. As medidas adotadas pelo Estado foram a de produzir os formulários e os registros de desaparecimento, elaborar os cartazes de busca, e tomar declarações dos familiares das vítimas, contudo não há evidências sequer que as autoridades tenham feito divulgação e circulação dos cartazes de busca, nem que tenham realizado uma investigação satisfatória sobre o caso
DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES
• A ADPF 442 foi ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que sustenta que os dois dispositivos do Código Penal afrontam postulados fundamentais como a dignidade da pessoa humana, a cidadania, a não discriminação, a inviolabilidade da vida, a liberdade, a igualdade, a proibição de tortura ou o tratamento desumano e degradante, a saúde e o planejamento familiar das mulheres e os direitos sexuais e reprodutivos. A pretensão é que o STF exclua do âmbito de incidência dos dois artigos a interrupção da gestação induzida e voluntária realizada nas primeiras 12 semanas, “de modo a garantir às mulheres o direito constitucional de interromper a gestação, de acordo com a autonomia delas, sem necessidade de qualquer forma de permissão específica do Estado, bem como garantir aos profissionais de saúde o direito de realizar o procedimento”.
• Em novembro de 2017, a relatora indeferiu pedido de medida cautelar de urgência que visava à suspensão de prisões em flagrante, inquéritos policiais e andamento de processos ou decisões judiciais baseados na aplicação dos artigos 124 e 126 do Código Penal a casos de aborto voluntário realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez.
DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES
• Em resposta ao pedido, a Presidência da República sustenta a existência de “desacordo moral razoável” sobre a questão na sociedade brasileira, diante da ausência de consenso mínimo acerca das concepções morais, filosóficas e mesmo religiosas sobre a matéria. Por isso, defende que o espaço adequado para discutir e decidir politicamente a matéria é o Poder Legislativo, responsável “por tutelar o pluralismo político, premissa para a legitimidade das decisões políticas majoritárias”.
• O Senado Federal, por sua vez, esclarece que os artigos questionados na ADPF não foram objeto da reforma legislativa empreendida no Código Penal (Lei 7.209/1984) e assinala que o artigo 2º do Código Civil de 2002 assegura direitos ao feto viável. Afirma também que o Parlamento está promovendo as discussões pertinentes para eventual modificação do parâmetro legal (petição 17722/2017).
• No mesmo sentido, a Câmara dos Deputados defende que a descriminalização da conduta, se for o caso, deverá ocorrer por intermédio do Poder Legislativo, e lembra que, ao analisar o Projeto de Lei 1.135/1991, a Câmara considerou a proposta “inconstitucional e inoportuna”. Informa ainda que tramitam naquela Casa diversas proposições que preveem a proteção da vida desde a concepção e, por outro lado, projetos que descriminalizam o aborto.
DIVERSIDADE E IGUALDADE
• ADI 4275 - O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu ser possível a
alteração de nome e gênero no assento de registro civil mesmo sem a
realização de procedimento cirúrgico de redesignação de sexo.
• “No início de seu voto, o ministro Celso de Mello afirmou que, com este
julgamento, o Brasil dá mais um passo significativo contra a discriminação e
o tratamento excludente que tem marginalizado grupos, como a comunidade
dos transgêneros.
“É imperioso acolher novos valores e consagrar uma
nova concepção de direito fundada em uma nova visão de mundo,
superando os desafios impostos pela necessidade de mudança de
paradigmas em ordem a viabilizar, até mesmo como política de Estado, a
instauração e a consolidação de uma ordem jurídica genuinamente
inclusiva”, salientou, acrescentando que o regime democrático não admite
opressão da minoria por grupos majoritários.”
DIVERSIDADE E IGUALDADE
• Sobre o tema:
DPRJ garante alteração de nome e gênero para criança trans em Paraty
(
https://defensoria.rj.def.br/noticia/detalhes/9127-DPRJ-garante-alteracao-de-nome-e-genero-para-crianca-trans-em-Paraty
)
A decisão proferida em ação de retificação de registro civil de iniciativa da
Defensoria leva em consideração a informação médica prestada nos autos de
que, uma vez reconhecida a disforia de gênero, o pediatra deve encaminhar a
criança a serviço interdisciplinar habilitado pelo Ministério da Saúde para que a
equipe confirme ou afaste a hipótese. Conforme comprovado na ação pela
DPRJ, a menina é acompanhada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das
Clínicas de São Paulo desde 2017, e a unidade credenciada pelo Sistema
Único de Saúde
– SUS (para realização de processo transexualizador) é
pioneira no país em relação à assistência a crianças trans e seus familiares.
Ano: 2019 Banca: FUNDEPES Órgão: DPE-MG
Acerca do(s) posicionamento(s) do STF (ADPF 153/DF) e da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Caso Gomes Lund e outros vs. Brasil) sobre a Lei nº 6.683/79 (Lei da Anistia), quanto à sua extensão aos crimes praticados pelos agentes do Estado contra os que lutavam contra o Estado de exceção, assinale a alternativa correta.
A. Segundo o STF, a Lei estendeu a conexão aos crimes praticados pelos agentes do Estado contra os que lutavam contra o Estado de exceção; daí o caráter bilateral da anistia. Enquanto que, para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, as disposições da Lei de Anistia brasileira não podem continuar a representar um obstáculo para a investigação dos fatos nem para a identificação e punição dos responsáveis.
B. Segundo o STF, as disposições da Lei de Anistia brasileira não podem continuar a representar um obstáculo para a investigação dos fatos nem para a identificação e punição dos responsáveis. Enquanto que, para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, a Lei estendeu a conexão aos crimes praticados pelos agentes do Estado contra os que lutavam contra o Estado de exceção; daí o caráter bilateral da anistia.
C. Tanto o STF, quanto a Corte Interamericana de Direitos Humanos, entenderam que a Lei estendeu a conexão aos crimes praticados pelos agentes do Estado contra os que lutavam contra o Estado de exceção; daí o caráter bilateral da anistia. A Lei nº 6.683/79 precede a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes e não alcança, por impossibilidade lógica, anistias anteriormente à sua vigência consumadas.
D. Tanto o STF, quanto a Corte Interamericana de Direitos Humanos, entenderam que as disposições da Lei de Anistia brasileira, que impedem a investigação e a sanção de graves violações de Direitos Humanos, carecem de efeitos jurídicos. Em consequência, não podem continuar a representar um obstáculo para a investigação dos fatos, nem para a identificação e punição dos responsáveis, nem podem ter igual ou similar impacto sobre outros casos de graves violações de direitos humanos.
Ano: 2019 Banca: FCC Órgão: DPE-SP
Sobre a Teoria Geral dos Direitos Humanos aplicada à sua previsão no plano internacional, considere as assertivas abaixo.
I. O movimento de proteção a grupos vulneráveis no campo do direito internacional dos direitos humanos justificou a opção pelo princípio da especialidade para solucionar conflitos entre normas de diferentes tratados de direitos humanos, ficando o princípio da primazia da norma mais favorável como regente dos conflitos com normas nacionais.
II. O princípio da interpretação pro homine pode ser exemplificado a partir da jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos no sentido da impossibilidade de denúncia do reconhecimento de sua jurisdição pelos Estados, diante da ausência de dispositivo expresso que permita tal retirada.
III. O princípio da primazia da norma mais favorável ao indivíduo se revela insuficiente para solucionar conflitos entre direitos humanos de indivíduos distintos, que devem coexistir, abrindo espaço para a incidência da análise de proporcionalidade.
IV. O princípio da proibição do retrocesso tem aplicação vinculada ao campo dos direitos econômicos, sociais e culturais, diante das peculiaridades de sua forma de cumprimento, não se relacionando aos direitos civis e políticos, os quais se realizam de maneira imediata.
Está correto o que se afirma APENAS em: A. I e II.
B. II, III e IV.
C. II e III.
D. III e IV. E. I, II e IV.
Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPE-DF Prova: CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público A respeito do Sistema Regional Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos, julgue o item subsecutivo.
O Sistema Regional Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos adota um modelo de justiça de transição que inclui a persecução penal de autores de atos de afronta a direitos humanos durante períodos de autoritarismo, de ditadura, de conflitos ou de graves lutas civis na América Latina.
Ano: 2019 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: DPE-MG Prova: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2019 - DPE-MG - Defensor Público
Segundo a Corte Interamericana de Direitos Humanos, no Parecer consultivo sobre identidade de gênero, igualdade e não discriminação entre casais do mesmo sexo (OC 24/2017), os critérios específicos em virtude dos quais é proibido discriminar, segundo o art. 1.1 da Convenção Americana, não constituem um rol taxativo ou limitado, mas meramente enunciativo. Nesse sentido, a redação desse artigo deixa em aberto os critérios, com a inclusão da expressão “outra condição social”, para incorporar outras categorias que não tenham sido explicitamente mencionadas.
Nesse contexto, qual foi o princípio interpretativo utilizado? A. Pro genera
B. Pro communitas C. Pro diversitas
Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: DPE-RJ Prova: FGV - 2019 - DPE-RJ - Técnico Superior Jurídico
O Estatuto da Igualdade Racial é uma importante ferramenta da política nacional de direitos humanos, voltado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.
De acordo com o Estatuto, considera-se discriminação racial ou étnico-racial:
A. qualquer forma de privação material que importe restrição de direito e que tenha base em distinção de natureza racial ou étnica;
B. a criação de obstáculos para o exercício de direitos na esfera pública que implique a restrição de tradições, costumes e práticas ligadas à ancestralidade africana;
C. a violação de direitos humanos de grupos afrodescendentes e a desconsideração, desprezo ou desrespeito à cultura de povos ancestrais africanos e às suas diferentes formas de manifestação religiosa e espiritual;
D. toda opinião ou sentimento desfavorável a pessoas e grupos afrodescendentes que sejam concebidos sem exame crítico e a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão e que resulte em atitude de natureza hostil ou que leve ao julgamento de opiniões, condutas e pessoas com base em suas características físicas ou crenças estereotípicas;
E. toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que vise anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada.
Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: DPE-RJ Prova: FGV - 2019 - DPE-RJ - Técnico Superior Jurídico
Em março de 2018, o Brasil sofreu uma condenação na Corte Interamericana de Direitos Humanos porque o Estado brasileiro atuou de forma lenta e inadequada na demarcação da terra do povo indígena Xukuru, em Pernambuco.
A responsabilidade do Brasil em realizar as reparações determinadas pela Corte, com base na Convenção Americana de Direitos Humanos, recai sobre:
A. o Governo do Estado de Pernambuco, uma vez que é nesse estado que está situado o povo Xukuru; B. o Congresso Nacional brasileiro, por ser responsabilidade dele a demarcação de terras indígenas;
C. o Governo Federal do Brasil – União – pois, como Estado Parte, cabe a ele assumir a responsabilidade pela Convenção;
D. a Justiça Federal brasileira, que deverá homologar a decisão da Corte e, depois, dar sequência à sua execução;
E. a sociedade civil organizada do Brasil, que contará com um aporte de recursos vindos diretamente da Organização dos Estados Americanos.
Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPE-DF Prova: CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público Com relação ao acesso das minorias aos direitos humanos, julgue o item subsequente.
Crianças estrangeiras que migrarem para o Brasil desacompanhadas de seus responsáveis e sem documento de viagem poderão ser assistidas pela Defensoria Pública, para que sua situação seja regularizada no país.
Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPE-DF Prova: CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público Com fundamento nas teorias sobre direitos humanos e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, julgue o item que se segue.
Na perspectiva de Jürgen Habermas, os direitos humanos pressupõem a soberania popular, e vice-versa, na medida em que esses direitos são fruto de decisões populares soberanas que, ao mesmo tempo, estão limitadas por esses mesmos direitos.