ISSN 2176-1396
PROGRAMA PERMANENTE DE FOMAÇÃO EM EAD DA
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE: PREPARANDO-SE
PARA UMA NOVA MODALIDADE DE ENSINO
Marili Moreira da Silva Vieira1 - Mackenzie Ana Lúcia de Souza Lopes2 - Mackenzie Fernando Luis Cazarotto Berlezzi3 - Mackenzie Grupo de Trabalho – Formação de Professores e Profissionalização Docente Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo
A Universidade Presbiteriana Mackenzie, a partir de 2013, implantou o Programa Permanente de Formação em EaD visando sua preparação para o credenciamento institucional de oferta de cursos de graduação na modalidade a distância. Por exigência do Ministério de Educação (MEC), as instituições que pretendem credenciamento para oferta de cursos em EAD devem capacitar seus docentes. Essa demanda se soma à filosofia da Universidade Presbiteriana Mackenzie que preza pela formação de seus professores. A conscientização da necessidade de formação e profissionalização do professor para esta modalidade de ensino exige uma concepção de formação em EaD que promova reflexão e inovação na concepção de docência dos envolvidos. A partir disso, estruturou-se um Programa Permanente de Formação em EAD que conta com a oferta de cursos e atividades em vários níveis, desde o básico até a níveis de aperfeiçoamento. Este programa leva em conta as necessidades do professor de repensar a sala de aula, bem como considera a formação de toda a equipe técnica. A proposta explicitada aqui tem como diferencial a utilização de um Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem (Avea) específico para a formação da docência nessa modalidade. Nessa dimensão, o programa também promove o preparo e a reflexão sobre a preparação e envio de materiais didáticos, que permitem ao professor vivenciar a experiência dos recursos e ferramentas tecnológicas disponíveis na plataforma e a sua performance em aula. Os momentos de formação acompanham as etapas de elaboração de materiais didáticos, preparação de produtos audiovisuais e a performance do docente para a gravação de videoaulas e teleaulas. Tais
1 Doutora em Educação: Psicologia da Educação pela PUCSP, Professora do Centro de Educação, Filosofia e
Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Coordenadora de Apoio Pedagógico da Pró-Reitoria de Graduação e Assuntos Acadêmicos. E-mail: [email protected].
2 Doutoranda em Educação, Arte e História da Cultura: Formação do Educador para a interdisciplinaridade pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - Brasil. Coordenadora de Apoio Didático-Pedagógico em EaD da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). E-mail: [email protected].
3 Mestrando em Educação, Arte e História da Cultura: Formação do Educador para a interdisciplinaridade pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - Brasil. Produtor Executivo do Núcleo de Produção e Desenvolvimento Acadêmico, responsável pela produção audiovisual para EaD da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). E-mail: [email protected].
práticas ensejam a reflexão sobre a prática docente nesta modalidade de ensino, bem como a construção de uma identidade docente para a Educação a Distância.
Palavras-chave: Formação Docente. Educação a Distância. Reflexão sobre a prática. Introdução
A expansão da Educação a Distância (EaD) na contemporaneidade fomenta cada vez mais discussões acerca das competências e habilidades do século XXI, principalmente sobre o quanto essas são fundamentais para o compreender os processos de ensino-aprendizagem nesta modalidade. Tais habilidades e seu desenvolvimento estão diretamente relacionado ao “saber-fazer”.
Nesse sentido, a EaD, enquanto modalidade de ensino tem provocado transformações nos ambientes de aprendizagem, uma vez que os recursos tecnológicos e audiovisuais disponíveis por meio das plataformas de ensino permitem a expansão da sala de aula presencial a outros meios.
Há, portanto, uma crescente conscientização sobre como as demandas profissionais estão relacionadas à apropriação e utilização de tais recursos como oportunidade de enriquecimento das metodologias de ensino na prática docente. É fundamental compreender que não se trata de conhecer as ferramentas e plataformas de ensino de forma instrumental, mas sim, perceber que estamos diante de uma nova concepção de ensino-aprendizagem e, segundo Alonso (2009, p.9), “as novas concepções de educação indicam claramente a importância de se ampliar os ambientes de aprendizagem, expondo o educando a várias formas de aprender”.
Vale destacar que se torna necessário debruçar-se sobre a questão da formação docente para esta nova realidade, uma vez que a velocidade das transformações, em muitas vezes, impulsionadas pelo desenvolvimento tecnológico, coloca o docente em um ambiente de sala de aula que o remete a aprender-fazendo. O docente, em muitos casos, não se apropriou ainda das dinâmicas e processos próprios desta modalidade de ensino. Assim sua identidade profissional se apresenta em construção.
Nóvoa pontua que:
A formação de professores pode desempenhar um papel importante na configuração de uma [nova] profissionalidade docente, estimulando a emergência de uma cultura profissional no seio do professorado e de uma cultura organizacional no seio das escolas. (NÓVOA, 1997, 24).
Nesse sentido, é de fundamental relevância que os Programas de Formação para a Educação a Distância possam contribuir - de forma permanente – para que a vivencia nestes ambientes virtuais de aprendizagem possibilitem ao professor repensar sua prática educativa e transformá-la. Esta vivência se faz relevante, principalmente porque implica em aprender e ensinar de uma forma diferente e inovadora. Implica em que o professor compreende a intencionalidade pedagógica atuando e experienciando a partir de um contexto de apropriação das práticas e da cultura desta modalidade da Educação e da oportunidade de apreender e compartilhar saberes.
A afirmação de Nóvoa, enquanto ideia de criação de espaços para uma formação que busque o desenvolvimento profissional, amplia a percepção para uma ação formativa que contemple o desenvolvimento do docente de forma interativa e dinâmica:
Não se trata de mobilizar a experiência apenas numa dimensão pedagógica, mas também num quadro conceptual de produção de saberes. Por isso é importante a criação de redes de auto (formação) participada, que permitam compreender a globalidade do sujeito, assumindo a formação como um processo interactivo e dinâmico. A troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente o papel de formador e de formado. (NÓVOA, 1997, p.26).
É a partir desta premissa que a Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), ao iniciar seu processo de credenciamento institucional para oferta de cursos na modalidade EaD, criou e implementou, desde 2013, por meio da Coordenação de Apoio Pedagógico (CAP) e da Coordenação de Apoio-Didático Pedagógico em EaD (Cadip), o Programa Permanente de Formação em EaD.
Apresentaremos, a seguir, as ações de construção e implementação do Programa como forma de contribuir e compartilhar as experiências realizadas. É de fundamental que se fomente a discussão sobre a necessidade de oferecimento de espaços para a inovação de práticas e desenvolvimento de metodologias que correspondam às competências e habilidades propostas na concepção de cursos na modalidade de educação a distância.
O Programa Permanente de Formação em EaD da UPM
O Programa de Permanente de Formação em EaD da UPM tem como principal objetivo desenvolver competências e habilidades na equipe multidisciplinar (professores, coordenadores de curso, coordenadores acadêmicos, tutores, designer educacional e
funcionários técnico-administrativos) para o exercício de suas funções nos cursos de graduação na modalidade EaD.
A base da formação docente na UPM traz um compromisso com a qualidade do ensino, pautado em conteúdos atualizados e relevantes para a atuação do professor em sua área de formação, apoiado pelo uso de tecnologias aplicadas à educação que visam facilitar e enriquecer o processo de ensino e aprendizagem. Preza-se, por isso, uma uniformidade de atuação com os recursos, ferramentas e ambiente virtual de aprendizagem e o uso de tecnologias na aula presencial e, de forma específica, na EaD.
O Programa é desenvolvido pela CAP e Cadip e busca apoio em diferentes equipes, como por exemplo, o Núcleo de Produção e Desenvolvimento Acadêmico (NPDA), que é responsável pela produção audiovisual e que integra a estrutura organizacional da operação EaD na UPM.
Todo o docente indicado para atuar na EaD deve participar do Programa Permanente de Formação em EaD que o acompanhará por todas as fases do processo, desde a apresentação do Modelo EaD da UPM, perpassando pelas fases de produção de material didático e, sua performance na gravação de videoaulas e teleaulas.
A proposta de trabalho para EaD na utilização dos recursos tecnológicos e metodologias próprias é bastante abrangente na medida em que busca fomentar nos participantes, em especial, no professor, a apropriação dos conhecimentos sobre os recursos tecnológicos enquanto possibilidade de ampliação dos ambientes de ensino e aprendizagem.
Entende-se que são necessárias ações que promovam a criação de uma cultura de desenvolvimento profissional continuado que permita ao docente acompanhar o processo de mudança social, produzir e incorporar inovações em sua prática docente.
Dessa forma, o Programa vai além do ensino para o uso instrumental das ferramentas e tecnologias, visando a real compreensão do potencial transformador delas no processo de inclusão social do aluno, preparo para uma atuação competente na sociedade da informação e a reflexão sobre a docência nessa modalidade de ensino.
O Programa se vale de momentos permanentes de formação que são oferecidos de forma diversificada. São propostas atividades para exposição e adoção, adaptação e
apropriação e inovação das práticas e da cultura próprias desta modalidade de Educação.
Nesta perspectiva, o Programa se concebe como um laboratório de aprendizagem, por meio da oferta de cursos com atividades presenciais e a distância, abrigados por um Ambiente Virtual
de Aprendizagem4 (Avea) que permite ao docente realizar experiências com o uso dos recursos tecnológicos, pedagógicos e audiovisuais, aplicados à sua prática na EaD. Considerando-se o momento institucional de credenciamento junto ao MEC para a oferta dos cursos em EaD, acontece a implementação do Programa de Formação por meio de uma agenda inicial que já conta com momentos de formação continuada.
Ciclos de formação
O processo de formação de todos os envolvidos no Projeto EaD da UPM é dividido em dois momentos. Apresentaremos as experiências da formação destinada ao corpo docente, a saber:
a) formação inicial b) formação continuada
A formação inicial propõe cursos em que o docente pode relacionar o conhecimento do processo pedagógico, a seleção e adequação da proposta de curso às especificidades dos meios tecnológicos envolvidos na aprendizagem. Também são propostas ações para a gestão do processo educacional em rede, a produção de materiais didáticos e outras necessidades pertinentes ao modelo EaD da UPM.
Os cursos e atividades da formação inicial contemplam a organização e a concepção da EaD na UPM e os papeis desempenhados pelos profissionais e coloca em ação as produções dos Guias de Estudo, Materiais Complementares e a Produção de Videoaulas e Teleaulas. A produção do material, a concepção das atividades didáticas e o próprio ato da docência se concentram na figura do professor. Essa articulação é levada em conta no processo de formação em que, por meio de cursos presenciais e atividades online do Avea é possível ao professor aprender-fazendo em um ambiente antecessor à prática de aula.
A formação continuada propõe cursos para o aperfeiçoamento e aprimoramento do conhecimento pedagógico, aliando a apropriação do uso dos recursos tecnológicos e audiovisuais à sua performance para preparação, gravação e atuação diante das câmeras nos momentos de videoaulas e teleaulas. Os cursos e atividades permitem ao professor um contato preliminar com a equipe de produção do NPDA que torna possível experienciar - por meio da
4 O termo Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem (Avea) se diferencia do termo Ambientes Virtuais de
Aprendizagem (AVA) enquanto possibilidade de um “canal de relacionamento” e de “aprendizagem colaborativa”, na medida em que se torna espaço para “aprender a aprender” de forma interativa. (PEÑA, 2012, p.101;102).
prática de estúdio – e familiarizar-se com o ambiente, além de roteirizar a aula e treinar a sua gravação.
São oferecidas, ainda, outras atividades como, por exemplo, mesas temáticas, minicursos e oficinas variadas durante a Semana de Preparação Pedagógica – Eixo EaD, que atende aos professores envolvidos na docência em EaD, mas também oferece a oportunidade para que os professores da modalidade presencial possam conhecer e se familiarizar com a cultura e identidade em construção da EaD da UPM. São convidados, além de profissionais da casa, palestrantes externos altamente qualificados e com ampla experiência em educação a distância.
As atividades do Ciclo inicial devem ser cumpridas integralmente. No Ciclo de formação continuada, o docente tem a oportunidade de realizar, além das obrigatórias, algumas atividades de livre escolha.
Cursos e atividades oferecidas
O Programa de Formação Permanente em EaD implementado em 2013 formou um grupo aproximado de 30 docentes envolvidos diretamente com os temas dos cursos de graduação em EaD que serão oferecidos pela UPM. Atualmente, conta com dois grupos que já participaram do ciclo de formação inicial e que estão participando do ciclo de formação continuada e iniciará, no segundo semestre de 2015, um novo grupo de formação inicial com cerca de outros 30 professores.
Em números globais, passaram pelas atividades do Programa cerca de 250 professores, considerando aqueles que se inscreveram em atividades abertas das Semanas de Preparação Pedagógica para conhecer a cultura EaD e das novas tecnologias na Universidade, como possibilidade de enriquecer suas práticas em cursos presenciais.
Apresentamos, a seguir, o elenco dos cursos realizados no Ciclo de Formação Inicial e Continuada dos primeiros grupos em formação de professores que atuarão nos cursos de graduação em EaD no momento da implementação:
Tabela 1 – Ciclo Inicial - Programa Permanente de Formação (2013/2014)*
Curso Carga
horaria
Atividades carga horaria
Docência em EaD 12h 3h (presenciais) 9h (a distância) O Modelo EaD da UPM 12h 3h (presenciais)
9h (distância) Material Didático Institucional 24h 6h (presenciais)
Atividades presenciais obrigatórias 12h 3h (presenciais) 9h (distância) A tutoria a distância na EaD 12h 3h (presenciais)
9h (distância) A tutoria presencial na EaD 12h 3h (presenciais)
9h (distância) Produção editorial EaD 12h 3h (presenciais)
9h (distância) Teleaulas e Videoaulas 12h 3h (presenciais)
9h (distância) TOTAL
* atividades obrigatórias
108h Fonte: Dados da Cadip, com base nas listas de presença dos professores.
Tabela 2 – Ciclo Formação Continuada –Programa Permanente de Formação (2014)
Curso Carga
horaria
Atividades carga horaria
Direito Autoral na prática pedagógica: uso do som e da imagem*
12h
3h (presenciais) 9h (a distância) Aplicação de Tecnologias como
Recurso Didático-Pedagógico* 12h
3h (presenciais) 9h (distância) Linguagens visuais e audiovisuais:
intertextualidade e criatividade em sala de aula
12h
3h (presenciais) 9h (distância) Fóruns: uma alternativa para o
aprendizado colaborativo* 12h
3h (presenciais) 9h (distância) Realidade aumentada na sala de aula:
interação e interatividade 12h
3h (presenciais) 9h (distância) Laboratório de avaliação formativa: a
ferramenta para envolver os estudantes de forma colaborativa
12h
3h (presenciais) 9h (distância) O desenho didático-pedagógico da
aula como potência para a expansão do conhecimento na Educação Contemporânea (mesa temática)
2h
2h (presenciais)
TOTAL
* atividades obrigatórias 74h
Fonte: Dados da Cadip, com base nas listas de presença dos professores
Tabela 3 – Ciclo Formação Continuada –Programa Permanente de Formação (2015)
Curso Carga
horaria
Atividades carga horaria
Direito Autoral na prática pedagógica: uso do som e da imagem*
12h
3h (presenciais) 9h (a distância) Linguagens visuais e audiovisuais:
intertextualidade e criatividade em sala de aula
12h
3h (presenciais) 9h (distância) Fóruns: uma alternativa para o
aprendizado colaborativo* 12h
3h (presenciais) 9h (distância) Descobrindo os caminhos da EaD
(minicurso)* 12h
12h (presenciais) Teleaulas e Videoaulas – Roteiro e
Prática de Estúdio (minicurso)* 12h
Polidocência: a gestão na sala de aula
(mesa temática) 2h
2h (presenciais) O desafio da inovação na produção
de conteúdos para EaD (mesa temática)
2h
2h (presenciais)
Docência em EaD: educar o
professor para uma nova modalidade de ensino (mesa temática)
2h
2h (presenciais)
Produção de conteúdo audiovisuais complementares para videoaulas e teleaulas em EaD
2h
2h (presenciais)
Prática de Estúdio: a teleaula e videoaula para o ensino em EaD da UPM (minicurso)*
9h
9h (presenciais)
Produção de Material Didático para o
ensino em EaD da UPM * 9h
9h (presenciais)
TOTAL 86h
Fonte: Dados da Cadip, com base nas listas de presença dos professores
A participação dos docentes nas atividades elencadas tem obtido grande adesão em função de sua peculiaridade de oferecer ao professor a oportunidade de “conhecer, aprender e fazer” no Programa Permanente de Formação. Dentre os diferenciais deste Programa, que alia o desenvolvimento de conteúdos à pratica docente, exemplifica-se a seguir, de forma detalhada, o minicurso Produção de Material Didático para o ensino em EaD da UPM, que proporcionou aos professores a oportunidade de realizarem atividades práticas relativas a produção de material e a sua performance em estúdio.
Produção de Material Didático para o Ensino em EaD da UPM
O minicurso Produção de Material Didático para o Ensino em EaD da UPM foi realizado durante as atividades da VIII Semana de Preparação Pedagógica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em julho de 2015. Foram indicados para participar desta proposta os professores que se preparam para os cursos a distância do ciclo de formação continuada e que, no momento, estão desenvolvendo seu material didático, suas videoaulas e que, ainda neste semestre, realizarão as suas primeiras gravações de videoaulas.
O curso, realizado em 3 dias, teve como objetivos: propiciar a vivência de produção dos documentos: planos de aula, roteiro de videoaulas e teleaulas, orientações para tutores e gabaritos; propiciar a experiência da produção de power point e roteiro de videoaulas e teleaulas; compreender a importância da elaboração dos dois documentos e sua interligação; vivenciar e se familiarizar com a dinâmica e equipamentos do estúdio; e gravar apresentação pessoal em vídeo, recebendo feedback para aprimorar ação do docente frente as câmeras.
No primeiro dia os professores puderam recordar aspectos fundamentais do modelo EaD da UPM, conheceram recursos disponíveis no ambiente virtual de aprendizagem específico para a formação docente e ambiente virtual de aprendizagem específico para a entrega dos materiais a serem produzidos. Além disso, elaboraram seu Plano de Aula. Para tanto, contaram com o auxílio da Coordenação de Apoio Didático-Pedagógico em EaD e foi possível discutir entre os pares as melhores opções para a elaboração, proposição de atividades a serem programadas para seus alunos, por meio do Avea e outros recursos.
No segundo dia, foi realizada uma exposição, pelo produtor de vídeos em EaD, sobre a produção de materiais audiovisuais complementares e técnicas para elaboração de roteiros e
power points de videoaulas e teleaulas. O Roteiro de gravação foi o grande destaque,
principalmente porque foi explicitado e verificado, na prática, sua relação com os power
points e outros recursos audiovisuais e sua importância para o momento de elaboração e
gravação de videoaulas e teleaulas. Neste contexto, os professores elaboraram um roteiro e uma apresentação em power point sobre um tópico específico de seu tema em EaD para gravação no dia seguinte.
No terceiro dia foi realizada a prática em estúdio e os professores contaram com a exposição da equipe técnica do NPDA para conhecer as instalações, os estúdios e, em especial, o estúdio para gravação das videoaulas e transmissão das teleaulas da EaD. Os professores foram orientados sobre postura e performance diante das câmeras e gravaram dois vídeos, sendo o primeiro uma saudação inicial e o segundo sobre o material que foi preparado no dia anterior. Após as gravações os professores puderam, junto com a equipe técnica, assistir suas produções, identificar vícios de pronuncia, o uso da voz e a postura em estúdio. Puderam, ainda, experimentar na prática a importância do gerenciamento do tempo para atividades de videoaula e teleaula. Além disso, puderam discutir e repensar com seus pares sobre a utilização de recursos audiovisuais em suas produções de aula em EaD por meio do
feedback imediato, seja da equipe técnica, seja da avaliação do próprio grupo.
Considerações finais
Pudemos obter resultados bastante positivos das ações descritas, considerando que todo o Programa Permanente de Formação em EaD é inédito na instituição e que houve ampla participação do grupo de professores que inicia sua atuação em uma nova modalidade de ensino.
A mudança de contexto da sala de aula para a modalidade EaD ainda enfrenta a necessidade de quebras de alguns paradigmas. O professor sente falta da presença de seu aluno ao “lecionar” no estúdio; em vez disso, encontram câmeras e outros equipamentos técnicos que compõem o seu campo de visão. O espaço físico restrito e o tempo da videoaula talvez sejam os maiores desafios de adaptação. Na videoaula o professor não conta com a interação – e interferência – de alunos, mas pode se apoiar em um roteiro estruturado e pode utilizar recursos audiovisuais que dinamizem sua aula e aumentam o potencial de ensino de determinado conteúdo.
Tais experiências têm sido enriquecedoras para o amadurecimento desses profissionais que exercitarão sua docência em uma nova modalidade de ensino. A implementação do Programa Permanente de Formação em EaD, busca a preparação prévia de toda a equipe envolvida, e em especial, do corpo docente, que atuará nesta modalidade de ensino. O professor é o grande protagonista no modelo de EaD da UPM, assim, busca-se que esse professor possa, de forma gradual e continuada, conhecer, se adaptar e se apropriar dos recursos disponíveis enquanto oportunidade metodológica de ensino e aprendizagem.
Destacamos que este Programa é considerado uma ação empreendedora da UPM cujo diferencial se apresenta enquanto oportunidade de formação em vários níveis, desde o ciclo básico até a níveis de aperfeiçoamento, levando-se em conta as necessidades do professor, da equipe técnica envolvida e a etapa do projeto em que estes estejam atuando. A ideia de utilizar-se de um Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem específico para a formação e para a entrega de materiais, em que o professor participa como “aluno” e experimenta as funcionalidades das ferramentas disponíveis também tem sido de grande relevância para a reflexão do professor sobre a sua prática docente nesta modalidade de ensino, se refletindo inclusive na sua docência na modalidade presencial. Ele se vale de diversos recursos tecnológicos para favorecer a ampliação dos ambientes de aprendizagem de seus alunos. O professor pode, ao experienciar tais recursos, fazer uma autoanálise sobre sua eficácia e pertinência em seu uso para a elaboração de suas aulas.
Por fim, oferecer uma estrutura que permite a prática de estúdio e performance das produções e gravações de videoaulas antes do início do processo de implementação dos cursos oportuniza ao professor momentos de adaptação e apropriação desta nova realidade e desta nova forma de conceber a sua aula.
É de grande relevância preparar-se para um novo momento, para a oferta de uma nova modalidade de ensino e valorizar a prática docente, por meio de uma formação que possibilite
ao professor a vivencia em um novo ambiente de aprendizagem que contribui para que se construa uma identidade própria da ação docente na oferta de cursos na modalidade EaD da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
REFERÊNCIAS
ALONSO, Myrtes. Prefácio. In: HESSEL, Ana. Formação Online de Educadores: identidade em construção. São Paulo: R.G. Editores, 2009, p.7-13.
NOVOA, Antonio.(Org). Os professores e a sua formação. 1 ed. Lisboa: Dom Quixote, 1997.
PEÑA, Maria de los Dolores Jimenez; ALEEGRETTI,S. Escola Hibrida: aluno imersivo. Revista Contemporaneidade Educação e Tecnologia, v.1, p. 98-106, 2012. Disponível em: <http://revistacontemporaneidadeeducacaoetecnologia02.files.wordpress.com/2012/05/edutec hi_puc20121.pdf>. Acesso em 14/08/2015.