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O Drusen do Disco Óptico em Imagens

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Academic year: 2021

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O Drusen do Disco Óptico em Imagens

Ana Miguel Quintas 1, Leonor Almeida 2, Eliana Neto 1, Rui Ferreira 2, Manuel Monteiro-Grillo 3

1 – Interna do Internato Complementar de Oftalmologia 2 – Assistente Hospitalar Graduado de Oftalmologia HSM 3 – Director de Serviço de Oftalmologia HSM

Clínica Universitária de Oftalmologia – CHLN/Hospital de Santa Maria Centro de Estudo de Ciências da Visão – Faculdade de Medicina de Lisboa [email protected]

RESUMO

Introdução: O drusen do disco óptico (DO) é uma alteração estrutural caracterizada pelo depósito de material “hyaline-like” calcificado dentro ou na sua superfície. Clinicamente está presente em 0.34% da população. Sendo mais frequentemente bilateral, representa uma causa importante de pseudopapiledema. Embora assintomático pode originar alterações dos campos visuais. Objectivo: Discutir a importância no diagnóstico e prognóstico das possíveis apresentações de drusen do disco óptico nos diversos meios complementares de imagem. Material e Métodos: A propósito de um caso clínico estudou-se o drusen bilateral do DO diagnosticado clinicamente. Realizou-se ecografia do globo ocular, retinografia com e sem filtro de cobalto, TC-CE, OCT do disco óptico, análise da CFN por polarimetria laser GDx VCC e perimetria estática computorizada. Resultados: São descritas as apresentações do drusen do DO nos meios complementares de imagem realizados. Conclusões: O diagnóstico do drusen do disco óptico é um diagnóstico clínico de presunção. A ecografia B-scan confirma o diagnóstico. A TC-CE é útil para exclusão de causas de papiloedema. Sugere-se a realização de campos visuais com perimetria estática computorizada e estudos estruturais da camada de fibras nervosas retinianas na altura do diagnóstico e utilização desses mesmos meios para avaliação da progressão da doença.

ABSTRACT

Imagiology of the Optic Disc Drusen

Introduction: Optic disc drusen are composed of hyaline-like calcific material within the substance of the optic nerve head or in its surface. Clinically, they are present in about 0,34% of the population. Being often bilateral, they are an important cause of pseudopapiloedema. Although being asymptomatic, they can cause visual field defects. Objective: To argue the relevance in the diagnosis and prognosis of the various

O presente trabalho foi apresentado na forma de Comunicação Livre no 51.º Congresso da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Porto, 4 de Dezembro de 2008.

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Introdução

O

drusen do disco óptico (DO) é uma ração estrutural caracterizada pelo depo- sito no interior ou na superfície do DO de material “hyaline-like” de origem axoplas-mática secundariamente calcificado 1. Sendo

geralmente bilateral, representa uma causa importante de pseudopapiledema 5. É uma

patologia congénita, apenas visível a partir da primeira ou segunda década de vida quando aumenta de tamanho, dando um aspecto irre-gular e nodular à superfície do DO. Ocorre pre-dominantemente em caucasianos (85%), sem preferência de sexo, sendo bilaterais em 70% a 91,2%. Embora clinicamente visíveis em apenas 0,34% da população, estudos de autópsias mostram uma incidência de 0,41% a 2,0% 1,2. Alguns autores sugerem um carácter

heredofamiliar com transmissão autossómica dominante de penetração variável 6.

Os drusens papilares foram considerados durante muito tempo como uma simples curio-sidade oftalmoscópica. Hoje sabe-se que, embora assintomáticos por longo tempo, podem com o crescimento originar alterações no campo visual. Destas alterações a mais frequente é o aumento da mancha cega (68%), seguida dos

campo visual 8,19,20. Os mecanismos

fisiopa-tológicos possíveis são o sofrimento directo do nervo óptico provocado pelos drusens e a compressão das fibras nervosas provocada pelo próprio volume dos drusens 3.

O recurso a técnicas de imagem permite a avaliação do compromisso anatómico e um melhor entendimento do seu mecanismo fisiopatológico, servindo ainda para afirmar precocemente a existência de um diagnóstico de sofrimento das fibras nervosas e seu prognós-tico bem como a consequente adopção de uma adequada atitude terapêutica (no caso frequente de associação a hipertensão ocular). Sendo a ecografia o exame de diagnóstico mais sensível, o drusen do DO tem apresentações típicas noutros exames de imagem como a TC da órbita e crânio-encefálica, o OCT, o GDx e a retinografia com filtro de cobalto 1,3,4.

Material e Métodos

A propósito de um caso clínico de uma criança de 11 anos, sexo masculino, enviada para a Consulta de Oftalmologia para esclarecimento de possível papiledema num contexto de presentations of optic disc drusen using different imaging methods. Material and Methods: One case of bilateral optic disc drusen clinically diagnosed was used to study its different imaging presentations. It was performed ultrasonography, fundus photography, pre-injection control photography, CT, optic disc OCT, RFNL analysis with scanning laser polarimetry (GDxVCC) and computerized static perimetry. Results: Description of the studied drusen presentations. Conclusions: Optic disc drusen are diagnosed firstly by clinical presumption. B-scan ultrasonography confirms the diagnosis. CT is useful to exclude papiloedema. It’s suggested visual field testing with computerized static perimetry and retinal nerve fibre layer structural analysis at the diagnosis and to evaluate the disease progression.

Palavras-chave: Drusen disco óptico; Pseudopapiledema; Imagiologia; Campos visuais. Key words: Optic disc drusen; Pseudopapiloedema; Imagiology; Visual fields.

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diagnosticado clinicamente – apresentava ao exame do fundo ocular discos ópticos de contornos mal definidos e pulso venoso espon-tâneo ODE. Com o objectivo de estudar as várias apresentações imagiológicas desta patologia, realizou-se ecografia do globo ocular, retinografia com e sem filtro de cobalto, TC-CE, OCT (Zeiss Stratus OCT II) do disco óptico, análise da CFN por Polarimetria laser GDx VCC. Foi ainda realizada perimetria estática computorizada (PEC) Octopus G-Standard TOP.

Resultados

Foram obtidas as seguintes imagens:

Fig. 2 – Retinografia com filtro de cobalto –

Autofluores-cência do DO em OE.

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Fig. 3 – Ecografia B-scan: ODE: imagem hiperecogénica ao nível da papila evidenciada com a diminuição do ganho e

con-dicionando cone de sombra posterior.

Fig. 4 – TC-CE – ODE: imagens

(5)

Fig. 5 – OCT do DO – alteração morfológica do disco óptico caracterizada pelo apagamento da escavação fisiológica e

ele-vação dos bordos da papila em ODE.

OE OD

Fig. 6 – PEC – OD: discreto defeito difuso associado a uma área de escotoma arqueado superior e degrau nasal associado;

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Discussão

O drusen do disco óptico (DO) constitui para o oftalmologista um desafio diagnóstico, prognóstico e terapêutico. Com diversas expres-sões imagiológicas, o recurso a este tipo de meios deverá respeitar uma metodologia clara no sentido de optimizar a sua utilização para efeitos diagnósticos e prognósticos, e ainda enquanto indicador de eventual necessidade terapêutica.

A observação fundoscópica é fundamental no diagnóstico do drusen do DO. A presença de pulso venoso espontâneo (que ocorre em 80% dos casos), permite excluir a hipótese

edema da papila, tal como se verificou no nosso doente. Mesmo na ausência de pulso venoso espontâneo, o diagnóstico provisório de drusen do DO é apoiado por outros sinais fundoscópicos: presença de vasos de calibre, trajecto e emergência normais, relação arterio-venosa mantida, camada de fibras nervosas peripapilares sem alterações. Estes dados são indicadores de pseudoedema papilar e de que a elevação do disco não resulta de edema dos axónios 7.

Os drusens podem no entanto ser acom-panhados de anomalias vasculares (aumento da tortuosidade vascular, artérias ciliorretinianas, shunts optociliares) que devem ser pesquisadas Fig. 7 – GDx VCC – atrofia nasal

infe-rior e temporal infeinfe-rior com NFI de 31 em OD; atrofia nasal inferior e tempo-ral inferior com NFI de 34 em OE.

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nomeadamente oclusão da artéria ou veia central da retina, neovascularização subretiniana ou hemorragia subretiniana 4,9,21.

A Ecografia B-scan (Fig. 3) é o método

mais sensível para a confirmação diagnóstica de drusen de disco óptico, ainda que os resultados sejam dependentes do examinador, necessitando de manuseamento por técnicos experientes 10.

Os drusens papilares evidenciam grande densi-dade ecográfica impondo-se a utilização de ecos com ganhos variáveis, recorrendo-se por isso à atenuação acústica, que melhor os eviden-cia 7,10. Quando os drusens são superficiais a

ecografia revela-se um método bastante eficaz ao identificar a presença de calcificação nem sempre identificada na fundoscopia (Fig. 1). A calcificação do drusen é evidenciada pelo cone de sombra posterior à imagem hiper- -recogénica propriamente dita. Quando se localizam profundamente na estrutura do nervo não são visíveis à fundoscopia e o seu diagnós-tico requer a realização de exames comple-mentares de imagem como a Ecografia B-scan – detectam-se imagens hiperreflectivas no seio de uma estrutura hiporreflectiva que é o nervo óptico 11.

A TC da órbita e CE (Fig. 4) faz igualmente diagnóstico de drusen de DO revelando imagens hiperintensas adjacentes ao nervo óptico. Embora não seja um exame de primeira linha para o diagnóstico é mandatório em caso de dúvida de papiloedema.

A apresentação típica do drusen do DO na tecnologia OCT está patente na Fig. 5 que mostra apagamento da escavação do disco óptico e elevação dos bordos da papila.

Têm sido registados defeitos dos campos

visuais nos doentes com esta patologia,

cons-tando de alterações específicas arqueadas superiores e inferiores, mais frequentemente defeitos nasais inferiores, aumento da mancha cega ou defeitos difusos 8,19,20. Está descrita

uma correlação entre o tamanho dos do drusen do DO e o defeito de campo visual 20. No caso

descrito existe uma assimetria entre os defeitos de campo visual sendo mais acentuados no OE onde os drusens são de maiores dimensões

(Fig. 6). Admitimos que os campos visuais (com comprovada fiabilidade) poderão ter utilidade como marcador prognóstico desta patologia.

As novas técnicas de imagem baseadas em princípios fisicos diferentes permitem, antes do compromisso dos campos visuais, o estudo da

camada de fibras nervosas retinianas (OCT,

GDxVCC) e podem assim avaliar a repercussão dos drusens sobre as fibras nervosas, com ou sem hipertensão ocular associada. Perante o conhecimento de que os drusens levam à perda das fibras nervosas, torna-se imperativo a avaliação da CFNR, para detecção precoce de lesão nessa estrutura 15,16,17,18.

No caso que motivou este estudo existem alterações demonstradas pelo GDxVCC (Fig. 7) na CFNR temporais e nasais superiores e inferiores de maior magnitude em OE mas com NFI pouco alterado, o que pode indiciar uma alteração detectada precocemente.

Em caso de associação com hipertonia ocular não existe nenhum estudo que permita distinguir a perda de fibras nervosas atribuível ao drusen ou ao glaucoma. Estas novas tecnologias têm portanto um papel importante na identificação das áreas de perda de fibras axonais sendo importante reduzir a pressão ocular no caso de uma hipertonia associada 12.

O registo fotográfico sem injecção de contraste tem um papel mais académico e permite a visualização da autofluorescência do

disco que é um bom sinal diagnóstico mas que

falha nas situações de drusens profundos, como é exemplo o caso descrito em que apenas se identifica a autofluorescência no olho esquerdo (Fig. 2). A autofluorescência do DO deve ser usada apenas para confirmação de drusens visíveis na fundoscopia 13,14.

Conclusões

O diagnóstico do drusen do disco óptico é na grande maioria dos casos um diagnóstico clínico de presunção. É importante confirmar o diagnóstico com realização de ecografia B-scan particularmente em caso de drusens profundos ou ausência de pulso venoso espontâneo.

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A TC-CE é útil para exclusão de causas de papiloedema. Sugere-se a realização de campos visuais com perimetria estática computorizada e estudos estruturais da camada de fibras nervosas retinianas na altura do diagnóstico e utilização desses mesmos meios para avaliação da progressão da doença, follow up de uma eventual alteração inicial ou surgimento de sintomatologia.

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Referências

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