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Capítulo II: MECÂNICA DO CAMPO CONTÍNUO DE POTENCIAIS GENERALIZADOS SEM IRREGULARIDADES. Capítulo II

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Capítulo – II

MECÂNICA DO CAMPO CONTÍNUO DE POTENCIAIS

GENERALIZADOS SEM IRREGULARIDADES

SUMÁRIO

MECÂNICA DO CAMPO CONTÍNUO DE POTENCIAIS GENERALIZADOS SEM

IRREGULARIDADES ... 1

MECÂNICA DO CAMPO CONTÍNUO DE POTENCIAIS GENERALIZADOS SEM IRREGULARIDADES ... 3

2. 1 – Objetivos do Capítulo ... 3

2. 2 – Introdução... 4

2. 3 – As Leis de Newton para o Meio Discreto (Partículas e Sistema de Partículas)... 5

2.3.1 - 1ª Lei de Newton ... 5

2.3.2 - 2ª Lei de Newton ... 5

2.3.3 - 3ª Lei de Newton ... 6

2. 4 – A Hipótese do Contínuo... 7

2. 5 – Transformação do Discreto para o Contínuo ... 10

i) Massa (Lei de Conservação da Massa) ... 12

ii) Momento Linear (1ª Lei de Newton para o Meio Contínuo)... 12

iii) Força (2ª Lei de Newton para o Meio Contínuo)... 12

iv) Forças de Ação e Reação (3ª Lei de Newton para o Meio Contínuo)... 12

2. 6 – Grandezas, Densidades ou Potenciais Generalizados ... 13

2.6.1 - Densidades ou Potenciais Generalizados (em termos da Geometria Euclidiana) 15 2.6.2 – Densidade ou Potencial Generalizado para o Potencial Escalar: O Calor... 16

2.6.3 – Densidade ou Potencial Generalizado para o Potencial Vetorial: A Deformação Elástica... 17

2.6.4 – Densidade ou Potencial Generalizado para o Potencial Vetorial: A Massa Fluida ... 18

2. 7 – Taxas Generalizadas (em termos da Geometria Euclidiana)... 19

(2)

2.8.1 – Fluxo Generalizado de Massa... 23

2. 9 – Equações Diferenciais e Integrais Básicas da Mecânica dos Meios Contínuos ... 26

2.9.1 – Teorema de Gauss e Teorema do Transporte de Reynolds para o Fluxo de uma Grandeza GX... 26

2.9.2 – Teorema da Divergência... 29

2.9.2 – O Teorema da Divergência a partir da Derivada Material de uma Grandeza ... 30

2.9.3 - O Teorema da Divergência Generalizado ... 31

2.9.4 - O Divergente e os Teoremas Correlatos ... 32

2. 10 – Leis Fundamentais Básicas da Mecânica dos Meios Contínuos... 35

2.10.1 – Equação da Continuidade para o Potencial Generalizado... 35

2.10.2 - Equação da Continuidade e Conservação da Massa... 37

2. 11 – Equação do Movimento Generalizada para a Mecânica dos Meios Contínuos ... 39

2.11.1 – Equações da Quantidade de Movimento... 39

2. 12 –Equação Constitutivas dos Potenciais Generalizados em termos da Geometria Euclidiana ... 47

2.12.1 – Fenomenologias da Mecânica do Contínuo descritas no Espaço Euclidiano ... 47

2.12.2 – O Fluxo de Generalizado, JX, através de uma Superfície... 48

2. 13 – A Equação de Distribuição do Potencial Escalar Generalizado e a Densidade Volumétrica Associada... 52

2.13.1 – Equação do Potencial Generalizado em termos da Geometria Euclidiana ... 52

2.13.2 - Equação Constitutiva para o Fluxo do Potencial Escalar (Fluxo de Calor nos Sólidos – Lei de Fourier)... 54

2.13.3 - Equação de Distribuição do Potencial Escalar Generalizado para a Teoria do Calor ... 55

2. 14 – Exercicicos e Problemas... 58

(3)

Capítulo – II

MECÂNICA DO CAMPO CONTÍNUO DE POTENCIAIS

GENERALIZADOS SEM IRREGULARIDADES

RESUMO

Neste capítulo será visto a fundamentação matemática básica da teoria do campo escalar, vetorial e tensorial em um meio material regular, onde desenvolvemos o cálculo analítico das equações dos fluxos em termos dos volumes, das superfícies e dos contornos sem a presença da irregularidades no contorno e da porosidade no domínio geométrico do problema.

2. 1 – Objetivos do Capítulo

i) Apresentar a transição da Mecânica de Newton do Discreto para a Mecânica do Contínuo. ii) Estabelecer a conexão entre o Meio Discreto e o Contínuo.

iii) Estabelecer as transformações das equações do meio discreto para o contínuo

iv) Descrever a Mecânica do Continuo Clássica apresentando os conceitos e os teoremas fundamentais, as principais equações diferenciais e integrais básicas de potencial, fluxo e continuidade.

v) Obter a partir das leis de Newton da Mecânica a Equação de Movimento de um Meio

Contínuo sem irregularidades.

vi) Fundamentar os resultados desta teoria para se fazer uma ampliação dos conceitos utilizados neste capítulo com a presença de porosidade do volume e rugosidade das

(4)

2. 2 – Introdução

Embora os primórdios de um estudo da mecânica dos corpos e das partículas datam desde a Grécia antiga com os trabalhos de Aristóteles, uma descrição consistente de uma equação de movimento para partículas e corpos sólidos iniciou-se com os trabalhos de Galileu, seguido por Newton, seguido por Leibnitz e Lê Chatelier. Após inúmeros desenvolvimentos matemáticos que levaram em conta o sistema de coordenadas utilizados na descrição de um movimento, D’Alambert, Euler e Lagrange também obtiveram as mesma equações de Newton, na sua forma generalizada, utilizando princípios variacionais. Estas

equações passaram a se chamar de equações de Euler-Lagrange. O desenvolvimento matemático realizado até então, demonstrou que determinados princípios gerais estão subtendidos no movimento de corpos e partículas, entre eles o princípio da mínima ação. Gibbs e Onsager estenderam as generalizações da mecânica de Euler-Lagrange para leis de fluxos na termodinâmica de processo irreversíveis incluindo a formulação do contínuo.

A transição da Mecânica Clássica para a Mecânica do Contínuo se deu graças ao estudo dos corpos deformáveis onde se aplicou os princípios utilizados na Mecânica das Partículas Discretas extendo-as para o Campo Contínuo. Uma generalização análoga as equações de Euler-Lagrange foi feita por Elsheby na qual o tensor de Elsheby-Rice foi pela

primeira vez obtido.

Para se iniciar uma descrição matemática do problema do movimento de uma partícula, pode-se optar pela linha histórica ou cronológica dos desenvolvimentos que se seguiram desde Aristóteles até a idade moderna com Laplace, Poincaré, Lorenz, etc, ou optar pela linha de descrição conceitual que se inicia com o conceito de momento linear, energia, ação, etc. Contudo, o surgimento desses conceitos mais fundamentais como o de ação, momento linear, energia, e de lagrangeano só apareceram muito tempo depois do

desenvolvimento inicial dado por Newton. Desta forma, tanto a linha histórica e cronológica do desenvolvimento da mecânica parecem ter suas vantagens e desvantagens. Portanto, vamos

procurar mesclar as duas linhas de descrição de forma a se obter uma ascendência linear no desenvolvimento do raciocínio lógico que deu origem a mecânica.

(5)

2. 3 – As Leis de Newton para o Meio Discreto (Partículas e

Sistema de Partículas)

Vamos iniciar esta secção apresentando a descrição do movimento de uma

partícula a partir da postulação das três Leis de Newton, mas sem fazer quaisquer considerações sobre a sua origem matemática ou histórica.

Em resumo as três leis de Newton se baseiam na conservação das grandezas: massa, momento e energia e podem ser formalizadas nas seguintes expressões matemáticas para o caso do movimento discreto de um sistema de partículas ou do centro de massa de um corpo rígido, conforme mostra a Figura - 2. 1.

2.3.1 - 1ª Lei de Newton

A primeira lei está relacionada com o estado de movimento (massa e velocidade) e estabelece um princípio de inércia a partir do qual “nenhum corpo inicia ou cessa seu estado

de movimento sem que sobre ele atue uma força”. Observe que para enunciar este principio

recorreu-se ao conceito de estado de movimento, o qual pode ser representado pela seguinte expressão:

pmv (2. 1)

Nesta equação (2. 1) a letra p representa o momento linear da partícula, e m a massa e v a sua velocidade. Também devemos observar que o princípio da inércia admite também a existência de um outro conceito, o de força, cuja relação com o momento linear é dado pela chamada 2ª lei de Newton:

2.3.2 - 2ª Lei de Newton

A segunda lei proposta por Newton está relacionada a conservação do momento linear e essa proposição feita por Newton estabelece-se que a força resultante que atua sobre um determinado corpo ou partícula possui um valor dado pela derivada temporal do momento linear resultante do sistema, de acordo com a seguinte expressão:

dp F dt    (2. 2)

(6)

conceitos anteriormente estabelecidos.

2.3.3 - 3ª Lei de Newton

A terceira está relacionada a conservação da quantidade de movimento e esta última proposição considera-se que as forças atuantes sobre os corpos possuem sua origem nos campos (como o campo gravitacional, elétrico, magnético, etc) e nos contatos entre superfícies (forças de pressão, choques ou colisões, etc). Neste sentido a complementaridade das forças que atuam a partir de um mesma linha de ação, segue o seguinte postulado:

Quando corpos são submetidos a forças, estas possuem ação e reação iguais e opostas e de mesma intensidade que não se anulam entre-si, porque atuam em corpos diferentes, ou seja:

ação reação

F  F (2. 3)

Esta proposição também está relacionada com a interação entre corpos que pode se dar por

campo ou por contatos. Esta distinção ficará mais clara e útil no contexto da mecânica do contínuo quando se utilizar o Princípio de Pascal.

Neste ponto é preciso ressaltar a diferença da natureza desses dois tipos de interação que dão origem as forças de campo e de superfície (geradas pelo contato, pressão, colisão, etc). Portanto, para uma descrição mais acurada do movimento de um corpo ou partícula, deve-se distinguir na equação (2. 2) a natureza das força de campo e de superfícies da seguinte forma:

dt

p

d

F

F

c s

(2. 4)

Esta distinção ficará mais clara e útil no contexto da mecânica do contínuo quando se utilizar o Princípio de Pascal.

A aplicação das leis de Newton ganhou grande abrangência na física e na

engenharia pela sua capacidade de explicar uma variedade enorme de fenômenos mecânicos que vão desde o movimento de partículas, corpos celestes até sólidos e fluidos. Neste último contexto essas leis obtiveram uma nova roupagem matemática que se iniciou com a hipótese do contínuo.

(7)

Figura - 2. 1. Movimento descrito pelas Leis de Newton para o caso discreto a) um sistema de partículas; b) o centro de massa de um corpo rígido .

(8)

A hipótese do contínuo assume que os materiais, sólidos e fluidos (que podem ser líquidos ou gases), são distribuídos continuamente pela região de interesse do espaço, isto é, tanto um quanto o outro, no caso sólido ou fluido, por exemplo, são tratados como um meio

contínuo sem recorrer a uma descrição atomística discreta.

Consideremos um material sólido formado por átomos como um metal, por exemplo. O espaço percorrido por um elétron entre duas colisões consecutivas com o núcleo dos átomos é chamado de caminho livre médio, l, (Figura - 2. 2).

Figura - 2. 2. Caminho livre médio, l, entre duas colisões consecutivas de um elétron com os núcleos de um sólido atômico.

Consideremos o caso onde o caminho livre médio, l, é da mesma ordem de

grandeza do volume de controle, L, isto é, L  l. Neste caso, os fenômenos físicos existentes

não fazem parte do âmbito da Mecânica do Contínuo (1) e sim da Mecânica Estatística.

Contudo, se o caminho livre médio(2), l, entre duas colisões consecutivas for muito menor do que a extensão física do volume de controle considerado, L, ou seja, quando L >>

l, a ciência capaz de tratar os fenômenos envolvidos neste volume de observação é a Mecânica

do Contínuo. Por exemplo, para os gases, o caminho livre médio é aproximadamente 10-7mm.

Logo, qualquer volume de controle da ordem de milímetros está dentro do intervalo de conceituação dada pela Mecânica do Contínuo. Portanto, a propriedade usada para determinar

se a idéia de contínuo é apropriada, ou não, é a massa específica, ou densidade, , definida por:

1

Teoria do Calor, Mecânica dos Sólidos ou Fluidos

2

alguns livros trazem os termos “livre caminho médio”, “caminho médio livre de colisões”, que são todo equivalentes

(9)

V

m

V

lim

0

(2. 5)

Onde, m, é a massa incremental contida no volume, incremental, V . Isto significa que a densidade do sólido contido neste volume sofre flutuações desprezíveis para a descrição matemática da Mecânica do Contínuo de tal forma que esta pode ser calculada pela equação (2. 5).

Figura - 2. 3. Hipótese do contínuo para o limite infinitesimal do volume de controle de um fluido. a) Medida da densidade em um ponto. b) Variação desta medida com o volume considerado.

Fisicamente não se pode fazer V  , já que, quando 0  fica extremamente V

pequeno a massa contida nele varia descontinuamente de pendendo do número de átomos em

V

 . Na prática, existe um volume pequeno abaixo do qual a idéia de contínuo falha, como pode-se ver na Figura - 2. 3, pois abaixo desse volume, , tem-se um valor no qual as distâncias lineares são da ordem do livre caminho percorrido pelas moléculas. Sendo assim, a hipótese do contínuo é válida quando tem-se, Ll, ou seja, a distância linear (L) é maior que o livre caminho médio ( l ) como já foi dito anteriormente, e não é válida para L . l

Conforme o gráfico da Figura - 2. 3, a partir do ponto A entramos na região de

domínio da Mecânica do Contínuo, onde não depende mais da escala de observação do volume de controle, ou seja, esta é a condição de continuidade da matéria. Nesta figura

mostra-se como uma medida é aceitável dentro da hipótese do contínuo. Termodinamicamente falando este volume equivale àquele que contém um mínimo de 1015 partículas, pois coincide com o limite termodinâmico, veja por exemplo, a representação mostrada na Figura - 2. 3a.

(10)

tamanho do próprio sistema que está sendo analisado, pois se analisarmos uma grandeza com dimensões maiores que o tamanho do sistema este se torna insignificante. Por exemplo, assumindo-se um rio como um sistema fluido, se for tomado um volume suficientemente

pequeno, abaixo de , teremos L  l e assim, a hipótese do contínuo não é válida. Porém, se

tomarmos um volume muito grande para analisar o sistema fluido rio, como o planeta terra, por exemplo, como se estivéssemos sobrevoando-o em um avião a grande altitude, observando a terra, o rio será considerado e visto como uma linha e não como um fluido em movimento.

(11)

A transformação da descrição matemática da Mecânica das Partículas para a Mecânica do Contínuo, se dá quase que naturalmente com o surgimento do conceito de “densidade generalizada” ou grandeza específica. Esse conceito é dado pela quantidade de

uma determinada grandeza contida em um volume infinitesimal do contínuo, ou seja, para o caso de um meio onde vale a hipótese do contínuo, precisamos transformar as grandezas de partículas discretas em densidades que serão, nada mais nada menos, que suas respectivas grandezas por unidade de volume.

A transição da forma matemática das leis de Newton do caso discreto para o contínuo é feito por meio das seguintes transformações matemáticas, de massa, momento linear, força, etc:

: p F X m dm dV p dp dV F dF dV X dX dV                . (2. 6)

onde utiliza-se as respectivas densidades generalizadas.

: : : : : p F dm m massa dV dp p J momento dV dF F f força dV d outras dV          XX X         . (2. 7)

De forma análoga a transformação matemática da massa em densidade de massa, a

transformação do momento linear segue o mesmo raciocínio dessa transformação, ou seja, a densidade de momento corresponde a quantidade de momento contida em um volume infinitesimal do contínuo. Por último, a equação de movimento segue das transformações anteriores em que a densidade de forças é dada pela variação temporal da densidade dos momentos lineares.

A escala necessária para que essa transição seja válida é mostrada esquematicamente na Figura - 2. 4.

(12)

i) Massa (Lei de Conservação da Massa)

Logo a transformação matemática destas grandezas fica estabelecida como:

dV

dm

m

. (2. 8)

onde,

ii) Momento Linear (1ª Lei de Newton para o Meio Contínuo)

De forma análoga a transformação do momento linear segue o mesmo raciocínio da transformação da massa, ou seja, a densidade de momento corresponde a quantidade de momento contida em um volume infinitesimal do contínuo, ou seja:

v

dV

p

d

J

p

m m

. (2. 9)

iii) Força (2ª Lei de Newton para o Meio Contínuo)

Por último a equação de movimento segue das transformações anteriores em que a densidade de forças é dada pela variação temporal da densidade dos momentos lineares.

R R dp dF F f dt dV       . (2. 10) onde d dp d dp dV dt dt dV                . (2. 11) Logo

R d v f dt    . (2. 12)

iv) Forças de Ação e Reação (3ª Lei de Newton para o Meio Contínuo)

(13)

intensidade e sinal oposto a força de reação ( fji), da seguinte forma: ji ij ji ij

F

f

f

F

. (2. 13) ou ação reação f  f . (2. 14)

Figura - 2. 4. Relação entre tamanho de um corpo continuo com 1023 átomos e uma partícula do continuo no interior do corpo com1015 átomos resultando em uma escala de 1:108 do corpo.

(14)

Na secção anterior vimos a definição de várias densidades as quais serão chamadas de densidades generalizadas : : : : densidade de massa J densidade de momento f densidade de força outras densidades X ρ   (2. 15)

e podem ser generalizadas da seguinte forma:

Como conseqüência da hipótese do contínuo, nós devemos transformar as grandezas da Mecânica Clássica e da Mecânica dos Sólidos, etc. em densidades generalizadas, fazendo as grandezas originais se tornarem em grandezas por unidade de volume. Desta forma,

uma grandeza Xm p F U etc, , , ,  qualquer tipo de grandeza (3) que deverá ser transformada na sua respectiva densidade da seguinte forma:

V

X

V X

lim

0

. (2. 16)

esta densidade pode ser utilizada para definir uma densidade generalizada. Logo podemos escrever:

d d dm d

dV dm dV dm

XXXX X. (2. 17)

Observe que de forma geral a densidade generalizada depende da densidade de massa do meio e da relação da grandeza X com a massa do elemento de infinitesimal de volume que a contém.

3

Essa grandeza X possui uma natureza geral que podem ser número de partículas, N, massa, m, momento linear,

p

, carga elétrica, q, Força, F , Energia, U, calor, Q, U entropia S, Potencia, P, etc) respectivamente, que podem ser grandezas escalares, vetoriais, tensoriais, como os tensores de tensão , Polarização P , etc. ou seja qualquer outro tipo de grandeza matematizável.

(15)

2.6.1 - Densidades ou Potenciais Generalizados (em termos da Geometria

Euclidiana)

Para a descrição das grandezas físicas as quais foram historicamente generalizadas no contexto da Mecânica do Continuo e da Termodinâmica, vamos utilizar como base a geometria euclidiana. Dentro desta geometria o sistema de coordenadas adotado será o sistema cartesiano, podendo ser utilizado o sistema de coordenadas curvilíneo que se fizer necessário e adequado à descrições que se seguirem.

Dentro da Mecânica do Contínuo define-se uma densidade generalizada de uma

grandeza

X

, em termos da geometria euclidiana, associada ao meio e a essa grandeza

X

, como sendo: o Xo

dV

dX

ρ

. (2. 18)

Onde

X

é a densidade generalizada pode ser rescrita como:

o o Xo

dV

dM

dM

d

dV

d

X

X

ρ

. (2. 19) logo

dM

d

Mo Xo

X

ρ

. (2. 20)

onde M é a densidade de massa ou a massa especifica.

O uso de densidades generalizadas ficará claro quando invocarmos a equação da continuidade. Para título de ilustração exemplificaremos o cálculo da densidade generalizada para o fluxo de calor, para o fluxo de deformações elásticas e para o fluxo de massa fluida.

(16)

2.6.2 – Densidade ou Potencial Generalizado para o Potencial Escalar: O Calor

Definindo a densidade volumétrica de calor em termos da geometria euclidiana

temos: o Qo

dV

dQ

. (2. 21)

onde esta densidade generalizada para o calor é dada por:

o o Qo

dV

dm

dm

dQ

dV

dQ

. (2. 22) ou

dm

dQ

mo Qo

. (2. 23)

onde é a densidade de massa ou a massa especifica.

Para calcular o termo que falta, podemos determiná-lo pela definição do calor específico, de onde sabemos que:

T

mc

Q

(2. 24)

e m é a massa do corpo c é o calor específico a pressão constante. Logo

T

c

dm

dQ

. (2. 25) Retornando (2. 25) em (2. 23) temos:

T

c

mo Q

. (2. 26)

Observe que a densidade generalizada do fluxo de calor é uma grandeza escalar e possui dimensão de unidade de energia por unidade de volume.

(17)

2.6.3 – Densidade ou Potencial Generalizado para o Potencial Vetorial: A

Deformação Elástica

A densidade volumétrica generalizada de energia sob a forma de deformação é dada pela transferência de momento na deformação elástica cuja densidade generalizada termos da geometria euclidiana é pode ser expressa como:

o uo

dV

U

d

. (2. 27) ou o o uo

dV

dm

dm

U

d

dV

U

d

. (2. 28) ou

dm

U

d

mo uo

. (2. 29)

onde é a densidade de massa ou a massa especifica. Sendo a quantidade de momento linear transmitido pelas deformações dadas por:

dt

u

d

mc

U

(2. 30)

e m é a massa da deformação do corpo c é uma constante de acoplamento elástico. Mas a taxa de deformação pode ser escrita como:

dt

u

d

c

dm

U

d

(2. 31)

logo, substituindo (2. 31) em (2. 29) temos:

dt

u

d

c

mo uo

. (2. 32)

considerando a constante c  temos: 1

uo mou

  . (2. 33)

(18)

sua dimensão é dada em momento linear por unidade de volume.

2.6.4 – Densidade ou Potencial Generalizado para o Potencial Vetorial: A Massa

Fluida

Definindo a densidade volumétrica de momento em termos da geometria euclidiana temos: o po

dV

p

d

. (2. 34)

onde esta densidade generalizada para fluido.

A densidade de energia sob a forma de taxa de deformação é dada pela transferência de momento na deformação do fluido cuja densidade generalizada é dada por:

po m o o dp dp dm J dV dm dV       . (2. 35) ou

dm

p

d

mo po

. (2. 36)

onde mo é a densidade de massa ou a massa especifica do fluido.

Para calcular o termo que falta podemos determiná-lo pela definição do momento de uma partícula.

v

m

p

(2. 37)

e m é a massa do corpo. Logo

v

dm

p

d

. (2. 38) Retornando (2. 38) em (2. 36) temos:

v

m po

. (2. 39)

Esta densidade generalizada de momento linear possui caráter vetorial de forma semelhante a densidade volumétrica de força que é uma grandeza de força bem conhecida da Mecânica do Contínuo.

(19)

2. 7 – Taxas Generalizadas (em termos da Geometria Euclidiana)

Na natureza algumas grandezas dinâmicas podem ser representadas por meio de taxas e fluxos generalizados. Entre eles está a taxa e o fluxo de massa, o fluxo de calor, o fluxo de momento linear, etc., que atravessa um corpo, por exemplo.

Definimos a taxa de uma determinada grandeza

X

como sendo:

d dt

X

X . (2. 40)

a derivada temporal de uma grandeza

X

define uma grandeza chamada de derivada material no contínuo a qual é descrita a seguir:

2.7.1 - Conservação de uma Grandeza Generalizada e a sua Derivada Material

A quantificação de uma grandeza, GX, de um meio contínuo deve levar em conta o volume na qual esta grandeza se encontra sob controle. Normalmente ao se deslocar de um

ponto a outro um meio contínuo pode-se sofrer variação de volume, mas a grandeza GX como

um todo pode permanecer constante, se o sistema não for dissipativo. Contudo, em relação a

uma região delimitada do espaço, denominada volume de controle, esta grandeza G pode X

está variando e por isso torna-se necessário equacioná-la de forma a saber quanta dessa

grandeza atravessa (chega e sai) por unidade de tempo, conforme mostra a Figura - 2. 5. Logo,

de uma forma geral, se GXGX

x y z t, , ,

temos: ( , , ) X X X X X dG x y z G x G y G z G dt x t y t z t t                   (2. 41) ou X X X X X x y z dG G G G G v v v dt x y z t             (2. 42) Simplificando temos:  . X X X Transpote Local dG G v G dt t        (2. 43)

(20)

denominada, GX. Esta expressão é absolutamente geral para as grandezas GX = Q (calor), q

(carga elétrica), C (concentração), p (momento), etc. e suas respectivas densidades, X, de, calor, carga elétrica, concentração, momento, etc.

Figura - 2. 5. Volume e superfície de controle na qual atravessa uma massa fluida, dm = dV, em um intervalo infinitesimal de tempo, dt, com velocidade, v.

De forma análoga, vamos considerar a derivada material de qualquer grandeza generalizada, denominada, GX, como sendo dada por:

. X X X dG G v G dt t       (2. 44)

Definido-se a grandeza GX como sendo da por meio de uma densidade generalizada, X, temos:

X X X V G

ρ dV (2. 45) A equação (2. 43) torna-se: . X X X X X V V d dV v G dV dt t     

ρ

ρ (2. 46)

Esta expressão é absolutamente geral para as grandezas GX = Q (calor), q (carga

elétrica), C (concentração), p (momento), etc. e suas respectivas densidades, X, de, calor, carga elétrica, concentração, momento, etc.

(21)

2. 8 – Fluxos Generalizados (em termos da Geometria Euclidiana)

De forma geral o fluxo de uma grandeza generalizada

X

que atravessa uma área infinitesimal, dAo, em um intervalo infinitesimal de tempo, dt, é definido como:

Xo o o d d d dt dA dA       X X J   . (2. 47)

O sobrescrito “ o ” indica que a geometria considerada é a geometria euclidiana regular.

Esta grandeza,

X

, é de natureza geral e pode ser um escalar (massa M, carga elétrica q, calor

Q, energia U entropia S, etc ) ou um vetor (momento p , velocidade

v

, etc.) ou um tensor (tensão

, Polarização

P

, etc.). O sobrescrito “o” indica que a geometria considerada é a geometria euclidiana regular.

Seja

J

Xo o fluxo generalizado da grandeza

X

que atravessa uma superfície euclidiana sem rugosidade, onde

A

o é a área de projeção euclidiana que o fluxo

J

Xo

atravessa. Mantendo-se a relação entre as taxas temporais da grandeza

X

inalterada, a equação (2. 47) pode ser reescrita como:

Xo

d

A

o

dt

d

J

X

. (6. 1)

Tomando a derivada volumétrica dos dois lados da equação (2. 92) temos:

o Xo

d

A

dV

d

dt

d

dV

d

J

X

. (6. 2)

dependendo da natureza da grandeza

X

temos a seguinte consideração geral a fazer. Pode-se definir de forma absolutamente geral que, o lado direito da equação (2. 93) corresponde a uma

operação sobre o fluxo

J

Xo. Como este fluxo é de natureza tensorial generalizada e ele pode ser também uma grandeza escalar, ou um vetor, vale ressaltar que:

o Xo Xo i

A

d

dV

d

x

J

J

(6. 3) ou

(22)

S i ijk i ijk

dA

n

J

dV

d

x

J

... ... (6. 4)

observe que a operação do lado esquerdo de (2. 94) envolve uma somatória (índices repetidos – notação de Einstein) que pode ser representado de forma mais direta pelo operador nabla.

Xo Xo

d

A

o

dV

d

J

J

.

(6. 5)

A natureza da operação de nabla sobre o campo

J

Xo dependerá da sua natureza tensorial. Pois se este pode ser um escalar (tensor de ordem zero), um vetor (tensor de ordem um) ou um tensor como usualmente conhecemos. Logo, teremos:

 

(

:

)

)

:

(

Vetor

Tensor

A

d

dV

d

div

Escalar

Vetor

J

A

d

J

dV

d

J

div

o Xo o Xo Xo

Xo Xo Xo

J

J

J

. (6. 6)

Aqui é importante observar como o Teorema de Gauss pode ser escrito a partir de (2. 92) em termos de volumes, como:

S i ijk V i ijk

dA

n

J

dV

x

J

... ... (6. 7) onde i,j,k,...= 1,2,3..

Definindo-se o divergente como sendo a seguinte operação matemática aplicada a

grandeza escalar,

X

:

dt

dX

dV

d

J

o Xo

.

. (6. 8)

Aqui é importante observar como o teorema da divergência pode ser escrito a partir de (2. 92) em termos de volumes, como:

Xo o

o Xo

J

d

A

dV

d

J

.

. (6. 9)

(23)

J

Xo

d

A

o

.

J

Xo

dV

o. (6. 10) Substituindo (6. 10) em (2. 92) temos: o Xo

dV

J

dt

dX

.

. (6. 11)

Trocando a ordem das derivadas (6. 8) podemos escrever:





o Xo

dV

dX

dt

d

J

.

. (6. 12)

Retornando a equação (6. 12) temos a equação da continuidade definida para várias fenomenologias nas geometrias euclidiana regular:

Xo Xo

dt

d

J

.

. (6. 13)

Note que para esse caso particular de X ser uma grandeza escalar chegamos ao resultado (6. 13). Contudo, se quisermos generalizar o resultado podemos escrever:

dt

d

Xo Xo

ρ

J

.

(6. 14)

A conclusão que podemos tirar deste resultado é que para cada fluxo existe um

potencial ou densidade generalizada associado por uma operação diferencial no sistema de coordenadas no qual as grandezas são descritas.

2.8.1 – Fluxo Generalizado de Massa

O primeiro fluxo a ser considerado é o fluxo de massa a partir de (2. 47)

m o o dm d dm J dt dA dA          . (2. 48)

usando a regra da cadeia podemos escrever:

0 0 0 m dV d dm J dV dt dA        . (2. 49) ou

(24)

0 0 m o dV d J dt dA        . (2. 50)

onde dV dt é uma espécie de vazão. Logo, /

0 0 0 m o o d dV d dV J dt dt dA dA          . (2. 51)

como a densidade não depende da área temos:

0 o d dA   . (2. 52) então 0 m o dV d J dt dA        . (2. 53) mas dV0dA dxo. 

Figura - 2. 6. Fluxo de massa atravessando uma região infinitesimal do espaço com volume dV e área superficial dA. Logo, . o m o dA dx d J dt dA         . (2. 54)

(25)

m dx J dt        . (2. 55) ou finalmente m m J v . (2. 56)

observe que o fluxo de massa é igual ao escoamento ou a densidade de momento definidos anteriormente.

.

Fluxo GeneralizadoDensidade Associada Velocidade Associada . (2. 57) Concluímos que para alguns casos o fluxo de massa equivale a densidade de momento ou a taxa de escoamento. Observe que sempre haverá uma relação entre fluxos de uma grandeza com a densidade associada.

(26)

2. 9 – Equações Diferenciais e Integrais Básicas da Mecânica dos

Meios Contínuos

2.9.1 – Teorema de Gauss e Teorema do Transporte de Reynolds para o Fluxo de

uma Grandeza G

X

Para derivar as equações que governam o escoamento de um meio contínuo compressível, nós precisamos considerar integrais de qualquer função de posição e tempo

)

,

( t

r

X

sobre um volume de meio contínuo. Este volume se moverá com o meio contínuo mas consiste das mesmas partículas. Tal volume é chamado de um volume material e será denotado por VX(t). Logo, considerando-se a grandeza GX como sendo da por meio de uma

densidade generalizada, X, temos:

( ) ( ) , X X X V t G t

ρ r t dV(2. 58)

A qual define a função de t. O teorema de transporte de Reynolds’s nos diz como calcular a

derivada de GX( )t em relação ao tempo.

 

( ) , X X X V t dG t d r t dV dtdt

 (2. 59)

Note que por causa do volume V(t) variar com o tempo e mover-se com o meio contínuo, não é possível tomar a derivada sob o sinal de integração, Contudo, é necessário usar a derivada

material de GX( )t . Portanto o teorema pode ser escrito como:

. X X X X X X V V V d dV v dV dV dt t     

ρ

ρ

ρ (2. 60) A equação (2. 43) torna-se:

( ) ( ) , X X X X V t V t d r t dV v dV dt t         

ρ

ρ ρ (2. 61)

Onde v é a velocidade da partícula fluida.

Retornando a derivada material dada em (2. 43) podemos escrever a versão integral desta equação. Para realizarmos este cálculo devemos considerar o fato que sendo

(27)

X X

dG dV

ρ , onde ρX é a densidade associada a grandeza X , logo:

Tomando o primeiro termo do lado direito de (2. 60) temos:

. .

X

X X

V

vG  

ρ dV v(2. 62)

Passando o operador gradiente para dentro da integral, temos:

. . X X X X X X V V vG

ρ v dV 

ρ   v v ρ dV (2. 63)

Mas dV = dxdydz, logo:

. X X X X X V v G v v v dV x x x              

ρ ρ ρ     (2. 64) Então

. X X X X X V vG

ρ v dydz   ρ v dxdz   ρ v dxdz(2. 65) Logo

ˆ

ˆ

ˆ . . . . X X X x X y X z S vG

ρ v n dydz  ρ v n dxdz  ρ v n dxdy(2. 66) Ou ˆ ˆ ˆ . .. .. . X X X x x X y y X z z S vG

ρ v n dA ρ v n dA ρ v n dA(2. 67) Portanto . . X X X S vG

ρ v dA  (2. 68)

Por outro lado, tomando o segundo termo do lado direito de (2. 43) ou (2. 60) temos que a taxa de variação temporal de G é:

X X X X X V V G dV dV t t t       

ρ ρ (2. 69)

(28)

. X X X X X S V dG v dA dV dt t    

ρ  

ρ (2. 70)

Aplicando o teorema (2. 68) a equação (2. 61) ou substituindo de volta (2. 58), (2. 68) e (2. 69) em (2. 43) nós obtemos a seguinte forma equivalente do teorema de transporte:

( ) ( ) ( ) , . X X X X X X V t S t V t d r t dV v ndA dV dt t    



ρ



ρ  



ρ (2. 71)

Onde SX(t) é a superfície de VX(t) e

é o vetor unitário normal dirigido para fóra de SX(t).

Fisicamente, a equação (2. 71) estabelece que a taxa de variação da integral de

,

X r t

ρ  é igual a integral da taxa de variação de ρX

r t,

sobre uma região fixada mais a resultante do fluxo de através da superfície SX(t). O resultado permanece para qualquer função

escalar, vetorial ou tensorial.

Chamando de JXρXv ao fluxo de massa que atravessa a superfície do volume de controle temos o seguinte resultado geral:

. X X X X X S V dG dA dV dt t    

J

ρ (2. 72)

Figura - 2. 7. Volume e superfície de controle nos quais atravessam um fluxo, J, de uma grandeza G, compressível, em um intervalo infinitesimal de tempo, dt, com velocidade, v.

Para o caso em que a grandeza total se conserva, ou quando o volume de controle não envolve

a fonte de massa, temos que dGX /dt 0, logo

. 0 X X X X S V dA dV t    

J

ρ (2. 73)

(29)

Esta equação diz que quando a massa é constante, o que o fluxo de uma grandeza,

G que atravessa a superfície é igual a variação de massa no seu volume de controle.

2.9.2 – Teorema da Divergência

Vamos agora definir, assim como o gradiente, um novo operador diferencial que ajudará muito na solução de problemas de fluxo de massa e energia. Na verdade, a interpretação física deste operador é que ele determina qual é a fonte do campo, isto, se o volume de controle inclui essa fonte nos cálculos. Portanto, a partir de (2. 68) vamos tomar a derivada em relação ao volume desta grandeza de tal forma que:

( . ) . (grandeza intensiva) X X X S d v G d v dA dV dV  

ρ  (2. 74)

A qual chamaremos de divergente da grandeza escalar (x,y,z,t) definida por:

. . (vazão) X X X S v G v dA   

ρ   (2. 75) Como (fluxo) XXv J ρ  (2. 76)

Logo (x,y,z,t) pode ser escrito como:

. X X S dA  

J(2. 77)

Podemos chamar de divergente de JX a equação:

0 . X lim V d V dV        J (2. 78) logo . . X X X S d dA dVJ

J(2. 79)

Do qual podemos escolher o volume do cálculo do divergente coincidente com o volume de controle da área utilizada no cálculo da vazão, e escrever:

(30)

. . X X X S dV ddA       

J J  (2. 80) ou integrando no volume: . . X X X X X V V S dV ddA        

J

J  (2. 81) Finalmente temos: . . X X X X V S dV dA  

J

J(2. 82)

Desde que a superfície de controle, S, contenha o volume de controle, V.

Este teorema da divergência, de uma forma geral, relaciona integral de volume com a integral de superfície.

2.9.2 – O Teorema da Divergência a partir da Derivada Material de uma Grandeza

Ainda podemos desenvolver a equação (6. 14) utilizando o conceito de derivada material visto na secção - 2.7.1 o qual veremos a seguir:

.

Xo Xo Xo

d

v

dt

t

 

ρ

ρ

ρ

(2. 83) substituindo (2. 83) em (6. 14) temos:

.

.

Xo Xo

v

Xo

t

ρ

J

ρ

(2. 84)

integrando em relação ao volume temos:

.

.

Xo Xo Xo V V V

dV

v

dV

dV

t

J

ρ

ρ

(2. 85)

a partir de (2. 68) temos que:

ˆ

.

Xo Xo

.

V S

v

dV

v ndA

ρ

ρ

(2. 86) logo

(31)

ˆ

.

.

Xo Xo Xo V S V

dV

v ndA

dV

t

J

ρ

ρ

(2. 87) sendo Xo

Xo

v

J

ρ

(2. 88) temos:

ˆ

.

.

Xo Xo Xo V S V

dV

ndA

dV

t

J

J

ρ

(2. 89)

para a situação estacionária temos:

0

Xo

t

ρ

(2. 90) Portanto,

ˆ

.

Xo Xo

.

V S

dV

ndA

J

J

(2. 91)

Esta é a expressão do teorema da divergência da forma como é comumente conhecido

2.9.3 - O Teorema da Divergência Generalizado

Seja

J

Xo o fluxo generalizado da grandeza

X

que atravessa uma superfície euclidiana sem rugosidade, onde

A

o é a área de projeção euclidiana que o fluxo

J

Xo

atravessa. Mantendo-se a relação entre as taxas temporais da grandeza

X

inalterada, a equação (2. 47) pode ser reescrita como:

Xo

d

A

o

dt

d

J

X

. (2. 92)

Tomando a derivada volumétrica dos dois lados da equação (2. 92) temos:

o Xo

d

A

dV

d

dt

d

dV

d

J

X

. (2. 93)

(32)

operação sobre o fluxo

J

Xo. Como este fluxo é de natureza tensorial generalizada e ele pode ser também uma grandeza escalar, ou um vetor, vale ressaltar que:

o Xo Xo i

A

d

dV

d

x

J

J

(2. 94) ou

S i ijk i ijk

dA

n

J

dV

d

x

J

... ... (2. 95)

observe que a operação do lado esquerdo de (2. 94) envolve uma somatória (índices repetidos – notação de Einstein) que pode ser representado de forma mais direta pelo operador nabla.

Xo Xo

d

A

o

dV

d

J

J

.

(2. 96)

A natureza da operação de nabla sobre o campo

J

Xo dependerá da sua natureza tensorial. Pois se este pode ser um escalar (tensor de ordem zero), um vetor (tensor de ordem um) ou um tensor como usualmente conhecemos. Logo, teremos:

( : ) ( : ) Xo Xo o Xo o d

div J J dA J Vetor Escalar dV

d

div dA Tensor Vetor

dV        

Xo Xo Xo J J J      . (2. 97)

Aqui é importante observar como o Teorema de Gauss pode ser escrito a partir de

(2. 92) em termos de volumes, como:

... ... ( ...: n n 1) ijk ijk i ijk i V S J

dV J n dA Tensor ordem ordem x     

J (2. 98) onde i j k, , ,... 1, 2,3,...

2.9.4 - O Divergente e os Teoremas Correlatos

Se acontecer que: ( ) ˆ ( ) X X X S t d

J é Escalar J J ndA gradiente de um escalar dV       

(2. 99)

(33)

e ( ) ( ) ( ) ˆ ( ) ˆ ( ) ˆ ( ) X X S t X X X S t X X S t d

J J ndA gradiente de um vetor dV

d

J é um vetor J J ndA divergente de um vetor dV

d

J J ndA rotacional de um vetor dV                   

         (2. 100) e

( ) ( ) ( ) ˆ ( ) ˆ . . ( ) ˆ ( ) X X S t X X X S t X X S t d

J J ndA gradiente de um tensor dV

d

J é um tensor J J ndA divergente de um tensor dV

d

J J ndA rotacional de um tensor dV                   

(2. 101)

Observe que estas definições dão origem aos principais teoremas integrais do

contínuo:

( )

ˆ ( )

X X X

V S t

J é EscalarJ dVJ ndA Teorema do gradiente de um escalar

 

(2. 102) e ( ) ( ) ( ) ˆ ( ) ˆ ( ) ˆ ( ) ( ) X X V S t X X V S t X X X V S t

J dV J ndA Teorema do gradiente de um vetor

J dV J ndA Teorema do divergente de um vetor J é um vetor

J dV J ndA Teorema do rotacional de um vetor

Teorema de Stokes                  

         (2. 103) e

(34)

 

 

( ) ( ) ( ) ˆ ( ) ˆ . . ( ) ˆ ( ) X X V S t X X X V S t X X V S t

J dV J ndA gradiente de um tensor

J é um tensor J dV J ndA divergente de um tensor

J dV J ndA rotacional de um tensor

                 

(2. 104)

(35)

2. 10 – Leis Fundamentais Básicas da Mecânica dos Meios

Contínuos

A equação que agora vamos deduzir é chamada de equação da continuidade e na

sua forma generalizada, pode servir como equação de massa, energia, entropia, momento, etc.

2.10.1 – Equação da Continuidade para o Potencial Generalizado

Equações de potencias e fluxos que atravessam superfícies euclidianas lisas ou não-rugosas podem ser escritas em termos da geometria euclidiana.

Vejamos agora a utilidade do teorema da divergência para transformar a equação integral dada em (2. 72) em uma equação diferencial. Portanto substituindo (2. 82) em (2. 72) temos que: . X X X X X V V dG dV dV dt t     

J

ρ (2. 105)

Tomando-se os mesmo volume de controle tanto para o divergente como para o

fluxo temos que:

( X) . X X dG d dV dt t      ρ J (2. 106)

Ou trocando a ordem das derivadas totais temos:

( X) . X X dG d dt dV t      ρ J (2. 107) Substituindo (2. 58) em (2. 107) temos: . X X X d t dt      ρ ρ J (2. 108)

Essa é a forma da equação da continuidade. Ela retrata um balanço espaço-temporal da

grandezagenralizada em ρX onde essa é a densidade volumétrica associada a grandeza X .

Neste conjunto de fenomenologias que seguem a equação da continuidade estão os fenômenos, da difusão, transferência de calor, escoamento viscoso, deformação de sólidos, mecânica da fratura, eletromagnetismo, etc. A título de laboratório teórico e para os propósitos deste trabalho vamos formular os fenômenos de potencial escalar como a temperatura, e nos

(36)

fenômenos de potencial vetorial como a teoria da elasticidade e a mecânica da fratura.

Sendo X uma grandeza que se conserva absolutamente no tempo, ela estará o

sujeito a uma lei de conservação do tipo:

.JX X 0 t      . (2. 109)

Esta é a forma da equação da continuidade, para a maioria dos sistemas.

Para a situação de fluxo generalizado,

J

X, temos:

0

)

(

.

t

J

X X

(2. 110) Explicitando, JX, temos:

0

)

(

)

.(

t

v

X X

(2. 111)

Usando a identidade diferencial temos:

X X X

v

v

v

.(

)

(

.

)

.

(2. 112) Logo

0

)

(

.

)

.

(

t

v

v

X X X

(2. 113)

Esta equação explicita a equação da continuidade em termos da densidade

generalizada, X, e da velocidade,

v

.

Considerando o caso em que a massa total se conserva (d/dt = 0) temos:

0 (escoamento "incompressível" e permanente)

. 0

0 (escoamento "compressível" não permanente) t X X X X t t                  ρ ρ J ρ (2. 114)

Esta equação diz a mesma coisa que a equação (2. 105), porém em uma linguagem diferencial, ou seja, quando a massa é constante, o que variação volumétrica do fluxo de massa que atravessa a superfície é igual a variação temporal da massa no seu volume de controle. Esta equação decide se o escoamento é incompressível ou não.

(37)

2.10.2 - Equação da Continuidade e Conservação da Massa

A densidade é definida como:

dM dV

 (2. 115)

Como o volume V em geometria cartesianas é dado por:

d d d

i

VLdVdr dx (2. 116)

onde d é a dimensão topológica do espaço euclidiano. Logo,

d d d d i d M d M dr dx  (2. 117)

Considerando a massa total do sistema constante temos:

0

dM

dt  (2. 118)

donde, derivada material temos:

dM M v M dt t       (2. 119) sendo M

dV (2. 120) nos leva a:

d v dt t       (2. 121)

Como não há criação de massa

0 d dt  (2. 122) logo

v

0 t       (2. 123) Como

(38)

m J v (2. 124) fica . mi m i J J x      (2. 125) Então .Jm 0 t       (2. 126)

(39)

2. 11 – Equação do Movimento Generalizada para a Mecânica

dos Meios Contínuos

A partir das transformações matemáticas feitas anteriormente podemos iniciar a

descrição da Mecânica do Contínuo, a qual pode ser aplicada aos fenômenos de calor, elasticidade, viscosidade, fratura, etc., em sólidos e fluidos.

2.11.1 – Equações da Quantidade de Movimento

A 2ª Lei de Newton estabelece que:

R dp F dt    (2. 127)

Neste ponto, a fim de se obter uma descrição mais acurada do movimento de um corpo deformável, deve-se obter uma versão da equação (2. 2), para o caso do contínuo.

E a força resultante é dada pela somatória das forças externas aplicadas ao corpo contínuo. A força externa total é dada pelo Princípio de Pascal por:

R ext C S

F 

F F F (2. 128) Na mecânica do contínuo precisamos observar o Principio de Pascal (4) para separar somatória das forças sobre o corpo em dois tipos principais. Logo, neste ponto, é preciso ressaltar a diferença da natureza desses dois tipos de força de interação que dão origem

as forças de campo. Estas são de campo (gravitacional, campo elétrico, etc,) e de superfície (geradas pelo contato, pressão, colisão, etc) as quais compõem a força resultante sobre um corpo contínuo da seguinte forma:

R C S dp F F F dt

     (2. 129)

As forças externas que atuam sobre VX incluem ambas as forças de massa (devido

a gravidade) e as de superfície (devido as tensões). A força de massa total, f, é dada por:

4

Referências

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