INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO AMBIENTAL BÁRBARA DA SILVA SANTOS

Texto

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BÁRBARA DA SILVA SANTOS

PLANO DIRETOR E POLÍTICA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE DO MUNICÍPIO DE LINHARES - ES

Nova Venécia 2019

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PLANO DIRETOR E POLÍTICA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE

DO MUNICÍPIO DE LINHARES-ES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Gestão Ambiental do Instituto Federal do Espírito Santo – IFES, como requisito parcial para obtenção de título de Especialista em Gestão Ambiental.

Orientador: Profº. Hedeone Heidmam da Silva

Nova Venécia 2019

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Santos, Bárbara da Silva.

Plano Diretor e Política Ambiental: Uma análise do município de Linhares-ES

Orientador: Hedeone Heidmam da Silva.

Monografia (pós-graduação) – Instituto Federal do Espírito Santo, Coordenadoria da Pós-Graduação em Gestão Ambiental, 2019.

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A Política Ambiental Brasileira surgiu da necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico das cidades com a recuperação e preservação do meio ambiente. Em âmbito municipal esta possui suas limitações e deficiências ancoradas na elaboração, construção, legitimação e implementação. Na maior parte dos casos criam-se amparos legais, porém, pouco se analisa sobre como se dão de fato essas disposições no nível local. Sendo assim o objetivo geral deste trabalho foi analisar a implementação da Política Ambiental do município de Linhares-ES, a fim de verificar se seus instrumentos estão sendo executados. Os instrumentos da política ambiental foram escolhidos para ser o objeto de estudo, pois são mecanismos legais e institucionais que conduzem aos objetivos da própria política. Para alcançar os objetivos desta pesquisa o estudo desenvolvido foi do tipo estudo de caso e descritivo. Para tanto se fez necessário, elaborar uma matriz de verificação que contemplassem os instrumentos dessa política, analisar e diagnosticar a implementação dos instrumentos. Com a pesquisa pôde-se concluir que no município de Linhares menos da metade dos instrumentos analisados são existentes e implementados (47%), e 33% são inexistentes. Vale destacar que os instrumentos são essenciais para que se promova ao meio ambiente, sua proteção, conservação, controle, preservação e recuperação para o presente e as futuras gerações. Quando os instrumentos não são efetivados tornam Política Ambiental ineficaz e seus objetivos não são atingidos.

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The Brazilian Environmental Policy arose from the need to reconcile the economic development of cities with the recovery and preservation of the environment. At the municipal level it has its limitations and deficiencies anchored in the elaboration, construction, legitimation and implementation. In most cases legal protections are created, but little analysis is given as to how these provisions actually occur at the local level. Thus, the general goal of this work was to analyze the implementation of the Environmental Policy of the city of Linhares-ES, in order to verify if its instruments are being executed. The environmental policy instruments were chosen to be the object of study, as they are legal and institutional mechanisms that lead to the goal of the policy itself. To achieve the goal of this research, the study developed was a case study and descriptive. Therefore, it was necessary to elaborate a verification matrix that would include the instruments of this policy, evaluate and diagnose the implementation of the instruments. With the research it was concluded that in the city of Linhares less than half of the instruments analyzed are existing and implemented (47%), and 33% are nonexistent. It is worth mentioning that the instruments are essential for promoting the environment, its protection, conservation, control, preservation and recovery for the present and future generations. When the instruments are not implemented, they make the Environmental Policy ineffective and it’s goal are not achieved.

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1 INTRODUÇÃO ... 8

2 REFERENCIAL TEORICO ... 11

2.1 AS CIDADES E A URBANIZAÇÃO ... 11

2.2 PLANEJAMENTOS E OS INSTRUMENTOS DE GESTÃO URBANA ... 13

2.3 O PLANEJAMENTO E GESTÃO AMBIENTAL ... 15

2.4 A POLÍTICA AMBIENTAL BRASILEIRA ... 18

3 METODOLOGIA ... 21

3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA ... 21

3.2 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 25

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 27

4.1 INSTRUMENTOS EXISTENTES E IMPLEMENTADOS – CATEGORIA 1 ... 30

4.1.1 Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos ... 30

4.1.2 Plano Municipal de Saneamento ... 32

4.1.3 Licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras .... 36

4.1.4 O sistema municipal de informações sobre o meio ambiente ... 36

4.1.5 Estabelecimento de parâmetros e padrões de qualidade ambiental ... 37

4.1.6 O Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente – FUMDEMA ... 38

4.1.7 Compensação ambiental ... 38

4.2 EXISTENTE E PARCIALMENTE IMPLEMENTADO – CATEGORIA 2 ... 39

4.2.1 Monitoramento, controle e fiscalização ambiental ... 39

4.3 EXISTENTE E NÃO IMPLEMENTADO – CATEGORIA 3 ... 40

4.3.1 Plano Diretor de Arborização e Áreas Verdes ... 40

4.3.2 A criação, implantação, implementação e manutenção de unidades de conservação municipais e demais espaços especialmente protegidos. ... 41

4.4 INEXISTENTE – CATEGORIA 4 ... 42

4.4.1 Cadastro de atividades potencialmente poluidoras, de profissionais, empresas e entidades que atuam na área de meio ambiente. ... 42

4.4.2 Zoneamento Ambiental ... 43

4.4.3 Plano Municipal de Meio Ambiente ... 44

4.4.4 Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro... 44

4.4.5 Plano Municipal de Educação Ambiental ... 46

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 47

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1 INTRODUÇÃO

O acelerado processo de urbanização das cidades brasileiras nas últimas décadas gerou consequências graves a qualidade de vida da população e significativos impactos ao meio ambiente. De acordo com Pierot (2016) essa problemática conduziu à, um déficit habitacional, ausência de serviços básicos, degradação ambiental, além de ter contribuído para o aumento das desigualdades sociais.

Para Martine e McGranahan (2010, p.19) os problemas sociais e ambientais das cidades do Brasil estão nitidamente relacionados. Os autores destacam que o crescimento rápido das cidades e a falta orientação espacial e manejo ambiental adequado, acentuam a degradação de recursos naturais como a terra, água e vegetação. Já a falta de serviços básicos nos assentamentos urbanos contribui para problemas de saúde ambiental, particularmente aqueles relacionados à água e ao saneamento.

Nesse contexto tornou-se necessário promover um planejamento e gestão das cidades que contemplassem leis urbanísticas pertinentes ao ordenamento da apropriação do solo e ao meio ambiente, para que fosse garantido uma harmonia entre o desenvolvimento urbano e a conservação ambiental. Dessa forma, baseado nessas questões surgiu o Estatuto das Cidades (MARTINS, 2013).

O Estatuto das Cidades (Lei 10.257 de 10 de julho de 2001), veio para regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, tem “por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes” (Art. 182). O estatuto incorpora a preocupação com a sustentabilidade ambiental estabelecendo várias diretrizes de caráter ambiental, com o objetivo de promover a sustentabilidade no âmbito urbano (Brasil 2001).

No entanto para Avelar, Paschoal, Dias Sarques (2012), o grande desafio para alcançar a sustentabilidade das cidades brasileiras está na necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com recuperação e preservação ambiental, observando-se a crescente busca por soluções e mudanças no tocante à gestão urbana.

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Nesse sentido Pierot (2016), destaca a Política Nacional do Meio Ambiente como sendo fundamental para a consecução desses objetivos, pois além de ser o principal ordenamento da política ambiental brasileira, a Lei nº 6.938 de 1981 tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, buscando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana (BRASIL, 1981, s/p).

Contudo, Novais (2011) pondera que embora o Brasil tenha umas das legislações ambientais mais avançada do mundo, existe ainda muita dificuldade de colocá-las em prática. Segundo Redin e Silveira (2012) a política ambiental brasileira possui suas limitações e deficiências ancoradas na elaboração, construção, legitimação e aplicação.

Na concepção de Bittar (2016, p.8), apesar das questões ambientais estarem em pauta há mais de 40 anos, continua sendo objeto de muitos estudos, debates e pesquisas, devido a sua relevância em nível mundial e pela complexidade acerca do assunto estar ainda em fase de compreensão. O autor ressalta que “criam-se amparos legais para regulamentar a proteção ao meio ambiente, porém, pouco se analisa sobre como se dão de fato essas disposições, esses arranjos no nível local. “

Diante do exposto o objetivo geral deste trabalho é analisar a implementação da Política Ambiental do município de Linhares-ES prevista no Plano Diretor Municipal, a fim de verificar se os instrumentos desta política estão sendo executados. Para alcançar esse objetivo se fez necessário: Elaborar uma matriz de verificação que contemple os instrumentos da política ambiental a serem analisados; analisar o atendimento aos instrumentos; diagnosticar a implementação dos instrumentos da política ambiental.

O município de Linhares foi escolhido para ser o objeto de estudo, pois a cidade de Linhares assim como praticamente todos os municípios do Espírito Santo sofreram um forte processo de degradação ambiental durante o seu período ocupação. Quase toda sua vegetação nativa, especialmente de mata atlântica foram removidas para comercialização da madeira (SILVA, 2014). Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica (2014-2015) nos anos de 2014 e 2015 Linhares foi o município do Espírito Santo

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que mais desmatou a Mata Atlântica. Além dos problemas relativos ao desmatamento ambiental o município enfrenta dificuldades referente ao esgotamento sanitário, sendo parte significativa dos esgotos lançada ainda sem tratamento nas lagoas da área urbana e no Rio Doce.

Conforme o exposto o município de Linhares possui diversos problemas de cunho ambiental. O trabalho visa contribuir para um entendimento maior das questões ambientais em um nível local, especialmente a respeito da implementação política ambiental. De acordo com Barros (2009, p.52), quando se analisa uma política levanta-se “subsídios para a avaliação das contribuições que certas políticas adotadas trazem ou podem trazer para a solução de problemas específicos.

O enfoque do estudo em analisar a política ambiental tem muito a contribuir à cidade de Linhares, pois quando se analisa e avalia uma política permite-se “aferir se os objetivos foram atingidos, quais os problemas que ocorreram e quais correções devem ser realizadas a partir das experiências adquiridas” (BURSZTYN E BURSZTYN, 2012, p. 185).

Para melhor compreensão acerca do tema proposto, esta pesquisa apresenta na primeira parte o referencial teórico, no qual é feito uma abordagem a respeito da origem das cidades e a Urbanização, seguida por uma análise sucinta do planejamento das cidades e os Instrumentos de gestão urbana e ambiental, sendo finalizado com um estudo sobre a Política Ambiental Brasileira e suas principais dimensões.

Na segunda parte são apresentados os aspectos metodológicos, neste inicia-se com uma caracterização da área de estudo, inicia-seguida pelo delineamento da pesquisa em que se estrutura e delimita um roteiro metodológico para análise e coleta de dados da política ambiental de Linhares.

A terceira parte preocupou-se com a análise e discussão dos dados, verificou-se os dados obtidos após a aplicação do roteiro metodológico, e procedeu-verificou-se com diagnostico acerca da política ambiental de Linhares. Por fim, a última parte é apresentado a análise conclusiva da pesquisa.

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2 REFERENCIAL TEORICO

2.1 AS CIDADES E A URBANIZAÇÃO

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA (2010, p.3) “As cidades mudam constantemente. São construídas, reconstruídas, transformadas, ocupadas por diferentes grupos e usadas para diferentes funções”.

Acredita-se que as primeiras cidades surgiram por volta de 3500 a.C na Mesopotâmia, logo após teriam surgido no vale do rio Nilo (3100 a.C), no vale do rio Indo (2500 a.C.) e no rio Amarelo (1550 a.C). Essas cidades tinham em comum, a localização próxima aos grandes rios, uma organização de caráter teocrático, e uma estruturação interna do espaço onde a elite morava sempre no centro (SPOSITO, 2000).

Sposito (2000) destaca que as cidades da Mesopotâmia aumentaram sua importância por volta de 2500 a.C, quando criaram Estados independentes, chegaram a ter cerca de oitenta mil habitantes na Babilônia e cinquenta mil na Ur. Nessa época esses locais já eram divididos em propriedades individuais, no entanto nos campos as terras tinham administração em comum.

Outros períodos históricos importantes para o desenvolvimento das cidades foram no final da Idade Média e no final do século XVIII com a Revolução Industrial. Nestes dois períodos as cidades pela sua dinâmica econômica, passam a ter uma relação intrínseca com o seu entorno, onde no último período da Idade Média ocorreu o desenvolvimento do capitalismo e final do século XVIII com a Revolução Industrial fortaleceu o modo de produção capitalista (OLIVEN, 2010).

De acordo com Silva (2012), o advento do Capitalismo desencadeou o processo de urbanização. A urbanização é um processo de transformação das características rurais de um determinado lugar para características urbanas. Em meados do século XIX a população urbana correspondia a apenas 1,75 da população mundial e em 1950 essa porcentagem era de 21% e em 1960 de 25%.

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No Brasil o processo de urbanização atingiu índices significativos na segunda metade do século XX, sendo considerada umas das mais rápidas transições urbanas da história mundial. Esse movimento rural-urbano foi impulsionado principalmente pelo início do ciclo econômico do café, que veio acompanhado da mecanização, do transporte ferroviário, entre outros, que alavancaram processos de produção e comercialização (MARTINE e MCGRANAHAN, 2010).

Martine e McGranahan (2010) destacam que o avanço da economia no solo brasileiro proporcionou melhora nas condições de vida, que aliado com iniciativas de saneamento e de saúde pública, diminuíram a mortalidade e aumentam as taxas de crescimento vegetativo. O Brasil passou então por um período de forte crescimento econômico e demográfico.

A velocidade no processo da urbanização do Brasil ocorreu em um espaço de tempo relativamente curto. Segundo o IBGE (2010), em 1940 a população urbana no Brasil era de 12,8 milhões de habitantes e, em 2000 atingiu 137,9 milhões, tendo aumentado cerca de 125,1 milhões de habitantes urbanos, resultado na elevação do grau de urbanização que passou de 31,3%, em 1940, para 81,2%, em 2000.

Nesse contexto a expressiva e rápida expansão demográfica das cidades brasileiras provocou problemas sociais, econômicos e ambientais. Martins (2013) afirma que, esse processo acelerado de urbanização da sociedade brasileira pode ter gerado um processo de exclusão social, além de significativos impactos sobre o meio ambiente.

Segundo Maricato (2003) a partir dos anos oitenta as periferias brasileiras cresciam mais do que os centros das metrópoles ou núcleos ou municípios, o aumento dessas áreas de concentração de pobreza representava algo inédito na história, pois antes essas áreas estavam espalhadas nas zonas rurais. São reflexo desse fenômeno, a falta de serviços básicos e infraestrutura urbanos como: transporte, saneamento, drenagem, abastecimento, educação, etc. além de falta de oportunidades de emprego, profissionalização dentre muitos outros. Diante disso Campos (2004, p.35) destaca que, os governos locais precisam “coordenar melhor e racionalmente o uso e a ocupação do solo, tanto rural como urbano, bem como formular estratégias de assentamentos bem definidas

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para orientar o processo de urbanização”. Assim o planejamento efetivo do uso do espaço ou do solo aliado com um manejo ambiental adequado, podem evitar a degradação de recursos naturais bem como o desordenamento urbano. De acordo com Martine e McGranahan (2010, p.20) no Brasil o ritmo do crescimento urbano dos últimos tempos sempre ultrapassou qualquer planejamento que tenha sido feito para o uso do espaço ou do solo. Uma parcela desse problema está na oposição ideológica e política tradicional ao crescimento urbano. “As iniciativas governamentais, seja em nível federal, seja em nível estadual ou local, sempre tenderam a retardar ou impedir o crescimento urbano em vez de ordená-lo”.

2.2 PLANEJAMENTOS E OS INSTRUMENTOS DE GESTÃO URBANA

O desenvolvimento das cidades é desafiador quando estas crescem de forma desordenada e intensa, pois o não planejamento desse crescimento acarreta graves problemas socioambientais. De acordo com Akaishi (2011), os municípios brasileiros, em geral, possuem poucos conhecimentos práticos em planejamento urbano, tendo dificuldades em fazê-los.

Segundo Silva (2012, p.20) “O planejamento urbano pode ser definido como o processo de escolher um conjunto de ações consideradas as mais adequadas para conduzir a situação atual na direção dos objetivos desejados”. Essa expressão foi originada na Inglaterra e nos Estados Unidos, e marca uma mudança na forma de encarar a cidade e seus problemas.

Fontoura (2013, p.3) ainda destaca o planejamento urbano como sendo “um conjunto de ferramentas que possibilita perceber a realidade, a fim de avaliar os caminhos para a construção de programas que visa aprimorar os aspectos de qualidade de vida atual e futura da população”.

Nessa perspectiva, Martins (2013) afirma que é necessário planejar o uso e ocupação do solo para que se possa estabelecer e adotar metas para uma ocupação ordenada de forma a utilizar os recursos naturais de maneira equilibrada. Dessa forma Constituição Federal, o artigo 30, inciso VIII, aponta que: Compete aos municípios: “Promover, no que couber, adequado

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ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano”.

Baseado nessas questões foi criado então o Estatuto das Cidades (Lei 10.257 de 10 de julho de 2001), no qual regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, que tem “por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes” (Art. 182).

De acordo com Batistela (2007, p.3), o Estatuto das Cidades é a legislação mais recentes sobre a questão urbana no Brasil. No entanto por sua elaboração ter sido iniciada em 1980, as questões sociais que estavam em evidência na época, “possuem forte conotação social com pequena visibilidade da questão ambiental a época”.

O Estatuto das Cidades norteia o capítulo referente à Política Urbana, que “tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana” (Art. 2). Um dos principais Instrumentos da Política Urbana é o Plano Diretor. O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal. De acordo com o artigo 40, “§ 1o O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal, devendo o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas”.

Conforme o Art. 41. O plano diretor é obrigatório para cidades:

I – com mais de vinte mil habitantes;

II – integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; III – onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4o do art. 182 da Constituição Federal;

IV – integrantes de áreas de especial interesse turístico;

V – inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.

VI - incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos.

Campos (2004) destaca que o Plano Diretor defini as áreas específicas para cada atividade, permitindo, sobretudo aos cidadãos disporem de crescimento e desenvolvimento econômico e social. Assim, para que se alcance o

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desenvolvimento do município e a integridade de seus cidadãos, é fundamental que o Plano Diretor seja desenvolvido e executado com racionalidade e precisão.

Segundo Avelar, Paschoal e Sarques (2012), o Plano Diretor possui grande importância no âmbito ambiental, pois considera a situação do ecossistema local, delimitando áreas de: preservação permanente, recuperação, de utilização e conservação de recursos naturais, de risco, zona de transição entre as áreas a serem preservadas, conservadas e ocupadas.

Reis e Venâncio (2016) destacam o Plano Diretor como sendo importante e primordial instrumento de gestão territorial e gestão ambiental, de modo que, direciona o planejamento do município dando importância à preservação do ecossistema local, e por consequência, garante uma vida digna a todos os seus habitantes, ao mesmo tempo assegura o desenvolvimento sustentável das cidades.

2.3 O PLANEJAMENTO E GESTÃO AMBIENTAL

O acelerado processo de deterioração sofrido pelo meio ambiente nas últimas décadas fez surgir uma nova visão de planejamento preocupado com a “questão ambiental”. Esse novo pensamento teria surgido nos Estados Unidos por volta de 1950, cujo preocupação principal era de avaliar os impactos ambientais decorrente de grandes obras estatais (BATISTELA, 2007).

O ápice desse novo modelo de planejamento ocorreu no final de 1960 com a divulgação do relatório do clube de Roma e a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972. A conferência ajudou a propagar mundialmente os novos conceitos de gestão ambiental assim como disseminar as políticas ambientais (CUNHA JUNIOR, 2013).

No Brasil as primeiras preocupações com o meio ambiente começaram a ser esboçada na década de 30, com a primeira reunião nacional para debater sobre as políticas de proteção ao patrimônio natural. Esse encontro foi motivado em razão das preocupações ao desmatamento crescente na floresta

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da Tijuca no Rio de Janeiro e da floresta de araucárias no Paraná (CHAGAS et al, 2015).

Segundo Ferreira e Salles (2016, p. 4) em 1973 o Brasil iniciou uma nova fase no cenário ambiental, sendo marcado pela a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). O autor destaca que o desenvolvimento da secretaria “não representou de imediato uma mudança na estrutura da tomada de decisão sobre as questões ambientais mais relevantes, em especial, a localização industrial ou tecnologias utilizadas na produção”.

No entanto a primeira vez que despontou uma proposta planejamento ambiental no Brasil em formato de orientação territorial foi com a criação da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) a Lei 6.938 de 1981. Segundo Santos (2004, p. 21) “antes dela, as diretrizes legais eram setorizadas ligadas a um aspecto do ambiente como preservação de florestas, proteção da fauna, conservação dos recursos hídricos ou poluentes”.

Posteriormente a Constituição Federal de 1988 dedicou um Artigo ao meio ambiente, o Art. 225, no qual estabelece a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem como responsabiliza ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar para as gerações do presente e futura. Nesta mesma publicação são ampliados os marcos da descentralização das questões ambientais, que mais tarde passou a responsabilizar os estados e municípios pela gestão das demandas ambientais (CUNHA JUNIOR, 2013). Nesse contexto o planejamento ambiental na década de 1990 passou a ser incorporado aos planos diretores municipais, de modo que expressavam a combinação entre conceitos e estruturas de planejamento urbano, planos de bacias hidrográficas, e estudo de impacto ambiental (SANTOS, 2004 p-23). Atualmente o planejamento ambiental inclui também a perspectiva de “desenvolvimento sustentável, preocupando-se com a manutenção de estoques de recursos naturais, qualidade de vida e uso adequado do solo, além do aspecto da conservação e preservação de sistemas naturais” (SANTOS; 2004 p-23).

Na concepção de Silva e Santos (2011, p. 26), o planejamento ambiental é interpretado como:

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[...] um processo contínuo que envolve a coleta, a organização e a análise sistematizadas das informações por procedimentos e métodos, para se chegar a decisões ou escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis, em função de suas potencialidades, e com a finalidade de se atingir metas específicas no futuro, levando à melhoria de determinada situação e à qualidade de vida das sociedades.

Vale destacar que o planejamento ambiental tem um importante papel em direcionar os instrumentos metodológicos, administrativos, legislativos e o sistema de gestão ambiental desenvolvido (SILVA, SANTOS, 2011). Souza (2000) aponta o sistema de gestão ambiental como o conjunto de procedimentos que tem por objetivo à conciliação entre desenvolvimento e qualidade ambiental.

Segundo Novais (2011, p. 6) a gestão ambiental pode ser compreendida por um “processo continuo de análise, tomada de decisão, organização e controle das atividades de desenvolvimento, tendo como principal objetivo a mitigação de impactos negativos sobre o meio ambiente”, isto é, a eliminação, redução ou prevenção aos danos ambientais.

De acordo com Bursztyn e Bursztyn (2012, p. 203), são objetivos da gestão ambiental:

Criação e implementação de um arcabouço legal; prevenção e resolução de problemas ambientais; criação e fortalecimento de instituições que contribuam para o aumento do conhecimento dos recursos ambientais, do seu controle, monitoramento e vigilância; otimização do uso dos recursos ambientais; identificação da e respeito à capacidade de suporte dos ecossistemas; manutenção e, se possível, ampliação do estoque de recursos ambientais; busca da melhoria da qualidade ambiental, da qualidade de vida das populações e de desenvolvimento econômico e social com proteção ambiental; e, identificação de novas tecnologias, processos, instrumentos e políticas que contribuam para o uso sustentável dos recursos ambientais.

Segundo Silva e Santos (2011, p. 215), “a gestão ambiental apresenta-se como um conjunto de normas, procedimentos e instrumentos técnicos e político-administrativos que anseia alcançar os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA)”. Para Pierot (2016), a PNMA é o principal ordenamento da política ambiental brasileira.

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2.4 A POLÍTICA AMBIENTAL BRASILEIRA

As Políticas Públicas são diretrizes e princípios norteadores da ação do governo que são concretizados por através de metas e de objetivos (SANCHES, FIGUEIREDO NETO, 2017). No tocante às questões ambientais, Frederico (2014) aponta que, a proposta de uma política para o meio ambiental em um país é fomentada para que sejam criadas alternativas de utilização dos recursos naturais orientada por uma racionalidade ambiental e ética.

Na concepção de Ferreira e Salles (2016, p. 02), a política ambiental praticada em um país “indica o modo como os recursos naturais são utilizados e adequados para o desenvolvimento de atividades econômicas que geram impactos potencialmente degradantes”.

Bursztyn e Bursztyn (2012, p. 182), enfatiza a política ambiental como:

O conjunto de iniciativas governamentais coordenadas, envolvendo diferentes organismos e setores de intervenção pública, em articulação com atores não governamentais e produtivos, voltadas à proteção, conservação, uso sustentável e recomposição dos recursos ambientais. O foco é não apenas o ambiente biofísico, mas também o modo como as populações e as atividades produtivas interagem com os diferentes ecossistemas. O ambiente construído, que inclui cidades e infraestruturas em geral, também faz parte do escopo das políticas ambientais.

No Brasil a política ambiental começou a ser desenvolvida a partir das exigências dos movimentos ambientalistas internacionais, iniciados a partir da segunda metade do século XX (FLORIANO, 2007). Moura (2016) descreve os principais períodos da política ambiental brasileira até a sua consolidação, dentre eles destacam-se três:

a) Um primeiro período de 1930 a 1971, marcado por políticas setoriais baseada na regulação do uso dos recursos naturais, surgem as primeiras legislações voltadas para a conservação ambiental como o Código de Águas, o Código Florestal, Lei de Proteção a Fauna e criação de diversos Parques Nacionais;

b) Um segundo período de 1972 a 1987, momento no qual aumenta a percepção dos problemas ambientais a nível mundial, e o Brasil cria a primeira instituição para tratar da temática ambiental no nível federal: a Secretaria

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Especial de Meio Ambiente, além do estabelecimento da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81);

c) Terceiro período de 1988 aos dias atuais, marcado pela democratização e a inclusão do Capítulo do Meio Ambiente (Art. 225) à Constituição Federal de 1988, que resultou na descentralização da política ambiental e estruturação de instituições estaduais e municipais de meio ambiente, com a criação de órgãos e/ou secretarias.

Contudo é vital destacar que o principal ordenamento da política ambiental brasileira é a Lei nº 6.938 de 1981, no qual dispõem sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins, mecanismos de formulação e aplicação. Conforme o Art. 2º, o seu objetivo é:

[...] a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana (BRASIL, 1981, s/p.).

Para isso, devem ser atendidos os princípios de: equilíbrio ecológico, racionalização de uso dos componentes (solos, subsolo, água e ar), planejamento e fiscalização do uso dos recursos naturais assim como pesquisas voltadas para proteção destes, controle e zoneamento das atividades potencialmente poluidoras, recuperação e proteção de área degradação e educação ambiental a todos os níveis de ensino (BRASIL, 1981). A Política Nacional do Meio Ambiente menciona também que a fiscalização, coordenação e proteção do meio ambiente será responsabilidade dos órgãos e entidades ligados às três instâncias União, Estado e Município, que constituirão Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), tendo o Conselho de Governo como órgão superior; como órgão consultivo e deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA); a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República como órgão central e como órgão executor o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) (BRASIL, 1981).

Descreve ainda o modo de utilização e apropriação dos recursos naturais para atividade produtiva, estabelecendo alguns instrumentos de gestão ambiental

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descritos no Artigo 9º, destacam-se: o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, o zoneamento ambiental, a avaliação de impactos ambientais, e o licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras (Ferreira e Salles, 2016).

Pierot (2016) pondera que, embora a Política Nacional do Meio Ambiente tenha sido adotada com incredulidade a sua efetiva aplicação, alguns estados e municípios criaram suas secretarias municipais e estaduais de meio ambiente. Quanto aos municípios a política afirma que os “municípios observados as normas e os padrões federais e estaduais, poderão elaborar normas supletivas e complementares e padrões relacionados ao meio ambiente”, devendo observar o que foram estabelecidos pelo Conama (BRASIL, 1981 s/n).

Nessa perspectiva Souza et al. (2003, p. 69) ressalta que as diretrizes e normas, na forma de lei que regulamentam as questões ambientais locais será instituída pela Política Municipal de Meio Ambiente (PMMA), no qual visará:

Regular a ação dom Poder Público Municipal com os cidadãos e instituições públicas e privadas, preservação, conservação, defesa, melhoria, recuperação, uso sustentável dos recursos naturais e controle do meio ambiente ecologicamente equilibrado, respeitadas as competências federal e estadual.

Os municípios que instituíram a PMMA em geral criam um Sistema Municipal de Meio Ambiente (SISMUMA), tendo como órgão superior Conselho Municipal de Meio Ambiente, um órgão executor a Secretaria ou Departamento Municipal de Meio Ambiente e órgãos seccionais no qual são responsáveis por controle e fiscalização de atividades responsáveis pela degradação ambiental (BITTAR, 2016).

Dos instrumentos inclusos na política destaca-se: Planejamento: Plano Plurianual de Ação, Plano Diretor Municipal, Código de Posturas, Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, entre outros; de Controle e monitoramento: fiscalização, banco de dados, licenciamento; e os de Viabilização: Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Lei Orçamentária Anual (LOA) (Souza et al., 2003).

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3 METODOLOGIA

3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA

Para alcançar os objetivos desta pesquisa, o estudo desenvolvido foi do tipo estudo de caso, no qual “consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento” (GIL, 1996). Foi também descritivo, que tem por objetivo principal “registrar, observar, analisar e correlacionar fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los [...]” (CASTRO, 2006).

A primeira etapa deste estudo consistiu-se na pesquisa bibliográfica. Buscou-se as leis, estatutos e diretrizes referente ao plano diretor e a política ambiental, assim como levantamento de outros documentos necessário para fundamentação e desenvolvimento da pesquisa. Além da pesquisa bibliográfica definiu-se os locais, dias e horários das visitas que foram realizadas.

Na segunda parte do estudo, realizou-se as visitas em campo. O objetivo desta etapa foi a coleta de dados. Segundo Gil (2002, p.141), a coleta de dados no estudo de caso

É o mais completo de todos os delineamentos, pois vale-se tanto de dados de gente quanto de dados de papel. Com efeito, nos estudos de caso os dados podem ser obtidos mediante análise de documentos, entrevistas, depoimentos pessoais, observação espontânea, observação participante e análise de artefatos físicos. Foram coletados dados na prefeitura municipal de Linhares, na Secretaria de Meio Ambiente junto a Gerência de Recursos Renováveis e Gerência de Educação Ambiental. Posteriormente os dados coletados foram utilizados na análise da implementação dos instrumentos da Política Ambiental do município de Linhares.

Os instrumentos analisados estão dispostos no Código Municipal do Meio Ambiente de Linhares (Lei Nº 3.461, de 22 de dezembro de 2014). A escolha dos instrumentos, baseou-se na pesquisa realizada por Barros (2009), no qual demonstra através da matriz interação (Quadro 1) quais instrumentos causam impactos na gestão ambiental municipal.

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Quadro 1: matriz de interação entre os desafios da gestão ambiental municipal e os instrumentos de políticas ambientais e seus respectivos níveis de impactos.

Fonte: Barros (2009, P.78).

Segundo Barros (2009, p.77 e 79), a matriz “demonstra os níveis de impactos que os instrumentos de políticas ambientais apresentam diante de cada desafio a ser enfrentado na gestão ambiental municipal”. O autor destaca ainda que, “essa matriz e importante, pois auxilia na identificação dos instrumentos mais adequados para o enfrentamento dos principais desafios no âmbito da gestão ambiental”. Sendo assim, para esta pesquisa escolheu-se os instrumentos citado por Barros (2009), porém os que constam na política ambiental de Linhares.

Além dos instrumentos propostos por Barros (2009) resolveu-se analisar os planos municipais contidos na política ambiental do município de Linhares.

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Entendemos que este são fundamentais para o desenvolvimento a longo prazo, uma vez que fundamentam, regulamentam e orientam a proposição e execução de políticas pública, para o período determinado (Confederação Nacional de Municípios, 2015)

Para analisar estágio de implementação dos instrumentos da Política Ambiental de Linhares, utilizou-se a metodologia proposta de Sabino (2014). A pesquisa desenvolvida por ele emprega uma metodologia em que analisa o estágio da implementação dos instrumentos de gestão do desenvolvimento municipal previstos no Plano Diretor de Dourados no ano de 2014. Os instrumentos eram classificados de acordo com o estágio de consolidação, obedecendo a um critério composto por cinco variáveis, conforme mostra o Quadro 2 abaixo. Quadro 2- Classificação dos estágios de consolidação dos Instrumentos

CATEGORIAS CONCEITO DESCRIÇÃO

CATEGORIA 1

Existente e Implementado

Refere-se aos instrumentos ou

diretrizes estabelecidos e executados pela gestão municipal.

CATEGORIA 2

Existente e parcialmente implementado

Trata-se dos instrumentos ou diretrizes existentes e executados parcialmente pela gestão municipal.

CATEGORIA 3

Existente e não implementado

Refere-se aos instrumentos ou

diretrizes instituídos por lei municipal, porém ainda não foram

implementados.

CATEGORIA 4

Inexistente Compreende aos instrumentos ou diretrizes que está previsto na lei, porém não existe na gestão municipal.

CATEGORIA 5 Sem

informação

Quando nenhuma informação foi obtida acerca do instrumento ou diretriz.

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Entretanto para viabilizar a coleta e análise dos dados deste trabalho, elaborou-se matrizes de verificação baelaborou-seada na metodologia proposta por Sabino (2014), porém, adaptada para análise das políticas ambientais de Linhares. Como pode ser visto no Quadro 3, abaixo.

Quadro 03: Matriz de verificação dos instrumentos da Política Ambiental

INSTRUMENTOS 1 - Ex is te nte e Im pl e m e nta d o 2 - Ex is te nte e pa rci a lm e nte im pl e m e nta d o 3 -Ex is te nte e o im pl e m e nta d o 4 -In e x is te nte 5 -Se m in form a ç ã o

1- Plano Municipal de Meio Ambiente 2- Plano Municipal de Educação Ambiental

3- Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos 4- Plano Diretor de Arborização e Áreas Verdes

5- Plano municipal de saneamento 6- Licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente

7- O sistema municipal de

informações sobre o meio ambiente 8- Cadastro de atividades

potencialmente poluidoras, de profissionais, empresas e entidades que atuam na área de meio ambiente 9- Estabelecimento de parâmetros e padrões de qualidade ambiental 10- Monitoramento, controle e fiscalização ambiental

11- A criação, implantação, implementação e manutenção de unidades de conservação municipais e demais espaços especialmente protegidos

12- O Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente – FUMDEMA

13- Compensação Ambiental 14- Zoneamento Ambiental 15- Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro

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Tendo como base esta matriz os dados obtidos na pesquisa foram analisados e os resultados apresentados por meio de uma breve análise de cada instrumento da política ambiental.

3.2 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O município de Linhares está situado ao norte do estado do Espírito Santo, conforme pode ser observado na Figura 1, ocupa uma porção de 3,5 mil km² na borda leste da costa brasileira, a uma latitude sul de 19,39111 e uma longitude oeste de Greenwich de 40,07222, sendo o maior município em área territorial do estado (GONÇALVES, 2011).

Figura 1: Mapa Divisão Regional do Espírito Santo em Microrregiões Administrativas de Gestão.

Fonte: Plano Estratégico de Linhares 2005-2025- Agenda 21

Territorialmente o município possui 09 distritos sendo: Sede, Bebedouro, Desengano, Regência, Povoação, Pontal do Ipiranga, Farias, Rio Quartel e São Rafael.Toda a sua extensão é cortada pela BR 101, por onde são escoados os

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principais produtos da região. Possui um relevo 85,8% plano e 14,2% acidentado. (INCAPER, 2009).

Quanto aos aspectos populacionais, de acordo como censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2010, o município de Linhares abrigava 141.306 habitantes, tendo uma densidade demográfica de 40,33 hab/km. Estima-se que no ano de 2018 a população seja entorno de 170.364 habitantes. Em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) que analisa longevidade, educação e renda, a cidade obteve 0,724, e um PIB (Produto Interno Bruto) per capita de R$ 32.011,14.

De acordo com IDEIES (Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo, 2016), Linhares é uma cidade urbano-industrial, com forte presença dos setores da indústria, comércio e turismo. No setor industrial, destaca-se a indústria de transformação, que no ano de 2014 gerou 12.086 empregos.

No setor da agricultura destaca-se no cultivo de cacau e café, na fruticultura, silvicultura, no plantio cana-de-açúcar para a produção de etanol, além de ser o maior produtor de mamão do Espírito Santo e grande exportador de papaia. O município desponta ainda como um grande produtor de petróleo e gás natural (IDEIES, 2016).

A cidade de Linhares possui um clima tropical quente a seco, com chuvas no verão e inverno seco. Segundo INCAPER (2009), as grandes alterações da paisagem principalmente nas matas tonaram o clima descaracterizado, provocando assim ligeira diminuição das precipitações nos meses do inverno. Silva (2014) destaca ainda que, até 1960 quase todo o município de Linhares era coberto pela Mata Atlântica, porem após a crise do café, a tentativa da economia se reerguer através do extrativismo florestal, acarretou o desmatamento de grande parte da Mata Atlântica.

Vale destacar que atualmente o estado do Espírito Santo conta com aproximadamente 12,6% de Mata Atlântica. Entre os 100 municípios brasileiros que mais desmataram de 1985 a 2015, três cidades do Espírito Santo se destacam são: Linhares (25ª colocação), Mimoso do Sul (40º) e São Mateus

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(78º). Juntas desmataram 17.805 hectares (178 km²) (Fundação SOS Mata Atlântica, 2018).

Desse modo, o município de Linhares foi o que mais desmatou Mata Atlântica no Espírito Santo, no período entre 2014 e 2015 foram eliminados cerca de 60 hectares de floresta, aproximadamente a área de 60 campos de futebol (Fundação SOS Mata Atlântica, 2016).

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os principais marcos legais da Política Ambiental do município Linhares foram o Código Municipal do Meio Ambiente de 2002 e o Plano Diretor do Município de Linhares de 2005. Atualmente a política ambiental é coordenada, controlada e executada por intermédio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Naturais (SEMAM).

A SEMAM possui 27 funcionários e dentre as suas atribuições destacam-se: promover a educação ambiental a fim de estimular a participação na proteção, conservação e recuperação do meio ambiente; propor a criação e gerenciar espaços territoriais especialmente protegidos, implementar planos de manejo; licenciar as atividades consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras e/ou degradadoras e elaborar projetos ambientais.

Em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente, atua o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA). O COMDEMA é um órgão colegiado autônomo, de caráter consultivo, deliberativo, normativo e recursal, composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil, sendo responsável principalmente por: colaborar com o município na regulamentação e acompanhamento das diretrizes da Política Municipal de Meio Ambiente; analisar proposta de elaboração do zoneamento ambiental; propor a política municipal de planejamento e controle ambiental; aprovar os métodos e padrões de monitoramento ambiental, desenvolvidos e utilizados pelo Poder Público e pela iniciativa privada.

A proposta deste trabalho foi analisar os instrumentos da Política Ambiental no desenvolvimento local. Segundo Sampaio e Araújo Jr (2006), a análise de política, pode ser vista como uma técnica de estudo que possibilita formar uma

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opinião determinada política pública, permite a comparação com outras políticas, ou até mesmo intervenções de ordem prática. Nessa perspectiva Santiago (2013, p.11) destaca que, os instrumentos da Política Ambiental “merecem atenção especial por representarem os meios que conduzem aos objetivos da própria política, sendo elementos estratégicos” a fim de que a Política de Meio Ambiente produza um efeito real e positivo.

Dos instrumentos analisados os resultados encontrados sobre o estágio da implementação podem ser observados na matriz de verificação (Quadro 4) abaixo.

Quadro 04: Matriz Resultados dos Instrumentos da Política Ambiental de Linhares-ES. INSTRUMENTOS 1 - Ex is te nte e Im pl e m e nta d o 2 - Ex is te nte e pa rci a lm e nte im pl e m e nta d o 3 -Ex is te nte e o im pl e m e nta d o 4 -In e x is te nte 5 -Se m i nf orm a ç ã o

1- Plano Municipal de Meio Ambiente 2- Plano Municipal de Educação Ambiental

3- Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos 4- Plano Diretor de Arborização e Áreas Verdes

5- Plano municipal de saneamento 6- Licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente

7- O sistema municipal de

informações sobre o meio ambiente 8- Cadastro de atividades

potencialmente poluidoras, de profissionais, empresas e entidades que atuam na área de meio ambiente 9- Estabelecimento de parâmetros e padrões de qualidade ambiental 10- Monitoramento, controle e

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fiscalização ambiental 11- A criação, implantação, implementação e manutenção de unidades de conservação municipais e demais espaços especialmente protegidos

12- O Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente – FUMDEMA

13- Compensação Ambiental 14- Zoneamento Ambiental 15- Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro Fonte: Autor.

Em porcentagem que dizer que, 47% dos instrumentos analisados são existentes e implementados, 33% inexistentes, 13% existente e não implementado, e 7% existe e estar parcialmente implementado, conforme podem ser observados no Gráfico 1 abaixo.

Gráfico 1- Condição de implementação dos instrumentos da Política Ambiental do município de Linhares

Fonte: Autor da pesquisa.

47% 7% 13% 33%

Nível de Conformidade

Existente e Implementado Existente e parcialmente implementado

Existente e não implementado Inexistente

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A seguir serão apresentados os instrumentos categorizados, de acordo com a matriz de análise apresentada.

4.1 INSTRUMENTOS EXISTENTES E IMPLEMENTADOS – CATEGORIA 1

4.1.1 Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos

O Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, elaborado com embasamento nas Leis Federais 12.305/2010 e 11.445/2007, visa planejar a gestão municipal dos resíduos sólidos. O plano deve conter: diagnóstico da situação dos resíduos sólidos gerados, contendo a origem, o volume, a caracterização dos resíduos e as formas de destinação e disposição finais adotadas; procedimentos operacionais e especificações mínimas a serem adotados nos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, incluída a disposição final; indicadores de desempenho operacional e ambiental dos serviços públicos de limpeza urbana, dentre outros (BRASIL, 2010).

Em Linhares o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos foi elaborado em março de 2015, aprovado pelo decreto Nº 973 em julho de 2015. A responsabilidade pela elaboração e implementação do plano é do município, que exigiu a definição de uma metodologia capaz de diagnosticar satisfatoriamente o quadro do saneamento ambiental, no que tange aos resíduos sólidos, e de propor ações a serem implementadas na solução gradual e global das carências deste serviço na cidade (PML, 2015).

A estrutura do sistema de limpeza urbana em Linhares conta com a administração da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e sua operação é realizada por empresa da iniciativa privada e pela prefeitura. Atualmente a execução dos serviços públicos de limpeza urbana e do manejo dos resíduos sólidos é realizada pela empresa RG Empreendimentos.

Apesar de a cidade possuir o plano e ter uma estrutura do sistema de limpeza organizada enfrenta ainda problemas relacionados ao descarte de alguns resíduos, principalmente resíduos da construção civil. Esses resíduos em sua

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maioria são descartados de maneira incorreta nas ruas, terrenos baldios e áreas verdes, como pode ser observado na Figura 2 e 3 abaixo.

Figura 2 - Disposição de lixo a céu aberto em terreno baldio no bairro Araçá.

Fonte: Acervo da autora, 2019.

Figura 3 - Disposição de lixo a céu aberto em terreno baldio no bairro Aviso.

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4.1.2 Plano Municipal de Saneamento

O plano municipal de saneamento básico, instituído pela Lei 11.445/2007 visa o planejamento dos serviços de saneamento como: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. O Plano Municipal de Saneamento Básico de Linhares/ES foi estabelecido pela Lei Nº 3.376, de 30 de dezembro de 2013.

Buscou-se com o plano consolidar os instrumentos da política pública e da gestão dos serviços de saneamento básico, pretendendo universalizar o acesso, garantir qualidade e suficiência no suprimento dos serviços, proporcionar melhores condições de vida à população, bem como a melhoria das condições ambientais (PML, 2010).

Dos objetivos gerais destacam-se: definir os instrumentos da gestão, os objetivos, as diretrizes e as metas para a universalização do acesso com qualidade; os instrumentos e canais da participação e controle social e os mecanismos de monitoramento e avaliação do Plano; definir diretrizes para o planejamento, a prestação, regulação e a fiscalização das ações de saneamento básico, com participação e controle social; promover a melhoria da saúde pública e da salubridade ambiental, o direito à cidade, a proteção dos recursos hídricos e a sustentabilidade ambiental (LINHARES, 2013).

O principal órgão de planejamento do saneamento no município de Linhares é a Secretaria Municipal de Planejamento, a qual poderá ser auxiliada por outros órgãos e até mesmo pelo ente regulador, inclusive poderá instituir Órgãos de Fiscalização e Execução do Plano Municipal de Saneamento Básico. A prestação direta descentralizada dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, é realizada por meio de outorga ao SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), autarquia pública municipal.

Embora Linhares tenha um serviço de saneamento consolidado, sobressaem alguns problemas relacionados ao esgotamento sanitário. Na atualidade ainda é possível ver o esgoto sem tratamento sendo despejados nas duas maiores lagoas urbanos da cidade: a do Meio e a do Aviso. Na Lagoa do Meio além do

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lançamento de esgoto doméstico, algumas casas foram erguidas em áreas que deveriam ser preservadas conforme mostra a Figura 4 e 5 abaixo.

Figura 4 – Vista da Lagoa do Meio Linhares-ES, poluída por esgoto doméstico.

Fonte: Acervo da autora, 2019.

Figura 5 – Vista da Lagoa do Meio Linhares-ES, poluída por esgoto doméstico.

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A lagoa do Aviso, também conta com esgoto urbano, sendo em alguns pontos totalmente tomados pelos golfos (macrófitas) (Figura 6). A existência dessa vegetação indica que a lagoa está bastante poluída. De acordo com Campello (2006), quando o esgoto é lançado nos corpos hídricos, insere no ambiente grande quantidade de nutrientes (especialmente nitrogênio e fósforo), provocando o enriquecimento das águas. Esse enriquecimento que pode levar a um crescimento excessivo de biomassa vegetal como a macrófitas aquáticas.

Figura 6- Vista da Lagoa do Aviso de Linhares-ES, tomada por macrófitas

Fonte: Acervo da autora, 2019.

Outro problema encontrado na cidade, é no seu principal manancial que atende ao sistema de abastecimento de água de Linhares, o Rio Pequeno. O rio sofre processos de degradação ambiental instalado devido o processo de urbanização (Figura 7 e 8). Em 2016 o município promulgou a Lei Nº 3.568, no qual dispõe sobre a criação do programa municipal de recuperação das margens do rio doce, rio pequeno e demais rios deste município, com espécies arbóreas e recuperação das matas ciliares como compensação ambiental, porém em 2017, a mesma foi revogada.

(35)

Figura 7- Rio Pequeno, Linhares-ES.

Fonte: Acervo da autora, 2019

Figura 8- Barragem instalada no Rio Pequeno

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4.1.3 Licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras

De acordo com Política Nacional do Meio Ambiente a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades que utiliza recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental dependerão de prévio licenciamento ambiental (BRASIL, 1981).

O licenciamento ambiental é o procedimento administrativo realizado pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), pelo órgão estadual do meio ambiente ou pelo órgão ambiental municipal, dependendo da localização e características dos impedimentos e atividades. Os municípios devem licenciar empreendimentos e atividades de impacto local, ou aquelas que lhes forem delegas pelo estado ou instrumento legal (DE CARLO, 2006).

No município de Linhares o licenciamento ambiental é realizado desde o dia 01 de junho de 2011, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Naturais (SEMAM), sendo licenciado os empreendimentos e as atividades de impacto local de acordo com a Resolução CONAMA nº 237/1997 e a Resolução CONSEMA nº. 002/2016, considerando as disposições gerais, regulamentares e as normas aplicáveis, sem despensa de outras licenças legalmente exigíveis.

4.1.4 O sistema municipal de informações sobre o meio ambiente

O sistema municipal de informações sobre o meio ambiente tem como finalidade sistematizar a informação necessária para apoiar a tomada de decisão na área ambiental. Assim como o sistema nacional de informações este instrumento tem como objetivo: desenvolver ferramentas de acesso à informação, a integração e ao compartilhamento de dados que contém informações ambientais, dar suporte na área de informática ao processo de gestão ambiental municipal (DE CARLO, 2006).

Na cidade de Linhares esse instrumento é existente e implementado. A Secretaria de Meio Ambiente conta com um sistema Online para dar

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publicidade, transparência, cadastros técnicos, requerimentos de dispensas, licenças ambientais e Certidão Negativas de Débitos Ambientais, além de a prefeitura possuir um site (Figura 9) onde são publicadas informações acerca das ações ambientais realizadas.

Figura 9- Figura representativa do site da prefeitura municipal de Linhares

Fonte: Prefeitura municipal de Linhares (https://linhares.es.gov.br/).

4.1.5 Estabelecimento de parâmetros e padrões de qualidade ambiental

Os parâmetros e padrões referem-se a um valor expresso quantitativamente indicando as concentrações máximas de poluentes suportáveis em determinados ambientes. Os padrões de qualidade ambiental compreendem, entre outros, a qualidade do ar, das águas, do solo e a emissão de ruído. Na cidade de Linhares os padrões adotados são aqueles estabelecidos pelas Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) (LINHARES, 2014).

Compete a Secretaria Municipal de Meio Ambiente a responsabilidade por monitorar a qualidade ambiental. No entanto o município não realiza monitoramento da qualidade do ar, solo, pois não dispõe de instrumentos e

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equipamentos utilizados para esse fim. Porém a qualidade da água é acompanhada por meio de análises realizada pela prefeitura ou serviço de saneamento.

4.1.6 O Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente – FUMDEMA

O fundo municipal de defesa do meio ambiente (FUMDEMA), consiste em um instrumento, destinado à implementação de programas, planos e projetos de recuperação, conservação, pesquisa e educação ambiental, da Política Municipal de Meio Ambiente, bem como para a aquisição de bens duráveis. Em Linhares o FUMDEMA é existente e gerido pela secretaria de meio ambiente, a qual cabe: estabelecer e implementar a política de aplicação dos recursos do FUMDEMA por meio do Plano Estratégico e do Plano de Ação do Meio Ambiente, elaborar proposta orçamentária; ordenar e controlar as despesas do FUMDEMA; aprovar os balancetes mensais de receita e de despesa e o Balanço Geral do FUMDEMA; encaminhar o Relatório de atividades e as prestações de contas anuais ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA) (LINHARES, 2014).

4.1.7 Compensação ambiental

A compensação ambiental é um mecanismo de compensação pelos efeitos de impactos ambientais ocorridos na implantação ou operação de empreendimentos, ou decorrentes de degradações ou danos ambientais. Baseia-se do princípio poluidor-pagador, que impõe custos de reparação para quem provoca danos ambientais (LINHARES, 2014).

No município de Linhares à SEMAM é responsável por avaliar o grau de impacto ambiental causado. Os critérios, parâmetros, cálculos e forma de avaliação da compensação ambiental, bem como as condições de seu cumprimento, são definidos por Decreto do Executivo Municipal, observado o disposto na legislação.

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4.2 EXISTENTE E PARCIALMENTE IMPLEMENTADO – CATEGORIA 2

4.2.1 Monitoramento, controle e fiscalização ambiental

O controle e a fiscalização ambiental são as atividades desenvolvidas pela Administração Púbica, visando obter ou manter a qualidade ambiental mediante a ação de fiscalização, de controle e monitoramento, a fim de averiguar o cumprimento da legislação ambiental de atividades e empreendimentos potencial ou efetivamente causadores de degradação do meio ambiente (LINHARES, 2014).

Em Linhares o controle ambiental é realizado através do licenciamento ambiental, fiscalização, auditoria ambiental de atividades e empreendimentos potencialmente ou efetivamente poluidores ou causadores de degradação. A fiscalização é realizada por agentes fiscais ambientais e por servidores públicos para este fim, no geral fiscaliza-se o cumprimento das normas ambientais.

Conforme preconiza a Lei 2199/2001(dispõe sobre a organização administrativa do município de Linhares), compete ao Núcleo de Fiscalização Ambiental, fiscalizar as seguintes áreas: emissão de efluentes líquidos e resíduos sólidos; emissões atmosféricas; meio biótico - flora e fauna, aquática e terrestre; controle de extração de rochas ornamentais, mármore e granito, além de pedreiras para construção civil e ainda, argila e areia; emissão de sons ou ruídos; meio antrópico - interatividade do homem com o meio ambiente. Das atividades fiscalizadas pelo município destacam-se: emissão de efluentes, meio biótico, extração de rochas ornamentais, pedreiras, argila e areia. No entanto a fiscalização das emissões atmosféricas, que visa o controle de emissão e monitoramento da qualidade do ar, através de tecnologia de ponta não é executado, somente a emissão excessiva ou incômoda de sons ou ruídos, é fiscalizado com frequência.

Em relação ao controle e monitoramento ambiental realizado pela cidade, compete ao Núcleo de Controle Ambiental: o estabelecimento de normas técnicas referentes aos padrões e índices de qualidade ambientais; a análise e informação legal de processos que tratem de exploração dos recursos naturais;

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a elaboração de laudos periciais; a expedição de licenças ; o estabelecimento de procedimentos para a realização e a aprovação de EIA/RIMAS; realizar Audiências Públicas; elaborar plano de visitas de inspeções periódicas; a execução de vistorias técnicas (LINHARES, 2001).

Entretanto das atribuições do Núcleo de Controle Ambiental que não são executadas: a divulgação dos índices de qualidade ambiental que demandaria de tecnologia não obtida pela prefeitura, o diagnóstico e o controle de substâncias tóxicas no Município, o cadastro das atividades que constituem fonte de poluição e/ou degradação do meio ambiente.

4.3 EXISTENTE E NÃO IMPLEMENTADO – CATEGORIA 3

4.3.1 Plano Diretor de Arborização e Áreas Verdes

O Plano Diretor de Arborização e Áreas Verdes é um documento do município que descreve as ações referentes à gestão, implantação, plantio, manutenção e monitoramento das árvores. As ações de um plano de arborização podem servir tanto para intervir na arborização já existente, como para atuar em áreas que ainda não possuem arborização (PARANÁ, 2018).

Para Roppa (2007) a arborização de ruas quando bem planejada desempenham uma função essencial e insubstituível para a sustentabilidade do meio urbano, tais como: amenizar os microclimas; aumentar a unidade do ar; atenua a poluição do ar, sonora e visual; conserva a biodiversidade local (fauna e flora); ameniza do estresse psicológico; entre outros.

Em Linhares o Plano Diretor de Arborização e Áreas Verdes, foi mencionado em 2002 pela Lei Nº. 2322/2002 (O Código Municipal do Meio Ambiente do Município De Linhares) e na lei complementar n0 11/2012. Conforme preconiza as leis, devera este plano: ampliar a oferta de áreas verdes públicas qualificadas; promover a gestão compartilhada das áreas verdes públicas; manter e ampliar a arborização das ruas com espécies nativas e exóticas da região; recuperar áreas verdes degradadas e de importância paisagístico – ambiental.

(41)

Apesar do Plano Diretor de Arborização de Linhares de ter cito citado na legislação desde 2002, somente no ano de 2018 começou-se a sua elaboração, porém até o presente momento o plano está em processo de revisão.

4.3.2 A criação, implantação, implementação e manutenção de unidades de conservação municipais e demais espaços especialmente protegidos.

A criação, implantação, implementação e manutenção de unidades de conservação municipais e demais espaços especialmente protegidos, visam, sobretudo a proteção da biodiversidade. Quanto à criação, de acordo com artigo 225, parágrafo 10 da Constituição Federal, todos os entes federativos podem instituir os “espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos” (BRASIL, 1988).

Conforme preconiza a Lei 9.985/2000, a unidade de conservação é o espaço territorial e seus recursos ambientais, com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo poder público, “com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (BRASIL, 2000).

De acordo com Brasil (2000), para que haja a criação e implementação das unidades de conservação deve ser realizado estudos técnicos e consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade. Compete ao órgão que está propondo a criação da nova Unidade de Conservação elaborar os estudos técnicos preliminares como o plano de manejo, realizar a consulta pública, e os demais procedimentos para a criação da unidade.

Linhares dispõe até o momento as seguintes Unidades de Conservação: APA de Barra Seca (Área de Proteção Ambiental Municipal de Barra Seca), APA da Região Litorânea (Área de Proteção Ambiental Municipal da Região Litorânea) e Área de Relevante Interesse Ecológico Municipal do Degredo, conforme mostra o mapa 1 abaixo.

Essas Unidades de Conservação devem dispor de um Plano de Manejo a fim de promover sua integração à vida econômica e social das comunidades

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vizinhas. No entanto, o município não dispões ainda dos Planos de Manejo, que deveriam ser elaborados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAM).

Mapa 1- Áreas de Preservação Permanente de Linhares-ES

Fonte: Fundação Brasileira para o desenvolvimento sustentável (2018).

4.4 INEXISTENTE – CATEGORIA 4

4.4.1 Cadastro de atividades potencialmente poluidoras, de profissionais, empresas e entidades que atuam na área de meio ambiente.

O Cadastro de atividades potencialmente poluidoras, de profissionais, empresas e entidades que atuam na área de meio ambiente, tem por finalidade registrar as pessoas ou jurídicas que se dedicam consultoria ambiental. No âmbito nacional esse instrumento está sob administração do IBAMA, sendo regulamentado pelo CONAMA e instrução normativa do IBAMA (DE CARLO, 2006). Contudo em Linhares esse instrumento não existe, pois, o município não realiza as ações estipulada por ele.

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