BIBLIOTECA ESTANTE LIVRE
JUSTIFICATIVA
A Biblioteca Estante Livre consiste em uma estante instalada na praça ou outros lugares centrais de comunidades do interior do Espírito Santo que, por ser de acesso irrestrito, funciona 24h e permite o contato com o livro sem intermediários. Além da estrutura (como a estante de ferro e hermeticamente fechada e os mais de 300 livros novos), a comunidade recebe uma série de atividades de implementação e de estimulo a leitura, tais como oficinas, reuniões abertas e evento de lançamento.
O projeto piloto foi inaugurado abril de 2014 em Burarama, distrito rural com pouco mais de 1 mil habitantes, em Cachoeiro de ItapemirimES. O resultado na comunidade está sendo tão positivo que o Instituto Sincades estabeleceu parceria com a produtora responsável (Lab.Muy Arte y Cultura Digital, com sede em VitóriaES) para a implantação de outras 10 unidades em localidades espalhadas pelo Espírito Santo. Até novembro de 2014, outras duas comunidades já receberam a Biblioteca Estante Livre: Pontões (Afonso Cláudio), com cerca de 700 habitantes, e Quilombo Retiro (Santa Leopoldina), com cerca de 300 moradores. Até o final de 2015 iremos inaugurar outras oito BELs em novas comunidades do Espírito Santo. Serão 11 até o final do próximo ano.
O projeto surgiu a partir da vivência dos produtores em regiões do interior do Brasil, principalmente no sul do Espírito Santo. Os dados recentes sobre analfabetismo no Brasil indicam que boa parte dos que ainda permanecem nessa condição estão em comunidades rurais. Jornais, livros e revistas não circulam por essas comunidades. Além disso, quando há, a biblioteca do lugarejo é restrita à escola e, normalmente desatualizada. A Biblioteca Estante Livre visa ampliar as possibilidades de leitura e interação de estudantes e comunidade com as palavras, criando uma nova referência cultural.
A Biblioteca Estante Livre consiste em ser um armário de ferro com duas portas de vidro sem tranca que ficam abertas 24h, todos os dias do ano. Como não tem caráter itinerante, ela é instalada para sempre na praça central de comunidades rurais, levando mais de 300 novos livros para esses lugarejos. Desse modo, o acervo passa a ser usado pelas escolas em seu processo de ensino. Além da chegada da estante da BEL, o projeto realiza oficinas com os estudantes e moradores da comunidade, que passam a enxergar a BEL como um novo meio de inovação no ensino, tornando o aprendizado mais divertido. Em Burarama, por exemplo, a escola estadual alterou parte de suas
atividades, fazendo uso desse novo acervo e, principalmente, tendo aulas na praça da comunidade. Além disso, a BEL amplia o conhecimento a todos os moradores.
A Biblioteca Estante Livre pretende ampliar seu alcance para outras comunidades do interior do Brasil, em etapas regionais, para que seja criada localmente (em microrregiões de um determinado Estado) uma rede de inovação em literatura e uso de espaços urbanos e públicos como possibilidade educacional. O projeto, depois que instalado, é gerido diretamente pelos membros da comunidade, sendo eles os responsáveis pelo cuidado com o acervo e o imóvel. Além disso, a equipe produtora busca formas de ampliar o acervo.
A Biblioteca Estante Livre não está de passagem quando chega à comunidade. E para se tornar uma realidade, ela busca e trabalha com o engajamento dos moradores e dos membros das escolas da região, por meio de encontros, palestras, oficinas e atividades lúdicas e de formação. Mais do que disponibilizar novos livros, a Biblioteca Estante Livre é uma alternativa para novas formas de ensino e aprendizado.
Experiências indicam que, quanto mais diversificadas as temáticas abordadas pelos livros disponíveis e as atividades de envolvimento com crianças e jovens, maior a aceitação do projeto por parte da comunidade. Para estreitar ainda mais essa relação, estudantes e moradores do local são sensibilizados em relação à iniciativa. No âmbito escolar, o envolvimento de estudantes e professores se dá como ponto central de todo o projeto, fazendo com que a Biblioteca seja mais um ponto de diálogo com a escola e também de apoio ao ensino, ampliando a atuação da instituição de ensino para além de suas edificações. A cidade é vivenciada por meio dos livros, a partir de um novo contexto.
Os livros são emprestados ao usuário final sem nenhuma formalidade ou intermediação de um funcionário, sendo a Biblioteca Estante Livre um espaço aberto para a troca e armazenamento dos livros. Cada obra, bem como o armário, é identificada com carimbo e adesivos com instruções a respeito do projeto. O usuário não tem um tempo definido para a devolução do livro, cabendo ao próprio o retorno do mesmo à estante ao final da leitura, sem cobrança de qualquer tipo de multa.
A Biblioteca Estante Livre deve estar situada em local de fácil acesso e visibilidade, por isso sugere se a sua instalação em praças ou outros locais públicos e centrais.
todos os dias do ano. Ao lado das atividades desenvolvidas pela escola do distrito, esse projeto constitui mais um espaço de acesso às palavras, ao beneficiar também as pessoas não matriculadas no ensino regular, como pais e trabalhadores diversos, que, na localidade, pouco tem contato com livros.
A estante da Biblioteca Estante Livre é feita com material resistente à ação do tempo. Apresenta um desenho simplificado que permite que a estante possa ser inserida em praças públicas sem causar impacto ambiental e paisagístico. Usa‐se em sua estrutura materiais que impedem a entrada de água e vento.
Os livros disponibilizados na Biblioteca Estante Livre são escolhidos a partir de pesquisa com a comunidade e também com especialistas da área. Todos novos, têm como público alvo as crianças, os jovens, os adultos e também interessados em informações técnicas específicas de cada comunidade, como produção agrícola ou sítio histórico, por exemplo.
O acesso aos livros é simples. A pessoa, sem precisar avisar a ninguém, abre a porta da BEL, escolhe o livro e decide se lê na praça/local em que a estante está instalada ou em casa, por exemplo. Após o término da leitura, ela, voluntariamente, retorna com o livro para a Estante, para que outros também possam ler. A perda de livros por não devolução é próxima do 0%, por conta de todo o envolvimento da comunidade.
Como não há ninguém para anotar quem pega qual livro e como as crianças e jovens são públicos diretamente atingidos pelo projeto, temse a preocupação de que o acervo da Biblioteca não tenha livros violentos, discriminatórios e impróprios para crianças/jovens.
Para falicitar a acessibilidade, mais próximos ao solo, estão disponíveis os livros infantis. Acima deles, os juvenis. Na sequência, mais perto do topo da estante, os dedicados aos adultos. Também há acervo de livros em braille, que, por questões de preservação, não devem ficar dentro da estante, e sim em local externo (escola ou associação de moradores, por exemplo). Todos os deficientes visuais são avisados, por meio de carta em braille entregue pessoalmente, da existencia do projeto e o local
em que os livros podem ser encontrados.
OBJETIVOS Circulação de 300 livros novos nas comunidades atingidas; Acesso de cerca de 700 pessoas ao projeto por comunidade; 11 comunidades rurais do Espírito Santo com o projeto implantado; 22 escolas estaduais e municipais integradas ao projeto; 350 estudantes realizando as oficinas de formação. Democratizar a leitura; Incentivar a leitura no interior; Impulsionar o conhecimento de obras nacionais e locais; Instaurar o hábito de leitura entre os brasileiros, principalmentedo interior do país; Fazer com que cada pessoa leia, em média, quatro livros por ano;
Disseminar a literatura e, consequentemente, o conhecimento por locais onde antes não havia acesso;
Auxiliar o Plano Nacional de Educação, fazendo com que haja cada vez menos analfabetos funcionais;
Auxiliar no desenvolvimento cognitivo e crítico;
Aliar o ensino oferecido pelas escolas locais às práticas de leitura, melhorando, consequentemente, o desempenho escolar dos alunos; Estimular a imaginação e as experiências lúdicas nos “novos leitores”; Ampliar a oferta cultural em municípios brasileiros; Universalização da leitura; Formação crítica de novos leitores; Aumento das atividades extracurriculares; METODOLOGIA
A 1ª Biblioteca Estante Livre foi implantada de forma piloto em Burarama, Cachoeiro de ItapemirimES, a partir de um edital da Secretaria de Cultura do Espírito Santo de 2013, por conta de proximidade da produtora Lab.Muy Arte y Cultura Digital com a comunidade. Após ser selecionada pelo edital, a produtora dirigiuse a membros da comunidade de Burarama para apresentar o projeto. A primeira reunião foi em outubro de 2013, havendo sucessivos encontros até o lançamento, em abril de 2014. Esses encontros serviram para debater o funcionamento do projeto, bem como o local da instalação, divulgação a outros moradores da comunidade e membros das escolas da região, que são parceiros fundamentais para o projeto ser aceito pela comunidade. Paralelamente a esses encontros, a produtora fez pesquisa de livros, fez comrpas e recebeu doações de exemplares, bem como o planejamento de duas oficinas ("A Poesia na Minha Vida" e "Fotografia na Comunidade"), que foram realizadas nas
essenciais para o comprometimento de toda a comunidade. No dia 14 de abril foi realizada a festa de inauguração em Burarama, com apresentações culturais locais, contação de histórias e abertura das portas da comunidade. Nos meses seguintes, continuamos realizando visitas à comunidade e também novas doações de livros.
No meio de 2015, recebemos o apoio do Instituto Sincades para a ampliação do projeto para outras novas 10 comunidades no Espírito Santo. Na primeira etapa, durante o terceiro trimestre realizamos visitas a mais de 100 comunidades rurais do Espírito
Santo, em dezenas de cidades. Após esse mapeamento, decidimos que as
comunidades de Pontões, em Afonso Cláudio, e o Quilombo Retiro, no distrito de Barra de Mangaraí, em Santa Leopoldino reuniam as condições necessárias para receber o projeto. São algumas delas: Comunidade unida; ser de zona rural; ter até 5 mil habitantes; ter pouco acesso à cultura; infraestrutura local propícia para receber a estante; desejo da comunidade em receber o projeto; escolas da região organizadas; e moradores interessados em continuar com o projeto, já que, após a inauguração, são os próprios moradores que realizam a manutenção do projeto.
Entre o terceiro e o quarto trimestre de 2014, a equipe da produtora Lab.Muy Arte y Cultura Digital realizou diversas reuniões presenciais com os membros das duas comunidades, em separado, identificando desejos e potencialidades. Enquanto esses encontros ocorriam, foram adquiridos os livros necessários para a implantação do projeto, bastante voltados para a literatura infantil e juvenil, mas também para adultos.
Os lançamentos nessas duas novas comunidades ocorreram na primeira quinzena de novembro, sendo que cada localidade recebeu três oficinas para os estudantes das escolas da região "Contação de Histórias", "A poesia na minha vida" e "Fotografia na comunidade". Esta última irá resultar em um livro de fotos com depoimentos e registros de histórias pelas moradores mais antigos de cada local, a ser lançado daqui a 5 meses.
Para 2015 estão planejadas a inauguração de outras oito unidades bem como retorno às comunidades já contempladas, tanto para novas atividades, bem como doação de livros e lançamento da obra com fotos resultantes das oficinas.
Como forma de criar uma rede em torno do projeto, as comunidades são atualizadas com informações sobre o projeto tanto por telefone, email ou presencialmente, e também atrás do site oficial ( www.bibliotecaestantelivre.com.br) e também pelo
Facebook (www.facebook.com/bibliotecaestantelivre).
AVALIAÇÃO Até o momento, 3 comunidades rurais com o projeto já implantado; 6 escolas recebendo oficinas desenvolvidas pelo projeto; 1000 livros doados (sendo cerca de 300 para cada uma das três) Criação de três novos pontos culturais nas comunidades; Construção de três bibliotecas, gratuitas e com funcionamento 24h; 200 livros doados por pessoas que conheceram o projeto e doaram voluntariamente; 2000 moradores impactados diretamente; Mais de 100 alunos impactados com novas atividades educacionais;
aumento das atividades ao ar livre por crianças, jovens e adultos nas ruas da comunidade;
criação de acervo de livros específicos para crianças, jovens e adultos, com obras também de referência agrícola (típica para região);
divulgação das potencialidades da comunidade nas redes sociais do projeto.