BOLETIM BI-MESTRAL DO CENTRO TERRA VIVA
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Julho/Dezembro 2004
Volume 2, Número 4
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t Caro leitor,
Esta é última edição do nosso Justiça Ambiental, referente ao ano de 2004. Um ano que foi marcado pela tomada de posse dos novos governos locais resultantes das eleições autárquicas de Novembro de 2003. Durante este ano, ainda, tiveram lugar as terceiras eleições gerais que esperamos venham trazer mudanças e um impacto mais positivo nas várias esferas de governação.
E por falar de governação, o Artigo de Fundo, faz uma breve “radiografia” dos desmandos que ocorrem numa das regiões de referência turística nacional, a praia do Bilene. É que Bilene, é ao mesmo tempo um “paraíso” onde todos querem estar, e um local cuja beleza é sustentada por ecossistemas bastante frágeis e ameaçadas pela não observância de regras ambientais que se impõem numa situação do género. O mais inquietante é o facto de, aparentemente, não haver vontade política para resolverlalguns problemas, mesmo em face da vontade expressa por algumas instituições da sociedade civil em apoiar os esforços que possam reverter a situação que há muito mostra sinais de deterioração.
No Artigo de Opinião chama-se à atenção para aquilo que há muito devia ter sido uma das grandes preocupações do Município da Cidade de Maputo, designadamente a fiscalização e sinalização para impedir actividades recreativas e de lazer ou a extracção de produtos pesqueiros em alguns locais da baía
NESTA EDIÇÃO: Artigo de Fundo
Praia do Bilene: Todos querem lá estar...e ninguém quer cuidar...1 Artigos de Opinião
Turismo sustentável nas áreas de conservação: os desafíos de uma política inexistente...3 Circulação de veículos 4x4 nas praias moçambicanas...4 Testemunho Ocular. Infestação de Salvinia molesta no rio Umbeluzi...8 Destaque CTV. ...8 Correspondência. ...9 de Maputo, cujos índices de poluição são preocupantes. E
porque as novas autoridades municipais começam a mostrar sinais para a mudança da face da cidade, esperamos que esta questão figure nas suas prioridades; Mais do que isso, é urgente a procura de soluções para o combate às razões por detrás desta poluição. Ainda nesta secção, devolvemos à ribalta a reflexão em torno das áreas de conservação, onde para além da velha questão sobre se “ se as áreas de
conservação visam sustentar o turismo ou se é o turismo que deve sustentar a conservação”, é também abordada a questão das bases legais para a criação destas áreas, bem como os critérios para a sua categorização e gestão.
O Testemunho Ocular documenta um desolador panorama, a infestação do rio Umbelúzi pela Salvinia moles a. É uma situação que requer medidas urgentes devido aos efeitos ecológicos e sócio-económicos que se podem repercutir na qualidade da água que é consumida na cidade de Maputo.
Finalmente, chamar a atenção, aos nossos leitores e colaboradores, para o facto de termos disponível dois volumes compilados, referentes a todas as publicações do nosso boletim bimestral “ Justiça Ambiental”. No caso de algum interesse em obtê-los, queiram, por favor, contactar-nos
E mesmo a fechar, esperamos continuar a contar consigo no ano de 2005.
Frederico Dava, Editor
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL MOÇAMBICANA
“1. O desenvolvimento da actividade turística deve realizar-se respeitrando o ambiente e dirigido a atingir um crescimento económico sustentável”.
Artigo 7, Lei do Turismo, 4/2004, de 17 de Junho
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Praia do Bilene: Todos Querem Lá Estar ... mas Ninguém Quer Cuidar!
Situada à cerca de 200 km da capital do país, a Praia do Bilene é, desde o tempo colonial quando era conhecida como a Praia de São Martinho, um dos destinos turísticos mais privilegiado do país. Concorrida, principalmente, devido à facilidades de pesca, mergulhos e
prática de outros desportos náuticos no mar e nas lagoas de água doce, a praia do Bilene possui também como atractivos dunas arenosas que oferecem uma beleza paisagística interessante. Com o fim da guerra em 1992, e tal como aconteceu com toda a zona costeira do país, Bilene
sofreu um elevado crescimento no que diz respeito ao turismo, tendo acolhido não apenas empreendimentos turísticos de capital nacional e estrangeiro, mas também habitações, sobretudo para férias. No entanto, o estabelecimento e implantação do turismo na zona tem sido caracterizado por vários desmandos e situações pouco positivas a nível ambiental. Isto tem causado conflitos entre operadores nacionais e estrangeiros e instituições governamentais locais e, até certo ponto, já está a originar a degradação de ecossistemas frágeis e espécies ameaçadas, como por exemplo, tartarugas marinhas. Em face desta situação e como forma de apoiar os esforços com vista a travar os desmandos e a progressiva degradação ambiental, o CTV tem estado em contacto com alguns operadores turísticos e autoridades governamentais locais no Bilene onde, para além do levantamento dos problemas constatados, foram propostas algumas soluções concretas. Como resultado destas acções, o CTV endereçou uma carta ao Governador da Província de Gaza, em Outubro de 2003, não somente reportando os desmandos, como também propondo-se a contribuir para a melhoria da situação.
Seguem-se, então, alguns dos vários problemas ambientais constatados nesta praia (não apresentados com base no seu grau de importância):
Ocupação ilegal de terras e construções em locais inadequados
A concorrência na procura de uma parcela de terra no Bilene desenvolveu-se muito rapidamente sem que aspectos de base tivessem sido tomados em conta, como por exemplo, o “macrozoneamento” e o ordenamento territorial, o que, profundamente aliado à esquemas de corrupção, originou uma autêntica ocupação desordenada de terras, incluindo espaços ecologicamente sensíveis.
Esta é uma das questões mais controversas encontradas na praia do Bilene. Vários casos foram reportados, relativos à implantação ilegal de complexos turísticos e habitacionais em locais não apropriados (em dunas e/ou zonas de alto declive), na sua maioria, construídos sem qualquer Estudo de Impacto Ambiental.
Pesca ilegal usando palangre (longline)
Tal como reportado em outras zonas costeiras do país, nomeadamente, nos arquipélagos das Quirimbas e do Bazaruto, e na Ponta do Ouro, a costa do Bilene tem sofrido uma forte pressão por parte de barcos de pesca ilegais, supostamente de origem asiática, que usam preferencialmente o palangre (longline) para a pesca do tubarão, ambos não permitidos pelos regulamentos e autoridades pesqueiras nacionais (ver Anexo II do Regulamento da Pesca Desportiva e Recreativa). Casos de uso de até três longlines de cerca de 30 km de comprimento foram reportados por operadores turísticos locais. Estes são observados a partir da costa e, muitas vezes, em operação ilegal durante o dia, ante o olhar impávido e impotente das autoridades governamentais locais. Vários exemplares de material de pesca (incluindo anzóis, cordas e bóias) foram já recolhidos por operadores turísticos do Bilene. Acresce-se a este problema, a introdução de barcos de recreio no mar sem autorização dos Serviços de Administração e Fiscalização Maritima, fugindo ao pagamento das taxas estabelecidas e privando, por conseguinte, o Estado da arrecadação de receitas que poderiam contribuir para o desenvolvimento local.
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL MOÇAMBICANA
“Só é permitida a realização de concursos de pesca, organizados por clubes ou associações desportivas nacionais”.
Artigo 27, Ponto 1, Regulamento de Pesca Recreativa e Desportiva, Decreto 51/99 de 31 de Agosto
Abate e venda de espécies ameaçadas e protegidas (tartarugas marinhas)
Relatos de redução da população de tartarugas marinhas na baía das tartarugas (turtle bay) são, igualmente, comuns. Um dos casos mais flagrantes, reportado por operadores turísticos locais e autoridades marítimas envolve um cidadão de nacionalidade sul africana que montou um acampamento ilegal nas dunas e que dele se serve para caçar e transportar consigo diversas tartarugas e carapaças para a África do Sul. A venda de carapaças de tartaruga no mercado local ocorre com regularidade.
Uma outra causa que tem contribuído para a matança das tartarugas é a condução de veículos motorizados na praia que, embora ainda não tenha sido regulamentada, sabe-se que não é benéfica aos sensíveis ecossistemas marinhos e costeiros.
Operadores turísticos desarticulados
Nos últimos anos, o sector hoteleiro tem vindo a crescer substancialmente na praia do Bilene. E como que a não fugir à regra, muitos operadores desenvolvem a actividade tendo em conta apenas o lucro, ou seja, sem darem atenção à necessidade de manter as condições que constituem a atracção e o motor do turismo, isto é, a qualidade ambiental do local. É por esta razão que mesmo havendo interesse por parte de alguns operadores turísticos em que seja criado um ambiente de ordem a favor do meio ambiente, não há harmonia dada a divergência de objectivos. Por outro lado, há que se assinalar o facto das autoridades governamentais locais não gozarem de independência sobre a gestão do recursos locais, sendo a gestão feita a partir de fora do Bilene, de onde provêm, também, a maior parte dos utentes desta praia.
Todas estas situações ocorrem de modo repetitivo e permanente, sendo um obstáculo para o desenvolvimento sustentável da actividade turística e conservação dos recursos naturais da região, devendo, por isso, merecer a mais urgente atenção das autoridades competentes, sobretudo, a nível distrital e provincial. Foi nesse sentido que em Outubro de 2003, o CTV endereçou uma carta ao governador da província de Gaza com conhecimento da Inspecção Geral do Turismo, da Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental de Gaza e do Centro de Desenvolvimento Sustentável para a Zona Costeira. À semelhança do que o CTV começou a fazer com o Governo da Província de Inhambane (Fórum de Turismo e Ambiente), o CTV propunha-se colaborar com o Governo de Gaza para a solução de alguns dos problemas acima indicados, intervindo, por exemplo, no levantamento da situação legal da ocupação de terras e exercício de actividades turísticas, na clarificação de competências institucionais, assim como na concepção de um mecanismo de fiscalização local em consulta com as diversas instituições interessadas.
Algumas das acções imediatas propostas pelo CTV incluem:
1. Levantamento da situação legal da ocupação de terras, da implantação de infra-estruturas e do desenvolvimento de actividades turisticas (e outras) na praia do Bilene.
2. Actualização do macrozoneamento da praia e clarificação de competências institucionais no âmbito do licenciamento, monitoramento e fiscalização de actividades turísticas e outras;
3. Estabelecimento de um mecanismo local, simples, participativo e funcional, de controle da alocação de terras e fiscalização turistico-ambiental.
4. Dinamização do envolvimento dos cidadãos locais, incluindo os cidadãos externos com propriedades no Bilene,
no melhoramento da qualidade ambiental, para o zoneamento e planeamento da ocupação espacial e na procura de fontes de receitas para o desenvolvimento socio-económico local.
Lamentavelmente, volvido um ano e alguns meses, o CTV não obteve, ainda, a resposta do Governo da Província de Gaza. O CTV, solicitou e conseguiu um econtro conjunto com a Dircetora Nacional do Turismo e com o Inspector Geral do Turismo sobre o assunto, mas poucos progressos se notam no terreno, incluindo a falta de reacção às propostas avançadas pela nossa instituição.
Na esperança de que futuramente haja maior sensibilidade e dinâmica em relação a este assunto, o CTV continuará a empreender esforços no sentido de que a situação do Bilene melhore tanto em termos de qualidade ambiental como em termos de ordenamento da ocupação espacial.
Por Frederico Dava
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Turismo Sustentável nas Áreas de Conservação:
Os Desafios de uma Política Inexistente!
Dentre as diversas áreas protegidas em Moçambique, destacam-se as Áreas de Conservação (ACs) dos recursos naturais. Nos termos da Lei de Florestas e Fauna Bravia, Lei nº10/99, de 7 de Julho, a criação destas áreas tem como principais objectivos a protecção e a conservação da biodiversidade e de ecossistemas, sendo que, por isso mesmo, a utilização dos recursos naturais aí existentes não deverá pôr em causa esse ecossistema e o equilíbrio ecológico. Assim, a utilização desses recursos deve, portanto, ser feita segundo as normas, restrições e excepções da legislação em vigor e, dos respectivos planos de maneio.
As Áreas de Conservação são compostas por extensos territórios de florestas e fauna, em que as actividades de fiscalização e gestão exigem um forte aparato financeiro e humano. Têm uma estrutura administrativa e funcional hierarquicamente integrada na Direcção Nacional para as Áreas de Conservação (DNAC), do Ministério do Turismo (MITUR), dependente do Orçamento Geral do Estado, que lhes reserva fundos irrisórios. Devido a esta exiguidade de fundos, nos últimos tempos, tem sido levantado um debate, propondo a rentabilização económica das ACs pois, entende-se que a conservação por si só (sem lucros) é contraproducente, e ainda, porque nas actuais condições, o Estado não é capaz de manter e garantir a mínima sustentabilidade (conservação ambiental, rentabilização económica e valorização social) destas áreas.
Com este novo modelo de gestão proposto, pretende-se conceder às ACs maior autonomia administrativa, financeira e patrimonial, dotando-lhes de personalidade jurídica, de modo a não dependerem exclusivamente dos insuficientes fundos provenientes do Orçamento Geral do Estado. Nesta perspectiva, espera-se que com esta nova estrutura, as ACs poderão celebrar contratos directamente com os seus parceiros nacionais ou internacionais, ligados a diversas áreas de interesse, desde o turismo à conservação, de modo a cobrir os custos das operações de conservação.
De todas as actividades parceiras, a indústria do turismo tem sido apontada como a alternativa viável. O pressuposto é de que, não poderá haver desenvolvimento do turismo enquanto não houver recursos naturais atractivos, isto é, bem conservados. De certa forma isso é verdade, daí que o turismo seja visto por alguns como a bóia de salvação da rentabilização económica das ACs.
Entretanto, nesta reflexão, há que se colocar uma questão de partida: trata-se de fazer conservação para o turismo ou de fazer turismo para a conservação? A resposta
à esta questão tem implicações relevantes na priorização das actividades a serem desenvolvidas nas ACs.
Colocando a questão de outra forma: será o turismo a puxar a conservação para garantir a sua sustentabilidade, ou então, será a conservação que levará na boleia o turismo para garantir a sua sobrevivência? Estas, e outras questões, carecem de uma discussão aberta, realística e cuidadosa.
Embora com algumas nuances, a viragem no tratamento das ACs, no que diz respeito à sua conciliação com o desenvolvimento do turismo, tem sido claramente assumida no Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto e tem trazido resultados mutuamente benéficos. É uma espécie de tentativa de materialização do conceito de desenvolvimento sustentável no seu sentido tridimensional: crescimento económico que mantêm o equilíbrio ecológico e garante o progresso social.
Se, no modelo proposto para a gestão das ACs, as duas primeiras dimensões são amplamente consideradas e balanceadas (dimensões económica e ecológica, com o turismo e conservação, respectivamente), o mesmo já não se pode dizer da terceira, o progresso social. Para que haja um desenvolvimento do turismo realmente sustentável, é necessário o envolvimento directo e efectivo das comunidades locais residentes nessas ACs e/ou nas suas zonas envolventes. Só assim será alcançado o progresso social deste modelo de gestão das ACs que se pretende que seja extensivo também às Áreas de Conservação Transfronteiriças. Seria, assim, um modelo inclusivo, que incentivaria as comunidades locais a participarem activamente na conservação dos recursos que lhes sustentam, visto que teriam consciência dos seus valores económicos, ecológicos e sociais.
Entretanto, importa, igualmente, notar que, por outro lado, a situação legal e institucional das ACs é bastante complexa, devido à existência de diversa legislação produzida que incide directa ou indirectamente sobre elas (alguma já ultrapassada!), conduzindo à sobreposição de competências e, por vezes, à existência de lacunas. Ademais, constata-se que não existe, ainda, uma política ou estratégia nacional que uniformize a criação e gestão das ACs. É urgente a sua criação!
Dando seguimento à ideia do novo modo de gestão proposto para as ACs, é necessário conceber uma Política Nacional para as Áreas de Conservação, na qual se estabelecerão as directrizes com base nas quais o desenvolvimento do turismo deverá ser realizado, em função das especificidades ecológicas, sócio-culturais, e económicas da zona em que se encontre.
O turismo sustentável proposto deve enquadrar-se num contexto de desenvolvimento sócio-económico também sustentável, caracterizado pela priorização de determinados princípios largamente acolhidos pela legislação ambiental moçambicana, em que se faz referência, entre outros aspectos, à:
a) Consideração dos princípios do desenvolvimento sustentável, preservação e valorização de ecossistemas e recursos valiosos para a presente e futuras gerações em todas as actividades económicas;
b) Priorização da participação das comunidades locais nos processos de tomada de decisões e de desenvolvimento sustentável;
c) Criação de mecanismos de partilha de custos e benefícios, de modo a distribuir de forma equilibrada os benefícios da conservação de recursos naturais e da exploração turística desses recursos entre todos os sectores;
d) Viabilização social, ambiental e económica das actividades de conservação dos recursos naturais, assegurando a maximização dos potenciais impactos positivos;
e) Maximização do potencial das ACs para a erradicação da pobreza, tendo em conta que tanto a conservação de recursos como o turismo só serão socialmente úteis se poderem contribuir para o progresso sócio-económico local;
É, também, importante identificar claramente as actividades permitidas e proibidas, (re)desenhar planos de
maneio (aumentando, inclusive os seus períodos de validade) e estabelecer um sistema de fiscalização que envolva e responsabilize todos os intervenientes. Não menos importante é necessidade de clarificar os direitos e deveres dos operadores turísticos dentro das ACs, incluindo a obrigação de elaboração de um Relatório Ambiental Anual para cada empreendimento.
A prossecução destes objectivos é uma boa oportunidade para demonstrar que a conservação não é um entrave para o crescimento económico, bastando, para tal se ter a consciência de que tanto o turismo pode trazer impactos negativos ás ACs, assim como a má gestão destas pode ter efeitos negativos ao exercício do turismo.
O quadro legal em vigor nesta matéria deixa claro que o turismo e as ACs são sectores conciliáveis e interdependentes, (veja-se, por exemplo, a Lei do Turismo). Entretanto, nas actuais condições institucionais, a DNAC não está suficientemente preparada para este desafio pois, é constituída por um conjunto de compartimentos e departamentos autónomos e separados, em que alguns estão mais capacitados (técnica e financeiramente) que a própria DNAC como tal, com agendas e prioridades diferentes e, por vezes, sobrepostas (o que dizer, por exemplo, Unidade de Coordenação das Áreas de Conservação Transfronteiriças?).
Por fim, para que haja um desenvolvimento sustentável do turismo nas ACs é, acima de tudo, necessário um bom quadro legal e institucional, simples e desburocratizado. Na verdade, o desenvolvimento do turismo sustentável nas ACs é um dos muitos desafios de uma Política Nacional das Áreas de Conservação, ora, inexistente.
Por Vicente Manjate
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL MOÇAMBICANA
“1. Nas áreas de conservação, podem desenvolver-se actividades de ecoturismo, turismo cinegético, mergulho recreativo e outras actividades identificadas, de acordo com o plano de maneio e outras disposições legais.
2. O turismo nas áreas de conservação participa na consevação de ecossistemas e de espécies da referida área”. Artigo 9, Lei do Turismo, 4/2004, de 17 de Junho
Circulação de Veículos 4x4 nas Praias Moçambicanas
Após o fim da guerra civil no início da década de 90, a zona costeira do sul de Moçambique, sofreu um grande aumento da actividade turística. Cerca de 13
mil turistas visitam anualmente as Pontas do Ouro e Malongane, dentre os cerca de 115 mil que visitam a zona sul do País. Na sua maioria são sul-africanos que vêm em veículos 4x4, muitas vezes, trazendo barcos e outros equipamentos para um turismo, essencialmente, de sol e praia. Dada a fragilidade institucional e legislativa do país, casos de condução na praia, com consequências ainda pouco conhecidas, são frequentes.
Efeitos e situação actual em Moçambique
Os efeitos da circulação de veículos 4x4 nas praias têm sido estudados um pouco por todo o lado onde esta indústria se tem desenvolvido com alguma incidência, como na Australia, África do Sul, EUA, entre outros. Na verdade, existe uma vasta literatura publicada
sobre o assunto. De um modo geral, sabe-se que esta actividade contribui para criar/exacerbar processos de
erosão costeira com impactos graves em termos geomorfológicos e de dinâmica dunar. Ocorrem com grande frequência, casos de destruição de vegetação, habitates costeiros e mortalidade da macrofauna (i.e. caranguejos, tartarugas marinhas, aves), causando perdas irreparáveis de biodiversidade a nível local.
Actualmente, em Moçambique, as práticas de condução de veículos 4x4 nas praias (especialmente nas do sul do País), resumem-se a:
- Uso de viaturas 4x4 por parte de turistas estrangeiros e nacionais ao longo da costa sul de Moçambique (Matutuíne – Inhambane) para aceder a locais preferidos e, normalmente, remotos nas praias;
- Uso de 4x4 por parte de operadores turísticos, em praias de nidificação de tartarugas, como por exemplo, no Parque
Nacional do Arquipélago do Bazaruto;
- Gincanas nas dunas, principalmente, por parte de turistas sul-africanos;
- Condução na praia para lançamento de embarcações; - Operações turísticas ilegais em excursões (vulgo Safaris) ao longo da costa.
Em termos de fiscalização e gestão destas actividades, a resposta das entidades governamentais, e não só, nos últimos 10 anos, tem sido sob a forma de campanhas de educação e sensibilização (como por exemplo, a Campanha Boas Vindas). Nestas campanhas, algumas acções de fiscalização têm sido levadas a cabo, e se resumem na passagem de algumas multas. O sector privado, a nível local, tem igualmente actuado, especialmente através de colocação de cartazes proibindo esta prática. Recentemente, a colocação de placas proibitivas foi, também, efectuada pelo Município de Maputo e, noutras zonas costeiras, pelas Administrações Marítimas (ADMARs) em colaboração com as (Direcções para a Coordenação da Acção Ambiental (DPCAs).
De um modo geral, tem sido passadas multas pelos Serviços de Administração e Fiscalização Marítima (SAFMAR), embora sem critérios definidos e, como veremos mais adiante, sem suporte legal. Os valores das multas têm variado de R1,000.00 a R2,5000.00 e às vezes são cobrados valores em Meticais que chegam a atingir 4,800.000.00 Mts.
Afinal, o que diz a legislação?
Da diversa legislação de foro ambiental existente em Moçambique, alguns pacotes têm sido usados com certa insistência para justificar a proibição de condução na praia e, algumas vezes, citados nos próprios autos de multa. Segue-se, então, uma análise breve dessa legislação. Lei do Ambiente - Lei n.º 20/97, art.º 12, n.º 1
Especialmente, o no 1, do art.º 12, proíbe “...todas
as actividades que atentem contra a conservação, reprodução, qualidade e quantidade dos recursos biológicos...”. Este artigo tem sido amplamente citado como proibindo a condução na praia. Esta é uma Lei de bases e princípios gerais. A proibição aqui expressa é bastante genérica, e se for analisada literalmente, é capaz de incluir qualquer actividade, incluindo um simples mergulho, ou mesmo, um banho de sol. Dificilmente se pode dizer que este artigo proíbe especificamente
a circulação de veículos na praia. É apenas um princípio!
Lei de Terras – Lei n.º 19/97 (art.º 8, al. c e art.º 9)
Com especial incidência para o art.º 8, al. c) e art.º 9, onde se estabelecem as zonas de protecção parcial (entre outras, os 100 metros da faixa da orla marítima), em que não poderá ser autorizado o Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT). Estes artigos também têm sido citados como proibindo a condução na praia. Nos termos do seu regime, deverão ser passadas licenças especiais para actividades de uso da terra “de carácter mais estático”, não sendo explicitamente reconhecido, proibido ou sancionado o uso de veículos 4x4 nas praias. Trata-se, nesta Lei, de regulamentar o Uso e
Aproveitamento da Terra (o que implica uma afectação de uma parcela delimitada de terreno a uma pessoa determinada). Por outro lado, mesmo recuando até ao momento do processo de concepção desta Lei, em nenhuma das reuniões preparatórias do respectivo Anteprojecto (nem nos diversos grupos locais nem na Assembleia da República), discutiu-se o uso e aproveitamento da terra por veículos 4x4. Ora, não é esta a finalidade do DUAT!
Regulamento Geral das Capitanias – Portaria n.º 1 ponto 097 de 1919,
Este regulamento, de acesso bastante difícil, reza no Capítulo XII, art.º 104, 4º, como atribuições dos Cabos de Mar e Guardas de Lastro: “... vigiar que as praias, cais e pontes, etc., compreendidos nos limites da jurisdição da respectiva capitania ou delegação se conservem em estado de não haver embaraço ao movimento marítimo”. E, que dizer, se a circulação de veículos não embaraçar o movimento marítimo? Pode ser permitida? Como se pode ver, nada sobre circulação na praia, apesar de este ser o artigo mais citado pela SAFMAR para a proibição de condução na praia! Adicionalmente, é difícil de crer que em 1919 já existissem, para uso alargado, veículos 4x4 que pudessem circular nas praias, para além de que, nessa época, não existia, ainda, consciência ecológica que pudesse levantar preocupações que merecessem legislação sobre o assunto!
Lei do Mar – Lei n.º 4/96, art.º 19
Estabelece, no seu art. 19, que “...o domínio público marítimo compreende as águas interiores, o mar territorial, a zona e a faixa de terra que orla as águas marítimas até 100 metros medidos a partir da linha de preia-mar”. Nada estabelece sobre a utilização desta zona e faixa de terra e, contém, apenas, normas sobre o uso do mar e de todas as águas navegáveis, bem como sobre embarcações e outros objectos marítimos (conforme o seu art. 2). A Lei não contém qualquer dispositivo que proíba a condução de veículos na praia.
Decreto n.º 495/73 Medidas de Protecção contra a Poluição das Águas, Praias e Margens no Ultramar
Este decreto estabelece no seu art. 1, que “é proibido, salvo licença especial, o lançamento ou despejo na
zona contígua e no mar territorial (...), bem como nos portos, docas (...), praias, margens e demais áreas sob jurisdição das autoridades marítimas, de quaisquer águas nocivas e substâncias residuais, bem como de quaisquer outras substâncias ou resíduos que de algum modo possam poluir as águas, praias ou margens, tais como produtos petrolíferos ou misturas que os contenham”. Nada sobre circulação de veículos 4x4, a não ser que se prove que tais veículos despejem substâncias ou resíduos que, de algum modo, possam poluir as águas! Que dizer, caso se prove o contrário, que o veículo não despeja qualquer substância que possa poluir as águas?
Código de Estrada (CE)
Também utilizado como a base para a proibição da condução
na praia, sob o argumento de que o CE regulamenta a condução nas vias de trânsito (públicas) e, não estando prevista a praia como via de trânsito (pública), logo, está proibida a condução na praia. Não é correcto este raciocínio pois, não previsto não significa... proibido! Além de que, não é do âmbito do CE regulamentar condução na praia - afinal, praia não é estrada, e o objecto do CE é estrada e não praia!
Planos de Maneio das Áreas de Conservação
Os Planos de Maneio do Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto, do Parque Nacional das Quirimbas e da Reserva Especial de Maputo, constituem os poucos instrumentos de valor legal, que, de facto, proíbem a condução na praia. No entanto, estes são restritos às áreas de conservação e, de um modo geral, não discriminam as sanções aplicáveis aos eventuais prevaricadores. Portanto, de pouco serve a proibição estabelecida!
Diploma Legislativo 2966/70
Este Diploma tem sido usado pela SAFMAR como base legal para a aplicação de multas. Isto é incorrecto, já que tal Diploma refere-se a emolumentos relativos à navegação marítima (vistorias de embarcações, role de matrícula, etc.) e nada tem a ver com condução na praia! Na verdade, não é normal haver multas sancionando uma actividade que ainda não tem proibição legal expressa!
Da análise feita à legislação acima e outra não apresentada, pode-se concluir que, aparentemente, não
existe legislação que proíba expressa e directamente a condução de veículos nas praias em Moçambique (exceptuando nas Áreas de Conservação e, possivelmente, algumas posturas municipais)! Apesar
disso, não deixamos de defender que é condenável a prática de actividades de condução em locais ecologicamente sensíveis e não recomendáveis.
Que acções para o futuro?
As campanhas (e.g. Boas Vindas, etc.) deverão continuar a ser desenvolvidas, de modo a incrementar as acções de sensibilização e educação, não só dos turistas estrangeiros, assim como dos nacionais. As acções de fiscalização deverão ser contínuas, não sendo necessariamente dispendiosas e, é urgente a determinação e sinalização de locais para o lançamento de embarcações nas diversas praias. No que diz respeito à legislação, urge regulamentar esta actividade. Esta regulamentação poderia ser sob a forma de um Decreto do Conselho de Ministros?Diploma Ministerial (conjunto ou não) de modo a que o processo não se prolongasse mais, e deveria determinar claramente a proibição de condução na praia, estipular as condições excepcionais, mencionar claramente a instituição competente para velar pela fiscalização (que poderia ser a SAFMAR) e finalmente discriminar as sanções e seus critérios de aplicação.
Este diploma poderia, por exemplo, ser proposto pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável para as Zonas Costeiras em conjunto com a SAFMAR, a um destes Ministérios (de modo unilateral ou em conjunto): Ministério dos Transportes e Comunicações + Ministério do Turismo + Ministério do Plano e Finanças + Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental. Tal diploma, que aparentemente é de simples concepção, funcionaria como medida ad hoc até que um regulamento específico sobre as actividades na zona costeira fosse concluído. À hora do fecho, chega-nos a notícia de que bons ventos sopram neste sentido: finalmente, já existem iniciativas e, inclusive, projectos de leis que concorrem para a regulamentação desta actividade.
Por Marcos A M Pereira e Vicente Manjate
No Processo de Desenvolvimento Sustentável:
CTV Aposta nas Rádios Comunitárias
No seguimento do lema “ Comunicação ao Serviço do Desenvolvimento Sustentável”, o Centro Terra Viva, através do seu programa de Informação e Educação Ambiental (Pro-Info), tem estado a apostar nas Rádios Comunitárias como melhores veículos para a discussão e difusão de informações que conduzam ao conhecimento de direitos e deveres ambientais dos cidadãos, como pressuposto para a mudança de atitudes para uma vida melhor.
Para o CTV, embora seja um facto inquestionável que o país já se ressente dos efeitos associados aos problemas ambientais globais, traduzidos em fenómenos como El Nino, cheias, ciclones, etc, e até certo ponto, de actividades industriais dentro do país, a pobreza constitui um dos problemas fundamentais.
A pobreza abrange uma vasta gama de privações que afectam grande parte da população deste país e engloba a falta de conhecimento, a falta de oportunidades para uma vida criativa e produtiva, a exclusão social, a falta de liberdade e a privação de rendimentos bem como de saúde.
A pobreza e a degradação ambiental encontram-se ligados num ciclo vicioso em que as pessoas pobres não têm capacidade para cuidar do ambiente, uma vez que não têm outras alternativas, senão utilizarem de forma insustentável os recursos ambientais para a sua sobrevivência básica.
As florestas têm sido dizimadas a um ritmo e taxas sem precedentes, resultando em problemas ambientais e,
tornando as populações mais vulneráveis, tanto social como economicamente, porque o ambiente degradado passa a produzir menos recursos.
As politicas que não favorecem a distribuição qualitativa dos recursos, a falta de posse de terra, são também alguns problemas que conduzem grande parte da população moçambicana para ambientes marginais, causando ainda mais pobreza.
Para abordar a pobreza e evitar danos ambientais, tem que se dar não apenas mais atenção ao ambiente degradado, mas ao mesmo tempo um poder às comunidades, reforçando a sua capacidade para gerirem iniciativas que visem a melhoria do seu bem estar.
A disponibilidade de electricidade, por exemplo, é uma das principais chaves para o desenvolvimento de um país. Em Moçambique, dos cerca de 18 milhões de habitantes, apenas cerca de 1.5 milhões é que tem as suas casas ligadas à rede de energia eléctrica da empresa pública de electricidade, o que corresponde a apenas cerca de 20 % da população. Como fontes de energia, a maioria da população recorre, ainda, à lenha e carvão, com efeitos negativos para o ambiente e para a saúde.
A falta de energia eléctrica não só é responsável pela degradação ambiental nas comunidades, através do desaparecimento de florestas, como é responsavel pela perpetuação da pobreza, na medida em que a mulher é obrigada a despender mais tempo na busca da lenha em
detrimento da escolarização e de outras actividades lucrativas.
Com a energia eléctrica a mulher deixa de percorrer longas distâncias à procura da lenha, fica menos exposta ao risco de picadas por cobras, escorpiões, e outros bichos, podendo passar a cozinhar em casa com recurso ao fogão. Tem disponibilidade para estudar, os hospitais e clínicas têm possibilidades de testar doenças como HIV-SIDA, cólera, malária, e outras doenças. Há também condições para a esterilização dos instrumentos e melhor conservação dos medicamentos. Com acesso à televisão as comunidades ficam providas de mais informações vitais como a prevenção de doenças, catástrofes, etc. Pára a desflorestação e a consequente desertificação e, conservam-se recursos vitais, como plantas medicinais e outras de reconhecido valor.
Este conhecimento passa pelo acesso à informação, tendo a imprensa um papel preponderante. As Rádios Comunitárias têm um dever excepcional na abordagem destes problemas devido às suas potencialidades que residem no facto de serem um meio pertença da comunidade, feito pela comunidade e para a comunidade. São um forte instrumento de amplificação das vozes das
comunidades e, como tal, um instrumento de democratização, de justiça social, de cidadania e autonomia, devendo, por isso, serem aproveitadas as potencialidades traduzidas na participação e uso de línguas locais.
É convicção do CTV que a aposta no fortalecimento das Rádios Comunitárias, como um meio de alcance às comunidades, não so é pertinente, mas também, e sobretudo, urgente.
Neste momento, decorre um levantamento para o conhecimento da situação específica de cada rádio, nomeadamente, as dificuldades e oportunidades para, seguidamente, o CTV iniciar acções de formação, basicamente em reportagem e legislação ambiental. Um outro aspecto a ter em conta na intervenção do CTV, é a capacitação das Rádios Comunitárias na identificação de parceiros ou, desenvolvimento de actividades que possam garantir a sua auto-sustentabilidades, sobretudo as rádios tuteladas pela UNESCO, face à gradual retirada deste organismo de cooperação.
Por Frederico Dava
Poluição na Baía de Maputo: Que Medidas Tomar?
A Baía de Maputo é um local de enorme beleza e rica na sua biodiversidade. Esta, contribui para a economia do país, não só através do turismo, mas como também através da vasta gama de recursos marinhos e pesqueiros.
Infelizmente, o crescimento rápido da população, o volume diário de águas residuais de origem doméstica despejados directamente para a baía, o deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), a falta de meios e recursos apropriados para o monitoramento, gestão e fiscalização, bem como a falta de cumprimento da legislação, Decreto n.º 15/2004, de 15 de Julho, que actualizou e revogou as portarias n.º 10367, de 14 de Abril de 1943, e n.º 11338, de 8 de Maio de 1946, são factores que têm vindo a contribuir directa ou indirectamente para a degradação da saúde pública e da qualidade do ambiente desta baía.
As águas residuais de origem doméstica despejadas, consistem, primariamente, de uma mistura de espécies microbiológicas, compostos orgânicos e inorgânicos, incluído metais e materiais não biodegradáveis com efeitos deletérios para o meio ambiente e consequentemente para a saúde pública!!!!
Para verificar o estado da qualidade das águas da Baía de Maputo e confirmar os vários rumores existentes, como por exemplo, que estas águas não são apropriadas para actividades recreativas, foram recolhidas amostras preliminares e feitas análises
laboratoriais entre Novembro de 2003 e Janeiro de 2004. De uma forma muito geral, e através dos resultados obtidos, pode-se concluir que o Bairro dos Pescadores apresentou níveis de poluição ligeiros, enquanto que as três praias mais frequentadas, a Praia da Costa do Sol, do Bairro Triunfo e Culbe Marítimo apresentaram níveis de poluição baixos. No entanto, os pontos de drenagem que vão desde
o Miramar ao Zambi foram os piores, apresentando níveis de poluição fortes e até assustadores.
Atenção especial deverá ser dada pelas autoridades competentes ao Bairro dos Pescadores, pois é um local de chegada de pescado e outros recursos marinhos e é, ainda, a fonte de distribuição deste para os vários pontos da cidade. Em relação aos pontos de drenagem, estes devem merecer, também, especial atenção, pois são pontos sujeitos a grandes actividades de sustentabilidade e lazer: recolha de invertebrados marinhos na maré baixa, actividades piscatórias, desportivas e de lazer.
Dizer, ainda, que através deste trabalho não foi feita a descoberta da roda e, que este assunto é já conhecido e a situação parece manter-se idêntica desde os anos 80. É algo que já vem a ser arrastado há muito tempo, por vezes, parecendo que ficou esquecido.
Medidas a serem tomadas são muitas, variadas, e até, algumas utópicas, se olharmos para a nossa realidade em volta. Mas tudo pode e deve começar pela vontade das entidades competentes e dos citadinos, pois as praias são nossas e não apenas das entidades.
Começando por medidas mais práticas e a curto prazo, é o caso da consciencialização do público sobre os níveis de poluição existentes. Esta é uma medida urgente. Medidas a longo prazo e contínuas são, a implementação de programas de monitoria e gestão da qualidade das águas e a implementação
e fiscalização da legislação existente sobre os níveis de poluentes a serem despejados na nossa baía. Não menos importante, é
implementar medidas de fiscalização e encerramento das praias aquando da ocorrência de níveis de poluição não apropriados para a saúde pública. Medida utópica, mas igualmente a mais certa, é o funcionamento apropriado da ETAR, que nos últimos tempos não está a funcionar no seu
todo e não tem capacidade de abranger toda a cidade de
Maputo e arredores, funcionando, ainda, apenas numa parte da cidade com um sistema antigo, construído em 1948! Por Cristina M M Louro
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Infestação de Salvinia molesta no rio UmbeluziUma situação no rio Umbeluzi necessita de atenção urgente. Uma parte do rio encontra-se já completamente infestada pela planta Salvinia molesta. Para quem não conhece, esta planta é considerada como uma das mais temíveis plantas aquáticas invasivas, principalmente
devido à sua taxa de reprodução. Ao fim de cada 2,2 dias cada planta (indivíduo) duplica. Isto é, ao fim de 4 meses, de uma planta temos mais de 4 trilhões de plantas!!!
das mais temíveis plantas aquáticas invasivas, principalmente
devido à sua taxa de reprodução. Ao fim de cada 2,2 dias cada planta (indivíduo) duplica. Isto é, ao fim de 4 meses, de uma planta temos mais de 4 trilhões de plantas!!!
Os efeitos ecológicos e sócio-económicos desta praga podem atingir proporções desastrosas. Além de bloquear a passagem da luz e criar um ambiente anóxico, ela tem especial efeito na qualidade da água que é consumida na cidade de Maputo. Estas plantas bloqueam os tubos de irrigação e captação de água, causando igualmente prejuízos para a actividade agrícola. As fotos foram tiradas da ponte sobre o rio Umbeluzi, a cerca de 1 km, à norte da estação de captação de água, no dia 24 de Julho.
Os efeitos ecológicos e sócio-económicos desta praga podem atingir proporções desastrosas. Além de bloquear a passagem da luz e criar um ambiente anóxico, ela tem especial efeito na qualidade da água que é consumida na cidade de Maputo. Estas plantas bloqueam os tubos de irrigação e captação de água, causando igualmente prejuízos para a actividade agrícola. As fotos foram tiradas da ponte sobre o rio Umbeluzi, a cerca de 1 km, à norte da estação de captação de água, no dia 24 de Julho.
Por Madyo Couto Por Madyo Couto
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“Jornalismo Ambiental: Evolucão e Desafios” foi o
tema do debate realizado no mês de Agosto, em parceria com o Instituto Superior Politécnico e Universitário – ISPU no âmbito dos Debates Públicos Ambientais (DPAs) que o CTV tem vindo a realizar. A apresentação do tema foi de Frederico Dava e o evento tinha como objectivo avaliar o desempenho da comunicação social no processo de Desenvolvimento Sustentável não somente comoveículo de informação mas também como agente de mobilização no processo de governação ambiental participativa. Ficou concluído que existe uma necessidade urgente de potenciação dos jornalistas com vista a dotá-los de habilidades que os permitam reportar com mais responsabilidade e conteúdos mais informativos, formativos e cientificamente precisos. Para tal, sugere-se o início de actividades de formação com incidência para estudantes de jornalismo de nível médio.
“Educação Ambiental em Moçambique” foi outro tema
de debate, realizado no mês de Outubroque teve lugar no âmbito dos Debates Públicos Ambientais realizados pelo CTV e o objectivo era avaliar o processo de educação ambiental em Moçambique e discutir estratégias para a sistematização e harmonização destas actividades no país. A apresentação do tema foi do dr. Dinis Mandevane do CTV e como resultado deste debate, o centro está a dinamizar a criação de um grupo multisectorial para a abordagem exclusiva de questões relacionadas com a Educação Ambiental em Moçambique.
CTV nas Jornadas de Comunicação e Linguística.
Evento anual e de carácter internacional organizado pela Rádio Moçambique, teve lugar nos dias 30 de Setembro e 01 de Outubro na cidade de Maputo. O CTV foi convidado como parceiro na organização e solicitado a apresentar o tema “Os Desafios: o caso de Jornalismo Ambiental”. A apresentação do tema foi de Frederico Dava. O CTV tem um memorando de entendimento com a Rádio Moçambique desde Julho de 2004 que consiste dentre várias actividades, na produção conjunta de programas ambientais.
“Circulação de viaturas 4x4 nas praias moçambicanas:
situação, efeitos e acções futuras”, foi o tema do
debate realizado no mês de Novembro. Tinha como objectivo apresentar a situação actual da condução de viaturas 4x4 nas praias, seu efeito sobre os habitates e biodiversidade bem como apresentar propostas de acções futuras para o banimento desta actividade. Do debate, organizado conjuntamente com o Instituto Superior Politécnico e Universitário – ISPU, com a apresentação do dr Marcos Pereira, foi concluída a necessidade urgente de estabelecimento de leis específicas, que tenham definição clara e sansões a aplicar aos infractores; foi sublinhada da descentralização da fiscalização com o envolvimento de diferentes grupos comunitários e a imperativa necessidade de coordenação institucional entre os Ministérios do Plano e Finanças, Interior, Turismo e Administração Estatal.
Finalizado o Relatório sobre Poluição Microbiológica
na Baía de Maputo. O relatório enquadra-se num trabalho
que teve como objectivo determinar a qualidade da água, afim de avaliar os riscos directos para a população quer seja através de actividades de sustento, desportivas ou de lazer. O último relatório sobre a poluição na baía de Maputo foi publicado em 1996.
Revisão do Ante-Projecto do Regulamento de
Avaliação de Impacto Ambiental. O CTV esteve
envolvido na elaboração de comentários sobre o Ante-Projecto de Revisão do Regulamento de Avaliação de Impacto Ambiental. De realçar que, após um abrangente processo de auscultação e participação pública, este Regulamento foi aprovado pelo Decreto n.º 45/2004, de 29 de Setembro, o que significa que, o Decreto n.º 76/98, de 29 de Dezembro, foi revogado. Para além deste processo, o CTV participou, ainda, na elaboração de comentários sobre o relatório de espécies invasivas em Moçambique elaborado pelo Ministério para Coordenação da Acção Ambiental.
3ª Conferência Nacional sobre a Investigação na Zona
Costeira. Os drs. Marcos Pereira (ProEco) e Vicente
Manjate (ProLegis) fizeram parte do comité científico da 3ª Conferência Nacional sobre a Investigação na Zona Costeira que teve lugar em Maputo, de 28 a 30 de Julho do corrente ano. De momento, decorre o apoio na revisão dos artigos científicos apresentados na conferência para a publicação dos “proceedings” da mesma.
Marcação de Tartarugas Marinhas em Moçambique. O
ProEco tem vindo a apoiar deste Dezembro de 2003, o Programa de Marcação de Tartarugas Marinhas do Grupo de Tartarugas Marinhas de Moçambique (GTT). E este apoio está finalmente a produzir os seus resultados iniciais.Dizer que estão já envolvidos neste programa o Projecto de Conservação da Biodiversidade, e Desenvolvimento Sustentável em Macaneta, onde foram já marcadas 4 tartarugas marinhas, O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto, onde foram marcadas entre o mês de Outubro e Novembro 8 tartarugas verdes, o Vilanculos Coastal Wildlife Sanctuary – São Sebastião, o Parque Nacional do Arquipélago das Quirimbas e Reserva Especial de Maputo, onde foram marcadas 13 tartarugas cabeçudas, no mês de Novembro. O método de marcação é um método muito usado para o estudo e conservação das tartarugas marinhas, dado que estas são espécies de ciclos de vida complexos e longos, bem como são espécies migratórias por excelência. Onde cada tartaruga marcada, é uma tartaruga
com o seu “bilhete de identidade”. Contudo, este pode ser muita das vezes é um método moroso, onde é necessário que se faça um compromisso de anos para que determinados resultados sejam atingidos. Mas no entanto a marcação de apenas poucas tartarugas, particularmente em praias de desova, onde a marcação nunca foi realizada, pode trazer informação valiosa para a sua conservação.
Foto: Eduardo Videira
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL MOÇAMBICANA “A captura de exemplares de espécies consideradas troféus de pesca está sujeita a licença especial”. [Todos peixes de bico são considerados troféus de pesca.]
Artigo 15, Ponto 1, Regulamento de Pesca Recreativa e Desportiva, Decreto 51/99 de 31 de Agosto
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“Participei num debate por vós organizado (Jornalismo Ambiental em Moçambique: Evolução e Desafios) onde fiquei bastante impressionado. Como poderei continuar a ter informações sobre o Jornalismo Ambiental, ou participar num curso por correspondência?”
Aristides Patrício
Estudante de jornalismo Universidade Eduardo Mondlane
Caro Aristides felizes sentimo-nos por sabermos que o debate foi produtivo. Apesar dos debates do CTV terem um ciclo mensal, o tema em referência foi abordado pela primeira vez e surge da necessidade de uma abordagem
sistemática sobre o jornalismo ambiental que não só é necessário, mas acima de tudo urgente. Tendo sido um ponto de partida, esperamos que uma série de iniciativas neste capítulo tenham lugar mesmo que não sejam da iniciativa da instituição. Quanto a nós, iremos fazer tudo para que o debate seja sistemático. Quanto à possibilidade de participar de algum curso, por correspondência, infelizmente o CTV não desenhou ainda algum plano neste sentido. Contudo, é preocupação da instituição que isto possa acontecer futuramente. Finalmente, dizermos que as nossas portas estão abertas aos interessados em obter o nosso apoio.
Editor
Justiça Ambiental – Boletim Bi-mestral do CTV Directora Executiva: Alda Salomão, L.L.M. Editor: Frederico Dava
Layout e Maquetização: Marcos A M Pereira
Colaboradores permanentes: Alda Salomão, Vicente Manjate, Frederico Dava, Marcos A M Pereira e Cristina M. M. Louro Distribuição: Gratuita, exclusivamente electrónica.
Por favor envie as suas contribuições, comentários e críticas para Centro Terra Viva – Estudos e Advocacia Ambiental, Av. Agostinho Neto, 799 1o andar flat 4, Maputo - Moçambique. Tel: 303267; Fax 303724.
Email: [email protected], Web: www.ctv.org.mz
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL MOÇAMBICANA
“São proibidas todas as actividades que atentem contra a conservação, reprodução, qualidade e quantidades dos recursos biológicos, especialmente os ameaçados de extinção.”
Artigo 12, Lei do Ambiente, 20/97, de 1 de Outubro